Moraes finge que não aconteceu nada e marca julgamento do recurso de Eduardo Bolsonaro

Eduardo foi condenado pela 1ª Turma a 4 anos e 2 meses

Ana Pompeu
Folha

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), marcou o julgamento do recurso contra a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pela atuação nos Estados Unidos para o plenário virtual da corte, entre 11 e 18 de setembro.

Eduardo foi condenado em 16 de junho, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicialmente semiaberto pelo crime de coação no curso do processo por sua atuação nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista.

JULGAMENTO – O recurso contra a condenação será julgado pela Primeira Turma da corte, formada por Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Os embargos de declaração foram apresentados pela Defensoria Pública da União, já que Eduardo não definiu advogado para defendê-lo no processo. Moraes determinou, sob alegação de que ele dificultava o andamento do processo sem estabelecer defesa, que o ex-deputado fosse intimado por edital e que a DPU assumisse o caso.

O relator abriu o inquérito em 26 de maio a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República). O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ter cometido os crimes ao atuar, nos EUA, junto a autoridades estrangeiras contra integrantes do Supremo, da PGR e da PF.

UNANIMIDADE – A Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, receber a denúncia contra o então parlamentar em 15 de novembro. Em nota conjunta divulgada após a denúncia, a dupla disse que a acusação revelava a “perseguição política em curso”. Eles ainda dizem que a acusação é “fajuta” e chamam a equipe de Paulo Gonet na PGR de “lacaios de Moraes”.

O crime de coação consiste em “usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial”.

CONSTRANGIMENTO – Na denúncia, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que Eduardo e o jornalista Paulo Figueiredo tentaram explorar o relacionamento que mantêm com integrantes do governo americano e assessores e conselheiros do presidente Donald Trump e que se valeram dessa rede de contatos para constranger a atuação do Supremo.

No julgamento, Moraes disse que “não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”. Ainda, que a “desinformação” levada por Eduardo e por Figueiredo ao governo de Donald Trump, que resultou na aplicação de tarifas contra produtos brasileiros, prejudicou todo o Brasil com o intuito de beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas “não amedrontou essa corte”.

Lula recebe empresários e discute contas públicas e juros após ofensiva de Flávio na Faria Lima

No meio de tanta lama, é difícil prever se o STF vai mesmo investigar Moraes

Tribuna da Internet | Não existem santos no STF, porém há ministros mais  sujos do que os outros

Charge do Zappa (humortadela.com)

Carolina Brígido
Estadão

O relatório da Polícia Federal que mostra a relação aparentemente pouco republicana entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro impacta não apenas o ministro, que corre o risco de virar alvo de um inquérito no próprio Supremo Tribunal Federal (STF). A notícia deve custar caro para a Corte como um todo.

O relator, André Mendonça, indicou que deve ser do plenário, em sessão pública e presencial, a decisão sobre a abertura ou não de inquérito contra o colega. A recomendação depende do aval dos ministros – especialmente do presidente, Edson Fachin.

GONET ENVOLVIDO – Mendonça pediu um parecer para a Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não deve levá-lo em conta, já que o próprio chefe da instituição, Paulo Gonet, foi citado pela PF por ser ligado a Vorcaro. Não há previsão de quando essa sessão será realizada – nem mesmo se vai acontecer.

Nos bastidores do STF, a avaliação é que, seja qual for a decisão tomada em plenário, o tribunal sairá derrotado. Abrir o inquérito significaria soltar a mão de um dos pares e abrir a guarda para a ampliação de críticas ao Supremo – não apenas pelos indícios encontrados pela PF, mas também por motivações políticas. O cenário é provável, já que o País está a um mês das eleições e boa parte dos candidatos usa impeachment de ministros do STF como bandeira.

Por outro ângulo, a abertura de inquérito contra Moraes aumentaria a chance de ser instaurado processo de impeachment contra ele no Senado. Na avaliação de integrantes da Corte, se isso acontecer, outros ministros do Supremo podem ser afastados na mesma leva, o que enfraqueceria o tribunal como instituição e pilar da democracia.

DESMORALIZAÇÃO – Ao mesmo tempo, arquivar indícios fortes colhidos pela PF desmoralizaria o Supremo e deixaria o tribunal com a pecha de corporativista. Diante desse dilema, fontes do Supremo avaliam que hoje seria difícil prever o placar de um eventual julgamento sobre a questão no plenário.

O resultado do julgamento dependerá do trabalho que Mendonça e Moraes farão nos bastidores nos próximos dias. É dado como certo que Mendonça conta com ao menos um voto, o de Luiz Fux. No time de Moraes, devem ser elencados Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Os outros quatro ministros estariam na coluna do meio, podendo se inclinar para um lado ou para outro, a depender das conversas reservadas aguardadas para os próximos dias.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
São procedentes as dúvidas sobre o que decidirá o plenário, porque o Supremo já está mais do que desmoralizado desde 2019, quando determinou ilegalmente a soltura de Lula, tornando o Brasil o único país da ONU (são 193 nações) que não prende criminoso condenado em três instâncias. Mas é certo que o ministro André Mendonça vai pedir ao plenário a abertura de inquérito contra Moraes, cuja presença no Supremo é uma ofensa à cidadania. (C.N.)

Após o escândalo, Lula abandona Moraes e vai defender a investigação contra ele…

Diante de tensão com Milei, Lula convida Moraes para um café

Lula acha que a amizade com Moraes prejudica a campanha

Vera Rosa
Estadão

Os diálogos revelados primeiro pelo Estadão entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, causaram extrema preocupação na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desta vez, a gravidade do relatório da Polícia Federal detalhando mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro é tanta que o comitê de Lula ainda está à procura de uma estratégia para se afastar da crise. Agora, a guerra fratricida nas fileiras do STF ameaça explodir em várias direções da Praça dos Três Poderes e até paralisar votações de interesse do governo no Congresso.

NÃO HÁ SAÍDA – Para o candidato Lula, não é mais suficiente dizer que quem tem de prestar contas sobre a relação com Vorcaro é o candidato do PL, Flávio Bolsonaro – uma vez que até hoje não se sabe onde foi parar o dinheiro enviado pelo banqueiro para financiar o filme Dark Horse. Muito menos observar que o ministro do STF André Mendonça – antagonista de Moraes na Corte – atua com dois pesos e duas medidas por ter sido indicado para a Corte pelo então presidente Jair Bolsonaro.

A partir de agora, Moraes e o Supremo viraram o principal assunto da disputa eleitoral. Aliás, nada mais conveniente para Flávio do que o surgimento dessas revelações às vésperas do ato convocado por ele para 7 de setembro, na Avenida Paulista.

