
Nunes deve deixar o processo em banho-maria
Rafael Moraes Moura
O Globo
Relator de uma ação que cobra a instalação da CPI do Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques já deu sinais de que pode não dar aval à abertura de uma nova frente de investigação em torno das fraudes do banco de Daniel Vorcaro.
Nunes Marques é o relator de uma ação apresentada na última semana por senadores da oposição, capitaneados por Eduardo Girão (Novo-CE) e Alessandro Vieira (MDB-SE). O grupo acionou o Supremo para forçar a criação da CPI e superar a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
BANHO-MARIA – O ministro não tem prazo para decidir. No entorno de Alcolumbre e entre membros do primeiro escalão do governo Lula e auxiliares do Supremo, a aposta é a de que Nunes Marques deixará o processo em banho-maria.
O ministro é próximo de lideranças do Centrão no Congresso Nacional, que aprovaram a sua indicação ao STF por Jair Bolsonaro em 2020 e, como estão entre as mais ligadas a Vorcaro, são as tem mais chance de serem atingidas pelas investigações.
Além disso, ele já externou em outras ocasiões uma postura de “não intervenção” em assuntos do Congresso – como em abril de 2021, quando a Corte analisou a instalação da CPI da Covid. O precedente foi lembrado agora por Girão e Vieira ao cobrar do Supremo a instalação da CPI do Master, mas na época, ao se manifestar no processo, Nunes Marques ressaltou que “é prudente que o Legislativo possa avaliar o modo mais adequado para instalação e desenvolvimento dos trabalhos da CPI”.
OBSERVAÇÕES – Ainda assim, ele foi um dos 10 ministros do Supremo a votar a favor de mandar instalar a CPI, confirmando decisão liminar de Luís Roberto Barroso. O único voto divergente foi de Marco Aurélio Mello. Só que mesmo acompanhando o entendimento da maioria dos colegas, Nunes Marques fez ao longo de seu voto uma série de observações que indicam que seu entendimento no caso Banco Master o poderá frustrar os planos da oposição de tirar a CPI do papel.
Naquela ocasião, o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), oficializou a criação da CPI quatro dias depois de Barroso conceder a decisão liminar, e antes mesmo de o plenário do STF julgar se confirmava ou não a decisão. Ou seja: quando o plenário do Supremo julgou se mantinha de pé ou não a decisão de Barroso, a CPI da Covid já havia sido oficialmente instalada por Pacheco.
ATRITOS – O requerimento estava engavetado havia dois meses pelo senador, que alegava que a abertura da investigação só iria trazer mais caos ao país, num momento em que já haviam sido registradas 340 mil mortes por conta da Covid. Pacheco, no entanto, acabou cumprindo a decisão de Barroso sem aguardar o pronunciamento do plenário da Corte.
“Entendo que tanto o momento quanto o modo de instalação e realização da CPI poderiam ter sido expressamente conferidos ao presidente do Senado Federal. Contudo, como acima expus, na medida em que a abertura da CPI ocorreu em 13/04/2021, tornou-se prejudicada a questão do momento para seu início”, afirmou Nunes Marques.
“Nessa lógica, de qualquer maneira, resta e deve, assim, ser reconhecida a reserva de competência do Presidente do Senado para delinear o modo de instalação e desenvolvimento dos trabalhos, o qual, dentro de sua discricionariedade, em análise da conveniência e da oportunidade, melhor avaliará como agir.” Ou seja: Nunes Marques disse que só votava a favor da instalação da CPI porque ela já estava criada e deixou claro que preferia não interferir nas prerrogativas do presidente do Senado.
CPI DO INSS – O funcionamento de CPIs voltou para o centro do debate no STF em julgamento da última quinta-feira (26) que tratou da prorrogação dos trabalhos da CPI do INSS. Nunes Marques votou para derrubar a decisão de André Mendonça que havia determinado a prorrogação e dado 48 horas para Davi Alcolumbre ler um requerimento autorizando a continuidade dos trabalhos.
Nunes Marques, no entanto, defendeu uma “postura autocontida” do Supremo e sustentou que o Senado “deve fazer seus arranjos normativos”, já que a questão seria um assunto interno da própria Casa.
Nesse julgamento, os ministros Alexandre de Moraes e o presidente da Corte, Edson Fachin, que votaram a favor da instalação da CPI da Covid em 2021, tentaram diferenciar os dois casos, sob o argumento de que o caso do INSS girava em torno da continuidade dos trabalhos de uma CPI já instalada, e não sobre a criação do grupo.
