Ciro Nogueira articula neutralidade de União-PP e afasta apoio a Flávio Bolsonaro

Rodrigo Pacheco recusa relatoria da PEC do fim da escala 6×1 no Senado

Nome do senador era defendido por Alcolumbre

Helena Prestes
CNN

O senador e ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG) afirmou nesta quarta-feira (17) que não aceitará a relatoria da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) pelo fim da escala 6×1. “Há vários senadores com o interesse de relatar essa proposta. Eu não estou nesse rol dos que pediram a relatoria. Eu não serei o relator dessa matéria”, disse Pacheco.

Como mostrou a CNN Brasil na última semana, Pacheco seria o nome defendido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) para relatar a PEC. Segundo interlocutores do presidente do Senado, a escolha de Pacheco para apadrinhar o projeto na Casa faz parte de uma estratégia de Davi Alcolumbre.

CONDICIONAMENTO – A avaliação é que a medida criaria uma espécie de condicionante para que o Palácio do Planalto passe a dialogar com o presidente do Senado sobre a proposta, já que, até o momento, o governo não tem aberto espaço para conversas com Alcolumbre a respeito da matéria.

Como Pacheco é uma figura próxima do presidente da República, seria uma forma de obrigar a conversa a acontecer. Entretanto, o senador preferiu não aceitar o convite, de acordo com ele, por já ter relatado muitas matérias importantes e tido “vários projetos aprovados” na Casa.

De acordo com Pacheco, seria importante dar espaço a outro senador para relatar a matéria e ter para si o “domínio da pauta”. O senador era o plano número 1 do presidente Lula para disputar a eleição ao governo de Minas Gerais, mas decidiu encerrar a vida política ao fim do mandato no Senado neste ano.

PEC DA SEGURANÇA –  Após declarar que não aceitaria relatar a proposta pelo fim da 6×1 no Senado, Pacheco confirmou que recebeu o convite de Alcolumbre para relatar a PEC da Segurança Pública. “O que houve, por parte do presidente Alcolumbre, foi uma ponderação a mim sobre a PEC da Segurança. Se pudesse contribuir”, declarou.

De acordo com ele, a relatoria ainda não é certa, visto que outros senadores também estão interessados na pauta. Pacheco afirmou que não tem interesse pessoal em relatar a matéria, mas não recusaria o convite do presidente do Senado.

Em maio, o presidente Lula (PT) fez um apelo a Alcolumbre para que paute a votação da PEC da Segurança Pública, enviada há mais de um ano pelo Planalto ao Congresso. O texto segue parado na Casa Alta há pelo menos três meses, quando foi aprovado na Câmara. A PEC 8 de 2025 é um dos principais interesses do governo federal no Congresso Nacional visando a pauta do combate ao crime organizado como um dos ativos com apelo popular para as eleições de outubro.

Piada do Ano! Aliados organizam jantar para levantar o ânimo de Ciro Nogueira…

Ciro Nogueira ganhou jantar de consolo

Bela Megale
O Globo

O senador Ciro Nogueira ganhou um jantar para “melhorar seu ânimo”, depois de ser alvo da operação da Polícia Federal que apura irregularidades envolvendo Daniel Vorcaro. O encontro aconteceu recentemente na mansão de uma ex-liderança política no Lago Sul, bairro nobre de Brasília.

Os convidados foram poucos, mas envolveram presidentes de partidos políticos de centro-direita. Segundo presentes, o encontro foi uma espécie de “jantar de consolo”, já que o senador está no centro do escândalo do Master e foi alvo de buscas da Polícia Federal.

PREOCUPAÇÃO – No jantar, o presidente do PP se mostrou “abatido” e “muito preocupado”, conforme relatos de pessoas que estavam no local. Ciro ainda disse acreditar que Vorcaro não traria novas informações sobre a relação de ambos e reforçou que Vorcaro era seu “amigo-irmão”.

Ciro, no entanto, não mostrou disposição de abrir mão da sua candidatura à reeleição do Senado pelo Piauí. Na conversa, disse acreditar que medidas como uma condenação ou uma prisão não ocorreriam, ainda mais antes do pleito eleitoral.

No inquérito que investiga os dois pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, a PF destaca que o “vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal”. O relatório policial diz que Vorcaro mantinha uma “relação instrumental” com Ciro Nogueira para atender a interesses do Master no Congresso Nacional. Em contrapartida, a PF aponta que o parlamentar recebia vantagens financeiras, como o pagamento de despesas no exterior. O relatório da PF lista uma série de fotos em que Vorcaro aparece com Ciro em viagens internacionais.

Arma de Bolsonaro foi inutilizada por causa de remédios psiquiátricos, diz defesa

Medicações afetam ‘cognição do ex-presidente’

Pepita Ortega
O Globo

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a equipe de segurança do ex-presidente retirou um item da arma de fogo que ele tinha em casa com o objetivo de torná-la inoperante. Os advogados afirmam que a medida foi adotada porque os medicamentos psiquiátricos que Bolsonaro toma afetam sua “cognição”.

“Embora possuísse regularmente o armamento, as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário (Bolsonaro), capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, diz a peça apresentada ao ministro Alexandre de Moraes, relator da trama golpista no STF.

POSSE REGULAR – Percussor é um componente que atua no disparo da arma de fogo. A defesa também negou haver irregularidades na posse, pelo ex-chefe do Executivo, da pistola que foi apreendida durante blitz do bafômetro no início da semana, no Distrito Federal. Segundo os advogados, a posse da arma era regular e, apesar da condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de estado em 2022, não foi determinada a entrega de armas ou o cancelamento de registros em nome do ex-presidente.

“Bolsonaro, portanto, não se encontrava em situação irregular”, sustentaram os advogados após uma cobrança do ministro Alexandre de Moraes. Eles alegaram ainda que o ex-chefe do Executivo “teria prontamente entregue o armamento” caso houvesse determinação do Supremo Tribunal Federal. Dizem que Bolsonaro não tem interesse em reaver a pistola – hoje sob custódia da Polícia Civil do DF – enquanto estiver preso.

Os advogados de Bolsonaro sustentam que, recentemente, o ex-presidente percebeu, pelo “simples acionamento do ferrolho e sem qualquer necessidade de disparo”, que o mecanismo da pistola não estava funcionando regularmente. O ex-chefe do Executivo não conseguiu identificar a causa do problema e então entregou o armamento para um segundo-sargento do Exército, para que ele verificasse o ocorrido, sustentou a defesa.

FALHA – “A necessidade de verificação do armamento decorreu exclusivamente da falha constatada em seu funcionamento, sem qualquer relação com a proximidade do término do período de prisão domiciliar humanitária”, afirmaram ainda os representantes de Bolsonaro ao STF.

Moraes cobrou as explicações agora prestadas pela defesa de Bolsonaro após a Polícia Civil do Distrito Federal informar o gabinete sobre a apreensão. A arma foi encontrada com um sargento que se identificou como integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República e disse trabalhar com Bolsonaro.

