Combate à corrupção é tendência mundial e a Lava Jato já se tornou um exemplo

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Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Iniciada em 2013, a Lava Jato é operação policial que mais efetuou prisões no país. O primeiro lugar nesse ranking foi garantido com 179 prisões – 72 preventivas, 101 temporárias e seis flagrantes. Os delitos financeiros investigados são os que mais mandaram suspeitos para cadeia (113 vezes), seguidos pelos desvios de verbas públicas (63) e pelos crimes fazendários (3).

“É comum isso acontecer em operações”, disse o procurador da República Rodrigo De Grandis. De 2013 a 31 de março deste ano, a PF registrou 1.426 prisões em 359 operações por desvios de verbas públicas – no geral, foram 11.197 prisões em 2.325 operações. Nas detenções por suspeita de corrupção, foram 869 prisões preventivas, 569 temporárias e 93 flagrantes.

TENDÊNCIA MUNDIAL – Para o cientista político Marcus Melo, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o aumento das prisões por corrupção revela uma tendência não apenas brasileira. “É um fenômeno internacional”, disse, citando livro do pesquisador sueco Bo Rothstein.

A análise da distribuição das prisões por Estados mostra que Minas Gerais lidera as detenções por desvio de verbas (209 casos, seguido pelo Paraná – 176). Só as nove fases da operação Mar de Lama, sobre fraudes e corrupção em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, provocaram 30 prisões preventivas e 12 detenções temporárias, levando para a cadeia sete dos 21 vereadores.

O impacto da operação foi gigantesco. Administrada então pelo PT, a cidade elegeu para prefeito o candidato do PSDB, André Merlo, com 83% dos votos. A vereadora Rosemary Mafra (PCdoB) era suplente de um dos vereadores presos na Mar de Lama e obteve na Justiça o direito de tomar posse. “A Câmara ficou um tempo acéfala”, afirmou.

CANALHOCRACIA – Convocada a combater a prática da compra de votos nas eleições municipais passadas, em 2016, a Polícia Federal de Alagoas não mediu palavras ao batizar de ‘Canalhocracia’, ‘Safadocracia’ e ‘Viciocracia’ as operações deflagradas em três cidades, às vésperas da votação.

Os três nomes fazem alusão a supostos sistemas de governo baseados na ilegalidade e se destacam pela originalidade e total Ausência de sutileza, na lista das operações da PF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG O detalhe mais importante da matéria da excelente Agência Estado é a informação de que o combate à corrupção se tornou uma tendência mundial, como diz o professor Marcus Melo, da Universidade Federal de Pernambuco. Daqui para a frente, a realidade vai ser a transparência total da administração, circunstância que dificultará muito a corrupção, que ocorre em menor escala nos países que propiciam uma melhor qualidade de educação a seu povo, tese já levantada aqui na Tribuna da Internet por Francisco Vieira. (C.N.)

Lava Jato estuda como preservar bancos do impacto da delação de Palocci

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Charge do Pelicano (pelicanocartum.net)

Mônica Bergamo
Folha

A força-tarefa da Operação Lava Jato está apreensiva com o impacto da delação de Antonio Palocci no sistema financeiro do país. Estuda uma forma de, ao contrário do que ocorreu com as empreiteiras, preservar as instituições e os empregos que geram. A mesma preocupação tem sido demonstrada pelo próprio Palocci nas conversas com os procuradores. Ex-ministro da Fazenda, ele tem ponderado que seria importante separar os bancos, como empresas, dos executivos que cometeram crimes.

Uma das ideias que já circularam seria a de se promover uma complexa negociação com os bancos antes ainda da divulgação completa dos termos da delação de Palocci. Quando eles viessem a público, as instituições financeiras já teriam feito acordos de leniência com o Banco Central, pagando as multas e liquidando o assunto. Isso em tese evitaria turbulências de proporções ainda maiores do que as inevitáveis.

ETAPA AVANÇADA – A dificuldade é como fazer isso em tempo exíguo, já que a negociação com Palocci para a delação premiada está em etapa avançada.

Empreiteiras como a Odebrecht sofreram graves consequências quando os escândalos em relação a elas se tornaram públicos. Tiveram que demitir em larga escala, paralisaram atividades, enfrentaram problemas de financiamento e se desfizeram de patrimônio. Algo parecido ocorre agora com a JBS.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A preocupação parece ser exagerada. Os bancos estão num patamar diferente das empresas que produzem bens e riquezas. Ninguém vai tirar dinheiro dos bancos nem fechar contas correntes se eles forem denunciados na Lava Jato. O impacto será apenas moral, mas todo mundo já sabe que no Brasil os banqueiros não têm a menor ética, faz tem que se tornaram sanguessugas da sociedade, cobrando até 500% de juros anuais diante de uma inflação inferior a 5%. Na verdade, o país pertence a eles, que comandam o Sistema/Mercado que efetivamente nos governa. (C.N.)

Líderes da base aliada já veem risco de Temer ser derrotado na Câmara

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Charge do Mário (Humor Político)

José Carlos Werneck

Os líderes da base aliada do Governo, na Câmara dos Deputados já admitem não ser possível assegurar a rejeição da denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fará terça-feira contra o presidente Michel Temer. Mesmo contando com cerca de 400 deputados, eles avaliam que os fundamentos da acusação do procurador-geral, somados a seus desdobramentos, poderão pesar sobre o posicionamento dos parlamentares, acentuando o risco do presidente da República não sair vitorioso.

A denúncia é feita ao Supremo Tribunal Federal e depois segue para a Câmara, onde é discutida, inicialmente na Comissão de Constituição e Justiça, antes de ir a Plenário. São necessários os votos de 172 dos 513 deputados para barrá-la. Se aceita por um mínimo de 2/3 dos votos, volta ao Supremo para ser cumprida. Se o STF aceitar a denúncia, o presidente é obrigado a se afastar do cargo por 180 dias, conforme prevê a Constituição.

LÍDER APREENSIVO – Na opinião do deputado Baleia Rossi de São Paulo, líder do PMDB, partido do presidente e que tem a maior bancada da Câmara, com 64 deputados, o governo não pode se descuidar. “No Parlamento nada é automático. Vai ter que trabalhar. Cada líder da base vai ter que trabalhar sua bancada. Vai ter que ter convencimento. Não dá para achar que está tudo resolvido”, declarou. É fundamental “conhecer os elementos da denúncia e formar um convencimento para ajudar os deputados a formar sua convicção”.

Além do PMDB, os principais partidos aliados também não garantem uma vitória certa ao presidente, notadamente na CCJ. PSDB e DEM rejeitam a hipótese de substituir integrantes da Comissão,para que votem contra a denúncia. “Os nomes do DEM na CCJ estarão todos preservados, não vou mudar ninguém para atender algum desejo do governo ou algo assim, vão votar com sua consciência”, afirmou o deputado Efraim Filho, do DEM, que conta com 29 deputados.

Também segundo Ricardo Tripoli, líder do PSDB na Câmara, onde o partido tem 46 integrantes, eles vão “votar de acordo com a sua consciência” e”de forma alguma” haverá troca de membros em favor do Governo. Ele, também, não garante qual será a posição de seus liderados na denúncia: “Vamos reunir a bancada, vamos discutir e vou tentar buscar maior número de consenso para nos manifestarmos em uníssono”.

