Flávio não teve tradução simultânea e ninguém entendeu nada que ele falou

entrevista flávio bolsonaro

Flávio Bolsonaro estava “turbinado” e falava depressa demais

Carlos Newton

Com toda certeza, já se pode dar por terminada – e fracassada – esta série de entrevistas com candidatos à Presidência na TV Globo, porque o último programa é com o concorrente do arrebatador partido Avante, chamado Augusto Cury, que diz ser “médico, psiquiatra, escritor, professor e político brasileiro”.

Sem falsa modéstia, ele vai direto ao ponto e diz que se tornou “conhecido principalmente por uma extensa produção de livros sobre desenvolvimento pessoal, educação, relações humanas e temas ligados à saúde emocional, além de romances”.

ILUSTRE DESCONHECIDO – O ilustre candidato do Avante vai me desculpar, mas é um ilustre desconhecido. Em 60 anos de jornalismo, jamais ouvi falar neste cidadão, que na verdade escreve livros de autoajuda, para faturar em cima do despreparo alheio.

É um grande espertalhão, que fez alguma mágica para aparecer nas pesquisas com 3%, porque no Brasil o dinheiro compra tudo. Com esse surpreendente desempenho, que o coloca como candidato preferido por 3 entre cada cem brasileiros, o malandro ganhou 40 minutos de graça na TV Globo, em horário nobre, para vender seu peixe e seus livros.

Aliás, esse fato de Cury ganhar 40 minutos de fama na Vênus Platinada, que não pode lhe cobrar um só centavo, já o coloca como um dos favoritos do disputado troféu Piada do Ano, que consagra os maiores absurdos que ocorrem aqui do lado de baixo do Equador.

INQUISIÇÃO – Quanto às entrevistas propriamente ditas, o esquema adotado foi tipo Tribunal de Inquisição, em que os 30 minutos iniciais são gastos para esculhambar o candidato e os dez minutos restantes são dedicados aos planos de governo. Foi assim com os quatro políticos que realmente disputam a eleição, como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Com Zema, Caiado, Lula e Flávio, o casal nacional César Tralli e Renata Vasconcellos procedeu à inquisição, que conseguiu arrebentar com Zema e Lula. No caso de Renan Santos, o esquema foi outro, porque não existem perguntas capciosas a lhe fazer nem ele tem respostas a dar. Também será assim, hoje, com o espertalhão Augusto Cury, e os telespectadores podem preparar os travesseiros para pegar no sono, antes da novela.

Mas com Caiado e Flávio, o esquema não funcionou, por motivos diferentes.

SEM TRADUÇÃO – O problema com Flávio Bolsonaro foi estranhíssimo. O entrevistado estava excitado demais ou tomou algum “arrebite”, que os caminhoneiros usam para não dormir ao volante. O fato concreto é que ele falava numa velocidade tal que não dava para entender. Coloquei legendas na TV, mas a Inteligência Artificial não conseguiu captar direito as palavras. Ou seja, faltou tradução simultânea, nenhum telespectador entendeu nada, absolutamente nada.

Com Caiado o esquema também não funcionou. Político experiente, seguiu a técnica de Paulo Maluf, que ouvia a pergunta específica e respondia: “Pode até ser assim, porém…“, e trocava de assunto para dar o recado que pretendia passar.

Caiado agiu assim e dominou a entrevista, até porque não existem acusações de corrupção contra ele, que já nasceu rico e não precisa desviar recursos públicos.

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P.S.
Com quatro mandatos de deputado federal, um de senador e dois de governador, Caiado é experiente e culto. Antes de entrar na política, trabalhava como médico e professor de Cirurgia Ortopédica, com especialização em operações de coluna, cursada em Paris. Poderia seria um bom presidente, a exemplo de Itamar Franco, que acabou com aquela inflação descontrolada no Brasil, que destruiu o regime militar e levou ao fracasso o governo de Sarney. Mas quem se interessa? (C.N.)

TSE enfim vai decidir se a inteligência artificial terá passe livre na eleição

CGU determina divulgação individualizada de honorários pagos pela AGU

Controladoria negou recurso da Advocacia-Geral da União

Gabriela Echenique
Folha

A CGU (Controladoria-Geral da União) liberou à ONG Transparência Brasil o acesso aos dados de honorários de sucumbência pagos aos servidores da AGU (Advocacia-Geral da União). O órgão tem prazo de até 30 dias para divulgar as informações.

