Trump foi claro: Washington manda, Caracas obedece
Pedro do Coutto
Ao afirmar que o chavismo pode continuar no poder na Venezuela mesmo sem Nicolás Maduro, desde que “faça a coisa certa”, Donald Trump foi mais direto do que parece à primeira vista. Não explicou o que entende por “certo”, mas tampouco deixou margem para dúvida.
O centro gravitacional dessa exigência é o petróleo — e, junto dele, o controle geopolítico do Caribe. O bloqueio naval permanece, a pressão militar segue latente e o acesso norte-americano às maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo aparece como o verdadeiro eixo da política dos Estados Unidos para a Venezuela.
SOB TUTELA – Na prática, Trump disse o essencial: Washington manda, Caracas obedece. O chavismo pode sobreviver como estrutura política, desde que aceite governar sob tutela externa. Não se trata de transição democrática, nem de reconstrução institucional. Trata-se de um arranjo de poder em que o governo venezuelano passa a existir sob vigilância permanente, com uma espada suspensa sobre a cabeça — pronta para cair a qualquer sinal de desobediência estratégica.
É uma lógica antiga, mas agora exposta sem pudor. A soberania deixa de ser princípio e passa a ser concessão. O Estado venezuelano continua formalmente de pé, mas suas decisões centrais — especialmente as relacionadas a recursos naturais, política externa e alianças estratégicas — passam a ser condicionadas aos interesses de Washington. O petróleo, novamente, organiza o tabuleiro. Não como consequência colateral, mas como objetivo explícito.
Esse movimento não se limita à Venezuela. No Palácio do Planalto, cresce o temor de que a expansão dessa lógica de coerção avance pelo continente. A Colômbia aparece como próximo ponto de tensão. Trump já sinalizou que poderia enquadrá-la sob o argumento do combate ao narcotráfico e da “exportação da violência” para a região. É um discurso conhecido, historicamente mobilizado para justificar intervenções, sanções e pressões assimétricas na América Latina.
HIPOCRISIA – O problema desse argumento é sua hipocrisia estrutural. Se há narcotráfico no continente, ele não existe sem mercado consumidor. E o maior mercado de drogas do mundo está nos Estados Unidos. Navios não descarregam cocaína sozinhos. Há portos que recebem, sistemas financeiros que lavam dinheiro, redes de distribuição que operam dentro das fronteiras norte-americanas. O narcotráfico é uma cadeia transnacional, e tratá-lo como um problema exclusivamente latino-americano é, no mínimo, desonesto.
Ao externalizar a culpa e internalizar o poder de punição, Washington reforça uma política externa baseada na coerção seletiva. Países são pressionados não por violarem regras universais, mas por não se alinharem suficientemente aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. A democracia vira argumento retórico; a legalidade internacional, um detalhe dispensável.
O que Trump propõe à Venezuela — e sinaliza ao restante do continente — não é estabilidade, mas submissão. Governos podem existir, desde que governem conforme ordens externas. Regimes são toleráveis, desde que entreguem o que importa: recursos, alinhamento e obediência.
EUQILÍBRIO ROMPIDO – Para o Brasil, o cenário é especialmente delicado. A América do Sul sempre foi apresentada como zona de paz, construída mais por ausência de guerras do que por hegemonias impostas. A normalização da intervenção direta, do bloqueio econômico e da tutela política rompe esse equilíbrio frágil e empurra a região para uma lógica de confrontação permanente.
No fundo, a frase de Trump sobre “fazer a coisa certa” é menos ambígua do que parece. A coisa certa, para Washington, é simples: abrir o petróleo, aceitar o controle e não desafiar a hierarquia do poder global. O resto — soberania, autodeterminação, democracia — torna-se negociável.
Quando a força passa a definir o que é “certo”, o direito deixa de ser referência e vira obstáculo. E, nesse jogo, hoje é a Venezuela. Amanhã, pode ser qualquer outro país que ouse decidir por conta própria.
“Este é o Hemisfério Ocidental. É aqui que vivemos e não vamos permitir que ele seja uma base de operações para adversários, concorrentes e rivais dos Estados Unidos.”
(Marco Rubio, Secretário de Estado dos Estados Unidos, sobre a intervenção militar na Venezuela)
Metrópoles, Opinião, 05/01/2026 07:00 Frase do Dia: Marco Ruvio. Da Redação
Costuma falar muita coisa que não se escreve, mas convém prestar atenção.
Abrólhos!
“O maior tesouro de um verdadeiro homem é sua causa! Somente aqueles preparados para sacrificar suas jóias reluzentes, seu tesouro, seus títulos, sua riqueza e até aqueles que lhes são mais queridos, podem tomar o caminho sagrado. Por isso, obedecer a uma ordem, é obedecer à causa! Agora voces entendem o que realmente significa obedecer a uma ordem?
(Falas de Ertugrul, na Série Resurrectio.)
