Vantagem de Lula encolhe e Flávio Bolsonaro encosta no segundo turno, aponta Datafolha

Na Papudinha, Bolsonaro tenta comandar a eleição e diz temer ataque a Flávio

Mendonça manda apurar vazamento, que PF e CPMI negam ter realizado

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: Vazamentos  sigilosos

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Fernanda Fonseca
CNN Brasil

Após decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou a abertura de investigação sobre o vazamento de dados no caso do banqueiro Daniel Vorcaro, a PF (Polícia Federal) e a CPMI do INSS negaram o compartilhamento das informações.

A determinação foi feita na sexta-feira (6), após pedido da defesa de Vorcaro, que alegou divulgação indevida de informações sigilosas relacionadas à investigação do Banco Master.

CULPA DA CPMI? – Os advogados sustentam que os vazamentos teriam ocorrido após o envio de dados à Comissão Parlamentar.

“A partir das alegações apresentadas pela defesa do investigado […], deflui-se que, logo após o acesso aos dados obtidos pela CPMI do INSS, diversas informações de seus aparelhos celulares teriam sido ‘vazadas para a imprensa’, as quais estariam sendo ‘indevidamente dispersadas para veículos midiáticos’”, disse o ministro.

Ao decidir pela abertura do inquérito, Mendonça afirmou que a quebra de sigilo não torna automaticamente públicas as informações obtidas em investigações. Segundo o ministro, autoridades que recebem dados de acesso restrito têm responsabilidade de preservar o caráter sigiloso do material. “A quebra do sigilo de dados relativos à pessoa investigada não autoriza o seu desvelamento”, escreveu o ministro na decisão.

HÁ 15 DIAS – O compartilhamento dos dados sigilosos de Vorcaro com a CPMI do INSS foi autorizado há 15 dias pelo ministro André Mendonça. A determinação de 20 de fevereiro reviu decisão do antigo relator do caso Master no Supremo, ministro Dias Toffoli, que havia impedido o acesso às informações.

Na ocasião, Mendonça também estabeleceu regras para o tratamento dos dados obtidos na investigação. O ministro determinou que as informações extraídas de dispositivos eletrônicos apreendidos fossem compartilhadas apenas entre autoridades diretamente envolvidas no caso e ressaltou a necessidade de preservação do sigilo.

Segundo o ministro, o compartilhamento deve respeitar os princípios da finalidade da investigação, permitindo o acesso apenas a agentes públicos que tenham necessidade concreta das informações.

CPMI NEGA – A CPMI do INSS nega que o eventual vazamento de informações tenha partido da comissão. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que recebeu com “serenidade e respeito institucional” a decisão do ministro do STF que determinou a apuração do caso.

Em publicação nas redes sociais, o parlamentar ressaltou que o Congresso Nacional possui prerrogativas constitucionais próprias para conduzir investigações e defendeu a preservação do equilíbrio entre os Poderes.

“A CPMI do INSS atua dentro da Constituição e do Regimento do Parlamento. O Supremo Tribunal Federal tem um papel fundamental na República, assim como o Congresso também tem o seu. O que precisamos preservar é exatamente isso: o equilíbrio entre os Poderes”, escreveu.

PF TAMBÉM NEGA – A Polícia Federal também rebateu possíveis irregularidades. Em nota divulgada nesta sexta-feira (6), a Polícia Federal afirmou que atua em suas investigações seguindo “rigorosos padrões de segurança no tratamento de informações”.

A corporação também disse que os materiais apreendidos na Operação Compliance Zero estão sob custódia da PF desde novembro de 2025 e que, posteriormente, passaram a estar em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Segundo a instituição, as defesas dos investigados tiveram acesso à integralidade das informações e dados também foram encaminhados à CPMI do INSS por determinação do relator do caso no STF.

A PF acrescentou ainda que não edita ou seleciona conversas extraídas de equipamentos apreendidos, já que a manipulação de dados violaria o direito ao contraditório e à ampla defesa. Por fim, informou que a própria equipe da investigação encaminhou ao relator representação pedindo a abertura de apuração sobre eventual divulgação indevida de informações sigilosas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O vazamento de informações é ilegal, mas pode ser patriótico. Sem o vazamento, como se saberia que o ministro Moraes é um ministro desprezível e enriquecido ilicitamente. Indigno de permanecer na Suprema Corte. (C.N.)

Na poesia de Dante Milano, o passado carrega nossa vida para trás…

Veredas da Língua: DANTE MILANO – POEMASPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta Dante Milano (1899-1991), nascido em Petrópolis (Rio de Janeiro), foi um dos mais destacados elementos representativos da terceira geração do Modernismo. Neste pequeno poema, Milano faz criativas indagações sobre o ir e vir da passagem do tempo. Afinal, para onde o tempo vai?

AO TEMPO
Dante Milano

Tempo, vais para trás ou para diante?
O passado carrega a minha vida
Para trás e eu de mim fiquei distante,
Ou existir é uma contínua ida
E eu me persigo nunca me alcançando?
A hora da despedida é a da partida

A um tempo aproximando e distanciando…
Sem saber de onde vens e aonde irás,
Andando andando andando andando andando

Tempo, vais para diante ou para trás?

Desmascarar Moraes foi o melhor trabalho da imprensa nas últimas décadas

Tribuna da Internet | Moraes cita Moraes 44 vezes e acumula mais um caso em  que é vítima e juiz

Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Vicente Limongi Netto 

Com prazer destaco o bom jornalismo, o equilíbrio e a firmeza do jornal O Globo, deixando seus leitores e assinantes felizes, ao revelar e manter as informações dos diálogos entre Vorcaro e o imaculado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Com vagos e fantasiosos esclarecimentos oficiais, Moraes insiste em dizer que as mensagens de Vorcaro enviadas para ele não chegaram ao seu celular. Sumiram como fumaça. As mensagens de Vorcaro para Xandão certamente chegaram no celular do porteiro do prédio dele ou então no celular do vendedor e pastel da rodoviária.

NOTA CRETINA – Com a arrogância habitual, Moraes emitiu mais uma destrambelhada e cretina nota, sonhando que a opinião pública possa engolir seus rabiscos de toga, em forma de cambaleantes desmentidos, e deixe caírem no vazio os diálogos fraternos entre o criminoso Daniel Vorcaro e o notável ministro da Suprema Corte brasileira.

Moraes era aquele que se julgava acima do bem e do mal. Que prendia sem dó nem piedade e estava se lixando para políticos que não estivessem ligados ao governo Lula.

TUDO NOJENTO – Como se não bastasse, não se pode jogar para debaixo do tapete nem deixar de registrar o contrato milionário do falido banco Master de Daniel Vorcaro com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes.

É tudo tão nojento que humilha a dignidade do Brasil. O episódio deixa Moraes em situação indefensável. Notinhas repletas de chavões jurídicos são inúteis e patéticas. A nação exige a verdade. Espera respeito e correção pessoal dos integrantes do STF.

Reportagens excelentes e fundamentadas desmascaram os roubos e trapaças do Banco Regional de Brasilia (BRB) e do Master, e orgulham a imprensa brasileira. Muitas outras virão. Doa a quem doer.  Advogados ricos de clientes canalhas como Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro já estariam presos se as leis brasileiras fossem mais duras e realmente penalizassem vigaristas engomados de todos os tamanhos e coturnos.  

Delirante, Toffoli diz que não está sob suspeição e pode votar sobre Vorcaror

Charge do Aroeira (Brasil 247)

Mariana Muniz
O Globo

Em meio à expectativa na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) para o julgamento da decisão de André Mendonça que decretou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro Dias Toffoli tem afirmado a interlocutores que não está impedido de participar da análise — mas que ainda irá bater o martelo sobre eventual declaração de suspeição ou impedimento.

Segundo relatos feitos ao Globo, Toffoli tem ressaltado a esses interlocutores que o próprio STF deixou claro o seu desimpedimento para atuar no caso Master na nota divulgada após a reunião que culminou com a saída dele da relatoria. Por isso, tecnicamente, considera estar apto a participar do julgamento.

“DIGNIDADE” – O texto divulgado pelo Supremo no dia 12 de fevereiro diz que “(os ministros) expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República”.

As dúvidas quanto à participação de Toffoli passaram a surgir depois que Mendonça pediu que a decisão dada por ele nesta quarta-feira, autorizando a terceira fase da Operação Compliance Zero, fosse levada ao plenário da Segunda Turma para referendo dos demais ministros que integram o colegiado. A turma, além de Mendonça, é composta por Toffoli, Nunes Marques, Luiz Fux e Gilmar Mendes.

A decisão de Mendonça que determinou a prisão de Vorcaro será julgada pelo plenário virtual da Segunda Turma a partir do próximo dia 13, e vai definir se o ex-dono do Master ficará detido ou não.

IMPEDIMENTO – Como mostrou O Globo, integrantes da Corte veem como “positiva” uma eventual declaração de impedimento de Toffoli no julgamento que pode confirmar a prisão de Vorcaro.

Toffoli deixou a relatoria do inquérito no mês passado, após semanas de desgaste para o Supremo, mas com uma nota institucional em seu apoio. Como resultado, o processo foi redistribuído por sorteio a Mendonça.

A declaração de impedimento ou de suspeição não é automática, e precisa ser feita pelo próprio magistrado que participa do julgamento. Em casos analisados pelo plenário virtual, os ministros assinalam na plataforma o impedimento ou suspeição e não participam da análise.

SUBSTITUIÇÃO – A decisão de Toffoli de deixar a relatoria do caso Master no STF foi tomada após uma reunião convocada pelo presidente Edson Fachin, com os colegas da Corte para o apresentar relatório da Polícia Federal que cita menções Toffoli em mensagens no celular apreendido de Vorcaro.

Toffoli confirmou que era um dos sócios da empresa que vendeu a participação no resort, mas disse que não recebeu qualquer valor do banqueiro e nem tem qualquer relação de amizade com o banqueiro.

Com a medida do plenário, uma ação de suspeição aberta contra Toffoli como relator do inquérito que trata das investigações sobre fraudes no Master foi arquivada por Fachin no último dia 21 de fevereiro. Por isso, tecnicamente o ministro não estaria impedido de participar do julgamento do caso envolvendo o ex-dono do banco.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vejam a que ponto vai a desfaçatez dessa gente. Toffoli saiu desse episódio completamente sujo e enporcalhado. Não existe alvejante capaz de limpá-lo. Mesmo assim, ainda aventa a possibilidade de votar sobre a prisão de Vorcaro. Parece ser um caso patológico de desequilíbrio mental por excesso de enriquecimento ilícito. (C.N.)

O escândalo do Banco Master e as zonas cinzentas do poder em Brasília

Vorcaro se aproximou de centros decisórios do Estado

Pedro do Coutto

O caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro tornou-se um dos episódios mais perturbadores do recente histórico institucional brasileiro. Não apenas pela dimensão financeira das suspeitas — que incluem fraudes bilionárias no sistema bancário —, mas sobretudo pelas conexões que o escândalo parece revelar entre operadores do mercado, autoridades regulatórias e figuras centrais da República.

A investigação conduzida pela Polícia Federal, no âmbito da chamada Operação Compliance Zero, trouxe à tona um material que lança novas perguntas sobre os limites entre poder econômico, influência política e funcionamento das instituições. O episódio evidencia como indivíduos ligados a esquemas financeiros complexos conseguem, em determinados momentos, circular nas esferas mais sensíveis do Estado brasileiro.

FUGA – Vorcaro foi preso inicialmente em novembro de 2025, quando tentava deixar o país pelo Aeroporto de Guarulhos. A investigação aponta que o Banco Master teria participado de um esquema de fraudes envolvendo títulos e operações financeiras que podem ter provocado prejuízos bilionários e abalado a confiança no sistema bancário nacional.

As apurações indicam ainda suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e obtenção ilegal de informações estratégicas dentro do sistema financeiro. O escândalo tornou-se ainda mais grave porque dois ex-dirigentes do Banco Central são investigados por supostamente fornecer orientação privilegiada ao banqueiro enquanto ainda ocupavam cargos na autoridade monetária.

Nesse contexto já explosivo, surgiu um elemento ainda mais delicado: o conteúdo do celular de Vorcaro apreendido pela Polícia Federal. De acordo com informações reveladas pela imprensa, o aparelho continha registros de mensagens que indicariam contatos com autoridades financeiras e políticas. Entre elas, aparecem comunicações atribuídas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, ocorridas justamente no dia da primeira prisão do empresário. Os registros apontam que Vorcaro teria enviado mensagens relatando tentativas de “salvar” o banco e atualizando interlocutores sobre negociações envolvendo a venda da instituição.

BLOCO DE NOTAS – As mensagens teriam sido enviadas por um método incomum: textos escritos no bloco de notas do celular, transformados em imagens e encaminhados pelo WhatsApp com visualização única, mecanismo que faz o conteúdo desaparecer após ser aberto. Essa estratégia, segundo relatos da investigação, dificultaria o rastreamento das conversas completas. O material apreendido sugere que Vorcaro mantinha comunicação ao longo do dia da prisão, mencionando negociações com investidores e questionando se determinadas iniciativas poderiam ser “bloqueadas”.

O ministro Alexandre de Moraes, entretanto, nega categoricamente ter recebido essas mensagens. Em manifestação pública, afirmou que as alegações são falsas e que não houve contato com o banqueiro nos termos divulgados. A divergência entre o que aparece nos registros do celular e a versão do magistrado adiciona uma camada de complexidade ao caso, transformando o episódio não apenas em um escândalo financeiro, mas também em um potencial teste institucional para o sistema judicial brasileiro.

Independentemente do desfecho das investigações, o caso revela algo estrutural: a impressionante capacidade de certos operadores financeiros de se aproximarem de centros decisórios do Estado. A história recente brasileira já mostrou que crises de corrupção raramente se limitam a um único setor. Elas costumam revelar redes de influência que atravessam instituições, conectando interesses privados, decisões regulatórias e, por vezes, o próprio sistema político.

PREJUÍZOS – O colapso do Banco Master — que, segundo estimativas, pode ter gerado prejuízos superiores a dezenas de bilhões de reais e afetado mecanismos de garantia de depósitos — tornou-se um símbolo dessa fragilidade institucional. O episódio não apenas expôs falhas de supervisão no sistema financeiro, mas também levantou questionamentos sobre a proximidade entre banqueiros, reguladores e atores políticos em Brasília.

Em democracias consolidadas, a credibilidade das instituições depende não apenas da legalidade de seus atos, mas também da percepção pública de independência e transparência. Por isso, casos como o do Banco Master ultrapassam o âmbito criminal ou financeiro: eles atingem o coração da confiança institucional. A investigação sobre Vorcaro ainda está longe de terminar, e muitos dos fatos permanecem sob apuração. Mas uma conclusão já se impõe: quando as fronteiras entre poder econômico e poder político se tornam nebulosas, toda a arquitetura institucional da República passa a ser colocada à prova.

Se há uma lição que emerge desse episódio, é a necessidade de vigilância permanente sobre os mecanismos de controle do Estado. Afinal, quando escândalos dessa magnitude surgem, eles raramente revelam apenas a queda de um indivíduo — expõem, sobretudo, as fissuras de todo um sistema.

Conversas intensas entre Vorcaro e Moraes ampliam o desgaste moral do STF

Guerra do Irã e investigação sobre Lulinha ameaçam reeleição de Lula

Reprodução do Arquivo GooglrEliane Cantanhêde
Estadão

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se espalha pelo Oriente Médio, impacta as bolsas ao redor do mundo, chacoalha o preço do petróleo e, por óbvio, é um problemaço para o Brasil e para o presidente de plantão, Luiz Inácio Lula da Silva. A principal preocupação de Lula no ano eleitoral, porém, não é essa. E qual seria?

Mais explosivo que a guerra para a campanha de Lula é o cerco do STF e do Congresso às peraltices do já habitualmente peralta Lulinha, que admitiu a interlocutores, como registrou o Estadão, que foi o Careca do INSS quem pagou passagem e hotel para ele em Lisboa.

BELA MESADA – A isso se soma o depoimento de um dos envolvidos de que Lulinha recebia R$ 300 mil de mesada desse cidadão, pivô da roubalheira de aposentados e pensionistas.

São quatro os riscos para Lula: a beligerância do Congresso, a expectativa zero de que a Polícia Federal passe pano, a expectativa menos 10 de que o ministro André Mendonça “quebre o galho” do governo e, no final das contas, uma onda crescente de revelações contra o seu filho.

Flávio e Jair Bolsonaro têm um passivo pesado, de golpes, rachadinhas, profusão de imóveis, mas Lula tem, além de dívidas do passado, dúvidas no presente. Segundo o presidente, se Lulinha errou, ele que pague pelo erro. Nesse caso, porém, não é só o filho que paga, é o papai candidato também, com suspeitas que remetem aos piores momentos de Lula na política, agora num ambiente internacional perverso.

EFEITO TRUMP – Além de ameaçar a economia, o novo voluntarismo de Trump, sem consultar a ONU e o próprio Congresso americano, é mais um obstáculo na aproximação de Lula ao presidente dos EUA e pode, inclusive, adiar o encontro entre os dois, previsto para este março, em Washington.

Não só porque Trump está ocupado com a guerra, mas porque o Brasil condenou os bombardeios ao Irã, como também se opôs à invasão da Venezuela e vem criticando sucessivas posições trumpistas.

Para a oposição bolsonarista, Lula deveria fazer tudo o que seu mestre Trump mandasse e aplaudir a política de bombas e caneladas contra Venezuela, Irã, Cuba… O Brasil, entretanto, leva a diplomacia a sério, respeita a ONU e as leis internacionais e Lula acertou ao não se omitir em troca da boa vontade de Trump. Acertou, inclusive, ao “sair à francesa” do tal “Conselho da Paz”.

DONO DA ONU – Lula não se desgastou dizendo sim ou não, apenas não compareceu e deixou para lá o conselho que vinha classificando − aliás, devidamente − como uma tentativa de Trump de criar uma ONU paralela para chamar de sua ou de se tornar “dono da ONU”.

Logo depois de sua primeira reunião, o conselho “da Paz de Gaza” virou conselho “da guerra de todo o Oriente Médio”, com o ataque ao Irã, que responde disparando contra países ao redor que abrigam bases americanas.

A grande dúvida é sobre o real poderio bélico iraniano e, portanto, sobre a duração da guerra. Quanto mais durarem a guerra e as investigações de Lulinha, pior para a reeleição.

Até quando o Supremo tentará manter o descaramento de blindar Toffoli?

PF pede ao STF abertura de inquérito contra Toffoli por suposta propina | ASMETRO-SI

Charge do Duke (Arquivo Google)

Vera Magalhães
O Globo

As novas e perturbadoras revelações a respeito da atuação de Vorcaro e seu Master – que agora se configura mais claramente como uma organização criminosa disfarçada de instituição financeira –, tornam mais difícil e bem mais custosa a blindagem a Toffoli e os negócios de sua família nesse caso.

Com a mudança de mãos da relatoria do próprio Toffoli para Mendonça os sigilos que cercavam o caso vão, pouco a pouco, caindo.

BLINDAGEM EXTRA – Mas a camada extra de proteção quando se trata da Maridt ou de familiares de Toffoli e dele próprio ainda continua, como se viu na semana passada, com a rápida revogação de decisões da CPI do Crime Organizado que atingiam esses alvos primeiro por Mendonça e depois, de forma cabal, por Gilmar.

Desde que a PF reuniu num relatório as provas de troca de mensagens entre Toffoli e Vorcaro e o próprio ministro admitiu que era um dos sócios da Maridt, ele foi pressionado e teve de deixar a relatoria, mas a capa de proteção colocada sobre ele permanece.

Com a prisão de Vorcaro e outros investigados, entre eles seu cunhado, Fabiano Zettel, responsável pelo fundo que comprou a participação da Maridt nos resorts no Paraná, serão cada vez mais imprevisíveis os desdobramentos do caso, com possíveis implicações para Toffoli, que, até aqui, vem sendo poupado pelos pares a despeito de essa proteção causar imenso prejuízo de imagem para o STF.

GONET TROPEÇA – Essa complacência se estende ao Paulo Gonet, da Procuradoria, desde o início da novela. No capítulo desta quarta-feira, o MPF sai muito mal na fotografia, diante da alegação de falta de tempo e de urgência para se manifestar sobre fatos gravíssimos levantados pela PF, como as evidências de que Vorcaro estendia suas atividades criminosas a práticas como monitoramento de adversários, entre eles jornalistas, e não se furtava a planejar e urdir com seus subordinados ações violentas contra eles.

As revelações desta terceira fase da Compliance Zero complicam fortemente o Banco Central, que também sai com sua independência para realizar a fiscalização do sistema financeiro colocada em xeque pela facilidade com que Vorcaro obtinha favores e aliciava funcionários de elite.

TOFFOLI BLINDADO – Diante de tamanhas abrangência e gravidade, resta evidente que um braço da história (Toffoli) está sendo mantido a todo custo longe dos olhos da opinião pública.

Até quando o STF vai topar o desgaste institucional para preservar um de seus integrantes (Toffoli) é a grande pergunta que permanece depois da análise dos fatos desta quarta-feira.

Jornal Nacional desmoraliza Moraes e desmente nota em que ele se defendia

Renata Vasconcellos: “A camisa do Jornal Nacional pesa muito” – Os Guedes

Renata Vasconcellos leu a nota que desmascarou Moraes

Carlos Newton

Conforme temos informado aqui na Tribuna da Internet, a imprensa livre conseguiu vencer a amestrada e agora, com apoio irrestrito também das emissoras de televisão, o processo de combate à corrupção no Supremo Tribunal Federal e nos outros poderes deverá avançar em alta velocidade.

Essa operação de limpeza, digamos assim, fatalmente redundará no impeachment de alguns ministros, algo jamais ocorrido na História Republicana, e a eles só resta agora pedir aposentadoria e tentar escapar da prisão, que passou a ser uma possibilidade ainda remota, mas real.

NOTA CONSTRANGEDORA – Desesperado com a reportagem de Marilu Gaspar que foi manchete de O Globo nesta sexta-feira, dia 6, o ministro Alexandre de Moraes mandou seu gabinete distribuir uma nota oficial.

No texto, o ministro tenta alegar que as mensagens de visualização única recebidas por Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025 não teriam sido enviadas por ele ao banqueiro, porque os dados de contato não bateriam com o número do telefone celular do próprio Moraes.

A tal nota do STF foi um prato feito para o Jornal Nacional, que enfim conseguiu se livrou das amarras impostas pelos irmãos Marinho e deu um banho, levando ao ar uma documentada denúncia das relações espúrias entre o temido ministro Alexandre de Moraes e o megaestelionatário Daniel Vorcaro.

DESMORALIZAÇÃO – Lida com firmeza pela apresentadora Renata Vasconcellos, a resposta do Jornal Nacional foi arrasadora e desmoralizou o ministro do Supremo.

Com base em informações técnicas da Polícia Federal, a TV Globo mostrou que não existe qualquer maneira de atribuir a outra pessoa o envio das respostas que Moraes remeteu a Vorcaro, que estava desorientado com a possibilidade de ser preso, o que aconteceria minutos antes da última troca de mensagens entre os dois.

Bem, com a cobertura desta sexta-feira, o Jornal Nacional prega o último prego no caixão de Alexandre de Moraes, um ministro indigno e fanfarrão, que jamais poderia chegar ao Supremo, mas foi o escolhido pelo então presidente Michel Temer, que era conhecido em Brasília como chefe do quadrilhão do PMDB e chegou a ser preso pela Lava Jato, porque “você tem de manter isso, viu?”.

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P.S 1
 – Aqui na filial Brasil a coisa funciona assim. Primeiro, a imprensa livre faz a denúncia e a imprensa amestrada tenta desmentir. Quando a situação se agrava e não tem mais jeito, então a imprensa amestrada adere à imprensa livre para liquidar literalmente a fatura e sair bem na foto. No caso, a denúncia original partiu do portal de O Globo e o Jornal Nacional levou um século até entrar no assunto, quando tudo já tinha sido revelado. Ou seja, antes tarde do que nunca.

P.S. 2 –  Se ainda tivesse um mínimo de juízo, Moraes deveria imitar o filho de Lula e fugir para a Espanha. Como se sabe, Moraes não pode ir para os Estados Unidos, porque lá na matriz o filme dele queimou bem antes, quando resolveu dar ordens à Justiça americana e em Brasília ninguém tomou a iniciativa de interná-lo. (C.N.)

Trump está diante do espelho persa e ameaça os limites do poder americano

Na escalada com Teerã, Trump subestimou variáveis importantes

Marcelo Copelli
Revista Fórum

Certos conflitos decorrem de equívocos táticos; outros expõem deslocamentos estruturais no sistema internacional. A atual escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã pertence a esta segunda categoria. O que se apresentou como demonstração de força destinada a restaurar a dissuasão tornou-se um teste da capacidade americana de converter supremacia militar em controle político num cenário global que já não reage de forma automática à sua liderança.

Desde a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear firmado em 2015 — o Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA) — decisão tomada pela administração Trump em 2018, a política de “máxima pressão” impôs ao Irã o regime de sanções mais severo da história recente. Segundo dados do Departamento do Tesouro dos EUA, milhares de indivíduos e entidades iranianas foram alvo de restrições financeiras. Ainda assim, o resultado não foi colapso institucional.

ADAPTAÇÃO ESTRATÉGICA – Pelo contrário. Relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica indicaram expansão gradual das capacidades nucleares iranianas após o abandono do acordo. A pressão produziu adaptação estratégica, não capitulação.

