Desconfiança entre os ministros do STF aumenta a imprevisibilidade da crise

Tribuna da Internet | Depois de superado o golpismo, é preciso impor limites severos ao Supremo

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

William Waack
Estadão

O STF enfrenta duas crises ao mesmo tempo e a interna parece tão perigosa quanto a externa. E a causa é a mesma: é a institucionalidade substituída pela pessoalidade. No caso da crise externa, é a percepção de grande parte do público de que a instituição do Supremo virou ferramenta de defesa de interesses pessoais de alguns integrantes. Fora toda a questão da atuação política.

No caso da crise interna, é o fato de que laços pessoais e amizades cruzadas − algo que todo grupo pequeno, poderoso e secreto desenvolve − estão profundamente abalados por desconfiança. Que rompeu esses laços.

FUTEBOL CLUBE – Ministros já brigaram entre si, em público e privado, mas nada é comparável à destruição desse “STF futebol clube” (palavras do ministro Flávio Dino) como o episódio da gravação de uma reunião fechada crítica e decisiva.

Nem é necessário apresentar provas. Os ministros estão convencidos de que foi Dias Toffoli – um dos principais responsáveis pela crise externa atual da Corte. Tornou-se um estranho no ninho, do qual nunca alguém foi expulso.

A pessoalidade no trato também com instituições como o Ministério Público promete novos tempos difíceis pela frente. Falhou até aqui a tentativa de frear a Polícia Federal e o que possa sair dos celulares do dono do Master, que tinha contrato de prestação de serviços com advogada esposa de Alexandre de Moraes. 

PERSONAGEM-CHAVE – Brasília inteira sabe da amizade pessoal entre o ministro e o procurador-Geral da República, personagem-chave do ponto de vista institucional dependendo do que a Polícia Federal levar adiante, como fez no caso de Toffoli. E Brasília inteira sabe que o novo relator da investigação do escândalo no STF, o ministro André Mendonça, teria dado carta branca para a PF.

Curiosamente, quando as teias pessoais ganham força sobre os papéis institucionais, as saídas políticas tornam-se mais difíceis. No caso de Toffoli, foi necessário um exaustivo trabalho de costura pessoal nos bastidores para se “dar um jeito” na crise – arranjou-se uma saída “institucional” precária e a crise segue com fúria.

No momento esse escândalo se sobrepõe à capacidade dos atores nos Três Poderes de assar uma pizza via seus contatos pessoais. Eram bem conhecidas a fragmentação das lideranças no Legislativo e a incapacidade de articulação política no Executivo, mas a novidade é a perda de controle interna no STF. Devido ao peso imenso dessa instituição, acrescentou-se mais imprevisibilidade à crise brasileira.

Trump anuncia a morte do líder do Irã em ataques americanos e israelenses

Ali Khamenei, líder supremo do Irã | G1

Khamenei era um líder que não fará a menor falta ao Irã

Deu no g1

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o aiatolá Ali Khamenei foi morto nos ataques conjuntos entre forças americanas e de Israel contra o Irã neste sábado (28). O governo do Irã não confirma a informação.

Khamenei, líder supremo do Irã, comandou o país por quase quatro décadas com mão de ferro. Enquanto permaneceu no poder, nunca aceitou fazer reformas na república islâmica e reprimiu com força a oposição. No cenário internacional, manteve posição hostil aos Estados Unidos e se negava aceitar a existência do Estado de Israel.

UMA SURPRESA – Quando se tornou líder supremo, sua escolha foi considerada uma surpresa porque nem todos o julgavam qualificado para suceder Ruhollah Khomeini, fundador e líder histórico da república islâmica.

Khamenei havia sido vice-ministro da defesa e presidente durante a guerra com o Iraque, na década de 1980, mas não ERA um dos líderes da revolução. Ele nem sequer tinha o título de aiatolá.

O Irã, país de origem persa, buscava conter o predomínio árabe no Oriente Médio. Mas aquela nação que respirava cultura americana e europeia também reprimia quem discordasse do governo. Não demorou para que uma ideologia antiocidental crescesse na sociedade.

PROTESTOS – No início deste ano, o governo enfrentou uma grande onda de protestos, reprimida com violência por Teerã e que deixou dezenas de milhares de mortos.

Antes do ataque deste sábado, o líder iraniano sobreviveu a um atentado em 1981, e também se recuperou de um câncer em 2014. Desde a morte de Hassan Nasrallah, que comandava o Hezbollah, o Irã aumentou as medidas de segurança para o aiatolá.

Em um país em que os veículos de imprensa são controlados pelo regime, não são muitas as informações sobre a rotina do líder supremo. Diziam que ele viveu os últimos meses num bunker subterrâneo em Teerã.

GRANDE ATAQUE – Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã deste sábado. A ação deixou 201 mortos e 747 feridos, segundo a imprensa iraniana com base em informações da rede humanitária Crescente Vermelho.

Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.

O Exército dos Estados Unidos informou que nenhum militar americano ficou ferido na ação. O governo americano afirmou ainda que os danos às bases militares dos EUA no Oriente Médio, após a retaliação iraniana, foram “mínimos”. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, foi fechado por motivos de segurança, informou a agência estatal iraniana Tasnim.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mundo parece que anda para trás. Na História de Humanidade, jamais foi registrado um só dia de paz. Atualmente, o mundo enfrenta o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, com estimativas indicando mais de 120 conflitos ativos, segundo dados de 2024 e 2025, os últimos existentes. Como dizia o grande historiador britânico Kenneth Clark, ainda estamos longe de sermos considerados civilizados.  “Sei o que é civilização. Se encontrar alguma, saberei reconhecê-la”, ironizava o grande intelectual, que ganhou o título de barão, concedido pela rainha Elizabeth II. (C.N.)

Argumentos de Gilmar para blindar Toffoli colocam o STF no lixão da História

Gilmar Mendes defende políticos e critica aplausos a seus algozes | VEJA

Gilmar deu uma ajuda a Toffoli que está muito deprimido

Mariana Muniz e Pepita Ortega
O Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta sexta-feira a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli.

A quebra fora determinada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Senado, e aprovada na quarta-feira. Os parlamentares deram aval para quebra de sigilo no período de janeiro de 2022 a fevereiro de 2026.

“ARGUMENTAÇÃO” – O decano do STF considerou que a CPI aprovou as quebras de sigilo da empresa de Toffoli “em manifesto e incontornável descumprimento dos limites” do objeto da apuração parlamentar. Segundo Gilmar, a justificativa para a “providência invasiva” é “destituída de idoneidade por completa e absoluta ausência de fundamentação válida”.

