Projeto que reduz pena de Bolsonaro pode encurtar prisão de líderes do crime organizado

Estudo aponta que endurecimento das penas perderá eficácia

Maria Magnabosco
Estadão

Caso o Congresso Nacional derrube o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto conhecido como “PL da Dosimetria”, presos condenados por crimes hediondos, como tráfico de drogas, estupro e feminicídio, poderão ficar menos tempo na cadeia. Um parecer da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados indica que a medida reduziria o tempo mínimo exigido para a progressão do regime fechado. A votação do veto está marcada para o dia 30 deste mês.

O estudo foi elaborado pelo consultor Lucas de Oliveira Jaques e compara as regras de progressão de pena após a aprovação da “Lei Antifacção”, ou Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, (Lei 15.358/2026) com o cenário em caso de derrubada do veto ao PL da Dosimetria.

PROGRESSÃO MAIS RÁPIDA –  O parecer conclui que a derrubada do veto manteria as regras atuais para crimes menos graves, mas tornaria mais rápida a progressão de regime para condenados por tráfico, estupro, homicídio qualificado e feminicídio, além de líderes de organizações criminosas e milícias. Na prática, a queda do veto reverteria o endurecimento das penas promovido pela “Lei Antifacção”.

“Ressalta-se que a Lei 15.358/2026 entrou em vigor dia 25 de março de 2026, e foi aprovada com grande apelo popular ao recrudescer o tratamento penal aos criminosos”, diz o autor do estudo.

Segundo o comparativo, em crimes hediondos, o tempo mínimo de cumprimento da pena em regime fechado para progressão cairia de 70% para 40% no caso de réus primários. Nos crimes hediondos com resultado de morte, o percentual seria reduzido de 75% para 50%.

FEMINÍCIOS – No caso de feminicídio, a exigência passaria de 75% para 55% para condenados primários, enquanto, para reincidentes, cairia de 85% para 70%. A derrubada do veto também beneficiaria condenados por atuação em organizações criminosas e milícias, com redução do tempo mínimo de cumprimento de pena de 75% para 50% em regime fechado.

O objetivo do PL da Dosimetria é reduzir as penas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a outros réus condenados pela tentativa de golpe de Estado e pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

Com o projeto, Bolsonaro teria a pena reduzida para 20 anos, com diminuição do tempo de regime fechado para dois anos e quatro meses. O texto foi aprovado pelo Congresso, mas em 8 de janeiro deste ano, três anos após os atos de vandalismo em Brasília, Lula assinou um veto integral ao projeto.

DERRUBADA DO VETO – Agora, os parlamentares vão discutir a derrubada do veto presidencial, no próximo dia 30 de abril. A votação foi pautada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Como mostrou o Estadão, caso o veto seja derrubado, o projeto da dosimetria vai aliviar o tempo de cadeia para Bolsonaro, mas junto, vai beneficiar bandidos como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e André de Oliveira Macedo, o André do Rap. Isso porque ele reduz o tempo que esse tipo de criminoso deve permanecer na cadeia, em regime fechado, antes de passar para o regime semiaberto.

O gabinete do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) também elaborou um estudo técnico baseado no parecer da Consultoria Legislativa. Segundo nota do parlamentar, “a derrubada do veto implicará diminuição substancial do tempo efetivo de cumprimento de pena em regime fechado para crimes extremamente graves, fragilizando a resposta estatal, comprometendo a prevenção geral e especial, e transmitindo à sociedade uma mensagem de tolerância incompatível com a gravidade dessas condutas”.

A dor dos brasileiros calados, na visão de Pedro Nava e Mário de Andrade

Pedro Nava: 100, 200, 300 anos (dir: Eliane Terra e Karla Holanda)

“A experiência é um carro com os faróis voltados para trás”

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O médico, escritor e poeta mineiro Pedro da Silva Nava (1903-1984), no poema “Toadas Para Meu Irmão”, expressa a dor dos brasileiros calados, inspirado numa célebre poesia de Mário de Andrade sobre a duríssima vida dos seringueiros ao extrair a borracha, que na época somente existia nas florestas do Acre, e em nenhum outro lugar do mundo.

TOADAS PARA MEU IRMÃO
Pedro Nava

Nem eu posso esconder
que esta noite fina assim
seja a mesma noite assu
que assombra Taquarassu!

Que seja a mesma noite densa
soturno enorme abajada
escondendo o sofrimento
dos brasileiros calados!

