Caiado é lançado pelo PSD com discurso anti-Lula e críticas ao legado Bolsonaro

Kassab diz que Caiado será a “terceira via” no pleito

Yago Godoy
O Globo

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a decisão de lançar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como o pré-candidato do partido à Presidência da República, foi motivada pelo fato do goiano ter “mais chances” de alcançar o segundo turno das eleições e, segundo ele, vencer a disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O líder partidário rechaçou que Caiado será a “terceira via” no pleito, sendo definido como uma “alternativa aos brasileiros”.

“A decisão foi por uma questão eleitoral, entendendo que Ronaldo Caiado tem mais chances de chegar no segundo turno. E chegando no segundo turno, que precisa chegar no segundo turno para ganhar as eleições, ele vencerá as eleições “, disse Kassab, em declaração concedida durante o evento Banco Safra Macro Day.

ELOGIOS – Kassab elogiou os outros presidenciáveis do PSD — os governadores Ratinho Junior, do Paraná, que desistiu da disputa, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, preterido pelo partido em relação a Caiado. Na manhã desta segunda-feira, Leite publicou um vídeo em que criticou a decisão e disse que postura mantém cenário de “polarização radicalizada”.

“Isso (escolher Caiado) não quer dizer que o Ratinho não teria sido um excelente candidato e um grande presidente da República. E da mesma maneira o Eduardo Leite, com a sua juventude, a sua vontade de acertar e, assim como o Ratinho, com a sua excelência e sua excelente gestão”, avaliou Kassab.

Ainda de acordo com o presidente do PSD, Caiado se colocaria como uma alternativa após os resultados de governos recentes. Ele declarou que os resultados positivos de Lula no campo social são “inegáveis”, mas criticou a gestão econômica do petista e os recentes “casos de corrupção”. Já ao lembrar do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Kassab afirmou que ele foi “lamentável” durante a pandemia da Covid-19, o que justifica sua rejeição.

OPORTUNIDADE – “Os últimos governos, e tanto a família Bolsonaro, quanto a família petista, tiveram suas oportunidades. A gente quer que venha alguém que ainda não teve oportunidade, e foi muito bem-sucedido em todas as missões que teve na sua carreira”, afirmou.

Nos últimos dias cresceu uma pressão, vinda de personalidades de centro de fora do PSD, para que Eduardo Leite fosse o escolhido. Os economistas e ex-presidentes do Banco Central Armínio Fraga e Pérsio Arida se posicionaram publicamente a favor de uma candidatura de Leite, mas a posição na cúpula do partido é que Caiado ainda seria o melhor nome para representar a sigla.

Já Ratinho Júnior desistiu da candidatura presidencial depois de considerar que estava com o futuro político ameaçado no Paraná, após o PL formalizar uma aliança com o senador Sergio Moro. Depois de indicar que aceitaria a candidatura, o governador recuou de olho na sucessão no comando de seu estado.

SUCESSÃO DIFÍCIL –  Se Eduardo Leite enfrenta um cenário interno adverso no Rio Grande do Sul, Caiado, pavimentou um caminho mais sólido para eleger seu sucessor, o vice-governador Daniel Vilela (MDB). Responsável por uma das gestões mais bem avaliadas do país, o governador deixar o cargo nas mãos de Vilela nesta semana, que terá liberdade para operar o governo até as eleições.

O vice de Caiado é filho de Maguito Vilela, que chefiou Goiás entre 1995 e 1998. A pré-candidatura foi lançada em 14 de março, em evento marcado pela formalização da filiação de Caiado ao PSD e que contou com a presença do presidente da sigla, Gilberto Kassab, e do líder nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi (SP).

PRETERIDO – Já Leite, por sua vez, agora preterido na corrida à Presidência, precisa deixar o Executivo gaúcho até o prazo máximo de desincompatibilização, estipulado para 4 de abril. A definição faria com que o vice, Gabriel de Souza (MDB), assumisse o governo a seis meses do pleito, o que lhe permitiria ampliar a capilaridade no estado e buscar consolidar costuras de olho em uma candidatura mais forte à reeleição.

Apesar disso, na semana passada, o governador gaúcho já havia declarado que, caso não fosse o escolhido por Kassab, ficaria no cargo até o fim de seu mandato, que termina em dezembro. O cenário dificulta a vida de Gabriel, que possui a forte concorrência do deputado federal bolsonarista Luciano Zucco (PL) e, à esquerda, dos ex-deputados estaduais Edegar Pretto (PT) e Juliana Brizola (PDT) — todos aparecem com vantagem sobre Souza nas pesquisas de intenção de voto.

Se você quiser falar com Deus, precisa seguir as recomendações de Gilberto Gil

Salvador celebra Gilberto Gil em noite de homenagem e resistência

Gilberto Gil nos ensina a rezar conforme a música

Paulo Peres
Poemas & Canções

O político, escritor, cantor e compositor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, conhecido como Gilberto Gil, na letra “Se Eu Quiser Falar Com Deus”, retrata o cotidiano na sua mais pura realidade, enfatizando o desapego aos bens materiais e os sacrifícios de purificação para estar merecedor de estar diante de Deus.

Essa belíssima canção foi composta em homenagem à religiosidade de Roberto Carlos, que não quis gravar, por considerá-la forte demais, e acabou sendo gravada pelo próprio Gilberto Gil, em 1980, pela WEA.

SE EU QUISER FALAR COM DEUS
Gilberto Gil

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

Debandada no governo Lula: 16 ministros deixam cargos para disputar poder nos estados

Prazo para a desincompatibilização termina no sábado 

Guilherme Balza
G1

Pelo menos 16 ministros vão deixar suas pastas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana para concorrer a algum cargo nas eleições de outubro ou para ajudar nas campanhas nos estados, segundo levantamento feito pela GloboNews. O número pode subir, uma vez que a situação de quatro ministros ainda não está definida. O terceiro mandato de Lula deve bater o recorde de saídas de ministros para disputar as eleições.

No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022, foram 10 trocas, mesmo número observado nos últimos anos de mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014, e do segundo governo de Lula, em 2010. O prazo para a desincompatibilização de cargos públicos para disputar as eleições termina no próximo sábado (4), mas Lula fará uma reunião nesta terça-feira (31) com os atuais ministros e os substitutos, numa espécie de passagem de bastão. Segundo auxiliares, o presidente deseja efetivar o máximo de trocas já na terça.

AFASTAMENTO – Algumas autoridades que pretendem concorrer a cargos eletivos em outubro devem se afastar, de forma temporária ou definitiva, do cargo ou função que ocupam. Os prazos variam de três a seis meses, dependendo da função atual de quem deseja disputar um mandato.

