Brasil amplia presença de mulheres no Congresso, mas despenca no ranking

Condenações avançam, mas há rastro do 8 de Janeiro em centenas de processos

Flávio promete união da direita “no tempo certo” após prisão do pai

Crescimento do centrão ameaça reeleição de Hugo Motta à presidência da Câmara

Com Boulos fora de 2026, PSOL entrega protagonismo a Erika Hilton

Secretário de Segurança critica relatório da PEC e chama texto de retrocesso

Com dois terços das cadeiras em jogo, Senado vira alvo central da estratégia bolsonarista

Bolsonarismo busca reagir a derrotas no STF

Caio Spechoto
Folha

Ao menos 33 senadores devem tentar reeleição em outubro de 2026, quando 54 cadeiras do Senado, dois terços do total de 81, estarão em disputa. Entre os demais senadores em fim de mandato, 12 afirmam estar com o futuro indefinido, 6 dizem que não disputarão as próximas eleições, uma tentará ser deputada estadual, um busca ser governador e um, presidente da República —o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A disputa por vagas no Senado, e, consequentemente, pelo controle da Casa, ganhou importância nos últimos anos por causa do plano bolsonarista de aumentar a pressão sobre o STF (Supremo Tribunal Federal). A corte impôs derrotas importantes para esse grupo político nos últimos anos, como a condenação e prisão de Jair Bolsonaro (PL) e de diversos aliados do ex-presidente nos processos sobre a trama golpista.

ALVO – O bolsonarismo, porém, poderá promover processos de impeachment contra ministros do Supremo caso eleja senadores em número suficiente no ano que vem —o Senado é a Casa que tem o poder de destituir integrantes do STF. O principal alvo do grupo na corte é Alexandre de Moraes, responsável pelo processo que levou à condenação de Bolsonaro.

A Casa também tem dez pré-candidatos a governador, e ao menos quatro integrantes que sinalizam estar próximos de se aposentar das disputas eleitorais. Os números são de levantamento feito pela Folha. Além disso, foram detectados movimentos de integrantes do Senado para concorrer a cargos menores. Dos 81 senadores, 22 dizem que não serão candidatos em 2026, 13 dizem que ainda estão indefinidos e Flávio lançou pré-candidatura a presidente da República.

Um dos que não pretende se candidatar na próxima eleição é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ele tem mandato como senador até 2031.

GOVERNOS ESTADUAIS – A maioria, 9 dos 10 que pretendem disputar governos estaduais, está no meio de mandato. Os mandatos no Senado têm 8 anos, o que estimula candidaturas mais arriscadas: o senador que perde uma eleição para o Executivo nessa situação tem mais quatro anos na Casa independentemente do resultado. O único desses pré-candidatos a governador que está no fim do mandato como senador é Eduardo Girão (Novo-CE).

Além desses 10 que se assumem pré-candidatos a governos estaduais, outros três afirmaram que poderão ser candidatos a governador, mas que ainda não descartaram a hipótese de concorrer a uma reeleição no Legislativo. Deram essa resposta Izalci Lucas (PL-DF), Jayme Campos (União Brasil-MT) e Marcos Rogério (PL-RO). Dos 16 senadores que disseram que não serão candidatos, 6 estão em final de mandato. Se mantiveram esses planos, ficarão sem cargo a partir de 2027.

A senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), por exemplo, decidiu não tentar reeleição para apoiar a provável candidatura de seu filho, o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), ao governo da Paraíba. José Lacerda (PSD-MT) exerce mandato no Senado como suplente do ministro Carlos Fávaro. Lacerda não disputará a eleição para apoiar Fávaro, que busca se eleger como senador novamente.

APOSENTADORIA – Os outros quatro em fim de mandato e que dizem não pretender disputar a próxima eleição indicaram que deverão se aposentar das corridas eleitorais. O grupo é composto por: Cid Gomes (PSB-CE), de 62 anos, eleito senador uma vez; Jader Barbalho (MDB-PA), de 81 anos, eleito senador três vezes; Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), de 80 anos, eleito senador uma vez; Paulo Paim (PT-RS), de 75 anos, eleito senador três vezes.

