A expectativa antidilmista

João Gualberto Jr.

As rodadas mais recentes dos dois principais institutos de pesquisa trouxeram uma possibilidade interessante de leitura. A consulta para a eleição presidencial mostrou que a distância entre a presidente Dilma e Aécio, o segundo colocado, continua significativa, na casa dos 20 pontos. Em terceiro vem Eduardo Campos, com aproximadamente 10% das intenções.

A curiosidade está nas simulações de segundo turno. Apesar da margem de folga da candidata à reeleição nas consultas relativas ao primeiro turno, nos confrontos diretos, Aécio ou mesmo Campos sobem muito mais do que a adversária: ela não chega a 50% enquanto qualquer um dos dois se aproxima dos 40%.

Os números do Ibope e do Datafolha demonstrariam, assim, um forte fator anti-Dilma. As intenções de voto dadas aos demais concorrentes, diluídas no primeiro turno, parecem tender a concentrar-se no rival da petista nas hipóteses de segundo turno. É mais ou menos assim: “Voto em quem disputar com Dilma”.

Essa leitura das pesquisas retrata um clima cada vez mais presente de que o governo vai mal. Estão vencendo os discursos de que a inflação está fora de controle (embora isso não seja verdade), que o país não cresce quanto deveria (o que é verdade) e que os serviços de saúde e educação são uma lástima (ainda que quem critica contrate ambos da rede privada). E essa faixa de sintonia de humor, que anda contagiosa, já favorece os adversários de Dilma.

Mesmo assim, ela ainda é favorita. Tenhamos uma certeza, contudo: se uma nova vitória da presidente se confirmar, seu segundo mandato será entre espinhos e pedregulhos. O símbolo máximo dessa profecia é a carta do Santander endereçada a seus clientes mais abonados: o cenário de sucesso eleitoral da petista faz mal à economia.

PODER ECONÔMICO

É notável o poder econômico das expectativas autorrealizáveis, e a história é farta de exemplos. Assim como o banco espanhol, entendem os entendidos que a equipe econômica de Dilma é incapaz de aproveitar as oportunidades de crescimento, que o governo dela gasta muito e mal e não controla (pior, alimenta) a inflação. Com isso, um novo mandato manteria o país numa iminência de estagnação com inflação (a famosa estagflação). Antevendo as agruras de um novo mandato, o agente econômico não investe, não contrata, não se endivida: a economia não cresce com boa parcela de culpa da autorrealização de expectativas.

Segundos mandatos já tendem a ser piores do que os primeiros porque a saída do poder dentro de quatro anos tem um viés de desestímulo e porque o poder de novidade que propicia mudanças num primeiro governo não se repete. Imaginemos qual seria, então, a relação de Dilma com o Congresso num segundo governo. Todos os partidos aliados, inclusive o PMDB, venderam caro a fiança para uma nova adesão agora e saíram rachados.

“Todo esse pacote de desesperança já não seria motivo para votar em outro?”, provocam os antidilmistas. Se quiser dobrar o mau humor endêmico e a força das expectativas autorrealizáveis, o trabalho dela e do PT deve começar já e tem o desafio de ir além da propaganda eleitoral. (transcrito de O Tempo)

 

Desproporcional é o PT ameaçar retaliação usando a caneta

Julia Duailibi
Estadão

A presidente Dilma Rousseff e o PT erram quando ameaçam retaliar o Santander sugerindo o uso de mecanismos de Estado para isso. Na semana passada, o banco soltou um informe aos seus clientes com renda acima de R$ 10 mil dizendo haver risco de deterioração do cenário econômico em caso de vitória da presidente Dilma Rousseff.

Até então, a reação histérica sobre o tema parecia estar no ringue das opiniões. O ex-presidente Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, e a oposição, cada um falou o que achava do caso. E é assim que as coisas funcionam na normalidade democrática. O banco emitiu sua opinião – você pode ou não concordar com ela. O PT reagiu a essa opinião e emitiu a sua – e você pode ou não concordar com ela.

O problema não é o bate-boca, mas o uso da máquina pública para retaliar ou ameaçar adversários ou instituições. As ameaças veladas ao Santander feitas por Dilma e por outros petistas levam a crer que algo pode estar acontecendo nos bastidores, longe dos microfones e da verborragia eleitoreira.  “Eu vou ter uma atitude bastante clara em relação ao banco”, afirmou ontem a presidente, de maneira misteriosa.

EXAGERO

O prefeito de Osasco, Jorge Lapas (PT), segundo a Folha de S. Paulo, chegou a declarar que vai romper convênio com o banco para recolhimento de taxas e tributos municipais. Se havia um convênio com o Santander, deveria existir interesse da população nele. Agora que o banco virou inimigo do PT, a prestação de serviço do Santander para a população de Osasco não serve mais?

O Santander pode até ter errado na maneira como expôs o que vários analistas já falam em alto e bom som. A opinião institucional de um banco tem um peso diferente do que a declaração avulsa de um analista. Tanto que os demais bancos têm opiniões similares, mas a expressam de modo mais cauteloso porque sabem que cenário eleitoral e expectativa econômica são duas variáveis que demandam responsabilidade e ponderação.

Mas o governo ameaçar usar a máquina porque não gostou da opinião não só é ilegal como é perigoso. Ao contrário do que disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, desproporcional não é perder de 7 a 1. É usar a mão pesada do Estado por não aceitar o contraditório.

O problema da economia é que já está esgotada a capacidade de as famílias se endividarem

Wagner Pires

A medida tomada pelo Banco Central de liberar R$ 30 bilhões para o mercado de crédito, por meio do afrouxamento do instituto do desconto compulsório do Banco Central, pode não dar o resultado que se espera.

O desconto compulsório é o recolhimento obrigatório a que todos os bancos comerciais são obrigados a fazer nos depósitos à vista e nas poupanças que seus clientes depositam. Assim, se um hipotético Sr. Joaquim deposita em poupança R$ 1.000,00 no  HSBC, por exemplo, tal banco é obrigado a recolher 44% desse valor em uma conta única ao Banco Central, de tal modo que esse montante não sirva para o HSBC como recursos de empréstimo.

Sendo assim, sobram apenas os R$ 660,0 restantes para o banco comercial trabalhar oferecendo empréstimos a outros clientes tomadores.

Isso faz com que o volume de dinheiro disponível para empréstimo caia, reduzindo o padrão de consumo da população. E esta é a ideia do desconto compulsório instituído pelo Banco Central.

AFROUXAMENTO,

Agora, com a medida de afrouxamento o Banco Central libera R$30,0 bilhões para os bancos comerciais emprestarem aos tomadores de empréstimos.

Acontece que, como disse o economista-chefe da Corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, ao manter a taxa Selic em 11%, o BC abre um ponto de inflexão entre as duas medidas, pois, se liberou mais recurSos para se emprestados de um lado, continua a restringir o crédito ao inibir a tomada de empréstimos, porque a taxa de juros Selic continua alta, o que faz manter também altos os juros de empréstimos praticadas pelos bancos.

É como se uma medida anulasse a outra. Portanto, a decisão do BC é muito mais emocional do que racional.