Mas fosse a noite maior
mais densa, mais abajada
mesmo assim seria fraca
e se deixaria varar
pela ternura que eu mando
voando com a força do vento
– Meu pensamento rasgando
o assombro da noite assu
vai velar sono cansado
dos brasileiros calados…

O sono tão sossegado
de um brasileiro cansado
dormindo na noite assu
que esmaga Taquarassu!

Da cidade outro poeta
quer a distância varar
pra ver o sono do irmão
seu descanso proteger!

Dorme teu sono José (…)

Meu pensamento voando
nesta noite fina assim
vai fugindo da cidade
desgarra sertão afora
pra vigiar bem de perto
o doce sono sossegado
dum brasileiro calado!

Te beijo de leve nos olhos
te beijo de leve na face
te beijo o cabelo inteirinho
te beijo no coração…

Brasileiro sossegado
dorme teu sono calado…

Dorme teu sono, José…
E me perdoa, meu Mano
se eu não posso cantar
cantos mansos pro teu sono!
Quem me dera, mas não posso!
Pois na noite da cidade
Só de pensar no teu sono,
as veias ficaram doendo
O corpo todo sem jeito
fiquei esquisito, palavra!
Coração no peito calado…
Que dor nos nervos senti
de não ter voz pra falar
(o coração no peito calado)
de não ter choro pra chorar
de palavra não achar,
dor(i)da boa sincera,
como aquela comovida
achada por Mário de Andrade
(aquela tão comovida)
que acalantou de São Paulo
o brasileiro do Acre…
Te beijo o cabelo inteirinho
te beijo no coração…

Descansa na noite mansa
descansa, Mano, descansa…

Com Flávio em alta, aliados tentam enquadrar Zema em chapa vencedora contra Lula

Ex-governador de Minas Gerais resiste a ser vice

Luísa Marzullo
O Globo

O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais, consolidado pelo resultado da Genial/Quaest da última quarta-feira, vai reforçar a articulação junto ao ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) para que ele aceite ser vice na chapa. Zema, no entanto, vem resistindo à iniciativa e diz a interlocutores que mantém a pré-candidatura.

O parlamentar aparece em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno, mas numericamente à frente: 42% a 40%.Em março, ambos tinham 41%; em fevereiro, o petista registrava 43%, contra 38% do senador.

PRINCIPAL OPOSITOR – Integrantes da pré-campanha avaliam que os números da Quaest e do Datafolha, divulgados no sábado, situam Flávio como principal opositor de Lula e esvaziam de vez possíveis movimentos pela entrada em cena de outro candidato vinculado ao bolsonarismo.

“Toda pesquisa é um retrato de momento. A campanha vai ser dura e o favorito é quem está sentado na cadeira. Flávio é um candidato competitivo e representa a novidade na eleição”,  afirmou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha.

A avaliação no entorno do pré-candidato é de que o resultado reforça a percepção de viabilidade eleitoral e o diferencia de outros nomes da direita testados no levantamento. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 35% em um eventual segundo turno contra Lula, que teria 43%. Já Zema marca 36%, enquanto o presidente também soma 43%.

NEGOCIAÇÃO POLÍTICA – Nos bastidores, o desempenho passou a ser usado como argumento para destravar negociações políticas. A leitura é de que, ao pontuar melhor que outros nomes do campo, Flávio ganha força para liderar um processo de unificação da direita e, nesse cenário, caberia a aliados como Zema compor a chapa.

O ex-governador voltou ao centro das articulações após encontro com Flávio na semana passada, em Porto Alegre. Na conversa, o senador afirmou que ele seria o nome preferido do ex-presidente Jair Bolsonaro para a vice. O ex-governador, porém, não sinalizou avanço e reagiu em tom de brincadeira, dizendo que, na verdade, convidaria Flávio para ser seu vice.

Com a divulgação da Quaest, aliados passaram a reforçar a pressão. A avaliação é de que o desempenho superior ao de outros nomes da direita fortalece o argumento de que caberia a Zema compor como vice, e não manter candidatura própria.

TESTE DE VIABILIDADE – Apesar disso, interlocutores do ex-governador indicam que o cenário ainda não sofreu mudança decisiva. A tendência é que ele siga testando sua viabilidade antes de qualquer movimento.

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), aliado de Zema, afirmou que a unificação seria vantajosa no plano local, mas que não vê uma união como possível antes de maio: “Para mim, a união das duas candidaturas seria muito benéfica por encerrar o meu esforço de unificação, mas não me parece que possa ocorrer antes de maio, com uma nova rodada de análise do cenário”.

A avaliação é que uma eventual composição colocaria Flávio no palanque de Simões em Minas e eliminaria a disputa interna no campo da direita pelo governo do estado.

