Procuradores da Lava Jato saem em defesa de Deltan Dallagnol às vésperas de julgamento no Conselhão do MP

CNMP retomará a análise de processo disciplinar relacionado a Dallagnol

Deu no G1

A Lava Jato no Paraná defendeu, neste domingo, dia 6, manifestações do procurador da República Deltan Dallagnol. Além disso, convocou colegas a acompanhar análise de processo disciplinar sobre Dallagnol. Por meio de nota, o Ministério Público Federal (MPF) ressaltou que o caso não envolve a atuação de Dallagnol em processos da Lava Jato.

“O pedido é para que Deltan seja punido pelo CNMP [Conselho Nacional do Ministério Público] por manifestações realizadas em redes sociais, a exemplo de postagem em que ele se posicionou a favor do voto aberto para a escolha do Presidente do Senado”, diz um trecho da nota.

PROCESSO DISCIPLINAR – Na sexta-feira, dia 4, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) a retomar a análise de um processo disciplinar relacionado a Dallagnol. Na prática, ao tomar a decisão, Gilmar Mendes suspendeu a decisão do ministro Celso de Mello, que havia paralisado a análise do caso.

“Essas manifestações de Deltan, como outras feitas, são em defesa da causa anticorrupção, em defesa da sociedade. A alegação de que isso seria uma falta funcional já foi apresentada à Corregedoria do Ministério Público Federal, analisada e rechaçada. Mesmo assim, o caso foi novamente apresentado para julgamento perante o CNMP”, diz outro trecho da nota.

A ação é de relatoria de Celso de Mello, mas o ministro está em licença médica. Por isso, o processo foi encaminhado pelo STF para o gabinete de Gilmar Mendes. A sessão de julgamento no CNMP será às 9h de terça-feira, dia 8. Na nota, o MPF convida a todos, “e em especial aos colegas do Ministério Público brasileiro” para assistir à sessão, que será transmitida na internet. Veja o link.

INFRAÇÃO – “Independentemente do resultado da sessão do CNMP na próxima terça-feira, seguimos acreditando que todos os membros do MP jamais desanimarão da virtude ou terão vergonha da honestidade”, finalizou o MPF na nota. A ação contra Dallagnol foi apresentada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) e discute se o procurador cometeu infração disciplinar por suposta tentativa de interferência na disputa pela presidência do Senado em postagens sobre o parlamentar em rede social.

Em documento enviado ao Supremo, a defesa de Dallagnol afirmou que há irregularidades no andamento do processo, entre as quais não ter sido assegurado o amplo direito de defesa. Quando Celso de Mello suspendeu a análise do caso, o CNMP retirou o processo da pauta de julgamentos (relembre no vídeo abaixo).

SAÍDA DA LAVA JATO – Dallagnol anunciou em 1º de setembro que estava deixando a força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Ele era coordenador da operação e a chefiou desde quando a Lava Jato começou, em 2014. “Depois de anos de dedicação intensa à Lava Jato, eu acredito que agora é hora de me dedicar de modo especial pra minha família”, afirmou.

Dallagnol contou que a filha, de 1 ano e 10 meses, apresentou sinais de regressão no desenvolvimento e que, por isso, precisaria dedicar mais tempo a ela. Quem vai assumir as funções de Dallagnol é o procurador da República Alessandro José Fernandes de Oliveira. Dallagnol negou que a saída dele tenha ligação com pressões relacionadas à atuação da força-tarefa.

9 thoughts on “Procuradores da Lava Jato saem em defesa de Deltan Dallagnol às vésperas de julgamento no Conselhão do MP

  1. Têm que condenar o rapaz. Sempre foi assim na pátria amada: o justo é condenado e o juiz fajuto é agraciado com oportunidades e promoções – se ajudar, vai para o STF, assim diz o chefe!
    Ao julgar alguém usam o pick and choose method: selecionam a lei que mais lhe convêm, a menos que o julgado seja um João Ninguém. Neste caso, aplica-se a dura lex sed lex.
    Desse jeito não dá pra ter um país com um povo vibrante, educado, moralmente guiado. Dever, Honra e Pátria deixam de existir. Em vez disso, rachadinhas e favores grassam no esterco político sem temores. Pelo que parece, esse é o nosso novo normal. E não adianta apelar para a prece, porque lá o câncer já também chegou.

  2. Não posso na minha idade, acreditar em Papai Noel. Esse procurador não está sendo julgado pelo Conselho do MP a toa.
    Em nome de um justicismo implacável contra o PT, numa seletividade justiceira em parceria com o ex-juiz Moro, com direito a PowerPoint no horário nobre da Globo, com manifestos interesses políticos. Olhem o exemplo do Moro, que se abraçou com o Bolsonaro mirando vaga no STF, e depois foi defenestrado sem dó nem piedade.
    Agora é a vez do Dalaganol, que está sendo esvaziado pelo PGR Aras e sua fiel escudeira Lindora.
    Ele mesmo, o procurador PowerPoint pediu para sair.
    Ambos, juiz e procurador, não esperavam a vitória do capitão, queriam o candidato do PSDB, o Alkimim, muito fraco eleitoralmente.
    São lições da vida, que devemos observar sem paixões políticas.
    O servidor público deveria deixar suas preferências e seus desejos individuais, a margem de suas atividades funcionais, para que atuem com justiça, sem lado A ou B. Caso contrário, a justiça não será cumprida. Mas, quem se interessa por isso, pois não há justiça na Terra. Os julgamentos nós Tribunais superiores e na Primeira Instância, são quase todos voltados para a política partidária e empresarial.

  3. Deu no G1 como poderia dar no New York Time. Quem se interessa?
    O Brasil está virando um deserto de homens e ideias. Vamos virando areia do Saara, sem ninguém mais, em quem acreditar. O mais do mesmo, uma situação triste e enfadonha. Esses ídolos de barro, estão sofrendo o diabo, pela ação dura do bolsonarismo, sem ninguém para se levantar por eles.
    Perdidos numa noite suja, a cara de tristeza dos dois parceiros da Lava Jato e visível na mídia, quando aparecem vez ou outra na GloboNews ou na CNN.
    É a vida, é a vida… Como dizia Gonzaguinha o poeta magistral.

  4. Gostaria de saber se no mundo juízes e desembargadores aparecem tanto e dão opinião sobre tudo.Ligou a câmera magistrado presente.Quem tem o poder de mandar investigar e prender não deve estar a toda hora na mídia.Tem que se concentrar em suas atribuições que não são poucas.

  5. Me surge na imaginação uma analogia linear bem simplória, entre a Lavajato e um jogo Brasil X Argentina. No final, Brasil 5 Argentina 0, mas os hermanitos, como sempre, reclamam da arbitragem: No 3º gol Neymar estava impedido! Vamos apelar ao Tribunal Esportivo da FIFA para anular o jogo! E aí, petistas e bolsonaristas demonizam Neymar e confraternizam com os argentinos? Tem algo de muito errado na cabeça dos brasileiros.

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