E mais, o economista Fernando Motero não acrescentou o que já postulamos, porque não só o crédito está muito caro e, portanto, proibitivo, como as famílias estão com seus orçamentos apertados pelo endividamento já feito. Endividamento que compromete 46% de seus orçamentos familiares anuais.

CARGA TRIBUTÁRIA

Acrescente-se a decomposição do orçamento das famílias brasileiras pelo comprometimento também com o pagamento da carga tributária, que, como calcula o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) chega a 41% do orçamento.

Logo, se somarmos os dois compromissos teremos, por espanto, 87% (!) do orçamento das famílias já comprometidos com as dívidas e com o pagamento de tributos.

Sobram apenas 13% (!) para as famílias manobrarem os custos com a manutenção da casa e despesas básicas de existência como alimentação, vestuário, saúde, educação e transporte.

Veja que, sobre esses 13%, há, também, o efeito corrosivo da inflação!

Isso explica o porquê de no primeiro trimestre do ano corrente o IBGE ter apontado para um recuo do consumo e agora os índices do IBC-BR do BC terem apontando para uma recessão da nossa economia.

O poder de consumo da sociedade brasileira esgotou-se. E se não há consumo (demanda), não adianta criar oferta, e a economia entra em recessão. Simples assim.

Joaquim Barbosa planejou milimetricamente sua aposentadoria

José Carlos Werneck

Segundo informa o jornalista Claudio Humberto, no site”Diário do Poder”, com a publicação do decreto de sua aposentadoria, ontem, no Diário Oficial da União, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa deu o troco nos ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia. A saída um dia antes da reabertura dos trabalhos livrou Barbosa de ter de participar e, principalmente, votar na sessão que escolherá, hoje, seus dois desafetos para dirigir a mais alta Corte de Justiça do País.

O ministro Lewandowski deverá, nesta sexta-feira, assumir interinamente a presidência do Supremo e do Conselho Nacional de Justiça, tendo como vice no STF a ministra Cármen Lúcia .

Joaquim Barbosa não suporta Lewandowski, revisor do processo do mensalão, com quem trocou insultos pesados durante o julgamento.

Já Cármen Lúcia foi para a lista de desafetos após ser flagrada, em 2007, comentando que Joaquim daria “salto social” como relator do mensalão.

A decisão de Barbosa de se aposentar, para não ficar “um só dia” sob comando de Lewandowski, tinha sido revelada, anteriormente, por Claudio Humberto.

Lei cria regras para convênios com ONGs, que deveriam ser proibidas de usar recursos públicos

Yara Aquino e Pedro Peduzzi
 Agência Brasil 

O projeto de lei que cria um novo marco regulatório para as organizações não governamentais (ONGs) foi sancionado hoje (31) pela presidenta Dilma Rousseff. A lei estabelece normas para as parcerias voluntárias da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios com as organizações e estabelece regras para evitar o favorecimento de grupos específicos e a escolha de entidades sem preparo técnico ou estrutura para o cumprimento dos projetos.

Pela proposta, as ONGs terão que participar de processo seletivo (chamada pública) inscrevendo seus projetos para serem selecionados, pondo fim a uma das principais polêmicas referentes às parcerias, a forma de seleção. Terão ainda que cumprir uma série de requisitos para fazer parcerias com os governos. Entre as exigências para firmar os contratos estão: existir há, no mínimo, três anos; ter experiência prévia na realização do objeto do convênio; e ter capacidade técnica e operacional para desenvolver as atividades propostas.

A presidenta Dilma Rousseff disse que a democracia se fortalece quando se abre para a participação social e destacou que a criação de regras claras vai permitir o reconhecimento por parte do Estado da relevância e importância dessas instituições. “A legislação cria um ambiente muito mais adequado para a atuação das organizações da sociedade civil e reconhece nelas parceiras fundamentais do Estado na implementação de políticas em favor dos nossos cidadãos”.

FICHA LIMPA

O novo texto traz também a exigência da ficha limpa tanto para as organizações quanto para os seus dirigentes. Passa a ser lei nacional a determinação de que as organizações e os dirigentes que tenham praticados crimes e outros atos de violação aos princípios e diretrizes ficam impedidos de celebrar novas parcerias. A medida vinha sendo aplicada nas parcerias firmadas pelo Poder Executivo Federal desde 2011.

Além disso, a norma prevê regras mais rígidas no planejamento prévio dos órgãos públicos, no monitoramento e na avaliação, e um sistema de prestação de contas diferenciado por volume de recursos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTudo isso é muito bonito e comovente, até parece que vai funcionar… A realidade, porém é bem outra, como ficou demonstrado no caso do deputado Rodrigo Bethlem e a ONG espírita (deve ser espírito de porco). E como ficou demonstrado também no caso das ONGs do Ministério do Esporte, num verdadeiro festival do PCdoB. Nada disso interessa. As ONGs deveriam ser proibidas de receber recursos públicos, apenas isso. Seu nome já diz que são não-governamentais. Mas só vivem penduradas nas tetas da viúva. (C.N.)

Com novo ânimo, a Tribuna da Internet se lança em busca do tempo perdido

Carlos Newton

Este blog perdeu muito tempo com “problemas técnicos”. Nos primeiros anos, quando a audiência era pequena, o funcionamento da Tribuna jamais teve dificuldades. Mas depois que a audiência foi crescendo, até atingir em 2013 o recorde de 64 mil acessos diretos num só dia (sem contar Facebook, outras redes sociais, distribuição de artigos por e-mail e reproduções em outros blogs e sites), os “problemas técnicos” enfim surgiram e logo se multiplicaram.

Ontem, acabamos de trocar de servidor, a migração ficou praticamente perfeita, até agora não houve dificuldades de acesso e o trabalho diuturno de edição do blog passou a funcionar com maior velocidade.

BLOQUEIO DE COMENTÁRIOS

É claro que ainda há problemas, como alguns comentários que ficam aguardando moderação ou bloqueados como spam (propaganda indesejada), quase sempre por conterem palavras em idioma estrangeiro, como Béja, Welinton, Wagner, Limongi, Bortolotto e tantos outros, como o onipresente Schossland, que nem se fale… Schossland é sempre o primeiro comentarista a ficar bloqueado e abduzido, até que o programa antispam se acostume com o nome dele e entenda que suas mensagens são bem-vindas.

Esse bloqueio indevido é mais uma tarefa adicional para nós, porque temos de ficar conferindo nos spams se algum comentário está indevidamente bloqueado. Acreditamos que em mais alguns dias tudo estará normalizado e poderemos seguir Marcel Proust em busca do tempo perdido.

AS DUAS TRIBUNAS

Quanto ao contador de acessos, que o comentarista Ricardo Sales nos cobra, só poderemos recolocá-lo quando a contagem estiver normalizada. No momento, só há contagem para Tribuna da Imprensa, embora a maior parte dos acessos seja feita por Tribuna da Internet.

O fato mais importante é que, desta vez, enfim conseguimos instalar o blog como Tribuna da Internet, para que em breve possamos devolver ao grande mestre Helio Fernandes o título Tribuna da Imprensa, que fomos obrigados a manter quando ele se afastou para fazer um novo blog, o Tribuna da Imprensa Online.

