Sem Código de Ética, sobram para o STF a omissão, o escracho e o cinismo cívico

Código de Ética para o STF | Ó popular

Carga reproduzida do Arquivo Google

Marcus André Melo
Folha

As menções a impeachments e renúncias de juízes de Supremas Cortes dispararam — e com razão. Tais eventos são certamente, mas dois casos contrastantes, na Argentina e no Chile, revelam como se forma uma espiral de manipulação institucional associada a comportamentos desviantes no topo do sistema. Ao mesmo tempo, oferecer um contrafactual: a possibilidade de uma resposta institucional virtuosa.

Os líderes populistas tendem a atacar ou manipular instituições independentes da República, como cortes superiores e bancos centrais.

EFEITO MENEM – A Argentina possui longa tradição de disciplinas no Judiciário, mas, no ciclo democrático iniciado em 1983, a primeira manifestação relevante ocorreu no governo Carlos Menem (1989-1999).

Menem justificou sua intervenção candidatamente: “Por que eu vou ser o único presidente da Argentina a não ter a sua própria corte?” Em seguida, aumentou o número de ministros de cinco para nove, o que lhe permitiu nomear quatro novos magistrados, dentre eles parceiros e copartidários desqualificados.

A recompensa da corte entrou em parafuso. Quando outro peronista, Néstor Kirchner, chegou ao poder, acusou o tribunal de estar acovardado e politicamente capturado e decidiu destituir os nomeados por Menem. No Senado, o assalto institucional foi liderado por Cristina Kirchner. ]

MUITOS ESCRACHOS – Paralelamente, uma militância peronista com especificação de numerosos escrachos, inclusive diante das residências dos juízes. As políticas de pressão e denúncias de corrupção resultaram na renúncia de dois magistrados e na abertura de processos de impeachment contra outros dois. Um deles também renunciou; o outro, Moliné O’Connor, resistiu e acabou impedido.

O episódio argentino ilustra como a manipulação institucional iniciada por Menem produziu uma contrarreação populista sob os Kirchners, gerando uma espiral autodestrutiva marcada por escrachos violentos, perseguições e reformas extremadas. A pergunta feita é: O que garante que dinâmica semelhante não possa ocorrer no Brasil?

No Chile, há dois casos instrutivos: um juiz foi impedido de fornecer informações privilegiadas à filha em um litígio imobiliário sob seu relatoria, e uma juíza foi destituída pelo próprio corte por tráfico de influência na instituição e conclusão com um advogado.

JUÍZA DEMITIDA – No Chile, o Congresso deflagrou um processo de impeachment, mas a corte, percebendo a ameaça à sua privacidade e integridade institucional, destituiu a magistrada antes mesmo da conclusão do processo, que acabou resultando apenas na sanção adicional de suspensão do exercício de funções públicas.

O desenho institucional facilitou essa resposta: no Chile, na Alemanha e no Canadá, juízes das supremas cortes podem ser destituídos tanto pelo Parlamento quanto pela própria corte. Na Itália, França e Espanha, o controle é predominantemente interno. No Brasil, nos Estados Unidos e na Argentina, a destituição ocorre exclusivamente via impeachment.

REAÇÃO SOCIAL – A nossa situação é gravíssima. Ao fim e ao cabo, o que irá importar é a força da ocorrência social à espiral de manipulação institucional.

Quando a corrupção alcança as instituições contramajoritárias, como o Supremo Tribunal Federal, a solução via eleições deixa de ser opção, como já mostrei aqui.

Quando a autocontenção via Código de Ética é ilusória, sobram escracho, a anomia social e o cinismo cívico avassalador.

7 thoughts on “Sem Código de Ética, sobram para o STF a omissão, o escracho e o cinismo cívico

  1. Esperar o quê do aparelho repressivo e censor do Aparato Petista, cujo líder calou-se diante disto, antes, o pior, disse se tratar de uma palatável e justificada Democracia relativa.

    https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/el-helicoide-o-shopping-que-se-tornou-centro-de-tortura-na-venezuela/

    Finalmente, com o operário, depois de séculos tentando, as oligarquias patrimonailistas chegaram no poder, para, privatizando o Estado, extorquir a sociedade, sem medo de serem felizes.

    Trata-se da extração da mais valia absolutíssima, em que, sem a propriedade dos meios de produção e sem o domínio das técnicas propdutivas, via estas elites incompetentes, recionárias, atrasadas, ecxtemporêneas, neoluditas, sem qualquer projeto de páis, inúteis, apropriam-se do excedente produzido pela sociedade.

    Trata-se da tal “esquerda progressita”, que vem sendo corrida pra correr em nosso continente, face sua total irresponsabilidade, puerilidade e incapacidade de enfrentar nossos problemas estruturais e mergulhado num processo irreversível de decadência moral, civilizacional e temporal.

  2. O que explica o novo socialismo do Aparato Petista.

    Marx, citando, a fala de Timon sobre o ouro:

    “Ouro? Amarelo, reluzente, precioso ouro? […] O que é isso, deuses? Pois bem, deuses, que eu sou um apaixonado, não sou. […] Eis o que faz os padres pretos brancos, e os brancos pretos; os baixos nobres, os nobres baixos; os covardes corajosos, os corajosos covardes… Esse amarelo escravo [o ouro] liga e desliga votos, abençoa a maldição, faz o leproso adorado, ladrões honrados, sentados no senado com os cortesãos.”
    — Timon de Atenas, Ato IV, Cena 3

    O ouro fácil advindo da extorsão da sociedade, via priovatização do Estado.

    Socialistamente todos contribuem pra pilantragem oligárquica viver na sua vida improdutiva e nababesca.

    129 milhões aqui, 5 milhões acolá, mesada de 300 mil lá, em torca de nada de retorno pra sociedade.

  3. Senhor Marcus André Melo (Folha) , queres o que ?
    Se os congressistas ” manipulam ” as leis do país a seu bel-prazer , ou seja , não se pode esperar nada de bom dos congressistas Brasileiros , no que concerne em destituir (impeachments) quaisquer juiz do STF ou de outra instância da justiça , sem que primeiro promovam uma verdadeira limpa , em sua própria casa legislativa e rompam os acordos ” espúrios e criminosos ” , entre os três poderes da república do país .

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