Humanização do capitalismo evitou a expansão dos regimes comunistas

Seis medos no comunismo que se tornaram reais no capitalismo - O Cafezinho

Charge do Allan Sieber (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Dois livros foram fundamentais para o entendimento dos dois principais sistemas econômicos existentes no mundo:  capitalismo e comunismo: 1 – “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, publicado em 1776. Trata-se do embrião do capitalismo, cujos alicerces são o individualismo, o lucro, o liberalismo, a acumulação de capital, a divisão do trabalho e a exploração do homem pelo homem. 2 – “O Capital”, de Karl Marx e Friedrich Engels, que pretendiam humanizar o regime econômico, com o primeiro livro publicado em 1867 e em seguida foram lançadas as duas obras complementares.

Na vida das nações, não existe transformação institucional sem uma teoria que a impulsione, até que se torne um movimento econômico, político e social.

ASCENSÃO DA BURGUESIA – Os enciclopedistas franceses Rousseau, Voltaire, Diderot e Montesquieu prepararam nas consciências o evento da Revolução de 1789, um movimento de ascensão da burguesia, que culminou com a queda da tradicional monarquia francesa.

Já os iluministas Francis Bacon, John Locke, David Hume e George Berkeley prepararam os espíritos e as ideias que deram origem à Revolução Industrial do século XVIII. Esses intelectuais foram também denominados de empiristas ingleses.

Tanto a Revolução Francesa como a Revolução Industrial foram movimentos da nova classe social, a Burguesia, surgida dos escombros da Idade Média.

POLÍTICA E ECONOMIA – Os revolucionários contestaram o direito divino dos reis e os privilégios da nobreza, criando as bases da nova sociedade liberal e democrática. Coube aos franceses a liderança da revolução política e social de 1789 e aos ingleses o advento da revolução econômica.

Dando seguimento ao termo “comunismo” e sua origem, os revolucionários russos liderados por Lenin, Trotsky e Stalin, incorporaram as ideias contidos no livro “O Capital” e tomaram o poder da família real russa, na chamada Revolução Soviética, em 1917.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) durou mais de 70 anos, sendo implodida na década de 90, após a queda do muro de Berlim, que dividia a Alemanha em duas nações. Enfraquecido o império comunista soviético, surgiram movimentos separatistas, e as repúblicas se tornariam independentes, como a Geórgia, o Casaquistão, o Uberquistão, a Ucrânia, dentre outras.

ERA DA ALIENAÇÃO – Evidentemente, nenhum país conseguiu impor as ideias originais contidas no livro “O Capital”, até porque houve uma crescente humanização do capitalismo. Portanto, o que existe no mundo de hoje, em termos práticos, é o modo de produção capitalista, com maior ou menor controle do Estado.

Ao mesmo tempo, vivemos hoje uma era da alienação e conformismo, a pós-verdade, que distorce os fundamentos do que seria o verdadeiro comunismo, que só poderia ocorrer em uma sociedade avançada culturalmente.

Para confundir, há a esquerda populista, que não prepara os cidadãos para a inteligência e o saber, com regimes comunistas caricatos, como a Venezuela, a Nicarágua e a Coréia do Norte, que nada têm de comunismo, sendo apenas a tomada do poder por grupos amparados pela força militar, tendo como meta a eternização do poder com base em concessões populistas, que preservam o estado de coisas dos regimes capitalistas excludentes. E assim o mundo segue girando à direita e à esquerda, 

General Augusto Heleno precisa ser ouvido e responsabilizado pela arapongagem

Charge do Aroeira | Metrópoles

Charge do Aroeira (Brasil247)

Roberto Nascimento

A quem o diretor-geral da ABIN, delegado federal Alexandre Ramagem, era subordinado? Seu chefe imediato, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, era o general Augusto Heleno ou o vereador Carlos Bolsonaro, filho 02 do então presidente da República?

A paranóia referente a uma suposta conspiração contra o governo Bolsonaro ocorreu desde a posse até o final da gestão. Até aliados do próprio governo na Câmara e no Senado foram monitorados pela Abin institucional ou pela paralela.

ATÉ CIRO NOGUEIRA – Parece brincadeira, mas até o ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, Ciro Nogueira, foi monitorado, assim como Gustavo Bebiano, secretário-geral da Presidência, e o general Santos Cruz, secretário de Governo. Os dois foram demitidos, sem dó nem piedade, após o presidente receber relatórios paralelos.

A dúvida é, se eram confiáveis esses relatórios. Se foram feitos pela Abin ou se tratava de fake news colhidas pelo grupo palaciano liderado por Carlos Bolsonaro. Os bisbilhoteiros costumam levar ao soberano apenas aquilo que interessa a eles.

O próprio Bolsonaro, naquela reveladora reunião ministerial de 22 de abril de 2020, admitiu que montara um serviço particular de informações “que funcionava”. Se o então presidente fez essa afirmação naquela época, como poderá se desdizer quando começam a aparecer provas materiais? Fica difícil.

ARAPONGAGEM – A República, de 2019 até 2022 foi um festival de fakes news e de arapongagem. O general Augusto Heleno, do GSI, a quem a Abin estava subordinada, deve ser chamado para depor. É impossível que ele nada saiba sobre essa bagunça generalizada.

O problema é que os arapongas, incrustados nas Agências de Informações, hipoteticamente têm que respeitar a Constituição e as leis, simples assim. Ninguém está acima da Lei. Todos são iguais perante o arcabouço legal.

Quanto aos excessos cometidos por arapongas da CIA, da KGB, do Mossad e de todos outros órgãos, trata-se de problemas de seus respectivos países e não podem servir de justificativa.

PAGAR PELOS CRIMES – Se as investigações em curso comprovarem que os dirigentes da Abin agiram fora da curva, terão que pagar pelos seus crimes. Quanto aos servidores subalternos, não devem ser incriminados, pois apenas obedeciam a ordens;

Caso os envolvidos não sejam punidos, uma porta se abrirá para qualquer governo agir do mesmo modo.

E ficou uma dúvida. Será que Arthur Lira e Rodrigo Pacheco também foram monitorados pela Abin paralela? O programa FirstMile, de espionagem israelense, teria funcionado também para os presidentes da Câmara e do Senado? Logo saberemos.

Fracasso do PT na eleição municipal deverá dificultar a reeleição de Lula

Lula estreia Boulos em palanque em pré-campanha pela prefeitura de SP |  Política: Diario de Pernambuco

Lula tem de carregar novamente o PT nesta campanha

 

Roberto Nascimento

Em meio às picuinhas de Gleisi Hoffmann, entronizada na presidência do PT pelo próprio Lula, o petista-raiz José Dirceu demorou para alertar o PT sobre a necessidade de trabalhar as eleições deste ano, enquanto os partidos de direita estão em campo desde o ano passado, costurando as candidaturas municipais de norte a sul.

Os comentaristas da Tribuna da Internet e o editor Carlos Newton, em particular, cansaram de alertar o PT e o governo sobre o avanço do bolsonarismo nas capitais e municípios do Sudeste, para eleger o maior número de prefeitos, principalmente para o PL.

DERROTA ANTECIPADA – O fato é que o PT praticamente já perdeu a eleição municipal de outubro deste ano. Será derrotado por pura inércia. Enquanto Gleisi Hoffmann e seu companheiro Lindbergh Farias ajudam Lula a atacar Fernando Haddad, dividindo o partido, o casal Bolsonaro e Michelle trabalha ativamente junto com Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

O maior exemplo de trabalho bem-sucedido é de Gilberto Kassab, do PSD, que não dorme no ponto e acaba de ultrapassar o MDB, no ranking dos partidos com mais prefeituras do país, pois o PSD já passou de 900 prefeitos.

E o PT? Nada. Pode ser que agora acorde do sono profundo, devido ao alerta de José Dirceu, que perdeu o protagonismo ostentado no primeiro mandato de Lula, porém jamais abandonou o partido.