RELATÓRIO – Outro obstáculo à instalação da CPI do Master apontado nos bastidores são as conexões pessoais de Kassio e seus familiares com Daniel Vorcaro. Conforme revelou o Estadão, o banco enviou R$ 6,6 milhões à Consult, empresa de consultoria que fez pagamentos entre agosto de 2024 e julho de 2025 ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Kassio.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações do Master identificou 11 transferências para Kevin, que totalizam R$ 281,6 mil. “Como o Kassio vai fazer isso [determinar a abertura da CPI] se o filho tá no meio?”, questiona um interlocutor de Alcolumbre ouvido pelo blog em caráter reservado.
ATALHO PARA KASSIO – Nunes Marques, aliás, era quem a defesa de Vorcaro torcia que assumisse a a relatoria da ação protocolada em novembro do ano passado no Supremo para derrubar a primeira prisão dele, determinada pela Justiça Federal de Brasília. Os advogados do banqueiro pediram que o processo fosse encaminhado “por prevenção” (ou seja, enviado automaticamente) ao ministro, relator no STF da Operação Overclean, que apura um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvios de recursos públicos na execução de emendas parlamentares.
A defesa alegou ao Supremo que a Justiça Federal não era o foro competente para cuidar das investigações do Master por conta de um contrato imobiliário apreendido pelos investigadores que menciona uma empresa do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA).
O argumento utilizado para tentar mandar o caso Master para Nunes Marques foi que, “de acordo com notícias jornalísticas”, Bacelar também seria investigado pela Overclean. Os advogados mencionaram uma reportagem publicada pelo site Bahia Notícias, intitulada “Com prefeito afastado pela Overclean, Boquira recebeu mais de R$ 8 mi em emendas parlamentares”.
MENÇÃO – A reportagem, publicada em junho de 2025, faz uma única menção a Bacelar para informar que ele está entre os parlamentares que destinaram recursos ao município – R$ 575 mil via emendas pix. Mas a presidência do Supremo considerou que o caso Master não tinha ligação com a Overclean e determinou o sorteio eletrônico entre os integrantes da Corte, o que fez o caso parar nas mãos de Dias Toffoli.
Toffoli acabou deixando a relatoria do caso em 12 de fevereiro, após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresentar um documento de 200 páginas listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli que poderiam levar à sua suspeição – como por exemplo o pagamento de R$ 35 milhões do banco de Vorcaro por uma fatia do resort Tayaya, do qual o ministro admitiu ser sócio.
JURISPRUDÊNCIA – Ao acionar o Supremo, Girão e Vieira alegaram que o requerimento para a criação da CPI foi apresentado em 26 de novembro do ano passado com o apoio de 34 senadores, mais do que o quórum exigido pela Constituição (1/3 da Casa, ou o equivalente a 27 senadores), e ainda assim Alcolumbre se recusa a seguir o regimento e instalar a comissão.
“O presidente do Senado Federal tem se mantido em estado de omissão institucional quanto ao processamento do requerimento de criação da CPI do Banco Master, deixando de adotar as providências necessárias ao seu regular encaminhamento, inclusive quanto ao seu recebimento formal e à respectiva leitura em sessão”, sustenta a oposição.
“A conduta omissiva não se limita a uma questão de gestão interna dos trabalhos legislativos. Trata-se de comportamento inconstitucional que, ao impedir o processamento regular de requerimento que preenche integralmente os requisitos constitucionais, resulta na frustração direta de prerrogativa institucional das minorias parlamentares.”
Esse é mais um traíra do Bolsonaro. Ainda mais que o pimpolho faturou R$18 milhões com pouca experiência na advocacia
A ALMA GÊMEA DE DAVI ALCOLUMBRE
Os prósperos negócios de um primo do senador
https://piaui.uol.com.br/a-alma-gemea-de-davi-alcolumbreutm_sourcehome_uol/
Há “dendos”, em:
https://www.facebook.com/share/v/14Wc3hiBMLR/
Pelo que vimos, ultimamente, o comportamento ilibado é uma exigência que não existe para a nomeação de ministros para o STF. Nem conhecimento!
Pois é , esta todo mundo louco , por fugirem e escaparem da prensa punitiva .
