Precatórios entram na mira do Judiciário após caso Banco Master

Celso de Mello reage a Flávio: “Nenhuma maioria pode destruir a democracia”

PT cobra mudanças após resultado de Lula no primeiro turno

Lula deve rever núcleo duro da campanha

Tainá Falcão
CNN

O resultado abaixo do esperado no primeiro turno aumentou a pressão de uma ala do PT (Partido dos Trabalhadores) por mudanças no núcleo duro da campanha de Lula.

A CNN já havia mostrado que interlocutores do presidente defendiam, desde antes, o reforço da equipe, com maior participação de lideranças experientes, além de uma organização mais forte da campanha nos estados.

CRÍTICAS – Entre dirigentes petistas, há críticas à coordenação, à comunicação e à demora da campanha em construir um contraste mais duro com Flávio Bolsonaro. Governadores e candidatos que disputaram governos e o Senado estão sendo chamados para participar da estratégia do segundo turno. A ideia é aumentar a capilaridade da campanha e usar as lideranças regionais para identificar onde há espaço para recuperar votos.

Um dos principais pontos de atenção é Minas Gerais, onde Flávio venceu desta vez. A derrota acendeu um alerta especial porque Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país e vinha sendo tratada pelas duas campanhas como um dos estados mais abertos à movimentação de voto.

PL de Bolsonaro conseguiu conquistar a maior bancada da Câmara em 40 anos

Nem a distância apaga a chama da paixão, dizia Guimarães Rosa, poeticamente.

O correr da vida embrulha tudo, a vida... Guimarães Rosa - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O médico, diplomata, romancista, contista e poeta João Guimarães Rosa (1908-1967), nascido em Cordisburgo (MG), é um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, sendo o romance Grande Sertão: Veredas, em que ele qualifica como uma “autobiografia irracional”, a sua obra mais conhecida.

Entretanto, Guimarães Rosa também enveredou pelos veios poéticos, conforme os versos de “Soneto da Saudade”, em que nem mesmo a distância é capaz de apagar a chama da paixão.

SONETO DA SAUDADE
Guimarães Rosa

Quando sentires a saudade retroar
Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
E ternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!

Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
Uma voz macia a recitar muitos poemas…
E a te expressar que este amor em nós ungindo
Suportará toda distância sem problemas…

Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.

Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos…
Nem a distância apaga a chama da paixão.

PF ouve Galípolo, do Banco Central, na reta final do inquérito do Banco Master

Moraes fica mansinho para ajudar Lula e evitar o impeachment de ministros do STF

Repostdmf @arturpiva #acordabrasil ・・・ Sextou !!! A quem recorrer ??? #stf #moraes #xandão

          Reprodução de Artur Piva (Acorda Brasil)

Roseann Kennedy
Estadão

Decisões do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo, e do procurador-geral Paulo Gonet, na PGR, em favor da família Bolsonaro e de réus do 8 de Janeiro, ocorrem depois de Flávio Bolsonaro terminar primeiro turno à frente de Lula

Menos de 48 horas após o resultado do primeiro turno da corrida presidencial, Moraes e parte dos seus aliados no STF adotaram uma repentina “mansidão” em relação aos bolsonaristas.

MULHER DO BATOM – Nesta terça-feira, dia 6, Moraes autorizou a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos a cumprir pena no regime semiaberto. “Débora do Batom”, como ficou conhecida, foi condenada a 14 anos de prisão por pichar a estátua da Justiça em frente ao STF, durante os atos golpistas de 8 de janeiro.

Ela virou uma espécie de símbolo dos excessos do Supremo na aplicação de penas nesse episódio e foi tema de muita conversa entre eleitores neste ano. Somente agora conseguiu essa progressão.

No mesmo dia, instado por Moraes, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, manifestou-se a favor de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) possa voltar a visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão domiciliar.

ATÉ GILMAR – Horas depois, o ministro Gilmar Mendes determinou o arquivamento de um pedido de investigação, por suspeita de estupro e suborno, contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que é o vice da chapa à presidencial de Flávio. A desculpa foi de que a  Procuradoria-Geral da República não havia encontrado elementos que justificassem uma investigação.

