Com Flávio em alta, aliados tentam enquadrar Zema em chapa vencedora contra Lula

Ex-governador de Minas Gerais resiste a ser vice

Luísa Marzullo
O Globo

O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais, consolidado pelo resultado da Genial/Quaest da última quarta-feira, vai reforçar a articulação junto ao ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) para que ele aceite ser vice na chapa. Zema, no entanto, vem resistindo à iniciativa e diz a interlocutores que mantém a pré-candidatura.

O parlamentar aparece em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno, mas numericamente à frente: 42% a 40%.Em março, ambos tinham 41%; em fevereiro, o petista registrava 43%, contra 38% do senador.

PRINCIPAL OPOSITOR – Integrantes da pré-campanha avaliam que os números da Quaest e do Datafolha, divulgados no sábado, situam Flávio como principal opositor de Lula e esvaziam de vez possíveis movimentos pela entrada em cena de outro candidato vinculado ao bolsonarismo.

“Toda pesquisa é um retrato de momento. A campanha vai ser dura e o favorito é quem está sentado na cadeira. Flávio é um candidato competitivo e representa a novidade na eleição”,  afirmou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha.

A avaliação no entorno do pré-candidato é de que o resultado reforça a percepção de viabilidade eleitoral e o diferencia de outros nomes da direita testados no levantamento. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 35% em um eventual segundo turno contra Lula, que teria 43%. Já Zema marca 36%, enquanto o presidente também soma 43%.

NEGOCIAÇÃO POLÍTICA – Nos bastidores, o desempenho passou a ser usado como argumento para destravar negociações políticas. A leitura é de que, ao pontuar melhor que outros nomes do campo, Flávio ganha força para liderar um processo de unificação da direita e, nesse cenário, caberia a aliados como Zema compor a chapa.

O ex-governador voltou ao centro das articulações após encontro com Flávio na semana passada, em Porto Alegre. Na conversa, o senador afirmou que ele seria o nome preferido do ex-presidente Jair Bolsonaro para a vice. O ex-governador, porém, não sinalizou avanço e reagiu em tom de brincadeira, dizendo que, na verdade, convidaria Flávio para ser seu vice.

Com a divulgação da Quaest, aliados passaram a reforçar a pressão. A avaliação é de que o desempenho superior ao de outros nomes da direita fortalece o argumento de que caberia a Zema compor como vice, e não manter candidatura própria.

TESTE DE VIABILIDADE – Apesar disso, interlocutores do ex-governador indicam que o cenário ainda não sofreu mudança decisiva. A tendência é que ele siga testando sua viabilidade antes de qualquer movimento.

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), aliado de Zema, afirmou que a unificação seria vantajosa no plano local, mas que não vê uma união como possível antes de maio: “Para mim, a união das duas candidaturas seria muito benéfica por encerrar o meu esforço de unificação, mas não me parece que possa ocorrer antes de maio, com uma nova rodada de análise do cenário”.

A avaliação é que uma eventual composição colocaria Flávio no palanque de Simões em Minas e eliminaria a disputa interna no campo da direita pelo governo do estado.

ALIANÇA – Hoje, o cenário mineiro segue em aberto. O PL ensaia uma aliança com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e também avalia o nome do empresário Flávio Roscoe como alternativa, o que mantém a fragmentação do campo e aumenta o interesse em uma solução nacional que pacifique o palanque local.

Nos bastidores, aliados de Zema condicionam qualquer avanço a uma nova leitura do cenário político nas próximas semanas, incluindo a reação do eleitorado a uma campanha mais intensa.

No Congresso, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que o crescimento nas pesquisas tende a ampliar as opções de composição: “Vamos trabalhar. Quanto mais votos tiver, automaticamente vão aparecer mais opções para vice. Ainda tem muito tempo até as convenções. Zema é um bom nome e está sendo observado pela campanha”.

FOCO NAS MULHERES –  Como mostrou O Globo, a pré-campanha também passou a direcionar esforços para eleitorados em que Flávio enfrenta maior resistência, especialmente mulheres e eleitores do Nordeste. A estratégia foi colocada em prática esta semana.

A orientação interna é “furar a bolha”, com um ajuste de tom que reduz o peso do confronto ideológico e prioriza temas do cotidiano, como custo de vida, segurança pública e endividamento das famílias. A avaliação é de que esses segmentos respondem menos a pautas polarizadas e mais a agendas concretas, o que levou a campanha a recalibrar a comunicação.

PRESENÇA TERRITORIAL – As viagens pelo país foram colocadas no centro da estratégia, tanto para ampliar presença territorial quanto para sustentar o discurso de viabilidade eleitoral. No Nordeste, aliados defendem maior inserção em eventos populares e agendas de rua, com menor mediação política e mais contato direto com o eleitor.

Nos bastidores, o diagnóstico é de que o crescimento captado pelas pesquisas ainda é concentrado nos setores de maior base — como a classe média, os evangélicos e nas regiões Sul e Sudeste — e não se sustenta sem expansão nesses grupos. Por isso, a ofensiva tem dupla função: reduzir rejeição e, ao mesmo tempo, fortalecer o argumento político nas negociações com aliados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFlávio mentiu quando disse que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) seria seu “sonho de consumo” como vice. Na verdade ele dorme e acorda sonhando com Romeu Zema, porque é praxe considerar que toda eleição presidencial é vencida em Minas Gerais. Mas está difícil, porque Zema acha que poderá ser um novo Collor, embora a História somente se repita como farsa, como dizia Karl Marx. (C.N.)

6 thoughts on “Com Flávio em alta, aliados tentam enquadrar Zema em chapa vencedora contra Lula

  1. FLAVIETA – Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu?

    Não Renega o meu pai,

    Lameia-te do meu sobrenome;

    ou então, se
    não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque um Bolsonaro já és desde logo.

    ROMEU (à parte) – Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo?

    FLAVIETA – Meu inimigo não é apenas o meu sobrenome.

    Continuaria sendo o que sou, se acaso Bolsonaro não
    fosses.

    Que é Zema?

    Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença
    ao corpo.

    Sê outro nome.

    Que há num simples nome?

    O que chamamos rosa, sob uma outra designação
    teria igual perfume.

    Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição
    que dele é sem esse título.

    Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo,

    fica comigo inteira.

    ROMEU – Sim, aceito tua palavra. Dá-me o nome apenas de amor, que ficarei rebatizado. De agora em
    diante não serei Romeu.

    FLAVIETA – Quem és tu que, encoberto pela noite, entras em meu segredo?

  2. O povo está esperando ansiosamente uma alternativa aos Bolsonaro e aos petistas. Com a entrada de Ciro (se houver) e todos batendo no Flávio essa eleição pode terminar de forma imprevisível. Tudo pode acontecer, inclusive nada.

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