Pedir ao Supremo o fim do “Inquérito das Fake News” foi Piada do Ano da OAB

Mensagens de Vorcaro mostram que ele era íntimo de Alexandre de Moraes

Arquivos coluna Brasília-DF - Blog da Denise

Charge do Gomez (Correio Braziliense)

Victoria Azevedo e Patrik Camporez
O Globo

Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, obtidas pela Polícia Federal (PF), sugerem que o ex-banqueiro se encontraria com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em abril de 2025. Procurado, Moraes não se manifestou.

As informações foram publicadas inicialmente pelo portal Metrópoles. O GLOBO também teve acesso às trocas de mensagens entre o ex-banqueiro e a sua então namorada, Martha Graeff, em abril de 2025.

ENCONTRAR MORAES – No dia 19 daquele mês, ele escreveu que estava indo encontrar “alexandre moraes aqui perto de casa”. Em resposta, ela escreve: “Como assim amor/ Ele está em Campos????/ Ou foi pra te ver?”. Vorcaro, por sua vez, diz que “ele tá passando feriado”.

Não é possível saber, pelas mensagens, qual local é “Campos”, citada na mensagem.

Uma empresa da mulher e dos filhos do ministro, o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, é dona de dois imóveis em Campos do Jordão, em São Paulo. São apartamentos de cobertura contíguos em um condomínio de um bairro nobre da cidade, que segundo o registro oficial foram comprados por R$ 4 milhões cada um.

SUPERCONTRATO – A colunista do GLOBO Malu Gaspar mostrou em abril de 2025 que o Banco Master contratou para representá-lo judicialmente o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado.

Em dezembro do ano passado, a colunista revelou que o contrato era de R$ 3,6 milhões mensais por 36 meses a partir do início de 2024.

Na troca de mensagens obtidas pela PF há uma segunda menção a “Alexandre Moraes”, dez dias depois. Em 29 de abril daquele ano, Vorcaro escreve para a namorada afirmando que está em casa e, em seguida, fazem uma chamada de vídeo com duração de dois minutos. Ao final, a namorada pergunta: “Quem era o primeiro cara?”. O ex-banqueiro responde: “Alexandre moraes”.

DE PIJAMA… – O diálogo segue com ela perguntando “Ele gostou da casa amor!?? Tá muito mais astral”. E ele responde: “Sin/ Falou que e bem melhor/E ele adorava apto”.

Ela, por fim, responde: “Falou pra te agradar/ Que vergonha eu tava de pijama”.

Nos arquivos do celular de Vorcaro obtidos pela PF também aparece o número de telefone do ministro do STF, salvo em 26 de dezembro de 2023.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moraes está recolhido, não responde às acusações. Será que ainda sonha (?) em escapar dessa embrulhada, enriquecido tão ilicitamente? Bem, sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. O fato concreto é que a situação do ministro se complica cada vez mais e ele tem 129 milhões de motivos para estar deprimido, como diz o jornalista Mario Sabino. (C.N.)

Moraes, a mulher, Toffoli e Tanure, em mesa paga por Vorcaro em Nova York

Vorcaro pagou jantar para ministros do STF nos EUA - Diário do Poder

Vorcaro foi o grande anfitrião do jantar de gala em NY

Paulo Cappelli e Felipe Salgado
Metrópoles

Uma planilha que integra investigação da Polícia Federal indica que os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, sentaram na mesa denominada “2 Banco Master“, em um jantar de gala promovido durante a Lide Brazil Conference, em Nova York (EUA).

O evento ocorreu em novembro de 2022, no restaurante Fasano New York, na região da 5ª Avenida, e teve patrocínio do dono do Banco Master. O estabelecimento, que não costuma funcionar nas noites de domingo, foi aberto especialmente para a ocasião.

Os nomes de Moraes, Toffoli e Viviane Barci aparecem na planilha de organização das mesas do jantar. Na mesma mesa estava o empresário Nelson Tanure, apontado pela Polícia Federal como sócio oculto do Banco Master e que, segundo a investigação, teria “exercido influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas”.

NA MIRA DA PF – Os três citados estão no centro da crise envolvendo a instituição financeira. Toffoli vendeu sua participação no Resort Tayayá, no Paraná, para um fundo do cunhado de Vorcaro. Já o escritório de advocacia de Viviane Barci firmou contrato de R$ 129 milhões para defender o Banco Master.

Outra mesa patrocinada pelo instituição financeira, identificada como “1 Banco Master”, reuniu o ex-presidente Michel Temer, a esposa Marcela Temer, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, o então governador de São Paulo e CEO do Lide, João Doria, o ex-ministro do STF Carlos Ayres Britto, além do próprio Daniel Vorcaro.

À época do evento, Daniel Vorcaro já havia sido investigado por suspeita de fraude em fundos de pensão de servidores públicos e chegou a ser alvo de ordem de prisão em 2019.

OUTRAS MESAS – O jantar também contou com a presença de outras autoridades e empresários que ficaram em mesas sem patrocínio do Banco Master.