O elevado número de saídas neste ano tem dois motivos principais: para melhorar a governabilidade, Lula montou um gabinete com muitos ministros, de vários partidos, que foram eleitos para o Legislativo em 2022 e agora vão tentar se eleger novamente. Além disso, o presidente escalou seus principais auxiliares para disputar as eleições, seja para ajudá-lo a conseguir votos nos estados ou para tentar impedir que a oposição eleja muitos senadores.

De acordo com auxiliares de Lula, o presidente quer minimizar a possibilidade de que as trocas atrapalhem o andamento do funcionamento do governo. Por isso, na maioria dos casos, os secretários-executivos dos ministérios – que estão logo abaixo dos atuais titulares na hierarquia das pastas – foram escolhidos para substituir os ministros. No entanto, há algumas exceções. Bruno Moretti, que hoje é secretário de Análise Governamental da Casa Civil, é um nome citado por auxiliares de Lula para ocupar a vaga de Simone Tebet (PSB) no Ministério do Planejamento e Orçamento.

“SUCESSOR NATURAL” – O nome dado como certo para substituir Gleisi Hoffmann (PT) na articulação política era o do chefe do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, Olavo Noleto. A própria ministra o qualificou como um “sucessor natural”.

Porém, nos últimos dias, Lula manifestou a aliados que deseja alguém com experiência no Legislativo, ou seja, que já tenha cumprido mandato como senador ou deputado, o que não é o caso de Noleto. O chefe do Conselhão, no entanto, ainda não está descartado.

SAÍDA CONFIRMADA – Ministros com saída confirmada do governo e que podem disputar governos estaduais: Fernando Haddad (PT), da Fazenda, já deixou o governo e lançou pré-candidatura ao governo de São Paulo; Renan Filho (MDB), dos Transportes, deve disputar o governo de Alagoas, onde já foi governador por dois mandatos.

Podem disputar o Senado:  Rui Costa (PT), da Casa Civil, concorrerá ao Senado na Bahia, estado que governou por oito anos; Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, já foi senadora pelo Paraná e deve disputar uma das duas vagas no mesmo estado; Simone Tebet (PSB), do Planejamento, mudou do MDB para o PSB e também o domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo, pode fazer parte da chapa de Haddad; Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente, pode mudar de partido e também se lançar ao Senado por São Paulo; André Fufuca (PP), do Esporte, é deputado atualmente e deve ser candidato ao Senado pelo Maranhão; Carlos Fávaro (PSD), da Agricultura, foi exonerado para tirar vaga da oposição na CPMI do INSS na sexta-feira (27) e disputará reeleição em Mato Grosso. Waldez Góes (PDT), da Integração Nacional, pode disputar o Senado no Amapá, onde já foi governador.

Podem disputar vaga na Câmara dos Deputados:  Silvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos, mantinha o desejo de ser candidato ao Senado por Pernambuco, mas deve se candidatar à reeleição para deputado; Paulo Teixeira (PT), do Desenvolvimento Agrário, vai disputar a reeleição por São Paulo; Anielle Franco (PT), da Igualdade Racial, vai disputar sua primeira eleição disputando uma vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro; Sônia Guajajara (PSOL), dos Povos Indígenas, disputará a reeleição por São Paulo.

ASSEMBLEIAS ESTADUAIS – Pode disputar vaga nas assembleias estaduais: Macaé Evaristo (PT), dos Direitos Humanos, deve concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Devem ajudar nas campanhas: Geraldo Alckmin (PSB), da Indústria e Comércio Exterior, deve ser o vice novamente, além disso, deve ajudar na campanha estadual da chapa de Lula em São Paulo; Camilo Santana (PT), da Educação, deve coordenar a campanha de Elmano Freitas (PT) ao governo do Ceará, mas também pode ser o candidato do partido ao cargo.

INDEFINIÇÃO – Em situação indefinida estão: Márcio França (PSB), do Empreendedorismo, deseja disputar uma vaga ao Senado em São Paulo, mas também é cotado para substituir Alckmin no MDIC; Wolney Queiroz (PDT), da Previdência, estuda concorrer ao cargo de deputado federal em Pernambuco, embora o cenário mais provável seja a permanência no ministério; Alexandre Silveira (PSD), de Minas e Energia, pode ser candidato ao Senado em Minas Gerais ou seguir no governo para lidar com a crise dos combustíveis; Luciana Santos (PC do B), da Ciência e Tecnologia, que pode concorrer a algum cargo em seu estado natal, Pernambuco.

Outro ministro que deixará o governo, mas não para disputar um cargo nas eleições, é o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, que irá atuar como marqueteiro na campanha de Lula. A previsão é que ele deixe o governo apenas no meio do ano.

Envolvimento de ministro do TCU com Vorcaro é fato gravíssimo a ser apurado

Bancada do PT formaliza apoio a Jhonatan de Jesus para o TCU e tenta atrair Republicanos à base de Lula

Jhonatan de Jesus trabalhou no TCU em favor do Master

Marcus André Melo
Folha

Quando Aliomar Baleeiro publicou “O Supremo Tribunal Federal, Esse Outro Desconhecido” (1968), pouco se sabia sobre a instituição. Hoje sabe-se pouco sobre o TCU. Mas ele tem estado nas páginas policiais.

Os indícios de que o ministro do TCU Jhonatan de Jesus agiu em conluio com Daniel Vorcaro para pressionar o Banco Central a cancelar a intervenção no Master são fato gravíssimo.

ESCÂNDALO NO RIO – No Rio de Janeiro, cinco ex-conselheiros de contas foram afastados e condenados por receberem propinas; um deles está preso pelo assassinato de Marielle Franco. Em Roraima, terra do ministro, dois conselheiros perderam o cargo e foram condenados a 11 anos atrás das grades.

O TCU não é um tribunal. Dizer que é uma jabuticaba é um clichê, mas, na realidade, há poucas instituições no Brasil às quais a expressão se aplica. Não há paralelo internacional equivalente à corte de contas brasileira.

Cerca de 45 instituições superiores de controle são tribunais, enquanto 152 adotam outros modelos (auditor-geral e colegiados de auditores). O modelo brasileiro é único.

JEITINHO BRASILEIRO – O TCU não é tribunal jurisdicional de contas puro ou stricto sensu, como ocorre em muitos modelos europeus. Ou seja, não responsabiliza diretamente agentes políticos e gestores como fazem os tribunais de contas jurisdicionais stricto sensu.

Suas decisões são passíveis de revisão judicial, o que levanta questões sobre sua efetividade e autoridade decisória, o que impacta a celeridade dos processos: após o julgamento nos TCs, pode-se instaurar um processo na Justiça propriamente dita.

O TCU é subordinado ao Poder Legislativo. Dos 9 ministros, 6 são nomeados pelo Legislativo; 3 pelo presidente, 2 dos quais devem ser auditor ou membro do MP de contas.

