Mais de 40 testemunhas de Lula serão ouvidas em ação que apura favorecimento a Odebrecht

Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
G1 / TV Globo

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, marcou para maio os depoimentos de testemunhas em uma ação penal que apura se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais dez pessoas atuaram para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) favorecesse a Odebrecht.

Ao todo, mais de 40 testemunhas listadas pela defesa de Lula serão ouvidas, por videoconferência, entre 26 de maio e 8 e junho. Entre os depoentes estão o ex-ministro Miguel Jorge e os assessores de Lula Paulo Okamotto e Clara Ant. A defesa do ex-presidente afirma que Lula não cometeu crime e que a acusação contra ele é “frívola e sem qualquer base real”.

INJUSTIÇA – “O ex-presidente Lula não praticou qualquer crime e essa acusação, tal como as demais, é frívola e sem qualquer base real. As próprias testemunhas arroladas pelo Ministério Público, como o colaborador Marcelo Odebrecht, afirmaram serem injustas as acusações contra Lula. As testemunhas de defesa certamente reforçarão esse cenário, que deverá levar à absolvição do ex-presidente”, afirmou o advogado Cristiano Zanin.

Lula, o sobrinho da primeira mulher dele, Taiguara dos Santos, o empresário Marcelo Odebrecht e outros réus são acusados pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal de crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de influência. As irregularidades foram investigadas a partir da Operação Janus, da Polícia Federal.

FAVORECIMENTO – Na denúncia oferecida contra Lula, o Ministério Público Federal afirma que o ex-presidente atuou junto ao BNDES “e outros órgãos de Brasília” para favorecer a construtora Odebrecht em empréstimos para obras de engenharia em Angola. Em retribuição, diz o MPF, a empreiteira pagou aos envolvidos valores que chegam a R$ 30 milhões.

Ainda conforme a denúncia, a participação de Lula ocorreu em duas fases. Na primeira, entre 2008 e 2010, quando ainda era presidente, os investigadores dizem que Lula praticou corrupção passiva. Na segunda, entre 2011 e 2015, já sem mandato, Lula teria cometido tráfico de influência.

Jair Bolsonaro precipitou mudanças institucionais e algumas se voltaram contra ele

jair bolsonaro: Últimas Notícias | GaúchaZH

Charge do Iotti (Zero Hora)

William Waack
Estadão

Entre os vários medos à disposição parece claro que as pessoas permaneceram apegadas ao medo de morrer, o mais natural de todos. A grotesca forçada de barra dos “gênios” de comunicação de Bolsonaro – a falsa dicotomia entre empregos ou saúde – voltou-se contra o próprio presidente. Em geral, ficou demonstrado que se confia mais no que dizem médicos e técnicos em saúde pública do que nas palavras do presidente.

O resultado, bastante previsível dada a correlação das forças políticas, foi mais um encurtamento da caneta presidencial. A diminuição do seus poderes vem de uma combinação de restrições institucionais que dificilmente desaparecerão quando a urgência da questão de saúde pública amainar, e ninguém sabe quando.

ORÇAMENTO DE GUERRA – Tem como mais recente exemplo a articulação para a aprovação do tal “orçamento de guerra”, que não é outra coisa senão a definição de responsabilidades políticas e administrativas na utilização de recursos para enfrentar uma situação de calamidade nacional.

Para ter acesso aos fundos com os quais pretende combater a inevitável recessão, o próprio ministro Paulo Guedes assinalou que precisa de uma PEC (sim, tudo no Brasil passa por mudar algum artigo da Constituição e, portanto, pelo Congresso) que regula rigidamente como o Executivo atuará, dando amplas prerrogativas ao Legislativo e ao Judiciário. Na prática, o chefe do Executivo não faz nada na gestão de crise sem consultar previamente os outros Poderes.

ISOLAMENTO PRESIDENCIAL – A chave para entender o que se convencionou chamar de “isolamento” do presidente está em dois fatos concomitantes, um de fundo e o outro bem escancarado. O de fundo é o Legislativo atuando diretamente em entendimento com governadores e prefeitos, além de uma série de entidades representando setores da economia, ao largo do Planalto. O Judiciário entrou nessa articulação desde o primeiro momento, há mais de 15 dias. O presidente ficou de lado.

O segundo foi o escancarado comportamento institucional do “dream team” de ministros (Sérgio Moro, Paulo Guedes e Henrique Mandetta), além dos militares. Prevaleceu entre eles a reiteração de que obedeceriam à norma técnica – para todos os efeitos práticos, deixaram Bolsonaro falando sozinho contra o isolamento social. Chegava a ser constrangedor assistir ao contorcionismo verbal com o qual esses ministros tratavam de “traduzir” bobagens ditas ou feitas pelo presidente ao mesmo tempo em que se esforçavam para não apoiá-las.

À BEIRA DO ABISMO – Os tais famosos “bastidores” (pedacinhos de informação a respeito dos quais nunca se sabe exatamente o que é fato e o que é fofoca) em Brasília indicam que Bolsonaro esteve, sim, à beira de provocar grave crise ao considerar decretos que suspenderiam medidas restritivas tomadas por governadores, preso à paranoica noção de que é alvo de conspirações e superestimando a claque de apoiadores que chama de “povo”. Ao mesmo tempo em que deflagrava campanha política usando também recursos públicos.

Tomou uma freada brutal em público e em privado. O STF o proibiu de seguir adiante com a campanha “O Brasil não pode parar”. Em conversas reservadas, mais de um ministro garantiu que o Judiciário derrubaria qualquer decreto de Bolsonaro que fosse contrário ao isolamento social. E, em privado, ele ouviu o seguinte recado de uma importante autoridade da qual dependem várias investigações de interesse direto também do presidente: “Não vou ser coautor de um genocídio”.

O fenômeno da contestação da autoridade presidencial, como aconteceu agora, pertence à categoria “gênio que não volta para dentro da garrafa”. Ou seja, trata-se de consequências políticas duradouras. Mas há outros gênios que não voltarão para a garrafa: em prazo recorde houve flexibilização de leis trabalhistas, suspensão do teto de gastos, alterações em regimes de contratação, desengessamento do Orçamento. Teremos um outro país.

A Alemanha é exceção? Por que a taxa de mortalidade por coronavírus no país é baixa?

Como a Alemanha avança para conter o novo coronavírus e salvar ...

Governo da Alemanha se preocupou em produzir milhões de testes

Katrin Bennhold
The New York Times

Eles os chamam de táxis corona: médicos equipados com equipamentos de proteção, dirigindo pelas ruas vazias de Heidelberg para verificar pacientes que estão em casa, cinco ou seis dias depois de ficarem doentes com o coronavírus.

Eles fazem um exame de sangue, procurando sinais de que um paciente está prestes a entrar em um declínio acentuado. Eles podem sugerir hospitalização, mesmo para um paciente que apresenta apenas sintomas leves; as chances de sobreviver a esse declínio aumentam bastante estando em um hospital quando ele começa.

PRIMEIRA SEMANA – “Existe esse ponto de inflexão no final da primeira semana”, disse o professor Hans-Georg Kräusslich, chefe de virologia do Hospital Universitário de Heidelberg, um dos principais hospitais de pesquisa da Alemanha. “Se você é uma pessoa cujos pulmões podem falhar, é aí que você começa a se deteriorar.”

