
Produtora e deputado Mario Frias são alvos da ação
Andréia Sadi
G1
A Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10) em operação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Karina Gama, produtora do filme, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) são alvos da ação. Duas entidades de propriedade de Karina também têm buscas de agentes da PF: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
BUSCA E APREENSÃO – O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito era de São Paulo e foi avocado para o STF. A operação não tem mandados de prisão, apenas de busca e apreensão.
A operação desta quinta-feira foi deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) e foi batizada de “Make Up”. A investigação é sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, informou a PF.
Segundo a investigação, uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados teria direcionado recursos repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação de que os serviços foram efetivamente prestados.
MOVIMENTAÇÕES MILIONÁRIAS – A PF informa ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema e afirma que as tentativas de ocultar os desvios continuaram até julho deste ano. São investigados crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Há duas investigações em curso sob a supervisão de ministros do STF sobre o filme “Dark Horse”: o caso que está com Flávio Dino se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme.
Um outro inquérito, sob a relatoria de André Mendonça, examina os repasses feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro e o percurso desse dinheiro.
FINANCIAMENTO DO FILME – Em maio, o site The Intercept Brasil revelou uma troca de mensagens e um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, cobrava dinheiro do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair. De acordo com a reportagem, Vorcaro pagou ao menos R$ 61 milhões em 2025.
O dinheiro, de acordo com o site, foi transferido para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio.
DELAÇÃO HOMOLOGADA – Na quarta (9), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”.
Mineiro é dono da Entre Investimentos, a empresa que, a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fez repasses para o filme “Dark Horse”. O dinheiro foi pedido a Vorcaro por Flávio Bolsonaro.
A delação ou colaboração premiada é um meio de obtenção de provas nas investigações criminais. Nesse recurso, o investigado se dispõe a cooperar com o processo e a investigação. Em troca, o Estado pode dar benefícios a ele, como redução da pena em caso de condenação.
DINHEIRO VIVO – O empresário afirmou em sua delação — assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto — que era responsável por “gerar” dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. O dinheiro era entregue em malas e, segundo ele, seria usado para pagamentos de propina.
Mineiro disse ainda que fez sete repasses, a título de “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate nos Estados Unidos. As transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro de 2025, esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões.
A subscrição de cotas é um processo em que um fundo emite novas cotas para aumentar seu patrimônio, recebendo aporte de investidores. Os valores foram pedidos a Vorcaro por Flávio Bolsonaro.
“Entre o final de 2024 e início de 2025, Antonio Carlos foi contatado por Daniel Vorcaro, por WhatsApp, com a solicitação de envio de valores ao exterior por meio da subscrição de cotas desse fundo pela Entre Investimentos. Até esse momento, Antonio Carlos desconhecia o fundo em questão”, afirmou o empresário, segundo o blog apurou.
SETE TRANSAÇÕES – “A solicitação inicial de Daniel Vorcaro foi para o envio de cerca de US$ 24 milhões, que seriam operacionalizados em mais de dez subscrições, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026”, disse o empresário. No entanto, acabaram sendo feitas somente sete transações. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025.
Flávio Bolsonaro vinha afirmando que o último pagamento de Vorcaro havia sido em maio de 2025. O pagamento de setembro, no valor de US$ 1,666 milhão, contraria essa afirmação.
TRANSFERÊNCIAS – Mineiro entregou às autoridades os comprovantes das transferências para pagamento das subscrições de cotas e os e-mails que trocou com o responsável pelo fundo Havengate, Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA.
“No início de 2025, foi feito contato, por e-mail, com o gestor fiduciário do fundo, Paulo Calixto, para as formalizações necessárias, o que cumulou na assinatura de uma ‘Letter of Agreement’ [carta de compromisso] em janeiro de 2025, pela Entre Investimentos, prevendo mais de dez subscrições de cotas do Havengate Developmente Fund”, disse o dono da Entre.
PAGAMENTOS – “Um pouco antes de cada uma das demais subscrições previstas na ‘Letter of Agreement’, Daniel Vorcaro entrava em contato com Antonio Carlos, por WhatsApp, para que ele formalizasse a subscrição e fizesse o pagamento respectivo”, relatou o empresário.
Antonio Carlos afirmou que não tinha conhecimento do destino dos valores enviados ao fundo Havengate. A PF investiga se a totalidade do dinheiro foi usada no filme “Dark Horse”, como afirma Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se uma parte foi destinada para outros fins — como bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA.
DINHEIRO DAS BAHAMAS – Antonio Carlos também afirmou em seu acordo de delação que fez outros pagamentos no exterior, a mando de Vorcaro, por meio de sua empresa Entre Investiments and Arbitrage Ltd. — sediada em Nassau, nas Bahamas.
O empresário disse que, nesses casos, Vorcaro lhe enviava “invoices” (faturas) que deveriam ser pagas. Ele não detalhou quem eram os beneficiários desses pagamentos.
A reportagem apurou que uma das linhas de investigação da PF é se recursos que estavam em paraísos fiscais, como as Bahamas, também foram enviados ao fundo Havengate ou pessoas relacionadas a ele. Procurado, o advogado do delator, Marco Petrelluzzi, disse que não vai comentar o caso devido ao segredo de Justiça.
CONTAS DO FILME – A assessoria de Flávio Bolsonaro também foi questionada sobre os relatos do delator, e respondeu que as informações têm sido dadas pela produtora Go Up, que já apresentou as contas do filme.
A Go Up contratou uma auditoria particular que afirmou, em junho deste ano, que as contas de “Dark Horse” estão regulares — mas não tornou públicos os documentos, como as notas fiscais dos gastos do filme. Segundo essa auditoria particular, o filme custou R$ 75 milhões e foi bancado pelo fundo Havengate.






![Geraldo Vandré – Disparada / Canto Aberto – Vinyl (7", 33 ⅓ RPM), 1979 [r5868347] | Discogs](https://i.discogs.com/Ko_vcPaTK8GQ3886BrkKwTCquVEX5J0eTluJJEM5nXI/rs:fit/g:sm/q:90/h:600/w:583/czM6Ly9kaXNjb2dz/LWRhdGFiYXNlLWlt/YWdlcy9SLTU4Njgz/NDctMTc2NTkxNjQw/NS01MzA4LmpwZWc.jpeg)





