Ex-assessora de Flávio Bolsonaro vira ré por suspeita de lavar dinheiro de Adriano da Nóbrega

Governo teme “efeito dominó” de delação de Vorcaro

De olho no desgaste, Kassab confia em rejeição e telhados de vidro de Lula e Flávio

Kassab quer capturar eleitor cansado da polarização

Dora Kramer
Folha

A data precisa do anúncio de quem será o escolhido para tentar atrair o eleitorado hoje dividido entre Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), Gilberto Kassab (PSD) não diz. Fica naquilo que já se sabe: “Será até o fim do mês”, repete, também na guarda do quase segredo de polichinelo de que a indicação recairá sobre o paranaense Ratinho Jr., cujo nome pode passar por um reposicionamento de marca.

Do triunvirato composto pelo gaúcho Eduardo Leite e o goiano Ronaldo Caiado, é quem aparece nas pesquisas em situação menos pior em relação aos dois favoritos; é visto como o preferido da elite econômica e aquele com maior capacidade de construir alianças nos estados.

CARISMA – Fica faltando o critério do magnetismo pessoal —também chamado de carisma— que, convenhamos, não é exatamente uma característica de destaque no perfil do governador do Paraná nem de sobra nos outros. Portanto, caso dê zebra, não terá sido esse o fator de desempate.

A aposta de Kassab é no conteúdo do discurso sustentado em temas que permeiam o ambiente social e traduzem demandas não atendidas pelo governo Lula nem pelo antecessor, do qual o primogênito de Jair Bolsonaro é representante. Nas propostas, os três Poderes estarão na mira.

PLANOS DE DIÁLOGO – Uma rasante nos planos de diálogo com o eleitorado mostra o seguinte: no Judiciário, a defesa da idade mínima de 60 anos para a nomeação de ministros, com manutenção da aposentadoria aos 75. Na prática, mandato máximo de 15 anos. No Legislativo, articulação política que dê jeito no uso abusivo de emendas; no Executivo, a volta do teto de gastos, e, na administração pública em geral, uma radical reforma do Estado.

Criminalidade, corrupção e capacidade de gestão também estão no cardápio, cujo diferencial seria justamente o abandono do embate ideológico para dar prioridade aos problemas objetivos da vida das pessoas. Gilberto Kassab acha que por aí tem jogo para o time do meio se aproveitar da rejeição e dos telhados de vidro —mercadoria farta nas prateleiras dos oponentes.

CPI do INSS : quando a política tenta enterrar o que a investigação começa a revelar

Sem Tarcísio, agronegócio não quer embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro

Setor mantém cautela com candidatura do senador

Luísa Marzullo
O Globo

Um dos pilares do governo de Jair Bolsonaro, o agronegócio resiste a aderir à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e repetir o alinhamento com o bolsonarismo observado a partir de 2018. Nos bastidores da bancada ruralista e entre lideranças do setor produtivo, o ambiente é de cautela: parte do grupo prefere aguardar maior clareza sobre o desenho da disputa na direita antes de assumir compromisso com o filho do ex-presidente.

A hesitação contrasta com o engajamento na campanha de 2022, quando o apoio a Bolsonaro foi majoritário no setor. Parlamentares e interlocutores do agronegócio dizem que o cenário atual é mais fragmentado e que produtores passaram a avaliar diferentes alternativas antes de fechar posição.

FORA DA CORRIDA – Parte dessa cautela está ligada à decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de permanecer no cargo e se manter fora da corrida presidencial. Entre produtores e parlamentares do agro, ele era visto como o nome com maior capacidade de unificar a direita e dialogar simultaneamente com o mercado financeiro e com o eleitorado conservador.

Um parlamentar com trânsito no setor defende que Flávio “não seria o nome adequado para um país moderno”. A avaliação é que Tarcísio seria o nome ideal para se opor ao PT no pleito deste ano, e não o senador. Mas o integrante da bancada do agronegócio pondera que, ainda pior do que estar com Flávio, é o governo petista, que não “respeita propriedades rurais, não prioriza a segurança e não transmite confiança para baixar juros”.

Esse cenário tem alimentado a discussão sobre a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) integrar a chapa presidencial de Flávio. Ex-ministra da Agricultura e uma das principais referências do agronegócio no Congresso, Tereza passou a ser vista por interlocutores do PL como um nome capaz de ajudar a reduzir a resistência do setor à pré-candidatura do senador. A avaliação dentro do partido é que sua presença na chapa funcionaria como um selo de credibilidade junto ao agro. Junto ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a senadora é um dos nomes mais defendidos internamente.

CAUTELA – Entre lideranças do próprio setor, porém, a ideia é recebida com cautela. Interlocutores do agronegócio avaliam que Tereza tem hoje mais chances de exercer influência caso dispute a presidência do Senado a partir de 2027. A leitura predominante é que envolvê-la diretamente em uma campanha presidencial poderia expor a senadora ao desgaste de uma eventual derrota eleitoral, enquanto o comando do Senado ampliaria o peso político do segmento no centro das decisões do Congresso. A própria Tereza tem evitado alimentar as especulações:

“Eu acho que o Flávio, por enquanto, sozinho, já mostrou que tem musculatura. Vice é uma das últimas escolhas que se faz numa campanha eleitoral e depende de muitos fatores, como os partidos que vão coligar. Tenho certeza de que ele vai escolher o melhor nome para que tenha sucesso”, afirmou a senadora.

