Diretor do Butantan cobra “dignidade” de Bolsonaro para defender CoronaVac

Atraso no recebimento de insumos pode paralisar a vacinação

Deu no G1

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, cobrou do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ‘dignidade para defender a vacina CoronaVac’ e agilidade do Itamaraty para viabilizar a vinda de matéria-prima da China para dar continuidade à produção do imunizante contra a Covid-19. A fórmula é a única sendo aplicada até o momento na população brasileira.

A declaração foi dada na manhã desta terça-feira, dia 19, em um evento em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que também teve a participação do governador João Doria (PSDB) “Se a vacina agora é do Brasil, o nosso presidente tenha a dignidade de defendê-la e de solicitar, inclusive, apoio, pro seu Ministério de Relações Exteriores na conversa com o governo da China. É o que nós esperamos”, disse Dimas Covas.

TEMOR – O Brasil tem seis milhões de doses prontas da vacina que pode ser fabricada pelo Butantan. Os imunizantes distribuídos aos estados desde segunda-feira, dia 18, vieram do país asiático, sede da farmacêutica Sinovac, parceira do instituto ligado ao governo de São Paulo. O temor é que, sem o insumo, as doses da Coronavac acabem ainda neste mês. Secretários estaduais da Saúde disseram nesta segunda-feira que há risco de o primeiro lote, em alguns estados, só durar uma semana.

O princípio ativo para a produção da vacina é importado da China. O Brasil tem enfrentado dificuldade para a aquisição. Na sede do Butantan, há, ainda, outras 4,8 milhões de doses fabricadas no Brasil, que aguardam a liberação da Anvisa. Sem os insumos a produção pode parar.

“Então, essa demora com relação à vinda dessa matéria-prima, eu espero que fique agilizada agora com a aprovação de uso emergência pela Anvisa, porque agora é outro status, né? E pela própria incorporação da vacina ao Programa Nacional de Imunização”, disse o diretor do Butantan.

Justiça autoriza abertura de investigação criminal contra deputado após denúncia de assédio na Alesp

Decisão acata pedido feito pelo Ministério Público de São Paulo

Mônica Bergamo
Folha

A Justiça de SP autorizou a abertura de uma investigação criminal em face do deputado estadual Fernando Cury por conta do episódio em que ele se aproximou da deputada Isa Penna (PSOL) por trás e apalpou os seios dela em sessão na Assembleia Legislativa de SP (Alesp) no fim de 2020.

A decisão do desembargador João Carlos Saletti acata pedido feito pelo Ministério Público de São Paulo e determina a oitiva de onze parlamentares que presenciaram o fato, como o presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB), Carlos Eduardo Pignatari (PSDB), Erika Malanguinho (PSOL) e Professora Bebel (PT).

DEPOIMENTOS – “Autorizo a Procuradoria-Geral de Justiça a proceder à instrução do procedimento investigatório, mediante a colheita de depoimentos de testemunhas e interrogatório dos investigados”, afirma Saletti no despacho. A ação inicial em defesa de Penna pedindo a instauração de um Inquérito Policial foi movida pelas advogadas Danyelle Galvão e Mariana Serrano.

“Em meio à votação sobre o orçamento do Estado, especificamente quando o requerido [Cury] conversava com o presidente da Casa [Macris], a deputada Isa Penna foi surpreendida com uma apalpada na lateral do seu seio direito, um abraço por trás (que vulgarmente chamamos encoxada) e a aproximação de uma cabeça em direção ao seu pescoço”, narra a defesa da parlamentar.

CONSTRANGIMENTO – “Notadamente incomodada e constrangida, a requerente repeliu o movimento de Fernando Cury, que tentou tocá-la no braço e foi novamente repreendido.”

“É inadmissível que uma mulher –ainda mais em seu ambiente de trabalho, e dentro de um órgão público– seja desrespeitada dessa forma. Mais ainda, é revoltante a tranquilidade que o requerido mostra ao cometer um crime contra a liberdade sexual de sua colega de trabalho, num ambiente público e televisionado”, seguem as advogadas.

É uma covardia Bolsonaro tentar envolver os militares na política, diz Santos Cruz

Para Santos Cruz, Bolsonaro foi irresponsável | Política | Valor Econômico

Ex-ministro reage às declarações levianas de Bolsonaro

Chico Alves
Portal UOL

O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, que foi ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, reagiu com indignação à declaração do presidente sobre o poder dos militares de definir se um país será democrático ou não. “Quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”, disse Bolsonaro.

Procurado pela coluna, Santos Cruz ressalvou que fala apenas em seu próprio nome. Em seguida, fez críticas duras ao comentário presidencial.

É UMA COVARDIA – “Só posso dizer que isso é covardia com a população e com as Forças Armadas, que trabalham e se dedicam às suas atividades, à defesa do Brasil e em auxílio à população em todos os momentos de necessidade, sempre dentro da lei”, afirma o general.

Para Santos Cruz, com essa afirmação a seus apoiadores, Bolsonaro procura novamente forçar a politização indevida dos militares.

“Isso é mais uma tentativa de enganar a população e arrastar as Forças Armadas para o centro de discussões políticas”, acredita.

LIBERDADE, AINDA – Em sua fala neste domingo, o presidente disse também que “no Brasil, temos liberdade ainda”. E completou, em tom de ameaça: “Se nós não reconhecermos o valor desses homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar”.

O general discorda radicalmente dessa avaliação: “A garantia da liberdade e da democracia são instituições fortes. O que enfraquece a democracia é o desprestígio e aparelhamento político das instituições”.

Operação Alcatraz: Presidente da Assembleia de Santa Catarina tem prisão domiciliar decretada

Garcia é investigado por supostos desvios em contratos

Katna Baran
Folha

O presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, deputado Julio Garcia (PSD), foi preso nesta terça-feira, dia 19 na segunda fase da Operação Alcatraz, que apura desvios de verbas em contratos de gestões anteriores do governo estadual. Segundo a assessoria do parlamentar, ele foi levado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos, quando teve a prisão decretada.

Como ele tem mais de 70 anos, a prisão foi convertida em domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Ainda de acordo com a assessoria, o advogado do deputado só vai se pronunciar quando tiver completo acesso aos autos e aos motivos da detenção.

HEMORRAGIA – Nesta fase da operação, denominada Hemorragia, a Justiça Federal emitiu, ao todo, 11 mandados de prisão preventiva, nove de prisão temporária, além de 34 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Florianópolis, Joinville, Biguaçu e Xanxerê. O Ministério Público Federal, que conduz as investigações juntamente com a PF, não confirmou os nomes dos envolvidos.

Segundo o órgão, a Justiça também autorizou o bloqueio de valores e imóveis de 17 investigados e 14 empresas supostamente envolvidas nas fraudes e desvios. Outros 14 veículos, vários classificados como de luxo, foram apreendidos. A Justiça determinou ainda o sequestro de sete imóveis, entre apartamentos, terrenos, casas e vagas em garagem, que estavam em nome de familiares ou empresas relacionadas a um dos suspeitos e de dois veículos por ele utilizados.

SONEGAÇÃO – A investigação teve início em julho de 2018, a partir da constatação de sonegação de impostos com indícios de desvios de verbas públicas apontados pela Receita Federal. O MPF afirma que este “representa o maior esforço de combate à corrupção já ocorrido” em Santa Catarina.

As suspeitas envolvem principalmente a empresa responsável pela gestão do plano de saúde dos servidores estaduais e empresas da área de tecnologia da informação. Por meio de nota, a Secretaria de Administração de Santa Catarina informou que enviou ofício à PF solicitando mais informações sobre os processos em curso e que outras medidas “somente poderão ser adotadas após ciência concreta da situação”.

A investigação apura supostos desvios em contratos de gestões anteriores do governo estadual, entre os anos de 2006 e 2018, firmados por diversas secretarias, principalmente pela pasta da saúde, empresas estatais (Casan, Celesc e Epagri) e pela Assembleia Legislativa.

DESVIOS – Em oito anos, entre 2011 e 2019, os contratos da área da saúde envolveram cerca de R$ 400 milhões. Deste valor, segundo o MPF, ao menos R$ 66,5 milhões foram desviados e pagos em propina para agentes públicos. Já uma das empresas de tecnologia da informação recebeu aproximadamente R$ 76,4 milhões em dez anos, entre 2009 e 2019, e teria desviado ao menos R$ 26 milhões para pagar propina.

As licitações e contratos foram analisados por técnicos do Ministério Público de Contas de Santa Catarina, que cruzaram os dados com elementos obtidos pela Operação Alcatraz. O esquema, conforme o apurado, envolvida fraude e direcionamento de licitações para as empresas previamente escolhidas. As contratações também eram prorrogadas indevidamente, segundo o MPF, beneficiando os investigados.

Os agentes políticos lideravam o esquema, de acordo com o MPF, ou indicavam servidores públicos e/ou apadrinhados para cargos estratégicos para poder interferir nas licitações. O desvio de verbas era acobertado por meio de empresas de fachada, contratações fictícias e “volumosos” saques de dinheiro em espécie, segundo a investigação.

