Witzel se diz perseguido após o caso Marielle e chama Flávio Bolsonaro de “mimado”

Witzel na CPI

Witzel alega que a mulher recebia honorários e não propina

André de Souza e Adriana Mendes
O Globo

O ex-governador do Rio Wilson Witzel usou o depoimento da CPI da Covid, nesta quarta-feira, como palco para se defender das acusações que o levaram a sofrer impeachment e atacar o presidente Jair Bolsonaro, a quem responsabilizou pelas mortes na pandemia.

O ex-governador alegou ser vítima de “perseguição política” — o que, segundo ele, teria começado após a prisão dos assassinos da vereadora Marielle Franco.

PRATICAMENTE ZERO – Witzel afirmou também que teve “praticamente zero” cooperação do Ministério da Saúde para o combate à pandemia da Covid-19 e que o” presidente deixou os governadores à mercê da desgraça que viria”. Ele deixou a sessão antes de concluir o depoimento, por volta das 14h, fazendo uso do habeas corpus concedido a ele pelo Supremo Tribunal Federal.

O ex-governador alegou ser vítima de “perseguição política” — o que, segundo ele, teria começado após a prisão dos assassinos da vereadora Marielle Franco. Ele deixou o local durante pergunta do senador Eduardo Girão (Podemos-CE).

— O nível cooperação do Mistério da Saúde foi praticamente zero — disse Witzel, que depois alegou que foi cassado por ter investigado morte de Marielle:

PEERSEGUIÇÃO INEXORÁVEL – “Tudo começou porque mandei investigar sem parcialidade o caso Marielle. Quando foram presos os dois executores, a perseguição contra mim foi inexorável.

Witzel perdeu o cargo após um processo de impeachment por crime de responsabilidade em esquema de corrupção na área da Saúde. Ele foi alvo de investigações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República que detectaram desvios de verba da Saúde durante sua gestão na pandemia.

Com base nas provas, a PGR apresentou três denúncias de corrupção ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o ex-governador. A investigação apontou, por exemplo, que o escritório de advocacia da mulher dele, Helena Witzel, recebeu pagamentos de fornecedoras do setor de saúde. De acordo com as denúncias, os repasses eram prova de pagamentos de propina destinada a Witzel.

CASO MARIELLE – Em seu depoimento à CPI, Witzel disse que, após ser acusado por Bolsonaro de interferir na investigação da morte da vereadora Marielle para atingi-lo, não foi mais recebido pelo governo federal.

—  A partir caso Marielle que o governo federal começou a retaliar. Nós tínhamos dificuldade de falar com os ministros e ser atendidos. Encontrei o ministro [Paulo] Guedes [da Economia]. Ele virou a cara e saiu correndo: “não posso falar com você” — afirmou o ex-governador.

Witzel contou também que, em um encontro com o ex-ministro Sergio Moro, ele não quis tirar foto e disse que não poderia dar publicidade ao encontro. “Moro me disse: ‘Witzel, o chefe falou para você parar de falar que você quer ser presidente. E, se você não parar de falar em ser presidente, infelizmente, ele não vai te atender em nada’ —  disse o ex-governador, que respondeu: “Moro, eu acho que você está no caminho errado. Se quer ser ministro do Supremo, não tem que fazer isso”.

DEIXOU A SESSÃO – No momento em que Witzel decidiu deixar a sessão, o senador governista Eduardo Girão (Podemos-CE) fazia uma pergunta ao ex-governador. Pouco antes, o ex-governador teve um embate com outro aliado do governo, o senador Jorginho Mello (PL-SC) que perguntou sobre a propina recebida pela mulher de Witzel e afirmou que ele “envergonhou” o Rio e a magistratura brasileira. Witzel também discutiu com Flávio Bolsonaro, a quem chamou de “mimado”.

Nunes Marques havia autorizado o não comparecimento de Witzel ao colegiado e deu a ele a permissão de ficar calado durante a oitiva.

O HC foi um pedido da defesa de Witzel, que argumentou que a convocação à CPI configurava “subterfúgio ilegal”, uma vez que obrigou o ex-governador a comparecer à comissão para falar sobre fatos sobre os quais já é investigado ou processado.

4 thoughts on “Witzel se diz perseguido após o caso Marielle e chama Flávio Bolsonaro de “mimado”

  1. Olha o Enigma M. outra vez rondando na vida da famílicia.

    Ela sempre está por perto… ela sempre aparece… é uma tortura silenciosa…

    O Witzel voltou a tocar no assunto, o que fez o flávio rachadinha subir nas tamancas hoje na CPI.

    Madame M. não está totalmente enterrada… a mão está de fora e comanda com maestria o cerco em torno dos assassinos.

    O interfone com as gravações, foi “sumido”. Não exitaram em esconder as provas. Mesmo incorrendo em crime de ocultação de provas, e não foram poucas. Elementos chaves que poderiam muito bem elucidar o crime, de forma cabal e inconteste.

    O porteiro mudou a versão depois e disse que tinha se enganado.

    Ronnie Lessa vizinho do bolsolouco.

    Quem autorizou a entrada do carro dirigido por Élcio Queiroz no condomínio que depois seria usado pra executar Madame M. e o seu motorista.

    De quem era a voz do homem que o porteiro falou na casa 57 cujo dono é o bolsolouco.

    Porque alguém no condomínio autorizaria a entrada de outro miliciano?

    O Enigma M. será desvendado…

    ISSO PODE SER UM VERDADEIRO TIRO NA CABECINHA.
    PARABÉNS WITZEL!!

    JL

    https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/06/16/arsenal-de-witzel-contra-bolsonaro-na-cpi-tem-marielle-queiroz-e-milicia.htm

  2. Bolsonaro’s fizeram muito pior… milícia, rachadinhas, carros, imóveis tudo no dinheiro. Interferência nas Polícias. Inclusive dos estados – de cujo chefe é o governador. Mas estão aí… Presidente não foi afastado e perdeu o mandato. Filhos defenderam fechamento do congresso e do Supremo. O Presidente não pode ter celular apreendido. Alegam crise institucional. Questão de Segurança Nacional. Mas contra Governador pode tudo e fizeram de tudo. Não votei nele. Mas houve lawfare.

  3. O caso Marielle sempre me deixou curioso. Por que a investigação está tão complicada? Por que tudo não vem a público? A quem interessa ocultar os fatos? Por que o Boçal está tão perturbado? Este governo é altamente suspeito… Witzel não pode falar abertamente. Não deixam. Aí tem coisa…

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