Imprensa tenta reduzir a importância da entrevista de Caiado ao Jornal Nacional

Caiado na TV Globo: como o ex-governador se saiu na entrevista? Veja as  notas e avaliações dos colunistas do GLOBO

Caiado enfrentou os apresentadores e deu show no JN

Carlos Newton

Está sendo comovente a reação da imprensa petista, que tenta desconhecer a importância das declarações de Ronaldo Caiado ao Jornal Nacional. Os portais e sites da imprensa amestrada tentam encontrar erros nas impressionantes afirmações do candidato do PSD, e dizem que ele desrespeitou os entrevistadores César Tralli e Renata Vasconcellos.

Caiado não desperdiçou a oportunidade. E ele próprio conduziu a entrevista, deixando atônitos os dois apresentadores, que se julgam o máximo, mas na verdade não têm gabarito para enfrentar um político de verdade, cuja família governou Goiás em três gerações sucessivas, com o avô, o pai e o próprio Caiado.

ESTRATÉGIA – Caiado adotou uma estratégia que enlouquece os apresentadores, que sempre se julgam mais importantes do que o convidado – ele começou a entrevista lembrando a Lava Jato, em que o Jornal Nacional colocava diariamente o governo Lula numa rede de esgotos, por onde escoavam os recursos públicos desviados.

Elogiar o que a TV Globo fez na Lava Jato mostrou ser uma forma inteligente de criticar o que a Organização dos irmãos Marinho está fazendo agora, pois desde que Lula assumiu o noticiário passou a ser petista, porque quem manda nas notícias das televisões é o cofre do Planalto.

Lula abriu as burras e domou a Globo, cujos donos têm telhado de vidro na Receita Federal e não podem brigar com nenhum governo. Mas quem se interessa por dignidade e espírito público na família de um argentário como Roberto Marinho? Aliás, foi ele que ensinou Silvio Santos e os demais empresários da comunicação a fazer tudo por dinheiro.

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P.S. –
Ronaldo Caiado deu um show de política. Mostrou que é o melhor candidato, disparado. Se os brasileiros tiverem juízo, vão elegê-lo, porque ele pode fazer um governo digno e eficaz como Itamar Franco, um brasileiro que merece ser um nome da História, mas ainda não é reconhecido da forma que deveria ser. (C.N.)

Flávio e Lulinha envolvidos em escândalos que desmoralizam a política nacional

Tanto Flávio quanto Lulinha têm contra si acusações sérias

Celso Rocha de Barros
Folha

Tanto o filho mais velho do Bolsonaro quanto o filho mais velho do Lula têm contra si acusações sérias. Mas os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos muito diferentes. E só um dos dois, felizmente, é candidato a presidente.

Lulinha é acusado de ter se associado à lobista Roberta Luchsinger para conseguir que o Ministério da Saúde comprasse remédios à base de canabidiol sem licitação. O negócio não foi fechado porque o lobista chefe de Roberta foi pego antes no escândalo do INSS.

CONTRATO BILIONÁRIO – Segundo as notícias, a lobista enviou uma minuta de contrato ao chefe de gabinete de Lula, com o valor de R$ 626 milhões por 1,2 milhões de frascos (dá R$ 521,67 por frasco). Se o canabidiol for um remédio desnecessário (não tenho ideia se é ou não, não sou médico), o desvio total seria esse. Se é um remédio útil que teria sido superfaturado, o desvio seria o valor (certamente menor) do superfaturamento.

Tentei calcular esse valor, mas o contrato ainda não foi divulgado. Sem ele, não sabemos qual é a concentração do canabidiol ou o volume de cada frasco, e fica difícil comparar os preços com os do mercado. Quem tiver acesso ao contrato pode estimar o superfaturamento utilizando os preços listados no site Fitocanabica.com.br e o desconto padrão do SUS para compras em grande escala. Não sabemos quanto do valor superfaturado teria ido para Lulinha, Roberta ou outros participantes do esquema.

CASO MASTER –  Flávio Bolsonaro recebeu, comprovadamente, R$ 60 milhões (e a promessa de mais R$ 60 milhões) do dono do Master. Se todas as suspeitas contra ele forem verdadeiras, esse dinheiro foi dado a Flávio como recompensa pelos bilhões em dinheiro público que o bolsonarismo deu ao banco: foram R$ 3,6 bilhões dos aposentados do Rio de Janeiro, entregues ao Master pelo governador bolsonarista Cláudio Castro; e cerca de R$ 9 bilhões (a estimativa só cresce) do Banco de Brasília, desaparecidos quando o governador bolsonarista Ibaneis Rocha tentou salvar o Master.

As estimativas do valor total do rombo efetivamente causado pelo banco estão em torno de R$ 60 bilhões, cem vezes mais do que a maior estimativa do valor que teria sido desviado se o lobby de Lulinha tivesse dado certo.

Uma comparação mais apropriada com o caso Lulinha seria a que Flávio Bolsonaro fez quando levou Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, ao BNDES em 2020 para discutir, segundo Flávio, investimentos em conexão para a internet. Também era lobby, como no caso do canabidiol.

SUPERFATURAMENTO – Maximiano depois foi acusado de vender vacinas superfaturadas durante a pandemia. Se foi disso que Flávio tratou no BNDES, estou sendo injusto com Lulinha: pouca coisa é tão ruim quanto lobby por vacina superfaturada em meio a uma pandemia, durante a qual o pai de Flávio foi responsável por, pelo menos, 145 mil mortos —justamente por ter se recusado a comprar vacinas oferecidas a preços normais.

O ministro André Mendonça precisa derrubar o sigilo dos inquéritos do Master, do canabidiol e do INSS. Só isso pode evitar que a eleição seja vencida por quem tiver mais dinheiro e amigos poderosos que lhe permitam planejar vazamentos e modular sua repercussão.

Depois do telefonema com Lula, Trump manda reabrir negociação sobre tarifaço

Flávio Bolsonaro mobiliza oposição para barrar fim da escala 6×1 no Senado

Flávio Bolsonaro tenta ganhar tempo

Bernardo Lima
O Globo

A sinalização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de que pode votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6×1 mobilizou integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A medida é bandeira eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi destravada no Senado após o petista iniciar uma reaproximação com o chefe do Legislativo.

Do lado da campanha de Flávio, a articulação envolvendo a PEC está concentrada no senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura do PL. O parlamentar apresentou uma PEC alternativa e tenta mudar a rota do debate no Senado.

PREVISÃO – O Congresso pausou as atividades durante as eleições e definiu que só vai realizar duas semanas de esforço concentrado para realizar votações antes do pleito. A primeira semana aconteceu no início de agosto e a segunda está prevista para a semana que começa no dia 31 de agosto.

Durante a primeira semana de esforço concentrado, Marinho tentou um acordo com Alcolumbre para que a proposta que muda a escala de trabalho não fosse votada em meio ao período eleitoral.

Em um revés para a estratégia da campanha de Flávio, na mesma semana, Alcolumbre teve reuniões com Lula e se comprometeu a destravar a PEC. Após o encontro, o presidente do Senado remeteu a iniciativa, que estava travada desde maio, para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e deu aval para que um relator aliado do Planalto fosse escolhido, o senador Omar Aziz (PSD-AM).

MOBILIZAÇÃO – Apesar disso, a ideia é que a oposição se mobilize para impedir que a PEC seja votada. Aliados de Flávio contam com o pouco tempo que a iniciativa tem para ser analisada para impedir a conclusão da tramitação. A ideia é tentar fazer pedidos de vista para adiar a votação na CCJ, apresentar emendas para alterar o texto e tentar ganhar tempo para impedir que o texto seja analisado pela comissão e pelo plenário na última semana de esforço concentrado.

Mesmo aliados do governo, como o presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), e o relator da PEC, Omar Aziz (PSD-AM), dizem que o cenário está indefinido e não é possível saber se haverá acordo para aprovar a iniciativa antes das eleições. Aziz diz que vai apresentar o relatório durante a semana de esforço concentrado, mas que a definição de quando ela será votada caberá aos líderes das bancadas.

“DEBATE MAIOR” – O discurso na campanha presidencial de Flávio é que a iniciativa é complexa e exige um debate maior. Aliados do presidenciável evitam ir contra o teor da proposta, já que reconhecem que é um tema caro ao trabalhador, mas dizem que o assunto precisa ser debatido fora do período eleitoral e sem estar contaminado por uma discussão política.

“Lula está desesperado, o seu governo foi um desastre. Teve quatro anos para viabilizar pautas positivas e não fez. Agora, quer, às vésperas da eleição, alardear o seu interesse nessas pautas”, disse o deputado Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio, que votou a favor da medida quando a PEC foi aprovada pela Câmara.

PEC DO MARINHO –  O texto alternativo apresentado por Marinho propõe que empregados escolham entre o regime tradicional da CLT e um modelo baseado em horas efetivamente trabalhadas. Pela PEC articulada pelo coordenador da campanha de Flávio, a compensação de horários e a redução da jornada poderão ocorrer por acordo individual, convenção coletiva ou negociação direta entre empregado e empregador.

A iniciativa do coordenador da campanha de Flávio se encontra na CCJ do Senado, mas o presidente da comissão, Otto Alencar, disse que não vai designar um relator para a proposta. Alencar, no entanto, disse que, se tiver acordo, o relator pode incluir trechos dela na PEC que o governo deseja aprovar.

Em reuniões com empresários, a campanha de Flávio também tem se posicionado contra votar a medida no período eleitoral. “É um debate populista, inócuo na realidade atual das famílias brasileiras. O cara tem que ter liberdade para trabalhar o quanto ele quiser. É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa (com a redução da jornada) enquanto quem produz não vai ter condição (de arcar com o aumento do custo de mão de obra). Vai ter um custo enorme em relação a isso”, disse Daniella Marques, da equipe econômica do candidato, durante evento promovido pelo grupo empresarial Lide na última sexta-feira.

Campanha de Lula aposta em doações de apoiadores para reforçar caixa eleitoral

Partido arrecadou R$ 6,8 milhões na eleição passada

Samuel Lima
O Globo

O PT disparou um aviso aos militantes, nesta terça-feira (25), convocando doações para uma “vaquinha virtual” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sua tentativa de reeleição este ano. O site permite enviar de R$ 13 a R$ 1.064 numa única operação.

O método é permitido pela Justiça Eleitoral desde 2017 e já foi usado nas participações de 2018, quando teve o nome barrado nas urnas e levantou R$ R$ 1,5 milhão, e 2022, quando o candidato arrecadou R$ 6,8 milhões.

FUNDO ELEITORAL – Ainda que consiga uma quantia semelhante ao volume de quatro anos atrás, a participação do financiamento coletivo nas receitas dos presidenciáveis costuma ser mínima, diante de um fundo eleitoral de R$ 4,9 bilhões a ser distribuído pelos partidos entre todos os candidatos de 2026. O PT, por exemplo, recebeu R$ 615 milhões para bancar as campanhas em todo o país, a segunda maior fatia, atrás apenas do PL. O valor tem relação direta com a representação das bancadas no Congresso.

Outros concorrentes também abriram “vaquinhas” para ampliar os gastos. Renan Santos, do Missão, lidera com R$ 1,26 milhão arrecadados entre 20,5 mil apoiadores. Ele é seguido por Flávio Bolsonaro, do PL (R$ 201 mil), Samara Martins, da UP ($ 82 mil), Edmilson Costa, do PCB (R$ 13,4 mil), Rui Costa Pimenta, do PCO (R$ 5,5 mil), Ronaldo Caiado, do PSD (R$ 4,8 mil), Augusto Cury, do Avante (R$ 4,5 mil), Hertz Dias, do PSTU (R$ 2 mil), e Clariana Barão, do DC (R$ 127).

A arrecadação do PT ocorre em plataforma própria que não divulga o total recolhido. As informações de transparência constam em uma lista em tempo real que não possibilita copiar e trabalhar os dados para fazer o cálculo. Ainda assim, as cinco maiores doações tiveram o valor máximo e permitem afirmar que, em cerca de 24h, a “vaquinha” de Lula já supera às de Caiado e Cury. Além de disponibilizar os doadores, o montante deve ser relatado à Justiça Eleitoral na prestação de contas.

Dark Horse: o que a PF pediu à Ancine para esclarecer sobre o filme de Bolsonaro

Flávio Bolsonaro acusa governo Lula de usar máquina pública em campanha e aciona TSE

Desta vez, Moraes conseguiu acertar, ao propor união nacional pela segurança pública

Charge do Miguel Paiva (Instagram) | Sobral em Revista

Charge do Miguel Paiva (Sobral em Revista)

Vicente Limongi Netto

Declarações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federa l(STF), são para serem analisadas, porque causam efeito imediatos no país, gostemos delas ou não. Xandão não joga conversa fora e exerce com autoridade sua liderança sobre os outros ministros.

Fora da Suprema Corte, Moraes também tem seguidores valiosos, como o presidente Lula e o senador Davi Alcolumbre, que preside o Congresso. Nesta segunda-feira, dia 24, Moraes foi claro e enfático, ao afirmar que a segurança pública é questão de interesse nacional.

CONCLUSÃO ÓBVIA – Realmente, governo federal e governos estaduais precisam trabalhar unidos. Nessa linha, recordo e destaco o que escrevi sobe o tema, no meu artigo do dia 17 de agosto, aqui na Tribuna da Internet:

“A violência urbana nos Estados não é combatida como deve ser pelos governadores, que dispõem da Policia Militar e da Policia Civil. Nota-se no discurso bolsonarista insinuações surradas de que a culpa é do governo federal pela violência em geral”.

Infelizmente, os governantes insistem em não enxergar a realidade que se apresenta diante deles.

Dark Horse: Flávio é cobrado sobre dinheiro de filme e reage atacando Lula e Banco Master

A desvairada e insana fantasia de Augusto dos Anjos, o “poeta da morte”

A Esperança não murcha, ela não... Augusto dos Anjos - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, professor e poeta paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914) era conhecido como o “poeta da morte”. Foi um dos principais expoentes do simbolismo e do pré-modernismo brasileiro. Seu poema mais famoso é “Psicologia de um Vencido”, amplamente conhecido por seus versos iniciais marcantes (“Eu, filho do carbono e do amoníaco”). Outro forte concorrente em popularidade é “Versos Íntimos”, famoso pelo trecho final ácido (“A mão que afaga é a mesma que apedreja”

Também é famoso o soneto “Insânia”, em que ele mergulha suas fantasias e parte em busca do passado para alcançar o futuro.

 
INSÂNIA
Augusto dos Anjos

No mundo vago das idealidades
Afundei minha louca fantasia;
Cedo atraiu-me a auréola fulgidia
Da refulgência antiga das idades.

Mas ao esplendor das velhas majestades
Vacila a mente e o seu ardor esfria;
Busquei então na nebulosa fria
Das ilusões, sonhar novas idades.

Que desespero insano me apavora!
Aqui, chora um ocaso sepultado;
Ali, pompeia a luz da branca aurora.

E eu tremo entre um mistério escuro:
– Quero partir em busca do Passado,
– Quero correr em busca do Futuro.

Recuo do PT destrava bilhões do Fundo Eleitoral e PL fica com a maior fatia

PF rastreia negócios bilionários envolvendo Lulinha, Careca do INSS e lobista

PF aponta dinheiro em espécie e despesas pagas por lobista para Lulinha

Defesa diz que setores da PF tentam interferir em eleição

José Marques
Folha

Investigação da Polícia Federal afirma que a lobista Roberta Luchsinger fazia “significativas movimentações de dinheiro em espécie” e que usou uma parte desses valores para pagar uma agência de turismo que bancou a viagem de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Lula.

Em documento que fundamentou a abertura de um inquérito contra Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, a PF destaca que em 25 de junho do ano passado o motorista de Roberta fez “duas coletas em espécie com terceiro desconhecido” nos valores de R$ 100 mil e R$ 200 mil.

REPASSE – Desse total, diz o órgão no texto ao qual a Folha teve acesso, R$ 50 mil foram repassados a uma agência de viagens que havia emitido passagens para Lulinha e Roberta —nesse mesmo dia, o serviço da agência foi usado para pagar passagens no valor de R$ 2.000 para os dois, de Brasília ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Em agosto do mesmo ano, Roberta afirmou em um diálogo transcrito pela PF que não iria mais poder gastar com passagens, porque já estava gastando R$ 100 mil por mês em uma casa usada por Lulinha. Essa conversa de agosto foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Procurada, a defesa de Lulinha disse que “setores da PF instrumentalizados por interesses políticos-eleitorais seguem tentando interferir nas eleições de 2026” e diz que não é provado nos autos que esse dinheiro foi usado para pagar as passagens.

QUEBRA-CABEÇA – “É um verdadeiro quebra-cabeça de ilações fruto da irresponsabilidade daqueles que não têm um verdadeiro projeto ou programa para o país. Isso nos remete ao pior que ocorria durante a época da finada Operação Lava Jato”, afirma o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho.

Também procurada, a defesa de Roberta Luchsinger disse que não iria comentar “conversas que supostamente são retiradas de um relatório que está sob sigilo”. Em representação que trata de investigação sobre Lulinha por suspeita de tráfico de influência, a PF afirma que Roberta usava seu motorista, Ulisses Barbosa Viana Júnior, “para realizar significativas movimentações de dinheiro em espécie”.

A polícia destaca o recebimento dos R$ 300 mil em 2025. Na ocasião, Roberta diz a Ulisses: “Quando você pegar o dinheiro me avisa”. Ele responde: “Acabei de pegar tudo, tô levando pra sua residência. Não contei… pq está em pacotes lacrados”. “Chegando na residência eu passo o valor total. Uns 20 min”, diz o motorista, que, em seguida, afirma que são “100 + 200”.

“ATRÁS DAS ROUPAS” – Roberta pede para ele depositar R$ 50 mil na conta da consultoria dela e R$ 50 mil na conta da agência de viagens. Também pede para tirar outros valores e dar a pessoas não identificadas pela PF. Ulisses responde “ok”, depois manda uma foto de um armário e diz: “Restante tá atrás das roupas”.

A lobista também manda ao motorista uma captura de tela com o bilhete eletrônico do voo que fará com Lulinha. Ela diz que chegará com ele pela entrada das autoridades às 16h30, e avisa: “cê esteja lá, por favor”. A PF não menciona a qual casa se refere Roberta no diálogo de agosto, mas ela alugava uma em Brasília que também era usada por Lulinha, segundo um processo trabalhista apresentado contra a lobista.

Como a Folha mostrou, a PF apontou que Lulinha atuava em “comunhão de interesses econômicos” e conduzia negócios em conjunto com Roberta, que trabalhava para obter contratos com o governo federal.

“SOCIEDADE OCULTA” – O órgão indicou a suspeita de que Lulinha, Roberta e Fernando Bittar —empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP) investigado na Lava Jato— mantiveram uma “sociedade oculta” em negócios relacionados à Cannabis medicinal, que tentaram vender ao Ministério da Saúde.

O inquérito da PF trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização com a pasta e está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF. As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. Lulinha é alvo de outros dois inquéritos na corte.

DESPESAS – A investigação da PF também aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Os pagamentos ocorreram em 2024, mesmo período em que, de acordo com a PF, ela trabalhava para obter contratos relacionados à Cannabis medicinal.

A defesa de Marcola disse que ele “jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, e que os valores são relativos a um empréstimo pessoal.

Pix: a velocidade que revolucionou os pagamentos agora desafia o combate às fraudes

Mendonça desafia Gonet e ameaça manter a investigação de Lulinha no Supremo

“Vazamentos seletivos” aproximam petistas no caso Lulinha e bolsonaristas no caso Vorcaro

Interlocutores do presidente atacam PF por vazamentos

Gabriela Echenique
Folha

A campanha de Lula tem elevado o tom contra o que chama de vazamentos seletivos da investigação que apura a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nas fraudes do INSS. A crítica é a mesma feita por bolsonaristas no início do ano após a divulgação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Em maio, o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN) pediu que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça apurasse a divulgação “seletiva” dos áudios. No mesmo mês, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi às redes para atacar o site The Intercept Brasil, que divulgou os áudios e disse que o vazamento seletivo era feito para “assassinar a reputação de Flávio Bolsonaro”.

DESCONFIANÇA – A divulgação provocou uma crise na campanha e aumentou o clima de desconfiança no PL. Já o PT aproveitou o desgaste e passou a usar o caso para atacar o senador.

Agora, o cenário se inverteu. O que veio à tona sobre a atuação do filho do presidente Lula com lobistas que atuavam no esquema do INSS tem gerado desgaste na campanha petista. São os governistas que passaram a criticar os vazamentos, inclusive com acusações à PF (Polícia Federal).

“Nas últimas semanas ele vem sendo atacado pelo covarde expediente do vazamento seletivo de supostas informações. É covarde porque ele já se colocou à disposição da Justiça para prestar quaisquer esclarecimentos e nunca foi chamado; é covarde porque, assim, não lhe é dado o direito de defesa”, disse o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares.

Piada do Ano! Para eleger Lula, São Paulo “importou” senadoras de outros Estados

A eleição para o Senado é uma só: @MarinaSilva e @simonetebetbr caminham juntas por São Paulo. É preciso ter clareza na hora de votar: quem escolhe Marina, escolhe também Simone. Quem escolhe

E a política vai ficando cada vez mais esculhambada…

Carlos Newton

Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Mário Covas, Auro Moura Andrade, Severo Gomes, Herbert Levy, Carvalho Pinto e Ranieri Mazzilli, entre muitos outros expoentes da política paulista na Câmara e no Senado, devem estar se perguntando onde erraram por estarem sendo substituídos por políticos que não representam São Paulo, mas são eleitos pelo voto dos paulistas.

A decepcionante indagação procede. Afinal, São Paulo elegeu Rosangela Moro, Eduardo Bolsonaro e Tiririca para a Câmara em 2022, e agora despontam como favoritas para o Senado as ex-ministras Marina Silva, do Acre (Meio Ambiente), e Simone Tebet, do Mato Grosso do Sul (Planejamento). As duas nada conhecem sobre São Paulo, jamais moraram lá, mas aceitaram esse falso papel de representar os paulistas no Senado Federal.

EXEMPLO DE SP – Marina e Simone deixaram em abril o governo para tentar conquistar essas importantes cadeiras e aumentar a votação em Lula e Fernando Haddad, além de fortalecer a base de apoio a mais um possível governo do PT, com Lula na Presidência pelo quarto mandato. Nesse caso, como ficarão os verdadeiros interesses do Estado de São Paulo?

O Estado de São Paulo tem 46 milhões de habitantes e 35 milhões de eleitores, responde por 31,5% do PIB nacional, enquanto o Acre de Marina Silva produz 0,2% do PIB e tem apenas 650 mil eleitores.

Já o Mato Grosso do Sul de Simone Tebet tem cerca de dois milhões de eleitores e 1,7% do PIB Nacional. Em 2022 foi candidata à Presidência da República e apoiou Lula firmemente no segundo turno, o que lhe garantiu um posto ministerial nas sombras do todo-poderoso ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de quem nunca discordou.

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P.S. 1 –
Aliás, as duas futuras senadoras foram um fracasso como ministras.  Simone Tebet deu força à política suicida de elevar a dívida pública irresponsavelmente, com o presidente Lula consagrando sua teoria de que “o dinheiro tem de sair de onde está, para ser aplicado onde deveria estar”. E Marina Silva não somente deixou o desmatamento da Amazônia se expandir, como também boicotou o licenciamento de projetos importantes para o desenvolvimento nacional.

P.S. 2 – É necessário pôr fim a essa situação vexaminosa de um político ser eleito por um Estado onde jamais morou. Isso demonstra que existe uma brecha indevida na legislação eleitoral, porque a representação parlamentar deve ser verdadeira, com cada um defendendo seu Estado de origem ou onde realmente reside.

P.S. 3Antigamente, não havia essa esculhambação. Lembro que o marechal Henrique Lott, ex-ministro da Guerra, foi impedido de disputar o governo do Estado da Guanabara, porque seu endereço eleitoral era em Petrópolis, uma cidade do antigo Estado do Rio. Mas a lei que valeu para Lott não vale para Marina, Simone, Rosangela, Eduardo e Tiririca. (C.N.)       

Lulinha e o trânsito de influência que levou o Careca do INSS ao governo Lula

Sobrenome Bolsonaro já não basta para carregar na costas a campanha de Flávio

Lula diz que Trump é “muito respeitoso” e atribui crises entre Brasil e EUA ao segundo escalão