Trump partiu de uma premissa clássica: ação rápida, demonstração tecnológica, choque psicológico e reposicionamento do adversário. A fórmula funcionou em contextos assimétricos anteriores. Mas o Irã não é um ator isolado nem opera sob lógica de rendição imediata.

Teerã respondeu dentro de sua doutrina de guerra híbrida e dissuasão escalonada. A estratégia iraniana combina projeção indireta por meio de aliados regionais, capacidade de saturação por drones e mísseis e manipulação do risco energético. Aproximadamente 20% do petróleo comercializado globalmente transita pelo Estreito de Ormuz. Qualquer instabilidade ali impacta imediatamente mercados globais, como demonstram oscilações recentes nos preços do Brent após episódios de tensão naval.

SOBREVIVÊNCIA – Em conflitos assimétricos, vencer não significa destruir o oponente. Significa sobreviver, impor custos e alongar o tempo estratégico. O Irã compreende isso com clareza. Trump subestimou três variáveis centrais. A primeira é a resiliência estrutural iraniana. Quatro décadas de sanções não desmantelaram o regime. Ao contrário, consolidaram mecanismos paralelos de comércio, aprofundaram relações energéticas com a China e ampliaram canais financeiros alternativos fora do sistema dominado pelo dólar.

A segunda variável é sistêmica. O mundo de 2026 é substancialmente distinto do ambiente unipolar pós-2003. Rússia e China não precisam intervir militarmente para alterar equilíbrios. A coordenação diplomática no Conselho de Segurança da ONU, acordos energéticos bilaterais e iniciativas como sistemas de pagamento alternativos ao SWIFT reduzem a eficácia coercitiva tradicional americana. A erosão é incremental, mas cumulativa.

A terceira variável é doméstica. Conflitos prolongados historicamente afetam ciclos eleitorais americanos. Dados do Congressional Research Service mostram que operações militares extensas tendem a gerar pressões orçamentárias e desgaste político, sobretudo quando objetivos estratégicos permanecem ambíguos. A política externa não está imune à dinâmica interna.

DIFICULDADES – O paradoxo atual é evidente: os Estados Unidos mantêm orçamento de defesa superior ao das dez nações seguintes combinadas, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), um dos principais centros globais de monitoramento de gastos militares. Ainda assim, enfrentam dificuldade crescente em traduzir superioridade bélica em estabilidade política duradoura. A dissuasão clássica pressupõe que o adversário não suportará os custos. O Irã sinaliza disposição para absorvê-los.

Israel opera sob lógica existencial distinta. Para Jerusalém, conter a expansão estratégica iraniana é imperativo imediato. Para Washington, o cálculo envolve implicações globais: mercados energéticos, alianças atlânticas, posicionamento no Indo-Pacífico e competição estratégica com Pequim. A convergência tática não elimina divergências estruturais de risco.

O elemento mais preocupante é a fragilidade diplomática. Não há arquitetura robusta de negociação paralela comparável ao processo que levou ao JCPOA em 2015. A ausência de canal institucionalizado aumenta o risco de erro de cálculo.

LIDERANÇA FRAGMENTADA – O que está em jogo transcende o Oriente Médio. Trata-se da natureza da liderança americana em uma ordem internacional fragmentada. Desde o fim da Guerra Fria, Washington operou sob a suposição de que poderia intervir, reconfigurar e retirar-se mantendo influência decisiva. Hoje, sair tornou-se mais complexo do que entrar.

O conflito com o Irã revela limite estrutural: poder militar absoluto não equivale a controle político absoluto. Hegemonia contemporânea depende de legitimidade, coalizões e previsibilidade sistêmica. Quando a previsibilidade se deteriora, o custo da liderança aumenta exponencialmente.

Trump acreditou que projetaria força controlada. Enfrenta uma dinâmica que escapa ao controle linear. O Irã não precisa derrotar militarmente os Estados Unidos para alterar o equilíbrio. Precisa apenas estender o conflito, elevar seus custos e regionalizar seus efeitos.

TRANSIÇÃO DE HEGEMONIA – Se a escalada evoluir para um ciclo duradouro de desgaste, poderá simbolizar algo mais amplo: a transição de uma hegemonia incontestada para um cenário de competição sistêmica permanente. Não se trata do colapso do poder americano, mas da metamorfose de sua natureza.

O espelho persa devolve à Casa Branca uma verdade que Washington reluta em admitir: a superioridade militar permanece, mas a capacidade de determinar os desfechos já não lhe pertence integralmente. A distância entre poder e controle tornou-se visível.

O que está em curso pode ultrapassar os limites de um confronto regional. Pode assinalar o instante em que a hegemonia americana deixou de operar como garantia automática de resultados e passou a enfrentar as fricções de um sistema internacional em redistribuição. Os Estados Unidos continuam fortes. O que já não é absoluto é sua margem de decisão sobre o rumo dos acontecimentos.

Piada do Ano! Moraes mandou que Vorcaro barrasse Joesley em Londres

Joesley tentou convencer Maduro a deixar poder e se exilar na Turquia, diz jornal

Joesley não soube fazer amizade com o ministro Moraes?

Vinícius Valfré, Gustavo Côrtes e Aguirre Talento
Estadão

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, consultou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes sobre a lista de convidados para um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024.

O magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse “bloqueado” do evento, e Vorcaro levou a determinação à organização do fórum.

NO CELULAR – O I Fórum Jurídico Brasil de Ideias foi organizado pelo Grupo Voto e tinha como um dos financiadores o Banco Master.

O veto aparece em uma das trocas de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Em conversa com o jornalista Márcio Chaer, diretor do portal de notícias jurídicas ConJur, o banqueiro recebe uma lista de possíveis convidados e responde, em uma sequência de três mensagens:

“Boa. Só Joesley foi bloqueado. Não comentou os demais. Entendo que aprovou. Ainda assim, reperguntei. Possível que ele não queira explicitar a concordância. Mas concordo ao afastar um só nome”, disse Vorcaro ao jornalista, que mediou as mesas de debates.

INSTRUÇÕES – A informação foi inicialmente publicada por Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. O Estadão confirmou que Vorcaro fazia referência a instruções recebidas de Moraes. O evento teve com um dos principais palestrantes o ex-presidente Michel Temer, responsável pela indicação de Moraes à Suprema Corte.

Naquele período, havia uma grande disputa da J&F com a Paper Excellence pela compra da Eldorado Celulose. Era uma briga de R$ 15 bilhões. A companhia que brigava contra o grupo de Joesley Batista havia contratado Temer como um de seus advogados.

