Nessa crise, a falta que faz Carlos Castelo Branco, um dos maiores jornalistas brasileiros

Via de regra e o dia em que Carlos Castello Branco puxou as orelhas de Paulo Francis - Jornal Opção

Castelinho, um grande comentarista da política brasileira

José Carlos Werneck

Como faz falta nestes dias confusos vividos pelo país o texto direto, através do qual o jornalista Carlos Castelo Branco analisava com uma precisão cirúrgica os acontecimentos da política brasileira. Seu texto era brilhante, conciso, direto, prendia o leitor do princípio ao fim.

Em sua “Coluna do Castelo”, publicada durante 31 anos no igualmente saudoso “Jornal do Brasil”, esse grande jornalista retratava de maneira extremamente precisa tudo o que de mais importante acontecia no Brasil.

ADVOGADO E JORNALISTA – Carlos Castelo Branco nasceu em Teresina no dia 25 de junho de 1920. Sua família mudou-se para Minas Gerais. Em março de 1939 ingressou Faculdade de Direito de Belo Horizonte.

Ainda acadêmico começou a trabalhar como repórter de polícia no jornal “O Estado de Minas”, integrante dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, onde foi subsecretário de redação e ligou-se à nova geração de escritores e intelectuais mineiros, como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Autran Dourado, Otto Lara Resende e Hélio Pelegrino.

Bacharelou-se em 1943 e, logo em seguida, abriu um escritório de advocacia. Pouco depois, desistiu da profissão para dedicar-se definitivamente ao jornalismo. Permanecendo como secretário em O Estado de Minas, expandiu suas atividades na área da imprensa e, em 1944, tornou-se secretário da Agência Meridional de Notícias, em Belo Horizonte, também pertencente aos Diários Associados.

JUNTO À UDN – Com o processo de redemocratização do Brasil em 1945 e o surgimento de novos partidos políticos, aproximou-se da União Democrática Nacional (UDN). Embora vinculado às principais personalidades mineiras que organizaram o partido no Estado, não chegou a se engajar politicamente na legenda.

No mesmo ano foi convidado por Carlos Lacerda para trabalhar no Diário Carioca e transferiu-se para o Rio de Janeiro. No entanto, quando se apresentou no novo emprego, Lacerda já havia deixado a direção do jornal e, por isso, não foi admitido. Pouco depois, por intermédio de Neiva Moreira, que trabalhava nos Diários Associados, foi contratado como subsecretário de O Jornal, órgão líder da cadeia, chegando a ocupar o cargo de secretário-geral.

Mais tarde foi indicado por Assis Chateaubriand para executar outras tarefas em diversos órgãos dos Diários Associados, tendo promovido em 1947, após três meses de trabalho em Belém, o relançamento do jornal A Província do Pará. De volta ao Rio, foi secretário do Diário da Noite durante alguns meses.

OUTROS TRABALHOS – Em 1948 deixou o cargo de secretário em O Jornal para trabalhar como analista de política no mesmo órgão. Nesse período começou a publicar colunas assinadas e a intensificar seus contatos políticos, o que lhe permitiu adquirir um maior conhecimento da realidade nacional.

Em 1950 foi convidado por Pompeu de Sousa para trabalhar como editor político no Diário Carioca, recém-remodelado, onde criou uma coluna intitulada “Diário de um repórter”.

 Em 1953 começou a trabalhar como editor na Tribuna da Imprensa, de propriedade de Carlos Lacerda, e tornou-se Correspondente político da Folha de S. Paulo e colaborador de O Estado de S. Paulo. Em setembro de 1953 deixou a Tribuna da Imprensa para organizar, ao lado de Neiva Moreira, a seção política da revista O Cruzeiro.

MORTE DE VARGAS – Após o suicídio de Getúlio Vargas e a posse do vice-presidente João Café Filho na presidência da República em agosto de 1954, foi convidado por Odylo Costa, filho, recém-nomeado diretor do jornal A Noite, das empresas Incorporadas ao patrimônio da União, para assinar a seção política. Aceitou a proposta, e continuou a manter as atividades que realizava anteriormente em outras empresas jornalísticas.

Com a deposição de Café Filho em novembro de 1955 e a saída de Odylo Costa, filho da direção do A Noite, deixou suas funções no jornal. Castelo Branco exerceu a profissão ao longo dos governos de 13 presidentes e da vigência de três constituições (as de 1946, 1969 e 1988).

Quem quiser saber tudo sobre a vida de Carlos Castelo Branco, membro da Academia Brasileira de Letras, deve ler “Todo aquele imenso mar de liberdade”, livro de Carlos Marchi, que mostra a trajetória desde grande jornalista brasileiro, que morreu com 72 anos, no Rio de Janeiro, em 1º de junho de 1993.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNosso grande amigo Carlos Chagas costumava recordar uma ocasião em que o então presidente Castelo Branco comentou com o jornalista sobre uma notícia publicada em um jornal uruguaio, que colocava Castelinho como “filho do presidente”. Em tom sério, relatava Carlos Chagas, Castelinho disse ao marechal presidente que o jornal estrangeiro o qualificara como “o maior colunista do Brasil, filho do ditador de plantão”. (C.N.)

Evangélicos progressistas pedem rejeição da indicação de André Mendonça para o STF

Crédito: Reprodução/Twitter/AmendoncaAGU

Progressistas não se sentem representados por Mendonça 

José Carlos Werneck

Uma frente de evangélicos progressistas divulgou, nesta terça-feira, uma carta aberta pedindo que senadores não aprovem a indicação de André Mendonça para uma das vagas no Supremo Tribunal Federal. O objetivo é se contrapor à mais volumosa ala de pastores bolsonaristas, que têm assumido a defesa do ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União.

O grupo pede que os congressistas rejeitem o nome “terrivelmente evangélico” indicado em julho pelo presidente Jair Bolsonaro e cuja sabatina, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, está marcada para esta quarta-feira.

ESCOLHA ANTIÉTICA – No documento os evangélicos alinhados à esquerda, que são minoria no segmento, sustentam que a escolha de Mendonça se deu “em circunstância absolutamente estranha aos requisitos da carta constitucional”, tendo sido “vinculada a uma particularidade do presidente da República”.

“Desde o início do processo, o chefe do Executivo estabeleceu abertamente como requisito essencial ser ‘terrivelmente evangélico’. Fato que fica comprovado pela forma como lideranças evangélicas que representam as elites político-econômicas do segmento hegemônico do evangelicalismo vêm deixando claro através de lobby direto e indireto junto ao presidente da República e aos senadores e senadoras da República.”

A credencial religiosa do indicado, segundo os signatários do texto, pesou mais do que elementos indispensáveis à função e citam, como exemplo, a atuação de Mendonça no julgamento no STF que tratou da realização de missas, cultos e demais celebrações religiosas durante a pandemia.

LIBERAÇÃO DE CULTOS – Mendonça, que é pastor presbiteriano, “citou a Bíblia para defender a liberação de cultos religiosos, à revelia de sua própria tradição teológica que valoriza uma relação individual e subjetiva com Deus, em detrimento da mediação de ‘templos feitos por mãos humanas’, conforme confissão primeiro dos pais da igreja e mais tarde dos reformadores”. afirmam.

