Flávio errou ao se asilar; deveria ter ficado para enfrentar o conluio entre Lula e STF

04/06/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Carlos Newton

Veja a íntegra da carta de Flávio Bolsonaro, em que explica os motivos de seu pedido de asilo aos Estados Unidos:

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes.

Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição.

São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin. A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida.

Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime.

Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento. Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado.

A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do 2 impeachment.

Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política. Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança.

Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil. Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país.

José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática.

Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado.

Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam. À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política.

Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr. E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela 3 liberdade no Brasil.

Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil.

Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista. Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar. Que Deus abençoe o Brasil. Flávio Bolsonaro

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A eleição foi muito esquisita e a carta de Flávio Bolsonaro, mais esquisita, ainda. É óbvio que ele está sofrendo perseguição no Brasil, por meio de Andrei Rodrigues (P.F.) e Alexandre de Moraes (STF). É óbvio que os votos de Caiado, Renan, Cury e Zema deveriam ser contra Lula. Mesmo assim, Flávio deveria ficar no país, provar que é inocente e lutar de peito aberto contra quem o persegue. No entanto, preferiu se proteger sob as asas de Donald Trump, que age como dono do mundo, mas é um líder com pés de barro, que será derrotado pelos próprios americanos nas eleições parlamentares de novembro. Depois voltaremos ao assunto. (C.N.)  

Piada do Ano ! Derrotado nas urnas, Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito e alega fraude sem provas

Arquivo do Google

Johanns Eller
O Globo

O candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) se autoproclamou nesta quarta-feira o presidente eleito do Brasil, citando, sem provas, uma “fraude eleitoral” no processo brasileiro.

Após receber mais de 59 milhões de votos no último domingo, quando acabou derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio fugiu para os Estados Unidos, onde emitiu uma declaração agradecendo ao presidente americano, Donald Trump, e o da Argentina, Javier Milei, que colaboraram com a operação para que ele deixasse do país incógnito.

“VERDADEIRO PRESIDENTE” – O texto, divulgado pelo aliado Paulo Figueiredo à imprensa, substitui uma coletiva que o candidato derrotado concederia na manhã de quinta-feira em Miami. No documento, que tem no cabeçalho com uma versão do brasão da república em que se lê “Estados Unidos do Brazil”, com z, Flávio se dirige “ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.

Sem provas, o senador fala em “fraude eleitoral” e cita a extensão do horário de votação no último domingo por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin após interrupções no funcionamento do transporte público em várias capitais brasileiras.

Na manifestação, Flávio Bolsonaro se compara ao ex-político e diplomata brasileiro Rui Barbosa (1849-1923), um dos principais personagens do Império e da República, e com o general e ex-presidente da França Charles de Gaulle.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Seria ingênuo tratar a declaração de Flávio Bolsonaro, derrotado nas urnas e inconformado com o resultado, como mera falácia. O que está em causa é uma estratégia recorrente da extrema-direita: lançar suspeitas sem provas, desacreditar o processo eleitoral e construir uma narrativa de fraude para manter a própria base mobilizada. Ao se proclamar “verdadeiro presidente eleito”, o senador não apresenta evidências que sustentem a acusação. Tenta, antes, substituir o resultado das urnas por uma versão conveniente aos seus interesses.

A referência ao “Brazil”, com z, e a comparação com figuras históricas não tornam a declaração mais legítima. Apenas reforçam o caráter artificial de uma encenação que procura conferir aparência institucional a uma alegação sem comprovação. A retórica da perseguição política tampouco dispensa explicações sobre as controvérsias que envolvem o senador e a sua trajetória pública.

Flávio não perdeu apenas uma eleição: ao colocar em dúvida, sem provas, a legitimidade do resultado, contribui para corroer a confiança nas instituições democráticas. Os seus eleitores têm o direito de cobrar-lhe explicações e coerência. O que não podem exigir das instituições é que substituam os fatos por uma versão fabricada para justificar uma derrota. Na democracia, o voto pode ser contestado pelos meios legais; não pode ser reescrito pela vontade de quem perdeu. (M.C.)

