Militâncias ideológicas são irracionais e se equiparam ao fanatismo religioso

A ilustração de Ricardo Cammarota foi realizada em técnica manual em formato horizontal, proporção aproximada de 13,9 × 9,1 cm. Técnica manual em pastel seco sobre papel, com textura visível, marcas de esfumaçado e sobreposição de cores. A cena apresenta duas figuras centrais grandes, posicionadas frente a frente, sugerindo confronto, ocupando os lados esquerdo e direito da composição. À esquerda, há uma figura antropomórfica em tons predominantes de azul, verde e bege. A cabeça é alongada, com chifres curvos claros, olhos grandes e assimétricos e boca aberta com dentes pontiagudos. Da boca partem manchas e traços vermelhos, com aparência de respingos projetados para fora. O braço da figura se estende à frente, formando um objeto semelhante a uma arma estilizada em azul escuro, orientado em direção à figura oposta. À direita, há uma figura antropomórfica em tons de rosa, vermelho e bege. A cabeça é grande, com orelhas pontudas, um olho visível em formato oval e boca aberta com dentes pontiagudos. No topo da cabeça, no lugar do cérebro, há um desenho em espiral. Traços verticais escuros cobrem parte do corpo, criando textura. Da boca dessa figura sai um elemento verde claro, em forma de nuvem ou sopro, projetado em direção à figura da esquerda. O braço está estendido para a frente, apontando, e a figura segura duas cruzes alaranjadas, suspensas por fios finos. Ao fundo, acima das figuras centrais, pequenos pássaros verdes aparecem desenhados em voo. Na parte inferior da imagem, surgem três silhuetas humanas pequenas em azul, à esquerda, e uma silhueta humana pequena em vermelho, à direita. As silhuetas são simplificadas, sem detalhes faciais, com gestos que sugerem apontamento entre si. O fundo é composto por uma mistura de cores quentes — amarelo, ocre e bege — com áreas de sobreposição de azul, verde e rosa. Linhas curvas brancas atravessam a composição, formando arcos sutis sobre as figuras.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Quem ainda crê que os movimentos políticos modernos e as ideologias nascem do cérebro racional da espécie é ignorante ou mentiroso. Tais movimentos e suas militâncias são da mesma ordem do fanatismo religioso. Por isso, pouco adianta tentar argumentar com tais agentes. Esse ato seria semelhante a argumentar com um enxame.

Este fato explica, pelo menos em parte, a estupidez que circula pelas redes sociais entre os “haters” engajados na polarização. O nível mais alto de inteligência que atravessa essa cultura de bactérias, que são as redes, é aquele que caracteriza os movimentos répteis.

MORTE A UTOPIA – O filósofo britânico John Gray lançou em 2007 “Black Mass, Apocalyptic Religion and the Death of Utopia”, que agora está sendo relançado no Brasil como “Missa Negra, Religião Apocalíptica e a Morte da Utopia”.

Quem conhece sua obra sabe que o filósofo britânico é um duro crítico do mito do progresso. Concordo com Gray que o progresso é um mito, afora os avanços tecnológicos desde a descoberta de como fazer o fogo.

Mas, no que se refere ao comportamento humano, à moral e à política, a ideia de progresso desde o Iluminismo é idiota. Entretanto, o número de iludidos que nele creem nunca para de crescer.

EXEMPLO DOS ANIMAIS – Outro traço do pensamento de Gray é sua suspeita de que os animais, no seu “silêncio”, são mais sábios do que nós. Aliás, seu livro “Silêncio dos Animais” é um dos mais belos que já li.

A tese da sua “Missa Negra” é que todas as crenças políticas revolucionárias modernas são derivadas de crenças apocalípticas judaicas e cristãs. Mesmo passando pela secularização, a tara com o fim do mundo tal como conhecemos e o surgimento do “novo mundo perfeito” permanece. E não só esse aspecto foi mantido.

Todos sabemos que as narrativas apocalípticas são marcadas pela violência, mortes doS que são maus, sobrevida dos eleitos. Como não pensar na Revolução Francesa ou na Russa? Ou na Revolução Islâmica Iraniana?

FALSO SALVADOR – Gray deixa claro que mesmo nas crenças ideológicas liberais, marcadas pela ideia de aperfeiçoamento incremental do mundo, permanece a ideia de que o “mercado” salvará o mundo e os homens.

