Lula defende Marcola, Wagner e Lulinha: “São inocentes até prova em contrário”

Candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista à Globo

Lula levou uma bela surra na entrevista da TV Globo

Carlos Newton

É preciso reconhecer que, desta vez, os apresentadores César Tralli e Renata Vasconcellos se comportaram como jornalistas, esqueceram que representam uma organização empresarial que é aliada ao governo federal e deram uma surra no presidente Lula da Silva, que estava a ponto de explodir.

Estavam bem preparados e iniciaram o tribunal de inquisição com um assunto péssimo para o entrevistador – as relações perigosas do filho Fábio Luís, o Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger e com Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência da República, que recentemente deixou o Planalto e agora é um dos coordenadores da campanha eleitoral do PT.

LULINHA – O jornalista César Tralli iniciou a entrevista perguntando sobre as investigações que a Polícia Federal está fazendo sobre Lulinha e sua nova parceira de negócios, a lobista Robert Luchsinger.

O candidato do PT, é claro, já estava preparado para essa pergunta, que lhe é feita diariamente, e repetiu a resposta de sempre, dizendo que Lulinha é inocente, tem de se defender e vai provar que nada fez de errado, embora já esteja foragido.

Tralli ouviu o decoreba de Lula e insistiu no assunto, citando detalhes das conversas gravadas entre Lulinha e Roberta, bastante incriminadoras. Lula começou a ficar nervoso e seguiu a mesma linha de defesa, afirmando que não existem provas concretas contra seu filho, e as denúncias não passam de ilações. E aproveitou para elogiar a Polícia Federal, que em seu governo investiga tudo.

NO CELULAR – Foi uma boa deixa para Tralli, que passou a mencionar outras conversas reveladoras entre seu filho e a lobista. Lula não tinha o que dizer, então voltou à velha tese de que é preciso provar as acusações. Renata Vasconcellos entrou em cena. Lula pensou que ela iria mudar de assunto, mas ela insistiu em criticar o filho do presidente, inclusive citando outros trechos das conversas com a lobista.

Lula não tinha o que dizer, eram ilações a todo momento, parece ter gostado da palavra, e voltou a elogiar a Polícia Federal, Tralli então perguntou sobre Marcola, o ex-chefe de gabinete do Planalto, colocando Lula de novo nas cordas. Renata citou mais dados sobre Marcola, que pediu à lobista até compra de joias.

O presidente disse que o amigo errou, mas continuou defendendo Marcola, repetindo que nada estava provado, e tentou mudar o assunto para o caso Master, dizendo que o escândalo está sendo esquecido.

Foi a deixa para Renata Vasconcellos entrar arrasando o senador Jaques Wagner (PT-BA), citando o relacionamento íntimo dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, e Lula caiu na armadilha e também saiu em defesa do amigo.

GROSSERIA – Foi patético ver Lula tentando defender o ex-sindicalista Jaques Wagner, hoje enriquecido ilicitamente, colocando-o na mesma situação de Lulinha, Roberta e Marcola. “Eles vão provar a inocência”, repetia.

Depois dessa surra, os apresentadores passaram a perguntar sobre dívida pública e outros problemas graves do governo. Lula perdeu a linha e ofendeu Renata Vasconcellos, dizendo que uma jornalista do porte dela não podia dizer o que estava falando sobre e dívida. Foi uma tremenda grosseria.

Daí em dia, a entrevista prosseguiu sobre temas diversas da administração federal, dando oportunidade a Lula de fazer aquela enrolação de sempre, citando números, misturando milhões com bilhões, uma confusão desgraçada que ninguém consegue entender, apenas ele, que repetia: “Nenhum outro governo fez como o meu…”. “Nunca jamais nesse país a economia ficou assim ou assado”. “Tirei quaquilhões de brasileiros da miséria”. E por aí a fora…

Flávio pede que Eduardo pare ataques a Michelle para evitar nova crise familiar

Flávio ligou para Eduardo após crítica a Michelle

Luísa Marzullo
O Globo

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, voltou a pedir ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu irmão, que reduza os ataques públicos a aliados durante a campanha eleitoral. O telefonema para Eduardo, que mora nos Estados Unidos, ocorreu depois que ele compartilhou e endossou, no último domingo, um vídeo com críticas à candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal.

Na ocasião, Eduardo comentou “triste, mas verdadeiro” em uma publicação do influenciador Allan dos Santos que dizia preferir a eleição da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e do ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo) à de Michelle. O deputado também compartilhou o vídeo em suas próprias redes.

“INCÓGNITA” – No vídeo, Allan chama a ex-primeira-dama de uma “incógnita” para a direita e questiona suas posições políticas. A manifestação de Eduardo foi interpretada por aliados de Michelle como um endosso não apenas às críticas, mas também à defesa de que outros dois candidatos sejam eleitos para as vagas do Distrito Federal no Senado.

O episódio foi recebido com preocupação no QG de Flávio porque ocorre justamente quando a campanha tenta consolidar a reaproximação entre o presidenciável e a madrasta e ampliar a participação dela na corrida pelo Planalto. A avaliação de aliados é que novas manifestações públicas de integrantes da própria família podem reabrir disputas que vinham sendo administradas e obrigar a campanha a gastar energia com crises internas.

Segundo esses interlocutores, Flávio já havia pedido anteriormente ao irmão que reduzisse ataques nas redes e evitasse ampliar conflitos dentro do próprio campo político. Este pedido chegou a ser feito pessoalmente ao irmão, nas viagens que Flávio fez aos Estados Unidos. Flávio e Eduardo foram procurados, mas não comentaram.