MULHER DE GOVERNADOR – No plano estadual, 4 dos 7 conselheiros são indicados pela Assembleia, um de livre nomeação do Executivo (9 esposas de governadores foram nomeadas conselheiras, 5 deles são ou foram ministros do atual governo).

Os incentivos dinásticos e políticos com interesses do Executivo e/ou da base majoritária na Assembleia são apenas um dos problemas para o controle efetivo das contas públicas.

Atividade de controle é, por definição, contramajoritária. Salvo no Brasil. Em contraste com o modelo de auditor nos países como Grã-Bretanha, Austrália, Canadá ou África do Sul, a nomeação do auditor-geral compete à minoria, que também preside a comissão de contas públicas no Congresso.

INFLUÊNCIA POLÍTICA – Os tribunais detêm excepcional capacidade técnica —e o país tem se beneficiado delas—, mas sua estrutura decisória revela uma tensão permanente entre a cúpula política — subordinada à lógica política — e seu corpo de auditores, pautado pelo profissionalismo.

A população espera punições e sanções pelos “tribunais” — o que não acontece, embora eles não sejam tigres sem dentes (podem sustar licitações e afetar elegibilidade eleitoral).

As auditorias financeiras e de conformidade não levam a investigações que são tipicamente exercidas pela polícia e são incapazes de revelar esquemas complexos de corrupção. Seus achados acabam produzindo atestados de probidade (juízos de contas) que são, na realidade, falsos negativos. A reforma do sistema bate à porta.

Lula acertará se mantiver Alckmin como seu candidato a vice-presidente

Com Alckmin, Lula conseguiu reduzir resistências

Pedro do Coutto

Em política, decisões aparentemente simples costumam carregar grande densidade estratégica. A sinalização de que Luiz Inácio Lula da Silva deve manter Geraldo Alckmin como seu vice na campanha à reeleição em 2026, segundo o jornalista Lauro Jardim, do O Globo, vai exatamente nessa direção: mais do que uma escolha natural, trata-se de uma decisão politicamente madura — e, ao que tudo indica, a mais acertada.

Desde 2022, a composição entre Lula e Alckmin não foi apenas uma aliança eleitoral, mas uma engenharia política cuidadosamente desenhada para ampliar o campo de apoio do governo. Ao trazer um nome historicamente ligado ao centro e ao eleitorado paulista, Lula conseguiu reduzir resistências, dialogar com setores mais moderados e construir uma base mais ampla em um país profundamente polarizado. Essa lógica não perdeu validade — ao contrário, tornou-se ainda mais relevante.

ESTABILIDADE – A manutenção de Alckmin transmite um sinal claro de estabilidade. Em um cenário político marcado por volatilidade, ruídos institucionais e disputas narrativas intensas, a previsibilidade se torna um ativo valioso. O eleitor médio, especialmente aquele mais distante da militância ideológica, tende a valorizar arranjos que indicam continuidade, equilíbrio e ausência de sobressaltos.

Além disso, há um fator eleitoral decisivo: São Paulo. Maior colégio eleitoral do país, o estado segue sendo peça-chave em qualquer disputa presidencial. Alckmin, com sua longa trajetória política e forte identificação regional, continua sendo um ativo importante para Lula nesse território. Substituí-lo, a esta altura, significaria abrir mão de uma vantagem concreta sem garantia de compensação equivalente.

FRAGMENTAÇÃO – Outro ponto que reforça a correção da escolha é o cenário do campo adversário. O bolsonarismo, que já se apresentou como força coesa e disciplinada, hoje enfrenta sinais de fragmentação e disputa interna. Nesse contexto, a estratégia mais eficiente para o governo não é reinventar sua fórmula, mas consolidar aquilo que já demonstrou funcionar. Manter Alckmin é, portanto, uma aposta na racionalidade política.

Isso não significa ausência de desafios. O próprio Partido dos Trabalhadores enfrenta tensões internas em alguns estados, e a construção de alianças regionais continuará exigindo habilidade e negociação. Mas esses são elementos inerentes ao jogo político — e não se resolvem com mudanças bruscas na chapa presidencial.

Há também o papel de outras lideranças, como Fernando Haddad, que devem atuar de forma complementar na estratégia eleitoral, seja fortalecendo palanques regionais, seja contribuindo para a narrativa econômica do governo. O equilíbrio entre essas forças é justamente o que dá consistência ao projeto.

ALIANÇA – No fim das contas, a manutenção de Alckmin ao lado de Lula revela uma compreensão clara do momento político: em vez de arriscar em movimentos incertos, o presidente opta por preservar uma aliança que amplia, equilibra e agrega.

Em eleições apertadas — como têm sido as brasileiras —, não se trata apenas de conquistar novos votos, mas de não perder aqueles que já foram conquistados. E, nesse aspecto, Alckmin continua sendo um dos principais fiadores dessa base ampliada.

Se a política é, em grande medida, a arte de escolher riscos, Lula parece ter feito aqui uma escolha consciente: reduzir incertezas e apostar na estabilidade. Em tempos de polarização e imprevisibilidade, isso não é pouco — é estratégia.

Kassab esquece o que prometeu a Eduardo Leite e lança candidatura de Caiado

PSD busca tempo para aplacar as divergências

Dora Kramer
Folha

A saída de Ratinho Júnior da cena presidencial embolou o jogo e tensionou o ambiente no PSD. Dada como certa num primeiro momento, a candidatura de Ronaldo Caiado deslocou-se para o terreno da incerteza,  mas acabou sendo confirmada nesta segunda-feira..

O anúncio, antes previsto para o final da semana,  podendo se estender para 3 de abril, a depender das tratativas, teve de ser antecipado, porque Eduardo Leite insistia em reivindicar a vaga. Pior: poderia não apoiar o colega. Pediu a Gilberto Kassab o adiamento porque se Caiado fosse anunciado de imediato, daria a impressão de que o papel dele, Leite, fora desde sempre decorativo.

MAIS TEMPO – Combinou-se, então, que seria dado ao governador do Rio Grande do Sul um tempo, uma chance de se posicionar publicamente para mostrar que teria condições de ser o candidato a presidente e, assim, tentar mudar internamente o rumo das águas correntes em favor do governador de Goiás.

Mas ninguém pode confiar em Kassab, que decidiu lançar Caiado imediatamente, para evitar o prosseguimento das pressões de fora, vindas de setores mais identificados com o centro. por onde transitam empresários, intelectuais, ex-ministros, políticos e personalidades de peso na vida nacional.

Esse pessoal considera que Eduardo Leite estaria mais apto do que Caiado para carregar a bandeira da reconstrução do caminho do meio entre as correntes representadas por Lula (PT) e Bolsonaro (PL). Não necessariamente para vencer agora, mas para acumular forças com vista à disputa em 2030.

