TSE decide que condenação por agressão contra mulher pode tornar candidato inelegível

Condenação por violência de gênero pode impedir candidatura

Mariana Muniz
O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que condenações por lesão corporal contra a mulher em razão do gênero podem tornar candidatos inelegíveis, mesmo que o crime não esteja expressamente previsto entre as hipóteses da Lei da Ficha Limpa. Por unanimidade, os ministros entenderam que esse tipo de violência pode ser enquadrado na categoria de crimes contra a vida, que impedem a candidatura de pessoas condenadas por decisão judicial colegiada.

O entendimento foi firmado durante o julgamento de um recurso apresentado por João Francisco de Assis Neto (Solidariedade), conhecido como Dr. João Neto, que pretendia disputar uma vaga de deputado federal por Alagoas nas eleições deste ano. O político teve o registro de candidatura negado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) após ser condenado por agredir a esposa. A decisão foi mantida pelo TSE.

APELO AO CONGRESSO – Além de confirmar a inelegibilidade, os ministros decidiram encaminhar um apelo ao Congresso Nacional para que a legislação passe a prever expressamente a proibição de candidaturas de pessoas condenadas por crimes de violência contra a mulher.

Relator do caso, o ministro Dias Toffoli argumentou que a decisão não representa a criação de uma nova hipótese de inelegibilidade, mas uma interpretação das regras já previstas na legislação eleitoral. Segundo ele, as alterações introduzidas pela Lei do Feminicídio, em 2024, aproximaram juridicamente os crimes de feminicídio e de lesão corporal praticada contra mulheres por razões de gênero.

A Lei da Ficha Limpa estabelece restrições à candidatura de pessoas condenadas por determinados crimes, entre eles aqueles cometidos contra a vida e a dignidade sexual. Para Toffoli, a proteção à integridade física das mulheres deve ser considerada na interpretação dessas hipóteses, independentemente da classificação formal do delito no Código Penal.

FEMINICÍDIO – A posição foi acompanhada pelos demais integrantes da Corte. Durante o julgamento, ministros destacaram que episódios de agressão física frequentemente antecedem casos mais graves de violência contra mulheres, incluindo o feminicídio.

O presidente do TSE, Nunes Marques, classificou a decisão como um momento histórico para a Justiça Eleitoral e ressaltou que o tribunal não estava assumindo uma função legislativa, mas interpretando as normas em vigor.

— Esse é um momento histórico para o TSE. Mas o que estamos a fazer nada mais é do que sempre ocorreu: a jurisprudência chegando à frente da norma — afirmou.

CONDENAÇÃO – João Neto foi condenado em 2025 pela Justiça de Alagoas a quatro anos e dois meses de prisão por lesão corporal contra a esposa. Segundo o processo, ele empurrou a mulher dentro de casa, quando ela estava descalça sobre um piso escorregadio. A vítima caiu, bateu o queixo no chão e sofreu um ferimento que exigiu intervenção cirúrgica.

A condenação foi confirmada por unanimidade pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas. Embora ainda existam recursos pendentes de julgamento, os ministros do TSE destacaram que a Lei da Ficha Limpa não exige uma condenação definitiva para a aplicação da inelegibilidade, sendo suficiente uma decisão de órgão colegiado.

A defesa sustentou que o crime de lesão corporal não está expressamente incluído entre as hipóteses de inelegibilidade discutidas no processo e que a legislação eleitoral não poderia ser interpretada de forma ampliativa para restringir direitos políticos. O argumento foi rejeitado pelo relator e pelos demais ministros, que mantiveram a decisão do tribunal regional.

MANIFESTAÇÃO – Durante o julgamento, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva propôs que o TSE encaminhasse uma manifestação formal às presidências da Câmara dos Deputados e do Senado para defender uma atualização da Lei de Inelegibilidades.

A proposta é incluir expressamente entre as causas de inelegibilidade as condenações por crimes praticados com violência contra mulheres, independentemente da classificação do delito no Código Penal. A sugestão foi acolhida por unanimidade.

Uma proposta de lei complementar com esse objetivo já tramita no Senado, mas está parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desde maio de 2025. O texto prevê a inelegibilidade de pessoas condenadas por violência doméstica e familiar contra a mulher, por decisão definitiva ou colegiada, pelo período de oito anos após o cumprimento da pena.

