Lula e Flávio empatam na rejeição e travam disputa por 2026

Candidatos chegam a 55% de rejeição em eleição polarizada

Deu no O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados como os candidatos à Presidência mais rejeitados pelos eleitores, mostra a nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira. Segundo o levantamento, 55% afirmam que não votariam de jeito nenhum em nenhum dos dois postulantes ao Palácio do Planalto.

A rejeição de Lula oscilou dois pontos percentuais para cima na comparação com a pesquisa divulgada há uma semana, passando de 53% para 55%. No mesmo período, o percentual dos que afirmam que poderiam votar no petista foi de 44% para 45%. Por ser conhecido por todos os entrevistados, o presidente não registra percentual de desconhecimento.

OSCILAÇÃO – Flávio manteve os mesmos 55% de rejeição registrados nas duas rodadas anteriores. O potencial de voto do candidato do PL, porém, oscilou de 40% para 43%. Outros 2% disseram não conhecer o senador, ante 5% nas pesquisas anteriores. Os dois líderes da corrida presidencial têm rejeição superior à dos demais candidatos. Ronaldo Caiado (PSD) aparece na sequência, com 42%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 40%; Renan Santos (Missão), com 30%; e Augusto Cury (Avante), com 26%.

Entre os candidatos mais bem posicionados, Cury apresenta o menor nível de rejeição, mas também é desconhecido por metade do eleitorado. O escritor tem potencial de voto de 24%. Caiado poderia receber o voto de 22% e é desconhecido por 36%, enquanto Zema tem potencial de 21% e não é conhecido por 39%. Renan poderia ser escolhido por 16%, mas 54% ainda dizem não conhecê-lo.

Rui Costa Pimenta (PCO) é rejeitado por 24%; Samara Martins (UP), por 13%; Edmilson Costa (PCB), por 12%; Hertz Dias (PSTU) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata), por 11% cada; e Clariana Barão (DC), por 8%. Todos são desconhecidos por mais de 70% dos entrevistados.

VARIAÇÃO ENTRE SEGUMENTOS –  A resistência a Lula chega a 63% entre os eleitores com Ensino Superior e a 62% entre aqueles com renda familiar superior a cinco salários mínimos. O índice também é de 69% entre os evangélicos, ante 47% entre os católicos. Flávio, por sua vez, é rejeitado por 60% dos eleitores com 60 anos ou mais e por 59% dos católicos. Entre os evangélicos, o índice cai para 44%, enquanto 53% afirmam que poderiam votar no candidato do PL.

No recorte regional, Lula enfrenta maior rejeição no Sul, onde 63% dizem que não votariam nele, e no Sudeste, com 60%. No Nordeste, o percentual cai para 40%, e 60% afirmam que poderiam votar no presidente. A rejeição de Flávio chega a 60% no Nordeste, 54% no Centro-Oeste e no Norte e 53% no Sudeste. No Sul, 49% rejeitam o senador e outros 49% dizem que poderiam votar nele.

Entre os eleitores independentes, Lula e Flávio voltam a empatar: 63% rejeitam cada um. O potencial de voto é de 37% para o petista e de 33% para o candidato do PL, que ainda é desconhecido por 4% desse grupo.

LIDERANÇA E REJEIÇÃO –  Os altos índices de rejeição contrastam com a concentração das intenções de voto nos dois candidatos. Lula lidera o primeiro turno com 36%, seguido por Flávio, com 31%. Augusto Cury aparece com 7%, enquanto Caiado e Renan têm 4% cada. Zema registra 1%. Indecisos somam 10%, e 7% pretendem votar em branco, anular ou não comparecer.

Em relação à rodada anterior, Lula permaneceu com 36%, enquanto Flávio oscilou de 29% para 31%. Cury passou de 8% para 7%. Caiado e Renan foram de 3% para 4%, e Zema oscilou de 2% para 1%. Na simulação de segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, contra 40% de Lula. Os dois estão tecnicamente empatados. Na rodada anterior, ambos tinham 41%.

O quadro indica uma disputa concentrada nos dois candidatos que possuem, ao mesmo tempo, os maiores contingentes de apoiadores e de eleitores resistentes às suas candidaturas. A rejeição pode ganhar peso especialmente em um eventual segundo turno, quando ambos precisarão conquistar eleitores que escolheram outros nomes na primeira etapa.

CASOS POLÍTICOS –  A pesquisa foi realizada em meio aos novos desdobramentos do caso Dark Horse e ao agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal. Documentos divulgados nos últimos dias mostram que Flávio é formalmente investigado desde julho pela negociação de recursos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.