O otimismo liberal de mercado é, também, um filhote da tara apocalíptica. Daí, a aceitação que os incapazes de lidar bem com a lógica da eficiência e da competição do mercado não têm méritos para viver no novo mundo da riqueza material.

O que sustenta as posições ideológicas do mundo contemporâneo são taras irracionais religiosas secularizadas. Lendo essa coisa chamada “comentários”, na sua imensa maioria, vemos a pequena miséria humana na sua forma explícita.

TUDO É MARKETING – Sabemos que a justificativa dessa prática na mídia não tem nada a ver com “princípios democráticos”, mas, apenas, sim, trata-se de princípios de marketing.

Há que dar voz aos consumidores, mesmo que a maior parte do que circula por esse “ecossistema” seja puro lixo. Do ponto de vista do conteúdo, não faria nenhuma falta. Os “comentários” são um parquinho para crianças raivosas, com raras exceções.

O componente irracional humano é o que move a adesão ideológica. Não é o desejo de melhorar o mundo, mas, sim, o gosto de sangue. Se não fosse isso, por que tantos revolucionários sempre gozaram com a palavra “terror”? A paixão pelo terror é a paixão política essencial em questão.

TARA APOCALÍPTICA – Como diz Gray, com os movimentos políticos modernos, a tara apocalíptica, que na Antiguidade, era essencialmente um traço de indivíduos periféricos e esquisitos da miserável sociedade israelita do período do Segundo Tempo sob domínio romano, em si periférica, hoje se fez “mainstream”.

Discute-se em aulas na universidade, escreve-se em livros de autores com PhD, encena-se em peças de teatro com aprovação da crítica regada a vinho caro em restaurantes descolados, apresenta-se em programas de debates da televisão e podcasts.

Enfim, as taras com o fim do mundo tal como conhecemos e a criação de um mundo novo e perfeito são tratadas como ciência social, histórica e política.

FALSOS ESPECIALISTAS – Profetas do terror como Marx, Lênin, Foucault, entre outros, recebem o tratamento de “especialistas” nas sociedades dos homens, quando, na realidade, não entendem patavina acerca de quem vai à feira comprar ovos e tomates para comer em suas casas de pobres.

A ideia de que existe um componente moral significativo na espécie humana pode ser inconsistente. Veja, por exemplo, a indiferença de grande parte da imprensa e dos países para com os mortos iranianos.

Um blábláblá aqui, outro ali. Cadê toda aquela indignação? E as bandeiras? A verdade é que os aiatolás podem matar à vontade. O mundo é um circo de horrores e continuará sendo.

4 thoughts on “Militâncias ideológicas são irracionais e se equiparam ao fanatismo religioso

  1. Os humanos são classificados de racionais e os animais como irracionais. Porém, deve ter ocorrido alguma mutação que alguns desses dois grupos mostram características do outro grupo. Ontem assisti um vídeo de uma petista vociferando contra o grupo que está indo para Brasília, que é um exemplo bem marcante de um comportamento irracional

    • Está escrito: “Meu nome será lembrado fé geração em geraçã, por àqueles que Me conhecem e Me amam!”
      “”Abrolhos!” (Para quem quizer conhecer e optar antes do último suspiro!)
      ” Nomes e títulos onde os impostores entraram.”

      “SENHOR – O mais comum de todos é o título “SENHOR”, escrito com todas as letras maiúsculas, no Antigo Testamento, ou “Senhor”, escrito apenas com a primeira maiúscula no Novo Testamento. Ora, a palavra “senhor”, seja escrita da forma que for, é a tradução literal do hebraico “baal”, que é o nome do ídolo com o qual o povo judaico mais adulterava. Por meio dos tradutores corruptos, este ser maligno “baal” substituiu todas as ocorrências do Nome do Criador nas escrituras traduzidas, de modo a que as pessoas passassem a invocar “senhor” continuamente, em vez de invocar o Nome do Criador YAOHUH (IÁORRU). Se você tem em casa a Bíblia de Almeida ou a Bíblia de Genebra, é fácil verificar que o Nome do Criador simplesmente foi extirpado de lá, sendo substituído pela palavra “SENHOR” com todas as letras maiúsculas. Para alguém que minimamente conheça um pouquinho de hebraico, perceberá que em hebraico não há diferenciação de maiúsculas e minúsculas, além de saber também que “baal” é o nome de um ídolo muito cultuado pelo paganismo judaico em seus desvios, conforme relatado nas Sagradas Escrituras. ”