Outros líderes têm igual posicionamento. “Não vou fazer um exercício de futurologia. Não é possível prever se haverá manutenção de apoio”, afirmou José Rocha, do PR, bancada de 37 deputados. Jovair Arantes, do bloco PTB, PROS, PSL, PRP, de 24 deputados, declarou que não pode agir por hipótese. “Tenho que ver denúncia e analisar. Só tomo decisão com meu time”.

ESTRATÉGIA – O governo aposta em uma estratégia política e jurídica para inviabilizar a denúncia na Câmara. O presidente passou o final de semana inteiramente dedicado ao assunto e no sábado foi a São Paulo para discutir o problema com Antonio Mariz, seu advogado e amigo pessoal.

Neste domingo, conforme noticiamos aqui na Tribuna da Internet, o presidente Michel Temer reuniu-se, no Palácio da Alvorada com ministros, líderes e aliados no Congresso.

O presidente da República é alvo de investigação por corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa e o procurador-geral Rodrigo Janot poderá fazer uma denúncia única ou optar por desmembrá-la, segundo os crimes elencados. Para convencer os deputados, o governo vai sustentar que o procurador age unicamente de modo pessoal nas acusações e que a classe política deve se unir em torno do presidente, porque está igualmente ameaçada.

PSDB pesquisou “como agir” em relação a Aécio e ninguém apoiou o senador

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Charge do Oliveira (Humor Político)

Deu na Coluna do Estadão

O PSDB encomendou pesquisa para saber “como deve agir em relação às acusações feitas ao senador Aécio Neves”. O resultado deixou os tucanos numa saia-justa: 61% defenderam o afastamento imediato dele do partido; 32% recomendaram à sigla “esperar a conclusão das investigações para tomar uma decisão” e 7% não se manifestaram. A maioria dos que pedem a saída de Aécio é homem (63%), tem entre 45 e 59 anos e curso superior. E ainda: 61% votaram nele no 1º e 2º turnos e 58% só no 2º turno. A pesquisa foi feita em 9 de junho.

O PSDB encomendou a pesquisa ao Ipesp. Foram ouvidas 3.062 pessoas de todas as regiões do País. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

DAQUI NÃO SAIO – Após ser tragado pela delação do empresário Joesley Batista, Aécio se afastou da presidência da sigla. Interlocutores dizem que ele não vai renunciar à vaga e tampouco se desfiliar.

O resultado da pesquisa constrangeu tucanos. Presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV), José Aníbal chegou a negar a existência da enquete. Os tucanos também perguntaram na pesquisa estimulada o que seria melhor para o País. Resultado: 36% disseram que Temer deve ficar; 35% que deve renunciar e 20% sofrer impeachment.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Vejam a que ponto chega a indecisão dos tucanos, que adoram ficar em cima do muro. Ao invés de tratar o caso de Aécio Neves sob o ponto de vista da ética e da moralização da política, o PSDB preferiu encomendar uma pesquisa para perguntar o óbvio. Em tradução simultânea, nenhum entrevistado apoiou a permanência de Aécio. O máximo que ele conseguiu foi 32%, que recomendaram que o PSDB “aguardasse a conclusão das investigações”. E assim o partido vai se desmoralizando cada vez mais. Não é melhor nem pior do que o PT ou o PMDB. É apenas igual. (C.N.)

Em parecer sobre Loures, Janot diz não ter dúvidas sobre culpa de Temer

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Charge do Sponholz (sponhoz.com.br)

André de Souza
O Globo

A previsão é que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereça nesta segunda-feira ou, no máximo, na terça-feira denúncia contra o presidente Michel Temer no Supremo Tribunal Federal (STF). Este será o primeiro passo para que o presidente possa se tornar réu. Em documento protocolado na semana passada, Janot já deu indicativos de que não vai aliviar nas acusações. Entre outras coisas, o procurador-geral disse que não há dúvida de que Temer cometeu crime de corrupção e sugeriu que a manutenção dele na Presidência contribui para a continuidade do cometimento de crimes.

A avaliação de Janot foi feita em um documento de 93 páginas em que ele defendeu a manutenção da prisão de Rochas Loures, ex-deputado e ex-assessor de Temer, apontado como o “homem da mala” do presidente. No texto, Janot disse que é “hialina”, ou seja, cristalina, a atuação conjunta dos dois nos crimes apontados na delação dos executivos do frigorífico JBS.

ESTRITA CONFIANÇA – Janot alegou que, caso seja solto, Rocha Loures pode voltar a cometer crimes para ajudar Temer. “Não é lógico nem razoável inferir que o elevado potencial de reiteração delitiva do agravante (Rocha Loures) estaria neutralizado pelo fato de não mais dispor de seu mandato parlamentar. Michel Temer permanece em pleno exercício de seu mandato como Presidente da República”, disse o procurador-geral, concluindo: “o homem ‘da mais estrita confiança’ do atual chefe do Poder Executivo não mede esforços para servi-lo em atos ignóbeis de corrupção passiva e outras negociatas escusas”.

Temer foi gravado, sem saber, por Joesley Batista, dono da JBS. No encontro, Temer sugere que o empresário mantenha boa relação com Eduardo Cunha e elogia quando Joesley diz estar “segurando” dois juízes. Além disso, o empresário pede ajuda para defender seus pleitos no governo e Temer indica Rocha Loures como interlocutor para tudo que o empresário precisar. Segundo Janot, as respostas do presidente, concordando com as práticas do empresário, “foram espontâneas e bastante suspeitas”.

HOUVE CRIME – “Não se sustenta, portanto, a versão dada por Michel Temer em seus pronunciamentos públicos segundo a qual indicou Rodrigo Loures para ‘se livrar’ de Joesley, uma vez que as provas demonstram que na verdade a conversa no Palácio do Jaburu foi apenas o ponto de partida para as solicitações e recebimentos de vantagens indevidas que viriam em sequência”, escreveu Janot, finalizando: “Quando Michel Temer afirma que ‘não há crime, meus amigos, em ouvir reclamações e me livrar do interlocutor, indicando outra pessoa para ouvir as suas lamúrias’, reconhece que de fato indicou Rodrigo Loures a Joesley Batista”.

De acordo com o procurador-geral, são fartas as provas da atuação do ex-assessor. “Através dele, Temer operacionaliza o recebimento de vantagens indevidas em troca de favores com a coisa pública”, disse Janot, concluindo não haver “ressaibo”, ou seja, vestígio, de “dúvida da autoria de Temer no crime de corrupção”. Como mostra da confiança de Temer em Rocha Loures, Janot destacou sua ida para a Câmara, quando ocupou por alguns meses o cargo de deputado. O ex-assessor era suplente, mas assumiu o cargo enquanto o titular, Osmar Serraglio, ficou à frente do Ministério da Justiça.

EM NOME DE TEMER – “Não se trata aqui de ‘venda de fumaça’, ou seja, de alguém propagandeando uma suposta influência em relação a um agente público”, avaliou Janot, acrescentando: “Loures, que estava ocupando função de confiança no gabinete de Temer no Palácio do Planalto, foi remanejado por interesse de Temer para a Câmara dos Deputados. E mais, representava Temer em diversas articulações políticas a pedido deste, conforme amplamente noticiado na imprensa.”