Segundo a Polícia Federal, Flávio pediu R$ 131 milhões para a produção, dos quais cerca de R$ 60 milhões teriam sido pagos. A corporação busca esclarecer a origem, o caminho e o destino final dos recursos. O senador nega irregularidades e defende a divulgação integral dos documentos.

INTERVENÇÃO – O período também foi marcado pela intervenção do presidente do STF, Edson Fachin, na disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça em torno das investigações do Banco Master. Fachin suspendeu as decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, manteve Andrei Rodrigues no cargo e retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news.

A Quaest, contratada pela Globo e pelo jornal O GLOBO, ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026.

Uma fração ordinária, na genial poesia matemática de Millôr Fernandes

Millôr, eternamente atual | Millôr Fernandes - Seguinte

Charge de Millôr Fernandes (Arquivo Google)

Paulo Peres

O desenhista, humorista, dramaturgo, tradutor, escritor, jornalista e poeta carioca Millôr Viola Fernandes (1923-2012), em “Poesia Matemática” usou a sua genialidade para através de metáforas contar uma estória de amor.

POESIA MATEMÁTICA
Millôr Fernandes

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.

“Quem és tu?”, indagou ele
em ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E ao falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.

Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
frequentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.

Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade,
como aliás em qualquer
sociedade.

“O que está acontecendo na Corte não pode continuar”, diz ex-ministro da Justiça

Celular de Vorcaro vira novo foco da crise no STF antes da sessão sobre Moraes

A guerra dentro do Supremo é a conta por ter assumido um poder sem limites

Enfim, chegou a hora de o STF conter a esculhambação, a qualquer custo

Juízes auxiliares do STF ganham mais que os ministros da corte - Espaço  Vital

Charge do Alpino (Yahoo Noticias)

Vicente Limongi Netto

Será uma terça-feira calorenta e diferente, com Fla/Flu na Praça dos Três Poderes. Aplicativos afiados. Palpites de todos os tamanhos, serenos, raivosos, cabeludos e absurdos. Ópera bufa, pegadinha, conversa fiada, pizza gigante ou jogo duro, para valer. Algo precisa ser feito. Do infinito, Ruy Barbosa não esmorece.  

Na fezinha do bicho, dia 15 é jacaré. Apropriado para os figurinos dos ministros da Suprema Corte.  Será que sairão fumaças dos telhados do STF anunciando que a histórica sessão plenária chegou a uma decisão final e fulminante, como ocorre no Vaticano, anunciando que o novo Papa foi escolhido?

HORA DA VERDADE – Togas serão rasgadas e expostas a degradação pública? Finalmente a esculhambação será contida? Cabeças rolarão, aposentadorias à vista? A nação exige bons e firmes esclarecimentos. Não vale passar a mão na careca de nenhum togado. Quem não deve, não teme.

Nada de joguinho de compadre com cartas marcadas.  Um anjo bom me segredou que Alexandre de Moraes breve anuncia aposentadoria e será ministro da Justiça no novo governo Lula. Ansiedade geral. A compostura precisa voltar.

Sofá pronto, pipocas e geladinhas nos trinques. Compondo a coreografia da verdade ou da farsa. 

O filme que não estreia, mas já virou um espelho da política brasileira

Ala de Moraes aposta em falhas processuais para barrar investigação contra ministro

Aliados apontam irregularidades em relatório de Mendonça

Márcio Falcão
O Globo

A ala de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) tem defendido que a análise do relatório da Polícia Federal sobre a suposta relação entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro comece por questões processuais, as chamadas “preliminares”, que têm o condão, inclusive, de barrar a abertura de uma investigação.

Entre os pontos que poderão ser alegados com essa finalidade na sessão marcada para a próxima terça-feira (15), está uma eventual nulidade do relatório feito pelo ministro André Mendonça sobre o caso e, até mesmo, a falta de acesso a todo conteúdo extraído do celular de Vorcaro pela PF.

RELATORIA – Neste sábado (12), o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, assumiu a relatoria da discussão sobre a situação de Moraes. A Procuradoria-Geral da República já se manifestou, no Supremo, a favor de que o relatório produzido por Mendonça seja arquivado sob o argumento de que a sua produção foi irregular.

Isso porque, conforme a PGR, a elaboração foi determinada pelo ministro, dentro das investigações do caso Master, sem comunicação prévia à Presidência, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.

Um vício, ou seja, uma falha na origem do relatório, poderia fazer com que os ministros sequer discutissem se as mensagens justificam a abertura de uma investigação, ou se seria necessário ter acesso às mensagens de Moraes em resposta a Vorcaro para a apuração ser aberta.