ALIANÇA – Hoje, o cenário mineiro segue em aberto. O PL ensaia uma aliança com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e também avalia o nome do empresário Flávio Roscoe como alternativa, o que mantém a fragmentação do campo e aumenta o interesse em uma solução nacional que pacifique o palanque local.

Nos bastidores, aliados de Zema condicionam qualquer avanço a uma nova leitura do cenário político nas próximas semanas, incluindo a reação do eleitorado a uma campanha mais intensa.

No Congresso, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que o crescimento nas pesquisas tende a ampliar as opções de composição: “Vamos trabalhar. Quanto mais votos tiver, automaticamente vão aparecer mais opções para vice. Ainda tem muito tempo até as convenções. Zema é um bom nome e está sendo observado pela campanha”.

FOCO NAS MULHERES –  Como mostrou O Globo, a pré-campanha também passou a direcionar esforços para eleitorados em que Flávio enfrenta maior resistência, especialmente mulheres e eleitores do Nordeste. A estratégia foi colocada em prática esta semana.

A orientação interna é “furar a bolha”, com um ajuste de tom que reduz o peso do confronto ideológico e prioriza temas do cotidiano, como custo de vida, segurança pública e endividamento das famílias. A avaliação é de que esses segmentos respondem menos a pautas polarizadas e mais a agendas concretas, o que levou a campanha a recalibrar a comunicação.

PRESENÇA TERRITORIAL – As viagens pelo país foram colocadas no centro da estratégia, tanto para ampliar presença territorial quanto para sustentar o discurso de viabilidade eleitoral. No Nordeste, aliados defendem maior inserção em eventos populares e agendas de rua, com menor mediação política e mais contato direto com o eleitor.

Nos bastidores, o diagnóstico é de que o crescimento captado pelas pesquisas ainda é concentrado nos setores de maior base — como a classe média, os evangélicos e nas regiões Sul e Sudeste — e não se sustenta sem expansão nesses grupos. Por isso, a ofensiva tem dupla função: reduzir rejeição e, ao mesmo tempo, fortalecer o argumento político nas negociações com aliados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFlávio mentiu quando disse que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) seria seu “sonho de consumo” como vice. Na verdade ele dorme e acorda sonhando com Romeu Zema, porque é praxe considerar que toda eleição presidencial é vencida em Minas Gerais. Mas está difícil, porque Zema acha que poderá ser um novo Collor, embora a História somente se repita como farsa, como dizia Karl Marx. (C.N.)

Lula trava investigação contra STF, mas temor eleitoral impõe distanciamento calculado

Governo blinda STF após ofensiva de CPI

Jeniffer Gularte
O Globo

A operação montada pelo governo para impedir a aprovação do relatório da CPI do Crime Organizado que pedia o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República representou, na prática, um gesto de reaproximação com a Corte.

Integrantes do Palácio do Planalto avaliam, porém, que manter um certo distanciamento ainda é necessário, pelo temor de desgaste eleitoral caso a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fique muito associada ao Supremo.  

CRIMES DE RESPONSABILIDADE – O parecer apontou crimes de responsabilidade que teriam sido cometidos pelos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e pelo chefe da PGR, Paulo Gonet, com base no escândalo do Banco Master. Isso motivou o Palácio do Planalto a agir de forma rápida, alterando integrantes do colegiado para garantir a derrubada do relatório.

Para auxiliares de Lula, se o governo se calasse ou se omitisse diante do caso,  uma crise sem precedentes entre os Poderes poderia ser iniciada. Neste sentido, de acordo com articuladores políticos de Lula, o governo viu necessidade de manobrar de forma célere para “estancar a sangria”.

Com aval do Planalto, a base governista articulou a substituição, na CPI,  de Sergio Moro (União-PR) e Marcos do Val (Podemos-ES), ambos integrantes do Bloco Parlamentar Democracia (MDB, PSDB, Podemos e União Brasil) e favoráveis ao parecer. Em seus lugares, entraram Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), alinhados ao governo e contrários ao relatório.

ERRO GRAVE – O Planalto viu erro grave do colegiado ao indiciar ministros do Supremo sem apontar crimes cometidos por qualquer pessoa ligada às maiores facções criminosas do país, como PCC e Comando Vermelho. A escolha de partir para uma ação “cirúrgica” ocorreu por decisão da gestão petista de demonstrar que há um limite que governo não vai deixar que seja ultrapassado.

Como mostrou O Globo em março, o governo passou a tentar se desvincular do STF devido aos desgastes gerados pelo escândalo da instituição de Daniel Vorcaro. O movimento mais enfático foi feito por Lula na semana passada, em entrevista ao ICL.