Ex-agente do Mossad aparece em operação que levou Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos

“Maringá” – uma música de sucesso que virou nome de cidade no Paraná

Maringá - PR - Guia do Turismo Brasil

Maringá tornou-se a terceira maior cidade do Paraná

Paulo Peres
Poemas & Canções

O médico e compositor mineiro Joubert Gontijo de Carvalho (1900-1977) compôs a canção “Maringá”, que foi gravada em 1932 por Gastão Formenti, pela RCA Victor, tornando-se logo um grande sucesso, sendo cantada até hoje.

O nome e o tema da música surgiram quando Joubert de Carvalho visitava o Ministro da Viação José Américo. Conversando com o oficial do gabinete Rui Carneiro, este sugeriu que fizesse uma música abordando o tema da seca no Nordeste.

O compositor pediu a Rui que lhe desse uma lista de pequenas cidades assoladas pela seca. Entre elas estava Ingá, para a qual o compositor imaginou uma cabocla, Maria, que seria a Maria do Ingá, que acabou por tornar-se “Maringá”.

É comum nome de cidades inspirarem canções, mas neste caso, surpreendentemente, a canção originou o nome de uma cidade. “Maringá” era muito cantada pelos operários que desbravavam a mata virgem para construir uma nova cidade no Paraná, e quando a Companhia de Melhoramentos do Norte reuniu-se para definir o nome que seria dado à cidade, a Sra. Elisabeth Thomas, esposa do presidente Henry Thomas, sugeriu que a composição “Maringá” desse nome à cidade, fundada em 1947.

MARINGÁ
Joubert de Carvalho

Foi numa léva
Que a cabocla Maringá
Ficou sendo a retirante
Que mais dava o que falá.

E junto dela
Veio alguem que suplicou
Prá que nunca se esquecesse
De um caboclo que ficou

Antigamente
Uma alegria sem igual
Dominava aquela gente
Da cidade de Pombal.

Mas veio a seca
Toda chuva foi-se embora
Só restando então as água
Dos meus óio quando chóra.

Maringá, Maringá,
Depois que tu partiste,
Tudo aqui ficou tão triste,
Que eu garrei a maginá:

Maringá, Maringá,
Para havê felicidade,
É preciso que a saudade
Vá batê noutro lugá.

Maringá, Maringá,
Volta aqui pro meu sertão
Pra de novo o coração
De um caboclo assossegá.

Abandono do Dia dos Mortos exibe a decadência da sociedade moderna

Ilustração de Ricardo Cammarota, realizada em técnica pastel oleoso sobre papel, na proporção 13,9 × 9,1 cm, horizontal. A imagem figurativa apresenta, ao centro, uma caveira estilizada, com grandes cavidades oculares em preto, dentes aparentes e um pequeno coração vermelho na testa. A caveira segura, com as duas mãos, uma vela acesa, de cuja chama partem raios e nuances de cores em diferentes direções, formando uma composição multicolorida. Ao redor da figura central, distribuem-se círculos coloridos em diferentes tamanhos, em tons de vermelho, laranja, amarelo, rosa, azul e verde. O fundo é predominantemente verde-escuro e preto, com pequenos pontos e traços claros. Linhas finas e curvas em preto atravessam a composição.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Lembro-me de que, há anos, no Dia de Finados —2 de novembro—, a Avenida Dr. Arnaldo, aqui na zona oeste de São Paulo, nas imediações do cemitério do Araçá, nas bancas de flores, o trânsito era bem intenso. Essa intensidade arrefeceu. A redução da intensidade é indicativa da perda de lugar dos mortos em nossas vidas, nossas famílias e nossas cidades.

Já não se celebram os mortos. Já não se pensa neles como alguém a quem devemos o mundo e a vida, pelo contrário, muitos discursos atuais falam deles como culpados por tudo de ruim que existe, e que, portanto, não merecem qualquer respeito de nossa parte.

ESTUPIDEZ MODERNA – Esse é um dos inúmeros exemplos da estupidez arrogante e ruidosa da nossa modernidade. Um exemplo crasso dessa estupidez ruidosa é o fato de que muitos daqueles que praticam esse desprezo nunca passaram por nem um décimo pelo que nossos ancestrais passaram, mas a soberba é o pecado máximo dos modernos.

O culto dos ancestrais, traço presente em muitas religiões tradicionais, às vezes associadas aos povos ditos “primitivos”, é combatido pela moçadinha politicamente correta condena essa expressão. Mas toda pessoa politicamente correta é mentirosa. Portanto, essa moçadinha nega a expressão, mas acredita nela no fundo do seu coração falso, por ser um indicativo de respeito e gratidão aos que nos legaram a vida e o mundo. Cultuar esse legado é uma forma de amor à vida e ao mundo.

Aliás, vale lembrar que hoje a palavra “legado” está na moda. Tem até gente de 15 anos mandando a IA escrever um livro sobre o legado desses 15 anos de vida dela.

SÉCULO RIDÍCULO – O século 21 é mais ridículo da História até aqui, por isso mesmo, condenado à lata de lixo dos historiadores do futuro, a menos que algo de significativo aconteça até o final dele.

A importância dos ancestrais nessas formas de cultos tradicionais não fala só da gratidão que os vivos devem aos mortos. Fala, antes de tudo, da potência deles, justamente porque estão mortos. Essa potência demanda dos seus descendentes vivos atenção, sacrifícios, orações, liturgias, alimentos oferecidos nos locais em que eles descansam, ou seja, nos locais onde estão seus túmulos. Esses locais são, portanto, espaços sagrados de culto. Os antigos praticavam essa forma de culto.

Esses cultos eram formas de gratidão, eram práticas de homenagem e pedidos de ajuda aos ancestrais para que eles ajudassem os seus descendentes vivos a enfrentar os desafios da vida. Mas (e isso é fundamental) caso os espíritos dos ancestrais não recebessem essas honrarias, eles poderiam se transformar em demônios ou espíritos malignos que atormentariam seus descendentes ingratos, causando-lhes sofrimentos e desventuras.

DESPREZO AOS MORTOS – Se voltarmos ao desprezo que a sociedade moderna tem pelos seus mortos, se esses cultos estivessem certos na sua hipótese, podemos imaginar quantos milhões de demônios existem por aí a nos espreitar. Mas, na verdade, não há qualquer risco, porque esses demônios não passam de representações e imagens que criamos na nossa cabeça. Ou, se existem, são obrigados a serem nossos servos para nos fazer ter sucesso sempre.

O mundo espiritual hoje é visto pela maioria dos vivos como mero auxiliar, sem nenhum respeito. Fato evidente. O mundo espiritual, hoje, é pleno de escravos — ou escravizados, como reza a cartilha do politicamente correto.

A famosa citação do filósofo britânico Edmund Burke no seu clássico “Considerações Sobre a Revolução na França” é emblemática dessa discussão. Eis a citação: “A sociedade é um contrato (…) não apenas entre os vivos, mas entre os mortos, os vivos e os que ainda estão por nascer”. A sociedade é uma comunidade moral entre as gerações.

ETERNO PRESENTE – Burke não está fazendo referência aos cultos dos túmulos dos nossos mortos, ele está criticando a tendência moderna, presente de forma radical nos revolucionários franceses, de acreditar que a sociedade é feita apenas de vivos, presa num eterno presente cego.

Os mortos dos quais Burke fala aqui são todas as pessoas que viveram antes de nós e que construíram toda uma cultura —ideias, práticas, leis, valores, crenças, instituições, vínculos— graças às quais temos um lugar para nascermos e crescermos. Essa cultura permanece conosco, nos nutre, criamos a partir dela, nos desenvolvemos a partir dela. Não há como zerar o tempo. O mundo não começou quando nascemos e não acabará quando morrermos.

Quem acredita que o tempo existe para nos trazer ao mundo —ou seja, que o nosso ego, e nossas manias e ideiazinhas desprovidas de substância são o que há de mais sublime—, não entendeu nada.

Entre a euforia eleitoral e o grave risco fiscal, Lula precisa definir a estratégia

Trump oferece permanência a Flávio, mas descarta encontro com o senador

Bolsonarismo perde governadores quando o pragmatismo fala mais alto

Lula fará mesmo a irresponsabilidade de seguir elevando o déficit público?

Tribuna da Internet | Omissão política do governo causa decepção em setores da economia

Charge do Cícero (Arquivo Google)

Fernando Schüler
Estadão

“O tesouraço foi derrotado nas urnas”, disse o ministro Boulos. Seu ponto: a agenda econômica é de quem ganhou, não a de quem perdeu. E quem insiste no tema do “ajuste fiscal” não teria entendido “nada do que foi essa eleição”. Boulos acrescenta um detalhe: ajuste fiscal cortando “gastos em políticas sociais”.

É um pouco vago definir o que está incluído nisso. Gasto previdenciário seria “política social?”. E os R$ 17 bilhões em prejuízos dos Correios, desde 2023? E as vinculações constitucionais da saúde e educação? É tudo “incortável”, como diria o antigo filósofo Antônio Magri?

NADA DE REFORMAS – Daria para ir longe, aqui. O que o governo de fato não prometeu, na campanha, e, logo, não está obrigado a fazer, são reformas estruturais. Reformas que mexam com interesses bem enraizados na estrutura do Estado. Lula não prometeu nada disso em 2022, e não fez. Muita gente à época não quis escutar o que Lula dizia (um velho hábito brasileiro).

Ainda lembro da curiosa carta telepática enviada a Lula por Armínio Fraga pedindo reformas. A intenção de Armínio era boa, mas a mensagem ficou pelo caminho.

Agora, o fenômeno se repete. Mesmo o governo praticamente gritando que um ajuste não está na agenda, e nada disso tendo sido discutido na campanha, muita gente parece imaginar que alguma “racionalidade” autoevidente se imporá sobre a vontade política, e um Lula “reformador” surgirá, perto do Natal. De minha parte, torço para que isto aconteça. Apenas não acho prudente confundir desejo com realidade.

SINAIS DE ALARME – Ainda esta semana, a IFI, Instituição Fiscal Independente, do Senado, apresentou duas projeções inquietantes: um déficit potencial de R$ 145 bilhões em 2027 e a necessidade de um superávit de até 2,1% do PIB para estabilizar a dívida pública. Isto significa um ajuste superior a R$ 400 bilhões, praticamente o déficit anual da Previdência Social, juntando o regime geral e setor público.

Os números podem variar um pouco e a própria IFI reconhece que há promessas não contabilizadas aí, como o ônibus gratuito nos fins de semana e o “Pé-de-Meia Universitário”, entre outros.

Diante desses números, o ministro José Guimarães diz que ajuste fiscal “não está nas prioridades”, e muita gente fica nervosa com isso. Digo que não deveria. Da mesma forma que digo que Boulos não está errado. Isto foi uma escolha da sociedade nas eleições. E é preciso respeitar.

NÃO APRENDEMOS – Já passamos por dez eleições presidenciais, e quem sabe deveríamos ter aprendido. A democracia nos dá o direito de escolher. Só não nos dá o de escolher as consequências de nossas escolhas.

É evidente que governo pode mudar o rumo. Tem capital político e o diagnóstico é bastante claro. Em 2003, na gestão Palocci, o País gerou um superávit de 4,3% do PIB no primeiro ano do governo. O País vinha de uma fase de reformas, o contexto global era outro, mas houve decisões em um sentido diferente. Foi feita uma reforma na Previdência do setor público.

Por estas semanas, entre o primeiro e o segundo turno, demos marcha ré. Recriamos a “paridade” e a “integralidade” para agentes de saúde. Ao invés de andar para frente em uma reforma da Previdência, andamos para trás.

CARTAS NA MESA – No fundo, as cartas estão na mesa do governo. Boulos acerta quando diz que ninguém prometeu e ninguém votou por “reformas” ou para recolocar o País no trilho da responsabilidade fiscal.

Mas a matemática, por vezes, pode ser cruel com a imaginação política. Weber insistiu que as convicções, na vida política, deveriam ser temperadas com um sentido de responsabilidade. E isto significava, entre muitas coisas, em ajustar a rota e rever escolhas quando os fatos se impõem. Mesmo quando alguma coisa não tenha sido prometida em uma campanha. Porque isto é um gesto de grandeza.

Confesso não enxergar, nos vencedores do dia, muita disposição, nesta direção. Mas espero estar enganado.

A derrota de Flávio revelou o que o Brasil teria enfrentado com sua vitória

Missão Impossível! PT marca debate para saber como sobreviverá sem Lula

O Fim do Encanto: Lula e o Crepúsculo do PT – Por Paula Sousa | Brasilagro

Charge do Sponholz (Arquivo Google)

Carlos Newton

Lula ganhou a eleição, mas a vitória não garante a sobrevivência do partido que ele criou em fevereiro de 1980, com apoio entusiástico do regime militar, para enfraquecer o PTB de Leonel Brizola, que acabara de voltar ao Brasil e era franco favorito em qualquer eleição.

A manobra de criação do Partido dos Trabalhadores  foi planejada pelo general Golbery do Coutto e Silva, ideólogo do regime militar e diretor do Serviço Nacional de Informações (SNI). E assim o PT  já surgiu fortalecido pelas greves de metalúrgicos do ABC paulista, apoiado por sindicalistas, intelectuais, artistas, religiosos e movimentos sociais.

Naquela época, Lula já se tornara o maior líder contra o governo militar, porque ainda não se sabia que na verdade ele atuava como agente infiltrado pelo SNI no sindicalismo.

FALSO SINDICALISTA – O envolvimento de Lula com o regime militar somente viria a ser conhecido em 1988, com o lançamento do livro “Jogo Duro”, do empresário paulista Mário Garnero, que relatava seu relacionamento com Lula desde que o jovem metalúrgico se tornara sindicalista para ajudar o patrão, Paulo Villares, no relacionamento com os trabalhadores.

A partir da página 130, pode-se saber quem era Lula e o que fazia, segundo o relato de Garnero, que está vivo, tem 89 anos e naquela época representava as empresas automobilísticas nas reuniões com o falso sindicalista.

Ele conta tudo sobre os serviços prestados por Lula ao regime militar e aos empresários. Cita até a encenada prisão de Lula pelo filho do delegado federal Romeu Tuma, que era seu mentor e costumava convidar o jovem Lula a frequentar sua casa nos almoços de domingo .

TUDO VERDADE – Lula jamais tentou desmentir Garnero, até porque as revelações do empresário paulista foram inteiramente confirmadas pelo delegado Romeu Tuma Júnior, autor dos livros “Assassinato de Reputações” (2013) e “Assassinato de Reputações II” (2016).

Foi Tuma Júnior quem prendeu Lula, em abril de 1980, numa farsa para fortalecer o petista como ídolo antiditadura, após a volta de Brizola.

No Google, há grande dificuldade para conseguir essas informações, mas com paciência é possível até ler os livros de Garnero e Tuma Jr. Nada disso, porém, atrapalhou a carreira de Lula, que está entrando na História pela porta da frente, quando deveria fazê-lo pela porta dos fundos.

SEM SUCESSOR – Agora, Lula ganhou sua última eleição, já com data de validade vencida. Como o presidente não tem herdeiros políticos e não permitiu que surgisse uma nova liderança, o clima no partido é de pânico.

No próximo dia 13, o Diretório Nacional se reúne para debater como garantir a sobrevivência do PT  após Lula deixar o governo. Bem, os petistas podem se reunir à vontade, porém jamais chegarão a nenhum consenso. Não há como salvar o PT.  

Nesta eleição, já saíram derrotados Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, José Dirceu, Delúbio Soares, Marina Silva, Simone Tebet, Rui Falcão, Paulo Teixeira, Jorge Viana, Vicentinho, Benedita da Silva, Paulo Pimenta e Jean Wyllys. Ou seja, o povo adora Lula, mas detesta o PT.

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P.S. 1 – No próximo dia 13, o PT reúne o Diretório Nacional para discutir a sobrevivência sem Lula. O objetivo é fazer uma avaliação da inquietante questão e organizar a realização de um congresso no ano que vem sobre renovação partidária e outros temas.

P.S. 2 – Será um esforço inútil, igual ao desafio da Esfinge: “Decifra-me ou te devoro”. O fato concreto é que o PT se tornou um paciente em estado terminal, que ameaça o país. Como não conseguirão sobreviver na política sem a presença de Lula, os petistas certamente vão aproveitar seu último governo para roubar até a rampa do Planalto, sob proteção do Supremo. (C.N.)

As redes sociais que ampliam a voz estão corroendo a confiança na democracia

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Lívia Nani
O Globo

No Brasil, três em cada dez pessoas (29%) afirmam que as redes sociais representam mais um obstáculo do que um benefício para a democracia. Além disso, 78% dizem que a internet facilitou a manipulação de pessoas por meio de informações falsas e boatos.

Os dados são de uma pesquisa do Pew Research Center, que ouviu 45.658 pessoas em 37 países entre fevereiro e maio deste ano e identificou um aumento, em relação a 2022, na parcela de entrevistados que veem as plataformas digitais como prejudiciais à democracia.

IMPACTO – O levantamento mostra que a percepção sobre o impacto das redes sociais na democracia varia bastante entre os países. Na média das 37 nações pesquisadas, 35% dos entrevistados afirmam que as plataformas são prejudiciais à democracia, enquanto 55% avaliam que elas trazem benefícios. Em comparação com 2022, houve aumento na parcela dos que consideram as redes sociais um prejuízo ao sistema democrático.

A percepção negativa é mais frequente em países de alta renda. Na Holanda, 70% dizem que as redes sociais têm efeito negativo sobre a democracia, seguida por França (65%), Estados Unidos (64%), Alemanha (61%), Reino Unido (56%), Canadá (55%) e Austrália (52%). Israel e Singapura aparecem como exceções nesse grupo, com 22% dos entrevistados em cada país considerando as redes prejudiciais.

Em países como Gana, Quênia, Nigéria, Filipinas e Tailândia, a parcela que vê as redes sociais como prejudiciais é menor: 21%, 24%, 11%, 23% e 21%, respectivamente. Nesses países, a avaliação positiva das plataformas é majoritária.

DESINFORMAÇÃO –  Apesar de a maioria dos brasileiros avaliar positivamente o papel das redes sociais para a democracia, os entrevistados também apontam os efeitos negativos da internet. Além dos 78% que dizem que ela facilitou a manipulação por meio de informações falsas e boatos, 64% afirmam que contribuiu para dividir as pessoas em suas opiniões políticas.

Por outro lado, 73% dizem que a internet facilita o acesso a informações sobre acontecimentos atuais, e 60% afirmam que ela ampliou a possibilidade de ter voz ativa na política.

Na mediana dos 36 países considerados nesse recorte da pesquisa, 77% dos entrevistados dizem que a internet facilita o acesso a informações sobre acontecimentos atuais; 60% afirmam que ela ampliou a possibilidade de ter voz ativa na política; 79% avaliam que facilitou a manipulação por meio de informações falsas e boatos; e 68% dizem que contribuiu para dividir as pessoas em suas opiniões políticas.

DIVISÕES POLÍTICAS – A percepção de que as redes sociais ampliaram as divisões políticas também se tornou mais comum em diversos países. Segundo o Pew Research Center, houve aumentos de dois dígitos na parcela que compartilha essa avaliação na Polônia, Alemanha, França, Japão, Espanha, Reino Unido, Hungria e Malásia.

Além do levantamento internacional, o Pew Research Center realizou uma pesquisa específica sobre o uso de plataformas de mídia social entre adultos americanos. Foram ouvidas 5.511 pessoas entre 30 de janeiro e 18 de junho de 2026. Entre os entrevistados, 69% afirmaram usar o Facebook, 51% disseram usar o Instagram, 40% o TikTok, 18% o X (antigo Twitter) e 18% o Snapchat.

O levantamento internacional mostra que o uso das plataformas varia entre os países. Entre as cinco redes analisadas, o Facebook tende a ser a mais utilizada, seguido pelo Instagram. O TikTok também tem presença relevante, especialmente entre os mais jovens, enquanto parcelas menores da população afirmam usar o X ou o Snapchat.

Analistas do mercado erram quando confundem risco com vontade popular

Luiz Fux marca audiência no STF para discutir impactos da proibição das bets

Novo transforma contestação à vitória de Lula em estratégia para atrair filiados

Ribeiro atribui aumento à repercussão do posicionamento

Carlos Petrocilo
Folha

O partido Novo afirmou, na noite deste sábado (31), ter conquistado 2,2 mil novos filiados em 24 horas após se tornar, segundo a própria legenda, a única a declarar publicamente que não reconhece a vitória do presidente Lula (PT).

O aumento, diz o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, é resultado da repercussão do posicionamento adotado pelo partido, que move três Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) no Tribunal Superior Eleitoral e pede a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin (PSB).

LEGITIMIDADE – O partido diz não questionar a legitimidade das urnas eletrônicas. “Não estamos questionando as urnas nem a vontade dos eleitores. Estamos questionando os meios utilizados para chegar ao resultado”, afirmou Ribeiro. “Uma eleição não pode ser considerada justa quando há suspeitas de uso da máquina pública para favorecer quem está no poder”, prosseguiu o dirigente.

O Novo questiona na Justiça episódios e medidas adotadas ao longo do ano eleitoral que, na avaliação da legenda, indicariam o uso da estrutura do Estado e de recursos públicos para favorecer os candidatos à reeleição. As três ações seguem sob análise do TSE.

Um dado positivo é que no Brasil nunca se debateu tanto a política

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: Reforma  Política

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Vicente Limongi Netto

Um domingo ensolarado deu maior destaque ao artigo de Ana Dubeux, “O levante democrático e o que vem depois”, no Correio Braziliense (01/11).  O texto da diretora de Redação do CB ilumina os corações dos leitores, ao acentuar, com marcas de emoções e alegrias, a importância da última eleição:

“Nunca se falou tanto em política, nunca se debateu tanto. Isso é extraordinário e mostra o tamanho e a força do Brasil, um país que não se curva e serve de exemplo ao mundo”.

VIRADA HISTÓRICA – Realmente, é hora de parar de falar do fujão golpista, filho 01 do mito de barro. Melhor destacar a notável mobilização popular que resultou na virada histórica de Lula. Mais saudável recordar cadeirantes e idosos, amparados por netos, indo votar.

Esqueçamos o desprezível Flávio Bolsonaro. Não vale a pena perder tempo com ele nem com o falastrão Donald Trump, que  também é personagem menor em nossas vidas. Flávio Insiste em bobagens oceânicas sobre a lisura das eleições, mas Trump nem deu boa.

Concentremos nossas energias nas sábias  recomendações  de Ana Dubeux: “Sabemos que será um mandato regido por Lula, mas orquestrado por uma massa sedenta por mudanças, sobretudo no jeito de fazer política”. É isso mesmo: estamos esperando mudar, para melhor.

Ataques, agressões e mortes: governo acompanha 45 casos de violência política

Nos dois turnos, os eleitores deram um recado duplo – à Lula e à oposição

Sólido enquanto dure – Junião

Charge do Junião (Arquivo Gooigle)

Dora Kramer
Estadão

A cena eleitoral de 2026 desenhou com nitidez a escrita de que o segundo turno é uma outra eleição. O primeiro foi um aviso de insatisfação do eleitorado ao presidente Lula (PT); o segundo enviou à direita um recado sobre os malefícios de se manter agarrada ao pé da mesa da família Bolsonaro.

Se o campo que se fortaleceu nos governos estaduais e no Legislativo insistir em lançar desconfiança sobre o resultado das urnas e ficar preso a anistias de golpistas, pode perder o bonde, o controle da agenda e desperdiçar a vantagem no Congresso.

CERTO E DUVIDOSO – Não houve derrota do fascismo nem vitória do comunismo. Tais antiguidades não estiveram em disputa na cabeça de um eleitorado que escolheu não trocar o certo —no sentido de conhecido, não necessariamente de correto— pelo altamente duvidoso, notadamente no quesito garantias democráticas.

Ainda assim, dois chavões que descrevem nossa realidade perduram: a polarização entre as forças políticas predominantes não cede e a pacificação do país não acontece.