À Polícia Civil, o militar sustentou que a pistola seria do ex-presidente e lhe foi entregue em razão de uma “pane que aparentava ser de fácil solução”. A versão do sargento é a de que ele retirou a arma ontem para fazer o reparo do percussor e que a pistola seria devolvida nesta terça.

SEM REGISTRO – Segundo o policial responsável pela abordagem de fiscalização da Lei Seca, o segundo-sargento que levava a arma de Bolsonaro inicialmente afirmou que a pistola constava em sua funcional. Somente após o agente confirmar que não havia registro da arma em seu nome, o sargento declarou que a pistola pertencia ao ex-presidente e que a mesma ficava dentro do carro.

Ainda de acordo com o policial, o sargento afirmou que não estava com o registro da arma. Também foi encontrado no carro um carregador sobressalente. O militar foi então conduzido à Delegacia para registro do caso. Segundo o documento, o sargento foi abordado por volta das 22h30, em Taguatinga, região administrativa de Brasília.

Consulta ao sistema do Exército brasileiro demonstrou que a pistola Glock 9 mm, com carregador sobressalente, recolhida pela Polícia Civil na noite de segunda, é de propriedade de Bolsonaro. A apreensão se deu a menos de 10 dias para encerramento do período de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente, para que ele se recuperasse de um quadro de broncopneumonia.

INQUÉRITO –  Também nesta quarta, a Polícia Civil do Distrito Federal informou a Moraes que abriu um inquérito para investigar a apreensão da arma do ex-presidente. As informações da apuração serão compartilhadas com o gabinete do ministro do STF.

Conforme o boletim de ocorrência, a arma foi apreendida porque não havia documentação necessária para o porte da mesma. Segundo o documento, o sargento não levava o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), o que é irregular e implica na necessidade de recolhimento da pistola. No B.O., o nome do ex-presidente aparece como “envolvido” na ocorrência.

Condenação de Eduardo pode inviabilizar chapa em São Paulo, dizem analistas

Ex-deputado ficará inelegível por oito anos

Carolina Faria
Folha

Eventual manutenção de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na suplência de André do Prado (PL-SP) para a disputa ao Senado por São Paulo neste ano resultaria na cassação da chapa inteira após a condenação do ex-deputado federal pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), segundo especialistas ouvidos pela Folha.

O lançamento da pré-candidatura de André do Prado, que hoje é presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, foi mantido para sábado (20), e ele disse que caberá a Eduardo decidir se seguirá como suplente ou se indicará algum outro nome enquanto recorre da decisão do STF.

CARÁTER POLÍTICO – A professora Vânia Aieta, presidente da Comissão de Direito Eleitoral do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros), avalia que a estratégia do PL tem caráter sobretudo político. “Eduardo Bolsonaro terá de ser substituído em dez dias diante da decretação da inelegibilidade no momento do julgamento do registro. Os outros permanecem. Se não substituírem, cairá a chapa toda. O partido não deixará jamais isso acontecer. Sabem que não prosperará essa tentativa. É factoide de vitimização para angariar votos”, afirma.

Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicialmente semiaberto pelo crime de coação no curso do processo por sua atuação nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro. Com a condenação, o ex-parlamentar se torna ficha suja e fica impedido de disputar as eleições por oito anos. Ainda cabe recurso contra a decisão.

EFEITOS – Segundo o advogado Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da FGV-SP, a condenação já produz efeitos sobre uma eventual candidatura de Eduardo, mesmo antes da publicação do acórdão ou do trânsito em julgado (quando não há mais margem para recursos). “A partir do momento em que existiu a condenação, já incide sobre Eduardo Bolsonaro uma inelegibilidade prevista na lei complementar 64 de 1990”, afirma.

Segundo ele, porém, quem reconhece formalmente essa condição não é o STF no julgamento criminal, mas a Justiça Eleitoral ao analisar um eventual pedido de registro de candidatura.

Neisser afirma que isso não impede o PL de registrar Eduardo dentro do prazo legal. “O partido tem liberdade para escolher o candidato e pedir o registro. Depois disso, abre-se prazo para impugnações, e adversários ou o Ministério Público Eleitoral podem sustentar que ele está inelegível”, diz. O caso seria julgado inicialmente pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo).

REGISTRO NEGADO – Na avaliação do advogado, se a condenação for mantida, a tendência é que o registro seja negado. “A chapa é una. Se um dos membros, seja o titular ou um dos suplentes, tiver o registro indeferido, a chapa inteira é indeferida”, afirma.

Ainda assim, caberiam recursos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o que permitiria a Eduardo permanecer formalmente candidato durante a tramitação do processo. “O partido pode mantê-lo na chapa até 20 dias antes da eleição. Depois disso, se ele continuar inelegível e não for substituído, os votos atribuídos à candidatura podem ser anulados”, diz.

ANULAÇÃO – O advogado eleitoralista Francisco Irapuan Camurça concorda que a manutenção de Eduardo representaria um risco. “Se ele for candidato estando inelegível, como ocorreu com Eduardo Bolsonaro, os votos destinados à chapa poderão ser anulados, porque a candidatura ao Senado, formada pelo titular e dois suplentes, é indivisível”, afirma.

Sobre sua condenação, Eduardo, que atualmente mora nos Estados Unidos, declarou em nota: “O real objetivo deste julgamento sem pé nem cabeça é apenas um: tirar meu nome das eleições”.

Depois de Wagner, a fila anda e chegará a vez de Rui Costa e de Davi Alcolumbre

VORCARO CITA 30 MILHÕES DE DÓLARES PARA ALCOLUMBRE E RELAÇÃO COM PT DA BAHIAVicente Limongi Netto

Jorge Amado não merecia saber da colossal sujeira e roubalheiras do baiano, ex-governador Jaques Wagner.  É claro que Gilberto Gil, Caetano Veloso e Bethânia tentam disfarçar o constrangimento.  Dia 16 a Tribuna da Internet publicou meus sonhos possíveis, com delações de Wagner e Rui Costa, também ex-governador. 

A vez de Rui Costa chegará. Orelhas dele ardendo mais do que carvão de sauna. No mesmo artigo, também frisei meus sonhos vendo, finalmente, Davi Alcolumbre na cadeia. E a batata do cretino roliço também está assando.

LAMA DO CINISMO – Esta escória da política brasileira, infelizmente se afundando mais na imundície. Na lama do cinismo.  A sujeira de Wagner é arma poderosa para adversários. 

O Tariflávio Rachadinha Achocolatado vai calibrar muita munição. Guerra de chumbo trocado. Wagner é do PT, líder do governo, mas a desgraça política de Wagner não pode nem deve respingar em Lula.  O presidente não tem nada a ver com a sujeirada do senador baiano. 

 Notas oficiais pipocando. Jurando que Wagner é puro e santo. Quase foi padre.  Senadores e deputados ligados ao senador também entram na ladainha cretina destacando que o senador é decente. 

É UM DESCLASSIFICADO – O povão está perplexo e indignado. Wagner deveria raspar a barba branca que cultiva há décadas. Não merece mais ser tratado como bom político.   Pobre Brasil, desonrado   por homens públicos desonestos.