EMBATES –  A manifestação do último domingo não é o primeiro embate público entre Eduardo e Michelle. A relação entre os dois já havia se deteriorado durante a crise familiar aberta em junho, quando a ex-primeira-dama entrou em choque com Flávio por causa das articulações do PL no Ceará.

Na ocasião, Michelle criticou a aproximação do partido com o grupo de Ciro Gomes (PSDB) e defendeu espaço para a vereadora Priscila Costa (PL-CE), uma de suas principais aliadas, na disputa pelo Senado. Flávio reagiu publicamente em defesa da condução partidária e de André Fernandes (PL-CE), abrindo uma troca de acusações que rapidamente envolveu os outros filhos de Jair Bolsonaro.

CRÍTICAS – Eduardo entrou na discussão e fez críticas públicas à ex-primeira-dama. Michelle reagiu afirmando que não havia sido atacada apenas por Flávio e acusou os irmãos de agirem de maneira coordenada contra ela.

— E não foi só ele. Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado — afirmou Michelle, em junho.

A ex-primeira-dama também disse ter interpretado a atuação dos filhos de Bolsonaro como um sinal de que seu apoio não era desejado e chegou a deixar de seguir Eduardo e Carlos Bolsonaro nas redes sociais. O episódio expôs uma relação já marcada por divergências sobre o espaço de Michelle nas decisões políticas do grupo.

DESCULPAS – Depois da crise, Flávio fez um pedido público de desculpas à madrasta, que respondeu dizendo que o perdoava. Jair Bolsonaro também atuou para aproximar os dois, e a relação passou por uma reconstrução nas semanas seguintes. Michelle gravou para a campanha presidencial, pediu votos para Flávio durante eventos de sua campanha no Distrito Federal e publicou registros ao lado do enteado.

A campanha também passou a negociar uma participação maior da ex-primeira-dama nos palanques do presidenciável fora de Brasília. A presença de Michelle é considerada importante pelo QG principalmente na tentativa de reduzir a resistência de mulheres a Flávio e reforçar sua campanha entre o eleitorado evangélico.

Relação de Lula com Flavio Dino é vista como tentativa de enfraquecer o Congresso

Omar Aziz rejeita emendas e acelera votação do fim da escala 6×1 na CCJ

Relator da proposta divulgou parecer do projeto

Augusto Tenório
Folha

O senador Omar Aziz (PSD-AM) divulgou nesta quinta-feira (27) o relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1. O congressista atendeu ao governo e manteve o texto aprovado pela Câmara em maio. Dessa forma, a proposta fica pronta para ser votada na próxima quarta (2) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

O governo Lula corre para aprovar o fim da escala 6×1 antes da eleição, visando explorar a pauta durante a campanha. Uma alteração na PEC pelo Senado obrigaria o texto a voltar para a Câmara, o que dificultaria a promulgação antes da eleição. O Congresso só tem mais uma semana de funcionamento, entre 31 de agosto e 4 de setembro, até o pleito de outubro.

EMENDAS – A oposição protocolou 14 emendas para alterar a PEC aprovada pela Câmara. A maioria delas visava aumentar o período de transição ou garantir que o efeito da proposta não atinja quem trabalha na escala 12 por 36.

Uma das propostas de emenda, do senador Izalci Lucas (PL-DF), propôs manter a jornada de 44 horas semanais na Constituição e deixar uma eventual redução a critério de negociação coletiva ou contrato por hora, num modelo semelhante ao defendido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na campanha à Presidência.

A proposta que discute o fim da escala 6×1 é uma das principais pautas da agenda de Lula para a reeleição e estava travada no Senado. O avanço da pauta foi selado após reunião do presidente com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na noite desta quarta (26).

“JUNTOS PARA SEMPRE” – Ao posar para a foto após o encontro, o petista disse “poderia dizer ‘juntos para sempre'”. Ainda não há garantias, porém, que o fim da escala 6×1 será enviada para votação no plenário se aprovada na CCJ.

O armistício entre Lula e o Congresso ocorreu após meses de vaivéns na relação. Nos últimos meses, o distanciamento maior era com Alcolumbre, após o presidente do Senado impor derrotas importantes ao governo na casa. A principal, a rejeição da indicação de Lula pelo nome de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo aliados, a reaproximação de Alcolumbre com Lula visa assegurar o apoio do PT à sua manutenção no comando do Senado em 2027. O governo também não trata do tema abertamente, mas entende que a reeleição do amapaense é de seu interesse. Interlocutores de ambos dizem que uma nova reunião pode ocorrer esta semana. A cúpula bolsonarista quer eleger Tereza Cristina (PP-MS) para a presidência do Senado.

TSE e Google fecham acordo para detectar uso de IA com imagem de candidatos

Tema ganhou relevância após vídeo de Bolsonaro

Matheus Teixeira
CNN

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google firmaram uma parceria para ampliar o uso durante de uma ferramenta que identifica o uso indevido da imagem de candidatos em vídeos gerados por inteligência artificial durante as eleições.

O presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques, tem avançado nos acordos com as big techs para conter a disseminação de fake news, enquanto enfrenta dificuldade para construir um consenso interno que defina limites exatos para uso de IA nas eleições.