A lista de aposentadorias pode aumentar. Confúcio Moura (MDB-RO) ainda não decidiu seu futuro, e um dos cenários cogitados por ele é se retirar da vida pública. Jorge Kajuru (PSB-GO) avalia voltar a trabalhar em programas de televisão.

CARGOS MENORES – Duas das atuais integrantes do Senado planejam concorrer a cargos menores do que o que ocupam atualmente. Mara Gabrilli (PSD-SP) é pré-candidata a deputada estadual. Augusta Brito (PT-CE), suplente do ministro Camilo Santana, quer disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

O levantamento que deu origem a essa reportagem foi feito pela Folha com base em informações oficiais de cada senador. As fontes são as assessorias de imprensa de cada gabinete, os próprios senadores ou declarações públicas proferidas por eles. Os dados coletados se referem a quem estava no exercício do mandato até 12 de dezembro.

Aliados veem futuro incerto para Ricardo Nunes sem plano claro de sucessão

Reeleição de Tarcísio deixa futuro de Nunes refém de sucessor

Juliana Arreguy
Folha

Aliados de Ricardo Nunes (MDB) projetam um futuro político incerto para o prefeito da capital paulista caso o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de fato, saia candidato à reeleição no estado. Tudo dependerá, segundo eles, do sucessor escolhido pelo prefeito para disputar a gestão municipal em 2030.

Nunes era visto como possível nome a concorrer ao governo de São Paulo em 2026 caso Tarcísio se lançasse à Presidência, como vinha sendo ventilado por empresários e líderes de partidos de centro e direita. O cenário mudou após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar a sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto no início de dezembro. Isso fez alguns dos principais defensores de Tarcísio na Presidência, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), recuarem de um eventual apoio ao governador –que nega, publicamente, o ensejo da disputa presidencial.

SEM CARGO – Por ter sido reeleito em 2024, Nunes não poderá concorrer novamente à Prefeitura de São Paulo em 2028, quando termina o seu mandato, e ficará sem cargo eletivo até a eleição geral de 2030. O prefeito já declarou, mais de uma vez, que não deseja deixar o mandato antes do fim, mas que não recusaria um pedido de Tarcísio, seu principal cabo eleitoral na última eleição.

O futuro político do prefeito, segundo auxiliares ouvidos pelo Painel, passa pelo nome que Nunes escolher para sucedê-lo no cargo. Hoje, dizem, não há ninguém em quem ele confie para o posto. O vice de Nunes, coronel Mello Araújo (PL), não é visto como uma opção de herdeiro político. O próprio Araújo, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a chapa, admitiu à Folha não ser alvo de simpatia por muitos integrantes da gestão.

Entre as reclamações internas contra o vice, há queixas de intromissão em algumas secretarias e críticas públicas a Nunes e Tarcísio. Além disso, como faltam quase três anos para o fim do mandato, o entorno do prefeito avalia ser muito cedo para projetar um nome. Um deles disse ao Painel, sob reserva, que apoiar alguém agora seria “matar uma candidatura”.

COTADA – Embora não seja vista como sucessora política, a primeira-dama Regina Nunes é apontada por aliados do prefeito como um ativo, já que ela é cotada como possível candidata a deputada estadual pelo MDB, com a causa animal como mote de campanha, e pode atrair ainda mais projeção ao emedebista.

A favor do prefeito, segundo outro auxiliar, pesa o fato de São Paulo ser uma cidade que atrai a atenção do país todo, tornando Nunes um nome mais fácil de ser lembrado do que o de outros prefeitos na mesma situação que ele.

Isso poderia auxiliá-lo, na visão deles, a ser chamado para exercer o cargo de secretário em alguma gestão. Há também a aposta de que Tarcísio não deixaria de estender a mão ao aliado, que estará em seu palanque em 2026, seja ao governo estadual ou federal.

BOA BASE – “Infelizmente ele não vai sair [ao governo estadual]. A minha vontade particular é que Nunes saia ao governo de São Paulo”, disse o ex-vereador Milton Leite, presidente do União Brasil na cidade de São Paulo.

“Depois de concluído o mandato, ele vai ter uma boa base em 2030, já que ainda é novo e tem projeção nacional”. Apesar de ter elogiado a base de Nunes, Milton Leite não disse à coluna qual cargo o prefeito poderia disputar em 2030.

Toffoli, abafador-geral do Master, respinga lama e emporcalha o STF

Tá esquisito isso, hein, Toffoli? Hein, Xandão?