Foram-se os áureos tempos de Marcos Freire, Mario Covas, Bernardo Cabral, Nelson Carneiro, Franco Montoro, Vírgilio Távora, Henrique La Roque, Jarbas Passarinho, José Sarney, Josafá Marinho. Convivi com eles. Altivos e bravos. O busto do senador Ruy Barbosa, no plenário do senado, abençoa todos eles. 

Ao tentar soltar pai e primo de Vorcaro, Gilmar teve atitude altamente suspeita

Gilmar: se forem reais, diálogos de Moro são absurdos e podem anular penas | VEJA

Gilmar quis soltar pai e primo de Vorcaro e tomou uma dura…

Marcos Augusto Gonçalves

A recente refrega entre Gilmar Mendes e André Mendonça, em torno da prisão do pai de Daniel Vorcaro, expôs mais uma vez os antagonismos no interior do Supremo Tribunal Federal, além das conhecidas atitudes suspeitas de juízes diante do caso Master. O decano da instituição não ficou bem na fotografia.

Já está mais do que claro que pelo menos dois magistrados têm envolvimento com o banqueiro mafioso. Um deles, Alexandre de Moraes, deve explicações sobre o contrato de cerca de R$ 130 milhões que o escritório de advocacia de sua família firmou com o banco.

OPERAÇÃO ABAFA – Já Dias Toffoli, depois de tentar uma frustrada operação abafa, deixou a relatoria e declarou-se impedido de participar de votações. Seus laços pessoais e familiares com Vorcaro tornaram-se evidentes nas negociações com o famigerado Tayayá Aqua Resort.

Deveriam ambos, Moraes e Toffoli, ser objeto de um inquérito promovido pela própria corte, que, aliás, mantém há sete anos um procedimento desse tipo, sobre fake news e ofensas ao tribunal, mas é usado ao contrário, como instrumento de intimidação em defesa de interesses de magistrados.

Tal situação certamente não ajuda a Operação Compliance Zero, que apura o esquema de fraudes, sob os cuidados de Mendonça. Até prova em contrário, contudo, o relator vem cumprindo o seu papel.

GILMAR ESCORREGA – O decano Gilmar Mendes, notório talento em matéria de acomodações institucionais e acordões, está insatisfeito com o andar da carruagem. Por que será?

Ao se posicionar pela prisão domiciliar do pai de Vorcaro, Gilmar argumentou que a relatoria de Mendonça candidata-se a uma nova Lava Jato. Ou seja, estaria dando margem a abusos que poderiam levar a uma futura anulação das decisões. O raciocínio pareceu suspeito a alguns.

A título de posar de paladino de garantias constitucionais e da democracia, Gilmar Mendes sinalizaria sua inclinação a retomar o modo “abafa o caso” antes acionado por Toffoli e afrouxar o cerco em torno de Vorcaro.

OBJETIVOS SUJOS – A consequência previsível seria ajudar a salvar a pele de gente graúda e de seus companheiros de toga, em prejuízo da Justiça e dos interesses da sociedade.

O principal problema para Gilmar —além de ele não controlar o relator— foi o vazamento de conversas íntimas entre Vorcaro e a noiva e influenciadora Martha Graeff, retiradas de um celular do dono do banco. De fato, a publicidade foi indevida, mas daí apontar o dedo para Mendonça, que pediu investigação, acusando-o de repetir a Lava Jato, vai uma distância.

Gilmar Mendes, não esqueçamos, foi protagonista de um episódio bastante rumoroso na operação de Sergio Moro, ao impedir, em canetada monocrática e abusiva, a presidente da República de exercer o direito de nomear ministros —no caso Lula. E o fez com base num áudio vazado ilegalmente. Portanto, é frágil sua coreografia de escudo contra o lavajatismo.

FRAUDE GIGANTESCA – Presenciamos uma nova onda de revelações que deixam o país de queixo caído.

Como disse Mendonça, o que se configura é uma gigantesca fraude orquestrada por uma máfia com tentáculos nas finanças e nas instituições, que suborna, intimida e manda “moer” desafetos.

O caso de Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro e presidente do PP, fala por si. Hugo Motta também apareceu no bolso de Vorcaro. Quem mais vem aí?

Congresso decola inflação se derrubar vetos e multiplicar a conta de energia

Sindpol Alagoas | Inflação oficial de março é a maior para o mês desde 1995

Charge do Cicero (Arquivo Google)

João Gabriel
Brasília

O Congresso Nacional colocou em pauta para a sessão desta quinta-feira (18) a volta dos vetos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez aos chamados jabutis da lei das eólicas offshore, dispositivos sem ligação com o tema principal do texto. Por falta de acordo entre os parlamentares, porém, a sessão foi cancelada, depois de divulgada a sua pauta.

A lei das eólicas offshore foi aprovada pelo Congresso Nacional no final de 2024 para regulamentar a geração de energia em alto-mar. Ao texto, porém, foram incluídos uma série de jabutis que podem ter um impacto de até R$ 545 bilhões sobre a conta de luz, até 2050.

CARAS E POLUENTES – Esses dispositivos determinavam, por exemplo, a contratação obrigatória de uma série de usinas termelétricas a gás —que têm uma operação mais cara e poluente— e de forma ininterrupta (o chamado regime inflexível). Em janeiro de 2025, o governo decidiu vetar parte dos jabutis.

Se derrubados, os vetos em pauta podem ter impacto de R$ 348 bilhões sobre a conta de luz até 2050. Somados aos pontos vetados e que já foram derrubados pelos parlamentares anteriormente, o pacote todo pode elevar o preço da energia em 9% neste período, de acordo com cálculos da consultoria PSR.

O estudo foi encomendado por entidades da indústria e de energia, como Frente Nacional dos Consumidores de Energia, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), a Fecomercio de SP e MG, que se mobilizam contra a volta dos jabutis e pela manutenção dos vetos.

VETOS DERRUBADOS– O Congresso já derrubou em junho de 2025, uma primeira parte destes vetos feito pelo governo, validando os trechos. Essa parcela já adicionava um custo de quase R$ 200 bilhões à conta de luz.

Este primeiro pacote incluiu quatro itens, que determinavam a contratação compulsória de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), hidrogênio no Nordeste, eólicas no Sul e a prorrogação dos incentivos fiscais do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica).

Como mostrou a Folha, o aumento do preço de energia é uma das preocupações do Palácio do Planalto em 2026, já que tem o potencial de impactar negativamente a aprovação do governo Lula no contexto de uma corrida eleitoral apertada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

EM PAUTA – Agora, para a sessão desta quinta, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), colocara na pauta o restante dos jabutis, o que pode resultar em preços mais altos para os consumidores.

A sessão deve acontecer em uma semana na qual os trabalhos legislativos estão esvaziados, com a maioria dos parlamentares fora de Brasília, atuando em seus estados durante a Copa com foco nas eleições.

Dentre os vetos em análise está um sobre o dispositivo que determina a contratação ininterrupta das termelétricas a gás. A Abrace, que representa os grandes consumidores de energia, estima que este item acrescentaria mais R$ 155 bilhões à conta de luz.