VÍDEO DE BOLSONARO – O tema ganhou relevância após Flávio Bolsonaro (PL) divulgar um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na convenção que o oficializou como candidato à Presidência. O PT entrou com uma ação no TSE, mas o caso ainda não foi julgado devido ao impasse que o tema tem gerado nos bastidores entre os ministros.

Ao assinar o acordo com a Google nesta quarta-feira (26), o magistrado enalteceu o diálogo com as empresas de tecnologia. “Tenho a certeza de que a união dos setores público e privado, em prol dos valores democráticos, é uma das mais significativas expressões do texto constitucional”, afirmou. A tecnologia que será usada permite que todos os participantes do pleito deste ano detectem no Youtube conteúdos que reproduzam suas imagens sem autorização prévia.

Os candidatos terão que fazer um cadastro biométrico na plataforma, o que permitirá que o Youtube faça uma varredura nos conteúdos publicados e a consequente notificação aos candidatos caso sejam detectados vídeos que reproduzam sua imagem.

Site de Flávio Bolsonaro sofre 3.250 tentativas de invasão em apenas oito dias

Ataques tentaram derrubar site por sobrecarga de acessos

Gabriela Echenique
Folha

O site oficial da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) sofreu 3.250 tentativas de invasão desde que foi lançado, há oito dias. Segundo levantamento feito pela equipe de cibersegurança do candidato, os ataques buscaram obter dados do sistema ou derrubar o site por sobrecarga de acessos simultâneos.

A página reúne informações sobre os compromissos de campanha, a cobertura dos atos públicos e as propostas de governo, além de materiais informativos, fotos, imagens e logotipos. Num curto período, foram registradas 375 mil solicitações de acesso com o objetivo de tirar o serviço do ar, segundo a campanha.

ARQUIVOS SENSÍVEIS – Das mais de 3 mil tentativas de ataque, 1.198 foram buscas por arquivos sensíveis, como credenciais, chaves, configurações e backups. Três situações tentaram obter controle do servidor e outras 74 tentativas foram para explorar falhas.

Apesar da intensidade, a equipe diz que não identificou sinais de comprometimento dos sistemas, nem exposição de arquivos considerados sensíveis. Ou seja, os comandos maliciosos não teriam sido bem-sucedidos.

A equipe cibernética diz que o site possui uma arquitetura com várias camadas de proteção que atuam no bloqueio, detecção e contenção das tentativas de invasão.

Bolsonaristas se mobilizam para frear bandeiras eleitorais de Lula no Congresso

Oposição tenta articular reunião com Motta e Alcolumbre

Lauriberto Pompeu
O Globo

Parlamentares de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentam marcar uma reunião com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar impedir que o Congresso avance com propostas que têm sido citadas como bandeiras eleitorais pelo petista.

Lula e Flávio são os principais candidatos à Presidência da República. O Congresso deve realizar, na semana que vem, o último período de votações antes das eleições, em outubro. Motta e Alcolumbre se reuniram nesta quarta-feira com Lula e fecharam um acordo para avançar com diversas iniciativas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto.

REUNIÃO – Depois do aceno ao petista, parlamentares bolsonaristas também querem se reunir com os chefes das duas Casas Legislativas. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse ao O Globo que há previsão de que a reunião aconteça na próxima semana. “Vamos falar com os presidentes (da Câmara e do Senado) na semana que vem”, afirmou.

Lula, Motta e Alcolumbre anunciaram depois do encontro que a Medida Provisória que acaba com a chamada “taxa das blusinhas” terá todas as votações do Congresso concluídas na semana que vem. Também foram anunciados acordos para votar no plenário do Senado o projeto de lei que regulamenta a exploração dos minerais críticos e o projeto que estabelece o Redata, o plano nacional de incentivos para o setor de data centers.

Em relação à proposta de emenda à Constituição (PEC) que dá fim à escala de trabalho 6×1 e a chamada PEC da Segurança, que reforça o papel da União na área, o acordo é que os relatórios sejam analisados pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas sem menção à votação no plenário.

APELO POPULAR – Parlamentares da oposição tentam barrar principalmente o avanço das duas PECs. É evitado um discurso contra o mérito das medidas, que possuem apelo popular, mas a avaliação é que elas são complexas e deveriam ser analisadas de forma menos célere e fora do período eleitoral.

Apesar de indicar avanço, o presidente do Senado evitou falar em concluir a tramitação na semana que vem e disse, após a reunião com Lula, que as duas propostas “merecem, sim, o debate, o diálogo, a discussão e a deliberação”.

EMENDAS – Senadores aliados de Flávio apresentaram diversas emendas aos textos para tentar modificar os escopos das propostas. Uma emenda do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) tenta replicar no texto da PEC do fim do 6×1 uma proposta alternativa de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RJ), coordenador da campanha de Flávio. Pela iniciativa, a compensação de horários e a redução da jornada poderiam variar e seguir diferentes modelos, que seriam feitos por convenção coletiva.

Na tramitação da PEC da Segurança há também tentativas de parlamentares aliados de Flávio de mudar a proposição. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) propôs uma emenda para fortalecer os estados frente à União e sugeriu descentralizar a legislação penal, com estados podendo legislar sobre direito penal e processual para enfrentar o crime organizado.

DESTAQUES – O relator escolhido para a PEC do fim da 6×1 é Omar Aziz (PSD-AM) e o responsável pela PEC da Segurança é Rogério Carvalho (PT-SE). Os dois são aliados do governo e já disseram que vão manter os textos aprovados pela Câmara para evitar que as iniciativas voltem para análise dos deputados. Por outro lado, parlamentares bolsonaristas também apostam em mudar em texto por meio de apresentação de destaques, com votação de trechos de forma separada.

