“Abandonar o mundo” é um sentimento que se constata em diferentes povos

Ermitão

No Tarô, a figura do Ermitão ou Eremita

Luiz Felipe Pondé
Folha

Hoje vamos manter uma certa distância desse mundo chato em que vivemos, um mundo histérico, em que todos querem aparecer como a pessoa mais legal de todas, com mais seguidores engajados para fazer melhores negócios ou, simplesmente, picaretas — é impressionante como o século 21, a partir das suas redes sociais, catapultou a prática da picaretagem profissional em níveis antes inimagináveis. Os psicanalistas que o digam — hoje, tem um em cada esquina.

Vamos falar um pouco da santidade e repousar, por algum tempo, na sua perenidade como fenômeno. Refiro-me à santidade, tal como a Igreja Católica e a Ortodoxa entendem, além de outras igrejas cristãs da bacia oriental do Mediterrâneo.

DEIXAR O MUNDO – Muitas vezes, a vontade de abandonar o mundo se repete na história de diferentes povos. Na maioria das vezes, como parte de uma experiência religiosa que vê no mundo algo a ser, de alguma forma, evitado.

Essa tradição, conhecida como monástica — termo ligado à origem da fuga do mundo por parte de cristãos nos primeiros séculos da era comum — não é exclusiva do cristianismo, apesar de as tradições espirituais guardarem diferenças no seu modo de viver a renúncia do mundo ou de justificá-la.

No caso especificamente cristão, essa forma de vida se confunde com a de um dos primeiros indivíduos canonizados como santos pelas igrejas cristãs nascentes — que eram então múltiplas — nos primeiros séculos da era comum, não necessariamente a católica, como entendemos hoje.

SANTO ANTÃO – Trata-se de Santo Antão, que viveu entre 251 e 356 da era comum — ou era cristã —, aproximadamente. Este egípcio copta é considerado, pela tradição cristã, o fundador da vida monástica.

Filho de uma família de lavradores com algumas posses, Antão, após a morte de seus pais, ao ouvir no culto da igreja cristã copta da sua cidade — fundamental na história do surgimento do cristianismo — a passagem em que Jesus diz que quem quiser segui-lo, deve distribuir suas posses entre os pobres e viver na pobreza e na humildade, decide fazer o que Jesus disse. Leva sua irmã à casa de donzelas cristãs e parte para o deserto do Egito.

Santo Antão não queria apenas viver como Jesus, ele queria encontrar Deus — ou Cristo, como consagrará o Concílio de Niceia em 325 da era comum.

DUAS TEORIAS – Aqui vale um pequeno reparo. Este Concílio de Niceia, instaurado pelo imperador Constantino, visava discutir duas teorias acerca da pessoa de Cristo. Ou ele seria da “mesma substância” do Pai (“homoousios”, em grego), portanto, incriado e, também, Deus, ou ele seria, como queriam os arianos, os derrotados, mas, não extintos em Niceia, criado por Deus, como todos nós.

Importante ter em mente que o arianismo existe até hoje entre cristãos, ainda que não confessem o seu verdadeiro nome.

Santo Antão defenderá a posição de Niceia, de que Jesus continua vivo e é da “mesma substância” do Pai — na linguagem dos cultos se dizia assim, porque Antão, analfabeto, dificilmente entraria em controvérsias ontológicas sofisticadas, conhecidas como fundadoras da cristologia.

“EU O VI” – Segundo a fonte mais antiga da vida de Santo Antão — Santo Atanásio de Alexandria, mais jovem, mas contemporâneo, em parte, do monge, e que foi, também, um forte defensor da posição de Niceia contra o arianismo —, ele, supostamente, quando questionado por arianos, teria respondido: “Eu O vi”, ou seja, viu Jesus, vivo no deserto.

Santo Antão passou para a história da santidade como alguém que enfrentou o mal exteriormente —não que isso não o afetasse interiormente.

O grande demônio e seus pequenos demônios, na figura de animais ferozes, mulheres sedutoras, pessoas deformadas, insetos devoradores, tentaram duramente Antão, para que ele desistisse de Deus e do Cristo.

INFLUENCIADO FLAUBERT – Sua experiência no deserto, inclusive, passará para a história da arte e da literatura como as famosas “tentações de Santo Antão”. Entre muitos grandes que voltaram a essas tentações de Santo Antão, figura o grande Gustave Flaubert, que escreveu de 1848 a 1874 a sua “Tentação de Santo Antão”, reescrita várias vezes neste período.

Segundo o historiador René Fulop-Miller, no seu “Os Santos que Abalaram o Mundo”, da José Olympio Editora, vale comparar as experiências exteriores de desespero de Antão com o longo desespero interior, ou psicológico, como diríamos nós hoje, de Santo Agostinho.

Assim, os dois santos antigos repetem o perfil, muitas vezes desesperador, dos heróis do Velho Testamento. Viver com a mão de Deus sobre sua cabeça nunca foi coisa fácil.

“Leviandade: ex-chefe da FAB rebate Flávio após ser acusado de fazer campanha para Lula

Baptista Júnior diz que Flávio tentou fugir dos questionamentos

Deu no G1

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos de Almeida Baptista Júnior, rebateu o candidato Flávio Bolsonaro (PL) de que ele estaria fazendo campanha para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração de Flávio foi feita durante a entrevista à Globo na última sexta-feira (28). Conduziram o programa os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.

Para Baptista Júnior, a fala foi uma forma de evitar a pergunta dos jornalistas sobre a tentativa de golpe de Estado, na qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele chamou a atitude de “leviandade” por parte de um candidato à Presidência.

FUGA DA RESPONSABILIDADE – “A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo, uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la — algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir”, disse Baptista Júnior por meio de seu perfil no X.

Flávio foi questionado sobre depoimentos de generais que fizeram parte do governo Bolsonaro e que basearam o processo que condenou o ex-presidente e outros integrantes do gabinete.

RISCO IMINENTE – Segundo o candidato, depoimentos como os do brigadeiro Baptista Júnior e do general Freire Gomes, que mencionaram que houve um risco iminente de golpe de Estado e pressões para que militares aderissem a uma ruptura institucional, não eram graves.

“Não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”, disse.

Em resposta, Baptista Júnior disse ainda que seu livro, “Eu disse não! Uma trincheira antigolpista”, e seu testemunho no STF não tiveram relação com Flávio. “Talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista”, disse o brigadeiro.

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Lula e Flávio: dois candidatos, uma mesma dificuldade em dar explicações

Candidatos embromam sobre os próprios casos

Dora Kramer
Folha

É direito de todo cidadão, eleitor ou não, cobrar franqueza e objetividade de governantes ou de qualquer um que postule o ofício da representação e, assim, pretenda ter poder de decisão sobre a vida da coletividade —em variados graus.

A escolha pela vida pública é livre; já seu exercício implica obrigações entre as quais está no topo da lista a permanente prestação de contas à sociedade dona dos votos e do dinheiro que sustenta a atividade.

CAMINHO DE RISCO – A opção pela mentira, a meia-verdade e a dissimulação é caminho de risco; expõe seus autores ao constrangimento de se verem despidos da virtude fabricada. O enunciado, de tão óbvio, soa a platitude. Anormal é a desfaçatez com que candidatos à Presidência da República fazem da transgressão ao princípio básico uma banalidade.

Não só escolhem ao que (não) responder como se dão ao desfrute de se indignar, mentir, enrolar, tratar perguntas como impertinência ou incompetência de entrevistadores.

Reações que tanto revelam o autoritarismo dos espíritos como podem evidenciar a ausência de explicações plausíveis ou conter a combinação das duas hipóteses: culpa aliada à prepotência. Invertem aí o preceito da submissão de suas conveniências ao direito da população ao conhecimento de tudo o que lhes diz respeito. Direta ou indiretamente.

ESCÂNDALOS – Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) escolheram explorar os escândalos que rondam o adversário e reivindicam atenção aos planos de governo. É do jogo, mas se refugiam em evasivas quando confrontados com as respectivas vergonhas, contradições, imprecisões e vazios de ideias.

O presidente recorre ao velho truque de se pôr no lugar daquele que nada vê e nada sabe sobre o que se passa no seu entorno. O senador insiste em dar por superada uma questão que ficará em aberto enquanto ele não explicar para onde foi o dinheiro recebido do “irmão” Daniel Vorcaro. Ambos embromam, não respondem honestamente ao interesse do público nem afastam os fantasmas que os rodeiam.

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Indecisão domina eleição, mas Lula mantém força entre eleitores mais mobilizados

Fotos de Lula com lobista são anteriores à posse e foram tiradas em eventos públicos

Imagens eram respostadasem rede social de Roberta

Sarah Teófilo
O Globo

As fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado da lobista Roberta Luchsinger que passaram a circular nas redes sociais após a entrevista do presidente ao Jornal Nacional não são recentes e foram publicadas pela própria empresária em diferentes momentos.

Os registros que vieram à tona mostram encontros ocorridos antes da posse de Lula, em 1º de janeiro de 2023, e algumas das imagens foram republicadas por Roberta em seu perfil algumas vezes.

ANTERIOR À CAMPANHA – Entre os registros está uma fotografia em que Lula e Roberta aparecem usando máscaras de proteção contra a Covid-19. Segundo a própria empresária, a imagem foi feita em 19 de dezembro de 2021. A foto, portanto, é anterior à campanha eleitoral de 2022 e ao atual mandato de Lula.

Há também duas fotografias de um evento realizado em 1º de maio de 2022. As imagens foram originalmente feitas naquela data e posteriormente foram resgatadas por Roberta em suas redes sociais. Uma delas aparece em publicação feita em junho de 2022, enquanto outra foi republicada por ela em outubro de 2022.

Em 27 de outubro de 2022, Roberta publicou ainda uma fotografia em que aparece ao lado de Lula, os dois sorrindo. Na legenda, escreveu: “Feliz aniversário para o cara que fará o Brasil feliz de novo !!! Parabéns…”. A publicação ocorreu durante o período eleitoral.

ELOGIO – Em outra postagem, de 29 de agosto de 2023, Roberta voltou a publicar uma fotografia em que aparece com Lula e a advogada Daniela Teixeira. Na legenda, ela elogiou a escolha de Daniela para o STJ. Parte da imagem já havia sido publicada por ela em junho de 2022.

As imagens passaram a circular logo depois de Lula afirmar no Jornal Nacional que não conhecia Roberta nem havia estado com ela, na noite da última quinta-feira. Em seguida à entrevista, a oposição passou a explorar as fotografias do presidente ao lado da empresária, justamente registros que já haviam sido divulgados pela própria Roberta em suas redes sociais.

A repercussão levou a campanha petista a divulgar uma nota para explicar a situação. A equipe de Lula afirmou que “a existência desses registros não significa relação pessoal, profissional ou política”. “O presidente Lula é uma figura pública que, ao longo de sua trajetória e especialmente em campanhas e agendas públicas, é abordado por inúmeras pessoas para registros fotográficos”, pontuou.

CARECA DO INSS – Roberta Luchsinger veio à tona nas investigações sobre o escândalo do INSS por sua atuação junto a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, para tentar viabilizar um contrato de venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.

A investigação da Polícia Federal obteve mensagens do celular de Roberta e, a partir desse material, um dos filhos do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também passou a ser envolvido em uma nova frente de investigação. A PF apura suspeitas de tráfico de influência e investiga se ele pode ter usado a condição de filho do presidente para abrir portas do governo para a amiga e lobista.

Mensagens já mostraram a relação dela com outros integrantes do governo, como o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

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“Fim de Caso”, uma canção de Dolores Duran que jamais será esquecida

Quem Foi? – música e letra de Dolores Duran | Spotify

Dolores morreu aos 29 anos e deixou uma grande obra

Paulo Peres
Poemas & Canções

A pianista, cantora e compositora carioca Adiléa da Silva Rosa (1930-1959), conhecida como Dolores Duran, foi uma das maiores representantes do samba-canção, gênero musical onde prevaleciam a “fossa e a dor de cotovelo” nos anos 50.

Uma de suas obras principais é o samba-canção “ Fim de Caso”, gravado por Dolores Duran, em 1959, pela Copacacabana. Outros grandes sucessos foram “A Noite do Meu Bem”, “Estrada do Sol” , “Ternura Antiga” e “Por Causa de Você”, que Frank Sinatra gravou numa versão em inglês.

FIM DE CASO
Dolores Duran

Eu desconfio,
Que nosso caso
Está na hora de acabar.
Há um adeus
Em cada gesto, em cada olhar,
O que não temos é coragem de falar.

Nos já tivemos
A nossa fase de carinho apaixonado
De fazer verso,
De viver sempre abraçados.
Naquela base do eu só vou se você for.
Mas de repente,
fomos ficando cada dia mais sozinhos.
Embora juntos,
cada qual tem seu caminho.
E já não temos nem vontade de brigar…

Tenho pensado,
E Deus permita que eu esteja errada.
Ah, eu estou.
Eu estou desconfiada
que o nosso caso está na hora de acabar…

Nas urnas, vinte candidatos usam “Bolsonaro” e oito adotam “Lula” no sobrenome sem parentesco

Candidatos tentam explorar força política dos nomes

Nayara Felizardo
G1

As eleições de 2026 têm oito candidatos que adotaram “Lula” e 20 que usam “Bolsonaro” no nome de urna sem ter parentesco com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na maioria dos casos, os nomes foram incorporados como referência política aos dois líderes.

O fenômeno cresceu principalmente entre os “Bolsonaros”. O número de candidatos que adotam o nome do ex-presidente na urna, sem ter o sobrenome de fato nem parentesco com ele, aumentou dez vezes desde 2018. Há oito anos, eram dois. Em 2022, passaram a 15 e, em 2026, chegaram a 20 que fazem uso político do nome.

DIREÇÃO CONTRÁRIA – Entre os “Lulas”, o movimento foi na direção contrária. Os candidatos que incorporaram o nome do petista à identificação na urna, sem parentesco com ele, eram dez em 2018. O número caiu para sete em 2022 e foi para oito em 2026.

Segundo os dados cadastrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 41 candidaturas foram registradas em 2026 com “Lula” ou “Bolsonaro” no nome de urna em diferentes estados do país. Desse total, 28 adotaram os nomes sem tê-los oficialmente nem possuir parentesco com o presidente ou o ex-presidente. Os outros 13 são candidatos que têm esses nomes oficialmente, possuem algum grau de parentesco ou podem usar “Lula” como apelido tradicional derivado de Luiz.

Entre os 28 candidatos que adotaram os nomes, 20 fazem referência política a Bolsonaro e um dos oito que fazem referência a Lula foge à regra: apesar de usar o nome do petista, o candidato é bolsonarista e, por causa da semelhança física com o presidente, apresenta-se como “o Lula do Bem”.

CONCENTRAÇÃO  NO PL – Dos 20 candidatos que adotaram Bolsonaro como referência política no nome de urna, 16 são homens e quatro são mulheres. O PL concentra a maior parte deles, com 12 candidaturas. O Podemos tem duas. Agir, Progressistas, Democrata, Democracia Cristã e Novo têm um candidato cada.

A maioria tenta uma vaga no Legislativo. Oito disputam o cargo de deputado estadual no Ceará, em São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná. Outros sete concorrem a deputado federal em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Mato Grosso.

Há ainda três candidatos ao Senado, em Roraima, Rondônia e Tocantins; um candidato a deputado distrital; e um que disputa o governo do Rio Grande do Norte. Entre os sete candidatos que adotaram Lula como homenagem ao presidente, cinco são homens e duas são mulheres. Seis são filiados ao PT e um, ao Avante. Três disputam vagas de deputado estadual em Alagoas, Maranhão e Rio de Janeiro. Outros dois concorrem a deputado federal em Minas Gerais. No Rio Grande do Norte, há ainda um candidato ao governo e outro ao Senado com Lula no nome de urna.

