Avanço das investigações da PF impede qualquer tentativa de “blindar” Vorcaro

🌞Bom dia! Confira a charge da edição desta sexta-feira (29/8) do Correio Braziliense, por Kleber Sales.

Charge do Kleber Sales (Correio Braziliense)

Malu Gaspar
O Globo

Desde que a bomba do caso do Banco Master voltou a estourar no colo do Supremo Tribunal Federal (STF), com a descoberta de que Daniel Vorcaro enviou mensagens a Alexandre de Moraes no dia da prisão perguntando se ele “conseguiu bloquear”, os ministros parecem perdidos, sem saber o que fazer.

Pelos relatos de quem frequenta os corredores e gabinetes, quem não está perplexo está furioso. Estão tão acostumados a pairar acima de tudo e todos no ecossistema de Brasília que se mostram sem repertório para lidar com uma premissa básica da democracia: têm obrigação de prestar contas à sociedade.

CÓDIGO BAND-AID – A crise se agravou tanto que o Código de Ética defendido pelo presidente da Corte, Edson Fachin, hoje teria o efeito de um band-aid cobrindo uma fratura exposta. E, ainda assim, a proposta não andou um milímetro desde que a ministra Cármen Lúcia foi designada relatora.

A única reação ensaiada até agora veio da ala furiosa da Corte, que passou a cobrar do governo Lula uma grande operação abafa a partir da interferência na Polícia Federal (PF). O núcleo que orbita em torno de Moraes e de Dias Toffoli se julga abandonado pelo Palácio do Planalto.

Afinal, o Supremo Futebol Clube vem matando no peito todas as bolas tortas que o governo não consegue defender no Congresso. Por esse argumento, o mínimo que Lula poderia fazer é anular a PF em nome dessa aliança.

IMAGEM ABALADA – Achar que Lula vai intervir é uma visão ao mesmo tempo alienada e ingênua. Alienada, porque faz questão de ignorar a dimensão que o caso ganhou e quanto o Supremo está machucado pela crise.

Na falta de sensibilidade política, já começam a surgir indicadores como a pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira mostrando que 35% dos que tomaram conhecimento do escândalo o associam ao STF, e 70% desse universo considera que a imagem do Supremo está abalada.

O mesmo levantamento aponta que 44% dizem que a chance de votar num candidato a senador nas próximas eleições aumentará caso ele apoie o impeachment de ministros. Os pesquiseiros do Planalto e do bolsonarismo já perceberam essa tendência, daí por que não faz sentido para Lula se afundar junto com o Supremo.

INGENUIDADE – Nesse contexto, é de uma suprema ingenuidade imaginar que o presidente, que já largou pelo caminho aliados de uma vida, vá se sacrificar agora por causa das lambanças de Toffoli e Moraes.

Também surpreende a suposição de que a troca do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — que, apesar do relatório sobre Toffoli, sempre se portou como aliado de Moraes —, vá anular o trabalho de dezenas de delegados e agentes. Taí algo que nem Jair Bolsonaro conseguiu, mesmo tentando muito. Além disso, a esta altura da investigação seria inútil.

Embora ainda falte muita coisa para vir à tona, o número de versões do celular de Vorcaro nas mãos de investigadores já é grande o suficiente para que não se possa mais eliminá-las completamente.

MENDONÇA NO COMANDO – Ao substituir Toffoli na relatoria do caso, o ministro André Mendonça ainda estabeleceu contato direto com os delegados e os proibiu de passar informações a superiores hierárquicos.

Pelo jeito, já andava de pé atrás com os uísques caros que Andrei tomou em Londres em abril de 2024 com Moraes, Paulo Gonet e Ricardo Lewandowski, entre dezenas de outros figurões — tudo bancado por Vorcaro.

Isolado no Supremo desde que assumiu o cargo, Mendonça foi o único a votar pela suspeição de Moraes para julgar a trama golpista. É cedo para dizer se abrirá alguma investigação contra o colega de Corte, mas não para constatar que, se em algum momento houve alguma chance de enterrar a apuração, ela já ficou no passado.

CENTRÃO NA MIRA – Para completar o quadro, os documentos com os sigilos fiscais do Master, da Reag e de Vorcaro que vêm desembarcando nas CPIs do INSS e do Crime Organizado já começam a vir à tona, colocando em xeque as lideranças do Centrão.

O primeiro a ser alvejado foi ACM Neto (União Brasil), que os repórteres do Globo descobriram ter recebido R$ 3,6 milhões do Master e da Reag via empresa de consultoria.

Ninguém tem dúvida de que vem muito mais por aí. Não foi por outra razão que os presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados adotaram nesta semana o regime de sessões semipresenciais, evitando debates no plenário e driblando a pressão para decidir sobre os pedidos de CPI sobre a mesa.

ANARQUIA DO SISTEMA – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), querem mais é serem esquecidos, enquanto tentam achar uma forma de não serem tragados pelo escândalo. É o máximo que podem fazer no momento pelo STF.

Diante da situação, é impossível não se lembrar do diálogo com a namorada em que Vorcaro diz ser “a anarquia do sistema”. A partir de agora, é cada um por si. Quem não entender isso se afundará ainda mais rápido.

Voto de Gilmar vai “ensinar” como anular caso Master e soltar Vorcaro

Tribuna da Internet | Segunda Turma: recurso final de Bolsonaro não será  decidido na gestão de Gilmar

Charge do Cláudio Aleixo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Já mostramos aqui na Tribuna da Internet que libertar o banqueiro Daniel Vorcaro será um achincalhe nacional, para manchar de vez a imagem do Supremo. É certo que ainda existe quem alimente essa expectativa sinistra, por acreditar que Gilmar Mendes vai conseguir derrubar, um a um, os argumentos de André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques para manter o banqueiro Daniel Vorcaro num presídio de segurança máxima.