André Mendonça é o indicado pelo presidente da República e “apresenta uma clara e inequívoca plataforma cujo tipo de engajamento religioso coloca em risco inúmeras conquistas da cidadania brasileira”, diz a carta.

“Não há dúvida de que as possíveis decisões institucionais do postulante, enviesadas por acordos confessionais, teológicos e morais, escusos à razão democrática. poderão suscitar um retrocesso importante aos direitos civis e aos valores laicos garantidos na Constituição.”

NÃO REPRESENTA – “O senhor André Mendonça representa tão somente uma pequena parcela do campo evangélico no Brasil. Uma parcela que não é representativa do ponto de vista da diversidade e pluralidade dos evangélicos e evangélicas de todo o Brasil, que é em sua maioria, segundo dados do IBGE, negra, feminina e pobre, características bem distintas do candidato”, entendem os evangélicos dissidentes.

O documento tem a assinatura de representantes de entidades como Frente de Evangélicos Pelo Estado de Direito, ABB (Aliança de Batistas do Brasil), Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), Coalizão de Evangélicos Pelo Clima, Movimento Negro Evangélico, Evangélicos pela Diversidade e Cristãos contra o Fascismo.

O Instituto Vladimir Herzog, sem a conotação religiosa, também aderiu à causa.

Nesta era de incertezas, é sempre bom lembrar Merquior, um intelectual que “pensava” o Brasil

José Guilherme Merquior, escritor e embaixador, delegado permanente do Brasil junto à Unesco.José Carlos Werneck

Muito acertadamente o escritor Eduardo Portella, ex-ministro da Educação, definiu José Guilherme Merquior como “a mais fascinante máquina de pensar do Brasil pós-modernista, irreverente, agudo, sábio”, ao passo que o antropólogo francês Lévi-Strauss o definiu como “um dos espíritos mais vivos e mais bem informados de nosso tempo”.

Merquior foi reconhecido por intelectuais de ideologias diversas, sendo considerado “a maior inteligência brasileira da segunda metade do século XX”, pelo poeta Bruno Tolentino, e um “talentoso porta-voz da direita” pela professora Marilena Chauí.

AMOR À ESTÉTICA – Merquior dedicou ainda parte de sua obra à Estética, que abrangeu desde a crítica literária com seu livro de estreia “Razão do Poema”, até sua última obra publicada em vida, “Crítica, uma coletânea sobre arte”.

Nascido no Rio de Janeiro, em 22 de abril de 1941, no bairro da Tijuca, desde cedo Merquior se destacava pela inteligência e empenho em leituras. Ele se casou com a primeira namorada, Hilda, com quem ficou da adolescência até morrer, aos 49 anos.

Aos 18 anos já era um fenômeno intelectual e passou a publicar artigos no Jornal do Brasil. Formou-se em Filosofia e Direito e construiu uma carreira na diplomacia, passando em primeiro lugar no concurso do Instituto Rio Branco. Como diplomata, serviu em Bonn, Londres, Paris e Montevidéu. Foi Embaixador no México e Representante Permanente do Brasil junto à Unesco.

COM INTELECTUAIS – Em 1965, aos 24 anos, iniciou sua carreira de escritor com o livro, “Razão do Poema” e concluiu doutorado no ano seguinte, na Universidade Sorbonne.

Durante sua trajetória profissional, travou contato e amizade com diversos intelectuais de renome. O filósofo francês Ernest Gellner, por exemplo, foi orientador da tese de doutorado em Sociologia pela London School of Economics (seu terceiro doutoramento).

Humanista, discorria com erudição sobre muitos temas das Ciências Humanas, tendo iniciado o ofício público de escritor como crítico literário.

SOCIAL-LIBERALISMO – Ao lado de Roberto Campos, que foi um dos seus mentores intelectuais, trabalhou no governo Fernando Collor, tendo colaborado na redação do discurso de posse do presidente, com as linhas gerais do que seria a doutrina do “social liberalismo”, o nome que o então presidente deu à sua política liberal com fins sociais. Convidado por Collor para ocupar, em 1990, o cargo de Ministro da Cultura, não aceitou.

Sua proposta política visava tirar o Brasil de velhas amarras, do patrimonialismo e personalismo que imperavam no cenário político brasileiro. Correspondia à terceira via proposta pelos britânicos Anthony Giddens e Tony Blair, pois Merquior defendia uma atuação do Estado na moderação social e econômica, mas com favorecimento aos ambientes de negócios da livre-iniciativa privada.

Era favorável à privatização das estatais e ao investimento massivo do Estado em educação, saúde e segurança pública. Mas também criticava o mercado capitalista, por não distribuir renda e aumentar a desigualdade social. 

CRÍTICA AO COMUNISMO – De acordo com Merquior, o Socialismo, em suas origens intelectuais, não era uma teoria política e sim uma teoria econômica que procurava reestruturar a indústria. O socialismo só se politizou com Karl Marx, o qual fundiu a crítica do liberalismo econômico com a tradição revolucionária do comunismo.

Apesar da crítica ao Marxismo, Merquior fazia questão de distingui-lo da social-democracia: “O capitalismo não é um anátema, mas o mercado não é visto como um meio adequado de suprir as necessidades sociais”, ressaltava o intelectual brasileiro, que morreu prematuramente em New York, vitimado por um câncer de intestino, em 1991 ao 49 anos.

Eterna presença de Otto Maria Carpeaux, o mais sábio e rebelde jornalista do Brasil 

listadelivros Instagram posts (photos and videos) - Picuki.comJosé Carlos Werneck

Otto Maria Carpeaux foi um dos maiores intelectuais que conheci, quando, ainda criança, era levado por meu pai, o jornalista Geraldo de Andrade Werneck, à redação do “Correio da Manhã”, onde os dois trabalhavam.

Nascido em Viena, então capital do Império Austro-Húngaro, em 9 de março de 1900, filho único do advogado e funcionário público judeu Max Karpfen. e da católica Gisela Karpfen, Otto Maria Carpeaux estudou Filosofia e Química na Universidade de Leipzig e Literatura Comparada na Universidade de Nápoles e Sociologia e Política na Escola Superior Berlim.

FUGA PARA ANTUÉRPIA – Em 1931, começou a escrever ensaios e resenhas literárias e musicais. Em 1933 é nomeado diretor da Biblioteca de Ciências Econômicas e Sociais de Viena, cargo exercido até 1938. Em 1934 torna-se também o segundo redator-chefe do jornal Reichspost, o “maior jornal católico da Áustria”.

Por esta época, Carpeaux tornou-se homem de confiança dos primeiros-ministros Engelbert Dollfuss e Kurt Schuschnigg, antes da anexação da Áustria pelo Reich alemão. Com a queda do Reich, em princípios de 1938 foge para Antuérpia, onde trabalha como jornalista na Gazet van Antwerpen, maior jornal belga de língua holandesa.

Diante da escalada nazista, Carpeaux sente-se inseguro e no final de 1939, foge para o Brasil com sua mulher. Durante a viagem de navio, estoura a II Grande Guerra. Recusando qualquer ligação com o que estava acontecendo no Reich, muda seu sobrenome germânico Karpfen para o francês Carpeaux.

