Se quiser, Luiz Fux pode empurrar o julgamento de Bolsonaro para 2026

Um juiz está sentado em uma mesa, usando uma toga preta e uma gravata. Ele tem cabelo grisalho e está olhando para a frente, com uma expressão séria. À sua frente, há um computador com o logotipo do STF. Ao fundo, outras pessoas podem ser vistas, mas não estão claramente focadas.

Fux poderá ficar sentado no processo durante 90 dias

Elio Gaspari
O Globo

É improvável que o julgamento de Bolsonaro termine em setembro e é possível que ele entre pelos primeiros meses de 2026. Admita-se que em setembro ele entre na reta final. São fortes os sinais de que o ministro Luiz Fux vá pedir vistas.

Pelo regimento do tribunal, um ministro tem 90 dias para devolver o processo. Por hipótese, passam-se assim os meses de outubro, novembro e dezembro.

Começa o recesso e o tribunal só retoma suas atividades em fevereiro. Basta uma pequena espichada para que se chegue a março de 2026.

Essa demora haverá de acavalar o julgamento do ex-presidente com a apreciação dos recursos relacionados à sua inelegibilidade, pelo Tribunal Superior Eleitoral, com uma nova composição. 2026 virá com fortes emoções.

HOMEM DA CADEIRA – Depois da Senhora do Batom, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal produziu o Homem da Cadeira. O mecânico Fábio de Oliveira foi condenado a 17 anos de prisão por ter sentado na cadeira do ministro Alexandre de Moraes durante os distúrbios de 8 de janeiro.

Além de sentar-se na cadeira, Oliveira gravou-se dizendo bobagens. Moraes enquadrou-o em cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.

Oliveira não invadiu o plenário do tribunal, ele sentou-se na cadeira do ministro depois que ela foi levada para fora do prédio.

HOSPÍCIO PARLAMENTAR – Parlamentares acorrentaram-se no Congresso na semana passada, obstruindo seu trabalho.

Felizmente, a muvuca serviu para que o repórter Octavio Guedes resgatasse a resposta dada por Ulysses Guimarães diante de um episódio semelhante:

“Eu sou o presidente da Constituinte, não de um hospício”.

Em Brasília, a futilidade desmoraliza a importância que a capital deve ter

Jornalistas&Cia celebrará 30 anos elegendo os 100 +Admirados Jornalistas Brasileiros - Portal dos JornalistasVicente Limongi Netto

Da lista medonha, torpe, cretina, patética e fúnebre, salvam-se apenas Ana Dubeux, do Correio Braziliense, e mais uns 10 verdadeiros jornalistas. E olhe lá. Três ou quatro colegas que já partiram valem por quase toda a lista de 100 mortos-vivos apresentados aqui em Brasília como os mais admirados jornalistas. A estes, realmente bons, rendo minhas homenagens.

Aliás, é hora dos bons e expressivos jornalistas (ainda temos alguns!) manterem trincheiras contra os famigerados sujeitos que mandam na imprensa do espoliado Brasil. Não é brilhar os olhos por fazer parte de listinhas infames. Há quem goste. Os colegas que não são servos (ainda contamos com alguns) devem é lutar contra as desigualdades. Usar seus espaços para combater a insegurança, a fome, os corruptos e o feminicídio avassalador.

IMITAÇÃO GROTESCA – Fazer parte de lista dos cem mais admirados é apenas uma patética imitação dos famosos colunistas que no século passado todo ano apresentavam lista das dez mais elegantes. Que quadra brasileira é esta, Deus do céu! Alegra o ego dos escolhidos, mas é falta abissal do que fazer.

Nada significa na verdadeira missão dos jornalistas, que devem escapar dessas bobajadas e se dedicarem a aumentar o pouco, muito pouco que fazem para colaborar realmente e tirar o Brasil do abismo. 

Soube-se que patrulheiros sem eira nem beira fizeram a lista com parvos e canalhas enchendo a cara em botecos, mas alegaram que houve votação digital. Quem foi esquecido deve agradecer a Deus e a Maria por não figurar de lista desprezível, infame e de repugnante significado. Neste domingo, lembrei muito de meu eterno pai, que me ensinou a ser decente, amigo leal e sincero. 

MULHER AMADA – Também neste domingo, em minha recente viuvez, lembrei a mulher amada e eterna que está em todos os lugares. Com suas mãos suaves, cobre meu peito de ternura, sabedoria e fervor. Caminha invisível com arranjos floridos no vestido branco.  Nos cabelos, tranças conversam com o sol. Molha o rosto nas águas do rio profundo que adormece amores.

Meu amor está nos varais do céu, alegrando o vento. Nas folhas das árvores altas que semeiam o milagre da vida. A amada deixa luz pelo caminho. Sorri esbelta e faceira, beijando anjos com aromas de orquídeas. Despede-se na euforia da noite, passeando entre nuvens emocionadas. Umedecidas com gotas de amor.  

O milagre das mãos do pai, nas poesias de Mário Quintana e Paulo Peres

Mário Quintana (poesia numa hora dessas?) - ACRJCarlos Newton

Para comemorar o Dia dos Pais, uma data que precisa ser alegre, embora em muitos casos possa ser triste, selecionamos hoje dois poemas relativos ao tema. Um deles, do gaúcho Mário Quintana, e o outro, do carioca Paulo Peres, que, quando trabalhamos com o jornalista, cronista e poeta Rubem Braga, com ele aprendeu que a poesia é necessária.

AS MÃOS DO MEU PAI
Mario Quintana

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos…

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas…
essa chama de vida — que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma…

###
DIA DOS PAIS
Paulo Peres

Festejai, pai material,
Este dia especial.
Receba o carinho celestial
– Família, luz e amor –
Através à bênção do Pai Maior,
O Nosso Deus-Pai Espiritual

É preciso haver cautela, a situação política e econômica é delicadíssima 

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

Os projetos da oposição serão colocados em pauta, apesar de o presidente da Câmara, Hugo Motta, garantir que não houve acordo com os deputados que ocuparam o Congresso. Apenas o impeachment do ministro Alexandre de Moraes não vai entrar em discussão, mas o fim do foro privilegiado pode ser aprovado, porque fugir do STF neste momento é interesse apartidário.

A anistia para o pessoal de 8 de janeiro, que não pega nem Bolsonaro, nem os militares, talvez não seja aprovada; mas se for, será contestada no STF e a crise vai continuar. Embora, se aprovar a anistia, é possível que tentem ampliá-la e será outra luta política.

CENTRÃO ADERE – O Congresso está rebelado, o centrão não está muito disposto a entrar nesta rebelião, mas se a votação for para o plenário, muitos vão aderir – assim como muitos que integram o governo vão ficar de fora.