Charge reproduzida do Arquivo Google

Marcos Augusto Gonçalves
Folha

A atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no caso Master vai se transformando num desastre consumado. O que começou mal continuou mal e não são remotas as chances de que termine pior ainda.

O magistrado, com movimentos suspeitos e erráticos, colabora enormemente para desgastar a imagem já avariada da corte suprema, que se deteriora a olhos vistos na esteira da arrogância e do personalismo de alguns de seus membros.

MORAES, TAMBÉM – Contribui para isso seu colega Alexandre de Moraes, cuja família tinha um contrato de 129,6 milhões para defender o banco fraudador, e agora avança o sinal. Moraes como se sabe, abriu, de ofício, um anômalo inquérito sobre quebra de sigilos de magistrados.

Quanto a Toffoli, desde as primeiras decisões, o magistrado não deixou dúvida sobre sua intenção de abafar o conteúdo das investigações, e demonstrou que não descartaria medidas heterodoxas para tentar cumprir esse objetivo.

Por mais poderoso que possa ser o abafador-geral, a tarefa não é simples. São vastas as dimensões do escândalo e avolumam-se as pressões da opinião pública e de setores prejudicados pelo banco. Estão no ar, mais ainda com a liquidação da Reag, as fumaças do crime organizado.

RECUOS PATÉTICOS – Toffoli, como se sabe, empilhou deliberações e recuos patéticos. A começar pela transferência do processo para o STF e a decretação de sigilo em grau máximo, com base num pretexto, que é a existência de um deputado numa faceta sem importância da mega fraude.

PÉ NO JATO – O esportivo juiz, antes disso, foi torcer pelo Palmeiras em jato privado com um advogado de diretor do Master. Tentou também, como se sabe, promover uma acareação constrangedora entre Daniel Vorcaro, dono do banco em liquidação, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), possível comprador, e o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos.

Recuou diante das justificadas reações e livrou o funcionário do BC. Mas o TCU, sintomaticamente, entrou na linha auxiliar e queria fazer uma inspeção na sede da autoridade monetária.

Desde então, os problemas se acumulam. Parentes do ministro teriam feito negociações com um fundo envolvido nos desvios. O ilustre abafador também patinou num vai não vai para permitir novas diligências da PF. Depois não sabia onde guardar as provas – chegou a tentar trancafiá-las em escaninhos do STF.

SOB DESCONFIANÇA – Tudo somado, Toffoli, como apontou editorial desta Folha, perde as condições de prosseguir no papel que pretende desempenhar. Sua atuação atabalhoada e duvidosa junta-se a outras iniciativas que colocam o Supremo sob desconfiança – e não se trata apenas de ataques da escumalha golpista.

É, aliás, um risco chancelar um vale-tudo de ministros do STF com o argumento de que críticas podem levar a um retrocesso histórico.

Esse tipo de premissa, surrada, foi usada em outros tempos para impedir críticas ao stalinismo ou a erros flagrantes da esquerda, com a alegação de que seria fazer o jogo dos reacionários. É o que assistimos agora quando esquerdistas endossam a teocracia totalitária e assassina do Irã em nome do “anti-imperialismo”.

FRAUDE RECORDE – A julgar por opiniões de gente que observa o caso mais de perto, como o próprio ministro Fernando Haddad, estamos diante da maior falcatrua financeira da história do Brasil, o que não seria pouco.

Os sinais são de que figurões estão com o pé nessa lama, que já respinga no STF. O Supremo como diziam alguns na época do impeachment de Dilma e da Lava Jato é mesmo “insuspeito”?

Façam suas apostas. Essa roleta ainda tem muito a girar.

Moraes se curva à “Tribuna” e abandona a relatoria da ação de Bolsonaro

Tribuna da Internet | Moraes barra novo recurso de Bolsonaro e diz que  pedido é “absolutamente incabível”

Desde 3 de dezembro, Moraes atuava ilegalmente no caso

Carlos Newton

A grande surpresa deste sábado foi a auspiciosa notícia de que o ministro Alexandre de Moraes, diante das denúncias sobre suas irregularidades e usurpação de poder, publicadas aqui na “Tribuna da Internet”, enfim se viu obrigado a se curvar nesta sexta-feira, dia 16, quando tardiamente abandonou a relatoria do processo de Bolsonaro, que Moraes vinha exercendo ilegalmente desde 3 de dezembro.