LARGANDO ATRÁS – O PT deu a largada nas últimas posições. Portanto, dificilmente terá possibilidades de conseguir alguma medalha no pódio. Deve brilhar a estrela de Gilberto Kassab, do PSD, com a medalha de ouro. A medalha de prata irá para o PL de Valdemar Costa Neto.

A medalha de bronze será disputada palmo a palmo com o PT, o MDB, o PP, o Republicanos, tudo embolado.

Conclusão! O PT perderá a eleição municipal. E como é uma prévia da disputa presidencial, isso significa que a reeleição de Lula em 2026 pode se tornar o sonho de uma noite de verão. Lula estará mais velho e cada ano conta muito na idade dele, que se candidatará já chegando aos 81 anos.

PSOL AVANÇA – Enquanto isso, o PSOL está em crescimento. Nos próximos anos, deve ocupar o vácuo deixado pelo PT, que vem se aburguesando ao longo do tempo.

Quando chegou ao poder, porém, o PT teve de fazer uma aliança com os conservadores, para poder governar sem perigo de golpe e impeachment. Mas o desastre da gestão de Dilma Rousseff e Guido Mantega levou o país à sua maior recessão, que acabou liquidando o segundo governo Dilma.

O PSOL mantém sua linha de esquerda, apesar de ter evoluído na questão das alianças, principalmente com o PT, impensável anos atrás. Mas tudo indica que, se Lula não tiver um sucessor à altura, a política de centro-direita pode dominar o país.

Ainda não estamos livres dos golpistas, que continuam à espera de uma oportunidade

Charge do João Garcia (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

É um erro acreditar que os golpistas estão derrotados e que nunca mais haverá ameaças ao regime democrático. A realidade é bem diferente dessa ilusão, os adeptos de uma nova ditadura apenas se recolheram temporariamente, após falharem três tentativas concretas de os militares reassumirem o poder.

Pouco se fala sobre isso, mas os acampamentos foram instalados diante dos quartéis das Forças Armadas com autorização expressa de seus respectivos comandantes, pois nenhum deles determinou que fossem reprimidas essas absurdas invasões de áreas de exclusivo uso militar, uma situação gravíssima e jamais vivenciada no país, nem mesmo nos idos de 1964.

TRÊS TENTATIVAS – Recordem que houve três armações consecutivas para evitar a posse do presidente Lula, no espaço de menos de 30 dias. A primeira tentativa aconteceu em 12 de dezembro de 2022, quando o vencedor das eleições foi diplomado pelo Tribunal Superior Eleitoral, confirmando-se o resultado das urnas.

Brasília teve então uma noite de terror, com tentativa de invasão da sede da Polícia Federal e ataques a postos de gasolina e empresas, com roubo de grande quantidade de botijões de gás de cozinha. E o vandalismo avançou pelas ruas, com os golpistas ateando fogo a ônibus e automóveis. Inclusive, um dos ônibus ficou pendurado no viaduto. Se caísse, teria feito um estrago, próximo à Rodoviária, no centro da capital do país. Ninguém foi preso no dia 12 de dezembro. Portanto, seguiram em frente.

Às vésperas do Natal, quando aumenta o movimento de embarque e desembarque, os golpistas tentaram explodir um caminhão de  combustível no Aeroporto de Brasília, exatamente no dia 24 de dezembro de 2023, que seria similar ao atentado do Riocentro, uma operação terrorista que aconteceria em 30 de abril de 1981, após a concessão da anistia,

NÃO TIVERAM ÊXITO – Por fim, houve a invasão e depredação dos Três Poderes em 8 de janeiro. Então, três tentativas de golpe foram executadas, felizmente não tiveram êxito. As forças policiais do Distrito Federal fizeram cara de paisagem, demoraram a enfrentar os vândalos. Por isso, quando o presidente Lula culpa o governador Ibaneis Filho por esses acontecimentos, ele sabe exatamente o que está dizendo.

Os golpistas estão aí, nas sombras, à espera de uma nova oportunidade. Têm o braço armado e a volúpia pelo poder. Seu discurso de “Deus, Pátria e Família” vem desde o modelo fascista de Plinio Salgado, líder integralista que tentou dar o contragolpe em 1938, após o golpe de Getúlio com o Estado Novo em 1937 e a extinção dos partidos políticos.

Defender a democracia soa falso. Quem flerta com ditadura, é claro, não pode falar em liberdade. Assim, ainda não estamos livres da ameaça de um novo golpe. Desgraçadamente, essa é a nossa realidade.

No Brasil, a maioria dos partidos políticos tem vida curta e acabam sendo extintos

Charge do meio-dia: “novos partidos políticos” | Liberdade! Liberdade!

Charge do Jorge Braga (Charge Online)

Roberto Nascimento

É curiosa essa briga entre petistas pela sucessão do presidente Lula lá adiante, em 2030, porque na próxima eleição, em 2026, o criador do PT já é o candidato do partido, nem se discute a possibilidade contrária. Em 2026, se estiver bem de saúde aos 81 anos, o candidato chama-se Lula da Silva.

A disputa antecipada entre a deputada Gleisi Hoffmann e o ministro Fernando Haddad é até bizantina, porque aqui no Brasil os partidos acabam morrendo, se extinguem ao longo do tempo.

O fim das legendas começa justamente pela aposentadoria e morte dos seus líderes, com as guerras internas que então causam o progressivo enfraquecimento,

UDN E PTB – A UDN sucumbiu com a cassação de Carlos Lacerda decretada pelo general Castelo Branco. Depois, houve a extinção dos partidos, com a criação de Arena (governista) e MDB (meio governista).

Com a redemocratização, alguns velhos partidos foram recriados, como o PTB, linha auxiliar de Getúlio Vargas, cujo processo de extinção começou a entrega da legenda para uma sobrinha de Vargas, a deputada Ivete Vargas, numa conspiração do general Golbery do Couto e Silva, Chefe da Casa Civil do general presidente Ernesto Geisel, com o objetivo, de impedir que Leonel Brizola, recém-chegado do exílio, fosse o presidente do PTB.

Brizola criou então o PDT, de orientação trabalhista, condenando o PTB, a linha auxiliar da Ditadura Militar. Hoje, o PTB, não existe mais, o último coveiro do PTB, Roberto Jeferson, acabou de enterrar o partido de Vargas, por falta de eleitores.

ARENA E MDB – O partido ARENA (Aliança Renovadora Nacional), sustentáculo da ditadura, “morreu” em 1985, com o fim do regime militar. O MDB, Partido de oposição a Ditadura, entre aspas, foi perdendo capilaridade aos poucos.

Mudou o nome, transformando-se em PMDB e recentemente voltou a ser MDB, entretanto, em se tratando de uma frente com várias tendências ideológicas, caminha para o cadafalso.

O DEM, oriundo do Partido da Frente Liberal, sucessor da ARENA, para não morrer, se uniu ao PSL (Partido, que deu a sigla para Bolsonaro disputar a eleição de 2018). Com a briga entre Luciano Bivar e Bolsonaro, pelo controle do PSL, o Mito saiu do Partido e levou a maioria de seus deputados fiéis para o PL, comandado pelo cacique paulista, Valdemar da Costa Neto.

UNIÃO BRASIL – Em busca da sobrevivência, Bivar se uniu ao DEM, de Antônio Carlos Magalhães Neto e criaram o atual União Brasil, um saco de gatos gordos e amorfos, sem nenhuma cor partidária. Aos poucos, vão morrer na praia, se transformando em nanicos, sem expressão política.

O MDB, se enfraquece a cada eleição. Antes da democratização e até após a Constituição de 1988, era um partido nacional fortíssimo. Mas seus principais líderes foram morrendo, principalmente o Senhor Diretas, Ulysses Guimarães, e a ausência de líderes vêm desidratando o MDB, que se transformou em um partido do Norte e Nordeste. Aos poucos, caminha para a vala comum de um partido do passado.

