Policiais federais rebatem Toffoli sobre a “inércia” no Caso Master

Policiais federais expõem, em livros, reflexões sobre rumos da corporação -  27/04/2018 - Ilustríssima - Folha

Causam estranheza os ataques de Toffoli à Polícia Federal

Johanns Eller e Rafael Moraes Moura
O Globo

Investigadores da Polícia Federal (PF) ouvidos sob reserva pela equipe da coluna rebateram as críticas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli sobre a suposta “inércia” da corporação em deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.

As diligências desta quarta-feira (14), segundo o magistrado, já estavam autorizadas por ele desde o último dia 7. “Pelo contrário, passamos meses esperando essa operação”, diz uma fonte que acompanha de perto as investigações.

FALTA DE EMPENHO – Na decisão em que autorizou a prisão preventiva de Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro, e concedeu o mandado de busca e apreensão contra os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur, Toffoli falou ainda em “falta de empenho” da PF no curso do inquérito.

O ministro alegou que autorizou a operação na última quarta-feira (7) e determinou ainda o cumprimento das diligências no prazo de 24 horas a partir do dia 12 em função “da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”.

“Causa espécie a esse relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, escreveu Toffoli.

SEM ENDEREÇOS – Segundo os mesmos investigadores da PF, a segunda fase da operação não tinha ocorrido até ontem porque a corporação ainda não tinha em mãos os endereços para deflagrá-la. O último deles só foi obtido na noite da última terça-feira, quando a instituição peticionou no STF em caráter de urgência solicitando a prisão preventiva de Zettel e as buscas contra Tanure.

O pedido teve o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi acatado por Toffoli, mas sob protestos.

O ministro fez questão de destacar o horário em que os investigadores da Polícia Federal acionaram o Supremo: 19h13m da última terça-feira (13). A PGR, por sua vez, se manifestou favoravelmente às solicitações pouco mais de uma hora e meia depois, às 20h49.

MOMENTOS DE TENSÃO – Esta não é a primeira vez que a Polícia Federal e o gabinete de Toffoli se desentendem sobre o caso Master.

No mês passado, o depoimento de Vorcaro no STF foi marcado pelo desconforto e momentos de tensão na equipe de delegados da PF liderada por Janaina Palazzo e os procuradores da República que participavam da audiência.

Toffoli mandou entregar aos investigadores 82 perguntas para que fossem feitas a Vorcaro, mas a delegada disse que não poderia fazer perguntas que não tinham sido preparadas por ela. Janaina só aceitou submeter a Vorcaro as questões de Toffoli depois que ficou registrado na ata do depoimento que tinham sido apresentadas pelo gabinete do relator.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É cada vez mais intrigante o comportamento de Dias Toffoli no caso do Banco Master. Na forma da lei, Toffoli deveria enviar a investigação para a Justiça Federal, pois nenhum envolvido tem foro privilegiado no Supremo. Mas ele resiste. Por que será? (C.N.)

4 thoughts on “Policiais federais rebatem Toffoli sobre a “inércia” no Caso Master

  1. ‘É cada vez mais intrigante o comportamento dele no caso.’

    E não dá para imaginar que esteja atuando assim de ‘motu proprio’ e/ou por suposta incompreensão de normas.

    ‘Não haveria algo no ar além dos aviões de carreira, não?’

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