
Michelle assume articulação no DF após desgaste de Ibaneis
Luísa Marzullo
O Globo
O avanço das investigações sobre o Banco Master no Distrito Federal e a nova internação de Jair Bolsonaro produziram, em poucos dias, um deslocamento no comando do bolsonarismo.
No DF, onde o escândalo atingiu o entorno do governador Ibaneis Rocha e desmontou o principal eixo de organização da direita local, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ocupar o espaço de articulação e a interferir diretamente na definição de candidaturas. Ao fazer isso, entrou no mesmo terreno de Flávio Bolsonaro e transformou uma disputa até então restrita aos bastidores em conflito concreto sobre os palanques de 2026. Procurados, Michelle e Flávio não comentaram.
BANCO MASTER – O ponto de inflexão foi a crise envolvendo o Banco Master e sua relação com decisões do governo local, especialmente no caso do BRB, banco estatal de Brasília. O desgaste se agravou após a revelação de que o escritório de advocacia de Ibaneis firmou um contrato de R$ 38 milhões relacionado à venda de honorários de precatórios a um fundo ligado à Reag, gestora investigada pela Polícia Federal por participação no esquema associado ao banco de Daniel Vorcaro.
A reação foi imediata: o PL protocolou na Câmara Legislativa um pedido de CPI para apurar a atuação do BRB e cobrar explicações do governo. Na prática, o movimento selou o rompimento com Ibaneis, até então aliado do bolsonarismo e interessado em disputar o Senado com apoio da sigla.
Sem o governador como polo organizador, a articulação no DF mudou de mãos. Parlamentares passaram a procurar diretamente Michelle, que assumiu a interlocução com pré-candidatos e passou a dar aval próprio a cenários eleitorais. Esse avanço ocorreu ao mesmo tempo em que Flávio mantinha, a partir de Brasília, a condução da estratégia nacional do partido, baseada na montagem de palanques mais amplos.
INCOMPATIBILIDADE – No Distrito Federal, a divergência já se traduz em projetos incompatíveis. Michelle passou a sustentar uma chapa ao Senado com seu nome e o da deputada Bia Kicis e a defender a candidatura da vice-governadora Celina Leão (PP) ao Buriti. O desenho é visto por aliados como mais conectado à base bolsonarista e ao eleitorado evangélico, mas enfrenta resistência de dirigentes que veem risco de contaminação eleitoral pelo desgaste do governo Ibaneis.
— A Michelle se manifestou publicamente já várias vezes, desde o meu pré-lançamento no dia 11 de novembro, como pelas redes sociais dela várias vezes. Vamos ter agendas em breve, depois da internação do ex-presidente — afirmou Bia Kicis.
ALTERNATIVA – Do outro lado, aliados de Flávio trabalham para viabilizar o nome do senador Izalci Lucas como alternativa de centro-direita capaz de reduzir a exposição do grupo ao caso Master. A hipótese é rechaçada pelo entorno de Michelle:
— Até agora nada apareceu diretamente ligado a ela e acho que ela tem chances reais de ser eleita. Izalci é muito preparado, bom parlamentar, mas Celina é a melhor opção. Celina já passou pelo Executivo antes. Celina será nossa governadora — disse a ex-ministra e senadora Damares Alves (Republicanos).
REARRANJO – A carta escrita por Jair Bolsonaro durante a prisão, no início do mês, reforçou esse rearranjo. No texto, o ex-presidente pede que aliados parem de pressionar Michelle, critica ataques vindos da própria direita e afirma que orientou a ex-primeira-dama a se envolver mais diretamente na política apenas após março. A mensagem foi lida no partido como um sinal verde para que ela assumisse protagonismo.
O protagonismo de Michelle pode ser reforçado se a prisão domiciliar para Bolsonaro for concedida. Aliados relatam que a eventual concessão do benefício é vista como ponto de virada para sua atuação política. Fora do hospital e com Bolsonaro em casa, ela ganharia margem para intensificar agendas, organizar encontros e retomar a articulação de forma mais sistemática.