 

Eduardo articulou fuga de Flávio e espalhou versão falsa para despistar a rota

Lula iguala recorde histórico de Roosevelt com quarto mandato conquistado nas urnas

PF inclui disputa de Richarlison por ilha em investigação que envolve Flávio Bolsonaro

Milei é o único líder sul-americano que não reconheceu a vitória de Lula

Centrão abandona aposta em Flávio e fecha com Alcolumbre no Senado

PF suspeita que jato de advogado investigado com Flávio foi usado em fuga para os EUA

Lula prepara o quarto mandato entre a força do Nordeste e a disputa pela economia

Lula agora precisa descobrir como pagar as contas de sua “babaquice fiscal”

Poder360 on X: "#Economia 💰 Perdão de Lula (@LulaOficial) a MEIs custará R$ 16,7 bi a pagador de imposto 📝 Governo envia texto que estabelece fim de cobranças de dívidas ativas da

Charge reproduzido do Arquivo X

Fernando Canzian
Folha

Na campanha, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou de “babaquice” a obsessão por superávit primário e controle de contas. Reeleito para o quarto mandato a partir de 2027, o petista terá de encarar a matemática que tentou esconder. A soberba não deve resistir aos fatos e, vitorioso, terá de resolver o problema que criou para si.

Em 2027, a economia deve perder fôlego enquanto o país continuará queimando somas astronômicas com juros — recursos que poderiam financiar investimentos e políticas sociais.

VENENO FISCAL – A ironia de 2026 é incômoda. O país sai das urnas com renda em alta e desemprego baixo, mas trata-se de uma ilusão sustentada por veneno fiscal. A bomba-relógio atingiu seu ápice. A 17 dias do primeiro turno, o governo reajustou o Bolsa Família em 15%, além de ampliar o Pé-de-Meia, subsídios a combustíveis e benefícios sociais.

O mercado estima que essas e outras promessas ultrapassem R$ 100 bilhões em gastos nos próximos anos —com ao menos R$ 40 bilhões adicionados já no ano que vem. Para 2026, o déficit projetado ronda R$ 80,9 bilhões, transformando em ficção o Orçamento que previa superávit de R$ 18,6 bilhões.

Essa deterioração começou no segundo mandato de Lula (2007-2010). Se entre 2002 e 2008 o superávit primário médio era de 3,4% do PIB, de 2009 a 2013 caiu para 1,5% —maquiado por contabilidade criativa. O descontrole culminou na recessão e no impeachment de Dilma Rousseff —que, ao contrário de Lula agora, livrou-se de responder pela crise que criou.

GASTANDO ADOIADO – Corrigida pela inflação, a despesa total do governo central subiu 128,5% entre dezembro de 2008 e agosto de 2026. A despesa primária cresceu 91,7%.

Mas a verdadeira extorsão contra o contribuinte são os gastos juros: deram um salto de 320%, passando de R$ 260 bilhões para mais de R$ 1 trilhão por ano — valor equivalente ao pago a 42 milhões de beneficiários da Previdência Social.

Sob Lula 3, a dívida bruta subirá 12 pontos percentuais, atingindo 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões). Com juros elevados, a conta da dívida passou a responder por 29,6% de todo o gasto público em 2026 (contra 16,1% em 2008), encolhendo o espaço para investimentos.Além disso, o Orçamento virou uma camisa de força: 92% das despesas são obrigatórias. Previdência, assistência, saúde e educação engolem mais de 80% dos recursos.

AJUSTE FISCAL – Para estabilizar a dívida, Lula precisaria de um ajuste fiscal de 2,5% do PIB —cerca de R$ 320 bilhões— para garantir superávits de pelo menos 2% do PIB.

Na campanha, prevaleceu a demagogia. Agora, Lula terá de escolher entre reorganizar os gastos obrigatórios ou deixar que o mercado o obrigue a fazê-lo em meio a uma crise de confiança, recessão e, possivelmente, inflação. Nos mercados futuros de Nova York na noite da eleição, o principal índice de ações brasileiras despencava 20% enquanto o real se desvalorizava mais de 10%.

