Após pressão, Damares corrige fala e reafirma apoio a Michelle e Bia Kicis

“Sabe gastar, mas não administrar”: Kassab critica Lula e descarta vitória de Flávio

Cobrança de Carlos expõe desinteresse de governadores na campanha de Flávio Bolsonaro

Polarização resiste, mas números indicam brecha para terceira via crescer

 

Silas Malafaia vira réu no STF após chamar militares de “covardes”

PL articula Eduardo Bolsonaro como suplente em SP e testa limites jurídicos da manobra

Às vésperas da sabatina no STF, governo Lula empenha R$ 12 bilhões em emendas parlamentares

Após limite a penduricalhos, associação de magistrados pede mais tempo ao STF

A poética paixão de Adalgisa Nery pelo homem angustiado que viu em fotografias

FCO-2940 - Retrato de Adalgisa Nery | Obras | Portinari

Adalgisa, retratada por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery (sobrenome de seu primeiro marido, o pintor Ismael Nery), no poema “Escultura”, fala de um amor que começou pelas fotografias e que se caracteriza pela angústia.

ESCULTURA
Adalgisa Nery

Eu já te amava pelas fotografias.
Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.
Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.
Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.
E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!…

Na reta final ao STF, Messias modera discurso, mas falta de apoio de Alcolumbre preocupa

Messias acelerou as conversas com integrantes do Senado

Luísa Marzullo
O Globo

Ainda em busca de votos para ser aprovado pelo Senado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, acelerou nos últimos dias as conversas com integrantes da Casa e vem se preparando para responder, na sabatina marcada para quarta-feira, sobre temas como o Banco Master, as relações entre Judiciário e Legislativo, anistia a envolvidos na trama golpista e aborto. Messias calcula ter falado com 75 senadores, mas uma ausência na lista, no entanto, causa preocupação: o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Auxiliares organizaram um roteiro de temas considerados sensíveis e vêm simulando cenários de embate com base em questionamentos já feitos por parlamentares em conversas reservadas. Messias tirou férias da AGU até o fim do mês para se dedicar à sabatina.

LINHA INSTITUCIONAL – Os ensaios, segundo interlocutores, não se limitam ao conteúdo técnico das respostas, mas também ao tom e à forma de exposição. Há preocupação em evitar declarações que possam ser interpretadas como confronto com o Congresso ou que estimulem críticas à atuação do STF. A orientação é adotar uma linha institucional, com menor carga de enfrentamento, em sintonia com o esforço de se apresentar como um nome conciliador.

Além do treinamento, as interlocuções mais recentes com senadores, sejam ao vivo, por telefone ou via mensagens de WhatsApp, incluíram nomes da oposição e têm servido como teste para o que virá na sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Messias defendeu nas conversas uma postura menos intervencionista da Corte sobre o Congresso, em resposta a críticas de senadores sobre decisões que atingem prerrogativas do Legislativo. Evangélico, ele também afirmou ser favorável às hipóteses já previstas em lei para o aborto e defendeu que eventuais ampliações sejam tratadas pelo Legislativo, não pelo Judiciário.

APOIOS – A leitura entre aliados é que a estratégia adotada na reta final — com discurso mais moderado e foco na redução de resistências — busca consolidar o movimento de ampliar apoios. Nos bastidores, aliados trabalham com um universo potencial de até 60 votos favoráveis, mas com uma projeção mais realista entre 46 e 48 votos. A conta inclui parlamentares que evitam assumir posição publicamente, mas que, segundo relatos, indicaram tendência de voto favorável em conversas reservadas.

Apesar do avanço nas conversas, a ausência de um encontro com Alcolumbre passou a concentrar as preocupações de interlocutores de Messias. A avaliação é que a reunião poderia funcionar como gesto decisivo para dar previsibilidade ao desfecho e reduzir a margem de incerteza entre parlamentares ainda indecisos.

ENVIO DA INDICAÇÃO – A possibilidade de uma reunião esfriou após a participação de Messias em um jantar organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), adversário político de Alcolumbre no Amapá. O mesmo grupo havia sido responsável por um encontro, semanas antes, que reuniu 38 senadores e ajudou a destravar o envio da indicação à CCJ, consolidando uma base inicial de apoio ao nome do advogado-geral da União.

Integrantes do governo chegaram a discutir a realização de uma agenda envolvendo o presidente Lula, Messias e Alcolumbre antes da sabatina, mas a hipótese perdeu força diante do calendário apertado.