Na época, o título Tribuna da Internet não estava disponível e tivemos de continuar usando o Tribuna da Imprensa, que há anos está sob nosso domínio, desde o fechamento do jornal impresso.  Mas agora parece que ficou tudo certo com o título Tribuna da Internet e esperamos poder liberar o domínio Tribuna da Imprensa para nosso amigo Helio Fernandes o mais rápido possível.

E como diz nosso amigo Ancelmo Gois, que Deus os ajude e a nós não desampare.

Cantando na estrada, como Paulinho Pedra Azul

O cantor, compositor e poeta mineiro Paulo Hugo Morais Sobrinho nasceu na cidade de Pedra Azul, a qual adotou como nome artístico. É tido como um dos cantores mais conhecido de Minas Gerais. Sua música registra influências que vão desde os Beatles e o samba até o mineiro Clube da Esquina. Suas criações, como “Ave Cantadeira”, mostram suas origens rurais. Esta música foi gravada no CD Paulinho Pedra Azul 10 anos, em 1992, produção independente.

AVE CANTADEIRA
Paulinho Pedra Azul

E lá vou eu nessa estrada
desafiando o coração
cantando em prosa ou canção
feito uma ave cantadeira
cantar, cantar, cantar
viver, viver, viver
criar penas de pássaro no ar
voar, voar, voar
sofrer, sofrer, sofrer
amar, amar, amar você
E lá vou eu nessa agonia
levando a dor em minhas mãos
fugindo igual a um bicho errante
amargurado coração
cantar, cantar, cantar
sofrer, sofrer, sofrer
voar, voar, sobreviver

     (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Para Skaf apoiar Dilma em SP, PT tem que retirar Padilha

Pedro do Coutto
Reportagem de Márcio Falcão e Alexandre Aragão, edição de quarta-feira 30 da Folha de São Paulo, revela a pressão que está sendo exercida por Michel Temer sobre Paulo Skaf para que este passe a apoiar a candidatura da presidente Dilma Rousseff em São Paulo.A pressão era esperada, porque, se não apoiar Dilma, Skaf, que é o candidato do PMDB, não estará apoiando Michel temer, vice na chapa governista. Tem lógica. Aliás, dupla lógica, já que São Paulo é o principal colégio eleitoral do país, representando assim mais de 20% dos votos. Dilma-Temer precisam de parte desses votos. Isso de um lado. De outro, o dirigente licenciado da federação das Indústrias não tem condições de não se integrar ao lado de Temer e ao mesmo tempo desejar obter a adesão dos prefeitos que o PMDB possui na área estadual.
Tudo perfeito, mas falta uma coisa: Temer não pode desejar  a participação de Skaf se o PT mantiver a candidatura de Alexandre Padilha ao Palácio Bandeirantes. Neste caso, Skaf, ao aceitar tal palanque duplo, estaria contribuindo politicamente para o plano alto do Planalto sem que alcançasse uma contribuição desse apoio no esquema estadual. Seria este seu argumento mais consistente.
E, em contrapartida, Temer poderia – e pode – sustentar que existe, ou deve existir uma coligação PT-PMDB na área federal. Mas há dificuldades em vários Estados. São Paulo, o principal. Rio de Janeiro, entre eles. Minas Gerais, um terceiro exemplo. É necessária uma revisão do panorama, tanto de parte de Dilma Rousseff quanto de Aécio Neves. Não cito Eduardo Campos porque este só poderá subir se Aécio descer. Como demonstram as pesquisas tanto as do Datafolha, quanto as do Ibope.
A dúvida, hoje, já escrevi sobre isso, é se haverá segundo turno. Mas se houver, será ele entre Dilma e Aécio. A chapa Campos-Marina, por si só, aparece de forma fraca nos levantamentos. Vamos esperar o próximo para focalizarmos novamente esse aspecto.
PEZÃO E DILMA
Voltamos ao tema que abrange as alianças regionais em função do quadro básico nacional. No Rio de Janeiro, por exemplo, o governador Pezão apoia Dilma Rousseff, uma vez que ele pertence aos quadros do PMDB. E seu apoio encontrou correspondência. A presidente da República não prestigiou Lindberg Farias, senador e candidato do PT ao Palácio Guanabara. Em Minas, segundo colégio eleitoral (o Rio de janeiro é o terceiro) disputam o Palácio da Liberdade Pimenta da Veiga, pelo PSDB, e Fernando Pimentel, pelo PT. O PMDB tem que se posicionar.
Citei as três principais fontes de votos. Mas há uma série de outros Estados importantes em relação aos quais ou ocorrem uma arrumação das coligações partidárias ou se reconhecem divisões profundas atingindo as alianças num sentido (Dilma) ou no outro (Aécio).
Um desafio para as articulações e os articuladores. Têm que partir de aproximações e nelas incluir o interesse de vários candidatos, cada um em sua unidade federativa. Pois através da campanha que começa em agosto não há muitos espaços para manobras isoladas. E sim espaços a serem descobertos para convergências. O caso de São Paulo é típico. O do Rio de Janeiro, outro exemplo marcante. Todos os caminhos até outubro levam às urnas. Mas nem todos são iguais.

Temer provoca crise no PMDB paulista e atrapalha Skaf

Carlos Newton

Incomodado com peça publicitária que insinuava a negativa do PMDB paulista apoiar Dilma, o vice-presidente Michel Temer resolveu enquadrar o candidato do partido ao governo de São Paulo, Paulo Skaf.

A bem-humorada peça publicitária consistia na divulgação de um vídeo em que o candidato Skaf aparece sentado num trem e é perguntado pelo celular sobre um possível apoio ao PT. A resposta usa o bordão de um comercial do cantor Cumpadre Washington, do conjunto É o Tchan: “Sabe de nada, inocente”.

O vídeo causou revolta no Planalto e a conta sobrou para o vice-presidente Michel Temer, que não só voltou a presidir o PMDB, como também é padrinho da candidatura de Skaf ao governo paulista. Temer imediatamente ligou para Skaf e exigiu do aliado. “O PMDB paulista estará com Dilma e comigo na campanha nacional”.

SEM PALANQUE

Mas o fato é que Skaf tem rechaçado a possibilidade de abrir seu palanque para Dilma Rousseff, por conta do elevado índice de rejeição da presidente no Estado de São Paulo. Ele acha que receber apoio de Dilma hoje significa perder eleitores.

Temer foi chamado pelo Planalto para agir como bombeiro, mas acabou botando mais lenha na fogueira. Criou uma crise no PMDB justamente quando o partido volta a ter alguma chance de ao menos apresentar candidato e disputar o governo de São Paulo.

As pesquisas indicam que o tucano Alckmin pode ser reeleito no primeiro turno, mas ainda faltam mais de dois meses e muita coisa pode acontecer. Como dizia Magalhães Pinto, a política é como uma nuvem: agora está de uma maneira, daqui a pouco estará de outro jeito.

O mal de prometer tudo a todos

Carlos Chagas

Jânio Quadros já havia renunciado, depois foi cassado, em seguida confinado, anos mais tarde, anistiado. Candidatou-se a governador de São Paulo, perdeu outra vez. Parecia furada a profecia de Sana Khan, que prenunciara a ida do jovem recém-formado em Direito à Câmara de Vereadores, à Assembleia Legislativa, à prefeitura de São Paulo, ao governo do estado e à presidência da República. Chorando, o vidente previu a renúncia mas anunciou que décadas depois Jânio retornaria ao poder nos ombros da multidão.

