Um debate enfadonho, chatíssimo, que apenas confirmou o impeachment

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Dilma fez o papel de vítima, mas não conseguiu convencer

Carlos Newton

Ao contrário do que se esperava, o debate dos senadores com a presidente afastada Dilma Rousseff transcorre em clima altamente organizado, democrático e republicano, decepcionando as quatro equipes de filmagem que se encarregam dos documentários que pretendem provar que houve um golpe no Brasil. Não há possibilidade de cenas de ação, confrome os cineastas ansiavam.

Os senadores e senadoras a favor e contra o impeachment estão sendo polidos e respeitosos, e a presidente se comporta do mesmo jeito, resultando num espetáculo altamente monótono e tedioso. As perguntas são acerca dos mesmos temas – o golpe parlamentar, os créditos em aberto junto ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, e os decretos ilegais autorizando despesas sem aval do Congresso E as respostas também são sempre as mesmas, aumentando a overdose da repetição “ad nauseam” de argumentos falaciosos, na tentativa de Dilma justificar os crimes de responsabilidade.

Era esperado o maior espetáculo da Terra, de fazer inveja ao grande cineasta Cecil B. DeMille. E a frustração foi grande, porque o reality show do impeachment deixou muito a deixar,

ABOLINDO A CONSTITUIÇÃO – Basicamente, a enfadonha defesa de Dilma Rousseff se baseou em alegar que a Lei de Responsabilidade Fiscal autorizaria os decretos ilegais que a Constituição proíbe. Seu argumento é patético, porque não existe possibilidade de lei se sobrepor à Constituição.

Afirmou também que nas pedaladas (créditos bancários ilegais) não houve qualquer participação da Presidência da República, porque não cabia a ela, chefe do governo, autorizar o Plano Safra. Não assinou nada, não autorizou nada. Ou seja, simplesmente confessou que não mandava na administração pública, apesar de estar no exercício da Presidência da República.

Além disso, tentou convencer os senadores de que não houve pedaladas (maquiagem contábil ou contabilidade criativa), alegando que não se tratou de operações de créditos, embora a União tivesse sido obrigada a pagar juros aos bancos estatais.

SÓ RESTOU O DILMÊS – Para divertir o respeitável público, portanto, só restou o dilmês, aquele linguajar próprio e personalíssimo, que caracteriza a mais famosa representante da espécie conhecida como “mulher sapiens”. Mesmo assim, a performance da presidente também ficou prejudicada, porque os assuntos eram sempre os mesmos e ela foi instruída a não fazer suas célebres improvisações, ficava repetindo a mesma ladainha.

Na primeira pergunta de parlamentares pró-impeachment, feita pela senadora Ana Amélia (PP-RS), a presidente afastada chegou a ensaiar o dilmês, ao comparar a democracia a uma árvore, que num golpe militar é cortada, mas num golpe civil pode morrer atingida por fungos. Mas logo recebeu um toque do advogado José Eduardo Cardozo, que sentara a seu lado, e passou a obedecer às instruções e ao treinamento recebido nos últimos dias, nos ensaios com senadores da base aliada.

TUDO DECIDIDO – Logo na fase inicial dos debates, no final da manhã, ficou configurado que o impeachment será aprovado e não fará falta o voto do senador Wellington Fagundes, que está hospitalizado, com diverticulite.

O pronunciamento de senador Acir Gurgacz, líder do PDT, mostrou bem a situação. Apesar de ameaçado de expulsão pela direção do partido, ele se declarou francamente favorável ao impeachment, mostrando que o destino de Dilma Rousseff.

Realmente, os argumentos de Dilma foram frágeis e insatisfatórios, a teoria do golpe não pegou e ficou claro que ela não tem a menor condição de reassumir a Presidência, como diz o senador Telmário Mota, outro pedetista que vai enfrentar a cúpula do partido e votar pelo impeachment. O jogo acabou.

Dilma diz no Senado que sofre golpe por contrariar os interesses das elites

Dida Sampaio/Estadão

Dilma fez o papel de vítima, em discurso enfadonho

Elizabeth Lopes, Igor Gadelha e Carla Araújo
Estadão

Em sua defesa no plenário do Senado nesta segunda-feira, 29, a presidente afastada Dilma Rousseff disse que o impeachment tornou-se assunto central da pauta política e da imprensa, dois meses após a sua reeleição. E destacou que os partidos que apoiavam o seu principal oponente nas urnas, no pleito presidencial de outubro de 2014, o tucano Aécio Neves (PSDB), “fizeram de tudo” para impedir a sua posse e estabilidade.”Queriam o poder a qualquer preço e tudo fizeram para desestabilizar a mim e a meu governo”, emendou. E disse que por ter contrariado interesses, pagou e paga um elevado preço.

No discurso, ela criticou também o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e falou que sua gestão foi prejudicada pelas chamadas ‘pautas-bomba’ no parlamento, que prejudicaram a economia e dificultaram a busca do reequilíbrio fiscal. “Foi criado assim o ambiente de instabilidade política.”

“Contrariei interesses e por isso pago um preço alto”, disse a presidente afastada na sua defesa.

CHANTAGEM DE CUNHA – Dilma disse ter sofrido pressão do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ressaltando que o processo de impeachment só foi aprovado por conta da “chantagem implícita” de Cunha, que não queria que a Câmara abrisse seu processo de cassação. E frisou o fato de não ter se curvado à chantagem do peemedebista motivou a abertura de seu processo de impedimento.

No discurso, a petista disse que “curiosamente, estarei sendo julgada por um crime que não cometi” e criticou novamente Cunha. “Ironia da história? Não, de maneira nenhuma”, respondeu, dizendo que a abertura de seu processo de impeachment foi um fato que teve a cumplicidade e apoio de setores da mídia. “Encontraram na pessoa do ex-presidente da Câmara o vértice de sua aliança golpista.”
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – As perguntas já começaram e Dilma começou a responder em “dilmês”, comparando a democracia a uma árvore atacada por fungos. Vai ser um debate hilário. (C.N.)