Realmente, este é o principal objetivo do decano do Supremo, que prometeu passar o fim de semana estudando detidamente os votos a favor de manter Vorcaro sob segurança máxima, dados nesta sexta-feira pelo relator André Mendonça e pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques.

O PLANO DE GILMAR – No Supremo, já se tem uma ideia sobre as diretrizes de Gilmar, que vem costurando uma tese sobre os vazamentos de informações de inquéritos. A seu ver, a exposição pública “constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade”

Antes de iniciado o julgamento do pedido para libertar Daniel Vorcaro sob alegação de que ele não oferece risco à sociedade nem tem como prejudicar as investigações ou desfazer provas, Gilmar Mendes já tinha esboçado na rede social X um caminho para anular o caso Master.

“A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade e uma demonstração de barbárie institucional que transgride todos os limites impostos pelas leis e pela Constituição”, enfatizou o ministro por meio do antigo Twitter.

FORA DA LEI – Segundo essa tese, o vazamento de mensagens desrespeita a legislação e pode dar margem à anulação do processo envolvendo Daniel Vorcaro.

“Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, parece ainda mais grave a divulgação de tais diálogos, denotando a urgência de refletir sobre como a intimidade feminina é, historicamente, o alvo preferencial de tentativas de desmoralização e controle”, acrescentou ele, sobre as conversas de Vorcaro com a namorada.

“Ao permitir a publicação de diálogos íntimos de um casal, o Estado e seus agentes não apenas falham em seu dever de guarda, mas desrespeitam a legislação, que impõe categoricamente a inutilização de trechos que não interessam à persecução penal”, argumenta o polêmico ministro.

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P.S. –
Em tradução simultânea, o que Gilmar Mendes pretende é instituir uma nova prática de impunidade, e nem interessa a gravidade do crime. Toda vez em que houver vazamento, a investigação será anulada, algo que não existe no Direito Universal. Ou seja, mais uma “inovação” brasileira que nenhum país do mundo adota, como a proibição de prender criminoso após condenação em segunda instância, adotada em 2019 com entusiástica defesa de Gilmar Mendes, feita sob medida para libertar Lula, já condenado em três instâncias, sempre por unanimidade. (C.N.)

Ministros do STF apenas cumpriram a lei; seria revoltante libertar Vorcaro

Tribuna da Internet | Supremo precisa de autocrítica, para evitar novos conflitos de competência

Charge do Bessinha (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Mantendo preso o facínora e canalha Daniel Vorcaro, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) cumpriram a lei. Não fizeram mais do que obrigação. Mas, também, contribuem para resgatar um pouco a credibilidade da Suprema Corte junto aos brasileiros. Não podem afrouxar. Ceder a pressões inconfessáveis de abutres engomados.

Porque ultimamente o STF anda mais por baixo do que tapete de porão”, diria o sábio Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta. Que, aliás, no Brasil surrealista atual, escreveria diversas obras do “Febeapá, festival de besteira que assola o país”. 

Desde que Vorcaro foi preso pela segunda vez, a imprensa começou a especular e torcer pela delação premiada do patife. Recordo e reitero que no meu artigo de 30 de janeiro, aqui na tribuna, pontuei: “O script final e mais aguardado é a delação premiada”. 

RÍGIDO E PONTUAL – A boa coluna do Estadão do dia 9 de março revelou que o corregedor nacional de Justiça, o rígido ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ)  Mauro Campbell, ordenou que Tribunais de Justiça de 9 Estados “adotem medidas para combater a ocultação de dívidas de consultas públicas do mercado de crédito”.

A decisão de Campbell atinge os tribunais de Justiça de São Paulo, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Alagoas, Ceará, Amazonas e Pará. 

TORPEZA – A lista de 50 nomes pré-convocados de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo não tem o nome do cerebral meia Paulo Henrique Ganso. Inacreditável e torpe absurdo. A medonha lista tem nomes de jogadores que não engraxam as chuteiras de Ganso. Atletas que não sabem pensar. Jogadores que não dão um passe certo de 5 metros. 

A idade não é justificativa inteligente nem aceitável para Ganso ficar fora da lista. A CBF deveria chamar a atenção de Ancelotti para a injustificável tolice e agressão ao bom futebol de Ganso.

CORRERIA – Por fim, muito alarde dos filhos e seguidores, correria danada para o hospital, mas os médicos informam que Bolsonaro passa bem e está consciente.

Mas a coisa está feia. É a terceira pneumonia dele em apenas oito meses. E haja antibióticos.

Flávio Bolsonaro aposta em memes e pautas identitárias para ampliar eleitorado

Piada do Ano! Para expulsar conselheiro de Trump, o Itamaraty alegou informações falsas

Bolsonaro é internado na UTI com broncopneumonia aguda, dizem médicos

Mendonça, Fux e Marques mantêm Vorcaro sob “segurança máxima”

Ministro Nunes Marques será relator em ação contra Eduardo Bolsonaro no STF

Nunes Marques não titubeou e deu o voto decisivo: 3 a 0

Felipe de Paula e Fausto Macedo
Estadão

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta sexta, 13, para manter a prisão preventiva do banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O ministro André Mendonça, relator do inquérito na Corte, abriu a votação às 11h e foi acompanhado integralmente pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Resta o voto de Gilmar Mendes.

RISCO CONCRETO -Ao votar pela confirmação do decreto de prisão de Vorcaro, o ministro Mendonça enfatizou seus motivos. “Nessa perspectiva, destaco que os crimes investigados envolvem valores bilionários e têm impacto potencial no sistema financeiro nacional”, disse,acrescentando:

“Há, sob outro prisma, evidências de tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre investigações em andamento e monitoramento de autoridades. E existem forte indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e a monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações.”

Ele destacou que o banqueiro e seus aliados continuaram a operar mesmo depois de a PF ter deflagrado a primeira fase da Compliance Zero. “No que diz respeito ao elemento da contemporaneidade, as atividades criminosas, tal como demonstrado pela Polícia Federal em sua representação, continuaram a ocorrer mesmo após o início do inquérito e as operações dele decorrentes.”

