Flávio supera o pai e redes têm primeira transferência real de votos bolsonaristas

Flávio absorve capital digital de Bolsonaro no WhatsApp

Felipe Bailez
Folha

Há três semanas, na coluna Encaminhado com Frequência, mostramos que a direita chegava a 2026 sem sucessor definido porque continuava estruturalmente dependente da decisão de Jair Bolsonaro. A partir do monitoramento de mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp da Palver, utilizamos modelos de Inteligência Artificial para ir além da simples contagem de menções. Cada mensagem foi lida por um modelo de linguagem treinado para identificar apoio explícito de usuários de direita a possíveis presidenciáveis, classificando objetivamente a preferência expressa em cada interação.

Naquele momento, a disputa ainda se concentrava quase inteiramente no nome do ex-presidente, e nenhum outro candidato chegava perto, nem de dentro nem de fora da família. Desde então, o impasse foi rompido. Na semana passada, Jair fez o movimento que todos da classe política aguardavam ao apontar Flávio Bolsonaro como seu sucessor na disputa presidencial, transformando a sucessão em um teste real de transferência de capital eleitoral dentro da base bolsonarista.

REAÇÃO – Esse movimento provocou reação imediata na elite política e no mercado financeiro. No mesmo dia do anúncio, a Bolsa despencou, o dólar subiu e a Faria Lima reagiu como se a direita tivesse optado pelo caminho de maior risco. Ao mesmo tempo, circularam teses de que a indicação funcionaria mais como um balão de ensaio do que como uma decisão definitiva, uma forma de testar a reação da sociedade, do mercado e da própria base, sem fechar, ainda, a porta para uma alternativa fora da família.

Além disso, o movimento concede a Flávio a legitimidade de falar por Bolsonaro, costurar acordos políticos e tomar decisões sobre as alianças, reduzindo a possibilidade de um embate dentro do bolsonarismo, como o que aconteceu com Michelle Bolsonaro na semana passada.

Com dados inéditos, reproduzimos agora a mesma análise feita há três semanas, ampliando o recorte para incluir outros nomes da direita, justamente para testar se o movimento se concretizou como uma transferência de capital político no ambiente digital. O resultado não deixa dúvidas.

Monitoramento de mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp mostra apoio a candidaturas da direita – Palver

SUPERAÇÃO – Pela primeira vez desde o início do monitoramento, Jair Bolsonaro deixa de ser percebido como o candidato de 2026, sendo superado por Flávio, que ultrapassa a marca dos 50% de apoio explícito entre os usuários de direita nos grupos analisados. Mesmo com a indicação explícita do pai, ainda há um grupo resiliente, de mais ou menos 30%, que prefere o nome do ex-presidente para a disputa, a despeito da situação jurídica.

Após o anúncio, é possível notar um achatamento imediato do apoio à candidatura de outros nomes da direita, o que confirma a tese central que vínhamos sustentando: Bolsonaro não apenas mantinha o capital digital da direita, como também demonstrou capacidade efetiva de transferência.

MUDANÇA DE ROTA – Ainda há tempo para recuos até o período de desincompatibilização, mas, à medida que a base se solidifica em torno de Flávio, mudanças de rota passam a ter um custo político crescente. Declarações como a de que o senador admitiu a possibilidade de desistir da candidatura podem ter como plano de fundo a estratégia de pautar a imprensa como o que aconteceu ontem, em que seu nome foi manchete em todos os veículos.

A partir de agora, o principal termômetro será a reação das pesquisas e, sobretudo, a real capacidade de construção política de Flávio, variável que deve pesar diretamente na definição do cenário que chegará às urnas.

3 thoughts on “Flávio supera o pai e redes têm primeira transferência real de votos bolsonaristas

  1. Muitas vezes os fatos discordam das narrativas da mídia engajada.
    O que se vê na fila do pão, nas feiras, no açougue, bancas de revistas, farmácias, é bem diferente do trombeteado pelos ativistas de redação.

  2. Escolha de Flávio mostra que prioridade do ex-mito é manter a franquia familiar

    Ao ungir Flávio Rachadinha, o ex-mito mostra que sua prioridade não é derrotar Barba. O plano é evitar o fechamento da franquia familiar, mesmo que isso signifique perder a eleição de 2026.

    Fonte: O Globo, Opinião, 07/12/2025 02h35 Por Bernardo Mello Franco

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    Ex-mito indicou o Rachadinha para 2026 e a realidade bateu na Micheque

    O ex-mito não apoia ninguém que não seja da família Bolsonaro. Incluindo a própria Micheque, agregada tardia, que já deveria saber disso.

    Assim, “excluída’ da chapa do clã, Micheque já deve ir pensando em disputar uma vaga de deputada distrital por Gama. O que já seria muito, pela irrelevância política dela.

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    Fraqueza eleitoral de Flávio

    Assim como o ex-mito, Flávio Rachadinha não tem experiência de gestão de coisa nenhuma, e, diferente do pai, não tem votação própria, depende do apoio dele para se eleger qualquer coisa.

    Fonte: O Globo, Opinião, 07/12/2025 04h30 Por Merval Pereira

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