Embora o escândalo não se refira a Lula, o episódio serve de munição para Flávio e fortalece a defesa do impeachment de ministros do STF. O afastamento de magistrados precisa passar pelo crivo do Senado e candidatos a uma cadeira na Casa de Salão Azul que já adotam essa bandeira vão ampliar a ofensiva.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, os três Poderes estão apodrecidos. Lula foi um otário ao aceitar um jantar na casa de Moraes, para se reunir com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Em Brasília, a partir das tentativas do delegado Andrei Rodrigues para proteger Moraes, já se sabia que o ministro do STF iria acabar sendo investigado. Lula não acreditou e aceitou o convite de Moraes, porque corrupção atrai corrupção, é uma verdadeira praga. (C.N.)

Mendonça enfrenta Moraes e questiona “proteção” da Polícia Federal ao ministro

Moraes e Mendonça tiveram reunião tensa antes de divulgação de mensagens de Vorcaro

Moraes quis pressionar Mendonça e foi repelido na hora

Roseann Kennedy
Estadão

O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), e o ministro Alexandre de Moraes tiveram uma discussão tensa nesta segunda-feira, 31. Moraes chamou Mendonça para conversar após saber que seria alvo de um pedido de informações encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) a respeito de suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Como Mendonça ainda não havia protocolado o pedido no órgão ministerial — o que só ocorreu nesta terça-feira —, o relator indagou como o colega havia ficado sabendo antecipadamente, questionando se informações da Polícia Federal sobre o caso estariam vazando previamente para Moraes.

MENSAGENS REVELADORAS – O clima na Corte se deteriorou ainda mais nesta terça-feira, quando Mendonça decidiu derrubar o sigilo sobre a troca de mensagens entre Moraes e o dono do Banco Master.

No ofício encaminhado à PGR, Mendonça solicitou esclarecimentos sobre os diálogos em que Vorcaro citava a necessidade de “proteção” e mencionava o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

O pedido engloba ainda dados que apontam que Moraes editou a minuta do contrato de R$ 131,2 milhões do escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, além de indícios de vazamento de datas e horários de diligências da Operação Compliance Zero.

CARTÕES DE CRÉDITO – As provas contra  Moraes são arrasadoras, envolvem até cartões de crédito para os filhos do ministro. O administrador do escritório Barci de Moraes, Guilherme de Toledo Benazzi, entrou em contato com Vorcaro para tratar da emissão dos cartões. E Vorcaro autorizou cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para filhos de Moraes, aponta mensagem.

Já o advogado Ciro Soares enviou foto ao lado do procurador-geral da República, Paulo Gonet, segundos antes de intermediar uma ligação telefônica entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro. Gonet disse que sentia saudades de Vorcaro e chamou banqueiro de ‘máquina’

ABRIR INQUÉRITO – Moraes coordenava eventos privados com autoridades organizados pelo banqueiro Vorcaro, segundo mensagens extraídas pela Polícia Federal no celular do dono do Master. As mensagens mostram que Moraes vetava convidados, mandava convites para autoridades e até receberia um troféu de Vorcaro.

“Alexandre morre se vc fizer isso. Aliás nos mata”, disse Vorcaro a uma funcionária que sugeriu colocar o presidente do União Brasil, Antonio Rueda,  como um dos moderadores do evento.

Diante dessas provas, Mendonça não descarta solicitar a abertura formal de uma investigação contra Moraes no STF. Por rito regimental, a instauração de um inquérito contra um integrante do tribunal depende de autorização do Plenário. Como apurou a Coluna do Estadão, caso decida avançar com esse pedido, Mendonça só o fará após uma consulta prévia ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, para avaliar os impactos institucionais da medida sobre o Supremo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mendonça não tem alternativa. É obrigado a convocar o plenário para abrir a investigação. Moraes vai ser afastado da função e ser condenado por corrupção. Não há como mantê-lo no Supremo e uma prisão preventiva de Moraes faria um bem enorme à democracia brasileira. (C.N.)  

Ministros do TSE contestam decisão de Toffoli e querem caso de Renan Santos no plenário

Mulher de Moraes confirma que ministro foi consultado sobre contrato milionário com Vorcaro

Lula erra ao tentar impor a extinção da escala 6/1 às vésperas das eleições

Trados adverte que o momento requer prudência

Vicente Limongi Netto

Procede a preocupação do presidente da Confederação Nacional do Comércio e do Sistema Sesc-Senac, José Roberto Tadros, diante do açodamento do governo em aprovar a extinção da escala 6/1. Em artigo no Correio Braziliense de 01 de setembro, sob o título “Milhões de empregos em risco”, Tadros acentua que “defender o trabalhador também significa defender o emprego”.

Convicto que o Brasil precisa avançar, Tadros salienta, porém, que “agora é o momento de preservar a economia e garantir a segurança jurídica do país. Nesta fase em que estamos, prudência, responsabilidade e segurança jurídica são indispensáveis”, pondera o dirigente da CNC.

MILEI É FRIA – A grande mídia, o mercado financeiro, a elite perversa e os idiotas em geral são intrinsecamente aliados. Querem uma gestão no Brasil do modelo de Javier Milei, que está vendendo a Argentina a grupos estrangeiros.

Aliás, nesta Argentina de Milei, apenas o mercado financeiro e os grandes grupos econômicos estão se dando bem, com o povo na miséria.

Quando os aposentados fazem movimento para reivindicar a melhoria dos proventos, a polícia da Argentina mete a porrete nos idosos. Quem acompanha a política da Argentina sabe das barbaridades que o Milei vem fazendo com o povo.

NÍVEL DOS DEBATES – O leitor Gilberto Pereira Tiriba (Correio Braziliense – 25/08) está desapontado com o atual nível dos debates dos candidatos. Recorda as eleições de 1989 e cita 6 valorosos expoentes daquelas eleições. Quatro deles já partiram.

Não registra, por esquecimento, rancor ou preconceito, o candidato Collor de Mello, vencedor daquela histórica eleição, com a participação de 22 candidatos. 

Galípolo, Andrei e Gonet também estão envolvidos com Vorcaro, no caso Master

Tribuna da Internet | “Pirâmide” do Master/Will vai prejudicar mais  investidores do que se pensava

Charge do Takeshi Gondo (O Hoje)

José Marques, Luísa Martins e João Gabriel
Folha

Dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se deveria deixar o país segundo mensagens reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e obtidas também pela Folha.

Os documentos da Polícia Federal mostram que Vorcaro também pediu encontros com Moraes às vésperas de ser preso, justamente para tratar dos negócios que o fizeram ser investigado.

ESTAVA FUGINDO – Vorcaro foi preso pela PF no dia 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Documentos mostram que no dia 14 ele pergunta ao ministro se está “marcado amanhã lá em casa” ou se “prefere deixar para semana que vem”. Minutos depois, confirma: Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado”.

Na noite do dia 15, pelo horário brasileiro, dois dias antes da prisão, o ex-banqueiro pede um novo encontro com Moraes que “pode ser bem rápido”. “As 14 então. Passo na sua casa ou na minha?”, completa. Em 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro teria enviado a Moraes a mensagem: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, questionando sobre a necessidade de fugir do país.

No dia seguinte, 16, um domingo, avisa: “Já estou em voo, vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?”

