Criticar e investigar autoridades virou grande risco nesta democracia à brasileira

PF intima presidente da associação de auditores da Receita a depor após críticas a medidas de Moraes - Estadão

Cabral, líder dos fiscais, não pode mais dar entrevistas

Fernando Schüler
Estadão

“São medidas para amedrontar”, disse Kleber Cabral, presidente da Unafisco (sindicato dos fiscais da Receita), e lascou: “É mais seguro investigar o PCC do que altas autoridades”. A crítica doeu em algum lugar de Brasília. Seu ponto era dizer que não era razoável sair colocando tornozeleira eletrônica em funcionários da Receita, naquela fase da investigação. Teria razão?

Quando li aquilo, me lembrei das denúncias de Eduardo Tagliaferro sobre irregularidades do ministro Alexandre de Moraes. Elas eram graves, nada foi investigado e o sujeito ainda virou réu. Rapidamente, um filme me passou pela cabeça. O comediante Bismark Fugazza, preso por meses, vida quebrada no meio, por um punhado de críticas e piadas a “autoridades”; o famoso tuíte do Prof. Marcos Cintra sobre algumas urnas. E logo a censura, a humilhação. E mais toda a bizarrice brasileira dos últimos anos.

DEPOIMENTO – O curioso é que Cabral terminou provando seu ponto. Foi ele mesmo parar na Polícia Federal, intimado pelo Supremo a dar “explicações” sobre sua crítica. Acabou por descobrir, como tantos brasileiros, que não é só investigar autoridades que se tornou perigoso. Mas que também uma crítica ao próprio abuso de poder pode ser, ela mesma, um risco danado.

No final, ele declarou que não iria mais dar entrevistas. Achei perfeito. O líder de uma entidade de classe de bico calado, por críticas ao Estado. Nossa democracia devidamente salva mais uma vez.

A verdade é que tudo isso é inadmissível. Se o presidente de uma entidade de classe como a Unafisco considera que exista um abuso de poder, ele não tem apenas o direito de expressar esta crítica. Ele tem o dever. E a sociedade tem o direito a esta informação. É assim que funciona uma grande democracia.

ABUSO DE PODER – Se uma atitude como esta fosse um ponto isolado, já seria grave. Mas não é. Ela é a repetição de um padrão de abuso de poder que o País vem assistindo desde 2019. Naquele ano, o STF criou o inquérito sobre fake news a partir de um artigo de seu regimento interno que simplesmente não lhe dava este direito.

De uma licença para investigar infrações cometidas na sede da Corte, produziu-se um tipo de alien jurídico. Uma expansão interpretativa que deu poderes ao relator Moraes para investigar e punir qualquer delito, discurso, crítica, “ataque” contra a instituição ou seus membros, em qualquer lugar do planeta, internet inteira incluída.

Por muitos anos, bastava usar a expressão “blogueiro bolsonarista”, ou alguma variação, para justificar qualquer coisa. A tudo assistimos passivamente, salivando no transe dos rancores políticos.

RADICALIZAÇÃO – O que se observa agora é uma migração. Do uso sistemático dos inquéritos contra o “bolsonarismo”, transita-se para o enquadramento de qualquer um que desafie sua própria engrenagem de poder.

Muita gente achava bacana quando nosso alien tropical funcionava contra um “lado” do jogo político. O ponto é que agora Moraes envelheceu. E aprendeu a agir, em primeiríssimo lugar, em defesa de si mesmo.

O poder é sedutor. O poder excepcionalíssimo, quase irresistível. Saber como lidar com esta engrenagem sem freios, não duvidem, é nosso grande desafio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Excelente artigo. Aos poucos, Alexandre de Moraes tenta restabelecer a censura no país, mas não vai conseguir. Nesta quinta-feira determinou busca e apreensão contra o jornalista Luiz Pablo Almeida, que denunciou a família do ministro Flávio Dino, que utiliza ilegalmente o carro blindado que o Tribunal do Maranhense colocou à disposição dele, e não de seus ministros. (C.N.)

A prisão de Vorcaro e a sombra de uma delação que leva pânico a Brasília

Bastidores de Brasília temem delação de Vorcaro

Pedro do Coutto

A decisão do Supremo Tribunal Federal de manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, abriu um novo capítulo em um dos casos mais sensíveis do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos. A determinação, tomada no âmbito da Corte após análise dos elementos reunidos pelas investigações, reforça o cerco judicial sobre o empresário e amplia, nos bastidores de Brasília, a expectativa de que ele possa recorrer ao instrumento da delação premiada.

Mais do que um movimento jurídico comum em investigações complexas, uma eventual colaboração de Vorcaro é vista por analistas e interlocutores do meio político como um fator capaz de produzir impactos relevantes, especialmente diante das suspeitas que envolvem a liquidação extrajudicial do banco e as conexões institucionais que gravitam em torno do caso.

EXPANSÃO ACELERADA – O Banco Master vinha, há alguns anos, apresentando uma expansão acelerada no mercado financeiro, com estratégias agressivas de captação e oferta de títulos com rentabilidades elevadas. O crescimento, porém, passou a ser questionado por órgãos de controle e autoridades regulatórias, que identificaram inconsistências contábeis e estruturas financeiras consideradas atípicas.

À medida que as investigações avançaram, surgiram suspeitas de operações que teriam sido utilizadas para mascarar passivos, ocultar prejuízos e sustentar artificialmente a imagem de solidez da instituição. O desdobramento desse processo levou à intervenção e posterior liquidação extrajudicial do banco, uma medida extrema aplicada quando há risco sistêmico ou impossibilidade de continuidade da instituição financeira.

Foi nesse contexto que as investigações passaram a apontar para um conjunto mais amplo de práticas que, segundo os investigadores, não se limitariam à gestão financeira do banco. Relatórios preliminares indicaram a existência de estruturas destinadas a influenciar decisões administrativas e regulatórias, além de tentativas de interferência no andamento das apurações.