O vírus e a doença resultante, Covid-19, atingiram a Alemanha com força: de acordo com a Universidade Johns Hopkins , o país teve mais de 92.000 infecções confirmadas em laboratório a partir do meio-dia de sábado, mais do que qualquer outro país, exceto Estados Unidos, Itália e Espanha.

Mas com 1.295 mortes, a taxa de mortalidade da Alemanha ficou em 1,4%, em comparação com 12% na Itália, cerca de 10% na Espanha, França e Grã-Bretanha, 4% na China e 2,5% nos Estados Unidos. Até a Coréia do Sul, um modelo de achatamento da curva, tem uma taxa de mortalidade mais alta, 1,7%.

ANOMALIA ALEMÃ – “Fala-se de uma anomalia alemã”, disse Hendrik Streeck, diretor do Instituto de Virologia do Hospital Universitário de Bonn. O professor Streeck tem recebido ligações de colegas nos Estados Unidos e em outros lugares.

‘O que você está fazendo de diferente?’ eles me perguntam”, ele disse. “‘Por que sua taxa de mortalidade é tão baixa?’”

Existem várias respostas que os especialistas dizem, uma mistura de distorções estatísticas e diferenças muito reais de como o país assumiu a epidemia. A idade média dos infectados é menor na Alemanha do que em muitos outros países. Muitos dos primeiros pacientes pegaram o vírus nas estâncias de esqui austríacas e italianas e eram relativamente jovens e saudáveis, disse o professor Kräusslich. “Começou como uma epidemia de esquiadores”, disse ele.

MAIS MORTES  – À medida que as infecções se espalham, mais pessoas idosas foram atingidas e a taxa de mortalidade, apenas 0,2% há duas semanas, também aumentou. Mas a idade média para contrair a doença permanece relativamente baixa, aos 49 anos. Na França, é 62,5 e na Itália 62 , segundo seus últimos relatórios nacionais.

Outra explicação para a baixa taxa de fatalidade é que a Alemanha está testando muito mais pessoas do que a maioria das nações. Isso significa que captura mais pessoas com poucos ou nenhum sintoma, aumentando o número de casos conhecidos, mas não o número de mortes.

“Isso reduz automaticamente a taxa de mortalidade no papel”, disse o professor Kräusslich.

Mas também existem fatores médicos significativos que mantiveram o número de mortes na Alemanha relativamente baixo, dizem epidemiologistas e virologistas, entre os quais se destacam testes e tratamentos precoces e generalizados, muitos leitos de terapia intensiva e um governo confiável, cujas diretrizes sociais de distanciamento são amplamente observadas.

RAPIDEZ E EFICIÊNCIA – Em meados de janeiro, muito antes de a maioria dos alemães ter pensado muito no vírus, o hospital de Charité, em Berlim, já havia desenvolvido um teste e publicado a fórmula online.

Quando a Alemanha registrou seu primeiro caso de Covid-19 em fevereiro, laboratórios em todo o país haviam construído um estoque de kits de teste.

“A razão pela qual nós, na Alemanha, temos tão poucas mortes no momento em comparação com o número de infectados pode ser explicada em grande parte pelo fato de estarmos fazendo um número extremamente grande de diagnósticos de laboratório”, disse o Dr. Christian Drosten, virologista chefe da Charité. , cuja equipe desenvolveu o primeiro teste.

TESTES E MAIS TESTES – Até agora, a Alemanha está realizando cerca de 350 mil testes de coronavírus por semana, muito mais do que qualquer outro país europeu. Testes iniciais e generalizados permitiram às autoridades retardar a propagação da pandemia, isolando casos conhecidos enquanto eles são infecciosos. Ele também permitiu que o tratamento para salvar vidas fosse administrado em tempo hábil.

“Quando eu tenho um diagnóstico precoce e posso tratar pacientes precocemente – por exemplo, colocá-los em um ventilador antes que se deteriorem – a chance de sobrevivência é muito maior”, disse o professor Kräusslich.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
–   Sensacional reportagem, enviada por José Vidal, sempre atento ao Brasil e ao mundo. Mostra que a Alemanha está dando uma aula de atendimento a seu povo. (C.N.)

 

 

No Brasil, os fundamentalistas conseguem abafar as sábias lições dos estrategistas

Getúlio Vargas | Citações inspiracionais, Pensamentos frases

Getúlio Vargas tornou-se um exemplo de estadista e estrategista

Willy Sandoval

Seguem abaixo indagações, muito mais que afirmações, porque não há respostas conclusivas para as questões, elas talvez levem anos para poderem ser razoavelmente respondidas, talvez nunca sejam. Os fatos recentes demonstram um golpe profundo no Ocidente, no modo de vida ocidental! Por que isso está acontecendo?

Divisões bipolares nos vários países e continentes do Ocidente! Exemplos rápidos e superficiais: No Brasil Bolsominions x petralhas , nos EUA pró Trump x anti Trump, na Europa pró-Brexit(anti UE) x pró União Europeia , Trump-EUA x União Européia e numerosos outros embates que ficariam até cansativos enumerá-los.

MAIOR POTÊNCIA – Enquanto isso os chineses, que parecem mais unidos do que nunca, seguem a passos largos para se tornarem a principal potência do mundo. Seria o regime totalitário deles muito mais eficaz do que as democracias ocidentais? Pergunta sem dúvida incomoda, muito difícil de ser respondida sem que sejamos obrigados a violentar duramente nossos sistemas de valores.

Não sei se a recente hecatombe do vírus covid-19 foi um evento planejado pelos chineses, acredito sinceramente que não, mas o fato é que acidental ou não, isso já está beneficiando absurdamente o “império chinês”.

Não é o caso de se partir para um confronto com eles, muito pelo contrário, os próprios norte-americanos não estão cometendo esse desatino, mas é o caso, sim, para que pensadores e estrategistas reflitam sobre isso.

VOZES ABAFADAS – Desgraçadamente aqui no Brasil tudo o que não temos no momento no governo brasileiro são estrategistas, talvez até tenhamos, mas com certeza suas vozes são abafadas pelos berros dos estúpidos fundamentalistas. Como uma ajuda histórica podemos nos lembrar do dilema enfrentado pelo então ditador Getúlio Vargas na Segunda Guerra Mundial.

Durante o tempo que pôde, ficou em cima do muro e, quando foi obrigado a tomar partido pelo lado dos aliados, soube sabiamente fazer de uma forma que o Brasil saiu da Segunda Guerra muito melhor do que estava no início. Infelizmente, na atualidade a inteligência do Bolsonaro não chega ao nível do dedinho do pé do Getúlio Vargas!

São na maioria questões sem respostas fáceis, mas infelizmente as afirmações sobre Bolsonaro e sua trupe são fatos absurdamente cristalinos, não há nenhuma dúvida de que ele se mostra totalmente incompetente para os duros tempos que enfrentamos. E o remédio para isso (impeachment) pode ser até mesmo pior do que a doença de aguentar seu mandato até o fim em 2022!