PP (Partido Popular) sobrevive graças aos caciques, Arthur Lira, presidente da Câmara e deputado por Alagoas, e Ciro Nogueira, senador pelo Piauí e ex-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro.

PL DE BOLSONARO – O PL abriga o clã e apoiadores de Jair Bolsonaro, da extrema direita, e os conservadores do Centrão comandado pelo seu presidente Valdemar da Costa Neto. Com o tempo, o PL vai se tornar pequeno para abrigar dois caciques com sede de poder total, Bolsonaro e Costa Neto. Tudo vai depende da eleição de 2026. A explosão dos titãs está próxima. Divididos estarão perdidos.

O PSDB, Partido fundado por Mario Covas, Franco Montoro e Fernando Henrique Cardoso, saído de uma costela do MDB, com a morte de Covas e Montoro e a aposentadoria de Fernando Henrique, o Partido tucano, está próximo do fim. Hoje é nanico, sem expressão.

Houve uma luta ferrenha dentro do Partido, comandada pelo ex-governador João Doria, mestre na arte de dividir e trair seus companheiros. Doria brigou com o cacique mineiro Aécio Neves e com o governador gaúcho Eduardo Leite. O governador Rodrigo Garcia, que assumiu por nove meses, com a saída de Dória para disputar a presidência, se aliou ao Bolsonarismo, na eleição de 2022, e acabou de destruir o PSDB em São Paulo, sua base principal. Os tucanos já morreram e não sabem.

OUTROS PARTIDOS – O PT vem perdendo força, desde o Mensalão, e reduziu suas bancadas no Parlamento, nas eleições de 2018 e agora em 2022. O último suspiro do PT, é o presidente Lula, o cacique que carrega nas costas  a estrutura pesada do PT, um balaio de gatos, com integrantes do Centro e da Esquerda. Sem Lula, próximo da aposentadoria, o PT tende a cumprir o mesmo destino do PSDB e cair na vala comum dos nanicos.

PDT e PSB, Partidos de Centro Esquerda, se tratam de hospedeiros dos governos petistas. Não conseguem crescer e se encostam na sigla predominante. O fim deles se aproxima, à medida que o PT também cede espaço para os conservadores.

Deixei para o final, a análise do PSD. O Partido do ex- prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, vem trabalhando na surdina para se transformar no terceiro maior Partido do Brasil, atrás do PL e do PT. Seu maior quadro é na atualidade, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. É uma exceção à regra e está em crescimento.

Assim, as pessoas morrem e os partidos morrem também. Tudo, um dia acaba.

Congresso precisa fazer “autocrítica” e voltar a trabalhar pelos brasileiros

Chage: sponholz.arq.br

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Roberto Nascimento

Todos sabem que o Congresso Nacional utiliza a política do “toma lá dá cá”. Essa norma antiética sempre existiu, de uma forma ou outra, mas foi “institucionalizada” na década passada pelo então presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), que desvirtuou a representatividade popular, ao contrário do que preconiza o texto onstitucional.

Portanto, o poder já não emana do povo, faz tempo. Assim como muitos outros parlamentares famosos, Cunha foi condenado e preso por corrupção. Ficou impedido de concorrer, mas elegeu a filha e vive perambulando no Congresso Nacional, dando pitacos em tudo, especialmente depois que foi “descondensado” pelo Supremo, conforme está na moda.

CASA DAS BANCADAS – O fato é que a outrora famosa Casa das Leis foi transformada num portal de defesa dos interesses paroquiais de suas excelências, os senhores deputados e senadores. Passou a funcionar como a Casa das Bancadas ou até mesmo a Casa das Saliências, como fica mais apropriado.

A grande maioria dos parlamentares hoje trabalha para controlar as emendas impositivas, chantageando os governos, porque o Congresso passou a comandar o Orçamento da União, antes, uma prerrogativa do Executivo.

Por que agem assim? Ora, trabalham para manter seus currais eleitorais nos Estados e municípios e se perpetuar em consecutivos mandatos, anos após anos, como se fossem cafetões da política.

EM NOME DE DEUS – Olhem o exemplo da Bancada da Bíblia. Do total de deputados eleitos pelos evangélicos, cerca de 95% votaram em leis contra o trabalhador ou no corte de benefícios sociais, ou seja, se elegem com o voto do povo e trabalham contra o povo.

Esse pequeno detalhe não chega aos eleitores, que não se preocupam com as pautas do Congresso Nacional, realmente uma chatice sem tamanho.

Na atual legislatura há evangélicos em praticamente todos os partidos. inclusive no PT e no PSol, mas a quase totalidade vota contra as pautas progressistas.

OUTRAS BANCADAS – A facção mais influente do Congresso é a Bancada Ruralista, que defende os interesses do agronegócio e não aceita reforma agrária de propriedades produtivas, além de se posicionar a favor do marco temporal para demarcação de terras indígenas.

Outra ala muito importante é a Bancada da Bala, integrada também por muitos parlamentares ruralistas que são produtores rurais. A facção defende que os fazendeiros possam ter direito de possuir armas, devido à falta  policiamento no interior do país. No entanto, os principais líderes da Bancada da Bala querem é a liberação total das armas, embora o país já viva num verdadeiro faroeste caboclo, como líder nas estatísticas mundiais de vítimas de homicídio por arma de fogo.

Nesse clima, podemos dizer que o melhor presente para os brasileiros seria ter o Congresso de volta, mas é muito difícil que isso volte a acontecer.

Nesta quarta-feira, Milei já começa a enfrentar protestos contra o governo

Milei assume presidência da Argentina apostando em | Internacional

Javier Milei é um falso libertário e não está agradando

Roberto Nascimento

Promessas ilusórias de campanha – eis uma desonestidade que praticamente todo candidato faz. Anuncia uma coisa, porém, quando se depara com a realidade, tem que se curvar a ela. No entanto, é muito pior quando não promete, não fala nada e começa a agir contra o povo logo após tomar posse. O exemplo mais clássico e recente é de Javier Milei, que preside a Argentina desde domingo, dia 10, e está decepcionando a todos.

Comporta-se como se o país lhe pertencesse. Primeiro, uma medida amoral e imoral, ao assinar um decreto permitindo o nepotismo, para nomear sua inexperiente irmã como ministra do governo. Depois, deu um golpe no povo, congelando os salários e aposentadorias, ao mesmo tempo em que aumentava as tarifas públicas e valorizava o dólar.

AMEAÇA PRENDER – Milei não tinha uma semana no cargo e já ameaçava prender quem saísse às ruas para protestar. E a liberdade tão propalada na campanha? Era tudo mentira, o autoproclamado libertário não passa de mais um projeto de ditador.

As Centrais Sindicais já marcaram uma manifestação para quarta-feira, dia 20 de dezembro, na Praça de Maio. A ministra da Segurança Pública, Patrícia Bullrich, a terceira colocada na disputa presidencial, aquela que Milei chamava de “guerrilheira dos Montoneros”, disse que as Forças Armadas vão reprimir com violência, se os manifestantes bloquearem as vias de acesso a Buenos Aires. Ou seja, vão empurrar a massa, o povo argentino, para o Rio da Prata em Porto Madeiro, de costas para a Casa Rosada.

SEM PROJETO – O pacote de medidas econômicas anunciado por Milei mostra que o governo não se preparou e não tem projeto. Sua equipe deveria ter estudado a história recente do Brasil, para traçar um programa nos moldes do Plano Real, que incluiu a criação de uma moeda intermediária, a URV (Unidade de Valor Paralelo), que fazia a conversão dos preços e valores para o novo padrão monetário, na tentativa de controlar a inflação, até a adoção do real.

Foi assim que a equipe econômica do governo Itamar Franco, comandada pelo embaixador Rubens Ricúpero, estabilizou a economia brasileira e colocou a inflação sob controle. A nova moeda nacional então foi equiparada ao dólar, mantendo o poder de compra do trabalhador de baixa renda.