O ministro considerou que a CPI incorreu em desvio de finalidade. “O requerimento (de quebra de sigilo) apresenta narrativa e justificação falhas, imprecisas e equivocadas. Há, na espécie, um verdadeiro salto lógico e jurídico: sob o pretexto de combater o crime organizado, a Comissão decreta a quebra de sigilos e a produção de relatórios sem a indicação de um único elemento concreto que vincule a ora requerente aos fatos narrados no requerimento de criação”, pontuou.

ILEGALIDADE? – Gilmar anulou, então, a quebra de sigilo determinada pela CPI ao considerar que houve evidente a “flagrante inconstitucionalidade e ilegalidade” da decisão da Comissão de quebrar o sigilo da Maridt.

A decisão do decano atendeu a um pedido feito pela empresa da família de Toffoli no bojo de um processo que restringiu a quebra de sigilo determinada pela CPI da Covid contra a produtora Brasil Paralelo.

No despacho, Gilmar ressaltou como o caso da Maridt “corrobora preocupação” que ele externou no caso da CPI da Covid, sobre os limites para as diligências determinadas pelos parlamentares.

VIOLAÇÃO DE DIREITOS – Segundo o ministro, a defesa mostrou como o requerimento da CPI do Crime Organizado pode levar a uma “verdadeira devassa”. Assim, segundo ele a anulação visa “evitar a violação de direitos fundamentais”.

“Não se vislumbra, em suas razões, a exposição de qualquer fundamentação concreta ou o apontamento de suporte probatório mínimo que autorize a deflagração de tamanha ingerência na esfera privada dos investigados. O ato impugnado limita-se a conjecturas e fundamentação genéricas e ilações abstratas”, registrou.

A ordem é para que quaisquer órgãos e empresas destinatárias da ordem de quebra de sigilo se abstenham imediatamente de encaminhar informações da Maridt para a CPI. Gilmar anotou ainda que quaisquer dados que já tenham sido encaminhados devem ser imediatamente destruídos, sob pena de responsabilização penal e administrativa.

FAMÍLIA BLINDADA – O ministro frisou que o habeas corpus concedido à Maridt alcança não só a empresa da família de Toffoli, mas seus sócios – ou seja, o próprio ministro do STF – e seus irmãos. Gilmar chegou a citar a decisão do ministro André Mendonça que tornou facultativa a participação de Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli na CPI do Crime Organizado.

No início deste mês, Toffoli admitiu em nota que é sócio da Maridt, que vendeu uma participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, para um fundo do cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Toffoli disse que declarou à Receita Federal os valores recebidos na negociação e afirmou que nunca “recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

FORA DA RELATORIA – A empresa de Toffoli integrou a administração do resort até fevereiro de 2025. O ministro foi relator, na Corte, da investigação envolvendo o banco.

Ele pediu para deixar o caso após a Polícia Federal entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, o material encontrado no celular de Vorcaro, em que há menções a Toffoli. O ministro André Mendonça foi sorteado e assumiu a relatoria do processo.

O pedido foi aprovado em meio a uma série de requerimentos deliberados pela comissão. A CPI foi criada oficialmente para apurar a “atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial de facções e milícias”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A iniciativa de Gilmar Mendes é o último prego para a tampa do caixão do Supremo, que será sepultado no Lixão da História. Foi uma ação entre amigos, que estupra as regras do Direito, mas não soluciona o problema de Toffoli, apenas atrasa a investigação sobre ele. O abominável Gilmar Mendes inventou esse habeas corpus num processo arquivado, e usurpou os poderes do juiz natural, que é André Mendonça, que já havia despachado no caso Master/Maridt, e depois arquivou de novo o processo. Isso mostra que a sujeirada que envolve o Supremo não tem limites. É a lama, é lama, é lama, como diria Tom Jobim.. (C.N.)

Republicanos acusa o PL de minar aliança e cobra mais respeito em articulações

Jovens começam a apresentar sinais de que se tornam uma espécie em extinção

Envelhecimento: corrida contra o tempo | Jusweek!

Ilustração reproduzida da Jusweek

Luiz Felipe Pondé
Folha

A área de estudos do futuro, muitas vezes, é tomada por delírios. Ou por agentes que querem vender seu peixe tecnológico. Ou por gente que quer ninar as almas assustadas. Essa área não pode ser edificante porque, se assim o for, perde o foco.

Pensar o futuro é olhar as condições materiais, sociais e econômicas que determinam o mundo e checar se elas deverão sofrer alguma mudança significativa. Se não houver indícios de tais mudanças, a tendência em questão deve permanecer e, possivelmente, se radicalizar. Vejamos.

MUNDO DIGITAL – As redes sociais estão causando transtornos nas democracias, assim como a invenção da imprensa e a tradução da Bíblia para línguas vernáculas, por volta de 1500, foram algumas das causas das guerras religiosas na Europa, que, por sua vez, criaram condições materiais, sociais e políticas para o surgimento do Estado laico e da liberdade religiosa, depois de muito sangue derramado e destruição.

O rádio catapultou o fascismo na primeira metade do século 20, e as redes sociais estão estremecendo os mecanismos representativos nas democracias.

Esse processo vai mudar? Provavelmente não. O mundo digital está radicalmente monetizado e dificilmente deixará de existir. A tendência é que seus feitos sejam radicalizados e se frutifiquem em formas ainda desconhecidas.

REGULAMENTAR? – Tentativas de regular implicam em perda de competitividade nas sociedades que reprimem os avanços na área. A Europa, em comparação com os Estados Unidos e a China, sabe bem disso. Esperemos, sim, mais transtornos, com a esperança de que alguma forma de acomodação ocorra.

É possível esperar que uma educação para esse impacto aconteça a curto prazo? Difícil crer. No Brasil, por exemplo, assim como na maior parte do mundo, a educação é um lixo em quase todas as áreas. Como esperar que crianças que mal sabem ler, escrever e contar possam enfrentar os transtornos sociais, econômicos e políticos que virão pela frente?

Com a entrada da inteligência artificial no mundo, em todas as suas esferas, inclusive na política, o processo tende a se agravar. Muito desemprego e muitas pessoas inutilizadas surgirão. O que fazer com elas? Ninguém sabe.

ERA DOS VELHOS – O mundo será dos idosos. Jovens serão raros. Os jovens já começam a apresentar sinais de uma espécie em extinção. Desordem cognitiva. Incapacidade de lidar com um meio ambiente hostil — vale salientar que o meio ambiente sempre foi hostil, do contrário, não existiria seleção natural.

Instabilidade emocional. Insegurança estrutural. Radicalização de comportamentos contrários ao convívio coletivo. Redução drástica na capacidade reprodutiva e na habilidade de garantir a própria sobrevivência. Enfim, todo o processo de adoecimento mental das gerações mais jovens deveria ser analisado desde o ponto de vista da seleção natural e da decorrente extinção de espécies não adaptadas.