O presidente contou ter aconselhado Alexandre de Moraes a “não jogar a biografia fora” por conta do caso. Também sugeriu que o magistrado se declarasse impedido de analisar qualquer ação referente ao banco. O escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, recebeu ao menos R$ 80 milhões por serviço de consultoria jurídica ao Master em dois anos.

DESDOBRAMENTOS – A principal preocupação é que os desdobramentos do caso respinguem negativamente na campanha de Lula, especialmente por pesquisas associarem a atuação do governo a do STF.

Figuras importantes do PT, como o pré-candidato à Câmara José Dirceu e a ex-ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann passaram a defender publicamente uma reforma do Poder Judiciário:

— Se formos falar de reformas em instituições, precisamos de reformas em várias áreas, inclusive na política. Está na hora de, passadas as eleições, pensarmos de que forma arejamos as instituições nacionais, não só o Judiciário, mas também o Legislativo, através da reforma política e de outras ações — destacou Gleisi.

DISTANCIAMENTO – Apesar das manifestações públicas, auxiliares afirmam que o distanciamento é circunstancial e público. Na prática, Lula mantém conversas e telefonemas com a ala da Corte da qual é mais próximo, formada por Flávio Dino, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.

Esses interlocutores pontuam que o distanciamento não é “largar a mão”, mas sim uma sinalização de que os poderes são independentes. Na avaliação deles, isso é diferente de um afastamento.   

ALVOS – Como mostrou O Globo, um grupo de ministros do STF avalia que a Corte pode se tornar um dos alvos centrais da campanha eleitoral de 2026, seja via candidaturas da direita ou da esquerda.

Ministros avaliam que há risco concreto de que o STF se transforme em pauta de campanha não apenas para setores tradicionalmente críticos à Corte, mas também para candidatos alinhados ao governo.

Operação da PF atinge cúpula do BRB e revela esquema de R$ 12 bilhões para driblar o BC

Alcolumbre devia defender o Congresso, ao invés de se curvar diante do governo

As derrotas de Davi Alcolumbre, o político do baixo clero - Espaço Vital

Charge do Kacio (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

É uma boa hora para o senador Davi Alcolumbre (União-AP) mostrar-se autêntico presidente do Senado e do Congresso. Com vigoroso rigor e respeito à instituição e aos senadores, eleitos pelo povo, ele precisa repudiar ameaças e agressões dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao senador Alessandro Vieira (MDB-Sergipe).

A tensão é imensa. Poderes que deveriam manter a harmonia estão em pé de guerra. Chute na virilha é carinho. Não há no horizonte nada que indique sinais de paz e bom senso. 

DISSE A VERDADE – O senador Alessandro Vieira, grande e respeitado nome da nova e boa fornada de senadores, disse a verdade, ao proclamar que os ministros da Suprema Corte não são donos do país. Realmente, não são deuses. Não foram eleitos pelo povo, mas indicados por presidentes da república.

O relatório do senador na CPI do crime organizado foi derrotado, mas a pauta continua firme e aberta. Toffoli e Mendes não são os inventores do monopólio da verdade.

Antônio Carlos Magalhães, o saudoso ACM, como presidente do Senado, não admitia desaforos de outros poderes. O baiano defendia o congresso nacional com desassombro.

JOGAR AS PATAS – ACM certamente falaria grosso com qualquer autoridade que ousasse jogar as patas em algum parlamentar. No meu artigo aqui na Tribuna, na edição de 28 de março, sob o título “Restabelecer a moral e a ética no Supremo tornou-se um sonho para o povo brasileiro”, salientei que a podridão do Master que atingiu ministros do STF e grandes setores da vida pública é candente e descarada.

As manchas indecorosas das digitais imundas da escória togada e de banqueiros facínoras jamais se apagarão. 

Ormuz e o risco de um colapso global fazem a geopolítica ameaçar a economia real

Pequim diz que ação americana é ‘perigosa e irresponsável’

Pedro do Coutto

A condenação da China ao bloqueio naval e militar dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz não é apenas mais um capítulo da retórica diplomática internacional. Trata-se de um alerta estratégico — e, sobretudo, econômico — sobre os limites de uma escalada que já ultrapassa o campo militar e ameaça atingir o coração do sistema produtivo global. Ao classificar a medida como “perigosa e irresponsável”, Pequim vocaliza uma preocupação compartilhada por diversas potências: o risco de um conflito regional se transformar em uma crise sistêmica de alcance mundial.

O ponto central dessa tensão está na importância estrutural do Estreito de Ormuz. Por ali passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo, além de volumes expressivos de gás natural liquefeito — uma artéria energética vital para Europa, Ásia e economias emergentes.