MUITAS MENSAGENS – As trocas sobre os encontros aconteceram simultaneamente a outras mensagens, nas quais Vorcaro questionava Moraes sobre o andamento do processo contra ele e o Master.

Durante as trocas de mensagens, o dono do Master questiona diversas vezes sobre as apurações contra ele, se mostra indignado e diz que está tentando resolver todas as pendências para evitar problemas.

A revelação amplia o conjunto de mensagens entre Vorcaro e um interlocutor que a Polícia Federal suspeita ser Moraes. Parte desses diálogos está em documento foi enviado ao STF e sobre o qual o ministro André Mendonça, do STF, pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da

DISSE MENDONÇA – Em decisão no final de agosto, Mendonça disse que conversas que Vorcaro teve com “outra pessoa ainda não identificada” comprovam que o ex-banqueiro soube, com significativa antecedência, da decisão que determinaria a sua prisão.

De acordo com o ministro, os diálogos reforçam a hipótese investigativa segundo a qual Vorcaro “demandava intervenção junto a autoridades públicas envolvidas nos respectivos processos decisórios”.

A identificação do interlocutor de Vorcaro, prossegue o relator do caso Master, é fundamental para mapear “integrantes da suposta rede de influência e monitoramento” gerenciada pelo empresário.

GENTE GRAÚDA – Sem citar nomes ou suspeitas, Mendonça indica que nessa rede pode haver pessoas com foro especial e sujeitas a julgamento pelo próprio plenário do STF, como ministros da corte e o procurador-geral da República.

“Uma vez identificados os destinatários e demais mencionados nas referidas mensagens, devem ser igualmente fornecidas a íntegra de todas mensagens e interações existentes que envolvam as mesmas pessoas”, determina o ministro.

Um dia antes da prisão de Daniel Vorcaro, em 16 de novembro, Vorcaro também perguntou ao ministro Moraes: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.

NO AEROPORTO – A ordem de prisão preventiva foi assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, às 15h29 de 17 de novembro. Horas depois, Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo.

No dia 15, Vorcaro perguntou a Moraes: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o [Gabriel] Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”. Já às 17h26 do dia em que acabou preso, teria enviado: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.

As mensagens extraídas do celular de Vorcaro não permitem saber o conteúdo de eventuais respostas de Moraes. Os dois usariam imagens de visualização única com capturas de textos escritos no aplicativo de notas, e a extração teria recuperado apenas conteúdos enviados pelo banqueiro.

ANDREI E PAULO – A investigação da PF apresenta uma série de mensagens enviadas por Vorcaro a partir de 30 de outubro de 2025. Em outros diálogos já revelados, o banqueiro pede a um interlocutor a atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

A pessoa para quem a mensagem foi enviada não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita de que o interlocutor seja Moraes. A informação foi divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela Folha.

Em uma das mensagens, Vorcaro afirma que era “importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco”. Em outra, pede que o interlocutor tente adiar uma ação da PF: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”.

PRAZO FATAL – Mendonça deu prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste sobre o documento da PF. A Folha procurou nesta terça-feira (1º) Andrei, Gonet e Moraes, que ainda não haviam se manifestado.

Informações obtidas pela PF também apontam que Moraes fez edições em uma minuta do contrato entre o Banco Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Em nota, o escritório afirmou que seu setor de compliance solicitou informações ao ministro, “na condição de marido da sócia diretora”, sobre eventuais impedimentos legais para a contratação.

 

Segundo o escritório, não havia impedimento porque não estava prevista atuação perante o STF e Moraes não havia julgado causas envolvendo o Master. O contrato previa pagamentos de R$ 129 milhões ao longo de três anos, a R$ 3,6 milhões por mês.

OUTRAS MENSAGENS – Em março, O Globo revelou que Vorcaro trocou mensagens de WhatsApp com Moraes ao longo do dia de sua primeira prisão. A informação foi confirmada pela Folha.

À época, Moraes afirmou que “não recebeu essas mensagens” citadas em reportagens e classificou como “ilação mentirosa” a afirmação de que elas teriam sido enviadas a ele.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro, quando se preparava para embarcar para o exterior. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, também estão envolvidos Andrei Rodrigues (PF), Paulo Gonet (PGR) e Gabriel Galípolo (BC). Com diz o genial samba de Ari do Cavaco e Bebeto Di São João, “se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão…”. (C.N.)

“Carta dos Bispos”, pedindo votos para Lula, é propaganda eleitoral inaceitável

PT lança ofensiva para dizer que Lula não fechará igrejas - 15/08/2022 - Mônica Bergamo - Folha

Sem se identificar, alguns bispos declaram apoio a Lula

Marcio Antonio Campos
Gazeta do Povo

Vou falar o quê da carta dos “Bispos do Diálogo pelo Reino”, que eles enviaram em primeira mão à Folha de S.Paulo e nem sequer tiveram a decência de assinar, limitando-se a dizer que são dezenas (ao menos são minoria, considerando que o Brasil tem quase 500 bispos, incluindo os eméritos)?

É uma coisa lamentável, propaganda político-eleitoral disfarçada de preocupação evangélica, e que ainda tenta puxar o papa Leão XIV para seu lado, quando as manifestações públicas do papa sobre o trabalho das autoridades vão na direção oposta àquela do candidato preferido dos bispos de esquerda.

SEM PARTIDO? – “Em tempo de eleições, reafirmamos que não temos partido”, dizem os bispos. A quem eles estão tentando enganar, quando logo depois eles usam justamente uma das palavras mais invocadas por Lula em sua candidatura à reeleição, a tal “soberania”?

Não que soberania não seja importante, mas ela tem sido usada de forma populista pelo PT em reação aos tarifaços de Trump, enquanto as facções criminosas com as quais a esquerda é tão leniente vão atacando de verdade nossa soberania ao dominar áreas inteiras de metrópoles como o Rio e territórios vastos como a Amazônia.

Além disso, em 2022 os “Bispos do Diálogo pelo Reino” foram bem mais explícitos quando, em carta antes do segundo turno da eleição presidencial, tomaram abertamente o lado de Lula contra Jair Bolsonaro, e, depois da eleição, enviaram ao petista eleito um texto que mais parecia uma carta de fã-clube. E agora vêm dizer que “não têm partido”?

SEM PROBLEMAS… – Obviamente, seria muito esperar que os “Bispos do Diálogo pelo Reino” falassem da legião de endividados e inadimplentes, da maior média anual de mortes de ianomâmis, do salto gritante da dívida pública, da crise no varejo, da irresponsabilidade fiscal que sempre cobra dos mais pobres, do Lulinha, do Marcola, do Jaques Wagner, enfim, de todos os telhados de vidro que o atual governo tem, como se apenas os adversários tivessem defeitos.

Os bispos de esquerda têm anos de experiência em passar pano para os erros dos seus políticos de estimação, como nas Análises de Conjuntura que, ao reconhecer problemas na condução da economia, culpam sempre os outros.

