‘PF paralela’ e ‘arapongagem’: Flávio Bolsonaro leva críticas feitas no STF para o discurso eleitoral

Mensagens a Fux e Marques mostram que Gilmar precisa ser expulso do STF

Gilmar aponta “erro crasso” de Mendonça em delação de Vorcaro

Mensagens no celular mostram que Moraes não tem caráter

Carolina Brígido
Estadão

Antes da sessão de terça-feira, 15, que foi marcada por bate-bocas e xingamentos no plenário, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já estavam em conflito. O panorama foi retratado por discussões registradas de Gilmar Mendes com Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

A virulência das mensagens fez com que Nunes Marques bloqueasse o colega em seu celular. O Estadão obteve acesso à íntegra das mensagens. Em tom de ataque, Gilmar sugeriu que ambos deixassem de julgar processos relacionados ao Banco Master.

###
MENSAGENS GROTESCAS A FUX

Ao ministro Fux, Gilmar cobrou uma postura à altura da presidência da Segunda Turma, cargo que exerce. O pano de fundo era a decisão de Mendonça de afastar do cargo o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Leia a íntegra do diálogo:

Gilmar – Caro. Eh bom avisar qq movimento; vc eh o presidente da turma, nao assessor do Andre!

Fux – Isso é absolutamente indispensável avisar. Sei o meu lugar na Turma.

Gilmar – Vamos discutir essas questões no referendo da Liminar.

Fux – Vamos sim. Com toda a transparência como se exige de nossa postura institucional

Gilmar – Isso eh fundamental

###
MAIS MENSAGENS DE GILMAR

Gilmar – Min. André volta a despachar na PET 16.662

08/09, 8h30 — Decreta o afastamento cautelar de Andrei.

08/09, 8h46 — Malu Gaspar publica a decisão.

08/09, 9h29 — Libera o referendo para a Segunda Turma, em sessão virtual.

08/09, 10h — Pedido de vista de Vossa Excelência.

08/09, 10h04 e 10h06 — Min. Fux e Min. Nunes Marques acompanham o relator, já depois do pedido de vista.

Gilmar- Isto revela qq coisa menos postura institucional. Espero que nao se repita.

Fux – Gilmar você deve dizer espero que não se repita pra quem você quiser. Pra cima de mim não. Ninguém nesse mundo diz pra mim como agir. Boa Noite por ora

Gilmar – Fux, soh cuide de atuar como Presidente da turma.

Fux – Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!

###
ORDENS E PALAVROES

A Nunes Marques, Gilmar disse que o colega deveria deixar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e fez uso de um palavrão. Logo no início da sessão de terça-feira, Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento sobre os indícios encontrados contra Alexandre de Moraes e deixou o plenário. Veja a conversa como foi escrita pelos ministros:

Gilmar – Vamos agora discutir na turma ou no plenário, o que existe? Todos dizendo q vcs sao reféns do andre… ok abram as contas.

Gilmar – Vc e o Fux parecem servis, submissos…

Gilmar – Assumam q estao ferrados e saiam dos processos. Abram as contas

Nunes Marques – Me respeite Gilmar. Isso não é postura

Gilmar – Não julguem porra

Gilmar – Não respeito a quem nao se dá respeito

Gilmar – Vc tem de sair do tse tambem

Nunes Marques – Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita

Gilmar – Abra suas contas antes de julgar qualquer coisa dessa caso nq turma

Nunes Marques – Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo.

Nunes Marques – como juiz

Gilmar – Kassio, papo encerrado. Marmelada bao das. Hah falei com Fux. Eu entendo de Malandro.

Nunes Marques – Claro que você entende …

Gilmar – Tramoias ….

(Nunes Marques bloqueou Gilmar)

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica mais do que claro que Gilmar Mendes é o chefão da quadrilha instalada no Supremo e pensa (?) que pode mandar em todos os ministros. Ele precisa ser afastado o quanto antes pelo Senado, para ser processado e julgado por algum dos múltiplos pedidos de impeachment que já existem contra ele.  Apenas isso. (C.N.)

Lula e Flávio ajustam suas estratégias eleitorais diante da grave crise do Supremo

Lula e Flávio recalibram campanhas

Victória Cócolo
G1

A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes entrou de vez nos cálculos eleitorais das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e provocou ajustes nas estratégias dos dois candidatos na reta final da disputa pela Presidência.