Senador que apóia Dilma diz que ela não tem mais condições de governar

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Telmário Mota diz que é melhor deixar temer governar até 2018

Maria Lima
O Globo

Um dos mais ferrenhos integrantes da tropa de choque da presidente afastada Dilma Rousseff, contra o que chama de “golpe branco” conduzido pela “burguesia do FBI”, o senador Telmário Mota (PDT-RR) capitulou. Ao Globo, o pedetista disse que Dilma não tem condições de retornar ao cargo e, se voltasse, teria que governar com o PMDB. Para evitar uma crise ainda maior, disse Telmário, o melhor para o Brasil e para seu estado é deixar o presidente interino Michel Temer na Presidência pelos próximos dois anos até serem realizadas novas eleições.

Apesar de não ter anunciado oficialmente, o voto de Telmário deverá engordar a maioria de votos já declarados para aprovar a cassação definitiva de Dilma.

O senador pedetista não tem aparecido no plenário nessas primeiras sessões do julgamento do impeachment, mas tem tido conversas com ministros do entorno de Temer. Junto com parlamentares do PT e do PCdoB, ele foi um dos que assinaram a representação contra o processo de impeachment na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

NA BASE ALIADA – Telmário Mota disse que foi para a base do governo porque Roraima é um estado que sobrevive do contracheque e depende 80% de verbas da União. E “se der uma chuva no governo federal, Roraima morre afogada”. Portanto, se Dilma voltar a agravar a crise, seu estado seria muito penalizado. O senador pedetista diz que, se Dilma reassumir, ela não terá como governar com o PSDB, com o Democratas e com os demais partidos já agregados ao governo Temer.

“Agora eu tenho que pensar no Brasil e no meu estado, não tem jeito! Se Dilma voltar, ela tem que governar com o PMDB. Que crise não vai ter? O Brasil vai perder a governabilidade. Então deixa o PMDB que está aí, porque foi quem sempre governou mesmo. Vamos tentar salvar esse país nesses dois anos até ter novas eleições” – explicou Telmário.

COM TEMER E PADILHA – Mesmo quando foi para a base no governo Dilma, disse Telmário, foi com Temer e com o atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que sempre conversou. Disse que nunca conversou com ninguém do PT ou com a própria Dilma.

– Aí veio o processo do impeachment, e eu continuei, porque entendia ideologicamente que aquilo era um golpe, uma briga partidária e que o PMDB, o partido que lhe dava sustentação, queria tirá-la. O PMDB hoje está governando de joelhos para o PSDB, assim como o PT governava de joelho para o PMDB – disse Telmário.

Nesta segunda-feira, depois da defesa de Dilma no plenário, ele vai oficializar seu voto.

Temer não assiste ao depoimento de Dilma e recebe medalhistas olímpicos

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Geddel diz que o Planalto não acompanhará o depoimento

Simone Iglesias, Catarina Alencastro e Júnia Gama
O Globo

Enquanto Dilma Rousseff já está depondo no Senado, nesta segunda-feira o presidente interino Michel Temer comandará uma agenda mvimentada. Ele receberá os medalhistas e atletas olímpicos que disputaram os Jogos Olímpicos do Rio, neste mês, em evento no Palácio do Planalto.

Incentivadora das Olimpíadas, em 2011, Dilma criou o Bolsa Pódio para apoiar atletas de alto rendimento com chances de medalha. Este ano, já afastada da Presidência, desistiu de comparecer à cerimônia de abertura porque não teria um lugar de destaque no evento.

MEDALHISTAS – Buscando se descolar do julgamento final do impeachment, que ocorre desde a última quinta-feira no Senado, Temer capitalizará o evento esportivo no palácio. Receberá os principais medalhistas brasileiros, como Isaquias Queiroz, que ganhou três medalhas no canoismo; Rafaela Silva, medalha de ouro no Judô; Martine Grael e Kahena Kunze, dupla ouro na vela; Alisson e Bruno Schmidt, dupla ouro no vôlei de praia; além de atletas das equipes de futebol e vôlei masculino, ambas medalhistas de ouro. No total, cerca de 70 atletas participarão da cerimônia.

Inicialmente, Temer participaria também da ratificação do acordo climático negociado em Paris no ano passado, durante a COP 21. A agenda, no entanto, foi adiada para 12 setembro, depois que o presidente interino voltar da China.

Paralelamente aos eventos no Planalto, a equipe de Temer procura dar um ar de naturalidade às ações em andamento. O ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), afirma que o governo está focado na Câmara, onde o tema impeachment já foi superado e se prepara para importantes votações.

MEDIDAS PROVISÓRIAS – Nos planos do Palácio do Planalto, esta segunda-feira será o momento de aprovar na Câmara três Medidas Provisórias (MPs) que estão prestes a caducarem: a 725, que trata de crédito agrícola, a 726, que fez a reforma administrativa com as mudanças na Esplanada dos Ministérios, e 727, que cria o programa de Parcerias de Investimentos, inclusive o cargo de Moreira Franco.

Os governistas tentarão também finalizar a votação dos destaques do projeto da renegociação da dívida dos estados com a União. A ideia é começar ainda na segunda-feira, após a votação das MPs, tendo como prazo final para votar o projeto a terça-feira, dia em que começará a votação sobre o impeachment no Senado.

– Aproveitamos o fim de semana e colocamos uma porta à prova de fogo entre o Senado e a Câmara. O fogo vai ficar concentrado lá no Senado – afirmou um aliado de Michel Temer.

FOGO NO SENADO – O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, afirma que o governo trabalhará normalmente durante os dias finais do processo de impeachment.

– Na segunda-feira o governo estará trabalhando na Câmara. A votação do impeachment é no Senado e não vamos paralisar os trabalhos por causa disto. Temos muita coisa a fazer e nenhum tempo a perder – pontua Geddel.

Militância acampa em Brasília e promete ficar até o final do impeachment

Militância acampa em Brasília

Número de militantes é pequeno, em relação a atos anteriores

Deu na Agência Brasil

Movimentos sociais contrários ao impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, cuja votação final deve ser concluída pelo Senado na próxima quarta-feira (dia 30), começaram a montar acampamentos em Brasília neste domingo (dia 28).

Embora o número de ônibus com militantes que chegam à capital seja bem menor do que o observado na votação da admissibilidade do impeachment na Câmara, em abril, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que lidera a mobilização, disse que espera reunir ao menos 5.000 pessoas na Esplanada dos Ministérios nesta segunda-feira (29), quando Dilma irá ao Senado fazer sua defesa em plenário.