Tanto a PEC do fim da 6×1, quanto a PEC da Segurança têm sido mencionadas de forma recorrente por Lula em atos de campanha. A PEC do fim do 6×1 é encarada como uma proposta de apelo popular entre os trabalhadores e a PEC da Segurança tem sido mencionada pelo petista como uma ação do governo no sentido de tentar mitigar a crise de segurança pública, com o avanço de facções.

Penduricalhos e outros privilégios salariais injustificados estão desmoralizando a Justiça

Jornal - #charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #penduricalhos #salario #deputado #brasilia #dinheiro #stf #justiça #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *digital ...

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Roberto Nascimento

O Judiciário vem perdendo a confiança da sociedade por conta de seus injustificados privilégios salariais, com penduricalhos de toda sorte, férias de dois meses por ano e crescente abstenção nos Fóruns e Varas, mantendo-se o esquema de “home office” adotado durante a pandemia,

Fico pensando, como chegamos a essa situação espúria, inconcebível, de uma disparidade salarial sem precedentes? O trabalhador, que recebe salário mínimo e é obrigado a cumprir a escala 6&1, tem de se sentir cada vez mais humilhado.

DESCONTROLE – O Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça decidiram por um conjunto de regras, tímidas é claro, para evitar o descontrole completo do teto salarial do serviço público.

Não é nenhum favor que estão prestando ao país, porque em 1988 os parlamentares fizeram questão de incluir o teto salarial em dois artigos diferentes, um deles na Constituição propriamente dita e o outro nas suas Disposições Transitórias, que ficam no final do texto principal.

Apesar desse esforço do STF e do CNJ, magistrados de todas as instâncias, procuradores, promotores e defensores públicos tentam manter os penduricalhos, a pretexto de haver “direito adquirido”.

PRIVILÉGIOS – Os beneficiados por esse festival de penduricalhos esquecem de que a doutrina jurídica do Direito Universal estabelece que privilégio não pode ser considerado direito. 

Por isso, não é cabível existir direito adquirido quando se trata de uma esdrúxula e abominável farra salarial, e é assim que deve ser classificada.

Se não for sanada essa deformação salarial que contamina o Judiciário, inevitavelmente ela será transmitida aos servidores dos outros Poderes, porque a Constituição estabelece isonomia salarial entre os funcionários públicos em geral, nos seus diversos níveis, é claro. E assim caminha o Brasil, país de castas incrustadas no aparelho estatal.

Caiado diz que só existe golpe com atuação das Forças Armadas e isso não ocorreu

Caiado relativizou ações golpistas ligadas a Bolsonaro

Ana Gabriela Oliveira Lima
Folha

O presidenciável pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou nesta quarta-feira (26) não saber se o 8 de Janeiro foi tentativa de golpe no Brasil. O candidato disse que o caso “é questão de interpretação” e relativizou ações golpistas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem tem prometido uma anistia. “Eu não sei. Eu não estava lá dentro. Eu não estava convivendo lá dentro”, afirmou Caiado ao ser questionado por jornalistas se a tentativa de golpe de Estado ocorreu.

A fala se deu durante sabatina promovida pelo jornal O Globo, Valor e CBN como parte de série com os presidenciáveis nas eleições de 2026. Perguntado mais uma vez, o político afirmou que classificar o ato como golpe ou não era “questão de interpretação”. Ele também relativizou os atos ocorridos sob Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) entendeu que o ex-presidente liderou a trama golpista.

DÚVIDA – Caiado também colocou em dúvida a ação do governo Lula (PT) diante do 8 de Janeiro. Em movimento comum entre bolsonaristas, ele insinuou que o presidente teria demorado para agir diante dos ataques. O presidenciável pelo PSD também afirmou que vê golpe “com Forças Armadas” e citou ações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) para questionar se elas também não seriam atentados golpístas.

“Eu vou anistiar todo mundo e ninguém vai falar nesse assunto mais”, afirmou na sabatina. O político também negou que o STF possa declarar uma eventual anistia dada por ele como inconstitucional, embora a corte possa fazê-lo, se provocada. “Eu tenho autoridade popular de ter chegado e não ter omitido isso [que daria uma anistia]. Isso não faz parte de uma caixa preta de campanha”, justificou.

Na sabatina, Caiado também falou que o presidenciável Flávio Bolsonaro não explicar gastos relacionados ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, é “desrespeitar a inteligência do povo brasileiro”. Ele disse ter dado a Flávio “direito de defesa” e não ter feito um prejulgamento no caso sobre a negociação de dinheiro com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Afirmou, entretanto, que Flávio não se explicou e falou em “página virada” sem dar detalhes.

PÁGINA VIRADA – “É desrespeitar a inteligência do povo brasileiro [dizer que caso Dark Horse é página virada]. Você não tem o direito de ser um candidato à Presidência da República e se negar a dar esclarecimentos nos quais você está envolvido nele. Você tem que esclarecer para o seu eleitor e para o cargo que você vai assumir”, afirmou.

Ainda na sabatina, ele sinalizou que uma reforma da previdência não seria prioridade em seu governo. “A reforma da previdência será tratada no momento em que nós, primeiro, limparmos a casa. No primeiro momento, eu não vou penalizar aposentado nem trabalhador”, disse.

