E a eleição presidencial realmente chegou ao limite da imprevisibilidade

A eleição entra no limite: Flávio e Lula disputam cada voto até domingo

Entre a soberania e a segurança, a eleição chega ao limite das promessas

A reta final das eleições presidenciais exige mais do que ataques ruidosos

Quando o debate político se radicaliza, perde de vista o verdadeiro Brasil

Uma eleição presidencial que pode ser decidida por quem ainda não votou

Quando a falha da Meta deixa de ser apenas técnica e passa a ter influência

O caso Vorcaro e o teste de credibilidade do jornalismo n Organização Globo

A escala 6×1 entra na disputa e pode mudar o rumo da eleição

Fim da escala 6×1 pode mudar os rumos da campanha

Pedro do Coutto

A aprovação pelo Senado da proposta que põe fim à escala 6×1 introduz um novo elemento na disputa presidencial brasileira justamente no momento em que a eleição se tornou mais imprevisível. A PEC foi aprovada em dois turnos por 75 votos a 1 e prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho, dos atuais 44 para 40 horas semanais, além de assegurar dois dias de descanso por semana. A transição começa com 42 horas e chega às 40 horas após 14 meses. Na prática, consolida-se a lógica da escala 5×2, sem redução salarial.

O timing político não poderia ser mais significativo. A primeira pesquisa Quaest do segundo turno, divulgada em 14 de outubro, mostrou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto e Luiz Inácio Lula da Silva com 44%. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os números configuram empate técnico. Mais do que indicar uma vantagem estreita do candidato do PL, o levantamento confirma que a diferença que existia anteriormente se tornou suficientemente pequena para que novos acontecimentos da campanha possam interferir na percepção dos eleitores.

DIMENSÃO ELEITORAL – É nesse ambiente que a redução da jornada ganha dimensão eleitoral. O tema não é apenas uma alteração na legislação trabalhista. Para milhões de trabalhadores submetidos a jornadas extensas e com apenas um dia de descanso, a mudança pode ser percebida como uma intervenção concreta na vida cotidiana: mais tempo para a família, para o descanso, para o lazer e para outras atividades que a rotina de seis dias de trabalho frequentemente restringe. É justamente essa dimensão concreta que transforma uma discussão legislativa em assunto de campanha.

O governo Lula tem razões para tentar associar a aprovação à sua agenda política. A proposta oferece ao presidente uma oportunidade de apresentar uma medida de forte apelo social num momento em que a disputa deixou de ser explicada apenas por grandes temas macroeconómicos ou pela avaliação do governo. A campanha passa a disputar também aquilo que o eleitor consegue imaginar a partir da própria rotina. Duas folgas semanais e uma jornada menor são conceitos muito mais fáceis de visualizar do que indicadores económicos ou compromissos de longo prazo.

Mas seria um erro considerar que a aprovação garante automaticamente uma vantagem eleitoral para Lula. A própria votação do Senado mostra que a proposta atravessou fronteiras partidárias e recebeu apoio muito amplo. Flávio Bolsonaro, por exemplo, votou favoravelmente. Isso dificulta uma apropriação exclusiva da medida por qualquer candidatura e abre espaço para que a direita procure apresentar o resultado como uma conquista do Congresso e não como uma realização exclusiva do governo.

POLARIZAÇÃO – A disputa, portanto, não será apenas sobre quem apoiou a redução da jornada, mas sobre quem conseguirá convencer o eleitor de que esteve efetivamente ao lado dos trabalhadores. Esse detalhe é decisivo. Em uma eleição polarizada, a tentativa de transformar uma política pública amplamente apoiada numa propriedade exclusiva de um candidato pode produzir efeito contrário, sobretudo quando o adversário também votou a favor.

Há ainda outra dimensão relevante. A escala 6×1 vinha sendo discutida no Congresso muito antes da reta final da campanha. A aprovação agora, entretanto, altera o valor político do tema porque coincide com uma eleição na qual poucos pontos percentuais separam os dois candidatos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acelerou a tramitação justamente para que a votação ocorresse antes do segundo turno, e a própria discussão sobre o calendário já estava inserida no ambiente eleitoral.

Isso significa que o impacto da medida dependerá menos da votação parlamentar em si do que da capacidade de cada campanha de transformar a decisão em narrativa. Lula tentará apresentá-la como resultado de uma agenda voltada à melhoria das condições de trabalho. Flávio poderá argumentar que apoiou a proposta e tentar impedir que o governo monopolize a pauta. No centro dessa disputa estará um eleitor que não necessariamente acompanha a tramitação constitucional, mas entende perfeitamente o significado de trabalhar seis dias e descansar apenas um.