Os militantes, sobretudo camponeses, prometem ficar acampados em Brasília até o momento final do impeachment.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA CUT havia comunicado ao PT e a Dilma que não tinha recursos para custear o transporte e a estadia dos militantes, tendo até sugerido que a presidente afastada usasse os recursos da vaquinha feita para custear seus deslocamentos aéreos, que captou mais de R$ 700 mil. Não se sabe se Dilma usou esses recursos, mas o fato é que o dinheiro apareceu e a militância voltou às ruas, mas até agora em número bem reduzido. (C.N.)

Vou lhe pedir um favor, que só depende da sua boa vontade…

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Ismael era um retrato da elegância em forma de sambista

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor e compositor Ismael Silva (1905-1978), nascido em Niterói (RJ), para fazer a letra de “Antonico”, inspirou-se em uma carta de Pixinguinha para Mozart de Araújo, na qual o maestro pedia ao amigo um emprego para o sambista em dificuldade. O samba “Antonico” foi gravado por Alcides Gerardi, em 1950, pela Odeon.

ANTONICO
Ismael Silva

Ô Antonico
vou lhe pedir um favor
Que só depende da sua boa vontade
É necessário uma viração pro Nestor
Que está vivendo em grande dificuldade
Ele está mesmo dançando na corda bamba
Ele é aquele que na escola de samba
Toca cuíca, toca surdo e tamborim
Faça por ele como se fosse por mim

Até muamba já fizeram pro rapaz
Porque no samba ninguém faz o que ele faz
Mas hei de vê-lo bem feliz, se Deus quiser
E agradeço pelo que você fizer

Senadores dizem que Dilma ficará em plenário pelo tempo que for necessário

Presidenta Dilma Rousseff recebe o ex-presidente Lula no Palácio da Alvorada. (Brasília - DF, 28/08/2016) Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma recebe Lula na véspera do depoimento no Senado

Marina Dias
Folha

Um dia antes do discurso que fará no plenário do Senado, a presidente afastada, Dilma Rousseff, afirmou neste domingo (28) a senadores que está “segura” e ficará no plenário “até o horário necessário”. Dilma conversou por viva-voz com senadores de sua base aliada que estavam reunidos no apartamento de Lídice da Mata (PSB-BA) e foi questionada sobre sua “disposição” em ficar muitas horas respondendo a perguntas dos parlamentares, visto que há 47 inscritos até agora.

Segundo presentes, Dilma respondeu que estava sendo “pega de surpresa” com a dúvida, mas que achava melhor “esgotarmos até o horário necessário”.

“Ela está disposta a amanhecer respondendo”, afirmou Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ao sair do encontro marcado para definir as estratégias que os senadores adotarão na sessão desta segunda-feira (29), com a presença da petista.

NO ALVORADA – A presidente afastada estava no Palácio da Alvorada para um jantar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros aliados, quando recebeu o telefonema da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que também estava na residência de Lídice. Durante a ligação, senadores e Dilma trocaram impressões sobre o julgamento e a petista agradeceu o “empenho” dos congressistas.

Apesar dos esforços, nem mesmo os auxiliares mais próximos à petista acreditam que o discurso dela possa reverter votos. A fala de Dilma deve durar pouco mais de trinta minutos, adotar um tom emocional e registrar na história os efeitos do que ela chama de “golpe”.

Durante boa parte do domingo (28) Dilma se preparou para o discurso e as perguntas que deverá responder dos senadores, tanto de sua base como de oposição.

Da reunião na casa de Lídice participaram 12 senadores, entre eles Humberto Costa (PT-PE), Lindbergh Farias (PT-RJ), Jorge Viana (PT-AC), Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), Roberto Requião (PMDB-PR), entre outros.

Documentários sobre impeachment revelam grande número de canastrões

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Em cima da hora, o sensacional suspense da entrega da defesa

Carlos Newton

Além da transmissão da TV Senado ao vivo, a filmagem de quatro documentários sobre o impeachment fez com que os participantes do julgamento no Senado se transformassem em atores e figurantes. A exacerbação dos ânimos e as cenas de chanchadas derivam dessa situação, em meio às mancadas de um dos atores principais, o ministro Ricardo Lewandowski, que saiu do roteiro ao chamar José Eduardo Cardozo de “nosso advogado” e citar o “senador Cristovão Colombo”. Parece comédia, mas vira uma verdadeira novela, quando se perdem horas e horas debatendo detalhes sem a menor importância, como se estivéssemos num reality show.

Um dos documentários está sendo produzido pela cineasta paulista Anna Muylaert, sob direção de Lo Politi, que trabalha em filmes de publicidade. Outras equipes são comandadas pelo diretor carioca Douglas Duarte e pelas cineastas Petra Costa e Maria Augusta Ramos, que passaram a filmar os acontecimentos políticos a partir da votação do impeachment na Câmara, com os deputados votando por suas mães, seus filhos e outros parentes.

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No Senado, canastrões e canastronas se exibem em cena

CANASTRÕES – Como se trata de documentários, os atores e figurantes interpretam livremente, sem orientação do diretor, sem marcação de cena e sem roteiro fixo. É por isso que o resultado está sendo desastroso e até mesmo patético. Uma das cenas mais concorridas foi a chegada esbaforida do advogado José Eduardo Cardozo para entregar a defesa de Dilma Rousseff à Mesa do Senado. Cercado pelas equipes de filmagem, ele protocolou o documento de 670 páginas faltando apenas três minutos para o encerramento do prazo fatal, num suspense de matar o Hitchcock, como dizia nosso amigo Miguel Gustavo.

Essas cenas combinadas com as equipes transformam os documentários em verdadeiras chanchadas, com senadores e senadoras se exibindo como grandes canastrões, em performances que causam constrangimento, como ocorreu nos três dias iniciais desta maratona cinematográfica, nos debates e xingamentos transmitidos ao vivo e a cores.

DILMA EM CENA – Agora, chegamos aos últimos capítulos, com a ansiada e apoteótica entrada em cena da protagonista, em seu papel de vítima de um golpe, cercada de 35 figurantes de altíssimo nível. Na Mesa Diretora do Senado, Dilma Rousseff vai ler dramaticamente o roteiro que escreveram para ela, para enfim desfazer o suspense se irá até o final da película ou se apresentará uma explosiva renúncia, numa reedição da célebre “Carta Testamento” de Getulio Vargas, mas sem cerimônia de corpo presente.