PESO POLÍTICO – Michelle acompanha de perto o tratamento à pneumonia que o marido contraiu, organiza a rotina do ex-presidente e mantém o envio diário de refeições preparadas por ela, encaminhadas por intermédio de seu irmão de consideração, Eduardo Torres. No entorno do PL, esse papel deixou de ser visto apenas como pessoal e passou a ter peso político: é ela quem controla o acesso, o ritmo e, em parte, a própria capacidade de Bolsonaro de voltar a se inserir no debate.
Enquanto isso, Flávio concentrou-se na interlocução institucional e chegou a se reunir com o ministro Alexandre de Moraes na terça-feira para fazer um apelo à domiciliar. Michelle abriu uma frente própria e acionou aliados como o governador Tarcísio de Freitas, que esteve com ministros do Supremo na quinta-feira e levou o tema à mesa.
PONTO DE RUPTURA – O Ceará virou o caso mais explícito do choque entre as duas estratégias. Flávio decidiu retomar a aproximação com Ciro Gomes e planeja viajar ao estado em abril para tentar fechar o apoio do PL ao ex-ministro. A negociação envolve a composição da chapa majoritária, com discussão sobre a vice, e espaço ao partido na disputa pelo Senado. A aposta do senador é usar a aliança para abrir caminho no Nordeste, onde o PL ainda tem dificuldade de estruturação. O movimento, porém, encontrou resistência direta de Michelle.
Alinhada ao senador Eduardo Girão (Novo) e a nomes do PL local, como a vereadora Priscila Costa, a ex-primeira-dama passou a atuar contra o acordo. Nos bastidores, a avaliação é que ela considera a associação com Ciro incompatível com a base bolsonarista e tem pressionado para que o partido mantenha um palanque próprio ou alinhado a nomes mais identificados com o eleitorado conservador.
Apesar da resistência, a tendência dentro do partido é que o movimento de Flávio avance. O senador tem viagem prevista para a primeira semana de abril ao Ceará, quando deve anunciar o apoio a Ciro.
ALIANÇA – Em Minas Gerais, o conflito aparece no desenho do palanque. Flávio tenta estruturar uma chapa competitiva com o senador Cleitinho (Republicanos) e ampliar interlocução com setores do empresariado, incluindo o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe. Michelle, por sua vez, mantém proximidade com o deputado Nikolas Ferreira, que prefere o vice-governador Mateus Simões (Novo).
Em São Paulo, a disputa se concentra no tamanho do espaço que o PL deve ocupar no principal palanque da direita no país. Flávio tem pressionado para ampliar a presença do partido na chapa de Tarcísio de Freitas, com foco na vice-governadoria, hoje ocupada por Felicio Ramuth (PSD). Interlocutores relatam que o senador passou a defender, nas últimas semanas, a substituição do vice por um nome do PL, como André do Prado, ou a filiação de Ramuth à legenda.
CRISE – Michelle atua na direção oposta. No entorno da ex-primeira-dama, o argumento é que a vontade de Tarcísio deveria ser respeitada. O governador argumenta que mexer na vice pode abrir uma crise desnecessária com o PSD e desgastar um palanque que hoje funciona.
No Paraná, a reaproximação com Sergio Moro foi conduzida diretamente por Flávio e por Valdemar Costa Neto, sem participação de Michelle. O episódio reforçou, entre aliados da ex-primeira-dama, a percepção de que decisões relevantes vêm sendo tomadas sem sua participação. A madrasta de Flávio não tem participado de nenhuma das reuniões que ele tem conduzido na sede do PL e no QG da campanha, no Lago Sul. Publicamente, contudo, o discurso é de unidade:
— Quando o presidente Bolsonaro fez a escolha, automaticamente teve outra pessoa que preferia ter outra escolha. Mas como a gente tem um líder, a gente tem que seguir o líder. E daí já está tudo resolvido, 100% dos apoiadores do presidente Bolsonaro estão com o Flávio Bolsonaro — disse o deputado Cabo Gilberto Silva.
Mendonça manda leiloar 10 veículos de luxo do Careca do INSS e de Camisotti…
Deputado Valdemar Costa Neto é condenado a 7 anos e 10 meses pelo mensalão…
O STF (Supremo Tribunal Federal) condenou o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) a 7 anos e 10 meses de prisão, além de multa de R$ 1,08 milhão, na sessão do julgamento do mensalão, nesta segunda-feira (26). Foram 2 anos e 6 meses e multa de R$ 456 mil pelo crime de corrupção passiva, e 5 anos e 4 meses e multa de R$ 624 mil por lavagem de dinheiro para o deputado que era líder do PL na Câmara na época. Ele cumprirá a pena em regime semiaberto, por ter pego menos que 8 anos de prisão….
Acordo entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Liberal (PL) na campanha para a eleição presidencial de 2002 foi, segundo a defesa do deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), a origem dos recursos por ele recebidos e que serviram de base para sua inclusão no rol de acusados da Ação Penal (AP) 470. Com esse argumento central, o advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa refutou a imputação dos crimes de corrupção passiva (artigo 317 do Código Penal), formação de quadrilha (artigo 288) e lavagem de dinheiro (artigo 1º da Lei 9.613/1998) feita a Costa Neto pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Segundo Gurgel, Valdemar Costa Neto, então presidente do PL, teria recebido, entre 2003 e 2004, R$ 8,8 milhões para votar a favor de matérias de interesse do governo federal, supostamente cooptado por José Dirceu, então ministro-chefe da Casa Civil. De acordo com a denúncia, os parlamentares do PL (atual Partido da República – PR) teriam se utilizado de dois sistemas distintos para o recebimento da vantagem indevida: por meio da empresa Guaranhuns, cujos sócios respondem a ação penal no juízo de primeiro grau, e pela utilização do suposto esquema de lavagem de dinheiro proporcionado pelo Banco Rural.
Mais uma pérola achada nas Avenidas da Rede…
E quem aparece na foto??
Ele mesmo, Joseca do Cemitério dos Jornazistas (UOLIXO-Foice & Martelo & Dinheiro Público)..Babadores do Maior Ladrão do Meu Dinheiro que o Mundo Já viu……
Que pérola….!!!
ESCÂNDALO DO “MENSALÃO”/O PT
Em encontro regional em São Luís, petista relatou ter recebido da direção nacional da sigla R$ 327 mil enviados de São Paulo
PT enviou “malas” de dinheiro ao Maranhão, disse tesoureiro local
JOSIAS DE SOUZA
COLUNISTA DA FOLHA
O presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson, não foi o único a relatar ter recebido do PT malas de dinheiro para campanhas políticas. Em reunião da direção regional do PT no Maranhão, realizada em janeiro, o tesoureiro petista no Estado, Luís Henrique Sousa, contou que a direção nacional do partido enviara um emissário a São Luís. Trazia uma “uma mala” contendo “verdinhas”. Destinavam-se ao pagamento de dívidas contraídas durante o pleito eleitoral de 2004.
O relato de Henrique Sousa foi feito em uma reunião do diretório regional do PT maranhense. Ocorreu na sede do partido, na rua do Ribeirão, centro de São Luís. Havia no local cerca de 20 pessoas.
A Folha reconstituiu o encontro ouvindo três participantes. Às voltas com passivos eleitorais, os petistas ansiavam por uma palavra do tesoureiro. Ouviram-no dizer que a dívida da eleição alçava a R$ 1,543 milhão.
Parte dos débitos, disse Henrique Sousa durante a reunião, já fora resgatada com verbas providenciadas pelo diretório nacional do PT, sediado em São Paulo.
Embora tenha utilizado em sua exposição a expressão “verdinhas”, decodificada por alguns dos presentes como “dólares”, o tesoureiro expressou-se em reais ao informar aos companheiros de partido o montante que chegou a São Luís no interior de “uma mala”: R$ 327 mil.
O repasse de dinheiro do diretório nacional de um partido para seus diretórios regionais é previsto em lei. O problema no caso do PT do Maranhão é que a verba não foi contabilizada na prestação de contas encaminhada pelo partido à Justiça Eleitoral. De acordo com a escrituração arquivada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a direção nacional do PT remeteu ao seu diretório maranhense escassos R$ 68,8 mil. Transferências acima desse valor transitaram pelo caixa dois.