Janot destacou a longa relação entre os dois. Em 2011, quando Temer assumiu o cargo de vice-presidente, ele convidou Rocha Loures para ser seu chefe de gabinete. Em 2014, Temer gravou um vídeo pedindo voto para o ex-assessor, que na época disputava a eleição para deputado. Apesar do esforço, Rocha Loures ficou apenas na suplência. Em 2015, ele se tornou chefe da assessoria parlamentar de Temer na vice-presidência. No mesmo ano, foi nomeado chefe de gabinete da Secretaria de Relações Institucionais. “Todos estes fatos ilustram proximidade e relação de confiança entre os dois denunciados”, concluiu o procurador-geral.

CONFISSÃO – Em outro trecho do documento, Janot voltou a dizer algo que já tinha registrado em outro parecer. Segundo ele, Temer teria feito uma confissão extrajudicial quando, em pronunciamentos, reconheceu ter se encontrado com Joesley e confirmou o teor da gravação feita pelo empresário.

Janot também citou um dos trechos das conversas gravadas de Rocha Loures, em que ele diz que estavam obstruído “os canais tradicionais” de propina: José Yunes e o coronel aposentado da PM paulista João Baptista Lima Filho, ambos amigos de Temer, corroborando a acusação de que o presidente foi beneficiado.

No documento, Janot aponta ainda duas contradições de Temer. Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” em maio, o presidente disse ter achado que Joesley queria se encontrar com ele para tratar da Operação Carne Fraca, que apura irregularidades em frigoríficos. Mas a reunião ocorreu antes da operação se tornar pública. Depois, a assessoria de Temer explicou que ele se confundiu. A outra contradição ocorreu quando o presidente negou ter viajado em um avião de Joesley em 2011 para Comandatuba, na Bahia, dizendo que o percurso foi feito em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Depois, teve que desmentir a informação, comunicando que tinha viajado em avião particular, embora não soubesse quem era o dono.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não é necessário conhecer a denúncia que Janot vai apresentar ao Supremo nesta terça-feira. O básico já está no parecer sobre Loures, o “homem da mala”. O procurador Janot vai usar o sistema “Control-C/Control-V) e fim de papo. (C.N.)

Com tarja preta liberada na cadeia, Cabral devia ser levado a exame toxicológico

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Cabral está emagrecendo sem fazer regime

Luiza Franco
Folha

Em fiscalização surpresa na cela onde está preso o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, o Ministério Público encontrou duas caixas com quase 30 comprimidos de remédios antidepressivos (medicação controlada, de tarja preta) e outras dezenas de comprimidos não identificados. Cabral está detido na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, no Rio. Segundo o Ministério Público, Cabral disse ter receita médica que prevê dois comprimidos de antidepressivos por dia e que os comprimidos não identificados são vitaminas.

A fiscalização do Ministério Público constatou que outros dois presos, custodiados em outras celas da cadeia, também mantinham dezenas de comprimidos de medicação controlada.

ADVERTÊNCIA – O diretor da cadeia, Fabio Ferraz Sodré, foi advertido pelo Ministério Público sobre a quantidade excessiva de remédios à disposição dos internos. “[Eles] poderiam ministrar acidental ou intencionalmente alta dose, levando à internação ou até a morte, além da possibilidade de tráfico desses comprimidos, que podem ser usados como ‘moeda de troca’ entre presos”, diz o órgão, em nota.

Sodré disse que os custodiados recebem remédios para um período mais longo, para não sobrecarregar o serviço da enfermaria com a entrega diária de comprimidos. A enfermaria do presídio funciona atualmente de forma provisório em uma sala, até que termine reforma do espaço definitivo.

INFORMAÇÕES – O promotor de Justiça Sauvei Lai, autor da fiscalização, enviou ofício com as informações para o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, e para a Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária).

A Seap disse que providências já foram tomadas e que os medicamentos foram retirados da cela e serão entregues somente na hora prescrita. E a defesa de Cabral não foi localizada até a publicação deste texto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O emagrecimento de Cabral na cadeia é muito estranho, porque ele sempre teve tratamento privilegiado, por ordem do governador Pezão. Em Bangu 8, dormia na biblioteca com ar condicionado, recebia alimentação em sistema “delivery” e mantinha conta corrente na cantina. Como não tem o que fazer e sofre da angústia de todo presidiário, seria de se esperar que Cabral engordasse na cadeia, mas está acontecendo o contrário. A apreensão de remédios de tarja preta pode explicar parte do problema. As visitas constantes que o ex-governador recebe podem explicar a outra parte, se é que vocês me entendem, como dizia nosso amigo  Maneco Muller, o genial Jacinto de Thormes. O fato concreto é que Cabral precisa ser submetido a exame toxicológico, porque cadeia não é local de curtição, digamos assim.  (C.N.)

Uma grande mãe universal chamada Cora Coralina

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Site Poemas & Canções

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1880-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, conforme este poema “Cântico da Terra”. Vale ressaltar que a obra de Cora Coralina também nos mostra a vida simples dos becos e ruas históricas de Goiás Velho, a antiga capital do Estado.

O CÂNTICO DA TERRA
Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

Surpresa! A emenda das eleições diretas passa a ser uma possibilidade concreta

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PEC das Diretas está avançando na Câmara

Carlos Newton

O presidente Michel Temer só completa 77 anos em setembro, no dia 23, mas seu inferno astral começou muito antes, desde que o empresário Joesley Batista gravou a conversa no subsolo do Palácio do Jaburu, dia 7 de março. As denúncias e problemas se acumulam, o presidente não governa mais, apenas cuida de se defender para evitar a cassação, e a crise política já caiu numa rotina, a tal ponto que ninguém liga mais se há governo ou não, vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha, ninguém se importa como o que vai acontecer a Michel Temer, a Bolsa de Valores e o dólar flutuam normalmente, na sistemática normal da especulação que caracteriza o sistema, em que uns perdem, outros ganham, e vamos em frente.

A possibilidade de haver uma eleição direta para substituir Temer não está afastada, muito pelo contrário. É cada vez mais provável. Na Câmara, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça  (CCJ), deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), é um político da nova geração que parece disposta a mudar o jogo na política. O parlamentar se recusa a aceitar interferências do Planalto e marcou para a manhã de terça-feira a votação do parecer favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Eleições Diretas.

ATO DE REBELDIA – A decisão do deputado peemedebista é um ato de rebeldia contra a determinação do presidente Michel Temer, que mandou as lideranças da base aliada obstruírem os trabalhos da Comissão. Mas nem todos obedecem. Não existem amadores no Congresso. Todos são políticos profissionais, até mesmo o deputado Tiririca, que já está em seu segundo mandato e aprendeu as manhas da profissão e dá o exemplo, jamais falta às sessões deliberativas.