A carta dos “Bispos do Diálogo pelo Reino” usa e abusa de citações do papa Leão XIV, e não camufla a tentativa de deixar subentendido que a única posição realmente católica em termos de política é a deles. Mas o curioso é que o papa, quando comparece diante de parlamentos mundo afora, costuma dizer algumas coisas que os bispos de esquerda nem sequer mencionam nos seus textos.

DISSE O PAPA – Na Espanha, em junho, diante de vários parlamentares declaradamente abortistas, o papa não economizou e disse:

“Pode chamar-se plenamente justa uma comunidade que deixa na sombra a criança ainda não nascida, o idoso, o doente, quem sofre em silêncio ou quem depende inteiramente do cuidado dos outros? A defesa da vida humana não é uma questão parcial nem um interesse confessional: é uma meta de civilização. Toda a vida humana deve ser reconhecida e guardada desde a sua concepção até ao seu ocaso natural, em cada circunstância da sua existência”.

Na curta visita que fez a San Marino, neste sábado, o papa voltou ao tema. Após afirmar que um Estado pequeno como aquele pode ser um “laboratório” de boa política, Leão XIV diz que “o objetivo principal para o qual se deve tender neste ‘laboratório’ é o cuidado do humano. Na verdade, uma comunidade como a vossa, ao mesmo tempo rica de valores tradicionais e em sintonia com os tempos no plano tecnológico, pode perseguir eficazmente este objetivo, mediante um cuidado que se traduz na salvaguarda de cada vida, em todas as suas fases, desde a conceção até à morte natural”.

AO CONTRÁRIO – Esse tema, no entanto, sumiu da carta dos bispos de esquerda. Porque o governo e o candidato apoiado por eles têm feito o exato oposto do que Leão XIV pede. É nota técnica abortista, é cartilha abortista para gestante, tivemos ministra da Saúde abortista, enfim, desde 2023 temos tentativa atrás de tentativa para ampliar o acesso ao aborto sem precisar mudar a lei.

Mas o tema não merece uma mençãozinha sequer, ainda que seja classificado pelo papa Leão XIV como uma meta civilizacional. Talvez o assunto não seja tão importante para os “Bispos do Diálogo pelo Reino” quanto é para o papa. Vai saber.

Como se não bastasse, os bispos de esquerda ainda soltam os cachorros contra quem os critica por colocar o compromisso político-partidário acima de sua missão religiosa. Eles reclamam de um “conservadorismo autoritário que, lamentavelmente, através das redes e alguns dos meios de comunicação de inspiração católica, incluindo alguns membros dos ministérios ordenados, religiosos e leigos, promovem devocionismos, discursos superficiais e violentos contra pessoas que testemunham a fé no meio dos pobres, na defesa da democracia e das pautas ambientais”.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGImportante artigo enviado por Mário Assis Causanilhas. Mostra que a Igreja Católica, que deveria dar exemplo de neutralidade política, faz o contrário para defender abertamente Lula e o PT, que se esforçam para enganar e seduzir as seitas evangélicas, mas os pastores têm conseguido resistir à tentação. (C.N.)

Ainda que de vez em quando alguém passe do ponto na crítica, a rotulagem é injusta e me lembra muito, mas muito mesmo a cruzada de dom Joaquim Mol contra influenciadores católicos. E mostra disposição zero de diálogo com os católicos que discordam.

 

Agora, queria muito saber onde entra o “devocionismo” nisso. Será aquele papo surradíssimo de que “oração sem ação é em vão”, nas infelizes palavras do frei Lorrane? Será que é qualquer manifestação religiosa que não tenha a aprovação dos bispos de esquerda? Eles não dizem, apenas jogam a palavra lá e saem correndo. Pobre da velhinha que acorda às 4 da manhã para rezar com o frei Gilson, pobre do sujeito que abre mão de alguma coisa na Quaresma e não conta direitinho quanto economizou para entregar no “gesto concreto” da Campanha da Fraternidade… se não tem engajamento social, se não tem defesa da democracia e da soberania, não tem valor nenhum para os “Bispos do Diálogo pelo Reino”.

“E a CNBB, não vai fazer nada?”

Essa é a pergunta preferida de muita gente quando vê algum bispo ou padre cometendo disparates por aí. Mas, como eu disse outro dia, conferência episcopal não é instância disciplinadora de bispo. Isso é com o Vaticano. E a CNBB não pode impedir os bispos de se organizarem informalmente em grupos, de que tipo for; se amanhã surgir um coletivo de bispos corintianos (o que seria belo e moral), ou se dom Fernando Rifan montar um coletivo de bispos sanfoneiros, terão tanto peso institucional quanto os “Bispos do Diálogo pelo Reino”. No máximo, o que a conferência pode fazer é deixar claro que um grupo não fala por toda a CNBB – que, aliás, já publicou sua mensagem aos católicos sobre as eleições de outubro; é o único texto que pode ser considerado uma manifestação oficial e institucional, com suas virtudes e defeitos.

 

Como diz dom Antônio Carlos Keller, bispo de Frederico Westphalen (RS), em sua nota pastoral, “o ministro ordenado é pai espiritual de todos os fiéis, independentemente de suas legítimas opções políticas. (…) não compete ao sacerdote favorecer partidos ou candidatos, participar de disputas partidárias, utilizar a pregação ou os meios de comunicação da Igreja para propaganda eleitoral, nem induzir os fiéis a determinadas escolhas políticas (…) A unidade da comunidade eclesial vale mais do que qualquer preferência partidária”. Bispos que fazem propaganda eleitoral, ainda que camuflada, e extrapolam totalmente aquelas situações em que a Igreja é chamada a se pronunciar em assuntos políticos – e que foram tão bem descritas no discurso de Bento XVI aos bispos do Maranhão, em 2010 – acabam dividindo seu rebanho e prestando um enorme desserviço ao Reino pelo qual eles dizem “dialogar”.

Uma inesquecível canção de amor, criada por Herivelto Martins e David Nasser

Tribuna da Internet | “Pensando em Ti”, uma canção imortal, de David Nasser e Herivelto Martins

Herivelto e Nasser, uma dupla inspiração

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O  jornalista, escritor e letrista, nascido em Jaú (SP), David Nasser (1917-1980), era parceiro frequente do cantor Herivelto Martins (1912  -1992). Juntos, ele compuseram diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “Pensando em ti “, cuja letra, através de hipérboles, destaca uma paixão desmesurada.

Este samba-canção foi gravado por Nelson Gonçalves, em 1957, pela RCA Victor.

PENSANDO EM TI 
Herivelto Martins e David Nasser

Eu amanheço,
Pensando em ti.
Eu anoiteço,
Pensando em ti
Eu não te esqueço,
É dia e noite
Pensando em ti.

Eu vejo a vida
Pela luz dos olhos teus.
Me deixe, ao menos,
Por favor, pensar em Deus

Nos cigarros que ,eu fumo
Te vejo nas espirais,
Nos livros que tento ler
Em cada frase tu estás.

Nas orações que eu faço
Eu encontro os olhos teus.
Me deixe, ao menos,
Por favor pensar em Deus.