Sua vitória com margem significativa, com cerca de 4 milhões de votos, no entanto, lhe confere legitimidade para agir. Nesse contexto, o anúncio de um ministro da Fazenda comprometido com o ajuste de contas pode comprar tempo para reorganizar a economia.

O apoio evangélico a Flávio Bolsonaro não era tão sólido quanto parecia

Liderança evangélica previu que Flávio perderia para Lula

Juliano Spyer
Folha

Na reta final, o campo evangélico parecia fechado com Flávio. A apóstola Valnice Milhomens, da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, apoiadora engajada do senador, profetizou que “não haverá inferno que impeça o mover de Deus nesta nação”. A frase “vamos orar pelo Brasil” ecoou como código para pedir engajamento.

No centenário da Assembleia de Deus Madureira, no Maracanãzinho, o bispo Samuel Ferreira disse que pediria voto para Flávio Bolsonaro se pudesse e fez o público repetir “irmão vota em irmão”.

JOGO PARADO – Nenhum pastor de grande igreja vai admitir isso agora, enquanto a direita lambe as feridas e alimenta teorias conspiratórias, mas eles não queriam Flávio e jogaram parados durante quase toda a pré-campanha. A religião só entrou em campo em setembro, quando André Mendonça tornou públicas as mensagens entre Alexandre de Moraes e Vorcaro e o contrato do banqueiro com a mulher do ministro. Mendonça incendiou a disputa; os pastores vieram depois.

Quando Jair Bolsonaro anunciou o filho, Silas Malafaia disse em vídeos e entrevistas que candidatura “não é negócio de família” e defendeu Tarcísio. Em abril, na Assembleia de Deus Belém, Flávio recebeu a oração do pastor José Wellington e, no mesmo encontro, ouviu o deputado e pastor Marco Feliciano cobrar da família Bolsonaro reciprocidade com os evangélicos, em vez de uma relação de via única.

Para esses líderes, quem venceria Lula era Tarcísio. Flávio tinha mais chance de perder e, se eleito, comprometeria o projeto de poder da direita. Pesavam contra ele a mansão de R$ 6 milhões financiada pelo BRB, os imóveis pagos com dinheiro vivo, o dinheiro de Vorcaro para o filme sobre o pai e a mentira admitida sobre os encontros com o ex-banqueiro.

COMPARAÇÃO – Em privado, pastores comparam a família Bolsonaro à de Eli, sacerdote do primeiro livro de Samuel. Eli, como Jair, seria um homem honrado que não soube educar e conter os filhos, que roubavam as ofertas do templo e cometiam atos imorais.

Flávio tem ainda outro atrito com a liderança evangélica. Um interlocutor o descreveu como “novo crente”, termo derivado de “novo rico”: alguém que quer parecer mais evangélico do que é, usa a fé politicamente sem conhecer a Bíblia e chegou à religião por uma igreja vista como deslumbrada pelo poder, a Comunidade das Nações.

PRAGMATISMO – Quando enfim apoiaram Flávio, os pastores agiram com pragmatismo. Ele era o nome da direita que tinha o voto bolsonarista e chance de vencer. Somaram-se a isso a pressão dos fiéis e o interesse de estar perto de um possível presidente. Antes da arrancada de Flávio, porém, eles admitiam entre si que tinham desistido de 2026 e já pensavam em Tarcísio para 2030.

PS: Na vitória, o PT não mencionou Otoni de Paula. Conservador nos costumes e ex-cabo eleitoral do bolsonarismo, o deputado não se reelegeu ao declarar voto em Lula no primeiro turno. Mas não se entregou. Visto com desconfiança pelos petistas, pode ser útil para negociar com as grandes igrejas, algo que o PT e seus evangélicos não quiseram ou não conseguiram fazer.