O programa foi vitorioso, mas aumentou o desemprego, porque não se faz omelete sem quebrar ovos – as medidas drásticas na economia sempre têm contraindicações.

HAVERÁ PROTESTOS – O problema é que os argentinos não são como os brasileiros, que aceitam todas as imposições dos trogloditas de plantão. Eles partem para a briga, sem medo de ser feliz.

É uma perversidade o congelamento de salários e proventos de aposentadoria, enquanto vai de vento em popa a desvalorização da moeda, projetando-se uma inflação mensal de 20%, e os especialistas atestam que o acumulado da inflação alcançará o patamar de 200% neste final do ano.

A situação é dramática. O discurso libertário de Milei era pura mentira de campanha, ele realmente não se preparou para exercer o poder. Nesta quarta-feira teremos uma ideia. Se a polícia e os militares agirem com violência contra os manifestantes, o retrocesso político-institucional pode ser inevitável.

Venezuela já está cercada de bases dos EUA, que podem atacar em várias frentes

Venezuela x Guiana: entenda o desenrolar da crise entre os dois países | GZH

Delirante, Maduro já mandou mudar o mapa do país

Roberto Nascimento

Nicolas Maduro governa a Venezuela ditatorialmente, apoiado pelas Forças Armadas. Em governos autoritários, o Legislativo e o Judiciário se tornam reféns do Executivo, que se sobrepõe soberano, pela força. Portanto, o Supremo da Venezuela é inteiramente composto por juízes nomeados por Hugo Chávez e pelo Maduro.

Aqui no Brasil, se Bolsonaro tivesse conseguisse êxito no golpe de estado, haveria intervenção no Supremo. É simples assim, no método das ditaduraS – o poder sempre acima de tudo.

COMEÇO DO FIM – A ameaça de Maduro invadir a Guiana, se concretizada, vai representar o começo de seu fim. Segundo o analista Tales Faria, do portal UOL, os militares brasileiros veem o risco de os Estados Unidos aproveitarem o conflito para instalar uma base militar na Guiana. Desde que se instalou na Venezuela a República Bolivariana, com Hugo Chávez e Nicolás Maduro, a política americana é cercar o país de bases militares.

A informação do Ministério da Defesa do Brasil é de que os Estados Unidos já têm diversas bases em torno da Venezuela, a maioria na Colômbia, prontas ou em instalação, e outras na Guiana Francesa, no Suriname e na América Central.

Se a Guiana for invadida como pretendido, os EUA enviarão tropas para defender o país e deverão instalar mais uma base militar na ex-colônia da Inglaterra.

IRAQUE E LÍBIA – Sabemos o resultado da intervenção americana, pelos exemplos recentes do Iraque e da Líbia. Saddam Hussein morreu enforcado e Muamar Kaddafi foi executado com requintes de crueldade perto da fronteira com o Sudão, na fracassada fuga, quando seu bunker na capital Tripoli foi destruído pelos ataques de bombardeios e drones dos EUA.

Na Síria, só não aconteceu a queda de Bashar Assad devido à interferência da Rússia. Se Maduro invadir a Guiana, os EUA destruir as forças armadas venezuelanas. No desespero, Maduro está viajando para a Rússia, mas não adianta apelar para Vladimir Putin, que já têm problemas em demasia, por conta da invasão e resistência da Ucrânia.

Portanto, se Maduro demonstrar um pouco de inteligência, ficará na retórica eleitoral e desistirá de anexar parte do território da Guiana.

Disputa entre os três Poderes torna-se uma tendência da política mundo afora

Análise de Charges: Charge sobre a relação entre poderes no Brasil

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Não se trata de um fenômeno brasileiro. Há uma tendência mundial para disputa entre os três Poderes, com o Legislativo colocando nas cordas o Executivo e o Judiciário. É interesse notar que o fenômeno independe de ideologia, pois ocorre nos governos de direita e de esquerda.

Nos Estados Unidos, o Partido Republicano obteve maioria na Câmara e vem impondo derrotas em série ao governo Biden, do Partido Democrata. Em Israel, o primeiro Ministro Benjamim Netanyahu, com o apoio do Legislativo, tramita uma PEC para submeter as decisões do Judiciário ao crivo de deputados e senadores.

QUADRO CONFUSO – O fato concreto é que a confusão nas democracias mundo afora vem se tornando preocupante. No Brasil, que copia tudo de ruim no exterior, o Senado acaba de aprovar a PEC impondo um garrote ao STF, dificultando as decisões monocráticas, em assunto de interesse de suas excelências.

O maior perigo são as demais mudanças que os parlamentares pretendem aprovar. Querem impor limite de idade para ingressar no Supremo. Hoje é de 35 anos, pretendem mudar para 50 anos. E mais, está quase certa a aprovação de mandatos para os ministros. Ainda não bateram o martelo se serão 10, 15 ou 20 anos.

Esse ataque sem precedentes ao Supremo vem sendo lançado pela direita radical, incomodada com a não reeleição de Bolsonaro, que é atribuída ao empenho do STF contra a tentativa de golpe de Estado, em defesa do governo democrático e do respeito às urnas.

REFÉNS DO LEGISLATIVO – Insta salientar, em complemento, que os presidentes Lula e Joe Biden se tornaram reféns do Legislativo. Não adianta conversar, conversar, como Lula sempre faz. Eles vêm com a pauta pronta, se não levam também não votam, no toma lá, dá cá.

Nesse contexto, o voto do petista Jaques Wagner, líder do governo Lula, no Senado, favorável à PEC contra o Supremo, foi uma vergonha. Tudo combinado com Lula. Não adianta agir nos bastidores, a gente acaba sabendo.

O cenário golpista agora será tentado na Argentina. Os sinais são claríssimos e cito a declaração da deputada Victoria Villarruel, eleita vice-presidente na chapa de Milei: ”Só uma tirania será capaz de salvar a Argentina”. Será?

Israel fica isolado, porque até os EUA acham que já morreram palestinos demais

Blinken diz que 'já morreram palestinos demais' e é preciso fazer mais para proteger os civis em Gaza

Blinken, secretário de Estado dos EUA, já está horrorizado

Roberto Nascimento

Segunda-feira passada, dia 13, o Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, fez um desabafo: ”Já morreram palestinos demais!”. Pela importância do cargo de Secretário de Estado, que nos EUA funciona como um superchanceler, com poderes especiais, especialmente em tempo de guerra, a afirmação soa como uma ordem.

Por coincidência ou não, durante a semana as Forças de Defesa de Israel reduziram sensivelmente os ataques, que estão destruindo a imagem de Israel perante o mundo e propiciando um novo crescimento do antissionismo ou antissemitismo.

UM BASTA – Até os Estados Unidos já se convenceram de que os crimes de guerra já foram longe demais. A Faixa de Gaza está sendo destruída por bombas devastadoras, que derrubam prédios em questão de segundos.

É ponto pacífico de que o governo de Israel, com suas ações bélicas, excedeu-se em sua reação contra o Hamas e está praticando sucessivos crimes contra a humanidade. Trata-se de uma limpeza étnica, um massacre sem precedentes.

O objetivo de caçar e matar os radicais do Hamas passou a segundo plano. Os terroristas não estão sendo encontrados, mas, os mortos na população indefesa – crianças, mulheres, idosos e doentes – já passam de 12 mil, sem contar outros cerca de 3 mil desaparecidos, enterrados nos escombros dos prédios.

SEM ATENDIMENTO – Os hospitais das maiores cidades da Faixa de Gaza estão sendo destruídos ou já ficaram absolutamente sem função, por falta de remédios, insumos, combustível, água, enfim, falta tudo. Os doentes morrem sem condições de serem atendidos.

O mundo assiste a tudo, incrédulo. Nada detém o primeiro ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, nem apelos, nem pressões. Quer expulsar todos os palestinos da Faixa de Gaza, aqueles, que sobreviverem aos ataques indiscriminados, que iriam para o Egito, na Península do Sinai. Mas o governante egípcio, general Abdel Fattah el-Sisi, é contra. O que fazer?