O centrão só existe na democracia; numa ditadura, eles não têm voz e provavelmente muitos serão presos, na hipótese de um golpe de Estado.

No fundo, o que está acontecendo é uma tentativa de desmoralizar a Justiça brasileira, para dar margem a algum tipo de intervenção que permita zerar o jogo. Uma espécie de golpe continuado – várias maneiras de pensar a mesma coisa. Antes, era anular a eleição, agora é anular a cassação de Bolsonaro para que ele possa disputar a eleição em 2026.

FATO GRAVE – O apoio de Trump a estas rebeliões e contra o STF é um fato novo muito grave, porque pode quebrar algumas resistências no meio militar. Saber que os EUA não apoiariam o rompimento das regras constitucionais foi o que parou as tentativas de golpe em janeiro. Mas Trump, ao contrário, anuncia a cada dia que é o STF que está rompendo as linhas da democracia.

Caso um candidato de direita assuma o governo, é capaz de o apoio do presidente americano potencializar o anseio da extrema-direita de não respeitar as instituições. É preciso muita cautela, porque a situação é delicadíssima.

Lula quer resposta a tarifaço com o grupo que Trump odeia, o Brics

Lula pose para foto com líderes do BRICS | Agência Brasil

Lula pensa que os Brics querem apoiarão contra Trumo

William Waack
da CNN

No contexto da crise atual entre Brasil e Estados Unidos, o que tem faltado ao país não é apoio externo, mas sim a definição de uma estratégia interna clara e consistente. O Brasil está buscando apoio no grupo do Brics para responder ao recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

A iniciativa teve início com um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e deverá ser seguida por outro contato, desta vez com o presidente da China, Xi Jinping.

LÍDER DO GRUPO – A China, que exerce significativa influência sobre o grupo, é considerada por muitos como o verdadeiro líder do Brics — bloco que, embora tenha surgido como uma aliança entre países emergentes, foi expandido ao longo do tempo de forma a atender prioritariamente aos interesses comerciais, econômicos e políticos chineses.

Até o momento, no entanto, a China não liderou qualquer articulação de resposta conjunta do Brics a medidas protecionistas como os tarifaços impostos durante o governo de Donald Trump. Tampouco outros países do grupo — como a África do Sul e a Indonésia, também afetados por tais medidas — buscaram, até aqui, construir uma reação coordenada no âmbito do bloco.

A razão para essa inação é simples: o Brics está muito longe de constituir um bloco integrado, nos moldes da União Europeia, por exemplo.

SEM UNIDADE – As profundas disparidades de interesses, bem como as diferentes realidades políticas e econômicas enfrentadas por seus membros, tornam extremamente difícil — para não dizer impossível — a adoção de ações conjuntas que vão além de declarações genéricas ou de intenções.

No contexto da crise atual entre Brasil e Estados Unidos, o que tem faltado ao país não é apoio externo, mas sim a definição de uma estratégia interna clara e consistente. As poucas exceções obtidas até agora ao tarifaço norte-americano devem-se, em grande parte, à atuação de empresas dos próprios Estados Unidos, que também têm seus interesses comerciais afetados.

É importante destacar que as exigências políticas feitas pela Casa Branca como condição para suspender as tarifas não podem ser aceitas por nenhum governo que se pretenda soberano. Ainda que o diálogo entre os dois países — inclusive na esfera comercial — pareça, por ora, bloqueado, é pouco provável que uma solução passe pelo Brics. Na realidade, a tendência é justamente o oposto.

Estagflação já ameaça os EUA, e a culpa é da política louca de Trump

O tarifaço de Trump e os limites do poder dos Estados Unidos – blog da  kikacastro

Charge do William (Arquivo Google)

Deu no Estadão

O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel em 2008, disse nesta sexta-feira, 8, que há sinais cada vez mais claro de que os Estados Unidos caminham para uma estagflação – termo usado para designar períodos em que há uma combinação de estagnação econômica com inflação alta.

Em artigo publicado no Substack, o economista diz que o ponto de partida para qualquer discussão sobre esse cenário é o fato de que o presidente Donald Trump está adotando políticas extremas tanto no comércio quanto na imigração.

90 ANOS ATRÁS – “Ele reverteu completamente 90 anos de liberalização comercial gradual, nos trazendo de volta às taxas de tarifas Smoot-Hawley (e as importações como porcentagem do PIB são hoje três vezes o que eram em 1930, então essas tarifas importam muito mais)”, escreveu.

 As Tarifas Smoot-Hawley foram adotadas em 1930 nos EUA, em meio à Grande Depressão, e aumentavam drasticamente as taxas sobre as importações feitas pelos americanos.

Krugman mostra também que, em relação à imigração, o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE, a agência de imigração e controle de alfândega dos Estados Unidos) iniciou há não muito tempo as detenções e deportações em massa, mas o número de trabalhadores imigrantes nos Estados Unidos já está diminuindo, após anos de rápido crescimento.

AGUARDE A INFLAÇÃO – “Essas reversões repentinas de políticas claramente levarão a uma inflação maior no próximo ano ou depois”, escreve.

“Há quase um consenso completo entre os economistas de que as tarifas são inflacionárias. Até onde eu posso dizer, os únicos dissidentes são economistas que trabalham, diretamente ou de fato, para a administração Trump. Afinal, uma tarifa é basicamente um imposto seletivo sobre vendas imposto a bens produzidos no exterior. Existe algum cenário sob o qual as tarifas não aumentariam os preços ao consumidor?”, questiona.

Para Krugman, a única maneira de as tarifas falharem em ser inflacionárias seria se os exportadores estrangeiros cortassem seus preços, em uma tentativa de manter sua participação no mercado. “Pode haver algumas empresas estrangeiras fazendo isso, mas na maior parte isso simplesmente não está acontecendo”, diz.

CORTAR PREÇOS – “Para manter os preços ao consumidor, diante de um aumento de 15 pontos nas taxas de tarifas médias, que é mais ou menos o que Trump fez, as empresas estrangeiras teriam de cortar seus preços em dólares em mais de 13%.”

A guerra contra os imigrantes também é inflacionária, diz o economista, porque está cortando a produção em indústrias que dependem fortemente de trabalhadores nascidos no estrangeiro. “Começam a proliferar histórias de safras deixadas para apodrecer nos campos porque os agricultores não conseguem encontrar ninguém para colhê-las, projetos de construção prejudicados por batidas do ICE e um clima de medo, e mais.”

“Então, a inflação está acontecendo? Até agora, houve apenas indícios de inflação impulsionada por tarifas nos dados oficiais. O que parece ter acontecido até agora é que empresas dos EUA se apressaram em importar e estocar produtos estrangeiros antes que as tarifas de Trump entrassem totalmente em vigor, e ainda estão, em grande parte, vendendo esses estoques”, escreve Krugman.