52 MENSAGENS – Ao longo das investigações, a PF localizou 52 mensagens de 21 de dezembro de 2023 a 17 de novembro de 2025 – data em que o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez. O relatório da PF afirma que o ministro atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões, assinado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro.

Segundo a Polícia Federal, em uma mensagem enviada dois dias antes de ser preso, o dono do Master perguntou ao ministro do Supremo Alexandre de Moraes se tinha que deixar o Brasil. Ainda de acordo com a PF, Daniel Vorcaro pediu ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o banco. O relatório afirma que Vorcaro e Moraes se encontraram oito vezes.

Nesta segunda-feira (14), termina o prazo para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestem sobre a produção do relatório.

CELULAR DE VORCARO –  Outra discussão que se tornou central às vésperas da sessão é o acesso a todo material extraído do celular de Vorcaro. Os ministros Cristiano Zanin, Moraes e Gilmar Mendes defendem que a análise do material é fundamental para uma ampla avaliação do caso de Moraes pelo plenário.

A PGR também reforçou que o acesso à integralidade dos dados é necessário “para a formação de juízo sobre o tema posto em debate”. O presidente do STF, Edson Fachin, deu prazo de 24 horas para a PF prestar informações sobre o celular. O eventual acesso ao aparelho poderia adiar a sessão até que os gabinetes possam fazer uma varredura.

André Mendonça, por sua vez, Mendonça afirma que a cópia repassada pela PF segue lacrada em seu gabinete. Fachin ainda não anunciou o rito da sessão da próxima terça-feira (15). O caso é inédito no Supremo. Há dúvidas, por exemplo, se o próprio Moraes e a Procuradoria-Geral da República vão se manifestar na sessão.

SESSÃO ABERTA – Há a expectativa de que a sessão seja aberta, com alguma restrição de acesso do público ao plenário. Não está descartada a hipótese de algum ministro apresentar uma questão de ordem para que o julgamento seja fechado. Até agora, seis votos são considerados mais prováveis. Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, e Cristiano Zanin são apontados como alinhados com Moraes.

André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Nos bastidores, há incerteza sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, que estão recebendo acenos e pressões dos dois lados.

O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é a de ele não participar, já que o caso é desdobramento do caso Master, do qual deixou a relatoria no início do ano após revelações de possível relação com Vorcaro.

Supremo já perdeu a fronteira entre crise institucional e disputa eleitoral da Presidência

Guerra no STF suplanta esforço de acomodação de Fachin

Igor Gielow
Folha

O conflito entre ministros do Supremo Tribunal Federal já não se distingue da disputa eleitoral entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A ação da Polícia Federal sobre o caso “Dark Horse”, autorizada por Flávio Dino, por óbvio tem vida própria em termos de relevância, mas se encaixa na ordem de batalha político-judicial em curso.

Ela foi definida por André Mendonça ao revelar o relatório com suspeitas sobre Alexandre de Moraes na relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após saber que o colega tinha tido acesso ao documento sigiloso.

“TIMING” – Se o que está colocado é gravíssimo para o agora ex-relator do inquérito das fake news, o “timing” favoreceu diretamente Flávio, filho do ex-chefe e responsável pela indicação de Mendonça à corte.

Ato contínuo, o presidenciável politizou o caso e mirou a associação política entre Lula e Moraes, esquecendo de forma conveniente a relação de seu grupo com Mendonça e, principalmente, o fato de que ele próprio é objeto de suspeita no caso Master.

Nenhum de seus argumentos sobre a relação com o “meu irmão” Vorcaro até aqui parou de pé: Flávio nunca apresentou a contabilidade do apoio alegado ao filme e sim, havia dinheiro público na empreitada.

CERCO – Talvez antecipando o que o próprio presidenciável vendeu a apoiadores como uma “facada” no 7 de Setembro na Avenida Paulista, a produtora do filme procurou Mendonça para tentar levar ao STF o cerco que a polícia paulista fazia sobre o caso.

Acabou vendo Dino, que associou o episódio com a investigação sobre emendas parlamentares sob sua guarda, tomar a frente. Com isso, a tática bolsonarista poderá acabar expondo o candidato a mais revelações, com impacto eleitoral ainda a ser definido. Isso dito, o PT já calcula o dano da crise.

Do ponto de vista de foco político, a ofensiva autorizada por Dino vem em socorro de Moraes em um momento delicado para o aliado. O ministro que conduziu a condenação de Jair Bolsonaro vinha trocando fogo de artilharia pesado com Mendonça.

FREIO DE ARRUMAÇÃO – Após a revelação de suas relações com Vorcaro, ele buscou enquadrar o colega, que reagiu mandando afastar do cargo o diretor-geral da PF e o chefe de inteligência do órgão, segundo ele mancomunados com Moraes. O presidente do Supremo, Edson Fachin, buscou sair da catatonia institucional em que se encontrava e apresentou um freio de arrumação na quarta-feira (9): suspendeu todas as medidas dos dois ministros rivais.