Alcolumbre indica Pacheco ao TCU e tenta acelerar aprovação no Senado

Indicaçãoprecisa ser aprovada pelo Senado e pela Câmara

Gabriella Soares
Caetano Tonet
Vinícius Cassela
G1

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), indicou nesta segunda-feira (31) o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para o Tribunal de Contas da União (TCU). A vaga foi aberta com a saída antecipada do ministro Bruno Dantas.

Bruno Dantas decidiu formalizar sua saída do cargo, em ofício encaminhado nesta segunda-feira (31) ao presidente da Corte, Vital do Rêgo Filho. A indicação foi assinada pelo presidente do Senado e por 19 senadores, incluindo a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

“NOVOS PROJETOS” – Em nota e vídeo divulgados nesta segunda, Bruno Dantas afirmou que decidiu deixar o cargo para se dedicar a “novos projetos” e disse encerrar o ciclo no tribunal com a convicção de que “a rotatividade nos altos cargos do país é uma virtude”.

A vaga de Bruno Dantas é da cota de indicação do Senado Federal. Segundo o blog do Valdo Cruz, Alcolumbre, estava esperando apenas a formalização da decisão de Bruno Dantas para articular a ida de Rodrigo Pacheco para o TCU. Agora, a indicação deve ser encaminhada para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde Pacheco passará por uma sabatina e terá que ter o nome aprovado pelos senadores.

APROVAÇÃO – Em seguida, a indicação passará por votação no plenário da Casa. A expectativa é que o nome seja analisado nesta quarta-feira (2). Além disso, o candidato ainda precisa ser aprovado na Câmara dos Deputados. Caso o nome seja aprovado nas duas casas, o presidente da República nomeia o novo ministro.

O presidente do Senado também apresentou um requerimento de urgência para que a indicação siga para o plenário sem passar por sabatina na CAE. Recentemente, o ex-deputado federal Jhonatan de Jesus também foi indicado ao cargo pela Câmara dos Deputados sem que passasse por sabatina.

TSE decide se a inteligência artificial pode falar em nome de Jair Bolsonaro

Mendonça descarta trégua com PF e crise leva Fachin a agir nos bastidores

Ministro se queixa de demora da PF na investigação

Luísa Martins
Catia Seabra
Ana Pompeu
Folha

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sinalizou a auxiliares que não vê margem para uma trégua com a Polícia Federal nas tensões que envolvem os inquéritos contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A situação tem preocupado o presidente da corte, Edson Fachin, que articula um modo de evitar o agravamento da crise. A interlocutores ele disse que é seu dever preservar as instituições e, com discrição, tentar dialogar com todos os envolvidos.

MOBILIZAÇÃO – O assunto mobilizou os bastidores do Supremo ao longo da última semana, em um cenário classificado por um magistrado aliado de Mendonça como “um corre-corre para baixar a temperatura”. Mendonça se queixa da demora da PF em apurações sobre as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e vê uma tentativa de impedir que elas avancem sobre aliados e familiares do presidente Lula (PT), candidato à reeleição em 2026.

Já a corporação vê intromissões do relator na sua autonomia para conduzir os trabalhos, ao determinar, por exemplo, que qualquer mudança na equipe de investigadores lhe seja comunicada de antemão. Integrantes da cúpula da PF afirmam que o pedido de abertura de três frentes de investigação contra Lulinha e uma operação policial contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) —no caso do Banco Master— demonstram que não há uso político das apurações.

Também dizem que Mendonça levou menos tempo para autorizar diligências contra Wagner do que contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o presidente do PP Ciro Nogueira e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.

REUNIÕES – Fachin se reuniu recentemente com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, em reuniões descritas por um interlocutor como “audiências para aparar arestas”. Nos dias seguintes, contudo, cresceu o receio de que Mendonça pudesse proferir decisões drásticas, aptas a ampliar a erosão interna que já predomina no STF pelo menos desde o início do ano.

Um ministro chegou a alertar Fachin sobre a possibilidade de Mendonça estar sendo influenciado pelos delegados da PF que estão lotados em seu gabinete, e que são críticos da postura de Andrei como diretor-geral. O relator da Operação Sem Desconto, por outro lado, afirma a pessoas próximas que atua com cautela e independência e que seu objetivo principal é garantir a integridade das investigações, respeitando o devido processo legal.

A mobilização de Fachin continuou quando ele se encontrou novamente com Lima e Silva e com o ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, para tratar do assunto, mas não houve encaminhamentos concretos.

RECOMPOSIÇÃO – No início de agosto, Messias intermediou uma audiência entre Mendonça e o ministro da Justiça, que se dispôs a atuar como ponte para a recomposição da relação. Na ocasião, o magistrado do STF se mostrou disposto a isso, mas agora tem dito não ver mais espaço.

O entorno de Messias avalia que, devido ao perfil conciliador e republicano de Fachin, o presidente do Supremo pode ser um bom intermediador na busca de uma solução para esses conflitos.

O filho do presidente Lula (PT) é suspeito de cometer tráfico de influência no âmbito do governo. A defesa dele afirma que setores bolsonaristas da PF apresentaram um “quebra-cabeças de ilações” para tentar prejudicar a campanha do seu pai à reeleição.

CONFRONTO – Os atritos entre Mendonça e o diretor-geral da PF vêm desde o início das apurações da Operação Sem Desconto. Mendonça reclamou, por exemplo, de mudanças feitas na equipe e na estrutura da investigação sem o seu conhecimento prévio.

Uma troca na coordenação dos inquéritos, que levou a uma mudança dos delegados responsáveis, desagradaram o ministro, assim como a saída de um perito e supostos atrasos na juntada de materiais resultantes de ordens de quebra de sigilo.

O magistrado decidiu determinar que todos os atos da investigação sejam imediatamente anexados pela PF ao processo que tramita em seu gabinete, o que incomodou a cúpula da PF.

NOTA DE APOIO – Os 27 superintendentes lançaram uma nota em apoio ao diretor-geral, afirmando ser “indispensável a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia necessária à gestão eficiente de seus recursos e prioridades”.

Andrei também pediu que a AGU entre em cena para impedir as medidas ordenadas por Mendonça, por entender que elas representam uma intromissão do magistrado e uma violação à autonomia e à independência da corporação.

Messias, no entanto, resiste a apresentar um recurso formal em nome da PF contra a decisão de Mendonça. O advogado-geral avalia, segundo um auxiliar, que a saída para o atrito não passa por um ato jurídico, mas por uma construção política.

IMPARCIALIDADE – Na última sexta-feira (28), o diretor-geral da PF disse que “a atuação técnica, imparcial e livre de qualquer viés político é o que nos permite defender a instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha”. Ele não citou Mendonça.

Em entrevista à TV Globo na última semana, Lula disse que as investigações sobre tráfico de influência são “ilações tiradas de telefonemas”, mas que Lulinha precisa se defender. Afirmou, ainda, que não haverá interferências do seu governo para blindar o filho.