SEM REAJUSTE – “Além disso, muitas empresas relutaram em aumentar os preços, afastando clientes, enquanto havia uma chance de Trump fazer acordos que reduzissem significativamente as tarifas novamente.”

Isso, no entanto, não está acontecendo, diz. “É verdade que muitas das tarifas de Trump são claramente ilegais, e os tribunais poderiam forçá-lo a revertê-las. Mas eu não criaria muitas expectativas. E se as tarifas vierem para ficar, podemos esperar que sejam repassadas aos compradores.”

“Veremos evidências claras do impacto inflacionário da Trumponomics no relatório de preços ao consumidor da próxima semana? Trump entrará em outra rodada de diatribes sobre estatísticas manipuladas daqui a alguns dias? Honestamente, eu não sei. Mas podemos ter muita confiança de que, graças às políticas de Trump, a inflação de inverno está chegando”, escreve.

ESTAGFLAÇÃO – “E quanto à estagnação? Contrariamente ao que muitas pessoas acreditam, tarifas não necessariamente levam a um alto desemprego. A América tinha uma alta tarifa média mesmo antes de Smoot-Hawley – 15,8% em 1929 -, mas a taxa de desemprego em 1929 estava abaixo de 3%”, diz.

Segundo ele, a razão pela qual muitos economistas acreditam que as tarifas de Trump aumentarão o desemprego não é tanto o nível delas, mas muito mais a incerteza que criam. “Como você pode esperar que as empresas façam investimentos de longo prazo quando não sabem se enfrentarão tarifas de 10% ou 35% daqui a um ou dois anos?”

Para Krugman, até se pode argumentar que a incerteza tarifária diminuirá depois de Trump ter feito “acordos” com alguns dos principais parceiros comerciais. Mas ele lembra que não são acordos comerciais formais e assinados. “E as afirmações de Trump sobre o que outros países concordaram – como sua insistência de que a Europa prometeu a ele um fundo reserva de US$ 600 bilhões e ‘eu posso fazer o que eu quiser com ele’ – são contraditas pelos próprios países. Então a incerteza tarifária permanece alta. E a incerteza criada por detenções e deportações em massa, igualmente provável de prejudicar os negócios, está apenas começando”, diz.

A grande imprensa vai acabar? Talvez, não. Mas está correndo gravíssimo risco

Saiba como explorar imagens e charges na prova de redação do vestibular | Guia do Estudante

Charge do Laerte (Folha)

Carlos Newton

Há duas décadas, quando disseram que o jornal impresso estava perto de acabar, devido à concorrência da informação via celular, fiz questão de dizer que isso jamais ocorreria, porque há pessoas que transformaram num vício o prazer de ler jornais, saboreando as notícias de manhã cedo, quando estão na privada ou tomando o café da manhã.

Mas isso não existe mais. Os jornais são tão ruins e esquálidos que dá até pena. É triste imaginar que as crianças de hoje jamais saberão o que é de verdade um grande jornal, ou uma revista de primeira qualidade, porque elas são cada vez mais caras e menos rentáveis, tendem a desaparecer.

BIG CLOSE – No desespero tecnológico, os dirigentes dos grandes jornais sonham em transformá-los em emissoras de TV. Agora, no Estadão, além de digitar a matéria, o repórter tem obrigação de aparecer, num big close do celular, lendo o texto que escreveu.

É como se o jornal não acreditasse no texto e obrigasse o repórter a repeti-lo, para ver se há alguma informação disparatada. Fica tudo muito ridículo.

Em tradução simultânea, aos 150 anos, o Estadão sente-se velho e tenta rejuvenescer à força, através desses repórteres híbridos, que fazem jornal e televisão ao mesmo tempo, julgando que estão inventando uma imprensa nova, mas é apenas um simulacro grotesco.

MAIS ELITISTA – Para sobreviver, a imprensa escrita tem de conter o que há de melhor na internet, sendo menos informativa e mais analítica, com destaque à cultura. Ou seja, mais elitista, feita para quem ainda raciocina, como os participantes da Tribuna da Internet.

E como sempre fazemos, vamos divulgar o balanço dos mantenedores da Tribuna da Internet no mês passado. De início, através da Caixa Econômica Federal:

DIA   REGISTRO    OPERAÇÃO          VALOR
08     081157        DEP DIN LOT……..100,00

23     231248        DEP DIN LOT……..230,00
25     251843        DEP DIN LOT……..100,00
30     301235        DEP DIN LOT……..230,00
31     311641        DEP DIN LOT……..100,00

Veja agora as contribuições no Banco Itaú/Unibanco:
01     PIX TRANS JOSÉ FR……………..150,00
02     TED J.ANT.PJ……………………….302,07
14     CXE TRANSF 6142……………….100,00
15     TED 001 4416 M.ACRO………..300,00
31     PIX TRANS. PAULOROB………..100,00
31     TED 033-3591 ROBERSNA……200,00

Agradecendo muitíssimo aos que colaboram na manutenção deste espaço utópico,  vamos em frente, sempre juntos, movidos pelo signo da liberdade. (C.N.)

Sem olhos em Gaza, Israel avança como Sansão no clássico de John Milton

Cadáveres ambulantes': Fome prolongada em Gaza ameaça devastar geração  inteira de palestinos com danos permanentes

Muitas crianças são cadáveres ambulantes em Gaza

Mario Sergio Conti
Folha

Ali nasceu a civilização do Livro, a religião de Moisés, a de Cristo e a de Maomé. A partir dali a civilização de Averróis se propagou até a Península Ibérica, preservou a sabedoria grega quando a longa noite da Idade Média desceu sobre a Europa. Fica ali Gaza.

Hoje se amontoam ali os detritos daquilo que se teima em chamar de civilização. No século 17, Milton escreveu em “Sansão Agonista” que em Gaza a treva apagou o meio-dia, enegreceu o sol, “um eclipse total matou a esperança de luz”.

NÚMEROS SURREAIS – Morreram ali 61 mil palestinos desde 7 de outubro de 2023, o dia em que o Hamas trucidou 1.250 israelenses.

A Unicef estima que 50 mil crianças foram feridas ou mortas. As 320 mil com menos de cinco anos correm risco de desnutrição severa. Em média, morrem de inanição 28 delas por dia. Mais de mil adultos foram assassinados a bala ao redor dos postos de distribuição de comida geridos por Israel.

Em si tenebrosos, esses números não dão conta da bancarrota moral que o mundo acompanha online. A apatia diante da dor de milhares é sintoma de uma crise de valores profunda. Porque a fome foi deliberada e planejada em minúcia, é infligida com método.