O político tem afirmado que pretende reduzir as despesas públicas, atrelando-as, no máximo, a 50% do PIB (Produto Interno Bruto), corrigida a inflação. Questionado por jornalistas como pretende diminuir as despesas, o goiano não tem detalhado o plano. Segundo ele, por não ter chegado ainda à Presidência, não consegue “examinar o paciente” para saber as medidas efetivas que vai tomar.

CÂMERAS – Mais tarde, em evento no Rio de Janeiro, Caiado também se disse contra a colocação de câmeras em uniformes de policiais. “Não vou [colocar câmera]. Nós estamos em guerra. Me mostre um lugar no mundo, em guerra, que tem câmera no policial”, disse.

“A hora que eu chegar no nível de segurança da Inglaterra, lá tem cassetete e um apito. Só isso, não tem nem câmera e nem arma. Você não pode querer copiar um modelo para um ambiente de guerra”, afirmou o político.

Após virar dor de cabeça para Flávio, ‘Dark Horse’ só será lançado depois da eleição

Não há nada que domine e vença  a alma romântica do poeta, dizia Cruz e Sousa

Do apartamento de Dora Ouve-se o ruído lá fora Do carnaval que ...Paulo Peres
Poemas & Canções

O poeta e jornalista João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Era filho de escravos e se tornou conhecido nacionalmente. Quando morreu de tuberculose, seu corpo foi transportado para sepultamento no Rio de Janeiro, onde tinha grandes amigos, como José do Patrocínio. No poema “Inefável”, Cruz e Sousa fala da invencibilidade de sua alma romântica.

INEFÁVEL
Cruz e Sousa

Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda…
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.

Sou como um Réu de celestial sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda
De estrelas todo o céu em que erra e pensa.

Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!

Todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
Na minha alma volteando arrebatadas.

Se você fosse candidato, iria comparecer ao tribunal da inquisição da Rede Globo?

Entrevistas da Globo com presidenciáveis: veja datas e como assistir | G1

Os políticos deveriam dizer algumas verdades sobre a Globo

Carlos Newton

A pretexto de ajudar o cidadão a escolher o melhor candidato à Presidência da República, a Rede Globo de Televisão, que fatura cerca de R$ 15 bilhões anualmente, mais do que o dobro do que é arrecadado por todas as emissoras de televisão e rádios, vem entrevistando os seis candidatos melhor posicionados nas pesquisas como se fosse a intérprete das dúvidas e questionamentos de cerca de 160 milhões de eleitores.

A TV Globo se diz isenta e independente e, portanto, habilitada a emparedar quem melhor lhe aprouver, com indagações complexas, fáceis e outras oportunistas. Há quatro anos, por exemplo, o entrevistador William Bonner, por conta própria, inocentou Lula de todos os crimes cometidos e que justificaram sua prisão por 580 dias.

HOMER SIMPSON – Bonner é aquele jornalista que iguala o telespectador ao personagem Homer Simpson. Por isso falou essa asneira, dizendo que Lula nada devia à Justiça. Se era inocente e não devia nada, por que Lula ainda não ingressou com ação indenizatória bilionária contra a União e, por decorrência, contra os magistrados que ousaram trancafiá-lo.

Aliás, Lula poderia processar também os membros do Ministério Público e da Polícia Federal que o investigaram e, em especial, mover ação contra a Rede Globo, que o constrangeu e o injuriou por mais de quatro anos? Lembram-se do petroduto diário?

A fita métrica da TV Globo, para produzir e encaminhar questionamentos, tem como parâmetro o exercício da liberdade de imprensa e, nesse contexto, nada a impede de ser facciosa e até defensora de algum candidato que possa lhe assegurar quatro anos de tranquilidade, mantendo-a como a melhor favorecida pelos milionários recursos públicos destinados à propaganda oficial, como acontece ainda hoje.

MANIPULAÇÃO – A audiência da Globo é tão grande quanto o seu desejo de manipular a opinião pública no dia-a-dia de sua programação, como atesta sua parceria com cassinos internacionais para levar o vício das bets para todos os lares, e o Familhão que explora os pobres no programa Domingão com o Huck, tão cansativo e repetitivo como a dança dos famosos.

Veja o caso do candidato Romeu Zema que, segunda-feira, foi trucidado perante dezenas de milhões de telespectadores. Foram tantas as perguntas para anulá-lo que os entrevistadores acabaram usando mais tempo para perguntar do que teve o candidato, para responder.

Por que teria ele concordado em participar dessa flagelação pública se seu percentual nas pesquisas não ultrapassa os 4%?

CAIADO DESTROÇOU – Já com o candidato Ronaldo Caiado, a estratégia editorial da emissora fracassou. O experiente ex-deputado federal, senador e governador de Goiás, desde o início, enquadrou os afoitos entrevistadores, tanto que ao final pareciam duas crianças perdidas no parque. Não acreditavam no que estava se desenrolando ao vivo e a cores. Foram a nocaute, como a conhecida operação policial “Castelo de Areia”, que o substituto do Bonner tão bem conhece.

Como o Lula da Silva  e o Flávio Bolsonaro, comparecendo a essa simulação de debate, nada irão acrescentar a suas campanhas eleitorais, melhor que não se submetam aos caprichos da Organização Globo e preservem as posições já conquistadas. Se forem à entrevista vão ser engolidos pois não têm o traquejo do candidato do PSD, que infelizmente tem um vice distraído que dorme durante os debates, para deleite dos atentos fotógrafos.