A dívida, os juros e a eleição: o Brasil adia escolhas que já não pode ignorar

Maior praga é a desigualdade social, que preocupa os filósofos desde Platão

Charge do Duke (Rádio Itatiaia)

Hélio Schwartsman
Folha

Gostei de “The Greatest of All Plagues”, de David Lay Williams, em que o autor procura mostrar que a preocupação com a desigualdade socioeconômica se faz presente no cânone filosófico do Ocidente há mais tempo e de forma mais fundamental do que muitos poderiam supor.

Para tentar provar sua tese, Williams resgata passagens francamente igualitárias de um pool bem ecumênico de filósofos. São eles Platão, Jesus Cristo, Thomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau, Adam Smith, John Stuart Mill e Karl Marx. Ok, Cristo entra um pouco de contrabando, já que não é propriamente um filósofo e não deixou obra escrita, mas não vejo maiores problemas nisso.

PEDACILHO – Williams é generoso ao nos fornecer o contexto histórico em que cada um desses autores desenvolveu suas ideias e as expõe com didatismo. Creio, porém, que, ao tentar enquadrar todos esses filósofos em sua tese, ele acabe incorrendo em pecadilhos historiográficos.

Tomemos o caso de Platão. Para vendê-lo como um campeão da igualdade, Williams rebaixa um pouco o estatuto de “A República” para valorizar “As Leis”. É desse texto, aliás, que ele tira o título do livro “A maior de todas as pragas”.

Ocorre que uma das questões mais difíceis nos estudos de Platão é justamente a de como classificar “As Leis”. O texto é tão pouco platônico e diverge tanto do restante da obra que, no século 19, filólogos sugeriram que se tratava de um escrito apócrifo. Não é, mas qual Platão representa Platão?

OUTRO LAPSO – Algo parecido vale para os demais. Em Rousseau e Marx, a igualdade ocupa lugar central, mas será que podemos dizer o mesmo de Hobbes, que defendia poder quase total para o soberano?

Meu ponto é que é legal mostrar os trechos quase esquecidos em que alguns dos mais importantes filósofos do Ocidente criticaram a desigualdade econômica, mas não dá para ignorar os consensos dos comentadores.

Se vários desses filósofos não se celebrizaram como igualitários radicais, isso talvez se deva ao fato de que a questão não teve tanto peso assim na economia geral de suas obras.

Fortunas nas urnas: 15 candidatos concentram R$ 4,7 bilhões em patrimônio

Milionários querem um mandato em 2026

Deu no O Globo

O patrimônio de 15 candidatos entre os mais ricos concorrendo às eleições soma R$ 4,69 bilhões, segundo as declarações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na média, é como se cada um desses postulantes tivesse cerca de R$ 312 milhões em bens. A lista inclui empresários, herdeiros de grupos empresariais familiares e até um império da educação.
Uma análise preliminar dos 40 maiores patrimônios divulgados inicialmente na base de dados apontou que grande parte das declarações no topo do ranking geral apresentava inconsistências ou evidentes erros de digitação (como inclusão acidental de centavos ou casas decimais adicionais, distorcendo os valores para a casa dos bilhões). Por isso, a reportagem filtrou e validou apenas os candidatos cujos bens declarados são compatíveis com a realidade econômica de seus históricos profissionais e empresariais.
LIDERANÇA – O líder deste recorte é Luiz Osvaldo Pastore (PL-TO), candidato a 1º Suplente de Senador, que declarou ao TSE uma fortuna de R$ 677,7 milhões. Empresário com histórico de participação em chapas majoritárias, Pastore já foi suplente no Senado por outros estados, como Espírito Santo e Distrito Federal, e tem sua fortuna concentrada em investimentos e participações societárias. O tamanho do seu patrimônio chama a atenção pela grande evolução ao longo das últimas décadas.

Pastore ganhou as manchetes no passado por ser proprietário do jatinho que levou o ministro do STF Dias Toffoli e o advogado Augusto Arruda Botelho — defensor de Luiz Antônio Bull, um dos alvos da investigação sobre o Banco Master — dias antes do magistrado assumir decisões sensíveis relacionadas ao caso no Supremo.

Pastore é um empresário paulista radicado no Espírito Santo, com atuação em setores como importação, indústria e administração de imóveis. Apesar da baixa exposição pública, acumula influência na política e no meio empresarial.

SETOR TÊXTIL – Na segunda colocação, desponta Antídio Aleixo Lunelli (MDB-SC), candidato ao Senado, com R$ 613,2 milhões. Lunelli é um empresário catarinense de grande porte, conhecido no setor têxtil, e já ocupou o cargo de prefeito de Jaraguá do Sul (SC) duas vezes. Sua declaração de bens é composta majoritariamente por participações em suas empresas.

Lunelli fundou em 1980 a empresa que deu origem ao Grupo Lunelli, hoje um conglomerado têxtil dono de marcas como Lunender, Lez a Lez e Hagar 33, com mais de 5 mil funcionários diretos e negócios também no agronegócio. Publicamente, ele diz que a fortuna é anterior à sua entrada na política, em 2016.

Logo atrás, na terceira posição, está Otaviano Olavo Pivetta (Republicanos-MT), atual candidato ao governo do Mato Grosso, dono de R$ 575,6 milhões — alta de 52% sobre os R$ 378,9 milhões declarados em 2022. Pivetta é um dos maiores empresários do agronegócio brasileiro e figura histórica na política mato-grossense.

PRODUTOR RURAL – Nascido em Caiçara (RS), Pivetta migrou para o Mato Grosso em 1982 e construiu carreira como produtor rural de soja, milho, algodão, suínos e bovinos, antes de ser três vezes prefeito de Lucas do Rio Verde, deputado estadual e, desde 2019, vice na chapa de Mauro Mendes.

Em quarto lugar está Wilson Picler (PL-PR), primeiro suplente de Deltan Dallagnol na disputa pelo Senado no Paraná, com R$ 478,69 milhões. Fundador do grupo educacional Uninter e ex-deputado federal pelo PDT, Picler foi o maior doador individual do então PSL em 2018 — ano em que declarou um patrimônio de R$ 48,3 milhões, dez vezes menor que o atual. Apoiou a campanha de Jair Bolsonaro naquele ano, mas migrou para o campo de Sergio Moro nas eleições seguintes.

Fechando o “Top 5”, a região Sudeste volta a aparecer com Vittorio Medioli (PL-MG), empresário italiano naturalizado brasileiro e ex-prefeito de Betim por dois mandatos (2017–2024), com R$ 356,81 milhões. Fundador do Grupo SADA, do setor de logística e transporte de cargas, e dono de veículos de comunicação como o jornal O Tempo, Medioli já foi chamado de prefeito mais rico do Brasil ao se eleger em Betim em 2016, e agora concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa mineira.

MULTIMILIONÁRIOS –  O clube dos multimilionários que vão disputar as eleições 2026 se completa com perfis variados. Misael Artur Ferreira Varella (PSD-MG), primeiro suplente do senador Carlos Viana e filho do ex-parlamentar Lael Varella, aparece com R$ 315,2 milhões — fortuna ligada à rede de hospitais da Fundação Cristiano Varella, referência em tratamento oncológico na Zona da Mata mineira.