Se renunciar, a atriz estará saindo definitivamente de cena, sob vaias e aplausos ensurdecedores, captados pelos microfones de som ambiente das equipes de filmagem. Nesta hipótese, as cenas seguintes terão de ser canceladas, a não ser que o Senado decida manter a programação, como aconteceu no caso de Collor.

GRAN FINALE” – Caso a atriz principal não renuncie, haverá então os acalorados debates, com a protagonista podendo exibir à exaustão os dotes linguísticos personalíssimos, a oratória invulgar e a capacidade histriônica da mulher sapiens, em seu criativo papel de vítima do Dragão da Maldade, em filmes que desprezam o Santo Guerreiro.

Esse “gran finale” cinematográfico traz saudades do nosso amigo Glauber Rocha, que foi embora cedo e jamais poderia ter perdido essas cenas. Mais do que nunca, estamos vivendo numa “Terra em Transe”.

Derrotados pelo voto, ressuscitados pelo golpe

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Charge do Edra (chargesdoedra.blogspot.com

Carlos Chagas

As ameaças ainda não se concretizaram. Ignoramos se Michel Temer quer apenas agradar os grupos que conseguiram afastar Dilma Rousseff, deixando de  atender suas reivindicações, ou se está pronto para o maior dos retrocesso nacionais, de extinguir as conquistas sociais estabelecidas desde Getúlio Vargas.

Penalizar os aposentados e demolir a Previdência Social; implantar a reforma trabalhista e revogar direitos de quem vive de salário; privatizar serviços públicos, presídios, hospitais, escolas e creches; aumentar impostos e proibir correções salariais; suprimir programas sociais e ampliar os privilégios do capital em detrimento do trabalho – essas e outras mudanças nas estruturas do país estão a um passo de ser anunciadas.

São tais objetivos que serviram de estímulo e até motivo para o afastamento de Madame da presidência da República. Por mais que ela tenha demonstrado incompetência e arrogância, acima e além de seu governo ter mergulhado na corrupção, está sendo deposta pelos que ansiavam a  volta aos privilégios agora   sustentados por  Michel Temer e sua quadrilha. Não foi posta para fora pela sede de justiça demonstrada pela população, pois os que a estão depondo são, em maioria, os  mesmos que se locupletavam do  assalto à coisa pública. Apenas como cortina de fumaça referem-se à lambança, aliás promovida pelo PT e sucedâneos. A causa real do retrocesso em vias de concretizar-se está na conspiração dos derrotados pelo voto e agora ressuscitados pelo golpe. Porque não há sucedâneo para a verdade: é golpe mesmo, afirmação comprovada pela revelação dos planos de Michel Temer…

Senador é internado com diverticulite e Dilma agora só precisa de 27 votos

Fagundes votou pelo afastamento temporário de Dilma e para transformá-la em ré nas duas etapas anteriores do processo. Ele era um dos vice-líderes do governo da petista no Senado. A assessoria de imprensa do senador divulgou uma nota à imprensa em que, além de detalhar o episódio, informa não haver previsão de alta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSe o senador Wellington Fagundes não pedir licença de 121 dias, para o suplente assumir, Dilma passa a só necessitar de 27 votos para escapar do impeachment. Hipoteticamente, isso até pode acontecer. Mas não acontecerá, porque os senadores sabem que Dilma e o PT não têm mais a menor condição para governar o país. O partido está tão desmoralizado que os candidatos às eleições municipais têm vergonha de exibir a estrela, a cor vermelha e o nome do partido. Além do mais, os crimes de responsabilidade e os decretos ilegais estão bem configurados no relatório do senador Antonio Anastasia, são provas materiais que têm de ser levadas em consideração. (C.N.)

 

Dilma esteve diretamente envolvida em todas decisões que nos jogaram no atoleiro

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Rogério Furquim Werneck
O Globo

Tudo indica que o Senado está prestes a dar por encerrado o mandato da presidente Dilma. Confirmada a decisão, é preciso que o país saiba ir além dos termos estreitos em que, há meses, vem sendo travado o debate sobre o impeachment, e consiga ter perspectiva clara da trajetória de Dilma Rousseff em Brasília, desde que ali aportou, vinda de Porto Alegre, há cerca de 14 anos.

DESCAMINHO – Em boa medida, essa trajetória demarca o descaminho dos governos petistas e o roteiro do desastre a que o país foi arrastado. De uma forma ou de outra, Dilma esteve direta e estreitamente envolvida em cada uma das mudanças equivocadas de rumo que nos trouxeram ao colossal atoleiro em que estamos metidos.

Quem quer que tivesse prestado atenção em seu desempenho como ministra de Minas e Energia, no primeiro governo Lula, já teria razões de sobra para ficar alarmado ao vê-la alçada a ministra-chefe da Casa Civil, em 2005, na esteira do descabeçamento do PT provocado pelo mensalão. Poucos meses depois, Dilma ganharia proeminência ainda maior no governo, quando, com assentimento do presidente Lula, liderou o torpedeamento da proposta de contenção da expansão do gasto público do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

NA CASA CIVIL – O afastamento de Palocci, em março de 2006, e sua substituição por uma figura inexpressiva, que seria confirmada no cargo no segundo mandato de Lula, abriria espaço para inédita preponderância da Casa Civil na condução da política econômica.

O que se seguiu é por demais conhecido. A reorientação da política econômica, mais discreta de início, logo se tornou mais ostensiva, quando o agravamento da crise mundial trouxe o pretexto que faltava. As diretrizes que nortearam a política econômica do primeiro mandato foram rapidamente abandonadas. O rumo passou a ser dado pela “nova matriz econômica”, irresponsável pajelança voluntarista, desfraldada no segundo mandato de Lula, cujas consequências desastrosas podem ser hoje observadas com deprimente riqueza de detalhes.

Desde o início do primeiro governo Lula, Dilma manteve-se umbilicalmente ligada à Petrobras. “Eu estive presente em todos os momentos”, foi o que declarou em meados de 2014, ao se referir aos feitos da estatal nos dez anos anteriores. (“Folha de S. Paulo”, 2/7/2014). Como ministra de Minas e Energia, foi logo nomeada presidente do Conselho de Administração da empresa. E nesse cargo permaneceu até março de 2010, mesmo depois de ter passado a ser ministra chefe da Casa Civil, quando se tornou, a um só tempo, a figura-chave dos dois lados da complexa interface do Planalto com a Petrobras.