Até os EUA, aliado de Israel, reconhecem que já foram mortos palestinos demais…

Democracy Now! on X: "We speak with leading Holocaust scholar @bartov_omer about the potential for genocide in Israel's assault on Gaza. Bartov argues that the ongoing violent confrontations are a result of

Bartov, professor israelense, pede o fim do genocídio em Gaza

Roberto Nascimento

Os Estados Unidos enfim se convenceram de que os crimes de guerra de Israel já foram longe demais. A Faixa de Gaza, está sendo destruída pelas bombas devastadoras, que derrubam prédios, em segundos. Disse nesta terça-feira o Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken: ”Já morreram palestinos demais”.

Não há mais dúvida de que o governo de Israel, com suas ações bélicas, não está apenas reagindo às agressões terroristas do Hamas. Já ultrapassou os limites e está praticando crimes contra a humanidade. E trata-se de uma limpeza étnica, um massacre sem precedentes desde as atrocidades de Pol Pot no Camboja e dos massacres étnicos no Congo.

SEGUNDO PLANO – O objetivo de caçar e matar os terroristas do Hamas, passou a segundo plano. Estes, não estão sendo encontrados, mas, a população indefesa, crianças, mulheres, idosos e doentes, já passam de 12 mil mortos, sem contar os palestinos enterrados nos escombros dos prédios.

Os hospitais da Faixa da, Gaza, ou estão sendo destruídos ou estão completamente sem função, por falta de remédios, insumos, combustível, água, enfim, falta tudo. Os doentes morrem sem condições de serem atendidos.

O mundo assiste a tudo, incrédulo. Nada detém o primeiro- ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nem apelos, nem pressões. Quer expulsar da Faixa de Gaza todos os palestinos que sobreviverem aos ataques indiscriminados, mas o Egito não aceita recebê-los na Península do Sinai. O general-presidente Sisi é contra. E nas últimas décadas os colonos judeus têm ocupado a Cisjordânia até com violência, insuflados pelo governo de Israel.

O que fazer?

AINDA HÁ TEMPO? – O professor Omer Bartov, de estudos sobre genocídio e Holocausto, na Universidade Brown, que escreve no The New York Times e no Estadão, declarou neste domingo: ”Ainda há tempo de impedir Israel de converter suas ações em genocídio, porém, não se pode esperar mais”.

O professor Bartov, alerta para as lições da história. Ele e vários colegas da Universidade, angustiados meses atrás com a escalada do governo Netaniyau, visando perpetuar a ocupação israelense na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, assinaram uma petição alertando para a tentativa de golpe no Judiciário liderado pelo primeiro-ministro, para evitar que as decisões da Suprema Corte Israelense impedissem qualquer ilegalidade do governo, inclusive sobre a corrupção em larga escala.

A petição não adiantou nada,  porque o ataque dos terroristas do Hamas em 7 de outubro deram a Netanyahu o motivo que ele esperava para ocupar os territórios palestinos.

NADA DE NOVO – Esses crimes que ocorrem na Faixa de Gaza, contra cidadãos indefesos, demonstram que as lições da História não foram apreendidas. Líderes messiânicos, como Mussolini e Hitler, levaram seus países rumo ao abismo, o que gerou o genocídio da Segunda Guerra. Os líderes atuais, repetem o mesmo drama.

Aqui no Brasil, estivemos às portas,de uma nova ditadura, da qual escapamos. No entanto, os brasileiros, precisam ficar alertas, porque existe o perigo de um retrocesso, que está nítido na tentativa de o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco, insuflados pelos senadores bolsonaristas, golpear o Judiciário, submetendo as decisões judiciais do Supremo, ao crivo do plenário do Senado. É uma cópia amarelada do projeto de Benjamin Netanyahu.

Se passar essa excrescência no Senado, passaremos a viver em um vale-tudo. Não está bom em lugar algum do planeta. Trump está liderando as pesquisas para a eleição em 2024 nos EUA. Salve-se quem puder.

Milícias e traficantes substituem o poder público que abandonou as comunidades

Bolsa de Valores de Favelas supera expectativas de investidores

Desigualdade social é a grande tragédia do povo brasileiro

Roberto Nascimento

Recentemente, a manchete da Folha de São Paulo registrava que as milícias no Rio de Janeiro expulsam moradores das comunidades, roubam casas e lavam dinheiro na construção e venda de imóveis, inclusive edifícios de oito andares. A gravidade da situação ficou evidenciada logo a seguir, quando alguns policiais foram flagrados em escolta a milicianos e outros acompanhando entrega de caminhão com 16 toneladas de drogas para traficantes.

Os moradores sentem a falta do poder público, tanto do Estado como da Prefeitura, ausentes e inertes. Tráfico e milícia disputam territórios e exercem o poder político e militar nas comunidades.

PROBLEMA INSOLÚVEL? – Quem se insurge, não vive para contar a história. Chegou a um ponto,que não tem mais jeito. Inclusive as áreas sobre controle desses grupos só aumentam. Daqui a alguns anos, vamos perder quase toda a cobertura vegetal da cidade do Rio de Janeiro. Algumas ilhas de verde permanecerão, como um oásis no deserto.

O mais revoltante, verdadeiramente Inconcebível, é a repetição da fake news de que Leonel Brizola apoiava o banditismo. É uma das mais abjetas e falsas narrativas do conservadorismo.

Brizola tem essa fama porque condicionou a entrada de policiais nas favelas, exigindo autorização do comandante da PM, na época o coronel Nazareth Cerqueira, para evitar o que está vindo à tona hoje.

FAVELIZAÇÃO – Outra coisa: antes de Brizola exercer o cargo de governador em 1982, já havia favelas em todos os bairros cariocas, o que é natural, porque os cidadãos carentes têm o direito de morar próximo ao local de trabalho.

Além de Brizola, que possibilitou a titularidade dos terrenos ocupados nos morros e encostas da cidade, o ex-prefeito Luiz Paulo Conde, pensou e executou sua maior obra: Favela Bairro. Infelizmente, outros prefeitos, que vieram depois, abandonaram esse projeto de inclusão, assim como nenhum governador depois de Brizola construiu um CIEP a mais. Ficaram nos 500 edificados no governo Brizola.

Não se trata de esquerda nem direita, e sim de governantes ruins, incompetentes e mal preparados. Não se trata de narrativa da esquerda. É realidade na veia. No entanto, a polarização política teima em jogar no colo da esquerda a culpa de todas as mazelas do país.

Ser libertário é lutar pelo Estado mínimo e significa um retrocesso inaceitável

Milei sobre 2º turno das eleições na Argentina: "Serei uma tábula rasa";  veja o vídeo – Money Times

Argentina precisa se livrar de Mieli o mais rápido possível

Roberto Nascimento

Diminuir o tamanho do Estado é uma falácia e não deu certo em lugar nenhum do mundo. Pelo contrário, não há nação forte com Estado fraco. Vejam o exemplo dos famosos “tigres asiáticos”. Todos se desenvolveram com Estados forte que apoiaram decisivamente os conglomerados empresariais

Esse exemplo vale para China e até para o Vietnam, que acaba de passar o Brasil como 15º maior exportador do mundo.

RICOS E POBRES – Lembremos que o Estado é também o algodão entre os cristais, amenizando o confronto entre ricos e pobres. Sem o Estado, o que fica é a Lei da Selva, com o direito de os poderosos explorarem as classes menos favorecidas na escala social, sem dó nem piedade.

O Brasil é o país que tem a maior desigualdade social, basta conferir a folha de pagamento dos servidores dos três Poderes e das estatais. A diferença entre os maiores e os menores salários é abissal e vai aumentando progressivamente, porque os governantes fixam reajustes com percentuais iguais para todas as categorias.

Com isso, a diferença entre as faixas salariais vai se ampliando ainda mais. Por isso, se tornou um assunto-tabu, que jamais é discutido.

