
Ação foi um marco de ruptura com o sistema internacional
Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)
A invasão da Venezuela por meio de uma intervenção armada dos Estados Unidos, culminando na remoção coercitiva de Nicolás Maduro do poder, não representa apenas mais um episódio de instabilidade regional. Trata-se de um marco histórico de ruptura com o sistema internacional construído após a Segunda Guerra Mundial — um sistema imperfeito, frequentemente violado, mas ainda assim sustentado por limites reconhecidos, regras formais e freios políticos ao uso da violência armada. O que ocorreu em território venezuelano expôs, de forma inequívoca, o abandono desses limites e a substituição do direito pela coerção aberta como instrumento legítimo de política externa.
A arquitetura internacional do pós-guerra assentou-se em um conjunto de compromissos civilizatórios mínimos: a contenção do recurso à força, o respeito formal à soberania dos Estados e a resolução de conflitos por meio de mecanismos de concertação internacional. Não se tratava de idealismo ingênuo, mas da assimilação prática das lições deixadas pelas catástrofes do século XX.
AGRESSÃO UNILATERAL – Após duas guerras mundiais, o sistema internacional compreendeu que a normalização da agressão unilateral conduzia, invariavelmente, à instabilidade sistêmica, à escalada de conflitos e ao colapso das regras comuns. Foi desse consenso — frequentemente contornado, mas ainda assim reconhecido como limite — que emergiram as Nações Unidas, o direito internacional contemporâneo e o arcabouço jurídico global que estruturou a ordem mundial por mais de sete décadas.
Esse quadro nunca esteve isento de contradições. Conviveu com guerras por procuração, intervenções encobertas e hierarquias informais de poder. Ainda assim, funcionava como referência normativa. Mesmo quando transgredida, a regra precisava ser justificada, disfarçada, enquadrada juridicamente. Até nos episódios mais controversos do pós-Guerra Fria — como a invasão do Iraque em 2003 — Washington sentiu a necessidade de fabricar uma narrativa legal, por mais frágil que esta se revelasse posteriormente. A imposição militar não era celebrada como virtude; era contida pelo discurso jurídico e diplomático. Essa barreira normativa começou, porém, a ser deliberadamente removida.
Foi essa fronteira histórica que os Estados Unidos decidiram atravessar ao invadir a Venezuela e remover Nicolás Maduro do poder. Não por acidente, nem por erro tático, mas por decisão política consciente, assumida no mais alto nível do poder executivo. A diferença fundamental em relação a intervenções anteriores não reside apenas no ato, mas na forma como foi conduzido: sem autorização internacional, sem enquadramento jurídico crível e sem qualquer esforço consistente de contenção diplomática.
“ADMINISTRAÇÃO” – Donald Trump não tentou dissimular os objetivos da operação. Pelo contrário, declarou abertamente que os Estados Unidos passariam a “administrar” a Venezuela e a devolver às empresas norte-americanas o controle de seu setor petrolífero. O petróleo — maior ativo estratégico do país e uma das maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do planeta — não surgiu como consequência colateral da invasão, mas como seu eixo estruturante. A admissão pública desse interesse elimina qualquer ambiguidade moral ou estratégica sobre a natureza da ação.
A mensagem transmitida foi inequívoca: quem detém superioridade militar decide o destino dos recursos, das instituições e, em última instância, da soberania de um Estado inteiro. É à luz dessa lógica que deve ser interpretada a agressão à Venezuela. Não como resposta a uma ameaça iminente, nem como medida excepcional ditada por uma emergência humanitária extrema, mas como a expressão crua de uma política externa que substitui o direito pela coerção e a cooperação internacional por uma lógica transacional de poder.
O que ocorreu na Venezuela não admite eufemismos. Não foi “captura”, não foi “operação de segurança”, não foi “intervenção democrática”. Foi a apreensão de um chefe de Estado em exercício, realizada por uma potência estrangeira, em território soberano, sem mandato internacional e em violação aberta das normas que regem a convivência entre Estados. Dizer menos do que isso é falsear a realidade. Houve invasão. Houve agressão. Houve o sequestro político de um Estado.
