Partidos políticos nada fazem contra exclusão racial em suas legendas

Raquel Ayres

O último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 50,7% dos brasileiros são negros ou pardos. No entanto, no Congresso Nacional, apenas 8,5% das cadeiras são ocupadas por essa parcela da população. Na opinião de especialistas, essa razão inversamente proporcional evidencia a falta de interesse dos partidos políticos em promover candidaturas dos negros.

“Existe um fosso que separa brancos e negros no que se refere à representação parlamentar. Somos 43 deputados federais e três senadores diante de um universo de 513 parlamentares brancos e 81 senadores também brancos”, afirma o presidente da ONG União de Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga. Segundo ele, diferentemente dos evangélicos e ruralistas, a bancada negra, por ser pouco numerosa, encontra obstáculos para aprovar leis que favoreçam a raça. A Lei das Cotas, que levou mais de dez anos para ser aprovada, e o Estatuto da Igualdade Racial são exemplos.

As três maiores legendas do país – PT, PMDB, PSDB – têm seus núcleos negros, mas esses grupos enfrentam a mesma situação que as alas femininas: faltam recursos para dar visibilidade aos candidatos. Na prática, as siglas não investem nos negros.

PT NÃO LIBERA RECURSOS

Em Minas, a maior parte de candidatos que se declararam pretos ou pardos pertence ao PT. São 13 concorrentes a deputado federal. A ala negra do partido, formada por 11 membros, reúne-se uma vez por mês para debater questões relativas às políticas de promoção racial e inclusão socioeconômica.

Mas verbas destinadas especialmente para financiar campanhas e programas afeitos a questões raciais não fazem parte dos custos do PT. “Se há algum evento, o partido arca com as despesas. Mas não temos, por exemplo, acesso ao fundo partidário. Nem mesmo uma quantia como a de 5%, que é destinada à mulher”, avalia a secretária de Combate ao Racismo do PT em Minas, Cleide Hilda de Lima Souza.

O cientista político Manoel Leonardo Santos explica que, espontaneamente, o crescimento da representação negra não tem como ocorrer. “É preciso pensar mecanismos que promovam essa representatividade, pois o sistema político reproduz a exclusão que acontece na sociedade”, explica.

 

O PIB de 2014 já era, a luta agora é para salvar o PIB de 2015

Vicente Nunes
Correio Braziliense

De nada adiantará o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzir os juros em sua próxima reunião, de 2 e 3 de setembro. Apesar da pressão política que se avizinha, diante dos sinais claros de que o Brasil está em recessão, técnicos da instituição asseguram que um eventual corte da taxa básica (Selic) a curto prazo não terá qualquer efeito sobre o ritmo da atividade. Ou seja, não impedirá um resultado pífio do Produto Interno Bruto (PIB) no último ano de mandato da presidente Dilma Rousseff, que buscará à reeleição.

“O PIB deste ano já está dado. É verdade que ainda há tempo para salvar o resultado de 2015. Mas não há porque o BC agir de forma açodada”, diz um técnico graduado do banco. Para ele, não se pode esquecer que o país está às vésperas de uma eleição. “Qualquer movimento do Copom no sentido de reduzir juros antes de os brasileiros irem às urnas pode soar como eleitoreiro. Isso não combina com o tecnicismo que pauta as decisões da política monetária”, acrescenta.

A tendência, dizem fontes próximas à diretoria do BC, é de que o corte de juros, se vier, ocorra no encontro do Copom de 28 e 29 de outubro. Até lá já se saberá o nome do futuro presidente do Brasil e, espera-se, que ele indique os rumos da política econômica. “Para o Copom, é mais confortável agir depois das eleições, até porque já terá em mãos dados mais concretos sobre a inflação. Hoje, olhando apenas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), seria imperativo o aumento dos juros. O BC não fez isso, porque a atividade está muito fraca”, ressalta uma das fontes.

SEM DESASTRE

Nas conversas que vêm mantendo com analistas do mercado e integrantes do governo, diretores do BC têm deixado claro que não veem nenhum desastre na economia. A desaceleração da atividade era esperada, diante do forte aumento da Selic desde abril do ano passado, de 7,25% para 11% anuais. Esse movimento, por sinal, contribuiu para que a inflação mensal perdesse força. A expectativa é de que o IPCA de julho fique entre 0,10% e 0,15%.

Os técnicos do BC reconhecem que o aperto monetário foi potencializado pela onda de pessimismo que tomou conta de empresários e consumidores. “Isso ajudou a minar, além do desejado, o PIB”, admite um deles. A perspectiva entre os auxiliares de Alexandre Tombini, contudo, é a de que, passadas as eleições, independentemente de quem seja o eleito para comandar o país a partir de 2015, a confiança voltará. “Não há como empresários e consumidores ficarem na retranca por tanto tempo. A vida segue. O Brasil não vai quebrar. Pelo contrário, as perspectivas são boas, a despeito dos ajustes que terão de ser feitos na economia, alguns, bem dolorosos”, complementa.

A reforma política da CNBB, OAB e outros. Que outros?

Percival Puggina

Buscando informações sobre o projeto de reforma política que vem sendo objeto de coleta de assinaturas, descobri uma nova dimensão da hegemonia que se estabeleceu sobre a nação. Qual o partido ou tendência ideológica que lhe vem à mente quando eu menciono MST, CUT, Via Campesina, CONTAG, UNE, FENAJ? Pois bem, fazendo a tal busca, obriguei-me a ler as 23 páginas do projeto de lei que “dispõe sobre o financiamento das campanhas eleitorais e o sistema de eleições proporcionais”. Tratei, igualmente, de saber de onde ele veio. Esse projeto, foi divulgado em outubro do ano passado pelo movimento Eleições Limpas (www.eleicoeslimpas.com.br) e hoje é acionado por uma certa Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas (procure no Google por esse nome e clique em “Quem somos”).

