Toffoli esqueceu de perguntar (?) se Moraes pressionou o Banco Central

PF pede ao STF abertura de inquérito contra Toffoli por suposta propina | ASMETRO-SI

Charge do Duke (Itatiaia)

Carlos Newton
O Globo

Embora as conexões políticas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tenham sido um dos principais pontos abordados no depoimento sigiloso prestado por ele ao Supremo, o ministro Dias Toffoli e a Polícia Federal esqueceram de perguntar se o ministro Alexandre de Moraes teria mesmo pressionado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a liberar a venda do banco praticamente falido.

As autoridades brasileiras costumam esquecer esses pequenos detalhes nas investigações, apesar de Moraes ter pelo menos 129 milhões de motivos para fazer pressão ao BC, como diz o jornalista Mario Sabino.

ILEGALIDADE – As investigações estão sendo conduzidas pelo ministro Dias Toffoli, do STF, porque ele ilegalmente avocou a si o comando do inquérito, embora ainda não tenha sido arrolada nenhuma autoridade com foro especial ou privilegiado.

Alegou o ministro que o presidente do Banco Central tem foro no Supremo, mas na verdade Gabriel Galípolo nem está sendo investigado, vejam a que ponto chega a bagunça institucional brasileira.

Daniel Vorcaro, do Master, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, já foram ouvidos terça-feira como  investigados no esquema de fraudes envolvendo a venda do Master ao BRB, que é estatal. Já o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, foi depor apenas como testemunha.

INTERROGATÓRIO – As perguntas sobre conexões faziam parte de um dos seis blocos de indagações preparados pelo ministro Dias Toffoli, conforme questionário obtido pelo jornalista Rafael Moraes Moura, de O Globo.

Em nenhuma das perguntas Toffoli indaga diretamente sobre as pressões que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anunciou ter sofrido. Também a delegada federal encarregada do caso, Janaína Palazzo, esqueceu de indagar sobre isso.

Foi perguntado a Vorcaro apenas se ele já “conversou com outras autoridades públicas” sobre a aquisição do Banco Master pelo BRB e se ele, ou alguém a seu mando, solicitou a intervenção de autoridades junto ao Banco Central a favor dos interesses do Master. É claro que ele negou.

OBJETIVO MAIOR – Como se previa, o objetivo principal de Toffolli na tal acareação era tentar encontrar uma falha na apuração das irregularidades  pelo Banco Central, algo que pudesse justificar o cancelamento da liquidação do Master, apesar de estar rigorosamente quebrado.

“Entre as 82 questões enviadas por Toffoli, havia pelo menos 21 inquirindo Vorcaro sobre a atuação do BC. Uma inclusive pedia ao banqueiro que dissesse se a autarquia agiu com a “celeridade necessária” na investigação das fraudes atribuídas a ele, e outra questionou se ele achava que o regulador “falhou em seu dever de supervisão prudencial”, revelou Rafael Moraes Moura, acrescentando:

“Nenhuma delas abordava o contrato do Master com a mulher do ministro Alexandre de Moraes”.

NINGUÉM INSISTIU – O jornalista de O Globo conta que “Vorcaro reconheceu que mantinha relações sociais com diversas autoridades, mas não deu nomes – e ninguém insistiu em obtê-los”. Afirmou apenas que se encontrou poucas vezes com o governador de Brasília, mas disse que nunca pediu intervenções a favor de seus interesses”.

Quem pode acreditar numa conversa fiada desse nível? E ainda chamam isso de “interrogatório”.

“À frente do Master, Vorcaro patrocinou eventos jurídicos no Brasil e no exterior (em cidades como Nova York, Londres, Paris e Roma), que contaram com a presença de ministros do Supremo como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet”, informou Rafael Moraes Moura.

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P.S. – Está cada vez mais claro que se formou um forte lobby para favorecer o banqueiro corrupto e fraudador Daniel Vorcaro e para evitar complicações para o ministro Alexandre de Moraes. Este será o tema do artigo desta segunda-feira. (C.N.)

6 thoughts on “Toffoli esqueceu de perguntar (?) se Moraes pressionou o Banco Central

    • Quando foram indicados(ocuparam tronos), já teriam como compensatórias missões, a interrupção da inclusa e generalizada “sangria”, aqui e agora esclarecida?

  1. Essas “coisas” estariam ocorrendo tão somente por acaso ou seria “algo mais”, ora pois:
    “Observa-dores”, concluem: Salvo raríssimas excessões e mesmo em suas deslustradas insignificancias, os alçados e regiamente locupletos, tornam-se apátridas agentes khazarianos, levados “fraterna e estatutáriamente” a cumprir a “protocolar”(24 Capítulos) agenda mundial, tida como obrigatória “idéia fixa”, segundo: https://youtu.be/cPHCOKK0HpI?si=IamEFO7T3G9IFvFc0
    PS. Pelos seus fins(finados), reconhecereis os despertos e desassombrados recalcitrantes!

  2. Nada disso. Esta “acareação” foi para que os holofotes se voltassem para BC, Master e BRB enquanto o tirano jurídico viajasse em paz para o exterior.

    Quanto a assinar despacho, decisões etc, não há necessidade da presença física do cretino, basta usar a assinatura digital. O sujeito pode estar na Oceania e dar voz de prisão a alguém aqui no Brasil, via um documento pdf da vida.

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