FOTOS E VÍDEOS – Muito mais que os números, fotos e vídeos de Gaza dão a verdadeira dimensão da catástrofe em andamento. Nelas, choram madonas com bebês esquálidos no colo. Meninas só pele e osso zanzam agoniadas com panelas vazias. É com a cólera de cães que maltrapilhos disputam punhados de farinha.

França, Inglaterra, Japão e outros 25 países denunciaram Israel por, como escreveram, “prestar ajuda com conta-gotas”, causar “a morte desumana de civis, inclusive crianças”. Nos Estados Unidos, 300 sobreviventes do Holocausto, ou seus descendentes, publicaram um protesto. A Alemanha suspendeu a venda de armas que Israel ali dispara.

Binyamin Netanyahu não se deu por achado. Desmentiu a crise humanitária e anunciou que ocupará Gaza inteira. O jornalista Amit Segal, uma espécie de porta-voz extraoficial do primeiro-ministro, disse que a crise humanitária é “propaganda” do Hamas.

DURO ACREDITAR – Numa coluna publicada na Folha, Thomas Friedman lembrou que Israel há pouco matou dez oficiais e 16 cientistas iranianos em suas casas. Perguntou: se acertou alvos “a 1.900 km de Tel Aviv, como não consegue distribuir caixas de comida a famintos de Gaza, a 64 km?”.

Para ele, não foi acidente, e sim “algo bastante vergonhoso”: “chegamos ao ponto em que um Estado judeu democrático, descendente em parte do Holocausto, está envolvido numa política de provocar fome”.

Como sempre faz, Friedman distinguiu o governo —”uma coalizão de extrema direita”— do Estado, da opinião pública e do povo. Embora sejam de fato instâncias diferentes, isso não significa que falta apoio popular ao uso da fome como arma de guerra, ao morticínio.

OUTRAS VÍTIMAS – Emmanuelle Elbaz-Phelps, jornalista franco-israelense, testemunhou esse apoio num programa de debates no canal 13, um dos mais vistos no país. No início do mês, o tema em discussão eram os reféns do Hamas, os soldados que morreram no conflito, as vítimas israelenses em geral.

Ela lembrou que havia outras vítimas, os palestinos. Um âncora a interrompeu: “Vamos em frente, já ouvimos o bastante”. A jornalista insistiu e outra apresentadora atalhou: “Emmanuelle, te respeito muito, mas não tenho que me preocupar com o que acontece em Gaza. Eles são meus inimigos”.

Ela levou fotos de Gaza a um programa posterior. O âncora nem quis vê-las. Afirmou que se preocupava com as crianças israelenses, e não com as de Gaza. A empatia dela com os palestinos, prosseguiu, mostrava que se esquecera do 7 de outubro. Concluiu: daqui a alguns anos, os garotos esfomeados das fotografias “irão tentar nos matar”.

FERIDA ABERTA – Entrevistada há dias pelo New York Times, Elbaz-Phelps falou que a postura de seus colegas na televisão era representativa do modo de pensar da maioria dos israelenses. Quem vive fora do país não sabe o quanto a lembrança do 7 de outubro ainda dói, avaliou. A ferida não fechou.

A jornalista estivera havia pouco em Nir Oz, o kibutz onde o Hamas mais matou: um a cada quatro dos moradores fora assassinado ou sequestrado. As casas queimadas pelos terroristas continuavam enegrecidas, em escombros.

“Sente-se ainda o odor daquele dia”, disse ela. O trauma não passou e “a maioria dos israelenses não tem espaço no coração para sentir compaixão por Gaza”. Como o Sansão da poesia de John Milton, Israel está “sem olhos em Gaza”, cego para a dor alheia.

A casa encantada e carnavalesca do baiano Walter Queiroz

Áudios da Metrópole - Walter Queiroz - Metro 1

Walter Queiroz, grande cantor baiano

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, publicitário, cantor e compositor baiano Walter Pinheiro de Queiroz Júnior usa várias figuras de linguagem, tornando mais bonito o conteúdo poético da letra de “Pode Entrar”, na qual ele fala da sua casa. Walter Queiroz gravou a música “Pode Entrar” no LP “Filho do Povo”, em 1975, pela Phonogram.

PODE ENTRAR
Walter Queiroz

A casa escancarada a lua ali
Meu cachorro nunca morde
Meu quintal tem sapoti
tem um roseiral crescendo lindo
Quem for louco ou for poeta
Pode entra r seja bem vindo

Aqui passa o bonde da Lapinha
Passa a filha da rainha
Passa um disco voador
As vezes ele gira para e pisca
Como quem quase se arrisca
A parar pra conversar

Mas não me sinto só tenho um vizinho
Que é um bêbado velhinho
que acredita no destino
Ele mora em cima do arvoredo
Ele tem muitos brinquedos
Ele sempre foi menino

Agora se vocês me dão licença
Eu vou ver um passarinho
Que me chama no quintal
Depois vou me deitar para sonhar
E dançar com a cigana
Que eu perdi no carnaval

Sem mudanças, STF estará sujeito a novos  ataques da extrema direita

Tribuna da Internet | Superpoderes do Supremo minam sua legitimidade, e  está difícil controlá-losOscar Vilhena Vieira
Folha

Os ataques da extrema direita ao Supremo Tribunal Federal são uma consequência direta da disposição da corte em defender a democracia. Suas deficiências, no entanto, colocam o tribunal e seus membros em situação de vulnerabilidade face aos inimigos da Constituição.

A presente ofensiva contra o Supremo não constitui um fato isolado. Nos últimos meses, tribunais franceses e israelenses também vêm sendo hostilizados e acusados de promover uma “caça às bruxas”, por conduzirem processos contra Marine Le Pen e Binyamin Netanyahu. Até mesmo o Tribunal Penal Internacional, que investiga o premiê de Israel por crimes contra a humanidade, passou a sofrer retaliações.

FASE RADICAL – Vivemos uma quadra bruta da história, em que consensos civilizatórios básicos, em torno das ideias de democracia constitucional, de primazia dos direitos humanos, de autodeterminação dos povos, de proibição do uso da força nas relações internacionais e da regulação do comercio internacional estão sob forte ataque de forças nacionalistas e autoritárias.

Nesse contexto, tribunais independentes são vistos como obstáculos, que devem ser desacreditados, capturados ou suprimidos, como ocorreu na Rússia, na Venezuela, na Hungria ou na Turquia nas últimas décadas.

É importante não esquecer que dois terços da população mundial vivem hoje sob regimes autoritários. Nesses regimes não há tribunais independentes.

AO LONGO DA HISTÓRIA – A tentativa de subordinação do Supremo não é uma novidade no Brasil. Como destacou o ministro Luis Roberto Barroso em seu recente e contundente discurso na reabertura dos trabalhos do STF, as tentativas de subordinação do tribunal têm sido recorrentes ao longo de nossa história republicana.