OPÇÃO NA DIREITASem Tarcísio no horizonte eleitoral, nomes como o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), passaram a aparecer com mais frequência nas conversas. Médico e pecuarista, Caiado construiu parte de sua trajetória política no movimento ruralista e mantém relação histórica com entidades do agronegócio.

No comando de Goiás, estado em que a produção agropecuária tem peso central na economia, o governador também buscou reforçar gestos ao setor ao propor mudanças na contribuição de produtores para o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), conhecido entre ruralistas como “taxa do agro”.

Na semana passada, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou um projeto do Executivo que extingue a contribuição dos produtores ao fundo. A proposta também transfere para a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) a responsabilidade por obras e contratos vinculados ao Fundeinfra e foi acompanhada de outra iniciativa que cancela multas aplicadas a pecuaristas em operações de venda de gado.

LINHAS DE CRÉDITO – Em outro movimento, foram criadas também linhas de crédito e programas de apoio a segmentos da produção rural, como a cadeia do leite. Interlocutores do setor também citam a presença frequente de Caiado em feiras e eventos do agronegócio como um fator que mantém o governador próximo das principais lideranças rurais.

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), por sua vez, também é citado como alternativa por parlamentares ligados ao campo. Em seu segundo mandato, ele tem ampliado programas voltados à infraestrutura rural, como projetos de expansão da rede elétrica para propriedades agrícolas e iniciativas de conectividade no campo, além de políticas de crédito destinadas à produção agropecuária.

Diferentemente de Flávio, que ainda tenta consolidar pontes com o setor, Caiado e Ratinho chegam ao debate com a vantagem de governar estados onde o agronegócio ocupa posição central na economia local, o que fortalece a interlocução direta com produtores e entidades do setor.

CREDENCIAIS – Apesar disso, aliados de Flávio dentro da própria bancada ruralista argumentam que o senador reúne credenciais para herdar parte do capital político do bolsonarismo no campo. O deputado Evair de Melo (PP-ES), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), afirma que a agenda associada ao senador dialoga diretamente com demandas históricas do setor.

“Segurança jurídica, respeito à propriedade privada, rigor na economia e gastos reduzidos fazem sim do Flávio o escolhido. Caiado também é muito querido e respeitado. No momento certo, confio que a direita vai se unificar, seja no primeiro ou no segundo turno”, disse.

DESCONFIANÇA – Nos bastidores da bancada ruralista, porém, a leitura predominante é de cautela. Parlamentares relatam que parte do setor ainda demonstra desconfiança sobre a capacidade de Flávio de funcionar como um nome aglutinador fora do núcleo bolsonarista.

Integrantes da bancada ruralista, contudo, apontam que a definição de apoios dependerá da consolidação das candidaturas nos próximos meses. Há quem veja o governador Ratinho Júnior como um nome competitivo caso confirme candidatura pelo PSD, enquanto outros lembram que particularidades regionais podem dificultar um alinhamento automático de partidos com forte presença na bancada ruralista.

Entorno de Lula defende volta Lulinha ao Brasil antes de depor ao STF

Defesa afirmou a Mendonça que Lulinha está à disposição

Jeniffer Gularte
O Globo

Aliados de Luiz Inácio Lula da Silva têm defendido que o filho do presidente, Fábio Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, retorne ao Brasil antes de ser chamado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para depor.

As suspeitas de envolvimento de Lulinha com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, vêm pressionando o governo e gerando desgaste. O lobista é um dos principais investigados no esquema de descontos indevidos em aposentadorias.

À DISPOSIÇÃO – Na semana passada, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou a André Mendonça que Lulinha está à disposição do ministro para vir ao Brasil depor, caso seja chamado. Integrantes do governo, no entanto, afirmam, em caráter reservado, que Lulinha deveria se antecipar ao pedido do ministro e retornar ao Brasil para evitar que a oposição use como arma política durante a corrida eleitoral o fato de o filho investigado de Lula morar no exterior.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares também defendem que Lulinha deveria vir à público se defender. Em duas conversas por telefone com o filho, Lula orientou que o filho mais velho preste todos os esclarecimentos necessários sobre o caso e esteja à disposição das instituições. O presidente também teria dito que, se o filho for inocente, deve se defender. Pessoas próximas a Lula afirmam que Lula não tem tratado sobre eventual retorno de Lulinha ao Brasil.

VIDA ESTABELECIDA – Embora tenha se colocado à disposição de André Mendonça, a defesa de Lulinha afirma que não há disposição de Fábio Luís retornar ao Brasil sem ser chamado pelo ministro. Lulinha mora em Madri, na Espanha, desde 2024. A defesa afirma que o primogênito de Lula tem vida estabelecida no país, com a esposa e onde seus filhos estudam.

“Fábio é um homem que não se esconde, mas não é um cara do embate. Não tem por que voltar sem motivo. Esse desejo se dá pela sensação de segurança que a defesa deu, estamos exaurindo cada uma das teses contra ele”,  afirma Marco Aurélio de Carvalho.