A decisão publicada nesta quarta-feira (26) reafirma uma deliberação anterior do órgão, de maio, que já tinha defendido a entrega dos dados. Depois disso, no entanto, a AGU recorreu e pediu para a Controladoria rever a decisão. Na época, o ministro-chefe substituto da AGU, Flávio José Roman, alegou que a divulgação resultaria em “perfilamento excessivo da vida financeira” dos servidores.

AUTORIZAÇÃO – Neste mês, 15 organizações que atuam em defesa da transparência enviaram uma carta ao ministro da CGU, Vinícius Marques de Carvalho, pedindo que ele reforçasse a autorização. Na decisão desta quarta, a Controladoria diz que não pode haver imposição de exigências não previstas em lei para impedir acesso aos dados públicos.

“Uma vez que a informação seja existente, produzida ou custodiada pelo Poder público e não esteja abrangida por hipótese legal de sigilo ou restrição de acesso, sua disponibilização não pode ser condicionada à demonstração, pelo requerente, da necessidade ou da finalidade de sua utilização”, disse o órgão.

A CGU determinou a discriminação dos pagamentos com detalhamento, como nome do servidor, competência, relação de remuneração, pagamentos indenizatórios, além das parcelas atrasadas, todas com respectivos valores brutos.

MAIS DE R$ 12,7 BILHÕES – Segundo um estudo da Transparência e do Movimento Pessoas à Frente, foram pagos mais de R$ 12,7 bilhões aos servidores da AGU entre 2020 e 2025. O principal argumento da entidade é que os dados disponibilizados atualmente têm valores agregados e impedem a identificação individualizada dos pagamentos.

A CGU afirma que não há demonstração de impossibilidade técnica, operacional ou jurídica que impeça o fornecimento das informações. “A transparência pública não se restringe à apresentação visual de dados em uma página eletrônica, mas exige a disponibilização das informações em formato que possibilite sua extração, análise e utilização pelo requerente, sendo inoportuno limitar o fornecimento de dados adicionais existentes e necessários à sua compreensão”, concluiu.

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Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge: honesto  desconhecido

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Vicente Limongi Netto

Eles e elas aparecem com traço ou um por cento nas pesquisas. Não desistem. Com cara alegre e calorosos abraços. São candidatos abrigados em partidos de pouca ou nenhuma representatividade, que não contam com deputados nem senadores no Congresso Nacional.  

Pertencem ao grupo reduzido de candidatos desconhecidos e sem recursos, que postulam a Presidência da República. Não são convidados para palestras no poderoso grupo da Faria Lima.

FORA DO AR – Não dispõem de míseros segundos no rádio ou na televisão na campanha eleitoral que começou. Se apresentam de cara limpa. Sem recursos. Com escassos cabos eleitorais.

Gastam solas de sapato, andando nas ruas panfletando suas ideias junto aos pedestres, em lojas, botecos, restaurantes, hospitais. São homens e mulheres dignos e trabalhadores. Raramente são convidados para selfies.

Nas veias e no coração, um forte sentimento de brasilidade e amor ao Brasil. Alimentam sonhos. Levam suas propostas ao eleitorado da mesma maneira que os candidatos fortes e ricos, filiados a partidos com milionários fundos eleitorais. Que dispõem de carros de som, centenas de cabos eleitorais bem pagos, veículos, bons hotéis, aviões, são nomes conhecidos do eleitor. 

AMIGO DOS ANIMAIS – No time dos candidatos pobres e desconhecidos, pelo menos um deles, que é veterinário, já ganhou o carinho e a atenção dos eleitores, ao se apresentar na televisão em rede nacional, como defensor de abrigos para gatos e cães. Deu entrevista rodeado de felinos sem lar. 

Até agora, nenhum dos candidatos  famosos e com sorrisos cinematográfico teve cativante e semelhante iniciativa.