A reunião de São Luís ocorreu sob atmosfera tensa. A tesouraria da campanha fora gerenciada com mão-de-ferro pela tendência Campo Majoritário que, como indica o nome, detém o controle político do PT. As demais tendências queixavam-se de “falta de transparência”.
Em 19 de janeiro de 2005, o ruído transformou-se em alarido. Nesse dia, o jornal “Estado do Maranhão”, pertencente à família do ex-presidente José Sarney, publicou reportagem informando que cheques usados pelo diretório regional do PT para honrar dívidas de campanha estavam voltando sem fundos. O jornal trazia a cópia de um dos cheques devolvidos. Fora emitido em 20 de outubro de 2004, em favor da Opendoor Comunicação, responsável por programas de rádio e TV de candidatos petistas.
Explicação
O noticiário sobre os cheques a descoberto emitidos pelo PT motivou os pedidos de explicação dirigidos ao tesoureiro na reunião do diretório. Petistas de tendências minoritárias do partido exigiam informações sobre a contabilidade. O tesoureiro Henrique Sousa informou que os débitos haviam sido contraídos mediante autorização de José Genoíno e Delúbio Soares, respectivamente presidente e tesoureiro nacional do PT. Alegou que deveria prestar contas apenas aos dois.
Inconformado, um grupo de membros do diretório endereçou, em 9 de fevereiro de 2005, uma carta à cúpula nacional do PT. Além de Genoínio e Delúbio, receberam o documento o vice-presidente Romênio Expedito e o secretário-geral Sílvio Pereira. No terceiro parágrafo do texto, lê-se: “No Maranhão, (…) o partido vem sendo privatizado por uma corrente, que usa a estrutura, trafica influência, sonega informações, manipula decisões e desrespeita as normas internas”.
Ao mencionar a reunião de janeiro, aquela em que as divergências monetárias afloraram, a carta reproduz os dados recebidos do tesoureiro Henrique Sousa. O documento menciona o total da dívida de campanha (R$ 1,543 milhão), o montante liquidado graças ao socorro do PT nacional (R$ 327 mil) e a alegada opacidade da escrituração: “Quem quiser a prestação de contas da campanha, que solicite ao presidente José Genoino e ao tesoureiro Delúbio Soares”, diz o texto, reproduzindo um raciocínio supostamente expresso na fala do tesoureiro.
Graves
Diz ainda a carta: “Fatos mais graves foram revelados pelo tesoureiro na reunião do diretório. Para preservar o partido, deixamos de relatar”. A frase, segundo apurou a Folha, é uma alusão à “mala” que chegou a São Luís supostamente carregando “verdinhas”, tal como mencionado por Henrique Sousa em sua exposição ao diretório maranhense. A precaução não foi observada no texto da ata que contém o resumo dos temas discutidos na reunião de janeiro. Ali, apurou a reportagem, a “mala” e as “verdinhas” são claramente mencionadas.
Um grupo de dirigentes do PT do Maranhão foi convidado a discutir o assunto com José Genoinio, na sede do PT, em Brasília. O encontro ocorreu no mês de março passado. Nessa conversa, o presidente do PT negou que a direção nacional do partido houvesse enviado uma mala de dólares para São Luís. Disse que o tesoureiro Henrique Sousa deveria prestar contas no Estado.
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1806200529.htm
aquele abraço
Com a iminente volta do ex-mito para casa (prisão domiciliar) e retomando o comando da ‘famiglia’, Micheque, Flávio e Bananinha não se recolherão às suas insignificâncias? Assim como Valdemar e Carluxo?
Ratinho ignora Kassab e pula fora da pré-candidatura à Presidência
O governador do Paraná, Ratinho Jr, avisa que concluirá seu mandato no estado (ou que pretende) e está fora ‘oficialmente’ da corrida presidencial.
Fonte: Metrópoles, Política, 23/03/2026 17:05 Por Igor Gadelha / Gustavo Zucchi
O ratinho que ‘montanha do Kassab’ pariu , fugiu.