O vestido preto de seda que transforma a mulher em amante, na poesia de Adélia Prado

Paulo Peres
Poemas & Canções
 

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas lembra da paixão, que virou um ritual, quando usou “O Vestido” que a faz amante.

O VESTIDO
Adélia Prado

No armário do meu quarto
escondo de tempo e traça meu vestido
estampado em fundo preto.

É de seda macia desenhada em campânulas
vermelhas à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.

Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.  

Depois de muitos momentos adversos, ainda é possível dizer adeus à dor, na visão de Tunai e Sérgio Natureza

Um Pouco De Mim - Sergio Natureza | Mercado Livre

Sérgio Natureza, um grande compositor carioca

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor, poeta e letrista carioca Sergio Roberto Ferreira Varela, conhecido como Sérgio Natureza, mostra que jamais se pode perder a esperança e depois de muitos momentos adversos ainda  é possível dizer “Adeus à Dor”, música gravada por Tunai, em 1981, pela Polygram.
ADEUS À DOR
Tunai e Sérgio Natureza

Pelo que se passou
Pelo que se sofreu
Pelo que se chorou
Pelo que se perdeu
Por tudo que doeu
Pelo que machucou
É que a gente ficou
Meio fora do ar
Apesar dos pesares
Porém se lutou
E do luto da noite
A manhã rebentou
As formigas unidas
Vencendo o trator
O pior já passou, dá até pra cantar
Diz adeus a dor
Não dá mais pra voltar
Adeus a dor
É muito amor pra dar
Adeus a dor
É forte como o mar
Diz adeus a dor
Ninguém vai segurar
Adeus a dor
O que já é já está
Adeus a dor
Brotando como flor

A inesquecível homenagem de Sergio Bittencourt a seu pai, Jacob do Bandolim

19 - Jacob do BandolimPaulo Peres
Poemas & Canções
O jornalista e compositor carioca Sérgio Freitas Bittencourt (1941-1979) compôs “Naquela Mesa” em homenagem póstuma ao seu pai, o compositor Jacob do Bandolim, e a saudade que ele deixou. Esta samba-choro foi gravado por Elizeth Cardoso em seu LP “Preciso aprender a ser só”, em 1972, pela Copacabana.


NAQUELA MESA
Sérgio Bittencourt

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre, o que é viver melhor.
Naquela mesa ele contava histórias,
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor.

Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã.
E nos seus olhos era tanto brilho,
Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã.

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa no canto, uma casa e um jardim.
Se eu soubesse o quanto doi a vida,
Essa dor tão doída não doía assim.

Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguem mais fala no seu bandolim.
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim.

A dura sensação de ter perdido a mocidade, no romantismo poético de Abgar Renault

Paulo Peres
Poemas & Canções

O professor, tradutor, ensaísta e poeta mineiro Abgar de Castro Araújo Renault (1901-1995), no poema “Fim”, nos dá sua visão do que significou o término de sua mocidade.

FIM
Abgar Renault

O que eu perdi não foi um sonho bom,
não foi o fruto a embebedar meus lábios,
não foi uma canção de raro som,
nem a graça de alguns momentos sábios.

O que eu perdi, como  quem perde uma outra infância,
foi o sentido do enternecimento,
foi a felicidade da ignorância, foi, em verdade,
na minha carne e no meu pensamento,
a última rubra flor do fim da mocidade.

E dói – não esse gesto ausente, a que se apagam
as flores mais solares, mas uma hora,
– flor de momento numa bela aurora –
hora longínqua, esquiva e para sempre morta,
em cuja escura, inacessível porta
noturnos olham cegamente vagam.

Uma estranha criatura que dominava Wally Salomão e fazia versos como quem morde…

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta baiano Waly Dias Salomão (1943-2003), no poema “Amante da Algazarra”, fala sobre a criatura sobrenatural que se apoderou dele.

AMANTE DA ALGAZARRA
Waly Salomão

Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela !!!

Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.
Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!

Enquanto caminho a pé, pedestre – peregrino atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.

Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que dela discorde
É esta selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde.

Alegria e tristeza na passagem do realejo, na visão de Sadi Cabral e Custódio Mesquita

Astros em Revista: SADI CABRAL - COADJUVANTE DE OURO

Sadi Cabral, contracenando com Regina Duarte

Paulo Peres
Poemas & Canções

O ator e compositor alagoano Sadi Sousa Leite Cabral (1906-1986), em parceria com Custódio Mesquita, aborda alegria, partida, tristeza e saudade de alguém através das canções de um “Velho Realejo”. Essa valsa foi gravada por Carlos Galhardo, em 1952, pela RCA Vitor.

VELHO REALEJO
Custódio Mesquita e Sadi Cabral
Naquele bairro afastado
Onde em criança vivias
A remoer melodias
De uma ternura sem par


Passava todas as tardes
Um realejo risonho
Passava como num sonho
Um realejo a cantar

Depois tu partiste
Ficou triste a rua deserta
Na tarde fria e calma
Ouço ainda o realejo tocar

Ficou a saudade
Comigo a morar
Tu cantas alegre e o realejo
Parece que chora com pena de ti

Um desesperado canto de amor de Vinicius de Moraes, na eterna busca da namorada perfeita

“Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém”. Trecho da canção “Berimbau” *Paulo Peres
Poemas & Canções
 

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta Marcus Vinícius de Moraes (1913-1980), no poema “Cântico”, revela que sua amada não é uma quimera, ela existe realmente.

CÂNTICO
Vinícius de Moraes

Não, tu não és um sonho, és a existência
Tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu. Tu és a estrela
Sem nome, és a namorada, és a cantiga
Do amor, és luz, és lírio, namorada!
Tu és todo o esplendor, o último claustro
Da elegia sem fim, anjo! mendiga
Do triste verso meu. Ah, fosses nunca
Minha, fosses a idéia, o sentimento
Em mim, fosses a aurora, o céu da aurora
Ausente, amiga, eu não te perderia!
Amada! onde te deixas, onde vagas
Entre as vagas flores? e por que dormes
Entre os vagos rumores do mar? Tu
Primeira, última, trágica, esquecida
De mim! És linda, és alta! és sorridente
És como o verde do trigal maduro
Teus olhos têm a cor do firmamento
Céu castanho da tarde – são teus olhos!
Teu passo arrasta a doce poesia
Do amor! prende o poema em forma e cor
No espaço; para o astro do poente
És o levante, és o Sol! eu sou o gira
O gira, o girassol. És a soberba
Também, a jovem rosa purpurina
És rápida também, como a andorinha!
Doçura! lisa e murmurante… a água
Que corre no chão morno da montanha
És tu; tens muitas emoções; o pássaro

Do trópico inventou teu meigo nome
Duas vezes, de súbito encantado!
Dona do meu amor! sede constante
Do meu corpo de homem! melodia
Da minha poesia extraordinária!
Por que me arrastas? Por que me fascinas?
Por que me ensinas a morrer? teu sonho
Me leva o verso à sombra e à claridade.
Sou teu irmão, és minha irmã; padeço
De ti, sou teu cantor humilde e terno
Teu silêncio, teu trêmulo sossego
Triste, onde se arrastam nostalgias
Melancólicas, ah, tão melancólicas…
Amiga, entra de súbito, pergunta
Por mim, se eu continuo a amar-te; ri
Esse riso que é tosse de ternura
Carrega-me em teu seio, louca! sinto
A infância em teu amor! cresçamos juntos
Como se fora agora, e sempre; demos
Nomes graves às coisas impossíveis
Recriemos a mágica do sonho
Lânguida! ah, que o destino nada pode
Contra esse teu langor; és o penúltimo
Lirismo! encosta a tua face fresca
Sobre o meu peito nu, ouves? é cedo
Quanto mais tarde for, mais cedo! a calma
É o último suspiro da poesia
O mar é nosso, a rosa tem seu nome
E recende mais pura ao seu chamado.
Julieta! Carlota! Beatriz!
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
Que se não brinco, choro, e desse pranto
Desse pranto sem dor, que é o único amigo
Das horas más em que não estás comigo.