As três decisões ocorreram em sequência e têm um fator político em comum: foram proferidas depois de a crise do Supremo impactar diretamente no resultado das urnas e Flávio Bolsonaro terminar à frente de Lula no primeiro turno da disputa pela Presidência por 47,03% contra 45,16%.

O comportamento na Corte, entretanto, está longe de significar um ambiente pacificado. Ao contrário disso, mantém alinhamento com os interesses de Lula, que agora elevou o tom contra o Supremo e sabe que a população precisa ficar menos furiosa com os magistrados antes do segundo turno.

IMPEACHMENTS – A estratégia de recuo dos ministros do STF também aponta para o início da dinâmica do “salve-se quem puder”. A Corte já vislumbra um eventual governo de Flávio Bolsonaro e sabe que será muito mais difícil evitar o avanço dos pedidos de impeachment no Senado.

Além disso, o novo presidente da República vai indicar pelo menos mais três ministros para o STF. E se for Flávio, a turma de Moraes terá seu poder ameaçado.

Nesse cenário, o Supremo começou a construir pontes com o bolsonarismo e abriu as portas para o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio. Detalhe importante: Marinho articula sua candidatura ao comando do Senado Federal, e pode ser responsável por processar os pedidos de cassação dos supremos ministros.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Excelente artigo de Rosean Kennedy, mostrando até onde vai a coragem desses falsos heróis da democracia, como Moraes, Gonet, Gilmar & Cia. Na verdade, são apenas poltrões, que estão encagaçados com a possibilidade de Flávio Bolsonaro ganhar a eleição e o Senado despertar da letargia a que foi levado pelo corruptíssimo Davi Alcolumbre. O mais patético é a desfaçatez de Moraes, que era Tigrão e agora virou Gatinho… (C.N.)

Imprensa festeja renovação da política, mas o que aconteceu foi um retrocesso

Charges sobre democracia - 07/08/2020 - Política - Fotografia - Folha de  S.Paulo

Charge do Benett (Folha)

Vicente Limongi Netto

A ficha está caindo. As urnas são democráticas, aceito, mas também sabem ser ingratas e volúveis. Humilharam Sarney e sua filha, Roseana, assim como Renan Calheiros — para ficarmos apenas nesses exemplos de políticos que dedicaram a vida pelo Maranhão e por Alagoas. Foi ultrajante

Elegeram alguns com honras, embora nunca tenham erguido um tijolo pela melhoria da vida dos mais necessitados. Votaram em bichos exóticos, tatuados e pintados, que vociferam, agridem e são adoradores dos holofotes fáceis.

SEM PROJETOS – Vendem a alma, esmerados em demagogia. Não têm projetos que beneficiem a coletividade. Atuam pendurados em insultos e galhofas, navegando no oceano da canalhice, da sordidez e da empulhação.

O mais grave é que eleitores se deixam fascinar justamente por aqueles que demonstram ser mais parasitas, porque as urnas também sabem trair o bom senso. Em um clique, liquidam a trajetória de políticos calejados, operosos e respeitados. Preferem eleger moleques e malucas que mal assinam o próprio nome.

A mídia cretina fala em renovação. Não convence ninguém de bom senso.

TÔNICA DO ÓDIO – Esta eleição tem a tônica do ódio, do rancor e do ressentimento. Raros pensam no Brasil e no bem-estar do povo. Votam com sangue nos olhos, com sentimento de vingança, tomados pela leviandade e pela torpeza.

Flavio Bolsonaro é manjado delinquente. Ligado a milicianos e assassinos. Senador inútil e falastrão. É papel carbono do pai, presidiário e golpista. Eleger um irresponsável e parasita como Flávio Bolsonaro é torcer contra o Brasil.

Com ar de vitorioso, o meliante engomado já fala com a arrogãncia do pai presidiário. Vai mudar a Carta Magna, vai mudar a Suprema Corte. Não demora promete mudar o Cristo Redentor de lugar.

AGU muda de ideia e agora pede ao STF que mantenha proibição das bets

Flávio fala em usar maioria na Câmara e no Senado para mudar Constituição

O primeiro turno não terminou a eleição, porém mudou a pergunta a ser feita ao eleitor.