PREOCUPAÇÃO – O avanço das investigações tem preocupado o Palácio do Planalto. A apuração de suspeitas de ligações do Lulinha com personagens das fraudes no INSS é a principal aposta da oposição para desgastar o presidente.

Aliados de Lula têm usado discurso de “transparência total” quanto às contas de Lulinha e comparado com as mudanças feitas por Bolsonaro na PF: com a troca de diretores e o constrangimento ao então ministro da Justiça Sérgio Moro. A defesa admitiu ao STF  que Lulinha que fez uma viagem a Portugal ao lado “careca do INSS”. A viagem teria sido custeada por Antônio Carlos, segundo relatos já reunidos no inquérito e pela própria defesa de Lulinha.

A defesa de Lulinha afirma que o deslocamento teve caráter pontual e sem relação com o esquema investigado. Segundo a defesa, a viagem a Portugal teria ocorrido em novembro de 2024 com a intenção de que o empresário conhecesse uma fábrica de produtos com base em canabidiol, mas não gerou vínculos comerciais ou negociações.

MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – A defesa de Lulinha também alega que ele ofereceu mostrar suas contas antes mesmo do pedido de quebra de sigilo do INSS e aponta que sua movimentação financeira não tem qualquer relação com a fraude no instituto.

Apesar disso, governistas aliados ao Centrão vêm se movimentando para enterrar a CPI do INSS. A avaliação, hoje, é que o caso deixou de representar apenas um problema para o governo e passou a atingir também lideranças e quadros relevantes do centro e da direita. Governistas e dirigentes do Centrão passaram a atuar contra o prolongamento das apurações feitas pelo colegiado, cujo prazo termina na próxima semana. Sem ambiente político para convencer a cúpula do Legislativo, a CPI recorreu ao STF na tentativa de garantir sobrevida.

Mendonça não pode aceitar delação meia-sola que poupa Moraes e Toffoli

Quem é José Luís de Oliveira Lima, novo advogado de Vorcaro que atuou em delações na Lava Jato

Oliveira Lima espalhou na imprensa a proposta indecente

Carlos Newton

A gente pensava que proposta indecente era apenas um belo filme de Hollywood, dirigido e estrelado por Robert Redford, mas na vida real pode haver proposições ainda mais ignóbeis e imorais. Basta ver a atitude do advogado José Luís de Oliveira Lima, que mal assumiu a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro e já foi logo apresentando propostas indecorosas e desprezíveis.

De início, o ilustre causídico foi mais cauteloso e fez contato com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestar o interesse do investigado em firmar acordo de delação premiada.

VISITA AO SUPREMO – Até aí morreu Neves, como se dizia antigamente, isso já era esperado. E nesta terça-feira, dia 17, o dr. Oliveira Lima foi ao gabinete do relator do processo do banco Master, ministro André Mendonça, também para conversar sobre o acordo de delação premiada que o banqueiro pretende firmar.

Como se sabe, o pacto permite redução na pena do investigado em caso de eventual condenação. Em troca, ele precisa revelar detalhes sobre o esquema fraudulento e apresentar provas que corroborem suas informações acerca dos crimes cometidos.

Tudo isso, repita-se, já era esperado, pois no Supremo até o batom na estátua da Justiça já sabia que Vorcaro não tem outra saída, a não ser colaborar com as autoridades e entregar todos os que estiverem envolvidos, sem exceção.

VAZANDO “NOTÍCIAS” – O que ninguém esperava é que, após encaminhar a delação premiada, o experiente advogado resolvesse acelerar a marcha, avançar o sinal e mandar que fosse “vazada” aos jornalistas a informação de que a delação de Vorcaro vai atingir apenas a classe política, deixando de fora o Planalto e o Supremo.

A proposta mostra-se infantil e ignóbil. É claro que os governadores do Distrito Federal, do Rio de Janeiro, da Bahia e do Amapá (pelo menos esses quatro) terão de ser delatados, junto com uma série de autoridades estaduais e muitos parlamentares.

Também não pode haver leniência em relação ao Banco Central e ao Planalto. E sabe-se, ainda, da ligação íntima de Vorcaro com membros do Executivo, como o próprio Lula, que o recebeu fora de agenda, e o chefe da Casa Civil, Rui Costa, outros ministros e ex-ministros, como Guido Mantega e Ricardo Lewandowski.

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P.S. –
Essa delação meia-sola que o advogado pretende é inaceitável, intolerável e insuportável. Deve ser rechaçada com desprezo pelo relator André Mendonça. A força-tarefa do Supremo precisa cortar na carne, exigindo que os anexos a ser apresentados pela defesa contenham relatos de Vorcaro sobre fatos concretos, com detalhes capazes de contribuir para o trabalho dos investigadores em relação a todos os envolvidos, especialmente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que não merecem a toga que exibem. (C.N.)

Advogado acusa TV Globo de usar Lulinha para evitar a vitória do PT

Marco Aurélio de Carvalho: Quem é o advogado próximo a Lula

Advogado de Lulinha comprou uma briga feia para Lula

Rafael Damas
MSN

O advogado Marco Aurélio Carvalho, que atua na defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou que a TV Globo está retomando os velhos métodos da Lava Jato e usa a imagem do filho para desgastar o presidente Lula, que tentará seu quarto mandato no Palácio do Planalto nas eleições de outubro, onde provavelmente Flávio Bolsonaro (PL) estará entre os candidatos.