ESTADO FORTE – Mesmo havendo distorções, o Estado é importante. Alguém acredita que as elites iriam patrocinar a Saúde Pública? E quanto à Educação Básica e Média, seriam financiadas por quem?

Quando um político se diz libertário, como Javier Milei na Argentina, isso tem um significado claro e insofismável – representa a volta de uma escravidão disfarçada.

É impressionante a semelhança entre os populistas da extrema direita, que inundam o mundo, na esteira do norte-americano Donald Trump, o guru de todos eles.

TESES FURADAS – Sempre a mesma tática da guerra fria, do perigo comunista, do Estado mínimo, mais privatizações, menos impostos e criminalização da Política.

 Essas teses furadas e mentirosas só tem um objetivo – a tomada do Poder. Primeiro, através de eleições livres e diretas. Depois, quando se apoderam do aparato militar do Estado, tramam para continuar indefinidamente, pela via do golpismo armado ou fraudando as eleições, como tentou Donald Trump nos EUA.

Estamos experimentando o maior retrocesso político dos últimos tempos. Uma marcha batida para o caos total. O processo de extermínio das populações carentes está tão evidente, que nem conseguimos observar seus efeitos no dia-a-dia.

Poder público não tem chance de vencer o combate contra milicianos e traficantes

4 coisas para diminuir a criminalidade ao invés de reduzir a maioridade  penal

Crime e castigo se repetem, sem haver expectativa de solução

Roberto Nascimento

As favelas, que o politicamente correto exige sejam chamadas de comunidades, não têm nenhuma relação de causa e efeito com o aumento do poderio do narcotráfico e das milícias. Um belo exemplo foi a apreensão pelos agentes da Polícia Federal, semana passada, de 47 fuzis numa mansão da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

É no luxo dos bairros nobres que devem ser procurados e presos os maiores chefões do tráfico de drogas e do comércio de armas.

TUDO DOMINADO – Antes, o grande problema eram os narcotraficantes. Agora, as milícias já passaram ao primeiro plano e são muito mais maléficas. Na verdade, tomaram conta de muitas comunidades no Rio de Janeiro.

E os políticos são os maiores responsáveis. Lembro de um prefeito que confessou sua simpatia aos milicianos, sob o argumento de que não se metiam com drogas.

E hoje as milícias se tornaram um poder paralelo, sem controle algum e que têm representantes eleitos para o Congresso, Assembleia Legislativa e Câmaras de Vereadores.

SOB CONTROLE – Sem repressão pelas autoridades, as milícias controlam bairros inteiros, onde assumiram a venda de produtos essenciais, como água, gás, energia, gatonet, construção de prédios, compra e venda de imóveis etc. Controlam praticamente tudo nas favelas, cobrando taxas de segurança a moradores e comerciantes.

Há alguns anos as milícias vêm se expandindo, invadindo as áreas de proteção ambiental que ainda resistem na cidade, sem que o prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro movam uma palha para impedir o avanço contra as florestas.

Esses políticos, que são dois zeros à esquerda, ainda pretendem nos incomodar por muito tempo. Cláudio Castro quer ser senador em 2026 e Eduardo Paes tem quase certeza de que será reeleito prefeito em 2024 para chegar a ser governador em 2026.

VOTA-SE MAL – Castro e Paes deveriam ser banidos da política, mas os eleitores têm votado tão mal ultimamente, numa vocação para o desastre, que é bem capaz de ambos serem eleitos, para acabar de vez com o Rio de Janeiro.

Governador e prefeito fazem vista grossa para as milícias e o narcotráfico, que marcam cada vez maior presença na política estadual, financiando as campanhas políticas de candidatos comprometidos com a causa do crime. Portanto, o Executivo e o Legislativo estão contra os interesses da população, e o Judiciário não tem como mudar esse quadro.

Sinceramente, não há como resolver o problema da criminalidade no Brasil de hoje. É triste chegar a essa conclusão, mas não há vontade política. E a situação não é nada diferente na maioria das capitais dos outros estados.

É uma guerra suja, que não interessa a ninguém, mas ameaça o mundo inteiro

Bombardeio de Israel atinge hospital em Gaza e deixa ao menos 500 mortos | VEJA

Israel continua a bombardear a população civil em Gaza

Roberto Nascimento

Lamentável e deplorável, sob todos os aspectos, o veto do governo norte-americano à Resolução do Conselho de Segurança da ONU, presidido pelo Brasil, que recomendou um cessar fogo envolvendo Israel e o grupo terrorista Hamas, para possibilitar a ajuda humanitária aos moradores palestinos na Faixa de Gaza e impedir que sejam chacinados no revide israelense.

Falta água potável, alimentos e energia para acionar as bombas de sucção nos poços com água salobra, imprestável para consumo humano. Assim, os civis estão morrendo de inanição e sede, quando escapam do bombardeio que explodem e prédios residenciais e casas.

É UM MASSSACRE– Portanto, está ocorrendo um massacre. Não há dúvidas de que o ataque criminoso do Hamas contra os civis israelenses em 7 de outubro, foi o causador da desgraça atual, vivida pelos palestinos.

Mas essa mortandade poderia ter sido evitada, caso Joe Biden não tivesse mandado vetar a decisão do Conselho de Segurança.

Nesse conflito na Faixa de Gaza, o presidente norte-americano, que tanto crítica Putin pelas bombas lançadas contra a Ucrânia, decidiu eleitoralmente lavar as mãos e depois as sujou de sangue, ao impedir uma trégua com a Resolução da ONU, julgando que com isso poderia subir nas pesquisas visando à vitória nas eleições presidenciais do ano que vem.

BIDEN E TRUMP – Biden tenta desesperadamente sair na frente de Trump nas pesquisas. Os dois políticos sofrem críticas generalizadas da sociedade americana. Trump é golpista declarado, mentiroso, que representa uma ameaça à democracia mundial. Biden tem dificuldades para se reeleger.

O atual presidente parece um zumbi ao discursar e tem trocado nomes e situações, vive a tropeçar, dando sinais claros do peso da idade. Nenhum dos dois tem condições de dirigir a maior democracia do planeta.

Enquanto isso, a limpeza étnica continua a todo vapor, com a morte de milhares de palestinos na Faixa de Gaza, e o governo israelense não parece disposto a parar os bombardekosá-los, a pretexto de tentar atingir os terroristas do Hamas.

RASTILHOS DE PÓLVORA – Felizmente, os demais atores fronteiriços de Israel – Síria, Egito, Jordânia e Líbano – não querem entrar no conflito, pois condenam a ação terrorista do Hamas. Por outro lado, a grave crise econômica, que atinge a região, impediria a progressão da escalada militar, caso os Estados Unidos não socorressem Israel.

Esse caldo de dor e sofrimento mundial tem os componentes trágicos para disparar rastilhos de pólvora que envolvam uma nova guerra mundial, que seria uma a hecatombe, pode explodir a vida na Terra.

Quem resistirá aos efeitos das bombas nucleares? Parece que ninguém ficará livre da contaminação e das explosões.

Netanyahu condena os civis palestinos a morrer de fome e sede na Faixa de Gaza                                                                                       

Presidente Lula publica 'apelo' em defesa das crianças palestinas e  israelenses - Brasil Popular

Maiores vítimas da guerra são a verdade e as crianças

Roberto Nascimento

Cortar água, comida e eletricidade para as populações de palestinos, que vivem na Faixa de Gasa e que também são vítimas dos terroristas do Hamas, é uma tragédia de grandes proporções. Evidentemente, em poucos dias, crianças e idosos vão morrer de fome e de sede.

Na Faixa de Gaza, há uma incidência de doenças renais graves, por causa da poluição das águas que é fornecida para o povo palestino. No entanto, águas poluídas, nesse sentido, são um mal muito menor do que a falta de água.