Do lado de Lula, parte dos integrantes da campanha defendem que o assunto seja deixado em segundo plano. A avaliação é que insistir no episódio envolvendo o Supremo não ajuda o petista a recuperar terreno e que a campanha deve concentrar esforços em propostas e respostas para a economia. Outra ala defende que o presidente assuma uma postura mais crítica à Corte e marque distância de Moraes, embora aliados avaliem que o cargo de presidente limite críticas diretas ao ministro, como mostrou o G1.

CUSTO DE VIDA – Aliados do presidente apontam o preço dos alimentos e a inflação como dois dos principais fatores de desgaste de Lula neste momento. Integrantes da campanha atribuem o crescimento de Flávio entre eleitores de menor renda e entre as mulheres à estratégia do adversário de explorar o custo de vida.

A ofensiva de Lula inclui comparar a situação econômica atual com a vivida durante o governo de Jair Bolsonaro. Entre segunda-feira (14) e esta terça-feira (15), o presidente publicou nas redes sociais dois conteúdos sobre temas que estão no centro da disputa eleitoral: a fome e o preço da carne. Durante o governo de Jair, o Brasil voltou ao mapa da fome, ou seja, o percentual de brasileiros que não tinham certeza de quando fariam a próxima refeição estava acima da média mundial.

Em uma das peças, a campanha contrapõe declarações de Bolsonaro sobre a fome e dados sobre a redução da pobreza e destaca a saída do Brasil do Mapa da Fome. O vídeo termina com falas de Lula afirmando que o combate à miséria é uma das prioridades de seu governo. O conteúdo foi repostado por Lula na segunda-feira.

DIANTEIRA – A leitura ocorre após a pesquisa Quaest mostrar, pela primeira vez desde o início oficial da campanha, Flávio está numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno. O senador aparece com 42%, contra 40% do presidente. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.

Entre as mulheres, um dos segmentos em que Lula tinha vantagem mais confortável, a distância diminuiu. Em agosto, o presidente registrava 47% nesse grupo, contra 35% de Flávio. Agora, Lula tem 41% e o candidato do PL, 38%.

AMBIENTE FAVORÁVEL –  Na campanha de Flávio, a crise no Supremo é considerada um dos componentes que ajudaram a criar um ambiente favorável ao candidato, embora auxiliares também apontem a economia como o principal acerto da estratégia até agora.

Levantamentos internos feitos diariamente pela equipe já vinham indicando crescimento do senador. Pessoas próximas ao publicitário Duda Lima, responsável pela campanha de Flávio, avaliam que o cenário mais favorável na sessão desta terça seria a abertura de uma investigação contra Moraes, por entenderem que isso prolongaria o desgaste do ministro e sua associação política com Lula.

Mesmo que esse cenário não se concretize, a avaliação é de que a imagem de Moraes, associada por parte da população ao atual presidente, já sofreu desgaste suficiente para produzir efeitos na disputa eleitoral. A estratégia, agora, é tentar manter essa associação sem transformar o Supremo no principal assunto da campanha.

VÍDEO – Ao comentar o julgamento do STF, pelas redes sociais, o senador do PL divulgou um vídeo em que afirma que uma parte do Supremo “descumpriu a lei” e, junto ao atual governo federal, faz parte de um “sistema apodrecido”. Mais tarde, durante o horário eleitoral gratuito, o candidato replicou o vídeo.

Flávio afirmou que o Brasil precisa de mudanças, criticou a reeleição e reforçou propostas de governo ligadas ao combate à corrupção, economia e soberania. “O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes e no fim o Brasil ficou sem presidente nenhum, sem comando”, afirmou o senador.

Por isso, a equipe de Flávio pretende reforçar as inserções no horário eleitoral sobre o custo de vida e ampliar a produção de conteúdos com o mesmo enfoque. Uma das peças já prontas mostra o candidato em supermercados, usando o preço dos alimentos para confrontar a gestão Lula.

RESISTÊNCIA – Na campanha de Flávio, a avaliação é que o avanço entre as mulheres, segmento no qual o senador vinha enfrentando maior resistência, contribuiu para seu crescimento nas pesquisas. Diante desse desempenho, aliados do candidato pretendem reforçar, na reta final, o discurso voltado às eleitoras, especialmente em temas relacionados às mulheres e à segurança pública.