Veio de Floriano Peixoto a primeira ameaça ao STF, ainda em 1891, ao perguntar ameaçadoramente quem concederia habeas corpus aos ministros do STF se estes concedessem habeas corpus aos inimigos do presidente? Daí em diante, ministros foram cassados, tanto pelo regime Vargas como pelo regime militar, e os dois regimes alteraram a composição e as prerrogativas do tribunal.

Inúmeras foram as rupturas ou tentativas de ruptura da ordem constitucional nestes 200 anos de acidentada trajetória constitucional.

GRANDE INSTABILIDADE – A associação de militares com setores autoritários tem sido motivo de grande instabilidade nas nossas instituições. Sucessivas leis de anistia asseguraram a impunidade àqueles que se insurgiram contra a Constituição e a soberania popular ou atentaram contra os direitos humanos, servindo como incentivo para os futuros golpes e quarteladas.

O presente julgamento do ex-presidente Bolsonaro e de mais de uma dezena de militares de alta patente, acusados de atentar contra o Estado democrático de Direito, é um fato sem precedentes em nossa história institucional, rompendo esse perverso ciclo de impunidade.

A tentativa de intimidar o Supremo, assim como a de emparedar os presidentes da Câmara e do Senado, para aprovar uma nova lei de anistia em benefício de Bolsonaro é apenas mais uma evidência da falta de compromisso da extrema direita brasileira com as regras do jogo democrático.

DEFICIÊNCIAS DO STF – O desafio imediato é sobreviver às investidas, tanto internas como externas, contra a ordem constitucional. Superada a borrasca, no entanto, o Supremo tem um encontro marcado com suas deficiências, como parece ter clareza o ministro Edson Fachin.

Sem que o tribunal aperte algumas porcas e parafusos, adotando um código de conduta, reduzindo o protagonismo individual de alguns de seus membros e estabilizando colegiadamente sua jurisprudência, continuará vulnerável aos ataques daqueles que querem destruir a ordem constitucional.

EUA metem o pênalti dentro do campo democrático

Lula desiste de tentar o apoio d0s evangélicos e preocupa seus aliados

Por que o Lula ainda não aumentou o salário para R$ 1.320?

Rejeição dos evangélicos a Lula aumenta, ao invés de cair.

Iander Porcella
Estadão

Aliados que conversaram nos últimos dias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disseram que ele desistiu de vez de conquistar o apoio dos evangélicos. A postura do petista preocupa o Palácio do Planalto porque tem aumentado a rejeição ao governo nesse segmento da população, mais identificado com o bolsonarismo. E a tendência é que o voto religioso tenha peso considerável nas eleições de 2026.

Neste terceiro mandato, Lula é descrito com frequência como um líder que cansou de fazer política. Aos 79 anos, o presidente já não tem a mesma disposição que tinha quando governou o País de 2003 a 2010. A única ponte que o Executivo tem hoje com os evangélicos é o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, mas a avaliação é de que ele, sozinho, não conseguirá reverter a visão negativa sobre Lula.

REJEIÇÃO AUMENTA – A avaliação negativa dos evangélicos sobre o presidente cresceu de 50% para 55% entre junho e julho, de acordo com a mais recente pesquisa DataFolha. Esse resultado reforça a percepção de Lula de que é inviável uma aproximação entre Planalto e essas denominações religiosas.

Aliados que acompanham com lupa o governo notaram que o petista parou recentemente de fazer menções religiosas em seus discursos. Esse artifício havia se tornado comum em participações do presidente em eventos pelo País. “Lula cansou”, resumiu um interlocutor.

Lula pode até se dar ao luxo de abrir mão dos evangélicos, mas o PT continuará na cruzada para garantir aproximação com esse público. Como antecipou a Coluna do Estadão, a Fundação Perseu Abramo – centro de formação política do partido – promoveu em maio o curso “Fé e Democracia para Evangélicos e Evangélicas”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A Coluna do Estadão mostra também que em abril o senador Carlos Viana (Podemos-MG) chegou a se oferecer para organizar um encontro entre Lula e congregações da Igreja Batista. O presidente, contudo, revelou o medo de ser vaiado. Aliás, esse medo de vaia é antigo e já afastou Lula dos campos de futebol, especialmente do Maracanã. Como dizia Nelson Rodrigues, “o Maracanã vaia até um minuto de silêncio”. (C.N.)

Moraes destruiu a relação entre EUA e Brasil, diz o vice-secretário de Trump

Integrante do governo Trump volta a criticar ministro do STF

Landau diz que EUA querem normalizar a relação, mas…

Deu no Estadão

O vice-secretário do Departamento de Estado da gestão Donald Trump, Christopher Landau, afirmou neste sábado, 9, que o ministro Alexandre de Moraes destruiu a relação historicamente próxima do Brasil com os Estados Unidos ao tentar aplicar a lei brasileira em território americano. Landau também reclamou do que chamou de “concentração de poder” nas mãos do ministro do Supremo Tribunal Federal. A mensagem foi repostada em português pela embaixada americana no Brasil.

O governo Trump tem pressionado o Brasil, inclusive com sanções contra o País e, em especial, contra os ministros do STF, para tentar interferir no julgamento de Jair Bolsonaro, um aliado do presidente americano, por tentativa de golpe.

REDES SOCIAIS – Além disso, o governo americano reclama, especialmente, das decisões contra empresas americanas de tecnologia que atuam no Brasil e que recebem ordens para retirar postagens e suspender perfis de investigados pelo STF. A regulação das redes sociais por meio do julgamento do Marco Temporal feito na Corte também já foi citada por Trump em mensagens em que o governo americano comunica sanções ao Brasil.

Em resposta, o governo brasileiro enfatizou que manifestou na sexta-feira, 8, à embaixada dos Estados Unidos “seu absoluto rechaço às reiteradas ingerências do governo norte-americano em assuntos internos do Brasil” e acusou Christopher Landau de atacar o País com “falsidades” (veja íntegra abaixo). Já o gabinete de Moraes não comenta o caso.

PODERES EXCESSIVOS – “A separação de Poderes entre os diferentes ramos do governo é a maior garantia de liberdade já concebida pela mente humana. Nenhum ramo ou pessoa pode acumular poder excessivo se for controlado pelos outros. Mas uma separação formal de Poderes não significa nada se um ramo tiver meios para intimidar os outros a renunciar às suas prerrogativas constitucionais. O que está acontecendo agora no Brasil ressalta esse ponto: um único juiz do Supremo Tribunal Federal usurpou o poder ditatorial ao ameaçar líderes dos outros Poderes, ou suas famílias, com prisão, detenção ou outras penalidades”, disse Christopher Landau.

