Após condenações pelo golpe, candidaturas de militares e policiais caem 36%

Pesquisa evidencia que Flávio não subiu, porém desta vez foi Lula que despencou

Charge da Semana – Pesquisa eleitoral 2022 - Jornal A Estância de Guarujá

Charge do Babu (A Estância de Guarujá)

Bianca Gomes
Estadão

A última rodada da pesquisa Quaest registra que o  presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) continuam à frente dos demais candidatos na primeira etapa da disputa, registrando 36% e 29% das menções, respectivamente. No segundo turno, os dois estão empatados, cada um com 41% das intenções de voto.

No primeiro turno da pesquisa divulgada na semana passada, portanto antes dos embates entre os ministros da Corte André Mendonça e Alexandre de Moraes, Lula tinha 37% das intenções de voto, contra 30% de Flávio. Ou seja, ambos oscilaram para baixo, na margem de erro.

Já no cenário de segundo turno, o petista aparecia com 42%, ante 41% do bolsonarista. Agora, a diferença entre os dois no segundo turno é inexistente, o que não acontecia desde março, quando ambos também apareciam no mesmo patamar numérico.

EM PLENA CRISE – O levantamento da Quaest foi realizado entre quinta-feira, 3, e domingo, 6 de setembro, ou seja, em meio à crise que se instalou no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os dados do primeiro turno referem-se à simulação que inclui o ex-coach Pablo Marçal (PRTB), que registrou candidatura, mas está inelegível.

Na pesquisa divulgada neste feriado de 7 de Setembro, o candidato Augusto Cury (Avante) tem 8% dos votos, Pablo Marçal tem 1% de menções. Renan Santos (Missão) aparece com 3%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) tem 3%, Romeu Zema (Novo), 2%, e Samara Martins (UP), 1%. Os demais nomes não pontuaram. Nesse cenário, os indecisos são 9%, e os votos brancos ou nulos, 8%.

NA ESPONTÂNEA – A Quaest fez 2.004 entrevistas a domicílio com brasileiros de 16 anos ou mais entre os dias 3 e 6 de setembro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, e o nível de confiança, de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01720/2026.

Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado não tem acesso a uma lista com os nomes dos candidatos, Lula registra 28% de menções, seguido por Flávio, com 20%, e Cury, com 4%. Outros nomes somam 5%. Os indecisos na espontânea são 42%, e 1% votará branco ou nulo.

Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente tem 41% das intenções de voto, e o senador, 41%. Nesse cenário, indecisos representam 5%, enquanto 13% que votarão branco ou nulo ou não irão votar.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando a eleição se aproxima, as pesquisas têm de ser mais acertadas, para que os institutso não se desmoralizem. Nas próximas pesquisas, Lula continuará caindo e sua rejeição subindo. Nas minhas pesquisas pessoais, feitas com motoristas de taxi e de uber, ninguém aguenta mais Lula, somente os fanáticos. Em tradução simultânea, pode ser que Lula seja derrotado, mas por enquanto ninguém pode garantir. (C.N.).

Nem Moraes, nem Mendonça: crise no STF exige investigação sem blindagens

O voto de Cármen Lúcia pode decidir o futuro de Alexandre de Moraes no Supremo

PL leva guerra contra Lula ao TSE e tenta transformar eleição em batalha judicial

PT pede inelegibilidade de Nikolas e leva à Justiça o caso de suposto documento falso

“Supremo e os 9” é uma crise pode derrubar Moraes ou Mendonça, diz pesquisador

Charge do Miguel Paiva (Brasil 247)

Deu na CNN

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) atingiu um nível tão grave que o debate já não é mais sobre os desdobramentos das acusações, mas sim sobre quem conseguirá sobreviver politicamente ao conflito. A avaliação é de Felipe Recondo, jornalista e pesquisador do STF, ao WW.

Segundo Recondo, diante do volume e da gravidade das suspeitas que pesam sobre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, torna-se cada vez mais difícil imaginar que ambos permaneçam no Tribunal ao final desse processo. “Começo a apostar no Supremo e os 9”, afirmou, em referência à possibilidade de que um dos ministros não sobreviva à crise.

ACUSAÇÕES – Recondo destacou que é preciso separar dois conjuntos distintos de suspeitas. De um lado, estão as acusações contra Alexandre de Moraes, que envolvem seu suposto relacionamento com Daniel Vorcaro, o contrato da esposa do ministro, além de ligações, mensagens e uso de cartão de crédito. Do outro, há a acusação de que André Mendonça teria utilizado a Polícia Federal para direcionar investigações contra colegas.