Defesa de Malafaia tenta adiar julgamento no STF e questiona composição da Corte

Advogados alegam que Primeira Turma está incompleta

Fernanda Fonseca
CNN

A defesa do pastor Silas Malafaia pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) o adiamento do julgamento da denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), previsto para esta terça-feira (28), sob o argumento de que a Primeira Turma está com composição incompleta.

No pedido, os advogados afirmam que o colegiado, que deveria ser formado por cinco ministros, atualmente conta com apenas quatro integrantes, o que poderia resultar em empate na análise do caso e comprometer a efetividade da decisão. Segundo a defesa, a realização do julgamento nessas condições pode gerar insegurança jurídica e limitar o debate entre os ministros.

SEM URGÊNCIA – Os advogados também sustentam que não há urgência que justifique a análise imediata e defendem que o caso seja apreciado apenas quando a composição da turma estiver completa. A Primeira Turma está com uma vaga aberta desde a saída do ministro Luiz Fux do colegiado.

Atualmente, o colegiado é composto pelos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Fux pediu transferência para a Segunda Turma após divergências no julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus no caso da tentativa de golpe de Estado.

DENÚNCIA –  O julgamento foi pautado após o ministro Cristiano Zanin ter pedido destaque no caso, retirando o julgamento do ambiente virtual, com possibilidade de discussão entre os ministros. A denúncia foi apresentada pela PGR em dezembro de 2025 e acusa Malafaia de injúria e calúnia contra integrantes do Alto Comando do Exército. As acusações têm como base declarações feitas pelo pastor durante um ato na Avenida Paulista, em abril daquele ano.

Na ocasião, Malafaia chamou os generais de quatro estrelas de “frouxos”, “covardes” e “omissos”. Cabe ao Supremo decidir se aceita ou rejeita a denúncia. Caso seja acolhida, o pastor passará à condição de réu e responderá a uma ação penal na Corte.

Proposta de reforma de Flávio Dino é vista como agenda individual e gera críticas no meio jurídico

STF, que tem sido protagonista da crise política

Renata Galf
Folha

Em meio a um intenso questionamento a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no debate público, incluindo a defesa da criação de um código de ética na corte, o ministro Flávio Dino divulgou na última semana texto em que defende uma ampla reforma do Judiciário, medida que, a seu ver, resolveria “problemas concretos”.

Ainda que com diferenças nas análises de cada um deles, especialistas consultados pela Folha compartilham da visão de que o movimento do ministro denota uma agenda individual, e não institucional – o que envolveria diálogo interno e participação do atual presidente do tribunal, o ministro Edson Fachin.

PROPOSTAS GENÉRICAS – Também veem as propostas como genéricas, apesar de concordarem que muitos dos problemas apresentados por Dino, como a morosidade da Justiça, de fato merecem atenção. Além disso, diversos itens demandariam aprovação do Congresso, o que não apenas exigiria articulação com outros Poderes como sinaliza para um horizonte mais distante.

Além de a lista de sugestões ser pouco detalhada e genérica, o STF, que tem sido protagonista da crise política envolvendo suspeitas de ligação de ministros com o caso do Banco Master, passa a ser quase um coadjuvante das propostas. De 15 itens listados por Dino, em artigo publicado no último dia 20 no site ICL Notícias, o Supremo é citado expressamente em apenas um, em que ele defende a “revisão das competências constitucionais do STF e dos tribunais superiores”, sem especificar, porém, o que isso significaria.

Outro eixo fala em “composição e competências dos Conselhos Nacionais de Justiça e do Ministério Público, para que sejam mais eficientes na fiscalização e punição de ilegalidades”. O CNJ, porém, não tem poder para fiscalizar ministros do Supremo. Dino defende ainda a “tramitação adequada de processos na Justiça Eleitoral, evitando o indevido prolongamento atualmente verificado, causando insegurança jurídica e tumultos na esfera política”. Tal item, apesar de aparecer restrito à seara eleitoral, traz um diagnóstico que é por vezes apontado como sendo do STF também.

CORTE CONSTITUCIONAL – “Vai mexer nas competências do Supremo ou do STJ [Superior Tribunal de Justiça], mas em que sentido? Nós vamos transformar o Supremo numa corte constitucional?”, questiona Elival da Silva Ramos, professor titular de direito constitucional da USP (Universidade de São Paulo) e ex-procurador-geral do Estado de São Paulo.

Para ele, a proposta de Dino gera mais perguntas do que respostas, dada a falta de detalhamento, e dificilmente ela envolveria diminuir as competências da corte. O professor destaca ainda a falta de articulação e avalia que as medidas apontadas são insatisfatórias frente ao que a sociedade demanda do tribunal atualmente. “Parece um pouco uma cortina de fumaça”, diz.