Dentro de mim tem um atrevido que desafia insensatos, avisa poeticamente Limongi Netto

Vicente Limongi completa 70 anos

Limongi Netto com as duas filhas, Carla e Joana

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta amazonense Vicente Limongi Netto, radicado há anos em Brasília, no poema “Dentro de Mim”, expõe o manancial de virtudes existentes no seu coração.
DENTRO DE MIM
Vicente Limongi Netto
 
Dentro de mim existem almas perfumadas exaltando o perdão
dentro de mim povoam seres marcados pelo fel da imensidão noturna
dentro de mim voam pássaros nascidos na eternidade
dentro de mim moram raios de sol espantando pessimistas
dentro de mim cantam vozes que inventaram o amor e a bondade
dentro de mim tem arcanjos vigiando o mundo
dentro de mim aflora o ouro do universo que acolhe as estrelas
dentro de mim tem um atrevido que desafia insensatos
dentro de mim se renova o brado dos que enxergam o orvalho do amor eterno
dentro de mim foi tombada a paixão, o riso infantil e o inventor da fraternidade.

Lumiar, um recanto lindo na serra, que enfeitiçou Ronaldo Bastos e Beto Guedes

Feriado começa com pouca movimentação no distrito de Lumiar, em Nova Friburgo, no RJ — Foto: Ádison Ramos/Inter TV RJ

Lumiar é um distrito de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, produtor musical e compositor Ronaldo Bastos Ribeiro, nascido em Niterói (RJ), na letra de “Lumiar”, exalta um vilarejo bucólico, repleto de vida, diversão e um ótimo lugar para quem deseja somente descansar, na região serrana do Rio. A música foi gravada por Beto Guedes, em 1977, no LP A Página do Relâmpago Elétrico, pela EMI-Odeon.
LUMIAR
Beto Guedes e Ronaldo Bastos
Anda, vem jantar, vem comer, vem beber, farrear
até chegar Lumiar
e depois deitar no sereno
só pra poder dormir e sonhar
pra passar a noite
caçando sapo, contando caso
de como deve ser Lumiar

Acordar, Lumiar, sem chorar, sem falar, sem querer, acordar em Lumiar
levantar e fazer café
só pra sair caçar e pescar
e passar o dia
moendo cana, caçando lua
clarear de vez Lumiar

Amor, Lumiar, pra viver, pra gostar, pra chover
pra tratar de vadiar
descansar os olhos, olhar e ver e respirar
só pra não ver o tempo passar
pra passar o tempo
Até chover, até lembrar
de como deve ser Lumiar

Anda, vem jantar, vem dormir, vem sonhar,
pra viver
até chegar em Lumiar
Estender o sol na varanda… até queimar
só pra não ter mais nada a perder
pra perder o medo, mudar de céu, mudar de ar
Clarear de vez Lumiar

Com sua alegria de viver, Rolando Boldrin segue sempre em frente – ele, a viola e Deus

Boldrin, sempre de bem com todos, de bem com a vida…

Paulo Peres
Poemas & Canções

O ator, cantor, poeta, contador de causos, radialista, apresentador de televisão e compositor paulista Rolando Boldrin, na letra de “Eu, a Viola e Deus”, explica sua iniciativa para reencontrar um amor, embora a hora desta partida seja dolorida.

EU, A VIOLA E DEUS
(Rolando Boldrin)

Eu vim-me embora
E na hora cantou um passarinho
Porque eu vim sozinho
Eu, a viola e Deus

Vim parando assustado, espantado
Com as pedras do caminho
Cheguei bem cedinho
A viola, eu e Deus

Esperando encontrar o amor
Que é das velhas toadas canções
Feito as modas da gente cantar
Nas quebradas dos grandes sertões

A poeira do velho estradão
Deixou marcas no meu coração
E nas palmas da mão e do pé
Os catiras de uma mulher, ei…

Essa hora da gente ir-se embora é doída
Como é dolorida,
Eu, a viola e Deus

A mulher de olhos encantados era a musa do poeta paulista Vicente de Carvalho

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, político, abolicionista, fazendeiro, magistrado, contista e poeta paulista Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924) afirma que os “Olhos Verdes” de sua amada são encantados e extrapolam sentimentos.