Conforme informamos aqui desde a última terça-feira, dia 13, sempre com absoluta exclusividade, o Regimento do Supremo Tribunal Federal, em seu artigo 76, determina troca de Turma e de relator sempre que forem apresentados embargos infringentes em ações penais.

FALSO RELATOR – Portanto, no dia 3 de dezembro, quando a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro encaminhou os embargos infringentes, Moraes teria de se afastar da relatoria e passar os autos da Ação Penal 2.668 para a Segunda Turma, que funciona como câmara revisora da Primeira Turma (e vice-versa).

Aproveitando-se de um descuido da Secretaria, que equivocadamente deixou de transferir os autos para a Segunda Turma, o ministro Alexandre de Moraes seguiu funcionando como falso relator.

Assim, de forma absolutamente ilegal, rejeitou os embargos infringentes em 19 de dezembro, e depois, na última terça-feira, dia 13, também recusou o agravo apresentado pela defesa de Bolsonaro.

USURPAÇÃO DE PODER – Como se constata, na forma da lei, todos os atos de Moraes no processo contra Bolsonaro, após 3 de dezembro, são absolutamente nulos de pleno direito, embora os caríssimos e famosíssimos advogados do ex-presidente até agora não tenham esboçado a menor reação, vejam a que ponto chega a incompetência desses profissionais que atuam na ação penal mais importante da História Republicana.

Nesta sexta-feira, dia 16, vergastado pelas denúncias da “Tribuna da Internet”, o ministro Alexandre de Moraes também não teve como esboçar reação e caiu na real.

O fato concreto é que o ex-relator finalmente se viu obrigado a transferir para a Segunda Turma o processo contra Bolsonaro, para que o ministro Gilmar Mendes, da Segunda Turma, examinasse um pedido de prisão domiciliar em favor do ex-presidente.

TUDO CONFIRMADO – Ficam assim plenamente confirmadas todas as denúncias feitas pela Tribuna da Internet desde terça-feira, dia 13, quando começamos a apontar as ilegalidades cometidas por Alexandre de Moraes desde 3 de dezembro, e agindo monocraticamente, ao rejeitar os recursos de Bolsonaro sempre em decisões liminares, sem ouvir os demais integrantes da Turma.

Esse habeas corpus que Moraes teve de redistribuir para a Segundo Turma, em obediência tardia ao Regimento do Supremo, nem foi apresentado pela defesa de Bolsonaro, mas pelo advogado Paulo Souza Barros de Carvalhosa, que não atua na Ação Penal 2.668.

Ao redistribuir o habeas corpus, Moraes alegou que estava impedido por questões regimentais, como se não tivesse usurpado os poderes do relator da Segunda Turma desde 3 de dezembro.

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P.S.
Conforme temos enfatizado aqui, sempre com absoluta exclusividade, o processo de Bolsonaro ainda não terminou, embora Moraes tenha declarado em 25 de novembro um falso “trânsito em julgado”. Faltam muitos capítulos para a novela. Comprem pipocas e leiam a “Tribuna da Internet”, que funciona sob o signo da liberdade. (C.N.)

Encontro de Michelle com Moraes antecedeu decisão que transferiu Bolsonaro para a Papudinha

Empresário ligado ao caso Master preocupa Planalto às vésperas de depoimento à PF

“Guga Lima” teve relação com o núcleo baiano do governo

Caio Junqueira
CNN

O empresário baiano Augusto Ferreira Lima, conhecido como “Guga Lima”, é o nome hoje que mais preocupa o Palácio do Planalto no caso Master, apurou a CNN Brasil com pessoas próximas ao governo. Ex-sócio de Daniel Vorcaro preso na operação de novembro, mas posteriormente solto, ele irá depor na PF (Polícia Federal) no final de janeiro e há especial atenção no governo federal sobre o que ele irá falar.

Essa relação começou quando o líder do governo Lula no Senado Jaques Wagner (PT-BA) comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, em 2018, durante a gestão do então governador Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil. Augusto Lima venceu uma licitação de venda da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos) e criou o CredCesta, um cartão de crédito consignado com juros muito abaixo do mercado e direcionado principalmente a funcionários públicos.