Esses elementos pesaram na decisão judicial de manter Vorcaro preso preventivamente, sob o argumento de que a liberdade do empresário poderia representar risco para a coleta de provas e para o próprio andamento das investigações.

NOVOS CONTORNOS – O cenário ganhou novos contornos após uma mudança significativa na estratégia jurídica do banqueiro. Vorcaro decidiu trocar sua equipe de defesa, substituindo o escritório que o representava anteriormente. Nos meios jurídicos e políticos, a alteração foi interpretada como um possível indicativo de reavaliação das alternativas processuais disponíveis. Em casos de grande repercussão, mudanças desse tipo frequentemente antecedem a adoção de estratégias mais amplas de negociação com as autoridades investigativas, incluindo acordos de colaboração premiada.

A delação premiada, instrumento jurídico consolidado no Brasil especialmente após grandes operações anticorrupção da última década, permite que investigados forneçam informações relevantes em troca de benefícios penais. Em situações envolvendo estruturas financeiras complexas ou redes de influência institucional, esse tipo de colaboração costuma ter impacto significativo, pois pode revelar conexões e dinâmicas que dificilmente emergiriam apenas a partir de documentos ou provas materiais. É justamente esse potencial que explica a crescente inquietação nos bastidores do caso Master.

Fontes próximas às investigações avaliam que, caso Vorcaro opte por colaborar, as informações fornecidas poderiam esclarecer não apenas os mecanismos internos que levaram à crise da instituição, mas também eventuais relações políticas ou institucionais que teriam orbitado o processo de regulação, fiscalização e intervenção no banco. Em um ambiente como o sistema financeiro brasileiro — profundamente interligado com decisões regulatórias e políticas públicas — revelações desse tipo tendem a produzir efeitos que extrapolam o âmbito estritamente judicial.

DINÂMICAS DE INFLUÊNCIA – Por isso, o caso deixou de ser visto apenas como um episódio de crise bancária. Aos poucos, ele passou a ser interpretado por observadores do cenário político e econômico como um possível ponto de interseção entre finanças, poder institucional e disputas políticas. A eventual delação de Vorcaro, nesse contexto, poderia lançar luz sobre áreas ainda pouco esclarecidas do processo que culminou na liquidação extrajudicial do banco, além de expor dinâmicas de influência que frequentemente permanecem invisíveis ao debate público.

Enquanto isso, o processo segue avançando nos tribunais e nas instâncias investigativas. A manutenção da prisão pelo Supremo sinaliza que o caso continua sendo tratado com alto grau de gravidade pelas autoridades judiciais. Ao mesmo tempo, o ambiente de incerteza permanece elevado, sobretudo porque decisões estratégicas da defesa — como a possibilidade de um acordo de colaboração — podem redefinir rapidamente o rumo das investigações.

Se isso ocorrer, o episódio que começou como uma crise bancária poderá ganhar contornos ainda mais amplos, projetando suas repercussões para além do mercado financeiro e alcançando o coração da política nacional. Em um país onde escândalos financeiros frequentemente se entrelaçam com disputas de poder, a história de Daniel Vorcaro e do Banco Master ainda parece longe de seu capítulo final.

Direita domina o tabuleiro político fluminense e pressiona Lula rumo a 2026

O retorno da geopolítica do petróleo na era dos motores elétricos

Vorcaro troca de advogado e assusta os três Poderes ao sinalizar a delação

Defender a esquerda tem muito mais charme' para ter apoio público, diz  advogado de Braga Netto - Estadão

Oliveira Lima conduziu a delação que pôs Lula na cadeia

Carlos Newton

Não se fala em outra coisa neste domingo em Brasília. Explodiu como uma bomba a notícia de que o banqueiro Daniel Vorcaro havia trocado de advogado, passando a ser defendido por um especialista em delação premiada, José Luís de Oliveira Lima.

Foi eleito duas vezes entre os cem brasileiros mais influentes pela revista Época e, conforme o site do escritório do qual é sócio, Oliveira Lima & Dall’Acqua Advogados, é considerado um “dos quinze mais importantes advogados do Brasil”. Com 30 anos de experiência, Oliveira Lima já conduziu delações premiadas delicadas, como a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no auge da Operação Lava Jato, que foi usada para condenar Lula da Silva por corrupção e lavagem de dinheiro.

PODE DELATAR? – No meio da confusão instaurada pelo escândalo do caso do Banco Master, têm sido divulgadas algumas informações distorcidas, supostamente baseadas em lei, mas que na verdade não têm nada a ver com a situação dos investigados. Uma dela é a notícia de que Vorcaro não poderia fazer delação premiada, por ser o líder da organização criminosa.

A delação premiada está hoje regulamentada pela Lei 12.850, de 2013, que ficou conhecida como Lei de Organização Criminosa, e essa hipótese de haver colaboração de investigado, réu ou condenado foi nela incluída pela Lei 13.964, de 2019.

No caso do banqueiro Daniel Vorcaro, ele pode e deve fazer delação premiada, porque será a única forma de reduzir as longas penas de prisão que lhe serão aplicadas.

CHEFE DA QUADRILHA – A lei permite que o líder da organização criminosa colabore com as investigações, porém terá de ser julgado e condenado, sendo beneficiado pela delação apenas com a redução da pena, como aconteceu com o então presidente da OAS.

Com acúmulo de provas que estão sendo encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro, o responsável pelo Banco Master não tem a menor chance de responder às acusações que estão sendo preparadas pela força-tarefa do ministro-relator André Mendonça.

As maiores preocupações são com a segurança do investigado. Por isso, o próprio ministro Mendonça tomou o cuidado de transferi-lo para um presídio de segurança máxima, onde não haverá risco de ser suicidado, digamos assim, a exemplo do que aconteceu com seu capanga Luiz Philippi Mourão, o “Sicário”.