Os que sonham com a Presidência são Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Samara Martins (UP), Wilson Grassi (Democrata), Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO) e Pablo Marçal (PRTB). Você é livre para escolher o melhor deles… 

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Afanasio Jazadji

De onde nada se espera de bom é que nada vem. A serviçal Globo, como há quadro anos, propiciou ao candidato presidencial Lula todo o tempo de que dispunha para sem contestação afirmar para todo o País que seu filho Lulinha até agora não aprontou nada que justificasse seu indiciamento como traficante de influência e abridor de portas junto aos órgãos federais para que criminosos se locupletassem à vontade às custas do erário público.

Se Lula estivesse, na ocasião, submetido a um detetor de mentira, por certo, a campainha estaria disparando até agora no Jardim Botânico, nos Estúdios da Globo.

LOROTAS EM SÉRIE – O orgulhoso pai disse que Lulinha garantiu-lhe ter agido até agora dentro das quatro linhas, em nada comprometendo o seu governo. Quanto à relação dele com a atraente e eficiente lobista Roberta, que, sem segundas intenções, até estaria honrando suas despesas mensais e nada insignificantes, na Espanha e Brasil, como já divulgado, “sem contrapartida alguma”, isso também passou batido, não foi contraditado.

Os entrevistadores Tralli e Renata Vasconcelos, extasiados ou amedrontados, silenciaram e quando intervieram, foram atropelados pelo interminável palavrório do eterno postulante presidencial. Lula aprendeu o método Maluf de falar sem parar, transformando jornalistas em espectadores e não questionadores isentos e independentes.

Os proprietários da organização de comunicação que pagam centenas de milhares de reais para seus mais destacados jornalistas devem ter se incomodado com a complacência da equipe de entrevistadores e dos redatores das perguntas ingênuas e nada convincentes. Ou eles estariam cumprindo ordens, como em 1989, quando favoreceram acintosamente o candidato Fernando Collor em debate contra o então metalúrgico Lula?

DOIS OMISSOS – César Petraglia e Renata Vasconcellos se omitiram e deixaram de defender a imprensa e a própria Globo quando Lula, à vontade, ressaltou que foi o político mais perseguido durante a operação Lava Jato.

Fez referência ao “power point” divulgado insistentemente pela emissora, ao longo de quatro anos, com imagens diárias do propinoduto por onde bilhões de reais escorreram para empresários da construção civil, políticos e controladores da Petrobrás, governos estrangeiros como Venezuela, Bolívia, Peru etc.

Lula também defendeu entusiasticamente seu chefe de gabinete, apelidado de Marcola e que selecionava quem ia ou não ser recebido por ele. “Foi um ingênuo. Deveria ter pedido dinheiro emprestado para mim e não para a Roberta”, que apoiada por seu chefe de gabinete, transitava garbosamente pela Praça dos Três Poderes com portas escancaradas.

E O MARCOLA? – Ao longo de sete anos, Marcola sempre esteve ao lado de Lula e seu descontrole financeiro nunca foi percebido pelo alto escalão governamental. Coitado, veja a que desnível chegou a República Federativa do Brasil, vendida por míseros R$ 250 mil. Enfim, como diz o presidente, “quem cometeu crime tem que pagar”, exceto os que lhe são próximos e nos quais ele confia até prova em contrário, como o corruptíssimo Jaques Wagner, da Bahia.                                                                                                   

Para encerrar, por que administrativamente, o chefe do Executivo Federal não determinou a abertura de sindicância para apurar possíveis outras ilegalidade e imoralidades que poderiam ter sido cometidas na sua antessala, debaixo de sua barba, como aconteceu na época do “mensalão”, quando toda a culpa recaiu sobre seu fiel escudeiro José Dirceu?

PAÍS À DERIVA – Coitadas das gerações presentes e futuras do nosso País. Desde 2003, estão sendo governadas por um operário que diz não ler jornais e que não se assusta com dívidas de trilhões, pois o que gera desenvolvimento é o consumo descontrolado e em havendo consumo haverá crescimento, mesmo que seja às custas de endividamento de 215 milhões de pessoas.

Nesta quinta-feira, você não assistiu a um programa de entrevistas, mas ao favorecido e antecipado horário eleitoral iniciado hoje, como dispõe a lei.

