Dino admite protagonismo excessivo do STF, mas alega que Corte não pode recuar

Brasil terá 8.700 candidatos a menos em 2026, na maior queda desde 1994

Desenrola 2.0 entra em cena, mas brasileiros atrasam mais e inadimplência dispara

Aliados de Lula tentam conter crise com lobista após presidente chamá-la de “pilantra”

Nas entrevistas do JN, Lula foi o único que respondeu a todas as perguntas

5 mentiras de Lula na entrevista ao Jornal Nacional

“Se meu filho, deve pagar por isso”, disse Lula na TV Globo

Vicente Limongi Netto

O filho do Lula está sendo investigado por supostamente fazer lobby para venda de remédios de canabidiol. Só há crimes, se houver propina e caso o contrato seja aceito pelo órgão público.

Esse processo, se continuar no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo relator é o ministro André Mendonça, deve ser anulado por incompetência, já que não tem nada a ver com os processos anteriores do INSS ou do banco Master, que envolve figurões de foro privilegiado. Trata-se de negócio privado, de competência da primeira instância da justiça.

SÓ VAZAMENTOS – Na entrevista de quinta-feira, César Tralha e Renata Vasconcellos tomaram por base o que foi vazado, aos poucos, do inquérito de Fábio Luiz. E vazamento de parte de inquérito sigiloso é considerado crime.

Mesmo assim, Lula não se desestabilizou e respondeu como tinha de fazer. Nem precisava, bastava frisar o que vem dizendo: “Se meu filho for culpado, que pague pelo que cometeu”. 

No caso do combate ao crime, Lula nadou de braçada, falou sobre o SUSP (Sistema Único de Segurança Pública) que foi rejeitado pelos governadores da direita. Disse que a responsabilidade da segurança pública é dos governadores. Respondeu a todas as perguntas. Não fugiu dos assuntos. A meu ver, saiu vitorioso da sabatina.

MENSAGEM DE LOYOLA – O gigantesco e notável jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão emociona meu coração. Desta vez, enalteceu texto do meu artigo publicado na Tribuna da Internet, sobre os candidatos anônimos à Presidência da República. 

Vicente,

Emocionante texto. Você é mestre na visão da realidade. Pois este assunto, os anônimos que surgem a cada eleição, pode ser tema de um romance.

Ninguém presta atenção a eles. Atravessam o mar tempestuoso das campanhas, indiferentes aos percalços. Pensaste em um livro?

Bom final de semana.

Ignácio

Rubio quer a direita no Planalto, mas Washington não escolhe presidente no Brasil

Lula rifa aliados, protege o filho e cria um risco que assusta o próprio PT

Tarcísio e Haddad travam uma disputa mais programática do que Lula e Flávio

Flávio Bolsonaro precisa de Tarcísio, mas o governador já faz contas para 2030

Um estranho mundo imaginário, descortinado pelo poeta Emílio Moura ao cair da tarde

emílio mouraPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, professor e poeta mineiro Emílio Guimarães Moura (1902-1971), ao lado de Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava, fez parte da célebre geração que renovou a literatura na Belo Horizonte dos anos 20 e 30. Neste poema, Moura revela uma visão melancólica sobre seu “Mundo Imaginário”.

MUNDO IMAGINÁRIO
Emílio Moura

Sob o olhar desta tarde,
quantas horas revivem
e morrem
de uma nova agonia?

Velhas feridas se abrem,
de novo somos julgados,
o que era tudo some-se
e num mundo fechado
outras vigílias doem.

A noite se organiza e, no entanto,
ainda restam certas luzes ao longe.
Ah, como encher com elas
este ser já não-ser que se dissolve
e deixa vagos traços na tarde?

‘Dark Horse’ supera Lulinha em repercussão digital na semana dos vazamentos

A eleição do Planalto passa pelo STF — e a disputa é também pelo poder no tribunal

Disputa entre Mendonça e PF definirá rumos da eleição

Malu Gaspar
O Globo

A guerra mais sangrenta e decisiva para o resultado da eleição presidencial não se dará no horário eleitoral, nas redes sociais ou nos debates, mas no Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam os casos Dark Horse e Lulinha. O ritmo de cada um e as revelações produzidas daqui para a frente não definirão só quem tem mais chance de vitória numa eleição pautada pela rejeição, mas também com quem ficará o domínio do tribunal.