O pesquisador ressaltou que essa segunda acusação tem origem em um relatório produzido por uma parte da Polícia Federal que, segundo ele, estaria “em guerra” com Mendonça. Ainda assim, Recondo foi enfático: “Sendo isso verdade, é também grave.”

Para ele, se fosse estabelecido como prática que um ministro pode usar delegados para conduzir investigações direcionadas contra colegas, as consequências seriam “extremamente graves” para o funcionamento das instituições.

NOVOS RUMOS –  Recondo também apontou que o desfecho da crise pode estar atrelado ao processo eleitoral. “A depender do processo eleitoral e do Senado no ano que vem, nós tenhamos algum tipo de consequência para essa ruptura que existe hoje dentro do Supremo”, disse.

Para ele, a situação é “sem precedentes” e ainda aguarda respostas formais dos envolvidos, além de eventuais medidas adicionais para tentar contornar o impasse.

“Nós estamos diante de acusações e suspeitas de lado a lado, que talvez nos levem a pensar quem é que sobrevive ao final desse processo, ou Alexandre de Moraes ou André Mendonça”, concluiu Recondo, reforçando que suas análises foram feitas no calor dos acontecimentos, sem que as respostas definitivas dos ministros envolvidos ainda tivessem sido apresentadas.

Setembro pode ser decisivo para a crise que tomou conta do STF

No 7 de Setembro, Tarcísio deixa desfile militar e vai ao culto com Flávio Bolsonaro

Um lamento sertanejo muito realista, na inspiração de Gil e Dominguinhos

Tribuna da Internet | O comovente lamento do sertanejo, na visão de Gil e  Dominguinhos

Dominguinhos e Gil, parceiros e grandes amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, compositor, político e escritor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, o famoso Gilberto Gil, e seu parceiro Dominguinhos (1941-2013) fizeram a letra de “Lamento Sertanejo” de uma maneira bem realista. Eles se inspiraram na vida de tantos que partem do interior do país à procura de oportunidades melhores e, ao chegarem na cidade grande, deparam-se com uma realidade bem diferente daquela conhecida em suas vidas.

A música foi gravada por Gilberto Gil no LP Refazenda, em 1975, pela Warner, e fez enorme sucesso.

LAMENTO SERTANEJO
Dominguinhos e Gilberto Gil

Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado,
Lá do interior do mato,
Da caatinga e do roçado,
Eu quase não saio,
Eu quase não tenho amigo.
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade
Sem viver contrariado.

Por ser de lá,
Na certa, por isso mesmo,
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão, boiada
Caminhando a esmo…

Lula e Flávio disputam o voto do trabalhador com projetos diferentes de país

Eleição promete ser decidida no confronto

Míriam Leitão
O Globo

Os eleitores dizem que o mais importante para decidir seu voto são as propostas: 45% apontam esse fator como decisivo à pesquisa Quaest. A ideologia do candidato é determinante para apenas 17% dos entrevistados, enquanto 14% avaliam o desempenho na televisão.

A questão é que esta campanha presidencial não deverá ser marcada pelas propostas, mas por uma disputa de ideias e, sobretudo, por um embate entre os candidatos.

REDUÇÃO DE JORNADA – No caso do trabalho, por exemplo, a proposta de Lula é a redução da jornada, com tudo o que isso significa em termos de aumento de conforto e qualidade de vida para os trabalhadores. Essa medida, no entanto, beneficia diretamente quem tem carteira assinada, que é apenas um segmento do mercado de trabalho.

Flávio Bolsonaro tem defendido o trabalho por hora, o que, a rigor, não representa uma novidade, pois essa modalidade já foi prevista na Reforma Trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer. O candidato do PL, porém, insiste nesse ponto numa tentativa de captar e consolidar o voto entre trabalhadores de aplicativos, que em muitos casos são remunerados por hora, além de uma parcela da juventude e dos trabalhadores por conta própria.

Como o mercado de trabalho brasileiro é muito heterogêneo e a redução da jornada é um benefício garantido principalmente aos trabalhadores formais, os informais, que representam uma parcela expressiva da força de trabalho, não seriam diretamente beneficiados pela medida.

