Mendonça dá carta branca à PF em caso sensível e aumenta a tensão no STF

Ministro afirma que caso Master vai marcar sua biografia

Caio Junqueira
CNN

O novo relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, disse a interlocutores que a Polícia Federal terá “carta branca” para atuar no caso.

O ministro também disse considerar que o caso é o mais relevante de sua carreira e vai marcar sua biografia, motivo pelo qual pretende conduzi-lo com extrema correção.

PLENA LIBERDADE – As declarações, confirmadas à CNN pelo gabinete do ministro, foram interpretadas como uma sinalização de plena liberdade de atuação para a Polícia Federal, após os embates entre o órgão e o agora ex-relator do caso, ministro Dias Toffoli. Também foram vistas como um contraponto a posições de outros integrantes da Corte em relação à PF.

No caso de Toffoli, por exemplo, ele impôs restrições ao trabalho da corporação ao determinar que o material apreendido em uma das operações permanecesse em seu gabinete e que apenas peritos por ele designados pudessem analisá-lo.

CRÍTICAS – Já o ministro Alexandre de Moraes, segundo relatos, tem feito críticas à atuação da PF nos bastidores. Na reunião reservada do Supremo que selou o afastamento de Toffoli da relatoria do caso Master, coube justamente a Moraes expressar essas críticas ao órgão.

Ele teria dito que alertou o chefe da PF, Andrei Rodrigues, de que, se houvesse algum achado sobre autoridade, a investigação não poderia seguir; que, se isso ocorreu, era um “papel sujo” da PF e a investigação deveria ser anulada. O ministro está no foco em razão do contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua mulher com o banco Master.

Servidora diz que pode provar não ter acessado conta da mulher de Moraes

Escritório ligado a Moraes surge na ampliação da Magnitsky

Fortuna de Viviane aumento R$ 40 milhões em apenas um ano

Felipe de Paula, Aguirre Talento e Fausto Macedo
Estadão

A agente administrativa da Receita Federal, Ruth Machado dos Santos, nega ter acessado os dados fiscais de Viviane Barci de Moraes – mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal – em 21 de agosto de 2025 nas dependências da unidade do Fisco na cidade do Guarujá, litoral paulista.

Ela foi alvo de busca e apreensão na terça-feira, 17, por determinação do próprio ministro em uma operação que investiga vazamento de informações sigilosas de integrantes da Corte e familiares.

COM TORNOZELEIRA – Reclusa à sua casa, como se estivesse em prisão domiciliar, usando tornozeleira eletrônica, a funcionária nega veementemente que tenha tentando acessar os dados da advogada. Em nota, a defesa de Ruth afirmou que ela ‘não possui qualquer vínculo político-partidário’ e que ‘não concorreu para infração penal’.

Segundo investigadores da Polícia Federal a par do depoimento de Ruth, a servidora afirmou que não poderia ter acessado os dados de Viviane de Moraes, porque na ocasião ela estava realizando um atendimento nas dependências da Receita no Guarujá.

As suspeitas de que dados sigilosos de ministros e seus familiares foram vazados surgiu após o estouro da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. Em dezembro, foi revelado um contrato firmado pela mulher de Moraes para atuar na defesa dos interesses do Banco Master e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federa, ao Congresso Nacional e outros órgãos.

R$ 129 MILHÕES… – Pelo documento, assinado em janeiro de 2024, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 3,6 milhões por mês durante três anos. Se cumprido integralmente, o acordo renderia R$ 129 milhões até o início de 2027.

Perante os investigadores, Ruth, que havia retornado de férias em 5 de agosto, duas semanas antes da data do registro do acesso, disse não saber se suas credenciais funcionais poderiam ter sido utilizadas por outro servidor. Ela afirmou que nunca compartilhou senhas ou tokens institucionais com terceiros.

Em 40 minutos de depoimento, a servidora, que está de tornozeleira eletrônica e proibida de acessar a unidade da Receita em que trabalha, afirmou que poderá provar que estava em atendimento no momento do acesso assim que tiver seu celular entregue pelos investigadores, após a perícia. Na casa de Ruth foram apreendidos dois celulares que estão sendo analisados pela PF.

FICHA LIMPA – A defesa da servidora, conduzida pelo advogado Diego Soares de Oliveira Scarpa, diz que Ruth “jamais respondeu a qualquer procedimento disciplinar, sindicância ou investigação, mantendo reputação ilibada e reconhecida” pelos colegas.

Técnica do Seguro Social desde 1994, Ruth foi um dos quatro alvos da investigação que apura vazamento de dados fiscais de ministros do STF e parentes.

Em decisão classificada como incomum por parte dos investigadores, os nomes dos servidores atingidos pela operação foram divulgados pelo STF. São eles: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.

RESTRIÇÕES IMEDIATAS – Por determinação do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal cumpriu, na terça-feira de carnaval, 17, quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, no âmbito de investigação que apura possíveis vazamentos de dados da Receita Federal de ministros da Corte e de seus familiares.

A ordem de Moraes os proíbe de saírem das cidades onde residem e obrigados ao recolhimento domiciliar no período noturno e aos finais de semana. Os suspeitos tiveram os passaportes retidos e estão proibidos de deixar o País e de ingressar nas dependências do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e da Receita.

A medida foi tomada após representação da Procuradoria-Geral da República, a pedido de Moraes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moraes está perseguindo os quatro servidores, para sujar o nome deles e limpar o seu e o de sua mulher, porque pretende se vingar de quem não se submete a ele. Se a servidora conseguir provar que não acessou os dados da Dra. Viviane, o ministro Moraes vai ficar mais desmoralizado do que já está, se é que isso possa ser possível. (C.N.)

Toffoli deixou relatoria, mas segue apto a julgar o Master na 2ª Turma

Uma poesia que exalta os amantes, mas não esquece os dramas sociais

Cairo de Assis Trindade (@CairoDeAssisTrindade) • FacebookPaulo Peres
Poemas & Canções

A arte do poeta gaúcho Cairo de Assis Trindade (1946-2019) tem forte conotação social. Ele não esquece os fracos, marginalizados e renegados pela sociedade, embora sempre mantenha também seu viés romântico, como neste “Cantor do Amor”.

CANTOR DO AMOR
Cairo Trindade

Eu queria ser o poeta
dos sem-terra e dos sem-teto;
servir, como um anjo da guarda,
aos tristes e deserdados;

ser o arauto dos sem-voz,
dos loucos, perdidos e sós;
dos feios, fracos, falidos,
sem porra nenhuma na vida.

Eu queria ser o poeta
de todos os que não deram certo;
sem deixar, por um instante,
de ser o cantor dos amantes.

Michelle evita confirmar candidatura ao Senado e expõe as fissuras na família

Supersalários de servidores chegam a até R$ 3 milhões em um único ano

Moraes descumpriu a lei ao determinar operação policial no caso de vazamento

Não podemos deixar Moraes sozinho nessa', diz leitora - 27/02/2025 - Painel  do Leitor - Folha

Moraes abriu inquérito de ofício, sem haver solicitação…

Ana Paula Bimbati
Do UOL

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou nesta terça-feira o cumprimento de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal no inquérito que apura o suposto vazamento de dados de ministros do Supremo e familiares. Especialistas ouvidos pelo UOL apontam que ordem de Moraes é questionável, por descumprimento das leis de suspeição e foro privilegiado.

“Extremamente problemático”, diz professor de direito da FGV Rio. Segundo Thiago Bottino, qualquer juiz, seja de primeira instância ou não, deve ter isenção para julgar. “Quando se é vítima de um eventual crime, essa isenção desaparece”, afirma. Na ação relatada por Moraes, os próprios ministros do STF seriam as vítimas de quebra de sigilo dos dados, assim como seus familiares.

SEM FORO ESPECIAL – Para Bottino, Moraes deveria encaminhar caso para juiz de primeira instância. “Não há foro privilegiado quando a vítima é um ministro do Supremo”, afirma.

Já o professor Rodrigo Alves, da Universidade Mackenzie e da PUC-Rio, cita que as partes envolvidas no caso podem também questionar sobre impedimento ou suspeição — o que não significaria, segundo ele, qialquer irregularidade.

Outro especialista também questiona a imparcialidade na condução do inquérito. Para o criminalista Eduardo Maurício, ainda que o STF tenha admitido a condução de investigações pelo próprio Supremo “em hipóteses excepcionais”, a situação pode ser sensível. “A sobreposição entre função jurisdicional e interesse pessoal inevitavelmente gera questionamentos quanto à imparcialidade objetiva”, explica o advogado.

ÓTICA PROCESSUAL – “O caso deve ser analisado pela perspectiva “estritamente processual”, afirma advogado. Rodrigo Alves, ressaltando que a discussão sobre competência e imparcialidade faz parte do “funcionamento normal do sistema de Justiça, sem que isso implique, por si só, irregularidade”. Ele também cita, como Eduardo Maurício, a jurisprudência do Supremo em casos anteriores.

“O maior risco, portanto, não é apenas processual, como alegações de suspeição ou nulidade, mas institucional: a erosão progressiva da confiança pública na jurisdição constitucional”, afirma Maurício.

Apesar das críticas, os advogados defendem apuração do vazamento. Acham que a operação é “juridicamente justificável” devido à gravidade dos fatos. Mas deveria ser executada na primeira instância.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica demonstrado, pela enésima vez, que o ministro Moraes não respeita as leis e opera sempre de acordo com seus interesses. No caso, ele abriu em janeiro uminquérito de ofício — sem nenhuma autoridade ter solicitado. Assim, no caso, caberia à direção da Polícia Federal contestar a ordem do ministro, por ser nula, já que a competência não é do Supremo e tampouco dele, que neste inquérito seria vítima e não julgador. Como ninguém o enfrenta, Moraes continuará extrapolando, impunemente. (C.N.)

Ruy Castro e as trincheiras tropicais: o Brasil esquecido que a Segunda Guerra revelou

Ruy Castro levanta uma história nunca antes contada

Pedro do Coutto

Comecei a ler a mais nova obra de Ruy Castro, “Trincheira tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio”, focalizando como estava a opinião pública no Rio de Janeiro em face da Segunda Guerra Mundial. O livro, edição da Companhia das Letras, é um registro muito importante marcado pelos fatos e conceitos que o autor vai singularmente elencando, apontando uma realidade que hoje se redescobre sob a pena e o pensamento de Ruy Castro.

A Segunda Guerra Mundial ainda é, no imaginário brasileiro, um capítulo frequentemente reduzido a notas de rodapé, apesar de sua profunda influência na formação do Estado moderno e na redefinição do papel do país no cenário internacional. Nesse contexto, obras como “Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio” cumprem uma função essencial: resgatar a dimensão histórica e política de um período em que o Brasil precisou decidir entre o isolamento continental e o engajamento efetivo em um conflito global que redefiniria o século XX.

Ao fazê-lo, Ruy Castro contribui para iluminar uma geração que saiu das sombras da história oficial para ocupar o lugar que lhe cabe na memória nacional.

CRIAÇÃO DA FEB – A participação brasileira no conflito foi decisiva para afirmar a presença internacional do país e consolidar sua aproximação com os Estados Unidos no contexto da política hemisférica de guerra.

A criação da Força Expedicionária Brasileira, com cerca de 25 mil soldados enviados à Itália entre 1944 e 1945, simbolizou não apenas um gesto militar, mas uma decisão estratégica de reposicionamento geopolítico do país em meio à disputa global entre as potências do Eixo e os Aliados.

As batalhas em Monte Castelo, Montese e Collecchio demonstraram a capacidade de combate das tropas brasileiras e contribuíram diretamente para a derrota das forças alemãs na Linha Gótica, ao custo de centenas de vidas nacionais.

MODERNIZAÇÃO – O livro dialoga com um momento histórico em que a guerra externa se entrelaçou com transformações internas profundas. O esforço de mobilização militar, industrial e diplomática acelerou a modernização do Estado brasileiro, impulsionou a infraestrutura logística e fortaleceu a centralidade do poder federal.

A guerra não foi apenas travada nos campos europeus: ela também se desenrolou nos estaleiros, nos portos, nas bases aéreas do Nordeste e na política externa que buscava equilibrar interesses econômicos, pressões norte-americanas e a necessidade de afirmação soberana.

Trata-se de um período em que a política internacional penetrou o cotidiano nacional, redefinindo prioridades estratégicas e inaugurando uma nova etapa de projeção do Brasil no mundo.

SERVIÇO PÚBLICO – Ao valorizar esses episódios com rigor histórico e sensibilidade narrativa, a obra presta um serviço público à memória nacional. Em tempos de disputas simbólicas sobre o passado e de revisões apressadas da história política brasileira, recuperar a complexidade da participação do país na Segunda Guerra Mundial é também um gesto de responsabilidade cívica.

Ruy Castro acerta ao apresentar a guerra não como um episódio distante, mas como uma trincheira tropical que moldou decisões, identidades e projetos de nação que ainda ecoam no presente.

Sem dúvida, mais uma importante contribuição que assinala o quão Ruy Castro é um escritor fantástico.

Acesso a dados da esposa de Moraes expõe a Receita e acirra tensão institucional

Governo atribui derrota de escola pró-Lula a fatores técnicos e critica as notas dos jurados…

Acuado, Moraes “incrimina” servidores e busca passar por “perseguido político”

Tribuna da Internet | Alexandre de Moraes tornou-se campeão de pedidos de impeachment no Senado

Charge reproduzida da revista Fórum

Carlos Newton

Como diz o jornalista Mário Sabino, do site Metrópoles, o ministro Alexandre de Moraes tem 129 milhões de motivos para achar que não escapará incólume desse escândalo do banco Master. Mesmo assim, sempre que pode, ele ainda exibe injustificada revolta diante das críticas quem vêm sendo feitas ao Supremo e à chamada “Ditadura do Judiciário”, e reage com violência máxima.

Como se sabe, Moraes é o eterno relator do Inquérito do Fim do Mundo, assim apelidado pelo ministro Marco Aurélio Mello em 2021, antes de se aposentar, porque se tratava de uma investigação que começara em 2019, a pretexto de combater fake news, e foi estendida indefinidamente por Moraes para nela incluir qualquer assunto que lhe interessasse.

SETE ANOS DEPOIS… – Bem, o Inquérito do Fim do Mundo já está completando sete anos, mais inchado do que um porco Duroc-Jersey, com alto teor de gordura intramuscular, e o ministro Alexandre de Moraes continua a usar o inquérito qual fora papel higiênico jurídico.

Na tentativa de limpar a esposa e a si mesmo, que jamais deveriam se relacionar com um super-estelionatário como Daniel Vorcaro, agora Moraes mandar incriminar quatro servidores públicos de elite na categoria fazendária.

Eles serão denunciados, julgados e condenados pelo ministro, perderão os empregos duramente conquistados em concursos públicos e até poderão ser presos, para satisfazer a sanha vingativa de Moraes.

SÃO CRIMINOSOS? – É claro que há perguntas a serem respondidas, além da clássica “Que país é esse?”, feita pelo deputado Francelino Pereira, quando defendia o regime militar.

Uma delas: “Esses servidores são criminosos?”. Claro que não. Todos têm ficha limpíssima e serviços prestados ao país. São pessoas de bem, que se revoltaram diante de tanta impunidade e sem-vergonhice de ministros como Dias Toffoli e Moraes. Esses funcionários federais simplesmente caíram em tentação e foram conferir, de forma irregular, o enriquecimento ilícito dessa gentalha que ocupa o poder. Apenas isso.

Agora, esses quatro servidores perderão tudo e colocarão suas famílias em dificuldades, porque Moraes quer sujá-los, na ilusão de que possa se limpar. Mas “isso non ecziste”, diria Padre Quevedo, que nunca fumou charutos nem bebeu vinhos nobres com pilantras.

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P.S. 1
Uma coisa é certa. Enquanto tiver resquícios de poder, Alexandre de Moraes ainda vai prejudicar muita gente neste país. E agradeçam tudo isso a Michel Temer, aquele presidente eventual que nomeou Moraes para o Supremo e depois foi preso pela Lava Jato, porque era chegado a uma corrupção e até recomendava: “Tem de manter isso, viu?”.

P.S. – O Jornal Nacional fez o jogo sujo de Moraes e colocou no ar uma matéria fortíssima contra os servidores, como se fossem uma ameaça à nação. Eles cometeram uma ilegalidade, é certo, mas em comparação às ilegalidades que Moraes e Toffoli têm praticado, os servidores mereceriam uma anistia presidencial, caso estivéssemos numa democracia e realmente houvesse um presidente em Brasília. (C.N.)  

Aliados veem erro político em homenagem carnavalesca a Lula

STF: Vazamento sobre Dias Toffoli aprofunda desconfiança e ameaça ano eleitoral

Charge do Clayton (Arquivo do Google)

Valdo Cruz
G1

O Carnaval acabou, mas não serviu para melhorar o clima dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ministros da Corte, o ambiente segue tenso e com muita desconfiança entre eles depois do vazamento e suspeita de gravação das reuniões sobre o ministro Dias Toffoli e o caso Master.

“Não dá para esquecer o que aconteceu somente porque passou o Carnaval. A reunião foi gravada e foi tudo muito sério. Quebrou-se a confiança interna”, alerta um integrante do STF.

INVESTIGAÇÃO – A dúvida é se o presidente do Supremo, Edson Fachin, vai abrir investigação para descobrir o que aconteceu. Para aumentar a temperatura, a PF fez uma operação durante as festas carnavalescas a partir de um inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes. O resultado pode ser explosivo e muito importante para elucidar ataques ao Supremo, mas a iniciativa de incluir todos os ministros no rol dos supostos alvos de espionagem desagradou colegas de Moraes.

A Polícia Federal apura se sigilos de ministros do STF e parentes foram quebrados ilegalmente para venda de dados ou uso político. Ou até as duas coisas ao mesmo tempo. A depender das descobertas, o clima dentro do Supremo pode ficar ainda mais quente e contaminar de vez o ano eleitoral, principalmente se prevalecer a linha do uso político.

LISTA – O inquérito foi aberto por Moraes, mas as ações desta semana foram solicitadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Gonet também estava na lista dos que deveriam ter seus registros checados para descobrir se houve alguma quebra de sigilo.

A Receita Federal informou, porém, que não foi encontrada violação nos registros de dados do procurador nem de seus parentes. A PF e a Receita Federal já descobriram que Viviane Barci Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, foi alvo de invasão de seus registros por um funcionário cedido à Receita, que trabalha no Rio. Além dele, outros três servidores estão sendo investigados.

Desfile sobre Lula foi um ato eleitoral, porém ele não conquistou um só voto

Lula desce à pista para se encontrar com o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Niterói, escola que o homenageou

Dizer que não foi um ato eleitoral chega a ser ridículo

Eliane Cantanhêde
Estadão

A ida do presidente Lula à Sapucaí e a homenagem que recebeu da Escola Acadêmicos de Niterói são daquelas coisas que levantam debate, muitas vozes de especialistas, defesa dos governistas e críticas e ações da oposição, mas… é tudo espuma, pelo menos sob o ponto de vista jurídico. Só que a questão também é política.

É evidente que Lula tirou uma casquinha eleitoral do “maior espetáculo da Terra” e a escola ganhou visibilidade desproporcional na sua estreia no Grupo Especial. Mas fica nisso. Lula não deve sofrer punições nem deve ter conquistado um único voto e a escola corre o sério risco de ser rebaixada para a Série Ouro.

LANCE ELEITORAL – Diferentemente dos absurdos de Jair Bolsonaro a cada 7 de Setembro, o governo se cercou de cuidados neste carnaval. Segurou o ímpeto de Lula e Janja de participar do desfile e pautou o presidente, os ministros e toda a comitiva para ficarem de boca calada. Apesar disso, ninguém, da oposição e do governo, acredita que não foi um lance eleitoral. Óbvio que foi.

Além de forçarem Lula e Janja a “se comportarem direitinho”, seus assessores recorrem ao argumento de que o governo não usou dinheiro público na escola (além do que as demais receberam), nem teve qualquer ingerência no enredo, nas alas, no samba e nas alegorias da Acadêmicos de Niterói, que teria escolhido Lula apenas pelo seu passado e sua história, não pelo futuro.

Acredite quem quiser. Quem viu o desfile sabe que a verdade, transmitida ao vivo e gravada e fotografada sob vários ângulos, é que a escola fez propaganda dos feitos do governo, do número de Lula nas eleições e até da estrela do PT. E se tivesse sido com Jair Bolsonaro em 2022?

UMA BURRICE – O maior erro da escola, aliás, foi usar um boneco fantasiado de presidiário, atrás das grades e com uma tornozeleira eletrônica danificada. Lula e o Planalto não tiveram nada a ver com isso, nem sequer sabiam com antecipação? Se tiveram ou sabiam, foi uma burrice, porque a reação seria óbvia, como acabou sendo.

Michele Bolsonaro não perdeu tempo e devolveu na mesma moeda, com o que chamou nas redes sociais de registro de um fato histórico: “Quem foi preso por corrução foi Lula”. Que tal uma guerra de bonecos presidiários? E se a escola for rebaixada, vai virar chacota?

A homenagem a Lula passou pelo TSE antes do desfile, sob argumento de que a Corte não poderia proibir antecipadamente, o que caracterizaria censura prévia. Também deve passar depois do desfile realizado e encerrado, sob alegação de que não foi campanha antecipada, apenas uma homenagem a um personagem relevante do Brasil. Não dá, porém, para tapar o sol com a peneira: foi um ato eleitoral e será material da campanha oficial.

Irmão de Bolsonaro aciona Justiça contra desfile pró-Lula e propaganda antecipada

Renato Bolsoanro critica ‘tratamento jocoso’ ao irmão

Julia Duailibi
G1

O irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro, apresentou duas ações judiciais em que pede providências após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Sapucaí, na noite de domingo (15). As ações apontam possíveis atos de improbidade administrativa e propaganda eleitoral antecipada.

Na representação dirigida a autoridades eleitorais, o irmão de Bolsonaro argumenta que o samba-enredo da Niterói cita o número 13 e o jingle de Lula. Além disso, diz que integrantes da escola fizeram a letra “L” com a mão durante a transmissão do desfile. Renato Bolsonaro afirma ainda que a escola deu tratamento jocoso a seu irmão, “caracterizando-o como um palhaço”, e a famílias conservadoras de direita.

PALHAÇO BOZO – A Niterói usou a imagem do palhaço Bozo para se referir a Bolsonaro em dois momentos do desfile: na comissão de frente, em que atores e dançarinos representavam também Lula e os ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer, e no carro alegórico que mostrou uma escultura gigante do palhaço atrás das grades.

O desfile também tinha uma ala chamada “Neoconservadores em Conserva”. A fantasia representava uma lata de alimentos. No rótulo, havia a imagem de um casal com duas crianças e o texto “família em conserva”.

Políticos de direita consideraram um ataque a famílias evangélicas. “Usar verba pública para ridicularizar a Igreja Evangélica é inadmissível. O governo Lula recebeu o roteiro do desfile. O governo Lula sabia cada ala que iria desfilar”, afirmou a senadora Damares Alves (PL-DF). “A fé cristã foi exposta ao escárnio em nome da cultura travestida de politicagem”, disse a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher.

POLÊMICAS –  Em nota divulgada na segunda (16), a Acadêmicos de Niterói afirma ter sofrido perseguições durante a preparação do desfile e defende que a avaliação dos jurados seja “justa, técnica e transparente”.

Nos dias que antecederam o carnaval, o desfile da Niterói foi alvo de pelo menos dez ações na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU). Partidos e parlamentares da oposição apontaram propaganda eleitoral antecipada.

No dia 12 de fevereiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou uma liminar que pedia a proibição do desfile, mas os ministros alertaram que condutas na avenida poderiam configurar crime eleitoral.

PERSEGUIÇÕES –  A primeira-dama, Janja da Silva, desistiu de desfilar e assistiu à passagem da escola em um camarote ao lado de Lula. Em nota, Janja afirmou que tomou a decisão para evitar “possíveis perseguições à escola de samba e ao presidente Lula”.

Após o desfile, políticos da oposição fizeram novas críticas e anunciaram que tomarão providências. Lula, por sua vez, publicou uma mensagem nas redes sociais sobre sua participação no carnaval no Rio, no Recife e em Salvador. “Depois de passar pelo carnaval de Recife e de Salvador, estive no Rio de Janeiro, na Sapucaí. Tive a honra e a alegria de acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Muita emoção”, escreveu.

Na Sapucaí, o presidente desceu do camarote para cumprimentar o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Niterói. Ao longo da noite, repetiu o gesto com integrantes das outras escolas que desfilaram naquela noite.

 

Ministros do STF afirmam que Moraes tentou se blindar com Operação da PF

Alexandre de Moraes usa 'caso IOF' para rebater críticas de ativismo do  Supremo

Moraes está ficando cada vez mais isolado no Supremo

Malu Gaspar
O Globo

A devassa que a Polícia Federal realizou sobre funcionários da Receita acusados de vazar informações sigilosas de parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira, acendeu um alerta entre os próprios colegas de Alexandre de Moraes, que determinou a ação.

Dois ministros ouvidos sob reserva consideram a ação “absurda” e enxergam indícios de abuso de autoridade. Na ala do Supremo que não gravita em torno de Moraes, pegou mal o fato de ele não ter sequer comunicado aos colegas que havia uma suspeita de acesso indevido aos seus sigilos fiscais. Um magistrado disse ter manifestado seu descontentamento a Edson Fachin, presidente do STF.

O fato de Moraes ter pedido à Receita que verifique se houve acesso ilegal aos dados de cerca de 100 pessoas foi encarado internamente como uma tentativa do ministro de fazer uma “fishing expedition”, ou pesca probatória, que é como o jargão jurídico define a prática ilegal de fazer buscas genéricas, sem objetivo determinado, para tentar encontrar provas de crimes. Essa era uma acusação comumente feita à força-tarefa da Lava Jato e que agora se repete à boca pequena no Supremo.

AUTOBLINDAGEM – Esses ministros temem que Moraes use os dados sobre integrantes do STF e parentes que venham a ser obtidos na devassa da PF para se blindar do avanço das apurações sobre ele mesmo e sobre sua mulher, Viviane, que tem um contrato de R$ 130 milhões com o Banco Master até hoje inexplicado.

Ainda está fresco na mente dos togados o vazamento da reunião secreta que terminou com Dias Toffoli renunciando à relatoria do caso Master, depois de o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ter entregue ao presidente do STF um relatório listando motivos para a sua suspeição – como o recebimento de R$ 35 milhões pela venda de um resort ao grupo do banqueiro.

Detalhes da reunião, incluindo trechos literais das falas de alguns magistrados, foram publicados pelo site “Poder 360”, e levaram os colegas a desconfiar que Toffoli teria gravado o encontro e feito um vazamento seletivo, privilegiando os trechos das conversas que o favoreciam.

EFEITO ORLOFF – Toffoli nega qualquer gravação, mas isso não diminuiu a tensão interna, pelo contrário.

 Para alguns colegas de Supremo, com a ação de terça, Moraes teme o “efeito Orloff”, como se, ao olhar para Toffoli, ele ouvisse a voz da antiga propaganda em que um sujeito diz ao outro: “eu sou você amanhã”.

E isso é tudo o que Moraes  não quer ouvir.

“Mais que nunca é preciso cantar, é preciso cantar e alegrar a cidade…”

Vinicius e Carlos Lyra - playlist by Vinicius de Moraes | SpotifyPaulo Peres
Poemas & Canções

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta carioca Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes (1913-1980) escreveu com Carlos Lyra (1933-2023), em 1963, a “Marcha da quarta-feira de cinzas”.

O lirismo melancólico dos foliões a espera do próximo carnaval, que imperava na letra, depois serviu também como música de protesto contra a ditadura militar de 1964.

Embora consagrada pela voz de Nara Leão, essa marcha-rancho foi gravada, inicialmente, por Jorge Goulart, em 1963, pela Copacabana.

MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade…

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.

Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe…

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.

Jato usado por Vorcaro é posto à venda com desconto superior a R$ 100 milhões

STF acertou em cheio ao fazer Toffoli deixar a relatoria sem anular provas

Toffoli é juiz imparcial no caso Master? - 12/02/2026 - Cláudio Hebdô -  Folha

Charge do Cláudio Hebdô (Folha)

Igor Gadelha
Metrópoles

Vão-se os anéis e ficam os dedos. Esse seria, hoje, o melhor ditado para descrever o acordo fechado entre os 10 ministros em exercício do STF que culminou com a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master na Corte. O entendimento entre ministros do STF rejeitou pedido de suspeição de Dias Toffoli, em troca de o magistrado deixar a relatoria do caso Master

Pelo acerto, os ministros concordaram em não reconhecer o pedido de suspeição ou de impedimento contra Toffoli, solicitado ao presidente Edson Fachin pela Policia Federal. Além disso, admitiram a “plena validade dos atos” praticados por ele. Em troca, o ministro abriu mão da relatoria.

PROVAS MANTIDAS – Toffoli passou a sofrer pressão para deixar a Corte após virem a público informações sobre sua relação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Dessa forma, o acordo evitou anulação de todos os atos de Toffoli como relator do caso — e consequentemente das provas colhidas. A eventual anulação poderia passar a imagem de “acordão” para ajudar o Master.

Ao mesmo tempo, a rejeição do pedido de suspeição de Toffoli também ajuda, de certa forma, a não deteriorar ainda mais a imagem do ministro, já bastante desgastada após as revelações de suas relações nada ortodoxas com os donos do Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Bela sacada do Igor Gadelha. No meio da confusão, os advogados de Vorcaro iriam querer anular as provas, caso Toffoli fosse considerado impedido de continuar na relatoria, e a investigação voltaria à estaca zero. (C.N.)

A polêmica da Acadêmicos de Niterói, a oposição e a política do espetáculo