FALTA GILMAR – Luiz Fux e Nunes Marques seguiram o voto do relator, e a questão já está decidida, ou seja, Vorcaro continuará preso em regime de segurança máxima,

O ministro Gilmar Mendes não quis votar e anunciou que somente se manifestará na semana que vem. Segundo membros de sua equipe, ele disse que vai ler os votos dos colegas, para pensar sobre o voto dele.

Antes do julgamento, a especulação era de que Gilmar votaria a favor da libertação de Daniel Vorcaro, e havia dúvidas sobre o voto de Nunes, que preferiu apoiar o relator.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Soltar Vorcaro seria um achincalhe nacional e mancharia de vez a imagem do Supremo. Mas tudo indica que Gilmar vai tentar demolir, um a um, os argumentos de Mendonça, mas não adiantará nada na prática e ficará claro de que lado Gilmar está, se é que ainda exista alguém que alimente essa dúvida. (C.N.)

Briga entre Lula e Trump? Era só o que faltava para complicar a vida do Brasil

Lula X Trump - Por Jeff Castro

Charge do Jeff Castro (Arquivo Google)

Mônica Bergamo
Folha

O presidente Lula decidiu vetar a entrada do assessor de Donald Trump, Darren Beattie, no Brasil depois de ver a extensa lista de autoridades brasileiras que seguem proibidos de entrar nos EUA. O cancelamento de vistos pelo governo americano atinge magistrados como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, e integrantes do governo, como os ministros Alexandre Padilha e Jorge Messias.

Ativista de ultradireita, Darren Beattie foi nomeado pelo governo dos EUA para o cargo de Conselheiro Sênior de Política para o país.

OBSERVADOR ELEITORAL – Próximo ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o conselheiro Beattie pediu para visitar Jair Bolsonaro na prisão e tentava agendar encontros com diversas autoridades, inclusive com ministros do Supremo Tribunal Federal.

Sua intenção era acompanhar o processo eleitoral do Brasil— o que foi visto como ingerência indevida pelo Itamaraty.

Beattie é crítico do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, a quem já acusou de ser o coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Jair Bolsonaro, e que tem tentado restringir a liberdade de expressão nos EUA.

LULA REAGE – O presidente brasileiro citou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como exemplo de autoridades punidas pelo governo Trump com a suspensão.

“Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado”, disse Lula, durante a reinauguração do setor de trauma do Hospital federal do Andaraí.

O número de atingidos pela decisão do norte-americano, no entanto, ultrapassa as duas dezenas.

BARRADOS NOS EUA – Estão com o visto cancelado brasileiros, punidos pelo governo Trump no âmbito do Supremo: o ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes; Luís Roberto Barroso (aposentado), e os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o presidente Edson Fachin.

Também estão barrados o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Benedito Gonçalves, aquele que tem um filho que vive exibindo enriquecimento ilícito no exterior; Airton Vieira juiz auxiliar do STF que chefia a equipe de Alexandre de Moraes; Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, assessor judicial de Moraes; Marco Antonio Martin Vargas, ex-assessor eleitoral de Moraes; e José Levi, ex-procurador-geral da República.

Por fim, os seguintes membros do governo: Alexandre Padilha (ministro da Saúde, que tem restrições de locomoção no país), mulher e filha; Jorge Messias (advogado-geral da União); e Mozart Júlio Tabosa Sales (secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O mais patético foi que Moraes autorizou a visita do conselheiro a Bolsonaro, depois foi forçado por Lula a cancelar. E o resultado de tudo isso é que a situação do país só vai piorar com essa briga entre Lula e Trump, dois personagens egocêntricos e desprovidos de caráter. O mundo hoje parece viver numa Idade das Trevas. (C.N.)

Um poema de amor, com Lya Luft mostrando como lutar contra a solidão

30 ideias de Lia Luft para salvar hoje | pensamentos, citações, palavras e  muito maisPaulo Peres
Poemas & Canções 

A professora, escritora, tradutora e poeta gaúcha Lya Fett Luft (1938-2021) era conhecida por suas reflexões profundas sobre as relações humanas, a família e a passagem do tempo. No poema “Canção Pensativa”, sente passar por um momento de solidão, mas sabe que tem de voltar à realidade e buscar um novo amor.

CANÇÃO PENSATIVA
Lya Luft

Um toque da solidão, e um dedo
severo me traz à realidade: não depender
dos meus amores, não me enfeitar
demais com sua graça, mas ver
que cada um de nós é um coração sozinho.

Cada um de nós perenemente
é um espelho a se mirar, sabendo
que mesmo se nesse leito frio e branco
um outro amor quer derramar-se em nós,
entre gélido cristal e alma ardente
levantam-se paredes para sempre.

(E para sempre
a amante solidão nos chama e abraça.)

Conflito entre EUA, Israel e Irã eleva petróleo a US$ 101 e cria risco político para Lula

Alta do petróleo após conflito pressiona inflação

Poliana Santos
CNN

Há mais de uma semana, os Estados Unidos e Israel atacam o Irã, ampliando o conflito no Oriente Médio. Os desdobramentos da crise, que ocorre a sete meses das eleições presidenciais brasileiras, podem impactar diretamente o cenário político de 2026, a depender da duração e da intensidade da guerra.

“Todo conflito de grandes proporções impacta o cenário doméstico de qualquer país”, afirmou o cientista político e professor do Insper, Leandro Consentino. “No momento, observamos impacto econômico, principalmente na questão do petróleo, o que deve desequilibrar a narrativa do governo Lula”.