TRABALHO NO CAMPO – Ao desembarcar, nada conhecia da literatura brasileira, não falava português e não conhecia ninguém. Na condição de imigrante, foi enviado para uma fazenda no Paraná, sendo designado para o trabalho no campo. Em seguida, o cosmopolita e erudito Carpeaux consegue ir para São Paulo. Inicialmente passa dificuldades; sem trabalho, sobrevive à custa da venda de seus próprios pertences, inclusive livros e obras de arte.

Poliglota, o homem que já sabia inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, flamengo, catalão, galego, provençal, latim e servo-croata, em um ano aprendeu e dominou o português, com muita facilidade devido ao conhecimento do latim e de outras línguas dele derivadas.

Em 1941, já no Rio de Janeiro, começa a escrever artigos literários para o Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, em francês, que eram publicados em tradução. Mostrando sua grande inteligência e erudição, divulgou autores estrangeiros

CRIANDO SEM CESSAR – Nesse mesmo ano, naturalizou-se brasileiro e em 1942, publicou o livro de ensaios” A Cinza do Purgatório”. E de 1942 a 1944 Carpeaux foi diretor da Biblioteca da Faculdade Nacional de Filosofia. Em 1943, publica “Origens e Fins”.

De 1944 a 1949 foi diretor da Biblioteca da Fundação Getúlio Vargas. Em 1947 publica a monumental “História da Literatura Ocidental”, considerado o mais importante livro do gênero em língua portuguesa, no qual analisa a obra de mais de oito mil escritores, partindo de Homero até mestres modernistas, que era o estudo de sua predileção.

Em 1950, torna-se redator-editor do Correio da Manhã e em 1951, publica a “Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira”, obra singular na literatura nacional, reunindo, em ordem cronológica, mais de 170 autores de acordo com suas correntes, da literatura colonial até nossos dias.

OUTRAS OBRAS – Sua produção crítica literária é intensa, escrevendo em jornais semanalmente. Em 1953, publicou “Respostas e Perguntas” e “Retratos e Leituras”, em 1958,”Presenças”, e em 1960, “Livros na Mesa”.

Carpeaux foi forte opositor do Regime Militar, redigindo artigos sobre o Governo, participando, também, de debates e eventos políticos. Não obstante, escreveu os famosos editoriais do “Correio da Manhã” de 1964 pedindo o fim do Governo de João Goulart: Basta! e Fora!.

Nesse período foi também, ao lado de Antônio Houaiss, coeditor da Grande Enciclopédia Delta-Larousse. Em 1968, participou da Passeata dos Cem Mil, contra o Regime Militar. E Otto Maria Carpeaux morreu, no Rio de Janeiro, em 3 de fevereiro de 1978, de ataque cardíaco.

SOBRE CARPEAUX – José Roberto Teixeira Leite, que conheceu Carpeaux quando vivia no Rio de Janeiro, descreve a figura do sábio austríaco: Carpeaux foi um dos homens mais feios que conheci… sua aparência neanderthalesca, todo mandíbulas e sobrancelhas, fazia a delícia dos caricaturistas: parecia, sem tirar nem por, um troglodita, mas troglodita de ler Homero e Virgílio no original, de se deliciar com Bach e Beethoven e de diferenciar entre Rubens e Van Dyck. E acrescenta que Carpeaux era totalmente gago, o que o afastou da cátedra e das universidades para confiná-lo em bibliotecas, gabinetes e redações.

Fábio de Souza Andrade diz que “ao cabo de quase meio século de participação pública no Brasil, […] Otto Maria Carpeaux conquistou o respeito e o reconhecimento de autores ideologicamente tão diversos como Antonio Candido e Olavo de Carvalho”.

LENDO AS PARTITURAS – Carlos Heitor Cony, membro da ABL, afirma que Carpeaux dominava alguma espécie de mnemônica com a qual, por meio de chaves e códigos, penetrava em todos os campos do saber humano. Segundo o jornalista, Carpeaux preferia ler partituras a escutar músicas, pois lendo a pauta achava mais fácil de memorizar as canções.

Para Sérgio Augusto, “Carpeaux conhecia a fundo todos os clássicos, todos os pensadores, todos os compositores eruditos, todos os pintores (…) Era generoso, paciente com jovens ignaros como eu e divertidamente intransigente e irascível quando provocado por fatos e juízos que julgasse equivocados, insultuosos ou apenas absurdos.” E, “na verdade, não era ortodoxo nem heterodoxo, preferindo uma relação dialética entre esses dois extremos.”

Alfredo Bosi ressalta que Carpeaux atravessou a crítica positivista, a idealista, a psicanalítica, o new criticism, a estilística espanhola, o formalismo, o estruturalismo, a volta à crítica ideológica… Mas, educado junto aos culturalistas alemães e italianos do começo do século, ele sabia que nada se entende fora da História.”

REBELDE INATO – Franklin de Oliveira afirma que Otto Maria Carpeaux “não era um escritor, mas uma enciclopédia viva. Porém, mais do que uma enciclopédia viva, era um homem: na coragem de suas convicções, na bravura de suas atitudes, na limpidez de sua visão, um rebelde inato. Sua linhagem a dos grandes humanistas.”

Para Álvaro Lins, Carpeaux tem um estilo “muito pessoal, muito direto, muito denso”. Notar-se-á que é um estilo vivo, preciso e ardente. Às vezes, enérgico e áspero. Nestas ocasiões, sobretudo, este estilo está confessando um temperamento de inconformista, de panfletário, de debatedor.”

“A Paixão Segundo Callado” é mais um excelente documentário de José Joffily

Dvd - A Paixão Segundo Callado - ( A Paixão Segundo Callado) | Mercado Livre

Callado, um dos maiores intelectuais do século passado

José Carlos Werneck

O Canal Curta exibiu recentemente o excelente documentário “A paixão segundo Callado”, de José Joffily, que retrata a trajetória de vida do jornalista Antonio Callado. A narrativa, repleta de aventuras na Europa em guerra, no Xingu dos índios Uialapiti e Kamaiurá, no Vietnã do Norte em luta contra os Estados Unidos, no Nordeste das Ligas Camponesas, mostra a obra deste notável jornalista, toda dedicada à descoberta do Brasil e a denunciar as injustiças contra índios, negros, camponeses e mulheres.

DEPOIMENTOS – Para falar da obra de Callado, o filme traz depoimentos de amigos e conhecedores do universo literário do escritor, com poéticas sequências de imagens que transportam o espectador ao pujante imaginário de sua obra. A locução é de Tessy Callado, atriz e profunda conhecedora da obra do pai.

Antônio Carlos Callado, jornalista, romancista, biógrafo e teatrólogo, ingressou na Faculdade de Direito em 1936 e, no ano seguinte, começou a trabalhar, como repórter e cronista, em O Correio da Manhã.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1941, foi contratado pela BBC de Londres como redator, lá permanecendo até maio de 1947. Num período intermediário, de novembro de 1944 a outubro de 1945, trabalhou no serviço brasileiro da Radio-Diffusion Française, em Paris, cuja sede ficava nos Champs-Elysées e seu chefe era o escritor Roger Breuil.

REDATOR-CHEFE – Ao retornar ao Brasil voltou a trabalhar no Correio da Manhã e também passou a colaborar em O Globo. Foi redator-chefe do Correio da Manhã de 1954 a 1960, quando foi contratado pela Enciclopédia Britânica para chefiar a seção de uma nova enciclopédia, a Barsa, publicada em 1963.