À primeira vista, tudo se resume a uma disputa de poder. Se der Lula, a ala de que fazem parte Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes tende a emplacar aliados nas três vagas que se abrem até o fim do próximo mandato com as aposentadorias de ministros, mais a de Luís Roberto Barroso, que continua indefinida com a derrota de Jorge Messias no plenário do Senado Federal. A vitória de Flávio Bolsonaro faria o Supremo pender à direita e empurraria o centro de gravidade na direção do ministro André Mendonça, que detém ao mesmo tempo a relatoria dos casos do Banco Master e do INSS.

EMBATE – Sob essa guerra de tronos, porém, há também uma batalha pela sobrevivência política e judicial de alguns personagens, que aparece para o público na forma de um embate entre Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Resumidamente, o ministro desconfia que Andrei use o cargo para atrapalhar as investigações, enquanto o chefe da PF o acusa de tentar dirigi-las politicamente para prejudicar Lula e favorecer Flávio.

Num dos últimos capítulos dessa história, Mendonça determinou que os delegados deixassem sob custódia em seu gabinete os dados brutos obtidos nas apurações sob seu comando, incluindo os resultantes da quebra de sigilo telemático e fiscal. Mandou, ainda, que não compartilhassem informações com os superiores hierárquicos (leia-se, diretor-geral) e que as eventuais trocas nas equipes fossem submetidas a ele.

RELATÓRIOS – No final de junho, Mendonça ordenou que os investigadores do INSS entregassem os relatórios de apurações que se arrastavam havia meses sem conclusão. Só depois disso, as suspeitas de tráfico de influência contra Lulinha e sua turma se transformaram nos três inquéritos que passaram a assombrar a candidatura de Lula.

Foi aí que Andrei recorreu à Advocacia-Geral da União (AGU), pedindo que tentasse revogar as medidas de Mendonça, que classificou como inconstitucionais e abusos de poder capazes de gerar nulidades no processo. Com isso, emparedou Messias, o advogado-geral da União, que é aliado de Mendonça e tenta encontrar uma solução para a crise sem ter de atender Andrei.

INTERFERÊNCIA – A autonomia da PF é essencial para o avanço de apurações sensíveis e importantes, por isso é de espantar que um ministro do STF queira interferir no dia a dia de uma investigação. Só intriga que não se tenha ouvido uma palavra da PF quando os ministros em questão eram Moraes, que controlava de perto cada etapa do caso da trama golpista, ou Dias Toffoli, que também tentou impedir policiais de acessar dados do Master fora do seu gabinete e ainda tentou nomear, ele mesmo, peritos para analisar quebras de sigilo de Daniel Vorcaro.

Naquele momento, Andrei entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas descrevendo em minúcias os negócios de Toffoli e Vorcaro, mas o STF arquivou o relatório. Toffoli deixou o comando do caso, mas continuou ministro.

Como se sabe, as relações de Moraes com o dono do Master são tão ou mais flagrantes, mas não houve relatório do diretor-geral da PF. Pelo contrário. Embora os últimos meses tenham sido repletos de divulgação de informações sigilosas de todo matiz, as únicas investigações de vazamento que tiveram alguma consequência são as relativas a Moraes.

CASO LULINHA – O último episódio ocorreu no caso Lulinha, numa ação disseminada que expôs principalmente os inquéritos relatados por Mendonça — há um com Flávio Dino, mas sobre esse não se sabe quase nada.

A partir daí, a defesa de Fábio Luís passou a falar em vazamentos seletivos e direção política, evocando a lembrança da Lava-Jato e o argumento da perseguição judicial — que também tem como meta final alegar nulidades no processo, tornando ainda mais complicada qualquer tentativa de apaziguar os ânimos entre Andrei e Mendonça.

A esta altura, já não há mais como impedir que os casos Lulinha e Dark Horse produzam estragos para Lula e Flávio, já que nenhum dos inquéritos terminará antes da eleição. Mas ainda há como evitar que muita coisa do caso Master venha à tona, e é isso o que acontecerá caso as nulidades plantadas pelo conflito entre Andrei e Mendonça emplaquem. Para alguns figurões, isso é muito mais importante do que ganhar a eleição.

Candidaturas a deputado federal caem 28% e disputa fica mais concentrada

A caneta do presidente, a força do Congresso e o voto do eleitor que decide tudo

Entrevista na Globo: Flávio veste a fantasia de moderado, mas carrega o roteiro do bolsonarismo

Lula, Trump e o desafio de negociar sem se curvar às pressões externas

Lula e Trump retomam o diálogo em meio à crise comercial

Marcelo Copelli
Revista Fórum

Duas agendas se cruzaram nos últimos dias e colocaram no centro do debate político uma questão decisiva para 2026: quem define as prioridades do Brasil. De um lado, Lula reuniu Hugo Motta e Davi Alcolumbre para tratar do fim da escala 6×1, dos minerais críticos e de incentivos a datacenters — temas que envolvem a distribuição dos ganhos do desenvolvimento, o controle de recursos estratégicos e a posição do país na economia digital.

Do outro, Brasília e Washington confirmaram para a próxima segunda-feira uma reunião entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a primeira desde que as negociações foram interrompidas em julho. A retomada foi precedida por um telefonema de uma hora e vinte entre Lula e Trump, no qual o presidente brasileiro contestou as medidas adotadas pelos americanos e defendeu a reabertura do diálogo comercial.

PRIORIDADES – À primeira vista, são assuntos distintos. Mas ambos remetem à mesma disputa: a capacidade de o Brasil estabelecer suas próprias prioridades diante de pressões econômicas, políticas e externas. O embate comercial com os Estados Unidos, assim, ganha uma dimensão que ultrapassa a disputa tarifária e coloca sob exame o discurso de patriotismo que a direita bolsonarista transformou em um de seus principais ativos.

A crise tarifária oferece o primeiro caso concreto. As duas sobretaxas em vigor — 25% sob a Seção 301 e mais 12,5% sob alegação de trabalho forçado — podem elevar a carga a 37,5% sobre setores como calçados, máquinas, madeira e móveis, atingindo US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras. Diante desse cenário, Lula contestou as justificativas americanas, manteve o comitê de resposta ao tarifaço e, ao mesmo tempo, retomou a negociação técnica. Não se trata de escolher entre confronto permanente e acomodação. Trata-se de negociar sem aceitar que uma pressão externa determine as escolhas do país.

Nesse contexto, a atuação de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos adquire relevância política. Em meio à crise, ele buscou interlocução direta com autoridades americanas, incluindo a audiência pública realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.

EFEITOS NAS ELEIÇÕES – Segundo apurações da imprensa, sua articulação considerou os efeitos que a tarifa poderia produzir na disputa eleitoral brasileira. Houve, inclusive, um pedido público para que a medida fosse suspensa por cerca de seis meses, justamente no período que antecederia a eleição.

Não há ilegalidade ou anormalidade no diálogo de um político brasileiro com autoridades estrangeiras. O ponto é outro. Quando uma medida comercial atinge setores da economia nacional, o primeiro critério deveria ser seu impacto sobre o país. Se o cálculo central passa a ser sua utilidade para uma candidatura ou um grupo político, abre-se uma distância entre o discurso de soberania e a prática.

É dessa distância que surge a discussão sobre o verde e amarelo. Nos últimos anos, a direita bolsonarista procurou associar os símbolos nacionais a um campo político específico e transformou o patriotismo em um de seus principais instrumentos de mobilização. Mas a apropriação da bandeira não comprova a defesa dos interesses nacionais. O critério está nas posições adotadas quando o Brasil entra em choque com os objetivos de uma potência estrangeira.