      “DEUS – Este título é o mais usado de todos, sem dúvida, contudo, poucos se preocupam com seu significado ou origem, sendo assim enganados e iludidos pelo ser espiritual maligno que se coloca como impostor para usufruir indevidamente daquilo que pertence somente ao verdadeiro Criador YAOHUH (IÁORRU). Esta palavra na língua portuguesa é proveniente direta do ídolo “Zeus” da mitologia pagã grega. Os linguístas afirmam que é das evidências mais rudimentares a origem desta palavra em “Zeus”, sendo “Zeus”, “Théos” e “Deus”, foneticamente, uma única palavra e um único nome de ser maligno. As três começam com consoantes de mesma forma fonética, são seguidas de ditongos idênticos e terminam pela mesma letra. Em termos espirituais, invocar “Deus” é o mesmo que invocar “Zeus”, porque a forma com que é escrito pouco importa, quando o que importa é o que pronunciamos com os nossos lábios. Lembre-se sempre de que nomes são um conjunto de sons ou fonemas, e não um conjunto de letras escritas! A forma original UL ou ULHIM foi traduzida por esta palavra “Deus”, em todas as suas ocorrências, introduzindo assim, dissimuladamente, o ídolo “Zeus”, como impostor do verdadeiro Criador YAOHUH (IÁORRU)”.
      “GOD – Em inglês, um outro ser espiritual entrou como impostor. A palavra GOD, em inglês, nada mais é do que a presença do impostor, o ídolo “caveira”. Sua origem é de GOT, do nome relatado nas escrituras como “Gólgota”. Gólgota, em hebraico, é “Gol-got-ha”, ou, como as próprias escrituras relatam, “O lugar da caveira”. Desta palavra “got” é que se originou a palavra “GOD” em inglês, também muito popular para os que a pronunciam, sem nem ao menos terem a menor noção do que estão invocando sobre si mesmos, sobre suas famílias e sobre seus amigos.”

      -” E será que todo aquele que invocar o Nome YAOHUH (IÁORRU) será salvo; porque, no monte Tzyon e em Yaohushuaoleym, estarão os que forem salvos, como YAOHUH (IÁORRU) prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que YAOHUH (IÁORRU) chamar.

      A figura acima mostra a importância da invocação do Nome YAOHUH (IÁORRU). Este é o texto do verso 32 do capítulo 2 do profeta Yaoul, cujo nome corrompido é “Joel”. Nota-se aqui, mais uma vez, e de forma explícita, a salvação ligada de forma inseparável à invocação do Nome YAOHUH (IÁORRU), e não a nenhum nome corrompido ou substituto, uma vez que a correta identificação de seres espirituais invisíveis é feita somente, de acordo com as escrituras, pelo Nome. Infelizmente muitos se encontram em engano, por causa das obras malignas de ocultar o Nome do Criador. Se formos ler este mesmo verso nas versões traduzidas o que leremos será: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo…”. Com isso, além deles ocultarem o Nome que realmente deve ser invocado para a salvação, eles também apresentam o substituto impostor “baal”, que é a simples tradução de “senhor”. Ao substituirem o santíssimo Nome YAOHUH (IÁORRU) pela palavra “SENHOR”, com todas as letras maiúsculas, ou mesmo por qualquer outro nome, os tradutores prestaram um grande serviço às hostes malignas, ocultando o Nome do verdadeiro Criador e introduzindo um impostor em seu lugar. O original é sempre a base confiável para conhecermos a verdade, e nunca as traduções. O original mostra claramente a invocação de YAOHUH (IÁORRU) e nenhum outro.”

  2. O Estado, em tese, somos todos nós, ou seja, o conjunto da população juridicamente organizado, que tem como finalidade precípua a busca incessante da consecução do bem comum, enquanto dever de todos. Como atingir essa finalidade é a questão. Daí, a corrida das nações, com as suas invenções, teorias e práticas, corrida essa na qual o dinheiro revelou-se fundamental, como instrumento do Estado posto à disposição do conjunto da sociedade para a realização do bem comum. E é aí que o bichou pegou e todos se perderam…, organizados em grupos com cada um achando-se no direito de lutar pelo melhor filão, organizados em partidos, associações, etc., etc. e tal…, impondo a todos os seus próprios instrumentos de luta por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, residindo aí o pomo da discórdia social… https://www.tribunadainternet.com.br/2026/01/24/militancias-ideologicas-sao-irracionais-e-se-equiparam-ao-fanatismo-religioso/#comments

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