FILHO FENÔMENO – Se a jornalista Renata Vasconcelos perguntar hoje ao Lula se ele acha que seu filho ainda é um fenômeno como empresário, se não é submisso aos interesses da atraente lobista Roberta Luchsinger, se vai voltar ao Brasil para votar no pai ou se as bets estão ajudando a Receita Federal a aumentar a arrecadação, Lula poderia sair pela tangente, dizendo algumas verdades aos apresentadores:

“Vocês sabiam que em 2007 eu renovei as cinco outorgas de concessão da Rede Globo, em favor dos irmãos Marinho, mesmo sabendo que eles, descumprindo a lei de radiodifusão, sem autorização do governo, transferiram o controle dos canais da Globo para empresas de fachada, totalmente descapitalizadas? Sabiam que aprovei esse favor esquecendo que as concessionárias estariam devendo ao Fisco cerca de R$ 600 milhões, como apontado em 2013 pela companheira Luiza Erundina? E pior, emitimos assim mesmo uma certidão negativa de débito para que tudo continuasse como está…”

DIRETO AO PONTO – O: candidato Flávio Bolsonaro também pode ir direto ao ponto. Ele é acusado de enriquecimento ilícito por causa das rachadinhas, que subtraem parte da arrecadação de assessores parlamentares, além da compra de imóveis com dinheiro vivo e a lavagem achocolatada de dinheiro.

Flávio poderia responder que muito mais grave do que isso, foi o golpe societário que Roberto Marinho cometeu, apossando-se das ações de mais de 600 fundadores da TV Paulista, canal 5 de São Paulo, promovendo assembleias com documentação falsa e sem a presença dos acionistas majoritários, que, mesmo mortos há anos, teriam outorgado procurações a terceiros para assinarem o livro de presença es a ata da assembleia ilegal.

“Acho mesmo que meu pai, quando ainda presidente, em dezembro de 2022, não deveria ter imitado Lula e renovado por mais 15 anos as concessões da Rede Globo”, poderia dizer Flávio Bolsonaro no JN.

OUTRA AFIRMATIVA – O candidato Flávio Bolsonaro também poderia perguntar se César Tralli e Renata Vasconcelos sabiam que uma microempresa de eventos esportivos, com capital de apenas R$10 mil, em setembro de 2006 miraculosamente transferiu para os irmãos Marinho cerca de R$ 5,8 bilhões, equivalentes a US$ 2,8 bilhões?

Para a Receita Federal, infelizmente, nada mais pode ser feito sobre esse incidente contábil, pois o governo decaiu da obrigação de investigar a origem dessa fortuna.

Moral do enrosco: quem não for ao debate não vai perder nada. A entrevista dos candidatos pela Globo só serve para realçar o seu convencimento de que ela e só ela deve dar a última palavra, como aconteceu com o triste episódio da Escola de Base de São Paulo, um dos mais vergonhosos abusos da liberdade de imprensa no Brasil, que, pelo jeito, vem sendo seguidamente esquecido.

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Mendonça diz que salário de ministro do STF não permite ‘vida sem preocupações financeiras’

Salário do STF dá ‘condição média’ de vida, diz ministro

Guilherme Matos
Estadão

O ministro André Mendonça, do STF, afirmou que o salário de magistrados proporciona uma ‘condição média’ de vida, apesar de ser superior à média brasileira. Durante o 5º Seminário da Anamel, ele destacou que, embora privilegiados, magistrados precisam controlar despesas.

Mendonça, no STF desde 2021, relatou dificuldades nos primeiros anos na Corte. Ele é responsável por investigações sensíveis na Polícia Federal. Seus rendimentos mensais variaram entre R$ 18.881,92 e R$ 43.028,21 em 2023.

“CONDIÇÃO MÉDIA” – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o salário de um magistrado proporciona uma “condição média” de vida, ainda que “muito acima” do restante dos brasileiros.

“Um ministro do tribunal, um juiz em geral, ele não pode ter a pretensão de ficar rico. O salário, ainda que seja um bom salário, não te dá condições de ter uma vida sem preocupações financeiras. A gente tem que controlar a despesa no dia a dia”, afirmou Mendonça.

Apesar de não proporcionar uma “vida nababesca”, como descreveu o ministro, os magistrados são uma classe privilegiada. “Mas não é uma classe que não tem que se preocupar com as contas no fim do mês”, disse. A declaração foi feita durante o 5º Seminário da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na última sexta-feira, 21, na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

RENDIMENTOS – Segundo o Portal da Transparência do STF, os rendimentos líquidos recebidos por André Mendonça entre janeiro e julho deste ano variaram de R$ 18.881,92 (abril e maio) a R$ 43.028,21 (janeiro), somando R$ 182.029,10 no período. A média mensal é de R$ 26.004,16.

Conforme noticiou o Estadão, no mesmo evento, o ministro falou sobre as dificuldades do trabalho na Corte. Os dois primeiros anos no STF, disse, “foram períodos de muita infelicidade”. Hoje, ele vive “muito mais o ônus e a responsabilidade do que qualquer outra coisa”.