INTERVENÇÃO – Interromper ou restringir esse fluxo não é apenas um ato militar: é uma intervenção direta na engrenagem da economia global. Quando o petróleo para, não é só o combustível que encarece — toda a cadeia produtiva é impactada, do transporte marítimo ao preço dos alimentos.

É nesse contexto que a posição chinesa ganha densidade política. A China não é apenas uma observadora: é uma das maiores importadoras de petróleo do Golfo e depende diretamente da estabilidade da região para sustentar seu crescimento econômico. Ao condenar o bloqueio, Pequim sinaliza não apenas uma discordância diplomática, mas uma defesa objetiva de seus interesses estratégicos. Ao mesmo tempo, reforça sua narrativa de potência moderadora, que aposta na estabilidade e na negociação, em contraste com a postura mais assertiva de Washington.

PRESSÃO GEOPOLÍTICA – A iniciativa americana, por sua vez, precisa ser compreendida dentro de uma lógica de pressão geopolítica mais ampla. O bloqueio busca estrangular economicamente o Irã e reconfigurar o equilíbrio de forças no Oriente Médio. No entanto, como alertam analistas internacionais, trata-se de uma estratégia de alto risco: ao tentar isolar Teerã, os Estados Unidos podem acabar desestabilizando mercados globais e tensionando relações com aliados europeus e asiáticos, que dependem diretamente dessa rota energética.

Os efeitos já começam a se desenhar. A redução do tráfego marítimo, o aumento do preço do petróleo e a insegurança nas rotas comerciais indicam que o impacto não será localizado. Países asiáticos já enfrentam pressões inflacionárias e medidas emergenciais no setor energético, enquanto a Europa observa com apreensão a possibilidade de escassez e aumento de custos.

PRIMEIRO ELO –  Mas o aspecto mais preocupante talvez seja outro: o risco de contaminação sistêmica. O petróleo é apenas o primeiro elo. A elevação dos custos energéticos impacta diretamente o transporte de grãos, encarece fertilizantes, pressiona cadeias logísticas e reduz a mobilidade global. Em um mundo ainda fragilizado por crises recentes, isso pode significar inflação persistente, retração econômica e aumento das tensões sociais.

O que está em jogo, portanto, não é apenas o controle de uma rota marítima, mas a estabilidade de um modelo global de interdependência. A crise de Ormuz revela, com clareza, como decisões geopolíticas podem rapidamente transbordar para o cotidiano das economias nacionais.

A reação chinesa, nesse sentido, não deve ser lida apenas como oposição aos Estados Unidos, mas como um aviso: há um limite para o uso da força como instrumento de política internacional. Quando esse limite é ultrapassado, o custo deixa de ser estratégico — e passa a ser global.

Libertação de Ramagem nos EUA leva à loucura a imprensa amestrada que serve ao PT

📱🎥 ESPOSA DE ALEXANDRE RAMAGEM PUBLICA VÍDEO DO EX-DEPUTADO CHEGANDO EM CASA NOS EUA, A advogada Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, publicou um vídeo nas redes sociais ...Carlos Newton

Reportagem de Alan Cardoso, da CNN Brasil, publicou na noite de ontem o vídeo divulgado nas redes sociais  pela  procuradora Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, mostrado imagens ex-deputado federal chegando em casa nesta quarta-feira (15), após ter sido solto nos Estados Unidos. Na filmagem, é possível ver o momento em que Ramagem reencontra a mulher e as filhas.

“Hoje, mais do que nunca, nosso coração transborda de gratidão. Graças a Deus pela chegada do Alexandre, que renova em nós a esperança, o amor e o sentido de tudo que enfrentamos até aqui”, escreveu Rebeca na legenda. “Seguimos acreditando que a justiça, no tempo certo, será feita. Porque aquilo que é verdadeiro não se apaga, e aquilo que é justo sempre encontra o seu caminho”, escreveu Rebeca na publicação.

INFRAÇÃO DE TRÂNSITO – Assim, ao contrário do que foi divulgado pela imprensa amestrada, não foi a Interpol que “prendeu” Ramagem, e fica confirmado que ele foi apenas detido para averiguações na última segunda-feira (13), pelo ICE (sigla em inglês para United States Immigration and Customs Enforcement), o Serviço de Imigração e Controle de Aduana dos Estados Unidos.

Inicialmente, o ex-parlamentar foi abordado devido a uma infração de trânsito, porque está com a situação irregular no país, mas já havia pedido asilo político, que ainda está sendo analisado e tudo indica que será deferido.

