Uma estranha criatura que dominava Wally Salomão e fazia versos como quem morde…

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta baiano Waly Dias Salomão (1943-2003), no poema “Amante da Algazarra”, fala sobre a criatura sobrenatural que se apoderou dele.

AMANTE DA ALGAZARRA
Waly Salomão

Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela !!!

Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.
Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!

Enquanto caminho a pé, pedestre – peregrino atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.

Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que dela discorde
É esta selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde.

3 thoughts on “Uma estranha criatura que dominava Wally Salomão e fazia versos como quem morde…

  1. Eu exortaria esse senhor a buscar uma igreja universal urgentemente. E lá participar duma sessão do descarrego espiritual.
    Outra sugestão seria ele chamar o espírito de Fernando Pessoa, em um centro cardecista, e pedir ao literato português, uma autorização para que pudesse usar os heterônimos: Alberto Caieiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Assim, Wally poderia triplicar o número de encostos e, por conseguinte, a sua produção literária, na mesma proporção!

  2. 1) Wally foi muito bom poeta.

    2) Paulo III falou em Fernando Pessoa, licença:

    Eterno Poeta Português Fernando Pessoa:
    3) “Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

    Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

    Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa.

    Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril”

    Fernando Pessoa

Deixe uma resposta para Ednei José Dutra de Freitas Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *