Desde que o Coaf acendeu o sinal amarelo, Bolsonaro está dois lances atrasado

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Bolsonaro disse que Fabrício vai depor esta semana. Será?

Elio Gaspari
Folha/O Globo

Jair Bolsonaro lidou com a primeira crise do seu governo com uma mistura de onipotência e ingenuidade. Diante de um problema no qual ele e o filho Flávio (eleito senador) não são investigados ou acusados de coisa alguma, transformaram o silêncio em suspeita.

O suboficial Fabrício Queiroz, da PM do Rio, amigo do presidente, motorista, segurança e assessor de Flávio, movimentou R$ 1,2 milhão em 12 meses. Fez 176 saques (cinco num só dia) e recebeu 59 depósitos, todos em dinheiro vivo. Sete funcionários que estavam ou passaram pelos gabinetes do deputado estadual Flávio e de seu pai fizeram depósitos na sua conta. Dois eram parentes de Queiroz. Outro era um tenente-coronel PM que trabalhou por 18 meses com Flávio e durante esse período viveu 248 dias em Portugal.

DEMISSÃO PÓS-ELEIÇÃO – Queiroz pediu demissão do gabinete de Flávio Bolsonaro no dia 16 de outubro, uma semana depois do primeiro turno. Ele teria feito isso para cuidar de sua passagem para a reserva. No mesmo dia, foi afastada sua filha Nathalia, que trabalhava com Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. (Fernando Haddad, derrotado na disputa pela Presidência, levantou a suspeita de que a surpresa do Coaf tenha chegado ao conhecimento de Bolsonaro, “no máximo, em 15 de outubro”.)

Durante uma semana os Bolsonaro reiteraram sua confiança em Queiroz, e o senador eleito informou que ouviu dele “uma explicação plausível”. Apesar da plausibilidade do que ouviu o senador eleito, Queiroz manteve-se em silêncio e, pelo que se sabe, pretende falar ao Ministério Público nesta semana.

ONIPOTÊNCIA – Deixando-se de lado o piti do futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que interrompeu uma entrevista ao ser questionado sobre o assunto, Bolsonaro foi onipotente e ingênuo ao supor que o silêncio de Queiroz poderia ser compensado por suas breves declarações. Tanto ele como o filho repetiram que estão fora da investigação e quem tiver feito algo errado deverá pagar. Até hoje, a questão é só uma: cadê o Queiroz?

As bizarrices apontadas pelo Coaf nas finanças do amigo dos Bolsonaro serão estudadas pelo Ministério Público e a ele caberá decidir se há o que pagar.

Noves fora a disseminação do “Cadê o Queiroz?”, a malversação do episódio produziu um efeito colateral. Apareceram os “generais preocupados”. É conhecido o desconforto do vice-presidente Hamilton Mourão, mas os generais anônimos são um fator de verdadeira preocupação para paisanos e fardados.

VENTO CONTRÁRIO – Bolsonaro é um exímio manipulador do que seria o pensamento de militares. Até sua eleição esse fator ventou a seu favor. Agora, poderia soprar contra. Para quem não gosta do presidente eleito, a brisa pode até ser motivo de alegria. O problema é que quando esse vento sopra, seja qual for a direção, arrasta tudo, inclusive a disciplina militar.

O marechal Castelo Branco denunciou, faz tempo, as “vivandeiras alvoroçadas, (que) vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar”.

A turma de Bolsonaro ergue o estandarte da “volta do PT” sempre que ouve alguma coisa contra seu chefe. O espantalho pode ser conveniente, mas quem está na pista costurando sua candidatura é o futuro governador de São Paulo, João Doria.

“João de Deus” desiste de fugir, apresenta-se à Polícia e já está preso em Goiás

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Depois de 48 horas foragido, o médium decidiu se entregar

Deu na Jovem Pan

O médium João Teixeira de Faria, o “João de Deus”, apresentou-se à Polícia neste domingo, agora à tarde, e já está preso em Goiás Nesta sexta-feira (dia14), após a Justiça determinar a prisão preventiva dele, as promotoras responsáveis pelas investigações revelaram novas informações do caso à imprensa. De acordo com elas, os depoimentos mostraram que alguns funcionários do religioso eram coniventes com os abusos sexuais cometidos por ele.

Quatro funcionários em especial foram citados diversas vezes em diferentes depoimentos ao Ministério Público. As identidades deles seguem em sigilo. O fato será apurado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO).

PREVENTIVA – Na sexta-feira, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás confirmou durante a tarde que o Tribunal de Justiça de Goiás acatou o pedido do MP-GO e determinou a prisão preventiva do médium goiano João Teixeira de Faria, o João de Deus.

O religioso é acusado de ter abusado sexualmente de mulheres durante a realização de tratamentos espirituais, em Abadiânia (GO). Cerca de 200 vítimas já procuraram autoridades para denunciá-lo.

 

 

 

 

Bolsonaro desautoriza o filho Eduardo e encerra o assunto da pena de morte

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O assunto não será tratado pelo governo, diz Bolsonaro

Luiz Felipe Barbiéri
G1 — Brasília

O presidente eleito Jair Bolsonaro desautorizou neste domingo (16), em sua conta no Twitter, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) – um de seus cinco filhos – e afirmou que não pretende propor ao longo de seu mandato o debate sobre a implantação da pena de morte no Brasil.

Na rede social, Bolsonaro observou ainda que a Constituição veda a possibilidade de pena capital no país e, na tentativa de evitar que a polêmica sobre o tema se estenda, disse que o assunto “está encerrado”.

TIPO INDONÉSIA – Em entrevista ao jornal “O Globo” publicada neste domingo, Eduardo Bolsonaro defendeu a aplicação da pena de morte para traficantes – a exemplo do que ocorre na Indonésia – e para autores de crimes hediondos. Eduardo ressaltou ao jornal que um plebiscito poderia ser usado para consultar os brasileiros sobre o assunto, apesar da vedação explícita da Constituição.

O artigo 5º da carta constitucional, em seu inciso 47, diz que a pena de morte não pode ser aplicada, “salvo em caso de guerra declarada”. Essa é uma das cláusulas pétreas da Constituição, ou seja, não pode ser modificada por emendas constitucionais.

Ao desautorizar o filho na internet, o presidente eleito relembrou que a pena de morte é uma das cláusulas pétreas da Constituição.

PELO TWITTER – “Em destaque no Jornal O Globo de hoje informou que, em meu governo, o assunto Pena de Morte será motivo de debate. Além de tratar-se de cláusula pétrea da Constituição, não fez parte de minha campanha. Assunto encerrado antes que tornem isso um dos escarcéus propositais diários“, escreveu Jair Bolsonaro no Twitter.

Eduardo Bolsonaro reconheceu na entrevista que a pena de morte não é passível de alteração por emenda à Constituição, mas disse que, na opinião dele, autores de crimes hediondos, como homicídio, latrocínio e estupro, poderiam ser enquadrados como “exceções à regra”.

“Eu sei que é uma cláusula pétrea da Constituição, artigo 5º, etc. Porém, existem exceções. Uma é para o desertor em caso de guerra. Por que não colocar outra exceção para crimes hediondos?”, questionou Eduardo ao “O Globo”.

DASAUTORIZANDO – O episódio da pena de morte não é o primeiro no qual Jair Bolsonaro desautoriza o filho Eduardo publicamente nos últimos meses.

Em outubro, na reta final da campanha presidencial, o presidente eleito teve chamar a atenção do filho em razão da polêmica gerada após vir à tona um vídeo em que Eduardo Bolsonaro afirmava que bastaria enviar um cabo e um soldado para fechar o Supremo tribunal Federal (STF).

A declaração gerou reação contundente de ministros do Supremo, de outros integrantes do Judiciário e, inclusive, do presidenciável do PT, Fernando Haddad.

Na tentativa de pôr fim à polêmica, Jair Bolsonaro disse à imprensa que já havia advertido “o garoto” [Eduardo] e ressaltou que o filho já havia se desculpado e que tinha respeito e consideração pelos demais poderes.

Condenações de assessores de Trump desvendam uma rede de mentiras

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Cohen, advogado de Trump, condenado a três anos de prisão

Guga Chacra
O Globo

Donald Trump e alguns de seus defensores, incluindo no Brasil, dizem que as investigações sobre sua campanha até agora não produziram nenhum resultado. Falso. Já foram indiciadas ou até mesmo condenadas à prisão várias figuras ligadas ao presidente, incluindo seu advogado pessoal, Michael Cohen, sentenciado nesta quarta-feira a três anos de prisão por crimes que implicam também o atual líder americano.

Detalhe que, no caso de Cohen, a condenação se deveu a crimes apurados em Nova York, e não por Robert Mueller, investigador independente sobre o suposto conluio entre a campanha de Trump com a Rússia, embora o advogado também seja alvo de suas investigações. Os crimes cometidos por Cohen incluem mentir ao Congresso, evasão fiscal e, mais importante, doação ilegal de campanha.

SILÊNCIO PAGO – Esta doação, na verdade, foi o pagamento de dezenas de milhares de dólares para uma modelo da Playboy e a uma atriz de entretenimento adulto para que elas se calassem, durante a campanha presidencial de 2016, sobre os relacionamentos amorosos mantidos com Trump anos antes, quando Melania amamentava o filho Barron.

O objetivo, segundo a Justiça, era impedir que os casos fossem publicados na imprensa, o que poderia prejudicar a campanha do então candidato republicano. Por este motivo, se configuram em doação ilegal, pois visavam a evitar perdas eleitorais. O presidente, por sua vez, está implicado diretamente porque, segundo a mesma Justiça dos EUA, foi ele quem ordenou que Cohen efetuasse o pagamento.

Desde que Cohen se virou contra Trump, o presidente passou a chamá-lo de fraco, burro e mentiroso. Pode até ser verdade. Mas, se for, como o presidente justifica ter mantido por tantos anos Cohen como seu advogado pessoal? Só teria descoberto agora que seu ex-advogado seria tão incompetente ou a motivação se deve ao fato de o ex-colaborador tê-lo incriminado?

OUTRAS CONDENAÇÕES – Além de Cohen, já foi condenado Paul Manafort, por mentir a autoridades, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Sua sentença ainda não foi definida, mas tende a ficar ao menos uma década atrás das grades. Ele foi o chefe de campanha de Trump por alguns meses durante as eleições em 2016.

George Papadopoulos, assessor de campanha, foi condenado a 14 dias de prisão por mentir sobre seus contatos com a Rússia. Rick Gates, outro assessor de campanha de Trump, confessou ter cometido crimes de fraude financeira e mentir a autoridades.

Michael Flynn, que foi assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, confessou ter mentido ao FBI sobre suas conversas com o embaixador da Rússia. Dezenas de russos já foram acusados formalmente de conspiração.

ANTES DO RELATÓRIO – Para deixar claro, todas estas condenações ou indiciamentos ocorreram antes da conclusão do relatório de Robert Mueller. Não sabemos o que pode vir pela frente e os riscos para Trump e seus filhos e genro são enormes.

Independentemente de qualquer coisa, não dá para aguentar mais ler que as investigações da Justiça americana não levaram a lugar algum depois de o chefe de campanha e o advogado pessoal do presidente estarem presos. Isso antes da conclusão final do processo. Mentir ou atacar as instituições judiciais americanas, como fazem alguns trumpistas, apenas enfraquece a democracia.
(Artigo enviado por Darcy Leite)

Eduardo Bolsonaro defende que haja plebiscito para adoção da pena de morte

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Bolsonaro já avisou a seu filho que não insista com isso 

Vinicius Sassine
O Globo

O deputado federal mais votado do Brasil, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), defendeu, em entrevista ao GLOBO , a possibilidade de pena de morte para traficantes de drogas, a exemplo do que ocorre na Indonésia, e para autores de crimes hediondos. Filho mais atuante do presidente eleito, Jair Bolsonaro,  desde a eleição em outubro, reeleito com 1,8 milhão de votos e provável futuro líder do PSL na Câmara, Eduardo disse que um plebiscito pode ser usado para consultar os brasileiros, apesar da vedação explícita da Constituição. Hoje, o texto constitucional trata a impossibilidade da pena de morte como uma cláusula pétrea, que não pode ser alterada mesmo com uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

— Eu sei que é uma cláusula pétrea da Constituição, artigo 5º etc. Porém, existem exceções. Uma é para o desertor em caso de guerra. Por que não colocar outra exceção para crimes hediondos? — questionou Eduardo.

NA INDONÉSIA – O Globo entrevistou o deputado na noite da última terça-feira. O contexto da conversa foram telegramas diplomáticos, obtidos pela reportagem, que revelam como ele tentou visitar o complexo prisional de Nusakanbangan, numa ilha na Indonésia, onde dois brasileiros condenados por tráfico foram fuzilados em 2015.

Os telegramas mostram que o parlamentar manifestou concordância com um sistema penal que permite a execução de traficantes.

A tentativa de Eduardo de ir ao complexo gerou um constrangimento diplomático. Depois de ação da Embaixada do Brasil na Indonésia, o filho do presidente eleito foi convencido a não ir ao local. O deputado restringiu sua visita ao presídio de Tangerang, na região metropolitana de Jacarta, capital da Indonésia, em 30 de julho de 2017.

NO PRESÍDIO – Por três horas, conheceu a unidade onde a maioria dos presos cumpre pena por tráfico. Um telegrama registra: “Após conhecer o complexo, o parlamentar conversou com o diretor-geral do presídio, ocasião em que manifestou sua concordância com o rígido tratamento conferido a traficantes de drogas neste país. Observou, também, o papel desempenhado pela religião na disciplina e na reabilitação dos detentos.”

Após ser questionado pelo Globo a respeito dos telegramas, Eduardo afirmou que a pena de morte é uma medida “bem propícia” para ser levada a um referendo ou a um plebiscito, inclusive para traficantes. Quase 30% dos presos brasileiros cumprem pena ou aguardam julgamento por suspeita de tráfico de drogas, conforme dados do Ministério da Justiça.

A posição assumida por Eduardo marca um retorno dos Bolsonaro a um assunto que eles haviam deixado para trás para tornar a candidatura do pai menos radicalizada. A pena de morte era presença constante nos discursos mais inflamados da família. As falas foram moduladas e os Bolsonaro passaram a evitar o tema.

PEDOFILIA – Em 2015, no primeiro ano como deputado, Eduardo fez uma defesa explícita da pena capital, em casos de “crime premeditado em que resulte morte” e em casos de pedofilia. Naquele momento, ele fez a ressalva de que a Constituição proíbe a medida e que somente uma nova Assembleia Constituinte poderia mudar isso.

No ano seguinte, o deputado, após surfar na Indonésia, publicou nas redes sociais que o país “prevê pena de morte para tráfico de drogas”. Em 2017, antes de embarcar para a Indonésia nas férias em julho, Eduardo voltou a falar de pena de morte nas redes. Dessa vez, lembrou que a Constituição veda a pena:

— Pena de morte é muito mais uma força de expressão, uma bandeira a ser levantada, do que de fato uma medida a ser colocada em prática.

SEM CHANCE – Plebiscito e referendo, instrumentos citados por Eduardo Bolsonaro como possíveis de serem usados para uma consulta sobre a pena de morte no Brasil, não podem ser adotados com essa finalidade, segundo o professor de Direito Thiago Bottino, da Fundação Getulio Vargas (FGV) no Rio. O referendo é uma consulta para que a população aprove ou não uma mudança feita pelo Congresso. O plebiscito é uma consulta prévia — a decisão popular é encaminhada depois ao Legislativo.

— O plebiscito é a base para uma lei ou para uma alteração da Constituição. Mas não se pode perguntar algo à população sobre o que não pode ser mudado, como uma cláusula pétrea. E uma mudança em garantias fundamentais nunca pode ser para reduzir direitos, apenas para ampliar direitos — diz Bottino.

O caminho que resta, segundo o professor da FGV, é uma Assembleia Constituinte para fazer uma nova Constituição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDepois da eleição, Bolsonaro avisou a Eduardo que não quer saber de pena de morte. Mas parece que o filho não gosta de obedecer ao pai. (C.N.)

Abertas novas matrículas na escolinha do professor Renan Calheiros

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Charge do Son Salvador (Charge Online)

Percival Puggina

Profissionais da mente humana – psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, neurologistas – deveriam dedicar maior atenção a um fenômeno recorrente, que afeta as atividades cerebrais de milhares de pessoas, periodicamente, em todo país. Tais especialistas sabem que para obter mudanças de conduta e orientação são necessários anos de terapia, muito aconselhamento e acompanhamento, quando não caixas de remédio tarja preta. Não raro para obter resultados incertos.

Pois mesmo assim, feitas as imprescindíveis exceções das quais falaremos adiante, basta uma vitória eleitoral para que candidatos idealistas se transformem em pragmáticos e frios contabilistas de votos.

TRANSFORMISMO – Estadistas de campanha se convertem em políticos cujo único critério de decisão se extrai de uma planilha de perdas e ganhos eleitorais em cujas duas colunas o efetivo interesse público magicamente desaparece. Afinal, há uma nova eleição logo ali adiante, sabe como é.

Segundo  Ayn Rand, o altruísmo é uma perversão e o egoísmo uma virtude que faz o mundo girar positivamente. Ora, não deixa de ser paradoxal, perante essa exótica crença, esperar que políticos renunciem ao instinto de preservação de seus mandatos para aprovar projetos tão necessários quanto impopulares.

Por isso, nos parlamentos, em nome desse flagelo representado pela contabilidade eleitoral tomada como critério supremo das decisões políticas, necessárias reformas são rejeitadas enquanto absurdos patrimonialistas, pautas-bombas e insustentáveis demandas corporativas são aprovadas.

USOS E COSTUMES – É com essa política que estamos habituados. Em ampla maioria, os que se dedicam à disputa eleitoral têm seus mandatos gabaritados pelo egoísmo.

Eleitores tendem a rejeitar qualquer sacrifício, aparente ou real, que lhes seja imposto por uma reforma trabalhista, por uma reforma previdenciária, por uma privatização ou corte no tamanho do Estado, principalmente enquanto subsistem gritantes assimetrias de tratamento.

Como imaginar, então, que parlamentares atentos apenas ao próprio interesse eleitoral, aprovem tais medidas? A soma algébrica de votos ganhos e perdidos é altamente desfavorável ao bem nacional.

SEM CONFIANÇA – Eis aí o problema do Brasil, nesta hora de mudança. A conduta do Congresso Nacional cujo mandato se extingue em poucos dias levou tudo isso ao clímax. E note-se: a maioria dos que assumiram mandatos em 2015, ali entraram com discurso de estadista. Em grande maioria, porém, passaram pela automática, quase instantânea, transformação de mentalidade a que me referi no início deste texto. Aderiram à escolinha do professor Renan Calheiros.

Nossa esperança recairá, então, sobre a qualidade moral de uns poucos. Quais? Alguns leitores destas linhas haverão de estranhar, mas dias melhores para o Brasil, se vierem, virão dos que generosamente forem capazes de renunciar ao interesse próprio; pôr em jogo seus mandatos; aprovar sacrifícios, extinguir privilégios, promover cortes de ganhos para si e para os outros com vistas ao bem de todos; atuar com sentimento de solidariedade em relação às urgências reais da população. E desagradar os poderosos. Nossa esperança recai, enfim, no bom exemplo e no trabalho de convencimento exercido por aqueles que, eleitos, preservam o misto de indignação e esperança que os levou à política.

É preciso entender que educar e escolarizar são coisas muito diferentes

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Antonio Carlos Fallavena

Em primeiro lugar, é preciso corrigir o que se quer corrigir: educação não é escolarização e família não é escola! Então, pergunto: quem deseja, realmente, um ensino de qualidade? Os professores querem mais salários, liberdade para “ensinar” mesmo sem qualidade no serviço. E ensinar o que? Já os pais querem que os filhos tenham um lugar para ficar. Muitos nem sabem onde os filhos estudam!

Os governantes tem medo de enfrentar os problemas da escola e loteiam o setor das secretarias para partidos. Os legisladores “demagogizam” o mais que podem. Se pressionados, aprovam tudo. Afinal, já estudaram e os filhos estão na escola privada. Aliás, muitos professores da rede públicos têm seus filhos na escola particular. Deveriam explicar as razões. Espero que não seja pela baixa qualidade da escola pública.

E OS ALUNOS? Bem, os alunos querem passar, mesmo não sabendo muito. Afinal, a legislação faculta a aprovação dos não qualificados!

As comparações com outros países são vexaminosas e servem também para clarear as diferenças da sociedade. Países como Finlândia e Coréia do Sul oferecem um modelo de escolarização que justifica também as profundas diferenças culturais e de formação dos seus povos em relação ao Brasil. Estas pequenas/grandes diferenças fazem toda a diferença!

Fico imaginando o que diriam nossos professores, atualmente idealizados por si mesmos como “trabalhadores em educação”, como reagiriam diante das normas aplicadas nos países acima! Talvez argumentem que, naqueles países, os professores são respeitados, bem remunerados e as escolas possuem boas estruturas, etc, etc. Ora, é preciso fazer-se perguntas sérias, fundamentadas e oferecer respostas, propostas.

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ALGUMAS PEQUENAS PERGUNTAS AOS PROFESSORES

Agora, vamos a algumas perguntas que poderiam/deveriam ser feitas para aqueles que só dizem que a escola é ruim porque faltam recursos; porque os governos não querem que o povo tenha conhecimento e cultura para continuar alienado e idiota; porque os professores são mal remunerados e desrespeitados; porque as escolas não tem equipamentos, etc; porque as escolas são assaltadas, vandalizadas e tudo mais.

– concordam com avaliações anuais de conhecimentos e de resultados de seu trabalho?
– aceitam avaliar seus colegas, suas escolas, direções etc.?
– alteração de seu tempo de serviço, considerando a maior expectativa de vida?
– utilização da meritocracia?
– concordam na reforma de seus estatutos funcionais?
– aceitam organização legal e independente do segmento dos pais?

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ALGUMAS PEQUENAS PERGUNTAS AOS PAIS

Vamos a algumas perguntas que poderiam/deveriam ser feitas para os pais ou responsáveis pelas crianças:

– entendem que educar é tarefa da família e escolarizar é missão dos professores?
– aceitam participação obrigatória na associação de pais da escola?
– participar das reuniões de avaliação de resultados e ocorrências nas escolas?
– ajudar a escola nas atividades comunitárias e sociais?

MAIS DINHEIRO? Para quê? Para reformar uma casa que já ruiu? Para pagar melhor os que não trabalham, sem diferenciá-los dos que são dedicados?

Vivenciando a escola, por dentro e por fora, é possível conhecer e avaliar as dezenas de questões sem soluções, que colocaram a educação e o ensino no patamar atual.

Para muitas delas, existem experiências e respostas. As não correções de rumo levaram, e continuam levando, nossa escola para a escuridão!

PALPITEIROS – Enquanto isto, centenas de “palpiteiros” falam mesmices, chavões e avaliações ridículas. Falam o que lhes interessa e o que os “mesmos de sempre” querem ouvir. No fundo, consciente ou não, ajudam a que tudo continue como está – ruim e sem um futuro melhor.

Será que todos os interessados, realmente, querem uma escola melhor?

Na minha infância, brincávamos de escola. Nas últimas décadas, governos, magistério e a sociedade, têm brincado com a escola!

Piada do Ano! Interventor devolve recursos que deveria utilizar contra o crime…

Braga Netto, que volta para Brasília em março, não concorda com o fim da Secretaria de Segurança anunciado por Witzel Foto: Agência O Globo

General Braga Neto deu uma entrevista decepcionante

Gabriela Goulart e Selma Schmidt
O Globo

A intervenção federal termina em 31 de dezembro, último dia para o empenho de R$ 1,2 bilhão dado pela União à segurança do estado. Ainda falta um bocado. O general Walter Braga Netto acredita que, até as 23h do fatídico 31, alcance 80% da meta. O restante será devolvido. Ele transfere parte da responsabilidade para o estado, que teria se desacostumado a fazer licitações. “Paguei para eles cursos de contratos, processo licitatório, projetos…”, afirma. Braga Netto, que vai para Brasília em março, garante ter cumprido os objetivos de sua missão. Estruturar os órgãos da pasta era um deles. Não à toa não concorda com o fim da Secretaria de Segurança, decisão de Wilson Witzel. Vai além: afirma que o governador eleito terá que definir um interlocutor para a transição da intervenção: “As Forças Armadas não tratam de transição com comandante de polícia’’.

Faltam duas semanas para o fim da intervenção na segurança e só 39% do R$ 1,2 bilhão destinado pela União foram empenhados (autorização para gastar). O Rio vai perder esse dinheiro?
Parte desses recursos, R$ 200 milhões, foi colocada nas Forças Armadas e estão com mais de 90% empenhados. Os 39% são do total.

E R$ 1 bilhão?
Desse R$ 1 bilhão, tenho uma ata parada de mais de R$ 200 milhões para a compra de viaturas. Poucos estão colocando tanto dinheiro na praça, e as empresas ficam alucinadas. Existe a contestação de uma perdedora, que entrou com recurso no TCU (Tribunal de Contas da União).