VANTAGEM – Nessa perspectiva, o gaúcho levaria vantagem em dois aspectos: de geração (acabou de fazer 41 anos) e de visão de mundo mais próxima do chamado centro-democrático com um misto de pitadas de esquerda e plumagem tucana, enquanto o político goiano já tem 77 anos de idade e carreira política na direita. Mas Kassab acelerou a decisão, com medo de rachar o partido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEduardo Leite cometeu um gravíssimo erro ao ingressar no PSD de Gilberto Kassab. Não percebeu que o dono do partido jamais permitiria sua candidatura nem autorizaria a realização de prévias. Kassab acha que o governador gaúcho é independente demais e vai lhe causar problemas. Agora, Leite está procurando uma saída honrosa, mas não há nenhum partido decente que possa acolhê-lo como candidato. O melhor seria entrar no MDB e sair candidato ao Senado, uma vitória certa. (C.N.)

“Escândalo do Master não tem coloração partidária”, diz ex-líder do União Brasil

Diálogos provam que Moraes realmente vendeu “proteção” ao banqueiro Vorcaro

"Vorcaro tinha toda razão do mundo para acreditar que Moraes poderia  bloquear sua prisão"

Mulher de Moraes embolsou R$ 75 milhões de Vorcaro

Carlos Newton

É inacreditável, abominável e execrável que ainda exista alguém capaz de defender o ministro Alexandre de Moraes. Seus diálogos com Daniel Vorcaro via celular provam que ele realmente vendeu “proteção” ao banqueiro fraudador por R$ 129,6 milhões, sob o manto de um suposto contrato de prestação de serviços a serem prestados pelo escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, que plagiou trabalhos de outros escritórios de advocacia, para fingir mostrar serviços.

Recordar é viver. Para incriminar Moraes, basta conferir a desesperada troca de mensagens entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025, desde o início da manhã e só interrompida pela prisão do dono do Banco Master pela Polícia Federal, no aeroporto de Guarulhos, quando ia pegar um jatinho e fugir para Malta. 

Vejam abaixo a cronologia das mensagens, publicada por Hugo Henod no Estadão.

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7h19 – VENDA DO MASTER
– A primeira mensagem entre Vorcaro e Moraes foi enviada bem cedinho, num horário em que ninguém se atreveria a ligar para alguma autoridade. Na mensagem, o banqueiro detalha ao ministro a fictícia operação de venda do Banco Master ao  grupo Fictor, em parceria com investidores dos Emirados Árabes Unidos. Na empolgação de manter o cliente de sua mulher, Moraes nem percebe que a tal venda a um grupo pré-falido era apenas um golpe para possibilitar a fuga de Vorcaro para o exterior.

Na mensagem enviada ao ministro, o banqueiro escreveu: “Bom dia, tudo bem? Estou tentando antecipar os investidores aqui e tenho chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte. e ai eu irei pra lá pra tentar assinatura dos demais investidores estrangeiros

Na sequência, Vorcaro encaminha outra mensagem e menciona o avanço de informações sobre o caso que o envolvia. “De um outro lado, acho que o tema que falamos começou a dar uma vazada, obviamente sem qualquer detalhe. mas a turma do BRB me disse que tá tendo um movimento de sacanagem do caso. e que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá. se vazar algo será péssimo, mas pode ser um gancho pra entrar no circuito do processo. Se tiver alguma novidade, vamos falar.

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8H16 – MORAES RESPONDE EM SIGILO – 
Moraes respondeu às 8h16, mas o conteúdo da mensagem não é conhecido porque o ministro utilizou o recurso de visualização única do WhatsApp.

Para preservar o sigilo das conversas, Vorcaro e Moraes escreviam os textos em blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens pelo aplicativo. Como as fotos desaparecem após serem abertas, as respostas do ministro não ficaram registradas, mas os rascunhos produzidos por Vorcaro permaneceram armazenados no histórico do aparelho..

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17H22 – NOVA MENSAGEM A MORAES – 
No fim da tarde, Vorcaro voltou a enviar uma mensagem ao ministro Alexandre de Moraes, retomando o tema da tentativa de venda do Banco Master, discutida no início daquela manhã.

Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”, diz o texto registrado às 17h21 no bloco de notas do celular do banqueiro. O relógio do aparelho marca 17h22 no momento em que o print da mensagem foi capturado.

Naquele momento, não houve resposta do ministro. Minutos depois, a venda parcial do Master ao grupo Fictor foi anunciada ao mercado. No comunicado, o grupo informou que pagaria R$ 3 bilhões pelo banco em operação realizada com um consórcio de investidores árabes.

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17H26 – “CONSEGUIU BLOQUEAR?” – 
Sem resposta do ministro até então, Vorcaro volta a enviar uma mensagem cobrando atualizações: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, escreve o banqueiro, sem especificar a qual assunto se refere.

O ministro responde seis minutos depois, às 17h31, repetindo a estratégia de envio de mensagens com visualização única, o que impede saber qual foi o conteúdo da resposta.

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19H58 – VORCARO VOLTA A COBRAR – 
Vorcaro volta a pedir atualizações às 19h58 e indaga: “Alguma novidade?”, novamente com a precaução de não expor o tema tratado. Moraes responde em seguida com duas mensagens sigilosas, às 20h21 e às 20h23.

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20H48 – MENSAGEM ANTES DA PRISÃO – 
Às 20h48, Vorcaro volta a enviar mensagem ao ministro Alexandre de Moraes. Apesar de as duas respostas anteriores do magistrado não estarem disponíveis – por terem sido enviadas com o recurso de visualização única-, o conteúdo indica que o banqueiro respondia a um questionamento feito pelo ministro.

Segundo a Polícia Federal, Moraes não respondeu com nova mensagem de visualização única e reagiu apenas com um emoji em sinal de aprovação.

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22H – VORCARO É PRESO – 
O banqueiro foi preso pela PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Os investigadores apontaram tentativa de fuga.

Detalhe importante revelado por Malu Gaspar em O Globo mostra que existe outro registro anterior de diálogo entre Moraes e Vorcaro, em 1º de outubro de 2025, mas novamente sem conteúdo, porque o banqueiro e o ministro apagavam as mensagens ou enviavam com visualização única. De acordo com investigadores, há também telefonemas entre eles.

Após a revelação das mensagens, a assessoria do ministro divulgou uma nota na sexta-feira, 6, na qual ridiculamente tenta nega que os textos encontrados no celular de Vorcaro, no dia de sua prisão, tenham sido enviados a ele. Garantindo a Piada do Ano, o gabinete de Moraes afirmou que os prints das mensagens “estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionados” ao ministro.