Esse episódio deixa mal a imprensa amestrada, que insistia em “informar” que Ramagem estava preso pela Interpol e logo seria extraditado. E o Ministério da Justiça também fica em situação vergonhosa por ter “escalado” sua área internacional para atuar junto aos EUA e cuidar da extradição do ex-parlamentar.

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P.S.
Em nome da liberdade de imprensa, a Tribuna da Internet publicou nesta quarta-feira dois artigos que desmentiam as informações que havíamos publicado sobre o incidente ser apenas uma infração de trânsito. E assim fica demonstrado que imprensa é informação livre, sem estar submetida a paixões político-partidárias, que caracterizam a atuação de jornalistas que não têm medo do ridículo. (C.N.)

Mau humor econômico corrói base de Lula e acende alerta vermelho para 2026

Moraes mostra desconhecer a lei e manda investigar “calúnia” de Flávio contra Lula

A nova decisão de Moraes que reforça precedente desfavorável para Bolsonaro  – CartaCapital

Arrogante, Moraes comete mais um “equívoco” jurídico

Carlos Newton

A jornalista Sarah Teófilo, de O Globo, informa de Brasília que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de inquérito policial para apurar suspeita de calúnia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A decisão ocorreu nesta segunda-feira após um pedido da Polícia Federal, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Flávio afirmou em nota que se limitou a noticiar fatos, destacando que a investigação configura uma tentativa de “cercear a liberdade de expressão”.

OS FATOS – Vamos então conferir como teria se configurado essa calúnia que tanto revoltou o excelentíssimo presidente da República. Bem, alega a Polícia Federal que em janeiro o senador do PL usou sua conta na rede social X (ex-Twitter) para associar Lula ao então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. E fez a seguinte previsão:

Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”, diz o texto reproduzido pela PF e por Moraes.

“Trata-se, portanto, de publicação realizada em ambiente virtual público, acessível a milhares de pessoas, por meio da qual se imputa fatos criminosos ao Presidente da República”, alegou Moraes, determinando a volta dos autos à PF, para que sejam adotadas as “providências cabíveis” em um prazo de 60 dias.

FATOS CRIMINOSOS? – Como se vê, a PF sustentou que a calúnia teria ocorrido nessa menção à prática de crimes como “tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”. Vamos, então, examinar a denúncia.

Bem, com todos sabem, é público e notório que desde sempre Lula e Maduro mantêm um relacionamento mais do que excelente, pois a Venezuela deve bilhões de reais ao Brasil e o governo Lula deixa rolar. Portanto, não há a menor calúnia em mencionar essa ligação político-afetiva, porque se trata de uma crítica verdadeiramente válida.

Todos sabem também que Maduro é um ditador que age como terrorista, desvia recursos públicos, faz lavagem de dinheiro e está envolvido em tráfico de armas e drogas, que são justamente as acusações que a matriz USA faz a ele, para desespero do atual governo da filial Brazil.

ERRO JUDICIÁRIO – Esse imbróglio mostra que a Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes, além de cometerem o erro judiciário de ver crime onde o que existe é opinião, também descumprem a própria Constituição que juraram obedecer.

Consultamos o extraordinário jurista Jorge Béja, e ele prontamente nos informou que os artigos 141 e 145 do Código Penal exigem que a ação contra quem ofende a honra do presidente da República depende de “requisição do ministro da Justiça” para que tenha curso.

No caso, Moraes determinou a abertura de inquérito com base apenas em um pedido da Polícia Federal, que não tem poderes para fazê-lo. Ou seja, o ministro comete um erro judiciário atrás do outro e sua nova decisão tem o mesmo valor do conhecimento constitucional que exibe – não vale nada, absolutamente nada.

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P.S.
Faço esse comentário apenas para enfatizar o surpreendente e inacreditável despreparo de determinados ministros do Supremo. Quanto a Flávio Bolsonaro, deveria ter sido investigado, processado e condenado lá atrás, quando foram descobertas as “rachadinhas”, as lavagens de dinheiro na compra de imóveis e as fraudes na administração da loja da franquia Kopenhagen, sem falar na condecoração a milicianos e outros procedimentos condenáveis. Mas quem se interessa? (C.N.)

STF adia decisão sobre nepotismo e mantém incerteza sobre nomeações políticas

Análise foi suspensa após pedido de vista de Gilmar Mendes

Fernanda Fonseca
CNN

O STF (Supremo Tribunal Federal) adiou, nesta quarta-feira (15), a conclusão do julgamento que discute se autoridades podem nomear parentes para cargos políticos, como secretários municipais e ministros de Estado. A análise foi suspensa após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

O caso trata do alcance da Súmula Vinculante 13, que proíbe a nomeação de parentes para cargos comissionados, funções de confiança e outras posições na administração pública. A Corte vai definir se essa vedação também se aplica a funções de natureza política, tema que terá efeito em todo o país.