Apresentada pelo deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), a PEC estabelece que, em caso de vacância do cargo de presidente até seis meses antes do fim do mandato, novas eleições diretas sejam convocadas. A proposta estava parada desde junho de 2016. O relator, deputado Esperidião Amin (PP-SC), apresentou parecer favorável. Se aprovada na CCJ, uma comissão especial será instalada para analisar a PEC. Se for aprovada, a proposta segue para o plenário, onde precisará dos votos de 308 dos 513 deputados, em dois turnos. Depois, o texto irá para o Senado, onde precisará dos votos de 49 dos 81 senadores, também em dois turnos.

VONTADE POLÍTICA – A tramitação da PEC demora, mas pode ser facilmente acelerada, se houver vontade política. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é favorável e pode levar o PSDB a aderir. O Congresso tem um sistema de “urgência urgentíssima”, que pode ser acionado a qualquer instante.

Há controvérsias, diria o ator Francisco Milani. Mas podem ser contornadas, se a emenda for direcionada para o Ato das Disposições Transitórias da Constituição, através de substitutivo. Com isso, a alteração só iria valer para a substituição de Temer e o mandato não seria tampão e se estenderia até 31 de dezembro de 2022.

O maior empecilho é a presença de Rodrigo Maia como presidente da Câmara, que está boicotando os pedidos de impeachment. Isso significa que Temer teria de renunciar para acelerar o processo. A possibilidade pode até parecer afastada, mas existe.

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PS
– Como diria o poeta Vinicius de Moraes, não mais que de repente, Temer pode cansar de ser usado como marionete pelos caciques do PMDB, tomar vergonha na cara e renunciar, para aproveitar o tempo que lhe resta. Afinal, sonhar não é proibido, 77 anos é uma idade avançada e Temer já está trocando estações, ao chamar de “cruzeiro” o real, visitar o “rei da Suécia” no lugar da Noruega e ir ao “Parlamento do Brasil” quando se dirigia ao Parlamento da Noruega – ou será da Suécia, a gente nem sabe mais... (C.N.)

Políticos profissionais torcem para Luciano Huck não sair candidato em 2018

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Huck disse que ainda não decidiu a candidatura

Deu na Agência Estado

Sem dizer se vai ou não investir de fato na vida política, Luciano Huck revelou ao jornalista Amaury Jr. que não abrirá mão de seu propósito de ajudar o Brasil a melhorar. A entrevista foi realizada durante o leilão beneficente promovido pelo Instituto Neymar Jr. “O que eu venho falando, e talvez não tenha sido bem compreendido, é que a minha geração tem que ocupar espaço de poder, no sentido de que já está na iniciativa privada e em vários lugares da sociedade civil, mas na política não”, disse o apresentador.

Amaury Jr. chegou a citar a previsão de uma vidente, que aconselha Huck a não misturar a vida artística com a pública. “Ela deve ter ligado para a minha mãe e para a Angélica”, brincou.

CONTRIBUIR – O apresentador da TV Globo disse que seu objetivo é contribuir para o crescimento do Brasil e ajudar a encontrar novos e bons nomes para as lideranças nacionais. “Não que seja eu, muito pelo contrário, mas quero ajudar a encontrar essas novas lideranças, porque eu acho que o Brasil está em um cenário de terra arrasada. Eu acho que o único poder transformador é a política do poder público, então se a gente não cuidar dele para que tenha gente legal lá e que possa fazer a vida das pessoas melhorar, vamos ter uma geração perdida de anos e décadas no Brasil. Então é essa a intenção, se mobilizar e conseguir trazer gente legal para esse universo”, explicou.

Em sua avaliação, João Doria é um bom exemplo de pessoa pública que migrou para a política. “João já fez essa opção, ele já está dedicado à vida pública e servindo muito bem São Paulo. A força do microfone, a força que o meu programa tem, as redes sociais, eu acho que já é uma vitrine importante para colocar uma mensagem inspiradora, colocar bons exemplos e trazer gente nova. Não vou fugir da raia no sentido de contribuir para que a gente faça um País mais legal e mais justo”, finalizou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGHuck é como Romário e Tiririca, tem fortíssima penetração popular, mas demonstra maior preparo intelectual. Se sair candidato a deputado federal ou senador (são duas vagas), já está eleito. Para governador ou presidente, fica mais difícil. Porém, nesta política ensandecida da Tropicália, tudo é possível, sobretudo na atual maré de desprezo (e até ódio) aos chamados políticos profissionais, como se viu na eleição de João Dória, no ano passado. Os políticos profissionais estão torcendo para que ele desista de ser candidato. (C.N.)

Economistas querem mais transparência do IBGE quanto à inflação e consumo

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Charge do Cicero (cicero.art.br)

Pedro do Coutto

Um grupo de vários economistas – reportagem de Érica Fraga e Mariana Carneiro, Folha de São Paulo deste domingo – acentua que as últimas pesquisas divulgadas pelo IBGE mostram falhas e se transformam em preocupação. Essas pesquisas focalizaram o índice inflacionário, muito baixo, o crescimento do comércio em Santa Catarina, muito alto, e também quanto ao analfabetismo no país, que teria subido de 8,5 para 12,5%, entre os maiores de 14 anos. O analfabetismo foi registrado pela PINAD de 2015.

Os economistas Cimar Azeredo, Fernando de Holanda Barbosa, Marcos Lisboa e Cláudio Crespo analisaram as pesquisas e pedem mais transparência, de forma direta ou indireta.

HÁ CONTROVÉRSIAS – A transparência é essencial, uma vez que não é o caso apenas de metodologia, mas também da colocação de perguntas capazes de induzir a respostas desejadas pelos pesquisadores. Mas esta é outra questão.

O fato, no que se refere ao forte crescimento do comércio em Santa Catarina, suscita dúvida. Por que Santa Catarina? A taxa inflacionária recuou, encontrando-se numa projeção reduzida de 4% para os últimos 12 meses. No entanto, os salários, que são a verdadeira base do consumo, não foram corrigidos acima desse limite, o desemprego continua na escala de13,8% que corresponde à existência de 14 milhões de desempregados, pois a mão de obra ativa brasileira encontra-se no total de 104 milhões de homens e mulheres, correspondendo praticamente à metade do total de habitantes.

A GRANDE DÚVIDA – Qual fenômeno que poderia ter acontecido em Santa Catarina capaz de conduzir a um resultado positivo no que se refere ao mercado consumidor. Além disso, Santa Catarina representa um peso reduzido ao se pensar numa média algébrica abrangendo os demais 26 estados.

Aliás, por falar em média algébrica, que é a atribuição de pesos diferentes às parcelas do produto global, creio ser válido considerar que o reflexo econômico social de qualquer inflação não se faz sentir por igual em todas as camadas da população. É preciso levar em conta , de acordo com o próprio IBGE, que 1/3 dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil ganha um salário mínimo. E que 50% da mão de obra percebe até 3 salários mínimos mensais.

CORRELAÇÃO – Assim, à medida em que se consideram os efeitos inflacionários, é lógico concluir-se que quanto mais baixa for a remuneração salarial, maior será o reflexo do índice do custo de vida. Alimentação e transporte, além da moradia, absorvem parcelas percentuais mais elevadas para aqueles cuja remuneração mensal é menor. E a remuneração mensal é menor para a metade das classes trabalhadoras.

