Paulo Peres
Poemas & Canções
O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968), conhecido como Manuel Bandeira, no poema “Versos de Natal”, evoca a passagem do tempo numa dimensão em que o adulto ainda permanece menino.
VERSOS DE NATAL
Manuel Bandeira
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta
Contrasenso
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Somos conscientes do presente
Imaginamos um futuro inexistente
Relembramos o passado ausente
Nutrimos amor, temos saudade
Sendo assim bons e inteligentes
Como explicar o ódio e a maldade?
Manuel Bandeira nasceu em 1886, e não como está no texto.
Gratíssimo pela correção, Clô.
Abs e um excelente Natal,
CN
Igualmente Sr. Editor.