TESTE PARA A DIREITA – Esse será um teste para a direita em 2026. Não se trata de defender hostilidade aos Estados Unidos. O Brasil deve negociar e manter relações com Washington, assim como com outras potências e parceiros comerciais. Ter proximidade ideológica com Trump ou com a direita americana, por si só, não compromete a defesa dos interesses nacionais. A incoerência aparece quando esse alinhamento passa a orientar a reação a medidas que atingem diretamente o país.

A pauta doméstica discutida nos últimos dias reforça a dimensão concreta desse debate. O fim da escala 6×1 diz respeito à forma como o país distribui os ganhos da produtividade e organiza o tempo de trabalho. A política para minerais críticos envolve uma escolha sobre o lugar que o Brasil pretende ocupar nas cadeias globais: continuar como fornecedor de matéria-prima ou ampliar o processamento, a tecnologia e a agregação de valor dentro do território nacional. Os incentivos a datacenters dizem respeito ao controle da infraestrutura necessária para uma economia cada vez mais dependente do processamento de dados e da inteligência artificial.

Não são assuntos desconectados. Todos envolvem desenvolvimento e autonomia. Está em disputa quem se beneficia do crescimento, quem controla recursos estratégicos e qual parcela do valor produzido permanece no país. É a mesma lógica presente no confronto comercial com os Estados Unidos: preservar a capacidade nacional de definir prioridades em um ambiente de crescente pressão externa.

POLÍTICAS PÚBLICAS – Soberania, portanto, não é apenas uma questão de fronteiras ou de retórica nacionalista. Ela se expressa na capacidade de definir políticas públicas, estabelecer prioridades econômicas, proteger setores estratégicos e negociar com outros países sem subordinar decisões internas a objetivos externos. É nesse terreno que o discurso político precisa ser confrontado com os fatos.

A resposta apresentada pelo governo Lula combinou duas frentes: contestar as medidas adotadas por Washington e manter aberta a negociação, enquanto, internamente, leva ao centro da agenda temas como trabalho, recursos minerais e infraestrutura tecnológica. Isso não elimina divergências sobre cada uma dessas políticas nem coloca as decisões do governo acima de crítica. Mostra, porém, uma concepção de soberania associada a escolhas concretas de desenvolvimento.

A tensão aparece em outro lugar. Um campo político que transformou o patriotismo em um de seus principais ativos terá de explicar como concilia esse discurso com uma estratégia que, diante de uma pressão comercial sobre o Brasil, colocou seus possíveis efeitos eleitorais no centro do cálculo. Não basta reivindicar a defesa da pátria contra adversários e instituições internas e, diante dos interesses de um governo estrangeiro ideologicamente próximo, alterar o critério de avaliação.

INTERFERÊNCIA – A eleição brasileira deve ser decidida no Brasil. Nenhuma potência estrangeira — Washington, Pequim ou Moscou — deveria interferir no resultado de uma disputa que cabe exclusivamente aos brasileiros. Esse princípio precisa valer independentemente de qual força política possa se beneficiar de uma eventual interferência.

É aí que o patriotismo deixa de ser um símbolo e passa a ser uma posição política verificável. Não se trata de quem reivindica a bandeira, mas dos critérios adotados quando interesses concretos entram em conflito. A defesa da autonomia nacional exige coerência justamente quando ela se torna politicamente inconveniente.

DIÁLOGO COM OS EUA – Os acontecimentos dos últimos dias tornaram esse debate mais concreto. Enquanto o país discute como distribuir os ganhos do desenvolvimento, controlar recursos estratégicos e construir infraestrutura para a economia digital, também retoma o diálogo com os Estados Unidos após um período de forte pressão comercial.

Economia, eleições e geopolítica se cruzam. Quando o cálculo eleitoral e o alinhamento ideológico entram em conflito com os interesses do Brasil, fica claro até onde vai o patriotismo — e onde ele termina: em Washington.