“O Mapa Contrato de 1952!”
“A China Já Está Decidida e Preparada Para Invadir e Anexar Taiwan
Em 1952, a China recebeu a promessa que obteria de volta o controle sobre Taiwan. Os preparativos militares chineses para a invasão estão agora quase prontos e só aguardando o agravamento de conflitos simultâneos no Oriente Médio e na Península coreana, para que Taiwan não possa ser socorrida tempestivamente por uma força-tarefa norte-americana.”
https://www.espada.eti.br/n1944.asp
PS. Pela posição das tropas de vários paises pretensamente antagônicos, vê-se que tudo não passa de sutil subserviência aos mesmos mandantes khazarianos(banca).
Após indiciado, julgado, condenado e preso, o ex-mito vai se tornando, assim como Maduro, uma figura do passado e fora do contexto atual.
Fez seu papel como colaboracionista “na marra”(sob ameaças de morte), como os demais envolvidos na destrambelhada “Falsa Bandeira”, para exclusiva e “Temerosamente”, “Masterficar Sangrias”!
Adendos, em:
https://www.facebook.com/share/v/1G4D9MjezK
Há “dendos”, em:
https://benjaminfulford.net/maduro-kidnapping-is-a-weapon-of-mass-distraction/
Pelo que vemos já faz algum tempo esse
País também esta ficando de quatro para os chineses
1) Licença… lembrei que nos anos 1970, com a guerra do Vietnã, os EUA falavam na política do Big Stick…
1) É a política do ‘Grande Porrete”, não mudou nada…
Ao sequestrar Maduro, Trump manda um recado ao mundo
Trump vê a Venezuela como cabeça de ponte da China, da Rússia e do Irã para controlar a América Latina. E não esconde o interesse nas reservas petrolíferas e de terras raras venezuelanas
A captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, seguida de sua apresentação algemado em um tribunal de Nova York, não é apenas um ato de força na crise venezuelana.
O presidente Donald Trump sinaliza que considera o Hemisfério Ocidental sua área de influência direta e o continente americano um ativo econômico e de segurança dos Estados Unidos.
Esse gesto recoloca no centro do tabuleiro a lógica da Doutrina Monroe, agora rebatizada de forma explícita e provocativa como “Doutrina Monroe”.
Ao afirmar que a dominância norte-americana no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”, Trump atualiza uma tradição intervencionista que atravessa dois séculos e reaparece, ciclicamente, sempre que Washington decide substituir a diplomacia pela força.
A posse de Delcy Rodríguez como presidente interina, conduzida pelo irmão e presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, está em contradição com o status venezuelano anunciado por Trump.
O regime chavista não colapsou automaticamente. Suas redes militares, civis e econômicas permanecem, em grande medida, intactas.
Washington deixa claro que a soberania regional é relativa quando confronta interesses estratégicos americanos.
Desestatização. A fragilização das regras internacionais — já abalada antes —, porém, pode servir às potências concorrentes.
O senador Mark Warner alertou que, se Washington se arroga o direito de sequestrar líderes acusados de crimes, ações semelhantes da China sobre Taiwan ou da Rússia em outros teatros também podem ocorrer.
Militarmente, Trump vê a Venezuela como cabeça de ponte da China, da Rússia e do Irã para controlar os recursos estratégicos da América Latina.
Não esconde seu interesse nas reservas petrolíferas e de terras raras venezuelanas, nem a intenção de reabrir espaço para empresas americanas.
Ao afirmar que a riqueza extraída beneficiará os EUA “na forma de compensação”, o presidente norte-americano explicita uma visão patrimonial das relações internacionais: territórios instáveis tornam-se ativos a serem administrados por quem detém poder militar.
No curso prazo, Trump ostenta uma força irresistível, porém os ciclos históricos mostram o contrário: no Iraque e no Afeganistão, vitórias militares rápidas produziram derrotas políticas duradouras.
Na América Latina, o Haiti permanece como advertência viva: a mudança de regime imposta de fora abriu caminho para décadas de colapso do país.
A Venezuela, com suas milícias, redes criminosas e a presença de grupos armados transnacionais, reúne ingredientes semelhantes para o caos, com fortes repercussões para a Colômbia, o Brasil, a Guiana e o Caribe.
Ao final, o julgamento de Maduro é menos sobre justiça e mais sobre demonstração de hegemonia.
Trump anuncia que os EUA definem as regras no Hemisfério Ocidental e que estão dispostos a convertê-lo em espaço de segurança e exploração econômica sob tutela norte-americana.
É como se fosse uma nova divisão do mundo sem Conferência de Yalta. Trump abre um novo ciclo de turbulência, no qual o continente é tratado como propriedade geopolítica.
Fonte: Correio Braziliense, Nas Entrelinhas, 06/01/2026 – 07:23 Por Luiz Carlos Azedo