O senhor acha que consegue empenhar R$ 1,2 bilhão até 31 de dezembro?
Acho que chego acima de 80%. Posso empenhar até 31 de dezembro, onze horas da noite. Isso é normal no Exército. Em Brasília, os ministérios não conseguem gastar os recursos todos.

A liberação do dinheiro demorou?
O problema não foi a chegada do dinheiro. O problema é que o estado desaprendeu a realizar o processo licitatório. A primeira coisa a fazer é especificar o que se quer. Muitas vezes eles não sabiam o que queriam. Precisavam, por exemplo, de pistolas. Mas não sabiam a marca, há necessidade de especificar o modelo.

As Forças Armadas fazem a licitação, mas dependem de o estado especificar…
Tive que ensiná-los a especificar. Se eu fizesse a licitação deles, teria problemas com o TCU. Paguei para eles cursos de contratos, processo licitatório, projetos… Recebi projeto que não era nem projeto.

Há como negociar o prazo do empenho?
Fui no TCU, conversei… Mas não tinha como. Tenho que empenhar até o dia 31, e as aquisições vão chegar no ano que vem. O que eu não empenhar volta para a União.

A burocracia atrapalhou o processo?
Ela dificultou. E eu não esperava tamanha perda de capacidade do estado.

O senhor considera ter cumprido todos os objetivos da intervenção federal?
Acho que cumpri todas as metas. Posso não ter atingido 100% em cada uma delas. O primeiro objetivo era diminuir gradualmente os índices de criminalidade. Todos estão com o viés de queda. Mesmo a letalidade violenta, em decorrência da intervenção legal (antiga intervenção policial), que tinha aumentado, caiu. Implantamos uma sistemática que já existia mas não era efetiva, que era o trabalho em cima da mancha criminal.

A grande crítica é sobre essas mortes em confronto…
Não é que se busque matar. Nosso treinamento é para que os policiais não acertem inocentes. Os bandidos têm uma postura irracional. Um exemplo: teve uma ação na Babilônia e Chapéu Mangueira onde morreram oito pessoas. Os marginais fugiram pelas trilhas e deram num despenhadeiro. E, em vez de se entregarem, atiraram. A partir do momento em que não houver enfrentamento por parte deles, isso vai reduzir sensivelmente.

O governador eleito Wilson Witzel falou em abate, uso de snipers. Qual a postura do Exército em relação a esse enfrentamento?
O Exército tem regras de engajamento para atirar. Não preciso esperar o bandido atirar em mim. Se houver ameaça à tropa ou à população, posso usar a força letal. Mas isso é muito bem treinado.

O Exército usa snipers?
Não temos snipers. Temos atiradores de elite, que vão com a tropa. Não é como nos filmes, aquele atirador que fica escondido. É a pessoa mais adequada para responder ao fogo imediato. É uma ação mais defensiva do que ofensiva. Não tenho atirador meu, posicionado, escondido, esperando para eliminar um elemento que está parado, só porque ele está com um fuzil.

O senhor falou na redução dos índices de violência como uma das metas. Quais eram as outras? Como as avalia?
O segundo objetivo era recuperar a capacidade operativa dos órgãos de segurança. Estão sendo recuperados, tanto na parte de material como de valores. O terceiro era articular de forma coordenada as instituições dos entes federativos. Todos participam e não há disputa por protagonismo. O quarto era fortalecer o caráter institucional da segurança pública e do sistema prisional. Coloquei-os como instituição de estado. Quanto ao quinto, a melhoria da gestão prisional e dos órgãos de segurança, estou atingindo. O sexto foi a estruturação do Gabinete de Intervenção e da Secretaria de Administração. Eles foram estruturados, os recursos vieram

Como fica a estrutura diante do anúncio do fim da Secretaria de Segurança?
É uma decisão do novo governador. Eu não faria isso. O planejamento que fizemos, do que está sendo executado e da transição, levou em conta a estrutura da secretaria, com as duas polícias subordinadas a ela. Elas tinham passado a trabalhar sem procurar protagonismo.

Essa competição entre as polícias civil e militar é considerada histórica…
Não digo que terminou, mas reduziu muito. Quando pego as duas polícias e elevo para o nível de secretaria, volto a estimular isso. E tiro um fusível, que é o secretário de Segurança. A decisão agora, quando houver uma disputa, terá que ser do próprio governador.

Como se dará o processo de transição da intervenção?
A transição que fica para o ano que vem (até junho) é um controle do legado material, que será feito por dez equipes.

Do lado do estado, quem será o interlocutor com vocês?
O governador tem que definir. O que posso dizer é que as Forças Armadas não tratam de transição com comandante de polícia. O nível é diferente.

O que foi mais difícil durante a intervenção?
A minha maior preocupação era como as duas polícias iriam nos encarar. Iriam abraçar a causa e trabalhar junto ou remar para trás? Acho que a situação do estado estava tão complicada que nos viram como uma balsa de salvamento.

Mas houve vazamentos em algumas operações…
Sim. Mas isso faz parte do problema também.

O senhor fica até quando?
Provavelmente até março. Depois, vou para Brasília.

Vai integrar o novo governo?
Não. Sou general da ativa, do alto comando do Exército.

Quem fica durante a transição?
Após 31 de dezembro, teremos redução de efetivo (inicialmente para 30% dos cerca de 200, incluindo representantes de órgãos como TCU e AGU). O general Richard (Nunes, secretário de Segurança), exonero antes do dia 31. Ele já tem outra missão: é o chefe de gabinete do novo comandante do Exército.

E a intenção do futuro governador de prorrogar a GLO (Garantia da Lei e da Ordem)?
Para ter GLO é preciso ter três “is”: insuficiência de meios, inexistência de meios e incapacidade. Na minha opinião, não há necessidade. Não há necessidade, desde que o planejamento não volte àquela politicagem.

O senhor blindou as indicações políticas na segurança?
Blindei. As pessoas têm até vergonha de pedir.

As investigações sobre o caso Marielle, evoluíram?
Sim. Mas não me envolvo. É um problema da Polícia Civil.

O senhor espera apresentar o assassino antes do dia 31?
Seria o meu coroamento. Mas não adianta apresentar um responsável, e ele, por falhas processuais, for inocentado. Tem que ter robustez.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNa reta final, sempre aparecem candidatos à Piada do Ano. Com essa entrevista arrogante e soberba, o general Braga Netto culpa o governo estadual pelo fracasso de licitações cujo objetivo deveria ser definido por ele próprio. O chefe militar mandou comprar pistolas, mas não definiu o modelo e agora culpa o Estado. É piada, mas não tem graça nenhuma. Devolver recursos que poderiam ser usados contra a criminalidade também é Piada sem a menor graça. Vamos voltar ao assunto, com outros dados impressionantes que revelam a desfaçatez do general Braga Netto. (C.N.)

“Bolsonaro é resposta tosca, mas não ameaça a democracia”, diz Mangabeira

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Mangabeira Unger explica a derrota de Ciro Gomes

Carolina Linhares
Folha

Para o filósofo Roberto Mangabeira Unger, a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) é uma resposta tosca a uma aspiração legítima do Brasil profundo de botar para quebrar. O professor da Universidade Harvard (EUA) critica a hegemonia do PT, de Lula. “Como eles vão liderar? Eles se esborracham porque não compreenderam o que o país queria”. Amigo e guru de Ciro Gomes (PDT), ele assume erros na campanha.

Qual o significado da eleição de 2018?
Foi um plebiscito sobre a volta do PT. A maioria decisiva dos brasileiros estava disposta a pagar quase qualquer preço para evitar o retorno do PT. O PT e o Lula deveriam ter tido a grandeza de reconhecer que a maioria dos brasileiros não aceitaria a volta do PT. Não havia qualquer chance de vitória do candidato do PT, mesmo que Lula pudesse ter sido candidato. O natural é que o PT desde o início tivesse apoiado Ciro.

E por que Ciro não venceu?
Ciro e nós, seus aliados, cometemos um erro. Havia dois caminhos. Um era acertar-se com Lula e com o PT. Aceitar ser vice de Lula para depois virar cabeça de chapa. Havia objeções a isso, devido à diferença entre os projetos par o país e à falta de confiança nos acertos do PT, que tem uma longa história de dar rasteiras. Esse caminho tinha uma consistência tática. O outro caminho era romper desde o início com o PT. Deixar clara a diferença de projeto e oferecer-se ao eleitorado como uma alternativa mais confiável do que Bolsonaro. O erro foi ficar no meio termo. Muitos até o final continuaram a achar que o Ciro era um homem de Lula. Isso é que foi fatal.

Ao não declarar apoio a Haddad no segundo turno, Ciro buscou esse afastamento?
Tarde demais para superar os males gerados por essa ambiguidade. Ciro passou muito tempo explicando-se para as classes ilustradas e endinheiradas, que na maioria jamais votariam nele, em vez de buscar o povão.

Qual dos caminhos que o sr. mencionou para Ciro era melhor?
Os dois tinham consistência. Se ele escolhesse o acerto com o PT, não havia nenhum risco de que, no poder, ele se conduziria como instrumento do lulismo. Eu advoguei essa alternativa.

O sr. não disse que tem que correr fora da raia do lulismo?
Você está fazendo confusão. Uma coisa é o caminho tático. Nós não escolhemos as circunstâncias. Se fosse o primeiro caminho, haveria o problema da confusão da população, porque ficaria manifesto que o Ciro tem um outro projeto.

Mas ele seria eleito?
Com grande chances, com o apoio de Lula, mas sendo não-Lula e sendo quem é, inconfundível com poste, teria grandes chances. O [caminho] preferível teria sido começar de lá de trás essa pedagogia da diferença.

O sr. disse que é preciso correr fora da raia do lulismo…
Eu não disse isso, Fernando Haddad atribuiu essa frase a mim, porque ele confundiu duas coisas: a questão tática com a questão de fundo. Sinceramente eu acho que ele, meu amigo, até hoje não compreende a diferença substantiva dos projetos.