MOBILIZAÇÃO – É aí que a eleição pode ganhar uma nova dinâmica. O segundo turno não está sendo decidido apenas pela preferência consolidada entre lulistas e bolsonaristas. Há também uma parcela do eleitorado que pode ser mobilizada por questões diretamente relacionadas ao emprego, à renda, ao tempo disponível e à qualidade de vida. A redução da jornada toca exatamente esse terreno.

A prudência, contudo, recomenda não transformar a aprovação da PEC numa explicação automática para uma eventual mudança nas pesquisas. Eleições são resultado de múltiplos fatores, e a proximidade entre Lula e Flávio já estava estabelecida antes da votação. A pesquisa Quaest mostra, inclusive, rejeições muito próximas: 54% para Flávio e 53% para Lula. O quadro é de elevada resistência aos dois candidatos, o que torna especialmente relevante a capacidade de cada campanha de conquistar os eleitores ainda suscetíveis à mudança de posição.

NOVA VARIÁVEL – O que a escala 6×1 faz, portanto, é acrescentar uma variável nova a uma disputa que já estava no limite. Ela coloca no centro da campanha uma questão que combina economia, direitos sociais e vida cotidiana. E, numa eleição tão equilibrada, não é necessário que uma medida conquiste milhões de novos eleitores para produzir efeitos políticos. Basta que ela altere a percepção de uma parcela suficientemente grande dos indecisos ou dos eleitores pouco mobilizados.

A eleição entra, assim, numa fase em que a vantagem numérica importa menos do que a capacidade de cada candidato de transformar fatos concretos em significado político. O fim da escala 6×1 pode não decidir sozinho quem ocupará o Palácio do Planalto. Mas chega num momento em que qualquer mudança relevante na agenda da campanha pode pesar. Quando a diferença entre os candidatos cabe dentro da margem de erro, o que parecia ser apenas uma decisão do Congresso pode tornar-se também uma disputa sobre quem representa melhor o futuro do trabalho no Brasil.

A prosperidade não cabe em apenas um ministério e precisa se espalhar

O vaivém judicial que coloca o TSE sob pressão na reta final da eleição

Lula e Flávio Bolsonaro: a disputa pelo voto entra na reta final

PL, redes sociais e emendas: a engrenagem por trás do avanço da direita

Combustíveis e jornada de trabalho: a aposta de Lula para virar a eleição

Flávio Bolsonaro ganha terreno, mas a eleição continua em aberto

Lula reconhece a desorganização do PT e tenta reconstruir sua campanha

Lula quer alcançar eleitors além de sua base tradicional

Pedro do Coutto

O reconhecimento feito porLula da Silva de que sua campanha foi “a menos organizada” de que participou desde 1989 é mais do que uma autocrítica circunstancial. A declaração, feita em reunião com parlamentares aliados após o primeiro turno, revela que o resultado das urnas obrigou o presidente a rever uma premissa que orientou boa parte da estratégia petista: a expectativa de que a força política de Lula, associada às realizações do governo, seria suficiente para conduzi-lo à liderança. Não foi. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de cerca de 2,25 milhões de votos.

O aspecto mais importante da declaração, portanto, está menos na admissão do erro administrativo e mais na constatação de uma falha de comunicação política. O próprio Lula reconheceu que as realizações do governo não foram suficientemente compreendidas por parte do eleitorado. Essa distância entre aquilo que o governo considera ter entregue e aquilo que o eleitor efetivamente percebeu tornou-se um dos problemas centrais da campanha. A eleição mostrou que resultado administrativo e capacidade de comunicação não são variáveis equivalentes.

COORDENAÇÃO – As informações divulgadas nos últimos dias ajudam a dimensionar o problema. A Folha relata dificuldades de coordenação entre diferentes estruturas da campanha, problemas logísticos e até desencontros na convocação de dirigentes e parlamentares. A Reuters, por sua vez, registrou que a campanha pretende reformular sua comunicação para alcançar grupos nos quais encontrou maior dificuldade, especialmente jovens e mulheres, além de ampliar sua presença digital.

Esse diagnóstico também explica a mudança rápida de linguagem observada depois do primeiro turno. Lula passou a utilizar vídeos gravados pelo próprio celular, em formato mais informal, enquanto aliados mais jovens ganharam espaço na tentativa de aproximar a campanha das redes sociais. A mudança é significativa porque reconhece uma transformação no modo como parcelas importantes do eleitorado consomem informação política.

REORGANIZAÇÃO – Há, porém, um problema adicional: reorganizar uma campanha em três semanas não significa apenas trocar peças publicitárias ou aumentar a presença digital. O segundo turno exige uma definição mais clara de prioridades. A campanha precisa decidir quais temas podem ampliar o eleitorado de Lula para além de sua base tradicional e quais mensagens são capazes de dialogar com eleitores que votaram em outros candidatos ou simplesmente não compareceram às urnas. Cerca de 21% dos eleitores se abstiveram no primeiro turno, enquanto os demais candidatos somaram milhões de votos que agora entram no cálculo da segunda rodada.