Ninguém dava mais um centavo pela carreira política do histriônico personagem, quando, surpreendentemente, ele se elege prefeito de São Paulo. O vidente só errara o alvo, imaginando de novo a presidência da República, quando o voo era mais curto, apesar da imagem que antecipava, de centenas de milhares de pessoas elegendo o ex-presidente.

Antes de empossar-se na prefeitura, Jânio deu entrevista a uma rede de televisão. Lembrei sua campanha presidencial, onde prometera tudo a todos: reformas sociais profundas para o trabalhador. Terra para o camponês. Política externa alinhada ao Terceiro Mundo. Participação dos empregados no lucro das empresas. Ensino gratuito em todos os níveis para a juventude. E mais:

Para os empresários, estabilidade econômica, juros baixos, crédito fácil e contenção salarial dos trabalhadores. Ajuda do governo a investidores nacionais e estrangeiros. Segurança e ordem para a classe média. Novos direitos para os parlamentares. Garantia da propriedade da terra para os fazendeiros. Hierarquia e disciplina para os militares. Submissão aos postulados da Igreja para as massas empobrecidas.

Em suma, quando candidato presidencial, Jânio contemplou com promessas todos os grupos, categorias e classes, obtendo formidável apoio nacional. Cada um ouvia apenas o que queria ouvir, ignorando as propostas que batiam de frente com suas concepções.

Empossado no palácio do Planalto, imaginou poder atender a todas as promessas, por sinal conflitantes. Viu inverter-se a equação. Passou a receber críticas e hostilidade dos que discordavam de suas ações em favor de interesses opostos. Todo mundo ficou insatisfeito. O resultado foi sua tentativa de tornar-se ditador, única forma de exercer a autoridade contestada. Felizmente, quebrou a cara. Deixamos de viver a ditadura anos antes que ela chegasse por outras mãos. O Congresso tomou conhecimento da renúncia, ato unilateral de quem a pratica. As multidões não foram buscá-lo no fim de semana para exercer o poder excepcional, como antes fizeram os egípcios com Gamal Abdel Nasser e os cubanos com Fidel Castro.

Mesmo assim, Jânio continuou fixado na profecia de Sana Khan. Depois de sofrer anos de ostracismo, até de exílio, ganhou como consolação a prefeitura de São Paulo, de onde saiu para o esquecimento, uma vez completado seu mandato. Não deram certo aqueles vaticínios do estranho leitor do futuro.

Por que se recordam acontecimentos hoje tão distantes no tempo? Porque na remota entrevista de prefeito eleito, depois de indagar dele se não repetiria o erro anterior, espantei-me quando Jânio se levantou, olhou-me nos olhos e sentenciou: “o senhor acaba de explicar minha renúncia à presidência da República, mas não repetirei o erro anterior!” Ele jamais havia explicado o gesto inusitado.

Há outro motivo para essas reminiscências. Porque hoje os três principais concorrentes à presidência da República, Dilma, Aécio e Eduardo, estão prometendo tudo a todos. Correm o risco de acabar prefeitos…

Dilma e o Santander

Mauro Santayana
(Hoje em Dia)

Diz a sabedoria popular que frango que acompanha pato acaba morrendo afogado. Sempre estranhamos, ao longo dos últimos governos, a excessiva atenção reservada, pela classe política brasileira, para o que existe de pior no empresariado ibérico, em especial o oriundo da Espanha a partir dos anos 90.

Criou-se em nosso país, com a entrada de  Madrid no Euro, a ilusão de que a Espanha, que passou a maior parte do século XX mergulhada em uma ditadura medieval e agrária, tivesse sido – pela simples troca da peseta por uma moeda mais valorizada – subitamente alçada ao desenvolvimento.

Nos séculos XIX e XX, em processo que vinha se consolidando desde a derrocada de sua Invencível Armada, Madrid viveu à sombra da Inglaterra e dos EUA, que se apossaram do que restou de seu império, na Guerra Hispano-Americana de 1898.

De Cervantes a Picasso, a Espanha deu grande contribuição ao mundo. Mas nunca foi o paradigma de empreendedorismo e de pujança  com que aportou por aqui à época do PROER e das grandes privatizações.

DESEMPREGO

Desde 2008, pelo menos, sabe-se que a  “fortaleza” ibérica estava baseada em bilhões de euros em ajuda dos fundos da Comunidade  Europeia e em centenas de bilhões de euros em dívidas, que deixaram em seu rastro um desemprego de quase 30%, e milhares de famílias despejadas e de aposentados prejudicados pelos bancos.

Quando se fala no IDH espanhol, é preciso lembrar que, por trás dele, está uma das maiores dívidas per capita do mundo. E que, se não fosse o hábito de exportar seus problemas e seus desempregados para países como o nosso, a cada duas gerações, os espanhóis não teriam o padrão de vida que tiveram até alguns anos atrás.

Na época em que, na América Latina, havia maioria de governos neoliberais, os “empresários” espanhóis eram recebidos, por aqui, como nababos.

E, o que é pior, continuaram a ter direito aos mesmos rapapés, depois da crise,  quando suas ”grandes” empresas, altamente endividadas, começaram a depender, como de água para um peixe no deserto, dos altíssimos lucros auferidos em território brasileiro.

BOTÍN COM DILMA

Sempre nos surpreendeu – e sobre isso escrevemos antes – o número de vezes em que o Senhor Emilio Botín – investigado, no passado, em seu país e execrado por boa parte da população espanhola – foi recebido em Palácio pela Presidente Dilma.

Nunca é conveniente que um presidente da República receba pessoalmente homens de negócio, e muito menos se forem estrangeiros. Para isso existem os ministros, como o da Indústria e Comércio ou o da Fazenda, por exemplo.

Se tivesse evitado os sorrisos e as fotografias  que propiciou ao dono do Santander,  por tantas vezes, com certeza a Presidente Dilma estaria se sentindo, agora, menos constrangida – depois da carta desse banco a “investidores”,  desancando  a orientação e as expectativas econômicas de seu governo.

Aleluia! Israel e Hamas aceitam cessar-fogo de 72 horas

Da Agência Lusa

O governo de Israel e o movimento islâmico Hamas concordaram com um cessar-fogo de 72 horas na Faixa de Gaza, palco de uma ofensiva militar israelense desde o dia 8 deste mês. O anúncio da trégua foi feito pelo chefe da Diplomacia dos Estados Unidos, o secretário de Estado John Kerry.

O secretario anunciou que os dois lados cessarão as hostilidades às 8h (2h, horário de Brasília) desta sexta-feira (1°) e iniciar as negociações no Cairo. Logo após o anúncio feito por Kerry, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, confirmou que o movimento aceitou a trégua.

“O Hamas e todos os movimentos da resistência aceitaram um cessar-fogo humanitário de 72 horas, que será respeitado por todos se a outra parte [Israel] também observar a trégua”, afirmou Barhoum.

Kerry informou que Israel irá prosseguir, durante a trégua de 72 horas, com as operações “defensivas” contra os túneis escavados pelo Hamas. De acordo com o secretário norte-americano, Israel vai continuar com as operações “atrás das linhas” definidas durante o conflito.

Segundo Kerry, durante a trégua de 72 horas, “os civis de Gaza irão receber a ajuda humanitária de que tanto precisam e terão oportunidade de exercer atividades urgentes, como enterrar seus mortos, cuidar dos feridos e reabastecer os bens alimentares”. A trégua também servirá para fazer o reparo da infraestrutura de fornecimento de água e energia.

Destruição da Líbia é alerta a Egito, Síria e Ucrânia

Tony Cartalucci 
New Eastern Outlook 

“A Líbia está considerando um deslocamento de força internacional para restabelecer a segurança, agora que a violência recomeçou em Trípoli, e dúzias de foguetes destruíram quase toda a frota de aviação civil naquele aeroporto internacional.  O governo analisa a possibilidade de solicitar que forças internacionais sejam enviadas para atuar em solo, restabelecer a segurança, e ajudar o governo a impor sua autoridade’ – disse porta-voz do governo na Líbia, Ahmed Lamine, em declaração.”

O “amanhã democrático” prometido pela OTAN em 2011 aconteceu, vale lembrar, na forma de eleições previsivelmente fraudulentas, rejeitadas pelo país inteiro, que produziram um vácuo de poder, que foi preenchido, como se viu, por conflito armado crescentemente violento.

O mais irônico disso tudo talvez seja que esses conflitos são já verdadeiras guerras travadas entre vários grupos que a própria OTAN estimulou, armou e usou para fazer a guerra de solo na Líbia, enquanto a própria OTAN só agia de longe, do céu, bombardeando o país durante praticamente todo o ano de 2011.

FANTOCHES DA OTAN

Em maio de 2014, a luta na cidade de Benghazi no leste da Líbia já deixara incontáveis mortos, muitos e muitos feridos e legiões de moradores obrigados a abandonar as próprias casas para não morrer, quando um “general renegado” fazia guerra contra “militantes islamistas” dentro da cidade. Em artigo intitulado “Famílias evacuam Benghazi, e general renegado ameaça com novos ataques”, a agência Reuters escreveu, dia 18/5/2014:

O autodeclarado Exército Nacional Líbio, liderado por um general renegado, disse a civis no sábado que abandonassem bairros de Benghazi antes de ele iniciar ali mais um ataque contra militantes islamistas, um dia depois de ter havido ali dúzias de mortos, nos mais violentos confrontos na cidade em meses.

O general renegado é Khalifa Haftar (às vezes também escrito “Hifter”), que morou durante anos nos EUA, nos arredores de Langley Virginia, ao que se crê sendo treinado pela CIA, até que retornou à Líbia em 2011 para comandar as forças da OTAN em solo no ataque do ocidente contra aquele país.

Em artigo de 2011, o Business Insider perguntava: “O general Khalifa Hifter é o homem da CIA na Líbia?“:

Quer dizer: trata-se de ex-general de Gaddafi, que muda de lado e passa a trabalhar assumidamente para os EUA, instala-se em Virginia nos arredores de Washington, D.C. e consegue apoiar a própria grande família na Líbia, de modo que alguém que o conheceu ao longo de toda a vida diz que ‘nunca entendeu exatamente’? Hmm.

ATÉ O ÚLTIMO TERRORISTA

Sobre sua própria guerra em Benghazi,  Hafter disse que ela continuará “até que não reste nenhum terrorista em Benghazi”; e que “começamos essa batalha, que prosseguirá até alcançarmos nossos objetivos. A rua e o povo líbio estão do nosso lado.” 

Os sentimentos de Hafter fazem perfeito eco ao que dizia Muammar Qaddafi em 2011. De diferente, só, que a imprensa-empresa ocidental negou, ao longo de décadas, que houvesse qualquer terrorista em Benghazi; e sempre apresentou as operações de Gaddafi em Trípoli como “massacre” de “pacíficos manifestantes pró-democracia.” 

As mesmas atrocidades que a OTAN listou, de início, como ‘causa’ para sua “intervenção humanitária” na Líbia, imediatamente passaram a aparecer como práticas da própria OTAN e das forças que a OTAN ou mantém ou acoberta. Cidades inteiras foram cercadas, deixadas sem comida e água, e bombardeadas por ar, até capitularem. Em outras cidades, populações inteiras foram, ou executadas, ou expulsas ou, em alguns casos, ‘empurradas’ para fora das fronteiras líbias. A cidade de Tawarga, onde viviam cerca de 10 mil líbios, foi totalmente destruída, a ponto de o London Telegraph referir-se a ela hoje como “cidade fantasma”

É UM CAOS ETERNO

Desde a queda de Trípoli, Sirte e de outras cidades líbias que resistiram contra a invasão pelos terroristas da OTAN, praticamente nada se viu de qualquer estabilidade básica, muito menos da “revolução democrática” que a OTAN e seus terroristas-colaboradores prometiam para a Líbia. O governo em Trípoli continua em caos eterno; as forças de segurança divididas combatem entre elas mesmas; e agora há também um “general renegado” que a CIA introduziu na Síria, e que comanda operação militar em grande escala contra Benghazi, usando também força aérea e, aparentemente, sem a aprovação do governo em Trípoli. 

Anos depois da conclusão da dita ‘revolução’, a Líbia continua sua trajetória forçada na direção do mais completo atraso. As grandes realizações do governo de Muammar Qaddafi já foram desmontadas há muito tempo e é pouco provável que venham a ser restauradas – e de serem ampliadas, então, disso, nem se cogita! – em futuro previsível. 

Na Líbia, a OTAN efetivamente desorganizou e destruiu uma nação inteira. A ação da OTAN na Líbia reduziu o país a pilhas de ruínas fumegantes, para que empresas ocidentais possam, não só pilhar os recursos nacionais, mas, também, usar o ‘modelo líbio’ com o padrão para futura ação extraterritorial na Síria, Egito, Ucrânia e agora novamente no Iraque. 

EGITO, SÍRIA, UCRÂNIA

Assim como foi feito na Líbia, também se tentou fazer ‘revoluções’ assemelhadas no Egito, na Síria e na Ucrânia. As mesmas narrativas, palavra a palavra, inventadas nos think-tanks políticos; nas redações da imprensa-empresa; e nas ‘análises’ dos especialistas acadêmicos ocidentais, para a Líbia, estão sendo agora requentadas para o Egito, Síria e Ucrânia.

As mesmas ONGs estão sendo usadas como meio para fazer chegar dinheiro, equipamento e outras modalidades de apoio aos grupos de oposição, em cada um desses países. Termos como “democracia”, “progresso”, “liberdade” e “luta contra a ditadura” são frequentes. Não houve protesto que não tenha sido inflado por militantes armados e, sempre, apoiados pelo Ocidente.

Na Síria, os protestos foram instrumentalizados e vendidos no ocidente como ação de “combatentes da liberdade”. De fato, a imprensa-empresa ocidental consome grande parte de seu tempo e de seus recursos tentando ‘explicar’ ‘por que’ a OTAN e seus parceiros regionais entregam armas e dinheiro a militantes sectários, inclusive à Al Qaeda, para que tentem derrubar o governo sírio. 

No Egito, ainda há alguma ambiguidade, como houve também em 2011 no caso da Síria, sobre quem realmente são os manifestantes, o que realmente dizem e de que lado estão ‘as simpatias’ do ocidente. Mas análise atenta mostra que, assim como a Fraternidade Muçulmana foi usada na Síria para montar o cenário para a guerra devastadadora que se seguiu, a Fraternidade Muçulmana no Egito também está sendo usada, praticamente do mesmo modo, contra o Cairo. 

Finalmente, na Ucrânia, os manifestantes apresentados no ocidente como “pró-democracia”, “pró-União Europeia”, “pró-Euromaidan” já foram revelados como neonazistas, de ultra direita, nacionalistas conhecidos por recorrer regularmente à violência e à intimidação política. Exatamente como se viu na Síria em 2011 e no Egito agora, confrontos armados de baixa intensidade são cada dia mais frequentes, e a intensidade cresce regularmente, já configurando o que pode vir a ser mais uma guerra norte-americana guerreada por terceiros ‘nomeados’: dessa vez, é a OTAN contra a Rússia, na Europa Oriental.

EXEMPLO DA LÍBIA

Esses três países e os envolvidos dos dois lados dessa guerra devem, isso sim, examinar detidamente o estado a que a Líbia foi reduzida. As tais “revoluções” só podem ter uma conclusão lógica e previsível: a destruição, a demolição, a divisão de cada uma das nações-alvo, antes de serem incorporadas, já em estado de cadáver, à sempre crescente ‘ordem supranacional’ de Wall Street e Londres, para serem infinitamente saqueadas até serem reduzidas à miséria. E boa parte dos EUA, do Reino Unido e da União Europeia também já estão reduzidos a miséria, hoje. 

Quem se preocupe com o que será feito de Egito, Síria ou Ucrânia no caso de a OTAN conseguir fincar as garras nesses países, que examine o caso da Líbia. E os que apoiaram a tal “revolução” na Líbia, que se perguntem a eles mesmos se estão satisfeitos com o resultado final. Querem ver o mesmo resultado também no Egito, na Síria e na Ucrânia? Ou, talvez, imaginam que os planos da OTAN para cada um desses países levarão a resultados muito diferentes do que os que se veem hoje na Líbia? Por quê?

(artigo enviado por Sergio Caldieri) 

 

A análise do Santander nada tem de controverso; é o óbvio, amplamente noticiado, que virou objeto de censura

Alexandre Schwartsman
Folha

Antes de tudo, um alerta: para quem não sabe, fui economista-chefe do Santander entre 2008 e 2011, demitido após discussão pública com o então presidente da Petrobras. Digo isso porque quero hoje tratar do imbróglio que envolveu o banco na semana passada, quando foi publicada análise relacionando o desempenho da presidente nas pesquisas eleitorais ao comportamento da Bolsa, do dólar e de outros ativos.

A análise nada trouxe de controverso. Aqui mesmo na Folha, no dia 19, lia-se na página B3: “Bolsa chega ao maior nível em 16 meses”, notando que “as ações de empresas estatais dispararam na BM&FBovespa e impulsionaram o principal índice da Bolsa brasileira nesta sexta-feira (18), após pesquisa Datafolha ter apresentado empate técnico entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB)”. Acrescentou ainda que, “desde que começaram a ser divulgadas pesquisas apontando perda de espaço da presidente (…), o mercado de ações nacional, que caía e acentuava queda (…), mudou de tendência”.

O governo e o partido podem não concordar com a avaliação do mercado, mas, conforme descrito pelo jornal, trata-se de um fato: para bem ou para mal, a percepção é que uma mudança de orientação de política econômica terá efeitos positivos sobre as empresas brasileiras, em particular as sujeitas a controle acionário governamental.

E é bom notar que o tal mercado pode ter as preferências ideológicas que quiser, mas, na hora de comprar ou vender uma ação, o que menos interessa é ideologia; é sempre a perspectiva de lucro que move esses agentes. Posto de outra forma, ninguém rasga dinheiro em nome de suas convicções políticas.

COMPARTILHAR FATOS
O texto do banco, enviado a correntistas com renda mensal superior a R$ 10 mil, supostamente mais propensos a operar no mercado financeiro, nada mais fez do que compartilhar esses fatos, e por um motivo muito claro. Bancos têm um dever fiduciário com seus clientesnão podem omitir ou distorcer informações relevantes para sua tomada de decisão.

Em particular, a opinião das áreas de pesquisa deve refletir exatamente esse tipo de preocupação. Analistas não estão certos o tempo todo, mas é claro que suas conclusões não devem ser guiadas pelos interesses da instituição financeira. Não por acaso as regras buscam (nem sempre com sucesso, diga-se) isolar a pesquisa econômica das posições próprias do banco e mesmo de áreas que gerenciam as aplicações de clientes (fundos de investimento), precaução devidamente apelidada de “muralha da China”.

Nesse sentido, a decisão de demitir os analistas que expuserammais que uma opiniãoum fato representa uma violação desse procedimentoA alegação de que a análise conteria “viés político ou partidário” não se sustenta diante da própria diretriz interna que “estabelece que toda e qualquer análise econômica enviada aos clientes restrinja-se à discussão de variáveis que possam afetar a vida financeira dos correntistas. Não há, como se viu, a menor dúvida de que as perspectivas acerca da eleição presidencial são mais que relevantes para afetar a vida financeira dos clientes.

A consequência desse comportamento é óbvia (e aqui falo em termos gerais, não do banco em si). Se a autonomia da pesquisa é ameaçada, a credibilidade da análise fica comprometida, a despeito das qualidades do analista. Quem, de agora em diante, pode confiar em relatórios se não sabemos a que tipo de filtros estes se encontram sujeitos?

O maior perdedor é o debate econômico, ainda mais numa conjuntura em que –em face de desafios nada triviais no futuro próximo– ninguém se aventura a discutir a sério o que precisa ser feito para colocar a economia brasileira de volta nos eixos. Se até o óbvio, amplamente noticiado (ainda bem!) pela imprensa, vira objeto de censura, pouco falta para que fujamos da controvérsia como quem tem um miúra nos calcanhares.

     

    Em Brasília, políticos fichas sujas que não vão disputar em outubro têm herdeiros candidatos

    Deu no Correio Braziliense

    Eles são pouco conhecidos entre os eleitores, mas carregam um sobrenome famoso. Filhos, sobrinhos, irmãos ou herdeiros escolhidos tentam ocupar um espaço deixado pela aposentadoria de seus padrinhos.

    Nome forte na política do Distrito Federal é o de Joaquim Roriz. A cada quatro anos, um novo parente do ex-governador do DF se lança a um cargo político. Este ano, pelo menos quatro candidatos têm algum parentesco com o político, que está inelegível também pela Lei da Ficha Limpa. Entre os concorrentes estão as duas filhas, Liliane e Jaqueline. A primeira tenta a reeleição na Câmara Legislativa, enquanto Jaqueline quer continuar como deputada federal, mas está ameaçada de virar ficha suja. Na lista de postulantes do clã Roriz, há ainda Paulo e Dedé, sobrinhos de Joaquim, disputando os votos para assumir uma cadeira de deputado distrital.

    Abatidos pela Operação Caixa de Pandora, o deputado Benedito Domingos (PP) e os ex-distritais Leonardo Prudente e Júnior Brunelli tentam eleger um sucessor. Eles estão impedidos de concorrer nas próximas eleições, mas ainda mantêm um feudo entre antigos parceiros políticos. Por meio de seus protegidos, poderão voltar ao poder.

    PAI E FILHO

    Condenado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Benedito está inelegível pelo que determina a Lei da Ficha Limpa. Como é tradição, ele tenta deixar um legado. No caso dele, quem pretende seguir os passos de Domingos e emplacar no legislativo nacional é a filha Bena Domingos, também filiada ao PP. Ao almejar a Câmara dos Deputados, Bena deixa aberta a disputa aos 9.479 votos recebidos por Benedito na eleição passada para a Câmara Legislativa. A tendência é que os candidatos evangélicos briguem pelo espólio no âmbito local.

    “É uma honra, sendo a única mulher dos seis filhos, dar continuidade à história de mais de 40 anos da vida pública e de serviços prestados pelo meu pai”, afirma a candidata.

    CATEDRAL DA BÊNÇÃO

    Outros postulantes disputarão o voto evangélico. O candidato Pastor Jeremias (PSC) tenta a eleição pela primeira vez na perspectiva de conquistar, inclusive, os votos dos eleitores do cunhado, o ex-distrital Júnior Brunelli. Filmado recebendo dinheiro do delator da Pandora, Durval Barbosa, Brunelli renunciou ao mandato em 2010. Tornou-se, assim, sem condições de disputar cargos públicos. Uma legião de fiéis da Catedral da Benção, que conta com 106 igrejas no Distrito Federal e mais de 3 mil templos espalhados pelo país.

    “Sou candidato para fazer uma legislatura em favor da família, que resgate princípios e valores cristãos. Independentemente de ser evangélico, quero ser um deputado para servir a todos”, diz o evangélico.

    Sobre o episódio relacionado ao cunhado, Jeremias se isenta de responsabilidade e garante que não vai tentar recuperar o trabalho feito por Brunelli. “Não me pareço nem um pouco com ele. Tenho minha postura própria e acho que o erro de uma pessoa não pode manchar o trabalho de 50 anos da Catedral da Benção. Esse foi um problema particular de um de nossos membros, portanto vou procurar fazer o meu trabalho”, argumenta.

    Presidente da Câmara Legislativa à época das acusações que levaram à renúncia de Brunelli, Leonardo Prudente também aposta alto na transferência de seu espólio eleitoral. O escolhido foi o próprio filho, Rafael Prudente (PMDB), que se lança candidato a distrital pela primeira vez. De perfil empresarial, a família Prudente conta com um grande eleitorado entre os funcionários de suas empresas de segurança e consultoria financeira instaladas em Brasília. Assim como Brunelli, Leonardo Prudente acabou sua história na política pela porta dos fundos. Se viu obrigado a renunciar ao mandato após ser filmado junto a Brunelli, fazendo a oração da propina e escondendo maços de dinheiro nas meias.

    Berço

    Executiva do PT de São Paulo aprova a expulsão de Luiz Moura do partido

    Márcio Falcão
    Folha

    A Executiva Estadual do PT de São Paulo aprovou nesta quinta-feira (31) a expulsão do deputado estadual Luiz Moura (PT) dos quadros do partido. O parlamentar é suspeito de ter ligações com a facção criminosa PCC.

    A decisão da Executiva, no entanto, ainda precisará ser confirmada pelo Diretório Estadual do PT, que se reúne nesta sexta-feira (1º). Pelas regras eleitorais, se perder a legenda, Moura não poderá disputar a reeleição. Ele, no entanto, poderá recorrer contra a decisão partidária na Justiça.

    Desde junho, Moura estava suspenso do PT e respondia a processo disciplinar após ter sido flagrado pela Polícia Civil em uma reunião com 18 pessoas suspeitas de integrarem a facção criminosa. Ele nega envolvimento.

    ENVOLVIMENTO

    O relatório produzido pela Executiva do PT leva em consideração para a expulsão o suposto envolvimento com o PCC e ainda o recurso que ele apresentou à Justiça para anular a convenção partidária que definiu os candidatos do partido para as eleições de outubro.

    Como foi punido, Moura acabou sem legenda e conseguiu uma decisão provisória da Justiça para pedir o registro de sua candidatura.

    O presidente do PT de São Paulo, Emídio de Souza, disse que, mesmo sem uma condenação, Moura já provou danos à imagem do partido.

    “A decisão do PT não precisa esperar fatos policiais ou a conclusão do inquérito policial. Nós somos um partido político não um departamento de investigação. A conduta dele [trouxe um] dano causado a imagem PT por conta das acusações e depois ainda concluído com a ação que ele fez contra o PT desestabilizando toda a nossa coligação”, afirmou.

    “Nós não temos qualquer tolerância com qualquer mal feito. Cabe aos partidos filtrar aqueles que militam no interior. A conduta dele não é compatível com os propósitos do PT”, completou.

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    NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
    O problema é complicado, porque a
    5ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo negou quarta-feira (30) recurso do PT que visava impedir que o deputado Luiz Moura disputasse um novo mandato na Assembleia estadual neste ano. Moura teve os direitos partidários suspensos pelo PT no início de junho, após vir a público que ele participou de uma reunião em uma cooperativa de ônibus em que estavam presentes integrantes da facção criminosa PCC. Assim, ele ficou banido de participar da convenção estadual do partido e recorreu à Justiça.  Com a expulsão, o caso fica ainda mais intrincado. (C.N.)

    Partidos políticos nada fazem contra exclusão racial em suas legendas

    Raquel Ayres

    O último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 50,7% dos brasileiros são negros ou pardos. No entanto, no Congresso Nacional, apenas 8,5% das cadeiras são ocupadas por essa parcela da população. Na opinião de especialistas, essa razão inversamente proporcional evidencia a falta de interesse dos partidos políticos em promover candidaturas dos negros.

    “Existe um fosso que separa brancos e negros no que se refere à representação parlamentar. Somos 43 deputados federais e três senadores diante de um universo de 513 parlamentares brancos e 81 senadores também brancos”, afirma o presidente da ONG União de Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga. Segundo ele, diferentemente dos evangélicos e ruralistas, a bancada negra, por ser pouco numerosa, encontra obstáculos para aprovar leis que favoreçam a raça. A Lei das Cotas, que levou mais de dez anos para ser aprovada, e o Estatuto da Igualdade Racial são exemplos.

    As três maiores legendas do país – PT, PMDB, PSDB – têm seus núcleos negros, mas esses grupos enfrentam a mesma situação que as alas femininas: faltam recursos para dar visibilidade aos candidatos. Na prática, as siglas não investem nos negros.

    PT NÃO LIBERA RECURSOS

    Em Minas, a maior parte de candidatos que se declararam pretos ou pardos pertence ao PT. São 13 concorrentes a deputado federal. A ala negra do partido, formada por 11 membros, reúne-se uma vez por mês para debater questões relativas às políticas de promoção racial e inclusão socioeconômica.

    Mas verbas destinadas especialmente para financiar campanhas e programas afeitos a questões raciais não fazem parte dos custos do PT. “Se há algum evento, o partido arca com as despesas. Mas não temos, por exemplo, acesso ao fundo partidário. Nem mesmo uma quantia como a de 5%, que é destinada à mulher”, avalia a secretária de Combate ao Racismo do PT em Minas, Cleide Hilda de Lima Souza.

    O cientista político Manoel Leonardo Santos explica que, espontaneamente, o crescimento da representação negra não tem como ocorrer. “É preciso pensar mecanismos que promovam essa representatividade, pois o sistema político reproduz a exclusão que acontece na sociedade”, explica.

     

    O PIB de 2014 já era, a luta agora é para salvar o PIB de 2015

    Vicente Nunes
    Correio Braziliense

    De nada adiantará o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzir os juros em sua próxima reunião, de 2 e 3 de setembro. Apesar da pressão política que se avizinha, diante dos sinais claros de que o Brasil está em recessão, técnicos da instituição asseguram que um eventual corte da taxa básica (Selic) a curto prazo não terá qualquer efeito sobre o ritmo da atividade. Ou seja, não impedirá um resultado pífio do Produto Interno Bruto (PIB) no último ano de mandato da presidente Dilma Rousseff, que buscará à reeleição.

    “O PIB deste ano já está dado. É verdade que ainda há tempo para salvar o resultado de 2015. Mas não há porque o BC agir de forma açodada”, diz um técnico graduado do banco. Para ele, não se pode esquecer que o país está às vésperas de uma eleição. “Qualquer movimento do Copom no sentido de reduzir juros antes de os brasileiros irem às urnas pode soar como eleitoreiro. Isso não combina com o tecnicismo que pauta as decisões da política monetária”, acrescenta.

    A tendência, dizem fontes próximas à diretoria do BC, é de que o corte de juros, se vier, ocorra no encontro do Copom de 28 e 29 de outubro. Até lá já se saberá o nome do futuro presidente do Brasil e, espera-se, que ele indique os rumos da política econômica. “Para o Copom, é mais confortável agir depois das eleições, até porque já terá em mãos dados mais concretos sobre a inflação. Hoje, olhando apenas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), seria imperativo o aumento dos juros. O BC não fez isso, porque a atividade está muito fraca”, ressalta uma das fontes.

    SEM DESASTRE

    Nas conversas que vêm mantendo com analistas do mercado e integrantes do governo, diretores do BC têm deixado claro que não veem nenhum desastre na economia. A desaceleração da atividade era esperada, diante do forte aumento da Selic desde abril do ano passado, de 7,25% para 11% anuais. Esse movimento, por sinal, contribuiu para que a inflação mensal perdesse força. A expectativa é de que o IPCA de julho fique entre 0,10% e 0,15%.

    Os técnicos do BC reconhecem que o aperto monetário foi potencializado pela onda de pessimismo que tomou conta de empresários e consumidores. “Isso ajudou a minar, além do desejado, o PIB”, admite um deles. A perspectiva entre os auxiliares de Alexandre Tombini, contudo, é a de que, passadas as eleições, independentemente de quem seja o eleito para comandar o país a partir de 2015, a confiança voltará. “Não há como empresários e consumidores ficarem na retranca por tanto tempo. A vida segue. O Brasil não vai quebrar. Pelo contrário, as perspectivas são boas, a despeito dos ajustes que terão de ser feitos na economia, alguns, bem dolorosos”, complementa.

    A reforma política da CNBB, OAB e outros. Que outros?

    Percival Puggina

    Buscando informações sobre o projeto de reforma política que vem sendo objeto de coleta de assinaturas, descobri uma nova dimensão da hegemonia que se estabeleceu sobre a nação. Qual o partido ou tendência ideológica que lhe vem à mente quando eu menciono MST, CUT, Via Campesina, CONTAG, UNE, FENAJ? Pois bem, fazendo a tal busca, obriguei-me a ler as 23 páginas do projeto de lei que “dispõe sobre o financiamento das campanhas eleitorais e o sistema de eleições proporcionais”. Tratei, igualmente, de saber de onde ele veio. Esse projeto, foi divulgado em outubro do ano passado pelo movimento Eleições Limpas (www.eleicoeslimpas.com.br) e hoje é acionado por uma certa Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas (procure no Google por esse nome e clique em “Quem somos”).

    Vê-se, ali, que a coalizão é formada por 99 entidades – sim, você leu certo, 99! – contadas uma a uma. Entre as já mencionadas, ainda encontrei outros velhos conhecidos: UBES (estudantes secundaristas), CNTE (“trabalhadores” em educação), CONIC (aquele Conselho Nacional de Igrejas Cristãs que apoiou oficialmente o PNDH-3), o MMC (Movimento das Mulheres Camponesas, aquelas que invadiram os laboratórios da Aracruz em 2006), um certo Fórum Paulista de Participação Popular (cujo site é encimado por peça publicitária de um candidato do PT a deputado federal), a Via Campesina, a UBM (entidade de mulheres pró-aborto), RFS (Rede Feminista de Saúde, pró-aborto), a REBRIP (rede de ONGs e movimentos sociais com propostas “alternativas”), a Liga Brasileira de Lésbicas, o Movimento Evangélico Progressista, a Articulação Mulheres Brasileiras (pró-aborto e contra os direitos dos nascituros). E por aí vai. Sabe quando a oposição conseguirá reunir algo semelhante a esse formidável elenco de militantes ONGs, grupos, movimentos, uniões, conselhos, redes, ligas, associações, federações, centrais, etc.?

    BISPOS E ADVOGADOS…

    Encimando a lista, mas como fios da mesma meada, luzem os logotipos e as siglas da CNBB e da OAB. Isso mesmo. Mais uma vez, você leu certo. As duas entidades, juntam-se a estranhíssimas parcerias, revolucionárias umas, desrespeitadoras da lei outras, objetivamente criminosas outras mais, para propor à nação uma “reforma política” praticamente igual à que o PT sempre pretendeu.

    Quem duvida, informe-se. O 3º Congresso do PT, em 2007, definiu-se por uma reforma política que estabelecesse: 1) o financiamento público das campanhas; 2) o voto em listas fechadas; 3) a representação de gênero, raça e etnia. O projeto da Coalizão: 1) cria o financiamento público e proíbe o financiamento de empresas; 2) estabelece o voto em lista fechada; 3) gratifica com mais recursos públicos o partido que apresentar candidatos de segmentos sociais minoritários.

    E faz dois adendos ao projeto do PT: 1) admite o financiamento de pessoas físicas até o limite de R$ 700; 2) acrescenta à proposta petista um segundo turno nas eleições parlamentares para o ordenamento final das cadeiras por voto nominal. Nem uma palavra, nem um pio, sobre o que mais importa: delegar a chefia de Estado e a chefia de governo a pessoas distintas, impor o desaparelhamento partidário da administração pública e estabelecer o voto distrital misto.

    Com esses apoiadores e tanta identidade de pontos de vista, eu não preciso saber mais para compreender a quem serve esse projeto. E concluo: se ele serve a quem serve, não serve ao Brasil.

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