ESQUEMA – Segundo Rodrigo Muller, chefe da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros da Polícia Federal de Santa Catarina, integrantes do primeiro escalão de governos anteriores atuavam no esquema. Este é o quinto mandato de Garcia na Assembleia catarinense. Ele também já foi conselheiro do Tribunal de Contas do estado.

Em setembro do ano passado, ele e outras cinco pessoas foram denunciadas pelo MPF por lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Alcatraz. Na ocasião, a defesa dele afirmou “que a denúncia é especulativa e baseada em suposições”.

PGR apresenta manifestação ao STF sobre uso da Abin para orientar defesa de Flávio Bolsonaro

Charge do Duke (domtotal.com)

Deu no G1

A Procuradoria-Geral da República (PGR) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, dia 18, relatório sobre o primeiro mês de investigação da suposta produção de relatórios, pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para orientar a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos -RJ) na tentativa de anular as investigações do caso das rachadinhas.

No documento, a PGR informa que notificou o jornalista Guilherme Amado, da revista “Época”, para que apresente os documentos citados nas reportagens que revelaram o caso, publicadas em dezembro. As matérias publicadas pela revista “Época” afirmam que a Abin, ligada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, ajudou a defesa de Flávio Bolsonaro em assuntos privados do senador.

MEDIDAS – A intimação do jornalista foi comunicada pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, à ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia – que determinou a investigação do caso em dezembro. Ao pedir a apuração, a ministra também solicitou que Aras informasse as medidas tomadas após um mês.

Segundo o relato de Aras ao STF, a Abin e o GSI afirmaram à PGR que não patrocinaram interesses particulares do senador Flávio Bolsonaro. Esse comunicado foi feito dentro de uma apuração preliminar aberta pela PGR para analisar os fatos.

“Foi ainda expedida notificação ao jornalista Guilherme Amado, para que, no prazo de cinco dias úteis, apresente à PGR, resguardado o sigilo da fonte, constitucionalmente protegida, os relatórios de orientação supostamente produzidos pela Abin”, escreveu Aras.

SIGILO – O jornalista não é obrigado a entregar o material – a Constituição assegura o sigilo da fonte quando ele é necessário ao exercício profissional, como é o caso do jornalismo. De acordo com interlocutores, Aras avalia que não é possível avançar na apuração sem que se comprove a existência do material.

A PGR afirma que, se necessário, ouvirá as advogadas Luciana Pires e Juliana Bierrenbach após a resposta do jornalista. Elas são citadas nas reportagens como responsáveis por ter acionado o GSI.

OS DOCUMENTOS – Segundo “Época”, nos documentos, a Abin especifica a finalidade de “defender FB [Flávio Bolsonaro] no caso Alerj [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro]”; sugere a substituição dos “postos”, em referência a servidores da Receita Federal; e traça uma “manobra tripla” para tentar conseguir os documentos que a defesa do senador espera.

Os relatórios apontam a existência de um suposto esquema criminoso na Receita para fornecer dados de Flávio que embasassem o inquérito da rachadinha (desvio de salários de funcionários do gabinete).

A autenticidade e a procedência dos documentos foram confirmadas à “Época” pela defesa do senador. De acordo com a revista, os relatórios da Abin foram enviados em setembro, por WhatsApp, a Flávio Bolsonaro, que os repassou aos seus advogados.

CONTRADIÇÃO – Os documentos contradizem a declaração do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em 23 de outubro, quando outra reportagem da revista “Época” revelou que órgãos do governo se mobilizaram em busca de elementos que permitissem a anulação das investigações envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motorista de Flávio, além de amigo do presidente Bolsonaro.

Na ocasião, o GSI confirmou ter sido procurado pelas advogadas do parlamentar, mas declarou que as denúncias apresentadas pela defesa se mostraram um tema interno da Receita e que, respeitando suas atribuições legais, não realizou qualquer ação. Nesta sexta, o GSI reiterou essa versão.

Desde julho de 2019, a Abin tem como diretor-geral Alexandre Ramagem. Em abril deste ano, ele chegou a ser indicado pelo presidente Bolsonaro para comandar a Polícia Federal. No entanto, a nomeação foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

EXONERAÇÃO – Bolsonaro havia nomeado Ramagem para a PF após exonerar Maurício Valeixo do cargo. A saída de Valeixo motivou o pedido de demissão de Sergio Moro, então ministro da Justiça. Moro deixou o cargo afirmando que Bolsonaro tentava interferir na corporação.

Flávio Bolsonaro foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como chefe de uma organização criminosa num esquema de rachadinha na época em que era deputado estadual, de 2003 a 2018. A força-tarefa apurou, até agora, que houve um desvio de cerca de R$ 6 milhões no gabinete de Flávio na Alerj.

QUEIROZ – Um dos principais funcionários investigados no esquema é Queiroz. Segundo o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), ele movimentou em sua conta – de maneira considerada “atípica” – R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Queiroz foi preso em junho deste ano e está em prisão domiciliar desde o mês seguinte.

Flávio Bolsonaro nega todas as acusações, diz ser vítima de perseguição e critica o vazamento das informações do processo, que corre em segredo de Justiça. Os advogados do senador vêm alegando que a Receita acessou ilegalmente os dados dele.

Gilmar Mendes suspende inquérito que investiga desembargador da carteirada em Santos, SP

Charge do Nando Motta (Arquivo do Google)

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
G1 / TV Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que investiga o desembargador Eduardo Siqueira, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Em julho do ano passado, Siqueira foi flagrado humilhando um guarda municipal de Santos, no litoral de São Paulo, após ter sido multado por não utilizar máscara enquanto caminhava pela praia.

A ação do desembargador foi filmada pelos guardas. As imagens mostraram que ele rasgou a multa e chamou um dos agentes de analfabeto. “Leia bem com quem o senhor está se metendo”, disse Siqueira ao guarda, mostrando um documento.

DESCULPAS – Cinco dias após o episódio, Siqueira divulgou uma nota, na qual pediu desculpas e disse que o trabalho do guarda foi “irrepreensível”. Diante da conduta, ele passou a ser alvo de um processo administrativo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e foi afastado no fim de agosto.

Já os guardas municipais Cícero Hilário, de 36 anos, e Roberto Guilhermino, de 41, que foram alvos da ação do desembargador, foram homenageados pelo então prefeito da cidade, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), e receberam medalhas por conduta exemplar.

PEDIDO DA DEFESA – Mendes atendeu a um pedido da defesa do desembargador. O ministro entendeu que há indícios de violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa durante o julgamento do STJ que autorizou a abertura de inquérito para apurar se Siqueira cometeu crime de abuso de autoridade e se houve infração de medida sanitária por parte do magistrado.

Os advogados alegaram ao STF que o julgamento da Corte Especial do STJ, que reúne os ministros mais antigos da Corte, começou sem que a defesa fosse intimada para se manifestar sobre o recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) para manter a investigação.

Inicialmente, o ministro Raul Araújo, relator do pedido, rejeitou a abertura do inquérito requerida pela PGR. Segundo o ministro, não ficou configurado o delito de abuso de autoridade, uma vez que tal crime exigiria que o agente invocasse a condição de funcionário público para descumprir obrigação prevista em lei. A PGR questionou o entendimento do ministro e, por 10 votos a 3, a Corte autorizou a investigação pedida pelo Ministério Público Federal.

ANULAÇÃO – Em decisão publicada nesta segunda-feira, dia 18, Gilmar paralisou a apuração até que o Supremo decida sobre o pedido para anular a abertura do inquérito. O desembargador deveria ter prestado depoimento na sexta-feira, dia 15.

“A iminência do início da instrução do inquérito [depoimento] precipita o risco de ocorrência de prejuízos de difícil reparação ao paciente [desembargador], afigurando-se prudente a suspensão do procedimento administrativo até que as razões verossimilhantes de mérito da impetração sejam oportunamente apreciadas”, escreveu o ministro.

PERSEGUIÇÃO –  Após o episódio na praia, a defesa de Siqueira afirmou que, na ocasião, o magistrado foi “perseguido e ilegalmente filmado pela Guarda Civil Municipal de Santos”. O desembargador também afirma ter sido vítima de uma armação no episódio em que foi filmado chamando o GCM de ‘analfabeto’, rasgando a multa, jogando o papel no chão e, por fim, dando uma ‘carteirada’ ao telefonar para o secretário de Segurança Pública do município, Sérgio Del Bel, para que o mesmo ‘intimidasse’ o guarda municipal.

“Acabou sendo vítima de uma armação, um flagrante preparado, engendrado pelo guarda municipal autor [da ação indenizatória] e seu colega Roberto, que sabia das abordagens anteriores, especialmente da última, quando, pela primeira vez, houve uma altercação”, cita a defesa do magistrado na contestação.

Siqueira aponta, também, que se exaltou com o guarda municipal após “sucumbir à provocação”. Segundo a defesa, o magistrado sofre de “mal psiquiátrico, sendo acompanhado por médico de alta capacidade há alguns anos, que lhe prescreveu medicamentos para controle de seu estado emocional, alguns de uso controlado”. Na ocasião, no entanto, Siqueira estava “há algum tempo privado de adequada medicação, causando-lhe descompensação”.