Portanto, a contenção inflacionária (seja em decorrência de uma política monetária colocada em prática, seja em consequência de uma recessão) não significa avanço social daqueles que formam a base da pirâmide.

À medida em que a renda sobe, o reflexo inflacionário torna-se menor, já que as despesas obrigatórias têm um peso mais baixo para aqueles que trabalham com rendimentos mais altos. No Brasil não são muitos os que têm remuneração mais alta, estimada na escala de 10 salários mínimos. Estes representam apenas entre 7 a 8% da população.

ALTA ELITE – Se elevarmos o patamar para 20 salários mínimos, vamos encontrar somente 0,8% da mão de obra ativa brasileira.

Se tudo é relativo, e só Deus é absoluto, como afirmou Einstein, temos que identificar em quais graus se traduz o efeito inflacionário sobre todas as faixas de rendimento.

Assim, chegamos à conclusão de que uma escala inflacionária baixa só produz efeitos evolutivos em matéria de renda para os que são melhor remunerados, portanto temos que procurar efeito de uma verdade setorial numa verdade geral. Como  é o caso da renda per capita, que é o resultado da divisão do Produto Interno Bruto pelo total da população.

Renda per capita é uma coisa. Redistribuição de renda é outra. E nada mais concentrador de renda do que a corrupção.

Reunião de emergência de Temer com ministros discute muito e não decide nada

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Charge do Duke (dukechargista.com)

José Carlos Werneck

O presidente Michel Temer convocou neste domingo uma reunião de emergência, no Palácio da Alvorada, de seus principais ministros. O encontro ocorreu às vésperas da apresentação da denúncia que será feita pela Procuradoria-Geral da República, pedindo abertura de inquérito no Supremo contra o chefe do governo.

Participaram os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, das Relações Exteriores, Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, Torquato Jardim, da Justiça, e Antonio Imbassahy, da Secretaria de Governo, além do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e dos líderes do Governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro, e no Congresso, André Moura.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ficou de apresentar até a próxima terça-feira a denúncia contra o residente, referente às acusações do acordo de delação premiada de Joesley e Wesley Batista, da JBS. Na reunião, muito se discutiu e nada se decidiu, até porque não se sabe o que vem pela frente.

Para desespero do Planalto, emenda das eleições diretas será votada na Câmara

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Pacheco apoia a votação da PEC das diretas

Fransciny Alves
O Tempo

Por decisão do presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que se nega a aceitar interferências do Planalto, está marcada para a manhã desta terça-feira, dia 27, a votação do parecer da Proposta de Emenda à Constituição das Eleições Diretas. A decisão do peemedebista vai contra a vontade da base do presidente Michel Temer (PMDB), cujas lideranças articulam para obstruir os trabalhos do comitê.

A sessão convocada por Pacheco é de caráter extraordinário. Por isso, somente a proposta de emenda vai estar na pauta. Representantes de partidos da oposição concordaram com a data e retiraram de pauta os requerimentos que obstruíam os trabalhos. No entanto, a base aliada, que continua insistindo nos requerimentos para travar as discussões no colegiado, já se articula para que a sessão seja encerrada em seus minutos iniciais, já que há o receio de não ter votos suficientes para “derrubar” a PEC das Diretas.

INDEPENDÊNCIA – De acordo com Pacheco, o papel dele como presidente é dar “andamento à pauta”. Ele ressaltou que vários deputados da comissão pediam que a PEC fosse colocada em discussão. “A gente vem tendo dificuldades na CCJ para votar as questões por conta da obstrução por parte (dos deputados) da oposição por não se pautar essa PEC. Então, decidi pautá-la na terça-feira, ela vai ser discutida e deliberada. Não vou entrar no mérito da questão, porque, como presidente, prefiro não fazer”, declarou.

Questionado se poderia ficar em uma situação desconfortável ou sofrendo pressão de membros do PMDB, por fazer parte do mesmo partido de Temer, Pacheco se disse independente. “Ainda que haja qualquer tipo de descontentamento de um lado ou de outro por qualquer circunstância, eu não tenho receio nenhum disso, porque sou um deputado independente”, afirmou.

PROPOSTA DE MIRO – De autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), a proposta estabelece que, em caso de vacância do cargo de presidente até seis meses antes do fim do mandato, novas eleições diretas sejam convocadas no país. Hoje, de acordo com a Constituição, após dois anos de mandato, um novo presidente só pode ser escolhido via eleições indiretas, quando deputados e senadores votam.

A PEC estava parada desde junho do ano passado na comissão. Na época, o deputado Esperidião Amin (PP-SC) foi escolhido como relator e apresentou parecer pela admissibilidade da proposta. Se aprovada na CCJ, será instalada uma comissão especial para analisar a proposição. Caso o parecer deste colegiado seja aprovado, a PEC seguirá para o plenário, onde precisará do aval, em dois turnos, dos votos de 308 dos 513 deputados. Depois disso, o texto irá para o Senado, onde precisará, no mínimo, dos votos de 49 dos 81 senadores, também em dois turnos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ salutar a existência de parlamentares independentes, como os senadores José Reguffe (sem partido-DF), Ana Amélia (PP-RS), Cristovam Buarque (PPS-DF), Eduardo Amorim (PSDB-SE) e Ronaldo Caiado (DEM-GO),  e deputados como Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) e Miro Teixeira (Rede-RJ), que votam de acordo com suas consciências. Democracia é isso aí, não pode nem deve haver ditaduras partidárias. (C.N.)

Aprenda a combater o medo do futuro e as ideias negativistas

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Ilustração do site meinspirando.com

Eduardo Aquino
O Tempo

Antes de mais nada, vale a advertência: quem teme o futuro não semeia o presente e assim terá eternamente uma entressafra que tira o prazer em viver. Posto isso, vale a pena viajar para o outro lado do mundo e ver a cultura japonesa. Japão é um país à parte: um conjunto de ilhas super-habitadas, onde quase não houve mistura racial, portanto, uma genética pura – vide a aparência e as características físicas que dão sensação que todos são parentes próximos.

Isso faz do japonês um povo que tem características comportamentais muito demarcadas, para o bem ou para o mal. Algumas delas: perfeccionismo, mania de limpeza, organização, excesso de culpa quando erra (a ponto de cometer haraquiri, ou suicídio com espada), autoritarismo, rigidez, excesso de trabalho e medo do futuro.

POUPANÇA ETERNA – Li outro dia que foi localizada uma caderneta de poupança de tradicional banco japonês, aberta em 1907, que há sete gerações vem depositando e ninguém nunca utilizou ou retirou! Além de ser o povo que mais poupa e menos tem lazer.

Futuro não existe do ponto de vista do cérebro. O computador divino apenas processa o que a mente processa. Toda vez que a mente projeta um futuro ruinoso, em que o temor de perda, o sofrer antecipado, as projeções negativistas e pessimistas ocupam os pensamentos e sentimentos, o coitado do cérebro passa a emitir sinais de alerta, acionando um sinal crônico de estresse.

Essa “pensação” disparada, de conteúdo trágico, sempre esperando o pior, faz com que a glândula mãe, que é a hipófise, mantenha dois hormônios – cortisol e a famosa adrenalina – em níveis elevados e perigosos na corrente sanguínea.