ERRO – Reconhecer que Nicolás Maduro chefiava um regime autoritário — marcado por repressão, eleições contestadas e colapso econômico — é não apenas legítimo, mas necessário. O erro começa quando essa constatação é convertida em licença para a violação da soberania. O direito internacional não funciona por afinidade ideológica nem por conveniência estratégica. Ou se aplica de forma universal, ou deixa de existir como norma. Quando passa a depender da correlação de forças, deixa de ser direito e se transforma em privilégio imperial.
A operação ordenada por Donald Trump violou frontalmente a Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de Estados soberanos, salvo em caso de legítima defesa imediata ou autorização explícita do Conselho de Segurança. Nenhuma dessas condições estava presente. Não houve ataque venezuelano aos Estados Unidos. Não houve resolução da ONU. Houve uma decisão unilateral, executada com superioridade militar esmagadora e à margem de qualquer legalidade reconhecida. O precedente criado é profundo e perigosamente desestabilizador.
A contestação não partiu apenas do exterior. Nos próprios Estados Unidos, vozes influentes denunciaram a ilegalidade da ação. O senador Bernie Sanders afirmou que a intervenção violou a Constituição norte-americana ao contornar o Congresso, ressaltando que o presidente não detém autoridade para iniciar uma operação militar dessa magnitude sem aprovação legislativa. A agressão corroeu, assim, não apenas a legalidade internacional, mas também os mecanismos internos de controle institucional da própria democracia americana.
SEM CRONOGRAMA – Ao tentar legitimar a operação com a promessa vaga de uma “administração de transição democrática”, Washington recorreu a um expediente antigo. Não há cronograma definido, não há arquitetura institucional transparente, nem garantias de restituição plena da soberania. Há apenas a declaração de controle temporário — o vocabulário clássico da tutela política. A experiência do Iraque, do Afeganistão e da Líbia demonstra que transições impostas externamente tendem a se prolongar, a fragmentar Estados e a fracassar justamente naquilo que prometem.
O custo humano da agressão desmonta qualquer pretensão moral. Civis mortos, infraestrutura destruída e um país já exaurido empurrado para nova instabilidade. Nenhuma democracia nasce crível quando seu ato inaugural é o bombardeio de um país soberano.
A narrativa oficial apoiou-se em dois pilares recorrentes: o combate ao narcotráfico e a defesa da democracia. Ambos colapsam quando confrontados com os fatos. Se o narcotráfico fosse critério real, Washington teria agido de forma semelhante contra aliados estratégicos posteriormente condenados nos próprios Estados Unidos. O mesmo vale para a retórica democrática: se a derrubada de regimes autoritários fosse um imperativo moral inegociável, não existiriam alianças estratégicas com ditaduras repressivas sempre que estas servissem a interesses geopolíticos centrais.
PARADOXO – Ditaduras são toleráveis quando obedecem; intoleráveis quando resistem. A democracia transforma-se em argumento tático. A cooperação internacional passa a ser vista como obstáculo. É aqui que a invasão da Venezuela assume significado global. Ao agir fora das normas que ajudou a construir, Washington fragiliza o sistema que sustentou sua liderança por décadas e abre espaço para que outras potências façam o mesmo. Para a Europa, construída precisamente sobre a rejeição da guerra como instrumento político, esse precedente mina os alicerces de sua própria segurança estratégica e da previsibilidade que sustenta sua ordem interna.
Para os venezuelanos, o futuro permanece incerto. A remoção coercitiva de Maduro não reconstrói instituições nem cria consenso político. Pelo contrário, reforça a percepção de que o destino do país continuará a ser decidido fora de suas fronteiras. Democracia imposta por ocupação não é democracia; é dependência.
VIOLAÇÃO – O que ocorreu na Venezuela não é um excesso retórico nem um desvio isolado. É um ato consciente de violação da soberania que acelera a erosão da ordem internacional baseada em regras. Defender a queda de um ditador é legítimo. Aceitar que isso seja feito por meio do sequestro de um Estado é abdicar de qualquer sistema global fundado no direito.