USINAS A CARVÃO – Outro jabuti que está na pauta é o que prorroga a contratação de usinas a carvão, ainda mais poluentes que as de gás e que podem custar R$ 92 bilhões ao consumidor.

Um terceiro veto que pode ser derrubado pelo Congresso é a ampliação do subsídio para a micro e minigeração distribuída de energia, modalidade de geração que acontece no próprio local — como painéis solares instalados em telhados das casas, por exemplo, ou em um condomínio. Esse ponto pode aumentar a conta em até R$ 101 bilhões.

Segundo os cálculos da PSR, o pacote ainda aumentaria em 25% a emissão de gás carbônico da matriz energética brasileira. É possível que a contratação de mais usinas aumente o excesso de energia na rede elétrica, agravando os cortes de geração. O custo para cada estado varia entre R$ 12 bilhões e quase R$ 20 bilhões, já que a tarifa de energia não é igual para todos os locais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMatéria importante enviada pelo comentarista José Perez Jr.. Alcolumbre exige que o governo estanque a sangria do Master, mas Lula não tem como. Os Estados mais impactados são Pará (R$ 19,45 bi), Mato Grosso do Sul (R$ 18,03 bi), Rio de Janeiro (R$ 17,97 bi), Alagoas (R$ 17,88 bi) e Amazonas (R$ 17,77 bi). (C.N.)

Como Oswaldo Montenegro, faça uma lista dos amigos que você não vê mais

Quando a gente ama Simplesmente ama É... Oswaldo Montenegro - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Oswaldo Viveiros Montenegro, na letra de “A Lista”, fala sobre lembranças que todos já tiveram. Além disso, o compositor ainda faz uma comparação com o que fazia e o que faz hoje. A música foi gravada por Oswaldo Montenegro no Álbum “A Lista”, em 2001, pela Jam Music.

A LISTA
Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos.
Quem você mais via há dez anos atrás.
Quantos você ainda vê todo dia,
Quantos você já não encontra mais.
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!

Quantos amores jurados pra sempre,
Quantos você conseguiu preservar.
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora,
Hoje é do jeito que achou que seria?

Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava,
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer?

Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

Faça uma lista de grandes amigos,
Quem você mais via há dez anos atrás.
Quantos você ainda vê todo dia,
Quantos você já não encontra mais.
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos, ninguém quer saber.
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você.  

Jaques Wagner virou alvo da PF pelos pagamentos ligados ao Banco Master

Em meio à crise, Flávio aposta em plano de segurança para reativar campanha

Diretor de “Dark Horse” diz esperar que filme eleja Flávio à Presidência

Filme sobre Bolsonaro assume objetivo eleitoral

Paulo Assad
O Globo

Durante a primeira exibição pública do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o diretor Cyrus Nowrasteh disse que espera que a produção ajude a eleger o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) presidente do Brasil. Na semana passada, o PT pediu ao Ministério Público Eleitoral e à Polícia Federal que investiguem os recursos que financiaram a obra, bem como o uso eleitoral do filme.

“Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Cyrus, após a exibição do filme em um hotel de Las Vegas, na segunda-feira.

ENCONTRO DA DIREITA – Dark Horse teve a sua primeira exibição ao público em um encontro da direita americana batizado de Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate a Fraude). A premiere do filme marcou o final do primeiro dia da convenção e contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Como mostrou o blog da Bela Megale, o foco do filho do ex-presidente era atrair distribuidores interessados em exibir ‘Dark horse’ em salas de cinema nos Estados Unidos. Após a exibição, Eduardo e o diretor Cyrus Nowrasteh estiveram entre os participantes de um painel mediado pelo influenciador de direita Juan O’Savin.

Durante o painel, Eduardo Bolsonaro falou sobre a situação de saúde do pai e discorreu sobre o envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Operação Lava Jato O ex-deputado afirmou que o filme faz parte de uma guerra cultura contra adversário ideológicos.

“O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda”, disse Eduardo, que fez menção ao filme Exterminador do Futuro 2, de 1991, como exemplo de obra cinematógráfica de impacto duradouro, sugerindo que “Dark horse” poderia ter o mesmo alcance.”É assim que esse tipo de coisa é poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial”, acrescentou

REAÇÃO POLÍTICA – Eduardo também respondeu a um questionamento sobre se a produção do filme precisou lidar com alguma “reação política contrária do establishment comunista”. O ex-deputado se limitou a mencionar uma ação na Justiça Eleitoral, sem fazer menções às outras controvérsias nas quais “Dark horse” está envolvido, como o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, à produção do filme.

“O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, disse Eduardo.

DOCUMENTOS LEGAIS – Ao responder a mesma pergunta, Cyrus Nowrasteh afirmou que o filme foi filmado sem conhecimento do “establishment” e acrescentou que os órgãos públicos só souberam da produção ao final das filmagens, quando a equipe gravava as cenas da facada sofrida por Bolsonaro na campanha de 2018. “Todos os nossos documentos estavam legais”, disse o cineasta. Em outro trecho ele afirma que o filme pode ajudar a eleger Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

“Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Cyrus.

CONDENAÇÃO – Na última terça-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por atuar nos EUA para coagir ministros da Corte através da articulação de sanções. O evento em Las Vegas aconteceu um dia antes da decisão, mas o tema foi abordado pelo ex-deputado, que se referiu aos magistrados como “covardes”.

“Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade. Não porque eu estivesse tentando absolver meu pai no julgamento, porque eu sempre soube que ele seria condenado. Mas, como eles são covardes, não processam nem denunciam o presidente Trump, o secretário Rubio ou Bessent. Em vez disso, estão me denunciando, tentando me tornar inelegível”, disse Eduardo.

PROGRAMAÇÕES – O evento teve em suas sua programação apresentações e discussões sobre “métodos avançados para detecção de manipulação em processos eleitorais”. Um dos cartazes do encontro conservador convocava o público a se juntar aos “lutadores” no combate a fraude em títulos, corrupção governamental, fraude eleitoral e golpes na área de saúde. O ingresso para participar do evento, que aconteceu no hotel Aher, em Las Vegas, custava US$ 350. Segundo a organização da cúpula, todos os 700 assentos esgotaram.

O primeiro dia do Fraud Fighter Summit não contou com transmissão on-line, mas parte do público compartilhou trechos do encontro nas redes sociais. Um deles mostra o discurso feito pela ex-funcionária eleitoral do Colorado Tina Peters, que antecedeu à exibição de “Dark horse”. Até o início de junho, a americana encontrava-se presa após ser condenada a nove anos de prisão por permitir a terceiros acesso não autorizado a equipamentos de votação. O objetivo de Peters era mostrar que as urnas haviam sido fraudadas para prejudicar Trump no pleito de 2020, perdido para Joe Biden.