OLHOS VERDES
Vicente de Carvalho

Olhos encantados, olhos cor do mar,
olhos pensativos que fazeis sonhar!

Que formosas coisas, quantas maravilhas
em vos vendo sonho, em vos fitando vejo;
cortes pitorescos de afastadas ilhas
abanando no ar seus coqueirais em flor,
solidões tranquilas feitas para o beijo,
ninhos verdejantes feitos para o amor…

Olhos pensativos que falais de amor!

Vem caindo a noite, vai subindo a lua…
O horizonte, como para recebê-las,
de uma fímbria de ouro todo se debrua;
afla a brisa, cheia de ternura ousada,
esfolando as ondas, provocando nelas
bruscos arrepios de mulher beijada…

Olhos tentadores da mulher amada!

Uma vela branca, toda alvor, se afasta
balançando na onda, palpitando ao vento;
ei-la que mergulha pela noite vasta,
pela vasta noite feita de luar;
ei-la que mergulha pelo firmamento
desdobrado ao longe nos confins do mar…

Olhos cismadores que fazeis cismar!

Branca vela errante, branca vela errante,
como a noite é clara! como o céu é lindo!
leva-me contigo pelo mar… Adiante!
fímbria do horizonte onde te vais sumindo
e onde acaba o mar e de onde o céu começa…

“Amar é fazer o ninho, que duas almas contém”, ensinava poeticamente Tobias Barreto

Resultado de imagem para tobias barretoPaulo Peres
Poemas & Canções

O jurista, filósofo, crítico e poeta sergipano Tobias Barreto de Meneses (1839-1889) define, liricamente, o que seja “Amar”.

AMAR
Tobias Barreto

Amar é fazer o ninho,
Que duas almas contém,
Ter medo de estar sozinho,
Dizer com lágrimas: vem,
Flor, querida, noiva, esposa…
Cabemos na mesma lousa…
Julieta, eu seu Romeu:
Correr, gritar: onde vamos?
Que luz! que cheiro! onde estamos?
E ouvir uma voz: no céu!

Vagar em campos floridos
Que a terra mesma não tem;
Chegamos loucos, perdidos
Onde não chega ninguém…
E, ao pé de correntes calmas,
Que espelham virentes palmas,
Dizer-te: senta-te aqui;
E além, na margem sombria,
Ver uma corça bravia,
Pasmada olhando pra ti!

A arte de se indignar sempre diante das desigualdades, na poesia de Thiago de Mello

Resultado de imagem para thiago de mello frasesPaulo Peres
Poemas & Canções
 

O poeta amazonense Amadeu Thiago de Mello, no poema “Não Aprendo a Lição”, mostra como é difícil conviver no mundo feroz dos homens, frente ao poder que se alimenta da fome dos injustiçados.

NÃO APRENDO A LIÇÃO
Thiago de Mello

A lição de conviver,
senão de sobreviver
no mundo feroz dos homens,
me ensina que não convém
permitir que o tempo injusto
e a vida iníqua me impeçam
de dormir tranquilamente.
Pois sucede que não durmo.

Frente à verdade ferida
pelos guardiães da injustiça,
ao escárnio da opulência
e o poderio dourado
cujo esplendor se alimenta
da fome dos humilhados,
o melhor é acostumar-se,
o mundo foi sempre assim.
Contudo, não me acostumo.

A lição persiste sábia:
convém cabeça, cuidado,
que as engrenagens esmagam
o sonho que não se submete.
E que a razão prevaleça
vigilante e não conceda
espaços para a emoção.
Perante a vida ofendida
não vale a indignação.
Complexas são as causas
do desamparo do povo.
Mas não aprendo a lição.
Concedo que me comovo.