Além de não estar claro o que Dino defende exatamente quando fala em rever as competências do Supremo, essa mudança requereria a aprovação de uma emenda à Constituição no Congresso. Já a aprovação de um código de conduta aplicável a ministros do STF, como vinha sendo defendido por Edson Fachin, bem como por grupos da sociedade civil, juristas e empresários, poderia ser aprovado a partir de deliberação do próprio tribunal.

VÍCIOS – Na avaliação do professor do Insper Diego Werneck, o artigo de Dino reproduz alguns dos vícios do STF, fazendo um paralelo com a atuação individualizada dos ministros por meio de decisões monocráticas e liminares. “É um ministro sozinho, lançando uma lista de temas e de propostas”, resume. Ele destaca que, embora a lista de problemas elencados seja ampla, não há propostas sobre comportamento de juízes, com exceção de sugestões como a de se aumentar a pena para algumas hipóteses como casos de corrupção.

“Sabemos concretamente que há problemas, e tem propostas concretas na mesa que só dependem do tribunal. E, curiosamente, a proposta [de Dino] não fala quase nada dos temas que estão ao alcance do tribunal”, diz Werneck. “O Supremo é o grande ausente dessa discussão da proposta do ministro.”

REPOSICIONAMENTO – Já a professora da FGV Direito SP Eloísa Machado classifica o texto como uma busca de reposicionamento do debate, no sentido de tratar a questão ética como um problema de todo Judiciário. “[O artigo] considera as críticas atuais feitas ao STF, mas evita que o tribunal se transforme em alvo, sobretudo daqueles que querem instrumentalizar críticas para fragilizar a existência do tribunal”, afirma.

Apesar de ver como mérito do artigo o reconhecimento de problemas do sistema de Justiça, ela vê as propostas em si como bastante gerais e parte delas como problemáticas. A professora aponta ainda que alguns dos temas poderiam ser encaminhados por projeto de lei de iniciativa do próprio Supremo, como as que tratam dos procedimentos e punições disciplinares.

CONSENSO INTERNO – A cientista política e professora da USP Maria Tereza Sadek, por sua vez, compara a falta de articulação do movimento de Dino ao que se viu na reforma promovida em 2004, quando houve interlocução entre os três Poderes. “Uma coisa é o que o Supremo pode fazer por ele mesmo, sem precisar de aprovação legislativa”, diz ela, destacando que, nesta hipótese, seria preciso alcançar um grau de consenso interno na corte que no momento parece inexistente. Por outro lado, Sadek destaca a necessidade de articulação para que outras medidas sejam aprovadas. “E isso é complicado, sobretudo porque nós estamos em véspera de eleição.”

Para a professora de direito constitucional da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Vera Karam de Chueiri, que é conselheira na Comissão de Ética Pública da Presidência e também integra comissão de estudos do STF, ainda que os temas propostos por Dino sejam relevantes, seria importante que houvesse um alinhamento com a agenda atual da corte.

“Acho muito louvável as propostas do ministro Dino, dessa reforma maior, mas ela não pode colocar sombra naquilo que está hoje no centro do debate institucional, do debate com a sociedade, que é a questão do código de ética.

O atentado em Washington e os sinais de uma era mais instável

Chefes de Estado manifestaram solidariedade a Trump

Pedro do Coutto

O atentado ocorrido durante um jantar no Hilton Washington, que tinha como presença central o presidente Donald Trump, não foi apenas mais um episódio de violência isolada. Ele rapidamente alcançou repercussão internacional — não só pelo risco imediato, mas pelo que simboliza: a crescente vulnerabilidade das democracias diante de uma escalada de radicalização política.

A versão predominante indica que o alvo era, de fato, o presidente. O ataque, atribuído a Kuhl Allen, acabou frustrado antes de atingir seu objetivo final, mas não sem provocar pânico entre os mais de dois mil convidados presentes, entre autoridades, jornalistas e diplomatas. Relatos indicam uma cena caótica: disparos, correria, pessoas se protegendo como podiam. Um cenário que, até pouco tempo atrás, parecia distante da liturgia política tradicional dos Estados Unidos.

SOLIDARIEDADE – A reação internacional foi imediata. Chefes de Estado, incluindo o presidente Lula da Silva, manifestaram solidariedade e classificaram o episódio como um ataque não apenas a uma figura política, mas à própria estabilidade democrática. Esse tipo de resposta revela um entendimento cada vez mais claro: atentados dessa natureza não são eventos domésticos — eles têm impacto global.