Entre eles estavam os ministros do STF Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, os ministros aposentados da Corte Ricardo Lewandowski e Luís Roberto Barroso, o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy e o ex-presidente do Bradesco Luiz Carlos Trabuco.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os convidados de Vorcaro podem alegar que não sabiam que era ele quem pagava as despesas, mas é claro que Vorcaro circula pelas mesas que patrocinava. Aliás, ele tinha 129 milhões de motivos para fazê-lo, como diz o jornalista Mário Sabino. (C.N.)

Moraes e Dino votam para manter Bolsonaro preso e negam domiciliar

1ª Turma decidirá se mantém ou não a decisão de Moraes

Márcio Falcão
Mariana Laboissière
G1

Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram nesta quinta-feira (5) para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro preso no 19º Batalhão da Polícia Militar (PM-DF), prédio conhecido como “Papudinha”, que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

A Primeira Turma do Supremo começou a analisar, no plenário virtual, se mantém ou não a decisão de Moraes que rejeitou um novo pedido de prisão domiciliar feito pela defesa do ex-presidente. Esse julgamento se encerra na noite desta quinta. Além de Moraes, votam os ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. A tendência é que a turma confirme o entendimento de Moraes.

TENTATIVA DE GOLPE – Essa é a primeira vez que o colegiado analisa os pedidos de prisão domiciliar. Antes, só o relator do caso — ministro Alexandre de Moraes — tinha avaliado. Bolsonaro cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão pela tentativa de golpe de estado em 2022.

Os advogados alegaram ao Supremo que, diante do quadro de saúde delicada e com várias doenças graves, Bolsonaro deveria cumprir pena em casa, Relator, Moraes apontou que a perícia médica da Polícia Federal concluiu que, até o momento, não há necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar, mesmo reconhecendo que possui “quadro clínico de alta complexidade”.

O ministro destacou que a prisão domiciliar é um benefício excepcional e que o ex-presidente não cumpre os requisitos, uma vez que foram identificadas tentavas de fuga durante cumprimento da prisão preventiva., quando houve a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. Diferentemente do alegado pela defesa, as condições e adaptações específicas da unidade prisional atendem, integralmente, as necessidades do condenado, com a possibilidade e efetiva realização.

Defesa de Filipe Martins recorre ao Supremo para barrar a transferência dele

Advogados apontam riscos à integridade física do preso

Fernanda Fonseca
CNN

A defesa de Filipe Martins acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) com um pedido de urgência para barrar sua transferência da capital paranaense para o interior do estado. No recurso, os advogados contestam uma decisão que determinou o retorno do custodiado à Cadeia Pública de Ponta Grossa, sob o argumento de que a medida ignora riscos reais à integridade física do preso.

O ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) havia sido transferido em janeiro para o CMP (Complexo Médico Penal), na Região Metropolitana de Curitiba, sem comunicar a Corte. No último dia 26, o ministro Alexandre de Moraes pediu explicações à Polícia Penal do Paraná sobre a transferência.

PRAZO – Já no dia 1º, o STF informou que as informações solicitadas não haviam sido enviadas dentro do prazo, que se encerrou às 17h10 do dia 28. Diante disso, o ministro determinou o retorno do ex-assessor à unidade em Ponta Grossa. Em documento enviado ao Supremo na terça-feira (3), os advogados de Filipe Martins argumentam que a permanência no CMP não representa um privilégio ou comodidade, mas sim uma necessidade técnica baseada em avaliações de órgãos do sistema penitenciário paranaense, que identificaram na unidade uma estrutura física superior, com maior rigor na gestão de acessos, controle de visitas e monitoramento contínuo.

O recurso argumenta que a decisão judicial pelo retorno do preso foi tomada de forma prematura, antes da análise das informações oficiais que haviam sido requisitadas às unidades prisionais pelo próprio tribunal. De acordo com a defesa, ao desconsiderar esses dados técnicos, que atestam a necessidade de maior segurança, a medida ignora o risco real à integridade física do custodiado.

“Não bastasse isso, cumpre lembrar que, em momento anterior, o custodiado foi sistematicamente hostilizado pela população carcerária, recebendo ameaças recorrentes, de modo que seus deslocamentos internos demandavam cautela redobrada, a qual se mostrou, por vezes, insuficiente para afastar a exposição a risco concreto de agressões graves”, escreveram os advogados. O pedido solicita que a decisão fique temporariamente suspensa até que o recurso seja julgado.

PAPEL DE MARTINS –  De acordo com as investigações, Martins foi acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de ter participado ativamente da engrenagem golpista montada após a derrota de Bolsonaro nas urnas em 2022 Como um dos assessores mais próximos do ex-presidente, ele teria atuado como uma espécie de emissário, participando de reuniões e auxiliando na elaboração da chamada “minuta do golpe”.

A primeira turma do STF entendeu que Filipe Martins teve participação direta nas articulações que visavam impedir a posse do presidente eleito, o que resultou em uma das penas mais altas aplicadas nos julgamentos dos núcleos 2, 3 e 4 relacionados à trama golpista — 21 anos de prisão.