Resultado de 4 de outubro não encerrou a disputa

Pedro do Coutto

Se a vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno surpreendeu, mais surpreendente ainda poderá ser uma eventual nova mudança de comportamento do eleitorado no segundo turno. O resultado de 4 de outubro não encerrou a disputa presidencial: criou uma eleição diferente, com apenas dois nomes, novas alianças, outra distribuição dos votos e, sobretudo, uma pergunta que passou a ocupar o centro do debate nacional: o eleitor que derrotou Lula no primeiro turno pretende confirmar essa escolha ou apenas expressou, nas urnas, a dimensão do desgaste acumulado pelo governo?

O primeiro turno revelou um dado político que não pode ser ignorado. A força eleitoral de Flávio Bolsonaro não pode ser explicada apenas pela transferência automática do capital político de Jair Bolsonaro. Há uma parcela do eleitorado que parece ter utilizado a votação para expressar insatisfação com o governo, com a política tradicional e com a forma como o poder público vem respondendo a problemas concretos do cotidiano.

MUDANÇA GERACIONAL – A eleição mostrou também uma mudança geracional e comportamental importante: candidatos com forte presença digital, comunicação direta e capacidade de mobilização nas redes conseguiram falar com segmentos que a política institucional nem sempre alcança.

Nesse ponto, a campanha de Lula enfrentou uma dificuldade que não se resume à publicidade eleitoral. O problema foi também de comunicação política. Uma máquina de governo pode produzir programas, anúncios, discursos e agendas, mas isso não significa necessariamente que esteja conseguindo conversar com a sociedade.

Entre uma mensagem produzida nos centros de decisão e aquilo que chega ao eleitor existe hoje uma distância considerável. Redes sociais, vídeos curtos, influenciadores e comunicação segmentada alteraram profundamente a maneira como a política é consumida. O eleitor não espera mais necessariamente que o candidato vá até ele pela televisão; muitas vezes, espera que apareça no ambiente digital em que já está.

PERCEPÇÃO POLÍTICA – O resultado do primeiro turno sugere, portanto, que a campanha governista teve dificuldade para transformar realizações administrativas em percepção política. E esse é um problema mais profundo do que uma escolha equivocada de marqueteiros. Quando um governo precisa explicar permanentemente o que fez, em vez de ser reconhecido espontaneamente por aquilo que entregou, existe uma questão de comunicação, mas também de percepção pública.

Os escândalos envolvendo corrupção e irregularidades ajudaram a compor esse ambiente. A Operação Sem Desconto, que investiga descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, continuou produzindo desdobramentos em 2026, inclusive com novas ações da Polícia Federal. Nos Correios, investigações também atingiram funcionários públicos em casos de fraudes envolvendo encomendas, indenizações e registros internos.

Esses episódios possuem uma dimensão política particularmente sensível porque atingem áreas que entram diretamente na vida do cidadão. Quando um aposentado vê descontos que não autorizou, quando uma empresa estatal aparece associada a investigações ou quando uma instituição pública volta ao noticiário por suspeitas de irregularidades, a discussão deixa de ser abstrata. O problema passa a ser traduzido em uma pergunta simples: quem controla o Estado está efetivamente conseguindo protegê-lo?

CORRUPÇÃO – É preciso, entretanto, não transformar essa percepção em uma explicação única para o resultado eleitoral. Pesquisa Datafolha realizada em março mostrava que a corrupção era apontada como principal problema do país por 9% dos entrevistados, atrás de saúde, segurança e economia. Em julho, a mesma pesquisa mantinha saúde, segurança e economia à frente da corrupção. Isso indica que o eleitorado brasileiro não estava votando exclusivamente sob a lógica dos escândalos.

O caso do Banco Master acrescentou uma camada ainda mais delicada à eleição: a crise de confiança nas instituições. As investigações envolvendo Daniel Vorcaro e as relações reveladas entre o banqueiro, agentes públicos, empresários e integrantes do sistema de Justiça produziram uma sucessão de episódios que ultrapassaram a esfera financeira. Documentos e mensagens tornados públicos alimentaram questionamentos sobre relações pessoais e profissionais envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e pessoas próximas a eles. O próprio STF registrou que o plenário ainda não havia examinado o mérito de uma das petições relacionadas ao caso.

A dimensão eleitoral desse episódio não deve ser subestimada. Pesquisa Datafolha de setembro apontou que 47% dos eleitores diziam que a crise envolvendo ministros do STF e o Banco Master teria alguma influência sobre sua decisão para presidente. Entre os eleitores que não se identificavam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo, 43% afirmavam que o caso teria grande influência.

