
Causam estranheza os ataques de Toffoli à Polícia Federal
Johanns Eller e Rafael Moraes Moura
O Globo
Investigadores da Polícia Federal (PF) ouvidos sob reserva pela equipe da coluna rebateram as críticas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli sobre a suposta “inércia” da corporação em deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.
As diligências desta quarta-feira (14), segundo o magistrado, já estavam autorizadas por ele desde o último dia 7. “Pelo contrário, passamos meses esperando essa operação”, diz uma fonte que acompanha de perto as investigações.
FALTA DE EMPENHO – Na decisão em que autorizou a prisão preventiva de Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro, e concedeu o mandado de busca e apreensão contra os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur, Toffoli falou ainda em “falta de empenho” da PF no curso do inquérito.
O ministro alegou que autorizou a operação na última quarta-feira (7) e determinou ainda o cumprimento das diligências no prazo de 24 horas a partir do dia 12 em função “da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”.
“Causa espécie a esse relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, escreveu Toffoli.
SEM ENDEREÇOS – Segundo os mesmos investigadores da PF, a segunda fase da operação não tinha ocorrido até ontem porque a corporação ainda não tinha em mãos os endereços para deflagrá-la. O último deles só foi obtido na noite da última terça-feira, quando a instituição peticionou no STF em caráter de urgência solicitando a prisão preventiva de Zettel e as buscas contra Tanure.
O pedido teve o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi acatado por Toffoli, mas sob protestos.
O ministro fez questão de destacar o horário em que os investigadores da Polícia Federal acionaram o Supremo: 19h13m da última terça-feira (13). A PGR, por sua vez, se manifestou favoravelmente às solicitações pouco mais de uma hora e meia depois, às 20h49.
MOMENTOS DE TENSÃO – Esta não é a primeira vez que a Polícia Federal e o gabinete de Toffoli se desentendem sobre o caso Master.
No mês passado, o depoimento de Vorcaro no STF foi marcado pelo desconforto e momentos de tensão na equipe de delegados da PF liderada por Janaina Palazzo e os procuradores da República que participavam da audiência.
Toffoli mandou entregar aos investigadores 82 perguntas para que fossem feitas a Vorcaro, mas a delegada disse que não poderia fazer perguntas que não tinham sido preparadas por ela. Janaina só aceitou submeter a Vorcaro as questões de Toffoli depois que ficou registrado na ata do depoimento que tinham sido apresentadas pelo gabinete do relator.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É cada vez mais intrigante o comportamento de Dias Toffoli no caso do Banco Master. Na forma da lei, Toffoli deveria enviar a investigação para a Justiça Federal, pois nenhum envolvido tem foro privilegiado no Supremo. Mas ele resiste. Por que será? (C.N.)
‘É cada vez mais intrigante o comportamento dele no caso.’
E não dá para imaginar que esteja atuando assim de ‘motu proprio’ e/ou por suposta incompreensão de normas.
‘Não haveria algo no ar além dos aviões de carreira, não?’
Master é um caso que vai muito além de uma fraude bancária, dizem gestores da Faria Lima
A complexa estrutura montada para as práticas ilícitas do Banco Master, segundo apontaram as investigações da Polícia Federal e do próprio Banco Central, envolvendo gestoras, administradoras e fundos de investimento em participações (Fips) mostra que diversas pessoas com conhecimento técnico do mercado de capitais participaram do esquema.
Para gestores da Faria Lima, não se trata apenas de uma simples fraude bancária cometida pelo banqueiro Daniel Vorcaro, mas de um esquema muito mais sofisticado de crime contra o sistema financeiro.
Nova fase da operação Compliance Zero atinge centro financeiro e fundador do Banco Master
(…)
O Globo, Economia, 14/01/2026 12h02 Por João Sorima Neto
https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/01/14/master-e-um-caso-que-vai-muito-alem-de-uma-fraude-bancaria-dizem-gestores-da-faria-lima.ghtml?li_source=LI&li_medium=news-page-widget
Por que será?
Ouso dizer que Toffoli é talvez um dos maiores pilantras poderosos de toda a história do Brasil. Talvez…
Desejo estar errado.
Porque a TI esta omitindo a participação ativa de membros da classe política Brasileira , nessas ” falcatruas e tramoias ” do Banco Master ?