RISCO DE EXTINÇÃO – Claro que jovens em risco de extinção implicam também na extinção da própria espécie, da qual eles são o futuro. A espécie sapiens nunca deveria ter sido compreendida como uma espécie racional, mas, sim, como passionalmente desequilibrada e tendendo à entropia, esta desordem que vemos hoje em dia.

Por sua vez, essa redução do número de jovens é consequência das decisões individuais de mulheres e homens que chegaram à conclusão de que filhos são ônus e não bônus, o que, por sua vez, é desdobramento histórico necessário da emancipação feminina que tem, como um dos seus pilares, a redução do número de filhos a fim de facilitar a sobrevida das mulheres no mercado de trabalho.

Causa deste fenômeno é, também, a decisão de jovens, homens e mulheres, acerca do grande estresse que são os compromissos amorosos e sexuais excessivamente sólidos. O amor atrapalha os negócios. Os departamentos de compliance sabem bem disso.

FIM DO MUNDO – Esse fenômeno vai mudar? A emancipação feminina vai acabar? Evidentemente que não. A menos que uma catástrofe leve a humanidade de volta ao neolítico e, assim, as mulheres voltem a ficar grávidas todo o tempo devido ao aumento de atividade sexual voluntária ou involuntária.

Por fim, o capitalismo é um sistema baseado em contratos de concupiscências. Concupiscência é um termo teológico usado pelo filósofo Agostinho para descrever a tendência do comportamento humano a buscar furiosamente seus objetos de desejo.

Concupiscências são destrutivas porque fazem dos seres humanos crianças velhas loucas para atingir o que desejam. O capitalismo é a política da concupiscência. Você acha que isso vai mudar? Não.

Sobre a mãe, a filha de 12 anos, o “estuprador” e o destino de cada um

Em uma decisão absurda, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais absolveu um  homem, de 35 anos, que vivia com uma menina de 12 anos. Ele alega que não  cometeu crime porJorge Béja

Todos são miseráveis. A mãe é miserável. A filha de 12 anos é miserável. O “estuprador” de 35 também é miserável. Todos são miseráveis, porque nasceram e cresceram na miséria. Sem ter onde morar. Sem ter o que comer. Sem nada terem. Todos sobrevivem na extrema fragilidade de toda ordem e na mais completa desgraça.

São famintos e analfabetos. Não oram, não choram, não sorriem. Vivem na miséria. E “quando a miséria faz um prisioneiro, rodeia-o de excrementos”, como nos deixou escrito o magnífico escritor inglês Chesterton (1874-1936) na obra “Ortodoxia”.

CHAMADO DE LOUCO – E a certeza de Chesterton era tanta que ele agradecia, quando saía à rua e era chamado de louco. E  Chesterton sempre respondia “obrigado, muito obrigado”.  E sempre que perguntado por que agradecia, o próprio Chesterton assim  respondia: “Agradeço porque louco, doido e maluco é aquele que perdeu tudo, tudo e tudo. Menos a razão”.

A mãe, o pai, a filha-criança de 12 anos e o adulto de 35 (o tal “estuprador”), todos se igualam. Sim, a filha-criança. A lei brasileira considera criança os pequenos até os 12 anos de idade. E adolescente dos 12 aos 18 anos (artigo 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, Lei n. 8.069 de 1990). 

E depois que a Justiça de Minas Gerais vacilou tanto — primeiro condenou, depois absolveu e por fim, tornou a condenar— a mãe e o “estuprador” de 35 anos retornaram ao presídio da cidade de Araguari.

OS IRMÃOS NAVES – E a cidade de Araguari volta ao noticiário, perto de 90 anos depois daquele monstruoso erro judiciário que entrou para a história do país. Em 1937 os irmãos Sebastião Naves e Joaquim Naves foram condenados como autores do “assassinato e ocultação do corpo” de seu sócio Benedito.

Debaixo de tortura extrema, confessaram o crime. Pena: 20 anos de reclusão para cada um, pena que foi cumprida no presídio da cidade de Araguari. Sebastião morreu no cárcere. Joaquim do cárcere sobreviveu. Mas morreu em seguida.

E eis que a Benedito, mais de 20 anos depois, surge belo e formoso na cidade de Araguari. Benedito tinha roubado os irmãos Naves e fugido com o dinheiro. 

OS MISERÁVEIS – E neste início de 2026 Araguari volta ao noticiário. É no presídio desta cidade que os miseráveis que a Justiça de Minas Gerais puniu pelo crime de Indianópolis estão cumprindo a pena.

É pena de encarceramento. Pena que só serve para piorar as condições de vida de cada um deles.

Não se pede clemência, piedade, muito menos compaixão. O que se pede é socialização de todos. E não será em cárcere algum que os condenados obterão o que precisam e que nunca tiveram na vida. Pelo contrário, após cumprida a pena, deixarão o presídio em situação pior da que nele ingressaram.

INTERDITOS – É preciso que todos sejam declarados interditos. E que para cada um deles o poder público judiciário nomeie um curador para lhes dar assistência, até que possam conviver em liberdade e em sociedade.  Não será no cárcere que serão ressocializados.

Se estivesse entre nós, é certo que Graciliano Ramos, perto de 80 anos depois, diria novamente que nas masmorras do país, continuam amontoados “homens aniquilados, na dependência arbitrária de um anão irresponsável, de um criminoso boçal. Na imensa porcaria, duzentos indivíduos postos fora da sociedade achatavam-se numa prensa, ódio em cima, ódio embaixo” (“Memórias do Cárcere”, 2º volume, página 177 ).

O preço da vida não cabe no poema, dizia o imortal Ferreira Gullar

A arte existe porque a vida não basta. Ferreira Gullar - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta maranhense José Ribamar Ferreira (1930-2016), o famoso Ferreira Gullar, explicava poeticamente por que “Não Há Vagas” para os dramas diários.

NÃO HÁ VAGAS
Ferreira Gullar

O preço do feijão
não cabe no poema.
O preço do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás,
a luz, o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão. 
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome,
sua vida fechada
em arquivos. 
Como não cabe no poema
o operário
que esmerilha seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado: “não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago,
a mulher de nuvens
a fruta sem preço.
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.

Supersalários na Justiça do Trabalho conseguem somar R$ 1 bi acima do teto

CPI do INSS notifica Coaf e fixa prazo para envio de dados fiscais de Lulinha

Envio do pedido ocorreu mesmo com questionamentos 

Camila Turtelli
O Globo

A CPI do INSS notificou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para que envie Relatório de Inteligência Financeira (RIF) sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no prazo de cinco dias úteis. O ofício foi encaminhado após a aprovação, pela comissão, de 87 requerimentos que incluíram a quebra de sigilo do empresário.