Ao mesmo tempo, emasculou Moraes ao removê-lo da relatoria do inquérito das fake news, ainda que tenha mantido todas as decisões tomadas até aqui. E marcou para terça (15) uma sessão do Supremo para discutir se ele será objeto de investigação.

EXPOSIÇÃO – Moraes está exposto como nunca esteve, e é sintomático que tenha cancelado o pronunciamento que faria nesta quinta apenas uma hora após anunciá-lo. Foi um raro sinal público de indecisão do combativo ministro. Um conhecido seu dos tempos de Secretaria de Segurança de São Paulo diz que nunca o viu tão pressionado, mas que isso não deve antecipar uma capitulação.

Ele lembra que Mendonça ainda terá a regularidade de suas decisões discutida, e que na disputa maior, Flávio tem mais a perder do que Lula no caso Vorcaro. Por um caminho diverso, independentemente de mérito ou premência, Dino acabou por recolocar o caso “Dark Horse” no topo do noticiário. A “Pax Fachini” proposta pelo presidente do Supremo durou poucas horas.

Moraes fez mal a muita gente e agora está pagando pelos crimes cometidos

O domínio de Moraes vai ruir

Ilustração em IA, reproduzida da Gazeta do Povo

Carlos Newton

A extraordinária crise que o Supremo Tribunal Federal está passando foi causada pelos próprios ministros, que jamais poderiam ter admitido que houvesse descumprimento e manipulação de leis em seus julgamentos, e por motivos meramente político-partidários – esta é a verdade dos fatos, que ficará registrada na História Republicana.

As leis existem para que a sociedade possa funcionar em harmonia, sem elas não há regime democrático nem respeito mútuo entre os cidadãos-contribuintes-eleitores, como dizia o jornalista Helio Fernandes, perseguido por sucessivos governos e submetido a censura prévia por dez anos no regime militar, a partir do Ato Institucional nº 5, de 1968, e sendo levantada somente em 1978.

TOFFOLI EM CENA – A manipulação das leis começou em 1964, quando Dias Toffoli presidia o STF e deu um jeito de colocar em votação o cumprimento de pena após julgamento em segunda instância, que é uma espécie de cláusula pétrea do Direito Criminal, adotada por todos os 193 países da ONU, dos quais apenas 75 são considerados democráticos ou semidemocráticos.

Para libertar Lula, Toffoli pós em julgamento essa aberração e seis ministros se manifestaram a favor da estranha tese do trânsito em julgado: Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli.

E a impunidade então passou a ser institucionalizada, porque os criminosos da elite conseguem estender os processos até a prescrição do crime ou da pena.

FICHA LIMPA – No mesmo 2019, as mulheres de dois ministros (Toffoli e Gilmar) caíram na malha da Receita. Toffoli ilegalmente então criou o inquérito das fake news, nomeou Moras para relator, sem sorteio eletrônico, e nunca mais a Justiça brasileira foi a mesma, com a existência desse inquérito do fim do mundo, que Moraes usa para perseguir quem bem entende.

Dois anos depois, em 2021, para que Lula pudesse se candidatar, o relator da Lava Jato, Edson Fachin, colocou em votação a “incompetência territorial absoluta”, uma excrescência jurídica que também não existe em nenhum dos países da ONU.

Votaram a favor  Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Dias Toffoli, Gilmar Mendes. Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso, numa maioria mais que absoluta, pois apenas três ministros foram contrários: Nunes Marques, Marco Aurélio Mello e Luiz Fux.

VINGANÇA PURA – No comando do ilegal inquérito do fim do mundo, que não acaba nunca, Moraes tornou-se um ditador jurídico a serviço do governo Lula. Passou a perseguir oposicionistas e exagerou tanto que  tentou dar ordens a serem cumpridas pela Justiça dos EUA, e somente a partir daí começou sua ruína.

Em 2023 houve o golpe que nem se concretizou, não teve um só tiro nem mortes, mas os supostos golpistas foram julgados com um rigor absurdo e ilegal pelo Supremo.

Com sangue nos olhos e a faca entre os dentes, o relator Moraes conseguiu convencer oito ministros a apoiar suas sandices. Assim, mais de 1,5 mil réus foram considerado “terroristas” e pseudos integrantes de uma quadrilha armada, embora nem se conhecessem entre si nem estivesse empunhando nenhuma arma quando foram presos, a não ser um batom, que mereceu 14 anos de cadeia.