Mas o episódio levanta questões mais incômodas do que as respostas protocolares conseguem cobrir. A primeira delas diz respeito à segurança. Como um indivíduo armado conseguiu se aproximar de um evento com presença presidencial em um dos ambientes mais monitorados do país? Relatos de bastidores apontam falhas no controle de acesso, incluindo a ausência de revistas mais rigorosas. Ainda que o sistema tenha impedido o avanço total do agressor, o fato de ele ter conseguido iniciar a ação já representa uma quebra significativa de protocolo.

Há também o fator humano — talvez o mais difícil de prever. As investigações indicam que Allen não era conhecido por radicalização explícita em seu círculo social. Seus escritos, no entanto, revelam um perfil fragmentado: mistura de ressentimento, crítica política difusa e desorientação ideológica. Esse padrão não é novo. Especialistas em segurança têm alertado para o crescimento de ameaças vindas de indivíduos isolados, muitas vezes sem vínculos diretos com organizações, mas altamente influenciados por discursos polarizados.

VIOLÊNCIA POLÍTICA – Esse ponto conecta o atentado a um fenômeno mais amplo. Nos últimos anos, os Estados Unidos têm registrado aumento consistente em casos de violência política. O episódio do Ataque ao Capitólio dos Estados Unidos já havia sinalizado uma ruptura importante. Desde então, o ambiente político se tornou mais tenso, mais emocional e, sobretudo, mais imprevisível.

Curiosamente, o atentado também produziu um efeito imediato na agenda internacional. O foco que antes estava concentrado em tensões geopolíticas — como o conflito envolvendo o Irã — foi rapidamente deslocado para Washington. Isso evidencia como eventos internos nos Estados Unidos continuam tendo capacidade de reorganizar prioridades globais em questão de horas.

Do ponto de vista político, a reação de Trump foi calculada. Inicialmente firme, classificando o agressor como perturbado, o presidente também adotou um tom de apelo à unidade. Em declarações posteriores, defendeu que a sociedade não pode se curvar ao medo nem permitir que episódios como esse interrompam a vida institucional. Ao mesmo tempo, voltou a defender a realização de eventos em ambientes ainda mais controlados, como estruturas dentro da própria Casa Branca — proposta que já vinha sendo discutida, mas que agora ganha novo impulso.

RISCO – Há, no entanto, um risco nesse movimento. Reforçar excessivamente a lógica de segurança pode afastar ainda mais a política do cidadão comum, criando barreiras físicas e simbólicas. Por outro lado, ignorar as falhas expostas seria um erro ainda maior. O equilíbrio entre abertura democrática e proteção institucional nunca foi simples — e tende a se tornar ainda mais delicado.

No fim, o atentado frustrado em Washington não deve ser analisado apenas pelo que não aconteceu — uma tragédia de grandes proporções —, mas pelo que revelou. Ele expôs fragilidades, confirmou tendências e, sobretudo, reforçou a percepção de que a política contemporânea está operando em um ambiente mais volátil do que se imaginava.

A pergunta que permanece não é apenas como evitar o próximo ataque, mas se as democracias estão preparadas para lidar com um cenário em que a violência deixa de ser exceção e passa a ser uma variável constante.

“Não há espaço para terceira via”: Ciro Nogueira aposta em polarização acirrada em 2026

Presidente da Cufa diz que “crise de criatividade” no lulismo afasta jovens e amplia descrença

OAB esconde os dados sobre Messias e justifica as denúncias sobre fraude

Advogado aprovado na OAB dá dicas para chegar preparado ao exame

OAB mantém em sigilo a primeira inscrição de Jorge Messias

Carlos Newton

Nesta série de matérias sobre a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo, ficou comprovada a colocação em prática do esquema de aparelhamento da máquina administrativa pelos governos do PT, para que o partido se prolongasse no poder, um assunto que há alguns anos chegou a ser muito comentado, sem que surgissem provas reais de sua concretização.

Como se sabe, essa iniciativa começou nos governos anteriores de Fernando Henrique Cardoso, com a exagerada proliferação de tucanos na estrutura governamental. Encarregado de liderar essa iniciativa, o então superministro Sérgio Motta chegou a falar abertamente sobre o assunto, dizendo que o objetivo era o PSDB ficar no poder por 20 anos, pelo menos.

FICOU PROVADO – Essas reportagens da Tribuna da Internet, ao analisar o que aconteceu na carreira de Procurador da Fazenda Nacional, exibiram provas irrefutáveis de que os dois primeiros governos de Lula da Silva inflaram de forma descontrolada e ilegal os quadros de funcionários.

O esquema funcionava com a convocação de concursos públicos com poucas vagas, para depois nomear todos os aprovados, mesmo os que tirassem notas mínimas.

Desde a criação da carreira, em 1952 (governo Vargas), até final de 2002, no governo FHC, a Fazenda só teve 459 procuradores fazendários. Portanto, durante cinco décadas a média era de 9 nomeações por ano.

PORTEIRA ABERTA – Nos dois governos Lula, foi aberta a porteira – em apenas seis anos, houve uma enxurrada no aparelhamento, pois foram nomeados 1.304 novos procuradores, subindo a média de 9 para 217 nomeações por ano. 

Houve uma superlotação tão escandalosa que desde 2015 não aconteceram mais  nomeações nesta carreira de procurador da Fazenda. E tão cedo não haverá.

Na véspera de ser aprovado pelos senadores, a indicação do procurador José Messias é um exemplo da baixa qualificação desses supostos servidores de elite produzidos em série pela Escola de Administração Fazendária, que nem existe mais.

O NOVO MINISTRO – Quem conhece Messias pessoalmente sabe de sua incômoda dificuldade para se expressar, é tão desqualificado quanto Dias Toffoli e Nunes Marques, ministros cujo notório saber é absolutamente nulo, o que torna um suplício acompanhar seus votos.

Além disso, há dúvidas procedentes sobre o cumprimento de um dos requisitos do edital do concurso publicado no Diário Oficial da União, exigindo dois anos de prática forense, para conseguir ser nomeado procurador da Fazenda, o que ocorreu em 6 de novembro de 2007.

Existe uma impossibilidade lógica, pois ele se formou no final de 2003 e continuou trabalhando até 14 de junho de 2006 numa agência da Caixa Econômica Federal no Recife, em horário integral, não poderia comprovar ter feito estágio.

FALTA TEMPO – Repetindo, para não haver dúvida. Se Messias declara que trabalhou na Caixa até junho de 2006 em horário integral, seria impossível ter conseguido trabalhar simultaneamente de carteira assinada em escritório de advocacia, também em horário integral, para estar inscrito como estagiário na OAB de Pernambuco.

Ou seja, na primeira nomeação, ele não tinha prática forense ao assumir no BC, mas o edital não exigia. Portanto, só precisava apresentar a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil, com registro definitivo após fazer o exame de aptidão.

Porém, na segunda nomeação, em 6 de novembro de 2007, 17 meses depois, Messias teria de cumprir a exigência de dois anos de prática jurídica, que ele jamais teve tempo e condições de obter. Até poderia alegar ter 17 meses de experiência como procurador do Banco Central, mas para completar os dois anos ele precisaria justificar mais 5 meses como estagiário no Recife, com carteira assinada e registro provisório na Ordem.

HORÁRIO INTEGRAL – Surge aí a impossibilidade lógica. Como comprovar esses 5 meses adicionais como estagiário, se nesse período ele ainda estava trabalhando de horário integral na Caixa? Afinal, o Fórum não funciona à noite.

Portanto, se Messias apresentou carteira assinada em escritório de advocacia durante esses 5 meses, foi fraude, com toda certeza.

Aliás, como ele poderia provar que não houve essa ilegalidade? Bem, a única maneira de o futuro ministro do STF demonstrar que não cometeu fraude é ele exibir sua carteira da OAB pernambucana na sabatina do Senado.

TUDO NORMAL – Se tiver sido aprovado no exame da Ordem e feito a inscrição definitiva como advogado antes de ser nomeado procurador do Banco Central, em 14 de junho de 2006, no primeiro concurso que fez, não terá havido fraude, tudo normal.

Porém, 17 meses depois, em 6 de novembro de 2007, ao ser nomeado novamente, desta vez para procurador da Fazenda, ele precisaria comprovar dois anos de prática forense, que ele não teve, porque estava trabalhando em horário integral na Caixa Econômica, conforme consta em seus currículos.

Ou seja, há dupla possibilidade de fraude, conforme a Tribuna da Internet afirmou desde a primeira matéria da série, publicada dia 20, segunda-feira passada.

OAB CONIVENTE – Essa evidência agora aumenta, devido ao comportamento da OAB de Pernambuco. Messias era inscrito inicialmente lá, mas cancelou em 2009 e fez transferência para Brasília. Com essa manobra, conseguiu retirar do site todo os dados de sua suposta inscrição original como estagiário.