Liminar de Dino gera corrida ao Supremo e coloca em xeque 87 quebras de sigilo

Dino suspendeu a quebra dos sigilos de Roberta Luchsinger

Luiz Vassallo
Fausto Macedo
Felipe de Paula
Estadão

Ao suspender a quebra de sigilo bancário da empresária Roberta Luchsinger, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino abriu espaço para que a decisão beneficiasse também o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já foi dado início à corrida para que dezenas de alvos da mesma decisão peçam para ser agraciados pelo mesmo despacho do ministro.

A empresária teve seu sigilo quebrado no dia 26 de fevereiro. Em uma mesma votação, parlamentares decidiram votar conjuntamente 87 medidas contra investigados. Nessa lista, também está o filho do presidente. E foi contra a decisão da CPMI sobre esses 87 pedidos, votada de uma vez só, que a defesa da empresária se insurgiu no STF.

ALVOS  – Nesse rol de investigados atingidos pela mesma votação na CPMI, estão alvos de todas as bandeiras políticas. Além de Roberta e Lulinha, por exemplo, há empresas do grupo familiar do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincon, que tem longo histórico no Republicanos.

A partir da decisão de Dino, defesas de investigados começaram a se movimentar e mesmo a pedir a extensão de seus efeitos para seus clientes. Foi o caso do ex-vice-presidente do BMG, Márcio Alaor, que foi alvo de pedidos de quebra de sigilo bancário apreciados na mesma decisão da Câmara que avalizou a medida contra Roberta e Lulinha.

Em sete das nove páginas de seu despacho, Dino não discorreu sobre a situação individual da empresária. O ministro dedicou esse espaço a se ater à ilegalidade de qualquer ato de investigação que tenha sido aprovado na mesma votação da Comissão Parlamentar de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que quebrou o sigilo de Roberta.

VOTAÇÕES EM BLOCO – Dino afirmou que votações em bloco podem acontecer para aprovação de projetos de lei no Legislativo, mas são inconstitucionais quando seu objeto é uma medida de investigação, como é o caso de uma quebra de sigilo bancário.

“Não se cuida de uma controvérsia regimental, e sim constitucional, não sendo cabível o afastamento de direitos constitucionais “no atacado”, com votação “em globo”, sem análise fundamentada de cada caso, regular debate e deliberação motivada. Portanto, tenho por presente a plausibilidade do direito invocado pela impetrante”, escreveu o ministro.

Ao fim do documento, logo após discorrer sobre a decisão da Câmara que considerou ilegal, o ministro Flávio Dino decidiu conceder liminar para “suspender os efeitos do ato impugnado e do cumprimento dos ofícios respectivos”. Ele não especificou a qual ato estava se referindo. Não disse se estava suspendendo toda a votação, que foi objeto de análise na maior parte do texto de sua decisão, ou somente a ofícios ao Banco Central para que fossem entregues dados bancários da empresária à CPMI.

CASSAÇÃO DA VOTAÇÃO  -A decisão foi interpretada por advogados do filho do presidente e de diversos outros investigados como a cassação de toda a votação e, portanto, também, do sigilo bancário de Lulinha. Até mesmo parlamentares da oposição na CPMI entendem que a decisão fez derreter toda a votação.

Após a repercussão da decisão, o gabinete do ministro procurou a imprensa para afirmar que a decisão atinge somente o caso de Roberta Luchsinger – o que não ficou claro no próprio despacho. Questionada sobre a que o ministro se referia e se a decisão só atingiria outros investigados caso provocassem ao STF, a assessoria do ministro informou que ele não se manifestaria sobre o assunto.

A força arrebatadora da poesia de Cruz e Sousa, pioneiro na defesa da raça negra

poesia.net - CARTÃO POÉTICO - JOÃO DA CRUZ E SOUSA | FacebookPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta e jornalista João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Era filho de ex-escravos e se tornou conhecido nacionalmente. Quando morreu de tuberculose, seu corpo foi transportado para sepultamento no Rio de Janeiro, onde tinha grandes amigos, como José do Patrocínio. No poema “Inefável”, Cruz e Sousa fala da invencibilidade de sua alma romântica.

INEFÁVEL
Cruz e Sousa

Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda…
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.

Sou como um Réu de celestial sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda
De estrelas todo o céu em que erra e pensa.

Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!

Todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
Na minha alma volteando arrebatadas.              

A delação de Vorcaro e o pânico silencioso que impacta Brasília

Mesmo com tornozeleira, Vorcaro continuava a financiar ataques ao Banco Central

Influenciadores foram pagos para atacar o BC

Johanns Eller
O Globo

O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, continuou a planejar ações criminosas mesmo após sua primeira prisão em novembro de 2025 e a subsequente imposição de tornozeleira eletrônica após ser liberado da cadeia pela Justiça Federal. A Polícia Federal (PF) aponta como um dos exemplos o pagamento a influenciadores de direita que atacaram o Banco Central (BC) e questionaram a liquidação do Master pelo órgão regulador.