Uma coisa é fazer jornalismo; outra coisa, muito diferente, é tentar espalhar o pânico

No dia 26, O Globo publicou uma previsão sinistra

Mário Assis Causanilhas

Infelizmente, a imprensa apresenta um comportamento altamente negativo nesse caso da pandemia do coronavírus, passando a nos impor um tipo que poderíamos caracterizar como “jornalismo de terror e pânico”. Sabe-se que nesses casos de calamidades sanitárias, tudo é relativo, não se pode fazer prognósticos de que vai acontecer isso ou aquilo, mas não é bem assim que a mídia se apresenta.

No jornal O Globo, por exemplo, edição de quinta-feira, 26/03/20, na primeira página, os casos de Covid19, eram de 2.555 confirmados e 59 mortos, mas havia uma previsão sinistra em outra reportagem, sobre São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. E vamos conferir o que acontecer.

NÚMERO NÃO BATEM – Nesta mesma edição, página 14, com título de matéria “Estudo indica avanço rápido em SP, RJ e DF”, o corpo da reportagem informava que nas cidades de São Paulo, Rio e Brasília o vírus estava se propagando mais rapidamente. E afirmava que as três cidades somadas poderiam chegar a 16 mil casos na semana de 30 de março a 03 de abril.

Nada disso aconteceu. Em O Globo de sábado, dia 4 de abril, na primeira página os números eram: casos confirmados no Brasil 9.056, com 359 mortos. E na página 8 da mesma edição, as cidades de São Paulo, Rio e Brasília tinham, somados, apenas 5.524 casos. Ou seja, apenas um terço dos alarmantes números do Globo de 26 de março. Para mim, isso é “jornalixo”.

E não adianta usar o argumento de que foram noticiados dados de “especialistas”. O jornal precisa ter responsabilidade com o que divulga. Nesse caso, seria obrigatório publicar uma segunda matéria, informando: “Previsões sinistras sobre São Paulo, Rio e Brasília não se confirmaram”. Isso seria o mínimo.

“Quem trabalha é que tem direito de viver, pois a terra é de ninguém…”

Paulo Sérgio e Marcos Valle, autores de grandes clássicos da MPB

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, instrumentista, arranjador e compositor carioca Marcos Kostenbader Valle e seu irmão Paulo Sérgio, na letra de “Terra de Ninguém”, retratam a submissão, a injustiça, o sofrimento, a luta, a fé e a esperança que o nordestino carrega em busca de um pedaço de terra para plantar, porque “quem trabalha é que tem / direito de viver / pois a terra é de ninguém”, condições estas que, histórica e politicamente, originaram os Sem-Terra em janeiro de 1984. Esta canção de protesto foi gravada por Elis Regina e Jair Rodrigues no LP Dois Na Bossa, em 1964, pela Philips .

TERRA DE NINGUÉM
Paulo Sérgio e  Marcos Valle

Segue nessa marcha triste
Seu caminho aflito
Leva só saudade
E a injustiça que só lhe foi feita
Desde que nasceu
Pelo mundo inteiro
Que nada lhe deu

Anda, teu caminho é longo
Cheio de incerteza
Tudo é só pobreza
Tudo é só tristeza
Tudo é terra morta
Onde a terra é boa
O senhor é dono
Não deixa passar.

Para no final da tarde
Tomba já cansado
Cai um nordestino
Reza uma oração
Prá voltar um dia
E criar coragem
Prá poder lutar
Pelo que é seu.

Mas…
O dia vai chegar
Que o mundo vai saber
Não se vive sem se dar
Quem trabalha é que tem
Direito de viver
Pois a terra é de ninguém

Orçamento de guerra não adiciona recursos, apenas transfere de uma rubrica para outra

Charge do Duke (otempo.com.br)

Pedro do Coutto

O orçamento de guerra, assim chamado pelo ministro Paulo Guedes e pelos presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, destaca valores do orçamento federal para o orçamento específico de combate ao coronavírus. Muitas pessoas pensam que vai surgir mais dinheiro na área federal, mas é um engano. O que vai acontecer, e aliás é positivo que aconteça, é um maior endividamento e a transferência de dotações de umas rubricas para outras, e nem poderia ser diferente.

O orçamento da União para 2020 é de 3,6 trilhões de reais dividido em rubricas estabelecidas pela chamada Lei de Meios. Portanto, a transferência financeira de um setor para outro não produz, nem poderia produzir, mais recursos financeiros.

DÍVIDA OU EMISSÃO – Para produzir volume maior de recursos financeiros somente existem dois caminhos além daqueles consignados nas diversas áreas da União. Ou pela colocação de novos títulos no mercado, e com isso aumentar a divida interna, ou então a emissão de moeda autorizada pelo governo. São as notas do Tesouro Nacional que rendem por ano aproximadamente em torno de 4%, conforme estabelecer o Banco Central. A dívida interna brasileira oscila em torno de 5 trilhões de reais.

Reportagem de Manoel Ventura, Bruno Goes e Gabriel Shinohara, em O Globo, ilumina bem os caminhos a serem trilhados pelo orçamento de guerra. Qualquer interpretação diferente cai no vazio. Vazios estão os cofres do Tesouro. Entretanto se houver uma unidade no orçamento de guerra, abrangendo estados e municípios, aí sim o volume financeiro pode crescer e tal hipótese é nitidamente positiva.

APOIO A MANDETTA – O panorama é esse e focaliza muito bem a realidade dos fatos. Por falar em realidade dos fatos, na noite de quinta-feira Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre jantaram com o Ministro Henrique Mandetta, deixando claro o apoio das duas casas do Congresso Nacional ao titular da Saúde. O jantar inclusive, aconteceu antes da divulgação da pesquisa do Datafolha, cujo resultado foi amplamente em favor da atuação do ministro da Saúde.

O presidente Jair Bolsonaro continua à margem dos esforços e das medidas de enfrentamento à virose que cerceia as atividades econômicas do Brasil e do mundo todo. E a recessão somente poderá cessar nos dois meses seguintes à queda do grau de contaminação. Vamos aguardar, portanto.

Aproveite esse recesso forçado e avalie o que você está fazendo para melhorar o mundo

Poluição na terra com máscara triste vestindo terra | Vetor Premium

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Aproveitando esse recesso obrigatório que ninguém sabe quanto tempo vai durar, andei pesquisando sobre a inquietante Hipótese de Gaia, que difere das teorias sobre a formação da vida na Terra, tanto a criacionista, que a atribui a Deus, quanto a científica, que nos remete ao famoso Big Bang.

COMO UM PROTOZOÁRIO – Aliás, antes de saber da existência dessa corrente de pensamento, já tinha me passado pela cabeça a possibilidade de a Terra ser parte de um organismo vivo que está sendo estragado pela insanidade humana.

Com toda certeza, diante da imensidão do Universo, somos tão insignificantes quanto um reles protozoário, que se alimenta de seres vivos.

Há relatos que desde o século XVIII cientistas alemães e britânicos estudavam essa hipótese, que também atraiu pesquisadores russos no século XIX. Mas a popularidade da teoria é recente, surgiu a partir de 1972, com a publicação dos estudos do cientista britânico James Lovelock, após participar de uma equipe da NASA que pesquisou a possibilidade de vida em Marte.

