
Charge do Cláudio Aleixo (Correio Braziliense)
Carlos Newton
Desde os velhos tempos de Helio Fernandes, que inventou o termo “imprensa amestrada”, a gente explica que não pode haver generalização, porque existem várias situações diferentes. Por exemplo, há os veículos de informação que negociam sua linha editorial e assim se tornam amestrados, porque se vendem, literalmente, e obrigam os jornalistas a defenderam essa ou aquela tese.
Existe também o caso de jornalistas que se colocam a serviço dos interesses políticos que eles próprios passam a defender, infiltrados nos órgãos de comunicação. Alguns faturam por esses serviços, mas a maioria atua voluntariamente, seguindo algum ideal político.
Por fim, há os profissionais de imprensa que conseguem resistir à tentação e não se deixam dominar por interesses políticos ou econômicos. São em menor número, porém muito atuantes e respeitados.
EDITORIAIS – Na crise atual do Supremo, é preciso reconhecer que não está havendo amestragem direta das direções dos órgãos de imprensa, que em seus editoriais castigam Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes etc. Nesse particular, destacam-se o Estadão, que condena diariamente o STF, e a Folha, que também têm batido forte, enquanto O Globo fica mais contido no jornal e no portal, porém deixa mais livre suas TVs.
A amestragem voluntária ocorre mais entre os próprios jornalistas (repórteres, redatores e editores), cuja maioria é absolutamente petista. Tentam proteger Moraes, Gilmar, Dino e quem mais se alie a Lula, e simultaneamente se dedicam a bater pesado em Mendonça, Fux, Marques e Fachin, sempre procurando encontrar algo que os desabone..
Chega a ser comovente esse esforço de repórteres, redatores e editores petistas para eleger Lula, porque desta vez a amestragem não está funcionando a contento, porque sofre resistência da ala independente dos jornalistas, especialmente os mais maduros, que já não suportam mais as presepadas e enganações de Lula.
CODINOME BARBA – Os jornalistas mais experientes, principalmente de São Paulo, conhecem Lula dos velhos carnavais, sabem o que ele fez no verão passado e nos outros, estão convictos de que ele é corrupto e não merece confiança desde o regime militar, quando atuava como agente infiltrado no sindicalismo, sob codinome de “Barba”, obedecendo ordens diretas do então delegado federal Romeu Tuma, que era superintendente da PF em São Paulo.
Muitos jornalistas não acreditam que Lula tivesse agido assim, mas isso está mais do que provado, com grande número de livros publicados a respeito, entre eles “Assassinatos de Reputações”, de Romeu Tuma Júnior, que também era delegado da Polícia Federal e até participou da farsa da prisão de Lula, executada para que os sindicalistas de esquerda confiassem cegamente nele – aliás, uma manobra muito inteligente e que realmente deu certo.
Mas a vontade de acreditar em Lula é tamanha que ainda há jornalistas que insistem em criar explicações. Alegam, por exemplo, que Lula traiu os sindicalistas com objetivo de se fortalecer e depois comandar o movimento contra os militares, para vencê-los nas urnas, coisas imaginosas assim.
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P.S. 1 – O fato concreto é que, na reta de chegada, a campanha de Lula está sangrando, devido às notícias de que diversos personagens altamente ligados a Gilmar Mendes também estão envolvidos como Daniel Vorcaro, entre eles o procurador-geral Paulo Gonet, ex-sócio de Gilmar no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), assim como a advogada Dalide Alves Corrêa, que foi diretora-geral do IDP, onde ficou por sete anos, e consta da lista de pagamentos do Master como “sócia” de Gilmar.
P.S. 2 – Essa ilustre desconhecida advogada Dalide Corrêa recebeu R$ 33 milhões de Vorcaro apenas em 2024, fazendo frente à mulher de Moraes, Viviane Barci, que levou R$ 40 milhões no mesmo ano. Outro personagem medíocre, Chico Feitosa, que era cunhado de Gilmar, levava mais R$ 500 mil por mês como “consultor” de Vorcaro, mas o ministro do STF insiste em dizer que não tem nada a ver com isso, acredite, se quiser. (C.N.)