Seu Zé,
Já cantei a pedra aqui na TI, o Sr. deve ter lido.
Isso não vai dar em nada o Salamanca fake, não pode ir enfrente, vai ter que capitular em nome do filho que ganhou DEZOITO MILHÕES num escritório mixuruca, sem experiência alguma.
Esse aí também tá comprado pelo vorcaro.
Não sobra um em brasília, todo mundo pegou seu quinhão.
Já esqueci INSS, já esqueci, MAMÃEMASTER.
Só estou aguardando pelo próximo desfalque de HUM TRILHÃO.
O BILHÃO, a esta altura do campeonato, é dinheiro de pinga.
Um abraço,
José Luis
Quando Membros do Judiciário de uma Nação, Confessadamente apoiam, protegem e participam diretamente com seus Familiares em Crimes contra a Nação, Tesouro da Nação e o Sistema Financeiro da Nação, em conluios e negociatas com os Membros dos outros Poderes e as Investigações Criminais, Legais e Constitucionais Provam e Comprovam essa Organização Criminosa dentro dos Poderes desta Nação, só resta ao Cidadão de bem desta Nação ir ás ruas para Protestar e Exigir a Expulsão desses Traidores e Corruptos da Pátria de todos os Poderes e o Retorno do Estado de Direito Democrático e a Obediência e Cumprimento Pleno e Fiel da Constituição desta Nação e a volta das Liberdades Constitucionais do Cidadão de Bem e suas Famílias. Simplesmente tudo dentro do Ordenamento Jurídico Legal. Como é que um Ministro de mais Alta Corte de uma Nação faz Corrupção Ativa e Familiar dentro dos Poderes, Vive, Convive e faz Lazer Etílico, Sexual e Turístico participando ativamente de Bacanais às custas do Erário Público nas Mansões dos Capos do Crime Organizado e Viajam com Criminosos e Chefes do Crime Organizado em seus Jatinhos Particulares juntamente com sua Família Conspirando contra a Nação e ainda fazendo Contratos Milionários para salvarem os Criminosos da Justiça e do Judiciário através dos Escritórios de Advocacia de sua Família e, recebendo Propinas Milionárias e Enriquecendo Ilicitamente , tornando os Poderes de sua Nação como Base do Crime Organizado, alguém tem uma resposta de que isso é Constitucional e em Defesa da Democracia ? Que Nação é essa que retrata o Crime Organizado dentro de todas as Instituições ??? Quem vai confiar em Eleições Limpas, Livres, Democráticas e dentro da Legalidade Constitucional com Membros do Judiciário iguais a esses que narramos nesta Nação ??? Que Nação é essa ?
O mundo está caindo na cabeça de Moraes, mas ele e o STF fingem que não é com eles
Ou Moraes admite que gastou R$ 1 milhão com aluguel de jatinhos, ou vai ter de assumir sua proximidade, até intimidade, com o então banqueiro Daniel Vorcaro, em se tratando de um ministro do STF.
Moraes age e decide como se nada tivesse acontecido e como se a delação premiada de Vorcaro não estivesse no horizonte. A delação deve vir logo e espera-se que seja corroborada por seu cunhado e braço-direito, o pastor Fabiano Zettel.
Assim como o próprio Moraes, Vorcaro e Zettel sabem muitíssimo bem que, se eles não confirmarem e não forem além de tudo o que a PF e a PGR já sabem, suas delações cairão no vazio e eles não ganharão nada em troca.
A PF, principalmente, não tem paciência nem tempo a perder.
Logo, é improvável que os dois principais implicados no escândalo Master, o maior da história financeira do País, se sintam “devedores” ou “leais” a Moraes, como também a Toffoli, a ponto de mentirem e tentarem tergiversar sobre a troca de segredos e favores com ministros do STF.
A entrada de Moraes na cena do crime tirou os holofotes de Toffoli, que passou de protagonista a coadjuvante. Moraes, porém, dá sinais de não ter captado até agora a gravidade da sua situação, os riscos que está correndo e a força do impacto na imagem e na confiança do Supremo.
Em conversas reservadas entre ministros mais chegados, as nuvens de constrangimento são sufocantes e ninguém tem coragem de dizer a verdade nua e crua.
Antes, preferem botar a culpa na PF, nos vazamentos e, como sempre, na mídia, que trabalha com fatos e é aplaudida quando os fatos são favoráveis e açoitada quando são contrários.