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P.S.
A reportagem de Hugo Henud é definitiva. Mostra que a Polícia Federal tem abundantes justificativas para investigar Alexandre de Moraes, não importa que ele seja ministro  do Supremo ou de alguma seita pentecostal. O fato é que se vendeu a um criminoso e existem 129 milhões de provas de que isso é verdadeiro. Em qualquer país democrático, as autoridades já teriam tomado providências, com afastamento do ministro, abertura de inquérito pela Polícia Federal e também pelo Senado, para decidir o impeachment. Mas nada acontece e ele continua sentado lá, protegido pela toga e julgando crimes dos outros, quando seu lugar agora deveria ser no banco dos réus. (C.N.)

Já era esperado que os ministros do Supremo passassem a discriminar Mendonça…

Brasil vive tempos obscuros: quando parece que vai melhorar, a situação piora

Quem vai rodar? Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira  (23). #meio #newsletter #charge #delacao #vorcaro

Charge do João Spacca (Canal Meio)

Roberto Nascimento

Uma tristeza corrói nossa alma, com o Brasil vivendo tempos nada republicanos. Vejam o exemplo de Cláudio Castro, que era governador do Rio, foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral e se tornando inelegível por oito anos, o que seria uma dádiva dos céus para os eleitores. Mas pode recorrer sub judice e ser eleito senador, para ser cassado mais à frente.

Mas será que o Supremo vai confirmar a condenação? Lembrem que ministro André Mendonça, o atual queridinho da Globo e dos jornalistas, também votou pela absolvição de Cláudio Castro, em dobradinha com o ministro Nunes Marques. Os dois foram votos vencidos, perderam de 5 a 2.

E O IBANEIS? Entretanto, há um caso ainda pior do que o de Cláudio Castro. Trata-se das embrulhadas do governador de Brasília, Ibaneis Rocha. Todo dia lemos notícias negativas sobre ele, como o “investimento” de R$ 12 bilhões, jogados fora na podridão do Master pelo Banco Regional de Brasília, que é estatal e seu presidente Paulo Henrique Costa foi nomeado por Ibaneis.

Depois da cumplicidade com a roubalheira do Vorcaro, vem a noticio de que o escritório de advocacia de Ibaneis, hoje administrado pelo filho, vendeu os honorários de precatórios, no total de 85,5 milhões de reais, a um fundo de investimentos ligado à Reag, financeira que fazia lavagem de dinheiro para o Master. Essas operações ocorreram entre 2019 e 2024.

E não acontece nada. Todos os pedidos e impeachment foram rejeitados pela Câmara Distrital. O Judiciário faz de conta que Ibaneis não existe. Qualquer criminoso de elite consegue escapar.

FORA DA CURVA – A prisão de Vorcaro foi apenas um ponto fora da curva. O que vai acontecer a Ibaneis é a pergunta que não quer calar e grita nos ouvidos moucos da República, aquela que está longe de ser dos nossos sonhos.

Agora teremos um novo Tribunal Superior Eleitoral. Como se sabe, o TSE é composto por sete ministros, três do Supremo Tribunal Federal e quatro indicados entre ministros do Superior Tribunal de Justiça e advogados com experiência em questões eleitorais.

Atualmente a ministra Carmem Lúcia é a presidente. A partir de agosto, finda o mandato dela e o novo presidente que está na fila é justamente o ministro Nunes Marques, o vice-presidente será o ministro André Mendonça e o terceiro, Dias Toffoli.

FUNDO DO POÇO – Essas três peças raras vão compor o Tribunal Eleitoral nas eleições de outubro. A gente pensa que chegou ao fundo do poço e não há mais como piorar, mas logo surgem péssimas novidades.

E assim a crise institucional se torna um mistério das Mil e Uma Noites. Triste Brasil. O povo é trabalhador e resiliente, mas a elite não vale um tostão furado.

“Uma delação Sob Medida” é título de música de Chico e Edu Lobo. Como tudo gira em torno de dinheiro, quem acertar os termos da delação de Daniel Vorcaro, o fraudador, lavador de dinheiro, operador financeiro e encantador de serpentes dos três Poderes, com destaque para o Centrão, vai levar uma bolada das grandes. Delação meia-sola ou meia-bomba, é o que gregos e troianos acreditam na bolsa de apostas em Brasília.

Fachin segue decisão de Gilmar e mantém sigilo que protege empresa de Toffoli

Fachin afirma que não cabe usar suspensão de liminar

Mariana Muniz
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, rejeitou o pedido da CPI do Crime Organizado para suspender a decisão do ministro Gilmar Mendes que anulou a quebra de sigilos da empresa Maridt Participações, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli.

A comissão tentava reverter a decisão por meio de um instrumento conhecido como suspensão de liminar, mas teve o pedido barrado por Fachin. Na decisão, assinada na sexta-feira, Fachin afirmou que esse tipo de medida não é, em regra, cabível contra decisões individuais de ministros do próprio STF.

ENTENDIMENTO CONSOLIDADO – Segundo Fachin, a Corte já tem entendimento consolidado nesse sentido, o que inviabiliza o uso da chamada “contracautela” para revisar decisões monocráticas de seus integrantes.

O caso tem origem em um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes que declarou nulo um requerimento da CPI que determinava a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt, além do acesso a dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A decisão foi dada de ofício pelo ministro, sob o entendimento de que houve irregularidades na atuação da comissão.

Ao rejeitar o pedido, Fachin destacou que a suspensão de liminar é uma medida excepcional, voltada apenas a evitar riscos graves à ordem, à saúde, à segurança ou à economia públicas, e não pode ser usada como substituto de recurso ou como forma de revisão ampla de decisões judiciais.

HIERARQUIA – O ministro ressaltou ainda que não há hierarquia entre os integrantes do STF, o que impede que a Presidência funcione como instância revisora de decisões individuais.

Segundo ele, a atuação do presidente da Corte nesse tipo de mecanismo é restrita a situações muito específicas, como quando há afronta direta a decisões colegiadas . “Não se admite qualquer relação hierárquica entre seus ministros”, escreveu Fachin ao justificar a impossibilidade de analisar o mérito da decisão de Gilmar por essa via.

INTERFERÊNCIA – Ao recorrer ao STF, a CPI sustentou que a decisão de Gilmar teria causado “grave lesão à ordem pública” ao interferir na competência investigativa do Legislativo. Também alegou que o uso de habeas corpus seria inadequado no caso, já que não haveria ameaça à liberdade de locomoção, mas apenas medidas de natureza patrimonial e informacional.

No mês passado, Toffoli admitiu em nota que é sócio da Maridt, empresa que vendeu uma participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, para um fundo do cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Toffoli disse que declarou à Receita Federal os valores recebidos na negociação e afirmou que nunca “recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

SUSPEIÇÃO – A empresa de Toffoli integrou a administração do resort até fevereiro de 2025. O ministro foi relator, na Corte, da investigação envolvendo o banco. Ele pediu para deixar o caso após a Polícia Federal entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, o material encontrado no celular de Vorcaro, em que há menções a Toffoli. O ministro André Mendonça foi sorteado e assumiu a relatoria do processo.