De acordo com os investigadores, o dinheiro era repassado aos influencers por meio de um dos comparsas de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado De Moraes Mourão, que segundo a PF também é conhecido pelo apelido de “Sicário”. As informações constam da decisão do relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que determinou nesta quarta-feira a nova prisão do banqueiro e de seu cunhado e operador financeiro, o pastor Fabiano Zettel.

DENÚNCIA – Em janeiro, o esquema acabou denunciado por dois influenciadores de direita, o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL) e Juliana Moreira Leite, que não toparam fazer o serviço. O “briefing” apresentado aos influencers orientava a disseminação da narrativa de que o Banco Central havia se precipitado ao decretar a liquidação do Master.

Nos documentos repassados aos influenciadores, aos quais a equipe da coluna teve acesso à época, o serviço foi batizado de “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro.

A estratégia digital ocorreu no mesmo período em que o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus instou o BC a explicar o processo de liquidação do Master e sinalizou a possibilidade de reverter a medida por meio da corte contábil, o que posteriormente foi descartado pelo próprio presidente do órgão, Vital do Rêgo, diante da repercussão negativa.

ENCOMENDA – Entre as encomendas aos influenciadores estava a divulgação uma reportagem de 19 de dezembro do portal Metrópoles que noticiava um despacho do tribunal de contas. “TCU vê indícios de precipitação em liquidação do Master e dá 72 horas para BC se explicar”, dizia a manchete a ser compartilhada nos perfis com centenas de milhares e até milhões de seguidores.

“As novas evidências apresentadas agora a esta Suprema Corte comprovam que Phillipi Mourão faz a ponte entre os desejos de Daniel Vorcaro em influenciar a opinião pública e influenciadores contratados pela organização criminosa. Esse mesmo modus operandi está em investigação nos autos do Inq. 5035, cujas ações prosseguiram mesmo após sua prisão e posterior revogação pelo TRF1, no dia 28 de novembro de 2025, uma vez que a contratação de influencers para a execução do “Projeto DV” foi colocada em prática logo depois, isto é, no mês de dezembro de 2025 e tinha o objetivo de atacar a reputação do Banco Central do Brasil no mesmo período em que o Tribunal de Contas da União emitia sinais de que desfaria a liquidação extrajudicial do Banco Master, anulando assim uma decisão da Autarquia Federal”, diz um trecho da representação da PF destaca no despacho de Mendonça.

“Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário, buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada”

FUGA – A liquidação do Master se deu em 17 de novembro, um dia após a prisão preventiva de Vorcaro pela PF. O executivo tentava embarcar em um jato no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) com destino a Malta, o que foi encarado pelos investigadores como uma tentativa de fuga.

O banqueiro deixou a cadeia em 28 de novembro por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mas foi submetido ao monitoramento por tornozeleira eletrônica. Os esforços para cooptar influenciadores financeiramente e atacar o Banco Central se deram ao longo de dezembro e janeiro, quando Vorcaro estava sujeito às diligências da Justiça.

Caso Master: STF aponta acesso indevido a sistemas da PF e da Interpol

Piada do Ano! Lulinha diz a Lula que pode vir ao Brasil para depor na CPI

Aconchego paterno. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (2). #meio #charge #lulinha #inss

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Igor Gadelha
Metrópoles

O presidente Lula reagiu com espanto à notícia de que o ministro do STF André Mendonça autorizou a quebra dos sigilos de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no inquérito sobre a “Farra do INSS“.

Segundo fontes do Palácio do Planalto, após a imprensa divulgar a notícia na quinta-feira (26/2), Lula buscou informações junto a auxiliares e conversou por telefone com o filho, que mora na Espanha.

LULA SURPRESO – Nas conversas, de acordo com relatos de assessores presidenciais, Lula perguntou por que o sigilo havia sido quebrado se o próprio filho havia se colocado à disposição da Justiça para esclarecimentos.

Lula, então, foi informado de que o pedido de quebra dos sigilos telefônico, bancário e telemático do filho foi feito pela Polícia Federal em janeiro de 2026 e autorizado por Mendonça em fevereiro.

Na conversa por telefone, o presidente orientou o filho a continuar prestando esclarecimentos ao STF. Lulinha, segundo aliados, está disposto até mesmo a viajar ao Brasil para depor, se necessário.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O jornalista Igor Gadelha fez o papel dele. Procurou o Planalto e pediu entrevista com Lula, para saber sobre a situação de Lulinha. O assessor que lhe atendeu disse que o presidente não comenta o assunto, mas podia dar informações sobre a reação dele, e o repórter então fez essa matéria. Em tradução simultânea, as informações do Planalto são tipo Piada do Ano. Na verdade, Lula está apavorado com a irresponsabilidade do filho fenômeno, que já ficou suficientemente rico nos governos do pai e não precisa de mesada de R$ 300 mil, um valor que é mixaria para a família de Lula, que se diz um socialista refinado. (C.N.)  