 

Em meio à crise com Mendonça, diretor alega que a PF não protege nem persegue

Rodrigues diz que PF atua ‘livre de qualquer viés político’

Fábio Amato
G1

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (28) que, na sua gestão, a corporação investiga sem proteger nem perseguir ninguém e trabalha “livre de qualquer viés político”.

Andrei deu as declarações ao participar da formatura de novos agentes da Polícia Federal, em Brasília. Ele também disse que a atuação “técnica e imparcial” permite a defesa da instituição “de qualquer ataque”.

AUTONOMIA – “Hoje temos uma polícia que atua com autonomia, guiada pela Constituição e pelas leis, pela responsabilidade institucional e compromisso com a justiça e a sociedade. Tenho total tranquilidade em afirmar, sem rodeios, que nesta gestão trabalhamos com transparência e foco na missão institucional, sem proteger ou perseguir, com atuação vigorosa e intransigente no combate ao crime organizado”, disse Andrei.

“Nunca se esqueçam que a atuação técnica, imparcial, livre de qualquer viés político, é o que nos permite defender nossa instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha”, completou o diretor-geral da PF.

A afirmação de Andrei ocorre em um momento de desconfiança na relação do diretor da PF com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Mendonça é o relator de dois inquéritos considerados atualmente os de maior potencial de desgaste político e eleitoral para os principais candidatos ao Palácio do Planalto: os casos Dark Horse/Master e INSS/Lulinha.

ENCONTRO – De acordo com a colunista do G1, Ana Flor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a Andrei que procure o ministro do STF. O encontro será mediado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

O pano de fundo da reunião é a crescente desconfiança entre integrantes da PF e o gabinete de André Mendonça sobre o ritmo das investigações desses casos e também sobre vazamentos de informações.

Flávio não teve tradução simultânea e ninguém entendeu nada que ele falou

entrevista flávio bolsonaro

Flávio estava “turbinado” e falava depressa demais

Carlos Newton

Com toda certeza, já se pode dar por terminada – e fracassada – esta série de entrevistas com candidatos à Presidência na TV Globo, porque o último programa é com o concorrente do arrebatador partido Avante, chamado Augusto Cury, que diz ser “médico, psiquiatra, escritor, professor e político brasileiro”.

Sem falsa modéstia, ele vai direto ao ponto e diz que se tornou “conhecido principalmente por uma extensa produção de livros sobre desenvolvimento pessoal, educação, relações humanas e temas ligados à saúde emocional, além de romances”.

ILUSTRE DESCONHECIDO – O ilustre candidato do Avante vai me desculpar, mas é um ilustre desconhecido. Em 60 anos de jornalismo, jamais ouvi falar neste cidadão, que na verdade escreve livros de autoajuda, para faturar em cima do despreparo alheio.

É um grande espertalhão, que fez alguma mágica para aparecer nas pesquisas com 3%, porque no Brasil o dinheiro compra tudo. Com esse surpreendente desempenho, que o coloca como candidato preferido por 3 entre cada cem brasileiros, o malandro ganhou 40 minutos de graça na TV Globo, em horário nobre, para vender seu peixe e seus livros.

Aliás, esse fato de Cury ganhar 40 minutos de fama na Vênus Platinada, que não pode lhe cobrar um só centavo, já o coloca como um dos favoritos do disputado troféu Piada do Ano, que consagra os maiores absurdos que ocorrem aqui do lado de baixo do Equador.

INQUISIÇÃO – Quanto às entrevistas propriamente ditas, o esquema adotado foi tipo Tribunal de Inquisição, em que os 30 minutos iniciais são gastos para esculhambar o candidato e os dez minutos restantes são dedicados aos planos de governo. Foi assim com os quatro políticos que realmente disputam a eleição, como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Com Zema, Caiado, Lula e Flávio, o casal nacional César Tralli e Renata Vasconcellos procedeu à inquisição, que conseguiu arrebentar com Zema e Lula. No caso de Renan Santos, o esquema foi outro, porque não existem perguntas capciosas a lhe fazer nem ele tem respostas a dar. Também será assim, hoje, com o espertalhão Augusto Cury, e os telespectadores podem preparar os travesseiros para pegar no sono, antes da novela.