Em nota nesta sexta-feira, 6, a defesa do banqueiro apresentou um pedido ao STF para investigar o vazamento de informações do celular dele, incluindo “conversas íntimas” e “supostos diálogos com autoridades e até com o ministro do STF Alexandre de Moraes”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tinha de haver uma Piada do Ano. Agora, a defesa de Vorcaro vai botar a culpa nos vazamentos e pedir que essas informações sejam desconsideradas pelos investigadores da Polícia Federal, que Deus os proteja dos “Sicários” suicidas dessa gentalha. (C.N.)

Alckmin deixará ministério em abril e mantém em aberto o cargo que disputará

Alckmin deve deixar a pasta “na data da lei”

Eliane Oliveira
O Globo

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira que deve deixar a pasta “na data da lei”, no dia 4 de abril, com o objetivo de disputar as eleições. Está em curso uma negociação política no governo para definir se ele continua como vice na chapa à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva ou se tentará um cargo majoritário em São Paulo, como governador ou senador.

As conversas são feitas em conjunto com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que é pressionado pelo PT a disputar o Palácio dos Bandeirantes. Alckmin não entrou em detalhes sobre o cargo que disputará. Ele apenas lembrou que não é preciso deixar o cargo de vice-presidente para disputar as urnas, mas sim o cargo que acumula na Esplanada. “Vice-presidência não tem desincompatibilização, só o ministério”, afirmou Geraldo Alckmin, ao ser questionado sobre prazos eleitorais.

MENOS RESISTÊNCIA – Principal nome de Lula em São Paulo, Haddad ainda não confirmou publicamente que aceitará a candidatura para enfrentar Tarcísio de Freitas, mas o ministro já demonstra menos resistência do que meses atrás. Mesmo sem disputar a um cargo eletivo no estado, Alckmin virou peça decisiva nessa equação porque é o nome com maior capilaridade no interior paulista, sobretudo em segmentos onde o governo Lula tem mais dificuldade de penetração, como o agronegócio.

A ideia discutida nos bastidores é que, caso Haddad dispute o governo, Alckmin tenha papel ativo na campanha, ajudando a ampliar pontes fora da capital.

Alckmin e Haddad ocupam hoje posições estratégicas no governo federal e qualquer movimento eleitoral mexe também na composição da chapa presidencial. Segundo interlocutores a par do assunto, Alckmin prefere continuar como vice de Lula, mas aliados discutem alternativas, inclusive para acomodar alianças mais amplas com partidos de centro.

FIGURA CENTRAL – Com mais de cinco décadas de vida pública, o vice-presidente permanece como figura central nas negociações políticas da base governista. Sua eventual candidatura tende a marcar mais um capítulo de uma trajetória que atravessa diferentes fases da política brasileira — do protagonismo do PSDB nos anos 1990 e 2000 à atual aliança com Lula, que redefiniu os contornos do centro político no país.

Dentro da base governista, aliados defendem diferentes caminhos para o vice-presidente, desde a manutenção da chapa com Lula até outras disputas eleitorais. Dirigentes do PT afirmam que Alckmin terá liberdade para escolher qual cargo pretende disputar, enquanto interlocutores políticos discutem a configuração das alianças para a próxima eleição presidencial.

Nos bastidores, também surgiram especulações sobre a possibilidade de mudanças na composição da chapa presidencial, diante da tentativa de ampliar alianças com partidos de centro. Em meio a essas discussões, o próprio Alckmin tem mantido discrição pública sobre seu destino eleitoral, afirmando que a definição sobre 2026 será tomada mais adiante.

DISPUTAS – Figura histórica do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) por mais de três décadas, Alckmin disputou a Presidência da República duas vezes, em 2006 e 2018. Em um movimento que simbolizou uma reconfiguração da política nacional, deixou o PSDB em 2021, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro e tornou-se vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022, compondo uma frente ampla que reuniu antigos adversários políticos.

A chapa venceu o segundo turno e levou Alckmin à vice-presidência, cargo que acumula desde 2023 com o comando do ministério responsável pela política industrial e pelo comércio exterior do país.

CARREIRA POLÍTICA – Médico de formação e professor universitário, Alckmin construiu sua carreira política em São Paulo, onde foi prefeito de Pindamonhangaba, deputado estadual, deputado federal e vice-governador antes de assumir o comando do estado em 2001. Ele governou São Paulo por quatro mandatos — dois completos entre 2001 e 2006 e outros dois de 2011 a 2018 — tornando-se o político que mais tempo permaneceu à frente do Palácio dos Bandeirantes desde a redemocratização.

À frente do MDIC, Alckmin passou a conduzir a estratégia de reindustrialização do governo, articulando iniciativas voltadas ao fortalecimento da indústria, à atração de investimentos e à ampliação das exportações brasileiras. O ministério também ficou responsável por programas de incentivo à inovação e à produção nacional em setores considerados estratégicos, dentro da política industrial batizada de “Nova Indústria Brasil”.

Lindbergh pede investigação de Campos Neto por omissão no caso Banco Master

Deputado apresentou uma representação à PGR

Yago Godoy
O Globo

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do PT na Câmara, apresentou uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar a conduta de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, à frente do comando da instituição em meio às fraudes que envolvem o caso do Banco Master. O parlamentar definiu a postura do gestor como uma “omissão dolosa”.

Segundo o deputado, o objetivo da ação é “assegurar uma apuração independente e completa” sobre os possíveis responsáveis pelo escândalo. Para Lindbergh, há “decisões administrativas e eventuais condutas comissivas ou omissivas” que podem ter favorecido as irregularidades praticadas pelo banco e seu dono, Daniel Vorcaro, preso nesta quarta-feira pela Polícia Federal (PF).

OMISSÃO DOLOSA – “(A Notícia-Crime na PGR foi protocolada) Para que seja investigada omissão dolosa de Campos Neto na fiscalização bancária e se apure indícios de que norma editada durante sua gestão possa ter contribuído para facilitar fraudes atribuídas ao Banco Master”, escreveu Lindbergh, nas redes sociais, nesta quarta-feira.

O parlamentar também mencionou o envolvimento do ex-diretor do Banco Central, Paulo Souza, afastado do cargo por ligações com Vorcaro. Ele e Belline Santana foram afastados ontem por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

SUSPEITAS – A determinação ocorreu por conta de uma investigação ter apontado suspeitas de que os dois prestavam serviços de “consultoria informal” para o banqueiro, recebendo vantagens indevidas. Ambos já haviam deixado o cargo por decisão administrativa do BC no âmbito de uma investigação interna sobre o Master.