MAIORIA – No ano passado, o tribunal chegou a formar maioria no sentido de permitir a nomeação de parentes para cargos políticos, como secretários municipais, estaduais e ministros de Estado, desde que observados critérios como qualificação técnica e ausência de nepotismo cruzado.
 
Na sessão desta quarta, no entanto, o relator, Luiz Fux, reviu o próprio voto e passou a defender que a vedação ao nepotismo também deve alcançar esses cargos, admitindo exceções apenas em situações específicas — como a inexistência de terceiros aptos ao exercício da função ou a recusa de profissionais qualificados —, circunstâncias que deverão ser comprovadas pelo gestor público.

PROVIMENTO NEGADO – Segundo o relator, a revisão levou em conta debates em plenário e a necessidade de evitar escolhas baseadas apenas em vínculos familiares quando houver alternativas disponíveis. No caso concreto, que envolve uma lei do município de Tupã (SP), o relator votou por negar provimento ao recurso, sendo acompanhado pelos ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia.

Dino, no entanto, manteve divergência quanto à tese geral, defendendo a aplicação integral da proibição, sem exceções. O presidente da Corte, Edson Fachin, ainda não votou. Com o pedido de vista, o julgamento foi interrompido sem data para retomada.

Wellington Dias expõe falha política e diz que Lula não colhe frutos de suas obras

Ministro culpa aliados de Lula nos estados

Caio Spechoto
Catia Seabra
Folha

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), disse à Folha que a falta de organização na base de apoio político do presidente Lula faz com que os programas do governo federal não impulsionem a popularidade do petista como poderiam.

Segundo esse raciocínio, setores aliados de Lula em alguns estados não creditam ao governo o mérito por programas federais, permitindo que o eleitorado associe as obras a outros grupos políticos. Dias mencionou indiretamente o fato de estarem computados como conquistas de políticos que, na prática, são oposição —mas não citou nomes.

CONGRESSO DOMINADO –  Lula —que, em 2025, disse que se tornaria cada vez mais esquerdista— convive com um Congresso hoje dominado por deputados e senadores de direita e do centrão. Conseguiu obter vitórias em votações importantes cedendo espaços a partidos que só o apoiam parcialmente, como PP e União Brasil.

O ministro admite que uma aliança tão ampla impõe como consequência a dificuldade de o governo reivindicar a autoria de suas obras. “Há esse efeito colateral onde ao mesmo tempo estamos fazendo [obras] com quem é governo e com quem é oposição”, diz.

GESTÃO FEDERAL – “Não tinha um sistema de água, agora tem. Não tinha uma UTI na cidade, agora tem. E, para a pessoa, quem fez isso não foi o governo do Brasil”, afirma. Dias cita que o governo federal transfere recursos para estados e municípios e que os políticos do local nem sempre explicitam que a ação realizada é em parceria com a gestão Lula.

“É como se fosse só do município ou só do estado. Em muitos lugares mudam até o nome do programa”, declara. “Em boa parte do país é como se a gente estivesse jogando [as ações] de um helicóptero. Quem está lá em baixo não sabe quem está no helicóptero”, acrescenta.

POPULARIDADE – O ministro cita o Piauí, onde foi governador por dois mandatos, como um dos lugares onde Lula é mais popular e obtém as maiores votações. O ministro atribui esses resultados à organização da base política local e à delimitação clara entre governistas e opositores.

“Quando a base do governo é mais organizada e mais presente, chega melhor à população a percepção de quem fez [a obra].”O órgão do governo com maior responsabilidade sobre a organização do apoio político ao presidente da República é o Ministério das Relações Institucionais. A pasta já foi comandada, no atual mandato de Lula, por Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann, ambos do PT. Dias não responsabiliza o ministério nem seus antigos ocupantes por essa falta de organização.

CARGO VAGO – O cargo de ministro das Relações Institucionais está vago desde quando Gleisi deixou o posto para poder se candidatar a senadora pelo PT do Paraná. Dias é um dos citados, nos bastidores, como possível substituto da agora ex-ministra.

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Datafolha: Lula tem o dobro de apoio entre idosos e patina entre jovens

Avaliação negativa do governo manteve-se estável

Luis Felipe Azevedo
O Globo

A rodada mais recente da pesquisa Datafolha mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem o dobro de apoio entre idosos do que junto aos mais jovens. O governo petista é avaliado como “ótimo e bom” por 18% dos brasileiros na faixa de 16 a 24 anos, enquanto 36% daqueles com 60 anos ou mais pensam da mesma forma. A margem de erro é de 5 pontos percentuais.