PREÇO DO BARRIL – Os preços do petróleo acumulam alta assustadora. Nesta quinta-feira, o Brent,  referência global da commodity,  chegou a US$ 191,75 o barril, resultado da interrupção no fornecimento de combustíveis provocada pela guerra. “Se a alta recente do Brent se provar persistente, um aumento no preço da gasolina será inevitável”, escreveu o economista-chefe da XP, Caio Megale, em relatório divulgado em março.

Caso o petróleo permaneça elevado ao longo de 2026, os custos tendem a se difundir pelas cadeias produtivas de bens industriais, alimentos e serviços, encarecendo o custo de vida da população. Segundo especialistas, os mais afetados seriam os brasileiros de baixa renda, base eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

CUSTO DE VIDA – Eduardo Grin, cientista político e professor da FGV EAESP, avalia que a inflação pressionada pode afetar a percepção da população: “Isso seria muito ruim para o eleitor que recebe Bolsa Família, que recebe até dois salários mínimos, para o qual o custo de vida seria o mais afetado e que é a grande base social e eleitoral do Lula. Acho que Lula dificilmente escapará do efeito disso”.

Do lado da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como forte candidato nas pesquisas, deve explorar o tema para atacar o governo. Até aqui, o Planalto tem destacado indicadores econômicos positivos e trabalhado em pautas populares, como a escala 6×1. Mas, segundo Consentino, “mexer com o petróleo em um momento como esse certamente pode bagunçar esses indicadores”.

Já Caio Megale observa que, no curto prazo, a arrecadação tributária segue forte e a alta do petróleo pode até gerar receita adicional. “O recente salto nos preços do petróleo em resposta ao conflito no Irã, de aproximadamente 60 para 80 dólares por barril, pode gerar uma receita líquida adicional de R$ 21,4 bilhões em 2026. Contudo, o cenário de aumento da dívida pública persiste, e os riscos fiscais podem crescer à medida que a eleição se aproxima”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO governo suspendeu os impostos federais sobre o diesel, mas os Estados não poderão eliminar o imposto, porque estão financeiramente quebrados. O diesel é a grande carência nacional, devido à inexplicável falta de refinarias. Aliás, essa escassez é programada, para manter a importação desse combustível, maior alimentador da eterna corrupção na Petrobras, que a Lava Jato ia combater, mas foi liquidada pelo Supremo antes de limpar à política externa da estatal. A crise reflete a falta de planejamento do governo, que não acelerou o programa do biodiesel e abandonou o exitoso Proálcool. Hoje, os Estados Unidos plantam muita cana e produzem mais álcool que o Brasil, que está importando o produto, algo que devia nos encher de vergonha. Ah, Brasil, com esses governantes, você só pode crescer à noite, quando eles estão dormindo… (C.N.)

PL pressiona Ratinho Jr. a desistir do Planalto e ameaça romper com PSD no Paraná

Empate nas pesquisas e a verdadeira batalha desta eleição presidencial

Campo político se reorganiza em torno de uma polarização

Pedro do Coutto

A nova pesquisa divulgada pelo instituto Quaest trouxe um elemento que muda o ritmo da disputa presidencial: um empate técnico entre o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O levantamento indica que ambos aparecem com cerca de 41% das intenções de voto nesse cenário, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

O dado, embora ainda distante da eleição, sinaliza que a corrida presidencial caminha para uma disputa altamente competitiva. Pesquisas anteriores mostravam vantagem mais confortável para Lula, mas a diferença foi diminuindo ao longo dos últimos meses, consolidando Flávio como o principal nome da direita na disputa nacional.

CAMPANHAS ELEITORAIS – Mas pesquisas são fotografias de um momento — e não o filme completo da eleição. A história política brasileira mostra que campanhas eleitorais são capazes de alterar percepções públicas, consolidar lideranças ou produzir reviravoltas inesperadas. O empate técnico revelado pela Quaest, portanto, é menos um prognóstico definitivo e mais um sinal de que o campo político começa a se reorganizar em torno de uma polarização que, mais uma vez, opõe lulismo e bolsonarismo.

Para Lula, o desafio central será preservar o eleitorado que o levou de volta ao Planalto e ampliar pontes com o centro político. A estratégia tradicional do petismo costuma combinar duas frentes: a defesa de resultados econômicos e sociais do governo e a tentativa de apresentar o adversário como uma ameaça institucional. Em eleições anteriores, essa narrativa funcionou para mobilizar setores progressistas e parte do eleitorado moderado.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta trilhar um caminho mais complexo. Embora carregue o peso político do sobrenome e do legado do ex-presidente Jair Bolsonaro, sua campanha busca construir uma imagem menos confrontacional, capaz de dialogar com eleitores que rejeitam a radicalização política. A aposta de aliados é que ele represente uma versão mais moderada do bolsonarismo, mantendo a base conservadora mobilizada sem afastar o eleitor de centro.

MÍDIAS – No entanto, a eleição não será decidida apenas pelas identidades políticas dos candidatos. O terreno decisivo estará nas campanhas — especialmente na capacidade de cada lado de dominar três arenas fundamentais da política contemporânea: televisão, redes sociais e imprensa.

A televisão ainda mantém peso relevante na formação de opinião, sobretudo entre eleitores mais velhos e em regiões onde o acesso à internet é menos intenso. Já as redes sociais se tornaram o espaço privilegiado da disputa narrativa, onde militâncias organizadas, influenciadores e campanhas digitais tentam moldar percepções em tempo real. E os jornais — impressos e digitais — continuam desempenhando um papel importante na agenda pública, pautando debates e revelando fatos que podem influenciar o humor do eleitorado.

Outro fator determinante será a capacidade de cada candidatura de construir alianças políticas nos estados. O Brasil continua sendo um país de dimensões continentais, onde palanques regionais, governadores e lideranças locais desempenham papel decisivo na transferência de votos. Uma campanha nacional sólida exige articulação territorial — algo que historicamente tem peso nas eleições presidenciais.