Hoje à noite, a Globo pode cumprir seu código de ética e de compliance, triturando a candidatura de Flávio Bolsonaro e antecipando a vitória de Lula que não teve a coragem de processá-la quando foi diariamente constrangido, humilhado pelo JN e o que pode ter contribuído até para o passamento de seus entes mais queridos. A Globo é o quarto Poder e não a Imprensa de modo geral.

A multa estratosférica que muda a internet e o aviso sobre o futuro do trabalho

Kits de dengue, lobista e INSS: a nova frente que cerca o governo Lula

Menções a Lulinha e Marcola desgastam governo nas redes, indica levantamento

CASO LULINHA E MARCOLA: VERSÃO DE ALIADOS BUSCA AFASTAR LULA DAS SUSPEITAS ENQUANTO PF APURA TRÁFICO DE INFLUÊNCIA – 25 NEWS

Reprosução do site 25News-Brazil

Luiz Felipe Azevedo
O Globo

Alvo de investigações em curso, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tornou-se a principal fonte de desgaste para o governo federal nas redes sociais em 2026. É o que mostra levantamento da consultoria Bites a pedido do GLOBO. Com disparada nos últimos 30 dias, as menções ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já respondem por quase um terço (31,4%) da repercussão digital do escândalo do INSS ao longo deste ano.

O filho do presidente está sendo investigado por tráfico de influência no governo federal pela Polícia Federal (PF), em inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF). A suspeita é que ele tenha atuado para abrir as portas do governo para a amiga Roberta Luchsinger, lobista que tentava prospectar negócios no Executivo nacional.

CARECA DO INSS – A lobista era próxima do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso pela PF sob a acusação de desviar recursos de aposentadorias e pensões.

O escândalo do INSS foi mencionado em 12,34 milhões de ocasiões na internet este ano. Neste período, Lulinha esteve no centro de 3,88 milhões de posts sobre o tema. Já o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana, o Marcola, também alvo de investigação, foi citado 341 mil vezes.

Ao considerar apenas os últimos 30 dias, Lulinha foi citado em 1,2 milhão de posts, 49% do total de publicações sobre o escândalo do INSS. Os dados mostram ainda que as menções a Lulinha em 2026 correspondem a 6,8% das postagens sobre o pai.

BOLSONARISTAS – Entre os políticos que utilizaram as investigações de Lulinha para atacar o governo do presidente Lula nas redes neste mês estão o candidato do PL ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro, e seu candidato a vice Alfredo Gaspar (PL), que foi relator da CPI do INSS.

Outros nomes do bolsonarismo, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o candidato ao Senado por Goiás Gustavo Gayer (PL), também surfam nesta pauta.

— Apesar de uma boa parte da preocupação do presidente Lula ser com o Marcola, os dados mostram que a situação do Lulinha é o que pode machucar mais a campanha dele. O bolsonarismo vem agindo de forma coordenada nesse ataque, sendo essa a principal estratégia aparente para atacar o governo — avalia André Eler, diretor técnico da Bites.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais intrigante é que o que se passa nas redes sociais, como as menções negativas a Lulinha e as menções positivas a Caiado, não se refletem nas pesquisas de intenção de voto. Por que será? (C.N.)

Quando a corrupção vem da elite, o resto do país entra em clima de transgressões

Tribuna da Internet | Brasil, o inverso de Singapura, exalta a democracia,  mas tolera a corrupção

Charge do Nani (nanihumor)

José Perez

Ao analisar os últimos 100 anos da política brasileira, citando cada presidente ou ditador desde Artur Bernardes, que entregou o poder em 2027, o jornalista Carlos Newton fez nesta quinta-feira uma triste constatação sobre o avanço da prática da corrupção na política, mas não se referiu ao reflexo desse fenômeno no dia-a-dia dos brasileiros.

Desde o mensalão, no primeiro governo de Lula e do PT, a corrupção dos governantes – e políticos em geral – passou a dominar o noticiário da imprensa e as redes sociais.  Como o exemplo vem de cima, consolidou-se uma cultura das transgressões, que sempre existiu, pois falhas de caráter são permanentes no homo sapiens, mas agora chegamos a um limite intolerável.

PRODUTO EM FALTA – Todos (ou quase todos) querendo levar vantagem. Não há a mínima coesão social. Um brasileiro não se identifica com o outro. Pode-se dizer, sem medo de errar, que a honestidade é um produto em falta entre os cidadãos de todas as camadas sociais, sem exceção.

