Centrão vê adiamento de visita como jogada política de Tarcísio diante da crise da direita

Charge do Cláudio (Arquivo do Google)

Camila Turtelli
O Globo

O adiamento da visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papudinha, foi interpretado por lideranças do Centrão como um movimento para ganhar tempo em meio à indefinição da direita na disputa pela Presidência.

Nos bastidores, a avaliação é que o encontro, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), carregava mais riscos do que ganhos para o governador, ao associá-lo de forma precoce à estratégia eleitoral do clã Bolsonaro. A visita havia sido solicitada pela defesa do ex-presidente.

PRIORIDADE – Segundo o senador Flávio Bolsonaro (PL) disse ao O Globo, o objetivo do encontro seria reforçar ao governador que sua reeleição em São Paulo deveria ser tratada como prioridade. A leitura foi recebida com irritação no entorno de Tarcísio, cujos aliados ainda alimentam a possibilidade de ele disputar o Palácio do Planalto.

Interlocutores do governador avaliam que, se a visita tivesse ocorrido, dificilmente traria algo de positivo para seus planos políticos. A avaliação é que Bolsonaro já fez sua escolha ao indicar o filho como pré-candidato à Presidência, e que uma conversa privada pouco alteraria esse cenário. Ainda assim, a percepção predominante é que o adiamento acabou sendo mais vantajoso para Tarcísio do que o encontro em si.

Para um dirigente do Centrão, Tarcísio quis evitar ser empurrado para uma definição num momento em que o bolsonarismo ainda tenta se reorganizar após a prisão do ex-presidente. De acordo com essa leitura, quanto mais o encontro demorar a acontecer, melhor para o governador.

“PONTO SEM VOLTA” – Nesse contexto, a visita passou a ser vista como um possível “ponto sem volta”, ao cristalizar a expectativa de que Tarcísio assumisse um papel mais explícito na campanha presidencial de Flávio. Para líderes do Centrão, esse movimento seria arriscado diante da alta rejeição do senador e da ausência, até agora, de sinais claros de que o nome escolhido por Bolsonaro consegue unificar a direita para além de seu núcleo mais fiel.

Um dirigente resumiu a preocupação ao afirmar que um eventual recuo do partido “ficaria feio para Bolsonaro e para Flávio”, por expor insegurança e fragilidade política. Para partidos de centro, a instabilidade é um sinal negativo em um campo que busca previsibilidade para organizar alianças.

A visita de Tarcísio a Bolsonaro havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes e seria o primeiro encontro entre os dois desde a prisão do ex-presidente, no fim de novembro — e também a primeira conversa após Bolsonaro indicar formalmente o filho como pré-candidato ao Planalto, em dezembro.

3 thoughts on “Centrão vê adiamento de visita como jogada política de Tarcísio diante da crise da direita

  1. Tarcísio com “Micheque” de vice é a chapa mais forte para enfrentar Lula. Flávio perde no 2 turno assim como seu pai e todos sabem disso. Esse é o fato.

  2. A “famiglia” Bozo prefere perder liderando a vencer sendo liderados por Tarcísio. Mas e o Brasil? Ora, o Brasil que se dane!!! Lula também fez isso em 2018 quando poderia ter apoiado Ciro Gomes livrando o Brasil de Bolsonaro mas ao invés disso mandou o “Andrade” para derrota. Ambos são despreparados, cretinos e mesquinhos assim como seus filhos.

  3. Bananinha colocou Tarcínico “abaixo de c. de cachorro”

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    “Eduardo diz que Tarcísio ‘não tem a moral de ir contra’ a candidatura de Flávio

    O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), “não tem a opção de ir contra” a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

    Em entrevista ontem, (…) Eduardo também disse que o chefe do Executivo paulista “era, até ontem, um servidor público desconhecido da sociedade” que foi eleito com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    — O Tarcísio até ontem era um servidor público, um desconhecido da sociedade. Ganhou notoriedade sendo ministro da Infraestrutura. E depois foi eleito em São Paulo graças ao presidente Jair Bolsonaro. Ele não tem a opção de ir contra o Bolsonaro.

    Se ele tentar qualquer medida para fazer alguma coisa diferente e sair candidato, no barato ele vai se equiparar a João Doria — disse. — Ele nem tem muito o que aceitar, porque é difícil você mudar essa conduta [de escolha da candidatura de Flávio Bolsonaro].

    (…)

    Fonte: O Globo, Política, 22/01/2026 14h44 Por Rafaela Gama — Rio de Janeiro”

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