Radicalização da política não pode se tornar ameaça à democracia

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Manifestações livres precisam ser preservadas

Merval Pereira
O Globo

Num momento em que o país vive crises múltiplas, sendo a moral a geradora das demais, a radicalização do debate político chega ao limite quando grupos rivais são atacados a bala, como aconteceu no acampamento dos militantes petistas em Curitiba. Não é aceitável numa democracia que o debate de ideias chegue a tal radicalização que a disputa partidária se transforme em guerra aberta, distorcendo a visão de Clausewitz de que a guerra é a continuação da política por outros meios.

O que aconteceu em Curitiba precisa ter uma resposta rápida e eficiente das autoridades, mesmo que os militantes acampados em frente à Polícia Federal sejam típicos representantes do mote “nós contra eles” ressuscitado pelo ex-presidente Lula em seu discurso no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, momentos antes de ser preso.

ESTICAR A CORDA – A radicalização da política, à esquerda e à direita, não é aceitável numa democracia, e é preciso que os lideres partidários entendam que não podem esticar a corda até onde o Estado de Direito não aguentar.

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman, não é a líder que o momento exige, ao contrário, estimula o radicalismo com seus vídeos absurdos, pedindo apoio a países ditatoriais que têm suas prisões cheias de presos políticos quando considera Lula um preso político numa democracia.

Agora mesmo, acusou irresponsavelmente o Juiz Sérgio Moro e os meios de comunicação, especialmente o Grupo Globo, de serem culpados pelos atentados. Considerar que quanto pior melhor é o lema desses radicais da direita e da esquerda, que agora se enfrentam nas ruas do país quando deveriam se enfrentar nas urnas de outubro.

RADICALIZAÇÃO – A campanha presidencial deste ano, se não formos sensatos como sociedade, será a mais radicalizada desde 1989, quando milícias esquerdistas e seguidores de Collor de Mello se enfrentavam nos comícios, e não através dos discursos.

Os ataques ao acampamento de Curitiba e, anteriormente, ao ônibus da caravana de Lula, são a contrapartida de uma direita insana aos ataques que o MST e o MTST espalham pelo país, com invasões de prédios públicos e propriedades privadas, e até mesmo o ataque ao edifício em Belo Horizonte onde mora a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lucia.

É inaceitável em uma democracia que esse tipo de enfrentamento sirva como a linguagem da política partidária. Na terça-feira comemora-se o Dia do Trabalho, que tem sido um momento de confraternização nos últimos anos, e não pode se transformar em uma oportunidade para novos confrontos ou provocações.

MILITÂNCIA RADICAL – O ex-presidente Lula aprendeu em 2002 que só chegaria ao Palácio do Planalto se ampliasse seu eleitorado, e a radicalização com que o PT responde à prisão de seu grande líder coloca o partido num nicho de militância radical que se afasta do centro, deixando o partido em um isolamento que nem mesmo a esquerda democrática deseja.

 O slogan “eleição sem Lula é fraude” não mobiliza a população nem atrai os aliados petistas, que gostariam de uma definição do maior partido da esquerda para começar a enfrentar uma campanha que será das mais difíceis dos últimos tempos. Não será com a radicalização à direita e à esquerda que seus representantes chegarão ao Palácio do Planalto.

MAIA EXPLICA – O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia, entra em contato para explicar que sua consulta ao TSE para saber se poderia permanecer no país quando o presidente da República viajar, sem se tornar inelegível, não tinha a intenção de assumir a presidência nessa interinidade, que continuaria sendo preenchida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, no caso a ministra Carmem Lucia.

Nesse caso, quem ficaria de fora da linha de substituição da presidência da República seriam outras duas instituições, a Câmara e o Senado. Não é uma boa solução para resolver questões partidárias pessoais.

40 thoughts on “Radicalização da política não pode se tornar ameaça à democracia

  1. Colocar invasões de prédios públicos e privados e pintar de vermelho a fachada de um prédio como equivalente a atentados contra a vida por meio de tiros em um acampamento é muito cinismo.

    Afirmar que a emissora Al jazera que tem ampla audiência no mundo todo se restringe a países ditatoriais é muita má fé.

    A mentira o cinismo e a violência dos antilulistas são sinal de desespero.