Vê-se, ali, que a coalizão é formada por 99 entidades – sim, você leu certo, 99! – contadas uma a uma. Entre as já mencionadas, ainda encontrei outros velhos conhecidos: UBES (estudantes secundaristas), CNTE (“trabalhadores” em educação), CONIC (aquele Conselho Nacional de Igrejas Cristãs que apoiou oficialmente o PNDH-3), o MMC (Movimento das Mulheres Camponesas, aquelas que invadiram os laboratórios da Aracruz em 2006), um certo Fórum Paulista de Participação Popular (cujo site é encimado por peça publicitária de um candidato do PT a deputado federal), a Via Campesina, a UBM (entidade de mulheres pró-aborto), RFS (Rede Feminista de Saúde, pró-aborto), a REBRIP (rede de ONGs e movimentos sociais com propostas “alternativas”), a Liga Brasileira de Lésbicas, o Movimento Evangélico Progressista, a Articulação Mulheres Brasileiras (pró-aborto e contra os direitos dos nascituros). E por aí vai. Sabe quando a oposição conseguirá reunir algo semelhante a esse formidável elenco de militantes ONGs, grupos, movimentos, uniões, conselhos, redes, ligas, associações, federações, centrais, etc.?

BISPOS E ADVOGADOS…

Encimando a lista, mas como fios da mesma meada, luzem os logotipos e as siglas da CNBB e da OAB. Isso mesmo. Mais uma vez, você leu certo. As duas entidades, juntam-se a estranhíssimas parcerias, revolucionárias umas, desrespeitadoras da lei outras, objetivamente criminosas outras mais, para propor à nação uma “reforma política” praticamente igual à que o PT sempre pretendeu.

Quem duvida, informe-se. O 3º Congresso do PT, em 2007, definiu-se por uma reforma política que estabelecesse: 1) o financiamento público das campanhas; 2) o voto em listas fechadas; 3) a representação de gênero, raça e etnia. O projeto da Coalizão: 1) cria o financiamento público e proíbe o financiamento de empresas; 2) estabelece o voto em lista fechada; 3) gratifica com mais recursos públicos o partido que apresentar candidatos de segmentos sociais minoritários.

E faz dois adendos ao projeto do PT: 1) admite o financiamento de pessoas físicas até o limite de R$ 700; 2) acrescenta à proposta petista um segundo turno nas eleições parlamentares para o ordenamento final das cadeiras por voto nominal. Nem uma palavra, nem um pio, sobre o que mais importa: delegar a chefia de Estado e a chefia de governo a pessoas distintas, impor o desaparelhamento partidário da administração pública e estabelecer o voto distrital misto.

Com esses apoiadores e tanta identidade de pontos de vista, eu não preciso saber mais para compreender a quem serve esse projeto. E concluo: se ele serve a quem serve, não serve ao Brasil.

Aviso aos navegantes: a migração do Blog terminou e agora só falta o retorno dos comentaristas

Carlos Newton

A empresa especializada em informática SV Consultoria e Sistemas já concluiu a migração do blog Tribuna da Internet para outro servidor, abrindo caminho para que tenhamos mais facilidades de acesso e de edição do blog.

Ainda não temos retorno dos comentaristas, mas sentimos uma redução significativa do número de comentários, esta manhã. Para nós, aqui na parte de edição, está tudo bem e a velocidade das operações aumentou bastante.

O especialista que nos atendeu chama-se Jeferson Franklin e o telefone da empresa SV é 21 2509-0332. O atendimento é nota 10. Se algum dos comentaristas precisar de apoio, nós recomendamos com entusiasmo a SV.

Santander deixa cliente sem entender

 

Jorge Béja

Não dá mesmo para entender a justificativa da alta direção do banco Santander, a de que o comunicado que seus clientes selecionados receberam, e que contrariou o governo Dilma, foi opinião pessoal de um funcionário e, não, da instituição. Por isso, diz o banco, o empregado foi demitido. O povo, a clientela e até mesmo os clientes selecionados (“select”, aqueles que recebem mais de R$ 10 mil por mês), não merecem e nem podem ser enganados por essa justificativa do banco.

Não sendo falsa, a carta de um banco é de um banco. Não, de um funcionário. A carta é expedida e entregue em papel do banco, com a marca e o timbre do banco. O remetente é o banco. O destinatário é o correntista do banco e, não, do funcionário que, se assina a correspondência, o faz em nome do banco e pelo banco. Integra a “Assessoria Financeira” do banco.

A Ciência do Direito considera como prepostos os empregados, funcionários e serviçais de uma pessoa jurídica no exercício do trabalho que lhes competir: “SÃO RESPONSÁVEIS O EMPREGADOR OU COMITENTE PELOS ATOS DE SEUS EMPREGADOS, SERVIÇAIS E PREPOSTOS NO EXERCÍCIO DO TRABALHO QUE LHES COMPETIR, OU EM RAZÃO DELE” ( Código Civil Brasileiro, Artigo 932, III ). Este banco estrangeiro, que se estabeleceu também no Brasil, em momento algum afirmou que a carta, ou comunicado, era falsa. Que não tinha partido do Santander. Mas veio com uma justificativa estapafúrdia, que deixa os leigos em Direito sem entender nada.

FECHANDO AGÊNCIAS

Também sem entender estão os clientes-correntistas do Santander da agência Largo da Segunda-Feira (Rua Haddock Lobo) na Tijuca, zona norte do Rio. A agência fechou no último dia 25 deste mês de Julho e passou a atender numa outra agência que já existia na altura do número 200 da mesma Rua Haddock Lobo. Outra agência do Santander também vai fechar no dia 18 de Agosto próximo. Há muitos anos funcionando na Conde de Bonfim, perto do famoso “Alzirão” (agência Alzira Brandão, Tijuca), a agência passará a atender na outra agência da Rua Mariz e Barros (agência Mariz e Barros, Tijuca).

Tudo isso de forma unilateral, impositiva, sem pedido de desculpa, sem consulta prévia aos usuários-consumidores, que sem voz, sem opção e sem vez, ou vão ter que andar muito pelas perigosas ruas da Tijuca para irem até às outras agências, ou encerram suas contas e contratos que mantinham com a instituição. Mas nem todos podem tomar esta última decisão. O funcionalismo do Município do Rio (aposentados, ou não) não vai poder. Isto porque desde César Maia, em 2006, o Santander passou a ser o único e exclusivo banco que a prefeitura do Rio deposita os proventos de seus servidores, o que os obrigou abrir conta no Santander, seja para receber o dinheiro, seja para transferi-lo para outro banco, após o depósito feito pela prefeitura.

São fatos surpreendentes e que chegam a preocupar àqueles que têm conta no Santander. O banco envia comunicado-alerta a seus “seletos” clientes, nada nada abonador ao governo Dilma e, por causa da repercussão, traz a público, depois, desculpa esfarrapada, pondo a culpa no “funcionário”!!!. E ao mesmo tempo fecha duas importantes agências (toda agência bancária é importante, seja qual for, esteja onde estiver) no bairro da Tijuca, no Rio. Pelo menos duas, ao que se sabe.A lei protege (e como protege!) o Sistema Bancário. E é para proteger mesmo. Têm, também,os clientes-usuários-consumidores todo o direito de ser protegidos.