No dia primeiro de junho, ela foi solta após o governador do Colorado, o democrata Jared Polis, ser pressionado por Trump a reduzir a pena de Peters. “Este filme é muito importante. Acompanhei Bolsonaro e o que aconteceu no Brasil. Isso pode acontecer em todos os países do mundo e é claro que eles estão tentando fazer isso com o nosso país. (…) Amo vocês e precisamos respeitar esse pessoal do Brasil”, disse Peters, sob aplausos dos presentes.

Condenação de Eduardo Bolsonaro deve projetar efeitos sobre a sucessão

Julgamento atinge o futuro do campo conservador 

Pedro do Coutto

A condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal representa um dos episódios mais delicados da trajetória política do bolsonarismo desde os acontecimentos que culminaram nos atos de 8 de janeiro de 2023. Mais do que uma decisão judicial, o julgamento produz consequências políticas que ultrapassam a figura do ex-parlamentar e alcançam diretamente o futuro do campo conservador brasileiro, especialmente em um momento em que a disputa pela sucessão presidencial já começa a ganhar contornos mais definidos.

A decisão unânime dos ministros da Primeira Turma foi interpretada por setores políticos e jurídicos como o reconhecimento de que houve uma tentativa de constranger instituições brasileiras por meio da busca de apoio estrangeiro contra integrantes da mais alta Corte do país. Segundo a acusação acolhida pelos magistrados, Eduardo Bolsonaro teria atuado para estimular sanções internacionais contra ministros do STF durante o período em que avançavam as investigações relacionadas à tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022.

ARTICULAÇÃO POLÍTICA – O episódio adquire relevância ainda maior porque não se trata apenas de uma controvérsia jurídica. O julgamento reforça uma narrativa que vem sendo construída desde os ataques às sedes dos Três Poderes: a de que existia uma articulação política mais ampla voltada para contestar o resultado eleitoral que conduziu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. Para os ministros que participaram do julgamento, a atuação atribuída a Eduardo Bolsonaro não pode ser dissociada desse contexto mais abrangente de enfrentamento às instituições democráticas.

A situação torna-se ainda mais complexa porque o ex-deputado vive atualmente nos Estados Unidos. Sua permanência no exterior já havia provocado desgaste político ao resultar na perda do mandato parlamentar em razão do elevado número de ausências registradas. Agora, a condenação acrescenta um novo elemento de incerteza, sobretudo em relação aos desdobramentos jurídicos futuros. Eventuais medidas para execução da pena dependerão de procedimentos internacionais e de decisões que extrapolam o ambiente político doméstico.

Entretanto, os efeitos mais imediatos parecem estar concentrados no campo eleitoral. Embora ainda seja cedo para medir com precisão o impacto da condenação sobre a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro, a ligação familiar e política entre os dois irmãos torna inevitável algum grau de contaminação da imagem pública do projeto eleitoral bolsonarista. Em política, especialmente em disputas nacionais, fatos dessa magnitude dificilmente permanecem restritos ao personagem diretamente envolvido.

APOIO EXTERNO – O desgaste decorre principalmente da percepção de que houve uma tentativa de buscar apoio externo para influenciar disputas internas brasileiras. Independentemente das diferentes interpretações ideológicas que cercam o episódio, a defesa da soberania nacional continua sendo um valor fortemente presente na cultura política do país. Por essa razão, iniciativas que possam ser interpretadas como convite à interferência estrangeira costumam enfrentar resistência em amplos segmentos da sociedade.

Essa dimensão simbólica talvez seja o aspecto mais sensível da condenação. Ao longo da história republicana, poucos temas produzem consenso tão amplo quanto a preservação da autonomia nacional diante de pressões externas. Quando um agente político passa a ser associado à ideia de recorrer a governos estrangeiros para influenciar instituições brasileiras, o debate deixa de ser apenas jurídico e passa a atingir valores profundamente enraizados no imaginário coletivo.

Não por acaso, a decisão também alimenta questionamentos sobre os rumos estratégicos adotados por parte da direita brasileira nos últimos anos. A aproximação ideológica com setores ligados ao presidente norte-americano Donald Trump sempre foi apresentada pelos aliados de Jair Bolsonaro como um ativo político. Contudo, a condenação de Eduardo Bolsonaro sugere que essa vinculação pode ter ultrapassado os limites da afinidade política e ingressado em um terreno de elevado custo institucional.

ISOLAMENTO –  O julgamento, portanto, não representa apenas um revés individual. Ele reforça a percepção de isolamento político de uma parcela do bolsonarismo que apostou na internacionalização de conflitos internos brasileiros. O resultado final dessa estratégia parece ter sido o oposto do pretendido: em vez de fortalecer posições políticas, acabou ampliando a resistência institucional e oferecendo novos argumentos aos adversários.

Nos próximos meses, a repercussão da condenação deverá continuar influenciando o debate nacional. A oposição buscará transformar o episódio em símbolo daquilo que considera uma tentativa de submissão dos interesses brasileiros a agendas estrangeiras. Já os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro deverão concentrar esforços na narrativa de perseguição política e judicial.

Independentemente da leitura adotada por cada campo ideológico, um fato parece incontestável: a condenação de Eduardo Bolsonaro acrescenta mais um capítulo de forte impacto à crise que envolve o bolsonarismo desde 2023. E, à medida que o país se aproxima de uma nova disputa presidencial, seus reflexos tendem a ultrapassar o âmbito judicial para influenciar diretamente os cálculos eleitorais, as alianças partidárias e o próprio debate sobre os limites da atuação política em uma democracia.

Alvo da PF, Wagner exibia o temor dos políticos com a delação de Vorcaro

Jaques Wagner foi alvo de operação da PF nesta quinta-feira

Roberto Nascimento

Nesta terça-feira, dia 16, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), saiu de seus cuidados e subiu à tribuna para fazer um surpreendente discurso, criticando a reforma da Lei da Delação Premiada, que o Congresso aprovou em 2013.

Wagner disse que o Congresso não percebeu, à época, os riscos de permitir acordos de colaboração com investigados já presos. “Nós, acho, cometemos um erro. A lei de delação premiada, que foi aprovada ainda no tempo da presidenta Dilma, admitiu a delação premiada com as pessoas sob coação, com as pessoas presas”, afirmou.

SOB COAÇÃO – O mais curioso foi ver o líder do Governo dizendo que, esse modelo abriu espaço para acusações obtidas sob “coação psicológica” durante as investigações da Lava Jato.

“Na verdade, foi com essa delação sob coação psicológica, a real, que se arrancou um número infindável de acusações que levaram o atual presidente Lula à cadeia.”

Em seguida, o parlamentar petista disse que a colaboração premiada deveria ocorrer apenas com investigados em liberdade. “O instituto da colaboração é para alguém que esteja em liberdade e resolva colaborar para evitar que seja eventualmente preso. Alguém que está preso, que tipo de coação tem? Vai voltar para a Papuda? Não vai voltar para a Papuda?”, questionou.

APOIO A ALCOLUMBRE – O discurso de Wagner foi feito em solidariedade ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. O líder petista aproveitou para também desmentir ter se envolvido em negócios com Vorcaro na Bahia.