STF diz que não proibiu governo de agir na pandemia e desmente Bolsonaro

Charge do Bira (humorpolitico.com.br)

Rayssa Motta
Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) reagiu nesta segunda-feira, dia 18, às declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que, na esteira do colapso do sistema de saúde em Manaus, culpou os ministros pela ausência de atuação direta do governo federal no combate à pandemia da covid-19 em Estados e municípios.

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social negou que o tribunal tenha proibido o Planalto de agir para conter a disseminação da doença. “É responsabilidade de todos os entes da federação adotarem medidas em benefício da população brasileira no que se refere à pandemia”, diz o texto.

AUTONOMIA – A manifestação esclarece que o plenário apenas deu autonomia a Estados e municípios para, levando em conta o contexto local, determinarem medidas de isolamento social e enfrentamento ao novo coronavírus.

Ao longo da pandemia, o tribunal foi acionado em diversos impasses travados entre governos municipais, estaduais e federal na definição de ações para o controle da doença. Isso porque, enquanto a maioria dos governantes locais defendiam o isolamento como estratégia mais eficaz para frear o avanço do vírus, Bolsonaro insistia na reabertura da economia. Em um segundo momento, os entraves em torno de tratamentos e da obrigatoriedade da vacinação também foram judicializados.

“O Plenário decidiu, no início da pandemia, em 2020, que União, estados, Distrito Federal e municípios têm competência concorrente na área da saúde pública para realizar ações de mitigação dos impactos do novo coronavírus. Esse entendimento foi reafirmado pelos ministros do STF em diversas ocasiões”, afirma a nota do STF.

“NA PRAIA” – Embora não cite o presidente, a manifestação foi divulgada depois que Bolsonaro se disse ‘impedido’ de atuar no combate à doença por determinação do tribunal. Segundo o presidente, pelo Supremo, ele deveria ‘estar na praia tomando uma cerveja’.

“Vou repetir aqui: que moral tem João Doria e Rodrigo Maia em falar em impeachment se eu fui impedido pelo STF de fazer qualquer ação contra a pandemia?”, afirmou na sexta-feira, 15, em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, na TV Band.

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MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL:

“A Secretaria de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal (STF) esclarece que não é verdadeira a afirmação que circula em redes sociais de que a Corte proibiu o governo federal de agir no enfrentamento da pandemia da Covid-19.

Na verdade, o Plenário decidiu, no início da pandemia, em 2020, que União, estados, Distrito Federal e municípios têm competência concorrente na área da saúde pública para realizar ações de mitigação dos impactos do novo coronavírus. Esse entendimento foi reafirmado pelos ministros do STF em diversas ocasiões.

Ou seja, conforme as decisões, é responsabilidade de todos os entes da federação adotarem medidas em benefício da população brasileira no que se refere à pandemia.”

Candidatos a prefeito que concorriam sem adversários receberam R$ 1,7 milhão de fundos públicos

Facebook

Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

Paulo Batistella
Folha

Fontes públicas de financiamento de campanhas, os fundos eleitoral e partidário distribuíram, juntos, cerca de R$ 1,7 milhão para candidatos a prefeito que concorriam sozinhos em 2020 e que, portanto, só precisavam de um voto válido cada para se eleger.

A eleição municipal contou com 106 chapas do tipo, das quais 68 foram agraciadas com recursos públicos, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A essas foram cedidos R$ 1.735.898, a maior parte proveniente do fundo eleitoral (92,23%), que colocou ao todo R$ 2,035 bilhões no pleito de 2020.

PRESTAÇÃO DOS ELEITOS – Tabulados pela Folha, os números aparecem nas contas declaradas pelos candidatos à Justiça Eleitoral. A prestação dos eleitos em primeiro turno foi encerrada no dia 15 de dezembro; no entanto, os dados não têm consolidação automática e podem sofrer variações, segundo o TSE.

Mesmo com a vitória garantida, os candidatos únicos, de municípios que têm, segundo projeções do IBGE, entre 982 e 36.881 habitantes, não economizaram verba pública em santinhos, adesivos, jingles e lives. Gastaram ainda no apoio às candidaturas a vereador de aliados e com assessorias jurídica e contábil.

Entre as candidaturas isoladas, a que recebeu maior repasse público foi a da prefeita Larissa Rocha (PSD), reeleita em Tenente Ananias (RN), de 10.855 habitantes, com R$ 100 mil cedidos pelo fundo eleitoral e integralmente gastos pela então candidata.

VÍDEOS E LIVES – Ela destinou a maior parte (R$ 76,6 mil) às redes sociais, com vídeos e lives superproduzidas em que costumava minimizar o fato de ser candidata única e pedia comparecimento às urnas, o que deu resultado: recebeu 4.510 votos e terá cinco correligionários entre os sete vereadores na Câmara Municipal.

O prefeito reeleito de Jupi (PE), Marcos Patriota (DEM), aparece em segundo entre os candidatos isolados que tiveram aporte público, com R$ 90.040,10 recebidos do fundo partidário. Em meio à pandemia da Covid-19, ele também se concentrou na campanha digital, à qual destinou R$ 50 mil.

Em terceiro, aparece Moises Aparecido de Souza (PSD), conhecido como Professor Moises, reeleito para mais quatro anos à frente da Prefeitura de Catanduvas (PR). Ele recebeu R$ 75 mil do fundo eleitoral e tem declarado como sobras R$ 5.648,23.

REPASSES – O prefeito dividiu os gastos entre materiais gráficos e repasse aos candidatos a vereador de sua coligação, que incluiu também PSC, PL e PT, além de ter credenciado 28 fiscais, que receberam R$ 100 cada, para acompanhar a votação no município de 10.167 habitantes.

Na sequência do ranking das candidaturas isoladas com maior aporte público, aparecem Matheus Martins (PSB), reeleito em Terezinha (PE), e a prefeita eleita de Jurema (PI), Kaylanne Oliveira (MDB), que receberam R$ 70 mil e R$ 65 mil, respectivamente. Ambos concentraram gastos em santinhos e adesivos. No caso de Martins, há declarada uma sobra do fundo eleitoral, de R$ 472,12, o que não há nas contas de Kaylanne, que, entre suas despesas, tem R$ 10,3 mil destinados para a compra de fogos de artifício.

Candidatos únicos que não tiveram apoio dos fundos também tiveram gastos, mas em menor medida. Entre eles, a média de despesas contratadas foi de R$ 19.705,37, menos da metade do que de quem recebeu dinheiro público, que contratou R$ 41.457,71.

DEVOLUÇÃO – Os candidatos agraciados com o aporte não precisavam necessariamente usar todo o montante recebido. No caso da verba do fundo eleitoral, o que não fosse gasto deveria ser devolvido à União. Até então, do valor cedido às candidaturas únicas, apenas R$ 31.992,46 constam como sobras de campanha.

O repasse do dinheiro público a elas atendeu às regras dos próprios partidos, que tiveram, a depender de sua representatividade no Congresso, maior fatia do fundo eleitoral, criado em 2017 para suprir a proibição de doações privadas e de pessoas jurídicas. A única exigência do TSE é que houvesse aplicação proporcional para mulheres e negros.

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OS MAIORES REPASSES DOS FUNDOS PÚBLICOS ÀS CANDIDATURAS ÚNICAS

1. Larissa Rocha (PSD), Tenente Ananias (RN) – R$ 100.000

2. Marcos Patriota (DEM), Jupi (PE) – R$ 90.040

3. Professor Moises (PSD), Catanduvas (PR) – R$ 75.000

4. Matheus Martins (PSB), Terezinha (PE) – R$ 70.000

5. Kaylanne Olivera (MDB), Jurema (PI) – R$ 65.000

6. Domingos de João Nobre (DEM), Diogo de Vasconcelos (MG) – R$ 64.000

7. Toninho de Caridade (PSD), Caridade do Piauí (PI) – R$ 60.000

8. Ze Willian (PL), Panamá (GO) – R$ 60.000

9. Ailton Guimarães (Avante), Nova União (MG) – R$ 56.124

10. Edson Vilela (PSB), Carmo do Cajuru (MG) – R$ 50.000

10. Glairton Cunha (PP), Jaguaretama (CE) – R$ 50.000

10. Professor Volmar (PSL), Salgado Filho (PR) – R$ 50.000

CANDIDATOS FALAM EM LEGITIMIDADE E APOIO A VEREADORES

A Folha tentou contato com cada um dos prefeitos citados através do email e redes sociais informados por eles próprios à Justiça Eleitoral. Também procurou por email e telefone os diretórios partidários estaduais de cada um, além de telefonar, no caso dos reeleitos, às prefeituras envolvidas.

No caso da prefeita Larissa Rocha (PSD), a Folha obteve apenas posicionamento da direção nacional de seu partido, que se limitou a pontuar que o repasse dos recursos dos fundos públicos foi definido pelas instâncias partidárias locais.