Imprensa livre está derrotando a amestrada e vai passar o Brasil a limpo

Charge do Fabiano Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

A humanidade vive um momento muito especial, que mostra uma mudança importante na sociedade contemporânea, que se destina a garantir um futuro melhor para as próximas gerações. A alteração que se processa à nossa frente é a ascensão de uma imprensa livre e independente de pressões internacionais, que enfrenta os três Poderes e defende os interesses da nação.

O exemplo do Brasil é bastante elucidativo, porque a mesma realidade está se impondo pelo resto do mundo, em todos os países onde os governos governamentais não conseguem mais dominar e censurar o que sai publicado na internet.

54 DITADURAS – Assim, com exceção de nações totalitárias, como China, Rússia, Irã, Arábia Saudita, Afeganistão, Síria, Nicarágua, Chade, República Centro-Africana, Congo, Cuba, Nicarágua, Coreia do Sul e outros 41 países tirânicos, no resto do mundo já se colocou a derrocada da imprensa amestrada, aquela que é obrigada a obedecer ao dono do veículo de comunicação, que por sua vez se submete ao governo ditatorial.

Aqui no Brasil e em muitos países que têm governos democráticos, com eleições livres, avanço da internet e criação de redes sociais e dos portais, os donos dos órgãos da grande imprensa não fornecem mais controle anteriormente o que saí publicado.

É óbvio que os empresários insistem em dar orientação de apoio aos governos, devido às palavras oficiais de publicidade, sem as quais fica cada vez mais difícil e caro manter um jornal, uma revista de informação ou um portal. Mas a pressão deles não funciona mais.

IMPRENSA LIVRE – Na ânsia de publicar as informações em tempo real, os jornalistas acabam driblando essas orientações patronais, que somente continuam a ser obedecidas nas televisões, nos jornais impressos e nas revistas. 

Na prática, passou a existir uma enorme diferença entre o que sai no Jornal Nacional da TV Globo e o que é efetivamente divulgado no portal de O Globo, que também tem muito mais liberdade do que o jornal O Globo. É por isso que no Brasil e nos demais países democráticos, a grande imprensa digital, ao funcionar com liberdade, não poupa a corrupção nos três Poderes.

Neste cenário, os comentaristas da GloboNews ficam desesperados, porque sofrem fortes pressões para não criticar isso ou aquilo, enquanto os jornalistas do portal O Globo têm ampla liberdade, como se vê no caso Master.

ESTAMOS EM FESTA – Essa constatação faz com que os jornalistas estejam em festa, orgulhosos dos serviços que estão prestando à sociedade, ao atuar em prol do  interesse público, ao invés de defender os interesses dos empresários da comunicação e dos governantes que os mantém.

Fica claro que não é apenas a “Tribuna da Internet”  que realmente funciona sob o signo da liberdade. Os portais da grande imprensa mostram que também estão empenhados nessa luta.

Por isso, voltamos a agradecer a confiança e o apoio que nos permitem atuar com independência, sem depender dos cofres públicos. De início, vamos divulgar contribuições feitas em fevereiro no banco Itaú:

DIA   OPERAÇÃO             VALOR
02       PIX PAULO R………….100,00
02       PIX JOSE FR……………150,00
03       TED JOSE APJ…………353,02
27        TED ROBERSD……….200,00

Agora, os depósitos na Caixa Econômica Federal:

05       DEP DIN LOTERIC…..200,00
13        DEP DIN LOTERIC…..200,00
20       DEP DIN LOTERIC……100,00
24       DEP DIN LOTERIC…..200,00

Agradecendo muito as contribuições que nos permitem manter esse espaço, vamos em frente, sempre juntos, em defesa dos interesses coletivos.

Candidatura de Pacheco pode depender do destino de Toffoli no STF

Vaga no Supremo paira sobre a eleição mineira

Malu Gaspar
O Globo

A definição da chapa de Lula em Minas Gerais, um dos estados que mais desperta a apreensão da cúpula petista nas próximas eleições, pode acabar dependendo de um fator extra e inusitado. Mais especificamente do destino de Dias Toffoli. Esse é o raciocínio que mais tem gerado conversas na política mineira, segundo dois caciques locais ouvidos pela equipe da coluna. A razão é simples.

Rodrigo Pacheco é o preferido de Lula para disputar o governo, mas não esconde que não tem nenhuma vontade de se candidatar, mesmo tendo sido convocado explicitamente pelo presidente para a missão.

RESISTÊNCIA – Uma das razões da resistência do senador é a falta de estrutura partidária. O PSD, seu partido, filiou o vice-governador, Mateus Simões, e já o lançou à sucessão de Romeu Zema (Novo). Portanto, para se candidatar, Pacheco vai precisar se transferir de legenda para um partido de centro (o PT não é uma opção viável em razão da alta rejeição no estado).

Mas o União Brasil, para onde ele pode migrar, teme problemas com os deputados da federação com o PP, muitos deles bolsonaristas, e o próprio Pacheco não vê vantagem em se filiar a um partido que ainda pode vir a aderir à candidatura de Flávio Bolsonaro. O MDB, por sua vez, resiste a Pacheco, mas pode vir a filiá-lo caso a cúpula nacional consiga nomear o vice na chapa de Lula e a legenda embarque no projeto de reeleição.