Carlos Eduardo Hammerschmidt (Republicanos-PR), suplente de Alexandre Curi no Senado, é vice-presidente comercial do Grupo Potencial, uma das maiores empresas de energia do país, e declarou R$ 281,04 milhões.

Na disputa presidencial aparecem dois nomes da lista: Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). O primeiro, psiquiatra e autor best-seller de livros como “O vendedor de sonhos” e “A inteligência multifocal”, declarou R$ 242,28 milhões. A maior parcela do patrimônio de Cury está concentrada em empréstimos concedidos, que totalizam R$ 128,51 milhões.

NA DISPUTA – O psiquiatra figura entre os três postulantes ao Planalto mais ricos da série histórica do TSE. Cury fica atrás apenas do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que concorreu pelo MDB em 2018 e declarou R$ 377,49 milhões, e do empresário e fundador do Novo, João Amoêdo, que informou patrimônio de R$ 425,06 milhões no mesmo ano, o maior valor já registrado.

Já Zema, ex-governador de Minas Gerais, concorre à Presidência com R$ 178,71 milhões, patrimônio construído à frente do grupo varejista que leva seu sobrenome, antes de entrar para a política em 2018. A maior parcela dos bens corresponde à participação de Zema em uma holding familiar, avaliada em R$ 94,5 milhões. O candidato também declarou R$ 56,2 milhões em um fundo de investimento, R$ 16,8 milhões em participação em uma instituição financeira e R$ 3,96 milhões em aplicações de renda fixa.

Ainda aparecem na lista Ivanildo de Almeida Silva (DC-ES), candidato a deputado estadual, com R$ 230,63 milhões; Prisco Rodrigues Bezerra (União-CE), irmão do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e sócio de empresas dos ramos imobiliário e educacional, primeiro suplente de Capitão Wagner ao Senado, com R$ 201,35 milhões; Carlos Cardoso de Oliveira Filho (PRD-GO), empresário do agronegócio e primeiro suplente de Gustavo Mendanha ao Senado, com R$ 157,75 milhões em fazendas e imóveis.

ÚNICA MULHER –  Ruy Adriano Borges Muniz (PV-MG), médico, professor e dono de uma rede de 16 escolas no Norte de Minas através da Associação Educativa do Brasil (Soebras), é candidato a deputado federal e declarou R$ 154,8 milhões; Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque (PL-AM), empresária e reitora, é candidata ao governo do Amazonas com declaração de bens na casa dos R$ 118,47 milhões, sendo ela a única mulher entre os 15 mais ricos.

Fecha a lista José Lavelli de Lima, candidato a deputado estadual por São Paulo pelo PSD, com R$ 103,93 milhões. Aos 85 anos, é administrador e sócio de empresas dos ramos imobiliário e industrial em Bragança Paulista, cidade do interior paulista que já governou como prefeito. Também foi candidato a prefeito da cidade em 2024, quando declarou um patrimônio de R$ 71,5 milhões.

ERROS RECORRENTES –  A distância entre os 40 maiores valores brutos informados ao TSE e os 15 que resistem à checagem ilustra um problema recorrente nas declarações de bens: erros de preenchimento que multiplicam patrimônios reais por mil, ou que atribuem a itens comuns valores de mercado destoantes.

Entre os casos identificados fora da lista dos 15, um candidato ao Executivo no Centro-Oeste declarou um Volkswagen Polo por R$ 80 milhões e um caminhão de 1987 por R$ 110 milhões; outro, no Norte do país, listou duas chácaras juntas por mais de R$ 1,5 bilhão.

Outro caso que resume bem o fenômeno é o deputado estadual André Silva (MDB-AL), que apareceria entre as maiores fortunas do país com R$ 548,6 milhões declarados originalmente. Procurada pela imprensa, a assessoria do parlamentar confirmou que o valor correto é R$ 548,6 mil.

AUTODECLARAÇÃO – Os valores citados nesta reportagem são autodeclarados pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e refletem a base de dados aberta do órgão na data de fechamento desta matéria. Os números ainda podem ser retificados até o fim do prazo eleitoral.

Das 40 maiores declarações de patrimônio identificadas nacionalmente, pelo menos 25 apresentam inconsistências que sugerem erro de preenchimento — como a troca de “mil” por “milhão” ou a atribuição de valores de mercado incompatíveis a bens como veículos usados — e por isso não constam neste levantamento.

Desde 2003, a política de Lula agrava a desigualdade salarial no serviço público

O Estado como indutor da desigualdade - Blog do Ari Cunha

Charge do Bira (Arquivo Google)

Carlos Newton

O próximo governo tem dois graves desafios. Um deles é a irresponsável elevação da dívida pública, que o governo de Jair Bolsonaro conseguiu reduzir, mas Lula jogou para o espaço novamente; e o outro problema é o agravamento da desigualdade social, que aumentou a favelização nas cidades, agravando a situação da segurança pública, dos transportes, do abastecimento de água e do saneamento básico.

A desigualdade social deriva da disparidade salarial  pois a política oficial do governo é de conceder reajustes sempre lineares, aplicando-se o mesmo percentual para todos os salários, sejam de pequena monta ou de muito maior valor.

QUEM SE INTERESSA? – O problema da desigualdade social é desafiador para o próximo presidente da República, porém nenhum candidato preparou um projeto capaz de diminuir a gravidade da questão, que atinge a imensa maioria dos brasileiros, especialmente por seus efeitos no tocante à segurança pública.

O resultado é que o país chegou a uma situação em que ninguém se sente seguro, não importa a classe social. Os pobres estão literalmente abandonados nas favelas, onde não existe presença da polícia, porque são áreas dominadas por traficantes ou milicianos. A classe média tornou-se refém e vive através das grades que cercam os condomínios. Até os ricos estão inseguros e podem ser assaltados pelos próprios seguranças, porque a desigualdade social traz esses estranhos inconvenientes.

PONTO-CHAVE – A violência e a criminalidade somente podem ser reduzidas no Brasil quando diminuir a desigualdade social. Este é o ponto-chave da questão. Aqui debaixo do Equador, o governo sempre representa a elite, jamais o país como um todo. Por isso, não existe iniciativa concreta visando a reduzir a disparidade de renda, que é a principal causadora da desigualdade social.

Para enfrentar o problema, não basta estabelecer que o salário mínimo tenha aumento real acima da inflação. Atualmente, ele tem reajuste do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) somado ao crescimento do PIB nos dois anos anteriores, com teto de 2,5%. É preciso aumentar esse limite para 5%, pelo menos.

Além disso, é fundamental reduzir a disparidade entre o menor salário (mínimo – R$ 1.621,00) e a maior remuneração (ministro do Supremo – R$ 46.366,19). Não é justo dar o mesmo percentual de reajuste a todas as categorias salariais que recebem mais de um mínimo. É uma perversidade.

