Polarização entre Lula e Bolsonaro elimina qualquer chance de um Brasil melhor

Charge do Kleber (Correio Braziliense)


Duarte Bertolini

A direita brasileira pós-ditadura, envergonhada, acostumou-se ao papel de coadjuvante no cenário nacional, utilizando-se e sendo utilizada pela sua capilaridade (considerável número de prefeitos e vereadores bem avaliados) como suporte para engrossar fileiras de coligações governamentais, de forma siamesa.

Esta musculatura foi utilizada como moeda de troca para cargos de primeiro e principalmente segundos e demais escalões, menos vistosos e pavonescos, porém muito mais eficientes para a política partidária, sempre ávida de favores, verbas e outros que tais.

CONTRADIÇÃO – Neste cenário, impressiona-me verificar, há décadas, uma aparente contradição. Pelo menos aqui no Sul, normalmente a direita elege bons prefeitos, vinculados a sua comunidade e reconhecidos pelo bom trabalho. Igualmente vereadores e políticos de nível estadual têm forte identificação com suas comunidades e são por elas reconhecidos.

Entretanto parece que em nível nacional, ocorre uma verdadeira lavagem. Deputados e senadores, aparentemente, são tragados por uma máquina de moer propósitos e boas intenções.

São comandados e manipulados por políticos matreiros, velhas e felpudas raposas, que desde tempos imemoriais dominam, com novas roupagens, o cenário nacional e os destinos do Brasil.

UM NOVO LÍDER – Com o surgimento de Bolsonaro, imaginou-se uma quebra destes consolidados paradigmas. Político obscuro, com discurso forte , sem medo de enfrentar o PT e seus temas espinhosos, parecia o nosso rei Ricardo Coração de Leão que nos levaria à redenção em tempos melhores.

Infelizmente, a melhor qualidade de Bolsonaro e seu entorno era o marketing rasteiro, as lives no estilo de Goebbels, o discurso vazio e bravateiro, que infelizmente conquistou boa parte da população e a manteve cativa a seus devaneios.

Obvio que ajudou nesta adesão ao fenômeno Bolsonaro a visceral necessidade de romper com a dominação de décadas da esquerda, com as manipulações e intromissões na vida do cidadão, cada vez mais profundas, feitas pelo PT e seus aliados.

CEGUEIRA COLETIVA – Mas o fato é que a necessidade apregoada de um forte envolvimento para fazer frente à mare vermelha gerou uma cegueira quase coletiva, que se manifestou nas ruas, em acampamentos permanentes diante dos quarteis, com celulares atraindo extraterrestres, orações a pneus, marchas sobre Brasília etc. etc. etc.

Nesta esteira, muitos políticos que já vinham  combatendo os desvarios petistas, muito anteriores a Bolzonaro, ficaram na chamada escolha de Sofia — ou aderiam à corrente ou seriam chamados de “isentões”

Com isso, muitas figuras naufragaram na insensatez. Tenho exemplo doméstico: Marcel Van Haten, que conhecemos desde adolescente (era colega de minha filha) destacou-se pela combatividade, inteligência, bom discurso e polemista afiado, mas nos últimos tempos resvalou para um feroz cão de guarda do mito chorão Bolsonaro.

FUTURO BRILHANTE – Não sei como continua visto por seus eleitorado, mas meu voto ficou comprometido. Deputado mais votado do RS, combativo e lúcido, teria um brilhante futuro pela frente. Agora, mesmo que se eleja senador, ficará com uma cruz marcada na testa, carimbado como bolsonarista radical.

Abriu mão de ser um conservador evoluído para ser um defensor de golpistas, pilantras e outros iguais. Assim, creio que o bolsonarismo e o lulismo/petismo, infelizmente, ainda estão fortes e atuantes e será muito difícil nos livrarmos deles.

Quem tenta se manter equidistante é acusado (pelos mais próximos e não somente pela internet) de ser “isentão”, caso não combata o petismo cerrando fileiras ao deus chorão, ou de “fascista”, se não endeusar os feitos e glórias da esquerda e do sindicalista condenado.

PERSEGUIÇÃO – Esse preconceito está acontecendo contra mim e creio que tanbém contra a grande maioria dos não-fanáticos ou fanatizados.

São tempos difíceis e o horizonte se mostra escuro e tenebroso. Não consigo entender como brasileiros lúcidos não percebem a imensa possibilidade de uma política de centro-direita e ou de centro, para, talvez, cimentar uma caminho um pouco menos sombrio para este pais.