A legislação e as normas internas do Conselho Federal obrigam que a Seccional da OAB em cada Estado mantenha o registro histórico do advogado que se transferiu. Porém, se você acessar o site da OAB-PE para saber a data de inscrição, a resposta é “Nenhum resultado para Jorge Rodrigo Araujo Mesquita”, quando no mínimo deveria constar: “Inscrição como advogado efetivo no dia tal e depois transferência para Brasília”.

O famoso Cadastro Nacional dos Advogados também exibe a mesma falta de transparência. É como se Messias jamais tivesse se registrado em Pernambuco. Só aparece o segundo registro dele na OAB-DF, em 2009, sob nº 31.448.

OUVIDORIA – Na tentativa de quebrar essa barreira de corporativismo e cumplicidade, o repórter então buscou a Ouvidoria da OAB, indagando o seguinte: “Não consigo acessar a lista de inscritos. Gostaria de nº e data de inscrição do advogado Jorge Rodrigo Araujo Messias. Gratíssimo pelo atendimento”.

A resposta foi decepcionante: “Vimos informar que foge a nossa competência a prestação de informação pessoal de nossos inscritos na Seccional Pernambuco, sem a respectiva anuência, exceto por ordem judicial. Os dados públicos encontram-se disponíveis no Cadastro Nacional dos Advogados – CNA, cujo site informamos: https://cna.oab.org.br/”.

A tréplica da Tribuna da Internet demonstrou nossa indignação diante de tamanha desfaçatez.

É um absurdo a OAB ocultar um dado banal como a data de inscrição de um advogado, numa época em que as instituições devem ser transparentes ao máximo. Exigir decisão judicial é um comportamento antidemocrático e nada republicano. Espero que revejam essa postura injustificável e vergonhosa”.

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P.S
– Amanhã encerraremos essa série de reportagens, que foram publicadas para demonstrar que a imprensa livre resiste e cumpre seu dever de zelar pelo interesse público, que está a exigir notório saber e reputação ilibada para nomeação ao Supremo, na forma da lei. (C.N.)

É preciso insistir! Quem criou a Universidade de Brasília (UNB) não foi Darcy Ribeiro

Quem foi Juscelino Kubitschek e qual a sua importância para Brasília? -  Hplus Hotelaria

O verdadeiro criador da UnB foi o presidente Kubitschek

Vicente Limongi Netto

Excelente o caderno especial do Correio Braziliense, dedicado aos 66 anos de Brasília. Relevante equívoco, a meu ver, no artigo da reitora da Universidade de Brasília(UnB), Rozana Reicota Naves, ao destacar que a instituição foi “idealizada pelo antropólogo Darcy Ribeiro”. Não é verdade. Quem fundou a UnB foi o presidente Juscelino Kubitschek.

É falso atribuir a Darcy Ribeiro a iniciativa da criação. Não tem amparo nos fatos. Darcy foi o primeiro reitor, mas foi Juscelino Kubitschek quem determinou todas as providências para criá-la, incumbindo o ministro da Educação, Clóvis Salgado, que as levou a bom termo.

Quem se interessar por detalhes, a começar pela reitora, Rozana, pode consultar, na Biblioteca Central da UnB, além do depoimento de Cyro dos Anjos, ex-secretário particular de JK, também os relatos do ministro Clóvis Salgado e de historiadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com perto de 10 horas de gravações que integram o projeto “História Viva”, da Universidade de Brasília.

CIRO DOS ANJOS– O presidente JK atribuiu a Ciro dos Anjos a incumbência de elaborar os atos de criação da UnB, cujo marco inicial foi o radiograma de JK ao ministro da Educação, Clóvis Salgado, datado de 2 de abril de 1960:

“Ministro Clóvis Salgado, a fim completar programa cultural nova capital não posso deixar de fundar a Universidade de Brasília portanto peço estudar plano e redigir mensagem a ser enviada ao Congresso tendo em vista desse objetivo pt precisamos porém criar universidade em moldes rigorosamente modernos pt gostaria remeter mensagem Congresso dia 21 abril ptsdsJK“.

O radiograma de JK coroou os esforços de seu ministro da Educação, Clóvis Salgado, de todos conhecidos e destacados no relatório quinquenal do MEC apresentado a JK em 31 de dezembro de 1960, em cujas páginas de números 286 a 295, no capítulo Universidade de Brasília, estão todos os procedimentos que nortearam a criação da UnB estabelecidos pela comissão nomeada por Clóvis Salgado

BOA INFORMAÇÃO – Heraldo Pereira é profissional qualificado e respeitado na televisão brasileira. Sempre repórter, é um profissional que honra e dignifica a dura e saudável profissão. Mas também é excelente como apresentador e colunista.