CONTEXTO ECONÔMICO E SOCIAL – Também não se pode ignorar o impacto do contexto econômico e social. Inflação, emprego, renda e segurança pública costumam influenciar o humor do eleitorado de forma direta. Governos que conseguem transmitir sensação de estabilidade econômica tendem a chegar mais fortes à disputa, enquanto crises ou escândalos políticos podem alterar rapidamente o cenário eleitoral.

Nesse sentido, o empate técnico revelado pela Quaest não significa necessariamente equilíbrio definitivo. Significa, sobretudo, que a eleição entrou em uma fase de disputa aberta. Lula ainda possui a vantagem da incumbência e da visibilidade do cargo, enquanto Flávio Bolsonaro tenta capitalizar o desgaste natural de um governo em exercício e reorganizar a direita em torno de seu nome.

No fundo, a eleição presidencial que se desenha no horizonte parece repetir um padrão já conhecido da política brasileira contemporânea: uma disputa polarizada, intensa e marcada por narrativas fortes. Mas, como sempre acontece em democracias vibrantes, o resultado final dependerá menos das pesquisas de hoje e mais da capacidade de cada campanha de convencer o eleitor de amanhã.

OAB quer ver provas do caso do Master e critica inquéritos sem prazo no STF

Entidade quer acesso integral às provas obtidas

Pepita Ortega
O Globo

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil decidiu pedir ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso às provas do caso Master, que levou à prisão, pela segunda vez, o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o presidente da entidade, Beto Simonetti, a sociedade “precisa ter revelado o que tem” no inquérito.

Segundo Simonetti, o pedido será entregue a Mendonça pessoalmente. O advogado afirmou que a OAB já requereu uma audiência no gabinete do ministro do STF e que aguarda a data para o encontro. A entidade quer acesso integral às provas obtidas até o momento na investigação, que já teve três etapas ostensivas abertas. A decisão pela apresentação do pedido a Mendonça se deu por aclamação em reunião do Conselho da OAB.

APURAÇÃO RIGOROSA – O anúncio do pedido de acesso foi feito após Simonetti se reunir com representantes da OAB nos 27 Estados e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, no Conselho Nacional de Justiça na última terça-feira. Em nota, a entidade disse ter defendido, durante o encontro, “apuração rigorosa dos fatos envolvendo qualquer autoridade” no bojo das apurações da Operação Compliance Zero.

O caso Master também foi tema de reunião entre Fachin e Mendonça, realizada na noite de segunda-feira na Presidência do STF. Em meio ao rescaldo das novas revelações sobre o suposto grupo criminoso que, segundo a Polícia Federal, seria liderado por Vorcaro, o presidente do STF também se encontrou com outros integrantes da Corte para tratar do assunto.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS – Na mesma reunião, além do caso Master, foi levantado o tópico do inquérito das fake news. No mês passado, a Ordem encaminhou ao STF um ofício pedindo o arquivamento de investigações de natureza perpétua, principalmente as que “deixam de ostentar delimitação material e temporal suficientemente precisa”. No documento, a entidade registrou “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração”.

Segundo Simonetti, foi reafirmado, na ocasião, o “interesse” da advocacia em ver o inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes arquivado. O presidente da OAB sustenta que não há norma que permita “inquéritos permanentes e eternos”. Segundo ele, Fachin “compreende que esses inquéritos não podem se manter como estão”, mas não deu “nenhum tipo de sinalização” sobre o eventual fim da investigação. Simonetti ainda disse que a OAB não descarta a possibilidade de procurar Moraes para ponderar sobre “situações encontradas” ao longo do inquérito.

O amigo da corte e o bajulador de ministro são inimigos que se digladiam

🗓️ 2026 até agora resumido em uma charge. Você concorda?

Charge reproduzida do Arquivo Google

Conrado Hübner Mendes
Folha

Ser ministro do STF é exercer função pública, não ostentar estilo de vida. O cargo permite vida privada com o privilégio e o conforto do topo da pirâmide social brasileira. Só não permite o luxo extrativista, os cortejos oligárquicos e gangsteristas, o empreendedorismo familiar.

A carreira de ministro vem com muito poder, prerrogativa e prestígio, só pede não agredir a instituição. E não paga o suficiente para vestir-se de ouro. Não por moralismo. Não só por razões éticas ou estéticas, mas por razões legais compatíveis com a realidade socioeconômica brasileira.

ESTILO VORCARO – O que é ética, estética e legalidade para quem se regozija em degustação de uísque e charuto patrocinado por banqueiro em Londres? No “Fórum Jurídico Brasil de Ideias”, em 2024, quem teve a grande ideia foi Daniel Vorcaro, o rei do camarote da fraude bancária. Por que não financiar noite de álcool e fumaça com autoridades públicas por US$ 640 mil?

Fomos acostumados a ouvir anedotas da vulgaridade magistocrática. E ficamos moralmente anestesiados, juridicamente preguiçosos, politicamente paralisados. A prática foi se aprofundando, e muitos enriquecendo na conjunção patrimonialista. O JusPorn Awards só olhava.

Neste mês, a instituição chegou mais perto do precipício a partir das notícias da relação de ministros do STF com o Carminha da Faria Lima, artífice do previsível escândalo financeiro. Não porque a promiscuidade foi nova, não porque conflitos de interesses não convivam com ministros há muitos anos. Mas porque ficou bem desenhadinho aonde a indiferença a conflitos de interesses pode chegar. Virou esquete do Porta dos Fundos.

AMIGO E BAJULADOR – Em circunstâncias assim, o que faz o amigo da corte? Amigo na acepção genuína da palavra – feita de cuidado, franqueza e liberdade crítica – aponta o erro, pede compostura, propõe debate sobre código de ética, defende saídas institucionais de responsabilização individual que preservem a confiança na justiça e a institucionalidade do STF.

E o que faz o bajulador de ministro? Nega qualquer irregularidade, defende honorário faraônico pago pelo banqueiro para trabalho jurídico não sabido e sem complexidade. Acusa de lavajatista o jornalista que reporta fatos, classifica de “inimigo da corte” quem critica decisão do STF.