MODELO EXPORTADO – O empreendimento deu certo e o modelo do cartão foi “exportado” para outros estados. Vorcaro viu potencial no negócio e Guga Lima entrou, em 2020, na sociedade do Master levando o CredCesta, que virou um dos principais ativos do banco. A relação de Lima com Vorcaro, porém, nunca foi próxima. Interlocutores de Lima relataram à CNN Brasil que foi o próprio Lima quem pediu para deixar a sociedade no Master, em maio de 2024, porque descobria por terceiros negócios feitos por Vorcaro.

O perfil ostentador de Vorcaro também o incomodava. Augusto Lima é apontado por interlocutores como alguém muito discreto. Ele assumiu o controle do banco Voiter, que, em agosto deste ano, mudou seu nome para Banco Pleno, hoje responsável pela administração do cartão CredCesta.

Fontes que acompanham de perto a investigação, afirmam que é Lima, e não Vorcaro, quem tem potencial de ligar o caso Master ao coração do governo Lula por esse histórico na Bahia. Ressaltam, contudo, que suas relações não são restritas a esse grupo político.

LIGAÇÕES – Ele tem relações também com expoentes da direita baiana, como ACM Neto (União) e o presidente do PL na Bahia, João Roma. Lima, aliás, é casado com Flávia Arruda, ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL), que deixou a política e rompeu com o grupo após não ter tido o apoio da família para se lançar ao Senado pelo Distrito Federal em 2022.

Quem conversou com ele nos últimos dias aponta não haver possibilidade de ele avançar para uma colaboração premiada por não ter o que delatar. Considera-se um injustiçado e entende que o real motivo da operação contra ele foi o incômodo de parte do setor financeiro com o sucesso do CredCesta. Um aliado relatou à CNN Brasil que um banqueiro paulista tentou comprar o negócio e que Guga Lima rejeitou prontamente.

LINHA DE AÇÃO – A estratégia, por ora, será se desvincular de Vorcaro e das eventuais irregularidades feitas pelo Master, tendo por eixo o desligamento da sociedade em maio de 2024, um ano antes, portanto, da tentativa de compra do Master pelo BRB. A CNN Brasil procurou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o secretário de Comunicação da Presidência da República, Sidônio Palmeira, mas eles não se manifestaram.

A equipe de Jacques Wagner encaminhou à CNN Brasil a seguinte mensagem: “A assessoria do senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que o parlamentar conheceu o empresário Augusto Lima em 2017, quando exercia o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. Naquele período, uma das atribuições da pasta era conduzir o processo de venda do Supermercado Cesta do Povo, ocasião em que o referido empresário apresentou proposta no processo licitatório e arrematou o ativo”.

Dinheiro vivo, escritura tardia e poder político: as sombras sobre Sóstenes Cavalcante

Lula causa uma tremenda saia justa entre Moraes (STF) e Galípolo (BC)

Moraes: regras do mundo real devem prevalecer também nas redes sociais |  Agência Brasil

Moraes foi à reunião representando o presidente Fachin

Robson Bonin
Veja

Depois de determinar, nesta semana, a abertura de um inquérito para investigar a possível violação de sigilos de ministros do STF e de familiares por órgãos como a Receita Federal e o Coaf, o ministro Alexandre de Moraes teve uma reunião, nesta quinta-feira, com o presidente Lula, o chefe do fisco, o ministro da Fazenda, o chefe da Polícia Federal e outros integrantes do governo.

Segundo as informações fornecidas pelo Planalto, Lula coordenou uma reunião para debater com os presentes “o combate ao crime organizado”.

COMBATE AO CRIME – “Houve uma decisão do presidente da República, compartilhada por todos esses atores, de elevar ao status de ação do Estado, o combate ao crime organizado”, disse o novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

Embora o caso do Banco Master esteja em evidência, por causa da operação da Polícia Federal, o relator do caso no STF, ministro Dias Toffoli, não aparece na lista de participantes da conversa com Lula.