Tente consertar um armário ou instalar um aparelho de ar-condicionado, como é o meu caso aqui em Brasília. Todos os profissionais que anunciam serviços na internet e foram chamados para fazer orçamento, sem exceção, todos tentaram me enganar.

Para começar não perguntam sobre o serviço em si, sempre indagam em qual bairro será prestado. Depois vem a criação de dificuldades em sequência, para então dar um preço exorbitante. Para fazer manutenção do meu automóvel, tenho que levá-lo bem longe, até depois do chamado Parque da Água Mineral, uma reserva ecológica que virou ponto turístico. Conheço uma oficina mecânica lá, onde os donos não me exploram.

OUTROS EXEMPLOS – Recentemente, precisei de assessoria jurídica. Os dois advogados que procurei, pensando que eu seja absolutamente ignorante no assunto, me deram até informações falsas e orientações erradas para cobrar o máximo possível, sendo que um deles é ex-delegado federal e o outro ex-promotor de justiça. Ou seja, ambos têm altas aposentadorias que lhes permitem uma vida confortável, sem precisar explorar os clientes.

Presenciei à noite um furto de um bueiro de metal na semana passada e vi que havia uma viatura parada no Setor Hospitalar Sul. Corri até os policiais e relatei a situação, inclusive apontando o ladrão que ainda estava próximo.

Os dois policiais, que estavam assistindo futebol pelo celular com fones de ouvido, me responderam que eram obrigados a ficar naquele local para dar proteção a uma autoridade e não podiam sair. Assim, pediram que eu ligasse para 190 e aguardasse a viatura da ronda. Pode isso?

TRÊS PODERES – A situação está fugindo ao controle, a meu ver porque os três Poderes apodreceram simultaneamente. Ninguém investiga nem pune os integrantes das elites sociais. A impunidade dos poderosos está na imprensa e nas redes sociais, incentivando as demais camadas a entrarem na farra da enganação mútua.

O recente jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal diz muita coisa sobre nossa atual situação. Ele reuniu o presidente Lula e o senador Davi Alcolumbre, presidente do Congresso Nacional, a pretexto de conciliar interesses. E chamou o ministro Cristiano Zanin para presenciar o conluio.

Assim, quando o exemplo acintosamente vem de cima, como evitar a corrupção no andar de baixo?

Lula defende Marcola, Wagner e Lulinha: “São inocentes até prova em contrário”

Candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista à Globo

Lula levou uma bela surra na entrevista da TV Globo

Carlos Newton

É preciso reconhecer que, desta vez, os apresentadores César Tralli e Renata Vasconcellos se comportaram como jornalistas, esqueceram que representam uma organização empresarial que é aliada ao governo federal e deram uma surra no presidente Lula da Silva, que estava a ponto de explodir.

Estavam bem preparados e iniciaram o tribunal de inquisição com um assunto péssimo para o entrevistador – as relações perigosas do filho Fábio Luís, o Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger e com Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência da República, que recentemente deixou o Planalto e agora é um dos coordenadores da campanha eleitoral do PT.

LULINHA – O jornalista César Tralli iniciou a entrevista perguntando sobre as investigações que a Polícia Federal está fazendo sobre Lulinha e sua nova parceira de negócios, a lobista Robert Luchsinger.

O candidato do PT, é claro, já estava preparado para essa pergunta, que lhe é feita diariamente, e repetiu a resposta de sempre, dizendo que Lulinha é inocente, tem de se defender e vai provar que nada fez de errado, embora já esteja foragido.

Tralli ouviu o decoreba de Lula e insistiu no assunto, citando detalhes das conversas gravadas entre Lulinha e Roberta, bastante incriminadoras. Lula começou a ficar nervoso e seguiu a mesma linha de defesa, afirmando que não existem provas concretas contra seu filho, e as denúncias não passam de ilações. E aproveitou para elogiar a Polícia Federal, que em seu governo investiga tudo.

NO CELULAR – Foi uma boa deixa para Tralli, que passou a mencionar outras conversas reveladoras entre seu filho e a lobista. Lula não tinha o que dizer, então voltou à velha tese de que é preciso provar as acusações. Renata Vasconcellos entrou em cena. Lula pensou que ela iria mudar de assunto, mas ela insistiu em criticar o filho do presidente, inclusive citando outros trechos das conversas com a lobista.