LEGALIDADE – Professor Moises (PSD) reforçou a legalidade da verba recebida e afirmou ter visto necessidade em usá-la para estimular as candidaturas a vereador de sua coligação, tal como Ailton Guimarães (Avante), que disse ainda ter recusado repasse maior oferecido por deputados.

Glairton Cunha (PP) e Professor Volmar (PSL) pontuaram, ambos em nota, justificativas parecidas. Volmar ainda negou ver desperdício nos gastos e disse só ter tido certeza certeza de que seria candidato único na semana da eleição, quando a Justiça Eleitoral indeferiu, em terceira instância, pedido de registro de coligação adversária, por descumprimento de prazos eleitorais.

Ze Willian (PL), que também justificou a aplicação do aporte público no apoio a aliados que concorriam à Câmara Municipal, disse ser um desperdício precisar concorrer na condição de candidato único: “Deveria mudar a lei, para quando for assim, já ser aclamado vencedor”.

“RESULTADO ROBUSTO” – Domingos de João Nobre (DEM) afirmou ter usado todo o recurso na tentativa de obter um resultado robusto, o que, na avaliação dele, daria maior legitimidade ao governo. “Por ser uma cidade muito pequena, o que conta é peso de urna. Já pensou se eu fosse eleito só com o meu voto? Eu queria ter todos os votos”, disse o prefeito do município com 3.790 habitantes.

Edson Vilela (PSB) apontou argumento semelhante. “Sem votação expressiva, a representatividade da autoridade municipal seria modesta e frágil”, disse, em nota. Também em nota, Toninho de Caridade (PSD) disse que, independentemente de não ter tido concorrentes, as contas atendem ao limite e aplicações previstas na norma eleitoral.

No último dia de Casa Branca, Trump está isolado, furioso e escolhendo a quem perdoar…

Assim é a vida do presidente Trump: vive sozinho, é viciado em televisão e não lê livros | Internacional | EL PAÍS Brasil

Um final melancólico para o presidente que roubava atenções

Steve Holland, Jeff Mason, Matt Spetalnick e Andrea Shalal
Reuters/O Globo

Os últimos dias de Donald Trump na Casa Branca têm sido marcados por raiva e turbulência, segundo mais de 12 funcionários ouvidos. Assessores do presidente o descrevem como cada vez mais iracundo, inquieto e isolado. Um deles disse estar fazendo “o melhor que pode para manter tudo sob controle até que Biden assuma o poder”.

Trump assistiu na última quarta a parte do debate sobre o seu segundo processo de impeachment na TV e ficou irritado com os 10 deputados republicanos que votaram contra ele.

TRAIÇÃO REPUBLICANA – Pouco antes, ele passara por uma ruptura com seu vice-presidente, Mike Pence, pela saída de auxiliares do primeiro escalão, por um número pequeno, mas crescente, de parlamentares republicanos virando-lhe as costas, pelo banimento no Twitter e em outras redes sociais, e por uma série de corporações se recusando a fazer negócios com sua empresa.

Trump dedica muito tempo a desabafar com auxiliares e confidentes, mas também a uma questão prática: como aplicar seu poder de conceder perdões antes do fim de seu mandato. A maior dúvida é se ele concederá um perdão sem precedentes a si mesmo e a seus parentes antes de deixar o cargo.

As chances de Trump fazer tal movimento, inédito e de legalidade duvidosa, podem ter se multiplicado depois do discurso de 6 de janeiro, no qual ele incitou seus apoiadores a “lutarem” por ele.

VIU TUDO PELA TV – O presidente, disseram assessores, pretendia marchar até o Capitólio, mas foi dissuadido pelo Serviço Secreto, que afirmou que não teria como garantir a sua segurança. Enquanto seus seguidores seguiam para o Congresso, Trump voltou para a Casa Branca, onde assistiu à invasão pela TV bastante agitado.

Nas semanas anteriores, ninguém o convencera a reconhecer a derrota. Seus conselheiros achavam que Trump poderia se tornar uma força majoritária no Partido Republicano nos próximos anos, formando uma dinastia e, possivelmente, retornando ele próprio em 2024. Seu futuro político agora pode estar em perigo, e seu humor só piorou desde então.

Irritou-o particularmente a decisão do Twitter de suspender permanentemente sua conta. Conforme tentava, sem sucesso, voltar para o site, seu genro e conselheiro, Jared Kushner, ajudou a impedir uma tentativa de outros assessores de inscrevê-lo em sites de mídia social de extrema direita, acreditando que não eram o melhor veículo para o presidente.

PENCE, O EX-AMIGO – Os atuais e ex-funcionários da Casa Branca dizem que ficaram horrorizados com a forma como Trump tratou seu Mike Pence, que sempre lhe foi leal. Eles ficaram magoados com as críticas do presidente e a insistência falsa de que o vice-presidente poderia intervir para anular os resultados do Colégio Eleitoral.

Na última segunda-feira, os dois se encontraram sozinhos no Salão Oval, provavelmente após esforços da filha Ivanka Trump e seu marido Kushner. No dia seguinte, Pence disse à presidente democrata da Câmara, Nancy Pelosi, que não aplicaria a 25ª Emenda da Constituição dos EUA, para destituir o presidente por incapacidade.

ALVOS DA JUSTIÇA – As decisões sobre uma rodada final de perdões presidenciais devem ocupar grande parte dos poucos dias restantes de Trump no cargo.

Nas últimas semanas, ele perdoou aliados condenados na investigação sobre e intromissão russa na eleição de 2016, agentes de segurança privada condenados por matar civis iraquianos e o pai de Kushner, Charles, um incorporador imobiliário condenado a dois anos de prisão após se declarar culpado em 2004 por sonegação fiscal e outros crimes.

Trump e sua família podem se tornar eles mesmos alvos de investigações jurídicas, incluindo em Nova York, ligadas a impostos e negócios. Um funcionário da Casa Branca sugeriu que o ato final de Trump como presidente poderia ser um perdão preventivo para membros da família e para ele mesmo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Perdoar a si mesmo será a gota d’água para a desmoralização total e absoluta. E ele merece isso. (C.N.)

Mourão diz que “Forças Armadas não estão comprometidas com nenhum projeto ideológico”

Mourão, mais uma vez, minimiza as declarações estapafúrdias de Bolsonaro

Pedro Henrique Gomes
G1

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta terça-feira, dia 19, que a democracia fica comprometida se as Forças Armadas forem “indisciplinadas” ou comprometidas com “projetos ideológicos”. Mourão foi questionado por jornalistas, na chegada ao Palácio do Planalto, sobre a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”.

“O presidente já tocou neste assunto várias vezes. É óbvio que se você tiver Forças Armadas indisciplinadas ou comprometidas com projetos ideológicos, a democracia fica comprometida, né? Não é o caso aqui no Brasil, obviamente. Mas nós temos nosso vizinho aí, a Venezuela, que vive uma situação dessas aí”, afirmou Mourão.

DISCIPLINA – O vice-presidente afirmou que as Forças Armadas no Brasil são disciplinadas e não têm lado político. “As Forças Armadas são totalmente despolitizadas. Não estão comprometidas com nenhum projeto ideológico. As Forças Armadas estão comprometidas com a missão delas. Já foi dito isso, várias vezes, pelo ministro da Defesa e pelos comandantes de Força”, completou o vice.

O vice-presidente foi questionado se as críticas ao trabalho do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não poderiam desencadear críticas às Forças Armadas. Pazuello é general da ativa do Exército Brasileiro. “Qualquer militar sempre é visto com representante das Forças. A situação do ministro Pazuello como ministro da Saúde: ele vem procurando as melhores soluções para essa crise da pandemia. Óbvio que isso tem pontos a favor e pontos que são contra a gestão dele”, afirmou Mourão.

ATRASO – Mourão disse ainda que não viu como erro o atraso em alguns voos com carregamento de vacina para os estados nesta segunda. “Eu acho que não deu errado. Vamos lembrar o que o ministro já tinha falado algumas semanas atrás: que a partir do momento que a vacina fosse aprovada, se levaria de dois a três dias para que ela tivesse colocada em todos os pontos do Brasil”, disse.

Segundo Mourão, houve uma expectativa que a vacina chegaria de que a vacina chegaria “da noite para o dia” em todos os lugares do Brasil, o que não corresponde à realidade.

Coordenador desmente Pazuello: Manaus faz tratamento precoce, mas não está resolvendo

Médico diz que segunda onda de Covid-19 em Manaus 'aniquila' e desmente Bolsonaro

Médico da UTI  avisa que essa segunda onda é devastadora

Deu no UOL

O coordenador da UTI do Hospital Getúlio Vargas, em Manaus, no Amazonas, Anfremon Neto, fez um desabafo nas redes sociais ontem diante da negação do Governo Federal sobre o quadro crítico que as unidades de saúde locais enfrentam. O médico alegou que todos os pacientes que ele atendeu fizeram uso precoce de medicamentos recomendados pelo Ministério da Saúde sem eficácia comprovada e também alertou sobre a segunda onda da pandemia no Brasil “ainda vai levar muitas vidas”.