O presidente prometeu a Pacheco resolver o impasse para possibilitar a candidatura, estratégica para que ele tenha um palanque competitivo num estado que historicamente define os resultados das eleições presidenciais. Até agora, porém, Lula não conseguiu nenhum avanço. Por isso, Pacheco tem evitado dar respostas definitivas sobre a candidatura e deve continuar assim até o prazo final para a decisão, no início de abril.

VAGA NO STF – Para aliados e adversários, o que faria Pacheco descer do muro rapidamente seria a possibilidade de abertura de uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) no curto prazo, para a qual Lula poderia indicá-lo caso o mineiro perca a eleição – uma possibilidade, já que a direita ganhou as últimas disputas pelo governo do estado.

O senador foi preterido pelo presidente na indicação para o lugar de Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro passado. Pacheco pleiteava a vaga para a qual Lula indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Só que a aposentadoria mais próxima é a de Luiz Fux, em abril de 2028, e na política fazer acordos para serem cumpridos daqui a dois anos costuma ser inútil. Já se Toffoli sair ou for saído do Supremo a coisa muda de figura. Pacheco poderia se candidatar com a promessa de que, se perder as eleições, vai direto para o STF ainda antes do final do governo Lula.

BLINDAGEM – O problema é que, dada a blindagem fornecida para Toffoli pelos colegas de Corte, sua destituição é cada vez mais improvável. Entre os aliados de Pacheco, a conjectura que amarra seu futuro ao de Toffoli é chamada jocosamente de “projeto esperança”. “Esse projeto de ir para o Supremo é página virada. Se for candidato, ele vai para ganhar”, diz um interlocutor.

Pode ser. Mas como na política brasileira o imponderável costuma dar as caras com frequência surpreendente, as lideranças mineiras passaram a monitorar com lupa a situação de Dias Toffoli. Se tem uma coisa que o político mineiro não gosta é de ser pego de surpresa. Vai que o caso Master ainda o derruba e a eleição em Minas se define.

Capanga de Vorcaro suicidou-se na prisão ou foi apagado em queima de arquivo?

Caso Master - Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Vorcaro,  morreu nesta quarta-feira (4). Ele estava internado no Hospital João XXIII,  em Minas Gerais, para onde foi levado depois

Reprodução do portal g1

Felipe de Paula, Aguirre Talento e Raquel Landim
Estadão

Preso nesta quarta-feira, 4, pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Daniel Vorcaro, se suicidou enquanto estava sob custódia dos federais na Superintendência Regional do órgão em Minas Gerais. A informação foi divulgada pela própria corporação.

Ele chegou a receber atendimento e foi levado ao hospital, mas não resistiu.

ENFORCADO – De acordo com fontes da Polícia Federal, Luiz Phillipi Mourão teria se enforcado usando a própria camiseta. Segundo eles, ele teria amarrado uma das pontas da peça que usava em uma das barras e a outra no pescoço, dependurando-se em seguida.

Mourão foi inicialmente reanimado por cerca de 30 min pelo grupo Grupo de Pronta Intervenção da PF/MG (GPI) e levado ao hospital com a chegada da equipe médica do Samu, que o levou ao hospital.

Do latim “Sicarius”, homem da adaga, o apelido “Sicário” não era apenas simbólico para Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses de Vorcaro, dono do Banco Master.

DENTES QUEBRADOS – Segundo o relatório, Vorcaro teria solicitado a “Sicário” que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, fosse agredido e tivesse “todos os dentes quebrados” em um assalto forjado.

Nesta quarta, no momento da prisão de Vorcaro, o banqueiro afirmou que jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que as mensagens atribuídas a ele foram retiradas de contexto.

De acordo com a PF, o “Sicário” teria acessado indevidamente sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol, para monitorar adversários e desafetos do banqueiro.

ERA CAPANGA – Para os investigadores, mensagens interceptadas indicam que Vorcaro acionava Luiz Phillipi Mourão para monitorar e intimidar funcionários que se opunham às suas ordens e vontades.

Em um dos diálogos, o banqueiro relata que estaria sendo ameaçado por uma funcionária e ordenou que Sicário “moesse essa vagabunda”.

Em outro bate-papo no WhatsApp, Mourão se oferece para mobilizar “A Turma”, estrutura usada para coleta de informações, a fim de constranger um empregado que teria feito uma gravação indesejada de Vorcaro.

OUTRAS ORDENS – As conversas incluem ainda troca de dados pessoais e pedidos para “levantar tudo” sobre dois funcionários, incluindo um chef de cozinha.

Para a Polícia Federal, há fortes indícios de que Mourão recebia R$ 1 milhão de Daniel Vorcaro por intermédio do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, que se apresentou aos federais nesta quarta após não ser localizado nos endereços alvo de busca.