Foi, também, redator do Jornal do Brasil, que o enviou, em 1968, ao Vietnã em plena guerra. Em 1974 esteve como Visiting Scholar em Corpus Christi College, Universidade de Cambridge, Inglaterra. E Passou o segundo semestre de 1981 lecionando, como Professor Visitante na Columbia University, em Nova York.

LITERATURA – Além das atividades jornalísticas, dedicou-se sempre à literatura. Seus primeiros romances, Assunção de Salviano, de 1954, e A Madona de Cedro, de 1957, mostram uma nítida preocupação religiosa.

O jornalismo o levou, além dos anos passados na Europa, a lugares como Bogotá, Washington, Xingu e Havana, que enriqueceram sua bibliografia com livros de reportagem e obras literárias engajadas com as grandes questões de seu tempo.

Entre os mais importantes, estão Quarup, de1967, Bar Don Juan, de 1971, Reflexos do Baile, de 1976, Sempreviva, de 1981, que apresentam um retrato do Brasil durante o regime militar, sob o ponto de vista de seus opositores.

DUAS PRISÕES – O engajamento político de Callado, um intelectual de esquerda, custou-lhe duas prisões: a primeira em 1964, logo após o golpe militar, e a outra em 1968, depois do fechamento do Congresso Nacional decretado pelo AI-5.

Teatrólogo, reuniu quatro de suas peças no volume A Revolta da Cachaça, em 1983. Uma delas, Pedro Mico, encenada em muitas ocasiões, foi transformada em filme que teve como ator principal o ex- jogador Pelé.

Quarto ocupante da cadeira 8 da Academias Brasileira de Letras, foi eleito em 17 de março de 1994, na sucessão de Austregésilo de Ataíde. Três anos depois, em 1997, Callado morreu no Rio de Janeiro.

“Sabatina de Mendonça deve ser em novembro”, diz Pacheco, mas Alcolumbre não confirma

Indicação de André Mendonça ao STF pode ser votada em novembro, segundo  Pacheco - Terra Brasil Notícias

Rodrigo Pacheco diz que tem conversado com Alcolumbre

José Carlos Werneck

Mais um capítulo da mais polêmica indicação ao Supremo Tribunal Federal, feita até agora. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, declarou que a indicação de André Mendonça para o STF pode ser votada em plenário na segunda quinzena de novembro.

Indicado há 101 dias pelo presidente Jair Bolsonaro, o nome de André Mendonça está em quarentena, por decisão do senador Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, órgão incumbido regimentalmente para sabatinar os indicados para os Tribunais Superiores. A votação pelo plenário depende da apreciação do indicado pela CCJ.

ESFORÇO CONCENTRADO – Rodrigo Pacheco, que nesta sexta-feira confirmou sua saída do DEM para se filiar ao PSD, disse que o Senado deve fazer um esforço concentrado depois do dia 15 de novembro para votar indicações para embaixadas, agências reguladoras, conselhos  “e também a indicação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal”.

“Eu acredito nessa solução nas próximas semanas, no âmbito do Senado, mas primeiro é preciso que haja de fato a apreciação pela Comissão de Constituição Justiça, que é algo que eu também aguardo e espero”, declarou o senador.

Para que isso aconteça, Davi Alcolumbre, presidente da CCJ,  igualmente deve promover na Comissão, um esforço concentrado, como são denominadas as sessões no Congresso Nacional, em que os parlamentares votam uma lista extensa de propostas que estão aguardando apreciação.

O TEMPO PASSA – Bolsonaro oficializou em 13 de julho a escolha de Mendonça para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello, mas Alcolumbre até hoje não pautou a sabatina na CCJ.

A decisão de não pautar a indicação é tida como um recado de Alcolumbre ao Palácio do Planalto, de quem ele foi aliado quando presidiu o Senado.

Alguns parlamentares que trabalham contra a indicação de Mendonça acreditam que a demora poderia levar o presidente da República desistir do nome e escolher um outro com currículo mais robusto ou com mais trânsito no mundo político, como é o caso do procurador-geral da República, Augusto Aras.

COMPROMISSO EVANGÉLICO – Bolsonaro deu sobejas demonstrações que não pretende recuar da indicação. A escolha de Mendonça é parte de um compromisso com líderes evangélicos, que fazem campanha permanente para pressionar o Governo e o Senado a ir adiante com a indicação.

Pacheco disse que, além das indicações de autoridades, o Senado Federal pretende resolver “até o final do ano” proposições que alteram o pagamento de precatórios e o teto de gastos públicos, além da definição do Auxílio Brasil, programa social que deve substituir o Bolsa Família.

Tudo bem, mas a principal razão da sabatina ainda não ter sido marcada foi a declaração feita por Alcolumbre, que disse ter certeza da rejeição do nome de André Mendonça para integrar o STF. Depois, afirmou que não se submete a pressões e até agora não marcou a sabatina. Aguardemos.

Candidatura de Sergio Moro é a que mais irrita e preocupa os petistas e os bolsonaristas

A data de filiação de Moro | VEJA

Só falta Moro tirar a caneta do bolso e assinar sua filiação

José Carlos Werneck

A candidatura de Sergio Moro à Presidência da República em 2022, pelo Podemos é dada como certa pelos integrantes do partido, e a filiação é aguardada para novembro, quando o ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública prometeu responder ao convite que lhe foi feito pela legenda, por estar livre da multa contratual com a consultora internacional Alvarez & Marsal, à qual presta serviços nos Estados Unidos.

O partido acredita que o nome de Moro é o mais viável entre os que já surgiram para encarnar a chamada terceira via, ou seja, uma alternativa diante do cenário da nociva e cruel polarização entre Lula e Jair Bolsonaro.

FILIAÇÃO – Segundo a colunista Bela Megale, de O Globo, o ex-juiz da Lava-Jato Sergio Moro já teria decidido que vai mesmo concorrer às eleições de 2022. O Podemos, partido pelo qual Moro vai se aventurar nas urnas, já teria até marcado para o dia 10 de novembro seu evento de filiação, que deve acontecer no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Diz a jornalista que Moro teria batido o martelo sobre sua filiação quando esteve no Brasil, no mês passado, para uma rodada de conversas sobre seu futuro político. No ato de filiação, o ex-juiz já estará desligado da empresa Alvarez & Marsal, onde trabalha hoje. Até o fim de outubro, Moro tem inclusive eventos públicos representando a companhia.

O Podemos não descarta que o ato de filiação também possa incluir o anúncio da pré-candidatura de Moro à Presidência. Há, porém, a possibilidade deste anúncio ser feito mais para frente.

LAVA JATO – A candidatura de Moro é considerada uma forma de obter os votos de todos aqueles que defenderam a extinta força-tarefa da Lava Jato, liderada pelo então juiz federal Sergio Moro, em Curitiba.

Na reunião ocorrida recentemente na capital paranaense, com membros do Podemos, participaram do encontro a presidente do partido, deputada Renata Abreu, e os senadores Alvaro Dias, Flávio Arns e Oriovisto Guimarães.

Moro ficou de dar a resposta ao partido até o dia 15 de novembro, duas semanas depois do término de seu contrato, nos Estados Unidos, com a consultoria empresarial Alvarez e Marsal, que não permite que ele exerça atividade política durante a vigência.