A mesma lógica deve orientar a preparação para o debate da TV Globo, no dia 1º de outubro. A intenção é concentrar os ataques em segurança pública, temas ligados às mulheres e custo de vida. O STF deve aparecer de maneira mais limitada.

Há também uma preocupação estratégica por trás dessa escolha: integrantes da campanha avaliam que insistir demais na crise do Supremo pode estimular Lula a explorar o caso “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de irregularidades na captação e na destinação de recursos arrecadados para financiar a produção, o que torna o episódio um ponto de vulnerabilidade para sua campanha. A estratégia, por isso, é evitar que o assunto ganhe espaço no confronto direto com Lula.

“DARK HORSE” – Nos últimos dias, os desdobramentos do caso “Dark Horse” levaram Flávio a se manifestar publicamente sobre as investigações. Na quinta-feira (10), chamou de “terceira facada” a operação da Polícia Federal que teve como alvos o deputado Mário Frias (PL-SP) e pessoas ligadas à produção do filme. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino.

No dia seguinte, ao comentar o inquérito no qual ele próprio é investigado por suspeitas relacionadas ao financiamento do “Dark Horse”, Flávio defendeu a divulgação das informações e afirmou que a transparência confirmaria sua versão sobre o episódio.

Nesta terça, o STF julga se deve ser aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes a partir das mensagens atribuídas ao ministro e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas no âmbito das investigações do caso Master. O julgamento ocorre em meio ao aumento da pressão sobre a Corte e passou a ser acompanhado também pelos efeitos que pode produzir na reta final da campanha presidencial.

Falha em lacres coloca sob suspeita a cadeia de custódia do caso do filme “Dark Horse”

Diretor e produtora de ‘Dark Horse’ divergem sobre destino de US$ 13 milhões

Lula e Flávio divergem na educação e deixam lacunas sobre como melhorar o ensino no país

Um dia após pedir desculpas aos brasileiros, Cármen Lúcia alerta contra poder sem controle

Pedido de vista de Dino ameaça adiar também o julgamento sobre Mendonça no STF

Lula elogia Moraes e diz que Flávio Bolsonaro tem “bronca” dele pelo julgamento do golpe

Lula acusa imprensa de comprar 'uma mentira': Saiba o que ele disse na Globo · Notícias da TV

Lula fala uma bobagem atrás da outra e vai perdendo votos

Caio Spechoto
Folha

O presidente Lula (PT) disse nesta quarta-feira (16) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário nas eleições presidenciais, tem “bronca” com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes por causa do processo que prendeu Jair Bolsonaro (PL), não por causa do caso Banco Master.

O petista também afirmou que Moraes prestou “grandes serviços” à democracia do Brasil quando era presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Hoje, o ministro é pivô da crise no Supremo causada pelo escândalo do Banco Master.

DISSE LULA – “Ele foi presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na eleição que eu ganhei. Ele sabe, o Brasil sabe, a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade das urnas brasileiras, que é o processo eleitoral mais moderno e mais rápido”, declarou o petista.

“Acho que o Alexandre de Moraes fez um trabalho extraordinário para garantir a democracia nesse país, prendendo o Bolsonaro e os golpistas que estavam com ele. É por isso que o Flávio está nervosinho”, declarou o petista.

Lula disse que vão aparecer “falcatruas” do adversário, e também mencionou “mulheres e churrascos”. A referência é a eventos que o antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, promovia para agradar a políticos.

FAZER SURUBA – O presidente da República também citou que o conteúdo do celular de Vorcaro agora está em poder de mais ministros do STF. De acordo com ele, isso possibilitará que a sociedade descubra “quem foi fazer suruba”. Também disse que “gente famosa” agenciava mulheres, agindo como o “cafetão da turma”.

“Ontem meu adversário gravou um vídeo dizendo que eu sou responsável pelo Alexandre de Moraes. A obsessão dele é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre de Moraes por causa do Banco Master”, disse Lula.

O petista também afirmou que é responsabilidade do presidente do STF, Edson Fachin, não permitir que a crise na corte atrapalhe o processo eleitoral. O chefe do governo tem sofrido desgaste com o caso porque, ao longo do atual mandato, foi próximo da Suprema Corte e de Moraes.