A Venezuela foi o alvo, o petróleo foi o prêmio e a legalidade, a primeira vítima. Quando a força ocupa o lugar da lei como fundamento da ordem internacional, ninguém permanece protegido — apenas temporariamente poupado.
o que os ditadores russo é chinês fazem para alguns jornalistas é normal. o que o putinho está fazendo na Ucrânia é um absurdo, é um genocídio. segundo dizem já são mais de 400 mil mortos
Quando a ordem do grande gueto internacional foi baseada em regras ou princípios?
A Lei da selva.
A Lei de todas as invasões na História.
Existe uma ordem informal na desordem.
A Nova Desordem Mundial.
Este mundo é hoje um favelão perigoso. Controlado por mafiosos.
O Sr. Copelli acreditou, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, na miragem de um mundo utópico. A realidade, invariável e pouco indulgente, tratou de lembrá-lo de que a natureza humana não se deixa reeducar por boas intenções.
Senhor Marcelo Copelli (Revista Visão (Portugal) , lembra-se quando dos golpes de estado na Venezuela ” bancados e financiados ” pelos EUA , anteriores a ascensão a Presidência de Hugo Chaves , o povo Venezuelano estava desarmado , sendo que Hugo Chaves os treinou e armou e Nicolás Maduro continuou armando e os treinando o povo , até o seu sequestro , logo preparemo-nos para uma possível reação do povo Venezuelano a essa agressão dos EUA á Venezuela , e retomada das guerras de guerrilhas na Venezuela desestabilizando tanto a Venezuela quanto toda a América Latina , espero que o povo Venezuelano não se deixem desarmarem (entreguem suas armas) , por quem quer que seja colocado pelos EUA como seu ” títere , lacaio e capacho ” á seu serviço , lembrando que os militares invasores norte-americanos , precisam exporem-se ao entrarem e se estabelecerem no país invadido , e tentarem consolidar a invasão , se apropriando e roubando o Petróleo da Venezuela .
Vejamos aos fatos.
Quem está sendo enfáticos contra a prisão do ditador, sanguinário, bárbaro, torturador que acabou com a empresa de petróleo estatal e manteve o povo da miséria em cima da maior reserva de petróleo do mundo: Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha
https://www.metropoles.com/mundo/brasil-e-outros-5-paises-divulgam-nota-sobre-ataque-a-venezuela
Esta turma exclui o povo do conceito de Democracia. Ignorantes, totalitaristas ou de rabo preso?
Recorrendo à DeepSeek:
Soberania Popular vs. Soberania do Estado/Governante
Em uma Democracia: A soberania reside no povo. O povo é o titular do poder político. Ele exerce esse poder diretamente (ex: referendos) ou indiretamente, através de representantes eleitos livremente (parlamentares, presidente).
Em uma Ditadura: A soberania é usurpada por um indivíduo, um partido único, uma junta militar ou um pequeno grupo. Eles concentram todos os poderes (executivo, legislativo, judiciário) e não estão submetidos a um controlo popular genuíno. O povo é excluído do exercício do poder soberano.
Ou será, Lula, último bastião do Foro de São Paulo, que não seja isto?
“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
Será que não de trata de rabo preso com a ditadura narcotreficante do Maduro?
https://www.facebook.com/deputadogiovanicherini/videos/o-ex-chefe-do-servi%C3%A7o-secreto-da-venezuela-general-hugo-carvajal-revelou-o-esc%C3%A2n/1108799998081048/
O governo Lula nega veementemente.
Ao que parece, o Pollo está abrindo mais ainda o bico. Tanto que seu julgamento foi adiado para 23 de fevereiro.
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Ontem as redes sociais receberam um a enxurrada de mensagem desesperadas defendendo o ditador sanguinário.
Em 2026 há os que ainda acreditam que é possível combater a tirania usando a legalidade.
Para não ofender o Marcelo Copelli vou dizer que esse sujeito é ingênuo.
Esse Copelli dá pena, apenas e tão-somente isto.