Insistir em venerar Bolsonaro, fraco, chorão, esquivo dos temas mais fortes, interessado somente na criação de uma fidalguia familiar, ou endeusar um Lula, pavão deslumbrado, profundamente comprometido com a corrupção e assalto ao povo, com a manutenção permanente de escravos do poder central, essa polarização é claramente uma renúncia a qualquer futuro razoável.

9 thoughts on “Polarização entre Lula e Bolsonaro elimina qualquer chance de um Brasil melhor

  1. Mexeu com a Amazõnia, mexeu com a Fadinha da Floresta., doa a quem doê-la….

    “…Família de Vorcaro é dona de projeto de crédito de carbono que inflou fundos do Master

    Pai e irmã de banqueiro estão envolvidos desde a origem no plano de explorar irregularmente esses créditos em uma área da Amazônia….””

  2. Insistir em venerar Bolsonaro, fraco, chorão, esquivo dos temas mais fortes, interessado somente na criação de uma fidalguia familiar, ou endeusar um Lula, pavão deslumbrado, profundamente comprometido com a corrupção e assalto ao povo, com a manutenção permanente de escravos do poder central, essa polarização é claramente uma renúncia a qualquer futuro razoável.

    Por causa disso e outras coisas, como a violência que assola o Páis, muitos brasileiros estão indo embora…

    aquele abraço

  3. Com assim “…chance de um Brasil melhor”? O país está estagnado há 40 anos!

    O correto não seria “chance de um Brasil menos pior”?

    “O Brasil enfrenta um período prolongado de estagnação econômica, com especialistas apontando que a produtividade brasileira está estagnada há cerca de 40 anos, desde o início da década de 1980, um problema crônico que impede o país de crescer e enriquecer, exacerbado por crises recentes, como as de 2015-2016 e a da pandemia.

    Embora a década de 80 tenha sido chamada de “década perdida”, a estagnação atual, especialmente de 2011 a 2020, foi ainda mais severa, e o PIB per capita não se recuperou aos níveis de 2014.

    Principais Pontos da Estagnação:

    Produtividade: A produtividade do trabalhador brasileiro não aumenta há décadas, comparada com outros países que investiram em educação e tecnologia, o que limita a capacidade de o país produzir mais com os mesmos recursos.

    Baixo Crescimento: O crescimento médio do PIB entre 2011 e 2020 foi de apenas 0,8% ao ano, metade do registrado nos anos 80, e a participação do Brasil no PIB mundial caiu significativamente.

    Crises Recentes: A economia sofreu grandes choques com as recessões de 2015-2016 e a pandemia de Covid-19 em 2020, dificultando a retomada.

    Fatores Estruturais: A estagnação é atribuída à falta de investimento em educação, infraestrutura, instabilidade institucional e fechamento comercial, que afastam investimentos e capital.

    Em resumo, a percepção de estagnação no Brasil não se refere a um ano específico, mas a um período de mais de quatro décadas de baixo desempenho econômico e produtivo, com pontos de crise mais agudos em momentos recentes.”

    • Perguntar não ofende

      O que o Narco-Ladrão e sua Facção Criminosa estão á fazer para reverter essa situação.??

      Falta de qualificação dos trabalhadores contribui para baixa produtividade do Brasil

      Acesso à educação de qualidade e bom ambiente familiar desde jovens estão entre as alternativas apontadas por especialista da USP

      “…Ao longo das últimas décadas, os índices de produtividade do trabalhador brasileiro vêm apresentando resultados ruins, o que impacta diretamente a economia do País e preocupa especialistas da área. Segundo dados divulgados em fevereiro pela The Conference Board, organização sem fins lucrativos que se dedica à pesquisa e análise econômica, empresarial e de políticas públicas, um trabalhador brasileiro produz menos de 1/4, em termos de riqueza, do que um trabalhador norte-americano. Em comparação, na década de 80, a produtividade do brasileiro em relação ao norte-americano representava 46%….

      https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/falta-de-qualificacao-dos-trabalhadores-contribui-para-baixa-produtividade-do-brasil/

  4. Direita liberal? Os brasileiros lúcidos não caem nessa esparrela. O deputado citado, Van Hatten era um que pregava menos proteções sociais. Um adepto de privatizar tudo, até a saúde. Então, quem em sã saúde mental e que se importa com a maioria apoiaria políticas semelhantes?

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