RABO PRESO – De acordo com o presidente da República, seu adversário tem “rabo preso” no caso Master. “A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque o Alexandre de Moraes mandou prender o cara que matou a Marielle. A bronca dele do Alexandre de Moraes é que o Alexandre de Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro”, declarou o petista.

“A bronca dele é porque essa apuração que está tendo na Suprema Corte vai descobrir quem é que de verdade que está metido nisso”, afirmou Lula.

O apesar de ter elogiado Moraes, o chefe o governo também marcou uma distância do ministro ao afirmar que não era presidente quando ele foi indicado para o tribunal.  E criticou Flávio Bolsonaro por ter votado favor da nomeação de Moraes, o que não é verdade, porque naquela época ele era deputado estadual.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lula não está bem. A cada discurso ou entrevista, ele fala tanta bobagem que está perdendo muitos votos dos indecisos. Elogiar Moraes a essa altura do campeonato é suicídio político-eleitoral, mas Lula nem percebe. (C.N.)

Flávio Bolsonaro aciona TSE contra Lula por uso do Alvorada em live de campanha

PT diz que só utilizou equipamentos de campanha

Isabella Calzolari
G1

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, utilize as dependências do Palácio da Alvorada para a transmissão de eventos de cunho eleitoral. A representação contesta a realização de uma transmissão ao vivo de campanha ocorrida no último domingo (13) a partir da residência oficial da Presidência.

No domingo, a equipe de Lula declarou que o ato utilizou estritamente equipamentos de campanha e respeitou as normas eleitorais vigentes. A ação da campanha de Flávio foi protocolada na noite de segunda-feira (14).

CONDUTA VEDADA – Na petição assinada pelos advogados, a campanha do candidato do PL afirma que o petista incorreu em prática de conduta vedada a agente público. Para a equipe de Flávio, embora a legislação autorize excepcionalmente o uso de residências oficiais para reuniões e contatos de campanha, essas atividades não podem assumir caráter de ato público.

Além disso, a defesa de Flávio pontua que as regras vigentes do TSE estabelecem condições cumulativas para transmissões eleitorais a partir de cômodos da residência oficial, entre as quais: a transmissão deve ocorrer em ambiente neutro, sem símbolos institucionais; a participação deve ser restrita exclusivamente à pessoa detentora do cargo; o conteúdo deve tratar unicamente da própria candidatura; não podem ser utilizados recursos materiais ou serviços públicos.

A ação aponta que a transmissão do último domingo durou cerca de 45 minutos e contou com a presença e intervenção ativa de dirigentes partidários e da equipe de campanha — entre eles o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o secretário nacional de Comunicação do partido, Éden Valadares, e a comunicadora Ana Flávia —, violando o requisito de participação exclusiva do mandatário.

PRECEDENTE – A defesa cita ainda o precedente das Eleições de 2022, quando o próprio TSE proibiu o então presidente Jair Bolsonaro de realizar lives eleitorais nas dependências do Palácio da Alvorada.

Entre os pedidos formulados, a campanha de Flávio solicita: aremoção imediata do vídeo publicado no canal oficial de Lula no YouTube e a intimação da empresa Google Brasil; ordem liminar para que a chapa governista se abstenha de realizar novas transmissões eleitorais ou utilizar a estrutura do Alvorada e serviços públicos exclusivos do cargo em desacordo com a legislação; ao final do processo, a aplicação de uma multa.

O QUE DIZ A CAMPANHA DE LULA ? –  Procurada após a transmissão, a assessoria de campanha do presidente Lula afirmou, no domingo, que a live “utilizou estritamente os equipamentos da campanha” e que “o Palácio da Alvorada é a residência oficial do governo e espaço privado do Presidente Lula”.

A equipe do petista assegurou ainda que tem pautado sua atuação em conformidade com as normas do Tribunal Superior Eleitoral e que vem adotando as medidas de defeso eleitoral desde julho — transferindo as transmissões de cunho político das redes oficiais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) para as páginas pessoais e de campanha do candidato.

O TEOR DA TRANSMISSÃO –  A transmissão foi ao ar após uma mobilização nacional de rua organizado pela militância petista, batizado de “Dia 13 com Lula”. Ao longo da gravação, foram exibidos jingles, peças publicitárias e vídeos de campanha, além de instruções aos apoiadores para atuação nas redes sociais e distribuição de materiais nos últimos dias antes do primeiro turno.