Segundo o número 2 do secretário de Estado Marco Rúbio, “essa pessoa (Moraes) destruiu a relação historicamente próxima do Brasil com os EUA ao, entre outras coisas, tentar aplicar a lei brasileira extraterritorialmente para silenciar indivíduos e empresas em solo americano”.

Landau também afirmou que a situação seria “sem precedentes e anômala precisamente porque essa pessoa (Moraes) veste uma toga judicial”. “Enquanto sempre podemos negociar com líderes dos Poderes Executivo ou Legislativo de um país, não há como negociar com um juiz, que deve manter a pretensão de que todas as suas ações são ditadas pela lei”, disse.

BECO SEM SAÍDA – O vice-secretário também disse que isso leva a uma situação em que há um “beco sem saída, onde o usurpador se esconde atrás do Estado de Direito e os outros poderes insistem que são impotentes para agir”.

“Se alguém puder pensar em um precedente na história da humanidade em que um único juiz não eleito assumiu o controle do destino de sua nação, por favor, nos informe. Queremos retornar à nossa histórica amizade com a grande nação brasileira!”, completou Christopher Landau.

1Disposto a tentar evitar a condenação e prisão de Jair Bolsonaro, o governo Trump já aplicou taxas de 50% a grande parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, determinou o cancelamento do visto de entrada naquele País de Alexandre de Moraes e outros sete ministros do Supremo, e aplicou a Lei Magnitsky contra o relator do caso de Bolsonaro.

BLOQUEIO FINANCEIRO – Esta última, Lei Magnitsky, impede transações financeiras com empresas americanas e pode afetar inclusive a oferta de cartões de crédito e outros serviços bancários por instituições que tenham relação com aquele país.

Em nova nota oficial, o governo brasileiro repudiou as novas críticas do subsecretário Landau:

“O governo brasileiro manifestou ontem à embaixada dos Estados Unidos seu absoluto rechaço às reiteradas ingerências do governo norte-americano em assuntos internos do Brasil, e voltará a fazê-lo sempre que for atacado com falsidades como as da postagem de hoje, disseminadas pelo subsecretário de Estado, Christopher Landau. Essa manifestação caracteriza novo ataque frontal à soberania brasileira e a uma democracia que recentemente derrotou uma tentativa de golpe de Estado e não se curvará a pressões, venham de onde vierem.”

Musk ataca Moraes e elogia o uso de Lei Magnitsky contra o ministro

Elon Musk volta a atacar Moraes após X (Twitter) receber multa de R$ 700 mil - Tudocelular.com

Musk agora se diverte com as agruras de Moraes

Geovani Bucci
Broadcast

Marcada por um histórico de desobediência judicial no Brasil, a rede social X, do bilionário Elon Musk, publicou um artigo atacando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A plataforma – antigo Twitter – também elogiou a aplicação da Lei Magnitsky e a revogação de seu visto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A publicação foi feita pela conta de assuntos globais da empresa na sexta-feira, 8.

“Numa era em que regulamentações governamentais ameaçam o debate global, a X aplaude as ações ousadas do governo Trump para proteger a liberdade de expressão”, afirma a publicação.

DIZ A X – “Eventos recentes no Brasil evidenciam a crise. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, liderou uma campanha de censura e de violação do devido processo legal, incluindo a proibição da X em 2024 por se recusar a cumprir ordens secretas para remover do ar políticos e jornalistas — inclusive americanos — que criticaram Moraes e seus aliados.”

O X afirmou que, mais recentemente, o STF declarou inconstitucional o Artigo 19 do Marco Civil da Internet, que previa proteções limitadas de responsabilidade para intermediários, e avaliou que essa decisão remove uma “salvaguarda essencial” para a liberdade de expressão online, reforçando um padrão mais amplo de preocupação.

A empresa de Musk recorrentemente descumpre determinações judiciais. Em abril do ano passado, o empresário respondeu a uma publicação de Moraes no X com uma provocação: “Por que você está ordenando tanta censura no Brasil?”. Por trás da queixa estava a insatisfação do americano com ordens judiciais do STF para obter dados de usuários investigados por crimes.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A briga entre Moraes e Musk se transformou em três importantes questões – uma judiciária, sobre a perseguição que o Supremo brasileiro faz a ativistas de partidos de direita; a segunda, administrativa, com sanções governamentais contra Moraes e ministros do Supremo; e a terceira, política, com investigação em curso no Comitê da Câmara de Deputados. Moraes e o Supremo, tecnicamente, não têm condições de vencer nenhuma das três questões, que nada têm a ver com o tarifaço, que transcorre em outro departamento, digamos assim. (C.N.)

Advertência de Hawking ganha força com objeto se aproximando da Terra

De Rerum Natura: STEPHEN HAWKING: «A» BIOGRAFIA

O alerta de Stephen Hawing continua tendo validade

Beatriz Aguiar

O alerta deixado por Stephen Hawking sobre os perigos de entrar em contato com civilizações extraterrestres volta a ganhar força em meio à aproximação de um objeto misterioso em direção ao sistema solar. A descoberta do corpo celeste 3I/ATLAS por astrônomos em junho reacendeu debates sobre a prudência — ou imprudência — de buscar vida alienígena sem considerar possíveis ameaças.

Com velocidade estimada em 150 mil milhas por hora, o objeto interestelar deve cruzar o sistema solar e passar a cerca de 223 milhões de milhas da Terra no dia 17 de dezembro. Embora muitos especialistas acreditem se tratar de um cometa de grandes proporções, o astrofísico Avi Loeb, professor de Harvard, sugere uma hipótese mais ousada: o 3I/ATLAS pode ter origem artificial.

DESVIOS DE ROTA – Em artigo publicado no repositório científico arXiv, Loeb destaca desvios incomuns na trajetória do objeto, o que, segundo ele, poderia indicar algum tipo de propulsão ou controle externo.

“Talvez medidas defensivas sejam necessárias — mesmo que, no fim, se revelem inúteis”, alertou o cientista, que também defendeu a investigação mais cuidadosa da natureza do objeto.

As palavras de Loeb ecoam o antigo receio de Hawking, que, ainda em 2004, advertia contra a tentativa ativa de contatar civilizações alienígenas. Para o físico britânico, a humanidade corre o risco de atrair espécies tecnologicamente superiores, cujo encontro conosco poderia repetir tragédias históricas como a colonização das Américas. “A história de encontros entre civilizações avançadas e povos menos desenvolvidos nunca foi favorável para os últimos”, afirmou na época.

NOVO ESTUDO – Esse temor ganhou novo embasamento com um estudo publicado no Journal of Biomedical Physics and Engineering, que explora o conceito da “armadilha da inteligência” — quando civilizações avançadas cometem erros fatais por excesso de confiança ou repetição de padrões. Segundo os autores, emitir sinais para o cosmos pode ser um erro estratégico que expõe a humanidade a ameaças desconhecidas.