Mas com Caiado e Flávio, o esquema não funcionou, por motivos diferentes.

SEM TRADUÇÃO – O problema com Flávio Bolsonaro foi estranhíssimo. O entrevistado estava excitado demais ou tomou algum “arrebite”, que os caminhoneiros usam para não dormir ao volante. O fato concreto é que ele falava numa velocidade tal que não dava para entender. Coloquei legendas na TV, mas a Inteligência Artificial não conseguiu captar direito as palavras. Ou seja, faltou tradução simultânea, nenhum telespectador entendeu nada, absolutamente nada.

Com Caiado o esquema também não funcionou. Político experiente, seguiu a técnica de Paulo Maluf, que ouvia a pergunta específica e respondia: “Pode até ser assim, porém…“, e trocava de assunto para dar o recado que pretendia passar.

Caiado agiu assim e dominou a entrevista, até porque não existem acusações de corrupção contra ele, que já nasceu rico e não precisa desviar recursos públicos.

###
P.S.
Com quatro mandatos de deputado federal, um de senador e dois de governador, Caiado é experiente e culto. Antes de entrar na política, trabalhava como médico e professor de Cirurgia Ortopédica, com especialização em operações de coluna, cursada em Paris. Poderia seria um bom presidente, a exemplo de Itamar Franco, que acabou com aquela inflação descontrolada no Brasil, que destruiu o regime militar e levou ao fracasso o governo de Sarney. Mas quem se interessa? (C.N.)

TSE enfim vai decidir se a inteligência artificial terá passe livre na eleição

CGU determina divulgação individualizada de honorários pagos pela AGU

Controladoria negou recurso da Advocacia-Geral da União

Gabriela Echenique
Folha

A CGU (Controladoria-Geral da União) liberou à ONG Transparência Brasil o acesso aos dados de honorários de sucumbência pagos aos servidores da AGU (Advocacia-Geral da União). O órgão tem prazo de até 30 dias para divulgar as informações.

A decisão publicada nesta quarta-feira (26) reafirma uma deliberação anterior do órgão, de maio, que já tinha defendido a entrega dos dados. Depois disso, no entanto, a AGU recorreu e pediu para a Controladoria rever a decisão. Na época, o ministro-chefe substituto da AGU, Flávio José Roman, alegou que a divulgação resultaria em “perfilamento excessivo da vida financeira” dos servidores.

AUTORIZAÇÃO – Neste mês, 15 organizações que atuam em defesa da transparência enviaram uma carta ao ministro da CGU, Vinícius Marques de Carvalho, pedindo que ele reforçasse a autorização. Na decisão desta quarta, a Controladoria diz que não pode haver imposição de exigências não previstas em lei para impedir acesso aos dados públicos.

“Uma vez que a informação seja existente, produzida ou custodiada pelo Poder público e não esteja abrangida por hipótese legal de sigilo ou restrição de acesso, sua disponibilização não pode ser condicionada à demonstração, pelo requerente, da necessidade ou da finalidade de sua utilização”, disse o órgão.

A CGU determinou a discriminação dos pagamentos com detalhamento, como nome do servidor, competência, relação de remuneração, pagamentos indenizatórios, além das parcelas atrasadas, todas com respectivos valores brutos.

MAIS DE R$ 12,7 BILHÕES – Segundo um estudo da Transparência e do Movimento Pessoas à Frente, foram pagos mais de R$ 12,7 bilhões aos servidores da AGU entre 2020 e 2025. O principal argumento da entidade é que os dados disponibilizados atualmente têm valores agregados e impedem a identificação individualizada dos pagamentos.

A CGU afirma que não há demonstração de impossibilidade técnica, operacional ou jurídica que impeça o fornecimento das informações. “A transparência pública não se restringe à apresentação visual de dados em uma página eletrônica, mas exige a disponibilização das informações em formato que possibilite sua extração, análise e utilização pelo requerente, sendo inoportuno limitar o fornecimento de dados adicionais existentes e necessários à sua compreensão”, concluiu.