CONFRONTO ETERNO – Extremistas dos dois lados lucram com as hostilidades. Israel tem que focar nos terroristas do Hamas, e a população palestina não pode sofrer pela ação de grupos que optaram pela via do terror. Igualmente, o povo israelense não pode pagar a conta pela intransigência de setores conservadores, que não aceitam os apelos pela paz e apostam no confronto eterno.

Sobre as narrativas dos dois lados, é preciso enfatizar, como dizia o dramaturgo grego Ésquilo, que numa guerra a verdade é sempre a primeira vítima.

Os líderes nunca falam a verdade, é uma mentira atrás da outra. Quando são desmentidos pelos fatos, o efeito da mentira já passou. Por esse motivo, não devemos jamais acreditar nas declarações dos governantes em guerra.

DINHEIRO E PODER – O grupo extremista do Hamas, que não representa o povo palestino, somente existe devido à possibilidade de guerra. Se houver paz, será imediatamente extinto. Por seu turno, os extremistas religiosos de Israel também não querem ouvir falar de acordo de paz.

Quais as razões? Ora, as de sempre – Dinheiro e Poder. Os religiosos de Israel e grupos conservadores perderiam faturamento e cargos na máquina pública do governo israelense, assim como o grupo extremista do Hamas perderia os recursos para compra de armas e prática de atos terroristas, caso o Estado palestino convivesse pacificamente com o Estado Israelense.

Tenho esse entendimento desde o século passado, quando o presidente egípcio Anwar Sadat, que assinou o Acordo de Paz de Camp David, foi morto por jihadistas em 1981, durante uma parada militar no Cairo.

RABIN ASSASSINADO – Depois, em 1995, um extremista matou o primeiro-ministro israelense Ythzhak Rabin por ser opor aos acordos de paz de Oslo, assinados com o líder palestino Yasser Arafat.

Em suma, houve importantes tentativas de paz, mas foram em vão. Quem cultua o ódio e menospreza a vida, está provado, quer a guerra e o genocídio de seus povos, para lucrar com o sofrimento da população. Ninguém pode ter o direito de matar em nome de entidades religiosas, mas isso continua a ser comum.

Assim, quase 30 anos depois, nada mudou e o Oriente Médio continua numa guerra religiosa que nada tem de santa.

É hora de um diálogo de alto nível entre os dirigentes do Supremo e do Congresso

A Postagem | STF avalia que Pacheco faz jogo de cena e erra alvo ao atacar  a corte

Lira, Barroso e Pacheco precisam se reunir e negociar

Roberto Nascimento

Quando um grupo significativo dos parlamentares, representantes daqueles cidadãos do escopo que apoiou o golpe e apostou em novo mandato de Jair Bolsonaro, tenta desacreditar a Suprema Corte, certamente seus membros não percebem que estão apostando no enfraquecimento da democracia e abrindo caminho para nova aventura autoritária.

Aparentemente, a eles não importa que o comando da nação possa ser assumido por um Mussolini tupiniquim ou um general de quatro estrelas, à moda do ditador Francisco Franco, fascista espanhol. Os riscos não os preocupam.

AS PRIMEIRAS VÍTIMAS – O grupo da vez, que vem batendo no Judiciário sem parar, é formado por aqueles que serão, prioritariamente, as vítimas de um ditador. Sim, serão suas excelências — os deputados e senadores — os primeiros a perder as funções, os salários, as mordomias e os planos de saúde.

O que se vê é que o Legislativo iniciou um processo de descrédito do Supremo. Seu objetivo é assumir poderes que anulem sentenças e acórdãos. Os atuais senadores, liderados pelos jovens Davi Alcolumbre (União-AP) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com ajuda de Sérgio Moro (União-PR) e dos demais eleitos na onda bolsonarista, desconhecem por completo o que aconteceu no regime militar, após o golpe de 31 de março.

Esquecem que, em nove de abril de 1964, numa simples canetada dos comandantes militares, surgiu o Ato Institucional nº 1, que cancelou as eleições diretas de 1965 e convocou eleições indiretas para a presidência da República.

JUSCELINO CASSADO – Depois, começaram as cassações parlamentares. Em 6 de junho, a ditadura cassou vários políticos, inclusive Juscelino Kubitschek, que era senador e até apoiara a eleição do marechal Castelo Branco. Outro postulante à Presidência da República, Carlos Lacerda, que era deputado, escapou dessa degola, mas acabou preso e cassado quatro anos depois, em dezembro de 1968, na edição do famigerado AI-5.

Agora, quando temos o pior Congresso de todos os tempos, surge esse movimento para enfraquecer o Poder Judiciário, que é uma nova onda dos extremistas de direita e de esquerda, espalhados pelo mundo.

Os ditadores da Venezuela e da Nicarágua comandam o Judiciário com juízes amestrados. Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netaniahu, respondendo a processos de corrupção, tenta controlar o Judiciário através do Legislativo. Na Turquia, o presidente Recep Erdogan usa a mesma estratégia.

MODELO BRASILEIRO – Aqui nos trópicos, Rodrigo Pacheco e Arthur Lira buscam submeter o Supremo ao Legislativo, ao mesmo tempo em que trabalham a adoção do semipresidencialismo — nova designação do parlamentarismo moderno.

Esses objetivos, porém, não podem significar um reles ataque à democracia, ainda mais por envolver interesses escusos, como liberar a corrupção e impedir que o Judiciário aplique multas aos partidos políticos que descumpram a Lei Eleitoral, como já virou praxe por aqui.

Decididamente, o Brasil vive um momento de trevas medievais. O Legislativo precisa entender que não deve colocar em risco a unidade nacional, através da quebra da ordem democrática. É hora de entendimento. O novo presidente do Supremo, ministro Luís Roberto Barroso, busca um diálogo com o Legislativo. Agora, só falta que Pacheco e Lira estendam a mão a ele. Se cada um ceder um pouco, poderemos chegar a um consenso histórico.                

Nessa polarização, o mais incrível é que ainda há quem acredite que não haveria golpe

Yahoo Noticias - http://yhoo.it/1ztEHu4 - Reeleição de Dilma motiva  internautas a pedirem volta dos militares. Concorda? | Facebook

Charge do Alpino (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

É preciso repetir sempre que o perigo de um golpe de estado, em pleno Século XXI, realmente rondou o país, e a polarização permanece, cada vez mais radicalizada. Nesse clima, o mais incrível é que ainda exista quem não acredite que haveria golpe. Muitos extremistas de direita alegam que se trata de “um golpe que não houve” e, por isso, não deve haver punidos.

Esquecem que o então candidato Jair Bolsonaro foi eleito com apoio ostensivo do então comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e sempre demonstrou pretensões golpistas.

GOVERNO PARAMILITAR – Ao assumir o poder, Bolsonaro empregou mais de 6 mil militares em cargos civis, algo inimaginável e que jamais aconteceu durante os 21 anos de regime militar. Ainda não satisfeito com a eleição, cooptou um grupo de oficiais-generais para permanecer no poder indefinidamente. Tudo isso é sabido e inquestionável.

O golpe somente deu errado, porque desde o início do governo surgiu entre os próprios militares uma desconfiança sobre o caráter de Bolsonaro, que foi deixando grandes amigos pelo caminho, e sempre os humilhando, como o general Santos Cruz e o advogado Gustavo Bebiano, que ousaram contrariar as decisões do presidente e seu clã.

Nesse percurso, Bolsonaro cometeu muitos erros e jamais admitiu que fosse contrariado. Detonou todos os ministros e assessores que ousaram alertá-lo sobre decisões que poderiam prejudicar o país e o próprio presidente.

LISTA GRANDE – Essa resistência a críticas foi reduzindo a credibilidade de Bolsonaro junto aos militares, especialmente depois que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, pediu demissão e Bolsonaro afastou o então ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, desagradando os comandantes do Exército, general Edson Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa, e da Aeronáutica, Moretti Bermudes, que colocaram os cargos à disposição.