Em nota, a defesa de Zettel afirmou que ele “está à inteira disposição das autoridades”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tudo muito estranho, e o caso Vorcaro ganha tons hollywoodianos. O nome Sicário é o título de uma série de filmes de violência na Netflix. Agora aparece na vida real, como coadjuvante numa série de corrupção, terror e política no Brasil. Sicário, como o próprio apelido indica, era o capanga para as missões de violência de Vorcaro. Morreu na cadeia, nas mesmas condições de Vladimir Herzog, para parecer um suicídio. Era um homem corpulento. Fica difícil imaginar que a camiseta tenha suportado o peso de seu corpo a ponto de matá-lo. Vamos aguardar. (C.N.)

PGR impõe freio aos “penduricalhos” e limita retroativos ao teto constitucional

Sigilo de Lulinha segue quebrado, mas Dino conseguiu blindar a amiga dele

BlogdoBG | A Polícia Federal identificou que a empresária Roberta Luchsinger, alvo de busca nesta quinta-feira (18), orientou o lobista Antônio Carlos... | Instagram

Roberta está envolvida na mesada que Lulinha recebia

Mariana Muniz
O Globo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), aceitou um pedido da defesa da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela CPI do INSS no Congresso, e suspendeu decisão do colegiado de quebrar seus sigilos bancário e fiscal.

Ela é amiga de um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que também teve os sigilos quebrados pela comissão.

APENAS ELA – A decisão do ministro foi tomada em caráter individual, e atinge apenas o pedido apresentado pela defesa de Roberta, e não as demais pessoas que também tiveram a quebra de sigilo decretada pela CPI.

Segundo Dino, a aprovação da quebra de sigilo em bloco, com a votação simultânea de 87 requerimentos, “parece não se compatibilizar com as exigências constitucionais e legais”.

“De igual forma, mostra-se presente o perigo de dano ao direito à intimidade da impetrante se quebrado o sigilo bancário e fiscal sem a devida fundamentação da autoridade competente”, diz Dino na decisão.

BUSCA E APREENSÃO – Roberta foi alvo de busca e apreensão em dezembro, durante operação da Polícia Federal que apura descontos indevidos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ela é suspeita de envolvimento com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, figura central na investigação.

Luchsinger é herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse. A investigação revela que ela e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, mantiveram contato e articulações mesmo após o início das investigações.

Conforme a Polícia Federal, Luchsinger faria parte do “núcleo político” da organização criminosa. “Sua atuação se revela essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais”, diz a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

PAGAMENTOS – Segundo a PF, a empresa de Luchsinger, a RL Consultoria, recebeu um total de cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão. Conforme a investigação, os contratos firmados entre o Careca do INSS e Roberta Luchsinger fugiam das atividades da empresa do lobista.

Em uma das trocas de mensagens, ela alerta sobre as apreensões e pede que ele se livre de aparelhos celulares. “E só para você saber, acharam um envelope com nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão” — escreveu a empresária.

No diálogo, Antunes reage com preocupação, e Luchsinger responde exigindo que o Careca “suma” com os telefones. “Joga fora”, escreveu a empresária. Segundo a investigação, os dois formaram uma sociedade que tinha interesses em decisões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Dino fez a parte dele, retribuindo a Lula a nomeação para o Supremo, ao invés de cumprir sua obrigação de perseguir criminosos, que é tarefa de todo magistrado. Mas não pode “blindar” Lulinha, porque o juiz da ação é André Mendonça, que não está nem aí para agradar Lula e vai julgar o caso INSS com a maior isenção, o que é uma grave ameaça à reeleição do atual presidente. (C.N.)

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Com Bíblia na mão e usando tornozeleira eletrônica, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deixa a prisão

Vorcaro queria mandar espancar o jornalista Lauro Jardim

José Marques e Adriana Fernandes
Folha

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) em nova fase da Operação Compliance Zero. A determinação de prisão preventiva (sem tempo determinado) é do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.

A decisão foi tomada, entre outros motivos, porque a Polícia Federal encontrou no celular do empresário mensagens que citam intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação.

QUEBRAR OS DENTES – “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, disse Vorcaro em uma mensagem. Outro alvo de mandado de prisão foi Fabiano Zettel, pastor e marido da irmã de Vorcaro. Ele é apontado como um dos principais operadores do banqueiro.

Também foram presos Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, apontado como operador financeiro do grupo, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

A PF disse ao ministro que “há vasta prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria, bem como se encontra devidamente evidenciado o perigo concreto gerado pelos investigados se permanecerem em liberdade”.

INTIMIDAÇÃO – Segundo a decisão de Mendonça, “identificou-se a emissão de ordens diretas de Daniel Vorcaro para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça”.

O Globo divulgou nota de repúdio às iniciativas criminosas planejadas contra o colunista. “A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O Globo e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público”, afirma.

FOI AVISADO – Também foram identificados registros que indicam que Vorcaro “teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento”.

A PF também fez operação de busca e apreensão na casa do ex-diretor de fiscalização do BC (Banco Central) Paulo Sérgio Neves de Souza e do servidor Bellini Santana. Ambos já estavam afastados de suas funções na autoridade monetária, decisão agora reforçada por ser ordem judicial.