Durante sua fala, o presidente abordou temas de sua gestão econômica e propostas para segurança pública e educação, além de tecer críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro, relacionando a oposição a setores milicianos e defendendo pautas de sua plataforma governista.

Moraes delira e diz que “órgão estrangeiro” manipulou um relatório da Polícia Federal

Confira a #CHARGE do dia ! #cazo

Charge do Sinfrônio (Arquivo Google)

 

Madu Toledo
Metropoles

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o relatório da Polícia Federal (PF) que aponta supostas trocas de mensagens entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro, apresentado pelo ministro André Mendonça, teria sido produzido com provável “auxílio de órgão estrangeiro”.

Para Moraes, a iniciativa representa “clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”. Em ofício enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, na segunda-feira (14/9), Moraes classificou o relatório da PF como “nulo e imprestável”.

“VINGANÇA” – O ministro relacionou ainda a suposta tentativa de incriminá-lo a uma “vingança” em detrimento da atuação dele como relator das ações que julgaram integrantes da “organização criminosa que tentou dar um Golpe de Estado e abolir o Estado Democrático de Direito no Brasil”.

“É imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o Juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um Golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito”, escreveu.

Segundo Moraes, há suspeita de que o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça, tenha visado impedir a investigação sobre a origem externa do relatório.

E VAI ALÉM… – O ministro aponta supostas irregularidades na cadeia de custódia dos dados. O procedimento é responsável por registrar e preservar a trajetória de um vestígio ou uma evidência, desde a coleta até a análise, para evitar alterações, contaminações ou manipulações.

De acordo com ele, os metadados do arquivo indicariam que a abertura e a finalização do relatório ocorreram no mesmo dia nos computadores da PF. Para Moraes, esse seria um indício de que o documento teria sido produzido previamente fora da corporação e posteriormente inserido nos sistemas da Polícia Federal.

“Os metadados do relatório demostram que a abertura e finalização do relatório foi feita no mesmo dia, ou seja, foi ‘plantado’ nos computadores da PF e não inteiramente produzido por eles. Como se fosse possível produzi-lo em um único dia. Isso demonstra, novamente, o direcionamento ilícito das investigações”, argumentou.

É INOCENTE? – Moraes afirma, ainda, que o relatório contém “inúmeras ilações, mentiras, dados falsos e conclusões absurdas”, além de ter sido elaborado a partir de fragmentos de mensagens selecionados de forma subjetiva. Segundo ele, o material não apontaria qualquer indício de prática de crime por ele cometida.

“Mesmo com todas as ilegalidades produzidas pelo Ministro André Mendonça, o fato mais importante, entretanto, é que o relatório produzido não encontrou nenhuma prática de infração penal por parte do Ministro Alexandre de Moraes”, sustentou.

A manifestação, de 44 páginas, foi apresentada em resposta ao pedido de Fachin, que, em 3 de setembro, abriu prazo de cinco dias para que Moraes, Mendonça, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestassem sobre o caso, que vai a julgamento dia 23, na próxima semana.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não sei, não… Mas está parecendo que Moraes anda meio desequilibrado das ideias. Essa conspiração internacional dentro da direção da Polícia Federal, para destruir o diretor-geral Andrei e a eleição de Lula, é uma tremenda conversa fiada, coisa de louco, amigo. Espero que não tenhamos de colocar camisa de força no Moraes. (C.N.)

Julgamento no Supremo deixa “sangrando” a campanha presidencial de Lula e do PT

Por que Lula está usando chapéu na entrevista da Globo

Lula passou a dizer que apoia a investigação de Moraes

Letícia Fernandes
Estadão

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliava que não tinha como o petista sair ganhando do julgamento que aconteceu no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 15, sobre o pedido de investigação do ministro Alexandre de Moraes.

O ministro Flávio Dino pediu vista, e o presidente da Corte, Edson Fachin, encerrou a sessão, com placar de empate, sem revelar seu “voto de qualidade”.

“MENOS PIOR” – O cenário “menos pior” apontado por integrantes da campanha de Lula seria o plenário confirmar a investigação contra o ministro pelas relações pouco republicanas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Papudinha, em Brasília, desde março deste ano. Isso daria força pelo menos à narrativa petista de que Lula se descolou de Moraes.

Assim, a campanha do presidente Lula já sabia  que não haveria nenhuma narrativa benéfica para o petista em relação à crise institucional do Supremo Tribunal Federal.