ATMOSFERA DA TERRA – A pesquisa de Lovelock foi fortalecida pela colaboração expressiva da microbióloga norte-americana Lynn Margulis. Os dois estudaram a surpreendente composição da atmosfera terrestre, muito diferente da esperada para um planeta entre Vênus e Marte (a zona habitável do Sistema Solar).

Por conter grandes quantidades de gases como oxigênio, óxido nitroso (protóxido de nitrogênio, também conhecido como gás hilariante) e metano, a composição da atmosfera terrestre derivaria da interferência dos organismos vivos sobre o ambiente inorgânico.

Lovelock e Margulis então partiram do princípio de que, sendo a Terra um planeta deserto como os outros, o fenômeno da vida, após surgir, foi se adaptando até controlar o ambiente inorgânico.

VIDA NA TERRA – E assim o ambiente foi se modificando, para que a vida pudesse se perpetuar, formando-se um sistema complexo e autorregulante que até confirmaria a Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin, embora os darwinistas não aceitem a hipótese de Gaia, como passou a ser chamada a teoria de Lovelock e Margulis, em homenagem à deusa que representa a Terra na mitologia mitologia grega, responsável pela criação do mar (Ponto), do céu (Urano) e das montanhas (Ourea)..

Diante de uma ameaça como a covid-19, que é superável, devemos entender que passa a ser mais concreta a hipótese de que, caso a Terra continue a ser agredida pela destruição do ambiente e pela poluição, possa surgir uma pandemia ainda mais resistente, que chegue a colocar em risco o futuro da humanidade, que já está mais do que ameaçado por um conflito nuclear.

PENSE SOBRE ISSO – Nesse recesso a que estamos sendo forçados, não custa pensar um pouco sobre o milagre da vida e também sobre a destruição predatória do meio ambiente pelos seres humanos, que conseguiram criar uma sociedade totalmente injusta aqui no Brasil, onde os detentores da riqueza total ainda acreditam ser possível conviver harmonicamente com a miséria absoluta.

Mas isso “non ecziste”, como diria Padre Quevedo,  que certamente estaria decepcionado pelos insatisfatórios resultados da chamada evolução humana.  

Bolsonaro faz chamado nacional para dia de jejum religioso contra pandemia

Líderes das maiores igrejas evangélicas do Brasil aparecem no vídeo

Matheus Teixeira
Folha

O presidente Jair Bolsonaro fez uma convocação para um jejum religioso nacional neste domingo, dia 5, para o país superar a crise desencadeada pelo novo coronavírus.

O chefe do Executivo compartilhou neste sábado, dia 4, um vídeo nas redes sociais em que ele e vários pastores pedem para a população ficar um dia sem comer. Na última quinta-feira, dia 2, Bolsonaro já havia convocado as pessoas a jejuar para o que o Brasil “fique livre desse mal”, em referência à pandemia.

“CHEFE SUPREMO” – Na gravação publicada neste sábado, a voz de um narrador anuncia que “os maiores líderes evangélicos deste país atenderam à proclamação santa feita pelo chefe supremo da nação”.

De acordo com o vídeo, Bolsonaro convocou o “exército de Cristo para a maior campanha de jejum e oração já vista no país”. Os líderes das maiores igrejas evangélicas do Brasil, como Valdemiro Santiago, RR Soares, Bispo Rodovalho e Edir Macedo, aparecem no vídeo.


BANCADA EVANGÉLICA – Além disso, três deputados da bancada evangélica também participam da convocação: Abílio Santana (PR-BA), Silas Câmara (Republicanos-AM) e Marco Feliciano (Sem partido-SP).

O último afirma que as pessoas têm de orar e “pedir misericórdia para que essa praga cesse e todas as previsões ruim para o Brasil caiam por terra”. Ao final, o narrador afirma que neste domingo a “igreja de cristo na terra irá clamar e o inferno irá explodir”.

GSI avalia medidas para evitar aglomerações em encontros diários entre Bolsonaro e apoiadores

Populares ainda se amontoam em busca de selfies com Bolsonaro

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI)  estuda medidas para evitar a proliferação de coronavírus entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que se aglomeram em frente ao Palácio da Alvorada diariamente.

A pasta, no entanto, não menciona quais estão sendo avaliadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde orientam o distanciamento social como forma de combater a Covid-19.

PREVENÇÃO – “É difícil prever o número de pessoas que se reunirão no Alvorada a cada manhã. Não está prevista a suspensão das visitas. A população está exaustivamente alertada sobre medidas de prevenção. De qualquer maneira, essa atividade, que se transformou em rotina, será objeto de cuidados especiais para evitar que facilite a transmissão do vírus”, diz a nota.

Questionado sobre quais medidas seriam tomadas, o GSI afirmou que ainda estão “sob análise”. Também não deu previsão para implementação dos “cuidados especiais”.

Desde que Bolsonaro foi eleito, apoiadores se reúnem diariamente na saída do Alvorada na tentativa de vê-lo de perto. Geralmente, o chefe do Executivo os cumprimenta em duas ocasiões no dia: pela manhã e no fim da tarde.

DISTÂNCIA – Com a pandemia, Bolsonaro passou a não mais apertar mãos ou tirar selfies e a manter distância da claque. No entanto, nenhuma medida foi tomada para evitar a aglomeração dos simpatizantes que se apertam na grade, uns próximos dos outros.

A infectologista Eliana Bicudo, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), criticou a prática rotineira no Alvorada. “O que está acontecendo ali é totalmente incorreto, fora do que o Ministério da Saúde e as sociedades médicas estão preconizando. Não pode ter contato físico, muito menos aglomeração”, ressaltou. “É necessário que se crie um distanciamento. Para o presidente, percebe-se que não há nenhuma proximidade, mas quanto aos apoiadores está completamente incorreto. Espero que a segurança presidencial ou do DF tome uma atitude para que as pessoas possam continuar indo lá falar com ele, mas se guardando num distanciamento.”

CONSCIENTIZAÇÃO – A especialista apelou, ainda, para a conscientização da população: “Se a gente não mudar esse pensamento, os números do DF vão continuar subindo. Todos têm de entender que é um problema coletivo e não individual. O fato de eu adquirir e não adoecer não significa que eu não passei para alguém que possa adoecer. A gente tem de pensar no outro, essa é uma doença coletiva, muito mais coletiva do que individual.”

A dificuldade, no entanto, está principalmente no posicionamento do próprio chefe do Executivo, que defende o fim do isolamento, a reabertura do comércio e a volta à normalidade.

STF mantém prazo de filiação para eleições municipais após pedido de adiamento

Rosa  Weber manteve prazo que termina neste sábado

Deu no Correio Braziliense

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a manutenção os prazos de filiação partidária, domicílio eleitoral e desincompatibilização para as eleições 2020, que termina neste sábado, dia 4.

Ao negar liminar solicitada pelo partido Progressistas (PP) nesta sexta, dia 3, Rosa destacou que prazos como o de desincompatibilização – afastamento obrigatório do servidor público para que possa concorrer ao pleito – “não são meras formalidades, pois visam assegurar a prevalência da isonomia na disputa eleitoral, e sua inobservância poderia afetar a legitimidade do pleito”.

PANDEMIA – Na avaliação da ministra, “não foi demonstrado que a situação causada pelo combate à pandemia da Covid-19 viola os princípios do Estado Democrático de Direito, da soberania popular e da periodicidade do pleito previstos na Constituição Federal”.