No Brasil, a República já está à venda, sob o olhar perplexo de sua população

Tribuna da Internet | Brasil, o inverso de Singapura, exalta a democracia,  mas tolera a corrupção

Charge do Nani (nanihumor.com)

Marcus André Melo
Folha

“Urbem venalem et mature perituram, si emptorem invenerit’ (uma cidade à venda e condenada a perecer rapidamente, caso encontrasse um comprador). A frase, atribuída por Salústio a Jugurta, rei da Numídia, depois de ter corrompido senadores, diplomatas e tribunos da plebe, tornou-se a expressão máxima da corrupção política. Evoca não apenas a compra de autoridades, mas o colapso de uma República.

Jugurta concluiu que Roma estava à venda. No Brasil, a pergunta já não é apenas quem tentou comprar a República, mas quem se dispôs a negociar com o comprador — e quem utiliza o poder de julgar para impedir que saibamos a resposta. E é com isso que estamos nos deparando nos contra-ataques diversionistas disparados a toque de caixa.

FALSAS EQUIVALÊNCIAS – A estratégia parece clara: criar falsas equivalências. A que ponto chegamos? E como chegamos a esse ponto?

Crises de corrupção em cortes supremas são eventos raros. Quando alcançam a cúpula do Judiciário, abalam justamente a instituição encarregada de arbitrar os conflitos e impor limites aos demais Poderes. A crise é gravíssima.

Há, nesta crise, duas questões entrelaçadas. De um lado, a defesa da democracia e os abusos cometidos em seu nome. De outro, os desvios de conduta de ministros e a preservação do Supremo como instituição. No primeiro caso, a defesa da democracia converteu-se também em manto protetor dos abusos. No segundo, a defesa da corte passou a ser confundida com a blindagem de seus integrantes. A reconstrução institucional exige necessariamente separar essas duas ordens de questões.

TUMULTO PROPOSITAL – A estratégia defensiva dos envolvidos consiste justamente no contrário: reforçar deliberadamente sua confusão, como se investigar abusos significasse atacar a democracia e responsabilizar ministros significasse destruir o Supremo.

Problemas de desenho institucional pioram o quadro, mas os desvios são de ministros. A jurisdição criminal do Supremo, decisões monocráticas e estratégias processuais ativistas de seus ministros (processos colocados ou retirados da gaveta, acelerados ou paralisados com propósitos negociais e políticos) criam incentivos perversos.

Mas os desvios são individuais. A reforma da corte não os elimina. O ativismo processual voltado para autopreservação e autoblindagem confere ao caso uma gravidade sem paralelo. Contra-atacar com base no inquérito do fim do mundo assume contornos de escárnio e o clamor público que gerou é alvissareiro.

ESTAVA ESCRITO – A crise já estava escrita na pedra havia meses. Sabia-se que o protagonista do maior escândalo financeiro brasileiro que ameaçou com sicários jornalistas investigativos — manteve contatos nas horas que antecederam sua prisão com seu “consigliere”. Como no caso do ministro Toffoli, o procurador-geral da Repúblicatoma decisões de autoproteção. O problema, portanto, não nasce nesta semana nem depende das intenções do relator. O que emergiu foi a dimensão documental de relações cuja simples existência já deveria ter provocado respostas institucionais urgentes.

Uma República à venda. É isto que a sociedade observa perplexa. Mas o que está também sob escrutínio público é a resposta institucional da corte a sua degradação em virtude de ilícitos individuais.

Após campanha desencontrada, Flávio volta às origens e mira a direita bolsonarista

Corrupção e democracia ganham maior destaque na decisão dos eleitores em 2026

Charge do Duke (Instagram)

Pedro do Coutto

A eleição presidencial de 2026 começa a revelar, para além da disputa entre nomes e partidos, quais serão os critérios capazes de definir o voto de uma parcela decisiva do eleitorado. Pesquisa Quaest divulgada neste domingo (6) mostra que a ausência de envolvimento em casos de corrupção e o compromisso com a defesa da democracia estão entre os fatores de maior peso na escolha do próximo presidente da República. ,

O resultado ajuda a explicar por que a campanha que se aproxima tende a ser travada não apenas no terreno tradicional da economia, da segurança pública e dos programas sociais, mas também em torno de uma questão mais profunda: em quem o eleitor acredita ser possível confiar para exercer o poder.