Antes de morrer, Hawking chegou a apontar planetas com potencial para abrigar vida, como Gliese 832c, mas manteve sua postura cautelosa. Durante o documentário “Os Lugares Favoritos de Stephen Hawking”, o cientista refletiu: “Estou cada vez mais convencido de que não estamos sozinhos. Um dia, poderemos receber um sinal. Mas devemos pensar com muito cuidado antes de responder.”

Enquanto o 3I/ATLAS se aproxima silenciosamente, cientistas dividem-se entre o ceticismo e a curiosidade. No entanto, uma questão permanece inquietante: e se Hawking estivesse certo ao pedir silêncio?

“Ocupação foi legítima”, diz Costa Neto após Hugo Rocha acionar Corregedoria

PF devolve passaporte e bens de Valdemar Costa Neto

Costa Neto alega que o protesto dos deputados foi legítimo

Vitória Queiroz
da CNN

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse neste sábado (9) que confia no processo legal e nas instâncias competentes na condução do encaminhamento de denúncias contra deputados por envolvimento na ocupação do plenário da Câmara e que a legenda mantém seu compromisso com o “exercício pleno das prerrogativas parlamentares”. A maioria dos congressistas citados na representação são integrantes do partido.

“Sobre o encaminhamento de representações contra deputados de nossa bancada à Corregedoria da Câmara, é importante esclarecer que as manifestações realizadas no plenário tiveram caráter pacífico e legítimo, com o objetivo de resgatar a discussão e a votação da pauta da anistia, bem como de reforçar a defesa da autonomia entre os Poderes”, disse Valdemar Costa Neto no X.

NA CORREGEDORIA – O Partido Liberal reafirma seu compromisso com a democracia, com a harmonia entre os Poderes e com o exercício pleno das prerrogativas parlamentares”, disse o presidente Valdemar Costa Neto.

Ele se referia à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, que decidiu na última sexta-feira (8) dar encaminhamento a todas as denúncias contra deputados por envolvimento na ocupação do plenário da Casa. Os fatos foram encaminhados à Corregedoria Parlamentar para a devida análise.

Com o encaminhamento, caberá ao corregedor, Diego Coronel (PSD-BA), indicar as punições cabíveis. Depois da análise, os casos devem ser enviados para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

14 DEPUTADOS – Representações encaminhadas pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) à Corregedoria citam nominalmente deputados do PL (Partido Liberal), PP (Partido Progressistas) e Novo. Até o momento, há 14 deputados citados nos encaminhamentos feitos pela Mesa Diretora.

Veja quem são os 14 deputados citados nos encaminhamentos feitos por Hugo: Allan Garcês (PP-MA), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Carol de Toni (PL-SC), Domingos Sávio (PL-MG), Julia Zanatta (PL-SC), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Marco Feliciano (PL-SP), Marcos Polon (PL-MS), Nikolas Ferreira (PL-MG), Paulo Bilynskyj (PL-SP), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Zucco (PL-RS) e Zé Trovão (PL-SC)

PROCESSO LEGAL – “Confiamos no devido processo legal e nas instâncias competentes para que se reconheça a legitimidade de suas ações”, escreveu Valdemar.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também usou o seu perfil no X para comentar o caso. “Milhões de brasileiros podem ter sua voz calada e ver seus representantes impedidos de exercer suas funções, porque o Brasil já não permite a existência de uma oposição séria. Minha solidariedade a todos os parlamentares ameaçados por essa mordaça”, escreveu.

E o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, registrou que “o Partido Liberal reafirma seu compromisso com a democracia, com a harmonia entre os Poderes e com o exercício pleno das prerrogativas parlamentares”.

Itamaraty convoca embaixada dos EUA após  ameaças de punição a ministros

DASH anuncia que Gabriel Escobar assumirá uma nova missão a partir da próxima semana – Insider

Gabriek Escobar entrou mudo na reunião e saiu calado

Bruno Boghossian e Julia Chaib
Folha

Governo brasileiro manifestou indignação a diplomata americano após publicação sobre novas sanções a ministros

O Itamaraty convocou o chefe da embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, para dar explicações sobre novas ameaças de punição a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), no âmbito de uma ofensiva do governo Donald Trump em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em publicação nas redes sociais na quinta-feira (7), a embaixada americana afirmou que o ministro Alexandre de Moraes é “o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro” e sinalizou que os “aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas” também podem ser punidos.

INDIGNAÇÃO – Escobar foi recebido no Ministério das Relações Exteriores na manhã desta sexta-feira (8) pelo embaixador Flavio Goldman, que ocupa interinamente a secretaria de Europa e América do Norte do Itamaraty.

Segundo relatos de integrantes do ministério, o diplomata brasileiro manifestou indignação com o tom e o conteúdo das publicações dos americanos. Goldman teria reforçado a visão de que Trump atua com ingerência em assuntos internos, faz ameaças inaceitáveis e ataca a soberania brasileira em vez de negociar tarifas.

O brasileiro também expressou, de acordo com diplomatas, a expectativa de que a embaixada americana informasse à Casa Branca de maneira mais precisa sobre o processo no qual Bolsonaro é réu, conduzido em conformidade com a lei brasileira e o devido processo legal.

NEGOCIAÇÕES – Goldman teria afirmado ainda que o Brasil está comprometido com a via das negociações para discutir com os EUA questões econômicas e comerciais, apontando serem inegociáveis a soberania nacional e a independência do Poder Judiciário.

Na diplomacia, a convocação do embaixador ao Ministério de Relações Exteriores é uma forma de demonstrar descontentamento com temas da relação bilateral.

Escobar é encarregado de negócios e responde interinamente pela missão diplomática dos EUA. O país está sem embaixador em Brasília desde janeiro de 2025, quando Elizabeth Bagley deixou o posto, com o fim do governo de Joe Biden. O governo Trump ainda não indicou um novo representante.

OUTRAS CONVOCAÇÕES – O diplomata americano já havia sido convocado outras vezes ao Itamaraty para dar explicações sobre decisões e manifestações do governo americano em relação ao governo brasileiro e ao STF.

Nessas reuniões, o encarregado de negócios da embaixada dos EUA foi recebido pela secretária de Europa e América do Norte do Itamaraty, a embaixadora Maria Luiza Escorel. Ele não teve encontros com o chanceler Mauro Vieira.

