
Corporação virou algoz do STF com suas investigações
Eliane Cantanhêde
Estadão
Estamos normalizando a sexta “república” após a redemocratização? Primeiro, a Nova República de boas lembranças e, na sequência, a de Alagoas, a do mensalão, a de Curitiba, a do Rodrigo Janot e, agora, o mundo político e principalmente o jurídico já se preparam para contra-atacar as denúncias que brotam do escândalo Master e condenar o que chamam de “República da Polícia Federal”.
Não é novidade que a PF abasteça com provas e evidências o Supremo, o Ministério Público, as CPIs e, daqui e dali, a mídia. Foi assim em praticamente todos os grandes escândalos envolvendo, em maior ou menor medida, Fernando Collor, Lula, Temer e, por mais manipulada que tenha sido no governo passado, também Bolsonaro. Hoje, porém, muita coisa mudou.
INVESTIGAÇÕES – Antes, a PF trabalhava em sintonia com todos esses parceiros, até mesmo com o MP, com quem vive uma eterna disputa de poder e influência. Neste momento, entretanto, deixou as parcerias, virou algoz do Supremo com suas investigações e provas contundentes – e milionárias – contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, despertou um confuso, ou obtuso, corporativismo na Corte, incomodou o MP e provocou o medo no Congresso.
O primeiro efeito da quebra de parcerias foi nas relações entre o diretor geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Rodrigues foi chefe da segurança de Lula na campanha de 2022 e não precisa da chave do ministro da Justiça para abrir as portas do Planalto, até do Alvorada. E Gonet é indicação e interlocutor de ministros chaves do STF, como Gilmar Mendes e o próprio Moraes.
Não se trata de uma disputa entre dois times, um pró-Lula e outro pró-STF, até porque o desgaste da Corte, de Xandão e Toffoli não interessa nem um tico ao governo e ao presidente-candidato; ao contrário, esse desgaste faz a festa da oposição. Assim, o time de Rodrigues diz que apenas faz o seu trabalho, doa a quem doer, e o time de Gonet critica “os excessos” dos federais nos inquéritos – inclusive a nova prisão de Daniel Vorcaro, do Master.
APOIO NA MÍDIA – A PF tem muito apoio na mídia, até porque tem sido muito eficiente e as provas são sólidas e em profusão, mas, apesar disso, ou exatamente por isso, parece isolada no Judiciário, no Legislativo e no Planalto, onde há desconforto e uma tentativa de descolamento de Daniel Vorcaro, Moraes, Toffoli e até Lulinha.
Diferentemente de Bolsonaro, Lula tem o grande trunfo de ser apontado como um presidente que acabou preso e aguentou o tranco do mensalão e do petrolão, sem intervir na PF nem obstruir as investigações. Se qualquer faísca vier a público de que ele esteja mudando de comportamento para tentar neutralizar as denúncias contra STF e Lulinha, o incêndio será incontrolável.
DIÁLOGO – Apesar de ampliar os adversários e bater de frente com velhos aliados, a PF mantém bons canais com o Supremo, onde Rodrigues foi recebido com tapete vermelho pelo presidente Edson Fachin, a quem entregou o relatório de 200 páginas com dados sobre o Master, com citações a Toffoli. Ato contínuo, saiu Toffoli e entrou André Mendonça na relatoria do processo.
E a PF também tem apoios no Congresso, não por questões ideológicas, partidárias, da oposição ou do governo, mas de parlamentares que querem a verdade, “doa a quem doer”, como o senador Alessandro Vieira, que foi delegado da Polícia Civil em Sergipe e acaba de colher assinaturas suficientes para uma CPI que investigue Moraes e Toffoli. Como base em quê? Na PF.
Moral da história: mudam os alvos, os atores, o enredo, mas não adianta chorar depois do leite derramado. Por mais chocante e mais triste que seja para o País e por mais que Moraes e Toffoli chorem, o leite não volta para a garrafa e as investigações não irão para a gaveta. A PF, porém, tem um desafio: não repetir, por exemplo, a República de Curitiba e a República do STF, que deixaram o sucesso subir à cabeça, acharam-se acima da lei, das regras e dos limites. Deu no que deu.
“Na contramão global, Brasil despenca para 20º na defesa, perde 10 posições e é ultrapassado pela Argélia – RSM – Revista Sociedade Militar.” https://share.google/eoNVIo3wxs4pISWiP
PS. Se a corrosão é interna e deve-se à infiltrada mercenária cúpula, pretendem ser superiores à quem nessa traiçoeira e permanente vermelha subalternidade?
Mais um artigo da Passadora de Pano ofical do PT. Quanta asneira para justificar o que é injustificável: a descondenação do Lula.
Fica combinado assim cantanhede:
Evandro Carlos de Andrade e o PowerPoint da GloboNews
Quando cobrar lealdade dos melhores, saberemos se a Globonews terá juízo ou sepultará de vez sua pretensão de ser uma formadora de opinião.