INSATISFAÇÕES – O ponto central, portanto, talvez não seja afirmar que o eleitor votou simplesmente “contra a corrupção”. A leitura mais consistente é outra: uma parte do eleitorado chegou ao primeiro turno carregando uma combinação de insatisfações — com o governo, com a economia, com a segurança, com a política tradicional e com a percepção de deterioração da confiança nas instituições. Os escândalos funcionaram como elementos capazes de condensar esse sentimento, mas não o explicam sozinhos.

Há ainda uma questão geracional que merece atenção. Lula continua dispondo de uma base social expressiva entre eleitores mais velhos, de menor renda e do Nordeste, enquanto Flávio apresentou maior força entre segmentos de renda mais alta, no Sul e entre eleitores evangélicos. Na reta final do primeiro turno, o Datafolha registrava empate entre os dois em algumas faixas etárias e no Sudeste, mostrando que a divisão eleitoral não se resume a uma simples oposição entre regiões.

É justamente por isso que o segundo turno será diferente. Flávio Bolsonaro precisa transformar a vantagem obtida no primeiro turno em uma maioria nacional; Lula precisa demonstrar que a votação recebida por seus adversários no primeiro turno não constitui um bloco homogêneo de oposição ao seu governo. Entre os dois existe um eleitorado que não pertence integralmente a nenhum dos campos e que pode decidir o resultado final.

PERSUASÃO – A disputa, daqui para frente, será menos sobre quem conseguiu mobilizar melhor sua base e mais sobre quem conseguirá convencer os eleitores que ainda não transformaram sua insatisfação em uma escolha definitiva. O primeiro turno mostrou a força do voto de rejeição e a capacidade de deslocamento do eleitorado. O segundo exigirá algo diferente: capacidade de construir uma maioria.

É nesse ponto que a campanha de Lula enfrenta seu maior desafio. Não basta apresentar indicadores positivos da administração federal. Será necessário responder à percepção de que problemas de corrupção, falhas de controle e crises institucionais atingiram justamente setores do Estado que deveriam transmitir segurança ao cidadão. Ao mesmo tempo, será necessário recuperar uma comunicação capaz de dialogar com eleitores mais jovens e com públicos que já não acompanham a política pelos canais tradicionais.

REJEIÇÃO – Mas o desafio também é de Flávio Bolsonaro. A vitória no primeiro turno não significa que todos os votos recebidos por ele sejam necessariamente votos de adesão ao seu projeto político. Parte deles pode ter sido simplesmente uma manifestação de rejeição ao governo. Transformar voto de protesto em voto de convicção é uma tarefa eleitoral diferente.

O segundo turno, portanto, não será apenas uma repetição do primeiro. Será um novo julgamento político, no qual cada candidato terá de explicar ao eleitor não apenas por que o adversário não deve governar, mas por que ele próprio deveria receber um mandato para conduzir o país.

E talvez essa seja a principal mensagem das urnas de 4 de outubro: a sociedade não entregou apenas uma vantagem eleitoral a Flávio Bolsonaro. Entregou aos dois candidatos uma tarefa mais difícil — convencer um país que chegou ao segundo turno mais desconfiado, mais fragmentado e menos disposto a aceitar respostas prontas.

Para se proteger, o Supremo se antecipa à nova força da direita no Senado

Fachin vai propor projeto de modernização do Judiciário

Valdo Cruz
G1

O resultado do primeiro turno da eleição acendeu um sinal de alerta no Supremo Tribunal Federal (STF). O avanço da direita no Senado tende a fortalecer a ala que defende mudanças no Judiciário e o impeachment de ministros da Corte.

Nesse cenário, o presidente do STF, Edson Fachin, pretende apresentar até o fim de novembro um projeto de modernização do sistema de Justiça. Fachin já havia decidido levar adiante a iniciativa antes mesmo do resultado da eleição deste domingo (4).

GRUPO DE TRABALHO – Em junho, o STF criou um grupo de trabalho para discutir uma reforma estrutural do Judiciário, com propostas de mudanças legislativas e administrativas. O grupo passou a reunir contribuições de juristas, magistrados, acadêmicos e entidades da sociedade civil.