LUGAR CENTRAL – A corrupção volta, assim, a ocupar um lugar central no imaginário político brasileiro. Não se trata de uma novidade absoluta. Poucos temas foram tão decisivos nas últimas décadas para destruir reputações, impulsionar candidaturas e reorganizar forças políticas. A diferença é que, depois de anos de polarização extrema, o tema reaparece num ambiente em que praticamente todos os grandes campos políticos carregam desgastes, contradições ou questionamentos.

Isso torna a exigência do eleitor potencialmente mais ampla: não basta denunciar a corrupção do adversário; será preciso convencer que se está disposto a submeter o próprio grupo aos mesmos critérios de investigação, transparência e responsabilização.

É nesse ponto que a pesquisa contém uma advertência importante para a política brasileira. O combate à corrupção pode ser uma bandeira democrática, mas também pode ser transformado em instrumento de manipulação. A experiência recente do país mostrou como denúncias legítimas podem coexistir com espetacularização, seletividade e exploração eleitoral da indignação pública. Para o eleitor de 2026, portanto, a diferença poderá estar menos no político que simplesmente grita mais alto contra a corrupção e mais naquele que apresenta coerência entre discurso e comportamento.

SEQUÊNCIA DE CRISES – A defesa da democracia, outro fator que aparece com grande peso, acrescenta uma dimensão ainda mais significativa à eleição. O Brasil chega a 2026 depois de uma sequência de crises institucionais que colocou no centro do debate a relação entre eleições, respeito ao resultado das urnas, funcionamento das instituições e limites da ação política. Não por acaso, pesquisas anteriores já vinham identificando o crescimento da preocupação com ameaças à democracia como critério de avaliação e rejeição de lideranças políticas.

Esse dado é particularmente relevante porque desmonta uma leitura simplista segundo a qual a democracia seria uma preocupação restrita a especialistas, instituições ou setores politicamente engajados. Quando a preservação democrática entra na conta do eleitor, ela passa a ser uma questão eleitoral concreta. O candidato não será avaliado apenas pelo que promete fazer com o poder, mas também pela forma como demonstra que pretende exercê-lo e, sobretudo, pelos limites que aceita respeitar quando contrariado.

Há, naturalmente, uma contradição que desafia os candidatos. A polarização produz um eleitorado disposto a defender valores democráticos, mas também alimenta a tentação de relativizar esses mesmos valores quando a ameaça vem do próprio campo político. A democracia, porém, não se prova apenas quando protege aliados. Ela se prova justamente na disposição de aceitar regras, instituições e direitos mesmo quando beneficiam adversários. Esse será um dos testes mais difíceis para os discursos de 2026.

DISPUTA ACIRRADA – O cenário eleitoral recente torna essa discussão ainda mais relevante. A disputa pela Presidência permanece acirrada, com diferentes levantamentos indicando forte polarização e, em alguns cenários, margens muito estreitas entre os principais concorrentes. A própria Quaest divulgada nos últimos dias mostrou uma corrida competitiva, com grande contingente de eleitores ainda sujeito à influência dos acontecimentos e do desempenho das campanhas.

É justamente nesse espaço que corrupção e democracia podem ganhar importância decisiva. Em eleições altamente polarizadas, os candidatos normalmente preservam núcleos fiéis de apoio, mas precisam disputar o eleitor menos ideológico, aquele que não se identifica integralmente com nenhum dos polos e que tende a fazer uma avaliação mais pragmática e moral dos concorrentes. Para esse segmento, uma nova denúncia, uma investigação mal explicada, uma contradição ou um comportamento considerado autoritário pode custar votos suficientes para alterar o resultado.

A pesquisa também deve ser lida como um recado às campanhas que apostam exclusivamente na guerra cultural e na mobilização das paixões políticas. O eleitor pode continuar preocupado com emprego, inflação, saúde, segurança e renda — temas que não desaparecem de uma eleição presidencial —, mas está sinalizando que deseja respostas para outra questão: quem merece receber poder sem representar um risco para o patrimônio público e para as regras do jogo democrático?

DESCONFIANÇA – Não existe resposta fácil. A desconfiança nas instituições e nos políticos não será resolvida por slogans sobre honestidade nem por declarações genéricas em defesa da democracia. O combate à corrupção exige mecanismos concretos de transparência, prevenção e investigação. A defesa democrática exige respeito efetivo à Constituição, às eleições, à liberdade de expressão, ao devido processo legal e à separação dos Poderes. Organizações dedicadas ao acompanhamento da corrupção, como a Transparência Internacional – Brasil, têm insistido justamente na importância de transformar compromissos genéricos em medidas verificáveis e políticas públicas concretas.

