Moraes precisa agradecer muito a Galípolo, que mentiu sobre ele ao depor na CPI

Galípolo nega ligações com Moraes e diz que encontros no STF foram  institucionais

Gabriel Galípolo mentiu na CPI “só um pouquinho assim”…

Carlos Newton

Foi constrangedor ver o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao depor quarta-feira, dia 8, perante a CPI do Crime Organizado, quando tentou a missão impossível de proteger a honra de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, que já está mais do que desonrado.

Com a maior desfaçatez, o economista negou que tenha tratado com o STF sobre a liquidação do Banco Master, tema central das investigações da CPI. E os senadores, distraídos e despreparados, engoliram a farsa e não criticam a desfaçatez do depoente.

MEIA-VERDADE – Na CPI, o presidente do BC jurou dizer a verdade, mas mentiu, ao buscar criar o que seria uma meia-verdade muito mal engendrada.

Realmente, seria impossível ele ter tratado do assunto com o Supremo, até porque o STF é igual aos três macaquinhos – não fala, não ouve nem vê. É apenas um prédio, uma instituição, eternamente imóvel.

Ele mentiu, porque até as paredes do Senado sabem que Moraes procurou Galípolo diversas vezes para fazer pressão em favor do Master. Segundo a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes chamou Galípolo a seu gabinete no STF para conversar sobre os problemas de Daniel. Vorcaro.

SEIS LIGAÇÕES – David Friedlander e Eliane Cantanhêde, do Estadão, foram muito além e apuraram que Moraes chegou a ligar seis vezes para Galípolo, num só dia…

Apesar desse noticiário, o presidente do Banco Central alegou que as sanções norte-americanas a Moraes, com a Lei Magnitsky) geraram uma crise sistêmica que exigiu “reuniões institucionais”, mas negou que o caso do Master tenha sido abordado nesses encontros.

Ou seja, mesmo jurando dizer a verdade, repetindo o artigo 203 do Código de Processo Penal (“Prometo dizer a verdade, somente a verdade, sobre o que me for perguntado”), o presidente do BC mentiu ostensivamente.

VIROU CÚMPLICE – Ao confirmar a versão fajuta de Moraes, Galípolo demonstra uma cumplicidade altamente suspeita. Em 18 de dezembro, logo após a intervenção no Master, Galípolo tomou a inicialmente de dizer que havia sido pressionado a favor de Vorcaro e estava à disposição para prestar todos os esclarecimentos.

Os jornalistas gravaram sua afirmação: “Documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens, cada uma das comunicações, tudo isso está devidamente documentado”.

Agora, ele muda a versão, dando um alívio ao amigo Moraes, que ainda tem esperança de colocar a culpa na própria mulher, para manter sua posição no Supremo. Mas é um alívio apenas passageiro.

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P.S.
Se as investigações da Polícia Federal se aprofundarem e o relator André Mendonça não vender a alma, Gabriel Galípolo e seu antecessor no BC, Roberto Campos Neto, podem ser incriminados juntos, porque está mais do que claro o acobertamento conseguido por Vorcaro junto à direção do BC e a pressão feita por Moraes para proteger o amigo fraudador, que enriqueceu ilicitamente a família do ainda ministro do Supremo. Podem aguardar, tudo depende da Polícia Federal. (C.N.)

Flávio Bolsonaro chama Tereza Cristina de ‘Vovozinha’ e vai perder muitos votos

Tereza Cristina sofre resistência para ser vice de Flávio: 'preferida do  centrão' - Portal TOP Mídia News

Flávio Bolsonaro ofendeu Tereza Cristina gratuitamente

Vicente Limongi Netto

“Vovozinha é o escambau”, protesto de milhares de senhoras do país inteiro, que explode nos ouvidos do candidato Flávio Bolsonaro. O senador quis comparar a senadora Tereza Cristina, cotada para vice-presidente na chapa do senador, com a falecida vovó dele e se deu mal.  A própria Thereza Cristina não gostou.

Ficou a conotação de que toda vovó é velha, cansada e improdutiva. Pisada na bola oceânica do senador com a colega de plenário, pois há dois dias ele disse que Tereza Cristina era a vice ideal para qualquer candidato, classificando-a de “sonho de consumo”. 