Quando um político se manifesta sobre um fato, como é o caso do senador do PT da Bahia, Jaques Wagner, sempre há uma relação de causa e efeito. Assim, ficou demonstrado o temor de Wagner, Alcolumbre Rui Costa, Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro e muitos outros que mamaram nas tetas do Banco Master. E, nesta quinta-feira, a PF fez  operação de busca e apreensão contra Wagner em Salvador, suspeito de receber propinas e uma apartamento de luxo.

E o assunto vai render, porque Vorcaro quer trocar de advogado e insistir no pedido de delação premiada, embora isso não signifique que será evitada sua transferência para a prisão da Papuda, até que aceite contar em detalhes como comprava apoio político no Congresso e proteção no Planalto e no Supremo, pagando caro e sem garantia de entrega, como se viu no caso do contrato de R$ 129,6 milhões com a mulher do ministro Alexandre de Moraes.

Nenhuma seleção pode ser campeã tendo laterais que apenas defendem

Tribuna da Internet | Fragilidade defensiva pelos lados pode ser o maior  problema para a seleção

Wesley saiu contundido e não tem substituto à altura

TOSTÃO
Folha

No Brasil é tudo ou nada. A seleção, muito festejada antes da estreia, passou a ser bastante criticada após o empate por 1 x 1 contra a boa seleção de Marrocos. Casemiro, que nos últimos 12 meses foi bastante elogiado pelo seu desempenho no Manchester United e na seleção sob o comando de Carlo Ancelotti, tem sido muito criticado pelos passes errados e pela falta de mobilidade.

Mesmo se Casemiro atuar bem no restante do mundial, suas características técnicas e físicas, de muita marcação, porém de pouca mobilidade, leveza, estão cada dia mais em desuso.

VERSATILIDADE – Os grandes jogadores atuais de sua posição marcam, possuem ótimos passes, tocam a bola e avançam. São o elo entre o meio campo e o ataque, como Vitinha, de Portugal, Valverde, do Uruguai, Bouaddi, de Marrocos, 18 anos, além de outros.

Casemiro deveria atuar centralizado, mais recuado, com um meio-campista de cada lado, que defendem, constroem e atacam. Não se pode confundir a estrutura tática com um trio no meio campo, em que os três, alternadamente, jogam de uma intermediaria à outra, usada por grandes times e seleções, com a formação do Brasil contra Marrocos com dois volantes (Casemiro e Bruno Guimarães) e Paquetá como um armador pela ponta.

A seleção deveria mudar o padrão das últimas décadas com pouca aproximação, pouca troca de passes no meio campo e a dependência de alguns excepcionais lances individuais, como o gol de Vinicius Junior contra o Marrocos.

TÁTICA SUPERADA – No Brasil, continua ainda a antiga divisão do meio campo entre os volantes que marcam e atuam do meio para trás e o meia ofensivo centralizado que joga do meio para frente.

Os 7×1 contra a Alemanha, os 4×1 contra a Argentina e tantos outros momentos ruins do futebol brasileiro nos últimos 20 anos passam pela pouca associação dos jogadores do meio campo e pela pressa de chegar ao gol. Um grande time precisa alternar as duas virtudes. Existe o tempo de acelerar, ousar e o de pausar, cadenciar.

Há outros problemas. Uma seleção não pode ter laterais apenas para marcar. Assim como uma grande equipe precisa de meio-campistas que jogam bem de uma intermediaria a outra, necessita de laterais que marcam e avançam.  Não faz diferença escalar Danilo ou Ibañez na lateral direita nem Alex Sandro ou Douglas na lateral esquerda.

RAPHINHA E VINI – Raphinha tem sido muito criticado e alguns pedem a sua saída. No Barcelona, Raphinha é um jogador que brilha intensamente em poucos momentos do jogo. No restante da partida costuma ser discreto, como tem sido na seleção.

Ocorre algo parecido com Vini. Ele tenta um grande número de lances individuais, erra muito e é criticado quando não faz uma bela e decisiva jogada. Se isso acontece, como no jogo contra o Marrocos, é endeusado. Os dois são importantíssimos para a seleção.

As outras seleções candidatas ao título também possuem problemas. A Espanha, sem bons reservas para os pontas Lamine Yamal e Nico Willians, que só jogaram os últimos 20 minutos, teve enormes dificuldades no empate por 0x0 contra a retranca da modesta equipe de Cabo Verde.

OUTRO EXEMPLO – A França, na vitória por 3×1, deixou muitos espaços na defesa e Senegal criou três ótimas chances de gol.

No segundo tempo, a França mostrou o seu enorme talento ofensivo. Fez três e poderia ter feito seis gols.

Ancelotti está confuso com tantas possibilidades na escalação e no desenho tático, ou vai usar estas opções para definir no momento certo a formação mais correta e decisiva?

Zambelli será julgada de novo em julho e ainda não escapou de ser extraditada

O que a Justiça italiana alegou na decisão sobre Zambelli | G1

Zambelli venceu a primeira batalha, mas ainda falta a final

Carlos Newton

Como se sabe, a Corte de Cassação da Itália, que equivale ao Supremo brasileiro, negou o primeiro pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), no caso da condenação por hackear o sistema do Conselho Nacional de Justiça, mas isso não significa que ela tenha escapado da ameaça de extradição, para cumprir pena no Brasil.

O tribunal romano deve pautar para início de julho o julgamento do segundo pedido brasileiro de extradição, referente à condenação da então deputada a cinco anos e três meses de prisão semiaberta, por porte ilegal de arma e perseguição a um jornalista que a assediara.

FRACASSO INICIAL – O primeiro pedido de extradição foi realizado pela Justiça do Brasil com base na condenação de Zambelli por um ato verdadeiramente infantil e ridículo, ao contratar o hacker Walter Delgatti Neto para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça e introduzir dados falsos, com uma “ordem de prisão” contra o ministro Alexandre de Moraes.

O objetivo era desmoralizar a Justiça e as urnas eletrônicos, mas falhou, porque o hacker foi descoberto, preso e dedurou Zambelli, que acabou pegando dez anos de reclusão em regime fechado e perdeu o mandato parlamentar. Foi mais um exagero penal bem ao estilo de Alexandre de Moraes.

No entanto, o relator do Supremo foi complacente ao julgar o hacker, que já está até solto, embora fosse reincidente e culpado pela desativação da Lava Jato, maior operação anticorrupção já feita no mundo.

JUIZ E VÍTIMA – A Corte de Cassação da Itália não autorizou a extradição, porque Moraes tinha sido vítima do crime, devido à inserção da falsa da ordem de prisão contra ele no sistema do CNJ. Portanto, era vítima e jamais poderia ter participado do julgamento

A decisão do tribunal romano é uma lição básica de Direito ministrada ao Supremo. Todo magistrado tem de se declarar suspeito e não pode participar de julgamento em que tenha sido vítima ou tenha ligação com algumas das partes ou seus defensores.

Os ministros brasileiros, porém, faltaram a essas lições na faculdade, estão pouco ligando para suspeições e julgam até processos defendidos por seus parentes,  esculhambando por completo o famoso Direito Romano.