ANGÚSTIA DE VIVER – Daí a ter insônia, aperto no peito e viver angustiado, triste, ansioso e cheio de sintomas físicos é um pulo. Temos dito, repetidamente, pois educar é a arte de repetir até assimilar: o que mais nos adoece é o pensar errado! Se a mente projeta pensamentos, sentimentos e desejos negativos, o cérebro e o corpo padecerão.

Muitas vezes não está na pessoa; pode ser que o centro que controla e administra emoções e estresse esteja com um erro de funcionamento que exige tratamento medicamentoso. Mas o que cura é o processo de terapia, que permite à pessoa ter consciência e percepção do mecanismo doentio, para que abra alternativas e possa mudá-lo. É preciso pensar diferente, agir diferente.

É a arte do relaxamento, de desacelerar o pensamento e entender o tempo natural das coisas, pois o passado é fonte de aprendizado, o presente é o tempo de ações positivas, e o futuro, consequência da boa semeadura. Calma, serena e desapegada. Viver um dia de cada vez é um bom começo.

Para 64%, a Procuradoria agiu mal ao fechar delação da JBS, diz Datafolha

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Charge do Mário (Humor Político)

Thais Bilenky
Folha

O acordo de colaboração premiada que a Procuradoria-Geral da República fechou com os donos da JBS, ao prever multa, mas não a prisão dos delatores, foi mal recebido por 64% da população, mostra pesquisa Datafolha. Outros 27% dos entrevistados afirmaram que o Ministério Público agiu bem ao firmar o acordo, por meio do qual os irmãos Joesley e Wesley Batista entregaram supostas provas e nomes sem serem denunciados criminalmente.

De acordo com o levantamento, 81% dos brasileiros disseram que os irmãos Batista deveriam ter sido presos pelos crimes que confessaram e 14% acham que não.

APOIO DE 83% – Em que pesem às críticas ao acordo em si, o envolvimento direto do presidente Michel Temer (PMDB) nos escândalos de corrupção revelados restou comprovado para 83% da população.

Para 6% dos entrevistados pelo Datafolha, o presidente peemedebista não teve participação direta e 11% não souberam dizer.

A pesquisa foi realizada de 21 a 23 de junho com 2.771 entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

GRAVAÇÃO – Ao fechar o acordo com a PGR, depois da gravação que incriminou Temer, os irmãos Batista se comprometeram com o pagamento de R$ 110 milhões cada um. Uma operação cambial bem-sucedida da empresa na sequência da revelação dos áudios despertou ainda mais críticas.

Sem denúncia formal, os delatores não correm risco de serem submetidos a medidas impostas a outros delatores da Operação Lava Jato como ir para a prisão ou usar tornozeleira eletrônica.

Aos irmãos Batista foi permitido que fossem para os Estados Unidos e pudessem manter o controle das empresas do grupo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria está incompleta, porque não registra que a JBS vai pagar mais de R$ 10 bilhões de multa, em acordo de leniência. Não houve prisão, porque os delatores procuraram espontaneamente as autoridades para fazer acordo, situação muito diferente de que tenta ocultar provas, se declara inocente e tenta escapar de qualquer punição, como todos os empreiteiros fizeram. (C.N.)

Lei da delação premiada já aumentou em 288% as prisões por corrupção

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Charge do Amorim (amorimcartoons.com.br)

Deu na Agência Estado

Milhões de pessoas que foram às ruas em junho de 2013 não pediram a aprovação da Lei 12.850, que regulou as delações premiadas. Mas a mudança legal – parte do pacote aprovado pelo Congresso em resposta aos protestos – abriu o caminho para que o número de prisões temporárias e preventivas e os flagrantes de suspeitos de desvio de verbas públicas no país fosse multiplicado por quatro de 2013 para 2016.

Números da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor), da Polícia Federal, mostram que, no ano passado, dez pessoas foram presas a cada semana por agentes federais em operações de combate ao desvio de verbas públicas. Em 2013, antes da aprovação da lei sobre colaboração premiada, esse número não chegava a três por semana (2,5 em média).

ESTATÍSTICAS – O jornal “O Estado de S. Paulo” analisou dados de 2.325 operações da PF no país de 1º de janeiro de 2013 a 31 de março deste ano. As informações foram obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação.

“O marco disso é a lei de 2013”, afirmou a delegada Tânia Prado, presidente do Sindicato dos Delegados da PF. Para ela, a legislação que emparedou o mundo político dificilmente passaria hoje no Congresso. “Ela foi aprovada no contexto da pressão popular. Devem (congressistas) ter achado que era bom para prender traficante”, opina.

Em 2013, a PF fez 302 operações de combate a organizações criminosas – desde as envolvidas com crime comuns, como tráfico de drogas, até as especializadas em delitos financeiros. Em 2016, esse número aumentou 205%, chegando a 922. Já no primeiro ano depois da lei, em 2014, o número de prisões concedidas pela Justiça e flagrantes nessas operações chegou a 2.798 e somou 4.122 em 2016 – aumento de 771% em comparação com as 473 registradas em 2013.

DIVISOR DE ÁGUAS – Para o procurador da República Rodrigo De Grandis, a lei foi “um divisor de águas no combate à corrupção”. “Não havia o procedimento de como se fazer a colaboração premiada e hoje ela é fundamental”, avalia. No caso das operações de combate ao desvio de verbas públicas, as prisões passaram de 135 (2013) para 524 (2016) – crescimento de 288%. De Grandis disse que, hoje, o combate à corrupção é uma prioridade na PF e no Ministério Público Federal (MPF).

Os números da PF mostram que não só as prisões de suspeitos de corrupção aumentaram, mas as de todos os demais tipos de organizações criminosas, como a de traficantes. Ou seja, a lei afetou as máfias de forma indistinta – a exceção foram os crimes financeiros. “É mais difícil obter uma prisão por crime financeiro. A materialidade do delito é mais complexa”, disse De Grandis. Para ele, “culturalmente”, a tendência é achar que o crime com sangue merece uma resposta mais severa da sociedade.

MAIS PRISÕES – Para o criminalista Roberto Podval, há uma escalada de prisões preventivas no país nos últimos anos. “Mudou a cultura com relação à prisão no Judiciário. Saímos da impunidade absoluta para os crimes econômicos para a punibilidade absoluta, que está nesse momento. A tendência é que a gente chegue ao meio-termo. Se houve uma banalização da corrupção, houve também uma banalização das prisões provisórias”, avalia.

Por trás do aumento das operações e das prisões, especialistas apontaram ainda razões tecnológicas, como a criação de bancos de dados e laboratórios de combate à lavagem de dinheiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDiante desse números impressionantes, não é de espantar que o governo Temer a a bancada da corrupção, integrada por praticamente todos os partidos, esteja lutando tanto para abafar a Lava Jato. É tudo inútil, porque a internet não deixa que esse tipo de manobra prevaleça. O mundo está mudando e os políticos ainda não perceberam. (C.N.)