O envio do pedido ao Coaf ocorreu mesmo com questionamentos apresentados por parlamentares da base do governo sobre a regularidade da votação. O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já encaminhou os requerimentos aprovados às autoridades competentes e afirmou que não aguardará eventual decisão da presidência do Senado para dar seguimento às medidas.

ANÁLISE DE IMAGENS – Paralelamente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), determinou que a Polícia Legislativa, a Secretaria-Geral da Mesa e a Advocacia da Casa analisem imagens da sessão, registros oficiais e o regimento interno antes de decidir se mantém ou anula a deliberação da comissão. Governistas se reuniram com ele e pediram a invalidação da votação, sob o argumento de que houve erro na contagem dos votos durante a sessão.

Segundo relatos de participantes do encontro, Alcolumbre orientou que todas as alegações fossem formalizadas por escrito, com fotos, vídeos e demais documentos. O pedido foi protocolado no fim do dia, com anexos. A presidência informou que o material será submetido à análise técnica das áreas responsáveis pelo cumprimento das normas internas e pela segurança institucional do Senado. Não há prazo definido para a decisão.

RESULTADO DIFERENTE – A controvérsia começou quando a CPI decidiu votar em bloco os 87 itens da pauta. A primeira votação, nominal, registrou 18 votos favoráveis e 12 contrários. Em seguida, houve deliberação simbólica. Parlamentares governistas afirmam que 14 integrantes se manifestaram contra o pacote e sustentam que o resultado deveria ter sido diferente, considerando o número de presentes naquele momento.

Viana, por sua vez, argumenta que o quórum válido era o da primeira votação, com 31 parlamentares registrados, e que, nesse cenário, não houve maioria suficiente para rejeitar os requerimentos. Ele declarou que os atos já foram praticados e que a tramitação dos pedidos segue curso normal.

CPI do INSS: o tumulto que revela a guerra política por trás das investigações

Charge do Gilmar Frga (Zero Hora)

Pedro do Coutto

A cena que marcou a sessão da CPI do INSS foi menos institucional e mais sintomática do ambiente político que cerca a investigação: gritos, acusações cruzadas, suspeitas de fraude na contagem de votos e até agressões físicas.

No centro do embate, a aprovação da quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio não é apenas mais um capítulo de um inquérito parlamentar; é um retrato vivo da disputa narrativa que hoje atravessa o Congresso e o próprio sistema político brasileiro.

REUNIÃO TENSA – A decisão de quebrar os sigilos ocorreu em meio a uma reunião tensa, marcada por protestos de parlamentares governistas que contestaram o resultado da votação simbólica e acusaram a presidência da comissão de distorcer a contagem dos votos. O presidente da CPI, senador Carlos Viana, sustentou que o procedimento seguiu o regimento e que a verificação de quórum, registrada eletronicamente, validava a aprovação dos requerimentos em bloco.

Para além do tumulto, o ato possui forte peso político. A quebra de sigilo foi solicitada no contexto das investigações sobre um amplo esquema de fraudes em descontos indevidos sobre benefícios previdenciários, que teriam causado prejuízo bilionário a aposentados e pensionistas ao longo dos últimos anos, envolvendo associações, empresas e agentes diversos ligados ao mercado de crédito consignado.

O ponto sensível, porém, não está apenas na investigação em si, mas na escolha do alvo. Ao incluir o filho do presidente entre os nomes alcançados pela medida, a CPI eleva a temperatura política e amplia o alcance simbólico de suas ações. Em política, decisões jurídicas ou investigativas raramente são neutras em seus efeitos; elas dialogam com disputas mais amplas, especialmente quando atingem o entorno familiar do chefe do Executivo.

COLABORAÇÃO – Os parlamentares contrários à quebra de sigilo argumentaram que Lulinha demonstrou disposição para colaborar voluntariamente com as investigações, o que tornaria a medida coercitiva desnecessária. A defesa do empresário sustenta exatamente essa tese: afirma que ele não participou de fraudes e que forneceria espontaneamente documentos ao Supremo Tribunal Federal, classificando a quebra como “dispensável”.

Esse argumento revela um dilema clássico das comissões parlamentares de inquérito: investigar ou politizar? Na prática, CPI é instrumento híbrido — jurídico na forma, político na essência. Quando decide quebrar sigilos, a comissão busca ampliar o leque probatório; quando o faz em meio a tumultos e acusações de fraude na votação, acaba por reforçar a percepção de que a arena investigativa se transformou também em palco de disputa simbólica entre governo e oposição.

O episódio ainda expõe outro aspecto recorrente da política brasileira contemporânea: a disputa pelo controle da narrativa pública. Para a oposição, a quebra de sigilo reforça a imagem de rigor investigativo e amplia a pressão sobre o governo. Para a base governista, o tumulto e as dúvidas sobre o quórum alimentam a tese de que há instrumentalização política da CPI. Nesse contexto, cada gesto processual — um requerimento aprovado, um voto contestado, uma acusação de fraude — ganha dimensão estratégica.

ESPAÇO DE BATALHA – Mais do que esclarecer fatos, a CPI tornou-se espaço de batalha discursiva sobre responsabilidade, corrupção e legitimidade institucional. O Brasil já assistiu a esse roteiro em outros momentos: investigações que nascem técnicas, mas rapidamente se transformam em arenas de confronto ideológico, onde a verdade factual disputa espaço com a verdade política.

No fundo, o que se viu naquela sessão foi o retrato de um sistema em permanente tensão: de um lado, a necessidade legítima de apurar fraudes que afetaram milhões de beneficiários da Previdência; de outro, o risco constante de que investigações sejam capturadas pelo calendário eleitoral e pela polarização. Quando tapas na mesa substituem argumentos e suspeitas sobre a contagem de votos eclipsam o debate substantivo, o processo investigativo perde parte de sua autoridade moral.

A quebra de sigilo de Lulinha, portanto, transcende a figura do investigado. Ela simboliza o momento em que a CPI deixa de ser apenas instrumento de apuração e se converte em arena política plena, onde cada decisão é interpretada não apenas à luz da legalidade, mas da conveniência e da disputa pelo poder. E é justamente nesse ponto que reside o risco: quando a política invade por completo o espaço da investigação, o esclarecimento dos fatos deixa de ser o único objetivo — e passa a ser apenas uma peça no tabuleiro maior da guerra política brasileira.