NOVO JULGAMENTO – Agora, Zambelli vai a novo julgamento, em que há maior probabilidade de ser aceita sua extradição para o Brasil. Desta vez, estará em exame a condenação a cinco anos e três meses de prisão semiaberta, por porte ilegal de arma e perseguição a um jornalista que a molestara.

Carla Zambelli possuía registro e autorização de porte federal de arma de fogo, mas essa licença foi suspensa pelo Supremo em 2022. Desta vez, a possibilidade de extradição é maior, mas não se pode prever o comportamento dos ministros italianos.

Tudo vai depender da habilidade do defensor de Zambelli. O advogado deve mostrar que o jornalista Luan Araújo assediava a deputada e chegou a ser preso pelo não pagamento de uma multa referente a um processo de difamação movido pela então parlamentar paulista.

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P.S.
Não há dúvida de que Carla Zambelli errou duplamente – primeiro, ao contratar o hacker; e depois, ao perseguir o jornalista portando uma arma. Seu comportamento foi deplorável, mas não devia ser caso de perda de mandato, apenas de suspensão. Na verdade a questão central é sempre a mesma, causada pelo excesso de rigor do ministro Moraes, que impõe punições verdadeiramente absurdas. E isso parece que não vai acabar tão cedo. (C.N.)

Lula procura destravar palanques e grava vídeos de apoio a aliados nos estados

Lula reforça apoio a aliados para 2026

Victoria Azevedo
O Globo

A pouco mais de um mês do início das convenções nacionais, em que os partidos definem quem serão seus candidatos, o presidente Luiz Inácio Inácio Lula da Silva (PT) fez dois gestos nesta semana para destravar palanques que estavam em disputas por seus aliados.

Em Pernambuco, o petista tomou lado e gravou um vídeo declarando apoio ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) na eleição para o governo do estado, e na Paraíba, gravou peça para demonstrar endosso à campanha de reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB).

AGENDAS – Segundo um integrante da coordenação da campanha de Lula à reeleição, o petista deverá ter agendas voltadas à gravação desses vídeos para aliados nos estados a partir do dia 4 de julho, quando começa o chamado período de defeso eleitoral.

Esse aliado diz que Lula gravou por ora essas duas peças, a pedido dos próprios candidatos. Ele afirma que o presidente tem sido demandado por esse tipo de conteúdo, principalmente por candidatos ao Senado, e tem atendido os aliados na medida do possível. Esse aliado do presidente afirma ainda que a divulgação dessas peças não deve gerar atritos políticos com demais pré-candidatos nos estados, já que desde o começo era claro que esses candidatos teriam apoio do presidente.

A divulgação do vídeo de apoio a João Campos ocorre após o presidente do PT e coordenador da campanha do petista, Edinho Silva, ter desautorizado declaração do ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) de que Lula teria um duplo palanque no estado, onde Campos concorre contra a atual governadora, Raquel Lyra (PSD).

CRÍTICAS – Em entrevista ao O Globo, Dias indicou que o presidente apoiaria tanto Campos quanto Lyra no estado. A declaração do ministro gerou revolta no entorno do ex-prefeito, que rechaça a possibilidade de um duplo palanque, e o próprio pré-candidato telefonou a Edinho Silva para cobrar explicações. Segundo relatos, Lula também pediu a auxiliares que entrassem em campo para avisar que ele apoiaria somente o pessebista.

No vídeo, o petista diz que tanto o partido quanto ele apoiam Campos, fala em “compromisso histórico” e que é resultado de “uma relação produtiva, que deu resultado, que trouxe muita coisa para Pernambuco”. “Queria dizer a vocês que nós estamos juntos de verdade, por isso quero desejar a vocês boa sorte e boa luta”, afirma Lula no vídeo

O entorno da governadora de Pernambuco, por sua vez, minimizou a peça. Um aliado de primeira hora de Raquel Lyra afirma que um gesto desse tipo já era esperado, uma vez que o PT formalmente caminhará com Campos, mas diz que há confiança na relação de proximidade dela com o petista. Além disso, eles não descartam um gesto de Lula mais adiante e apostam que o chefe do Executivo não deverá viajar ao estado no primeiro turno para evitar qualquer mal-estar.

APOIO A VENEZIANO – Nesta semana, Lula também gravou um vídeo para declarar apoio à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) na Paraíba. O posicionamento ocorre em meio à disputa do parlamentar no estado contra o pré-candidato Nabor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), que também tem buscado estar próximo ao petista para amarrar esse apoio.

Um interlocutor frequente de Lula afirma, no entanto, que isso não significa que Lula não tem respeito pela candidatura de Wanderley. Esse político afirma diz que o pai de Motta será um aliado na campanha de Lula e que não haverá ruídos com ele localmente.

O entorno de Motta minimizou a divulgação da peça e negou que isso cria um mal-estar na relação de Lula e do presidente da Câmara. Segundo relatos, Motta não foi avisado sobre a divulgação do vídeo previamente. Lula e o presidente da Câmara se aproximaram nos últimos meses, num momento em que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e o petista estão afastados após o Senado impor derrota histórica ao governo com a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

ACENO – Um aliado de Wanderley disse também que enxergou um ato de desespero do senador Vital do Rêgo com essa divulgação do vídeo já que, segundo ele, a campanha do ex-prefeito de Patos tem ganhado tração e é uma candidatura competitiva. Ele afirma que o fato de Lula apoiar o governador Lucas Ribeiro (PP), que está no palanque de Wanderley, também favorecerá a candidatura do pai de Motta. O entorno do presidente da Câmara diz ainda acreditar ainda que o petista possa fazer algum gesto incisivo à candidatura de Wanderley até o início das eleições.

Um aliado de Motta diz, sob reserva, que enxerga na decisão do governo federal em retirar urgência do projeto de lei da 6×1, que trancava a pauta da Câmara desde o último dia 30, um gesto ao parlamentar após a divulgação do vídeo. Motta se reuniu com o ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais), e o Planalto retirou a urgência.

DIVISÃO – O presidente da República também já sinalizou apoio em outro estado em que há disputa entre partidos aliados, o Maranhão. No último dia 12, Lula gravou um vídeo ao lado do pré-candidato ao governo estadual pelo PT, o vice-governador Felipe Camarão, para declarar apoio a ele. O atual governador, Carlos Brandão (sem partido), rompeu com o grupo político do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), dividindo o PT localmente. O vídeo de Lula naquele momento, diz um aliado do petista no estado, foi para tentar buscar essa unidade da base em torno do nome do vice-governador.

Há também expectativa entre candidatos do PT para gravar com Lula. Esses filmetes divulgados nesta segunda foram em tom mais informal, sem roteiro ou estrutura. Um integrante da sigla do presidente da República diz que a expectativa é que candidatos petistas possam contar com uma estrutura maior, com equipe, estúdio, nos moldes tradicionais para vídeos em redes sociais, inserções e campanhas publicitárias.