O PowerPoint da GloboNews — ora apresentado por Andrea Sadi, ora por Valdo Cruz — tem tudo para entrar na história como uma das maiores barrigas jornalísticas da década. (obs: Barriga essa, louvada por “jornalistas” amestrados).
O famoso cano de óleo jorrando dólares do Jornal Nacional, embora infame, ao menos captou o espírito de uma época já envenenada pela Lava Jato. O PowerPoint da GloboNews, por sua vez, malhou a ferro frio — sem contexto, sem sutileza, sem cobertura.
Desde que o caso Master veio à tona, as Organizações Globo vêm tentando impor à opinião pública a narrativa de que se trata de um escândalo do governo Lula. Para isso, valeram-se de vazamentos da Polícia Federal em parceria com jornalistas lavajatistas. Se autorizados pelo delegado-geral Andrei Rodrigues, ele é cúmplice da operação. Se ocorreram sem seu conhecimento, ele é um delegado-geral decorativo.
Com o controle do ministro André Mendonça sobre a força-tarefa da chamada Lava Jato 2, era questão de tempo até que o direcionamento dos vazamentos consolidasse a falsa percepção de que o caso Master é um problema de Lula.
A pressa e o amadorismo do infeliz autor do PowerPoint botou a estratégia a perder. E lembram a impulsividade de Donald Trump em relação ao Irã. Ele claramente acreditou que o poder do Grupo Globo seria invencível e que o material aceleraria a destruição do governo Lula — abrindo caminho para Flávio, sem sobrenome para reforçar a intimidade com a casa.
Visto de fora, parece obra de alguém sem a menor noção sobre os movimentos de opinião pública — e sobre como se maneja, com eficácia, a artilharia do jornalismo de grande grupo.
Num só lance, o episódio expôs o que analistas mais atentos — como o próprio GGN — vinham alertando há semanas, e que o público menos analítico ainda não havia assimilado: a Lava Jato 2 está em pleno andamento.
A enxurrada de menções indignadas contra o Powerpoint nas redes sociais é sintomática. Mas o que mais chama atenção não é a indignação em si — é a insensibilidade de quem não sabe manipular a opinião pública sem se trair.
Não se faz isso emulando o estilo Trump. É preciso sutileza. É preciso aparentar isenção de tal forma que o público tenha a sensação de que o foco no governo Lula decorre do curso natural das notícias — e não da manipulação deliberada do leito do rio. Manipula-se o fluxo de notícias.
A ânsia de agradar à casa não pegou bem. Ouso dizer que o infeliz autor do PowerPoint levou um puxão de orelha por excesso de zelo.
Imagino o fantasma de Evandro Carlos de Andrade descendo do Olimpo dos grandes construtores do prestígio Globo, vociferando:
— Imbecil! Quem lhe disse que jornalismo de manipulação se pratica arrombando a porta? Nunca ouviu falar em pé de cabra? Em sangramento contínuo, sutil e mortal? Você comprometeu toda a estratégia que estava sendo montada para jogar o caso Master no colo do Lula.
O infeliz balbuciaria desculpas, mas a fúria olímpica de Evandro não cessaria:
— Para que colocar o Galípolo? Como explicaremos agora que Roberto Campos Neto ficou de fora — com o Nubank patrocinando o Jornal Nacional? Vão descobrir nossos cala-bocas. Olha a encrenca que você armou.
— Mas chefe, achei que não podia incluir Campos Neto…
— É claro que não podia! Mas ao colocar Galípolo, você cria o efeito espelho — e até nossos leitores vão se perguntar: por que entrou Galípolo e não entrou Campos Neto?
O constrangimento seria total. E a bronca, implacável:
— E por que não incluiu Ibaneis, Castro, Wilson Lima, Clécio Luís? Você é a vergonha desta casa — mais vergonhoso que o editorialista do Estadão que publicou “ninguém vai chorar pelo Irã” no mesmo dia em que 120 meninas foram mortas. Ou o capista da Folha com a manchete chamando o trabalhador brasileiro de preguiçoso. Vocês são um bando de inúteis que só prejudicam o Flávio.
Que Deus proteja os bons jornalistas da GloboNews. Por ora, apenas os de menor capital simbólico se arriscaram a endossar publicamente o PowerPoint. Em breve, a casa cobrará demonstrações de lealdade dos melhores — e será nesse momento que saberemos, de fato, se a Globonews terá juízo ou sepultará de vez sua pretensão de praticar um jornalismo sério.
Nassif
Editorial da Folha de S. Paulo sobre corrupção omite BC na gestão Roberto Campos, e Flávio Bolsonaro
Bob Fernandes
https://www.youtube.com/watch?v=zIx6otJDlsY