Entre as propostas encaminhadas ao grupo estão: mudanças nas competências do Supremo; adoção de mandato para ministros; restrições a decisões individuais; mecanismos de controle e responsabilização; redução de férias; regras para o teto remuneratório; e medidas relacionadas ao uso de inteligência artificial pelo Judiciário.

PESO POLÍTICO –  Com o avanço da direita nas urnas, porém, a iniciativa de Fachin ganha um novo peso político. Durante a campanha, candidatos defenderam mudanças no Judiciário e no funcionamento do Supremo, incluindo alterações na forma de escolha e no tempo de permanência dos ministros na Corte e limitações às decisões individuais.

Segundo o presidente do STF, o projeto também será uma forma de estabelecer um diálogo com os chefes dos demais Poderes, Executivo e Legislativo. Desde que assumiu o comando do tribunal, Fachin vem defendendo que o próprio sistema de Justiça participe da discussão sobre suas mudanças.

BANCADA – O resultado da eleição mostrou que a bancada de senadores favoráveis ao impeachment de ministros do STF pode chegar a 49 parlamentares — cinco a menos que os 54 votos necessários para aprovar o afastamento de um ministro do Supremo.

Somente o PL elegeu 19 senadores e terá uma bancada de 28 integrantes. Isso dará ao partido peso decisivo na disputa pelo comando do Senado. O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil), é contrário ao impeachment de ministros do STF e tem impedido o avanço de pedidos contra integrantes da Corte. Agora, segundo senadores do PL, o ambiente político será diferente no próximo ano.

Vitória preliminar de Flávio alivia “insatisfação militar” com o conluio de Lula e STF

BELA, RECATADA E ENVERGONHADA" SOBRE A CHARGE ACIMA RESPONDA: O SIGNIFICADO DA PALAVRA DEMOCRACIA ESTÁ - brainly.com.br

Charge do Duke (|Arquivo Google)

Carlos Newton

Desde a proclamação da República, jamais houve crise tão grave entre os três Poderes. A democracia sempre foi instável, as sublevações se sucediam, porém nenhuma delas envolvia, ao mesmo tempo, um identificável e inquestionável conluio entre integrantes de Executivo, Legislativo e Judiciário, conforme se verifica agora.

A partir da Guerra de Canudos (1896-1897), os episódios de contestações a sucessivos governos constitucionais foram se repetindo. O Brasi é um país de golpistas.

UM FESTIVAL – De lá para cá, houve as Revoltas da Vacina (1904) e da Chibata (1910), a Guerra do Contestado (1912-1916), os 18 do Forte (1922), a Revolução Paulista e a Comuna de Manaus (1924), a Coluna Prestes (1925-27), a Revolução de Vargas (1930), a Revolução Constitucionalista (1932), o 11 de Novembro (1955), as Revoltas de Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959), a Revolução Militar (1964), a Guerrilha do Araguaia (1970) e o 8 de Janeiro (2023).

Nenhum desses acontecimentos do passado tem semelhança à atual conspiração entre o presidente Lula da Silva e membros do Supremo Tribunal Federal, onde a bancada de sustentação do governo é integrada pelos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Flávio Dino e Cristiano Zanin, com apoio ocasional de Nunes Marques, e essa velada insurreição conta também com entusiástico apoio dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta.

O mais incrível nisso tudo é que os atuais detentores do poder pensavam (ou julgavam) que ninguém perceberia que se trata de um conluio, que é um dos apelidos ou codinomes do velho golpe de Estado, que parece ser um vício das elites brasileiras.

A IMPRENSA REAGE – Em função dos posicionamentos ostensivos de ministros do Supremo e do Tribunal Superior Eleitoral a favor da candidatura de Lula, na semana passada a grande imprensa começou a despertar para essa iniciativa de conluio entre os três Poderes, que somente vinha sendo denunciada dessa forma aqui na Tribuna da Internet e na Gazeta do Povo, em Curitiba.

Agora, não estamos mais sozinhos. Estadão, Folha, Zero Hora, Veja e outros importantes veículos de informação passaram a denunciar esse golpe branco que o presidente Lula da Silva tenta perpetrar contra a democracia, em conluio com o Judiciário e do Legislativo, numa conspiração que inquieta as Forças Armadas brasileiras e começa a despertar atenção no exterior.