Uma desesperada canção de amor, na poética sinfonia das horas de Thais Beija-flor

Livro - Amar é... Um abraço imenso! no Submarino.com

Paulo Peres
Poemas & Canções

A poeta paulista Thais Silva Francisco, pseudônimo Thais Beija-flor, no poema “A Sinfonia das Horas”, procura e encontra o tempo certo para o amor.

A SINFONIA DAS HORAS
Thais Beija-Flor

Na sinfonia das horas
nosso Amor encontra o tempo certo.
Brincamos com os ponteiros
Acertamos nossos minutos
Nos amamos sem pensar nas horas.

As horas são nossas amigas.
Vez ou outra dão uma paradinha,
ou, se deixam somar ao nosso fuso horário
para que nosso tempo ganhe
um pouco mais de tempo,
pois as horas entendem que é Mágico
este momento de Amor!

É Mágico e Abençoado este Amor
que vive intensamente a pulsar
dentro do nosso peito
seja noite ou seja dia…aqui ou aí.
Nada importa se há distância
a separar nossos corpos,
pois nossas almas se encontram
em fração de segundos
se entrelaçam e nos fazem sentir este amor
sublimemente vivido!

Que horas são?
Não importa, meu amor querido,
Os ponteiros do nosso relógio se aquietaram
e ficarão assim pelo tempo necessário,
até que me ajudes a voltar a respirar
pois este amor paixão tirou-me o fôlego
e do teu ar estarei a precisar…

Ah!… Sinfonia das horas.
Cante ao Universo
esta nossa melodia de Amor!

No Domingo de Páscoa, não se pode esquecer que a data festeja a ressurreição de Cristo

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Paulo Peres lembra, poeticamente, o significado da data

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres, no poema “Páscoa”, faz uma reflexão sobre o significado deste acontecimento para a Humanidade.

PÁSCOA
Paulo Peres

Há mais de dois mil anos,
Jesus Cristo tentou
Mostrar à Humanidade
Uma vida melhor,
Mas a ignorância
Da maior parte da população,
Incentivada
Pelos poderes da época,
Mercenários e imperialistas,
Como os de hoje,
Impediram-no…

Houve sofrimento,
Houve lágrimas,
Houve escuridão…

Todavia,
Houve sabedoria,
Houve fé,
Houve busca,
Houve perdão,
Houve salvação,
Houve liberdade,
Houve luz,
Houve RESSURREIÇÃO!..

Ressurreição diária
Que existe na PÁSCOA
Do coração
De quem tem como dogma
Os Mandamentos
Da Justiça Divina!

Na Romaria de Renato Teixeira, o destino do brasileiro, solto em pensamento sobre seu cavalo

Renato Teixeira - www.falamaestro.com.brPaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor paulista Renato Teixeira de Oliveira, um dos mais destacados cantores da música regionalista, na letra de “Romaria” expressa o desejo por dias melhores, de fartura, povoando a mente do fervoroso homem do campo, que com fé luta contra as adversidades de sua dura e solitária rotina. A música “Romaria” foi gravada por Elis Regina no LP Elis, em 1977, pela Philips, tornando-se rapidamente sucesso em todo o país.

ROMARIA
Renato Teixeira

E de sonho e de pó
O destino de um só
feito eu perdido em pensamentos
sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
De gibeira ou jiló
dessa vida cumprida a só

Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida

O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
meus irmãos perderam-se na vida
a custa de aventuras
Descasei, joguei
investi, desisti
Se há sorte eu não sei nunca vi.

Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida

Me disseram porém
que eu viesse aqui
pra pedir em romaria e prece
Paz nos desaventos
Como não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar

Sou caipira pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Que ilumina a mina escura
e funda o trem da minha vida

Na poesia de Tanussi Cardoso, o amor não é o vinho embebedando lençóis, nem o beijo louco…

Tanussi Cardoso, um poeta multimídia e polivalente

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, crítico literário, contista, letrista da MPB e poeta carioca Tanussi Cardoso expõe sua visão sobre o amor no poema “Cilada”.  Aparentemente trágico, o poema exibe um humor latente e a ironia final fulmina toda a esperança de que um dia saibamos o que é essa coisa louca e bela chamada “amor”, segundo Tanussi Cardoso.

CILADA
Tanussi Cardoso

O amor não é a lua
iluminando o arco-íris
nem a estrela-guia
mirando o oceano

O amor não é o vinho
embebedando lençóis
nem o beijo louco
na boca úmida do dia

O amor não é a angústia
de se encontrar o sorriso
nem o vermelho
do coração dos pombos

O amor não é a vitória
dos navios e dos barcos
nem a paz cavalgando
cavalos alados

O amor é, sobretudo
a faca no laço do laçador
O amor é, exatamente
o tiro no peito do matador

De ressaca, Rubem Braga se olhou ao espelho e teve inspiração para um poema

Sou um homem quieto, o que eu gosto é... Rubem BragaPaulo Peres
Poemas & Canções

Considerado o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, o capixaba Rubem Braga (1913–1990), sempre afirmou que a poesia é necessária, tanto que escreveu vários poemas, entre eles o soneto “Ao Espelho”, no qual retrata uma reflexão pessoal no inexorável passar do tempo.

AO ESPELHO
Rubem Braga

Tu, que não foste belo nem perfeito,
Ora te vejo (e tu me vês) com tédio
E vã melancolia, contrafeito,
Como a um condenado sem remédio.

Evitas meu olhar inquiridor
Fugindo, aos meus dois olhos vermelhos,
Porque já te falece algum valor
Para enfrentar o tédio dos espelhos.

Ontem bebeste em demasia, certo,
Mas não foi, convenhamos, a primeira
Nem a milésima vez que hás bebido.

Volta portanto a cara, vê de perto
A cara, tua cara verdadeira,
Oh, Braga envelhecido, envilecido.

Em São Paulo, ninguém fazia sambas como Paulo Vanzolini, autor de “Ronda” e outros sucessos

Paulo Vanzolini, sempre de bem com a vida

Paulo Peres
Poemas & Canções

 
O zoólogo e compositor paulista Paulo Emílio Vanzolini (1924-2013) dizia que para fazer a música “Ronda”, inspirou-se em seu tempo de soldado nos anos 40, quando servia o Exército na Companhia de Polícia e fazia rondas pelos bares de São Paulo à procura de soldados desgarrados. Foi nessa ocasião que presenciou dramas parecidos com os da letra da música em questão, lançada por Inezita Barroso, em 1953, pela RCA Vitor.
RONDA
Paulo Vanzolini
De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar
No meio de olhares espio em todos os bares
Você não está
Volto pra casa abatida
Desencantada da vida
O sonho alegria me dá
Nele você está

Ah, se eu tivesse quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, esta busca é inútil
Eu não desistia

Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando um dadinho
Jogando bilhar
E neste dia então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar
Da avenida São João

“Se eu tivesse um barco, partiria agora”, dizia o poeta Ribeiro Couto, à beira do cais.

Imagem representativa do artigo

Couto, retratado por Vicente do Rego Monteiro

Paulo Peres
Poemas & Canções

O magistrado, diplomata, jornalista, romancista, contista e poeta paulista Rui Ribeiro de Almeida Couto (1898-1963), no poema “Cais Matutino”, relembra uma noite de chuva nas docas do mundo.

CAIS MATUTINO
Ribeiro Couto

Mercado de peixe, mercado de aurora:
Cantigas, apelos, pregões e risadas
À proa dos barcos que chegam de fora.

Cordames e redes dormindo no fundo;
À popa estendida, as velas molhadas;
Foi noite de chuva nos mares do mundo.

Pureza do largo, pureza da aurora.
Há visgos de sangue no solo da feira.
Se eu tivesse um barco, partiria agora.

O longe que aspiro no vento salgado
Tem gosto de um corpo que cintila e cheira
Para mim sozinho, num mar ignorado.