As declarações do médico contrariam o que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou sobre as razões que teriam agravado a pandemia no estado.

50 PACIENTES/DIA – Nas imagens compartilhadas, Anfremon diz que atende cerca de 50 pacientes infectados pela covid-19 por dia nas UTIs de Manaus. “Eu sei, todos eles fizeram tratamento precoce. Todos eles fizeram azitromicina, ivermectina, que é o mais atual, alguns fizeram anita, até mesmo cloroquina. Tudo aquilo que é preconizado como tratamento precoce foi feito. Alguns doentes utilizaram corticoide em casa, sem ter sintomas respiratórios, o que nem é legal fazer. Tem que ter critério para começar as coisas”, explicou.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) alegou hoje de manhã que o governo fez a sua parte para evitar o colapso da saúde em Manaus “com recursos, meios”. O ministro Eduardo Pazuello, disse que a situação do estado é fruto da ausência de “tratamento precoce”. No entanto, o médico alerta que as pessoas que estão infectadas pela covid-19 em Manaus estão seguindo as recomendações sobre medicamentos feitas pela pasta, mas ainda assim estão lotando as Unidades de Terapia Intensiva.

ESTOQUE EM CASA – “Eles sabem, já compram, fazem estoque em casa e começam a tomar sozinhos. Então, gente, quem for ver esse vídeo: não é falta de tratamento precoce. Isso é sacanagem com a gente que trabalha aqui. Dizer que o que tá acontecendo aqui é falta de tratamento precoce”. Ao finalizar a mensagem, o coordenador de UTI Anfremon Neto disse que perdeu muitos amigos e que a “situação lastimável” que acontece no Amazonas pode ser o cenário futuro do Brasil.

“O que está acontecendo aqui, não quero jogar praga pra ninguém, não desejo que isso se repita em outros locais. O que a gente passou hoje, eu não gostaria que ninguém passasse. Mas acho que o governo ao invés de fazer manobras evasivas e dizer que tá tudo tranquilo, tá tudo bem, tem que preparar o país para a segunda onda. Se preparem para a segunda onda, porque ela é devastadora. Ela é cruel e vai levar muitas vidas. Perdi muitos amigos, estou perdendo colegas de trabalho. Enfim, tudo isso é lastimável, infelizmente’. Críticas

COMENTÁRIOS – O vídeo foi compartilhado nas redes do doutor em microbiologia Atila Iamarino, que fez comentários sobre o caso.

“Colocar a culpa nos profissionais de saúde por não receitarem isso ou recomendar isso como saída é chancelar massacre”, disse o divulgador científico.

O número de infectados pelo novo coronavírus em Manaus tem aumentado. Hospitais estão enfrentando dificuldades para conseguir cilindros de oxigênio para todas as alas de tratamento e não apenas para os pacientes de covid. A Força Aérea Brasileira enviou pacientes com covid-19 de Manaus para outros estados.

Parlamentares reagem à afirmação de Bolsonaro sobre as Forças Armadas e a democracia

Mourão diz que Bolsonaro foi 'mal interpretado' em fala sobre Forças Armadas e democracia | Política | G1

Não é a primeira vez que ele diz bobagens sobre os militares

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

Deputados usaram suas redes sociais para comentar as declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, que afirmou nesta segunda-feira, 18, em conversa com apoiadores no Palácio do Planalto, que “quem decide se o povo vai viver em uma democracia ou ditadura são suas Forças Armadas”.

O ex-relator da reforma da Previdência, deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP), disse que o presidente instiga a opinião pública a fim de criar desordem.

CRIAR CONFUSÃO – “É um irresponsável que cultiva o hábito de provocar a opinião pública, com o objetivo de criar confusão, porque é na confusão que ele pensa reinar. Quem garante a democracia é a Constituição”, afirmou.

Moreira também pediu que o Bolsonaro “pare de bla-bla-blá e comece a governar”.

Para o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), o presidente representa uma “ameaça à democracia ao dizer que ela é uma concessão dos militares e não uma conquista da sociedade brasileira”. O deputado também defende que as funções das Forças Armadas estão relacionadas “a defesa do território e da soberania, mas elas não têm o papel de escolher se teremos ou não eleições”.

NA CONSTITUIÇÃO – Rodrigo de Castro (PSDB), deputado federal por Minas Gerais, afirmou que o papel das Forças Armadas está definido pela Constituição. “A história nos mostra que toda vez que as Forças Armadas extrapolaram a sua missão, a experiência foi extremamente negativa”, afirmou.

Para o parlamentar, a democracia brasileira precisa ser fortalecida diariamente. “Não há espaço para retrocessos e, sequer, para suposições ou ameaças de que as Forças Armadas poderiam atuar em sentido contrário”, concluiu.

ESTÁ ACUADO – Já a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) disse que o presidente está “derrotado e acuado na guerra da vacina”, além de defender que, com as declarações, Bolsonaro “volta a flertar com o golpismo e o autoritarismo”. “O povo quer a democracia e o seu impeachment!”, disse Kokay.

Da mesma forma, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirma que Bolsonaro está “rastejando na sarjeta” e “ventila mais uma baboseira polêmica para ganhar relevância”. A deputada conclui: “Pelo que todo mundo vê, o sr. é uma vergonha. E as Forças são do Estado, não apenas de um governo, como o seu fracassado”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro está delirando. As Forças Armadas não estão nem aí para o que ele diz. Se o presidente vai sofrer impeachment ou não, isso é problema dos civis. Os militares só intervirão se houver desordens, mas o farão apenas topicamente, sem ditatorizar o país. (C.N.)

Incompetência, negacionismo e morosidade despencam popularidade de Bolsonaro em redes sociais

Charge do Jota A. (portalodia.com)

Vera Rosa
Estadão

Na virada do ano, o presidente Jair Bolsonaro cruzou o Cabo das Tormentas e iniciou a segunda metade de seu mandato com a aprovação em queda nas redes sociais. A popularidade de Bolsonaro nas mídias digitais já vinha caindo e é atribuída por analistas dessas plataformas a uma tempestade perfeita que vai da economia à política, mas, principalmente, ao imbróglio relacionado à demora para a vacinação contra o novo coronavírus.

Com todo o mundo se imunizando e o Brasil no fim da fila, Bolsonaro paga o preço de seus desacertos e tenta vencer a crise no gogó, o que tem provocado pânico na equipe de comunicação. “Estou há quatro meses apanhando por causa da vacina”, disse Bolsonaro a apoiadores.

DEBOCHE – “Entre eu e a vacina tem a Anvisa. Eu não sou irresponsável. Não estou a fim de agradar quem quer que seja”, emendou ele. O presidente ironizou a taxa de eficácia da Coronavac, de 50,38%, comprada pelo governo de São Paulo, sob o comando de João Doria (PSDB), seu rival político.

A vacina é produzida pelo Instituto Butantã, de São Paulo, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. “Essa de 50% é uma boa? Agora estão vendo a verdade”, provocou o presidente. Doria aproveitou a deixa para dar uma estocada no adversário. “Enquanto brasileiros perdem vidas e empregos, Bolsonaro brinca de ser presidente”, reagiu o tucano.

Bem longe do palanque montado para a disputa presidencial de 2022, porém, está a triste realidade. O estoque de oxigênio acabou em hospitais de Manaus, levando pacientes à asfixia, mais de 200 mil brasileiros já morreram em consequência dos efeitos da covid-19 e o País não consegue sair da crise.

“DIA D E HORA H” – Nesta quinta-feira, 14, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse a prefeitos que o “Dia D e a Hora H” para o início da vacinação será o próximo dia 20 – por coincidência, a mesma data da posse do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

O revés sofrido por Bolsonaro nas redes sociais, no entanto, não se resume ao impasse sobre a aquisição da vacina. Monitoramento em tempo real feito pela empresa AP Exata indica que a queda da popularidade do presidente no mundo virtual ocorre de forma consistente desde 6 de dezembro do ano passado e já ultrapassa 20 pontos. Nesta quinta-feira, 14, por exemplo, o número de menções positivas sobre Bolsonaro está em 36% e o de negativas chega a 64%.

A contestação a Bolsonaro cresce entre liberais e perfis ligados ao mercado financeiro. A pesquisa da AP Exata indica que existe, ainda, um ambiente de “falta de paciência” para o vaivém do governo na condução da economia e pressão por privatizações que não saem do papel. Cresce a percepção de que o presidente está mais preocupado em tomar medidas populistas para se reeleger e não dá trela ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

QUEDA DE BRAÇO – Enquanto isso, Bolsonaro continua sua queda de braço com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pede votos para o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), chefe do Centrão. A eleição que vai escolher os novos presidentes da Câmara e do Senado está marcada para fevereiro. O resultado desse confronto é o embrião da correlação de forças que pode se formar para a disputa de 2022 contra Bolsonaro.

Em outra frente da batalha, bolsonaristas que convivem com o chefe do Executivo incentivam os seguidores a migrar para mídias alternativas. Desde que Donald Trump foi derrotado por Biden na eleição para a Casa Branca e banido do Twitter após a invasão do Capitólio promovida por seus discípulos, Bolsonaro e ministros aderiram ao Telegram. Mesmo assim, não saíram dos canais de comunicação tradicionais, sob o argumento de que não podem professar sua fé apenas em “guetos”, como disse o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins.