Lula não tinha o que dizer, eram ilações a todo momento, parece ter gostado da palavra, e voltou a elogiar a Polícia Federal, Tralli então perguntou sobre Marcola, o ex-chefe de gabinete do Planalto, colocando Lula de novo nas cordas. Renata citou mais dados sobre Marcola, que pediu à lobista até compra de joias.

O presidente disse que o amigo errou, mas continuou defendendo Marcola, repetindo que nada estava provado, e tentou mudar o assunto para o caso Master, dizendo que o escândalo está sendo esquecido.

Foi a deixa para Renata Vasconcellos entrar arrasando o senador Jaques Wagner (PT-BA), citando o relacionamento íntimo dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, e Lula caiu na armadilha e também saiu em defesa do amigo.

GROSSERIA – Foi patético ver Lula tentando defender o ex-sindicalista Jaques Wagner, hoje enriquecido ilicitamente, colocando-o na mesma situação de Lulinha, Roberta e Marcola. “Eles vão provar a inocência”, repetia.

Depois dessa surra, os apresentadores passaram a perguntar sobre dívida pública e outros problemas graves do governo. Lula perdeu a linha e ofendeu Renata Vasconcellos, dizendo que uma jornalista do porte dela não podia dizer o que estava falando sobre e dívida. Foi uma tremenda grosseria.

Daí em dia, a entrevista prosseguiu sobre temas diversas da administração federal, dando oportunidade a Lula de fazer aquela enrolação de sempre, citando números, misturando milhões com bilhões, uma confusão desgraçada que ninguém consegue entender, apenas ele, que repetia: “Nenhum outro governo fez como o meu…”. “Nunca jamais nesse país a economia ficou assim ou assado”. “Tirei quaquilhões de brasileiros da miséria”. E por aí a fora…

Flávio pede que Eduardo pare ataques a Michelle para evitar nova crise familiar

Flávio ligou para Eduardo após crítica a Michelle

Luísa Marzullo
O Globo

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, voltou a pedir ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu irmão, que reduza os ataques públicos a aliados durante a campanha eleitoral. O telefonema para Eduardo, que mora nos Estados Unidos, ocorreu depois que ele compartilhou e endossou, no último domingo, um vídeo com críticas à candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal.

Na ocasião, Eduardo comentou “triste, mas verdadeiro” em uma publicação do influenciador Allan dos Santos que dizia preferir a eleição da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e do ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo) à de Michelle. O deputado também compartilhou o vídeo em suas próprias redes.

“INCÓGNITA” – No vídeo, Allan chama a ex-primeira-dama de uma “incógnita” para a direita e questiona suas posições políticas. A manifestação de Eduardo foi interpretada por aliados de Michelle como um endosso não apenas às críticas, mas também à defesa de que outros dois candidatos sejam eleitos para as vagas do Distrito Federal no Senado.

O episódio foi recebido com preocupação no QG de Flávio porque ocorre justamente quando a campanha tenta consolidar a reaproximação entre o presidenciável e a madrasta e ampliar a participação dela na corrida pelo Planalto. A avaliação de aliados é que novas manifestações públicas de integrantes da própria família podem reabrir disputas que vinham sendo administradas e obrigar a campanha a gastar energia com crises internas.

Segundo esses interlocutores, Flávio já havia pedido anteriormente ao irmão que reduzisse ataques nas redes e evitasse ampliar conflitos dentro do próprio campo político. Este pedido chegou a ser feito pessoalmente ao irmão, nas viagens que Flávio fez aos Estados Unidos. Flávio e Eduardo foram procurados, mas não comentaram.

EMBATES –  A manifestação do último domingo não é o primeiro embate público entre Eduardo e Michelle. A relação entre os dois já havia se deteriorado durante a crise familiar aberta em junho, quando a ex-primeira-dama entrou em choque com Flávio por causa das articulações do PL no Ceará.