A revista Veja, através dos jornalistas Robson Bonin e Cláudio Dantas, já identificou a insatisfação militar com relação ao golpe em curso para reeleger Lula. É evidente que as Forças Armadas estão reavaliando seu apoio a Lula e a um Supremo que colocou na cadeia um grupo de generais de quatro estrelas e agora quer tomar suas patentes e as pensões de suas mulheres, a pretexto de um golpe de estado que foi planejado, mas não chegou a acontecer.

Lula da Silva, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Flávio Dino, Davi Alcolumbre, Hugo Motta e outros integrantes da conspiração pensam (?) que as Forças Armadas permanecerão inertes diante da preparação desse golpe branco, que era para não ser notado, mas cada vez está mais evidente, em meio à podridão reinante na política.

Lula: "Enquanto eu for presidente, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora" | CNN Brasil

Lula usou a imagem da Santa para atrair votos católicos

###
P.S.
– Vamos agora ao segundo turno que vai consagrar ou não esse conluio contra a democracia brasileira. Se fosse versado em ciências ocultas, Lula saberia que está agora em seu inferno astral, pois completa 81 anos no próximo dia 27, antes da votação definitiva. Se continuar se baseando em fake news nessa disputa eleitoral, fazendo o diabo para se eleger e usando a imagem de uma Santa que pouco lhe importa, pode acreditar que seu inferno não será somente astral, porém definitivo. (C.N.)

PF investiga interferência na eleição e acende o alerta no bolsonarismo

Investigação pode mudar o clima do segundo turno

Malu Gaspar
O Globo

Um movimento do governo Lula ligou um sinal de alerta na cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ainda durante a votação do primeiro turno e com as urnas abertas: a abertura de um inquérito sobre a suposta interferência dos Estados Unidos na eleição.

A decisão, anunciada pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF) Andrei Rodrigues, foi motivada pela publicação de uma reportagem do The Guardian segundo a qual um projeto do governo dos Estados Unidos prevê recursos para grupos da sociedade civil que se opõem ao que classificam como abuso de poder judicial e censura por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).

CAMINHO DO DINHEIRO – Pelo documento a que o jornal teve acesso, cerca de R$ 5,2 milhões seriam direcionados ao Brasil por meio do projeto “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”. Não se sabe, porém, se o dinheiro chegou a ser enviado, quanto e para quem.

Segundo Rodrigues, o inquérito foi pedido pela Advocacia-Geral da União (AGU). A apuração está em andamento na Diretoria de Inteligência da PF, em caráter preliminar.

“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, declarou o diretor-geral no domingo.

MANIFESTAÇÃO – A portaria de instauração do inquérito ainda não foi publicada. Pedido semelhante foi feito nesta semana pelo PT ao Supremo, mas a PF foi mais rápida. Em julho passado, porém, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou contra um pedido similar apresentado pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP), depois que o mesmo edital do Departamento de Estado do governo Donald Trump abordado na semana passada pelo The Guardian foi reportado pelo site Brasil 247 no fim de junho.

Na ocasião, o procurador-geral, Paulo Gonet, entendeu que não havia evidências mínimas de interferência americana para instaurar um procedimento preliminar com base em uma reportagem. Menos de três meses depois, a PF adotou um entendimento diferente em um caso similar. Nas redes sociais, o advogado-geral da União, Jorge Messias, destacou que a decisão da corporação atendeu a um pedido da AGU.

DESCONFIANÇA – Na cúpula da campanha bolsonarista, espalhou-se a desconfiança de que a medida pode vir a ganhar corpo nas próximas semanas com novas denúncias como forma de justificar alguma nova decisão do STF contra o presidenciável ou seu entorno.

O fato de o PT ter feito o pedido diretamente ao ministro Flávio Dino também fez surgir o alerta na campanha de Flávio Bolsonaro. Os aliados dele têm afirmado que esperam novas decisões do Supremo até a realização do segundo turno. Citam inclusive decisões de Dino que consideram contra a candidatura de Flávio — como chamar para si a investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre a destinação dos recursos do filme “Dark Horse”, a respeito da vida de Jair Bolsonaro e determinar que a perícia do material seja feita pela PF.

REINTEGRAÇÃO – Aliado de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e antagonista de André Mendonça no STF, Flávio Dino também decidiu reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo e pediu ao STF uma investigação sobre elos entre Mendonça e o Banco Master.