Uma das primeiras convocações desse tipo ocorreu dias depois que Trump começou a direcionar seus ataques ao Brasil. Na ocasião, a embaixada americana reproduziu afirmações de que Bolsonaro e sua família eram parceiros dos Estados Unidos, falando em perseguição política contra ele.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essas “convocações” de diplomatas estrangeiros são mera rotina. Eles são chamados para saber que o Brasil está indignado e fingem que vão levar a reclamação a Washington, mas não fazem absolutamente nada. No caso atual, o ministro Moraes está errado, ao desrespeitar a lei brasileira e querer se imiscuir em assuntos internos americanos. E Trump também está errado, ao ameaçar a Justiça e o governo do Brasil. (C.N.)

“Decisão de Hugo Motta foi equilibrada”, afirma líder do PL, que chefiou o motim

Líder do PL na Câmara nega que houve 'chantagem' por desobstrução e se  desculpa com Motta | Jovem Pan

Sóstenes Cavalcante pediu desculpas a Hugo Motta

Deu na CNN

Agradou à oposição a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta, (Republicanos-PB), de encaminhar para a Corregedoria da Casa denúncias contra 14 dos deputados que participaram da obstrução física da Mesa Diretora na quinta-feira.

“Encaminhamento de Hugo foi equilibrado”, diz Sóstenes sobre Corregedoria. O regimento da Câmara permite que Hugo decida por punições que podem ir de advertências verbais e escritas até a suspensão do mandato por até 180 dias. Se isso ocorresse, as medidas poderiam ser revertidas pelo Conselho de Ética, mas seria uma sinalização política.

Agora, o Corregedor da Câmara, Diego Coronel (PSD-BA), tem 48 horas para decidir se aceita as denúncias contra 12 parlamentares do PL, um do Novo e um do Progressistas.

O parecer do corregedor será enviado para o Conselho de Ética com indicação pela punição ou arquivamento.

PEDIU DESCULPAS – Sóstenes pediu perdão a Motta e disse que não agiu corretamente nos bastidores. “Não fui correto no privado, mas faço questão de vir em público e te pedir perdão”, afirmou em discurso na tribuna, ladeado por deputados que horas antes estavam na Mesa Diretora bloqueando as sessões.

Negou acordo com Motta para colocar em pauta a anistia e afirmou que combinou “apenas com líderes”. “O presidente Hugo Motta não foi chantageado por nós. Ele não assumiu compromisso de pauta nenhuma conosco.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O deputado Sóstenes Cavalcante sabe que não vai haver nenhuma punição e até se ofereceu para ser punido sozinho, por ter liderado a esculhambação. Os demais deputados, inclusive petistas, também sabem que Hugo Motta está errado, porque assumiu o compromisso de não impedir a colocação da anistia em pauta, se houvesse acordo de lideranças, mas depois fingiu que nem era com ele. Ninguém vai ser punido e o projeto de lei (ou emenda constitucional) vai tramitar, com grandes chances de ser aprovado, passando a borracha no golpe que não houve, mas foi planejado e não tiveram coragem de dar, devido ao veto do Alto Comando do Exército. (C.N.)

O jogo continua, bruto e desleal, entre Donald Trump e o Brasil

CRÉDITO: STEVE SACK_CAGLE CARTOONS

Charge do Steve Sack (Revista piauí)

Vicente Limongi Netto

O Brasil procura jogar limpo, desde o início da partida. Trump parte para cima, bate de bico na virilha do Brasil. A tônica do script é enfadonha e patética. Lavagem cerebral de Trump é insistente. Mas não cola. Desde o início do arranca-rabo com a ameaça do tarifaço de 50%. o presidente norte-americano mandou às calendas a diplomacia e a economia.

O indecoroso jogo é político. Surrada e risível a postura do presidente norte-americano. De causar rebuliço na alma de eternos humoristas, como Chico Anysio e Jerry Lewis.

SANTOS IMACULADOS – As pantomimas de Trump estão levando parte expressiva do Brasil a achar que a família Bolsonaro é composta de santos imaculados e inatacáveis. Merecedores de bustos em praças públicas. O vilão que precisa ser punido e execrado é o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O capeta é a Suprema Corte brasileira.

Trump costuma falar grosso com a Suprema Corte americana. Aqui, é perda de tempo e de saliva. O busilis é mais embaixo. A soberania brasileira exige respeito. Em vão, jogar pedras no STF de nada adianta. O rosto de Trump vai acabar ficando mais vermelho e suado do que as gravatas vermelhas que usa.

É desaforo sem tamanho um chefe da nação meter o bedelho em decisões jurídicas de outros países. Trump não enxerga nem admite que passou dos limites civilizados e diplomáticos.

SEGUIDORES FIÉIS – O clã Bolsonaro, por sua vez, apoiado pelo Partido Liberal, segue obedecendo cegamente o plano do patrão, Trump. Usam o pai e ex-presidente Bolsonaro para infligir as normas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, apoiadas pela maioria do colegiado.

Jogam o entulho do mal feito no ar. Prontamente, Moraes agrava e impõe novas sanções a Bolsonaro. Desta vez, rigorosa prisão domiciliar. Com o show montado, ingressos vendidos, é a vez dos bolsonaristas entrarem em cena. Como atores e atrizes de quinta categoria. É a vez dos boquirrotos e ferozes algozes de Alexandre de Moraes.

MIGALHAS DO NOTICIÁRIO – Choram pitangas ao mundo. Alegam que a prisão domiciliar é afrontosa e vingativa. Com eleições batendo na porta, os sinistros bolsonaristas sabem que decisões de Moraes ganham boas migalhas do noticiário políticos.

Alexandre de Moraes prossegue inabalável a pressões e ameaças. Atuando serenamente, dentro dos autos. O jogo segue pesado. Sem hora para acabar. As sobras ruins vão para os bolsos dos cidadãos. Alimentos encarecendo mais. Todos eles.

Famílias de mendigos, com crianças chorando, com fome, se acumulam nas portas de restaurantes, bares, lanchonetes e hotéis. Moradias de papelão e pano nos jardins e terrenos baldios. Brasil real e nefasto.

A imortal voz do morro, que abriu o caminho do sucesso para Zé Kéti

Zé Kéti, sambista que foi a voz do morro, tem centenário celebrado com show  e site - 14/09/2021 - Ilustrada - Folha

Zé Kéti personificava a força do samba

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Zé Kéti, nome artístico de José Flores de Jesus (1921-1999), sentiu a sua carreira começar a deslanchar em 1955, quando o seu samba “A voz do morro”, gravado por Jorge Goulart, pela Continental, fez enorme sucesso na trilha do filme “Rio 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos.

“A Voz do Morro” mostra em sua letra que o samba é a única voz valorizada no morro, transformada em um condutor de alegria do Rio de Janeiro para o resto do país.

A VOZ DO MORRO
Zé Kéti

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei dos terreiros

Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões
De corações brasileiros

Mais um samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo do país
Viva o samba, vamos cantando
Essa melodia do Brasil feliz