As informações foram divulgadas pelo Supremo. No pedido ao Supremo, o PP alegava “potenciais impactos nas Eleições de 2020 decorrentes da continuidade do cenário de calamidade ocasionado pela pandemia da Covid-19”.

A legenda argumentou ainda que a “arregimentação de novos filiados resta consideravelmente frustrada pelos partidos políticos” tendo em vista as quarentenas decretadas no País e que a pandemia gerou “ambiente de absoluta ausência de previsibilidade e de segurança jurídica naqueles cuja desincompatibilização dos respectivos cargos nos seis meses anteriores ao pleito é imposta”.

CONSEQUÊNCIA – Ao analisar a solicitação da legenda, Rosa apontou que a suspensão imediata do prazo teria a “consequência inadmissível do enfraquecimento das proteções contra o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta”.

Na avaliação da ministra, que preside o Tribunal Superior Eleitoral, o “enfraquecimento” incrementaria “de modo desproporcional o risco para a normalidade e a legitimidade das eleições e, consequentemente, produziria um estado de coisas com potencial ainda maior de vulneração ao princípio democrático e à soberania popular”.

A ministra ressaltou ainda que, recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral “registrou a plena possibilidade de os partidos adotarem outros meios para assegurar a filiação partidária, como o recebimento online de documentos”.

Mesmo com alíquota pequena, o imposto sobre fortunas poderia significar muito…

Leia artigo que explica lucro dos bancos - Sindicato dos Bancários ...

Charge do Bier

Luiz Gonçalves Bomtempo e Mauro Silva
Site Conjur

Em meio à crise proporcionada pelo coronavírus, está na hora de os ultrarricos brasileiros deixarem um pouco de lado a ganância e a obsessão pelo acúmulo e dar sua contribuição ao país para o enfrentamento de uma epidemia sem precedentes no Brasil.

O Governo possui todos os argumentos e elementos para encaminhar ao Congresso Nacional mensagem para instituir o empréstimo compulsório sobre uma pequena, mas importante parcela dos contribuintes, que, com base nas declarações do imposto de Renda à Receita Federal, em 2019, é de 220.220 contribuintes.

IMPOSTO MÍNIMO – Atualmente, a renda dos “ultrarricos” é tributada à alíquota efetiva de 6,5% somente, portanto a elevada carga tributária média tem aliviado esta camada da população que, certamente, suporta um ônus tributário menor em mais de uma dezena de pontos percentuais. É sobre esta classe mais favorecida que se deve buscar os recursos necessários para enfrentar a crise e não onerar a população de baixa renda e os autônomos, parcelas mais vulneráveis e sem proteção da sociedade brasileira.

Do ponto de vista legal, o governo estaria amplamente amparado pela Constituição Federal que prevê essa modalidade de empréstimo, por lei complementar, em tempos de calamidade pública. A previsão para o empréstimo compulsório está no artigo 148 da Carta Magna.

A aplicação dos recursos provenientes desse tributo deve estar vinculada a uma despesa, que no caso seria para fazer frente à crise “coronavírus”, não podendo ser usados para outras despesas.

COBRANÇA IMEDIATA – Pode-se instituir o empréstimo compulsório e cobrá-lo no mesmo exercício, não necessitando aguardar a “vacatio legis” de noventa dias.

Como todos os dados referentes ao patrimônio dos contribuintes estão ao alcance da Receita Federal, armazenados nos seus computadores, a cobrança deste empréstimo compulsório não dependerá de declarações a serem prestadas. A Receita Federal, mediante notificações, pode lançar de ofício este tributo. Isso é uma vantagem a mais, pois após a aprovação pelo Congresso Nacional, em suas duas casas, a cobrança poderá ser realizada de imediato.

Compulsando os estudos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2017, verifica-se que a média da tributação sobre propriedade em seus países-membro era de 1,9% do PIB. O modelo de IGF em geral adotado pelos países-membro da OCDE é baseado em alíquotas progressivas, que vão de 0,2% a 2,5%2.

0,1% DE RICAÇOS – Cerca de 30% dos bens e direitos líquidos, declarados no IRPF, são detidos por apenas 220.220 contribuintes, o que representa 0,67% dos declarantes ou 0,1% da população brasileira.

Há 144.057 contribuintes com patrimônio líquido médio de R$ 4,69 milhões; 33.261 contribuintes com patrimônio líquido médio de R$ 9,29 milhões; 14.363 contribuintes com patrimônio líquido médio de R$ 13,64 milhões; e 28.540 contribuintes com patrimônio líquido médio de R$ 53,47 milhões.

Para efeito do empréstimo compulsório, com alíquota de 4,8%, aplicável somente nessa última faixa, o imposto arrecadaria R$ 66,85 bilhões, ou R$ 48,8 bilhões, considerando uma evasão fiscal.

TABELA PROGRESSIVA – No entanto, pode ser aplicável uma tabela progressiva, a partir do limite de isenção estabelecido na premissa, de R$ 4,67 milhões, com alíquotas mínima de 0,5% e máxima de 5%, e com parcelas a deduzir que vão de R$ 23,35 a R$ 908,35 mil.

Nesse formato, a arrecadação do tributo seria de R$ 38,8 bilhões – já considerando a perda arrecadatória decorrente de sonegação fiscal. O valor fica abaixo da arrecadação ideal, calculada anteriormente, porém ainda representa um incremento relevante aos cofres públicos.

A tributação sobre o estoque de riqueza tem como uma de suas finalidades a redução das desigualdades de renda, visando tributar mais aqueles contribuintes que apresentam maior capacidade contributiva e, consequentemente, favorecendo a instituição de um sistema tributário mais justo.

(Artigo enviado por Carlos Alverga. Os autores – Luiz Gonçalves Bomtempo e Mauro Silva – são dirigentes da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal)

Efeito coranavírus ! PF diminuiu o número de operações de combate à corrupção e ao crime organizado

Ações com agrupamento de policiais foram adiadas

Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão

A Polícia Federal reduziu o número de operações de combate à corrupção e ao crime organizado por todo Brasil, devido aos riscos de transmissão do coronavírus. Delegados estão orientados a suspender temporariamente ações que envolvam agrupamento e movimentação de equipes policiais, desde que não resulte em prejuízo para as investigações.

Desde que foi adotada a medida, há 15 dias, foram deflagradas oito operações ostensivas – quando são realizadas prisões e buscas e apreensões. Em igual período, no início do mês, foram 32 ações pelo País. Mesmo com a queda, março fechou com volume total de operações dentro da média: foram 42 ações ostensivas deflagradas no mês, contra 49 em fevereiro e 22 em janeiro.

NOVA ROTINA – A queda do número de operações decorre de orientação do comando da PF e abrange ações ostensivas em casos de corrupção, crimes financeiros, previdenciários, de tráfico de drogas, armas e pessoas, crimes ambientais, crimes cibernéticos e de organizações criminosas em geral. Inquéritos e investigações, com análises, perícias, elaborações de relatórios, seguem com uma nova rotina de trabalho.