Veja a lista completa de presentes na reunião: vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes; ministro da Fazenda, Fernando Haddad; ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo;  chefe da Receita Federal, Robinson Barreirinhas; diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues; procurador-geral da República, Paulo Gonet; ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; e secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O que ficou decidido na reunião? Nada. Foi apenas um ensaio de faz-de-conta, digamos assim. O mais interessante foi a saia justa entre o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o ministro Moraes, que depende do silêncio dele para não sofrer impeachment. Foi a primeira vez que Moraes e Galípolo estiveram juntos na mesma sala, após ter sido surgido o escândalo do contrato de R$ 129,6 milhões e as pressões ao Banco Central. Apenas isso. (C.N.)

Federação de União e PP avança no TSE, mas enfrenta debandadas e disputas locais

Rixas são marcadas por disputas entre pré-candidatos

Lauriberto Pompeu
Camila Turtelli
O Globo

Idealizada pelas cúpulas partidárias para formar a maior força política do país, a federação entre União Brasil e PP caminha para ser formalizada em meio a um processo de desidratação. O movimento expõe as dificuldades de negociações desse porte e serve de alerta a legendas que avaliam alianças como forma de driblar a cláusula de barreira.

União e PP já entregaram o pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para que a federação esteja em vigor na eleição, em 4 de outubro, a solicitação precisa ser aceita até seis meses antes da data. O acordo, porém, acontece em meio a disputas internas em ao menos 13 estados, e parlamentares insatisfeitos já anunciam uma debandada.

EXIGÊNCIAS – Entre as exigências para os partidos que compõem a federação estão seguir a mesma posição em eleições por no mínimo quatro anos e atuar como se fossem uma legenda só no Congresso, compartilhando o mesmo líder partidário.

A estrutura reunirá 108 deputados, a maior configuração da Câmara, e 12 senadores, o que a deixará atrás apenas do PL e do PSD. Juntos, os partidos terão ainda um fundo partidário de R$ 954 milhões, além de seis governadores e 1.343 prefeitos, maior número entre as legendas.

As rixas, no entanto, começam na definição do apoio à Presidência e se espalham para questões locais. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), é pré-candidato ao Planalto, mas seu nome enfrenta resistência no PP — ele e o senador Ciro Nogueira, presidente da legenda, já discutiram publicamente sobre o assunto.

GARANTIAS – Aliados de Caiado afirmam que ele cobra garantias formais de que sua pré-candidatura será considerada dentro da federação e defende que a decisão seja submetida a uma convenção nacional, argumento que passou a alimentar resistências ao acordo em Goiás e em outros estados sob sua influência.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), era um nome que unia o apoio da cúpula dos dois partidos, mas diante da decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato, a possibilidade de Tarcísio entrar na disputa perdeu força. As legendas ainda calculam como vão se posicionar nacionalmente.

Em dezembro, o presidente do União, Antonio Rueda, publicou uma mensagem defendendo “responsabilidade fiscal e social”, citando os números da federação e dizendo que todos estarão “juntos”. A equação, no entanto, não é tão simples, diante de rachas internos agora somados aos atritos com o PP. Há chance de desfiliações no União como as dos deputados Mendonça Filho (PE), Felipe Francischini (PR) e Alfredo Gaspar (AL).

DIVISÃO DE INFLUÊNCIA – Caso a aliança prospere, Mendonça teria que dividir influência em Pernambuco com o deputado Eduardo da Fonte (PP). No estado, além da disputa por espaço entre as duas legendas, há divergências sobre o palanque de 2026: enquanto setores do PP sinalizam apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), alas do União defendem uma aproximação com o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

Aliados de Mendonça afirmam que o grupo não abrirá mão do comando estadual e avaliam que uma federação “imposta” pode levar à saída de parlamentares do partido.

Da mesma forma, o líder do União no Senado, Efraim Filho (PB), resiste a ter que compor com o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que integra um grupo político diferente do dele na Paraíba. No estado, o impasse envolve diretamente a disputa pelo governo em 2026, com ambos se colocando como pré-candidatos e sem acordo sobre o critério de escolha do nome da federação.

ESTRATÉGIA – No Rio, a aliança enfrenta dificuldades para definir uma estratégia única. O diretório estadual do União é presidido pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar, que passou a conviver com resistências tanto pela falta de consenso sobre uma candidatura própria quanto pelo avanço das articulações em torno do prefeito Eduardo Paes (PSD).

Esse quadro se agravou após Bacellar ter sido preso e, mesmo assim, mantido no comando do diretório estadual com aval de Rueda. Embora tenha sido solto dias depois, o deputado passou a cumprir medidas cautelares, o que fragilizou o partido localmente e ampliou as divisões internas. Paralelamente, o afastamento de Bacellar da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) abriu disputa pelo comando da Casa. Já o PP é comandado no estado pelo deputado federal Doutor Luizinho, que mantém diálogo tanto com Paes quanto com setores do bolsonarismo fluminense, preservando margem de negociação para 2026.

Em São Paulo, o impasse envolve os grupos do ex-presidente da Câmara da capital Milton Leite (União), atual vice-presidente nacional da legenda, e do deputado federal Maurício Neves (PP-SP), presidente da executiva paulista do PP. O comando estadual é estratégico por concentrar o maior volume de recursos e tempo de TV da federação.

DIVERGÊNCIAS –  Há ainda divergências em outros estados. No Paraná, PP e parte do União não concordam com a pré-candidatura do senador Sergio Moro (União) ao governo. Após Ciro Nogueira afirmar que o partido não apoiará Moro, Rueda gravou um vídeo ao lado de ACM Neto reafirmando que a candidatura é “irreversível”, apesar do veto anunciado pelo PP no estado. A tensão foi agravada com a saída do deputado Pedro Lupion, do PP, em movimento avalizado por Tarcísio.

No Amazonas, pesa um conflito interno herdado da fusão entre DEM e PSL: o partido é comandado pelo governador Wilson Lima (União), mas enfrenta resistência do grupo ligado ao deputado Pauderney Avelino, que vê a federação como um movimento de consolidação de poder nas mãos de Lima. Em Minas, o União se aproxima de aliados do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), enquanto o PP mantém diálogo com grupos ligados ao vice-governador Mateus Simões (Novo), dificultando uma costura comum.

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Banco Master: Peritos da PF alertam para risco à investigação após decisão de Toffoli

Charge do Duke (Itatiaia)

Octavio Guedes
G1

Peritos da Polícia Federal (PF) afirmaram que a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar o envio das provas da fase mais recente da operação do caso do Banco Master para a Procuradoria-Geral da República (PGR) traz preocupações técnicas para a investigação.

Em nota, a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) alerta para a possibilidade de “perda de vestígios relevantes” em razão da ausência do envio dos materiais à perícia criminal. “A postergação do envio ou a realização dos exames fora das unidades oficiais de criminalística, sobretudo em relação a dispositivos eletrônicos, pode levar a perda de vestígios relevantes para a persecução penal, ou mesmo à perda de oportunidades técnicas, por vezes irrepetíveis, como a análise de aparelhos ainda ativos ou recentemente desbloqueados, além de possibilitar eventuais modificações automáticas inerentes ao próprio funcionamento dos sistemas operacionais”, diz a nota.

APREENSÃO – A nota foi divulgada em meio a um vaivém sobre o acesso aos celulares apreendidos na Operação Compliance Zero. Na quarta-feira (14) após a segunda fase da investigação, Toffoli havia determinado que as provas fossem armazenadas e lacradas no próprio STF. Ele dizia que as autoridades competentes iriam periciar, mas não especificava quais nem como.

Depois, ainda na quarta, Toffoli determinou que o material apreendido pela PF ficasse na PGR e não mais no STF, após a PF pedir para Toffoli rever a decisão, apontando risco de frustração da operação caso o material não fosse submetido à perícia e a PGR dar parecer pela revisão da decisão de Toffoli, pedindo que o material ficasse com a polícia.

Nesta quinta-feira (15), Toffoli autorizou a Polícia Federal a periciar os celulares apreendidos. No entanto, restringiu o acesso a 4 peritos da corporação. Além disso, a Procuradoria-Geral da República deverá acompanhar os trabalhos.

STF e TCU procuram bloquear PF e BC na guerra do Banco Master

Galípolo se encontra com Andrei Rodrigues na sede da PF

Galípolo (BC) e Andrei (PF) unem forças contra o arbítrio

Mario Sabino
Metrópoles

Daniel Vorcaro, do Banco Master, provocou uma guerra, como ficou demonstrado nessa quarta-feira: de um lado, temos a dupla dinâmica do Supremo Tribunal Federal e um ministro do Tribunal de Contas da União ou talvez mais de um; de outro, a direção da Polícia Federal e a direção do Banco Central.