Enquanto Temer cai nas pesquisas, o PT volta a disparar na preferência do povo

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Charge do Nani (nanihumor.com)

José Marques
Folha

O PT atingiu a sua maior popularidade desde a segunda posse da ex-presidente Dilma Rousseff, em meio à crise política e econômica que atinge o governo Michel Temer. Segundo pesquisa Datafolha, é o partido favorito de 18% da população. A legenda era a líder isolada em popularidade de 2000 até junho de 2015, quando empatou tecnicamente com o PSDB. À época, os simpatizantes dos petistas eram 11% e do tucanos, 9%. Em dezembro do mesmo ano, o PT continuava a pontuar 11% e o PSDB caía a 8%.

Mesmo depois do processo de impeachment de Dilma, a legenda da ex-presidente ainda penava na popularidade. Em dezembro do ano passado, tinha 9%. Voltou a crescer em maio deste ano, quando alcançou 15%.

CHEGOU A 29% – O ápice de popularidade do PT foi no próprio governo Dilma, em março de 2013, pouco antes das manifestações de junho. A sigla havia chegado a 29% de preferência popular.

No levantamento feito entre quarta-feira (dia 21) e sexta (23) com 2.771 entrevistados, o Datafolha aponta em segundo lugar, empatados com 5%, o PSDB e o PMDB. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A grande maioria dos entrevistados, no entanto, não tem preferência por partidos. Esse índice é de 59%. Além de PT, PSDB e PMDB, apenas outras três legendas chegam a pontuar na pesquisa. PSOL, PV e PDT alcançaram 1% cada.

TEMER EM QUEDA – O crescimento na popularidade do PT acontece ao mesmo tempo em que o governo Michel Temer chega à menor marca registrada pelo Datafolha em 28 anos. O presidente foi gravado secretamente pelo empresário Joesley Batista, da JBS, em uma conversa em que ambos tratavam da relação com o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso. O áudio foi entregue como prova na delação do empresário e deverá subsidiar denúncias contra Temer.

Já o PSDB teve um de seus principais líderes, o senador Aécio Neves (MG), afastado do cargo e da presidência da legenda, também por causa de conversas gravadas com Joesley. O tucano foi denunciado por corrupção passiva e obstrução à Justiça.

Para os investigadores, o tucano usou o cargo para atuar em benefício da J&F, a holding da JBS, além da ingerência do PSDB em assuntos governamentais. Aécio nega as acusações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Para o PT, o governo Temer é a “tempestade perfeita”, conforme indica a pesquisa Datafolha. O problema do PT é a recuperação da economia, que começa se vislumbrar e pode mudar novamente o quadro político, caso se concretize a volta do crescimento. (C.N.)

Temer cumpriu o prometido e unificou o Brasil

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Charge do Montanaro (Portal UOL)

Bernardo Mello Franco
Folha

No discurso de posse, Michel Temer prometeu “pacificar a nação e unificar o Brasil”. O presidente unificou o país, mas não foi como ele gostaria. Oito em cada dez brasileiros defendem que o Congresso abra um processo para afastá-lo. Sua aprovação caiu a míseros 7%, o índice mais baixo em 28 anos.

O Datafolha deu números a um fenômeno visível a olho nu: o apoio a Temer derreteu. A rejeição ao peemedebista já supera as piores marcas de Collor e Dilma, que sofreram impeachment. Ele está próximo de igualar o recorde negativo de Sarney.

CORRUPÇÃO – A impopularidade de Temer cresce à medida que a polícia flagra seus aliados com malas de dinheiro ou contas na Suíça. Em pouco mais de um ano, quase todos os articuladores do impeachment estão delatados ou na cadeia. “Quem não está preso está no palácio”, resumiu o empresário Joesley Batista, um corruptor confesso que tinha passe livre no Jaburu.

A pesquisa mostra que a população despreza o delator, mas não caiu no truque de desqualificar a delação. Há um mês, Temer faz discursos indignados e diz que é vítima de armação. Não convenceu quase ninguém. Para 83%, ele teve participação direta no esquema de corrupção descoberto pela Lava Jato. Só 6% acreditam na inocência presidencial.

GAFES EM SÉRIE – Os números encerram mais uma semana trágica para o governo. O presidente viajou numa tentativa de atrair investimentos e simular normalidade. Perdeu R$ 166 milhões do Fundo Amazônia, cometeu gafes em série e ouviu um sermão da premiê norueguesa contra a corrupção.

No Brasil, a crise se agravou. Temer perdeu uma votação importante no Congresso e foi esculhambado por um senador que se gabava de nomear até melancias em seu governo. Na sexta, a PF desmoralizou sua defesa ao atestar que a gravação de Joesley não sofreu edições. A semana que começa deve ser ainda pior. Nas próximas horas, a Procuradoria-Geral da República vai formalizar a primeira denúncia contra o presidente.

Desembargadores que podem impedir candidatura de Lula são muito rigorosos

Oitava turma do TRF-4 em sessão de julgamento de recursos da operação Lava Jato

Nesta sala, será decidida a candidatura de Lula

José Marques
Folha

 

Foi um escândalo. Na saída da missa dominical de Ribeirão Claro (PR) dois motociclistas desfilaram nus em frente aos fiéis, após apostar e perder que o Brasil venceria a Argentina na Copa de 90. O promotor da cidade não pensou duas vezes: pediu a prisão preventiva (por tempo indefinido) dos “peladões”. Era João Pedro Gebran Neto, que atualmente é desembargador federal e relator da Lava Jato em segunda instância.

“Não foi fácil convencer o juiz substituto, que vinha semanalmente a Ribeirão Claro, de que o caso merecia tão séria repressão”, disse, em texto publicado em 2012. Como a cadeia estava vazia, o magistrado aceitou prender os arruaceiros por “um ou dois dias”. Depois disso, “a ordem estava restabelecida”, concluiu o ex-promotor.

RIGOR NAS PENAS – À frente da oitava turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que revisa as decisões de Sergio Moro, o curitibano Gebran Neto continua conhecido pelo rigor, assim como os outros dois componentes do colegiado, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus.

Quase metade das penas dadas por Moro foram elevadas na segunda instância, algumas delas em mais de dez anos. Na quarta-feira (dia 21), o processo contra o ex-sócio da Engevix, Gerson de Mello Almada, chegou à sala de julgamentos da turma com uma condenação a 19 anos de reclusão. Saiu com uma pena de 34 anos e vinte dias.

PRISÃO IMEDIATA – Antes mesmo de o STF (Supremo Tribunal Federal) definir que réus podem ser presos em segunda instância, a oitava turma já determinava a execução das penas de pessoas que condenavam.

O trio não tem concedido entrevistas, mas Gebran se posicionou ao ser questionado se, ainda hoje, considera o caso de Ribeirão Claro como passível de prisão preventiva – tomada quando há risco de reiteração da conduta ou destruição de provas.

“Na ocasião, os efeitos da decisão foram muito benéficos, porque a sociedade permaneceu em paz e sem novos presos por muito tempo”, disse Gebran em nota à Folha. “Como promotor, agiria como agi na época, levando em conta a data dos fatos, a pequena e pacífica comunidade onde aconteceu e os impactos causados com as condutas. Cabe ao julgador analisar os fatos e tomar a decisão”, afirmou.