Na fila dos aliados que deverão gravar com Lula estão os candidatos aos governos da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e do Ceará, Elmano de Freitas. Os dois são do PT e buscam a reeleição nos estados. Fernando Haddad, candidato ao Governo de São Paulo, já fez vídeos com a participação do petista. Uma das primeiras inserções do PT estadual foi uma peça em que Haddad e Lula conversam por telefone.

ARTICULAÇÕES – Com a aproximação do início do processo eleitoral, as negociações para formação de palanques de Lula nos estados estão se afunilando. Hoje, há indefinições em Minas Gerais e Goiás, onde o petista ainda busca consolidar uma candidatura competitiva ao governo estadual, e na configuração da chapa em São Paulo. No Tocantins, a tendência é que o petista apoie o nome de Laurez Moreira (PSD). No maior colégio eleitoral, São Paulo, Lula tem três aliados como pré-candidatos ao Senado: Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB). Quem está conduzindo as conversas é Haddad.

Em conversas reservadas nas últimas semanas, o presidente tem demonstrado confiança no palanque que terá em São Paulo e afirmado que é um cenário positivo ter três nomes competitivos na disputa ao Senado. O nome de Tebet estaria garantido na chapa ao Senado. A dúvida de petistas é se França deve ser deslocado para a vice ou concorrer também ao Senado, isso porque há um grupo que considera que o nome dele tem mais força do que o da ex-ministra do Meio Ambiente, principalmente na baixada santista e também em setores mais conservadores no estado.

Flávio amplia equipe econômica e convoca o ex-presidente do Banco do Brics

Troyjo ganha espaço entre conselheiros de Flávio

Letícia Pille
O Globo

O ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco dos Brics, Marcos Troyjo, tem ganhado espaço entre os interlocutores ouvidos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na formulação de propostas para a área econômica. Embora não participe formalmente da pré-campanha presidencial nem seja cotado, neste momento, para ocupar um cargo em um eventual governo, o economista se tornou uma das vozes consultadas pelo pré-candidato em temas ligados à economia internacional, comércio exterior e estratégias de crescimento.

O economista integra uma lista de pessoas que vêm sendo ouvidas por Flávio para compor sua agenda para um eventual governo nas mais diversas vertentes da área. Na segunda-feira, por exemplo, Flávio confirmou a participação da economista Daniella Marques na elaboração de propostas para a área econômica.

ATRIBUTOS VALORIZADOS – Segundo interlocutores próximos ao senador, além da colaboradora, Flávio admira Troyjo e acompanha suas análises. Auxiliares do pré-candidato afirmam que o economista reúne atributos valorizados pelo senador, como experiência internacional, trânsito no mercado e conhecimento sobre comércio exterior.

Empresário, cientista político, diplomata e economista, Troyjo integrou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, então comandado por Paulo Guedes. Em 2020, foi indicado para assumir o comando do Banco dos Brics, cargo que ocupou até 2023.

Segundo aliados, as conversas entre Flávio e Troyjo costumam girar em torno de temas ligados à inserção internacional do Brasil, ao ambiente de negócios e às perspectivas de crescimento econômico. O senador vem discutindo essas questões enquanto estrutura seu programa de governo e busca ampliar o diálogo com setores do mercado financeiro e do empresariado, embora não planeje divulgar tão cedo suas propostas definitivas para a área.

FOCO DO DEBATE –  Os mesmos interlocutores afirmam que o economista considera que o foco do debate político, neste momento, deve estar na formulação de ideias para um futuro governo, e não na discussão sobre cargos ou composição de equipes.

Apesar da proximidade, Troyjo não integra a estrutura formal da pré-campanha de Flávio, e também mantém diálogo com outros atores políticos da direita, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Já a ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Bolsonaro Daniella Marques passou a atuar mais diretamente na construção do programa do senador.

—  Ela está perto de nós aqui na campanha e vai me ajudar nessa parte econômica, mas, principalmente, na pauta de responsabilidade social — disse durante o Fórum “Rumos do Brasil”, da Veja: —  Com a experiência que ela teve na Caixa Econômica e com programas específicos para as mulheres empreendedoras, ela mostrou como é possível, com o uso de tecnologia, boa vontade e boas políticas públicas, estender a mão para aquelas pessoas que querem caminhar com as próprias pernas e empreender, mas não sabem como — completou.

AFASTAMENTO – O anúncio de Daniella ocorre poucos dias depois de ela pedir para se afastar até outubro do seu cargo na Legends Capital para focar apenas na pré-campanha de Flávio. Isso também se dá na esteira de uma tentativa do senador de reforçar seu discurso de estar em busca de mulheres para compor um eventual governo, como já fez em outras ocasiões ao defender uma vice para sua chapa presidencial.

Em evento para um público formado majoritariamente por mulheres na semana passada, Flávio chamou Daniella ao palco no momento de sua fala. Após ser aplaudida pelos presentes, ela discursou sobre independência financeira feminina.

Outro nome consultado por Flávio para a mesma área é o do economista Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica e ex-ministro de Minas e Energia do governo Bolsonaro. Procurado, ele diz que não faz parte da pré-campanha.

FARIA LIMA – A aproximação com economistas e nomes do mercado também acontece num momento em que a candidatura de Flávio ainda busca conquistar maior adesão na Faria Lima. Segundo interlocutores do setor financeiro, embora o bolsonarismo mantenha influência entre investidores e empresários, a campanha do senador não tem despertado o mesmo nível de entusiasmo observado em outras disputas.

Parte desse grupo ainda acompanha com expectativa os movimentos nas pesquisas de ditos candidatos da “terceira via”, principalmente o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que segue sendo visto por setores do mercado como uma possível alternativa de oposição ao governo Lula caso consiga viabilizar uma candidatura competitiva.

PROPOSTAS PARA A ECONOMIAEmbora o senador e sua equipe venham mantendo discrição sobre o que planejam apresentar no plano de governo, inclusive no âmbito econômico, Flávio vem soltando “spoilers” durante discursos em eventos do que pretende implementar em um eventual governo.

Uma das promessas que tem sido feita é a suspensão por um ano da entrada em vigor da reforma tributária. A ideia consiste em suspender por um ano a entrada em vigor do novo sistema para rever o desenho do IVA, recalibrar regimes especiais e rediscutir fundos criados durante a tramitação da proposta no Congresso.

ISENÇÃO DO IR – Durante evento m São Paulo nesta segunda-feira, Flávio também defendeu a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil  e sugeriu ampliar a regra de proteção do Bolsa Família para que beneficiários do programa sigam recebendo o recurso por um período de tempo após conseguirem um emprego formal.

Pela regra atual, quando o beneficiário tem a carteira assinada, por dois anos, ele passa a receber 50% dos valores que recebia, desde que a renda por pessoa da família não ultrapasse meio salário mínimo.  

— Muita gente tem um preconceito com relação a quem está no Bolsa Família, como se não quisesse trabalhar. É um erro isso. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade porque têm medo de perder o benefício. A gente tem que entender que o Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome” — afirmou.

Após sua delação ser rejeitada, Vorcaro tenta contratar o advogado de Mauro Cid

Lula perde a linha e desafia Donald Trump: “Não se meta nas eleições do Brasil”