André Mendonça é ministro do STF desde dezembro de 2021 por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é relator das duas investigações mais sensíveis em curso na Polícia Federal: a que apura as fraudes envolvendo o Banco Master e a que investiga o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

Confirmado! A lobista pagava um aluguel de R$ 100 mil para o amigo Lulinha

Tribuna da Internet | CPMI do INSS vota nesta quinta-feira a quebra do sigilo bancário de Lulinha

Charge do Clayton (O Povo/CE)

José Marques
Folha

Investigação da Polícia Federal afirma que a lobista Roberta Luchsinger fazia “significativas movimentações de dinheiro em espécie” e que usou uma parte desses valores para pagar uma agência de turismo que bancou viagem de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Lula (PT).

Em documento que fundamentou a abertura de um inquérito contra Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, a PF destaca que em 25 de junho do ano passado o motorista de Roberta fez “duas coletas em espécie com terceiro desconhecido” nos valores de R$ 100 mil e R$ 200 mil.

Desse total, diz o órgão no texto ao qual a Folha teve acesso, R$ 50 mil foram repassados a uma agência de viagens que havia emitido passagens para Lulinha e Roberta — nesse mesmo dia, o serviço da agência foi usado para pagar passagens no valor de R$ 2.000 para os dois, de Brasília ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

CASA DE LULINHA – Em agosto do mesmo ano, Roberta afirmou em um diálogo transcrito pela PF que não iria mais poder gastar com passagens, porque já estava gastando R$ 100 mil por mês em uma casa usada por Lulinha. Essa conversa de agosto foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Procurada, a defesa de Lulinha disse que “setores da PF instrumentalizados por interesses políticos-eleitorais seguem tentando interferir nas eleições de 2026” e diz que não é provado nos autos que esse dinheiro foi usado para pagar as passagens.

“É um verdadeiro quebra-cabeça de ilações fruto da irresponsabilidade daqueles que não têm um verdadeiro projeto ou programa para o país. Isso nos remete ao pior que ocorria durante a época da finada Operação Lava Jato”, afirma o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho.

“SOB SIGILO” – Também procurada, a defesa de Roberta Luchsinger disse que não iria comentar “conversas que supostamente são retiradas de um relatório que está sob sigilo”.

Em representação que trata de investigação sobre Lulinha por suspeita de tráfico de influência, a PF afirma que Roberta usava seu motorista, Ulisses Barbosa Viana Júnior, “para realizar significativas movimentações de dinheiro em espécie”.

A polícia destaca o recebimento dos R$ 300 mil em 2025. Na ocasião, Roberta diz a Ulisses: “Quando você pegar o dinheiro me avisa”. Ele responde: “Acabei de pegar tudo, tô levando pra sua residência. Não contei… pq está em pacotes lacrados”. “Chegando na residência eu passo o valor total. Uns 20 min”, diz o motorista, que, em seguida, afirma que são “100 + 200”.

DEPÓSITOS – Roberta pede para ele depositar R$ 50 mil na conta da consultoria dela e R$ 50 mil na conta da agência de viagens. Também pede para tirar outros valores e dar a pessoas não identificadas pela PF.

Ulisses responde “ok”, depois manda uma foto de um armário e diz: “Restante tá atrás das roupas”. A lobista também manda ao motorista uma captura de tela com o bilhete eletrônico do voo que fará com Lulinha. Ela diz que chegará com ele pela entrada das autoridades às 16h30, e avisa: “cê esteja lá, por favor”.

A PF não menciona a qual casa se refere Roberta no diálogo de agosto, mas ela alugava uma em Brasília que também era usada por Lulinha, segundo um processo trabalhista apresentado contra a lobista.

EM CONJUNTO – Como a Folha mostrou, a PF apontou que Lulinha atuava em “comunhão de interesses econômicos” e conduzia negócios em conjunto Roberta, que trabalhava para obter contratos com o governo federal.

O órgão indicou a suspeita de que Lulinha, Roberta e Fernando Bittar —empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP) investigado na Lava Jato— mantiveram uma “sociedade oculta” em negócios relacionados à Cannabis medicinal, que tentaram vender ao Ministério da Saúde.

O inquérito da PF trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização com a pasta e está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF. As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. Lulinha é alvo de outros dois inquéritos na corte.

MARCOLA ENVOLVIDO – A investigação da PF também aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Os pagamentos ocorreram em 2024, mesmo período em que, de acordo com a PF, ela trabalhava para obter contratos relacionados à Cannabis medicinal.

A defesa de Marcola disse que ele “jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, e que os valores são relativos a um empréstimo pessoal. A defesa do filho do presidente afirma que setores da PF tentam interferir em eleição. E o advogado de Roberta Luchsinger não se manifesta

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nos tribunais, quando se quer dizer que uma situação precisa ser logo resolvida, fala-se que tem aparência de bom direito (fumu bonis iuris). Neste caso da lobista e Lulinha, há um cheiro de coisa podre, pois o fedor é mesmo insuportável. (C.N.)

Brasileiros perderam a vergonha e passaram a idolatrar políticos altamente corruptos

Na corda bamba - Blog do Ari Cunha

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Nos filmes e nos seriados de TV produzidos no exterior, é comum que haja menções à corrupção no Brasil, sempre identificado como o país da impunidade, e os criminosos sonham em fugir para cá, porque confiam que jamais serão presos.

Essa visão internacional sobre o Brasil tem razão de ser, embora haja exceções, como em 1983, com a prisão do chefe mafioso Tommaso Buscetta pelo delegado federal Pedro Luis Berwanger, que escreveu um livro a respeito do caso.