Em entrevista à ‘Revista Fórum’, Carvalho comentou a edição da noite anterior do Jornal Nacional, que dedicou boa parte do telejornal para exibir reportagem baseada a partir de “uma coincidência entre repasses de Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’, à empresa de uma amiga de Lulinha e pagamentos feitos por ela para uma agência de viagens”.

ALINHAMENTO – Horas depois, Flávio Bolsonaro, que criticou a emissora muitas vezes a chamando de ‘GloboLixo’, compartilhou em suas redes a reportagem na íntegra, mostrando um alinhamento com a emissora.

O advogado destacou que, como a oposição não tem um projeto para o país, A emissora então armou uma estratégia para bater no governo de outra forma. Para ele, a Globo se associar ao bolsonarismo remete aos tempos ‘tenebrosos’ da Lava Jato, quando a força-tarefa comandada por Sergio Moro (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR) – candidatos de Flávio Bolsonaro ao governo do Estado e ao Senado no Paraná – mantinha uma rede de relacionamentos com jornalistas da mídia liberal para fabricar narrativas contra Lula.

“A Globo está tentando desgastar o governo atingindo a imagem do filho do presidente para novamente, de uma forma absolutamente inadequada, retomar o tema da corrupção”, afirmou Carvalho.

VAZAMENTOS – Segundo ele, o método usa novamente vazamentos seletivos, escoados por agentes de Estado, incluindo dentro da Polícia Federal, para abastecer a narrativa na mídia liberal, que está alinha ao bolsonarismo. O advogado antecipou à Fórum que está entrando com representação na Justiça para pedir investigações sobre esses vazamentos.

“Nós estamos representando à Polícia Federal para pedir apurações rigorosas em relação a esses vazamentos seletivos, que são sempre descontextualizados e sugerem coisas que efetivamente não aconteceram”, disse.

Marco Aurélio Carvalho reafirmou “que Lulinha “não tem relação direta ou indireta com absolutamente nenhum dos fatos que estão sendo investigados no bojo da CPMI do INSS”.

É INOCENTE – “Ele não recebeu um único real sequer do empresário Antônio Camilo ou de quaisquer que sejam as suas empresas”, afirmou relembrando que dados vazados não demonstraram ligação do filho de Lula com o caso de corrupção.

“Todas as linhas de investigação da Polícia Federal, que envolvem direta ou indiretamente o Fábio, foram absolutamente rechaçadas, afastadas pelas próprias circunstâncias e por fatos que são rigorosamente incontestáveis. Então, o que talvez justifique esse tempo dedicado a ele, seja a perseguição implacável da qual ele segue sendo vítima que tem um punho político e eleitoral indiscutível”, disse para a publicação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando os números se encaixam e as provas vão se confirmando, bate o desespero e começa a apelação. O advogado Marco Aurélio de Carvalho é criador do Grupo Prerrogativas, que apoia Lula incondicionalmente. Ele mostra ser irresponsável e inconsequente, não tem a menor noção de política. Se tivesse um mínimo de discernimento, não compraria uma briga aberta contra a maior empresa de comunicação do país, em pleno ano eleitoral. Com isso, vai dar uma ajuda formidável a Flávio Bolsonaro, do PL, e Ratinho Júnior, do PSD, que devem ser os principais adversários de Lula, segundo dizem as más línguas. Comprem pipocas. (C.N.)

Moraes e Toffoli deviam se aposentar, para se livrar da vergonha que vem aí

Moraes recua na censura e PT lança manifesto inconformadoVicente Limongi Netto

Difícil escrever exaltando homens públicos nas quadras atuais. A maioria dos que tinham reputação ilibada, notório saber e dedicação ao interesse público já saiu de cena, pela idade avançada ou pelo desencanto com os rumos melancólicos do Brasil.

Mas os jovens precisam manter as esperanças na pátria. As informações desencontradas e maliciosas nas redes sociais insistem em tratar os cidadãos como ingênuos e robôs.

SEM CREDIBILIDADE – Neste cenário, até o Supremo Tribunal Federal, que funcionava como guardião da soberania, da justiça e dos direitos humanos, também perdeu a credibilidade. Não tem mais o respeito do cidadão.

Ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli deveriam ter um mínimo de vergonha na cara e pedir aposentadoria, até porque, mesmo corrompidos, ainda tem direitos aos polpudos vencimentos.

Perderam a compostura. Navegam na lama do descarado cinismo, embora tentem permanecem com a cara de imaculados e inatacáveis santos.

ANCELOTTI – Não gosto do técnico Carlo Ancelotti, embora esteja torcendo desesperadamente para que ele ajude a trazer a taça. Mas acho que temos profissionais qualificados no Brasil. O jornalista Pedro Rogério (ex-Globo e ex-SBT) discorda e não esconde o entusiasmo pelo italiano. Já comprou foguetes: “É o homem mais importante do Brasil. Acima de Lula, Mota ou Moraes”.

Assim, Carlo vai ficando mais rico e ainda não ganhou nada. A lista de convocados é infame. Ofende a bola e o bom senso.  Dezenas de atletas chamados são jogadores apenas de clubes.  Oremos. Amistoso com a França pode ser um irretocável vexame.  Neymar, mesmo com gesso no pé, é mais útil e temido pelos adversários do que alguns jogadores chamados por Ancelotti.

E o Fluminense, hein? Meu time decepcionou. Com a vantagem de dois gols, conseguiu a melancólica façanha de perder.

Vorcaro faz acordo para fazer uma delação que deve atingir o Supremo 

Daniel Vorcaro deixa prisão em SP com tornozeleira eletrônica

Vorcaro quer poupar o STF, mas não tem como fazê-lo

Ana Pompeu, Luísa Martins e José Marques
Folha

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com as autoridades envolvidas na investigação do caso da fraude do Banco Master. Esta é a primeira etapa formal para dar início às negociações para um acordo de colaboração premiada. O documento foi assinado entre o empresário, a defesa dele, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal.

Também nesta quinta-feira (19), o dono do Banco Master foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, para discutir os termos de seu acordo.

SEM RISCO – A transferência foi feita de helicóptero e com medidas tanto para garantir a segurança de Vorcaro quanto para evitar risco de fuga.

A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que relata o inquérito sobre irregularidades relacionadas à instituição financeira. A rotina na penitenciária federal é a mais rígida do sistema de privação de liberdade. No local, Vorcaro andava algemado e o contato com a defesa era limitado.

Os detentos só têm contato com seus advogados por meio de um parlatório, com divisão de vidro e gravação. A defesa pediu a Mendonça depois da chegada de Vorcaro à unidade para que pudesse falar com o cliente sem ser gravada, o que foi concedido pelo relator.

MAIOR ACESSO – Na Superintendência da PF, o acesso e as condições impostas a ele são mais flexíveis. O documento assinado serve para garantir, inclusive, que caso o acordo não seja concretizado, nada do que ele disser durante as negociações poderá ser usado contra ele.

A partir de agora, ele começa a ter reuniões com os próprios advogados para debater os fatos investigados. As primeiras reuniões são feitas internamente, entre colaborador e defesa. Quando eles entenderem que estão preparados, passam a discutir com as autoridades o material reunido.

Neste momento, tem início um processo de checagem sobre o que os investigadores entendem fazer ou não sentido, ser insuficiente, se tem ou não prova para corroborar a narrativa feita por Vorcaro. Esta etapa serve para fechar uma base de fatos e depois disso é que se avança para os depoimentos em si.

PEDIDO DA DEFESA – A decisão de Mendonça foi tomada a pedido da defesa de Vorcaro. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também ficou preso na Superintendência até janeiro deste ano, quando foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, área conhecida como Papudinha.

Em nota, a Polícia Federal informou que “em cumprimento à decisão judicial proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, no âmbito da PET 15.711, realizou, nesta quinta-feira (19/3), a transferência do custodiado Daniel Bueno Vorcaro do Sistema Penitenciário Federal para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal”.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior, no Aeroporto de Guarulhos. A PF desconfia que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O advogado de Vorcaro é muito esperto e começou a espalhar que a delação não atingirá os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Se isso realmente acontecer, será tempo perdido, a delação terá o valor de uma nota de três dólares e a Justiça brasileira estará completamento desmoralizada. (C.N.)

Caso Master e avanço sobre Lulinha levam PT e Centrão a barrar CPI do INSS

Caso Master: movimentações suspeitas envolvem consultoria e filho de Nunes Marques

Em meio à crise, ministros do STF se unem em defesa de Moraes

Delação meia-sola, que deixa de lado Supremo e governo, é imunda e ignóbil

Defesa de Vorcaro começa a negociar a delação premiada

Caio Junqueira
CNN

O advogado de Daniel Vorcaro, José Luís de Oliveira Lima, o Juca, ofereceu ao ministro relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, um formato conjunto de delação premiada de Daniel Vorcaro envolvendo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

O ministro sinalizou positivamente a ideia, cujo objetivo é promover algo que não seja passível de questionamentos no futuro. O modelo é inédito em grandes delações feitas no Brasil, inclusive durante a Operação Lava Jato.

RIVALIDADE – Os dois órgãos historicamente se rivalizam sobre a quem cabe o protagonismo da investigação e há inclusive uma discussão jurídica ainda em curso no Supremo Tribunal Federal sobre isso.

No caso Master, o desafio seria ainda maior, dado o caráter suprapartidário e amplo das relações de Vorcaro, o que demandaria um alinhamento fino entre a defesa, os dois órgãos e o ministro André Mendonça — que ainda não há. As conexões de cada um deles é, nesta largada, um empecilho.

DELAÇÃO – O plano inicial de Vorcaro é delatar políticos e poupar Alexandre de Moraes e Toffoli justamente porque se acredita que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não aceitaria uma delação contra o STF. Além disso, a relação entre Mendonça e Gonet é distante, ainda mais depois da última fase da operação, na qual Mendonça considerou “lamentável” Gonet não ter se manifestado sobre a recondução à prisão de Vorcaro.

Ambos também veem com apreensão as conexões, consideradas muito próximas do Palácio do Planalto, do diretor-geral da Polícia Federal. Apesar de tudo isso, a avaliação de quem conversou com o advogado de Vorcaro e Mendonça após o encontro de ambos é a de que seja apresentada uma delação premiada “séria”, entendida como algo que atingirá quem de fato cometeu irregularidades com Vorcaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEra só o que faltava. Depois de usufruir do convívio e da complacência de ministros do Supremo, agora Vorcaro quer fazer uma delação meia-sola, somente pegando políticos (parlamentares e alguns governadores) e deixando de fora o Supremo e o Planalto. Sinceramente, a delação meia-sola de Vorcaro é ignóbil, imunda e asquerosa. Seria a completa desmoralização do Judiciário, um poder que se corrompe, deprava e perverte cada vez mais. (C.N.)

Kassab, dono do PSD, antecipa movimento e deve lançar Ratinho Júnior à Presidência

Kassab indica que anunciará Ratinho Jr. como pré-candidato

Raphael Di Cunto
Folha

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, sinalizou a aliados que deve anunciar na próxima semana o nome do governador Ratinho Jr. como o pré-candidato à Presidência do partido. A informação foi confirmada por três integrantes da cúpula da legenda que o apontam como favorito para vencer a disputa interna. Ainda assim, eles evitam cravar a escolha pelo receio de que conversas finais mudem o desfecho.

A ideia da direção do partido e dos governadores é acelerar a divulgação do nome para que o escolhido possa estruturar sua campanha e se apresentar ao país, uma vez que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou seu nome de forma mais rápida do que era esperado na sigla.

PESQUISAS – Integrantes da direção do PSD imaginavam que a transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o filho mais velho demoraria mais, e por isso tinham marcado a escolha do candidato a presidente para abril, depois da janela partidária para quem for candidato definir seu partido –que acaba dia 4. No entanto, o senador cresceu rapidamente nas pesquisas, se aproximou do presidente Lula (PT) no primeiro turno e já se encontra empatado com o petista no segundo turno.

Dirigentes do partido dizem que Ratinho virou o favorito dentro do PSD para assumir a candidatura por algumas razões: por estar filiado há mais tempo, aparecer melhor nas pesquisas e conseguir uma boa aceitação entre os eleitores de menor renda por causa do pai, o apresentador de TV e empresário Ratinho. Seria um nome também com baixa rejeição, além de ser debatido há meses entre os filiados.

Em entrevista para jornais de Santa Catarina, o presidente estadual do partido e integrante do conselho político do PSD, Jorge Bornhausen, afirmou que se reuniu com Kassab e ouviu que a decisão já está tomada. “Ficou ajustado que no dia 25 de março será anunciado o nome do Ratinho Júnior. Eu faço parte da comissão de escolha. Evidentemente, respeitando os outros dois grandes governadores, eu optei pelo Ratinho Júnior, que é de centro-direita como eu. Esse é o caminho que o eleitorado deseja”, declarou Bornhausen.

DISPUTA – Ratinho disputa com outros dois governadores, Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás), a pré-candidatura à Presidência. Aliados afirmam que eles procuraram Kassab para questioná-lo sobre a escolha e ouviram que o martelo ainda não está batido e que a decisão ocorrerá até o fim do mês.

Kassab tem conversado com os três para garantir que renunciem ao governo local até 4 de abril e se candidatem nas eleições de outubro. A estratégia é que aqueles preteridos para a Presidência disputem o Senado ou como vice, numa chapa pura do PSD.

De acordo com dirigentes e parlamentares da sigla, a preferência sempre foi por Ratinho, mas dependia de uma decisão dele próprio de concorrer. Flávio ainda tenta demovê-lo, ao ameaçar com um rompimento do acordo no Paraná, onde o PL apoiaria o sucessor escolhido pelo governador em troca da vaga para o Senado.

MORO – Com a candidatura presidencial de Ratinho, o PL afirma que terá o senador Sergio Moro (União Brasil) como candidato ao Governo do Paraná. Isso pode ocorrer pelo próprio PL ou pelo União Brasil, caso Moro consiga convencer a federação do partido com o PP a lançá-lo candidato. A campanha de Flávio terá uma reunião com os dois partidos nesta semana.

Apesar de figurar melhor do que os concorrentes internos nas pesquisas, Ratinho está bem atrás de Lula e de Flávio no primeiro turno. O PL tenta convencê-lo a se aliar a Flávio, com a possibilidade de ser vice, mas no PSD o discurso é de que há espaço para crescimento até outubro e que uma aliança com a direita ou a esquerda racharia o partido nos estados.

A pesquisa Datafolha mais recente mostra Ratinho com 7% das intenções de voto no primeiro turno, no cenário estimulado (quando são apresentados os candidatos). Lula teria 38% e Flávio, 32%. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), teria 4%, seguido por Renan Santos (Missão), com 3%, e Aldo Rebelo (DC), com 2%. Outros 11% dizem que votariam em branco ou nulo e 3% afirmam estarem indecisos.

O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.

A criatividade do poeta Jorge Ventura, ao brincar com palavras emolduradas

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Ventura, com a poeta e atriz Elma Alegria

Paulo Peres 
Poemas & Canções)

O publicitário, ator, jornalista e poeta carioca Jorge Ventura, no poema “Emoldurados”, brinca com as palavras e se inspira em telas da natureza morta para compor um cenário de alta criatividade. .

EMOLDURADOS
Jorge Ventura

a laranja cortada à faca
sobre a mesa (gomos e gumes)
não exala mais o cheiro das manhãs

móveis da sala cozinha e quarto
abrigam tardes e noites imóveis
como cestas de nozes e avelãs

restam flores palavras secas
migalhas rostos tristes
expectativas inanimadas

afora o sol pela porta pintada a óleo
o  silêncio dos olhos e a certeza
de que a natureza agora é morta

Pagamentos cruzados expõem o senador Ciro Nogueira em relatório bancário do Coaf

Ciro diz que renunciará, se provarem algo contra ele

Caetano Tonet,
Vinícius Cassela,
Sara Curcino,
Vladimir Netto
G1

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) teve faturas de cartões de crédito pagos por dois deputados federais do Partido Progressistas (PP), partido que preside. As informações constam em um comunicado feito ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e revelam faturas de 2024 de cerca de R$ 17 mil pagas por Átila Lira (PP-PI) e Júlio Arcoverde (PP-PI), aliados de Nogueira na política piauiense.

O documento compõe o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) feito pelo COAF a respeito da BK Instituição de Pagamento, fintech conhecida como BK Bank e apontada pelas investigações da Polícia Federal como um dos núcleos financeiros usados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavar dinheiro.

“ABSURDO” – De acordo com a Receita Federal, o crime organizado movimentou R$ 46 bilhões apenas no BK. A comunicação das movimentações aparece relacionada ao BK Bank porque o senador enviou R$ 12.297,92 para contas da fintech. A Caixa Econômica Federal classificou o comportamento da conta de Ciro como “inusitado”. O período analisado foi de janeiro a junho de 2024. Procurado, o senador Ciro Nogueira classificou os questionamentos como “absurdo” e disse que não vai responder sobre o assunto.

No dia 4 de junho de 2024, o deputado Átila Lira quitou um boleto de R$ 3.457,00 referente a um cartão de crédito do BRB que tem o senador como titular. Questionado pelo G1, o deputado negou ter feito o pagamento e disse que o comunicado, feito pela Caixa Econômica Federal, está errado. “Essa informação não é verdadeira. Nunca houve pagamento por minha parte de fatura de cartão de crédito de ninguém. Nem a da minha esposa”, afirmou.

ENCOMENDA – Em 19 de junho, 15 dias depois, o senador teve outra fatura paga, dessa vez de R$ 13.693,54 pelo deputado federal Júlio Arcoverde, presidente do Progressistas no Piauí.

Ao G1, Arcoverde afirmou que o pagamento pode ser relativo a alguma encomenda feita a Ciro Nogueira durante alguma viagem internacional do presidente do PP.

“Tem que saber dele. Se ele consegue resgatar isso daí. Às vezes ele viaja e eu peço algum remédio, alguma coisa, e aí ele passa o cartão para eu fazer o pagamento”, declarou. No dia 17 do mesmo mês, Ciro Nogueira pagou uma fatura de R$ 120.839,96 que tem com o Banco de Brasília (BRB), que está no centro dos escândalos do caso Master.

APONTAMENTOS –  A Caixa informou ainda que a conta do senador Ciro Nogueira apresenta movimentações de recursos incompatíveis com o patrimônio, atividade econômica ou a ocupação profissional. Além disso, apontou a existência de operações que configurem artifício para burla da identificação da origem, do destino, dos responsáveis ou dos destinatários finais.

A Caixa ainda informou que a conta do senador apresenta: movimentação habitual de recursos financeiros para pessoas politicamente expostas, não justificada por eventos econômicos; transferências internacionais nas quais não se justifique a origem dos fundos envolvidos ou que se mostrem incompatíveis com a capacidade financeira ou com o perfil do cliente.

Este último apontamento foi feito pela Caixa porque também em junho, o senador recebeu uma remessa de recursos em dólares, equivalente a R$ 25.821,19. O valor foi transferido por um condomínio residencial em Miami Beach, nos Estados Unidos, onde o banqueiro Daniel Vorcaro era dono de uma cobertura. O imóvel foi avaliado em R$ 180 milhões, de acordo com a declaração de Imposto de Renda do banqueiro. A operação foi classificada pelo condomínio como “doação ou transferência sem contrapartida” e, por isso, não teve a origem do repasse justificada.

EXPOSIÇÃOAo apontar os pagamentos feitos pelos deputados, o relatório informa que tratam-se de pessoas politicamente expostas (PEPs) e destaca que o filho de Arcoverde, Júlio Ferraz Arcoverde Filho é funcionário do gabinete de Ciro Nogueira.

O filho do deputado está lotado desde 2020 no gabinete de Nogeuria, onde atua como auxiliar parlamentar no escritório de apoio do senador, no Piauí, e tem um salário bruto de R$ 12.360,33. Pela legislação brasileira, o pagamento de obrigação por terceiro — como a quitação de boleto de cartão de crédito — é admitido. O Código Civil prevê a possibilidade de cumprimento da obrigação por pessoa diversa do devedor, desde que não haja impedimento legal ou contratual.

Por outro lado, a Lei de Lavagem de Dinheiro tipifica como crime ocultar ou dissimular a origem, a localização ou a propriedade de bens, direitos ou valores. Assim, o uso de terceiros para quitar despesas pode ser enquadrado na norma caso seja utilizado como meio para dificultar a identificação do real responsável pelos recursos.

VANTAGEM PATRIMONIAL –  No caso de agentes públicos, a Lei de Improbidade Administrativa estabelece que constitui ato de improbidade a obtenção de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício do cargo, bem como a violação aos princípios da administração pública. Além disso, o Código Penal, tipifica a corrupção passiva, que pode ocorrer quando o agente público recebe vantagem indevida, ainda que de forma indireta.

O senador também possui relações com o dono do Banco Master. Na quebra de sigilo telemático de Daniel Vorcaro, Ciro Nogueira é descrito pelo dono do Master como “um grande amigo de vida”. Em agosto de 2024, o banqueiro comemorou a atuação do senador no Congresso ao comentar com a companheira uma emenda apresentada por Nogueira que aumentava em quatro vezes o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Dez dias antes, Vorcaro esteve no casamento da filha de Nogueira, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Além disso, um e-mail no telefone de Vorcaro mostra uma viagem de helicóptero reservada por uma empresa do banqueiro, na data de 2 de novembro de 2024, para Ciro Nogueira e Antônio Rueda, que comanda o União Brasil. O destino foi o autódromo de Interlagos onde naquela data foi realizado o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ciro Nogueira é aquele tipo de político que confirma a velha piada árabe. Qualquer um pode bater nele à vontade, sem saber o motivo, mas Ciro Nogueira certamente saberá porque está  apanhando. Um parlamentar que tem um jatinho, mas paga o combustível com verba do Senado, não tem a menor vergonha na cara, diria o grande historiador Capistrano de Abreu. (C.N.)

Sergio Moro deixa União Brasil e se filia ao PL para concorrer ao Governo do Paraná

Crise no STF se agrava e ala da Corte já vê saída de Toffoli como inevitável

Piada do Ano! Vorcaro quer fazer delação meia-sola, sem envolver Moraes e Toffoli

Gilmar Fraga: Vorcaro preso... | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Mônica Bergamo
Folha

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro não pretende envolver ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em um eventual acordo de delação premiada no processo que apura a gestão fraudulenta do Banco Master. Fará isso apenas se for inevitável.

Ele manifestou a intenção a diversas pessoas antes mesmo de decidir partir de vez para um acordo de colaboração com a Justiça.

EXIBIR PROVAS – Em primeiro lugar, Vorcaro dizia ter a consciência de que, para arrastar um magistrado da mais alta Corte do país para o centro do furacão, precisaria ter provas irrefutáveis do cometimento de crimes — sob o risco de sua delação ser sumariamente rejeitada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), por setores da PF (Polícia Federal) e pelo próprio STF.

Depois de ouvir conselhos de interlocutores que conhecem os meandros do poder e do Judiciário, ele manifestava também a certeza de que envolver um magistrado na colaboração poderia despertar o espírito de corpo da maioria da Corte, dificultando a solução de seus problemas criminais.

Ele só deve falar da relação com magistrados em depoimentos, portanto, caso seja pressionado pelas autoridades a discorrer sobre essa convivência.

AMIGO DE MORAES – A interlocutores que recebia com frequência antes de ser preso pela segunda vez, no começo do mês, Vorcaro sempre manifestava apreço, por exemplo, pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

Ele dizia que o magistrado era um amigo. E defendia a contratação, pelo Banco Master, do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, por R$ 129 milhões no período de três anos.

Vorcaro afirmava que ela de fato trabalhou para o banco, mobilizando dezenas de advogados para cuidar dos mais diversos temas —da elaboração de cartilhas de compliance para a instituição a processos previdenciários.

TOFFOLI E MARQUES – Dias Toffoli, que é sócio da Maridt, empresa que vendeu a um fundo ligado ao Master a participação que tinha em um resort no Paraná, era poucas vezes citado por Vorcaro nas conversas.

O ex-banqueiro ficou especialmente contrariado quando soube que o ministro Kassio Nunes Marques votou pela manutenção de sua prisão, na semana passada. Ele acreditava que líderes do Centrão de quem é próximo, e que têm amizade com o magistrado, pudessem convencê-lo a votar por sua liberdade.

O sentimento negativo, no entanto, não seria suficiente para que ele decidisse envolver o STF na delação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Impressionante este artigo enviado pelo jornalista e advogado José Carlos Werneck, sempre atento ao lance. O objetivo é aliviar a barra de Moraes e Toffoli, que não têm mais a menor condição de julgar nada nem ninguém, pois suas simples presenças nas sessões já sujam a imagem do Supremo. O mais curioso do artigo é a menção aos supostos “serviços prestados” pela advogada Viviane de Moraes, especialmente quanto ao “Manual de Compliance” para um banco cuja especialidade era iludir os clientes e fazer “pirâmides” financeiras maiores do que as de Queóps, Quéfren e Miquerinos. Essa Piada do Ano é realmente sensacional. (C.N.)