    • Quem defende bandido, bandido é. Quem ataca prédios públicos e provoca destruição é bandido e mal-feitor e deveria ser preso. Quem dá tiro em bandido protege a si e a comunidade. Agora, quando petista dá tiro em ônibus e nos companheiros é o que?

  2. A meu ver, o problema é que não só os petistas, estão perguntando onde está os outros que deveriam estar atrás das grades.
    E não adianta este discurso de ‘democracia’, pois todos sabem que não existe isto no Brasil e só as FFAA tomando num ato democrático institucional o poder e começar a limpar o país através dos atos institucionais, começando pelo 5 depois o 4 e depois do tempo necessário, voltar para os quartéis novamente.

  3. O império das leis é fundamental nas democracias.
    A lei é dura mas é a lei (não estamos falando deste país)
    Por essa e outras, toda manifestação criminosa deve ser punida com rigor.
    Já se reuniu 5 milhões de pessoas numa manifestação pacífica. Tudo dentro da lei.
    Por outro lado, criminosos travestidos de manifestantes …..

    • Bem, a sonegação é um mal brasileiro, por excelência. Tanto, que existe uma lista na Receita de quase cinco mil pessoas cujas declarações passam ser qualquer análise. Por isto é tão fácil ter caixa dois, três, quatro e cinco. O fisco não pega. Quantas multas a receita já imputou naqueles declaradamente condenados por roubo na Lava Jato. O Lula é um exemplo, já foi ele autuado pela receita?

  4. Petistas são capazes de tudo.
    Quem garante que não são eles próprios que atiram nos seus colaboradores e seguidores…
    O grande negócio do PT e se vitimizar.
    Portanto são capazes de tudo e as palavras dos seus representantes não valem nada! Mentem o tempo todo!
    Aí perdem a credibilidade!
    O PT sempre esteve enrolado com mortes muito estranhas… (Celso Daniel por exemplo) morreram sete pessoas, assombrando o país e nada foi elucidado.
    Eles que deveriam ser os mais interessados em desvendar todas essas mortes misteriosas nunca mexeram uma palha!
    Ao contrário, sempre trataram de atrapalhar e acobertar.
    Estou mentindo?
    Atenciosamente

  5. Militante politico é doente mental ….
    Porque digo isso : Pense comigo ….
    Que dizer que o Lularápio agora é o salvador do mundo , nem estou falando dos comprados das centrais e dos movimentos , estou falando dos inocentes útil que defendem esse condenado .
    Se o lula morrer por qualquer motivo , os defensores dele, o que irão fazer ?

  6. Discussão inútil, de quem é mais radical.
    Basta executar a lei. Manifestações tem limites, o limite é o direito do outro, no caso, os moradores.
    Invadir propriedades é crime, atirar em pessoas é crime, forjar ataques é crime, incentivar a violência é crime.

  7. À medida que a convivência humana ganha contornos de uma sociedade, a cada dia, mais competitiva; vamo-nos afunnilando num processo de guerra não declarada. Política, esporte, religião, diversão; são apenas lubrificantes para reduzir o atrito entre as milhares de peças dessa parafernália de altíssima complexidade. A política, em particular, é uma sublimação alternativa à luta sangrenta.

    • A versão .3 do Paulo é inteligente, culta e bem humorada. O que me faz novamente a ter fé na humanidade.
      A .2 é despudorada quanto a vergonha que passa aqui neste espaço.

  8. “Cadê a grana? O que mais chamou a atenção no evento, ontem, no plenário do TRF do Rio, foi um comentário do general Braga Netto, interventor no Rio. Diante de militares, procuradores e desembargadores, ele contou que, passados 60 dias do início da intervenção, o governo não liberou nenhum centavo para as ações. Nem mesmo os cargos de confiança para montar a equipe foram criados.” (Nota publicada na Coluna do Alcelmo Gois em 28.04.2018)

  9. Meu amigo, você precisa ser cooptado ,urgentemente, pela igreja universal. Se você passar desta para a outra, inadimplente com o dízimo do senhor, lamento muito, pois será mais um infernícola!

  10. Na época da guerra fria, bebia-se uma mistura de coca cola com rum, limão e gelo, que fazia muito sucesso, o tal CUBA LIBRE.
    Pois dizem que anda rolando lá no acampamento de Curitiba, uma cachaça, que tem uns 60 graus, já batizada de LULA LIVRE.
    Não poderiam ter achado um patrono melhor.

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