O amigo da corte está preocupado com o que vai sobrar de legitimidade ao STF para defender a Constituição dos inimigos à espreita. O sucesso do extremismo bolsonarista depende da implosão do obstáculo constitucional e da masterização da constitucionalidade.

ÁLCOOL E FUMAÇA – O bajulador de ministro prefere deixar o tribunal sangrar, enterrar sujeira em cova rasa e se encontrar em Lisboa como se nada. Financia álcool e fumaça para que o fluxo de honorários desse pacto de bajulação lucrativa não se interrompa.

O amigo da corte não é remunerado. Reconhece que o dano autoinfligido por ministro à sua autoridade é irreversível e contamina o sistema de justiça. Entende só restar à instituição do tribunal a redução de danos, alguma solução rápida. O que está provado é grave o suficiente.

O amigo da corte não é ingênuo a ponto de esperar espírito público voluntário numa hora dessas. Mas tenta imaginar alguma forma de estancar o sangramento. Seja por aposentadoria ou por sanção jurídica. Qualquer coisa que não a adulação. Já o bajulador de ministro não é amigo da corte. Nem o centrão supremocrático.

Em matéria de pecados capitais, até agora Moraes só se arrependeu de um deles

Tribuna da Internet | Moraes não sabe como irá responder ao embargo infringente de Bolsonaro

Charge do Schmock (Revista Oeste)

Carlos Newton

Envolvidos no Brasil nas investigações do escândalo do Banco Master e processado nos Estados Unidos pelo imprevisível presidente Donald Trump, através de duas empresas que controla, a rede social Rumble e a Trump Media, o ministro Alexandre de Moraes está desesperado com seu futuro.   

Afinal, de que adianta ser multimilionário, enriquecido ilicitamente, e assim se tornar um jurista de conduta reprochável e absolutamente desonrado? É claro que seria muito melhor viver de forma menos luxuosa, cumprindo seu dever de integrante da Suprema Corte e desfrutando de fama, paz, honra, dignidade, respeito e tudo o mais.

PECADOS CAPITAIS – No entanto, Alexandre de Moraes não soube resistir à tentação da maioria dos pecados capitais, que eram oito e agora são sete – soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e preguiça. O oitavo era a melancolia, que deixou ser pecado quando se percebeu que se tratava apenas da consequência altamente negativa da prática das sete iniquidades principais.

No caso de Moraes, ele pecou muito, não há dúvida. A primeira transgressão no campo da soberba foi abrir ilegalmente o inquérito das fake news, a pedido de Dias Toffoli, que junto com Gilmar Mendes tinha sido flagrado pela Receita Federal em sonegação de impostos nas declarações das respectivas mulheres. E com agravante de Toffoli receber mesada de R$ 100 mil da mulher, sem declarar o ganho.

Essa investigação irregular do Supremo tornou-se cada vez mais ilegal e ficou conhecida como “inquérito do fim do mundo”, um verdadeiro depósito de lixo jurídico, que incluiu a acusação ridícula ao bilionário Elon Musk, agora arquivada pelo arrependido Moraes.

NÃO ADIANTA MAIS – Todavia, não adianta mais o ministro se arrepender apenas de um dos pecados, tentando esquecer os demais, que são muito mais graves, como mandar prender 1,5 mil pessoas de uma só vez e classificá-las perversamente como “terroristas”, a pretexto de aumentar suas penas.

Da mesma forma, duplicou crimes que tinham de ser excluídos entre si e jamais poderiam ser somados, como “invasão de prédio público” e “depredação de patrimônio tombado”. Não satisfeito, fez o mesmo contorcionismo para somar as penas de “tentativa de golpe de Estado” e “abolição violenta do Estado Democrático de Direito”, porque ou se pratica um ou o outro.

Ainda não satisfeito em sua ira, condenou esses 1,5 mil falsos terroristas por “associação criminosa armada”, embora eles não se conhecessem entre si e nenhum deles empunhasse uma arma…

PECANDO ADOIDADO – Como diria Roberto Carlos, nesse jeito estúpido de ser, o ministro do Supremo continuou pecando adoidado. Nesta quinta-feira, por exemplo, prendeu na Papuninha cinco coronéis da PM do Distrito Federal, para cumprirem 16 anos de cadeia, por terem “se omitido” na repressão ao 8 de Janeiro, embora apenas um deles estivesse de serviço naquele domingo.

O pior é que, entre eles, Moraes condenou o coronel Jorge Barreto Naime que estava de férias e, ao saber do ocorrido, prontamente se dirigiu à Praça dos Três Poderes, para enfrentar os “terroristas”. Se estivesse de férias em Copacabana, não teria sido preso e perdido o cargo.

Essas tresloucadas decisões do relator foram aceitas e confirmadas pelos outros ministros da Primeira Turma: Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Luiz Fux, que somente se arrependeu ao julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro, quando apresentou um voto tardio pela “inocência” dele, com 429 páginas.

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P.S.
Fux demorou demais para se arrepender, mandou muitos inocentes para a cadeia. Havia manifestantes que não invadiram nenhum prédio nem depredaram nada, inclusive idosos e pessoas doentes, porém os irresponsáveis ministros da Primeira Turma não fizeram nenhuma distinção, comportando-se como se fosse um julgamento coletivo, prática que é mais um pecado grave, porque a Constituição proíbe. Nesta quinta-feira, mais um pecado do Supremo, ao ordenar busca e apreensão na casa do jornalista que denunciou irregularidades de Flávio Dino. Mas quem se interessa? (C.N.)

