Quadro eleitoral americano confirma as previsões errôneas de nossa e política externa

Joe Biden to run against Trump in presidential election | Foreign News

Biden está firme nas pesquisas da eleição norte- americana

William Waack
Estadão

Profissional de carreira que é, pode-se assumir que o embaixador brasileiro em Washington já cultive contatos com os democratas que provavelmente vão assumir junto com Joe Biden. Talvez áreas do governo como Economia, Infraestrutura, Agricultura, Minas e Energia, além das pastas militares, possam ajudá-lo. O pessoal da área internacional “pura” do atual governo só tem os números da turma ligada a Trump.

Se as eleições fossem hoje Trump estaria fora, e as relações do Brasil com Washington em precária situação. A opção preferencial pela pessoa do Trump feita por Jair Bolsonaro configura-se um desastre de proporções inéditas na história da nossa política externa.

ALINHAMENTO – Não há exemplo de “alinhamento automático” tão mal conduzido. Mesmo na Guerra Fria o regime militar brasileiro levou nossos negócios em relação aos EUA de forma mais autônoma.

Cristalizaram-se nos últimos dias dois dilemas geopolíticos que se tornaram ainda piores devido ao apego de Planalto a Trump. O primeiro é o fato de que Joe Biden, o candidato democrata que hoje derrotaria Trump apresentou um ambicioso programa de recuperação econômica dos Estados Unidos baseado na “economia verde”, o que inclui a volta dos Estados Unidos ao Acordo de Paris (que o Brasil, macaqueando Trump, maltratou).

Procura jogar a ainda maior economia do mundo numa larga avenida de investimento em energias renováveis, novas tecnologias e provavelmente exercendo ainda maior pressão política e comercial sobre o Brasil e suas políticas ambientais.

VOLTA AO GLOBALISMO – Biden não vai conseguir fazer o relógio voltar para trás, mas promete retomar muito do “multilateralismo” (“globalismo”, como preferem dizer os bolsonaristas) e restituir parte da importância de agências que Trump fez questão de tentar destruir, como as da ONU (em alguns casos, com implícita colaboração brasileira).

A outra questão geopolítica é a participação da gigante de telecomunicações chinesa Huawei na infraestrutura brasileira do 5G, uma decisão que se aproxima para legisladores e governantes brasileiros, e que já causa notável angústia. O ministro Paulo Guedes resumiu há pouco o problema: “o ideal seria deixar a competição progredir, americanos contra chineses, mas surgiu essa questão geopolítica”. Trata-se da cobrança para o Brasil seguir o mesmo caminho que o Reino Unido, que foi banir a gigante chinesa de telecomunicações.

O 5G vai colocar também a cúpula militar brasileira contra a parede. Nossos militares no momento celebram, e com razão, um entendimento com os americanos que promete aplainar o acesso a tecnologias de ponta na área de defesa. Mas os sinais vindos de Washington são inequívocos: parcerias estratégicas no campo de defesa vão depender do comportamento do Brasil em relação ao uso de tecnologia e equipamentos chineses.

CONSENSO NOS EUA – Conter a China é um consenso entre republicanos e democratas nos EUA, com a diferença do mau humor em relação ao Brasil que se pressupõe inicialmente de uma administração democrata – que ainda por cima tem boas chances de conquistar nas urnas em novembro também o Senado. Boa parte do nosso governo acredita que a China precisa comer e não vai retaliar o Brasil, um de seus principais fornecedores de commodities agrícolas. É uma perigosa zona de conforto mental. A China tem condições de nos causar muita dor.

Na figura do general Hamilton Mourão, vice presidente e coordenador das políticas para a Amazônia, o governo brasileiro admitiu no Senado esta semana que a guerra das narrativas está perdida para nós, que o Brasil está na defensiva, e que precisa apresentar resultados ao mundo para “sair das cordas” (Mourão). O que deixa Bolsonaro diante de um problemão formidável de política externa pelo qual só pode culpar a si mesmo.

12 thoughts on “Quadro eleitoral americano confirma as previsões errôneas de nossa e política externa

  1. O assunto é delicado, não pode tamar decisões açodada. A meu ver,tem que ouvir técnicos cientistas da área,se haverá transferência de ponta para nós desenvolver a nossa.
    Ficamos com Hawei ou com Erickson..
    Desculpa os nossos militares,os gringos dos State não são confiáveis…
    Temos que ver nossos interesses..

    Com todo respeito

  2. Há uma guerra comercial, guerra fria que vem se acelerando , que no longo prazo (+- 40 anos) pode se tornar quente entre os EUA e China, pela hegemonia Econômica Mundial, e consequente controle da estratégica Moeda Mundial, que até a 1ª Guerra Mundial (1914 -1018) era a Libra Sterlina Inglesa, e depois o predomínio do US$ Dollar.
    Se a China vencer terá o direito a emitir a Moeda Mundial, que então seria o Yuan Chinês.

    Todos os Países, em especial o Brasil, 9ª Economia do Mundo com 220 Milhões de Habitantes e quase 9 Milhões de Km2 terão que forçosamente optar por um lado ou outro até a decisão deste conflito.

    Os Anglo-Saxões (EUA-Inglaterra-Aliados) tem o controle dos Mares e a (China-Rússia-Aliados) tem o controle da Terra, EURÁSIA.
    Quem domina os Mares tem uma grande vantagem estratégica, portanto o Governo BOLSONARO/MOURÃO se alinhando com os EUA não fazem má escolha. A maneira como fazem é que é errada:”Alinhamento Automático”, o que impede “Negociações”.

    O fato de vencer TRUMP (72), ou BIDEN (77), a nosso ver não altera muito a equação. BIDEN está na frente das pesquisas, mas tem certos problemas de saúde e já tem 77 anos e muito vai depender da escolha da Mulher para sua Vice, Mulher porque declarou que sua Vice-Presidenta será uma Mulher. Se escolher mal, perde.

    • Bortolotto, meu caro e ilustre amigo … o senhor sempre na fala correta!

      Apesar dos receios do nosso colega Luiz Fernando Souza POA/RS, foram 3 do norte que:
      1 – nos ensinou o milho híbrido … que resultou na Embrapa … e nos superavit do Agronegócio.
      2 – outro avisou para pesquisar no mar o tal petróleo.
      3 – outro também nos aconselhou a usar sondas de profundidade até o pré-sal.

      Sds.

  3. O globalismo não foi coisa começada por Nabucodonosor … e continuada por medo-persas, gregos e romanos.

    Começou com Davi subjugando as nações desde a divisa do Egito até a margem ocidental do Eufrates … e com Davi tentando impor alguma falta de Liberdade com um censo que resultou em pandemia … superada pela compra de Davi do terreno onde Salomão edifica o Templo, inaugurado com o herdeiro das conquistas de Davi com Oração a Deus pedindo ao Senhor para atender o que qualquer pedisse (indo ao Templo) e não só os pedidos feitos pelos israelitas kkk KKK kkk

    Jesus aperfeiçoou com a Missão de levar o Evangelho a todos os povos, né???

    Será que os problemas de Trump e Bolsonaro são decorrentes de terem recuado na questão de Israel, Jerusalém e do Templo???

  4. Prezado Colega Sr. LUIZ FERNANDO SOUZA POA-RS,

    Obrigado pelas gentis palavras. Bem lembrado do grande Ministro MARCOS PRATINI DE MORAES, também muito tempo Presidente da Federação brasileira de Carnes. Esse é craque, vendia para Israelense, Países Árabes, EUA, China, Japão…..

    Sds.

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