FORA-DA-LEI – Com inaudita soberba, o ditador Moraes foi julgando os golpistas inteiramente à margem da lei. Para elevar as penas, duplicou crimes que são excludentes entre si, como Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (Art. 359-L) e Golpe de Estado (Art. 359-M), assim como Dano qualificado (Art. 163, parágrafo único) e Deterioração de patrimônio tombado (Lei 9.605/98).

Além dessa absurda duplicação de leis, para aumentar as penas, Moraes conseguiu condenar todos os incriminados, sem exceção, por crime de associação criminosa armada, sem que ficasse provado o uso de arma por qualquer um dos réus.

O fato concreto é que Moraes conseguiu aprovar essas excrescências jurídicas por unanimidade na Primeira Turma, formada por Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Luís Roberto Barroso. Mas quem se interessa?

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P.S. 1 –
Nos julgamentos, Moraes levou o Supremo a cometer esses crimes horrendos e não está respondendo por nenhum deles. Todos ficarão impunes, sem afetar em nada o ministro, simplesmente porque ele não tem consciência. Nesta terça-feira, o STF vai decidir se ele será investigado, mas por outros crimes, e o principal é de advocacia administrativa, por vender proteção a um banqueiro criminoso e usar mulher e filhos para serem seus cúmplices.

P.S. 2 – O pior é saber que há outros ministros que são solidários a Moraes e lutam desesperadamente para que ele não seja afastado do Supremo e continue a cometer crimes impunemente. Falta a eles o que sobrava ao historiador Capistrano de Abreu – ter vergonha na cara. Apenas isso. (C.N.)

Defesa de Vorcaro tenta barrar divulgação de dados privados do banqueiro

Charge do Spacca (Instagram)

Fernanda Fonseca
CNN

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que informações privadas e sem relação com as investigações sejam retiradas dos materiais antes de eventual divulgação pública.

O pedido foi apresentado neste sábado (12), após a retirada do sigilo de dezenas de procedimentos ligados ao Banco Master. Os advogados dizem que não querem impedir a publicidade das investigações, mas defendem uma filtragem prévia para preservar conteúdos protegidos pela intimidade, pela vida privada ou por sigilo legal.

MENSAGENS ÍNTIMAS – A defesa cita imagens e informações de familiares de Vorcaro, inclusive dos filhos, e comunicações protegidas por sigilo profissional, como conversas com advogados. O documento também menciona a divulgação de mensagens íntimas trocadas entre Vorcaro e sua então namorada durante a Operação Compliance Zero. A ex-noiva e ex-namorada do banqueiro é a empresária, modelo e influenciadora digital Martha Graeff.

Conversas privadas entre os dois vieram a público após vazamentos de dados apreendidos em celulares de Vorcaro. Segundo a defesa, o episódio mostra que há risco de exposição de informações sem relação com os fatos investigados.

DISPUTA NO STF – O pedido ocorre em meio à disputa no Supremo sobre o acesso aos dados extraídos do celular de Vorcaro. Ministros da Corte pediram acesso à íntegra do material antes da sessão de terça-feira (15).

Neste sábado, o presidente do STF, Edson Fachin, deu 24 horas para que a Polícia Federal informe sobre a custódia e o estado desse material antes de decidir sobre os pedidos de acesso.

Fachin também assumiu a relatoria do procedimento sobre as mensagens envolvendo Vorcaro e Alexandre de Moraes e determinou a remessa à Presidência dos processos relacionados às investigações do Banco Master e das fraudes do INSS.

Dark Horse: produtor nos EUA exige ordem da Justiça americana para entregar documentos à PF

Crise no STF ainda não muda a eleição: 85% dizem manter voto após caso Vorcaro

Petrus, espumantes e relógios: o rastro de luxo encontrado pela PF em endereço ligado a Vorcaro

Bebida encontrada pode chegar a R$ 95 mil por unidade

Paulo Assad
O Globo

Ao cumprir mandados de busca e apreensão no início de julho em um endereço do publicitário Thiago Miranda, vinculado ao banqueiro Daniel Vorcaro, a Polícia Federal encontrou caixas de espumantes e vinhos de alto valor, no que foi descrito como um “padrão financeiro” até o momento desconhecido.

A informação consta nos novos documentos que tiveram o sigilo levantado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na última sexta-feira. A PF diz ter identificado dez garrafas do vinho Petrus. A corporação destaca que, a depender da safra e das condições de conservação, a bebida pode chegar a R$ 95 mil por unidade. As bebidas estavam na residência de Miranda em Brasília.