Entre os mais jovens, o governo Lula é avaliado como “regular” por 44% e “ruim ou péssimo” por 37%. Outros 2% não souberam responder. Na faixa de 60 anos ou mais, a gestão petista é vista como “regular” por 24% e “ruim ou péssima” por 37%. Já 3% não souberam responder.

16 a 24 anos 25 a 34 anos 35 a 44 anos 45 a 59 anos 60 anos ou mais
Ótimo e bom 18% 24% 29% 34% 36%
Regular 44% 30% 28% 24% 24%
Ruim ou pésssimo 37% 45% 42% 40% 37%
Não sabe 2% 1% 1% 2% 3%

 

CENÁRIO GERAL –  A poucos meses do início oficial da campanha eleitoral, em agosto, a avaliação negativa do governo do Lula manteve-se estável em 40%. Já a avaliação positiva recuou de 32% em março para 29%, enquanto a parcela que considera a gestão regular subiu de 26% para 29%.

No recorte sobre o desempenho pessoal de Lula em seu terceiro mandato, a reprovação oscilou de 49% para 51%, e a aprovação, de 47% para 45%. A percepção positiva supera a média entre os mais velhos (36%), os menos instruídos (43%) e os nordestinos (41%). Já a avaliação ruim ou péssima é mais frequente entre os mais instruídos (49%), moradores da região Sul (49%), evangélicos (52%) e quem recebe mais de 10 salários mínimos (58%).

AVALIAÇÃO SUPERIOR – Aos três anos e três meses de mandato, Lula mantém avaliação superior, nesse estágio, à do antecessor, Jair Bolsonaro (PL). No mesmo período de governo, Bolsonaro registrava 46% de ruim ou péssimo, 28% de regular e 25% de ótimo ou bom. O levantamento considera as gestões desde a redemocratização do país, em 1985.

A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03770/2026, foi realizada presencialmente com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, em 137 municípios do país, entre os dias 7 e 9 de abril.

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Sem grandes craques e dispensando Neymar, está difícil Ancelotti trazer a taça

Charge do Duke | A convocação de Ancelotti para a Seleção Brasileira | Rádio Itatiaia

Charge do Duke (Rádio Itatiaia)

Vicente Limongi Netto

Se dependesse do estrategista Golbery do Coutto e Silva haveria Copa do Mundo de futebol todo ano e Carnaval várias vezes por ano. Dizia que Copa do Mundo e Carnaval são as válvulas de escape do povo. Com Copa e Carnaval, os graves problemas da Pátria são esquecidos.

Bem, a Copa será em julho, com eleições em outubro. Tempo de sobra para os candidatos se fantasiarem de vibrantes torcedores. Camisas da seleção serão vendidas aos montes, para alegria dos comerciantes e camelôs, que esperam o Brasil finalmente conquistando o sonhado hexa, façanha nada fácil.

TAPAS E SAFANÕES – Os candidatos a presidente da República vão disputar no tapa e safanões o direito de ser aquele que nunca negou apoio moral e financeiro aos craques da almejada conquista.

Mas o clima de euforia que deverá tomar conta do país, não alcança os jogadores da seleção. A safra é fraca. Adversários não respeitam mais a seleção brasileira como antigamente.

Naquela época, a torcida sabia de cor a escalação do time  principal. Hoje a seleção é repleta de atletas razoáveis, bons apenas em clubes. A amarelinha pesa sobre eles e não assusta os adversários, que antigamente tremiam.

MONSTROS SAGRADOS – Muita quantidade, pouca qualidade. Nao temos mais monstros sagrados como Pelé, Tostão, Zico, Gerson, Rivelino, Garrincha, Didi, NIlton Santos, Zito, Romário, Ronaldo, Ronaldinho ou Zagalo. Craques que encantavam estádios do mundo inteiro.

Eram jogadores com personalidade. Sem tatuagens pelo corpo, brincos, cabelos pintados e carros milionários na garagem. Antigamente os craques notáveis primeiro jogavam para ganhar. Depois, sim, cobravam e exigiam merecidos prêmios pelas conquistas. 

O técnico atual, o italiano Carlo Ancelotti, chegou cheio de marra. Dono do Brasil. Ainda não ganhou nada, mas já exige renovação do contrato. Seria cretino, se não fosse gaiato e patético. Caso não traga o hexa na bagagem, é mais prudente que Ancelotti não volte ao Brasil. Do aeroporto mesmo, deve retornar à Itália.