Maledicências de jornalistas menores e de desocupados de botecos na beira da estrada não atingem a carreira do excelente e isento Heraldo Pereira.

Escalado para fazer, a partir desta segunda-feira, dia 27, o DF-TV primeira edição, Heraldo segue feliz, realizado e comprometido com a boa informação.

Desconhecido para metade do país, Caiado rejeita aliança e mira voo solo à Presidência

Caiado diz preferir que Zema concorra sozinho à Presidência

Samuel Lima
O Globo

O ex-governador de Goiás e pré-candidato a presidente, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta segunda-feira, 27, que considera o seu nível de desconhecimento entre os eleitores o principal entrave de sua futura campanha, ensaiou um slogan nacionalista e disse preferir que Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais que entrou em conflito com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concorra sozinho à Presidência, e não em uma chapa conjunta.

“Acho que cada um tem o seu estilo. Eu respeito totalmente que cada pré-candidato tenha o seu modelo. O meu estilo é o seguinte: eu governo pacificando”, declarou Caiado durante evento em Itu, no interior de São Paulo.

COMPOSIÇÃO DE CHAPA – Ele foi questionado três vezes por jornalistas sobre as chances atuais de compor uma chapa com Zema. Não descartou a possibilidade, mas alegou que a união de candidaturas é uma estratégia que beneficiaria o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição. “Por que eu tentaria inibir a campanha de um colega?”, respondeu o goiano.

Em outro momento, saiu-se com um slogan nacionalista para sua pré-campanha. “Se eu assumir a Presidência, eu vou entregar o Brasil aos brasileiros. Podem confiar no Caiado. Isso eu dou conta de fazer e sei fazer. O meu adversário sabe qual é? Que eu preciso ser conhecido: 53% da população não me conhece”, disse ele, em outro momento.

Congresso do PT expõe falta de sucessores e reforça dependência de Lula

Um mês em domiciliar: isolamento de Bolsonaro cresce e impacta articulação política

Bolsonaro se entretém com filmes e cachorros 

Augusto Tenório
Carolina Linhares
Folha

Jair Bolsonaro (PL) completou nesta segunda-feira (27) um mês em prisão domiciliar, com rotina mais amena que a enfrentada por ele na Papudinha. Na sua residência em Brasília, o ex-presidente tem se dividido entre a TV e interações comedidas com os cachorros, sob os cuidados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que acabou se isolando da política.

Bolsonaro começou a cumprir pena de 27 anos e três meses de prisão em novembro, após ser condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado. Em março, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a prisão domiciliar por três meses, devido ao estado de saúde do ex-presidente, que estava internado na ocasião com pneumonia causada pelas crises de soluço.

ISOLAMENTO – Aliados dizem preferir a prisão em casa, mas afirmam que as condições determinadas por Moraes agravaram o isolamento de Bolsonaro e impuseram a Michelle a escolha entre o marido e as atividades políticas.

Assim como na Papudinha, o livre acesso é concedido apenas a médicos e advogados, sendo que os filhos do ex-presidente podem visitá-lo às quartas e sábados por até duas horas. Visitas de amigos e políticos, antes autorizadas e agendadas previamente, foram proibidas quando Bolsonaro voltou para sua casa, em um condomínio fechado.

Quem acompanha o ex-presidente diz que esse último mês foi paradoxal, já que os cuidados e, consequentemente, sua saúde tiveram melhora evidente, mas a falta de outras companhias também teve efeito negativo.

LIMITAÇÃO – “Os cuidados melhoraram, e isso é real e importante. Mas o isolamento piorou, e isso também é real. […] É uma limitação que vai além do razoável e que o afeta profundamente, assim como afeta toda a família. O sentimento de injustiça não é retórica. É o que se vive na prática, semana a semana. E esse peso, infelizmente, não está sendo pequeno”, diz à Folha o advogado João Henrique de Freitas.

Aliados ouvidos pela reportagem reclamam que Michelle está presa tanto quanto Bolsonaro. Por causa da carga doméstica, a ex-primeira-dama se afastou do comando do PL Mulher e deixou de viajar para articular candidaturas femininas nos estados. Tampouco tem se dedicado à própria pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.

Antes influente e presente no partido, ela tem conseguido fazer visitas esporádicas e rápidas à sede nacional da sigla, restando o apoio, via redes sociais, às pré-candidatas que ela apadrinhou nos estados.