Na avacalhação jurídica de ontem, Dias Toffoli atacou abertamente a PF, acusando-a de “inércia” e de “falta de empenho” para realizar a operação que finalmente seria conduzida contra familiares do banqueiro do Master e demais figuras impolutas conectadas aos seus esquemas.

VASTO MATERIAL – Surpresa com o ataque do ministro, visto que não deu razão nenhuma para ser acusada de relapsa na montagem de uma operação que não se faz da noite para o dia, a PF foi a campo e recolheu o vasto material que poderá gerar provas contra Vorcaro e o seu entorno — e mais surpresa ficou quando Dias Toffoli determinou que tudo deveria ficar trancafiado no STF, sem que os policiais pudessem ter acesso ao que apreenderam.

Diante do clamor quase geral, o ministro acabou o dia entregando o material à PGR para que fosse periciado. Mas nada de PF no pedaço, como seria o normal, se este ainda fosse um país cujas autoridades se preocupassem com padrões de normalidade.

A corporação encarregada de investigar crimes não investigará nada, cabendo a investigação à instância acusatória, mais uma inovação saída da cachola de Dias Toffoli.

OCULTAR PROVAS – É possível concluir, assim, que o ministro usou a PF apenas para recolher possíveis provas que estavam espalhadas por aí e guardá-las bem guardadas. Pelo jeito, Dias Toffoli estava com pressa em fazer isso. Se concordou em entregar o material à PGR, foi porque ela seria mais confiável, digamos assim.

Na outra frente do STF, o ministro Alexandre de Moraes abriu de ofício um inquérito sigiloso, como é do seu hábito, para investigar o suposto vazamento de dados financeiros seus e da sua família, bem como de informações relacionadas a Dias Toffoli, da parte da Receita Federal e do Coaf.

Moraes, que não se preocupa em explicar como é que o escritório de advocacia da sua mulher conseguiu firmar um contrato multimilionário com o Banco Master, o que resultou em aumento exponencial do patrimônio pessoal dela, quer saber quem foi que soprou tudo para a imprensa.

RESORT FAMILIAR – Ao que parece, o ministro acha que foram os mesmos beneméritos que repassaram a história da venda do resort Tayayá, no interior do Paraná, que tinha como acionistas os dois irmãos e um primo de Dias Toffoli e um fundo que fazia parte da rede montada por Vorcaro.

O resort passou a ser controlado por um advogado que atua para a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Coincidentemente, Dias Toffoli foi quem suspendeu, em 2023, o pagamento de multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência firmado pela J&F com o Ministério Público Federal.

Investigar o Coaf, como fará Moraes no seu novo inquérito sigiloso, é investigar o BC, ao qual o Coaf é vinculado administrativamente, e também a PF, que tem acesso aos dados do conselho encarregado de levantar a bandeira vermelha quando detecta transações suspeitas de lavagem de dinheiro.

UNINDO FORÇAS – Sob fogo cerrado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, recebeu a visita do presidente do BC, o companheiro de trincheira Gabriel Galípolo, na sede da corporação em Brasília.

 

 

Na nota divulgada pela PF, “as autoridades reafirmaram a importância da cooperação e da integração entre as instituições, fortalecendo o diálogo e a atuação conjunta em temas estratégicos de interesse do Estado brasileiro”.

Na realidade, Galípolo foi conversar sobre o imbróglio do Banco Master e reafirmar a aliança do BC com a PF.

AUDITORIA NO BC – Por fim, chegamos ao TCU. Conversinha vai, conversinha vem, o Tribunal de Contas da União fará, sim, uso da sua falta de atribuições para fazer uma auditoria no Banco Central, com o ministro Jhonatan de Jesus empenhado em provar que o Master foi vítima do BC no processo de liquidação.

O BC, porém, não tem medo de briga. Dois dias depois de o (ainda) ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dar o seu respaldo à autoridade monetária, dizendo que o caso Master pode ser a maior fraude bancária da história do país, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Trust, a gestora que ajudava a inflar os ativos financeiros do banco de Vorcaro — a mesma Reag que administrava o fundo que se tornou sócio dos parentes de Dias Toffoli no resort Tayayá.

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