Se o Brasil seguirá preso a essa dinâmica ou se escapará da armadilha, vai depender da compreensão sobre a profundidade do abismo adiante e do empenho na reconstrução da normalidade institucional.

DESTINOS DA NAÇÃO – Ao presidente reeleito cabe mostrar disposição para liderar a reorganização dos Poderes, mas ao campo escolhido para ficar na oposição não é dada a prerrogativa de se eximir das responsabilidades quanto aos destinos da nação. É o que diz o preceito da alternância de poder.

Saber ganhar e perder é exigência primordial, sem a qual só se constroem impasses impossíveis de serem ultrapassados pela recusa de validação dos eleitores do adversário. O momento da vitória ou da derrota é fortuito. O prazer e o desprazer passam, e o país segue com suas necessidades e urgências.

O engajamento na disputa vale muito, mas só contribui de fato se for acompanhado de vigilâncias e cobranças constantes ao bom exercício das funções de governo e oposição.

Peritos federais contestam tese de Vorcaro sobre adulteração no celular dele

Lula quer um político à frente do novo Ministério da Segurança Pública

Lula cogita Haddad e Camilo Santana para comandar ministério

Danilo Moliterno
CNN

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou a aliados a preferência por indicar um político para comandar o Ministério da Segurança Pública. O petista promete criar a pasta após a aprovação pelo Congresso Nacional da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que expande a atribuição federal na área e a integração entre os entes.

Segundo interlocutores do presidente, os nomes dos ex-ministros Camilo Santana (PT-CE) e Fernando Haddad (PT-SP) estão na mesa do mandatário como possibilidades para chefiar a pasta no próximo governo.

ATUAÇÃO NA FAZENDA – O nome de Haddad passou a ser cogitado, junto ao de Camilo, devido à sua atuação do Ministério da Fazenda no combate ao crime organizado “no andar de cima”. Lula elogia nos bastidores a ação da Receita Federal em operações como a “Carbono Oculto” – a maior da história do país nessa frente.

A avaliação é de que a chefia da pasta poderia dar protagonismo aos petistas, sem necessariamente soar como uma “unção” de um sucessor de Lula, apontam fontes próximas ao presidente. O mandatário tem dito a interlocutores que a esquerda precisa ganhar espaço na discussão do tema – atualmente capitaneado pela direita – e que deseja ter o Ministério como carro-chefe de seu quarto mandato.

Com isso, perde força o nome do promotor de Justiça do MPSP (Ministério Público de São Paulo) Lincoln Gakiya. O técnico é tido como a personificação do combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado e chegou a dizer publicamente que aceitaria chefiar a pasta caso fosse convidado.

PEC DA SEGURANÇA – Articuladores do governo preveem que a PEC da Segurança Pública seja votada no Congresso Nacional na segunda semana de novembro. Até lá, tentam costurar um acordo para que a redução da maioridade penal seja discutida em uma proposta de emenda à Constituição à parte.

Em 15 de outubro, a PEC foi retirada de pauta no plenário do Senado após impasse envolvendo emendas sobre a inclusão da mudança na maioridade.

Um amor sincero e definitivo, nas palavras de Aurélio Buarque de Holanda

Tribuna da Internet | Um soneto romântico de Aurélio Buarque de Holanda,  que entendia de palavrasPaulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário, lexicógrafo, filólogo, professor, tradutor e ensaísta alagoano Aurélio Buarque de Holanda (1910-1989), criador do mais conhecido dicionário brasileiro, também usou as palavras para nos brindar com este belo soneto “Amar-te”.

AMAR-TE
Aurélio Buarque de Holanda

Amar-te – não por gozo da vaidade,
Não movido de orgulho ou de ambição,
Não a procura da felicidade,
Não por divertimento à solidão.

Amar-te – não por tua mocidade
– Risos, cores e luzes de verão –
E menos por fugir à ociosidade,
Como exercício para o coração.

Amar-te por amar-te: sem agora,
Sem amanhã, sem ontem, sem mesquinha
Esperança de amor, sem causa ou rumo.

Trazer-te incorporada vida fora,
Carne de minha carne, filha minha,
Viver do fogo em que ardo e me consumo.