Flávio Bolsonaro teve de sumir, devido a mais uma decisão imbecil de Moraes

Fuga - Por Carlos Latuff

Charge do Latuff (Brasil 247)

Carlos Newton

O futuro é sempre uma grande incógnita, especialmente quando se trata da disputa pelo poder, um processo que se desenrola em caráter permanente nas democracias. Mal se apura uma eleição e já começa a campanha seguinte, é um nunca-acabar, como estamos assistindo agora.

No Brasil, a esquerda não é e nunca foi majoritária. A direita sempre foi mais forte, mas acabou deixando a esquerda chegar ao poder, movida pelas trapaças da sorte, na disputa entre José Serra (PSDB) e Lula da Silva (PT) em 2002. Na época, a direitona Roseana Sarney (MDB) poderia até ganhar, mas renunciou à candidatura, devido ao escândalo do dinheiro vivo em sua campanha.

ALTÍSSIMA REJEIÇÃO – Nesta segunda reeleição de Lula, desde sempre era sabido que qualquer candidato de direita tinha chance de derrotar o petista, devido ao inacreditável índice de rejeição dele nas pesquisas.

Mas o fato de “ter chance” significava apenas uma coisa admissível, não dava certeza de vitória a qualquer dos candidatos de direita – e eram muitos.

Assim, o único problema da direita era escolher o concorrente mais forte entre os cinco governadores que se apresentavam como presidenciáveis – Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (PSD-GO), Eduardo Leite (PSD-RS), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Júnior (PSD-PR).

ERRO DE AVALIAÇÃO – Devido à força eleitoral de que dispunha, o ex-presidente Jair Bolsonaro surpreendeu a todos e decidiu indicar o próprio Zero Um, na certeza de que o filho Flávio receberia todos os votos destinados ao pai. Foi um tremendo erro de avaliação, porque agora a derrota deixou Flávio Bolsonaro fragilizado, sem mandato ou foro privilegiado para protegê-lo

Mesmo assim não havia evidência de que Flávio sairia do país, embora o irmão Eduardo tivesse feito essa sugestão. Mas aí aparece o ministro Alexandre de Moraes (ele, sempre ele) e determina a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, sem que houvesse motivo jurídico que justificasse a medida.

Foi uma das maiores burrices de Moraes, que não surpreende, porque já cometeu diversas outras asneiras e ilegalidades. E Flávio Bolsonaro então meteu o pé no jato e fugiu do pais, porque a verdade pode estar lá fora, como diz o slogan da série Arquivo X.

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P.S.  –
Moraes é íntimo aliado de Lula e até oferece jantares estratégicos em homenagem ao presidente. Mas não precisava exagerar tanto, a ponto de criar a primeira grave crise nacional e internacional pós-eleição de 2026. O destrambelhado e corrupto ministro do STF perdeu uma boa hora de ficar quieto. Com amigos como Moraes, o presidente Lula nem precisa de inimigos. (C.N.)

Dino manda investigar suspeita de financiamento estrangeiro à campanha de Flávio

A democracia brasileira mudou de palco: das elites políticas às redes e às ruas

Redes sociais abriram espaço para novas formas de mobilização

George Avelino
Folha

Mundo afora, a democracia é um sistema político que sempre funcionou bem enquanto o debate público foi regulado com a participação limitada a líderes partidários, políticos, jornalistas, intelectuais, sindicalistas etc, o que permitia a agregação da diversidade natural de interesses em sociedades complexas.

Nas eleições, cidadãos escolhiam suas elites políticas dentro do menu proporcionado. Essas, por sua vez, competiam dentro das regras do jogo, que garantiam um Estado limitado, de forma a reduzir os custos da derrota eleitoral, garantindo a possível alternância de poder e o processamento pacífico dos conflitos.

DESAFIO – O surgimento das redes sociais desafiou esse alicerce tradicional da democracia e permitiu que vozes antes com espaço bastante limitado no debate público pudessem ecoar. No passado, os partidos ofereciam o menu de propostas e candidatos; agora, as redes abriram espaço para novos grupos, cuja participação ainda é desorganizada e, muitas vezes, sem objetivos claros. Em alguns casos, eles se limitam apenas à destruição das instituições que fracassaram em incluí-los.