Celular de Vorcaro passa por triagem da PF antes de chegar à CPI do INSS

Na guerra fria na família Bolsonaro, a disputa pelo espólio do poder

Bolsonarismo entra em fase aberta de autodevoração política

Marcelo Copelli
Revista Fórum

A candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, apresentada como herança direta de Jair Bolsonaro, está longe de constituir consenso no próprio clã e muito menos no campo conservador que orbitou o ex-presidente desde 2018. O que se projeta para 2026 não é uma transição orgânica de liderança, mas um movimento defensivo para preservar um capital político em evidente perda de capacidade agregadora. A tentativa de naturalizar a sucessão esbarra numa realidade incômoda: sem o vértice indiscutível que antes organizava o grupo, tensões acumuladas emergem e transformam a pré-candidatura em foco explícito de disputa doméstica.

Não se trata de continuidade, mas de administração de espólio. O bolsonarismo, frequentemente descrito como bloco monolítico, sempre operou como coalizão pragmática de interesses heterogêneos — militares, liberais radicais, lideranças evangélicas, antipetistas históricos e operadores do Centrão — unificados menos por um programa consistente do que pela força agregadora de uma liderança personalista. Enquanto esse poder arbitral se mantinha intacto, divergências eram contidas. Com a inelegibilidade e o afastamento do jogo eleitoral direto, porém, a engrenagem perdeu o eixo e as fissuras deixaram de ser silenciosas.

APOSTA ARRISCADA – A escolha de Flávio, nesse cenário, não surge como solução consensual, mas como aposta arriscada numa lógica dinástica que parcela relevante da própria direita considera politicamente contraproducente. A contradição é direta: o movimento que se construiu como antítese das “velhas oligarquias” passa a flertar com a reprodução hereditária de poder. A promessa de ruptura converte-se, assim, em continuidade familiar — e essa inversão simbólica é percebida com crescente desconforto por aliados estratégicos.

Entre os primeiros sinais de tensão, destacam-se críticas oriundas do próprio campo ideológico. O pastor Silas Malafaia, figura central na mobilização do eleitorado evangélico, já indicou preferência por alternativas consideradas mais competitivas e chegou a avaliar que intervenções públicas de Eduardo Bolsonaro prejudicam mais do que contribuem para a viabilidade eleitoral do irmão. A mensagem implícita é inequívoca: lealdade ao fundador não implica adesão automática ao herdeiro designado.

A equação torna-se mais complexa com o fortalecimento do capital político próprio de Michelle Bolsonaro. Consolidada como liderança com linguagem mais moderada e forte apelo entre mulheres e evangélicos, ela deixou de ser mera extensão simbólica do ex-presidente para tornar-se alternativa real dentro do campo conservador. Seu apoio público ao nome de Flávio, nesse contexto, soa menos como aclamação espontânea e mais como gesto de disciplina familiar diante de um processo sucessório ainda indefinido.

REORGANIZAÇÃO – A disputa alcança também a nova geração da direita. O protagonismo digital e eleitoral de Nikolas Ferreira evidencia que o conservadorismo brasileiro já não gravita exclusivamente em torno da família Bolsonaro, mas se reorganiza como ecossistema competitivo de lideranças que disputam legitimidade junto à base ideológica. Nesse ambiente, a candidatura do herdeiro não produz unidade automática; torna-se apenas mais um polo na corrida por hegemonia no campo conservador.

As fricções estendem-se à estrutura partidária. Divergências entre Carlos Bolsonaro e o comando do Partido Liberal (PL), liderado por Valdemar Costa Neto, revelam um conflito estratégico nítido: enquanto o partido busca ampliar alianças e dialogar com setores moderados, o núcleo ideológico insiste numa linha permanente de confronto. O dilema é estrutural — moderar-se para ampliar viabilidade ou radicalizar para preservar identidade mobilizadora.

Esse ambiente de disputa doméstica produz um efeito decisivo: a cautela pragmática do Centrão. Diferentemente do bolsonarismo ideológico, esse bloco opera por cálculo frio de viabilidade eleitoral e governabilidade futura. Nesse horizonte, a candidatura de Flávio surge como ativo incerto: carrega o peso do sobrenome, mas carece de experiência executiva robusta e enfrenta resistências no próprio campo que deveria sustentá-lo. Para atores pragmáticos, herança familiar não substitui densidade política nem probabilidade concreta de vitória.

COMPETIÇÃO DOMÉSTICA – O próprio clã, por anos apresentado como núcleo indissociável, revela agora dinâmica competitiva doméstica. A política familiar, antes extensão direta do projeto presidencial, converte-se em arena de protagonismos paralelos. Cada integrante busca preservar ou ampliar espaço, e a escolha de um sucessor prioritário altera inevitavelmente esse equilíbrio. Divergências públicas, recados indiretos e movimentos autônomos indicam que a lealdade convive, de forma cada vez mais evidente, com rivalidades latentes.

No plano eleitoral, a fragilidade torna-se ainda mais visível. Sem trajetória executiva de grande porte, Flávio enfrenta o contraste com governadores conservadores que acumulam resultados administrativos concretos e ambições presidenciais próprias. Instala-se, então, um dilema silencioso: entre fidelidade ao sobrenome e pragmatismo eleitoral, qual escolha maximiza as chances reais de poder? A ausência de resposta unânime aprofunda a fragmentação.

O ponto central é inequívoco: a candidatura de Flávio não emerge de convergência natural, mas de uma decisão verticalizada para preservar a centralidade de um nome no imaginário político da direita. Contudo, hegemonia não se transmite por herança; constrói-se por legitimidade reconhecida pelos pares e pela base social. Sem essa validação, a tentativa de sucessão tende a intensificar, e não pacificar, as disputas no interior do próprio campo.

RESERVAS – A ausência de unanimidade, portanto, não é detalhe periférico — é o elemento definidor dessa pré-candidatura. As reservas de lideranças evangélicas, a autonomia crescente de Michelle, o protagonismo de quadros jovens, os atritos entre irmãos e as tensões com a direção partidária compõem um mosaico que desmonta a imagem de coesão automática. O bolsonarismo já não opera sob comando incontestável.

Nesse contexto, a candidatura de Flávio Bolsonaro simboliza menos a continuidade de um projeto do que a exposição de sua crise estrutural. O que se apresenta como sucessão revela-se, na prática, uma guerra fria doméstica pelo controle de um capital político em progressivo desgaste.

No fim, a tentativa de transmissão dinástica explicita a fragilidade estrutural do movimento: privado do eixo que lhe garantia unidade, o bolsonarismo passa a enfrentar o peso das próprias ambições que o sustentaram — e que agora, sem mediação central, operam como força centrífuga de fragmentação.

Gilmar agravou escândalo, ao anular quebra de sigilo que incrimina Toffoli

Tribuna da Internet | Segunda Turma: recurso final de Bolsonaro não será  decidido na gestão de Gilmar

Charge do Cláudio Aleixo (Arquivo Google0

Carlos Newton

Ninguém pode saber como essa crise vai acabar, mas já se pode dizer, sem medo de errar, que as tentativas de blindar os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes estão destinadas a agravar um inevitável confronto entre o Congresso e os outros poderes, porque o governo e o Supremo funcionam como se estivessem em conluio para proteger autoridades envolvidas em gravíssimos episódios de corrupção.