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Estamos lascados nesta eleição, porque Lula e Flávio não merecem nosso voto

Cartum mostra um outdoor com a frase 'Vote em mim!'. Da boca do candidato sai um líquido marrom que inunda a cidade. Um homem, agarrado ao pé do outdoor, quase sendo levado pela correnteza, responde 'Eu votei!'. Ao fundo, prédios e nuvens negras. No primeiro plano, carros boiando

Charge da Folha (Cláudio Mor)

Hélio Schwartsman
Folha

Não dá para a gente pular direto para a eleição de 2030? Pergunto porque, pelas opções que se nos descortinam agora, estamos lascados. O principal candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, dá diariamente mostras de que não tem condições de conduzir uma patinete por rua tranquila de cidade do interior. É preciso ter perdido o juízo para entregar-lhe a condução de um país com as complexidades do Brasil.

A suposta novidade no pedaço, Renan Santos e seu partido Missão, vendem-se como representantes do liberalismo, mas não desperdiçam nenhuma oportunidade de abraçar posições iliberais. Já o incumbente, Luiz Inácio Lula da Silva, está bem fora de forma e parece perdido em algum lugar entre o passado e o futuro. Com isso, quero dizer que não assimilou as lições do passado e apresenta uma visão de futuro bem obnubilada.

ERRO INFANTIL – Para um político que disputa sua sétima eleição presidencial, ele cometeu erro infantil ao afirmar não conhecer e jamais ter estado perto da lobista Roberta Luchsinger. Fotos que provam o contrário apareceram em minutos.

Na mesma linha, custa crer que Lula, que já passou pelo mensalão e pelo petrolão e sofreu enorme desgaste por causa dos negócios do filho Fábio Luís, não tenha tomado medidas preventivas para evitar que a vida empresarial do primogênito não voltasse a assombrá-lo.

Algo parecido vale para o caso Marcola. Um presidente precisa saber o que ocorre na antessala de seu gabinete.

E A DÍVIDA – O mais desalentador foi a declaração do presidente de que a dívida pública não o preocupa. Deveria. No Brasil, a dívida mobiliária, dadas a reduzida poupança interna e as condições de rolagem, opera como uma âncora que puxa para baixo todas as variáveis necessárias para manter a economia crescendo por períodos mais longos, condenando-nos aos proverbiais voos de galinha.

Nos últimos 30 anos, o PIB do Brasil cresceu 105%, pouco perto dos 165% da Colômbia ou 220% do Chile e uma piada diante dos 620% do Vietnã ou 1.200% da China.

Não ver um problema desse tamanho é grave.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais um extraordinário artigo de Helio Schwartsman, que trafega admiravelmente pela Política, pela Economia, pela Filosofia e pelas Artes em geral. É um dos brasileiros mais qualificados, porém às vezes cabe fazer algum reparo a seus artigos, como acontece agora. Schwartsman reduziu a pó os principais candidatos ao governo, para concluir que “estamos lascados” e deveríamos adiar a eleição para 2030. Peço licença para discordar. Como a eleição não será adiada, os brasileiros deveriam votar no menos pior, digamos assim, que se chama Ronaldo Caiado e não sofreu nenhuma crítica de Schwartsman, que a meu ver não quis apoiá-lo para evitar atrito com a maioria dos jornalistas, que é de esquerda e apoia Lula. O editor da Tribuna é um velho admirador de Engels e Marx (nesta ordem, por favor, prefiro Engels a Marx…). Hoje atuo como social-democrata, em busca do Estado de Bem-Estar (Welfare State) e não ligo mais para as divergências entre direita e esquerda, porque todos somos iguais e precisamos optar pelo que é certo. Nesta eleição, o certo é votar em Caiado, por simples constatação de que os demais são muito inferiores a ele. Vamos voltar ao assunto, é claro. (C.N.)

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