Como se adaptar a esse novo cenário foi o desafio das lideranças políticas que sustentaram a democracia brasileira desde 1985 e, sem conseguir se atualizar às novas formas de fazer campanha, aparentemente envelheceram. Assim, a vitória do presidente Lula pode ser explicada menos pelas lideranças tradicionais e mais pela intensa mobilização popular da última semana de campanha, só comparável à das Diretas Já, fundamental para a democratização do país há mais de 40 anos.

EXÉRCITO DIGITAL – A mobilização iniciada pelo movimento estudantil rejuvenesceu a campanha. André Janones (Rede-MG), outra liderança nova, comandou seu “exército” digital, consagrando as redes como recurso eleitoral relevante. O desafio agora é manter essa mobilização e adaptar a linguagem das redes –ainda simplória e virulenta– à proposição de políticas públicas. De qualquer forma, abriu-se uma janela para o uso delas a favor do campo democrático.

Também existem dilemas para o campo perdedor, que representa a outra metade do país. O primeiro é transformar o poder adquirido nas eleições para o Legislativo em algo menos rancoroso e mais propositivo. O segundo, relacionado ao primeiro, será substituir a liderança da família Bolsonaro em prol de uma ainda incipiente proposta de organização do campo conservador em moldes mais democráticos, algo inovador na história política do país.

Em suma, o resultado das eleições foi fruto sobretudo de um trabalho corpo a corpo, de quem saiu à busca de votos para defender a sua democracia. Oxalá as futuras disputas eleitorais possam ocorrer em ambiente mais construtivo, retomando o padrão clássico democrático em que a alternância de poder é vista como algo natural.

Fuga para os EUA enfatiza que o clã Bolsonaro realmente é patético e irrecuperável

Veja memes sobre a fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil - 27/10/2026 - Flavio Bolsonaro - Fotografia - Folha de S.Paulo

Reprodução do Arquivo Google

Vicente Limongi Netto

Derrotado as urnas por Lula,  Flávio Bolsonaro perde também como homem, como cidadão, como homem público. Jogou no lixo os votos que recebeu no pleito presidencial. Envergonhou e humilhou todos que votaram nele.

Foi torpe e irresponsável com milhões de brasileiros que acreditaram no ue dizia. Brasileiros que julgavam que Flávio era candidato sério, a esperança da extrema direita.

ESTÁ FORAGIDO – Fugiu para os Estados Unidos, deixando perplexos os próprios aliados. Todos na televisão com cara de idiotas. Perdidos, sem saber o que dizer aos jornalistas. Desmoralizados pelo petulante e podre Flávio Bolsonaro.

Deixou claro que não tem condições morais nem profissionais para exercer a chefia da nação. Precisa estudar muito, conhecer realmente os problemas brasileiros, debater os temas sem debochar dos adversários.

Mentiu afirmando que não pretendia sair do Brasil. Mentiu na campanha toda,  debochando e ameaçando Lula e ministros do Supremo Tribunal Federal(STF). Cantou vitória antes do tempo.

FORAGIDO – Agora, fugindo para os braços de outro desequilibrado, Donald Trump, mas não escapará dos processos que correm contra ele na Suprema Corte. Não vai apequenar as instituições nem a democracia brasileira.

Só mesmo aliados sabujos e desprezíveis, a começar pelo próprio Trump,  têm o descaramento de defender a fuga indecorosa, covarde e irresponsável do ainda melancólico senador.

Flávio  não tem estatura nem compostura para insistir em ser respeitado exilado político. Lula foi condenado, preso e não fugiu. Cumpriu pena no Brasil. A nova fuga para os Estados Unidos  enfatiza que o clã Bolsonaro realmente é patético e irrecuperável.

Após a derrota, Flávio busca culpados enquanto aliados evitam rever os próprios erros

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