Embora o próprio Rodrigues tenha dito na entrevista em que anunciou a abertura do inquérito que não há por ora nenhum indício de interferência estrangeira na eleição, até que as urnas se fechem e o resultado seja anunciado o inquérito vai continuar pairando sobre a campanha e bastante temido pelo bolsonarismo.

Ex-ministros de Lula saem das urnas com muitas derrotas e perdas de espaço

Ex-ministros de Lula sofrem derrotas no Legislativo

Victoria Azevedo
O Globo

Ex-ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram derrotados nas urnas nas disputas para o Congresso e governo estaduais no domingo. No total, eram 20 nomes disputando a eleição.

Dentro desse grupo, os resultados mostram que dez já foram derrotados e sete conseguiram se eleger. Ainda há três casos em aberto, porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não informou a totalização dos votos para a Câmara dos Deputados e as Assembleias em São Paulo e Minas Gerais. Doze desses candidatos deixaram a gestão petista neste ano, no limite do prazo para concorrer.

NA DISPUTA – Buscavam uma vaga ao Senado os ex-ministros: André Fufuca (Esportes), Celso Sabino (Turismo), Carlos Fávaro (Agricultura), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Marina Silva (Meio Ambiente), Rui Costa (Casa Civil) e Simone Tebet (Planejamento). Desses, foram eleitos somente Fufuca e Costa. A onda de direita fez com que Marina e Tebet ficassem atrás de Derrite (PL) e André do Prado na disputa pelo Senado em São Paulo, enquanto Gleisi perdeu a vaga para Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).

Para a Câmara se candidataram Anielle Franco (Igualdade Racial), Jader Filho (Cidades), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas). A ex-ministra de Cidadania Macaé Evaristo concorreu a deputada estadual por Minas Gerais e deve ser eleita, mas o resultado ainda não foi oficializado. Foram eleitos: Anielle, Sônia Guajajara, Jader Filho, Silvio Costa Filho e Paulo Teixeira

Além desses nomes, outros políticos que chegaram a ocupar um assento na Esplanada petista, mas deixaram o posto em algum momento nos últimos quatro anos também tentaram se eleger. Entre eles Paulo Pimenta (ex-ministro da Secom) que buscou uma cadeira ao Senado pelo Rio Grande do Sul —e não foi eleito.

REELEIÇÃO – O ex-ministro Juscelino Filho (Comunicação), que é deputado, foi reeleito. A ex-ministra Daniela Carneiro (Turismo), também deputada, não foi reeleita. A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que foi substituída por Alexandre Padilha em fevereiro de 2025, conseguiu uma vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro.

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e o ex-ministro de Empreendedorismo Márcio França disputaram o Governo de São Paulo na mesma chapa, mas foram derrotados pelo atual governador, Tarcísio de Freitas, no primeiro turno. O ex-ministro dos Transportes Renan Filho se candidatou ao Governo de Alagoas e foi derrotado por João Henrique Caldas, o JHC (PSDB).

Em 2022, 13 ex-ministros de Jair Bolsonaro buscaram vagas no Congresso. No total, 9 deles saíram vitoriosos das urnas. No Senado, dos 8 candidatos, cinco foram eleitos: Damares Alves (ex-ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos), Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Tereza Cristina (Agricultura) e Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública).

FORA DO JOGO – Foram derrotados: Gilson Machado (Turismo), Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde). Na Câmara, 5 ex-ministros tentaram uma vaga e 4 foram eleitos: Ricardo Salles (Meio Ambiente), Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), Eduardo Pazuello (Saúde) e Osmar Terra (Cidadania). O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub não teve votos suficientes.

Além disso, três ex-ministros disputaram governos estaduais —Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência) e João Roma (Cidadania)—, mas somente Tarcísio foi eleito.

A direita se consolida, e Lula enfrenta o desafio de reconstruir sua maioria, diz diretor da Quaest

Fux será relator de ações contra proibição da jogatina das bets por Lula

WhatsApp lidera casos de assédio eleitoral no trabalho, aponta estudo do TST

Mensagens aparecem em 51 dos 138 processos analisados

Gabriela Cecchin
Folha

O WhatsApp foi o meio digital mais citado nos processos de assédio eleitoral analisados em uma pesquisa do TST (Tribunal Superior do Trabalho) e do CSJT (Conselho Superior da Justiça do Trabalho). O aplicativo apareceu em 51 dos 138 processos que compõem a amostra qualitativa do estudo, enquanto Facebook e Instagram foram mencionados em 20.