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, ao anular nesta sexta-feira, entre outras medidas, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, que iria incriminar o ministro Dias Toffoli, vai funcionar como um tiro no pé e provocar revolta na maioria dos parlamentares.

LULA EM MINORIA – Em recente artigo aqui na Tribuna da Internet, destacamos o fato de que o governo Lula da Silva, que já era minoritário no Senado, agora está também em minoria na Câmara, conforme fica comprovado na atuação da CPMI do INSS, que também quer mergulhar de cabeça no caso do banco Master, seguindo o comportamento a CPI do Crime Organizado e da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, .

Para socorrer Dias Toffoli e impedir sua imediata incriminação no caso Master., o ministro Gilmar Mendes tomou a iniciativa de incentivar a reabertura de um antigo processo que ele próprio mandara arquivar no Supremo em 2021. 

Deu certo a jogada ensaiada, como se diz no futebol, mas o jogo ainda não terminou. Pelo contrário, está apenas começando e Gilmar Mendes é apenas o árbitro do VAR. O verdadeiro juiz em campo é André Mendonça, que não gosta de regras criadas de surpresa e deve responder à altura.

UMA RESPIRADA – De qualquer forma, com essa audaciosa e criativa decisão de Gilmar Mendes, ressuscitando um processo que ele próprio arquivara, o ministro Tofolli vai dar uma respirada até terça ou quarta-feira, quando as CPIs voltam a se reunir, para apertar ainda mais o cerco a Toffoli e também a Moraes, que tem 129 milhões de motivos para estar envolvido no caso Master, como diz o jornalista Mário Sabino, do Metrópoles.

Além disso, há várias maneiras de quebrar sigilo, e não se pode esquecer que o ministro André Mendonça pode ser acionado pela Polícia Federal ou pela própria CPI do Crime Organizado para devassar o sigilo fiscal e bancário da empresa Maridt e dos irmãos de Toffoli, o que deixará Gilmar Mendes de calças arriadas, como se dizia antigamente.

Aliás, a direção da CPI do Crime Organizado – comandada por dois delegados de polícia, o presidente Fabiano Contarato (PT-ES) e o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), e tendo como vice-presidente o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que é general de quatro estrelas – já anunciou que vai recorrer da blindagem feita por Gilmar Mendes.

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P.S. –
Conforme afirmamos recentemente, o Supremo é comandado informalmente por uma troika, formada por Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que se impõem aos demais ministros. Mas todo reinado ilegítimo tem vida curta. Hoje, a maioria do Senado apoia a CPI do Crime Organizado e pode acabar pressionando e obrigando o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) a votar impeachments de ministros do Supremo, algo que já se tornou objeto de desejo da opinião pública brasileira e vai influenciar as eleições deste ano, quando o consumo de pipocas tende a aumentar. (C.N.)

PL ultrapassa PT nas redes e sinaliza nova disputa digital pela hegemonia eleitoral

Perfil do partido de Bolsonaro passou a superar a do PT

Rafaela Gama
O Globo

O Partido Liberal (PL) superou em crescimento no Instagram o Partido dos Trabalhadores (PT) ao longo de 2025, mostra um levantamento obtido pelo O Globo. Ao longo dos últimos 12 meses, a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro passou de aproximadamente 1,24 milhão para 1,89 milhão de seguidores, com acréscimo de cerca de 640 mil novas contas que passaram a acompanhar o perfil.

No mesmo período, a legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cresceu quase a metade do avanço da adversária (330 mil), saindo de 1,37 milhão para 1,67 milhão. Os dados também indicam que, ao longo do primeiro semestre do ano, o PT mantinha mais seguidores que a sigla adversária, mas, de julho a outubro, os dois partidos passaram a acumular números parecidos.

CANDIDATURA – A partir de novembro, no entanto, bolsonaristas passaram à frente da legenda petista. O mês antecedeu o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto, escolhido como sucessor do ex-mandatário.

Desde então, o parlamentar tem se colocado como o principal candidato da direita que enfrentará o petista na corrida eleitoral. Dados da última pesquisa Genial/Quaest, divulgados no início deste mês, mostram que Flávio conseguiu fidelizar o voto da direita nas projeções de primeiro turno e registrou melhorias no desempenho na parcela de eleitores considerados “independentes” no segundo turno.

O levantamento também mostra que, desde dezembro, Flávio passou a ultrapassar Lula em ganhos de seguidores nas principais redes sociais (Instagram, X, TiKTok, YouTube e Facebook), mas se manteve abaixo do petista em números totais. Somente no Instagram, por exemplo, o senador tem atualmente 8,9 milhões, enquanto o presidente acumula 14,4 milhões.

ADVERSÁRIOS – Além de Lula, o senador também poderá ter como adversários o governador Romeu Zema (Novo) e um candidato do PSD, que deverá ser lançado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, como um representante da “terceira via”. O dirigente deverá escolher entre os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) — tido como preferido. Os três têm 2 milhões, 1,5 milhões e 1,3 milhões de seguidores no Instagram, respectivamente, enquanto Zema acumula 2,3 milhões.

A pesquisa Quaest também indica que eles são os candidatos mais desconhecidos. No quadro geral do levantamento, 23% dizem que “conhecem e votariam” em Ratinho. No mesmo quesito, Caiado pontuou 14%, Zema, 13% e Leite, 10%. Outros 42% afirmam o mesmo sobre Lula, enquanto 36% têm a mesma opinião sobre Flávio.

Jaques Wagner diz que quebra de sigilo de Lulinha na CPMI foi “manipulada”

Senador disse que irá recorrer de decisão final da CPMI

Manoela Carlucci
CNN

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) disse à CNN nesta quinta-feira (26), que a votação sobre a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha – filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -, na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi “manipulada”.

“Houve uma manipulação, prefiro não adjetivar e, portanto, não sei exatamente como esse imbróglio vai terminar”, disse. A sessão em que foi aprovada a quebra de sigilo foi suspensa após bate-boca e empurrões entre parlamentares. Durante a entrevista, o líder classificou o ocorrido como “absurdo”, mas disse que não tinha como “se calar”.

CONFUSÃO –  “Um absurdo, realmente foi-se as vias de fato porque as pessoas ficaram indignadas com a proclamação do presidente Carlos Viana sobre o resultado. Não há como negar que o número nosso era 14 e não 7 e quem ganha é a maioria”. afirmou. “Na minha opinião, um horror porque eu acho que o tratamento dentro do Congresso deveria se dar de outra forma, mas não há como se calar”, completou.

Jaques Wagner afirmou que o partido deve recorrer da decisão tomada na Comissão e procurar, inclusive, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar sobre o caso. “Nós estamos muito tranquilos, vamos continuar brigando por aquilo que achamos correto e vamos ver. O presidente Davi deve submeter isso à mesa ou à Comissão de Justiça do próprio Senado, e vamos ver qual a decisão. Na verdade, como essa CPI é mista, o comando é realmente do presidente do Congresso, mas acaba envolvendo também o presidente Hugo Motta”.

De acordo com o líder, Lulinha pode sim prestar esclarecimentos à Comissão, contanto que haja “equilíbrio”. “Ele pode prestar esclarecimento, mas nós não podemos ter uma CPI com cacoete para um lado só. Ele pode prestar depoimento, eu quero saber porque o cunhado do Vorcaro não pode”, acrescentou.

Gilmar reabre ação antiga e impede investigação que incriminaria seu amigo Toffoli

Maridt recorreu a atalho jurídico para ‘ressuscitar’ ação

Rafael Moraes Moura
Johanns Eller
O Globo

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes de anular a decisão da CPI do Crime Organizado que determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, ligada à família do ministro Dias Toffoli, foi tomada no âmbito de uma ação que o próprio Gilmar mandou arquivar há três anos. O processo, porém, não chegou a ser efetivamente arquivado pelo STF. Ficou dormitando nas gavetas do tribunal até ser “ressuscitado” nesta sexta-feira.

Na prática, a Maridt “se intrometeu” uma ação movida pela Brasil Paralelo em 2021, buscando um atalho jurídico para ser atendida pelo ministro. Usou para isso argumentações parecidas com as da Brasil Paralelo para anular requerimentos da CPI da Covid que haviam determinado quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático da empresa.

VIOLAÇÃO DE DIREITOS – A empresa alegou que a medida violava os direitos à liberdade de expressão, de imprensa, ao sigilo de fonte, à privacidade e à intimidade, além do princípio da legalidade. Em setembro de 2021, Gilmar atendeu o pedido da empresa, suspendendo o afastamento do sigilo telefônico e telemático da empresa. Mas determinou que as demais informações obtidas pela CPI fossem mantidas sob a guarda do presidente, Omar Aziz, e compartilhadas com o colegiado “apenas em reunião secreta e quando pertinentes ao objeto da apuração”.

Em 8 de março de 2023, Gilmar Mendes mandou arquivar a ação por concluir que a medida já havia sido cumprida pelo Senado Federal. O que a Maridt fez nesta semana foi apresentar uma petição dentro da ação do Brasil Paralelo, como se fosse ela mesmo parte do processo, pedindo que Gilmar suspendesse a sua própria quebra de sigilo. Gilmar acatou, considerando que os dois casos são relacionados.

A quebra de sigilo da Maridt foi aprovada pela CPI do Crime Organizado a partir de um requerimento apresentado pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A comissão aprovou também a convocação de dois irmãos de Toffoli que constam como sócios da companhia, José, Carlos e José Eugênio. Em outra decisão, o ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no STF, decidiu que eles não serão obrigados a prestar depoimento.

QUESTIONAMENTOS – A Maridt é uma empresa de sociedade anônima controlada pelos irmãos de Toffoli e que foi sócia do resort de luxo Tayayá em Ribeirão Claro (PR). O ministro do Supremo passou a ser alvo de questionamentos depois da revelação de que a companhia vendeu uma parcela de sua participação para um fundo controlado pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro, em 2021. O magistrado posteriormente admitiu ter sido sócio do empreendimento ao lado dos irmãos, pouco antes de deixar a relatoria do caso Master.

Os pagamentos de Vorcaro para a família Toffoli vieram a tona quando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório com as evidências desconbertas no celular de Voraco indicando as conexões entre o banqueiro e Dias Toffoli que poderiam caracterizar a suspeição do ministro para continuar relatando o caso do banco Master.

Oficialmente, Toffoli negou ter recebido qualquer pagamento de Vorcaro ou de Zettel. Em nota divulgada no último dia 12, após a repercussão do relatório da PF, o gabinete do ministro no STF admitiu pela primeira vez que o magistrado é sócio da Maridt e que recebeu dividendos pela venda da cota para o Arleen, fundo que tem o cunhado do executivo como único cotista, em 2021.

PAGAMENTOS – A versão vai contra o que indicam as conversas entre Vorcaro e Zettel detalhadas pela PF no dossiê. Os diálogos ocorreram em dezembro de 2024, três anos após a venda das cotas para o Arleen. Nas conversas, Zettel pergunta ao banqueiro como deveria proceder em relação aos pagamentos para o ministro. O controlador do Master respondeu que preferia que os repasses se dessem por meio do fundo.

No pedido apresentado à CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira argumentou que a quebra de sigilo era uma medida de “extrema urgência” e tinha como objetivo “desmantelar a complexa rede de influência e lavagem de capitais que orbita em torno do Banco Master e de suas conexões com agentes públicos de cúpula”.

O senador sergipano apontou ainda “suspeitas fundadas de que a Maridt tenha funcionado como um canal de recebimento de vantagens indevidas sob o manto de contratos de consultoria e prestação de serviços mensais pagos por grandes escritórios de advocacia que possuem interesses diretos em causas relatadas pelo próprio ministro Toffoli no STF”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A iniciativa de Gilmar Mendes é uma ação entre amigos, que não soluciona o problema de Toffoli, apenas atrasa a investigação sobre ele e mostra que a sujeirada que envolve o Supremo não tem limites, pois o escândalo já está fedendo a centenas de milhas daqui, como diria Djavan. (C.N.)

Governo e oposição querem defender suas tropas no escândalo do Master

CHARGE ▫ Confira a charge do cartunista Mariosan desta segunda-feira (29). # Charge #OPopular #LeiaAgora

Charge do Mariosan (Instagram)

Elio Gaspari
Folha

O caso do Banco Master tornou-se radioativo. O Banco Central teve mais de um ano para enquadrá-lo e frangou o tamanho da fraude. O ministro Dias Toffoli tomou as rédeas do inquérito e embrulhou-se. O Supremo Tribunal tirou-o do caso, mas, no mesmo lance, solidarizou-se com ele. (Como isso é possível, só o tempo dirá.)

Uma parte do Congresso quer uma CPI, outra prefere apenas interrogar Daniel Vorcaro, dono da encrenca e arquivo vivo de suas ramificações.

CONEXÕES DE VORCARO – Nessa confusão, em Brasília atira-se para todos os lados, menos para o alvo: as conexões de Vorcaro. Não deixa de ser curioso que, enquanto o tiroteio toma conta da agenda, a única instituição que vem investigando com sucesso o material radioativo é mantida ao largo da agenda. Trata-se da Polícia Federal, a quem se devem as poucas novidades saídas da caixa preta do Master.

Por incrível que pareça, a criação de uma CPI traz mais riscos que esperanças. A CPI da fraude das Lojas Americanas ainda está na memória das pessoas. Aquela CPIzza terminou num vexame. Não responsabilizou viv’alma nem ouviu os grandes acionistas da empresa. Quando ela terminou, havia deputados denunciando deputados, e só.

FIM DO SIGILO – Vorcaro quer um microfone para responsabilizar o Banco Central, o governo quer proteger sua tropa e parte da oposição quer manter as investigações longe de seus afortunados parlamentares. Com essas forças chocando-se na discussão do problema, só havia uma resultante possível: o sigilo. O ministro Dias Toffoli bem que tentou. Teve a má sorte de encrencar-se com a Polícia Federal e deu no que deu.

A saída de Toffoli da relatoria jogou na agenda o que seria o vazamento, a partir de um grampo, de uma reunião fechada do STF. Beleza, sorteia-se um novo relator e o crime estaria num provável grampo, que revelou com fidelidade o desfecho do problema.

Ministros do Supremo querem identificar e punir os responsáveis pelo vazamento. Tudo bem, desde que prossigam as investigações da PF.

REDE DE TRAMÓIAS – O estouro do Master começou com um banco fraudando operações e lesando fundos de pensão de servidores. Essa rede de tramoias vinha das conexões de Vorcaro azeitadas por negócios, eventos e festas.

Uma parte dessas conexões está guardada nos 52 aparelhos celulares do banqueiro e de seus diretores. Esse material está com a PF, que até agora não o mostrou, nem ao STF.

É por aí que a maior fraude bancária de Pindorama poderá vir à luz. Nessa trama, Vorcaro é um detalhe, como detalhes foram os Magalhães Pinto do banco Nacional e Calmon de Sá do Econômico.

A MESMA TRAMA – Os banqueiros arruinados são a parte móvel de um elenco. Ora é um, ora é outro, até que chega o próximo.

A trama é sempre a mesma e passa pelas conexões desses bancos com o andar de cima da política de Pindorama. (Na receita do Econômico e do Nacional, havia ex-ministros no pódio.)

Se as combinações de Brasília resultarem numa CPI para o Master, tudo bem, desde que não atrapalhe nem tente obstruir o trabalho da Polícia Federal. Tentou-se e não deu certo.

Piado Ano! Nome da mulher que vale R$ 129 milhões é vendido por apenas R$ 250

Viviane Barci soma 13 derrotas e 8 vitórias no STF

Moraes ficou decepcionado com a baixa contação da mulher

Malu Gaspar
O Globo

O vazamento dos dados de familiares dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial os da mulher do ministro Alexandre de Moraes e os do filho do ministro Luiz Fux, foi realizado por dois funcionários terceirizados de uma agência da Receita Federal no Rio de Janeiro que operavam um esquema mambembe de venda de lugar em fila de atendimentos e informações cadastrais de correntistas.

Em depoimento dado à própria Receita, um vigilante terceirizado e um atendente cedido pelo Serpro que atuavam na agência de Laranjeiras, Zona Sul do Rio, admitiram ter vendido a declaração de imposto de renda dos advogados Viviane Barci de Moraes e Rodrigo Fux para terceiros ao preço de R$ 250 por CPF. Desse valor, R$ 150 ficavam para o servidor e R$ 100 para o atendente.

ERA ROTINA – Os dois admitiram ainda que operavam esse esquema já havia anos. Afirmaram, ainda, que apenas receberam o pedido para o acesso aos CPFs e fizeram a pesquisa, e não sabiam de quem se tratava. A Polícia Federal (PF) ainda investiga quem comprou os dados.

A Receita informou à equipe do blog que o funcionário cedido pelo Serpro retornou à empresa pública e que uma representação foi aberta na corregedoria. Já o vigilante foi devolvido para a empresa terceirizada no último dia 20.

Os depoimentos foram tomados ainda na fase administrativa da investigação, pela própria Receita Federal, depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou que fosse rastreado o acesso a dados cadastrais e do imposto de renda de 140 pessoas, ministros do Supremo e seus parentes.

BUSCA E APREENSÃO -Uma vez constatado o acesso irregular e feitos os depoimentos, a informação foi passada a Moraes e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou a busca e apreensão sobre quatro funcionários da Receita. Todos tiveram que passar a usar tornozeleira eletrônica e tiveram os passaportes cancelados.

Além dos dois sediados no Rio, um fiscal de Presidente Prudente (SP), Ricardo Mansano de Moraes, admitiu ter consultado as informações de uma enteada do ministro Gilmar Mendes, mas acessou o imposto de renda dela.

Uma quarta servidora, Ruth Machado dos Santos, do Guarujá (SP), acusada de ter acessado os dados de Viviane Barci, disse que estava em um atendimento presencial na no mesmo momento em que o sistema registrou sua senha acessando dados da advogada, mas foram apenas CPF, nome da mãe, data de nascimento e dados eleitorais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba, foi um anticlímax jamais visto… Moraes meteu os peitos e soprou um vendaval enorme para apagar uma simples velinha de aniversário. O excelentíssimo ministro queria saber quem denunciou o vexaminoso contrato da dra. Viviane com o trambiqueiro Daniel Vorcaro, mas não conseguiu nada, o máximo que conseguiu foi apenas transferir um vigilante e um atendente. E o pior foi saber que sua mulher, a advogada que pensava (?) valer R$ 129 milhões, na verdade está cotada no mercado paralelo por somente 250 reais. É muita desmoralização… (C.N.)

Castro joga com o tempo para fugir da cassação e viabilizar candidatura ao Senado

Poética e amorosamente, Flora Figueiredo criou a “Ave Maria dos Amantes”…

Flora Figueiredo - a poética da vivência | Templo Cultural Delfos

A poeta Flora Figueiredo em evento literário

Paulo Peres
Poemas & Canções

A tradutora, cronista e poeta paulista Flora Figueiredo, no poema “Reza”, suplica pela existência de um espaço em que o cotidiano do amor e suas contradições possam coexistir, abençoados pela Ave Maria dos Amantes.

REZA
Flora Figueiredo

Tem que haver um espaço pra nós dois
onde caibam nossos amores,
nossos temores,
nossos dilemas.

Tem que haver pra nós um tema
que fale de flores.
Tem que haver uma canção
de versos sofridos, amargos e doces.

Tem que haver uma oração
que fale de ciúme, de saudade, de perdão,
que abençoe os beijos
e os desejos retumbantes.

Para quando declinada ao fim do dia,
possa ser a Ave Maria dos amantes.