CENTRALIZADORA – Foi no longo período que lhe coube zelar pelos melhores interesses dos acionistas da empresa, que nela foi montado o gigantesco esquema cleptocrático que viria a ser conhecido como petrolão. Centralizadora como era, Dilma jamais detectou a existência de qualquer irregularidade que pudesse levantar a mais leve suspeita de que havia um esquema daquelas dimensões em operação. Nada viu, nada notou. Nem na Petrobras, nem no Planalto.

A descoberta do pré-sal tornaria o envolvimento de Dilma com a Petrobras ainda mais intenso. Sobretudo depois de 2008, quando, preocupado com a inexperiência eleitoral de Dilma, Lula decidiu transformar o pré-sal em inconsequente e espalhafatosa plataforma de lançamento de sua candidatura a presidente.

CONTRA OS AMIGOS – Em longa entrevista publicada em 2013, Lula se permitiu um relato franco das dificuldades que enfrentou para convencer a cúpula do PT a lançar Dilma como candidata a presidente, em 2010. Vale a pena ler de novo: “Eu sei o que eu aguentei de amigos meus, amigos mesmo, não eram adversários, dizendo: Lula, mas não dá. Ela não tem experiência, ela não é do ramo. Lula, pelo amor de Deus” (ver em http://zip.net/bntrGq).

Passados seis anos, Lula parece, afinal, plenamente convencido de que seus amigos estavam cobertos de razão. Cometeu um erro trágico, com consequências devastadoras, que custarão ao país muitos anos de reconstrução.
                    (Artigo enviado pelo comentarista Mário Assis Causanilhas)

Radicalismo da Lava Jato ofende quem preza o respeito à Constituição

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Charge do Tacho, reprodução do Jornal NH

Janio de Freitas
Folha

O procurador-geral Rodrigo Janot tem uma curiosidade. Bom sinal, nestes tempos em que temos sabido de inquisidores sem curiosidade, só receptivos a determinadas respostas. A crítica do ministro Gilmar Mendes aos “vazamentos” de delação na Lava Jato suscitou a reação de Rodrigo Janot registrada por Bernardo Mello Franco: “A Lava Jato está incomodando tanto? A quem e por quê?”.

É uma honra, e quase um prazer, aplacar um pouco a curiosidade que a esta altura acomete ainda o procurador-geral, talvez forçando-o a alguma passividade ou omissão.

Não escapa à sua percepção o quanto a Lava Jato incomoda aos que envolve com sua malha, tenha ou não motivo real para tanto. Mas existe outra classe de incomodados, muito mais numerosos do que os anteriores e atingidos por inquietação diferente. O procurador-geral não terá dificuldade em reconhecê-los.

RESPEITO À LEI – É uma gente teimosa e inconformada. São os que prezam o respeito à Constituição, mesmo que não a admirem toda, e às leis, mesmo que imperfeitas. E entendem, entre outras coisas, que isso depende não só dos governos e políticos em geral, mas, sobretudo, dos que integram o sistema dito de Justiça. Ou seja, o Judiciário, o Ministério Público, as polícias.

Perseguições escancaradamente políticas, prisões desnecessárias ou injustificáveis, permanências excessivas em cadeias, “vazamentos” seletivos — tudo isso, de que se tem hoje em dia inúmeros casos, incomoda muita gente. Porque, além de covardes, são práticas que implicam abuso de autoridade e múltipla ilegalidade. E sua prepotência é tipicamente fascistóide.

Mas os incomodados com isso não se mudam e não mudam. Querem o fim da corrupção e de todas as outras bandalheiras, sem, no entanto, o uso de resquícios do passado repugnante.

ATINGINDO DILMA – Mais uma vez, às vésperas de uma decisão em procedimentos destinados ao impeachment, a Lava Jato cria uma pretensa evidência, na linha do escandaloso, que atinja Dilma Rousseff ainda que indiretamente.

Desta vez, estando os seus procuradores sob suspeita do crime de “vazamento” de matéria sigilosa, a Lava Jato passou a tarefa ao seu braço policial: o já conhecido delegado Márcio Anselmo, da Polícia Federal, indicia Lula, Marisa e Paulo Okamotto.

Os procuradores da Lava Jato pediram 90 dias para fazer a denúncia dos indiciados. Três meses? Um inquérito com as peças que justifiquem o indiciamento não precisa de tanto prazo para a denúncia.

A dedução é inevitável: o indiciamento foi precipitado, com o mesmo propósito político dos anteriores atos gritantes, e os longos três meses são para tentar obter o que até agora não foi encontrado.

CRÉDITO AO BRASIL – O governo da China ofereceu ao Brasil, em junho de 2015, crédito em torno de US$ 50 bilhões para obras de infra-estrutura. A Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, no governo Dilma, e os chineses formaram uma comissão que, por sua vez, decidiu pela criação de um fundo de investimento de US$ 20 bilhões, composto por US$ 15 bilhões da China e completado pelo Brasil. Um outro fundo elevará o financiamento ao montante proposto no ano passado.

O governo de Michel Temer reteve a formalização do acordo, e o início do primeiro fundo, para apresentá-lo como realização sua. No dia 2 de setembro, data escolhida em princípio.

CORPORATIVISMO? – A crítica de Gilmar Mendes aos procuradores da Lava Jato foi atribuída por muitos, nos últimos dias, ao corporativismo sensibilizado pelo “vazamento” injustificado contra o ministro Dias Toffoli.

O que houve, porém, foi a repetição, em parte até com as mesmas palavras, das críticas feitas por Gilmar Mendes em pelo menos duas ocasiões. Inclusive tratando como crimes os “vazamentos” de delações sigilosas. Os quais, na verdade, não são vazamentos, ou informações passadas a jornalistas: são jogadas com fins políticos.

A definição como crime, aliás, é motivo bastante para que a tal investigação do “vazamento” contra Toffoli, ou nem comece, ou termine em nada a declarar.

Chico Buarque deverá acompanhar a companheira Dilma na sessão do Senado

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Charge do Henrique, reprodução do Arquivo Google

Júnia Gama e Catarina Alencastro
O Globo

Militante contra o impeachment, o cantor e compositor Chico Buarque deverá estar presente na sessão de segunda-feira no Senado para ouvir a presidente afastada, Dilma Rousseff, apresentar pessoalmente sua defesa. Dilma tem direito a trazer 35 convidados para acompanhar sua defesa. Entre convidados como o ex-presidente Lula, ex-ministros, assessores e aliados, Chico Buarque entrou na lista neste sábado, mas ainda não confirmou à Mesa Diretora do Senado se estará presente à sessão.

Caso compareça, ele deve ficar na tribuna do Senado no local reservado aos convidados da defesa. Separados por um “muro” humano, composto por profissionais da imprensa, estarão os convidados da acusação, que serão os representantes de movimentos sociais favoráveis ao impeachment.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tudo na vida, é preciso haver limites. É muito triste ver pessoas brilhantes, como Chico Buarque, apenas por uma questão de ideologia, a tentar defender o que simplesmente é indefensável.Todo cidadão tem direito ao livre arbítrio, mas as ideologias são excludentes e sufocantes. Não podem ser adotadas de forma intransigente, é preciso abrir sempre espaço para discutir o que é certo e o que é errado. Quando a gente se declara comunista, isso não significa defender Josef Stalin, Pol Pot nem Fidel Castro, que, aliás, nunca foram comunistas. Podemos estar apenas fazendo justiça a Karl Marx e Friedrich Engels, que eram dois humanistas, defendiam a liberdade de imprensa, jamais mandariam matar qualquer pessoa. Pelo contrário, apenas sonhavam com um mundo melhor. E podemos também estar apenas defendendo Lao Tse, Buda ou Jesus Cristo. Pense sobre isso. É interessante e instigante. Quanto a Chico Buarque, deve ser considerado genial como artista e uma besta quadrada como militante político. (C.N.)

Envergonhados, candidatos do PT em campanha fingem que são de outro partido

Logotipo da campanha do prefeito Fernando Haddad à reeleição tinha estrela do PT sem destaque; novo logotipo trouxe estrela do PT maior

Haddad suprimiu a estrela do PT e foi forçado a recolocá-la

Catia Seabra
Folha

Avassaladora em eleições passadas, a “onda vermelha” foi reduzida a marolinha na disputa municipal de 2016. Em todo o país, candidatos do PT substituíram o vermelho por lilás, amarelo, verde, azul. A tradicional estrela do partido deu lugar a corações e figuras multicoloridas. A decadência da estrela ficou visível na propaganda de rádio e TV. Em São Paulo, por exemplo, o H do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foi trocado.

Em 2012, a marca da campanha era composta por um H, tendo no centro uma estrela. Na estreia do programa, na sexta (26), porém, a estrela foi suprimida e o “H” ganhou apenas um traço em diagonal. Em 2012, Haddad prometia não decepcionar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que ocupou um minuto da propaganda – nem a presidente Dilma Rousseff.

Na sexta-feira, os petistas não foram citados, nem o partido. A direção do PT protestou e Haddad teve de repor a estrela que carateriza a legenda.

Em Belo Horizonte, a estrela e o nome do PT sumiram, e até o vermelho já virou lilás


BELO HORIZONTE
– A palidez da estrela não é exclusividade de Haddad. Em Belo Horizonte, a logomarca da candidatura de Reginaldo Lopes é composta por uma superposição de oito cores, em que predomina o lilás. Já o prefeito de São José dos Campos e candidato à reeleição, Carlinhos Almeida, optou pelo azul e amarelo como grife. No lugar da estrela, um coração.

Segundo Almeida – que não citou o PT em seu primeiro programa – as cores reproduzem a bandeira da cidade. Ele lembra que sua aliança é composta por dez partidos, incluindo PPS e Solidariedade – para justificar a escolha do coração. “Simboliza nossa união.”

NEM EDINHO SILVA… – Ex-ministro de Dilma, Edinho Silva não cita a presidente afastada ou Lula em seu programa. Com fundo azul e roxo nas redes sociais, omitiu o nome de Dilma ao descrever sua trajetória política. “Foi ministro da Presidência da República”, diz o locutor. Silva disputa a eleição em Araraquara, no interior de São Paulo.

Em Porto Alegre, o candidato do partido, Raul Pont, tem seu nome coberto de cores. No programa de estreia, o PT apareceu apenas numa cena em que um militante segurava um cartaz.

VERDE E ABÓBORA – O candidato do PT à Prefeitura de Santos Dumont (MG), Labenert Ribeiro, usa verde e abóbora na campanha. E o prefeito de Mauá (SP) e candidato à reeleição, Donisete Braga, exibe estrela disforme e colorida como logomarca. O candidato, que teve Dilma como cabo eleitoral em 2012, afirmou, via assessoria, que a estrela já era estilizada na campanha passada e que “é preciso sempre modernizar”.

O prefeito de Santo André, Carlos Grana, também usa superposição de cores como verde, amarelo e laranja. Embora não cite Dilma e Lula, o candidato em Campinas, Marcio Porchmann, registrou um “fora, Temer” no horário eleitoral.

Empreiteiras envolvidas na Lava Jato oferecem ‘bolsa-delação’ a seus executivos

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Charge do Tacho, reprodução do Jornal NH

Bela Megale
Folha

Empresas investigadas na Operação Lava Jato que tentam fechar ou já firmaram acordos de delação premiada com os investigadores asseguraram de dez a 15 anos de salários aos executivos envolvidos nas negociações. O benefício, chamado por pessoas que circulam no meio de “bolsa-delação”, foi oferecido pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Odebrecht àqueles funcionários que se tornaram ou podem virar delatores.

Tal garantia, segundo relatos de empresários desses grupos obtidos pela Folha, teria dupla função: a de proporcionar segurança financeira aos que encontrarem dificuldades em se recolocar no mercado e a de dar às empreiteiras algum controle na coordenação dos depoimentos para que não se fale algo fora do “script”.

A Odebrecht, que tenta um acordo com a força-tarefa de procuradores em Curitiba (PR) e com a Procuradoria-Geral da República desde março, garantiu aos cerca de 50 candidatos à delação a manutenção de empregos por pelo menos 15 anos com os salários atuais, além de ajuda para pagar multas decorrentes do processo. Estuda-se ainda a possibilidade de executivos que também são acionistas do grupo receberem mais recursos por sua participação na empresa.