Desde o início da crise, o distanciamento entre Lula e o ministro Alexandre de Moraes foi calculado pela campanha petista, mas na prática não ocorreu Lula não largou Moraes, e resultado no STF deixa sua campanha sangrando.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Para o editor-chefe da Tribuna da Internet, que é sucessora da Tribuna da Imprensa, é um prazer enorme publicar texto de Letícia Fernandes, filha querida de Rodolfo, que foi diretor de Redação de O Globo, e neta de nosso amigo Helio Fernandes. Seguindo os passos do avô e do pai, Letícia foi trabalhar em política na capital, mantendo a tradição da família Fernandes, porque precisamos que os jovens venham nos substituir. (C.N.)

No STF, grupo de Moraes tenta levar Mendonça e Fachin ao ‘banco dos réus’

Crise do STF ameaça segurança jurídica e faz empresários cobrarem mudança na escolha de ministros

A lição chilena sobre corrupção de ministros que o Supremo brasileiro não quis aprender

Outra Piada do Ano! Vorcaro teve acesso à TV Justiça para assistir ao julgamento no STF

Autorização do STF tem como base o princípio da igualdade

Elijonas Maia
CNN

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro recebeu autorização para assistir TV dentro da Papudinha, ala do Complexo da Papuda, onde está preso há dois meses e meio. A autorização foi dada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) com base no princípio de igualdade, pois os demais detentos no 19º Batalhão têm acesso à televisão. Além de TV, agora Vorcaro também tem acesso à academia.

O princípio da igualdade no sistema prisional assegura que todas as pessoas privadas de liberdade tenham os mesmos direitos fundamentais respeitados, sem sofrer nenhum tipo de discriminação.

CASO MORAES – A autorização, porém, se restringe a canais de TV aberta, ficando de fora canais de notícia por assinatura e demais emissoras e streaming. Dentro das autorizações, portanto, está a TV Justiça, canal do STF que transmite o julgamento do caso Moraes nesta terça-feira (15).

O Plenário da Suprema Corte julga se abre investigação ou não contra o ministro Alexandre de Moraes, após pedido do colega André Mendonça. A análise tem como base um relatório de 218 páginas da Polícia Federal que mostra uma relação de Moraes com Vorcaro, até mesmo troca de mensagens no dia de sua primeira prisão, em novembro do ano passado.

Moraes nega que tenha trocado mensagens com o então banqueiro. Vorcaro disse à PF que não se recorda de com quem conversou horas antes de sua detenção.

Uma desesperada jura de amor, que ficou na história do samba brasileiro

SINHÔ - O PÉ DE ANJO - Discografia Brasileira

Sinhô, um dos pioneiros do samba carioca

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor carioca José Barbosa da Silva, conhecido como Sinhô (1888-1930), é considerado um dos mais talentosos compositores de samba, para muitos o maior da primeira fase do samba carioca.

Com letra romântica e queixosa, o samba ”Jura” pede uma promessa de amor. Ao que parece, Sinhô escreveu-a num momento de dor de cotovelo, depois de ter visto a mulher que amava nos braços de um outro pretendente. O samba foi gravado, originalmente, por Mário Reis, em 1928, pela Odeon.

JURA
Sinhô

Jura, jura, jura
pelo Senhor
Jura pela imagem
da Santa Cruz do Redentor
pra ter valor a tua jura
jura, jura
de coração
para que um dia
eu possa dar-te o amor
sem mais pensar na ilusão

Daí então dar-te eu irei
o beijo puro da catedral do amor
Dos sonhos meus, bem junto aos teus
para fugirmos das aflições da dor

A crise une o país em uma desconfiança inédita sobre o futuro do Supremo

Metade da corte está sob algum tipo de suspeição

Dora Kramer
Folha

São raros os momentos em que a sociedade em seus diferentes segmentos se mostra unânime frente a questões de ordem institucional e/ou a problemas que afetem a vida da coletividade. Anos atrás, vimos unidade no anseio pela retomada do regime democrático e assistimos de novo coesão nacional no apoio ao combate à inflação.

Agora, vemos personalidades dos mundos jurídico, empresarial, cultural, político e brasileiros ditos comuns — donos da nobre credencial de cidadãos — juntos na expectativa de que o Supremo Tribunal Federal aplique aos seus os critérios da legalidade válidos para todos, de modo a não perder a legitimidade para julgar quem ou o que quer seja.