Bolsonaro nomeou comandantes mais ligados a seu grupo. Mesmo assim, continuou a haver desentendimentos com a cúpula dos militares, que foram minando a confiança dos oficiais superiores.

Por isso, na reta de chegada, o presidente tentou, mas não conseguiu apoio para a minuta do golpe, na última reunião com o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, e os comandantes militares.

POSTURA COVARDE – Bolsonaro jamais teve a postura de um líder militar. Pelo contrário, teve uma atitude covarde de golpista, ao viajar para os EUA e deixar seus apoiadores depredarem o Planalto, o Congresso e o Supremo, para criar o caos e abrir caminho para uma decisão de convocar as Forças Armadas para GLO (Garantia da Lei e da Ordem), o que ele pensava redundar na intervenção militar com Bolsonaro no Poder.

Mas foi um sonho shakespeariano de uma noite de verão, porque uma intervenção armada pressupõe um general no comando, jamais um capitão, especialmente se ele foi considerado um mau militar por generais respeitados como Ernesto Geisel e Leônidas Pires Gonçalves.

O tenente-coronel Mauro Cid percebeu que também seria abandonado em plena arena, quando Bolsonaro inadvertidamente declarou: ”Cid tinha autonomia plena, às vezes agia sem o meu comando”. Foi a senha para o ex-ajudante de ordens cuidar da própria vida e de sua família. Agora Bolsonaro, na mira da Justiça, está cada vez mais desprestigiado pelos militares da ativa. E são eles que contam.

É preciso acabar com a reeleição e separar a eleição de presidente e de parlamentares

O potencial dissipador da reeleição - Blog do Ari Cunha

Charge do Déo Correia (bocadura.com)

Roberto Nascimento

Concordo com o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no que concerne à necessidade de pôr fim à reeleição para cargos executivos (presidente, governadores e prefeitos). Foi uma péssima ideia de Fernando Henrique Cardoso, o cacique do PSDB, levada adiante pelo seu xerife, Sérgio Mota, o ministro tucano das Comunicações, que funcionava como trem-pagador e soube comprar preciosos votos de parlamentares, para aprovar a emenda constitucional.

Em relação à simultaneidade das eleições, discordo visceralmente. Eleição geral de quatro em quatro anos, além de gerar confusão na cabeça do eleitor, impede o aperfeiçoamento da democracia.

LEMBRANDO HELIO – Neste aspecto, estou ombro a ombro com o saudoso jornalista Helio Fernandes, adepto de eleições anuais. Segundo ele, quanto mais eleição, maior a oportunidade de o cidadão saber distinguir quem o representa e quem é oportunista, só pensa no seu clã familiar e nos amigos do peito. Assim, é preferível ter mandato de cinco anos para presidente e de quatro anos para parlamentares.

Rodrigo Pacheco, no exercício da presidência do Senado e do Congresso, tem hora que vai bem, mas logo depois pode dar uma bela derrapada.

Mesmo assim, o senado mineiro é incomparavelmente melhor do que o “primeiro-ministro” Arthur Lira ((PP-AL), que se comporta como rei da Câmara dos Deputados e xerife do Centrão.

HELENO CANTOU… – Quanto ao Centrão propriamente dito, trata-se daquele grupo político fisiológico que o general Augusto Heleno, em plena campanha ao lado de Bolsonaro, definiu com precisão, ao cantar desafinadamente: “Se gritar pega ladrão, não fica um Centrão…”.

Depois, teve de dar uma recueta, porque Jair Bolsonaro ganhou a eleição em 2018. Heleno foi logo nomeado ministro do Gabinete de Segurança Institucional e passou a andar de braços dados com quem? Ora, com Lira e o Centrão, que depois emplacou Ciro Nogueira como chefe da Casa Civil.

São as voltas que o mundo dá. Mas tem gente que ainda acredita no terraplanismo.

Cúpula golpista sonhou que iria tomar o poder sem disparar um só tiro de fuzil

No Dia do Exército, General Tomás Paiva pede que seus comandados respeitem  as instituições e a constituição – Bernadete Alves

Lula sabe que os comandantes militares estão de olho nele

Roberto Nascimento

Achar que um golpe de estado só pode ser executado através de canhões, aviões e submarinos, como no passado, é desconhecer os novos tempos obscuros diferentes de outrora. Hoje, o processo é mais sofisticado. Os novos tempos são diferenciados.

Pode-se dar um golpe de estado sem disparar um só tiro. Basta ter apoio firme das Forças Armadas, na ponta final da conspiração.

NA SEQUÊNCIA – Primeiro, os populistas extremados inundam as redes sociais com ardilosas fake news, disseminando mentiras que parecem verdade. Dizem que é a pós-verdade, que significa o mau uso do marketing, sob as mais modernas técnicas de doutrinação política

Passam em seguida, a desmoralizar o Poder Judiciário, enfraquecendo os membros das cortes superiores, enquanto fazem a cooptação de magistrados de primeira instância, membros do ministério público, polícias militares e parlamentares, para tomar o poder e estabelecer uma ditadura que faça a erradicação do regime democrático.

Nessa moderna trama conspiratória, conseguem aliados entre militares da reserva, principalmente coronéis e generais reformados, interessados cargos na máquina pública e em organismos internacionais.

NO MUNDO INTEIRO – Interessante notar que esse esquema não é um fenômeno brasileiro. Pelo contrário, está se disseminando pelo mundo com base nos sentimentos antimigratórios que despertam tendências nacionalistas pinceladas de racismo.

O processo já tem raízes sólidas nos Estados Unidos e na Europa, além de se espalhar pelos demais continentes atingindo países como Turquia e Israel.

Nos EUA, Donald Trump tentou captar esse sentimento na camada mais conservadora da América e usou a horda de vândalos para tomar de assalto o Congresso americano. Mas não obteve apoio para anular as eleições e agora tenta voltar ao poder pela força das urnas, embora esteja respondendo a vários processos criminais.

Bolsonaro tentou copiar aqui a manobra de Trump, aproveitando o forte esquema antipetista ainda existente, mas não deu certo. Assim como aconteceu com Trump, faltou apoio militar e das demais instituições democráticas.

BOLSONARO CHEGOU PERTO – A diferença é que Bolsonaro quase chegou lá. Conseguiu a adesão entusiasmada da Marinha e contava como forte apoio também da Aeronáutica, mas o golpe foi abortado pela posição firme do Alto Comando do Exército, que à época tinha à frente o general legalista Marco Antonio Gomes, um nome para ficar na História.

O golpe sem armas, que se daria com a simples decretação de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem), que significaria o cumprimento do Ato Inconstitucional descrito na minuta do golpe, com o cancelamento das eleições sob o argumento de fraude nas urnas eletrônicas, prisão de Alexandre de Morais e de todos os ministros do TSE, implantação do voto impresso e uma suposta nova data para eleição presidencial, de governadores, deputados e senadores.

Nisso tudo, não seria disparado um só tiro de fuzil. Tudo dentro da lei, das quatro linhas da Constituição.

SEM RESISTÊNCIA – Quem se mostrasse contrário a isso tudo, aí é outra história. A prisão ou até a morte poderiam ser os castigos pela ousadia. Lembremos que na ditadura iniciada em 1964, o Centro de Informações da Marinha (Cenimar) era o repressor mais temido pelos militantes da resistência.

O atual comandante do Exército, general Tomás Paiva, declarou que o Alto Comanda apenas cumpriu sua obrigação, ao agir no estrito cumprimento da lei e evitar que o então presidente Jair Bolsonaro desse o tão ansiado golpe. Que diferença entre os militares legalistas e os conspiradores como Braga Neto, Augusto Heleno, Eduardo Ramos, Almir Garnier e tantos outros que embarcaram na aventura golpista.

Um país é destruído, não pelos inimigos externos, mas pelos traidores internos, que, sem conhecimento da história das nações, tramam contra o povo. Mas acabam perdendo tudo, porque a democracia tem de prevalecer.