TCU investiga presidente do IBGE por suspeita de manipulação do PBI e da inflação

Nota de R$ 200 vai facilitar a corrupção, diz procurador do Ministério  Público junto ao TCU - CB Poder |

Procurador Júlio Marcelo pediu a investigação no IBGE

Eduardo Brito
Jornal de Brasília

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu ao Tribunal de Contas da União o afastamento do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann (foto). Os resultados da auditoria já foram enviados ao relator, ministro-substituto Marcos Bemquerer Costa.

Como justificativa, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira alega risco de uso político dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) em ano eleitoral, situação que “impõe aos dirigentes de instituições técnicas o dever reforçado de cautela, autocontenção e respeito absoluto à autonomia científica, de modo a prevenir qualquer forma de instrumentalização política das estatísticas oficiais”.

DANO POTENCIAL – “O descrédito nas estatísticas oficiais — notadamente no cálculo do PIB e nos índices de inflação — possui elevado potencial de causar dano ao erário”, argumenta, apontando ainda que tal descrédito “já deve estar ocorrendo em alguma medida”.

Economista ligado às ideologias de esquerda, Pochmann escolheu a sede do Sindicato Nacional dos Servidores do IBGE para tomar posse, sob a promessa de que seu mandato daria voz aos técnicos. A principal reivindicação, porém, não foi cumprida.

Os servidores pediram um congresso institucional aos moldes do que ocorre na Fundação Getúlio Vargas (FGV), mas o presidente entregou o que chamou de “Diálogos IBGE”. Na esteira do projeto, Pochmann alegou que havia, ali, a sugestão dos servidores para a criação da Fundação IBGE+, que captaria recursos da iniciativa privada para novos projetos.

POCHMANN MENTIU – O sindicato, no entanto, contesta. A categoria alega que revisou toda a documentação do projeto, e nada foi encontrado sobre a iniciativa. Ou seja, os técnicos do Instituto não aprovaram a proposta de criação do IBGE+;

Em meio à crise, o IBGE+ foi extinto por determinação do TCU. O Ministério Público de Contas alega que só é possível criar esse tipo de fundação por meio de lei.

Mas não foi o que ocorreu. Pochmann foi diretamente a um cartório no Rio de Janeiro e abriu o novo órgão.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA crise é da maior gravidade e acontece justamente quando Pochmann, completamente desprestigiado e desprezado pelo corpo técnico, anuncia que a inflação acumulada no Brasil recuou para 3,81% em 12 meses, ficando abaixo da marca de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. Como diz Délcio Lima, essa bagaça não vai dar certo. (C.N.)

Operador de Vorcaro movimentou R$ 99 milhões e fez repasses sob suspeita

Moraes persegue jornalista que denunciou irregularidades de Flávio Dino

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou a  realização de busca e apreensão na casa do jornalista maranhense Luís Pablo  Conceição Almeida, conhecido como Luís Pablo. A decisão incluiu

Reprodução do Arquivo Google

Felipe Gelani
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a realização de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, responsável pelo site Blog do Luís Pablo. A medida foi solicitada pela Polícia Federal (PF) no âmbito de investigação que apura suposto crime de perseguição contra o ministro da Corte Flávio Dino.

A decisão foi assinada em 4 de março e autorizou buscas pessoais e domiciliares contra o jornalista em endereços ligados a ele em São Luís (MA). Segundo o despacho, há indícios de que as publicações feitas pelo blog e em redes sociais possam configurar o crime de perseguição, previsto no artigo 147-A do Código Penal.

COM A FAMÍLIA – De acordo com a representação da PF, reportagens publicadas em novembro de 2025 teriam divulgado informações sobre um veículo utilizado por Dino e sua família no Maranhão. Para os investigadores, o conteúdo indicaria possível monitoramento do automóvel e acesso a dados sensíveis relacionados à segurança da autoridade.

A polícia citou ao menos três textos publicados no site do jornalista, além de conteúdos divulgados em sua conta no Instagram. Em uma das reportagens, o blog afirmou que um carro blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão estaria sendo utilizado por familiares do ministro em deslocamentos particulares na capital maranhense.

Na decisão, Moraes afirmou que as publicações podem indicar que o autor “se valeu de algum mecanismo estatal para identificação e caracterização dos veículos empregados”, o que, segundo o ministro, teria permitido a exposição indevida de informações relacionadas à segurança de uma autoridade do STF.

DANOS PSICOLÓGICOS – Para o magistrado, os elementos reunidos até o momento apontam que o investigado pode ter realizado monitoramento e vigilância do veículo utilizado por Dino, além de divulgar dados que poderiam afetar a integridade física ou psicológica da vítima. Moraes também mencionou a possibilidade de participação de outras pessoas na obtenção das informações.

Com base nesses indícios, o ministro autorizou a apreensão de celulares, computadores, tablets, documentos e outros dispositivos eletrônicos que possam auxiliar na investigação. A decisão também permite a análise do conteúdo armazenado nos aparelhos, inclusive dados guardados em serviços de armazenamento em nuvem.

A ordem prevê ainda a coleta e preservação das publicações feitas pelo jornalista na internet e em redes sociais, que deverão ser analisadas pela Polícia Federal. O material apreendido será submetido a perícia, e a PF deverá apresentar relatório parcial das diligências no prazo de até 30 dias.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa “Ditadura do Supremo” se julga acima da lei e da ordem.  O artigo 147-A proíbe “perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”. O jornalista não fez nada disso, apenas noticiou que parentes do ministro Flávio Dino estavam usando o carro blindado que o Tribunal maranhense deixa indevidamente à disposição da família dele, o que é ilegal e moralmente inadmissível. Portanto, Alexandre de Moraes e Flávio Dino são ministros com alma de ditadores, e a Polícia Federal certamente tem mais o que fazer. Apenas isso. (C.N.)

Em pânico, o STF não consegue achar uma saída para o escândalo do Master

Blindagem do Supremo. Charge de Marcelo Martinez para a newsletter desta  sexta-feira (5). #meio #charge #stf #blindagem

Charge do Marcelo Martinez (Arquivo Google)

Rafael Moraes Moura
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tem consumido boa parte de seu tempo em reuniões internas e conversas reservadas com os ministros da Corte para tentar encontrar formas de tirar o tribunal das cordas e diminuir o impacto do escândalo do Banco Master.