TEM CHANCES – Integrantes do partido mostraram a Sergio Moro que há, no País, uma demanda pelo seu nome e que muitos eleitores anseiam pela volta do discurso anticorrupção.

Pesquisas realizadas a pedido de simpatizantes de Sergio Moro mostraram que sua candidatura tem possibilidade de crescimento. Justamente por isso, é a que mais preocupa e irrita tanto a bolsonaristas quanto a petistas, o que é excelente para o Brasil.

Esteves Colnago aceita convite de Paulo Guedes para assumir a Secretaria do Tesouro

Esteves Colnago aceita convite para assumir a Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento | Blog Ana Flor | G1

Esteves Colnago é elogiado por especialistas do mercado

José Carlos Werneck

O chefe da assessoria de relações institucionais do Ministério da Economia, Esteves Colnago, aceitou assumir o cargo de secretário especial do Tesouro e Orçamento. Colnago é principal interlocutor da Pasta no Congresso Nacional e muito respeitado entre os servidores de carreira do ministério, sendo considerado um dos melhores quadros da equipe econômica, por possuir um perfil técnico e fiscalista.

Em Brasília especula-se se o ministro da Economia Paulo Guedes conseguirá resgatar a credibilidade perdida, devido a derrubada do teto de gastos, para bancar o Auxílio Brasil de R$ 400,00 dado pelo presidente Jair Bolsonaro, que provocou uma crise institucional com o pedido de demissão de quatro secretários do ministério.

ELOGIOS – Para Arnaldo Lima, diretor de Estratégias Públicas do Grupo Mongeral Aegon, Paulo Guedes errou ao não colocar Colnago na função desde o início do mandato. “É disparado o melhor nome da Esplanada.

Participou da construção do teto e 90% das medidas econômicas nos últimos anos passaram pelas mãos do Esteves. Ele sabe dialogar com o Congresso e não é vaidoso”, afirmou Lima, que trabalhou com o novo secretário no extinto Ministério do Planejamento.

Candidatura de Datena não é terceira via, parece ser mais “um caminho esburacado”

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Datena faz pose em sua primeira entrevista “eleitoral”

José Carlos Werneck

Em entrevista à revista Veja, o apresentador José Luiz Datena disse, nesta sexta-feira, que está certo de que será o próximo presidente do Brasil. Perguntado sobre o porquê do desejo de ser presidente, ele afirmou ter “credibilidade”.

“Sou um cara que não rouba, sou honesto. Quando o dever público te chama, é importante que atenda. Se não, será governado pelos maus”, justificou-se.

POLARIZAÇÃO – Sobre as próximas eleições, Datena destacou a polarização existente agora no Brasil, com a maioria das pesquisas eleitorais indicando a preferência dos eleitores pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e pelo atual presidente Jair Bolsonaro, ainda sem partido.

“Não votaria em nenhum deles. Tenho certeza de que vai dar tudo certo e eu serei o próximo presidente da República”, declarou o apresentador.

Para ele, Bolsonaro ganhou popularidade por causa de Lula. “Quem criou Bolsonaro foi a esquerda, o Lula indo para a cadeia, o Lula criando a Dilma, o pior governo de todos os tempos, que jogou o país no nosso pior período recessivo. Bolsonaro não foi eleito pelos méritos dele. Quem o elegeu foi a péssima condução dos regimes de esquerda. A incompetência da esquerda elegeu Bolsonaro, e a incompetência do governo Bolsonaro está agora trazendo Lula de volta”.

CRIMES DE BOLSONARO – Segundo Datena, que era apoiador de Bolsonaro, o presidente cometeu crimes contra a humanidade durante a pandemia de COVID-19.

“O fato de estimular as pessoas a não tomar vacina é crime? É crime pra caramba, é crime contra a humanidade. O fato de não usar máscara e provocar aglomerações, também”.

Ao ler a entrevista de Datena, um veterano jornalista de Brasília comentou:

“Não se trata exatamente de uma terceira via. Está mais para um caminho esburacado…”

Por incompetência, Bolsonaro conseguiu levar o país ao limite e só lhe resta renunciar

O tiro curto de Bolsonaro (Por Marcos Magalhães) | VEJA

Cada vez mais isolado, Bolsonaro é a imagem do fracasso

José Carlos Werneck

Até quando este Governo abusará da paciência do povo brasileiro? Até onde pretende ir, por meio de tanta incompetência e primarismo ímpar levar o País ao caos? Até que ponto contribuirá para a intranquilidade e insegurança que já tomaram conta da Nação? Até quando pretende, por meio da inflação e do aumento do custo de vida, levar ao desespero a população que paga impostos absurdos, e nada recebe em troca?

É inaceitável permanecer nesta desordem que se alastrou pelos setores administrativo, econômico e financeiro de todo um país com enormes potencialidades e está parado por conta de tanta ignorância e tanta inépcia.

TUDO PELA REELEIÇÃO – Chega de subterfúgios. Chega de deslavadas mentiras criadas por um presidente despreparado e com o intuito único de confundir os brasileiros e levar adiante seu plano de se reeleger a qualquer custo.

Basta de negacionismo e demagogia barata, para que, realmente, os brasileiros consigam viver em paz.

No país do Agronegócio o povo passa fome! A maioria das medidas tomadas pelo Governo são balelas, sem outro propósito senão aproveitar da boa-fé dos brasileiros, que estão fartos de tanta ineficiência e intranquilidade.

É inaceitável que este caos provocado por uma Administração inepta, que implantou a desordem generalizada, paralise toda a Nação.

VOLTA DA INFLAÇÃO – A intranquilidade econômica com um governo ineficiente chegou agora ao limite com a volta do fantasma da inflação que está corroendo os salários dos brasileiros, intranquilizando igualmente todas as classes sociais.

A opinião pública repudia veementemente esta política de origem duvidosa e perversa contrária às Instituições, cuja preservação cabe, por imperativo constitucional, ao próprio presidente da República.

A nação anseia pelo respeito à Constituição. Precisamos de ajustes discutidos e votados, sem o toma-lá-dá-cá, pelo Congresso Nacional. Desejamos a preservação das conquistas democráticas. O povo quer eleições limpas e com apuração confiável.

HORA DE RENUNCIAR – Se o presidente Jair Bolsonaro não pode cumprir o papel que lhe é destinado constitucionalmente, não lhe cabe outra saída senão entregar o Governo ao seu legítimo sucessor.

É consenso que a presidente termine o seu mandato como prevê a Constituição. Tudo isso é salutar para a Democracia. Mas, para isso, a presidente da República terá de desistir desta sua política nociva e desse negacionismo infantil que está prejudicando o Brasil e os brasileiros.

Os brasileiros não desejam golpes nem contragolpes. Querem preservar e cada vez mais aperfeiçoar o processo democrático, duramente construído e manter a estabilidade econômica obtida pelo Plano Real, que está sendo jogada no lixo da História.

ACIMA DOS LIMITES – Mas, igualmente, não admitem que seja o Poder Executivo, por interesses espúrios, que promova o caos social e tente confundir o povo levando os brasileiros ao desespero e literalmente matando de fome sua população!

Os Poderes Legislativo e Judiciário, as Forças Armadas, e todos os segmentos democráticos devem estar vigilantes para combater todos os que pretendem ameaçar a Democracia.

O País já sofreu além dos limites com este desgoverno. Agora, chega de tanta bobagem e de tanta mentira!

Alexandre Garcia é demitido da CNN após defender tratamento precoce para Covid-19

Após demissão da CNN Brasil, Alexandre Garcia manda recado para seguidores  | RD1

CNN alega que Garcia defendeu um tratamento que é ineficaz

José Carlos Werneck

O jornalista Alexandre Garcia foi demitido da CNN Brasil nesta sexta-feira, logo após ter defendido, no quadro Liberdade de Opinião, medicamentos considerados ineficazes no tratamento contra a Covid-19.

Ele disse que esses medicamentos “salvaram milhares de vidas”, e a emissora desmentiu sua opinião logo em seguida, informando que não existe nenhum tipo de tratamento precoce cientificamente comprovado contra a covid-19 e que a opinião do comentarista não refletia necessariamente a da CNN.

DEFENDE TUDO – Alexandre Garcia, igualmente, havia defendido a Prevent Senior, empresa investigada pela CPI da Covid-19, acusada de adulterar registros de prontuários de pacientes, e de realizar testes com medicamentos ineficazes sem comunicar os participantes dos estudos.

Poucas horas após o ocorrido, a emissora divulgou um comunicado informando a demissão do comentarista. O quadro Liberdade de Opinião será mantido no jornal Novo Dia.

É erradíssimo defender medicamentos que não têm comprovação científica para tratar doenças, mas a CNN deveria mudar o nome do quadro de sua programação, pois pega mal chamar de “Liberdade de Opinião” um programa no qual o participante não pode dar sua opinião…

Mais um capítulo! Lewandowski pede informações sobre sabatina de Mendonça

André Mendonça, um ministro 'terrivelmente' bolsonarista?; leia análise - Política - Estadão

Davi Alcolumbre deixa Mendonça terrivelmente constrangido

José Carlos Werneck

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, pediu nesta terça-feira informações ao presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, Davi Alcolumbre, antes de decidir o pedido feito no Mandado de Segurança para que ele paute, com urgência, a sabatina de André Mendonça, indicado para substituir no STF o ministro Marco Aurélio Mello, que se aposentou em julho.

Na petição ao Supremo, os senadores Jorge Kajuru, do Podemos de Goiás, e Alessandro Vieira, do Cidadania de Sergipe, qualificaramm como ato “ilegal e abusivo” a conduta de Alcolumbre de não pautar a sabatina do indicado para o Tribunal.

AGUARDA RELATOR – Os senadores, no pedido, informaram que a mensagem presidencial com a indicação de André Mendonça foi enviada no dia 2 de agosto e que no dia 18, do mesmo mês foi encaminhada à publicação no site do Senado Federal e, no dia seguinte, passou a constar a informação de que aguarda a designação de relator para apreciação.

Segundo o mandado de segurança, todos os meios idôneos ao alcance dos senadores já foram utilizados para que Davi Alcolumbre marque o dia da sabatina, e vários líderes partidários requereram formalmente a designação de sessão, mas até agora tiveram seus pedidos ignorados.

VOTO DE MINERVA – Alessandro Vieira e Jorge Kajuru sustentam no mandado de segurança que tal situação acarreta danos ao interesse público, comprometendo a prestação jurisdicional do STF, que deixa de contar com um ministro em sua composição e obriga o presidente do Tribunal a proferir o chamado “voto de minerva”

que é dado em casos de empate.

Como se vê, este é mais um capítulo da novela “Um Ministro Terrivelmente Evangélico no Supremo”, escrita pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e que tem tido baixíssimo nível de audiência.

Senadores acionam o Supremo para obrigar Alcolumbre a marcar sabatina de Mendonça

Conheça Davi Alcolumbre, do baixo-clero, aliado de Onyx e agora presidente do Senado - 01/02/2019 - Poder - Folha

Alcolumbre quer ter certeza de que Mendonça não passará

José Carlos Werneck

Os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Podemos-GO) entraram nesta quinta-feira, com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para obrigar o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP),a colocar em pauta a sabatina de André Mendonça, cuja indicação para o STF foi oficializada em junho pelo presidente Jair Bolsonaro.

O ex-titular da Advocacia-Geral da União foi indicado pelo presidente da República para a vaga aberta no Tribunal, resultante da aposentadoria de Marco Aurélio Mello, e necessita de aprovação do Senado para assumir o cargo.

SITUAÇÃO INUSITADA – O pedido dos senadores cria uma situação inusitada, pois transfere ao STF a responsabilidade de decidir sobre uma nomeação para o próprio tribunal. No Mandado de Segurança, os senadores dizem que a conduta de Davi Alcolumbre é ‘abusiva’ e que não restou outra alternativa a não ser acionar a Justiça.

“Ora, se o Senado da República não escolhe e tampouco elege ministros do Supremo Tribunal Federal, mas apenas aprecia a indicação realizada pelo Presidente da República, é imprescindível que haja a pronta e tempestiva designação de sessão para essa finalidade, uma vez formal e solenemente enviada a mensagem pelo chefe do Poder Executivo”, sustenta o pedido.

EXEMPLO DA CPI – Vieira e Kajuru afirmam que Alcolumbre posterga, ‘sem qualquer fundamento razoável’, a sabatina, deixando o tribunal desfalcado, e comparam o pedido a outro atendido pelo STF em abril, quando o tribunal determinou que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), instalasse a CPI da Covid.

“A ratio decidendi aplicada àquele caso parece-nos semelhante àquela que se apresenta nos presentes autos: o presidente de uma Casa Legislativa ou de uma Comissão não pode criar obstáculos à realização de atos de sua competência quando há expressa e inequívoca manifestação de vontade por quem de direito”, ressalta o pedido.

Cabe a Alcolumbre, na condição de presidente da CCJ, pautar a sabatina, pois só depois o nome do indicado vai para votação em Plenário.

Esta é a segunda indicação de Jair Bolsonaro para o Supremo. Em 2020, ele nomeou Kassio Nunes Marques para a cadeira do ministro Celso de Mello. Agora o presidente necessitou de cumprir a curiosa promessa, feita a suas bases religiosas, de escolher um nome ‘terrivelmente evangélico’ para integrar o Tribunal, pois André Mendonça é pastor presbiteriano.

CERTEZA DA DERROTA – Segundo a Folha, Alcolumbre (DEM-AP) indicou a aliados que segue disposto a só iniciar a análise da indicação de André Mendonça ao STF (Supremo Tribunal Federal) quando tiver a certeza de que o nome do ex-ministro de Jair Bolsonaro será derrotado.

Nos cálculos de pessoas próximas de Alcolumbre e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a Casa, com 81 integrantes, está hoje praticamente dividida ao meio sobre o tema.

Agora, essa crise é gravíssima e Bolsonaro já está irremediavelmente desmoralizado

Regras claras do governo de Bolsonaro. A charge de Frank Maia | Desacato

Charge do Frank (Arquivo Google)

José Carlos Werneck

A impressão que se tem agora é de que realmente o presidente Jair Bolsonaro está totalmente e irremediavelmente desmoralizado, e isso ocorre exclusivamente por sua culpa. Como não há solução imediata nem a curto prazo, aguardemos os próximos capítulos desta melancólica novela.

No começo da noite desta sexta-feira, experientes observadores da política brasileira comentavam, em Brasília, que estes dias que precederam as manifestações de Sete de Setembro foram fatais para o enfraquecimento político do presidente da República.

UMA CONTRADIÇÃO – Em destaque, uma enorme contradição, porque na terça-feira um número enorme de pessoas saiu às ruas, na terça-feira, mostrando que a força política do presidente não pode ser subestimada. Bolsonaro devia ter dado um “break”, como se diz.

No entanto, como é despreparadíssimo, não parou de falar bobagens e fez declarações totalmente descabidas nos discursos em Brasília e São Paulo, comportando-se de uma maneira inadmissível e inaceitável para um chefe de governo.

Depois, alertado sobre a gravidade de seus desatinos, tentou recuar, com declarações particulares e um telefonema em que pedia desculpas e dava justificativas que soaram como uma prova de covardia, fraqueza e oportunismo.

TUDO EM VÃO – Embora não se conheça o teor do telefonema para o ministro Alexandre de Moraes, foi tudo em vão. O que ocorrera era vexaminoso, o estrago já estava feito e o pior é que a saída encontrada foi outro enorme e irremediável equívoco.

Como diz o velho ditado: “Pior a emenda que o soneto”. E com o agravante de que Bolsonaro não é nenhum poeta, muito pelo contrário…

Assim, Jair Bolsonaro, exclusivamente por sua culpa, deu a seus adversários todos os argumentos de que precisavam para desconstruí-lo totalmente. Entregou a seus inimigos a chave do paiol carregado de munição.

MAIS PREJUÍZOS – Os opositores de Bolsonaro são mais racionais. Agem friamente. Os observadores políticos de Brasília dizem que este final de semana promete mais prejuízos políticos para o presidente da República, que recrudescerão a partir de segunda-feira.

Realmente, agora pode-se falar em crise e crise grave! Aguardemos os próximos capítulos desta melancólica novela, cujo desfecho é só uma questão de tempo!

Senado precisa cumprir seu papel e recusar a nomeação de André Mendonça para o STF

André Mendonça, nome indicado por Bolsonaro a uma vaga no STF: histórico de votações do Senado é favorável ao ministro

Mendonça é tão bajulador que deixa Bolsonaro constrangido

José Carlos Werneck

Num momento em que estão muito tensas as relações do Executivo com a nossa mais alta Corte de Justiça, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) vem agindo com acerto ao deliberadamente não colocar em pauta a apreciação do nome de André Mendonça, indicado pelo Presidente da República para integrar o quadro de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Esta é uma forma de demonstrar que o Senado não está atrelado ao Palácio do Planalto, o que contribui para impor limites às vontades pessoais do presidente Jair Bolsonaro, notadamente no que diz respeito à escolha de novos integrantes da Suprema Corte.

TERRIVELMENTE EVANGÉLICO – É preciso lembrar que o presidente Bolsonaro disse por diversas vezes que sua escolha pelo nome de André Mendonça não se baseou nos requisitos constitucionais exigidos para tão importante cargo, tendo pautado a escolha com base exclusivamente na religião do candidato e na relação de amizade, o que, convenhamos, é no mínimo um critério descabido e inaceitável, sob todos os aspectos, e de um ineditismo absoluto e totalmente heterodoxo.

A indicação de André Mendonça por essas razões, declaradas pelo Chefe do Executivo, é considerada problemática, especialmente quando somadas à sua atuação à frente do Ministério da Justiça, onde mostrou que a defesa dos interesses pessoais de Jair Bolsonaro estão acima de seu compromisso com a Constituição Federal.

ANÁLISE RIGOROSA – Diante dessa conjuntura, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve não apenas avaliar criteriosamente a indicação, feita pelo presidente da República, mas sobretudo verificar, na sabatina, se ela realmente cumpre os requisitos previstos na Constituição.

Os senhores senadores devem ter em mente que papel que lhes cabe é justamente de defender a Constituição, jamais deixando que ingressem no Supremo Tribunal Federal supostos juristas, que têm outras prioridades na vida e não respeitam a característica laica que tem de nortear as decisões de qualquer magistrado em situação de democracia plena.

Aumenta o número de vacinados, mas ainda não se pode deixar de usar máscaras

Secretário Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, faz aplicação de vacina

Infelizmente, ainda falta muito para imunizar a todos

José Carlos Werneck

O número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil chegou neste sábado, a 122.376.066, o equivalente a 57,79% da população total.

Nas últimas 24 horas, 1,11 milhão de pessoas receberam a primeira aplicação da vacina, segundo informa o consórcio de veículos de imprensa junto a secretarias dos 26 Estados e do Distrito Federal.

IMUNIZAÇÃO – Entre os mais de 122 milhões de vacinados, 54,89 milhões estão com a imunização completa, representando 25,92% da população.

Nas últimas 24 horas, 881.174 pessoas foram imunizadas com a segunda dose e outras 7.847 receberam uma vacina de aplicação única. Somando todas as vacinas aplicadas, o Brasil administrou 2.002.067 doses neste sábado.

Em termos proporcionais, São Paulo é o Estado que mais vacinou até agora e o primeiro a ultrapassar a marca de 70% da população total com a primeira dose, chegando a 70,68% neste sábado.

MS ESTÁ NA FRENTE – Já Mato Grosso do Sul continua sendo o Estado com a maior proporção de totalmente imunizados com duas doses ou vacinas de aplicação única, que representam 40,60% de seus habitantes.

Quem ainda não se vacinou vá, urgentemente, a um posto de vacinação. Aqueles que tomaram a primeira dose devem completar a imunização, se a vacina que recebeu exige a segunda dose.

Continuem usando máscaras, pois, ao contrário do que dizem os ignorantes, seu uso é importantíssimo. Respeitem o isolamento social e observem, rigorosamente, as medidas de higiene, lavando, cuidadosamente as mãos.

Falta pouco para a vida voltar ao normal, mas lembrem-se de que a Covid continua fazendo vítimas!

Braga Netto diz na Câmara que as Forças Armadas cumprirão o que determina a Constituição

Braga Netto na Câmara dos Deputados

Braga Netto se recusou a comentar as ameaças de Bolsonaro

José Carlos Werneck

Reunido, nesta terça-feira, com integrantes de várias comissões da Câmara dos Deputados, o ministro da Defesa, Walter Braga Neto, negou que as Forças Armadas estejam fazendo ameaças à Democracia e afirmou que elas estão unidas e cumprirão o seu papel constitucional sem acatar ordens ilegais.

Ele garantiu que não existem quaisquer intenções golpistas no seio das Forças Armadas. O ministro foi chamado para explicar o conteúdo da nota divulgada no início deste mês para repudiar declarações do presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz, sobre o envolvimento de militares em suspeitas de corrupção.

RESPOSTA A INSINUAÇÕES – Braga Neto enfatizou que a nota foi uma resposta a insinuações generalizadas que agrediram as Forças Armadas e que o silêncio significaria uma concordância com o que foi dito na CPI.

“Não consideramos que seja correto que sejam feitos prejulgamentos se referindo à participação de militares em supostas falcatruas, de forma generalizada e apenas com base em suspeitas e ilações sem a necessária comprovação material e sem a observação do devido processo legal”, disse o ministro.

Os requerimentos para a realização da audiência também questionaram um suposto condicionamento da realização das eleições de 2022 à adoção do voto impresso, proposta que foi derrotada na Câmara.

NÃO FOI RECADO – O ministro da Defesa negou informações divulgadas pela Imprensa de que teria mandado um recado com esse conteúdo ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, afirmando que o próprio parlamentar desmentiu o ocorrido. “Reitero que eu não enviei ameaça alguma, não me comunico com os presidentes dos Poderes por intermédio de interlocutores”.

Deputados da Oposição questionaram o ministro da Defesa sobre as supostas ameaças, citando principalmente falas do presidente Jair Bolsonaro e do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) sobre voto impresso e as eleições de 2022.

O deputado Elias Vaz do PSB de Goiás salientou que, quando o presidente da República sugere uma intervenção, atenta contra os outros Poderes e fragiliza a Democracia. “O silêncio e a chancela das Forças Armadas a atitudes ou cenas golpistas produzidas pelo presidente criam um clima de animosidade e dúvidas, gerando desconforto, instabilidade, atrasando problemas sérios que devem ser enfrentados com urgência no nosso país”.

SEM COMENTÁRIOS – O ministro da Defesa declarou que não comentaria falas do presidente e de outros ministros, mas negou que haja partidarização das Forças Armadas.

Parlamentares de vários partidos de Oposição questionaram o ministro sobre o desfile de blindados, realizado na Esplanada dos Ministérios, em 10 de agosto, mesma data da votação da Proposta de Emenda à Constituição que tornava obrigatório o voto impresso pelas urnas eletrônicas.

Braga Neto afirmou que o evento fez parte da Operação Formosa, realizada desde 1988. “Para a cultura militar, demonstrar capacidade de mobilização de seus meios reveste-se de orgulho e obrigação. Aproveitou-se a chegada dos meios militares vindos de outras cidades para um exercício planejado com antecedência de meses”.

SUPREMO EM FOCO – Deputados da base aliada ao governo fizeram várias críticas a integrantes do Supremo Tribunal Federal, em relação a prisões e aberturas de inquéritos consideradas arbitrárias. Já parlamentares de oposição defenderam o Supremo como a instância que dá a última palavra sobre o que prevê a Constituição.

Para o líder do PSL, deputado Vitor Hugo, as explicações do ministro Braga Neto foram suficientes. Mas o deputado Henrique Fontana, do PT do Rio Grande do Sul, pediu mais clareza na separação entre o que é dito pelo presidente e o papel constitucional das Forças Armadas. “É preciso que se reafirmem falas claras, não ambíguas, de que qualquer ameaça do presidente Bolsonaro não encontrará respaldo nas Forças Armadas”.

Na ocasião, o ministro da Defesa informou que, por conta da pandemia do coronavírus, não serão realizados desfiles militares em 7 de setembro, mas estarão permitidas exposições e outros eventos alusivos à data da Independência do Brasil.

Fotos mostram com exatidão o que aconteceu durante o desfile de blindados, na terça-feira

José Carlos Werneck

O melhor relato do que aconteceu em Brasília, nesta terça-feira, é contado de maneira magnífica pelo jornalista Orlando Brito, nesta sequência de fotos, publicadas no site Os Divergentes.

Brito, veterano repórter-fotográfico, mostrou, com honestidade à toda prova, os manifestantes prós e contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, não deixando nenhuma brecha do que aconteceu no desfile de blindados, que monopolizou o País, nesta terça-feira 10 de agosto.

De acordo com a velha expressão do sábio Confúcio, de que imagens mostram muito mais que palavras, fico por aqui e deixo para vocês o link que mostra o excelente e isento trabalho jornalístico:

https://osdivergentes.com.br/orlando-brito/veja-as-fotos-do-desfile-dos-tanques-de-guerra-do-brasil-em- frente-ao-congresso-supremo-e-planalto/

Voto impresso já foi defendido por vários partidos, como PSDB, DEM E PDT

Captura de tela feita em 28 de abril de 2021 de uma publicação no FacebookJosé Carlos Werneck

O voto impresso, agora aguerridamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, já foi o preferido por partidos políticos importantes como PSDB, DEM e PDT. A Justiça Eleitoral, PT e seus aliados nanicos sempre estiveram sozinhos na defesa incondicional do sistema 100% eletrônico até que a ideia da defesa do voto impresso passasse a ser uma bandeira de Bolsonaro.

Antes, o espaço hoje ocupado pelo presidente da República em favor do voto impresso era dividido entre legendas como PSDB, DEM e até mesmo o PDT, desde o fundador Leonel Brizola.

HÁ CONTROVÉRSIAS – A guerra interna nessas agremiações é intensa porque uns querem defender os ideais partidários e outros ignorá-los completamente, só para ficar contra Jair Bolsonaro.

Carlos Lupi, presidente do PDT, sigla histórica fundada por um líder político da importância histórica de Leonel Brizola, que tinha sérias e bem fundamentadas reservas sobre a chamada urna eletrônica, fica embaraçado quando é perguntado sobre o apoio de seu partido ao voto eletrônico, porque Brizola, que tinha sido vítima de uma tentativa de fraude em sua primeira eleição para o governo do Estado do Rio de Janeiro, dizia sempre que “o eleitor tem direito ao papelzinho!”, numa alusão à necessidade da entrega, por parte da Justiça Eleitoral, de algum comprovante de votação aos eleitores.

RELEMBRANDO -Em 2015, o Congresso Nacional aprovou o voto impresso e passou por cima do veto de Dilma Rousseff com votação suficiente para abrir o processo de impeachment.

Quando o veto foi derrubado, o hoje governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do Democratas, afirmou enfaticamente, que o voto impresso era a “consolidação da democracia”.

Naquele tempo, Carlos Sampaio, líder do PSDB ,dizia que o sistema era inauditável e “não se enquadrava em qualquer modelo reconhecido em entidades internacionais”.

Para acalmar os ânimos, Barroso admite aumentar o número de urnas auditáveis em 2022

Charge do Genildo (Arquivo Google)

José Carlos Werneck

Em conversas com interlocutores de sua confiança, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, já dá inequívocos sinais de que pensa em aumentar o número de urnas eletrônicas auditáveis na próxima eleição, para diminuir a pressão que vem sendo feita pelo presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores políticos.

Atualmente, apenas cem das quase 450 mil urnas em todo o País são sorteadas para serem auditadas por especialistas, num processo filmado.

SEM DEFINIÇÃO – Com o aumento do total de urnas auditáveis, será é possível obter-se um “retrato” mais amplo dos votos digitados pelos eleitores nas urnas eletrônicas, no dia das próximas eleições, marcadas para 3 de outubro do próximo ano.

O ministro, no entanto, não tem ainda o número total de urnas que passariam a ser auditadas desta maneira.

A notícia é boa, para acalmar os ânimos, ora exaltados, de muitos brasileiros que ainda têm dúvidas sobre a vulnerabilidade do sistema eleitoral do País, notadamente naquilo que concerne à apuração e à consequente totalização dos votos que indicarão o nome dos candidatos vencedores.