Após a decisão de Fachin, a o residência da CPI do Crime Organizado, sob o comando do senador Fabiano Contarato (PT-ES), disse lamentar a decisão de manter a suspensão da quebra de sigilos da empresa Maridt Participações.

Em nota, a Comissão afirmou que a medida limita as investigações e fere as prerrogativas constitucionais do colegiado. A CPI informou que irá recorrer e aguarda que o Plenário do STF restabeleça os poderes investigativos da comissão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFachin tem personalidade fraca é aceita ser manejado por Gilmar Mendes, Alexandre Moraes, Flávio Dino e Dias Toffoli, que comandam com mão de ferro o Supremo. Infelizmente, esta é a realidade. (C.N.)

Nos EUA, Flávio Bolsonaro pede monitoramento internacional e mira Judiciário brasileiro

O que estará faltando para o presidente decretar intervenção no Estado do Rio?

Fachin assume STF em meio crise interna e pressão externa

Fachin não consegue fazer os ministros se entenderem

Jorge Béja

A situação do Estado do Rio de Janeiro, seja no tocante à segurança pública, e mais ainda, à garantia do livre exercício do Poder Executivo, se encontra no momento propício para a decretação, pelo presidente da República, da intervenção federal, tantas são as esculhambações e desatinos.

Tudo é vergonhoso e danoso para a história e para o sentimento da população fluminense. Os motivos aqui indicados independem de comprovação, por serem públicos e notórios. E estão previstos expressamente no artigo 34, III e IV da Constituição Federal.

“A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para….III – pôr termo a grave comprometimento da ordem pública…IV – garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas Unidades da Federação “.

CAOS ESTADUAL – Em razão da notoriedade do caos em que se encontra a administração do Estado, o presidente da República nem precisa ser provocado, nem depende de solicitação ou requisição de qualquer dos Poderes do Estado do Rio para decidir sobre a decretação da intervenção.

E se tanto fosse exigido, o desembargador presidente do Tribunal de Justiça, que ocupa provisoriamente o cargo vacante de governador, ele  próprio tem poder e legitimidade para endereçar a solicitação ao presidente da República.

É o que prevê o artigo 36, I, da Constituição Federal: “Art. 36 – a decretação da intervenção dependerá:  I – no caso do artigo 34, IV, de solicitação do Poder Executivo coacto…”.

INCOMPATIBILIDADE – Nada mais claro e evidente. O desembargador comanda o Tribunal de Justiça e não pode, ao mesmo tempo, governar o Estado e presidir o Poder Judiciário.

Diga-se ainda que as querelas que tramitam no Supremo Tribunal Federal, cujos ministros não se entendem a respeito da sucessão do governo do Rio, perderão sua eficácia e seus efeitos, ante à decretação da intervenção federal até 31 de dezembro de 2026.

E as águas de março vieram mais uma vez, como Tom Jobim tinha previsto…

No Brasil é tudo importado: eu, você, a língua, os índios, a cana-de-açúcar e o café.... Frase de Tom Jobim.Paulo Peres
Poemas & Canções

O maestro, instrumentista, arranjador, cantor e compositor carioca Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994) é considerado o maior expoente de todos os tempos da música brasileira e um dos criadores do movimento da bossa nova.

A letra de “Águas de Março” é basicamente descritiva, repertoriando uma série de elementos que visam construir a atmosfera desencadeada pelas chuvas num ambiente mais rural.

“Águas de Março” é uma das canções mais representativas da trajetória de Tom Jobim como compositor, cuja primeira gravação saiu em um compacto encartado no semanário “O Pasquim”, em 1972. A música contaria depois com a célebre gravação em que Tom fez em dueto com Elis Regina, no disco “Elis & Tom”, gravado em Los Angeles e lançado em 1974.

ÁGUAS DE MARÇO
Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando,
É uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã,
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, minho
Resto, toco, oco, inho
Aco, vidro, vida, ó, côtche, oste, ace, jó

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

Um livro sobre o mistério profundo das ‘Águas de Março’, que fecharam o verão

Sobre um fundo branco está manuscrito em caixa alta os primeiros versos da canção “águas de março”. Mario Sergio Conti
Folha

Olavo Bilac diria que “foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada do outono”, nas terras de Poço Fundo, sítio na Serra Fluminense, que Antônio Carlos Jobim compôs há 54 anos a melhor música brasileira de todos os tempos, “Águas de Março”.

Superlativo e subjetivo, esse “melhor” tem razão de ser. Há 24 anos, a Folha pediu a 214 pessoas ligadas à música que levassem em conta letra, melodia, importância histórica e razões afetivas para eleger a canção nacional máxima, e “Águas de Março” chegou na frente.

Em segundo lugar ficou “Construção” de Chico Buarque, que, por sua vez, considerava a composição de Jobim “o samba mais bonito do mundo”. Leonard Feather, crítico do New York Times, disse algo parecido: “Águas de Março” é uma das dez músicas mais lindas do século 20.

OURO E PRATA – Além do que, foi cantada pela prata da casa – Elis Regina, Nara Leão, Gal Costa, Ná Ozzetti – e pelo ouro, João Gilberto. Em inglês, por Ella Fitzgerald, Art Garfunkel e Dionne Warwick. Há versões em espanhol, francês, italiano e, infelizmente, em alemão – a patética fábula “O Cão, o Gato e o Rato”.

Forma musical dominante no Brasil desde sempre, a canção não é mais o sol do sistema cultural. Mas “Águas de Março” permanece, é um clássico que parece ter sido composto ontem. É complicado dizer por que, pois ela afronta a tradição e o senso comum, tanto que se inspirou no Bilac de “O Caçador de Esmeraldas”.

É difícil cantá-la. Dançá-la, nem pensar. Cantarolá-la, sim, mas uns poucos versos da letra quilométrica. Não é brejeira nem carrancuda, festiva ou funesta. Passa-se num presente perene no qual vige um único verbo: ser. Ele é conjugado 92 vezes na terceira pessoa do singular do presente do indicativo: é. E quatro no plural: são. Quem ou o que é o sujeito da ação, caso ação haja, é um mistério profundo.

UM BELO LIVRO – Saiu agora um livro que lança a luz da manhã nesse mistério: “Águas de Março: Sobre a Canção de Tom Jobim”. Publicado pela editora 34, traz ensaios do historiador Milton Ohata, do crítico literário Augusto Massi, do músico Arthur Nestrovski e do compositor Walter Garcia –professores que escrevem com conhecimento de causa e clareza.

Milton Ohata enraíza a canção na meninice mateira de Jobim, que nadou numa Lagoa Rodrigo de Freitas límpida e brincou no ermo Morro do Cantagalo, hoje favela. A natureza, que também enformava Poço Fundo, se fragmenta na letra em estilhaços: a peroba do campo, o regato e a fonte, o nó da madeira, o vento ventando, a chuva chovendo, o pingo pingando.

Jobim foi detido por ter assinado um protesto contra a censura, conta Ohata. Grampearam seu telefone e bisbilhotaram a correspondência. Mesmo a apolítica “Águas de Março” enfrentou problemas para ser liberada: uma censora asnática cismou com o primeiro verso: “pau” significaria polícia; “pedra”, um líder estudantil do maio francês, Cohn-Bendit; “fim do caminho”, a derrubada do regime.

CARRO ENGUIÇADO – Augusto Massi analisa a letra, o “desenvolvimento compacto” e o “fluxo contínuo de palavras” no trajeto do carro enguiçado até as promessas de vida, pontilhado por oposições como “a vida é o sol” e “a noite é a morte”.

Arthur Nestrovski estuda a “fluidez da música”, sua “forma líquida, sem ângulos”. Detém-se na melodia e na harmonia para revelar como os compassos ensaiam um rumo e tomam outro sentido, formando “pequenas espirais ou redemoinhos, torcendo a canção dentro de si”. Ousado, liga “Águas de Março” a Schumann, Schubert, sobretudo Chopin.

No último ensaio, o mais denso, Walter Garcia repassa o percurso artístico de Jobim, o abandono da bossa nova, a opressão ditatorial e a melancolia que o asfixiou em 1972. Embora as circunstâncias do autor e o processo histórico contem, diz, o objetivo da crítica é esclarecer como “os elementos internos da canção se articulam, constituindo a forma sonora, a qual sintetiza e potencializa certa experiência”.

MÚSICA E LETRA – Como um relojoeiro, desmonta e remonta a fusão de música e letra. Mostra que os versos sombrios são mais numerosos e marcantes que os solares. O caco de vidro, o espinho na mão, o corte no pé, o desgosto no rosto e a febre terçã obscurecem a prata brilhando, o belo horizonte, a ave no céu, a festa da cumeeira.

A promessa de vida no teu coração é uma pausa efêmera, uma esperança frustrada antes do retorno à marcha estradeira e ao tombo na ribanceira – ao caminho infindável pelos “destroços do presente”, expressão de Manuel Bandeira que Walter Garcia cita.

É a lama, é a lama.

Quando os políticos mentem, a única saída é buscar a verdade na imprensa

Os três... na charge do Duke

Charge do Duke (Arquivo Google)

Demétrio Magnoli
Folha

Se todos mentem o tempo inteiro, a consequência não é que as pessoas param de acreditar em mentiras, mas que param de acreditar em qualquer coisa. A ideia, formulada por Hannah Arendt, mais atual do que nunca nessa era das redes sociais, só acentua a relevância da imprensa. O jornalismo tem o dever de preservar um espaço de verdade na vida pública.

A verdade nem sempre é óbvia. Há que selecionar, na incomensurável pilha de fatos, aqueles capazes de contar uma história verdadeira. Inexiste a possibilidade de fugir à interpretação, que envolve subjetividade. O jornalista percorre caminhos riscados por ciladas. Mais ainda em ano eleitoral, quando o desenlace parece, aos olhos de milhões, assumir proporções épicas. Aí, o perigo maior não mora nos canalhas, que mentem a soldo, mas nos virtuosos tocados pela varinha do orgulho.

CÓDIGO MORAL –  MJohn Burns, do New York Times, duas vezes agraciado com o Pulitzer, foi ao ponto: “No nosso tempo, tornou-se comum para jovens repórteres expor como seu código moral a vontade de produzir um mundo melhor. É algo belo, mas que pode nutrir um complexo missionário –até uma arrogância – capaz de estimular uma cegueira para fatos inconvenientes, em favor dos outros”.

O veículo de imprensa ou jornalista que se proclama perfeitamente objetivo engaja-se no autoengano –ou, mais provavelmente, na tentativa de enganar os demais. Mas é obrigatória a busca incessante pela objetividade possível, ideal fundador do jornalismo.

O jornalista que arranja os fatos com a intenção de gerar um efeito político (o “mundo melhor”) trai inadvertidamente esse ideal. Pior: contribui com os fabricantes profissionais de mentiras que almejam disseminar a descrença no ecossistema da informação.

USAR O CETICISMO – O primeiro antídoto contra a tentação missionária está no Projeto Folha: o ceticismo diante das lideranças políticas, sem exceção. Extirpar a crença em líderes redentores. Desconfiar das certezas ideológicas. Confrontar os discursos com as práticas. Prestar atenção em fatos que complicam as narrativas fáceis.

O segundo antídoto é internalizar o princípio básico dos sistemas democráticos: o conceito de pluralismo, que repousa na celebração da diversidade de ideias. A atitude exige convicção, pois contradiz a inclinação humana a buscar a confirmação de nosso modo de pensar. O meu “mundo melhor” não necessariamente coincide com o “mundo melhor” do meu vizinho.

Num passado recente, os derrotados em disputas eleitorais cumpriam o ritual de congratular o vencedor. Bem mais que um protocolo vazio, o gesto exprimia reconhecimento da legitimidade do governante eleito e, sobretudo, respeito à vontade da maioria que o havia sufragado. A implosão desse protocolo, como efeito da polarização, ensina à sociedade uma lição antidemocrática: os eleitores situados no lado oposto tornam-se traidores, “inimigos do povo” ou “inimigos da pátria”.

LIÇÃO DEMOCRÁTICA – O jornalismo tem o dever de ensinar a lição democrática. Sem jamais abandonar o escrutínio dos candidatos e a condenação absoluta a tentativas de violar as regras do jogo, precisa respeitar as distintas verdades de todos os cidadãos.

Candidatos deslizam, às vezes, para o terreno da ilegitimidade; o eleitorado, nunca. No fim, trata-se de admitir que o eleitor detém a prerrogativa de errar por último na tentativa de parir “um mundo melhor”.

Misoginia é um crime grave, que o Brasil ainda se recusa a enfrentar

O escândalo da Previdência e o peso político de uma CPI sem precedentes

Charge do Gilmar Fraga (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A conclusão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) projeta um dos episódios mais delicados da política recente brasileira. Não apenas pelo volume financeiro envolvido — estimado em cerca de R$ 18 bilhões —, mas sobretudo pela dimensão institucional e política dos nomes citados.

Com 215 pessoas arroladas para possível indiciamento, a CPI rompe um padrão histórico de investigações parlamentares no país. Nunca antes uma comissão legislativa havia avançado com uma lista tão extensa, revelando um esquema que, segundo o relatório final, operava de forma estruturada e disseminada dentro da Previdência Social.

EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS – O núcleo da fraude, conforme apontado, estaria concentrado na concessão irregular de empréstimos consignados, muitos deles fictícios, que atingiram diretamente aposentados e pensionistas — justamente o grupo mais vulnerável do sistema. Trata-se, portanto, não apenas de um escândalo financeiro, mas de uma crise moral, na medida em que expõe a exploração sistemática de cidadãos dependentes do Estado.

Entre os nomes citados, destacam-se figuras de elevado peso político, como Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula da Silva, além do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi. A inclusão desses nomes amplia significativamente o impacto político do relatório, sobretudo em um momento de alta sensibilidade eleitoral.

A CPI também recomenda a responsabilização de agentes públicos e políticos que, direta ou indiretamente, teriam contribuído para a perpetuação do esquema. No caso do ex-ministro, a crítica central recai sobre a incapacidade — ou omissão — de impedir que a fraude atingisse proporções sistêmicas durante sua gestão.

QUESTIONAMENTOS – É nesse ponto que o relatório ganha contornos mais complexos. Ainda que parte dos valores desviados tenha origem em irregularidades detectadas em gestões anteriores, inclusive durante o governo de Jair Bolsonaro, o avanço e a continuidade das fraudes durante o atual governo levantam questionamentos inevitáveis sobre falhas de controle e governança.

O Palácio do Planalto, por sua vez, enfrenta um dilema político clássico: ao mesmo tempo em que precisa sustentar a narrativa de recuperação de recursos e reparação aos prejudicados, vê-se pressionado por acusações que atingem figuras próximas ao núcleo de poder. A presença de aliados do chamado “Centrão” entre os citados reforça a percepção de que o problema transcende governos e se enraíza em práticas políticas mais amplas.

No plano eleitoral, o impacto tende a ser imediato. A exposição de nomes ligados ao presidente Lula da Silva ocorre em um contexto de disputa acirrada pela reeleição, abrindo espaço para adversários explorarem o episódio como símbolo de fragilidade ética do governo. Candidatos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema já sinalizam, nos bastidores, a intenção de incorporar o tema ao debate público.

CAUTELA – Ainda assim, é preciso cautela. Relatórios de CPI, embora politicamente relevantes, não possuem caráter condenatório. Caberá ao Ministério Público e ao Judiciário transformar — ou não — as conclusões em responsabilizações formais. A história recente brasileira mostra que o caminho entre denúncia política e condenação judicial é, muitas vezes, longo e incerto.

O que não se pode ignorar, no entanto, é o efeito sistêmico revelado pela investigação. Mais do que casos isolados de corrupção, a CPI descreve um modelo de captura institucional, no qual falhas de controle, interesses políticos e fragilidades administrativas convergiram para produzir um esquema de larga escala.

DESCONFIANÇA – No fim, o maior dano talvez não seja apenas financeiro. É a erosão da confiança pública em um dos pilares do Estado social brasileiro. Quando aposentados — que contribuíram por décadas — tornam-se alvo de fraudes bilionárias, o que está em jogo é a própria legitimidade do sistema.

A CPI do INSS, portanto, não se encerra com a leitura de seu relatório final. Ela inaugura uma nova fase: a do julgamento político e institucional de um escândalo que, pela sua magnitude, dificilmente será esquecido no curto prazo.

Comportamento do Supremo tornou-se indesculpável, indefensável e intolerável

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *digital

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Carlos Newton

Não é segredo nem informação sigilosa, todos sabem que os atuais membros do Supremo Tribunal Federal não ingressaram nessa histórica instituição por seus méritos pessoais, como reputação ilibada e notório saber, pois foram escolhidos  por circunstâncias exclusivamente político-partidárias.

Protegidos pelo manto sagrado da toga, eles se julgam impuníveis, como se a função lhes protegesse das próprias leis que juraram obedecer ao assumir no STF, quando se comprometeram a cumprir a Constituição Federal, exercer com dignidade o cargo de ministro e observar a ética e as leis do país.

FALSO JURAMENTO – Pode-se dizer, sem medo de errar, que a quase totalidade dos ministros incorreu em falso juramento, pois estão se multiplicando cada vez mais os exemplos de decisões e acórdãos que violam as leis e até a Constituição.

Ao agir assim, protegidos pela redoma que criaram e garantidos pelos corpulentos seguranças remunerados com recursos públicos, os ministros estão convictos da impunidade corporativa, que os torna tão inimputáveis quanto as crianças, os desequilibrados mentais ou os indivíduos com desenvolvimento incompleto, como os indígenas ainda não aculturados.

Mas essa impunidade dos ministros do Supremo vai acabar, porque ainda vivemos num país  onde a imprensa é livre e a liberdade de expressão está garantida, circunstâncias que são a base de toda democracia.

ABERRAÇÃO JURÍDICA – Na sexta-feira, dia 27, o Estadão foi veemente, ao denunciar que, a um só tempo, o plenário do Supremo conseguiu a proeza de parir uma aberração jurídica e ofender a inteligência alheia numa única sessão, ao. validar, sob nova roupagem, os chamados penduricalhos, vedados expressamente pela Constituição.

A propósito, a respeito desses supersalários imorais e inconstitucionais que estão passando a ser em parte legalizados, precisa ser esclarecido se os quinquênios garantidos à nomenklatura estatal serão considerados “verba indenizatória”, o que é uma heresia insuportável.

Na verdade, trata-se de “gratificação” e sobre ela tem de incidir Imposto de Renda, que os privilegiados juízes e membros  do Ministério Público não estão acostumados a recolher. São 27,5% que devem incidir sobre essa vantagem adicional. Mas quem se interessa?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os atuais membros do Supremo costumam se vangloriar, dizendo que foram salvadores da democracia. Não percebem que, aos poucos, acabaram se tornando os maiores inimigos da democracia. Agora, chegamos a uma deterioração jurídica de tal gravidade que um ministro do STF resolveu impor restrições ao compartilhamento de relatórios de inteligência financeira, produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Esses relatórios detalham movimentações bancárias suspeitas de pessoas físicas ou jurídicas, fundamentais para indicar lavagem de dinheiro da corrupção e do narcotráfico. As agora informações só poderão ser requisitadas se houver uma investigação formalmente aberta, ou em um processo administrativo e judicial de natureza sancionadora, e o pedido tem que tratar especificamente do alvo da investigação. Surge, então a pergunta que não quer calar: Por que Alexandre de Moraes tomou essa decisão? Ora, como diz o jornalista Mario Sabino, o ministro tem 129 milhões de motivos para se proteger de investigações, porque seus atos são indefensáveis, intoleráveis e indesculpáveis. Apenas isso. (C.N.)

Moraes impõe cerco a Bolsonaro e proíbe que ele seja visitado pelos filhos