“(…) Temos que brigar para fortalecer e popularizar plataformas alternativas sem deixar de brigar para preservar nosso espaço em plataformas tradicionais, nas quais há muita gente que não pode ser deixada à mercê da desinformação e das narrativas de esquerda”, escreveu Martins no Twitter.

TÁTICA  – Na tentativa de puxar seguidores para o Telegram, o assessor Tercio Arnaud Tomaz – que integra o “gabinete do ódio” no Planalto e foi apontado pelo Facebook como responsável pela administração de perfis falsos – tem usado essa plataforma para divulgar conversas de Bolsonaro com eleitores.

Agora, a ala ideológica também faz apelos para que aliados do governo entrem em mídias como DuckDuckGo, no lugar do Google, e MeWe, em substituição ao Facebook, que suspendeu Trump. Nada disso, porém, resolverá a crise da comunicação enquanto o presidente não começar a governar, deixando para trás o Cabo das Tormentas.

Itamaraty adota oficialmente a teoria conspiratória do ‘globalismo’, de Olavo de Carvalho

TRIBUNA DA INTERNET | Brasil diz à ONU que não houve golpe em 64 e militares afastaram ameaça comunista e terrorista

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Leandro Prazeres
O Globo

O “globalismo”, controverso conceito usado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, passou, oficialmente, a fazer parte do curso de formação de diplomatas do Instituto Rio Branco, vinculado ao Itamaraty. O GLOBO analisou as ementas dos cursos ministrados entre 2009 e 2020 e constatou que os termos “globalismo” e “globalista”, denotando uma suposta conspiração global para acabar com a soberania dos países, entraram na grade curricular dos futuros diplomatas a partir de 2019, primeiro ano da gestão de Araújo no comando do Itamaraty.

A formação acadêmica dos diplomatas brasileiros voltou a chamar atenção na semana passada depois que o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que colocou o Instituto Rio Branco diretamente subordinado ao chanceler. Antes, o comando do órgão, responsável pelos concursos e formação dos diplomatas, ficava sob a estrutura da Secretaria de Comunicação e Cultura do Itamaraty.

COM VIÉS NEGATIVO-Usado até meados do século passado, sobretudo em países de língua inglesa, para designar uma visão de mundo que vai além das fronteiras nacionais, o termo “globalismo” ganhou um viés negativo na boca de ideólogos do nacional-populismo, incluindo Olavo de Carvalho, uma das principais influências intelectuais de Araújo.

Nesse sentido, o globalismo seria uma espécie de ideologia por trás de um suposto plano para reduzir o poder de governos locais e instituir um tipo de “ditadura global”. Esse “plano” seria apoiado por bilionários de todo o mundo, como o megainvestidor e filantropo George Soros, e por políticos de esquerda ou classificados como “progressistas”.

Entidades internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e suas agências, além de outras instituições multilaterais e organizações não governamentais, seriam braços dessa suposta conspiração.

NO BLOG DE ARAÚJO – O termo é atualmente usado por radicais de direita para fazer sua própria crítica ao processo de globalização. O blog que Araújo mantém na internet traz o termo no título: “Metapolítica 17 – Contra o globalismo”.

No mundo acadêmico e no Itamaraty, o termo globalismo e a tal “conspiração globalista” nunca foram considerados relevantes, mas o assunto ganhou força com a chegada de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos e, depois, com a eleição de Jair Bolsonaro e a chegada do grupo de Ernesto Araújo ao comando da política internacional do país.

Isso se refletiu no conteúdo pedagógico usados na formação dos futuros diplomatas formados pelo Instituto Rio Branco, vinculado ao Ministério das Relações Exteriores (MRE).

NA ERA BOLSONARO – O GLOBO analisou as ementas de cursos oferecidos pelo instituto desde 2009. A primeira vez que o termo “globalista” aparece no conteúdo pedagógico do órgão foi em 2019.

Na ementa do curso de formação de diplomatas de 2020, já há cinco menções ao termo “globalista”. Elas aparecem na ementa das disciplinas “Defesa, segurança e política externa” e “Política internacional I e II”. Na primeira, a ementa cita o termo para estudar a atuação dos Estados Unidos na política internacional durante o governo Trump.

Na ementa da disciplina Política internacional I para 2020, o termo globalista aparece no planejamento de uma aula sobre o atual momento da diplomacia brasileira. O plano de aula previa que os alunos debatessem as causas da eleição de Trump. A aula é no formato de debate em que os estudantes precisam analisar algumas premissas e discuti-las.

“AVANÇO DEMOCRÁTICO” – As duas premissas em questão eram, primeiro, se a eleição de Trump foi um “acidente de percurso, causado por ingerências externas, pelas ‘fake news’ e pelo machismo” ou, contrariamente, se representou um “avanço democrático importante, uma vez que parcela considerável da população, até então excluída do debate político pela hegemonia globalista, finalmente se fez ouvir”.

O pesquisador e professor de Relações Internacionais Dawinsson Belém Lopes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que o globalismo na concepção utilizada por Olavo de Carvalho e discípulos como Ernesto Araújo não é um conceito tido como relevante pelo mundo acadêmico.

“Essa ideia de uma megaconspiração marxista para tomar o mundo de assalto não encontra guarida nas principais academias. É uma coisa muito de gueto, de nicho. É uma ideia muito peculiar que acabou sendo transplantada para o Brasil” — afirmou.

FORA DO CONTEXTO – “Não é algo que conste no mainstream da teoria das Relações Internacionais nessa forma como é apresentada pelo grupo do Ernesto — explica Belem Lopes.

A reportagem enviou questionamentos sobre o assunto para a assessoria de imprensa do Itamaraty, mas até o fechamento desta reportagem, nenhuma resposta foi recebida.

Planalto articula para desgastar Doria e evitar que tucano tenha ganhos políticos com vacinação

Charge de Gilmar Fraga (gauchazh.com.br)

Andréia Sadi
G1

A briga entre o governo federal e o governo de São Paulo, pelo início da vacinação, ganhará novos desdobramentos. Diante da bem sucedida operação de João Doria(PSDB) neste domingo, dia 17, dando início à vacinação em São Paulo, o Palácio do Planalto trabalha, nos bastidores, para desgastar o governador de São Paulo junto a outros governadores, além de intensificar a artilharia virtual com ataques à sua gestão nas redes sociais.

O objetivo do governo federal agora é evitar que Doria capitalize politicamente – com desdobramentos para a eleição presidencial de 2022 – o resultado da vacinação em São Paulo.

“PIOR DERROTA” – Já João Doria, segundo o blog apurou, repete a aliados que esta foi a “pior derrota de Bolsonaro desde que o presidente foi eleito”. Por isso, acredita, o governo federal vai buscar culpados para a sua “sucessão de erros”, espera novos ataques do governo Bolsonaro mas já prepara novos lances na “guerra da vacina”: pretende organizar um evento com ex-presidentes, como Lula e FHC, para serem vacinados.

Dentro do roteiro de evitar que Doria colha novos louros políticos, assessores presidenciais trabalham para desgastar Doria junto a governadores. Eles repetem nos bastidores que governadores têm procurado o ministro Pazuello para reclamar do início da vacinação por João Doria, o que teria sido um gesto “sem pensar no resto do país”.

O governador de São Paulo tem dito que é natural uma ou outra reclamação, mas que recebeu elogios e cumprimentos de governadores pela atuação do Instituto Butantan para antecipar a vacinação no estado governado por ele – como faria qualquer governador- e que foi exatamente sua atuação que pressionou o governo federal a divulgar informações sobre a vacinação em todo país.

SUSTO – Na última semana, quando o governo foi avisado de que não haveria a vacina de Oxford, vinda da Índia, o governo federal assustou: foi um choque de realidade perceber que a vacinação no país dependeria da Coronavac, justamente a vacina que o presidente disse que não compraria, por ser “do Doria”.

Sem saída, diante da pressão de governadores, o ministério da Saúde foi obrigado a solicitar as doses do Butantan. Doses que, segundo fontes dos Palácio do Bandeirantes, ainda não foram pagas pelo governo federal, embora já enviadas. Doria cogita ir à Justiça se o governo federal não pagar as doses.

PAZUELLO –  Em meio aos próximos lances da “guerra da vacina”, Doria diz a aliados acreditar que o presidente Bolsonaro culpe Pazuello pela derrota na estratégia federal sobre o plano de vacinação.

Mas não só pela vacinação: também pelo caos em Manaus. Na semana passada, no auge da crise de Manaus, o ministério da Saúde solicitou a secretários de saúde dos Estados a situação de oxigênio nos hospitais. O governo federal quer evitar ser “surpreendido” com a falta de oxigênio em outros estados, caso o cenário de Covid se agrave em outras regiões.