Na ocasião, Michelle criticou a aproximação do partido com o grupo de Ciro Gomes (PSDB) e defendeu espaço para a vereadora Priscila Costa (PL-CE), uma de suas principais aliadas, na disputa pelo Senado. Flávio reagiu publicamente em defesa da condução partidária e de André Fernandes (PL-CE), abrindo uma troca de acusações que rapidamente envolveu os outros filhos de Jair Bolsonaro.

CRÍTICAS – Eduardo entrou na discussão e fez críticas públicas à ex-primeira-dama. Michelle reagiu afirmando que não havia sido atacada apenas por Flávio e acusou os irmãos de agirem de maneira coordenada contra ela.

— E não foi só ele. Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado — afirmou Michelle, em junho.

A ex-primeira-dama também disse ter interpretado a atuação dos filhos de Bolsonaro como um sinal de que seu apoio não era desejado e chegou a deixar de seguir Eduardo e Carlos Bolsonaro nas redes sociais. O episódio expôs uma relação já marcada por divergências sobre o espaço de Michelle nas decisões políticas do grupo.

DESCULPAS – Depois da crise, Flávio fez um pedido público de desculpas à madrasta, que respondeu dizendo que o perdoava. Jair Bolsonaro também atuou para aproximar os dois, e a relação passou por uma reconstrução nas semanas seguintes. Michelle gravou para a campanha presidencial, pediu votos para Flávio durante eventos de sua campanha no Distrito Federal e publicou registros ao lado do enteado.

A campanha também passou a negociar uma participação maior da ex-primeira-dama nos palanques do presidenciável fora de Brasília. A presença de Michelle é considerada importante pelo QG principalmente na tentativa de reduzir a resistência de mulheres a Flávio e reforçar sua campanha entre o eleitorado evangélico.

Relação de Lula com Flavio Dino é vista como tentativa de enfraquecer o Congresso

Omar Aziz rejeita emendas e acelera votação do fim da escala 6×1 na CCJ

Relator da proposta divulgou parecer do projeto

Augusto Tenório
Folha

O senador Omar Aziz (PSD-AM) divulgou nesta quinta-feira (27) o relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1. O congressista atendeu ao governo e manteve o texto aprovado pela Câmara em maio. Dessa forma, a proposta fica pronta para ser votada na próxima quarta (2) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

O governo Lula corre para aprovar o fim da escala 6×1 antes da eleição, visando explorar a pauta durante a campanha. Uma alteração na PEC pelo Senado obrigaria o texto a voltar para a Câmara, o que dificultaria a promulgação antes da eleição. O Congresso só tem mais uma semana de funcionamento, entre 31 de agosto e 4 de setembro, até o pleito de outubro.

EMENDAS – A oposição protocolou 14 emendas para alterar a PEC aprovada pela Câmara. A maioria delas visava aumentar o período de transição ou garantir que o efeito da proposta não atinja quem trabalha na escala 12 por 36.

Uma das propostas de emenda, do senador Izalci Lucas (PL-DF), propôs manter a jornada de 44 horas semanais na Constituição e deixar uma eventual redução a critério de negociação coletiva ou contrato por hora, num modelo semelhante ao defendido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na campanha à Presidência.

A proposta que discute o fim da escala 6×1 é uma das principais pautas da agenda de Lula para a reeleição e estava travada no Senado. O avanço da pauta foi selado após reunião do presidente com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na noite desta quarta (26).

“JUNTOS PARA SEMPRE” – Ao posar para a foto após o encontro, o petista disse “poderia dizer ‘juntos para sempre'”. Ainda não há garantias, porém, que o fim da escala 6×1 será enviada para votação no plenário se aprovada na CCJ.

O armistício entre Lula e o Congresso ocorreu após meses de vaivéns na relação. Nos últimos meses, o distanciamento maior era com Alcolumbre, após o presidente do Senado impor derrotas importantes ao governo na casa. A principal, a rejeição da indicação de Lula pelo nome de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo aliados, a reaproximação de Alcolumbre com Lula visa assegurar o apoio do PT à sua manutenção no comando do Senado em 2027. O governo também não trata do tema abertamente, mas entende que a reeleição do amapaense é de seu interesse. Interlocutores de ambos dizem que uma nova reunião pode ocorrer esta semana. A cúpula bolsonarista quer eleger Tereza Cristina (PP-MS) para a presidência do Senado.