A dificuldade é que o tempo também reduz o espaço para improvisações. A disputa deixou de ser uma eleição de primeiro turno, marcada por múltiplas candidaturas, e passou a ser uma escolha direta entre Lula e Flávio Bolsonaro. Isso modifica completamente a lógica da comunicação: cada gesto passa a ser interpretado como posicionamento presidencial, e cada erro de coordenação pode adquirir dimensão nacional.

A autocrítica de Lula, nesse sentido, funciona como ponto de partida para uma tentativa de correção. Mas ela também expõe uma questão mais profunda: o segundo turno não será apenas uma disputa para recuperar votos perdidos. Será uma disputa pela capacidade de transformar uma campanha que o próprio candidato classificou como desorganizada em uma operação política mais coordenada, capaz de traduzir realizações de governo em argumentos compreensíveis para um eleitorado que, no primeiro turno, não respondeu como o Palácio do Planalto esperava. O resultado de 4 de outubro não encerrou a eleição. Ele revelou que, para Lula, a segunda etapa exigirá não apenas mais campanha, mas uma campanha diferente.

A Presidência da República em disputa, o Congresso no centro do poder

O primeiro turno não terminou a eleição, porém mudou a pergunta a ser feita ao eleitor.

Resultado de 4 de outubro não encerrou a disputa

Pedro do Coutto

Se a vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno surpreendeu, mais surpreendente ainda poderá ser uma eventual nova mudança de comportamento do eleitorado no segundo turno. O resultado de 4 de outubro não encerrou a disputa presidencial: criou uma eleição diferente, com apenas dois nomes, novas alianças, outra distribuição dos votos e, sobretudo, uma pergunta que passou a ocupar o centro do debate nacional: o eleitor que derrotou Lula no primeiro turno pretende confirmar essa escolha ou apenas expressou, nas urnas, a dimensão do desgaste acumulado pelo governo?

O primeiro turno revelou um dado político que não pode ser ignorado. A força eleitoral de Flávio Bolsonaro não pode ser explicada apenas pela transferência automática do capital político de Jair Bolsonaro. Há uma parcela do eleitorado que parece ter utilizado a votação para expressar insatisfação com o governo, com a política tradicional e com a forma como o poder público vem respondendo a problemas concretos do cotidiano.

MUDANÇA GERACIONAL – A eleição mostrou também uma mudança geracional e comportamental importante: candidatos com forte presença digital, comunicação direta e capacidade de mobilização nas redes conseguiram falar com segmentos que a política institucional nem sempre alcança.

Nesse ponto, a campanha de Lula enfrentou uma dificuldade que não se resume à publicidade eleitoral. O problema foi também de comunicação política. Uma máquina de governo pode produzir programas, anúncios, discursos e agendas, mas isso não significa necessariamente que esteja conseguindo conversar com a sociedade.

Entre uma mensagem produzida nos centros de decisão e aquilo que chega ao eleitor existe hoje uma distância considerável. Redes sociais, vídeos curtos, influenciadores e comunicação segmentada alteraram profundamente a maneira como a política é consumida. O eleitor não espera mais necessariamente que o candidato vá até ele pela televisão; muitas vezes, espera que apareça no ambiente digital em que já está.

PERCEPÇÃO POLÍTICA – O resultado do primeiro turno sugere, portanto, que a campanha governista teve dificuldade para transformar realizações administrativas em percepção política. E esse é um problema mais profundo do que uma escolha equivocada de marqueteiros. Quando um governo precisa explicar permanentemente o que fez, em vez de ser reconhecido espontaneamente por aquilo que entregou, existe uma questão de comunicação, mas também de percepção pública.

Os escândalos envolvendo corrupção e irregularidades ajudaram a compor esse ambiente. A Operação Sem Desconto, que investiga descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, continuou produzindo desdobramentos em 2026, inclusive com novas ações da Polícia Federal. Nos Correios, investigações também atingiram funcionários públicos em casos de fraudes envolvendo encomendas, indenizações e registros internos.

Esses episódios possuem uma dimensão política particularmente sensível porque atingem áreas que entram diretamente na vida do cidadão. Quando um aposentado vê descontos que não autorizou, quando uma empresa estatal aparece associada a investigações ou quando uma instituição pública volta ao noticiário por suspeitas de irregularidades, a discussão deixa de ser abstrata. O problema passa a ser traduzido em uma pergunta simples: quem controla o Estado está efetivamente conseguindo protegê-lo?