A decisão de Mendonça diz que Vorcaro “manteve interlocução direta e frequente com servidores do Banco Central do Brasil responsáveis pela supervisão bancária, discutindo temas relacionados à situação regulatória da instituição financeira e encaminhando documentos e minutas destinados à autarquia supervisora para análise prévia”.

ERA ORIENTADO – “Nesse contexto, foram identificadas comunicações nas quais o investigado solicitava orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, a elaboração de documentos e a abordagem de temas sensíveis perante autoridades regulatórias.”

A defesa de Vorcaro foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou.

Maurício Campos e Juliano Brasileiro, advogados de Fabiano Zettel, disseram que seu cliente se apresentou à Polícia Federal. “Em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”, diz a defesa, em nota.

PGR INDECISA…  – A ordem de prisão não chegou a ser requisitada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), que pediu mais tempo para se manifestar, e disse que não via perigo iminente para que as medidas fossem tomadas com urgência.

“Não se entrevê no pedido, nem no encaminhamento dos autos à Procuradoria-Geral da República, a indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito”, disse a PGR.

“Assinalo que antes dessa análise, a Procuradoria-Geral da República não pode ser favorável aos pedidos cautelares, não podendo aboná-los.” Mendonça disse que deu prazo de 72 horas para a análise.

INVASÃO DE SISTEMAS – Foi constatada invasão indevida de sistemas, inclusive da própria PF, do Ministério Público Federal e falsificação de documentos públicos. Foi simulada a assinatura de membro do Ministério Público, segundo as investigações.

Um grupo chamado de “A Turma”, liderado por Luiz Phelippe Mourão, que tinha o apelido “Sicário”, fez ameaças a integridade física também de outras pessoas consideradas oponentes.

Foram cumpridos os quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e de Minas Gerais. As investigações tiveram o apoio do Banco Central.

BLOQUEIO DE BENS – Também foram determinadas ordens de sequestro e de bloqueio de bens, no valor de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e de preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas, segundo a PF.

De acordo com a Polícia Federal, são investigadas suspeitas da prática de crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos praticados por organização criminosa.

Vorcaro havia sido preso pela primeira vez na noite de 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Foi solto dez dias depois.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Acabou a brincadeira e agora já podem ser encomendados os caixões de Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, que serão sepultados da vida pública e expulsos do Supremo por falta de vergonha na cara, segundo a Constituição de Capistrano de Abreu. Apenas isso. E já ia esquecendo: a desfaçatez de Paulo Gonet, da Procuradoria-Geral da República, é incomensurável. (C.N.)

Para proteger seus ministros, o Supremo continua afrontando normas da Constituição

Blog do Guara: Vão mudar o nome da Praça do Três Poderes - charge do Luscar

Charge do Luscar (Arquivo Google)

Mario Sabino
Metrópoles

Os advogados dos irmãos de Toffoli recorreram ao Supremo para evitar que a Maridt, da qual são proprietários no papel, tivesse os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados pela CPI do Crime Organizado.

Para alcançar o seu objetivo, eles usaram um estratagema que pareceu combinado: entraram com o pedido no âmbito de uma ação que jazia arquivada havia três anos nos escaninhos do STF, cujo relator é Gilmar.

BLINDAGEM ANTIGA – Na ação ressuscitada, a Brasil Paralelo requeria a anulação de requerimentos da CPI da Covid que determinavam as quebras de sigilo da empresa acusada de fazer campanha antivacina.

Gilmar concordou com o pleito da Brasil Paralelo em 2021 — e criou o precedente para a Maridt em 2026. Dessa maneira para lá de esperta, ele pôde blindar a empresa da qual Toffoli admitiu ser sócio também e que foi usada para as operações de venda do resort Tayayá, todas elas envoltas em suspeitas de lavagem de dinheiro com a participação indireta de Vorcaro, dono do Banco Master.

Antes disso, Toffoli já havia tido outra boa notícia: Mendonça, que herdou a relatoria do caso Master, já havia autorizado que os irmãos do colega não comparecessem à CPI do Crime Organizado. Eles foram convocados na condição de investigados.

AUTOPROTEÇÃO – O STF foi usado mais uma vez, portanto, para proteger os ministros que o integram, bem como os seus parentes, como se eles estivessem acima dos demais cidadãos brasileiros, ao arrepio da Constituição e em atropelo aos outros poderes, nesse caso o Legislativo.

A conclusão lógica é que, ao contrário do que dizem, se é que eles acreditam mesmo nas suas próprias palavras, o grande entrave à normalidade democrática é o Supremo,  um tribunal que rasga o texto constitucional para adaptar as leis à jurisprudência de ocasião, que faz tábua rasa das regras processuais e que persegue cidadãos por suas opiniões, como assistimos desde a instauração do inquérito das fake news, lá se vão sete anos.

O país conta com o desfavor de um Supremo que golpeia os fundamentos da democracia, e isso já salta aos olhos de quem defendia o tribunal até pouco tempo atrás, fazendo vista grossa aos abusos cometidos por seus integrantes.