A eleição de 2026, portanto, poderá ser decidida também por uma disputa de credibilidade. O eleitor parece menos disposto a conceder um cheque em branco e mais interessado em saber o que cada candidato representa quando a propaganda termina e o poder começa. Corrupção e democracia não são temas abstratos: a primeira trata do uso privado de recursos e estruturas que deveriam servir ao interesse público; a segunda estabelece os limites para que ninguém se considere acima das regras.

Quem compreender essa mudança terá uma vantagem importante na campanha. Quem imaginar que bastará acusar o adversário de corrupto ou inimigo da democracia, sem responder às próprias contradições, poderá descobrir tarde demais que o eleitor está cobrando algo mais difícil: coerência. E, numa eleição em que a confiança se torna um dos principais ativos políticos, talvez seja justamente ela, muito mais do que uma promessa de campanha, que venha a decidir quem terá a chave do Palácio do Planalto.

Mendonça se adianta e pede julgamento do parecer da PF que envolve Moraes com Vorcaro

Entenda o avanço da crise entre Moraes e Mendonça no STF dia a dia

Mendonça larga na frente e coloca logo as cartas na mesa…

Luísa Martins e Guilherme Pimenta
Folha

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), liberou para julgamento o relatório da Polícia Federal que aponta elo entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso devido às investigações de fraude à frente do Banco Master. Agora, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, decidir quando o pedido de investigação será analisado.

A decisão de Mendonça de liberar o processo para julgamento foi publicada neste domingo (6), às 15h04. Não há um pedido de data para que o relatório vá a julgamento.

SEM SIGILO – Na terça-feira (1º), André Mendonça, que é relator do caso Master, retirou o sigilo do relatório da PF que mostrava diálogos de Alexandre de Moraes e o banqueiro, incluindo uma mensagem na qual o banqueiro pergunta se deveria deixar o país, às vésperas de ser preso, em 2025. Não há informações sobre qual foi a resposta do ministro do Supremo.

O relatório contra Moraes deflagrou uma crise interna no STF. O ministro contra-atacou e pediu uma investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das fake news, alegando que houve abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade por parte de Mendonça no pedido de investigação.

No entanto, Fachin não somente retirou do inquérito das fake news o pedido de abertura de investigação feito por Alexandre de Moraes contra André Mendonça, como também defendeu o fim desse inquérito, aberto ainda em 2019 por determinação do então presidente Dias Toffoli.

INFORMAÇÕES – Na quinta-feira, Fachin na última semana determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações sobre o relatório da Polícia Federal a respeito dos diálogos com Vorcaro. O prazo acaba sexta-feira, dia 11.

As informações coletadas pela PF sob posse de Mendonça mostraram também que Moraes fez edições no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, antes de o documento ser assinado.

Apesar de já ter se manifestado pela nulidade do relatório das conversas entre Vorcaro e Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também ganhou prazo da confirmar se acha mesmo que Mendonça “se valeu da polícia” para “impor a investigação” do ministro, exercendo “atividades que não lhe foram assinaladas”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A situação não está nada boa também para Gonet, que é citado pela PF como íntimo de Vorcaro, a quem pedia favores. No sábado, a ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) requereu que Paulo Gonet se declare impedido de atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master, já que ele também é citado nos diálogos entre Vorcaro, Moraes e interlocutores. Esse posicionamento mostra que a Polícia Federal constatou mesmo que Gonet está envolvido com Vorcado. (C.N.)

Presidenciáveis fazem promessas irrealizáveis, sem indicar como pretendem fechar as contas

Desesperado, Moraes tem “chance zero” de escapar do pedido de impeachment

Troca de relator no caso Master é positiva, diz presidente da ADPF à CNN |  CNN Brasil

Felix de Paiva, da ADPF, preocupa-se com a investigação

Carlos Newton

As provas vão surgindo e se acumulando contra o ministro Alexandre de Moraes, que a cada dia vai ficando em pior situação e já passou a ter “chance zero” de evitar o pedido de impeachment, porque até mesmo seus maiores aliados no Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, não têm a menor condição de defendê-lo.

Atingido por acusações de corrupção tão graves quanto os crimes de Moraes, o amigo Toffoli está impedido pelo plenário de opinar sobre o caso Marques, por ser um dos investigados. Seu futuro é igual ao de Moraes – o impeachment, e a única dúvida é saber quem vai primeiro.