PERÍODO ELEITORAL – Inédito é que tal união ocorra justamente em período eleitoral e ainda mais numa quadra de categórica divisão do país entre duas forças políticas. Cisão que em boa medida se reflete no ambiente idealmente imparcial do STF.

Sintomático, portanto, que no clima de acirramento político-eleitoral os diferentes grupos sociais falem o mesmo idioma nos seguintes tópicos: perplexidade diante do desarranjo que assola a corte; repulsa a condutas de magistrados; demanda pela adoção dos melhores procedimentos de correção; uma enorme desconfiança de que o tribunal vai decepcionar e procurar alguma forma de acomodação.

PRÁTICAS QUESTIONÁVEIS – Dessa coincidência de visões na opinião pública depreende-se que não estamos diante de algo que possa se confundir com a disputa eleitoral em curso. Fazer essa junção é deslocar para outro campo o cerne do assunto em tela: a contaminação da Corte Suprema de Justiça por práticas questionáveis, quando não ilícitas, que precisam ser passadas a limpo.

Adiar o enfrentamento dessa chaga para depois do pleito não fará desaparecer o fato de que hoje temos metade da corte sob algum tipo de desconfiança. A mais grave recai sobre o ministro Alexandre de Moraes, que não terá autoridade para daqui a um ano assumir a presidência do Supremo se não estiver acima de qualquer suspeita.

Última a votar, Cármen lamenta sua decepção e determina que Moraes seja investigado

Cármen Lúcia diz estar em estado de profunda consternação e tristeza e pede desculpas ao povo brasileiro | G1

Ao votar, Cármen Lúcia pediu desculpas ao povo brasileiro

Isadora Albernaz e Ana Pompeu
Folha

Depois de Luiz Fux ter apoiado a tese de Fachin para investigar o ministro Alexandre de Moraes, a ministra Cármen Lúcia foi a última a votar na sessão sobre o relatório da Polícia Federal que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro. O placar provisório ficou em 4 a 4, mas Fachin tem direito ao chamado “voto de qualidade”, como presidente, o que significa que Moraes será mesmo investigado.

Ela lamentou os desdobramentos do julgamento, que terá decisão provisória devido um pedido de vista de Flávio Dino, que lhe dá 90 dias para segurar o processo antes de levá-lo novamente a julgamento, após o desentendimento generalizado entre ministros.

MAL ESTAR CÍVICO – “Estou nesta sessão em estado de profunda consternação e tristeza. Não apenas pelo tema que nos traz aqui, mas porque este STF, guarda da Constituição Federal, provocou acho um mal estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos. Eu me sinto até envergonhada de no momento de estamos a menos de 20 dias das eleições, estarmos voltados a questões do STF”, disse.

“Se fui omissa, peço desculpas a todos os colegas por não ter ajudado a superar isso de maneira mais rápida. Acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que as questões fossem resolvidas, mas não foram resolvidas e cresceram demais”, completou.

A ministra Cármen Lúcia sinalizou que vai votar para manter separados os processos de Alexandre de Moraes, que apura mensagens com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e de André Mendonça, que apura supostas irregularidades por parte do magistrado. Ela disse que acompanhará o presidente da corte, Edson Fachin. “Sou deferente sempre ao relator. A relatoria está com vossa excelência [Fachin], que, além de ser relator, é o presidente que pauta. A pauta é do presidente. Não tenho nada a alegar para descontinuar isso.” (Isadora Albernaz)

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Palmas para Cármen Lúcia, única mulher no Supremo, que se comportou com a dignidade que o cargo exige. Ela e Fux ficaram de fora das destemperadas agressões contra Mendonça e Fachin. Com seus votos, Fux e Cármen jogaram água gelada na fervura da ala da corrupção. Em tradução simultânea, isso significa que Moraes será investigado, julgado e condenado. É só uma questão de tempo. A suspensão da investigação, com um pedido de vista que depõe contra o caráter de Flávio Dino, que já foi juiz federal, não resolve nada para Moraes, somente amplia seu sofrimento, que terá de ficar comparecendo às sessões com a cabeça baixa e o rabo entre as pernas, como se dizia antigamente. (C.N.)

Financial Times diz que crise no Supremo será fator decisivo nesta eleição