DONALD TRUMP, DE REPENTE A ‘’GRANDE ESPERANÇA BRANCA’’ OCIDENTAL! A maravilhosa Ciência Ocidental recriou o planeta Terra, a sociedade, a economia, as finanças, a vida, a humanidade! Milhões de invenções, criações, descobertas, conhecimentos científicos fundamentais! Invenções práticas; do abridor de latas à nave espacial. As eletricidades de Nicola Tesla e Thomas Edson. Milhares de eletrodomésticos, por exemplo, desencadearam uma economia global de modo a dar emprego, trabalho, renda, subsistência, vida para 8 bilhões de indivíduos! A mundialização ou globalização dos mercados retirou as nações pobres e miseráveis de suas longas trevas de ignorância e milenares carências. A China aproveitou bem as dádivas da Ciência ocidental, foi inteligente, deixou de lado todas as besteiras comunistas de Mao Tsé-Tung, Abraçou Deng Xiaoping, controlou a natalidade, investiu em educação e formação profissional; combateu a corrupção! O povo chinês trabalhou intensamente, extensamente! Parabéns, China! Agora seja bem agradecida! Por que você está do lado dos inimigos do Ocidente? Por que você, China está jogando do lado de crápulas mafiosos, se você venceu combatendo criminoso, fazendo-os ajoelhar em praça pública, dando-lhes um tirambaço em seus miolos, e fazendo a família pagar as balas? O que Putin dá de bom exemplo à China? Kim Jong-Um é um bom exemplo de Líder para a China? Todas as nações do mundo se beneficiaram com a Ciência ocidental, suas tecnologias, engenharias, arquiteturas, técnicas, metodologias, etc. Ciência europeia e norte-estadunidense! A Ciência dessas nações redimiu todas as barbáries cometidas pelo cristianismo teocrático ocidental assassino, escravista, genocida de povos e civilizações invadidas, colonizadas, através dos séculos, por todo o globo terrestre! Não obstante, coisa alguma é suficiente para a explosão demográfica global de pobres e miseráveis! O esperma e o óvulo humanos são as pragas mais virulentas, contagiosas e multiplicativas do mundo! A humanidade continua se multiplicando, centenas de milhões de pobres e miseráveis nascem a cada hora e querem, exigem, tudo de bom que a Ciência e suas tecnologias possam oferecer! E, dentre todos os milhões de produtos facilitadores a gerarem comércio, dinheiro, emprego, finanças, qual deles é o mais fácil, fluente, abarcante, avassalador, senão o petróleo? Qual commodity é tão imediata, lucrativa, estratégica, ‘’geopolítica’’, responsiva, poderosa no presente momento, para empresas e governos? Felizmente, Donald Trump deixou de se preocupar com superstições evangélicas, com irrelevâncias políticas teocráticas e tornou-se um grande líder pragmático, estrategista, prático, funcional, brilhantemente proativo! No entanto, Donald Trump, precisa lembrar também que a Ciência europeia é a mãe de todas as tecnologias e engenharias, a Europa é a Grande Mãe científica e industrial revolucionária da humanidade! Sem a Europa científica e tecnológica não há Ocidente! Sem a Europa voltaremos à barbárie, retornaremos todos à Idade das Trevas! Como na narrativa ‘’A Grande Esperança Branca’’ talvez não precisemos encontrar um boxador branco para derrotar o grande boxador negro campeão! Talvez ele seja o próprio Donald Trump! Feliz ano novo, Donald Trump! LUÍS CARLOS BALREIRA. PRESIDENTE MUNDIAL DA LEGIÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA
Marcelo Copelli tem o direito de ter opinião, ele vive um lugar onde existe esse direito.
Em algum outro lugar do mundo existe um sistema que se o jornalista for contra o regime no poder, seria ‘defenestrado’
Imaginem o Marcelo vivendo em Cuba, Coreia do Norte ou na China fazendo jornalismo contra o sistema.
Senhor Delcio Lima , eis adepto de que para ” depor um tirano ” , é preciso destruir o país ?