LARANJA – Segundo a PF, algumas caixas de espumante estariam “em tese” direcionadas a Fernando Cavalcanti, alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. Questionado, o marido de Miranda disse ter comprado as bebidas de Cavalcanti. Ele é ex-sócio de outro investigado, o advogado Nelson Wilians e já negou ser “laranja” no esquema contra a previdência pública

Em uma decisão posterior sobre o caso, ao mencionar as bebidas encontradas na residência de Miranda, o ministro André Mendonça elencou elas entre “achados que demandam maior aprofundamento instrutório com vistas a sua adequada compreensão”.

Em um relatório, a PF chama atenção para o fato de ter encontrado no endereço “casa de alto valor recentemente construída, carros importados na garagem, relógios de luxo”, mas afirma não ter encontrado “até o momento” vínculos com o caso Master.

Fachin exige respostas imediatas da PF sobre material do celular de Vorcaro

Charge do Aroeira (Brasil 247)

Patrik Camporez
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou neste sábado que a Polícia Federal informe, em até 24 horas, quem mantém a custódia e qual é o estado do material extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi tomada após os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes solicitarem cópia integral da mídia extraída do aparelho ou, alternativamente, que o conteúdo seja requisitado à PF.

André Mendonça informou que a cópia existente em seu gabinete é apenas um backup, permanece lacrada e nunca foi manuseada por ele, enquanto o material original está sob custódia da Polícia Federal.

ACESSO AO MATERIAL – Os pedidos foram apresentados separadamente pelos três ministros. Zanin, Moraes e Gilmar solicitaram acesso à cópia integral da mídia extraída do celular de Vorcaro. Como alternativa, pediram que o próprio STF requisitasse à Polícia Federal o fornecimento do material.

Ao prestar esclarecimentos sobre o conteúdo, Mendonça afirmou que a cópia mantida em seu gabinete é apenas de segurança e permanece lacrada. Segundo o ministro, ele nunca manuseou o material, que serviria como contraprova apenas em caso de perda ou extravio do original.

SOB CUSTÓDIA – Mendonça informou ainda que o material original continua sob a custódia da PF e dentro da cadeia de custódia. Diante disso, Fachin deu 24 horas para que a corporação informe onde o material está custodiado e em que estado se encontra.

Ainda neste sábado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) reforçou o pedido para que todos os ministros do STF tenham acesso à íntegra dos dados relacionados ao caso Master antes de analisar o tema. A nova manifestação foi encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, no âmbito do procedimento que discute a divulgação do conteúdo extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

CONHECIMENTO PRÉVIO – No documento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, reitera uma manifestação apresentada na sexta-feira e afirma que, diante das “peculiaridades da causa”, é necessário que todos os integrantes da Corte tenham conhecimento prévio da integralidade das informações. “Parece-nos relevante, sobretudo e especialmente dadas as peculiaridades da causa, que todos Ministros tenham conhecimento prévio da integralidade dos dados necessários para a formação de juízo sobre o tema posto em debate”, diz a PGR.

A manifestação é assinada, além de Gonet, pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, e pelos subprocuradores-gerais Antônio Edílio Magalhães Teixeira e André de Carvalho Ramos. O documento foi apresentado um dia depois de a PGR defender a retirada ampla do sigilo das peças e procedimentos relacionados ao caso Master, sob o argumento de que a relação inicialmente encaminhada ao STF não contemplava parte dos procedimentos correlatos à investigação principal.

Mensagens mostram contato de Mendonça com Cláudio Castro sobre processo de Cabral

É melhor perguntar “por quem eu voto?”, ao invés de indagar “em quem eu voto?”

Você vai votar em quem para presidente? 🎨 @tomcotrim_ #chargepolítica  #eleições #eleições2026 #votoconsciente

Charge do Tom Cotrim (Charge Política)

Vicente Limongi Netto

O artigo de Ana Dubeux (Correio Braziliense – 13/09), sob o título “Carta a Liz, Felipe e a quem merece seu voto”, respira indignação, esperança emoção ,e patriotismo. A jornalista sonha com um Brasil mais saudável e digno para os netos, Liz e, agora, Felipe.

“Olhar para ele me dá uma força tremenda para defender a democracia”, ela revela, referindo-se ao novo neto.  A seu ver, os resultados das urnas de outubro precisam simbolizar avanços coletivos, com fortes lições de cidadania para futuras gerações. 

FÉ E EMOÇÃO – Cultivando o trigo e jogando o joio no lixo. Dubeux exorta, de cabeça erguida e coração com fé: “Vamos eleger pessoas sérias e comprometidas, eu ainda acredito”. E acrescenta, com firmeza e emoção:

“Preciso acreditar por Liz, por Felipe, pelas crianças, pelos famintos, pelas minorias, por quem luta dia e noite pelo país soberano que habitamos.