RENDA GARANTIDA – Com o acerto, a maioria dos funcionários que assinar o acordo terá renda garantida até completar aproximadamente 70 anos. Aqueles que tiverem que se desligar da Odebrecht devido aos conteúdos revelados aos investigadores também terão direito ao benefício, que será suspenso quando — e se — conseguirem outro emprego.

A Andrade Gutierrez, que teve acordo homologado em abril, garantiu dez anos de salários aos 11 funcionários que fecharam delação, entre eles o ex-presidente do grupo Otávio Azevedo, que ficou quase oito meses preso.

Segundo relatos de envolvidos nas negociações, Azevedo deve receber em torno de R$ 120 milhões ao longo desta década, pagamento proporcional ao que recebia quando ocupava o cargo. A estimativa foi feita com base salarial de R$ 1 milhão por mês.

MAIS VANTAJOSO – O caso da Andrade Gutierrez é apontado como mais vantajoso para os beneficiados porque o dinheiro foi garantido a todos, mesmo sem manterem vínculos com a empresa. Ou seja, os delatores ganharão seus salários pelos próximos dez anos sem a necessidade de trabalhar.

As negociações de outra empreiteira, a OAS, com seus funcionários são mais conturbadas, como já informou a colunista Mônica Bergamo. A empresa, que teve seu acordo de delação suspenso pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está com problemas de caixa para dar garantias financeiras a potenciais delatores.

Consultores da empreiteira defendem que, com R$ 150 milhões, seria possível diminuir o conflito de interesses entre acionistas e funcionários que participarão de uma eventual delação, mas a ausência de recursos é um obstáculo para a estratégia seguir adiante. Com isso, os problemas para coordenar o que os executivos vão falar ainda preocupam a OAS.

Piada do Ano (ou Maldade do Ano): Katia Abreu diz a Dilma que ela terá 32 votos

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Kátia Abreu conta nos dedos os votos que pretende dar a Dilma

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) acredita que a presidente afastada Dilma Rousseff pode reverter o quadro, se livrar da cassação e voltar ao poder. Nas contas da senadora, que trabalha para tentar convencer colegas a favor da petista, há uma margem de 28 a 32 votos que Dilma pode obter a seu favor. “Se conseguirmos 28, chegaremos a 32”, disse.

A senadora confidenciou que há parlamentares que nos bastidores admitem que não há crime de responsabilidade por parte de Dilma, mas que mesmo assim estão inclinados a aprovar a cassação. “Eu tenho dito que eles ainda têm tempo para mudar o voto”, afirmou.

Segundo Kátia Abreu, ela tem falado com Dilma “durante a manhã, tarde e noite”. “Ela está serena e tranquila”, disse. A senadora pretendia jantar sábado à noite com Dilma, mas não foi possível por conta da continuidade do julgamento do impeachment que deve terminar por volta das 22 horas.

EXPECTATIVA – Ao comentar sobre a expectativa em torno do depoimento que Dilma fará na segunda-feira, a senadora afirmou que o senador Jorge Viana (PT-AC) está coordenando com os demais parlamentares a diretriz dos questionamentos que serão feitos a petista. “Vamos buscar uma alternância nas perguntas, para ter um equilíbrio, algo como três dele (oposição a Dilma) e um nosso”, afirmou.

Katia disse ainda que não há como fazer acordos para que os parlamentares evitem ataques a petista. “Eu espero que não venham com tratamento indigno”, disse.

Segundo a senadora, Dilma fará um discurso forte e se dirigindo também à nação. “Mas não será uma prestação de contas não te entregando o jogo”, afirmou. “Estou com um bom pressentimento.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como a senadora Kátia Abreu fala sério com os jornalistas, não esboça um sorriso, tipo Boris Karloff, ficamos na dúvida se ela poderá concorrer à Piada do Ano. Mas pode entrar numa nova categoria, a Maldade do Ano, porque não de ser uma perversidade alimentar Dilma Rousseff com esse tipo de ilusão. Ela já deveria ter renunciado, para ter um mínimo de tranquilidade e recuperar a saúde emocional. Dizer a Dilma que ela pode ter 32 votos é uma espécie de crime hediondo em matéria de enganação. (C.N.)

Na direção da OAS, Lula era chamado de “Chefe” e Marisa era “Madame” 

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão

A Polícia Federal reuniu como provas de que a OAS teria custeado reforma no tríplex do Edifício Solaris, no Guarujá em benefício do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva,notas fiscais, documentos encontrados nas buscas e análises de mensagens dos celulares dos investigados. O petista, a mulher, Marisa Letícia, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e dois ex-executivos da empreiteira foram indiciados nesta sexta-feira, 26, pela Operação Lava Jato, em Curitiba.

VANTAGEM INDEVIDA – “(Lula) recebeu vantagem indevida por parte de José Aldemário Pinheiro e Paulo Gordilho, presidente e engenheiro da OAS, consistente na realização de reformas no apartamento 174”, informa relatório final do inquérito assinado pelo delegado Márcio Adriano Anselmo. O imóvel recebeu obras avaliadas em R$ 777 mil, móveis no total de R$ 320 mil e eletrodomésticos no valor de R$ 19 mil – totalizando R$ 1,1 milhão.

Construído pela Bancoop (cooperativa habitacional do sindicato dos bancários), que teve como presidente o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto – preso desde abril de 2015 -, o prédio foi adquirido pela OAS em 2009 e recebeu benfeitorias da empreiteira, acusada de cartel e corrupção na Petrobrás. Para a Lava Jato, o ex-presidente seria o verdadeiro dono do tríplex e as reformas seriam propinas. A defesa do petista nega taxativamente.

CHEFE E MADAME – Nas mensagens encontradas nos celulares apreendidos do ex-presidente da OAS e do engenheiro do grupo, em que Lula é chamado de “chefe” e Marisa de “madame”, segundo interpretação da PF, foram encontrados elementos para apontar que o casal orientou as reformas no apartamento do Guarujá – e também do sítio de Atibaia.”O projeto da cozinha do chefe da (tá) pronto Se marcar com a Madame pode ser a hora que quiser”, registra arquivo de troca de mensagem de Léo Pinheiro. “Amanha as 19h. Vou confirmar. Seria nom (bom) tb ver se o Guaruja esta pronto.”

“Guaruja também está pronto.” Para a polícia, eles falavam da instalação das cozinhas no apartamento do litoral e do sítio de Atibaia, ambas em 2014.

Marisa também é tratada como “dama” nas mensagens. “Dr Léo o Fernando Bittar aprovou junto a Dama os projetos tanto de Guarujá como do sítio”, registra uma mensagem de interlocutor não identificado enviada para o ex-presidente da OAS, em fevereiro de 2014 – um mês antes de ser deflagrada a Lava Jato.

“PEÇA DE FICÇÃO” – Os advogados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva repudiam veementemente o indiciamento de seus clientes a partir das apressadas conclusões do Relatório elaborado em 26/08/2016 pelo Delegado de Polícia Federal Marcio Adriano Anselmo nos autos do Inquérito Policial nº1048/2016 (5035204-61.2916.4.04.7000), que tem caráter e conotação políticos e é, de fato, peça de ficção. Lula e D. Marisa não cometeram crimes de corrupção passiva (CP, art. 317, caput), falsidade ideológica (CP, art. 299) ou lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98, art. 1º).

OKAMOTTO SE DEFENDE – Em nota distribuída pela Original 123 Comunicações, o advogado Fernando Augusto Fernandes, defensor do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, declarou que ‘não existe vantagem ilícita e nenhum crime na contribuição após a saída da presidência da República’.

“O advogado do Presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, informa que não existe vantagem ilícita e nenhum crime na contribuição após a saída da presidência da República, para manutenção do Acervo Presidencial. O acervo é privado, de interesse público e do povo brasileiro, regulado pela Lei 8394/91. Tal acervo é composto por milhares de cartas e lembranças do povo brasileiro e autoridades estrangeiras oferecidas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A preservação de toda essa memória é uma das atribuições do Instituto Lula.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma desfaçatez classificar como simples “lembranças” os valiosíssimos objetos que a legislação determina pertencerem à União e foram usurpados pela família Lula da Silva. São 186 peças, que Marisa Letícia e Fábio Luís guardaram na sala-cofre de uma agência bancária em São Paulo e foram confiscados pelo juiz Sérgio Moro. Se cada peça valer apenas R$ 100 mil, o acervo pode ser avaliado em R$ 18,6 milhões. Nada mal.  (C.N.)

Lewandowski precisa convocar a Força Nacional para o depoimento de Dilma

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Jorge Béja

Nada mais enfadonho baixo, reles e vil do que este arrastado processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Chega a dar náusea. Na sexta-feira Renan Calheiros se mostrou por inteiro. Comparou o Senado que ele preside a um hospício e por isso vai responder, na Justiça do Rio, a uma ação indenizatória por dano moral coletivo a pedido de uma clínica psiquiátrica que mantém 38 pacientes internados em tratamento. A diretoria da clínica considerou — e com toda razão — a declaração de Renan como pesado ultraje não apenas à instituição, mas a todas as clínicas brasileiras que abrigam e cuidam de pessoas portadoras de doenças mentais, que não são poucas, nem poucos, as clínicas e os pacientes.

O presidente do Senado já deve estar sabendo do processo cível que vai ser réu. Matéria publicada aqui na Tribuna da Internet antecipou a abertura do processo. E Ancelmo Gois também deu a notícia em sua coluna na edição de sábado de O Globo.

PARALELO OFENSIVO – A qualquer categoria, entidades, instituições ou grupo de pessoas que Renan comparasse o Senado, o paralelo seria ofensivo. Se Renan, em vez de dizer que o Senado parecia um “hospício” e dissesse que parecia uma “zona”, as mulheres profissionais do sexo também se sentiriam ofendidas e teriam todo o direito de processar Renan, pedindo reparação por dano moral.

Renan também causou outro quiproquó gravíssimo. Em discurso, falando alto e com raiva, Renan disse que a senadora Gleisi Hoffman nunca poderia ter dito, na véspera, que os senadores não tinham moral para fazer o julgamento de Dilma. Isto porque, bradou Renan, ele próprio foi até o Supremo Tribunal Federal para “desindiciar” a senadora e seu marido Paulo Bernardo. Foi e conseguiu. O que é isso?

O presidente do Senado vai à Suprema Corte de Justiça, pede e consegue livrar do indiciamento uma senadora e seu marido, e consegue! É uma revelação nada republicana, nada democrática e vergonhosamente danosa e desonesta para o Parlamento e o Judiciário nacionais. Agora, sim, é perfeitamente oportuna aquela pergunta que se tornou bastante conhecida: “Que país é este?”.

DILMA NO SENADO – Mas esta segunda-feira promete muito mais. Dilma e Lula estarão no plenário do Senado. Lula, indiciado pela Polícia Federal do Paraná pela prática de três crimes, vai fazer o que no Senado? Dilma anunciou que vai lá fazer sua defesa e responder às perguntas dos senadores, da acusação e da defesa. É aí que mora mais outro perigo. A ocasião poderá gerar confronto de proporções e consequências inimagináveis, fora e dentro do plenário do Senado.

Talvez seja recomendável que Lewandowski convoque a Força Nacional de Segurança para garantir a ordem dos trabalhos, porque serenidade não haverá. Bate-boca, bafafá e xingamentos não faltarão. E esperar para confirmar.

Essas sessões no Senado presididas pelo ministro Ricardo Lewandowski são vazias de conteúdo minimamente jurídico. O processo é político. É pura perda de tempo ouvir essas pessoas convocadas como testemunhas ou informantes. Eles dizem o que querem e o que acham. Não têm o menor compromisso de dizer a verdade.

NEGÓCIO FISCAL – Na sexta-feira um depoente teve a coragem de dizer que, no seu entender, o agricultor quando apanha dinheiro na CEF ou no BNDES para tocar seu negócio e depois paga a dívida com juros, ocorre uma operação bancária. Mas quando o governo pega dinheiro nas mesmas instituições e depois não paga, aí não é operação bancária, mas “negócio fiscal”. E por aí vai. Cada um dá o seu “pitaco” e nada lhes acontece. Dizem o que acham.

Tudo isso que o povo brasileiro está assistindo pela televisão é para cumprir as formalidades, meras formalidades sem nenhum proveito para o deslinde do processo.