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P.S.
Como se dizia antigamente, perguntar não ofende. Quando é que a Polícia Federal pretende exibir as imagens de Luiz Mourão na cela onde teria “praticado” suicídio? Primeiro, usando uma camiseta, que depois foi trocada por uma camisa social… Essa suspeita permanecerá em aberto para sempre? O que impede a exibição das imagens? O povo quer saber. (C.N.)

Blindagem entre ministros aprofunda cada vez mais o desgaste do STF

Ministros reivindicam análise individualizada de condutas

Dora Kramer
Folha

Há ministros do Supremo Tribunal Federal profundamente desconfortáveis, diria até muito irritados e sentindo-se injustiçados com a tomada das partes pelo todo na descrição que tem sido feita do dano de imagem que atinge a corte.

Alegam a necessidade de que se faça a distinção entre condutas e reivindicam a aplicação do critério da existência de 11 (no presente, 10) supremos, ilhas de atuação independente, no lugar de se olhar o tribunal sob prisma único e com isso se desqualificar a instituição.

JOIO E TRIGO  – Uma reivindicação, em tese, justa. Em todas as áreas há o joio e há o trigo, mas para que os maus não contaminem a reputação dos bons é preciso que estes se diferenciem daqueles de modo explícito. Não é o que tem acontecido no STF.

A crise de reputação é enfrentada de maneira reativa. Fala mais alto o espírito de corpo, a proteção dos pares como se isso garantisse — quando de fato prejudica— a correta defesa do conjunto. Há vários exemplos, mas fiquemos em dois dos mais recentes: a proposta de criação do código de ética e as ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli ao liquidado Banco Master.

SILÊNCIO – O primeiro caso, soubemos que Edson Fachin e Cármen Lúcia eram favoráveis; Moraes e Gilmar Mendes, contrários. E os demais? Deles não se ouviu palavra e, pelo silêncio que tomou conta do tema, depreende-se que o tribunal tenha preferido não cuidar de regras de conduta. Conta a ser paga pelo colegiado.

No segundo, vemos um misto de omissão e blindagem diante das desconfianças que recaem sobre os ministros Moraes e Toffoli. Ambos continuam achando-se no direito de não dar explicações, contando com a complacência dos colegas que não veem motivos para suspeições. Ali não se impõe reparo nem a truques processuais claramente questionáveis.

Não se espera que os ministros saiam denunciando uns aos outros, mas se consideram correto continuar dando respaldo a determinadas condutas sem ao menos sinalizar um alto lá, não podem reclamar por compartilharem o prejuízo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO Supremo está mais dividido do que as correntes da Psicanálise. Tem a ala do Master,  formada por
Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, com apoio de Gilmar Mendes, existe a ala do Lula, integrada por Edson Fachin, Cristiano Zanin e Flávio Dino, aos quais Gilmar às vezes se integra; há também a ala de Bolsonaro, com André Mendonça e Nunes Marques; e existem dois ministros que não são de nenhuma ala e evoluem na avenida ao sabor dos acontecimentos — Luiz Fux e Cármen Lúcia. O único fator que os une é o maldito corporativismo.
(C.N.)

 

Avanço de Flávio nas pesquisas leva PT a antecipar guerra digital para 2026

Campanha deve explorar rachadinhas e relações de Flávio

Luísa Marzullo
O Globo

O PT decidiu antecipar a ofensiva digital contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de pesquisa Datafolha que mostrou o bolsonarista tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de 2026. O levantamento aponta Lula com 46% das intenções de voto, contra 43% de Flávio, uma diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em dezembro, a vantagem do petista era bem mais confortável: 51% a 36%.

O resultado acendeu um sinal de alerta no governo. Interlocutores do Planalto avaliam que o desempenho do senador reflete um momento de desgaste político da gestão petista, em meio à repercussão de investigações que atingem o entorno do presidente. Entre os episódios citados está a ofensiva da CPMI do INSS, que levou à quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na quinta-feira, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a medida.

CONFRONTO – Diante do novo cenário, dirigentes petistas passaram a defender a antecipação da estratégia de confronto com o senador. A ideia inicial da campanha era intensificar os ataques apenas após a janela partidária, quando o cenário eleitoral estaria mais definido. A repercussão da pesquisa, porém, levou integrantes da direção e da comunicação do partido a defender uma reação imediata.

O pontapé inicial da ofensiva foi dado nesta semana pelo secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, que gravou um vídeo divulgado nas redes sociais. No material, aparecem imagens de Flávio Bolsonaro, e o dirigente tenta relativizar o impacto das pesquisas.

“Só sair pesquisa eleitoral e as torcidas do Brasil reagem. Quem está na frente comemora, quem está atrás se desespera. Mas pesquisa é foto de momento. Não é razão nem para alegria, nem para agonia”, afirma Valadares no vídeo.

ASSOCIAÇÃO – A gravação também menciona diretamente o senador e tenta associá-lo a acusações recorrentes contra o bolsonarismo. “Agora, ao ter Flávio, o filho que quer ser candidato, acusado de corrupção e envolvimento com milícia, vamos lembrar o que disse Bolsonaro”, diz o dirigente, antes de reproduzir um trecho de declaração do ex-presidente sobre interferência na segurança no Rio.

Nos bastidores, a estratégia petista foi organizada em alguns eixos. Um deles busca explorar as relações políticas da família Bolsonaro no Rio de Janeiro e episódios que integrantes do partido tratam como “contradições do discurso anticorrupção” do bolsonarismo.

Entre os temas que devem aparecer nas peças digitais está o esquema das rachadinhas investigado no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O caso envolve suspeitas de que assessores repassavam parte dos salários ao então deputado estadual, prática conhecida como rachadinha.

