Temer e Meirelles vão deixar a dívida pública para o outro governo resolver…

Charge sem assinatura (Arquivo Google)

Carlos Newton

Já mostramos aqui na Tribuna da Internet que nunca antes na História deste país tivemos um governo compartilhado, nos moldes da gestão atual. Mas há controvérsias, com dizia nosso amigo Francisco Milani, que o grande diretor Mauricio Sherman adorava. Mas isso é outro assunto. Realmente, tivemos governos semelhantes, notadamente a gestão do presidente Delfim Moreira, que tinha problemas mentais e quem tocou a administração foi o ministro Mello Franco, pai do senador Afonso Arinos. Recentemente, em 2011, surgiu o governo bipolar de Dilma Rousseff e Lula da Silva, quem mandava era ele, isso era fato público e notório.

Mas Dilma conseguiu se libertar, porque Lula teve o câncer e logo em seguida surgiu o escândalo das relações dele com a amante Rosemary Noronha, cuja família inteira era sustentada com recursos públicos, e a parceria Dilma/Lula terminou ali, no início de 2013.

COMPARTILHAMENTO DIFERENTE

Desta vez, o compartilhamento do governo é um pouco diferente, porque Henrique Meirelles ficou com autonomia sobre a parte mais importante, a gestão da política econômica, enquanto Michel Temer passou a cuidar exclusivamente da política administrativa.  É uma jogada inteligente, pode até dar certo, mas há controvérsias, diria Milani.

Quem ainda tem um pingo de juízo está torcendo desesperadamente para que o governo Temer/Meirelles dê certo. Mas é preciso reconhecer as imensas dificuldades que estão encontrando, devido à situação caótica herdada da gestão temerária de Dilma Rousseff.

UM PLANO QUASE PERFEITO

Ninguém sabia que Dilma Rousseff seria uma tragédia no governo. Pelo contrário, acreditava-se na alegação de Lula, que a apresentou como uma “gerentona”, a primeira mulher a merecer a Presidência da República. Poucos perceberam que se tratava de um golpe de Lula para evitar o surgimento de uma liderança alternativa no PT. Ao eleger um poste chamado Dilma, ele poderia voltar tranquilamente em 2014.

Parecia um plano perfeito. Mas o poste gostou da brincadeira, tinha altíssima popularidade, todas as mulheres sapiens (a maioria da população) a apoiavam. E muitos homens de neandertal, também. Quando o PT lançou estrategicamente a campanha “Volta Lula” em 2014 e ele exigiu a candidatura, Dilma simplesmente disse não e ameaçou divulgar os extravagantes gastos da amante de Lula no cartão corporativo da Presidência da República, no Brasil e nos passeios ao exterior. Lula teve de desistir e, em nome do PT, apoiou e reelegeu Dilma.

A FALSA DOUTORADA

Dilma Rousseff era uma espécie de versão moderna do presidente Delfim Moreira, mas ninguém sabia. Controlada pelos medicamentos de tarja preta, ela seguiu governando, sem ter um Mello Franco para se apoiar. Contava com a ajuda de Aloizio Mercadante, mas ele fracassou, porque Dilma não cedeu inteiramente a gestão e insistiu em ditar as normas de sua ensandecida “nova matriz econômica” que levaria o país à ruína.

Falsamente doutorada em Campinas, Dilma se julga catedrática e passou a criar espantosas teorias econômicas. Com a cumplicidade do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do secretário do Tesouro, Arno Augustin, surgiu assim a “contabilidade criativa”, na base da maquiagem das contas, do superdimensionamento das pedaladas fiscais (que já existiam em pequena monta nos governos anteriores) e dos decretos ilegais permitindo despesas não autorizadas pelo Congresso.

A maquiagem era tão grotesca e perigosa que o Tribunal de Contas da União, acostumado a se comportar como eterno cúmplice do Executivo, enfim se viu na obrigação de rejeitar as contas, provocando a derrocada de Dilma Rousseff.

O DESAFIO DA DÍVIDA 

O mais deletério efeito das gestões de Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e Dilma Rousseff foi o progressivo descontrole da dívida pública. Como diria nosso amigo Saulo Ramos, foram três governos de merda, que conduziram o país à bancarrota.

O maior problema passou a ser a escorchante dívida pública, mas ninguém toca no assunto, fica fora da grande mídia.  As finanças públicas estão destroçadas e devemos agradecer a FHC, Lula e Dilma, os três mosqueteiros que eram quatro. Agora, cabe à gestão compartilhada Temer/Meirelles resolver este absurdo desafio. Mas eles não parecem dispostos a enfrentá-lo.

Como se sabe, Meirelles está anunciando nesta terça-feira suas metas para a economia. Mas nenhuma palavra deverá ser dita sobre a dívida pública. Esta questão virou tabu, por ser do interesse direto do sistema financeiro, que nunca antes lucrou tanto, na História deste país, beneficiado pelos governos do PT , e que pretende repetir a dose, neste governo-tampão do PMDB, porque Temer e Meirelles podem mexer com todo mundo, à exceção dos banqueiros, é claro..

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PSVamos voltar ao assunto, para mostrar que nada mudou nem vai mudar em relação ao sistema financeiro, pois não há novidades na frente ocidental, como dizia o genial escritor alemão Erich Maria Remarque, e o Brasil que se dane… (C.N.)  

A queda de Romero Jucá e a transição do nada para coisa nenhuma

Jucá tentou convencer Temer a mantê-lo como ministro

Carlos Chagas

Pior não poderia ficar, a partir de ontem. Claro que amanhã é outro dia, com tudo para aumentar a profundidade do buraco em que mergulhou o governo Temer. Até chegar ao Congresso acompanhado de Romero Jucá, o novo presidente não conseguiu evitar, nesta segunda-feira. A hora é de abrir o centro cirúrgico e afiar os bisturis. Não dava para manter o atual ministro do Planejamento, exposto no rumo da cadafalso. Se não renunciasse, seria renunciado. A revelação dos diálogos dele com Sérgio Machado, pelas páginas da Folha de S.Paulo, pode não comprometer por inteiro o ministério Temer, mas é quase isso.

Como recuperar a economia, ou melhor, preparar e empreender um plano de estabilização nacional,  se o ministro do Planejamento não planeja, mas apenas expõe suas qualidades de bandido?

O atual governo não inspira confiança, mesmo reconhecidos os méritos de Henrique Meirelles, José Serra, Raul Jungmann e mais uns poucos. Aguarda-se um pacote de contenção, mas como anunciá-lo se vier amarrado com o barbante da corrupção?

Ficou óbvia a estratégia que Romero Jucá tramava para neutralizar a Operação Lava Jato e salvar parte da quadrilha com a qual pretendia conduzir o governo Temer. Quebrou a cara, fazendo aumentar os ímpetos revanchistas do PT e adjacências. Dilma Rousseff, mesmo carta  fora do baralho, imagina tirar um proveito impossível dessa nova tertúlia, capaz de conturbar a transição do nada para coisa nenhuma.

Faz sucesso na internet a seleção dos pensamentos de Abraham Lincoln

João Amaury Belem

Em função da crise moral que afeta o Brasil, faz sucesso na internet uma seleção dos pensamentos do presidente norte-americano Abraham Lincoln, que entrou na História da Humanidade e jamais sairá, ao contrário do nosso presidente Lula, que entrou de penetra, sem nenhum pensamento, e logo foi alijado, caindo na chamada vala comum.

Mulher de João Santana diz que Eike Batista fez pagamentos no exterior

Eike Batista colaborava para engordar o Caixa 2 do PT

Thiago Herdy
O Globo

O empresário Eike Batista fez pagamentos para o casal João Santana e Mônica Moura, em contas do casal no exterior, segundo relato da mulher do marqueteiro do PT a procuradores, durante tentativa de fechar acordo de delação premiada. Os pagamentos estariam vinculados a campanhas políticas realizadas pelo casal, mas ela não esclareceu se os pagamentos são referentes a trabalhos realizados no Brasil ou no exterior.

As empresas do casal Santana prestaram serviços na campanha à reeleição de Lula, em 2006, e nas disputas vencidas por Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, além de campanhas municipais da legenda. Nas três eleições, eles receberam, em contas oficiais, cerca de R$ 110 milhões.

O marqueteiro também atuou em Venezuela, Angola, República Dominicana e Panamá, mas não há registro de atividades das empresas de Eike nestes países que justificassem o apoio eleitoral por baixo dos panos.

Por meio do advogado Sérgio Bermudes, Eike informou que não se manifestaria sobre as declarações de Mônica.

CAIXA 2 DO PT

Desde o início da tentativa de fechar acordo com a Lava-Jato, Mônica contou aos procuradores que os ex-ministros Guido Mantega e Antônio Palloci intermediavam o pagamento de caixa 2, em dinheiro, para campanhas presidenciais do PT junto a empresários. São recursos que não passaram por contas oficiais do PT, por isso não teriam sido declarados à Justiça Eleitoral.

Ela também citou pagamentos feito por empresas a fornecedores de campanha, outra modalidade de caixa 2. Os procuradores têm resistido a aceitar a proposta de acordo, por considerar que Moura teria mais para relatar do que o apresentado até agora.

No início do mês, ela e João Santana foram denunciados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por pagamentos feitos por fornecedores da Petrobras aos dois, no Brasil e no exterior. Eles seguem presos preventivamente no Paraná e negam que soubessem da origem de recursos recebidos como pagamento por serviços prestados nas campanhas.

OPERAÇÕES ANTIGAS

A revelação dos dados da conta usada pelo empresário Eike Batista para realizar pagamentos no exterior pode levar o Ministério Público Federal (MPF) a desvendar operações de Eike no exterior durante períodos de bonança, a exemplo do que ocorreu com a construtora Odebrecht.

Foi a confissão de recebimento de valores da empreiteira no exterior, por parte de ex-diretores da Petrobras, que levou a polícia a desvendar uma rede de offshores montada pela empreiteira para pagar propina a agentes públicos fora do Brasil. Autoridades suíças participam desta investigação, cujos resultados foram, até agora, parcialmente divulgados.

EM HONG KONG

Em 2013, a “Folha de S. Paulo” revelou que a OGX, uma empresa do grupo de Eike, transferiu US$ 40 milhões para a conta de uma firma de Hong Kong a título de comissão por intermediação na instalação de plataforma de petróleo que nunca ocorreu. Na época, a OGX negou irregularidades e alegou que se tratava de contrato de risco.

Na Lava-Jato, Eike foi acusado por Fernando Soares, o Fernando Baiano, de pagar R$ 1,5 milhão ao pecuarista José Carlos Bumlai para que ele defendesse os interesses da empresa junto à Sete Brasil — estatal criada para contratar sondas do pré-sal. Em depoimentos, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o ex-dirigente da Engevix Gerson Almada relataram a proximidade entre Eike e Baiano. Na CPI do BNDES, Eike negou que o lobista prestasse serviços para suas empresas.

O delator e ex-gerente da área internacional da Petrobras, Eduardo Musa, disse à força-tarefa que a OSX pagou propina ao PMDB na licitação das plataformas P-67 e P-70, mas não soube informar se Eike sabia dos pagamentos.

APOIO DO BNDES

No governo Lula, empresas do grupo EBX obtiveram do BNDES autorização para empréstimo ou aquisição de ativos que somaram R$ 10,4 bilhões, dos quais R$ 6 bilhões foram efetivamente liberados, de acordo com o banco. Depois de ser considerado o sétimo homem mais rico do mundo em 2012 pela revista “Forbes”, o empresário viu suas companhias entrarem em colapso a partir de 2013 e foi obrigado a ceder o controle das empresas a bancos.

Hoje é réu em três processos de crimes contra o mercado financeiro, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, além de 22 processos administrativos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Chega de atos levianos, impatrióticos e nocivos à imagem do Brasil

Dilma transformou o Planalto numa subsede do MST

Celso Serra

Brasileiros de conduta duvidosa têm  promovido inaceitáveis manifestações contra o processo de impeachment de Dilma Rousseff, presidente afastada de suas atribuições. Esses tenebrosos “atos públicos” estão repercutindo – em patente desrespeito aos fatos ocorridos – a existência de um “golpe” contra a democracia no Brasil. Ocorre que a propagação no exterior de mentiras sobre o que aqui acontece ocasiona inegáveis prejuízos ao país e à sua imagem, com vultosos danos sobre a economia nacional, já bastante destruída pelo lulopetismo.

Várias ações nocivas desses maus brasileiros ocorreram no interior de organismos internacionais, com a nítida intenção de potencializar a desmoralização do Brasil. Não podemos entender diferente, pois o dolo tem sido inconfundível.  Até o Papa já foi submetido a “paparrotices”.

LEVIANO OPORTUNISMO

Não tem sido raro ver militantes beneficiários de ajuda financeira oficial agirem com leviano oportunismo em eventos sem o menor vínculo com a política, para tentar contaminar o público presente e os meios de divulgação, com a inconfundível intenção de expandir a contaminação territorial e de consciências com o embuste do “golpe” contra a democracia no País.

Esses protestos – que ocorrem no Brasil e também no exterior – são intencionais e se aproveitam da falta de conhecimento de grande parte do público sobre a verdadeira situação do País, para propagar patranhas sobre o funcionamento de suas instituições. E o fato real é que as instituições estão funcionando no Brasil.

A falácia chata e repetitiva – verdadeiro protesto de uma nota só – é de que está ocorrendo um “golpe” no Brasil, quando todos (menos os mal intencionados) têm plena convicção que não há golpe no país e que, no momento, está em trâmite absolutamente legal um processo de averiguação de fundadas e graves denúncias contra uma presidente da República que parece ter metido os pés pelas mãos no exercício do poder.

AS MESMAS PATACOADAS

A impressão que temos é que parte da “companheirada” que usufruía de fartos recursos públicos sem trabalhar, ou trabalhando pouco, está revoltada com a retirada do PT do poder, o que significa não mais receber recursos públicos sem prestar as devidas contas.

Diante dessa mudança de rumos, esses ex-privilegiados reverberam, irresponsável e impatrioticamente, as mesmas patacoadas em  reuniões e manifestações mundo a fora, imitando os discursos da presidenta criadora da “nova matriz macroeconômica” que destruiu o país, com os mesmos argumentos repetidos incansavelmente por ela em seus últimos dias no Palácio do Planalto, transformado indevidamente em “Palanque do Planalto”.

Substituto de Jucá no Planejamento é petista investigado pela Lava-Jato

É inacreditável: Dyogo virou ministro…

Deu em O Globo

Rei morto, rei posto. Ao anunciar na tarde desta segunda-feira que estava saindo de licença do Ministério do Planejamento, o senador Romero Jucá, investigado pela Operação Lava-Jato, anunciou seu substituto: Dyogo Oliveira, que aliás era secretário executivo do ministro anterior, Nelson Barbosa. Quando houve a troca – Barbosa foi para a Fazenda – Dyogo foi junto, na mesma função, e voltou à secretaria-executiva com a chegada de Jucá no governo do presidente em exercício Michel Temer.

Só que para fins da Lava-Jato, nada muda: Dyogo também está implicado, e ainda aparece na Operação Zelotes, que investiga a compra e venda de medidas provisórias durante os governos de Lula e Dilma Rousseff. O processo corre no Supremo Tribunal Federal sob sigilo. O Ministério Público pediu quebra de sigilo bancário de Dyogo de 2010 a 2015.

Segundo as investigações da Procuradoria Geral da República, o executivo é mencionado em anotações de um lobista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA matéria é curta e grossa e tem muita importância. Como dizia o célebre cartunista Robert Ripley: “Acredite, se quiser”. O fato é que o governo Temer continua infestado de petistas em altos cargos da República, que ainda não foram substituídos e estão instruídos para sabotar a nova administração. Seriam melhor extinguir logo essas funções. O governo economizaria e ninguém sentiria falta. Para o lugar de Dyogo Oliveira, Meirelles vai nomear um economista de sua confiança. (C.N.)

Nem tudo está perdido: Barroso, do Supremo, defende fim do foro privilegiado

Foro privilegiado é herança aristocrática, diz Barroso

Bela Megale
Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso defendeu nesta segunda-feira (23) as punições para os crimes de colarinho branco e o fim do foro privilegiado. Ele é um dos convidados do “Fórum Veja”, promovido pela revista em São Paulo. “É preciso acabar ou reduzir o foro privilegiado, ou reservá-lo apenas a um número pequeno de autoridades. É um herança aristocrática”, disse Barroso.

O ministro enfatizou que o processo do mensalão durou um ano e meio e ocupou 69 sessões do STF. “O foro privilegiado leva geralmente à impunidade porque é demorado”, justificou.

Ele afirmou que prazo médio do recebimento de uma denúncia pelo Supremo é de 617 dias, “ao passo que no juízo de primeiro grau o recebimento é de cerca de uma semana”. O ministro também defendeu a criação de uma vara especial em Brasília para julgar políticos com foro com um juiz escolhido pelo STF para centralizar as ações.

“INIGUALITARISMO”

Barroso falou sobre as heranças da história do Brasil que fomentam a corrupção e disse que uma das principais “vicissitude é o inigualitarismo”.

“No Brasil é mais fácil colocar na cadeia um menino de 18 anos por 100 gramas de maconha do que um agente público que tenha praticado una fraude de alguns milhões”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como dizia Carlos Imperial, quando dividia com Raul Giudicelli a direção da revista “Fatos & Fotos” e os dois a levaram a bater recordes de vendagem, “sem liberdade para elogiar, nenhuma crítica é válida”. Assim, depois de esculhambar o ministro Barroso por meses a fio, agora pedimos licença para elogiá-lo, com a máxima vênia. Desta vez, ele tem toda a razão. Chega de foro privilegiado. Aliás, a palavra privilegiado tem de ser expulsa do vernáculo. (C.N.)

Para não dizer que está sendo demitido, Jucá pede “licença” e deixa o governo

O ministro Romero Jucá (Planejamento), durante entrevista coletiva sobre áudio vazado

Jucá se despede do cargo que jamais deveria ter ocupado

Mariana Haubert e Gustavo Uribe
Folha

O ministro do Planejamento, Romero Jucá, anunciou nesta segunda-feira (23) que está se licenciará do governo do presidente interino Michel Temer, até que o Ministério Público se pronuncie sobre a gravação de uma conversa sua com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. A licença valerá a partir desta terça (24). O anúncio ocorre no mesmo dia em que a Folha divulgou gravações em que Jucá fala em pacto para deter avanço da Operação Lava Jato.

Gravados de forma oculta, os diálogos entre ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e Jucá ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. As conversas somam 1h15min e estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República).

No lugar do ministro licenciado entrará Dyogo Henrique de Oliveira, hoje secretário-executivo do Planejamento.

PETIÇÃO À PROCURADORIA

Em uma entrevista conturbada à imprensa, Jucá afirmou que seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, irá protocolar uma ação junto ao Ministério Público, ainda nesta segunda, para que o órgão indique se houve ou não irregularidade ou crime na conversa. Para Jucá, houve “manipulação das informações” publicadas.

“A partir de amanhã eu estou de licença. Reassumo o Senado para fazer o enfrentamento aqui até que o Ministério Público se manifeste quanto às condições da minha fala com Sérgio Machado. Eu sou presidente nacional do PMDB, sou um dos construtores desse novo governo e não quero de forma nenhuma deixar que qualquer manipulação mal intencionada possa comprometer o governo”, disse.

Enquanto Jucá falava, um grupo de servidores e deputados grita “golpista” e “ladrão”, o que obrigou Jucá a falar em um tom de voz alto. Ele chamou os manifestantes de “babacas”.

VAZAMENTO

A decisão de pedir licença do cargo foi tomada após a divulgação de áudio que desmentiu a versão inicial do ministro de que ele se referia à situação econômica.

Após o vazamento, Jucá e Temer se reuniram no Palácio do Jaburu e, segundo a relatos de aliados, avaliaram que a situação havia se tornado insustentável e que a licença seria a melhor forma de evitar que o aumento do desgaste.

No encontro, acertaram a permanência de Oliveira no comando da pasta, em um primeiro momento, uma vez que as soluções caseiras estudadas pelo peemedebista, como o deslocamento para o posto de Moreira Franco e Eliseu Padilha, enfrentaram resistências de ambos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG As informações em Brasília são de que as conversas foram gravadas pelo próprio Sérgio Machado, para oferecê-las como delação premiada. Teria gravado também seu grande amigo e protetor Renan Calheiros, que o manteve por mais de 12 anos à frente da Transpetro, recebendo mais de R$ 100 mil mensais, vejam de que modo a classe política expressa o sentimento da gratidão… Temer errou ao aceitar investigados em sua equipe. Está pagando caro por isso.  (C.N.)

Para não prejudicar o governo Temer, Jucá tem de pedir logo a demissão

Romero Jucá está colocando Temer em péssima situação

Carlos Newton

Apesar de toda a amizade que tem com Michel Temer, a quem substitui na presidência do PMDB, não é mais possível a permanência de Romero Jucá no Ministério do Planejamento. O presidente foi até compreensivo, dando a ele prazo até a manhã desta terça-feira para se afastar. A explicação é simples. Está marcada justamente para amanhã a entrevista da equipe econômica que anunciará o pacote de medidas para diminuir o déficit e reativar a economia, e o evento seria comandado por Henrique Meirelles e Romero Jucá, vejam que situação delicada.

Nesta segunda-feira, logo de manhã, Jucá esteve no Palácio do Planalto e se reuniu com Temer e com o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Tentou amaciar a crise, dizendo que a reportagem da Folha “pinçara” trechos de seu diálogo com Sérgio Machado e prometeu convocar uma entrevista coletiva para esclarecer tudo.

Com isso, Jucá ganhou tempo, mas não adiantou nada, porque a coletiva foi um fiasco, ninguém consegue explicar o que é inexplicável.

ATÉ AMANHÃ…

O mais incrível é que o presidente Temer não tenha demitido Jucá após a entrevista à imprensa, porque o velho ditado recomenda que não se deve deixar para amanhã o que se pode fazer hoje.

De toda forma, é inconcebível que Juca participe, nesta terça-feira, da coletiva convocada para anunciar as medidas econômicas. Seria uma cena surrealista, digna do Teatro do Absurdo.

Por isso, o mais provável é que o ministro apresente a demissão ainda hoje, atendendo a insistentes pedidos, para não prejudicar ainda mais a imagem de um governo de salvação nacional que não consegue salvar a si mesmo.

MEIRELLES FORTALECIDO

Quem fica ainda mais fortalecido é o ministro Henrique Meirelles, que indicará o substituto de Jucá. De toda a equipe econômica, apenas a pasta do Planejamento escapara da submissão direta a Meirelles, que somente aceitara Jucá devido à grande experiência dele em elaboração de proposta orçamentária, por ocupar sempre a relatoria da Comissão Mista do Congresso.

Meirelles também aceitou Maria Silvia Bastos Marques, mas vai acompanhar de perto o trabalho dela no BNDES.

Na verdade, o atual governo é compartilhado entre Temer, que comanda a política administrativa, e Meirelles, que tem autonomia na política econômica. Trata-se de um governo bipolar ou bipresidencialista, uma espécie de jaboticaba política brasileira, que precisa ser melhor cultivada.

Para reforçar suas estatais, China vai privatizar ou reformar 345 subsidiárias

Consumo interno é alavanca da economia chinesa

Deu no Xinhuanet

Fechar “empresas-zumbis”, resolver os problemas que se criem para os trabalhadores afetados e podar as empresas laterais que invadam as competências das empresas estatais de administração centralizada, são algumas das medidas que o governo chinês introduzirá nos próximos dois a três anos, para aprofundar a reforma daquelas importantes organizações. A decisão foi revelada durante uma reunião executiva do Comitê do Estado presidida pelo premiê Li Keqiang.

“Empresas estatais de administração centralizada desempenharam papel indispensável para o desenvolvimento social e econômico da China e temos de lhes garantir todo o mérito quanto a isso” – disse Li. – “Mas essas empresas também enfrentam problemas cruciais. Agora temos de enfrentá-los passo a passo, o que significa, em essência, aprofundar a reforma das empresas estatais chinesas.”

SETORES CRUCIAIS

A maioria das 106 estatais chinesas operam em setores cruciais para o desenvolvimento social e econômico do país, como telecomunicações e energia.

Os principais problemas dessas empresas de administração centralizada incluem fragilidades no exercício da atividade-fim, excesso de empresas paralelas concorrentes, baixa eficiência e escalões de administração e gerência em número excessivo.

O excesso de escalões hierárquicos e a redundância que persiste nas estatais chinesas são também parte dos motivos pelos quais nunca foi fácil fazer avançar as reformas, sempre adiadas ao longo dos anos.

Apesar das dificuldades, Li reiterou já em várias ocasiões a disposição do governo para levar a cabo as reformas necessárias, falando da determinação em termos de “um bravo guerreiro, que corta a própria mão, para salvar o corpo” – porque não há dúvidas de que as reformas afetaram interesses de alguns.

EMPRESAS-ZUMBIS”

Na reunião ficou decidido que 345 “empresas zumbis”, todas subsidiárias das 106 estatais, serão reorganizadas ou entregues ao mercado dentro dos próximos três anos.

Das estatais, espera-se que reduzam os escalões de gerência para menos de 3 ou 4, dos 5 a 9 que há hoje, e que cortem 20% das suas entidades legais subsidiárias no prazo de três anos.

O governo também planeja reduzir as perdas que se verificaram nas subsidiárias das estatais em cerca de 30%, e aumentar os lucros das estatais em mais de 100 bilhões de yuan (15,3 bilhões de dólares norte-americanos) até o final de 2017.

Enquanto isso, o governo cortará em 10%, em 2016, a capacidade de carvão e aço destinada às estatais; e outros 10% de redução, em 2017. Carvão, ferro e aço estão entre os setores chaves, no esforço para reduzir o excesso de oferta.

ENTRAR EM FORMA

Na reunião da 4ª-feira, Li mais uma vez destacou que as estatais chinesas precisam “perder peso e entrar em forma”, ideia que o premiê chinês apresentou no plano de trabalho do governo para esse ano.

A reforma das gigantes estatais em geral é a maior tarefa prevista para ser executada pelo governo no planejamento desse ano, que o premiê distribuiu em março. Destacou que o governo se empenhará muito para alcançar pleno sucesso na reforma e aprimoramento das estatais, garantindo que o ajuste estrutural será feito de modo a promover a inovação, a reorganização e a reforma na gestão de pessoal das mesmas estatais.

“Promover melhor governança é vitalmente importante para as empresas estatais chinesas. É indispensável que se concentrem na atividade-fim e que melhorem a qualidade do que produzem. Essa será tratada como a principal missão das empresas estatais chinesas” – disse Li durante a reunião de 4ª-feira, acrescentando que não devem ser alocados muitos recursos nos negócios derivados da operação das estatais, nos quais o setor privado tem em geral maior presença.

REESTRUTURAÇÃO

O novo plano estimula a reorganização interna das estatais chinesas e a otimização da alocação de recursos. Capitais sociais são estimulados a participar e a apoiar a reestruturação das estatais.

O novo plano também convoca as estatais a “crescerem e fortalecerem-se mediante a inovação” e a investirem mais em pesquisa e desenvolvimento.

(artigo enviado pelo jornalista Sergio Caldieri)

Falta de verbas já está comprometendo as investigações da Polícia Federal

Verbas diminuem desde 2007, diz Sobral

Eduardo Militão
Correio Braziliense

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Miguel Sobral, diz que a falta de dinheiro na corporação impede a realização de, no mínimo, 2 mil operações. No ano passado, foram deflagradas cerca de 500 ações, embora a categoria reconheça só 300, ignorando-se pequenas atuações pontuais em inquéritos simples. A corporação espera que o governo interino de Michel Temer (PMDB) reverta o que eles chamam de recuo nos avanços da Polícia Federal.

Para Sobral, de 2004 a 2006, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) investiu pesado no órgão, mas isso foi caindo a partir do ano seguinte e se acentuou em 2010. Apesar disso, o entendimento da população continua de que tudo anda muito bem, inclusive graças ao sucesso de três grandes operações: Lava-Jato, Zelotes e Acrônimo.

O que muda na PF com a chegada de Michel Temer?
Primeiro, a PF vem passando grandes dificuldades orçamentárias. De 2010 para cá, temos dificuldade de movimentar pessoal para fazer operações. Quando não temos recursos para diárias e passagens, a investigação demora. Temos 500 cargos de delegados vagos, de quem foi se aposentando, e 400 vão se aposentar nos próximos três anos. Devemos ficar com 1.300, mais ou menos. Dez anos atrás, tínhamos 2,2 mil. Temos hoje 1,7 mil. Como conseguimos fazer uma Lava-Jato, uma Zelotes? Nós priorizamos: paramos outras, que sequer começam em favor dessas. E mesmo essas caminham com dificuldade.

Qual a expectativa com o novo governo?
Nossa expectativa é que a PF volta a fazer parte da agenda do governo e que ela volte a crescer. Isso significa desenvolver nossas atividades com mais apoio. Passamos a considerar operações ações ordinárias — uma busca e apreensão em um inquérito comum. Há um mascaramento dos dados. Nossa quantidade de operações caiu. A PF é menos ativa e menos eficiente do que no período de 2004 a 2006, por exemplo. A gente vinha crescendo. De repente, de 2009 a 2010, parou. Nossa expectativa é ter uma inversão nesse processo com o novo governo.

O que lhe dá otimismo que Temer vai conceder autonomia à PF?
A cobrança da população sobre novo governo e a consciência do novo governo de que ele não pode errar. Ele tem que construir sua credibilidade e sabe que a população não vai aceitar o encolhimento e a intervenção na PF. Diante dessa realidade, acreditamos que o governo Temer vai atender o anseio popular e conceder a nossa autonomia. Queremos que o governo Temer apoie a autonomia, inclusive dando apoio expresso e explícito à PEC 412. Queremos mandato de três anos com recondução para o diretor-geral com lista tríplice.

Em 2007, a PF indiciou Vavá, o irmão do então presidente Lula. Esse é o motivo das reduções das verbas da PF?
A PF vinha numa crescente. Em 2001, 2002, 2003, passamos a atuar internamente, por processo de limpeza interna, para corrigir erros do passado. Várias operações tinham como alvo policiais, delegados, peritos e agentes. Depois, passamos o crime organizado e desvios de verbas federais em prefeituras e governos estaduais. Depois, em outras esferas: Legislativo e Judiciário. Isso foi numa crescente. E até que, num momento, passou às altas autoridades da República detentoras de poder. Evidentemente que essa atuação da Polícia Federal causa um transtorno sob a ótica do investigado, condenado. Uma instituição que tem essa potencialidade tende a ter uma reação adversa. Isso é natural. Por isso, defendemos a blindagem.

Quantas investigações deixaram de ser feitas por falta de dinheiro?
Temos 180 mil inquéritos. Quantos poderiam se transformar em grandes operações se o delegado tivesse uma equipe? Na grande parte da polícia, o delegado trabalha sozinho, às vezes, com um escrivão. Só quando a investigação cresce ou acontece algo, ele recebe a equipe. Imaginemos que cada delegado tivesse equipe e pudesse levar adiante sem depender de ninguém.

Só no ano passado foram 500 operações…
Dessas, a gente reconhece só 300. Se a gente tivesse recursos, no mínimo faríamos 2 mil grandes operações. Se tivéssemos 1.000 delegados com equipe, ele (cada um) faz duas operações por ano. Você tem uma Lava-Jato que dura dois anos, mas tem outras que duram três meses. Na média, duas por ano.

Jucá insiste em ficar como ministro e o presidenteTemer terá de demiti-lo

Jucá diz que sua permanência não prejudicará o governo

Machado Da Costa
Folha

Apesar de ser o protagonista da primeira crise enfrentada pelo presidente interino, Michel Temer, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, diz que sua permanência à frente da pasta não prejudica a imagem do novo governo. Segundo Jucá, Temer o apoiou na escolha de permanecer no Planejamento e reiterou que irá junto do presidente entregar a nova meta fiscal, à tarde, no Congresso Nacional. Eles vão se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros, para definir a votação. Embora Jucá acredite que não há crise, na manhã desta segunda-feira (23), a bolsa abriu em queda e o dólar alta, o que mostrou o temor dos investidores com o risco causado pelo ministro.

Próximo do meio dia, cerca de 50 manifestantes ocuparam a frente do Ministério do Planejamento. Eles pedem a saída de Michel Temer e acusam Jucá de ser golpista. “Temer mal consegue montar sua equipe, porque os políticos sérios sabem que foi um golpe o que aconteceu”, acusa um dos manifestantes.

“Eu tenho um entendimento errado sobre a imagem do governo e a bolsa. Acho que a bolsa caiu porque a minha saída seria uma baixa para a equipe econômica. Eu faço uma leitura diferente, respaldado pelos agentes econômicos”, afirma Jucá.

“RETIRADOS DO CONTEXTO”

Durante entrevista coletiva, o ministro insistiu na tese de que os trechos publicados pela Folha foram retirados de contexto.

“Estou dizendo que as frases que estão ali, eu tenho repetido abertamente. Disse o mesmo no Roda Viva, na Veja e também na Isto É”, diz.

Jucá explicou porque se recusou a responder à Folha os questionamentos que lhe foram enviados. O ministro havia escalado o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, para responder às perguntas da reportagem.

“O assunto foi encaminhado ao Kakay porque ele é o advogado. Não vou ficar dando informações sobre o processo judicial. Eu não confio no repórter e nem no veículo. Eu não sei a que ponto passariam a verdade. Eu tenho o direito de colocar o que eu entendo. Para falar com a Folha, eu preciso saber quais são os termos. Por isso, o doutor Kakay tratará de qualquer questão judicial, até para que não tenhamos um desgaste sobre algo que não existe”, afirmou Jucá.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Folha respondeu que as informações publicadas não foram retirados de contexto. Juca não quer sair e Temer terá de demiti-lo, caso contrário ficará totalmente desprestigiado.É isso que vai acontecer daqui a pouco. (C.N.).

Forças Armadas estão furiosas com o PT, mas não há ameaça de golpe militar

Militares só podem intervir se houver perturbação à ordem

Deu no Estadão  

A temperatura nos quartéis se elevou ainda mais por conta da resolução do Partido dos Trabalhadores sobre conjuntura política que diz que os petistas foram “descuidados” por não terem modificado os currículos das academias militares e por não terem promovido oficiais que, na avaliação do antigo governo, tinham o que consideram ser compromissos “democráticos e nacionalistas”. Na sexta-feira, depois de o Comando do Exército ter apresentado sua “indignação” com a declaração dos petistas, a Aeronáutica e a Marinha também repudiaram as afirmações.

Os presidentes dos Clubes Naval, da Aeronáutica e Militar, em um artigo intitulado “Democratas e nacionalistas”, falam do “cuidado que devemos ter ao ler qualquer documento de partidos esquerdistas, pois a linguagem que empregam é, maliciosamente, deturpada para que concordemos com ela”.

O trecho contestado por militares da ativa e da reserva diz: “Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação”.

POLITIZAÇÃO

A Marinha do Brasil, ao rechaçar o trecho do documento, lembra que, “como uma das instituições permanentes do Estado, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, tem como um de seus princípios basilares o distanciamento de qualquer tipo de ideologia ou ordenamento de caráter político ou partidário”.

Acrescenta ainda que “mudanças nos currículos das Academias e nos critérios de promoção, dentro do contexto em que foram feitas em documento do PT, só terão como consequências a perda do profissionalismo que caracteriza nosso trabalho e a indesejável politização dos militares”.

Já a Aeronáutica, depois de ressaltar que as Forças Armadas são instituições de Estado e que não costuma responder a partidos políticos, disse que “são absolutamente infundadas essas considerações”. Para a Força Aérea, “atacar o currículo das escolas militares que tem como base a disciplina e ética, além do profissionalismo, é inaceitável”. A Aeronáutica citou também que o currículo das escolas das forças “garante todos os níveis indispensáveis da formação militar, acadêmica, moral e profissional”.

MERITOCRACIA

A nota do PT, segundo a FAB, “nos atingiu bastante”, inclusive no item que trata das promoções porque os critérios da força “são totalmente baseados na meritocracia, em função do desempenho do oficial ao longo da sua carreira, baseado em aspectos profissionais, intelectuais e morais e, acima de tudo, em defesa do Estado brasileiro”. Acrescentou ainda que a formação dos militares é “totalmente cercada por critérios muito bem estabelecidos e democráticos”.

Um outro integrante do Alto Comando do Exército, “indignado” com a postura petista, questionou: “A pergunta que eu gostaria de fazer ao Rui Falcão (presidente do PT) é se ele quer mudar o currículo das escolas militares para resolver qual problema? Que oficial com compromisso democrático e nacionalista é este que vocês querem? Por acaso nossos oficiais de hoje não são democratas? Não são nacionalistas? O que vocês estão querendo com isso?”.

ESCOLAS-MODELO

Em seguida, o general desabafou afirmando que as escolas militares são reconhecidas no mundo inteiro porque os militares são formados, graduados e aperfeiçoados, fazem cursos de altos estudos e de política estratégica para formar profissionais de Estado. “Nós somos profissionais de Estado. Nós servimos ao Brasil e não a partidos. É lamentável ter essa pretensão. Para mim, isso é fazer proselitismo político”, emendou.

“Foi uma provocação a todas as instituições de Estado e até à imprensa. É muita pretensão. É inadmissível o que está escrito ali. É uma barbaridade”, prosseguiu ele, salientando que os militares, “neste conturbado processo político, permaneceram firmes, serenos, seguros e cumprindo o estrito papel que cabe às Forças Armadas pela Constituição”.

CHAVÕES ESQUERDISTAS

Os três Clubes Militares, em nota conjunta, citam que o documento petista “apresenta uma série de chavões esquerdistas, como dizer que o Estado está agora sob a direção de velhas oligarquias, que as mesmas aplicaram um golpe de estado, que estamos adotando o modelo econômico preconizado pelo grande capital, que o impeachment é um golpe casuístico para depor um governo democraticamente eleito”.

Em seguida, fala sobre o trecho questionado no texto petista que trata das “possíveis falhas que levaram ao fim do projeto socialista de eternização no poder” e que entre elas aponta a não interferência nas promoções e no currículo da área militar.

Para os presidentes dos três clubes militares, que são porta-voz dos oficiais da ativa, “o parágrafo é particularmente revelador sobre a mentalidade distorcida que domina a esquerda e a insistência em suas teses de dominar instituições que, no cumprimento da lei, impedem a realização de seus sonhos totalitários, que eles denominam democratas, na novilíngua comunopetista”.

SABOTAGEM?

Os militares criticam ainda o fato de o PT enxergar “uma sabotagem conservadora na ação democrática que os impediu de dominar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, seu objetivo permanente”. Ao se referir à questão de reformulação dos currículos das escolas militares, citam que ali é um “reduto de resistência à releitura da História que pretendem, o que fica claro na Base Nacional Comum Curricular proposta pelo MEC, e também nos textos revisionistas constantes dos livros didáticos, particularmente os de História, com que vêm difundindo suas ideias distorcidas e fazendo verdadeira lavagem cerebral em nossos jovens estudantes, há longo tempo”. E acrescentam que tudo isso ocorre “sob o olhar complacente e até mesmo sob o aplauso de mestres e pais politicamente corretos”.

Depois de condenar a tentativa de “domínio da imprensa por meio do controle das enormes verbas publicitárias que controlam”, os presidentes dos clubes dizem que, “quanto à promoção de oficiais com compromisso democrático e nacionalista, isto é o que vem sendo feito desde sempre, pois as Forças Armadas são o maior depósito e fonte de brasileiros democratas e nacionalistas de que a Nação dispõe”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enviado pelo advogado João Amaury Belem, o texto é preocupante. Mas já era esperado o desabafo dos três clubes militares, que representam mais a reserva do que a ativa. A direção do PT, em momento de grande irresponsabilidade, provocou as Forças Armadas. Veio a resposta, mas não há possibilidade de golpe militar. Por enquanto, é claro. (C.N.)

Temer avisa que Jucá deve se demitir do Ministério por causa das gravações

Michel Temer deu entrevista a Moreno por telefone

Jorge Bastos Moreno
O Globo

Acabo de falar com o presidente Michel Temer, que me disse que vai esperar a coletiva de Jucá para poder se posicionar sobre a gravação.

— E se as explicações não forem convincentes, o senhor vai demiti-lo?

— Acredito que ele próprio o fará.

Temer reafirmou seu compromisso com a independência da Lava Jato, dentro dos valores que tem pela moral pública e lembrou que a queda do governo ao qual sucedeu ocorreu justamente por isso.

Informou ter conversado mais cedo com Jucá, quando este lhe informou da coletiva.

— É preciso dar ao ministro Jucá o direito de defesa. E é o que ele pretende fazer nessa coletiva. Vamos aguardar o desdobramento disso durante o dia — disse.

Ao falar em “moral pública”, Temer quis se referir ao compromisso reafirmado por Ulysses Guimarães na promulgação da Constituição: “Não roubar, não deixar roubar, por na cadeia quem roube, eis o primeiro compromisso da moral pública.”

(texto enviado pelo comentarista Moacir Pimentel)

Conversa com Sérgio Machado não traz nada ilegal, diz advogado de Jucá

Kakay, advogado de Jucá, agora defende a Lava Jato

Deu na Folha

O advogado do ministro do Planejamento, Romero Jucá (Planejamento), Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Operação Lava Jato “porque essa não é a postura dele”. O ministro também negou ter mantido reunião com qualquer integrante do Supremo Tribunal Federal para tratar do assunto levantado pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que pediu apoio para seu caso não ser transferido para Curitiba (PR).

“O presidente Temer já disse, evidentemente, o apoio absoluto à Lava Jato. Nós advogados [também]. Eu sou um crítico da Lava Jato, mas tenho certeza absoluta da necessidade desse trabalho”, afirmou Kakay.

Em seu primeiro discurso após assumir a Presidência de forma interina, Temer defendeu que a Lava Jato não sofra interferências que possam enfraquecê-la.

CONVERSA GRAVADA

O defensor de Jucá disse que o ministro confirmou ter conversado pessoalmente com Sérgio Machado, que o procurou porque estava “preocupado com uma série de questões”, mas que conversaram sobre os assuntos “de uma forma geral”.

“Governo nenhum mudará nada em relação à Lava Jato no Poder Judiciário. Infelizmente, no meu ponto de vista, o Ministério Público e a Polícia Federal são completamente independentes”, disse o defensor, que critica excessos das investigações.

Sem ter tido acesso às gravações, Kakay comentou que “o fato de um cidadão se preocupar com o andar de investigações, conversando privadamente, fazendo questionamentos e críticas, não configura nada de ilegal ou imoral”. “Quando você está conversando na vida privada, com amigos ou com alguém da sua relação, você faz às vezes observações mais fortes. Não vejo nenhuma ilegalidade”, completou o advogado.

TUDO É GRAVADO

“Nós vivemos um momento extremamente grave na vida brasileira, em que tudo é gravado, tudo é exposto, e tudo é interpretado de forma descontextualizada, muitas vezes. É normal que duas pessoas conversem e falem sobre preocupações do que vai acontecer numa investigação. Não vejo nada, sob o prisma jurídico, que seja preocupante”, disse o advogado.

MACHADO SUMIU

Sérgio Machado foi procurado desde a semana passada, mas não foi localizado. Foram deixados recados em um escritório e na secretária eletrônica de um celular por ele utilizado. Em depoimento à Polícia Federal, Machado negou quaisquer irregularidades na sua gestão à frente da Transpetro. Também negou ter pago R$ 500 mil ao delator Paulo Roberto Costa.

Jucá também sempre negou qualquer participação nos esquemas investigados pela Lava Jato.

Cúmplice de Pimentel diz como recebiam propinas no esquema do BNDES

Pimentel será afastado do governo de Minas

Jailton de Carvalho
O Globo

A situação do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), delicada desde que ele foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pode se complicar ainda mais com os novos desdobramentos da Operação Acrônimo, da Polícia Federal. Depois de uma arrastada negociação, o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, amigo e suposto operador do governador, fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e acusou Pimentel de receber propina de empresas beneficiadas com financiamentos do BNDES.

Num dos depoimentos da delação, Bené afirmou que só da Caoa, representante da Hyundai no Brasil, Pimentel teria sido destinatário de mais de R$ 10 milhões, segundo disse ao Globo uma fonte que conhece o caso de perto.  Em linhas gerais, o empresário confirmou o conteúdo da denúncia formulada pela vice-procuradora-geral da República Ela Wiecko contra Pimentel, Bené e os dois principais executivos da Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade e Antônio dos Santos Maciel Neto, entre outros, no último dia 6, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

COM O BNDES

Bené ainda apontou irregularidades em negócios financiados pelo BNDES na Argentina e em Moçambique e que teria Pimentel entre os possíveis beneficiários. Na denúncia apresentada ao STJ a partir de um relatório da PF, Ela Wiecko acusa Pimentel de receber R$ 2 milhões em propina de Andrade e Maciel.

O dinheiro teria chegado ao governador depois de passar pela Bridge e a Bro, duas empresas de Bené. A transação teria sido camuflada num contrato fictício de consultoria firmado entre Bené e os executivos da Caoa.

Na denúncia, Ela Wiecko sustenta que, no mesmo período do pagamento da suposta propina, a Caoa recebeu cerca de R$ 600 milhões em benefícios fiscais do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar), do Ministério do Desenvolvimento. As vantagens tributárias estavam vinculadas a uma planta industrial da Caoa em Anápolis, Goiás. Confrontado com as acusações, Bené confirmou o conteúdo da denúncia e acrescentou novos detalhes.

MAIS DE R$ 10 MILHÕES

Pelas contas do empresário, os desembolsos da Caoa em troca de benefícios fiscais foram superiores a R$ 10 milhões. Investigadores querem saber o destino do dinheiro. Bené também confirmou a acusação da vice-procuradora de que a consultoria que ele teria fornecido à Caoa era “fajuta”. As declarações de Bené podem deixar em apuros Andrade e Maciel. Quando o caso veio à tona, a defesa dos dois alegou que a consultoria era real e que até teria sido usada na Inglaterra.

As acusações de Bené são consideradas consistentes por investigadores. O empresário e o governador são amigos de longa data. Bené atuou na campanha de Pimentel ao governo de Minas em 2014 mesmo tendo sido um dos pivôs da crise que quase leva à derrota a presidente afastada Dilma Rousseff na campanha de 2010.

FICHA SUJA

O governador ignorou a ficha do empresário, pontuada por denúncias de desvio de dinheiro na Esplanada dos Ministérios, e o manteve como um dos colaborares de sua última campanha.

As revelações do operador devem aumentar a pressão sobre Pimentel. Caberá ao ministro Herman Benjamin, relator da Operação Acrônimo no STJ, decidir se acolhe ou não a denúncia. No entendimento de setores do Ministério Público Federal, o relator pode acolher a denúncia por conta própria.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Segundo a Constituição mineira, se o relator acolher a denúncia, o que deve acontecer nos próximos dias, Pimentel é automaticamente afastado do governo de Minas Gerais. Seu advogado diz que não, com base em recurso do Supremo beneficiando o então governador Itamar Franco, mas acontece que as situações são muito diferentes, porque Itamar não era réu no STJ por atos de corrupção. (C.N.)

Adivinhe quem pagará a conta da ruína causada pela aliança de PT e PMDB?

Charge do Iotti, reprodução da Zero Hora

Roberto Nascimento

O povo irá pagar as contas da farra do dinheiro público, tanto do PT, o cabeça de chapa, quanto do PMDB o segundo protagonista, que deu respaldo aos governos do PT durante quase 14 anos. Disso tudo, o povo será sacrificado para o país zerar o déficit e em seguida voltar a liberar dinheiro a rodo para o setor produtivo e as empreiteiras, a pretexto de gerar emprego e renda, quando todos sabem que as pequenas e médias empresas é que criam empregos estáveis.

Infelizmente, o PT (“Partido dos Trabalhadores”, lembram?) enveredou por caminhos errados e tortuosos ao apostar nos campeões nacionais e nas empreiteiras, uns faliram e há outros envolvidos na Lava Jato, ávidos em entregar todos os acordos feitos com Lula, para conseguirem redução de pena.

Não querem amargar o mesmo destino de Marcos Valério e José Dirceu. Vejam só o caso de Delcídio do Amaral, o ex-líder do governo que não hesitou e fez logo delação premiada para se livrar da prisão e ter sua pena reduzida.

O FIM DE UM MITO

Lula, que era considerado infalível e por isso mesmo respeitado entre gregos e troianos, a ponto dele próprio ter acreditado nesse mito, pois bem, vive o ex-presidente hoje seu momento de queda na política e o fim do sonho de perpetuação do poder, à moda do PRI do México.

O PT perdeu pelos seus próprios erros e vai pagar por isso, pela traição à classe trabalhadora. Em outubro já virá o troco do povo, quando o PT perderá o controle das grandes cidades que ainda controla. Até Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, periga perder a eleição, apesar da fraqueza dos adversários.

PAULICEIA DEVAIRADA

Na disputa pela prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, agora no PMDB, não será perdoada por ter pulado fora do barco do PT, e João Dória, do PSDB, é tão ruim de voto e de credibilidade que seria melhor a reeleição de Haddad ou a vitória de Luiza Erundina, agora no PSOL, em contraponto à eleição do neotucano.

Como Geraldo Alckmin é o fiador de Dória, os senadores Aécio Neves e José Serra torcem por qualquer candidato a prefeito, só para ver o governador ser derrotado. É a eterna luta pelo poder, causando a cizânia entre os integrantes do PT, do PSDB e do PMDB. E no final o povo sempre paga a conta.

Gravações mostram Romero Jucá defendendo “pacto” contra a Lava Jato

Rubens Valente
Folha

Em conversas ocorridas em março passado, o ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo federal resultaria em um pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos. Gravados de forma oculta, os diálogos entre Machado e Jucá ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. As conversas somam 1h15min e estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República).

O advogado do ministro do Planejamento, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades.

Machado passou a procurar líderes do PMDB porque temia que as apurações contra ele fossem enviadas de Brasília, onde tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal), para a vara do juiz Sergio Moro, em Curitiba (PR).

“EU SOU O CAMINHO”

Em um dos trechos, Machado disse a Jucá: “O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. […] Ele acha que eu sou o caixa de vocês”.

Na visão de Machado, o envio do seu caso para Curitiba seria uma estratégia para que ele fizesse uma delação e incriminasse líderes do PMDB.

Machado fez uma ameaça velada e pediu que fosse montada uma “estrutura” para protegê-lo: “Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu ‘desça’? Se eu ‘descer’…”.

Mais adiante, ele voltou a dizer: “Então eu estou preocupado com o quê? Comigo e com vocês. A gente tem que encontrar uma saída”.

Machado disse que novas delações na Lava Jato não deixariam “pedra sobre pedra”. Jucá concordou que o caso de Machado “não pode ficar na mão desse [Moro]”.

RESPOSTA POLÍTICA

O atual ministro afirmou que seria necessária uma resposta política para evitar que o caso caísse nas mãos de Moro. “Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, diz Jucá, um dos articuladores do impeachment de Dilma. Machado respondeu que era necessária “uma coisa política e rápida”.

“Eu acho que a gente precisa articular uma ação política”, concordou Jucá, que orientou Machado a se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).

Machado quis saber se não poderia ser feita reunião conjunta. “Não pode”, disse Jucá, acrescentando que a ideia poderia ser mal interpretada.

PACTO NACIONAL?

O atual ministro concordou que o envio do processo para o juiz Moro não seria uma boa opção. “Não é um desastre porque não tem nada a ver. Mas é um desgaste, porque você, pô, vai ficar exposto de uma forma sem necessidade.”

E chamou Moro de “uma ‘Torre de Londres'”, em referência ao castelo da Inglaterra em que ocorreram torturas e execuções entre os séculos 15 e 16. Segundo ele, os suspeitos eram enviados para lá “para o cara confessar”.

Jucá acrescentou que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”. Machado disse: “aí parava tudo”. “É. Delimitava onde está, pronto”, respondeu Jucá, a respeito das investigações.

O senador relatou ainda que havia mantido conversas com “ministros do Supremo”, os quais não nominou. Na versão de Jucá ao aliado, eles teriam relacionado a saída de Dilma ao fim das pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato.

“UM CARA FECHADO”

Jucá afirmou que tem “poucos caras ali [no STF]” ao quais não tem acesso e um deles seria o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, a quem classificou de “um cara fechado”.

Machado presidiu a Transpetro, subsidiária da Petrobras, por mais de dez anos (2003-2014), e foi indicado “pelo PMDB nacional”, como admitiu em depoimento à Polícia Federal. No STF, é alvo de inquérito ao lado de Renan Calheiros.

Dois delatores relacionaram Machado a um esquema de pagamentos que teria Renan “remotamente, como destinatário” dos valores, segundo a PF. Um dos colaboradores, Paulo Roberto Costa disse que recebeu R$ 500 mil das mãos de Machado.

INQUÉRITOS

Jucá é alvo de um inquérito no STF derivado da Lava Jato por suposto recebimento de propina. O dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em delação que o peemedebista o procurou para ajudar na campanha de seu filho, candidato a vice-governador de Roraima, e que por isso doou R$ 1,5 milhão.

O valor foi considerado contrapartida à obtenção da obra de Angra 3. Jucá diz que os repasses foram legais.

Por excesso de amor, um poeta pode até enlouquecer

O advogado e poeta baiano Pedro Militão Kilkerry (1885-1917), no poema “Essa, que Paira em meus Sonhos”, confessa que por excesso de amor, enlouqueceu.

ESSA, QUE PAIRA EM MEUS SONHOS
Pedro Kilkerry

Essa, que paira em meus sonhos,
Em meus sonhos a brilhar,
E tem nos lábios risonhos
O nácar de Iônio – Mar –
Numa fantasia estranha,
Estranhamente a sonhei
E de beleza tamanha,
Enlouqueci. É o que sei.
Ela era, em plaustro dourado
Levado de urcos azuis,
De Paros nevirrosado,
Ombros nus, os seios nus…
E que de esteiras de estrelas,
De prásio, opala e rubim!
Na praia perto, por vê-las
Vi que saltava um delfim
Que longamente as fitando
Alçou a calda, a tremer
E outros delfins, senão quando
Aparecer.

                            (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)