CORRUPÇÃO – É preciso, entretanto, não transformar essa percepção em uma explicação única para o resultado eleitoral. Pesquisa Datafolha realizada em março mostrava que a corrupção era apontada como principal problema do país por 9% dos entrevistados, atrás de saúde, segurança e economia. Em julho, a mesma pesquisa mantinha saúde, segurança e economia à frente da corrupção. Isso indica que o eleitorado brasileiro não estava votando exclusivamente sob a lógica dos escândalos.

O caso do Banco Master acrescentou uma camada ainda mais delicada à eleição: a crise de confiança nas instituições. As investigações envolvendo Daniel Vorcaro e as relações reveladas entre o banqueiro, agentes públicos, empresários e integrantes do sistema de Justiça produziram uma sucessão de episódios que ultrapassaram a esfera financeira. Documentos e mensagens tornados públicos alimentaram questionamentos sobre relações pessoais e profissionais envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e pessoas próximas a eles. O próprio STF registrou que o plenário ainda não havia examinado o mérito de uma das petições relacionadas ao caso.

A dimensão eleitoral desse episódio não deve ser subestimada. Pesquisa Datafolha de setembro apontou que 47% dos eleitores diziam que a crise envolvendo ministros do STF e o Banco Master teria alguma influência sobre sua decisão para presidente. Entre os eleitores que não se identificavam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo, 43% afirmavam que o caso teria grande influência.

INSATISFAÇÕES – O ponto central, portanto, talvez não seja afirmar que o eleitor votou simplesmente “contra a corrupção”. A leitura mais consistente é outra: uma parte do eleitorado chegou ao primeiro turno carregando uma combinação de insatisfações — com o governo, com a economia, com a segurança, com a política tradicional e com a percepção de deterioração da confiança nas instituições. Os escândalos funcionaram como elementos capazes de condensar esse sentimento, mas não o explicam sozinhos.

Há ainda uma questão geracional que merece atenção. Lula continua dispondo de uma base social expressiva entre eleitores mais velhos, de menor renda e do Nordeste, enquanto Flávio apresentou maior força entre segmentos de renda mais alta, no Sul e entre eleitores evangélicos. Na reta final do primeiro turno, o Datafolha registrava empate entre os dois em algumas faixas etárias e no Sudeste, mostrando que a divisão eleitoral não se resume a uma simples oposição entre regiões.

É justamente por isso que o segundo turno será diferente. Flávio Bolsonaro precisa transformar a vantagem obtida no primeiro turno em uma maioria nacional; Lula precisa demonstrar que a votação recebida por seus adversários no primeiro turno não constitui um bloco homogêneo de oposição ao seu governo. Entre os dois existe um eleitorado que não pertence integralmente a nenhum dos campos e que pode decidir o resultado final.

PERSUASÃO – A disputa, daqui para frente, será menos sobre quem conseguiu mobilizar melhor sua base e mais sobre quem conseguirá convencer os eleitores que ainda não transformaram sua insatisfação em uma escolha definitiva. O primeiro turno mostrou a força do voto de rejeição e a capacidade de deslocamento do eleitorado. O segundo exigirá algo diferente: capacidade de construir uma maioria.

É nesse ponto que a campanha de Lula enfrenta seu maior desafio. Não basta apresentar indicadores positivos da administração federal. Será necessário responder à percepção de que problemas de corrupção, falhas de controle e crises institucionais atingiram justamente setores do Estado que deveriam transmitir segurança ao cidadão. Ao mesmo tempo, será necessário recuperar uma comunicação capaz de dialogar com eleitores mais jovens e com públicos que já não acompanham a política pelos canais tradicionais.

REJEIÇÃO – Mas o desafio também é de Flávio Bolsonaro. A vitória no primeiro turno não significa que todos os votos recebidos por ele sejam necessariamente votos de adesão ao seu projeto político. Parte deles pode ter sido simplesmente uma manifestação de rejeição ao governo. Transformar voto de protesto em voto de convicção é uma tarefa eleitoral diferente.

O segundo turno, portanto, não será apenas uma repetição do primeiro. Será um novo julgamento político, no qual cada candidato terá de explicar ao eleitor não apenas por que o adversário não deve governar, mas por que ele próprio deveria receber um mandato para conduzir o país.

E talvez essa seja a principal mensagem das urnas de 4 de outubro: a sociedade não entregou apenas uma vantagem eleitoral a Flávio Bolsonaro. Entregou aos dois candidatos uma tarefa mais difícil — convencer um país que chegou ao segundo turno mais desconfiado, mais fragmentado e menos disposto a aceitar respostas prontas.

As respostas das urnas desmontaram as falsas certezas das pesquisas eleitorais

A eleição recomeça do zero no segundo turno e tudo pode acontecer