ETERNOS PRIVILÉGIOS – O sistema atual é realmente uma desumanidade. Quando o governo concedido um aumento de 10% para os servidores federais, isso significa que os menos qualificados, que recebem dois mínimos mensais (R$ 3.242,00), têm aumento de R$ 324,20, passam a ganhar R$ 3.566,20.

Já o servidor que recebe o teto de R$ 46.366,19, com esse mesmo reajuste de 10% (R$ 4.636,61), passa a ganhar R$ 51.002,80. Ou seja, no Brasil, que é a décima maior economia do mundo, a política trabalhista dos governos do PT, desde 2003, no primeiro governo Lula, é no sentido de agravar a desigualdade social a cada ano no serviço público federal, que serve de paradigma para o país, como um todo.

O fato concreto é que a política salarial do PT, que se proclama Partido dos Trabalhadores, somente beneficia com reajuste acima da inflação quem recebe salário mínimo. Para o servidor que ganha a partir de dois mínimos por mês, o PT trabalha para aumentar cada vez mais a disparidade em relação a quem ganha o máximo. Você sabia?

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P.S.
É pena que nenhum candidato se preocupe com a desigualdade social, neste viés da disparidade salarial. A imprensa, hipnotizada pelo PT, também não se interessa. E assim reina a enganação nessa Terra do Nunca Jamais, onde o papel de Peter Pan, o menino que não queria crescer, é desempenhado ao contrário por Lula da Silva, que não aceita envelhecer e parar de esculhambar este país. E que Deus tenha piedade dos brasileiros que não querem votar no menos ruim, chamado Ronaldo Caiado. (C.N.).

A extrema direita leva a política externa para o centro da sucessão presidencial

Interferência externa divide a opinião pública

Maria Hermínia Tavares
Folha

Uma enorme bandeira dos EUA, estendida na horizontal, cobria parte do minguado público presente no comício de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, na praia de Copacabana. Impossível adivinhar os motivos de quem teve a iniciativa.

Nas atuais circunstâncias, não deixa de parecer um gesto de júbilo pelas manifestações explícitas de apoio do governo Trump ao candidato da extrema direita —e, talvez, do desejo de que elas prossigam sob outras formas, mais diretas e continuadas.

INTERFERÊNCIA – A interferência da Casa Branca nas eleições presidenciais brasileiras é uma possibilidade real. O uso político das tarifas, a tentativa de enviar funcionários para verificar a integridade do sistema eletrônico de votação e a crescente crispação nas relações diplomáticas parecem anunciar a intenção de influir no resultado das urnas e de criar um clima favorável à sua contestação, caso o PT leve a melhor.

O que se viu até agora não tem paralelo na história recente das relações EUA-Brasil, baseadas no pragmatismo e na negociação das diferenças. Guarda semelhança com a atuação americana nas nossas eleições parlamentares de 1962, em plena Guerra Fria. Foi quando jorraram dólares para que organizações de direita financiassem candidatos ao Congresso.

A interferência externa é uma possibilidade também considerada pela opinião pública —e a divide. Segundo pesquisa do Datafolha publicada no domingo (23), metade dos eleitores acredita que há chance de países estrangeiros se intrometerem na disputa brasileira. E quase 1/5 (18%) não vê problema nisso.

OPÇÃO POLÍTICA – A aceitação da ingerência externa varia muito conforme a opção política do entrevistado. Entre os que dizem preferir o filho de Jair Bolsonaro, essa porcentagem é 3,5 vezes a dos tendentes a votar em Lula.

Da mesma forma, a porcentagem de bolsonaristas declarados que não se incomodam com que outros países tentem influir no pleito é o triplo da dos petistas e pouco menos do que a dos declarados independentes. Por outro ângulo, os dados confirmam que a radicalização de posições, impulsionada pela ascensão da extrema direita, colocou a política internacional na agenda eleitoral.

POPULISMO – Até a segunda década deste século, questões de política externa não faziam parte do rol de temas que diferenciavam os candidatos majoritários e vertebravam a competição por votos. Foi o populismo de direita que as transformou em divisores de opinião e em indicadores de identidade política —mesmo quando não eram questões centrais na política exterior brasileira. Assim, o relacionamento com a Venezuela ou com Cuba ganhou, nas críticas aos governos petistas, dimensão —e espaço— que nunca teve na agenda do Itamaraty.

A retórica perante os Estados Unidos variou conforme o ocupante da Casa Branca. Foi de alegre subserviência com Trump-1, desapareceu do discurso durante o governo Biden e agora volta a ocupar lugar central na agenda bolsonarista. Mais uma vez, não se trata de desenhar uma política bilateral que contemple o respeito e os ganhos mútuos. O que se busca, como sempre, é o interesse da família Bolsonaro acima de tudo e a qualquer preço.

Master e ‘rachadinha’: TSE suspende propaganda de Lula atacando “currículo” de Flávio

Charge do Amarildo (Arquivo do Google)

Deu no O Globo

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu neste domingo suspender a veiculação de uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que apresenta o que chama de “currículo” de Flávio Bolsonaro.

O pedido foi feito pelo candidato do PL. Flávio sustenta que teriam sido divulgadas “informações sabidamente inverídicas e gravemente descontextualizadas a seu respeito”. A decisão da ministra será submetida ao plenário do TSE.

“CURRÍCULO” – Intitulada “Conheça o currículo de Flávio Bolsonaro”, a peça apresenta uma série de acusações contra o senador na forma de um suposto currículo. Afirma que ele foi “funcionário fantasma”, “denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da rachadinha”, homenageou “o líder do maior grupo de matadores de aluguel do Rio de Janeiro” e foi “flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões no escândalo do Banco Master”.

Na decisão , a ministra afirma que o conteúdo divulgado extrapola os limites da crítica política admissível. “As publicações não se restringem à manifestação de opinião ou ao debate público acerca de posições políticas, mas constroem narrativa que imputa ao candidato envolvimento com organizações criminosas, mediante técnica de associação indireta e encadeamento de fatos, sem indicação de qualquer dado concreto, investigação formal ou imputação jurídica que ampare as alegações”, diz o texto.

DESINFORMAÇÃO ELEITORAL – Segundo ela, a jurisprudência do TSE é “firme” no sentido de que a liberdade de expressão no debate político não autoriza a divulgação de imputações graves desacompanhadas de lastro fático mínimo. Estela Aranha diz ainda que a desinformação eleitoral não se limita à “mentira integralmente fabricada” e que “a distorção também pode decorrer da maneira pela qual uma informação é apresentada”.

Com a decisão, a campanha petista fica proibida de efetuar nova divulgação da propaganda. Flávio pediu ainda direito de resposta. Sobre isso, a ministra disse que a campanha do PL deve ao menos enviar o texto da resposta que pretende veicular em 24 horas. Com a juntada do texto da resposta, caberá a Lula apresentar defesa. Depois, a Procuradoria-Geral Eleitoral emitirá um parecer para, em seguida, a ministra tomar uma decisão.