SOBRECARGA – É ela quem administra os remédios do ex-presidente em seis horários diferentes, com ajuda da filha, Letícia Firmo. Para aliviar a sobrecarga, a defesa pediu a Moraes que um irmão de Michelle, Eduardo Torres, também pudesse frequentar a casa.

Em outros momentos, Eduardo Torres participou da rotina de cuidados de Bolsonaro, inclusive entregando marmitas na Papudinha. O objetivo era também que Michelle pudesse se ausentar para atividades partidárias, mas o ministro negou o pedido.

Moraes argumenta que as visitas “foram restringidas por motivos de saúde” para recuperação da pneumonia. “As dificuldades de rotina familiar, embora compreensíveis, não constituem fundamento jurídico para ampliar o rol de pessoas autorizadas”, escreveu.

AGENDAS DO PARTIDO – Em entrevista ao podcast Capital Política, Torres chamou a decisão de infeliz. “Eu não sou enfermeiro ou cuidador de idosos, sou alguém de dentro de casa que já fazia essa relação com os médicos e cuidava da medicação. Seria importante para a ausência da Michelle quando ela tivesse agendas do partido”, disse.

Pré-candidatos do PL que antes faziam romaria até a Papudinha, agora afirmam que o porta-voz de Bolsonaro tem sido o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que vai concorrer à Presidência. A falta de diálogo direto com o principal líder do bolsonarismo, porém, é vista como um prejuízo eleitoral.

Além de não poder encontrar aliados, o ex-mandatário também tem recebido poucas visitas dos filhos, dedicados às suas próprias campanhas. Flávio tem viajado o país e, segundo registros da Polícia Militar do DF, suas visitas costumam durar menos de uma hora. Já Carlos Bolsonaro (PL) tem se concentrado em Santa Catarina, onde pretende se eleger senador.

LIBERDADE DE VISITA – O filho mais velho tem mais liberdade de visita porque consta como advogado —ele esteve com o pai oito vezes até a última quarta (22). Carlos e Jair Renan, que não moram em Brasília, fizeram duas e uma visita, respectivamente. Até quarta-feira, Bolsonaro recebeu 44 visitas, sendo 19 de médicos, 11 vezes de filhos, 10 de advogados e 4 de fisioterapeutas.

Uma série de políticos, incluindo pré-candidatos ao governo e ao Senado, já tinha visitas agendadas na Papudinha em abril, o que foi cancelado com a transferência para a prisão domiciliar. O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), já tinha até comprado as passagens. Ele diz que a proibição de visitas é uma interferência no processo eleitoral.

A ligação de Mello Araújo é com Bolsonaro, não com Flávio. Com o acesso ao líder barrado, ele deve ser preterido na escolha para o Senado —André do Prado (PL) deve ser o candidato, revelou o Painel. “Não existe regime domiciliar em que as pessoas não possam visitar. O que aconteceu comigo deve ter acontecido com vários, o que é ruim para a democracia”, diz à Folha.

FILMES E FUTEBOL – Em casa, Bolsonaro tem assistido a filmes de guerra, partidas de futebol e programas esportivos na TV. Ele não pode acessar a internet nem plataformas de streaming. Relatório da Polícia Militar mostra que o ex-presidente não fez leituras em nenhum dia, apesar de essa atividade contar para remição de pena.

O ex-presidente também ajuda a filha Laura, de 15 anos, em atividades escolares e dá atenção aos cachorros, o que tem contribuído na melhora do seu humor. Apesar disso, os cães são motivo de preocupação. Há receio de que a exposição a animais e ambientes não esterilizados possa colocá-lo em risco de novas infecções.

DIETA CONTROLADA – A limpeza da casa tem tomado boa parte da rotina de Michelle, segundo pessoas próximas. Ela conta com a ajuda de dois funcionários, sendo um para a área externa. Há também um ajudante que faz as compras. A ex-primeira-dama tem gerido a dieta de Bolsonaro, selecionando ingredientes e cozinhando as refeições, algo que costuma registrar nas suas redes.

Em relação à saúde, médicos afirmam que Bolsonaro teve melhora progressiva e tem sido disciplinado com os medicamentos e os exercícios de fisioterapia. Os episódios comuns de crises de soluço ficaram mais raros, mas aumentaram as queixas a respeito de dores no ombro direito. Na última quarta, a defesa de Bolsonaro pediu ao STF autorização para realização de uma cirurgia. Ainda não houve resposta.