O levantamento buscou fazer um diagnóstico do assédio eleitoral nas relações de trabalho por meio de ações judiciais entre maio de 2023 e dezembro de 2025. Ao todo, foram identificadas 93 ocorrências de meios digitais nos processos analisados. A pesquisa considera como meios digitais grupos de mensagens, emails, videoconferências, redes sociais e outras plataformas tecnológicas. Procurada pela reportagem, a Meta, dona das três plataformas mencionadas, afirmou que não vai comentar.

TIPOS DE ASSÉDIO ELEITORAL – A pesquisa classifica o assédio eleitoral em seis modalidades, conforme os mecanismos usados para executar as condutas: verbal, documental, digital, psicológico, comportamental e econômico. O verbal envolve discursos e manifestações destinadas a pressionar ou intimidar politicamente, enquanto o documental pode aparecer em memorandos, circulares, comunicados e materiais corporativos.

O digital inclui grupos de mensagens, emails, videoconferências e redes sociais, e o psicológico envolve a produção de medo e insegurança, inclusive por meio de discursos sobre possíveis consequências econômicas de determinado resultado eleitoral. O comportamental inclui práticas como participação compulsória em reuniões, atos, carreatas, passeatas e panfletagens. Por fim, o econômico relaciona a escolha política a ameaças, perdas ou concessão de vantagens financeiras.

Segundo o estudo, as categorias não são excludentes. Uma mesma situação pode combinar diferentes formas de pressão. “Os meios digitais têm exercido forte protagonismo nas formas contemporâneas de assédio eleitoral”, afirma o estudo.

ANÁLISES –  A pesquisa também analisou 59 sentenças de primeiro grau. Em 18 delas, os pedidos de reconhecimento de assédio eleitoral foram julgados procedentes; em 41, foram rejeitados. Nas 41 sentenças de improcedência, referências à fragilidade da prova apareceram em 31, o equivalente a 75,6%. Considerando todas as 59 sentenças, a fragilidade probatória foi mencionada em 31 decisões, ou 52,5%.

O estudo aponta que não existe um único tipo de prova indispensável para reconhecer o assédio eleitoral. Entre os elementos considerados pelos magistrados estavam depoimentos de testemunhas, documentos, registros digitais, áudios, atas notariais, confissões e provas emprestadas de investigações realizadas por outros órgãos.

A prova digital aparece também entre os elementos considerados em decisões favoráveis. Em um dos processos analisados, por exemplo, mensagens de WhatsApp foram avaliadas junto com uma ata notarial e uma confissão do sócio demandado.

DIFICULDADES – Nos julgamentos que rejeitaram os pedidos, o estudo identifica dificuldades relacionadas especialmente à prova oral. Depoimentos contraditórios, vacilantes ou baseados em informações de terceiros reduziram sua força demonstrativa.

A pesquisa também aponta que o caráter pouco ostensivo de algumas práticas e o receio de consequências para o vínculo de trabalho podem dificultar a obtenção de testemunhos consistentes.

MODALIDADES –  A pesquisa também identificou quatro modalidades segundo os agentes envolvidos: vertical, horizontal, mista e institucional. A modalidade vertical ocorre em relações de poder ou ascendência, como entre empregadores, gestores e trabalhadores. A horizontal envolve pessoas no mesmo nível hierárquico, enquanto a mista combina pressão de superiores e colegas.

O assédio institucional, por sua vez, é definido pela pesquisa como aquele em que a coerção política passa a integrar práticas ou estratégias da própria organização. Quanto aos trabalhadores atingidos, o estudo diferencia situações individuais e metaindividuais, quando a conduta alcança grupos ou coletividades.

Também há uma classificação temporal entre assédio episódico, concentrado em determinado período ou acontecimento, e permanente, quando a prática se prolonga ou se incorpora às relações e práticas organizacionais.

Lula promete mais redes e aposta nas ruas para buscar a virada

Nunes Marques leva caso de Bolsonaro à PGR e empurra decisão para depois da eleição