Lembrando que a senadora tem vida ativa, foi ministra da Agricultura e se tornou uma das maiores referências do agronegócio no Brasil. É apenas um pouco mais velha que a mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro, que tem 65 anos.

MUITA SAÚDE – Aliás, a senadora tem a mesma idade do ex-presidente Jair Bolsonaro, que completou 71 anos em março, mas está em perfeito estado de saúde, tendo sido incentivada por partidos a liderar uma frente para disputar, como cabeça de chapa, a Presidência da República.

Com essa mancada, o candidato Flávio ficou com a pecha de misógino, que será difícil modificar durante a árdua campanha presidencial.  O ex-presidente Bolsonaro, pai de Flávio. tem extensa folha de maus tratos, na chefia da nação, com deputadas e jornalistas. Tratava muitas delas com indiferença, risos debochados e grosserias. Parece que nasceu com raiva das mulheres.

Na pandemia, Flávio Bolsonaro foi ardoroso defensor, no Senado, a série de barbaridades do pai dele, que era contra a vacinação dos brasileiros. Hoje tenta passar a imagem de bonzinho e educado. Convenhamos, a culpa não é toda dele. O DNA é que não ajuda. É muito ruim.

Caso Master: Defesa de Vorcaro corre contra o tempo para fechar delação bilionária

Cármen Lúcia antecipa saída e entrega o TSE a Nunes Marques num momento de crise

Lula erra feio ao usar o bolsonarismo como “espantalho” para ganhar eleição

Charge do Clayton (Jornal do Commercio)

Diogo Schelp
Estadão

Em outros tempos, os planos de reeleição de Lula não deveriam suscitar tantas dúvidas e preocupações entre seus aliados e apoiadores. Seu terceiro mandato desfruta de estabilidade política, sem as tensões produzidas pelo Poder Executivo contra o Judiciário, o Legislativo e os governadores estaduais durante o governo de Jair Bolsonaro, e cumpriu a promessa de manter a ordem democrática no País, apesar das fragilidades que persistem.

Os indicadores econômicos não são dos piores — sem entrar, aqui, no mérito do custo fiscal disso no longo prazo, apenas na discussão sobre os efeitos eleitorais imediatos.

VOO DE GALINHA – O crescimento do PIB faz o seu tradicional voo de galinha, o índice de inflação em 2025 foi o mais baixo desde 2019 e a taxa de desemprego está em sua mínima desde o início da série histórica de 14 anos, apesar de embutir ainda um nível alto de informalidade.

Ou seja, o desempenho econômico não é brilhante, mas tampouco é desesperador. Para quem tem a caneta presidencial na mão, deveria ser o suficiente para obter a continuidade no poder com relativa facilidade.

O que se tem verificado, contudo, é uma avaliação negativa do governo Lula que supera a positiva e uma leve tendência de queda nas pesquisas de intenção de voto, com o principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pontuando até melhor, segundo alguns institutos. Há explicações de todos os gostos para esse fenômeno, e é provável que todas elas contribuam em alguma medida para o quadro geral.

EXISTEM ABISMOS – Há, por exemplo, problemas econômicos ou abismos entre renda média e percepção de renda individual que não são captados pelos indicadores oficiais.

Além disso, a segurança pública e a corrupção se consolidam como principais preocupações dos brasileiros, mas o governo do PT não conseguiu apresentar legitimidade e apetite para enfrentá-las.

Por fim, programas assistencialistas agora são considerados fatos da vida. A parcela da população que precisa deles assume que o governante não faz mais do que a obrigação em mantê-los e ampliá-los.

SEM SURPREENDER – Essas e outras razões para a falta de entusiasmo dos brasileiros com Lula podem ser resumidas no maior fracasso do seu terceiro mandato: a incapacidade de surpreender.

Lula não foi eleito em 2022 com grandes expectativas por parte dos eleitores. Menos da metade achava que ele faria um governo bom ou ótimo, segundo pesquisa Datafolha feita após a sua posse.

