Um retrato campestre, na visão poética de Carlos Pena Filho

Resultado de imagem para carlos pena filhoPaulo Peres
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O advogado e poeta pernambucano Carlos Pena Filho (1929-1960) através do visual de uma planície, um passarinho, uma mulher e um homem, pintou um “Retrato Campestre” em forma de soneto.


RETRATO CAMPESTRE
Carlos Pena Filho

Havia na planície um passarinho,
um pé de milho e uma mulher sentada.
E era só. Nenhum deles tinha nada
com o homem deitado no caminho.

O vento veio e pôs em desalinho
a cabeleira da mulher sentada
e despertou o homem lá na estrada
e fez canto nascer no passarinho.

O homem levantou-se e veio, olhando
a cabeleira da mulher voando
na calma da planície desolada.

Mas logo regressou ao seu caminho
deixando atrás um quieto passarinho,
um pé de milho e uma mulher sentada.

5 thoughts on “Um retrato campestre, na visão poética de Carlos Pena Filho

  1. Grande Poeta pernambucano, faleceu em um acidente de automóvel em frente ao Forte de Cinco Pontas no Bairro de São José quando o carro que vinha como carona abriu a porta e ele tombou na rua. Uma perda para a Poesia Brasileira, uma perda para Pernambuco que ele tanto amava, principalmente o Recife e seus Bares onde sua Poesia corria livre cantando o azul dos dias pernambucanos. O Alceu Valença é um dos amantes da Poesia de Carlos Pena Filho, e a transforma em Música e Canto pelas ruas do Amado Recife ! O Bar Savoy que o tinha como companheiro diário fechou as portas, aliás, tudo no Recife que tem História tá se acabando, a Cidade tá destruída por sucessivas má gestões do PT e PSB nesses últimos 14 anos, e nossa Cultura sacudida no lixo. Na capa da foto temos a Poesia Chopp de Carlos Pena Filho no Bar Savoy, editada no Guia Prático da Cidade do Recife. Muito Obrigado a vocês Carlos Newton e Paulo Peres por esse Amor a Pernambuco ! VIVA CARLOS PERNA FILHO, VIVA O RECIFE !!!

    • Autêntico comentário. Edjailson. Salve Carlos Pena e seu azul.
      Sempre digo que esta página é um verdadeiro oásis no meio de tanta critica politica, de corrupção. Obrigada ao poeta Paulo Peres e ao jornalista-editor Carlos Newton.

  2. “Havia na planície um passarinho,
    um pé de milho e uma mulher sentada.
    E era só. Nenhum deles tinha nada
    com o homem deitado no caminho.”

    O poema enfoca de um modo simples, a cabeleira de uma mulher sentada. um passarinho, um pé de milho, um homem deitado no caminho. Chega o vento e tudo muda: a cabeleira da mulher voa e o homem entende que deve seguir o seu caminho, após o descanso.

  3. Carlos Pena, poeta pernambucano, como Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto , Ascenso Ferreira, era conhecido como o Poeta do Azul

    “”Um pouco mais de sol – eu era brasa.
    Um pouco mais de azul – eu era além.
    Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
    Se ao menos eu permanecesse aquém…”

  4. Predileção de Carlos Pena pela cor Azul:

    Desmantelo do Azul – Carlos Pena

    “Então, pintei de azul os meus sapatos
    por não poder de azul pintar as ruas,
    depois, vesti meus gestos insensatos
    e colori, as minhas mãos e as tuas.

    Para extinguir em nós o azul ausente
    e aprisionar no azul as coisas gratas,
    enfim, nós derramamos simplesmente
    azul sobre os vestidos e as gravatas.

    E afogados em nós, nem nos lembramos
    que no excesso que havia em nosso espaço
    pudesse haver de azul também cansaço.

    E perdidos de azul nos contemplamos
    e vimos que entre nós nascia um sul
    vertiginosamente azul. Azul.”

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