Enquanto procura conseguir consenso em torno de uma reação, Fachin tem externado sua maior preocupação sobre os efeitos das investigações: transformar o Supremo em pauta central do processo eleitoral.

BANCADA DE DIREITA – O receio é de que o caso contamine a eleição para o Senado Federal, que terá ⅔ das cadeiras renovadas no pleito de outubro, e impulsione a eleição de uma forte e influente bancada de direita, com a aprovação de impeachment de integrantes da Corte como pauta prioritária.

Para Fachin, a melhor resposta à crise seria a implantação de um Código de Ética como resposta para a crise. A ministra Cármen Lúcia foi designada para assumir a relatoria da proposta há mais de um mês e até agora nem sequer uma reunião entre os ministros foi realizada.

A inspiração de Fachin é o código da suprema corte alemã, que divulga em seu site o quanto os juízes receberam por palestras e participações em eventos, um tema considerado tabu dentro do STF.

RESPEITAR LIMITES – Um dos poucos ministros que divulga diariamente a sua agenda de compromissos, Fachin não é entusiasta de fóruns patrocinados por empresários e já disse que “comedimento e compostura são deveres éticos” e que “abdicar dos limites é um convite para pular no abismo institucional”.

Um dos exemplos negativos é do IDP, instituto ligado ao ministro Gilmar Mendes, organiza todos os anos o “Gilmarpalooza”, em Lisboa, reunindo empresários, políticos e ministros na capital portuguesa numa programação oficial marcada por painéis de discussão – e uma agenda paralela de eventos marcados por lobbies e jantares em terraços de hotéis longe dos olhos da opinião pública.

Em dezembro, o ministro Gilmar Mendes deu uma polêmica decisão que escancarou o temor do Supremo com o avanço de pedidos de impeachment contra magistrados.

BLINDAGEM – A decisão esvaziava o poder de parlamentares e de cidadãos comuns de pedirem a cassação de magistrados, deixando essa prerrogativa apenas nas mãos da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Com o aval da PGR, Gilmar suspendeu um trecho de uma lei de 1950 que previa que é “permitido a todo cidadão denunciar perante o Senado, os ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, pelos crimes de responsabilidade que cometeram”.

Em sua decisão, Gilmar afirmou que “a intimidação do Poder Judiciário por meio do impeachment abusivo cria um ambiente de insegurança jurídica, buscando o enfraquecimento desse poder, o que, ao final, pode abalar a sua capacidade de atuação”.

54 VOTOS – Após forte pressão da opinião pública e do Congresso, Gilmar voltou atrás nesse ponto, mas manteve um outro trecho da decisão em que determinava que são exigidos 54 votos para abrir um pedido de impeachment contra ministros do STF, e não mais maioria simples.

À época, a decisão de Gilmar foi interpretada nos bastidores da Corte como uma espécie de vacina para as eleições de outubro deste ano, quando aliados de Jair Bolsonaro planejam formar maioria no Senado e desengavetar os mais de 70 pedidos de impeachment contra ministros do STF que aguardam análise do plenário.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSe não for referendada pelo plenário, a decisão de Gilmar Mendes tem o mesmo valor das explicações do casal Alexandre e Viviane de Moraes, que não valem absolutamente nada. (C.N.)

Ciro Nogueira cobra que Flávio Bolsonaro prove que pode governar “para o país”

Presidente do PP falou que tem até agosto para definir apoio

Lauriberto Pompeu
O Globo

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), declarou nesta quarta-feira que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, precisa demonstrar que não vai “governar para a bolha” antes de a federação que deve ser formada entre PP e União Brasil decidir pelo apoio a ele.

“O senador Flávio é um querido amigo meu e do Rueda, mas vai depender muito mais dele demonstrar que vem para unificar o país, que vai fazer algo diferente do que aí está. Ele não pode ser um novo Lula, que vai governar apenas para a bolha dele, tem que ser uma pessoa que vai governar para o país”, declarou em um evento em Brasília.

ANÚNCIO PÚBLICO – Flávio tem disputado a liderança das pesquisas de intenção de voto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda não conseguiu o anúncio público de apoio de nenhuma legenda além do PL.

PP, União Brasil, Republicanos e PSD articulavam uma candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas o plano foi cancelado após o ex-presidente Jair Bolsonaro não endossar a estratégia e preferir lançar o filho. Agora as legendas não descartam o apoio a Flávio, mas ainda estão em negociações para decidir se embarcarão no projeto presidencial do PL.

PRAZO – Nogueira mencionou como prazo o período das convenções eleitorais, que começa em julho e termina no início de agosto e é quando os partidos oficialmente vão tomar suas decisões.

“Nós vamos ter até as convenções, que são em agosto, para fazer essa avaliação. Não é o mais importante para gente essa questão de vice (de Flávio), é muito mais importante alguém que venha construir um projeto para o nosso país e que possa nos levar a vitória do que apenas fazer parte de uma chapa majoritária”, afirmou.

PONTO PACÍFICO – Ciro também disse que a federação não apoiará Lula: “Nós não vamos estar, pelo menos é a minha visão, com o atual presidente. Isso já é um ponto pacífico para todos nós”. Presente no mesmo evento, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, disse que o foco das legendas é amarrar acordos que garantam uma grande bancada de parlamentares no Congresso.

“A gente está muito voltado para os palanques estaduais, esse é o foco inicial da gente. A gente buscou essa federação, lógico, inicialmente pensando em uma candidatura presidencial e sempre estar participando de uma chapa majoritária em nível nacional, mas queria resguardar esse momento para que a gente poupasse toda a nossa energia para a gente fazer uma grande bancada no Congresso”, finalizou.