“Vocês estão loucos!”, esbraveja uma fonte do Supremo, acusando jornalistas de botar em risco a estabilidade política, a credibilidade institucional e, enfim, a democracia, por divulgarem dados, documentos e verdades inquestionáveis.
O contrato de R$ 129 milhões não existiu? Os voos nunca foram voados? O resort milionário era miragem? Os irmãos não era laranjas? O jatinho com o advogado do Master foi invenção? Aliás, e as decisões favorecendo a JBS?
Sim, a estabilidade e as instituições exalam fragilidade. O Congresso está abaixo da crítica, o Executivo, fraco, e o STF, envolto em incertezas e angústia, mas a culpa não é da PF e da mídia. Quem tem responsabilidade é que deveria ter pensado nisso antes de fazer o que fez.
O caso Master, inclusive, apenas destampou uma panela de pressão que, mais cedo ou mais tarde, acabaria explodindo.
Difícil e triste dizer isso? Com certeza, mas jornalistas trabalham com fatos e melhor que o STF pode fazer é o que as Forças Armadas conseguiram no julgamento do golpe: isolar os CPFs para blindar o CNPJ.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 02/04/2026 | 20h28 Por Eliane Cantanhêde
Master: Moraes e Toffoli são alvos de novos pedidos de impeachment por conta de escândalo
Os desdobramentos das investigações do caso Banco Master fizeram aumentar o número de pedidos de impeachment protocolados contra ministros do STF.
Só neste ano, já foram 11 novos pedidos de cassação de integrantes da Corte, levando a um total de 97 em tramitação no Senado, a quem cabe examinar a questão. Moraes é alvo de mais da metade deles (50).
Dos 11 pedidos apresentados desde janeiro de 2026, seis pedem a cassação de Moraes e outros seis miram Toffoli. Uma das petições, assinada por um empresário pecuarista, solicita a perda de cargo dos dois ministros.
Em comum, todos mencionam as investigações do Master, que trouxeram à tona as conexões pessoais do dono do banco, Daniel Vorcaro, com Moraes, Toffoli e seus familiares.
As petições alegam que Moraes deve ser punido por crime de responsabilidade devido ao contrato de R$ 129 milhões firmado pelo escritório de sua mulher com o Master.
Também apontam as mensagens trocadas entre o ministro e Vorcaro no dia de sua primeira prisão, em novembro do ano passado, conforme revelou o blog.
Cinco horas antes de ser detido por policiais federais no aeroporto de Guarulhos, Vorcaro perguntou a Moraes se tinha alguma novidade, e ainda questionou: “Conseguiu bloquear?”
Ao acionar o Senado em março deste ano para pedir a cassação de Moraes, um grupo de 33 deputados, a maioria integrante da tropa de choque bolsonarista na Câmara, alegou que “os fatos revelados pela imprensa, baseados em dados extraídos pela Polícia Federal, demonstram uma teia de relações financeiras e comunicações extraoficiais que aniquilam a presunção de imparcialidade de Moraes”.
(…)
Perda de confiança
O caso Master levou o Supremo a mergulhar numa crise institucional sem precedentes – cujo desfecho ainda é imprevisível.
Para o professor de ciência política Marco Antonio Teixeira, da FGV, o aumento no número de pedidos de impeachment expõe a crise de credibilidade do STF.
“Diferentemente das anteriores, essa crise não é motivada por divergência com decisões do Supremo e sim de questionamento à conduta dos ministros, como a proximidade de Toffoli com o caso Master e o contrato do escritório de advocacia da mulher do Moraes”, afirma.
Sinal de alerta
Em dezembro do ano passado, Gilmar – alvo de 10 pedidos de impeachment – deu uma polêmica decisão que escancarou o temor do Supremo com o risco de cassação dos magistrados.
A liminar esvaziava o poder de parlamentares e de cidadãos comuns de pedirem a cassação de magistrados, deixando essa prerrogativa apenas para a Procuradoria-Geral da República (PGR).
(…)
Procurados pelo blog, Toffoli e Moraes não se manifestaram.
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 02/04/2026 05h03 Por Malu Gaspar / Rafael Moraes Moura — Brasília
Vorcaro molhou a mão de tanta gente que fica difícil achar uma autoridade dessas aí com a mão enxuta.
O e$$eteefe futebol clube é a maior tragédia que já se abateu sobre este país.