MOVIMENTAÇÕES ATÍPICAS – À época, as investigações apontaram movimentações financeiras consideradas atípicas do ex-assessor Fabrício Queiroz, que operava as transações e chegou a ser preso em 2020. Relatórios do Coaf indicaram depósitos e saques de valores elevados em suas contas, além de transferências para pessoas do entorno da família Bolsonaro.

Também devem ser retomados episódios como os depósitos feitos por Queiroz na conta da então primeira-dama Michelle Bolsonaro e a evolução patrimonial da família ao longo dos anos. Outro ponto que deve aparecer no material preparado pela comunicação do partido envolve as operações imobiliárias da família Bolsonaro, incluindo levantamentos sobre a compra de imóveis com pagamento em dinheiro vivo.

RELAÇÕES PERIGOSAS – A estratégia digital também prevê tentar relacionar o senador e a família Bolsonaro a aliados políticos no Rio de Janeiro. Um dos exemplos citados por integrantes do partido é o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ), que foi preso no ano passado em operação policial e está afastado do comando da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

A ideia da legenda é explorar essas relações para sustentar a narrativa de proximidade do grupo político com personagens envolvidos em investigações. A intenção é reorganizar esses episódios em vídeos curtos e peças para redes sociais que confrontem o discurso anticorrupção adotado pelo bolsonarismo em 2018 com a trajetória política da família.

BOLSONARISMO MODERADO –  A ofensiva também mira a tentativa do senador de se apresentar como uma versão mais moderada do bolsonarismo. Integrantes da comunicação do PT pretendem resgatar declarações e votações de Flávio no Senado, além de posicionamentos durante o governo de Jair Bolsonaro, para sustentar a narrativa de que ele participou da condução política do governo e representa continuidade direta do projeto do pai.

Entre os episódios que devem ser explorados estão a atuação do senador na defesa pública do governo durante a CPI da Covid, críticas recorrentes ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a ministros da Corte, além de manifestações de apoio a pautas centrais do bolsonarismo, como a flexibilização do acesso a armas, críticas ao sistema eleitoral e a defesa de aliados do ex-presidente investigados em diferentes inquéritos.

Além da disputa nas redes, a estratégia inclui o Congresso como palco político. Petistas falam em usar CPIs em vigência, como as do INSS e do Crime Organizado, para apresentar requerimentos de informação e fazer discursos em plenário que levantem temas ligados ao entorno político e financeiro da família Bolsonaro, criando fatos políticos que depois possam ser amplificados no debate digital.

“MATERIAL NOVO” – Nas conversas internas aparece ainda um eixo tratado como possível “material novo” para a disputa. Dirigentes mencionam a tentativa de obter denúncias ou fatos novos contra o senador.

Parte dessa linha já começa a aparecer em declarações públicas de integrantes do partido. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) tem tentado vincular o escândalo do Banco Master ao bolsonarismo.

“Queremos que esta investigação sobre o BolsoMaster seja levada às últimas consequências, porque o Brasil precisa conhecer o subterrâneo desse banqueiro que era dono de um banco pequeno e que se tornou bilionário a partir de decisões que foram adotadas dentro do governo Bolsonaro. O escândalo do Banco Master é filho legítimo de Jair Messias Bolsonaro e de seu governo”, afirmou.

ATAQUES –  Do lado do senador, a avaliação é que a ofensiva do PT confirma que o partido passou a tratar sua eventual candidatura como uma ameaça real na disputa de 2026. Interlocutores envolvidos na estratégia de Flávio afirmam que a campanha trabalhava com a hipótese de ataques mais intensos apenas após a janela partidária, quando o cenário eleitoral estaria mais consolidado.

Aliados do parlamentar dizem que o grupo já esperava investidas relacionadas a episódios como o caso das rachadinhas ou a supostas ligações com milicianos e afirmam que a campanha tem respostas preparadas para esse tipo de ataque. Em contrapartida, pretendem reagir explorando episódios associados ao PT, como a Operação Lava-Jato, período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ser preso, além do escândalo do Mensalão e de investigações mais recentes que atingem o entorno do governo, como as fraudes no INSS investigadas pela CPMI, que chegaram ao Lulinha, filho do presidente.

Reservadamente, integrantes da pré-campanha avaliam que a antecipação da ofensiva reforça a leitura de que o senador passou a ser visto pelo PT como um adversário competitivo na disputa presidencial.

Com custo de R$ 30,9 milhões, Câmara aprova criação de 240 cargos no CNJ

Barroso lamenta desgaste do STF no caso Master: “Há uma percepção crítica real”

Lula perde pontos e votos ao ofender Bolsonaro, que está com doença grave  

Ao lado de Lula, Eduardo Paes anuncia Ozempic na rede pública do Rio

Discurso de Lula em hospital foi uma aula de truculência

Vicente Limongi Netto

O povo não aguenta mais agressões verbais ou físicas entre políticos. São todos crescidos. Educação vem do berço. Não se vende em feiras nem farmácias.  Os ouvidos e a paciência do eleitor não merecem ser atropelados por   destrambelhos de linguagem de homens públicos.

O  brasileiro espera que políticos se espelhem no bom senso, nos fatos relevantes que interessam a população. Nas firmes argumentações que levem a qualidade dos debates. O eleitor em sua maioria, cansou de políticos grosseiros que dão patadas no vento.

Lula usou a cerimônia de reforma de uma hospital para ofender um rival com doença grave. Até o local era inadequado.

LULA OFENSIVO – Nessa linha, Lula, com voz tremula e irritado, em solenidade no Rio de Janeiro, pegou pesado nas críticas e insultos ao ex-presidente Bolsonaro. Abriu as cortinas das eleições de outubro com um arsenal primoroso de deselegância e estupidez.

Veterano em política e campanhas eleitorais, Lula deveria saber que não se tripudia em adversário doente e hospitalizado. Com quadro clínico merecedor de cuidados. Não importa que o adversário doente seja um ex-chefe da nação que em muitas ocasiões deslustrou o mandato. Que debochou da importância das vacinas, que dava coices em jornalistas e que tentou desacreditar as urnas eleitorais.

Lula precisa deixar de lado o ex-presidente Bolsonaro. Anda tenso e irritado com as pesquisas dando conta que Flávio Bolsonaro caminha nos seus calcanhares. Que passe a atacar e enfrentar, então, com energia e coragem, o filho senador do mito de araque. Mas com as boas armas da política. Mostrando as realizações dos governos petistas em benefício da coletividade. Basta de baixarias, de jogo sujo e intrigas de porta de botequim.

Vácuo diplomático entre Lula e Trump fortalece linha dura dos Estados Unidos

Encontro em Washington permanece sem data definida

Túlio Amâncio
G1

A demora para a realização de uma reunião presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, inicialmente prevista para meados de março, reduziu o espaço de interlocução direta entre os dois presidentes, segundo avaliam diplomatas.

Na análise de integrantes do Itamaraty, o distanciamento fez a “química esfriar” e abriu espaço para que a ala ideológica do governo norte-americano voltasse a ganhar força. Lula pretendia fazer uma visita oficial à Casa Branca, para se reunir com o presidente Trump. A ideia inicial era que o encontro em Washington ocorresse neste mês de março, mas agora tudo mudou.

SEGURANÇA PÚBLICA – Funcionários do governo Trump afirmam, sob reserva, que nomes como Marco Rubio, secretário de Estado, e Darren Beattie, assessor de Trump para políticas relacionadas ao Brasil — que chegou a pedir para visitar Jair Bolsonaro — estão conseguindo emplacar pautas dentro do governo americano. Diante do fracasso do tarifaço, essa ala passou a investir com mais intensidade no tema da segurança pública.

No governo brasileiro, a avaliação é de que é preciso reagir. Integrantes do Planalto dizem estar incomodados com a narrativa que vem ganhando força nas redes sociais de que o governo defenderia facções criminosas como o PCC e o CV.

Em caráter reservado, diplomatas mencionam o temor de que os Estados Unidos utilizem o combate ao narcotráfico e a classificação de grupos como terroristas para justificar operações militares na região.

A preocupação é, principalmente, a tentativa norte-americana de interferir em assuntos de soberania nacional. Assim, a área de comunicação prepara uma mobilização nas redes sociais — novamente com o mote da soberania — para explicar de forma didática como esse debate pode afetar a soberania nacional.

André Mendonça rebateu a defesa de Vorcaro e apontou provas robustas

Uma bailarina que dança na caixinha de música, girando, girando…

Feliz Aniversário Fatima Guedes! 💕 Hoje é dia de festa por aqui, nossa  querida Fatima comemora mais um ano de vida, que seja repleto de muita  música, hoje e sempre! Deixe sua

Fátima Guedes inspirou-se na bailarina

Paulo Peres
Poemas & Canções

A cantora e compositora carioca Fátima Guedes, na letra de “A Bailarina”, retrata os segredos e os valores familiares que a menina da caixa de música guarda através de gerações. Essa música foi gravada por Fátima Guedes no LP Lápis de Cor, em 1981, pela EMI-Odeon.

A BAILARINA
Fátima Guedes

Gira a bailarina
Na caixa de música
Lívida menina
Rodando, rodando…
Num pequeno círculo
De ouro e de espelho
Escrava do delicado
Mecanismo

Pálida e suave
Em seu bailado frívolo
Quantas vidas passa
Dançando, dançando…
Com a orgulhosa pose
De uma estirpe distante
Finita num infinito
Narcisismo

Roda a bailarina
A sua sina
De tonta
Guardiã de jóias e segredos
De família
Com a roupinha de balé
Com a sapatilha
Relíquia de passar
De mãe pra filha

Ela se persegue
Em seu passeio lúdico
Presa na caixinha
Girando, girando, girando…

Tebet confirma candidatura ao Senado por SP e sai do ministério até o fim do mês

Vorcaro se enfurece, xinga políticos e esmurra a parede! Será verdade?

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. # vorcaro #danielvorcaro #bancomaster #toffoli #stf #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Ivan Longo
Fórum

Daniel Vorcaro surtou. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que nesta sexta-feira (13) decidiu mantê-lo na prisão, o dono do Banco Master, revoltado, esmurrou a parede de sua cela na Penitenciária Federal de Brasília, machucou as mãos e precisou de atendimento médico. As informações são de Robson Bonin, da revista Veja.

Segundo interlocutores de Vorcaro, o banqueiro, durante seu surto, teria ainda gritado nomes de políticos e autoridades com quem tinha “relações financeiras” e que não estariam atuando para tirá-lo da cadeia.

EM DESESPERO – O dono do Banco Master entrou em desespero ao saber da decisão do STF. Mais cedo, a Segunda Turma da Corte formou maioria para confirmar a manutenção da prisão preventiva do banqueiro. Até o momento, acompanharam o voto do relator, ministro André Mendonça, para manter Vorcaro preso, os ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Falta votar o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte.

O banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bancária, trocou de advogado e prepara uma negociação de delação premiada. As informações são da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

Dessa maneira, o advogado Pierpaolo Bottini, do escritório Bottini & Tamasauskas, que fazia a defesa de Vorcaro, alegou “motivos pessoais” e deixou o caso. Quem assume é o advogado José Luis Oliveira Lima.

NOVO ADVOGADO – Oliveira Lima conduziu delações premiadas, entre elas a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato. Ele também atuou na defesa do ex-ministro José Dirceu na época do “mensalão”, em 2012. Também representou o general Braga Netto no processo por tentativa de golpe de Estado. Além disso, Oliveira Lima atuava para o Banco Master antes da liquidação determinada pelo Banco Central.

De acordo com informações da jornalista Mônica Bergamo, Daniel Vorcaro esperava a decisão da Segunda Turma do STF sobre a sua prisão — que optou por mantê-lo preso — para decidir sobre a delação premiada.

Assim, com a manutenção da prisão de Daniel Vorcaro, o banqueiro deve iniciar negociações para uma delação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A matéria é assustadora, por vários motivos. Mostra que Vorcaro já conseguiu subornar algum funcionário do presídio, porque está isolado na cela e não teria como receber notícias do exterior. E o pior é o exterior receber informações internas que somente seriam do conhecimento dos guardas penitenciários. Em resumo, pode ser uma fake news da melhor categoria, que a Veja não confirmou, antes de publicar. Porém, se for verdade, significa que a esculhambação reina até nos presídios de segurança máxima, cuja segurança é mínima. (C.N.).

Era previsível, e a crise do petróleo volta ao centro da política mundial

Fechamento do Estreito de Ormuz reacendeu preocupações

Pedro do Coutto

A política internacional tem o hábito de reapresentar velhos conflitos sob novas circunstâncias. Em diferentes momentos da história recente, crises energéticas serviram como gatilho para tensões militares, disputas diplomáticas e turbulências econômicas globais.

A nova escalada de tensão no Oriente Médio recoloca esse fenômeno no centro do debate internacional. A ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz por lideranças iranianas reacendeu preocupações que, durante anos, pareciam ter sido parcialmente atenuadas pela narrativa da transição energética: a dependência estrutural do mundo em relação ao petróleo.

ROTA ESTRATÉGICA – O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Localizado entre Irã e Omã, esse corredor estreito conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e funciona como principal passagem para o petróleo produzido em alguns dos maiores exportadores globais. Estimativas indicam que cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo atravessa diariamente essa rota. Em termos práticos, isso significa que aproximadamente 20 milhões de barris circulam pelo estreito todos os dias, um volume capaz de influenciar diretamente o equilíbrio energético mundial.

A possibilidade de bloqueio da passagem por forças iranianas não é um episódio isolado, mas parte de um histórico de tensões que envolve disputas regionais, rivalidades geopolíticas e a presença militar de grandes potências. Desde a Revolução Islâmica de 1979 — evento conhecido como a Revolução Iraniana — o Irã mantém uma relação complexa com os Estados Unidos e seus aliados ocidentais. O estreito tornou-se, ao longo das décadas, um ponto sensível dessa disputa estratégica.

AMEAÇA – Qualquer ameaça de interrupção do fluxo de petróleo imediatamente mobiliza a atenção das principais potências militares, especialmente dos Estados Unidos, que historicamente mantêm presença naval na região para garantir a segurança das rotas marítimas.

A importância econômica dessa passagem explica o nível de preocupação internacional. Segundo dados amplamente citados por organismos internacionais, nenhuma outra rota marítima concentra tamanho volume de transporte de petróleo. Uma interrupção prolongada poderia gerar efeitos em cascata na economia global: aumento do preço dos combustíveis, pressão inflacionária, encarecimento do transporte internacional e impactos sobre cadeias produtivas em diversos países.

O mercado de petróleo reage rapidamente a qualquer sinal de instabilidade na região. Mesmo ameaças ou declarações políticas podem provocar oscilações significativas nos preços do barril. Analistas frequentemente lembram que o setor energético opera sob forte influência de expectativas.

ELEVAÇÃO DOS PREÇOS – Quando investidores percebem risco de interrupção no fornecimento, os preços tendem a subir mesmo antes de qualquer bloqueio real ocorrer. Foi exatamente essa dinâmica que marcou as grandes crises do petróleo da década de 1970, quando decisões políticas e conflitos regionais provocaram choques que alteraram profundamente o equilíbrio econômico mundial.

Nesse cenário, a presença militar americana no Golfo Pérsico continua sendo um elemento central. A Marinha dos Estados Unidos mantém historicamente frotas na região com a missão de garantir a livre navegação e proteger o fluxo de petróleo destinado aos mercados internacionais. Essa estratégia faz parte de uma arquitetura de segurança construída ao longo de décadas para assegurar a estabilidade do abastecimento global.

Mas o impacto dessa tensão não se limita ao plano geopolítico. Ele se projeta diretamente sobre economias nacionais, especialmente aquelas fortemente dependentes de importações de combustíveis. Em momentos de alta nos preços internacionais, governos são frequentemente pressionados a adotar medidas para conter o impacto inflacionário. Combustíveis mais caros elevam custos de transporte, pressionam preços de alimentos e afetam praticamente toda a cadeia produtiva.

EFEITOS IMEDIATOS – No caso brasileiro, essa dinâmica costuma ter efeitos imediatos. O Brasil é produtor relevante de petróleo, especialmente após a expansão da exploração no pré-sal, mas ainda permanece sensível às oscilações do mercado internacional. O preço do diesel, por exemplo, exerce forte influência sobre o transporte de mercadorias e, consequentemente, sobre o custo de vida da população.

Governos frequentemente recorrem a instrumentos fiscais para amortecer esse impacto. Reduções temporárias de impostos sobre combustíveis ou mecanismos de estabilização de preços tornam-se ferramentas para conter a inflação em momentos de crise energética global. Essas decisões, contudo, costumam envolver dilemas complexos: aliviar o impacto imediato sobre os consumidores pode significar pressão adicional sobre as contas públicas.

Além do impacto econômico, crises energéticas frequentemente influenciam o ambiente político interno. A alta dos combustíveis costuma se transformar em tema central de debates eleitorais, mobilizando partidos, governos e opositores. Em diversos países, aumentos abruptos nos preços de energia já provocaram protestos, mudanças de políticas públicas e até instabilidade política.

REFLEXOS – Esse cenário revela uma característica fundamental da política internacional contemporânea: a interdependência entre crises globais e decisões domésticas. Um conflito localizado no Oriente Médio pode desencadear efeitos que se espalham rapidamente pelo sistema econômico mundial, influenciando desde o preço do combustível nos postos até o cálculo político de governos em diferentes continentes.

Apesar do avanço das fontes renováveis e das discussões sobre descarbonização da economia, o petróleo continua ocupando posição central no funcionamento do sistema econômico global. Navios que sustentam o comércio internacional dependem de combustíveis fósseis para cruzar oceanos. Aviões que conectam continentes utilizam derivados do petróleo. Fertilizantes essenciais à produção agrícola também estão profundamente ligados à indústria petroquímica.

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA – Por essa razão, qualquer ameaça às rotas de abastecimento continua sendo tratada como um problema estratégico de alcance global. O mundo pode estar caminhando para uma transição energética, mas essa transformação ocorre de forma gradual. Enquanto a infraestrutura econômica continuar dependente de combustíveis fósseis, crises envolvendo o petróleo permanecerão capazes de provocar efeitos profundos sobre a política internacional.

No fim das contas, episódios como a atual tensão em torno do Estreito de Ormuz lembram que a geopolítica da energia ainda molda grande parte das relações internacionais. Mesmo em uma era marcada por inteligência artificial, economia digital e novas tecnologias, o acesso a recursos estratégicos continua sendo um dos pilares do poder global.

Assessor acusa Palácio Guanabara de vínculos com crime e é exonerado após podcast

Avanço das investigações da PF impede qualquer tentativa de “blindar” Vorcaro

🌞Bom dia! Confira a charge da edição desta sexta-feira (29/8) do Correio Braziliense, por Kleber Sales.

Charge do Kleber Sales (Correio Braziliense)

Malu Gaspar
O Globo

Desde que a bomba do caso do Banco Master voltou a estourar no colo do Supremo Tribunal Federal (STF), com a descoberta de que Daniel Vorcaro enviou mensagens a Alexandre de Moraes no dia da prisão perguntando se ele “conseguiu bloquear”, os ministros parecem perdidos, sem saber o que fazer.

Pelos relatos de quem frequenta os corredores e gabinetes, quem não está perplexo está furioso. Estão tão acostumados a pairar acima de tudo e todos no ecossistema de Brasília que se mostram sem repertório para lidar com uma premissa básica da democracia: têm obrigação de prestar contas à sociedade.

CÓDIGO BAND-AID – A crise se agravou tanto que o Código de Ética defendido pelo presidente da Corte, Edson Fachin, hoje teria o efeito de um band-aid cobrindo uma fratura exposta. E, ainda assim, a proposta não andou um milímetro desde que a ministra Cármen Lúcia foi designada relatora.

A única reação ensaiada até agora veio da ala furiosa da Corte, que passou a cobrar do governo Lula uma grande operação abafa a partir da interferência na Polícia Federal (PF). O núcleo que orbita em torno de Moraes e de Dias Toffoli se julga abandonado pelo Palácio do Planalto.

Afinal, o Supremo Futebol Clube vem matando no peito todas as bolas tortas que o governo não consegue defender no Congresso. Por esse argumento, o mínimo que Lula poderia fazer é anular a PF em nome dessa aliança.

IMAGEM ABALADA – Achar que Lula vai intervir é uma visão ao mesmo tempo alienada e ingênua. Alienada, porque faz questão de ignorar a dimensão que o caso ganhou e quanto o Supremo está machucado pela crise.

Na falta de sensibilidade política, já começam a surgir indicadores como a pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira mostrando que 35% dos que tomaram conhecimento do escândalo o associam ao STF, e 70% desse universo considera que a imagem do Supremo está abalada.

O mesmo levantamento aponta que 44% dizem que a chance de votar num candidato a senador nas próximas eleições aumentará caso ele apoie o impeachment de ministros. Os pesquiseiros do Planalto e do bolsonarismo já perceberam essa tendência, daí por que não faz sentido para Lula se afundar junto com o Supremo.

INGENUIDADE – Nesse contexto, é de uma suprema ingenuidade imaginar que o presidente, que já largou pelo caminho aliados de uma vida, vá se sacrificar agora por causa das lambanças de Toffoli e Moraes.

Também surpreende a suposição de que a troca do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — que, apesar do relatório sobre Toffoli, sempre se portou como aliado de Moraes —, vá anular o trabalho de dezenas de delegados e agentes. Taí algo que nem Jair Bolsonaro conseguiu, mesmo tentando muito. Além disso, a esta altura da investigação seria inútil.

Embora ainda falte muita coisa para vir à tona, o número de versões do celular de Vorcaro nas mãos de investigadores já é grande o suficiente para que não se possa mais eliminá-las completamente.

MENDONÇA NO COMANDO – Ao substituir Toffoli na relatoria do caso, o ministro André Mendonça ainda estabeleceu contato direto com os delegados e os proibiu de passar informações a superiores hierárquicos.

Pelo jeito, já andava de pé atrás com os uísques caros que Andrei tomou em Londres em abril de 2024 com Moraes, Paulo Gonet e Ricardo Lewandowski, entre dezenas de outros figurões — tudo bancado por Vorcaro.

Isolado no Supremo desde que assumiu o cargo, Mendonça foi o único a votar pela suspeição de Moraes para julgar a trama golpista. É cedo para dizer se abrirá alguma investigação contra o colega de Corte, mas não para constatar que, se em algum momento houve alguma chance de enterrar a apuração, ela já ficou no passado.

CENTRÃO NA MIRA – Para completar o quadro, os documentos com os sigilos fiscais do Master, da Reag e de Vorcaro que vêm desembarcando nas CPIs do INSS e do Crime Organizado já começam a vir à tona, colocando em xeque as lideranças do Centrão.

O primeiro a ser alvejado foi ACM Neto (União Brasil), que os repórteres do Globo descobriram ter recebido R$ 3,6 milhões do Master e da Reag via empresa de consultoria.