Pazuello, de fato, tem sido muito criticado. Porém, apesar das críticas nos bastidores à atuação do ministro, vindas de políticos, integrantes do Judiciário e até de assessores presidenciais, aliados de Bolsonaro não acreditam na demissão do ministro. “O presidente gosta dele, que está firme como uma rocha”.

Seus olhos são negros, tão belos, tão puros, que despertaram a paixão de Gonçalves Dias

A vida é combate, Que os fracos abate,... Gonçalves DiasPaulo Peres
Poemas & Canções 

O advogado, jornalista, etnógrafo, teatrólogo e poeta maranhense, Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), revela sua paixão ao descrever os olhos da amada.

SEUS  OLHOS
Gonçalves Dias

Seus olhos são negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;

seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,
mais doce que a brisa, – mais doce que a flauta quebrando a solidão.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
são meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil,
inquietos, travessos; – causando tormento,
com beijos nos pagam a dor de um momento, com modo gentil.

Deus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
às vezes luzindo, serenos, tranquilos, às vezes vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco, tão frouxo brilhar,
que a mim me parece que o ar lhes falece,
e os olhos tão meigos, que o pranto umedece, me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo, desperta a chorar;
e mudo e sisudo, cismando mil coisas, não pensa – a pensar. 

Até os generais do Planalto estão prontos para abandonar Bolsonaro, no dia D e hora H

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro e os generais pensam (?) que podem governar sem apoio do Congresso

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

O genial escritor Fernando Sabino criou um personagem muito interessante. Era um velho que refletia muito sobre o mundo e classifica os dias pelas cores que significam. Por exemplo, sexta-feira é sempre azul, porque vai fechando a semana de trabalho; mesmo quando chove, o sábado é sempre amarelo e alegre: o domingo se torna vermelho quando dá praia e tem clássico de futebol: mas a segunda-feira, por mais radiante e ensolarada que seja, como aconteceu ontem, é sempre cinzenta.

Realmente, esta segunda-feira, dia 18, confirmou as observações do velho personagem de Sabino – para o governo, foi um dia absolutamente cinzento, fechado e sufocante, verdadeiramente ameaçador.

A MAIOR DERROTA – No domingo, para desespero do ministro-general Eduardo Pazuello e do presidente-capitão Jair Bolsonaro, a vacinação começou em São Paulo, configurando a maior derrota político-administrativa desse governo.

Durante a semana inteira, o general Pazuello, autoritariamente, repetiu suas sinistras entrevistas do eu sozinho, nas quais apenas ele fala e os jornalistas são mantidos em silêncio. E o general  logístico insistiu nas ameaças, dizendo que o Instituto Butantan tinha de retomar as vacinas compradas pelo governo paulista, entregá-las ao ministério da Saúde e “Ponto!”, com o oficial intendente gosta de finalizar suas ameaças.

Mas ele bateu na porta errada. Vivemos numa democracia e ninguém está ligando para as estrelas cadentes que Pazuello leva ilusoriamente nos ombros. Por isso, as vacinas não foram retomadas e a imunização começou em São Paulo, a contragosto de governo.

NA PORTA ERRADA – O caricato Pazuello, que é da Intendência e nem tem o “physique du rôle” de chefe militar, por cultivar uma obesidade que merece cirurgia bariátrica, bateu na porta errada. Ponto. O Instituto Butantan foi criado pelo célebre imunologista Vital Brazil, um dos mais importantes do mundo e que era brasileiro duas vezes no seu nome, pois se chamava Vital Brazil Mineiro da Campanha, porque nascera na cidade de Campanha, em Minas, perto de Três Corações.

Pretender aprisionar e tiranizar uma instituição como o Butantan, só pode ser iniciativa de uma pessoa que não gira bem da cabeça, uma espécie de general tantan, fantasiado de ministro da Saúde e agindo como Napoleão de hospício.

E o Instituto de Vital Brazil honrou seu cientista fundador e simplesmente desconheceu as ordens, não tomou a menor iniciativa para reaver as vacinas e deixou o general tantan falando sozinho, que é como ele gosta de dar “entrevistas”.

O GOVERNO ACABOU – A segunda-feira cinzenta mostrou que esse governo acabou e ninguém mais está disposto a bater palmas para maluco dançar, como se dizia antigamente.  

O silêncio dos militares que ocupam o Planalto é bastante revelador. Nesses dois anos eles até tentaram ajudar Bolsonaro, mas acabaram se contaminando com as maluquices dele. Hoje, estão entrincheirados no palácio, sem saber o que acontecerá em seguida. E no fim de semana o vice Hamilton Mourão, para disfarçar, deu uma entrevista cabotina tentando apoiar Bolsonaro, quando todos sabem que os dois se odeiam.

A estratégia é errada. Fazer o papel de bom moço, num momento dessa gravidade, pode soar como um comportamento indigno e subalterno, que só depõe contra o caráter de Mourão, que é um general de verdade.

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P.S. –
Hoje é terceira-feira, o dia raiou esverdeado pelas esperanças dos brasileiros, que se animaram com o início da vacinação, já estão pouco ligando para esse governo, sabem que na vida tudo muda e ainda sonham com um futuro melhor, sem presidentes desmiolados nem generais de fancaria. (C.N.)

Um desastre completo, com MEC e INEP reprovados pela “desorganização” do ENEM

Estudantes relatam que não puderam fazer o Enem após salas 'excederem capacidade máxima' no RS | Rio Grande do Sul | G1

Metade dos inscritos não conseguiram fazer a prova

Pedro do Coutto

 Em matéria de organização, tanto o MEC quanto o INEP foram reprovados pela realização do ENEM neste domingo, quando estudantes foram barrados em vários pontos do pais porque as salas destinadas aos alunos já se encontravam lotadas e o planejamento para manter a distância entre um aluno e outro não se realizou ou a omissão representou uma agressão aos que foram prestar a prova.

Na Folha de S. Paulo desta segunda-feira, reportagem de Isabela Palhares e Paulo Saldanha destaca a relação dos erros de logística (palavra que está na moda) que foi incapaz de prever o impasse e se traduziu na desinformação a respeito da mistura do horário com a superlotação das salas.

TUDO ERRADO – Os estudantes foram avisados de que o acesso às provas deveria ser condicionado ao número de lugares disponíveis. Por isso, os estudantes chegaram sem precipitação e formaram filas. Na hora de ingressarem nas salas, foram surpreendidos com a informação de que não havia mais vagas uma vez que a lotação das salas estava condicionada à distância social. O

 INEP recebeu a instrução de organizar o ENEM mas não previu ou informou que a realização da prova dependia de haver lugar. O pior é que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, considerou a organização um sucesso.

Esqueceu, entretanto, que com isso, a abstenção chegou a 51% dos inscritos.

SEM COMPROVANTE – Como os inscritos totalizaram 5,7 milhões de pretendentes, o índice de ausência atingiu 2,8 milhões. Os que não puderam ingressar por excesso de lotação não receberam nenhum comprovante de que a ausência teve por motivo o sistema de organização. Ficaram sem saber o que fazer.

Nesta segunda-feira o MEC revelou que a nova chamada será realizada em fevereiro. Mas o fato absurdo ficou caracterizado. MEC e INEP saíram reprovados no episódio.

DUELO NA VACINAÇÃO – O governador paulista João Doria e o ministro Eduardo Pazuello protagonizaram um choque político.            O início da vacinação contra a Covid-19, no domingo, levou a um enfrentamento direto entre o Doria e o ministro da Saúde.

Havia uma disputa para saber quem deveria vacinar primeiro. O governador de São Paulo atacou duramente o titular da Saúde acusando-o de faltar a verdade em torno do assunto e de não ter previsto as mortes ocorridas em Manaus por falta de oxigênio.

A esse respeito foi excelente o comentário da jornalista Natuza Nery na tarde de ontem na Globo News. O general da Logística não conhece Lógica.

Ayres Britto diz que Bolsonaro vive de “costas para a Constituição” e que tal postura é digna de impeachment

Para o ex-ministro, ‘conjunto da obra’ sinaliza crime de responsabilidade

Anna Virginia Balloussier
Folha

Ao dar reiteradas amostras de que “tem o pé atrás” com a Carta Magna de 1988, o presidente Jair Bolsonaro se credenciou para o impeachment, uma sanção tão severa que “somente se aplica àquele presidente que adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição”, diz Carlos Ayres Britto, 78, ministro aposentado do STF.

“Respostas [para a crise sanitária] como ‘e daí?’ ou ‘não sou coveiro’ não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?”, questiona. “Tudo do ponto de vista jurídico, porque cabe ao Congresso decidir o destino do chefe do Executivo, e é bom que seja assim”, afirma.

NÃO É GOLPE – Ministro do Supremo Tribunal Federal de 2003 a 2012, nomeado por Lula no primeiro ano de governo do petista, em 2016 ele disse à Folha que impeachment não é golpe. Comentava, então, a possibilidade de Dilma Rousseff ser destituída, o que acabou acontecendo naquele ano.

“Ortodoxamente quarentenado”, saindo apenas uma vez por mês, “de carro e máscara, só pra espairecer”, Britto espera a vacina contra a Covid-19 chegar. De casa, concede esta entrevista, em que sugere “menos incontinência verbal e mais continência à Constituição” para o Brasil.

Boa tarde, ministro.
Queria, antes, falar uma coisa. Não se pode tapar sol com peneira: há uma crise que é múltipla. Os Poderes não se entendem devidamente. Definição antiga de Antonio Gramsci: crise é aquele estado de coisas em que o velho demora a morrer, e o novo não consegue nascer. No caso brasileiro, o velho que não larga o osso é uma espécie de visceral pé atrás com a Constituição. Há um boicote a ela. As forças mais reacionárias temem que, de tão humanizada que é, ela vai dar jeito no país.

O governante central é assim, tem o pé atrás com essa Constituição, consciente ou inconscientemente. Quanto ao impeachment, essa mais severa sanção tem explicação. Somente se aplica àquele presidente que adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição. É um mandato de costas para a Constituição, se torna uma ameaça a ela. E aí o país se vê numa encruzilhada. A nação diz, “olha, ou a Constituição ou o presidente”. E a opção só pode ser pela Constituição.

Então o sr. crê que a conduta de Bolsonaro na crise sanitária o credenciou ao impeachment?
Diria que o conjunto da obra sinaliza o cometimento de crime de responsabilidade. Porém, o processo é de ordem parlamentar.

Do ponto de vista jurídico, quais seriam esses crimes de responsabilidade?
Pelo artigo 78, o presidente assume o compromisso de observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro. Ou seja, não é representante dos que votaram nele, dos ideólogos que pensam igual a ele. É de todo o povo. Menos incontinência verbal e mais continência à Constituição.

A sociedade civil vai entendendo que regime democrático é para impedir que um governante subjetivamente autoritário possa emplacar um governo objetivamente autoritário. Se o presidente não adota políticas de promoção da saúde, segmentos expressivos da sociedade —a imprensa à frente— passam a adverti-lo de que saúde é direito constitucional. Prioridades na Constituição não estão sendo observadas: demarcação de terra indígena, meio ambiente.

E no contexto da pandemia?
O povo diz “saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”, a Constituição, que saúde é dever do Estado e direito de todos. Salta aos olhos: ele promove aglomerações, não tem usado máscara, não faz distanciamento social. Respostas como “e daí?” ou “não sou coveiro” não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?

A atuação da Anvisa é independente?
A agência deve dançar conforme a música da ciência, atuando sempre tecnicamente. Por isso e para isso é que ela foi criada por lei, sob a forma de autarquia. E autarquia é pessoa jurídica. Não órgão de uma outra pessoa jurídica —no caso, a União. Sua fidelidade não a esse ou aquele partido, essa ou aquela ideologia, esse ou aquele governo.

Acredita que haverá vontade política para remover Bolsonaro?
Esse tipo de análise é mais da ciência política.

Muita gente diz que o impeachment é um trauma forte demais para um país, sobretudo no meio de uma pandemia. Concorda?
Trata-se de uma avaliação que incumbe às duas casas do Congresso. Pondero o seguinte: o ideal, em qualquer democracia, é que todo presidente popularmente eleito inicie e conclua o seu mandato. Foi eleito democraticamente para isso. Agora, à luz da Constituição, há intercorrências que podem caracterizar crimes de responsabilidade com suficiente gravidade para a decretação do impeachment.

Outra crítica comum: o Congresso pode sentar em cima do impeachment por razões pouco republicanas, como conchavos políticos, e que não é bom que só ele possa decidir se o presidente sai.
É uma opção constitucional. Muitas vezes você não tem a melhor saída, salvo todas as outras. Como Winston Churchill dizia sobre a democracia ser o pior regime, exceto todos os outros. Olha, entendo que não há saída que supere em qualidade essa de entregar ao Congresso a avaliação do crime de responsabilidade. Agora, os parlamentares vão responder pelos seus votos eleitoralmente.

Bolsonaro mais de uma vez usou tom de ameaça contra o STF. A corte está a perigo ou as instituições estão funcionando?
Sim, elas estão. Já internalizamos a ideia fundamental de que a democracia não é regime de força, mas tem que ser suficientemente forte para não se deixar matar nunca. Por exemplo, já há compreensão de que as próprias Forças Armadas estão regradas num título constitucional para defender as instituições democráticas.

Descarta um novo 1964?
Internalizaram o sucesso civilizatório e não embarcarão em nenhuma canoa furada do autoritarismo.

Não teria como fechar o Supremo com um cabo e um soldado, como disse Eduardo Bolsonaro?
Não prosperaria de jeito nenhum.

O líder do governo Bolsonaro [na Câmara, Ricardo Barros, do PP] advoga por um plebiscito para nova Constituinte.
Uma Assembleia Nacional Constituinte a gente sabe como começa, mas não como termina. O pressuposto da convocação de uma é a falência múltipla da Constituição em vigor, uma que já deu o que tinha que dar. Não é o caso do Brasil, pois a nossa precisa é de tempo para dizer a que veio. E veio, reconheçamos, como um projeto de vida nacional tão democrático quanto humanista e civilizado.

Quando Bolsonaro diz que o STF o proibiu de “qualquer ação” contra a Covid, que pelo tribunal ele tinha que “estar na praia, tomando cerveja”, ele mente. Atitudes assim exigem um enfrentamento aberto pelos ministros ou uma postura de contenção de danos, de não enervar mais uma relação já tensa entre Poderes?
É muito subjetivo e passa muito por quem estiver na presidência, que exerce uma orientação institucional. Mas a autocontenção depende das circunstâncias. Há momentos em que é preciso uma reação mais pronta, mais enérgica até, e há momentos em que se faz uma avaliação de que não é motivo para uma interpelação.

E nesse caso?
Diria: por exemplo, quando o presidente reiteradamente coloca dúvida sobre a precisa quantidade de votos que obteve na última eleição, e vai além para questionar a eficácia da urna eletrônica, pode sim vir a ser interpelado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Porque esse tipo de afirmação coloca em xeque a qualidade da Justiça Eleitoral e aturde o próprio eleitor soberano.

Como avalia a indicação de Kássio Nunes ao STF?
Não conheço mais de perto o ministro. Mas o que sei dele é de que, tecnicamente, dá conta do recado.

Bolsonaro garantiu a pastores que sua segunda nomeação seria terrivelmente evangélica.
Tão difícil às vezes qualificar esses pronunciamentos do Bolsonaro. Requisito de investidura do cargo não é a embocadura religiosa de ninguém. Até porque a Constituição instituiu o Estado laico. Diz o artigo 19: é vedado ao Estado “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança”. Não sei por que essa referência à qualidade evangélica de um dos futuros nomeados. É um indiferente jurídico a formação religiosa da pessoa, mas dizer como se fosse condição de investidura é estranhável.

O Supremo deve atuar em pautas de costumes que não prosperam no Legislativo?
A Constituição enuncia, didaticamente: as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Aí você diz, “mas se tais direitos e garantias padecerem da falta de norma regulamentadora, não é preciso esperar o Congresso editar essa lei”?

A Constituição é um posto Ipiranga, dá resposta para tudo: “Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais”. Isso ao lado da ação direta de inconstitucionalidade por omissão legislativa. Por isso que o STF, diante da mora do Legislativo, fez incidir sobre os atos de homotransfobia a lei criminalizadora do racismo.

O apreço da população pelo STF já foi mais alto. A rejeição é agravada com, por exemplo, o pedido de reserva de vacinas. A autocrítica da corte é válida?
Sempre válida. No caso da vacina, parece que houve mal entendido. O Supremo não reivindicou, apenas se inscreveu por antecipação. Não é, segundo me pareceu, reivindicar para si a primazia. Hoje nós temos essa universal circunstância da internet. A Internet empoderou as pessoas. As redes sociais estão se tornando antissociais. Então é isso, você trouxe à baila outra variável. Nós ainda vamos ralar para administrar com sensatez as plataformas.

Nossa democracia corre perigo?
Toda democracia vive sob risco de morte, porque todas as que morreram foi de “morte matada”, não de “morte morrida”. O que varia é o tamanho do risco. Dois poderosos antídotos contra os democraticidas já existem no país: é que ninguém pode impedir que a imprensa fale primeiro sobre as coisas, nem que o Judiciário fale por último. Assim como já existe aquela parelha de antídotos que se lê no pensamento de Thomas Jefferson, o segundo presidente dos EUA: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”; “a arte de governar consiste exclusivamente na arte de ser honesto”.

E o caso Trump?
É que a democracia não está a salvo de acidentes eleitorais de percurso. Daí que, ante extrema sectarizacão, surjam eleitos de extrema esquerda, ou de extrema direita, e até mesmo os de extrema ignorância, no sentido negacionista da própria ciência. É quando essa democracia mesma aciona mecanismos aptos a fazer a ficha cair: a sociedade se apercebe de que não pode continuar a pagar um mico civilizatório. E na primeira oportunidade eleitoral, o povo se decide a apear tais governantes.

Fica a lição de que um povo que elege mal os seus governantes se torna tão vítima quanto cúmplice de sua própria desgraça.