Seu maior mérito como candidato foi ser um anti-Bolsonaro. Não havia ideias nem promessas novas. Os primeiros atos de Lula consistiram no relançamento de programas já existentes ou descontinuados pelo governo anterior.

LINHA DO TEMPO – Lula se propôs, no seu retorno, a restaurar uma linha do tempo interrompida pelas gestões de Michel Temer e Bolsonaro — ignorando que, por muitos outros motivos, nem todos relacionados à política, o mundo e o Brasil mudaram.

Lula passou os últimos três anos desperdiçando a chance de mostrar que tem uma visão de futuro para o Brasil conectada aos anseios e aos medos do tempo atual.

Sem isso, só lhe restará recorrer, mais uma vez, ao espantalho do bolsonarismo para vencer as eleições.

Fim da reeleição vira bandeira da direita: Tarcísio de Freitas apoia PEC de Flávio Bolsonaro

Defesa de Carla Zambelli recorre contra extradição e prolonga impasse com o Brasil

A redenção da prostituta triste, na poesia romântica de Ribeiro Couto

Rui Ribeiro CoutoPaulo Peres
Poemas & Canções

O magistrado, diplomata, jornalista, romancista, contista e poeta paulista Rui Ribeiro de Almeida Couto (1898-1963), membro da Academia Brasileira de Letras,  no poema “Fado de Maria Serrana”, relata o drama da prostituta que trocou a vida serrana pelo sedução da cidade grande.

FADO DE MARIA SERRANA
Ribeiro Couto

Se a memória não me engana,
Pediste-me um fado triste:
Triste Maria Serrana,
Por que tal fado pediste?

Na serra, a fonte e as ovelhas
Eram só os teus cuidados;
Tinhas as faces vermelhas,
Hoje tens lábios pintados.

Hoje de rica tens fama
E toda a cidade é tua;
Tens um homem que te chama
Ao canto de cada rua.

Mas ai! pudesses de novo
Tornar à serra, Maria!
Se não te perdoasse o povo,
A serra te perdoaria.

Lá te espera o mesmo monte,
E a casa junto ao caminho,
E a água da mesma fonte
Que diz teu nome baixinho.

Secos teus olhos de mágoa,
Se não tivessem mais pranto,
Choraria aquela água
Que já por ti chorou tanto.

Supremo amplia ganhos de juízes e promotores com contagem de tempo de advocacia

O avanço silencioso das diversas delações que inquietam os Três Poderes

Charge do Duke (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Na política brasileira, nem sempre os acontecimentos mais decisivos se dão sob os holofotes. Muitas vezes, o que realmente altera o equilíbrio de forças ocorre de maneira silenciosa, em processos que avançam longe do debate público imediato. É nesse plano menos visível que ganham tração as delações relacionadas tanto ao caso do Banco Master quanto às fraudes no INSS — investigações que, pouco a pouco, ampliam seu alcance e começam a tocar pontos sensíveis do sistema de poder.

O que se delineia não é apenas a revelação de episódios isolados, mas a exposição de conexões recorrentes entre operadores, interesses financeiros e estruturas que transitam entre o público e o privado. Trata-se de um modelo que não depende de um único núcleo, mas se reproduz em diferentes contextos, adaptando-se às circunstâncias e explorando fragilidades institucionais. Nesse cenário, as delações deixam de ser meros instrumentos processuais e passam a atuar como mecanismos de reconstrução de redes que antes permaneciam fragmentadas ou ocultas.

DINÂMICA ACUMULATIVA – O fator que mais pesa politicamente nesse tipo de investigação é a sua capacidade de se expandir ao longo do tempo. Cada novo depoimento não apenas acrescenta informações, mas altera o comportamento dos envolvidos, criando um ambiente em que colaborar passa a ser, muitas vezes, a estratégia mais racional. Esse efeito acumulativo tende a acelerar o processo e dificulta tentativas de controle ou desaceleração.

É natural que investigações com esse perfil encontrem resistência. Em um sistema político altamente interconectado, qualquer apuração que se aproxime de estruturas consolidadas de poder inevitavelmente enfrenta reações — sejam jurídicas, políticas ou narrativas. Questionamentos sobre procedimentos, disputas institucionais e esforços para reduzir o impacto das revelações fazem parte desse ambiente. Ainda assim, a continuidade das delações indica que há vetores institucionais atuando no sentido oposto, sustentando o avanço das apurações.