A pergunta mais essencial a se fazer nem é necessariamente “em quem eu voto?”, mas “por quem eu voto?”

PGR aponta atuação de Eduardo Bolsonaro em remessas para financiar “Dark Horse”

‘Ideal seria haver recursos já nos EUA’, disse Eduardo

Márcio Falcão
Ana Flávia Castro
Mariana Laboissière
Reynaldo Turollo Jr
G1

Um documento da Procuradoria-Geral da República (PGR), elaborado com base em investigações da Polícia Federal (PF), aponta que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro orientou a gestão e a remessa de recursos nos Estados Unidos para o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O parecer, assinado em julho de 2026 pelo procurador-geral Paulo Gonet, deu aval à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o financiamento transnacional da produção cinematográfica.

ORIENTAÇÕES – Investigadores obtiveram a captura de tela de uma conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro com orientações sobre como operacionalizar o envio dos valores ao exterior. O documento da PGR não especifica quem era o destinatário direto da mensagem.

No texto, o ex-parlamentar sugere enviar o máximo possível pelo sistema já utilizado — que não fica claro qual era — e coloca um operador à disposição para reuniões. “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, diz o trecho atribuído a Eduardo Bolsonaro.

RECEIO – “Meu receio é que você seja solícito, bom coração, mas tenha essa dificuldade. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, como o remetente atual e etc. Será que conseguimos? Nos dá amanhã um feedback desta sua reunião de hoje a noite, por favor? O Altieris Santana está à disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja”, conclui a mensagem.

Altieris Santana, citado no diálogo, é identificado na apuração como diretor do Havengate Development Fund, fundo de investimento sediado no Texas (EUA) responsável por administrar os valores e repassá-los à produtora Go Up Entertainment.

REPASSES ILÍCITOS –  A apuração aponta indícios de que empresas foram utilizadas para operacionalizar repasses ilícitos para a produção cinematográfica. Em dezembro de 2024, o publicitário Thiago Miranda enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta intitulada “Acordo de Financiamento de Produção ‘Capitão do Povo'” (nome anterior do filme “Dark Horse”), prevendo um investimento total de US$ 24 milhões em 14 parcelas.

As remessas internacionais, que somaram US$ 12,3 milhões em 2025, foram realizadas pela empresa Entre Investimentos, pertencente a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.

“Mineiro” firmou um acordo de delação premiada com a PGR, homologado na última quarta (9) pelo ministro do STF André Mendonça. Em seus depoimentos, o empresário listou pagamentos ao fundo que financiou o filme, o uso de uma empresa nas Bahamas para repasses a mando de Vorcaro e a compra de malas destinadas exclusivamente à entrega de dinheiro vivo.

VALORES DESTOANTES –  Na representação enviada ao STF, a Polícia Federal ressaltou que o montante previsto para o filme era desproporcional e levantava suspeitas de que os recursos pudessem ter outras finalidades além da produção cinematográfica: “A magnitude dos valores identificados […] permanece significativamente destoante dos referenciais disponíveis do mercado audiovisual nacional e, somada às demais circunstâncias descritas, reforça a necessidade investigativa de verificar a compatibilidade econômica e a efetiva destinação dos recursos”, registrou a PF.

“A discrepância entre as projeções do plano de negócios e qualquer parâmetro realista do mercado cinematográfico nacional constitui elemento que reforça a necessidade de apuração quanto à viabilidade econômica e à verdadeira finalidade da operação”, aponta outro trecho do relatório.

TRATATIVAS –  O parecer da PGR indica que a articulação contava também com a participação do senador Flávio Bolsonaro, que manteve tratativas diretas com Daniel Vorcaro sobre cobranças de repasses, reuniões e o acompanhamento das gravações.

Em setembro de 2025, Thiago Miranda comunicou a Vorcaro que Flávio Bolsonaro desejava encontrá-lo pessoalmente para mostrar trechos do que estava sendo gravado, sugerindo um encontro na residência do banqueiro. No dia seguinte, registros mostram uma ligação entre Vorcaro e Flávio, coincidindo com a realização de uma das remessas da Entre Investimentos para o fundo nos EUA.

Na representação ao STF, a polícia diz quais pontos precisam ser esclarecidos na investigação: “a origem dos recursos destinados ao financiamento do filme”; “a razão da utilização da Entre Investimentos como intermediária dos pagamentos”; “a função desempenhada pela Havengate Development Fund LP”; “os beneficiários finais dos valores remetidos ao exterior”; “o papel efetivamente exercido por Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro” e dos demais envolvidos na “estruturação, cobrança, execução e destinação dos aportes”.