Em outubro, vote no candidato menos nocivo à nação

César Cavalcanti

Já falei aqui, neste espaço livre da Tribuna da Internet, por várias oportunidades, da importância do voto, do voto mais consciente.

As eleições estão cada vez mais próximas.É um momento ímpar para o eleitor brasileiro fazer uma reflexão sobre quem pretende colocar para governar o Brasil e seu Estado, para representá-lo na Câmara dos Deputados ou no Senado.
Há poucos dias, estive na biblioteca pública da minha cidade e, mexendo daqui e dali , encontrei um exemplar da revista O Cruzeiro datado de 1947, que trazia em seu bojo um artigo da escritora cearense Rachel de Queiroz, que tratava justamente de eleições, e vale a pena transcrever alguns trechos.
“Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta  ato de obediência  a um chefe, não se satisfaz  uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo  ou grupos de indivíduos que nos vão governar por um determinado prazo de tempo. Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos , passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se fossem nós próprios.”
Relembrando o julgamento  do mensalão  quando o punho forte do grande ministro Joaquim Barbosa levou à condenação dos réus, alguém logo lembrou que esse homem, que julga contra os petistas, foi colocado no Supremo pelo Lula.
O ministro Joaquim Barbosa honrou a toga, cumpriu sua missão sem nenhum compromisso de agradar a quem o escolheu. Aliás, a justiça só deve ter compromisso com a verdade.
O perfil dos nossos políticos atuais não é confiável. Poucos caminham pelo lado da ética, da honradez, da honestidade e dignidade. Portanto, eleitor brasileiro, ao votar, escolha pelo menos o que lhe parece menos nocivo à nação.

Mais de um terço dos servidores federais afirmam que corrupção é frequente nos órgãos públicos

Deu em O Tempo

Sem instrução adequada sobre a lei e o código de ética relacionados à função que exercem, servidores públicos federais indicam que a corrupção não é exclusiva de altos escalões do governo ou de empresas.

Em pesquisa realizada pelo Centro de Referência do Interesse Público da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 28,6% declararam já ter detectado suspeita de corrupção nos órgãos onde trabalham. Já 34,8% deles afirmam que a cobrança de propina na administração pública federal é frequente ou muito frequente.

A pesquisa, aplicada em 2010, mostra que a identificação desses atos só se transforma em denúncia em 34,8% dos casos. Entre os que não denunciam, 66,8% atribuíram a decisão à falta de provas, e 11,8% ao medo de represálias.

Os resultados da pesquisa revelam que, ao mesmo tempo em que 53,4% acham adequado o controle exercido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) junto aos órgãos, a maioria acha frágil o controle interno da administração federal: 59,9%. Entre os entrevistados, o principal motivo para a permanência da corrupção em seu ambiente de trabalho é a impunidade, de acordo com 31,2%. Em segundo lugar, vem a cultura que privilegia a falta de ética dos servidores e o “jeitinho”, segundo afirmam 19,4% dos participantes.

CONTRADIÇÃO

De acordo com o coordenador da pesquisa, o sociólogo Fernando Filgueiras, os resultados apontam para uma contradição: ao mesmo tempo em que os órgãos de fiscalização, como o Tribunal de Contas da União (TCU), a Advocacia Geral da União (AGU), a Polícia Federal e o Ministério Público Federal vêm se aperfeiçoando, o resultado dessa melhora não se traduz no fim da sensação de impunidade, o que explica as ocorrências de corrupção relatadas pelos servidores.

“Desde o processo de democratização do Brasil, há um avanço significativo da cultura política, o brasileiro tolera muito menos a corrupção. Mas ainda lidamos mal com o espaço público, existe uma cultura privatista e uma gestão pública despreparada para lidar com as políticas públicas, além de uma sensação de impunidade muito forte ligada às instituições. A sensação de que a corrupção não vai ser punida vira uma espécie de regra no serviço público”, explica.

De acordo com Filgueiras, falta a essas instituições de fiscalização eficiência na atuação conjunta. Ele defende um “sistema de integridade pública”, que congregue todas essas entidades.

“As instituições individualmente funcionam melhor, mas falta integração. A sensação de impunidade existe porque nenhuma delas vai conseguir atuar sozinha. Essas instituições precisam trabalhar conjuntamente, constituir um esforço coletivo para enfrentar a corrupção. Às vezes o Tribunal de Contas começa uma ação que depende de outras instituições, e aí ela para”, ressalta Filgueiras.

 

A vida que se vê da janela do apartamento de Ferreira Gular

O jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta maranhense José Ribamar Ferreira, mais conhecido como Ferreira Gullar, afirma que todos buscam, mas só alguns acham, porque “A Vida Bate”.

A VIDA BATE

Ferreira Gullar

Não se trata do poema e sim do homem
e sua vida
- a mentida, a ferida, a consentida
vida já ganha e já perdida e ganha
outra vez.
Não se trata do poema e sim da fome
de vida,
o sôfrego pulsar entre constelações
e embrulhos, entre engulhos.
Alguns viajam, vão
a Nova York, a Santiago
do Chile. Outros ficam
mesmo na Rua da Alfândega, detrás
de balcões e de guichês.
Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
que é mais que a água na grama
que o banho no mar, que o beijo
na boca, mais
que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
te acham e te perdem.
Outros te acham e não te reconhecem
e há os que se perdem por te achar,
ó desatino
ó verdade, ó fome
de vida!
O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
A cidade. Vista do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
como se estivesse pronta.
Vista do alto,
com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
Mas vista
de perto,
revela o seu túrbido presente, sua
carnadura de pânico: as
pessoas que vão e vêm
que entram e saem, que passam
sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro
sangue urbano
movido a juros.
São pessoas que passam sem falar
e estão cheias de vozes
e ruínas . És Antônio?
És Francisco? És Mariana?
Onde escondeste o verde
clarão dos dias? Onde
escondeste a vida
que em teu olhar se apaga mal se acende?
E passamos
carregados de flores sufocadas.
Mas, dentro, no coração,
eu sei,
a vida bate. Subterraneamente,
a vida bate.
Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
sob as penas da lei,
em teu pulso,
a vida bate.
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
que me sustenta
esta tarde
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
na América Latina.

     (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

O patrimonialismo político reduz a esperança dos jovens


Pedro do Coutto
O ministro Dias Toffoli, presidente do TSE, através da imprensa, revelou que o eleitorado brasileiro cresceu 5% e 2010 para cá, o que coincide com o índice demográfico registrado pelo IBGE para o período. É alto o nível de eleitores, uma vez que corresponde, creio eu, a 63% da população. A divisão entre mulheres (52%) e homens (48%) segue o que ocorre na composição dos habitantes por sexo. Mas algo chama atenção nas declarações do ministro Toffoli: o alistamento espontâneo dos jovens, nos últimos quatro anos, caiu 31%.
O fenômeno, acentuado, não encontra explicação apenas na mudança do critério à base de considerar o limite de 18 anos, até outubro, entre o voto facultativo e a presença obrigatória nas urnas conforme a lei. O percentual da diferença é grande demais. Tem que haver outra explicação, ou outras explicações. A mais forte e precisa delas, a meu ver, encontra-se no artigo de ontem de Elio Gasperi, publicado no O Globo e na Folha de São Paulo simultaneamente.
Nele o articulista, com o brilho de sempre, ilumina os caracteres imperialistas e sobretudo patrimonialistas de que se reveste a política brasileira. Especialmente o patrimonialismo. Ele cita especificamente os casos de Pasadena e do aeroporto de Cláudio, Minas Gerais. Poderia alinhar inúmeros outros, a começar pelo Rio de Janeiro com os convênios entre a Prefeitura e ONGS que receberam vultosas somas por determinados serviços, mas não os executaram na prática.
Relativamente à Pasadena ainda houve uma decisão do Tribunal de Contas da União. Quanto à Prefeitura do Rio, somente agora é que diversos convênios vão ser analisados e, sobretudo, conferidos os serviços prestados. Acontecendo a inexistência de comprovação, tal realidade já por si é uma comprovação do que de fato ocorreu, ou deixou de ocorrer. Quanto ao aeroporto na cidade  de Claudio, pelo menos existe seu reconhecimento oficial, já que o orçamento de Minas Gerais para 2015 prevê uma indenização de 20,5 milhões de reais para cobrir a desapropriação da área. Mas estas são questões específicas.
JOVENS DECEPCIONADOS
Retornando o tema que abrange a falta de interesse de acentuada parte da juventude em participar do processo eleitoral, vemos, de modo geral e nítido, que o motivo principal situa-se na classificação iluminada por Gaspari.  A leitura dos jornais diários, o acompanhamento dos noticiários da televisão, são espaços e mais espaços que identificam e expõem a má aplicação de recursos públicos, conduzindo para o crescimento ilegítimo de patrimônios particulares. São desvios sem possibilidade de retorno do que foi desviado. Pois ninguém, de bom senso, pode acreditar no reembolso aos cofres da Petrobrás de 90 milhões de reais tragados na operação de Pasadena. O que passou, passou, vão sustentar os principais acusados.
O risco é próprio das transações. Só que riscos e consequências assim contribuem para causar falta de ânimo dos jovens para as atividades políticas. E se, como dizia JK, política é, no fundo, esperança, quando esta falta o reflexo atinge a sociedade, através da juventude. E falar em juventude é falar em renovação.
    MAIS

     

    Banco Central acha que arrocho ao crédito deu certo, porque a inadimplência diminuiu

    Vicente Nunes
    Correio Braziliense

    O Banco Central não têm dúvidas de que o arrocho imposto ao mercado de crédito em 2010 afastou qualquer risco de bolha no sistema financeiro. Hoje, mesmo com quase 46% da renda das famílias comprometidos com dívidas, o índice de calote está em baixa, e os bancos aprenderam que não podem avançar o sinal. Era inconcebível, por exemplo, financiar carros em até 90 meses, com entrada de apenas R$ 1.

    “Arrumamos a casa. Agora, é hora de abrir as portas cautelosamente”, diz um integrante do governo.

    Mas na avaliação do economista-chefe da Corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, ao manter a Selic em 11% ao ano por tempo indeterminado e liberar R$ 45 bilhões para incrementar o crédito, o Banco Central manteve duas portas abertas, uma, restritiva, outra, expansionista.

    Em maio, quando o BC interrompeu o processo de alta da taxa Selic, Montero disse que a autoridade monetária havia deixado uma porta giratória aberta. Poderia ir para qualquer lado. Agora, definiu claramente as duas saídas. Resta saber se dará certo. Sobretudo, em relação à inflação, que continua num nível perigosamente alto.

    MOVIMENTO DO TURISMO

    Dobrou a quantidade de saques nos 35 mil caixas eletrônicos habilitados com cartões internacionais emitidos no exterior das redes VisaPlus e MasterCirrus durante a Copa do Mundo no Brasil. Segundo o Banco do Brasil, foram movimentados, em junho, R$ 156 milhões, mais que o dobro do mesmo mês de 2013 (R$ 76 milhões).

    Os norte-americanos responderam pela maior parte das operações — 21,5% do total —, seguidos pelos franceses, com 8%. No total, o BB comprou US$ 4,1 milhões e 1,5 milhão de euros, e vendeu US$ 97,4 milhões e 67,6 milhões de euros.

    RESERVAS SAUDÁVEIS

    As reservas financeiras das empresas associadas à Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) registraram incremento de 55% nos últimos três anos, atingindo, no primeiro trimestre de 2014, R$ 11,8 bilhões. O crescimento foi proporcional ao observado no mercado de saúde suplementar no período, de 54%.

    Essa poupança deve ser mantida, obrigatoriamente, pelas operadoras de planos e seguros de saúde para garantir a solvência, ou seja, a capacidade de pagamento de todos os compromissos assumidos com os beneficiários.

    Para cada Brasil, um discurso diferente

    Carlos Chagas

    Eduardo Campos, Aécio Neves e Dilma Rousseff mais pareciam a encarnação das famílias  Ford, Rockefeller, Tyssen e quantos outros potentados industriais que tentaram amoldar o planeta a seus interesses e concepções, mesmo os mais mesquinhos do começo do século passado. E os atuais. Também, não tinham alternativa os três presidenciáveis que enfrentaram, em separado, 700 dos mais importantes industriais brasileiros ou estabelecidos no Brasil.

    Foi ontem, na Confederação Nacional da Indústria, em Brasília. Intimidados ou espertos, os candidatos  apresentaram  promessas que as elites industriais queriam ouvir: redução de impostos, isenção de encargos, diminuição de juros, facilidades de crédito, extinção de deveres sociais, diminuição das prerrogativas do  poder público e estado mínimo.  Foram aplaudidos, é claro. Serviram os pratos que os comensais  esperavam. Caso diferentes suas mensagens,  sentiriam o  rumor surdo da discordância do auditório de que necessitam para reforçar suas candidaturas e financiar suas campanhas.

    A gente fica pensando como se comportarão Aécio, Eduardo e Dilma se atenderem convite da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, das Centrais Sindicais, do MST e congêneres. Certamente defenderão o aumento do salário mínimo, a preservação e até a ampliação dos direitos trabalhistas, mais investimentos sociais, diminuição da jornada de trabalho, participação dos empregados no lucro das empresas  e outras  reivindicações dos assalariados.

    Para cada Brasil, um discurso diferente.  Como disse dias atrás a presidente da República, dois pesos e dezenove medidas, tudo para agradar as diferentes plateias e conquistar seus votos. Depois, o eleito comemorará a vitória sem poder atender um mínimo de suas promessas, mas também, para quê? Conquistado o poder, haverá que gozar de suas vantagens…

    Podem parecer um tanto amargas essas conclusões, mas a  verdade é que o jogo político continua presidido pela máxima do “me engana que eu gosto”, válida para todos os contendores. Candidatos e categorias diversas, pensam apenas na concretização de seus interesses.  Um dia, tomara que bem para o futuro, a corda vai arrebentar.

    O GRANDE CONFRONTO

    Em São Paulo, o verdadeiro embate político não se dará, salvo inusitado, entre Geraldo Alckmin e Alexandre Padilha. Talvez nem entre o atual governador e Paulo Skaf. O divisor de águas será entre José Serra e Eduardo Suplicy, candidatos ao Senado. Isso na hipótese de o PT acordar e apostar seus cacifes no atual senador, visto com certa distância por seus próprios companheiros.  Lula e companhia tiveram que engoli-lo, na falta de outro. Agora, será apoiá-lo com todas as forças para que o PT não fique completamente desmoralizado em sua maior base política.  Espera-se que a presidente Dilma venha em seu socorro.

    Beber água após os 60 anos é um grande remédio

    Arnaldo Lichtenstein 

    Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta: “Quais as causas que mais fazem pessoas com mais de 60 anos terem confusão mental?”

    Alguns arriscam: “Tumor na cabeça”. Eu digo: “Não”. Outros apostam: “Mal de Alzheimer”. Respondo, novamente: “Não”.

    A cada negativa a turma espanta-se. E ficam ainda mais boquiabertos quando enumero os três responsáveis mais comuns: – diabetes descontrolado; – infecção urinária; – a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os familiares mais velhos ficaram em casa.

    Parece brincadeira, mas não é. Constantemente, sem sentir sede, os idosos deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo.

    Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (“batedeira”), angina (dor no peito), coma e até morte.

    ENVELHECIMENTO

    Insisto: não é brincadeira. A partir dos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Portanto, menor reserva hídrica. Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

    Conclusão: pessoas com mais de 60 anos desidratam-se facilmente não apenas porque
    possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Mesmo que a pessoa seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

    Por isso, aqui vão dois alertas. O primeiro é para os maiores de 60 anos: Tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina.

    O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!

    Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos parentes com mais de 60 anos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que eles estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, é quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.

    Arnaldo Lichtenstein é clínico-geral do Hospital das Clínicas
    e professor da Faculdade de
    Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
    Texto enviado por Celso Serra.

     

    Nossa democracia é pobre, mas nossas eleições são milionárias

    Murillo de Aragão

    Os orçamentos apresentados pelos principais candidatos a presidente da República para as eleições de 2014 são um acinte, um despropósito, uma vergonha, um absurdo e um descalabro. Cabem outros tantos adjetivos à situação pornográfica que estamos vivendo em termos de campanhas eleitorais no Brasil.

    A campanha de Dilma Rousseff (PT) à reeleição está orçada em R$ 298 milhões, valor do teto para as despesas. Nada menos do que 33% a mais do que na campanha de 2010. Aécio Neves (PSDB) é mais modesto, sua campanha prevê um gasto de até R$ 290 milhões. E Eduardo Campos (PSB) é o primo pobre dos três principais presidenciáveis: apenas R$ 150 milhões. Nos Estados, com a devida proporção, o descalabro prossegue.

    De acordo com matéria do G1, o gasto previsto para todos os 169 candidatos a governador soma R$ 2,43 bilhões! São Paulo, obviamente, promoverá a campanha mais cara. Nove candidatos a governador no Estado gastarão, juntos, mais de R$ 320 milhões em suas campanhas. No Amapá, o custo total das campanhas dos candidatos a governador vai chegar perto dos R$ 30 milhões.

    CULPA DO CONGRESSO

    Tal situação tem no Congresso o maior culpado. A Lei das Eleições estabelece que o Congresso deve aprovar, até 10 de junho, uma lei definindo o limite de gastos com as eleições. Como isso não ocorreu, cada partido estabeleceu o teto de despesas a seu bel-prazer e de acordo com a sua conveniência.

    Em Minas Gerais, as campanhas para deputado federal estão custando, em média, R$ 5 milhões. Basicamente, o dobro do que custa uma campanha para a Assembleia Legislativa. O custo tem assustado os candidatos, que preferem disputar uma vaga na Assembleia. Esse é um grande problema para os partidos, já que o montante de recursos do Fundo Partidário é dividido conforme o tamanho das bancadas federais.

    Com custos estratosféricos, as campanhas tendem a ser redutos de abonados que podem se autofinanciar, de celebridades muito conhecidas e com potencial de voto, de lideranças setoriais que fazem a campanha dentro de seus nichos e de articuladores que conseguem mobilizar altas somas. O candidato normal, salvo exceções, está fora do jogo.

    Duas questões emergem do problema. A primeira é a omissão do Congresso e do Poder Judiciário sobre o tema. Ambos silenciam sobre uma grave distorção de nosso sistema político: a ausência de limites razoáveis de gastos. Deixando aos partidos tal tarefa, promove-se uma liberalidade que trabalha contra os mais basilares princípios da democracia: a igualdade de oportunidades.

    PODER DO DINHEIRO

    A segunda questão resulta das consequências dessa omissão: a representação da sociedade brasileira no Congresso é distorcida pelo poder do dinheiro. Quem tem mais, pode mais. Não deveria ser assim. Ou, pelo menos, os poderes constituídos deveriam estar atentos ao problema e tratar de limitar os efeitos danosos do poder econômico nas campanhas eleitorais. As eleições não deveriam ser competição de quem arrecada mais e de quem tem mais para gastar.

    Com a situação que se apresenta, qualquer um com muito dinheiro tem imensa chance de se eleger. Em Minas Gerais, por exemplo, onde há desinteresse em ser candidato, basta ter os R$ 5 milhões para se tornar um candidato competitivo. Se tiver R$ 10 milhões, melhor ainda. Com R$ 15 milhões, pode-se fazer uma campanha com estrutura de candidato majoritário em uma simples campanha para deputado federal.

    Nos bastidores da política de hoje, a questão do financiamento das campanhas é crucial. Sem limite para os gastos, os partidos abriram a porteira para uma competição que nada tem de democrática. (transcrito de O Tempo)

     

    Tudo pronto para José Genoino sair da Papuda e cumprir pena em casa

    Fernanda Odilla
    Folha

    A Vara de Execuções do Distrito Federal reconheceu nesta quarta-feira (30) que o ex-deputado José Genoino tem direito a descontar 32 dias da própria pena. Com essa redução, ele poderia ir para casa por ter cumprido um sexto da pena. A decisão de autorizar a progressão do regime semiaberto para o aberto, a ser cumprido em casa, caberá ao Supremo Tribunal Federal.

    A juíza Leila Cury escreveu numa decisão com data desta quarta que, além dos dias trabalhados, os cursos de “introdução à informática e internet” e de “Direito Constitucional” feitos por Genoino na cadeia se enquadram às exigências para remissão da pena.

    Segundo a decisão da juíza, deliberações sobre a mudança de regime para os condenados no mensalão estão sendo analisadas pelo Supremo. Por isso, ela remeteu a decisão ao novo relator do caso, o ministro Luís Roberto Barroso.

    Na semana passada, a defesa de Genoino havia pedido a regressão do regime do semiaberto para o aberto. Apesar de faltar um mês para o cumprimento de um sexto da pena, exigência legal para a progressão de regime, os advogados de Genoino pleiteavam a remissão de 32 dias de trabalho e estudo dentro da penitenciária.

    PASSANDO MAL…

    Condenado a 4 anos e 8 meses por corrupção ativa no regime semiaberto, Genoino começou a cumprir pena no complexo da Papuda em novembro de 2013. Passou mal dias depois e obteve direito a prisão domiciliar provisória por problemas no coração. Ele voltou ao presídio em 1º de maio. Com base em laudos médicos, o então ministro Joaquim Barbosa entendeu que não havia necessidade de continuar a se tratar em casa. O plenário do Supremo referendou a decisão, dizendo que o ex-deputado não poderia ter “tratamento diferenciado” em relação a outros detentos.

    Na ocasião, o ministro Luís Roberto Barroso lembrou que Genoino teria direito a pedir progressão para o regime aberto a partir do dia 24 de agosto. Agora caberá a ele analisar a antecipação dessa data.

    “Fica a cargo do Supremo a decisão dele voltar ou não para casa para cumprir o restante da pena em regime aberto”, explicou o advogado Luiz Fernando Pacheco.

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    NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - O esquema para libertar os mensaleiros foi muito bem montado. Primeiro, aceitar os embargos infringentes. Depois, inocentar os mensaleiros da formação de quadrilha, como se cada um deles tivesse cometido o crime individualmente. Ou seja, não teria havido conluio entre José Dirceu, o chefe da quadrilha, José Genoino, o presidente do PT, que assinava os cheques, o Soares, Tesoureiro do PT, que levava os cheques para Genoino assinar, e João Paulo Cunha, deputado que recebia o mensalão a pretexto de “pagar a TV por assinatura”. E ainda chamam isso de Justiça. (C.N.)

    Ambiente econômico é adverso à reeleição, diz cientista político


    Idiana Tomazelli

    Agência Estado

    A situação da economia doméstica deve tornar a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) mais difícil, avalia o cientista político Sérgio Abranches, do Instituto Ecopolítica. Para ele, as condições estruturais domésticas, como a inflação que tem afetado cada vez mais a renda, interferem mais no humor da sociedade.

    “Não vai ser uma eleição igual às outras, porque o Brasil não é igual ao das outras eleições. O Brasil nunca foi um País tão capaz de mostrar mau humor quanto desta vez”, disse, em seminário sobre as eleições realizado na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

    A baixa popularidade da presidente também aumenta a incerteza sobre sua reeleição, acrescentou Abranches. “Claramente do ponto de vista do que nós sabemos, o ambiente é adverso à reeleição da presidente em exercício”, disse.

    PROGRAMAS SOCIAIS

    Em um painel anterior, o cientista político Cesar Zucco, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e Empresas da FGV (Ebape/FGV), comentou que a avaliação positiva dos programas sociais criados ou ampliados durante a gestão do PT na Presidência seria capaz de fazer frente à baixa popularidade da atual presidente e aos questionamentos sobre a política econômica do governo durante a eleição. “Uma possibilidade é que ela faz melhor o resto do que a política econômica”, afirmou.

    Mas a questão eleitoral não se resume à economia. Os candidatos, de acordo com os participantes do seminário, têm se obrigado a encontrar maneiras de se adaptar a mudanças no próprio modo de fazer campanha. “Desde 2002 não se faz mais campanha na rua, com cartazes e folhetos. Não foi assim em 2006, nem em 2010″, disse o cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Além disso, o horário eleitoral na televisão já não tem mais a mesma centralidade que tinha em anos anteriores. “A maioria dos eleitores desliga a televisão ou muda de canal”, ressaltou Abranches.

    A candidata suja e os candidatos mal-lavados

    Heron Guimarães
    O clima começa a esquentar na campanha eleitoral para presidente, e o esperado jogo de acusações já pauta a agenda dos candidatos e seus próximos passos. Com os resultados das últimas pesquisas, que anunciam pequena queda na diferença entre Aécio e Dilma em diversos cenários e um empate técnico em um eventual segundo turno, é até natural que o lado perverso e oficioso de cada candidatura mostre sua face.

    Tudo isso é motivo para uma blitz de denuncismos, mas também para delações verdadeiras, que devem ser levadas a sério e investigadas com afinco pelas autoridades competentes. Mais do que isso, as revelações são, também, ferramentas que contribuem para o correto julgamento do eleitor, que, após suas análises, terá condições de separar com mais nitidez o joio do trigo.

    O que fica clara, definitivamente, é a possibilidade de um candidato apontar o dedo para o outro. Esvaiu-se qualquer condição moral para isso. Entre os três principais presidenciáveis, a suja, no caso, a presidente Dilma Rousseff, não pode mais ser alvo exclusivo dos mal-lavados Aécio e Eduardo Campos.

    PASADENA

    A presidente Dilma, até domingo passado, respondia pela ruidosa venda de Pasadena, o que, de certa forma, contribuiu para sua despencada. Os estratosféricos R$ 1,25 bilhão gastos na aquisição da petrolífera americana, mais do que exporem uma administração absurdamente temerária, mostram a irresponsabilidade e o desrespeito com o dinheiro público.

    Porém, fazendo as devidas ressalvas sobre a abismal diferença entre os valores monetários em questão, Dilma deixou o isolamento na vala dos suspeitos. Passa a ser acompanhada agora por Aécio, que terá que responder pela construção de um aeroporto em um terreno cuja propriedade era de um parente.

    PROPINAS EM PERNAMBUCO

    Como pau que dá em Chico também acerta Francisco, Eduardo Campos também perde sua auréola, pois está sendo obrigado a se justificar por causa de uma reunião por meio da qual seus assessores oferecem propinas para ter o PROS na campanha de Paulo Câmara, o seu escolhido para a sucessão do governo pernambucano.

    Como já aconteceu com Dilma, que foi poupada pelo TCU na hora de apontar culpados na negociata envolvendo a Petrobras, Aécio e Eduardo também serão inocentados por autoridades e tribunais deste país.

    Ficará novamente a mensagem para o eleitorado de que a cobertura de todos é feita de vidro, e sem blindex. Talvez será preciso chegar ao ponto de termos que fazer uma escala individualizada e uma espécie de ranking de escândalos e irregularidades para ver qual o poleiro será o menos sujo até o dia 5 de outubro. (transcrito de O Tempo)

    Qual ética?

    Jacques Gruman

    Conheço sonegadores confessos. Alegam que não sustentariam seus negócios se tivessem que pagar os impostos. Montam, assim, uma ética paralela, uma espécie de milícia financeira, muito bem aceita por setores ponderáveis da população. Ao invés de lutar para consertar o que acham errado, preferem investir na economia paralela, clandestina pero no mucho. Berram dia e noite contra os desvios de conduta dos políticos e tecnocratas, mas sobrevivem graças a eles. O udenismo não morreu.

    É nos pequenos gestos do cotidiano que se observam as distorções trazidas pela cultura do jeitinho. No fundo, é a glorificação do bumba meu boi, cada macaco no seu galho e salve-se quem puder. Só os otários, dizem, obedecem as regras que deveriam valer para todos. Num pequeno trajeto, vivo montanhas disso todo dia. Entre minha casa e a praia, há menos de um quilômetro. De cara, carros estacionados em fila dupla, numa via estreita. Poucos metros adiante, um bar que ocupa quase dois terços da calçada, prejudicando a passagem.

    Fiscalização pra quê ? Em seguida, quase em frente a uma delegacia, parasitas que se dizem flanelinhas achacam quem precisa estacionar. Na ciclovia, exclusiva para ciclistas e corredores, pedestres caminham sem a menor cerimônia, prontos a ofender e ameaçar quem os alerta para a infração que cometem. Nos finais de semana, são os ciclistas que invadem o espaço dos pedestres, tirando finos de gente que só quer caminhar em paz. Tudo muito natural, como se esculacho fosse uma saudável rebeldia. A absoluta impunidade sobe a escada e acaba por “justificar” os de cima. Afinal de contas, que diferença conceitual há entre, por exemplo, a falsificação de uma carteira de estudante e o estelionato que enriquece ladrões perfumados ?

    COPA DAS COPAS…

    Na esteira da Copa das Copas (sic), muita gente acordou para o lamaçal da Fifa e da CBF. Negociatas de todos os tipos, destruição ética e técnica do futebol brasileiro, repressão de manifestações populares em nome da tranquilidade para sugar lucros excepcionais. A bandalha invadiu os gramados. Sempre achamos que os jogadores brasileiros eram artistas da bola, maestros e músicos de uma sinfonia de raiz popular. Os limites éticos pareciam implícitos, da pelada ao Maracanã . Agora, criamos uma nova escola de artistas: os simuladores, que tanta surpresa e raiva provocam em jogadores de outras praças, desacostumados com essa prática desleal.

    Desde as categorias de base até os times que disputam o Campeonato Nacional, passando pela seleção brasileira, há um desfile de comportamentos desonestos, antiéticos. O futebol brasileiro não deixa de ser um espelho da sociedade, sempre em busca do caminho mais fácil – nem sempre honesto – para se ganhar. O imperativo mercantil, acoplado à chamada Lei de Gérson (injusta “homenagem” para o Canhotinha), agravam o quadro. Nem sempre foi assim.

    DUAS HISTÓRIAS

    Conto duas histórias. Podem me chamar de sonhador, mas elas exprimem o que sinto quando penso no futebol como paixão. A primeira, registrada pelo Juca Kfouri, tem mais de cinquenta anos. Copa do Mundo no Chile, 1962. Depois de uma vitória discreta na estreia contra o México, o Brasil enfrentaria a Tcheco-Eslováquia. A parada não ia ser fácil. Os tchecos tinham um time sólido, com alguns jogadores de bom nível. Lá estavam Pelé e Garrincha, artilharia pesada contra o excelente goleiro Schroiff. De repente, calafrios. Pelé chuta da entrada da área, Schroiff se estica e toca na bola, que roça na trave e sai pela linha de fundo. O crioulo se abaixa, afaga a coxa esquerda e não esconde uma fisionomia de dor. Distensão na virilha, coisa séria. Naquele tempo, não havia substituição. Se um jogador se machucava, permanecia em campo fazendo número, como se dizia. Foi o que Pelé fez, congelado no exílio forçado da ponta-esquerda. Para surpresa geral, os tchecos não se aproveitaram do desastre muscular do Rei. Masopust, capitão do time, ordenou aos companheiros: “Ninguém o combate se a bola chegar nele”.

    Foi o que aconteceu com o zagueiro Lala, que, vendo a bola chegar em Pelé, apenas o cercou, com as mãos na cintura, sem procurar desarmar o crioulo. Pelé percebe, faz um agradecimento silencioso, joga a bola para fora e sai de campo, escoltado por Masopust. Ao perceber o que acabara de acontecer, o estádio Sausalito virou um aplauso só. Todos tinham sido testemunhas de um maravilhoso gesto de espírito esportivo, de generosidade, de respeito, de reconhecimento das regras de convivência. Em suma, como diz o Juca: de ética esportiva. Alguém consegue imaginar cena semelhante hoje em dia ? Alguém consegue visualizar o Mané Cabelinho ou o Fred se comportando de maneira semelhante ?

    NA COLÔMBIA

    A segunda vem da Colômbia e foi narrada pelo inimitável Eduardo Galeano. Data indefinida. Era dia de final do campeonato colombiano. Milionários e Santa Fé mobilizaram Bogotá e o estádio estava abarrotado. Segundo Galeano, apenas os cegos e os paralíticos estavam ausentes. O jogo corre tenso e, já nos últimos minutos, o centro-avante e artilheiro do Santa Fé, o argentino Lorenzo Devani, penetra na área adversária e cai. O juiz corre para a marca do cal e assinala o penalty.

    Devani, surpreso, se dirige a Sua Senhoria e diz que tinha caído sozinho, o penalty não existira. O juiz pede que ele olhe para a multidão nas arquibancadas e alega que não tinha a menor condição de voltar atrás. Podia ser trucidado. Devani, então, toma a decisão que, disse Galeano, seria sua ruína e sua glória. Corre para a bola e a chuta para o mais longe possível das traves. Perdeu o gol, mas transformou um jogo de futebol na mais perfeita tradução da ética. É pouco?

    (artigo enviado por Mário Assis)

    Legado da Copa: comércio do Rio fecha junho com menor crescimento em oito anos

    Deu na Ag. Brasil

    As vendas do comércio lojista do Rio de Janeiro aumentaram 2,4% em junho em relação ao mesmo mês do ano passado, fechando com a menor expansão no varejo carioca dos últimos oito anos. Os dados são da pesquisa Termômetro de Vendas divulgada mensalmente pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro – CDL-Rio.

    Com o resultado de junho, quando foram ouvidos 500 estabelecimentos comerciais da cidade, as vendas do comércio fecharam o primeiro semestre do ano com uma expansão acumulada de 5,6%, na comparação com o período de janeiro a junho do ano passado.

    Na avaliação do presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves, o resultado abaixo da expectativa foi decorrente dos eventos da Copa do Mundo 2014, da Federação Internacional de Futebol (Fifa), efetuada nos meses de junho e julho no país. “O mês de junho, que sempre foi aquecido pelas vendas do Dia dos Namorados, uma das datas fortes do comércio, este ano teve queda no crescimento, coincidindo com o jogo entre Brasil e Croácia, que abriu o Mundial. Além disso, o inverno fraco não ajudou nas vendas do comércio, também colaborando para 2,4% de crescimento, o menor dos últimos oito anos”, justificou.

    Segundo a pesquisa, o Ramo Duro (bens duráveis), com crescimento de 2,8%, teve um desempenho melhor do que o Ramo Mole (bens não duráveis) cuja expansão de 0,7%. No primeiro caso, os melhores desempenhos ficaram com os setores de confecção (+ 2,2%), calçados (+1,1%) e tecidos (+0.8%); e no segundo com os setores de eletrodomésticos (+2,9%), móveis (+2,6%), jóias (+ 1,4%) e óticas (+ 0,9%). As compras a prazo foi a modalidade preferida por 3,7% dos consumidores, enquanto a compra a vista registrou mais 1,5%.

    A CDL-Rio registrou aumento de 1,3% no nível de inadimplência do comércio lojista da cidade no primeiro semestre do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Nesses últimos seis meses as dívidas quitadas e as consultas aumentaram, respectivamente, 4,7% e 0,9%, em relação ao mesmo período de 2013. Em relação a maio, no entanto, junho acusou quedas no nível de inadimplência e nas consultas de, respectivamente, 2,3% e 4,1%, enquanto as dívidas quitadas aumentaram 10,2%.

    PSDB de Minas responde a Fernando Pimentel, lembrando processo movido contra ele por ato de corrupção

    O PSDB mineiro reagiu à provocação que o candidato ao governo de Minas pelo PT, ex-ministro Fernando Pimentel, fez ao senador Aécio Neves, candidato ao Planalto, quando se referiu ao “aeroporto da fazenda do titio”. O partido rebateu citando um processo a que o ex-ministro responde.
    O presidente do PSDB-MG, deputado federal Marcus Pestana, considerou “lamentável” o tom usado por Pimentel, que, segundo o tucano, adotou um “discurso radical, vazio e apelativo”.
    Ao afirmar que o Ministério Público arquivou investigação por não ter encontrado nenhuma irregularidade na obra do aeroporto de Cláudio (MG), no terreno desapropriado do tio-avô, Pestana comparou esse caso ao programa “Olho Vivo”, de monitoramento por câmeras.
    “O caso do aeroporto de Cláudio é diferente do ‘Olho Vivo’, em que o ex-prefeito foi indiciado, processado e responde na Justiça. Essa é a verdadeira diferença”, afirmou Pestana. Ele se referia ao processo em que Pimentel é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ser “autor de delitos” e ter “concorrido ativamente” para o desvio de R$ 5 milhões da Prefeitura de Belo Horizonte em 2004, quando era prefeito. Pimentel nega ter havido irregularidades.
    SEM LICITAÇÃO
    O processo contra Pimentel tramitava no STF (Supremo Tribunal Federal), mas estava para voltar para Minas depois que o petista deixou no começo do ano o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
    A denúncia diz que a prefeitura contratou a Câmara dos Dirigentes Lojistas de BH para implantar o projeto “Olho Vivo”, que previa a instalação de 72 câmeras para coibir crimes no centro da cidade. Essa contratação, segundo a Procuradoria, foi uma forma de não realizar licitação. A acusação contra Pimentel é de “apropriação de bens ou rendas públicas”.
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    NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - Agora, só falta o PSDB ressuscitar as denúncias contra a firma de consultoria (leia-se: tráfico de influência) que Fernando Pimentel abriu em Belo Horizonte quando saiu da Prefeitura. Pimentel tomou mais R$ 1 milhão da Federação das Indústrias para fazer palestras no interior, recebeu a grana e não fez uma só palestra. Na época do escândalo, Dilma disse que não o tiraria do Ministério porque o “malfeito” tinha sido feito quando Pimentel ainda não estava no governo, vema o tamanho da cara de pau dessa gente. (C.N)

     

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