Na semana passada, foi deflagrada uma nova fase da Operação Faroeste, que tem como alvo suposto esquema de venda de decisões judiciais por desembargadores e juízes do Tribunal de Justiça da Bahia. Na ocasião foram feitas buscas e apreensões e um desembargador foi preso.

Uma semana antes, a PF concluiu relatório final de investigação da Operação Lava Jato e indiciou o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pelo suposto recebimento de R$ 64 milhões em propinas, entre 2008 e 2011 – período em que foi governador de Minas e senador. Ele nega.

SUSPENSÃO – As operações começaram a cair após a instrução normativa do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, de 16 de março, com medidas para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus – declarada em 11 de março, pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Pelo menos sete normativas internas foram publicas desde então. A principal delas, da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor) da PF, no dia 18.

No documento, o delegado Igor Romário de Paulo, diretor do Dicor, orienta delegados regionais a analisarem caso a caso, com os delegados que conduzem inquéritos e com juízes, a possibilidade de “adiamento, suspensão ou sobrestamento” temporária de operações que demandam movimentação de agentes, deslocamento de equipes por via aérea e agrupamento de efetivo policial.

A medida teve como base a normativa do diretor-geral sobre medidas de combate à covid-19 na PF e o “extenso calendário de ações operacionais já estabelecido para os meses de março, abril e maio de 2020, com a previsão de mobilização de grande efetivo”.

PREVENÇÃO – “Com o intuito de preservar efetivo da Polícia Federal e de terceiros envolvidos nas ações policiais.”A orientação da Dicor foi de que o adiamento seja de pelo menos 15 dias, conforme a média de interrupção das atividades dos tribunais de todo o País. E que só ocorresse em casos em que o adiamento na resulte em prejuízo para as investigações. O ofício indica ainda que, caso as operações sejam mantidas, as equipes adotem cuidados básicos para proteção.

Nesta quinta-feira, dia 2, por exemplo, foi deflagrada a Operação Nome Sujo, em Varginha (MG), contra um esquema de tráfico de influência e corrupção, relacionado a falsificação de cigarros. Com baixo efeito, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão. Além de máscaras, policiais utilizaram luvas e álcool em gel no contato com material recolhido – dossiês contáveis, documentos e um computador.

ROTINA – A Polícia Federal já havia tomado outras medidas por causa do novo coronavírus, entre elas a suspensão de atendimentos presenciais em algumas unidades, restrição de emissão de passaportes, suspensão de visitas a presos e a instrução de regime de teletrabalho parte dos agentes, em especial aqueles que pertencem ao grupo de risco da covid-19.

Delegados também estão autorizados a suspender depoimentos presenciais marcados, desde que com prévia comunicação ao interrogado. São mantidas apenas as oitivas “urgentes e prioritárias”, conforme a necessidade da investigação ou do processo. Foi autorizado o depoimento por videoconferência.

PANDEMIA – O presidente da Federação Nacional dos Polícias Federais (Fenapef), Luís Antônio Boudens, afirma que os 11 mil policiais da ativa, aproximadamente, estão focados no auxílio ao combate à pandemia e que já há casos confirmados de federais infectados.

Um dos primeiros, um agente que trabalha no aeroporto do Recife. Ele e toda equipe estão afastados, em quarentena. Em São Paulo, o superintendente da PF, delegado Lindinalvo Alexandrino de Almeida Filho, foi contaminado. Ele foi internado e o teste confirmou a covid-19, mas se recupera bem e deverá ter alta na próxima semana.

SEM FESTA – Na semana passada, as comemorações do aniversário de 76 anos da PF, no dia 28, foram feitas sem reunião presencial. Em carta à equipe, o diretor-geral, Maurício Valeixo, falou que a alegria das “conquistas” atingidas em 2019 “contrastam com a consciência do momento extremamente difícil em que nos encontramos”.

No ano passado 54.049 inquéritos foram abertos pela PF. O índice de casos solucionados foi de 88,8%, segundo relatório obtido pelo Sindicato dos Delegados de Polícia Federal de São Paulo.

“A decretação da situação de emergência de saúde mundial é tão séria e severa que não permite, sequer, que estejamos juntos na data de hoje, que confraternizemos em nossas unidades.” Segundo Valeixo, “assim como os serviços de saúde não param, porque as epidemias não dão tréguas”, a PF não pode parar, “seja para atender aqueles que procuram pelos serviços prestados pela PF, seja para enfrentar as organizações criminosas”.

Bolsonaro avalia afrouxar regras de isolamento social em parte do país

Bolsonaro diz que tem um projeto de decreto pronto para assinar

Thais Arbex
O Globo

Contrário ao isolamento social para conter o avanço do coronavírus no país, o presidente Jair Bolsonaro estuda uma nova medida para determinar a retomada das atividades em parte do país. O governo passou a avaliar a possibilidade de flexibilizar normas restritivas em cidades pequenas e médias com baixo índice de casos da Covid-19.

Auxiliares de Bolsonaro dizem que a ideia é que o próprio Ministério da Saúde estabeleça os critérios, que garanta segurança à vida da população e dê respaldo aos governantes locais. Ainda não está definido se o melhor caminho seria um decreto presidencial ou uma medida provisória.

“ADEQUAÇÃO” –  O presidente, dizem aliados, tem defendido uma adequação das regras impostas por estados e município. A avaliação é a de que, em um país continental como o Brasil, não é possível estabelecer uma única norma para diferentes realidades.

A logística para a determinação de parâmetros técnicos pelo Ministério da Saúde não é, no entanto, de fácil execução. Existem no país, por exemplo, muitas cidades-dormitórios que não concentram casos da Covid-19, mas têm potencial para se tornarem centros de disseminação da doença caso seus moradores sejam liberados para a retomada das atividades. O vai e vem de trabalhadores, nesses municípios, poderia dar impulso à circulação do vírus.

ESTRUTURA – Auxiliares de Luiz Henrique Mandetta têm defendido que qualquer tipo de flexibilização de medidas restritivas só pode ser executada a partir do momento que o sistema de saúde estiver bem estruturado. O importante, dizem, é que haja a garantia de atendimento eficaz.

A avaliação no Ministério da Saúde é a de que, para que haja qualquer tipo de liberação das atividades, será preciso estabelecer uma série de requisitos — entre os quais, por exemplo, a quantidade de leitos de UTI disponíveis naquela localidade. A pasta comandada por Mandetta está compilando os dados de todo o país para ter um quadro mais realista e, assim, dar respaldo a um plano nacional de combate ao coronavírus.

ALTERNATIVA –  Ministros que apoiam a proposta dizem que uma “customização” é uma saída para a retomada, ainda que gradual, de parte da atividade econômica no país. Mesmo que os grandes centros não atendam aos requisitos para o fim do isolamento social, a avaliação é a de que a solução intermediária pode ser benéfica.

O trabalho conjunto com a Saúde, avaliam integrantes do governo, também é importante para dar segurança jurídica ao Palácio do Planalto. Bolsonaro tem recebido uma série de sinalizações de que qualquer ato que contrarie as recomendações da ciência e da medicina seria derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

DECRETO – Nesta quinta-feira, Bolsonaro afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan que pode assinar um decreto para afrouxar o isolamento social nos estados. “Eu tenho um projeto de decreto pronto na minha frente para ser assinado, se preciso for, considerando atividade essencial toda aquela exercida pelo homem e pela mulher através da qual seja indispensável para levar o pão para a casa todo dia”, disse.