GILMAR FRACASSOU – O experiente ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo, é o maior aliado de Moraes, e até tentou protege-lo, alegando que o ministro André Mendonça estaria infringindo as regras do STF, uma prática que tem o próprio Gilmar como maior especialista, mas a manobra fracassou.

Essa tentativa de tumultuar a questão e salvar Moraes esbarrou na posição firme do presidente Édson Fachin, que insistiu em levar a questão ao plenário, e Gilmar também ficou sem ação.

Para não demonstrar ter desistido de apoiar Moraes, o decano Gilmar então apresentou uma proposta para proibir a atuação de policiais federais nos gabinetes dos ministros, mas isso não resolve nada para Moraes. Pelo contrário, serve apenas para demonstrar à Polícia Federal que é preciso moralizar o Supremo, a qualquer custo.

REVOLTA DOS DELEGADOS – A situação de Moraes se agravou muito no sábado, devido ao posicionamento firme da Associação dos Delegados da Polícia Federal, que enviou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma interpelação para que ele se declare impedido de participar com caso do Banco Master, por ter-se envolvido com o banqueiro Daniel Vorcaro.

No mesmo documento, a ADPF, que reúne quase 2 mil delegados federais, exige “que os fatos que vieram à tona pela operação Compliance Zero sejam apurados em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas“.

Acho que o episódio pode ser chamado de “A Revolta dos Delegados”, um fato inusitado e auspicioso, a demonstrar que ainda há autoridades no Brasil que não compactuam com o crime e a corrupção.

###
P.S. 1
Em tradução simultânea, os policiais federais sabem a extensão do envolvimento de autoridades como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, atual diretor da PT, cuja namorada, a jornalista e lobista Renata Varandas, também está sendo investigado por sua ligação com Vorcaro.  

P.S. 2Assim, de antemão, os policiais federais já sabem muito bem quais foram as autoridades que agiram como milicianos e venderam proteção ao banqueiro Vorcaro. Se os ministros do Supremo tiverem juízo, vão enquadrar todos os envolvidos. Se não o fizerem, poderão agravar ainda mais a crise que emporcalha as instituições. (C.N.)

Flávio acusa Alcolumbre de engavetar o impeachment de Moraes e querer impichar Mendonça

Com R$ 3,4 milhões do PL, Michelle lidera corrida por recursos ao Senado no DF

Michelle lidera pesquisas de intenção de voto

Felipe Gelani
O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) recebeu R$ 3,448 milhões do Partido Liberal para sua campanha ao Senado pelo Distrito Federal, segundo dados da prestação de contas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com o repasse, ela passou a ter a maior receita entre os 13 candidatos que disputam as duas vagas disponíveis no DF.

O valor corresponde à primeira transferência registrada pela direção nacional do PL para a campanha de Michelle e representa cerca de 90% do limite de gastos estabelecido pela Justiça Eleitoral para cada candidatura ao Senado no Distrito Federal, de R$ 3,81 milhões.

SEGUNDO LUGAR – A segunda maior receita é da senadora Leila do Vôlei (PDT), que busca a reeleição. Ela declarou R$ 3,05 milhões, sendo R$ 3 milhões repassados pelo próprio partido e R$ 50 mil provenientes do PSOL.

Na terceira posição aparece a deputada federal Bia Kicis (PL), que recebeu R$ 2,048 milhões do partido para a campanha ao Senado. As duas integram a mesma chapa do PL na disputa pelas cadeiras do Distrito Federal.

VALORES MENORES – Os demais candidatos que já declararam receitas têm valores significativamente menores. Sebastião Coelho (Novo) informou R$ 201,2 mil, Marley (Avante), R$ 125 mil, e Zanata (PSTU), R$ 10 mil. Os outros concorrentes ainda não haviam registrado arrecadação no sistema da Justiça Eleitoral.

Até o início desta semana, não havia despesas registradas nas campanhas de Michelle e Bia Kicis no sistema do TSE. O volume de recursos destinado a Michelle ocorre em meio à liderança da ex-primeira-dama nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento da Quaest divulgado em 28 de agosto mostra Michelle com 25% das preferências para o Senado, à frente de Leila, com 17%, e da deputada federal Erika Kokay (PT), com 12%. Bia Kicis aparece com 9%.

Sem alternativa ao centro, eleição de 2026 se torna a “escolha do menos ruim”