Ninguém tem dúvida de que vem muito mais por aí. Não foi por outra razão que os presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados adotaram nesta semana o regime de sessões semipresenciais, evitando debates no plenário e driblando a pressão para decidir sobre os pedidos de CPI sobre a mesa.

ANARQUIA DO SISTEMA – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), querem mais é serem esquecidos, enquanto tentam achar uma forma de não serem tragados pelo escândalo. É o máximo que podem fazer no momento pelo STF.

Diante da situação, é impossível não se lembrar do diálogo com a namorada em que Vorcaro diz ser “a anarquia do sistema”. A partir de agora, é cada um por si. Quem não entender isso se afundará ainda mais rápido.

Voto de Gilmar vai “ensinar” como anular caso Master e soltar Vorcaro

Tribuna da Internet | Segunda Turma: recurso final de Bolsonaro não será decidido na gestão de Gilmar

Charge do Cláudio Aleixo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Já mostramos aqui na Tribuna da Internet que libertar o banqueiro Daniel Vorcaro será um achincalhe nacional, para manchar de vez a imagem do Supremo. É certo que ainda existe quem alimente essa expectativa sinistra, por acreditar que Gilmar Mendes vai conseguir derrubar, um a um, os argumentos de André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques para manter o banqueiro Daniel Vorcaro num presídio de segurança máxima.

Realmente, este é o principal objetivo do decano do Supremo, que prometeu passar o fim de semana estudando detidamente os votos a favor de manter Vorcaro sob segurança máxima, dados nesta sexta-feira pelos outros ministros da Segunda Turma, que Gilmar preside.

PLANO DE GILMAR – No Supremo, já se tem uma ideia sobre as diretrizes de Gilmar, que vem costurando uma tese sobre os vazamentos de informações de inquéritos. A seu ver, a exposição pública “constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade”

Antes de iniciado o julgamento do pedido para libertar Daniel Vorcaro, sob alegação de que ele não oferece risco à sociedade nem tem como prejudicar as investigações ou desfazer provas, Gilmar Mendes já tinha esboçado na rede social X um caminho para anular o caso Master.

“A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade e uma demonstração de barbárie institucional que transgride todos os limites impostos pelas leis e pela Constituição”, enfatizou o ministro por meio do antigo Twitter.

FORA DA LEI – Segundo essa tese, o vazamento de mensagens desrespeita a legislação e pode dar margem à anulação do processo envolvendo Daniel Vorcaro.

“Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, parece ainda mais grave a divulgação de tais diálogos, denotando a urgência de refletir sobre como a intimidade feminina é, historicamente, o alvo preferencial de tentativas de desmoralização e controle”, acrescentou ele, sobre as conversas de Vorcaro com a namorada.

“Ao permitir a publicação de diálogos íntimos de um casal, o Estado e seus agentes não apenas falham em seu dever de guarda, mas desrespeitam a legislação, que impõe categoricamente a inutilização de trechos que não interessam à persecução penal”, argumenta o polêmico ministro.

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P.S. –
Em tradução simultânea, o que Gilmar Mendes pretende é instituir uma nova prática de impunidade, e nem interessa a gravidade do crime. Toda vez em que houver vazamento, a investigação será anulada, algo que não existe no Direito Universal. Ou seja, mais uma “inovação” brasileira que nenhum país do mundo adota, como a proibição de prender criminoso após condenação em segunda instância, adotada em 2019 com entusiástica defesa de Gilmar Mendes, feita sob medida para libertar Lula, já condenado em três instâncias, sempre por unanimidade. (C.N.)

Ministros do STF apenas cumpriram a lei; seria revoltante libertar Vorcaro

Tribuna da Internet | Supremo precisa de autocrítica, para evitar novos conflitos de competência

Charge do Bessinha (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Mantendo preso o facínora e canalha Daniel Vorcaro, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) cumpriram a lei. Não fizeram mais do que obrigação. Mas, também, contribuem para resgatar um pouco a credibilidade da Suprema Corte junto aos brasileiros. Não podem afrouxar. Ceder a pressões inconfessáveis de abutres engomados.

Porque ultimamente o STF anda mais por baixo do que tapete de porão”, diria o sábio Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta. Que, aliás, no Brasil surrealista atual, escreveria diversas obras do “Febeapá, festival de besteira que assola o país”. 

Desde que Vorcaro foi preso pela segunda vez, a imprensa começou a especular e torcer pela delação premiada do patife. Recordo e reitero que no meu artigo de 30 de janeiro, aqui na tribuna, pontuei: “O script final e mais aguardado é a delação premiada”. 

RÍGIDO E PONTUAL – A boa coluna do Estadão do dia 9 de março revelou que o corregedor nacional de Justiça, o rígido ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ)  Mauro Campbell, ordenou que Tribunais de Justiça de 9 Estados “adotem medidas para combater a ocultação de dívidas de consultas públicas do mercado de crédito”.

A decisão de Campbell atinge os tribunais de Justiça de São Paulo, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Alagoas, Ceará, Amazonas e Pará. 

TORPEZA – A lista de 50 nomes pré-convocados de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo não tem o nome do cerebral meia Paulo Henrique Ganso. Inacreditável e torpe absurdo. A medonha lista tem nomes de jogadores que não engraxam as chuteiras de Ganso. Atletas que não sabem pensar. Jogadores que não dão um passe certo de 5 metros. 

A idade não é justificativa inteligente nem aceitável para Ganso ficar fora da lista. A CBF deveria chamar a atenção de Ancelotti para a injustificável tolice e agressão ao bom futebol de Ganso.

CORRERIA – Por fim, muito alarde dos filhos e seguidores, correria danada para o hospital, mas os médicos informam que Bolsonaro passa bem e está consciente.

Mas a coisa está feia. É a terceira pneumonia dele em apenas oito meses. E haja antibióticos.