Atualmente, Campos Neto é vice-chairman e chefe global de políticas públicas do banco Nubank. Procurada, a empresa disse que não irá se manifestar sobre a acusação de Lindbergh. A reportagem não localizou a assessoria do ex-presidente do Banco Central. O espaço segue aberto.

ARTICULAÇÃO DA ESQUERDA –  O Palácio do Planalto está disposto a tentar vincular o caso Master ao ex-presidente e seus aliados, conforme mostrou reportagem do GLOBO. Campos Neto foi indicado à presidência do Banco Central pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2019, cargo em que permaneceu até janeiro de 2025.

Nas redes sociais, nesta semana6, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), disse que a operação “expôs definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto”, ao citar que Souza e Santana “recebiam dinheiro de Vorcaro para impedir a fiscalização” do banco.

Durante a gestão de Campos Neto, o Banco Central foi alertado por anos de que o Banco Master, que foi liquidado em novembro do ano passado em meio a alegações de fraude, estava se expandindo em um ritmo alarmante. O sistema nacional de garantia de depósitos, conhecido como Fundo Garantidor de Crédito (FGC), enviou cartas de advertência ao BC, enquanto executivos dos maiores bancos do Brasil, principais financiadores do FGC, também entraram em contato com a autoridade monetária para expressar preocupação, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Namorada de Vorcaro citou a esposa de Moraes numa conversa obtida pela PF

Martha Graeff | New York City - Adam Katz Sinding

Mulher de Vorcaro está preocupadíssima com o futuro

Paulo Cappelli e Petrônio Viana
Metrópoles

Companheira de Daniel Vorcaro, a influencer e ex-repórter Martha Graeff citou a esposa do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, em conversa com o banqueiro, transcrita de um dos celulares interceptados pela Polícia Federal (PF).

No diálogo, ocorrido em março de 2025, Martha Graeff questiona Vorcaro sobre as negociações da venda do Banco Master para o BRB. “Alguma novidade aí? As coisas estão melhorando? Piorando? Iguais?”, perguntou.

DISSE VORCARO – “Amor, está uma loucura. Não consigo nem dizer. Estou apanhando e batendo dia inteiro. Foi muito pior que eu imaginava. Muito”, respondeu Vorcaro, referindo-se à reação do banco BTG Pactual e de seu fundador, André Esteves, à previsão de acordo.

“Agora a guerra com André [Esteves] está exposta. Ao menos as pessoas do mercado entendem que as matérias ruins estão erradas e compradas por ele. Já está saindo em vários sites”, relatou o controlador do Banco Master.

“Nossa, amor, não estava sabendo disso. Vocês pararam de se falar então?”, perguntou Martha Graeff. “Sim”, afirma Vorcaro. Em seguida, a namorada do banqueiro, que mora em Miami, diz ter lido os jornais brasileiros.

CITANDO VIVIANE – Mais adiante a namorada de Vorcarco toca no assunto do contrato com a mulher do ministro Alexandre de Moraes:

“Agora estava lendo o negócio da Viviane Barci”, contou Martha Graeff.

“Amor, deixa eu te pedir. Não fica lendo essas coisas”, disse o empresário.

“Não vou mais ler, amor. Eu só fui ver agora porque estou perdida, sem saber o que está acontecendo”, respondeu a influencer.

Em 2024, o Banco Master contratou o escritório Barci de Moraes, onde atuam esposa e filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, pelo valor de R$ 129 milhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA cada dia, são tantas as novidades nesse escândalo sinistro que fica difícil acompanhar os capítulos. Assim, não há pipoca que aguente. (C.N.)

Ciro Nogueira era “amigo” de Vorcaro e apresentou emenda a favor do Master

Ciro Nogueira quer PEC de um ano só para R$ 600 e reajuste do mínimo

Ciro Nogueira nega “conduta inadequada” com Vorcaro

Deu na Folha

Mensagens trocadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram que o ex-banqueiro trata o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), como “grande amigo de vida”.

Em conversa com sua namorada, a blogueira Martha Graeff, Vorcaro apresenta Ciro, um cardeal do centrão, como “muito amigo meu”. “Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, diz a mensagem, enviada em maio de 2024 e obtida pela Folha.

BOMBA ATÔMICA – Em agosto do mesmo ano, Vorcaro escreve a Martha que “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro!”. “Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, continua ele. “Wow amor. Louca pra saber de tudo ao vivo”, ela responde.

Na ocasião, Ciro havia apresentado uma emenda para aumentar a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto foi incluído na PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre a autonomia do Banco Central.

A emenda ficou conhecida como “emenda Master” por favorecer o banco. Os CDBs do Master ofereciam taxas que chegaram a 140% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e usavam em sua campanha de marketing a cobertura pelo FGC, para sugerir que estava livre de riscos.

NO ARQUIVO – A proposta de Nogueira foi engavetada após resistência das principais entidades ligadas ao setor bancário.

A reportagem também obteve uma conversa do deputado federal Fausto Pinato (PP-SP) com Vorcaro. O parlamentar envia: “Oi, amigo, precisamos fazer a vídeo conferência [sic] eu vc e Ciro”. O ex-banqueiro responde “Opa. Vamos. Só me chamar”.

Em outra conversa com Martha, Vorcaro fala sobre o casamento de Duda Nogueira, filha de Ciro, e diz que gostaria que a namorada o acompanhasse na festa, ocorrida em agosto de 2024.

CASAMENTO – Nas mensagens trocadas em julho de 2024, Martha pergunta qual é o sobrenome do Ciro e se ele era pai da Duda, ao que Vorcaro responde que sim. “A Carla conhece a filha [Duda]”, continua Martha.

“Ela vai casamento?”, pergunta Vorcaro. “Eu queria que vc fosse comigo. Se vc ficar da pra ir”, segue.

No fim do mesmo mês, Vorcaro diz a Martha que ira conversar com Fabíola, sua ex-mulher. “Que ótimo, amor, eu tava pensando nisso, inclusive de você falar também do casamento da filha do Ciro abertamente, pra evitar uma situação chata de antemão. Não vai ser uma conversa fácil. Boa sorte, amor. Aqui torcendo”, diz a namorada. “Vou falar”, responde Vorcaro.

DIZ NOGUEIRA – Procurado pela Folha, o senador afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa que mantém diálogos por mensagens com centenas de pessoas, “o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir com elas”.

“Ciro Nogueira volta a destacar que está tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal nas denúncias que envolvem o empresário, uma vez que não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração”, completou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A imprensa está alvejando todo político que se aproximou de Vorcaro, mas é preciso separar o joio do trigo, como se dizia antigamente. Nem todo político está envolvido no escândalo propriamente dito, mas muitos deles vão se sujar, é claro.
(C.N.)

Um poema em homenagem ao genial arquiteto Bernardo Artigas

www.antoniomiranda.com.br

Holanda, poeta pernambucano

Paulo Peres
Poemas & Canções

O designer gráfico, editor, professor, advogado, jornalista, contista e poeta pernambucano Gastão de Holanda (1919-1997) escreveu este poema após visitar o Edifício da FAU USP “Faculdade de Arquitetura de São Paulo”, em 1977, prestando assim uma homenagem póstuma ao arquiteto Bernardo Artigas, que projetou o prédio da instituição e foi um de seus criadores.

FACULDADE DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO
Gastão de Holanda

O arquiteto abrange o espaço com seus braços
e que se esculpe nesse espaço?
ubiquidade, instrumentos de música,
o auto-retrato do arquiteto:
olhos, língua, testa,

a serena contemplação de um claro
organizado lugar de encontros.

A laje pulsa.
A mão risca a proporção do homem,
decalca o pensamento, o andar,
o ir-e-vir cotidiano e diz:

– Podeis trabalhar tranquilos: aqui é o Teto do povo.

O voo existe antes do espaço desenhado.
A alma do arquiteto
recortada pelo espectro da coluna

vigia nossos passos,
e o gesto em flor
é uma opção bifurcada em artérias.

O sangue do arquiteto está coagulado ali,
sepulto e vivo nas veias do ferro,
na carne do cimento
semente diluída no voo de estudantes/abelhas,
no mel e na medida do tempo.

Tempo? ou luz que tudo enlaça?
Que diferença há entre o edifício e a árvore?
Entre a árvore e esse homem debruçado?
Entre esse homem e seu edifício vivo?
O seu fazer alcança teto e galho,
viaja o quintal das plataformas e colhe
na Primavera o fruto de um desígnio,
o capricho do vivo silêncio
que amadurece as formas antigas
artigas.

Show de Lulinha em contas bancárias é um fenômeno que pode derrotar Lula

Tribuna da Internet | Se continuar foragido, Lulinha vai implodir a  candidatura de seu pai

Charge de JCaesar (Veja)

Andre Shalders
Metrópoles

Uma única conta bancária pertencente ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, movimentou R$ 19,3 milhões em quatro anos, de 2022 a 2025. As informações são da quebra de sigilo do filho do presidente, obtidas com exclusividade pela coluna.

A conta bancária em questão é da pessoa física de Lulinha. Está aberta em uma agência do segmento Estilo, do Banco do Brasil, em São Paulo (SP).

OUTRAS CONTAS – Segundo os investigadores, essa quebra de sigilo é apenas parte do quebra-cabeça financeiro envolvendo o filho do presidente da República. O conjunto completo deverá emergir da análise de outras contas bancárias, tanto em nome da pessoa física quanto das empresas dele.

Dos R$ 19,3 milhões transacionados por Lulinha nessa conta bancária de 2022 a 2025, a metade (R$ 9,66 milhões) corresponde a créditos. O restante foram pagamentos para outras contas.

O auge das transações se deu no segundo ano do governo do pai, em 2024, com R$ 7,2 milhões movimentados. Em 2025, o montante caiu para R$ 3,3 milhões. Em 2026, até o dia 30 de janeiro, foram R$ 205.455,96.

INVESTIMENTOS – As características da movimentação indicam tratar-se de uma conta de investimentos — a maioria dos pagamentos vem das empresas de Lulinha, de rendimentos de aplicações e de transferências de outras pessoas.

As maiores fontes de pagamentos para Lulinha no período da quebra de sigilo são as próprias empresas dele: a LLF Tech Participações (R$ 2,37 milhões) e a G4 Entretenimento e Tecnologia (R$ 772 mil). Do restante, a maior parte veio de rendimentos de aplicações do próprio Lulinha.

Lulinha é investigado pela suspeita de ser sócio do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O Careca é um dos principais alvos da chamada Farra do INSS, o escândalo de descontos ilegais de aposentadorias revelado pelo Metrópoles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reportagem diz que a defesa de Lulinha garante que o filho do presidente prestará os devidos esclarecimentos ao Supremo. Ele no momento mora na Espanha, e a investigação está apenas começando. Quando abrirem as outras contas bancárias dele, vai ser um festival, que deve influir negativamente na campanha de Lula. Comprem pipocas. (C.N.)

Moraes não pode continuar mentindo sobre sua atuação a favor de Vorcaro

No dia em que foi preso, Vorcaro perguntou a Alexandre de Moraes: "Fiz uma  correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou  bloquear?” O ministro respondeu os apelos deMíriam Leitão
O Globo

A negativa do ministro Alexandre de Moraes de que tenha trocado mensagens com Daniel Vorcaro não é crível. Estão nas publicações feitas pelo blog de Malu Gaspar e pelo jornal O Globo os prints do diálogo entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Só ter havido um diálogo, qualquer um, já seria grave, pelo fato de existir um contrato de prestação de serviços de advocacia entre o banqueiro e o escritório da mulher e dos filhos do ministro.

Esse contrato nem deveria ter existido, mas em existindo, o ministro deveria ficar longe dos clientes do escritório da sua família.

UM PROPÓSITO – O diálogo ser através de um método para evitar a recuperação da conversa, ou seja, por prints de visualização única, é ainda mais sério. E a parte recuperada no bloco de notas de Vorcaro indicam que toda a conversa tinha um propósito.

Por isso, o melhor que o ministro Alexandre de Moraes tem a fazer é dar uma explicação direta sobre o que foi aquele diálogo, por que escolheu o caminho da visualização única.

A negativa não se sustenta porque o número do ministro foi checado pelo Globo. O país tem o direito de saber o que foi aquela conversa.

EMENDA FATAL – No caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI) há um fato concreto. Ele apresentou um projeto dos sonhos de Daniel Vorcaro, capaz de aumentar muito a capacidade de captar liquidez no mercado, ao estender para o nível absurdo de R$ 1 milhão a cobertura do FGC.

Seria, se tivesse sido aprovada, uma tábua de salvação para Daniel Vorcaro que afundava na época em uma grave crise de liquidez, ou seja, não conseguia mais vender CDBs.

O senador tem dito que não era amigo de Vorcaro. Esse fato é irrelevante. O que precisa de explicação, como disse aqui ontem, é por que apresentou essa proposta.