CASO BATTISTI – São poucas exceções. Lembrem-se que o criminoso italiano Cesare Battisti, que se fantasiava de perseguido político, teve sua extradição vetada pelo presidente Lula da Silva, mesmo sabendo que ele havia confessado três assassinatos…

A fama de país da impunidade é causada pela corrupção que atinge a Polícia e a Justiça, um problema que perdura até hoje, mas a política não era tão contaminada. Basta lembrar os presidentes brasileiros nos últimos 100 anos.

As gestões de Washington Luís (1926-1930) e seu antecessor Artur Bernardes (1922-1926), por exemplo, não ficaram marcadas por escândalos sistêmicos de desvio de dinheiro público ou enriquecimento ilícito dos presidentes.

OUTRAS ACUSAÇÕES – Naquela época, eram outras as acusações feitas pelos movimentos de contestação — como o tenentismo, a partir do episódio dos 18 do forte, em julho de 1922, contra a posse de Bernardes, que teve seguimento com a Revolta de 1924 em São Paulo. A oposição acusava o governo de repressão política, fraudes eleitorais, censura à imprensa e eventuais estados de sítio, mas não citava casos de corrupção financeira.

Em 1925, surgiu a Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil. Liderada por Luiz Carlos Prestes e Miguel Costa, a marcha tentou derrubar Washington Luís e expôs a fragilidade da República Velha, cujo maior crime, não era desviar recursos públicos da forma como ocorre hoje.

A Revolução de 1930 depôs Washington Luis e implantou uma ditadura, que iria durar 15 anos, mas Getúlio Vargas jamais foi acusado de corrupção. Voltou para a fazenda no Rio Grande do Sul, sem nenhum sinal de riqueza.

PÓS-DUTRA – Depois de Vargas, o marechal Eurico Dutra. Despreparado para governar, porém incorruptível. Só fez esquentar a cadeira para a volta de Vargas em 1951. Em seu governo constitucional, houve alguns casos de corrupção, envolvendo seu irmão Benjamin, o filho Lutero e o segurança Gregório Fortunato, e Carlos Lacerda transformou num “mar de lama” que levou Vargas ao suicídio, mas a corrupção naquela época não tinha a gravidade de  hoje, que desmoraliza os três poderes.

Assumiu o vice Café Filho, que governou até novembro de 1955, quando teve um ataque cardíaco e se licenciou. Apoiado pelos militares udenistas, Lacerda tentou um golpe, mas fracassou diante do legalismo do Ministro da Guerra, Henrique Lott, que pôs ordem na casa, digamos assim, e Café Filho voltou ao poder.

POLÍTICO POBRE – Naquela época, era difícil enriquecer na política. Café Filho não tinha renda nem aposentadoria. Morava num modesto apartamento térreo em Copacabana. Ao saber da penúria do ex-presidente, Lacerda se compadeceu e o nomeou ministro do Tribunal de Contas da Guanabara, onde Café Filho trabalhou até se aposentar.

Em 1956 Juscelino chegou à Presidência e podia ter enriquecido, mas não o fez. O única bem que adquirira foi uma pequena fazenda em Luziânia (GO), de baixo valor. Não se corrompeu, mas aceitou um presente do industrial Sebastião Paes de Almeida, que presidiu o Banco do Brasil e foi fornecedor dos vidros a construção de Brasília.

O amigo doou ao ex-presidente a cobertura num prédio que construíra em Ipanema (Edifício JK), que Juscelino depois de cassado teve de vender para evitar a ruína. A cobertura mudou de dono várias vezes e mais recentemente um deles foi Caetano Veloso.

DITADOR – Jânio Quadros e João Goulart, os presidentes seguintes, ficaram pouco tempo no poder e passaram longe da corrupção. A partir de 1964, o regime militar teve muitos defeitos, mas não caiu na tentação. Nenhum general enriqueceu na Presidência. Na época, falava-se muito na corrupção do coronel Mário Andreazza, ministro dos Transportes, mas eram denúncias falsas.

Depois, veio Sarney, que já tinha enriquecido no governo do Maranhão e não precisou se corromper no Planalto. Mas seu sucessor Fernando Collor não soube resistir à tentação. Já era rico de nascença, mas queria mais. Acabou sofrendo impeachment e foi sucedido por Itamar Franco, um governo limpo e exemplar.

Depois de Itamar, o caos. O sucessor Fernando Henrique Cardoso privatizou o governo “no limite da irresponsabilidade”, como admitiu o tucano Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil. E o Brasil nunca mais escapou da corrupção, da qual Lula da Silv até hoje é um do expoentes.

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P.S. 1
Nos governos de Lula e Dilma Rousseff, a corrupção realmente se institucionalizou, com mensalão, petrolão, maquiagem nas contas públicas, emendas parlamentares e tudo o mais.

P.S. 2Em 2018, o ex-deputado Jair Bolsonaro já chegou ao poder ostentando um histórico de enriquecimento ilícito, a partir das rachadinhas, das aquisições de imóveis em dinheiro vivo e das relações com milicianos, hábitos que ele passou de pai para filhos, ou seja, criou uma família de moral altamente comprometida.

P.S. 3Esta é a realidade brasileira. Tudo isso que está relatado neste artigo não é novidade, são informações de domínio público. Assim, fica demonstrado que os brasileiros realmente se acostumaram à corrupção e passaram a idolatrar duas famílias que estão completamente apodrecidas. Uma delas continuará no poder. E os brasileiros terão de esperar mais quatro anos para decidir se preferem votar num político que não se dedique à corrupção, sem confundir a vida pública com a privada. (C.N)

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