LINHA DURA – Sediada em Porto Alegre, a oitava turma do TRF-4 tem apenas um gaúcho, o revisor da Lava Jato Leandro Paulsen. Especialista na área tributária, surpreendeu colegas de direito ao se tornar um juiz “linha dura” na área penal ao assumir a vaga no TRF, em 2013.

Juiz federal desde 1993, torcedor do Internacional, Paulsen construiu carreira e tem família na capital. Trabalhou por três anos e meio, ainda sem se formar, no gabinete de um juiz do TRF que, antes, era procurador da República. Em 2014, figurou ao lado de Sergio Moro em lista tríplice da Ajufe (Associação de Juízes Federais do Brasil) para substituir o ministro Joaquim Barbosa no Supremo.

Dos três, o que está mais tempo no tribunal é o catarinense Laus. Ex-procurador da República, por dez anos, foi promovido ao tribunal em 2002. Sempre foi tido como um magistrado severo, mas, na turma, é visto pelos advogados como o menos rígido.

DIRCEU E LULA – Alguns processos de repercussão serão analisados pela oitava turma nos próximos meses. Um deles é o do ex-ministro José Dirceu, solto pelo STF em maio, enquanto ainda aguarda a decisão do trio.

Outro possível processo é o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso ele seja condenado por Moro na ação do tríplex. Se não for, também há possibilidade de o Ministério Público recorrer.

A defesa de Lula, no entanto, já teve embates com o trio – assim como tem com Moro. Em ação, disse que Gebran tem relação de amizade com o juiz de primeira instância e não pode decidir se Moro é suspeito ou não para julgar o ex-presidente. Citou agradecimento que Gebran fez em um livro, em que dizia ter “afinidade e amizade” com Moro. A ação da defesa de Lula corre agora no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

IMPARCIALIDADE – Gebran não nega as relações com o juiz, mas diz que suas decisões são imparciais. Paulsen e Laus defenderam o colega de turma em juízo. “Não há que se imaginar que eventual amizade entre magistrados induza a manutenção de decisões ou coisas do tipo”, disse Paulsen, em voto.

Um adjetivo recorrente entre os advogados que classificam a turma é “rigorosa”. Foi isso o que disse o advogado Marcos Crissiuma à reportagem, após a turma manter a prisão preventiva de seu cliente, um gerente da Petrobras preso na 40ª fase da operação. É assim, também, que caracteriza quem já teve seus casos julgados pelos três em processos não relacionados à Lava Jato. “Essa turma pode divergir do Moro, mas ainda assim são divergências de juízes rigorosos”, afirma o criminalista Márcio Paixão.

BANALIZAÇÃO –  Advogados também veem que a reiteração de casos similares na Lava Jato pode levar os juízes a repetir decisões. Esse argumento foi usado por Antônio Sérgio Pitombo, na defesa de Almada.

“A visão de quem está dentro muitas vezes não reconhece alteração no caso”, disse, acrescentando que seu cliente sofria pressões. Pediu que “examinassem o homem”. Não fez o efeito esperado. Gebran, como relator, elevou a pena de Almada para 23 anos. Paulsen aumentou ainda mais, para 34, e foi seguido no voto por Laus.

Antes de votar, Gebran respondeu ao advogado. Disse que a turma tem percebido que houve uma “banalização” da corrupção na Petrobras, mas isso não “autoriza um raciocínio que beneficie quem estiver inserido dentro desse contexto”. “A banalização das coisas não torna elas melhores. Às vezes torna até piores, doutor”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
São esses três desembargadores federais que irão julgar o ex-presidente Lula, após a sentença do juiz Moro. São esses rigorosos juízes que poderão permitir ou impedir a candidatura dele em 2018. (C.N.)

Com esse “Brazil System”, é claro que o Brasil será, para sempre, um país em crise

Leila Diniz, “Graúna” e a família Temer

Aninha Franco
Correio da Bahia

Quarenta e cinco anos sem Leila Diniz fazem falta ao “Brazil System”. Quando Marcela Temer nasceu, em 1983, para ser recatada, do lar e, futura esposa de Michel Temer, o presidente investigado, Leila Diniz estava morta desde 1972. Quando Marcela adolesceu, o Pasquim era cinzas, Henfil estava morto, e a Graúna estacionada em 1988. Henfil não assistiu à saída dos militares, e só votou para presidente da república uma vez, em 1960, porque de 1964 a1989 nos foi proibido eleger presidentes.

Voltando ao presente, desde sexta-feira, 9, sabemos que Temer ficou e Dilma pode candidatar-se e se eleger ao que quiser. Que Gilmar Mendes, presidente do Tribunal que deveria vigiar e punir os malfeitores eleitorais, desempatou o 3×3 e votou pela absolvição de Dilma&Temer.

IMPOSTO SINDICAL – O Michel Temer ficado já devolveu a obrigatoriedade do imposto sindical à República sindicalista e os trabalhadores brasileiros continuarão destinando um dia de suas jornadas à boa vida dos líderes sindicais. Talvez com esse agrado as greves e manifestações perderão seus ímpetos. Temer anistiou os banqueiros, aqueles profissionais que sempre lucram no tempo das vacas magras e das vacas gordas, e está bem com o Capital, com os 17 mil sindicatos e, para continuar ficando, parece que gastará muito do Erário combalido.

Nós já assistimos isso com Dilma, em queda, mas Temer tem mais aliados e minha intuição sugere que o PMDB não está brigado de verdade com o PT. Que a rusga é cênica. Que daqui a pouco PT e PMDB retomarão seu caso de afeto declarando, mais uma vez, amor aos que mais precisam. Sim, o Brasil não é uma nação, é um programa de humor que acabará nos matando de rir.

MUITO ENGRAÇADO – Recentemente, fotografei a placa de inauguração da Superintendência da PF – que está trabalhando certeira – e nela descobri que o prédio foi inaugurado pelo presidente Fernando Collor. E é sim, é muito engraçado.

E de risada em risada, desconfio que Juscelino Kubitschek não criou uma capital em 1960, que Juscelino criou um ninho de ratos, cevados com todos os privilégios nos últimos 57 anos, totalmente imunes à decência. É verdade que a Lava Jato desfalcou e ameaçou o ninho. João Santana, o “Patinhas”, por exemplo, faz falta ao PT saído e ao Temer ficado, porque explicaria com mais elegância o ataque petista à jornalista Myriam Leitão. E esconderia Temer melhor da sociedade, esse vice do PT duas vezes. Como é que o PT aceita um cara tão primário como vice-presidente de uma presidente doidinha?

MARQUETEIROS – Desde os primórdios da civilidade, os lideres políticos foram preparados por pensadores para governar. Alexandre, o Grande, possivelmente foi grande porque teve o filósofo Aristóteles como mestre. O Poder não é uma atividade banal.

Se o “Brazil System” não suporta filósofos, use marqueteiros preparados em humanidades. Chega-se ao poder para confortar milhares de cidadãos que dependem do líder, do chefe para sobreviver e desfrutar das existências. Parece que Temer só pensa nele, em Marcela, em Michelzinho e, no máximo, em Rocha Loures, seu “longa manus”. E com esse “Brazil System”, é claro que o Brasil será, para sempre, um país em crise.

(artigo enviado por João Amaury Belem. A autora, Aninha Franco, é uma jovem escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural)