O amigo da corte e o bajulador de ministro são inimigos que se digladiam

🗓️ 2026 até agora resumido em uma charge. Você concorda?

Charge reproduzida do Arquivo Google

Conrado Hübner Mendes
Folha

Ser ministro do STF é exercer função pública, não ostentar estilo de vida. O cargo permite vida privada com o privilégio e o conforto do topo da pirâmide social brasileira. Só não permite o luxo extrativista, os cortejos oligárquicos e gangsteristas, o empreendedorismo familiar.

A carreira de ministro vem com muito poder, prerrogativa e prestígio, só pede não agredir a instituição. E não paga o suficiente para vestir-se de ouro. Não por moralismo. Não só por razões éticas ou estéticas, mas por razões legais compatíveis com a realidade socioeconômica brasileira.

ESTILO VORCARO – O que é ética, estética e legalidade para quem se regozija em degustação de uísque e charuto patrocinado por banqueiro em Londres? No “Fórum Jurídico Brasil de Ideias”, em 2024, quem teve a grande ideia foi Daniel Vorcaro, o rei do camarote da fraude bancária. Por que não financiar noite de álcool e fumaça com autoridades públicas por US$ 640 mil?

Fomos acostumados a ouvir anedotas da vulgaridade magistocrática. E ficamos moralmente anestesiados, juridicamente preguiçosos, politicamente paralisados. A prática foi se aprofundando, e muitos enriquecendo na conjunção patrimonialista. O JusPorn Awards só olhava.

Neste mês, a instituição chegou mais perto do precipício a partir das notícias da relação de ministros do STF com o Carminha da Faria Lima, artífice do previsível escândalo financeiro. Não porque a promiscuidade foi nova, não porque conflitos de interesses não convivam com ministros há muitos anos. Mas porque ficou bem desenhadinho aonde a indiferença a conflitos de interesses pode chegar. Virou esquete do Porta dos Fundos.

AMIGO E BAJULADOR – Em circunstâncias assim, o que faz o amigo da corte? Amigo na acepção genuína da palavra – feita de cuidado, franqueza e liberdade crítica – aponta o erro, pede compostura, propõe debate sobre código de ética, defende saídas institucionais de responsabilização individual que preservem a confiança na justiça e a institucionalidade do STF.

E o que faz o bajulador de ministro? Nega qualquer irregularidade, defende honorário faraônico pago pelo banqueiro para trabalho jurídico não sabido e sem complexidade. Acusa de lavajatista o jornalista que reporta fatos, classifica de “inimigo da corte” quem critica decisão do STF.

O amigo da corte está preocupado com o que vai sobrar de legitimidade ao STF para defender a Constituição dos inimigos à espreita. O sucesso do extremismo bolsonarista depende da implosão do obstáculo constitucional e da masterização da constitucionalidade.

ÁLCOOL E FUMAÇA – O bajulador de ministro prefere deixar o tribunal sangrar, enterrar sujeira em cova rasa e se encontrar em Lisboa como se nada. Financia álcool e fumaça para que o fluxo de honorários desse pacto de bajulação lucrativa não se interrompa.

O amigo da corte não é remunerado. Reconhece que o dano autoinfligido por ministro à sua autoridade é irreversível e contamina o sistema de justiça. Entende só restar à instituição do tribunal a redução de danos, alguma solução rápida. O que está provado é grave o suficiente.

O amigo da corte não é ingênuo a ponto de esperar espírito público voluntário numa hora dessas. Mas tenta imaginar alguma forma de estancar o sangramento. Seja por aposentadoria ou por sanção jurídica. Qualquer coisa que não a adulação. Já o bajulador de ministro não é amigo da corte. Nem o centrão supremocrático.

12 thoughts on “O amigo da corte e o bajulador de ministro são inimigos que se digladiam

  1. Ao que parece todos aqueles que foram conviventes com a “transformação do país inteiro num puteiro”, tementes de não irem pro céu, fazem seu ato de contrição.

    Só que, como disse a pândega Dilma, colocar a pasta de volta dentro do dentifrício não é tarefa fácil.

    https://m.youtube.com/watch?v=6WVCZK0JDf0

    Quanto ao STF, encontra-se sem qualquer opção que não seja caminhar pro abismo logo ali em frente.

    Queimou todas as pontes deixadas pra trás.

  2. Ventos trumpistas voltam a soprar para os lados dos Bolsonaro

    A ‘biruta’ de Trump segue os ventos, as pesquisas e as notícias e aponta para Flávio

    Como Quaest, Datafolha e Atlas, os últimos movimentos de Trump apontam para uma reversão de expectativas a favor de Flávio e contra Lula, que chegou a 2026 sob dúvidas que evoluíram para temores no Planalto.

    Enquanto Flávio cresce, Lula não só estacionou como enfrenta um turbilhão de notícias negativas.

    Flávio é hoje o candidato praticamente único da direita e está em empate numérico num 2º turno com Lula. Ele se tornou “novidade”, enquanto Lula tem o carimbo de candidato manjado, que sofre desgaste pelas jogadas de Lulinha, os vexames de Toffoli e a queda do pedestal de Moraes.

    Assim como a política e as próprias eleições, também o humor de Trump com o Brasil depende dos ventos, previsões, expectativas. Neste momento, a biruta parece soprar de volta para os lados dos Bolsonaro.

    Não é nada diplomático, mas nem por isso inédito, que Trump envie assessores ao Brasil passando ao largo do Itamaraty e, portanto, do governo brasileiro.

    (…)

    O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 12/03/2026 | 20h46 Por Eliane Cantanhêde

  3. A solução pro STF seria, como o técnico que para o jogo, com o time perdendo de 7 a 1, e recomeça dizendo “isto aqui é uma bola”, voltar a seguir a Constitucição e largar a mão eleitoral do Lula.

    Só que, analfabeto em Realpolitik, criou uma situação tão surreal, que concretou todas as portas de saída.

    O máximo que pode fazer é ficar na miúda, esperando as eleições passarem e convencendo Moraes de que não é possível quebrar as portas que concretaram com cabeçadas.

    Delinquir no mercado financeiro e operar a Realpolitik, não é pra amadores.

  4. Sr. Newton,

    E tem alguns miseráveis que ainda ficam com essa baboseira de esquerda, direita, centro direita, centro esquerda, centrão, centro debaixo, centro de cima, centro velho, centro novo, centro-espirita- centro dos zinfers….

    Veja que não escapa um dessas ideologias malditas…..

    Tem para todos os gostos e odores e esgotos….

    Vorcaro esteve em festa do ‘círculo íntimo’ de Hugo Motta no dia da posse…

    https://noticias.uol.com.br/colunas/natalia-portinari/2026/03/13/vorcaro-esteve-em-festa-do-circulo-intimo-de-hugo-motta-no-dia-da-posse.htm?cmpid=copiaecola

    aquele abraço

    PS.

    Não podemos esquecer que o Mafioso Banqueiro foi recebido pelo Monstro de Nove Dedos no Palácio do Assalto….

  5. Ser ministro do STF é exercer função pública, não ostentar estilo de vida. O cargo permite vida privada com o privilégio e o conforto do topo da pirâmide social brasileira. Só não permite o luxo extrativista, os cortejos oligárquicos e gangsteristas, o empreendedorismo familiar.

    Faltou o articulista dizer como “sobrevivem” os juízes suecos, onde alguns pilotam suas bicicletas e andam de Metrô para ir ao trabalho…

    Que tal um Código de Conduta Sueco para os Sinistros do Supremo Resort de 129 milhões de motivos.???

    aquele abraço

    • “..Da Lava Jato a furto de champanhe, quem é o juiz do Paraná Eduardo Appio

      Eduardo Appio atuava como juiz federal na 18ª Vara de Curitiba, mas, por conta da suspeita de furto de champanhe, foi suspenso do cargo e se tornou alvo de um processo administrativo disciplinar. Appio diz que vídeo é fraudulento e que sofre perseguições.

        • NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Essa “Ditadura do Supremo” se julga acima da lei e da ordem. O artigo 147-A proíbe “perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”. O jornalista não fez nada disso, apenas noticiou que parentes do ministro Flávio Dino estavam usando o carro blindado que o Tribunal maranhense deixa indevidamente à disposição da família dele, o que é ilegal e moralmente inadmissível. Portanto, Alexandre de Moraes e Flávio Dino são ministros com alma de ditadores, e a Polícia Federal certamente tem mais o que fazer. Apenas isso. (C.N.)

  6. Á época da luta contra a Ditadura, chamávamos os militantes neófito, sem muita formação política e sem visão estratégica de pregadores de cartazes, voluntaristas, heróicos, semre nos colocam em enrascadas.

    Mas o exemplo deste tipo de militante, é de um do lado da Ditadura. Um milico que, em pleno processo de democratização, tentou fazer um atentado a bomba num evento no Rio Centro e acabou “suicidado”, pois a bomba estourou no seu colo.

    O atentado ao Rio Centro ocorreu em 30 de abril de 1981, quando militares do DOI-CODI planejaram explodir bombas em um show para o Dia do Trabalho, visando forjar um ataque de esquerda e impedir a abertura política da ditadura.

    Uma das bombas explodiu acidentalmente no carro dos autores, matando um sargento, o que frustrou o plano.” Google

    Alexandre de Moraes é um pregador de cartazes.

    • O resultado do heroímo voluntarista do pregador de cartazes, foi aprofundar a crise em que se encontra o STF.

      Que não tem nenhum instrumento pra evitar que continue a dar cabeçadas nas portas concretadas.

      Alguns grandes veículos de imprensa brasileiros publicaram análises, editoriais ou comentários críticos à decisão de busca e apreensão contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, principalmente destacando risco à liberdade de imprensa e ao sigilo da fonte.

      Abaixo estão os principais jornais e veículos que fizeram críticas ou questionamentos públicos.
      ___________________________________
      Jornais e veículos que criticaram ou questionaram a medida

      O Globo

      Colunistas e análises do jornal destacaram preocupação com medidas consideradas excessivas contra jornalistas, argumentando que investigações são legítimas, mas buscas e apreensões podem ser desproporcionais quando envolvem atividade jornalística. (Pleno News)

      O debate no jornal enfatiza que ações contra profissionais da imprensa precisam de fundamentação muito robusta para não comprometer o livre exercício do jornalismo.
      ____________________________________
      Folha de S.Paulo

      O jornal publicou análises ressaltando que apreensão de equipamentos de trabalho de jornalistas pode comprometer o sigilo da fonte, princípio protegido pela Constituição brasileira.

      Especialistas ouvidos pelo jornal também afirmaram que medidas desse tipo devem ser extremamente excepcionais, pois podem intimidar investigações jornalísticas. (Reddit)
      ____________________________________
      O Estado de S. Paulo

      Editorialistas e articulistas do jornal têm defendido, em textos sobre decisões semelhantes do STF, que o Supremo deve atuar dentro de limites institucionais claros, alertando para o risco de excesso de poder em medidas investigativas contra civis ou jornalistas.
      ____________________________________
      CBN

      Comentário da jornalista Vera Magalhães classificou buscas e apreensões em situações semelhantes envolvendo Moraes como “medida excessiva”, afirmando que seriam necessários indícios mais concretos para justificar esse tipo de ação policial. (CBN)
      ____________________________________
      SBT

      Em reportagens e comentários políticos, analistas da emissora destacaram que a decisão gerou forte reação de entidades jornalísticas, principalmente por envolver apreensão de celulares e computadores usados no trabalho jornalístico, o que pode afetar o sigilo de fontes.
      ____________________________________
      Entidades que também criticaram

      Além dos jornais, entidades da imprensa também reagiram:

      • Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

      • Associação Nacional de Jornais (ANJ)

      • Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT)

      • Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER)

      Essas organizações afirmaram que a medida pode intimidar jornalistas e comprometer o sigilo da fonte.
      ____________________________________
      ✅ Resumo

      Veículos de grande imprensa que criticaram ou questionaram a medida:
      • O Globo
      • Folha de S.Paulo
      • O Estado de S. Paulo
      • CBN
      • SBT

      Os principais argumentos usados foram:

      • risco ao sigilo da fonte
      • possível efeito intimidatório sobre jornalistas

      (ChatGpt)

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