IRREGULARIDADES – No caso do INSS, o impacto ganha uma dimensão adicional. As irregularidades atingem diretamente aposentados e pensionistas, o que amplia o desgaste público e adiciona um componente social relevante à crise. Quando esse tipo de esquema se conecta a circuitos mais amplos de influência, o problema deixa de ser apenas administrativo e passa a ter implicações políticas mais profundas.

Já o episódio envolvendo o Banco Master revela outra camada dessa engrenagem: a relação entre interesses privados e decisões que orbitam o ambiente regulatório e político. Mais do que eventuais ilegalidades, o que pode emergir daí são padrões de proximidade e influência que, mesmo quando formais, levantam questionamentos sobre sua legitimidade.

AMBIENTE INCERTO – O ponto em comum entre essas frentes é o potencial de reorganizar o cenário político à medida que novas informações vêm à tona. Não se trata, ao menos por ora, de uma ruptura imediata, mas da formação de um ambiente progressivamente mais incerto. E a incerteza, em política, tende a produzir movimentos defensivos, reposicionamentos e, eventualmente, mudanças mais amplas.

No fim, a questão central não está apenas nos nomes que possam surgir ao longo das investigações, mas na capacidade do próprio sistema de absorver esse processo contínuo de exposição. A experiência recente mostra que esses ciclos podem tanto gerar transformações significativas quanto serem diluídos por rearranjos internos.

Desta vez, porém, o alcance simultâneo das investigações e a diversidade dos setores envolvidos sugerem um desafio mais complexo. O processo já não depende exclusivamente de decisões pontuais — ele avança por força própria, impulsionado por sua lógica interna. E, quando isso acontece, o controle sobre os desdobramentos tende a escapar justamente daqueles que mais seriam afetados por eles.

Sabatina de Messias no Senado deve expor crise ética no STF e caso Banco Master

Messias dirá se apoia um código de ética para o STF

Roseann Kennedy
Estadão

Senadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que mantêm resistência à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), começam a montar a estratégia para sua sabatina. Embora o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda não tenha definido a data para a tramitação da indicação, os congressistas preparam o roteiro com base em indagações que a sociedade está fazendo sobre a atual crise no Poder Judiciário.

O escândalo do Banco Master estará no centro das indagações. O ministro não pode se manifestar especificamente sobre causas que poderão estar sob seu julgamento no futuro. Mas ele não terá como evitar indagações a respeito do envolvimento de magistrados com o banqueiro Daniel Vorcaro.

ÉTICA DOS JUÍZES – O tema entrará numa discussão mais ampla sobre ética dos juízes nas relações com investigados e na atuação de familiares dos ministros que advogam na Corte. Principalmente depois das novas revelações de uso de jatinhos da empresa de Vorcaro pelos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Há três pontos principais de conduta e regulação da Corte a serem perguntados a Messias: Ele vai apoiar o código de ética que o presidente do STF, Edson Fachin, tenta criar? Se sim, em quais termos e amplitude de rigor para inibir ações dos magistrados? Como tratará o impedimento para familiares de ministros do STF atuarem em causas na Corte?

A ideia é forçar o indicado a se posicionar sobre mecanismos de controle interno, algo historicamente evitado por integrantes da Corte. Basta observar a dificuldade que Fachin tem encontrado para avançar com o tema, especialmente quando entra na discussão sobre a atuação de parentes dos magistrados em processos nos tribunais superiores.

ATUAÇÃO DE PARENTES – Como mostrou o Estadão, 1.860 causas nos tribunais superiores (STF e STJ) contam com a atuação de parentes de 1º grau dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Edson Fachin, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Flávio Dino. Além disso, 70% desses processos foram protocolados somente após a posse dos respectivos ministros. Somente o filho de um dos ministros saltou de 5 para 544 processos sob sua responsabilidade após a ascensão do pai à Corte.

Nas conversas internas, os senadores usam esses dados para questionar se o Judiciário se transformou em um balcão de negócios familiares. Mas o tom que usarão na sabatina ao fazerem essa abordagem ainda é uma incógnita.

CONTRATO MILIONÁRIO – O caso mais escandaloso é o do escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Como revelou O Globo, ela fechou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro — montante considerado incompatível com os valores de mercado para serviços advocatícios. Ela faturou até 645 vezes mais do que outros advogados ouvidos pelo Estadão que afirmam ter realizado, poucos anos antes, parte do mesmo trabalho que ela diz ter feito.

Em conversas de bastidores, Jorge Messias tem afirmado que o problema de conflito de interesses familiar não se aplicará à sua trajetória. O argumento utilizado pelo AGU é de que sua esposa, pais e irmãs não possuem formação na área do Direito, tampouco atuam no setor jurídico, o que, segundo ele, eliminaria a possibilidade de trânsito de familiares em processos sob sua futura relatoria.

A mulher de Messias é formada em relações internacionais, as irmãs são médicas e os pais já estão aposentados. O pai trabalhou como bancário e a mãe é formada em teologia. Em carta ao Senado, Messias defende separação dos Poderes e cita fundo evangélico

SEPARAÇÃO DE PODERES – No dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou no Senado a indicação de Jorge Messias, o advogado-geral da União enviou uma carta aos senadores. No texto, reforçou sua formação evangélica e defendeu o “respeito absoluto à separação dos Poderes”. A indicação começou a tramitar oficialmente no sistema do Senado na quarta-feira, 1°.

“Acredito firmemente que o fortalecimento das instituições, o respeito às leis e o diálogo entre os Poderes são os pilares da democracia e da harmonia institucional. Tenho absoluta consciência de que o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal exige distanciamento institucional, serenidade decisória e respeito absoluto à separação dos Poderes”, escreveu Messias na mensagem.

MAIS LEVE – Como mostrou a Coluna do Estadão, nos bastidores ele também não escondeu o alívio. A interlocutores próximos, Messias resumiu: “Estou leve!”. Nas últimas semanas, Messias vinha confidenciando a aliados que vivia uma “agonia” e que, independentemente do resultado, a ausência de uma definição era o pior cenário possível. Agora, com o nome oficialmente na mesa, a estratégia entra em uma nova e decisiva fase.

Messias se prepara para uma segunda rodada intensiva de conversas, o tradicional “beija-mão” legislativo. O esforço não parte do zero: nos últimos quatro meses, ele já dialogou com 76 dos 81 senadores.

Vorcaro propõe uma delação tipo biquini, que mostra tudo, mas esconde o essencial

Vorcaro segue preso sem prazo definido e terá destino julgado pela Segunda Turma do STF #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (Jornal do Commercio)

Deu em O Globo

Acordos de colaboração premiada em negociação ou já firmados vêm avançando no país em meio à promessa de que as revelações poderão atingir autoridades, nomes de peso do mundo político e servidores públicos.

Do caso Master ao escândalo no INSS, passando pela lavagem de dinheiro do crime organizado, as tratativas enfrentam, porém, diferentes resistências, como a oposição da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou a ação resgatada essa semana pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que discute os limites das delações.

VORCARO À FRENTE – A negociação com maior potencial de sacudir a República é a de Daniel Vorcaro, dono do Master. Como mostrou a colunista Malu Gaspar, a defesa do banqueiro pretende concluir ainda neste fim de semana a primeira versão de colaboração que Vorcaro vai apresentar à Polícia Federal (PF) e à PGR, que, neste caso, participa das conversas.

De acordo com fontes envolvidas no trabalho, a proposta terá “dezenas” de anexos e trará a sugestão de pagamento de multas bilionárias, além dos benefícios esperados pela colaboração.

O plano dos advogados é apresentar o pacote aos investigadores em uma reunião conjunta, já na semana que vem. No cronograma dos sonhos da defesa e do próprio Vorcaro, a discussão sobre a proposta levaria no máximo 15 dias e, depois da homologação, que imaginam que seria rápida, os depoimentos ocorreriam em duas ou três semanas.

DESCONFIANÇA – As estimativas são baseadas na crença de que as informações oferecidas na delação serão tão impactantes que o acordo será fechado rapidamente.

]Entre os investigadores ouvidos pela coluna de Malu Gaspar, contudo, o clima é o oposto. Não só pela desconfiança de que Vorcaro não vai contar de imediato tudo o que sabe, mas também porque certamente haverá embates em torno dos valores do ressarcimento e da multa a ser paga ou dos benefícios que o banqueiro irá pleitear em troca da colaboração.

Em meio às tratativas, Alexandre de Moraes decidiu remeter ao plenário do STF uma ação apresentada em 2021 por advogados do PT que questiona a validade e os limites constitucionais das colaborações premiadas. O ministro é um potencial alvo da delação de Vorcaro, junto com Dias Toffoli, por conta de supostas conexões com o banqueiro.

SUPERCONTRATO – Um dos pontos a ser esclarecido no conteúdo fornecido por Vorcaro, por exemplo, é o contrato que o Master fechou em 2024 com o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prevendo o pagamento de R$ 130 milhões em três anos para a prestação de serviços junto ao Executivo e ao Legislativo em Brasília.

A Receita Federal informou nesta semana à CPI do Crime Organizado que o banco pagou R$ 80 milhões em 22 meses ao escritório antes de ser liquidado pelo Banco Central (BC). Meses depois de questionado, o escritório afirmou ter feito reuniões e elaborado uma política de compliance para o banco, mas os valores são considerados muito acima do mercado.

“CONSEGUIU BLOQUEAR?” – Além disso, o conteúdo do celular do banqueiro apreendido pela PF mostra que, no dia de sua primeira prisão, Vorcaro trocou diversas mensagens com Moraes. Nas conversas, ele relata ao magistrado que estava tentando “salvar” o Master e pergunta: “Alguma novidade? Conseguiu bloquear?”.

Já Toffoli deixou a relatoria do caso Master em 12 de fevereiro, sendo substituído por André Mendonça, após a PF entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um documento de 200 páginas listando indícios de conexões entre o magistrado e Vorcaro que poderiam levar à sua suspeição.

Entre eles, estava o pagamento de R$ 35 milhões feito pelo Master por uma fatia do resort Tayaya, do qual o ministro admitiu ser sócio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria de O Globo foi feita em São Paulo e Brasília, por João Sorima Neto, Malu Gaspar, Patrik Camporez, Pepita Ortega e Sarah Teófilo.  É a primeira reportagem a indicar que os preparativos da delação de Vorcaro estão no final, e a grande dúvida é saber se ele vai ter coragem de denunciar os ministros do Supremo. Mas até agora tudo indica que ele tentará uma denúncia meia-sola ou meia-bomba, do tipo biquini, que finge mostrar tudo, porém esconde o essencial. (C.N.) 

Fogo amigo na direita prejudica crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro

Dvisões internas colocam Flávio na defensiva

Vera Magalhães
O Globo

Enquanto o governo e o PT catam cavaco quanto ao momento para começar a confrontar Flávio Bolsonaro, partem da direita as maiores dores de cabeça para o projeto de franquia familiar empreendido por Jair Bolsonaro a partir da Papudinha.

Pelo menos três pré-candidaturas questionam a escolha do filho Zero Um para suceder ao pai inelegível: Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que tentam abocanhar votos daqueles que acham Flávio radical demais, e Renan Santos, que ataca o flanco oposto do senador, falando àquela fatia do eleitorado que se identifica com o discurso antissistema.

POUCO ESPAÇO – Até aqui, as pesquisas mostram pouco espaço para o crescimento de nomes que tentam evitar que já se imponha no primeiro turno a polarização estabelecida em 2018 e repetida em 2022, entre lulopetismo e bolsonarismo.

Mas a entrada em cena desses nomes disputando a atenção dos eleitores que rejeitam Lula obriga os filhos de Jair a gastar tempo em debates estridentes via redes sociais e a combater acusações pesadas de corrupção, rachadinha e conluio com escândalos como o do Banco Master — tudo aquilo que a esquerda ameaça fazer, mas ainda não conseguiu entabular na forma de uma estratégia de comunicação minimamente coesa.

TRÉGUA – Uma das maiores preocupações dos apoiadores de Flávio é estabelecer uma trégua com setores das igrejas evangélicas que também andaram meio atritados com o clã, por discordar da condução do ex-presidente e da escolha do filho como sucessor.

Dirigentes do PL se preocupam com a guerra nada velada entre os filhos de Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle, que tem muito mais ascendência sobre lideranças evangélicas do que os enteados que a desautorizam publicamente a cada oportunidade.

AGRO NEGÓCIO – Outro foco de atenção é o agronegócio, setor fundamental para a estruturação dos palanques bolsonaristas no Centro-Oeste e no Sul, principalmente, mas também em estados cruciais, como São Paulo e Minas Gerais.

Caso o PSD leve até o fim a disposição de lançar o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, existe a chance de que ele seja visto como opção mais sólida por expoentes importantes desse segmento econômico.

Isso poderia abalar a credibilidade do candidato do PL e dividir votos que, até aqui, são creditados a ele nas pesquisas.

TRAPALHÃO – Também pesa sobre os ombros de Flávio a atuação do irmão Eduardo, que desertou para os Estados Unidos e, de lá, não consegue passar um dia sem criar confusão. A última quase custou ao pai a prisão domiciliar provisória que obteve pelo agravamento do seu quadro de saúde.

Cobrado pelas trapalhadas que continua a promover, Eduardo já não esconde a amargura pelo fato de, com seus gestos tresloucados, ter deixado a candidatura presidencial escorrer pelos dedos e cair no colo do irmão. Passou a dizer nas redes sociais que, em uma família, sempre existe um que se “sacrifica” pelo todo.

Todas essas arestas e todos os questionamentos, tanto pela direita mais institucional quanto pela extrema direita que tenta mimetizar Javier Milei, só mostram as fragilidades de Flávio, que o PT e a esquerda não parecem saber como confrontar.

DENÚNCIAS – O esfacelamento do bolsonarismo em seu estado de origem, o Rio de Janeiro — com denúncias que vão do uso da máquina em campanhas ao envolvimento explícito com o crime organizado, passando por negócios com o Master no Rioprevidência —, passa ao largo dos discursos de Lula e de seus aliados no Congresso.

A entrada na disputa de nomes de direita que precisam primeiro fustigar o filho de Bolsonaro para ter alguma esperança de tirá-lo do segundo turno não deixa de ser um alento para Lula no momento em que ele parece sem repertório, time e tática para sair das cordas onde está desde o início do ano.

Só que a terceirização da disputa política tem alcance e prazo limitados.

Se até Zema já empata com Lula, é um sinal de que o petista subiu no telhado…

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ainda não decidiu se disputará a eleição presidencial de 2026, indicando que a definição dependerá de fatores como cenário político, condições pessoais eCarlos Newton

Há menos de seis meses da eleição, o Datafolha confirma outras pesquisas, como a Quaest/Genial, e indica que o presidente Lula da Silva (PT) entrou em queda diante de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).

Os dois estão em duplo empate técnico em um segundo turno, porque pela primeira vez o petista foi ultrapassado numericamente, perdendo de 46% a 45%, e ele apresenta também maior rejeição, com 48% ante 46% do filho zero Um de Bolsonaro.

ALTA REJEIÇÃO – Portanto, o petista aparece em pior situação do que em pesquisas anteriores do Datafolha, e seu problema maior é a rejeição pessoal, que na pesquisa Quaest é de 51% ao seu governo e de 61% à sua candidatura.

Mesmo o Datafolha indicando que a rejeição de Lula seria menor (de 48%, ante 61% na pesquisa Quaest), há outros indicativos que também demonstram a queda de Lula.

No segundo turno, por exemplo, quando o rival é Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema (Novo), o atual presidente marca os mesmos 45% ante 42% em ambos os cenários, e esse empate técnico ocorre embora Lula seja conhecido por 100% dos entrevistados, enquanto Caiado e Zema são desconhecidos para 54% e 56% dos eleitores.

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P.S. –
Se até Romeu Zema está em empate técnico com Lula no segundo turno, sendo desconhecido pela maioria absoluta dos eleitores (56%), isso é um forte sinal de que a candidatura do petista à reeleição é como aquele gato que subiu no telhado. Ele está tão desanimado que “desconfirmou” publicamente a candidatura, embora já esteja em campanha há vários meses, tendo inclusive escolhido quem será o vice, que aceitou o convite. A coisa está feia, minha gente. (C.N.).

Boulos amplia espaço no Planalto e entra no núcleo estratégico da campanha de Lula

Preso por fraude no INSS, empresário fecha delação e pode atingir rede política

Charge do Fred Ozanan (Arquivo do Google)

Sarah Teófilo
O Globo

Preso desde setembro do ano passado por suspeita de ser um dos operadores do esquema de fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), com descontos indevidos em aposentadorias e pensões, o empresário Maurício Camisotti fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal.

A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo O Globo. Camisotti foi preso preventivamente na Operação Sem Desconto, que também deteve o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

DELAÇÃO – Os advogados que negociaram a delação com as autoridades são Átila Machado e Celso Vilardi. Os defensores já atuaram em delações antes. Vilardi fez a colaboração da Hypera Pharma, e Machado, do doleiro Dario Messer — as duas no contexto da Operação Lava-Jato. Procurada, a defesa não se manifestou.

Camisotti e o Careca do INSS são suspeitos de serem os principais operadores do suposto esquema que desviava recursos de aposentadorias e pensões pagas pelo INSS por meio de acordos de cooperação técnica com a autarquia, segundo as investigações. Os valores eram cobrados sem o consentimento dos beneficiários.

INDÍCIOS ROBUSTOS  – “Do material colhido nas diversas diligências, emergem indícios robustos de que os indivíduos inicialmente investigados, Antônio Carlos Camilo Antunes e Maurício Camisotti, atuavam como líderes da estrutura delitiva, promovendo o branqueamento de milhões de reais provenientes dos descontos indevidos”, pontuou o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), em uma das decisões.

Como mostrou a colunista Malu Gaspar em novembro do ano passado, Camisotti sacou R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo em 17 saques efetuados entre 2018 e 2025, segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que levantou suspeitas. Para a PF, ele adotou “condutas graves relacionadas à dilapidação patrimonial, conforme apontado pelo Coaf”.

Haddad mira agro e articula vice para romper resistência no interior paulista

Da consultoria à articulação política, Master bancou uma rede para blindar Vorcaro

Saúde de Bolsonaro melhora, mas quadro ainda sustenta domiciliar sob aval de Moraes

TV Globo prepara missão à Lua para Cesar Tralha ir e nunca mais voltar…

César Tralli, o 'amigo gente boa' do público na internet - 01/12/2025 -  Thiago Stivaletti - F5

Cesar Tralha está pronto para partir en viagem à Lua

Vicente Limongi Netto

Cesar Tralha aproveitou o retorno dos astronautas americanos que chegaram perto da Lua, para entediar e irritar os poucos que ainda se dão ao trabalho de perder tempo vendo o Jornal Nacional. Tralha é irrecuperável. Fogoso deslumbrado, fala pelos cotovelos. Ficaria rico como camelô. 

As imagens mostram tudo. Não precisam dos palavrórios de Tralha. Os comentários de apresentador de telejornal são sempre dispensáveis. Mas o Tralha insiste em ser mais importante do que a notícia.  Adora se exibir. 

MISSÃO TRALHA – A TV-Globo pedirá empréstimo ao BNDES ou ao Daniel Vorcaro para organizar a missão espacial a Lua. A previsão é partir antes das eleições de outubro.  Tralha será o único astronauta na memorável cápsula. Está mais feliz do que pinto no lixo.

Sua difícil tarefa já foi definida pelos chefões da TV-Globo. Trazer vestígios de vida de alguém no universo que seja mais chato e desagradável do que o próprio Tralha.

Cientistas responsáveis pela missão não sabem ainda quando a cápsula retornará ao Brasil. Tralha saberá da dramática decisão apenas quando a capsula estiver no espaço. Distante mil quilômetros da aprazível Terra.

COMPARAÇÃO – Vou emoldurar a comparação que recebi do acadêmico Ignácio de Loyola Brandão:

“Limongi, você está se tornando um novo Stanislaw Ponte Preta furioso”.