“Eu, como chefe de Estado, tenho de decidir. Se tiver que chegar a esse momento, eu vou assinar essa medida provisória. Agora, sei que tem ameAça de tudo o que é lugar para cima de mim se eu vier a assinar. Até de sanções tipo buscar um afastamento, sem qualquer amparo legal para isso”, finalizou.

Eduardo Bolsonaro critica taxação de grandes fortunas e Rodrigo Maia rebate: “poderiam fazer mais”

Eduardo defendeu utilização do fundo eleitoral no combate à pandemia

Deu na Folha

Em debate na Câmara dos Deputados nesta sexta-feira, dia 3, sobre a votação da Proposta de Emenda Constitucional do chamado Orçamento de Guerra, voltado exclusivamente a medidas de combate ao coronavírus, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) tentou exaltar as ações dos mais ricos em relação aos problemas do país e recebeu resposta sucinta do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Em sua fala, o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu a utilização do fundo eleitoral no combate ao coronavírus e disse que o momento também era oportuno para debater a redução dos salários do funcionalismo público. Ao concluir sua intervenção, disse ser contra a taxação de grandes fortunas.

“PARA A RÚSSIA” – “Em um primeiro momento, todo mundo vai bater palma. Vão falar ‘parabéns, pegaram bilhões dos ricos’. Em um segundo momento, vai acontecer como ocorreu em alguns países da Europa. Vão pegar todo o seu dinheiro e mandar para a Rússia”, disse o deputado.

Por fim, quis lembrar que “grandes bilionários e milionários fazem grandes caridades em todo o país”. Em resposta, Maia disse “poderiam fazer mais”, e então passou a palavra ao deputado federal Orlando Silva (PC do B-SP)

Deputado Rui Falcão vai à Justiça e pede o afastamento de Carlos Bolsonaro de “gabinete” no Planalto

Presença de Carluxo no Planalto causa mal estar dentro e fora do governo

Ricardo Galhardo
Estadão

O deputado Rui Falcão (PT-SP) entrou nesta sexta-feira, dia 3, com uma ação junto à Justiça Federal de Brasília para que o vereador do Rio da Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro, seja afastado de suas atividades no Palácio Planalto.

Mesmo sem ter cargo no governo, Carlos foi alocado em uma sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, na antessala do pai, junto com o chamado ‘gabinete do ódio’, grupo de assessores palacianos de perfil ideológico que cuidam das redes sociais do governo e incentivam o presidente a agir de forma beligerante.

USURPAÇÃO – “A presença dele no Planalto, além de todo o mal que causa dentro e fora do governo, constitui usurpação de função pública e desvio de finalidade”, disse o deputado petista.

Carlos é o responsável pelas contas de Bolsonaro nas redes sociais desde a campanha presidencial de 2018. Nesta semana, o presidente teve postagens apagadas pelo Twitter e Facebook por compartilhar notícias inverídicas sobre o coronavírus.

FAKE NEWS – Na quarta-feira, dia 1º, Bolsonaro apagou um post no qual acusava suposto desabastecimento no Ceasa de Belo Horizonte. O vídeo foi desmentido e Bolsonaro teve que pedir desculpas por espalhar fake news no Twitter. Desde o início da crise, Carlos vem participando de reuniões do governo.

Ele foi um dos responsáveis pelo desastroso pronunciamento de Bolsonaro em cadeia nacional de TV, na semana passada, no qual dizia que o coronavírus não passa de uma gripezinha e tem sido um dos incentivadores do discurso presidencial contra as medidas de isolamento adotadas por governadores de quase todo o País. Na ação protocolada, Falcão oferece à Câmara Municipal e à prefeitura do Rio a oportunidade de participarem como coautoras.

Maioria de tuítes a favor de Bolsonaro sobre coronavírus foram feitos por robôs

No dia das manifestações tinha muito robô trabalhando de casa

Rayanderson Guerra
O Globo

Mais da metade das  publicações de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro no Twitter durante a pandemia do novo coronavírus no país e da manifestação pró-governo e contra o Congresso Nacional e o Judiciário, no dia 15 deste mês, foram disparadas por robôs.

Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FespSP) mostra que 55% dos 1,2 milhão de posts que usaram a hashtahg #BolsonaroDay foram feitas por robôs, contas automatizadas, como de ciborgues, e contas semiautomatizadas.

COLETA DE DADOS –  Os pesquisadores coletaram dados sobre as hashtags mais utilizadas pelos grupos de apoio ao presidente no Twitter entre 1 de janeiro a 15 de março. O grupo identificou 22 mil hashtags que foram rankeadas em uma lista das mais frequentemente usadas.

Segundo o estudo, divulgado pelo jornal “Valor Econômico”, foram identificadas 66 mil contas responsáveis pelos cerca de 1,2 milhão de tuítes. Os robôs que usaram a hashtag #bolsonaroday postaram cerca de 700 tuítes no domingo em que ocorreu os atos pró-governo.

Os perfis mais ativos chegaram a publicar uma média 1,2 mil tuítes por dia. O estudo contatou ainda que os usuários reais têm uma média de três a dez tuítes por dia. Os mais ativos chegam até 50 tuítes por dia. O estudo foi coordenado pelas professoras Rose Marie Santini, da UFRJ, e Isabela Kalil, da Fesp, e reuniu 12 pesquisadores.

HASTAGS – Os pesquisadores concluíram que parte das hashtags utilizadas neste perído, como #somostodosbolsonaro, #stfvergonhanacional, #foramaia, #globolixo, #bolsonaro2022, #somostodosmoro, #bolsonaropresidenteate2026, #bolsonaro2026, mantém um volume constante nas redes.

A tática, segundo a análise, mostra evidências de uma ação de comunicação planejada, orquestrada e automatizada e se enquadram na estratégia de campanha permanente e na agenda política de Bolsonaro.

O grupo ainda identificou quatro padrões distintos nos tuítes. O primeiro com o STF como alvo; o segundo sobre a mobilização para as manifestações do dia 15 deste mês; contra as medidas de restrição e isolamento social como prevenção da Covid-19 e, por fim, a favor de que a população fosse às ruas, mesmo diante dos perigos de disseminação do novo coronavírus.

Carlos Bolsonaro ataca Mourão por conversa com governadores e insinua conspiração

Carluxo questionou reunião entre Mourão e Flávio Dino

Igor Gielow
Folha

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho presidencial responsável pela estratégia digital do pai, atacou o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) em uma postagem no Twitter nesta sexta-feira, dia 3. Insinuou que ele conspira para derrubar seu pai.

Com isso, Carlos incendeia uma situação bastante tensa dentro da ala militar do governo, que vem tentando contornar a sucessão de conflitos entre Bolsonaro, governadores e seu próprio ministro da Saúde na gestão da crise do coronavírus.

O vereador reproduziu uma postagem do Flávio Dino (PCdoB) na qual o governador do Maranhão relatava uma reunião virtual do Conselho da Amazônia com Mourão, ocorrida com todos os chefes estaduais da região na quinta-feira, dia 2.

REUNIÃO – Dino, adversário de Bolsonaro, disse: “Tivemos uma reunião com diálogo técnico, respeitoso, sensato. Claro que Mourão não é do meu campo ideológico. Mas, se Bolsonaro entregar o governo para ele, o Brasil chegará em 2022 em melhores condições”.

Já Carlos comentou: “O que leva o vice-presidente da República se reunir com o maior opositor socialista do governo, que se mostra diariamente com atitudes totalmente na contramão de seu presidente?”.

REAÇÕES – As primeiras reações entre políticos e militares variaram entre a descrença e a certeza de que a escalada de Carlos era previsível por seu temperamento, dado o adensamento dos rumores de que Bolsonaro poderia renunciar como uma saída para as dificuldades de governança de seu governo no combate à pandemia.

O próprio presidente negou a hipótese, de resto sugerida antes por Dino e outros políticos de esquerda no começo da semana. Mas a questão é Mourão. Desde a campanha eleitoral, quando o general da reserva obteve a vaga de vice Bolsonaro quase acidentalmente, já que o também general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) tivera um problema partidário, Mourão tem uma relação atribulada com o que chama de “os meninos”.

FARPAS – São os três filhos políticos do presidente, dos quais Carlos é o mais carbonário em redes sociais. Eles já haviam trocado farpas antes, mas o momento é outro.

Isolado politicamente devido à sua insistência em primeiro minimizar a Covid-19 e, depois, de sugerir estratégias na contramão do que se recomenda internacionalmente e governadores de estado estão aplicando no Brasil, Bolsonaro procurou refúgio entre os militares.

APOIO – Pediu apoio direto ao ex-comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, que acabou publicando uma postagem simpática à sua “coragem” na crise. Mais importante, aceitou modular o tom de confronto num pronunciamento em rede nacional na terça-feira, dia 31.

Ao mesmo tempo, instalado no Palácio do Planalto, Carlos manteve a tática agressiva no manejo das redes do pai. No dia seguinte ao pronunciamento, Bolsonaro já estava a atacar governadores —até com uma fake news sobre desabastecimento em Minas, pela qual se desculpou.

Como diz um general da ativa, os fardados do Planalto já não sabem como lidar com a instabilidade do presidente. O chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, assumiu a linha de frente de comunicação e coordenação da crise, num movimento duplo de Bolsonaro.

ISOLAMENTO – Primeiro, ceder poder à ala militar e, segundo, isolar Luiz Henrique Mandetta, o ministro da Saúde cuja avaliação do trabalho é muito melhor entre a população do que a do presidente, segundo o Datafolha.

Na prática, os ministros têm tentado tocar a administração dos aspectos práticos do combate à pandemia e ignorar Bolsonaro. Muitos já se alinharam ao colega da saúde. A frase de Mandetta ao ouvir a enésima farpa do presidente contra si, numa entrevista na quinta, resumia: “Quem tem mandato, fala; quem não tem, como eu, trabalha”.

DESESPERO  – Ocorre que num sistema presidencial centralizado como o brasileiro, arranjo é bastante frágil, não menos porque Bolsonaro não é considerado “controlável” pelos seus auxiliares. Carlos, ao atacar Mourão e tentar associar uma reunião usual de trabalho com vários governadores a uma conspiração, expõe uma estratégia algo desesperada.

Antes da crise, a relação de Bolsonaro com o Congresso já havia se tornado inviável pela disputa sobre o manejo do orçamento, o que só piorou quando o presidente participou de ato sugerindo o fechamento do Legislativo e do Judiciário.

SEM GUARIDA – O Supremo Tribunal Federal também fez chegar a Bolsonaro a avaliação de que medidas exageradas na condução da crise não terão guarida legal, expondo ainda mais o isolamento presidencial.

Mourão não é o líder da ala militar no Planalto, mas é o único indemissível. Isso lhe garante uma ascendência que não tinha quando era um general de quatro estrelas no Alto Comando do Exército.

O nome mais forte do setor fardado no governo é o general da reserva Fernando Azevedo, ministro da Defesa, que faz a ponte com a ativa das Forças e também com o Judiciário —trabalhou com o presidente do Supremo, Dias Toffoli. Toda e qualquer continuidade da crise, acirrada nesta sexta por Carlos, passará pelo julgamento de Azevedo.

“Médico não abandona o paciente”, diz Mandetta ao negar que deixará o cargo

Mandetta disse que Bolsonaro “tem a caneta” para nomeá-lo e retirá-lo

Filipe Matoso, Gustavo Garcia e Laís Lis
G1

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nesta sexta-feira, dia 3, que “médico não abandona o paciente”. Mandetta deu a declaração em uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto depois de ter sido questionado se deixará o cargo.

Nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que ele e Mandetta têm se “bicado há algum tempo” e que o ministro da Saúde “extrapolou” em meio à crise provocada pelo novo coronavírus. Bolsonaro afirmou ainda que nenhum ministro é “indemissível”. Nesta sexta, segundo informou o Blog de Cristiana Lôbo, o presidente disse a assessores que não demitirá o ministro.

24 HORAS – “Quanto a eu deixar o governo por minha vontade, eu tenho uma coisa na minha vida que eu aprendi com os meus mestres: ‘médico não abandona paciente, meu filho’. Eu já cansei de terminar plantão, na minha vida, e o plantonista que tinha que chegar para me render, para eu poder ir embora, não aparecer, por problemas quaisquer, e eu ficar 24 horas dentro do hospital”, declarou Mandetta nesta sexta.

“Eu já passei Natal dentro de hospital com filho pequeno em casa e mulher esperando. O foco é do serviço. É do trabalho. Esse paciente chamado Brasil, quem me pediu para tomar conta dele neste momento é o presidente. E eu tenho dado para ele todas as informações. E entendo, entendo. Entendo os empresários que se queixam a ele. Entendo as pessoas que veem o lado político e colocam a ele. Entendo as pessoas que gostariam que a solução fosse uma solução rápida”, acrescentou o ministro da Saúde.

CONFLITOS – Nas últimas semanas, Bolsonaro e Mandetta deram opiniões diferentes sobre o combate ao novo coronavírus. Enquanto o ministro defende o isolamento, assim como orienta a Organização Mundial de Saúde (OMS), Bolsonaro tem defendido o fim do “confinamento em massa” e a reabertura do comércio.

Durante a entrevista no Planalto, Mandetta também foi questionado sobre a pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta. O ministro da Saúde disse que o resultado é “efêmero” e “passageiro”.

AÇÕES DO MINISTÉRIO – Segundo a pesquisa, 33% dos entrevistados aprovaram as ações do presidente Jair Bolsonaro nas medidas contra o coronavírus. Conforme a mesma pesquisa, 76% aprovam as ações do Ministério da Saúde. “Essa crise passa. Daqui a pouco eu sou passado. […] Calma, não tem ninguém aqui que não entenda o papel que está cumprindo”, afirmou.

“O que tiver confirmação científica, o que puder abrir para vocês, vai ser assim. Números e pesquisas instantâneas não querem dizer nada. Nós não somos uma ilha. Isso aqui é parte do governo Bolsonaro”, acrescentou. O ministro completou afirmando que o presidente da República “tem a caneta” para nomeá-lo e retirá-lo do cargo.