O QUE DIZEM OS CITADOS –  Em entrevista à GloboNews em maio, o senador Flávio Bolsonaro negou que os recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro, afirmando que o dinheiro foi aplicado integralmente na produção do filme:

“Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, declarou Flávio. A TV Globo tenta contato com Eduardo Bolsonaro. Já a defesa de Flávio Bolsonaro não tinha enviado resposta até a última atualização desta reportagem.

Moraes devia renunciar ao STF, antes de haver a investigação que irá condená-lo

Alexandre de Moraes e o golpe, Leite interrompe as férias e outras frases  da semana | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Eliane Cantanhêde
Estadão

A decisão que o Supremo Tribunal Federal está prestes a tomar, na próxima terça-feira, é doída, sim, mas de uma simplicidade desconcertante: se, em tese, qualquer cidadão pode ser investigado por suspeita de ter cometido desvios, por que não Sua Excelência Alexandre de Moraes? Se julgado culpado, que seja condenado. Se não, inocentado. Pelo menos, deve, ou deveria, ser assim…

O que, definitivamente, os ministros da corte não podem fazer é ignorar os 134 milhões de motivos para uma investigação. Para tentar salvar Moraes, um caso perdido, ao custo de esgarçar sem conserto a credibilidade do Supremo, desmoralizar as instituições e, tudo junto e combinado, impactar a eleição presidencial sem retorno?

DESMORONAMENTO – Se for nessa direção, o plenário vai concluir o desmoronamento do Supremo sem conseguir salvar a pele, a reputação e o destino de Alexandre de Moraes. Em vez de desmoronar um, desmontaria a corte com todos dentro.

Moraes insiste em fazer pronunciamento na terça-feira, mas o que tem o que dizer? Não tem como explicar o valor do contrato com o escritório da família, negar as 51 mensagens de Daniel Vorcaro e que usou “visualização única” nas suas respostas para não deixar rastros. Sabia o que estava fazendo e quais as consequências.

A única saída para Alexandre de Moraes é renunciar à toga, antes que seja obrigado a despi-la. Como esse ato, estaria dando uma trégua à divisão – ou polarização? – no STF e livrando seus pares, sobretudo os paus para toda obra, do profundo incômodo de ter de defendê-lo sem argumentos. O mais provável, porém, é que ele saia com quatro pedras e mais um rascunho da PF para tentar puxar André Mendonça para o seu próprio buraco. Só vai piorar as coisas para ele, para o Supremo e para a eleição.

FACHIN REINA – O ministro Edson Fachin demorou a engrenar, até o empurrão de ex-presidentes do STF, empresários, entidades e líderes, mas começa a ser saudado por fazer a coisa certa, como desconsiderar o mau conselho de juntar o caso de Moraes e as críticas processuais contra Mendonça no mesmo saco e na mesma sessão.

Ok, Mendonça deve explicações, inclusive sobre a demora em investigar o escândalo “Dark Horse”, que envolve Flávio Bolsonaro e valores iguais aos do contrato do Barci Advogados. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

O problema de Moraes é muito mais grave, desvia o foco da eleição para o Supremo e pode deixar cicatrizes indeléveis. Aliás, que mal lhes pergunte: se a cabeleireira Débora pegou 14 anos de prisão por escrever na estátua da Justiça com batom, qual a pena para quem joga lama na Justiça?

Na criativa poesia de Jorge de Lima, “O relógio trabalha… e um sorri e o outro chora”

A fantástica história do alagoano que quase ganhou um prêmio Nobel de  Literatura – culturaeviagem

Jorge de Lima, retratado por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

O político, médico, pintor, tradutor, biógrafo, ensaísta, romancista e poeta alagoano Jorge Mateus de Lima (1893-1953) teve importância fundamental para o modernismo brasileiro, com verdadeiras obras-primas como “Invenção de Orfeu”. Neste soneto, Jorge de Lima mostra que o relógio é a vida em segundos, igual no tempo para todos, mas diferente para cada um de nós.

O RELÓGIO 
Jorge de Lima

Relógio, meu amigo, és a Vida em Segundos…
Consulto-te: um segundo! E quem sabe se agora,
Como eu próprio, a pensar, pensará doutros mundos
Alma que filosofa e investiga e labora?

Há a morte de ceifar somas de moribundos.
O relógio trabalha…E um sorri e outro chora,
Nas cavernas, no mar ou nos antros profundos
Ou no abismo que assombra e que assusta e apavora…

Relógio, meu amigo, és o meu companheiro,
Que aos vencidos, aos réus, aos párias e ao morfético
Tem posturas de algoz e gestos de coveiro…

Relógio, meu amigo, as blasfêmias e a prece,
Tudo encerra o segundo, insólito – sintético.
A volúpia do beijo e a mágoa que enlouquece.