Como o sr. explica a ascensão de Bolsonaro?
PSDB e PT juntos, duas cabeças da mesma serpente, conduziram o Brasil por uma lógica da cooptação. Cada parte do país foi comprada, a corrupção foi apenas um dos vários corolários desse sistema. Intuitivamente o Brasil buscava passar da lógica da cooptação para a lógica do empoderamento. E por trás dessa rejeição ao PT havia o repúdio à lógica da cooptação. O modelo que chamamos de nacional consumismo democratizou a economia do lado da demanda e do consumo, não do lado da produção. O agente social mais importante do Brasil, os emergentes, é órfão de projeto político. Não é apenas a pequena burguesia empreendedora mestiça, morena, que vem de baixo. É também uma multidão de trabalhadores pobres que vê nos emergentes a vanguarda. Essa é a cara do Brasil profundo.

A esquerda abandonou essa população?
Chamar de esquerda o PT é muito esquisito. Porque esse nacional consumismo não tinha qualquer projeto de mudança estrutural. A parte social é o açúcar com que se pretendia dourar a pílula do modelo econômico. Esse Brasil profundo quer desesperadamente mais do que açúcar. Quer instrumento e oportunidade. Quer botar pra quebrar, criar, construir, inovar, ser gente. ​Bolsonaro é o beneficiário acidental desse desejo frustrado. Acidental não é para desmerecer o esforço que ele fez durante anos de construir um discurso e canais para esse Brasil desconhecido, que é o agente decisivo hoje.

Bolsonaro teve essa estratégia ou foi sem querer?
Intuitivamente sim [teve estratégia]. Oferece soluções simplistas, mas que no imaginário apelavam para uma ideia de libertação e merecimento. Era a forma simplista e até distorcida e mentirosa de uma aspiração legítima.

Por que o PT não apoiou Ciro?
Tudo indica que preferiam perder o poder à direita a perder a hegemonia na esquerda. Por soberba, sobrevalorizando a sua influência sobre a população e subvalorizando a descoberta pelo povo brasileiro da insuficiência do projeto petista. Um povo farto da lógica da cooptação nacional consumismo e buscando o empoderamento. Isso era o mais difícil de eles aceitarem porque seria uma crítica fundamental a eles mesmos..

Bolsonaro fará um bom governo?
Me parece promissor, e falo como opositor, a ideia de impor o capitalismo aos capitalistas. Nem de longe é condição suficiente para o modelo de desenvolvimento que precisamos, mas é condição preliminar. A radicalização da concorrência, quebra dos cartéis, a destruição dos favores dados aos graúdos pelos bancos públicos. E de oferecer aos emergentes um projeto político que responde às aspirações deles. Considero que a resposta é tosca e que irá frustrar parte da população. Mas é melhor do que nada. O que era intolerável no nosso país é que o agente social mais importante estivesse alienado da política e não se sentisse representado.

Bolsonaro não é o experimentalismo radical?
Não. Não é a ideia de que existe a forma simplista de acabar com a bagunça. A ordem na sala de aula, a força contra crime, é o presidente não comprar os partidos. Não é acabar com a bagunça, é transformá-la numa anarquia criadora. Não vamos impor ao país uma camisa de força. A severidade moralizante, a fórmula pronta, o revólver, a ordem patriarcal. Tudo isso é uma fantasia arcaica, de que há um atalho, uma maneira simples de encontrar esse futuro que queremos. O Brasil vai descobrir que esse atalho não funciona, mesmo assim eu julgo que essa primeira onda será útil ao país e talvez, retrospectivamente, venhamos a pensar que ela foi necessária.

Bolsonaro é uma ameaça à democracia?
Não vejo qualquer indício concreto de ameaça direta à democracia. Em Harvard, meus colegas me abraçam em solidariedade porque passa por lá que Mussolini assumiu o poder. Não é nada disso. O risco que nos ronda não é a ditadura fascista, é a perpetuação da mediocridade. O risco à democracia pode haver depois, por sucessivas frustrações dessas aspirações dos emergentes, de empoderamento.

Como vê Sérgio Moro no Ministério da Justiça?
Outro aspecto positivo de Bolsonaro é a desorganização dos acertos entre oligarquia do poder e oligarquia do dinheiro. Moro pode ser útil nisso. Muito bom para o país. Desde que não caiamos sob o governo dos juízes, que não têm eficácia ou legitimidade para governar. Eles são úteis ao país para abrir o espaço cívico e impedir que ele seja corrompido, mas não para ocupá-lo.

O que acha da política externa de Bolsonaro?
Há duas vozes dominantes na política exterior brasileira. A primeira é a da política exterior como sucursal da UNE. É retórica, nunca foi real. Por exemplo, nos assuntos da Defesa, o Brasil é um protetorado dos EUA e o PT nunca levantou um dedo para mudar isso. A outra voz é a política exterior como sucursal da Fiesp. É um bazar para vender os nossos produtos. O que eu temo é que a política exterior do governo Bolsonaro venha a ser a continuação da mesma coisa, a justaposição dos dois erros. É o simbólico com sinal trocado, em vez de anti-imperialismo é antiglobalismo. Um tão ruim quanto o outro. Justaposto ao pequeno mercantilismo. É um bazar permanente.

E a relação com os EUA?
De um lado, dizemos “vamos ser como eles”. Eles buscam grandeza, nós vamos buscar grandeza. E qual a fórmula da grandeza? É nos subordinar a eles. Isso é algo que não passa, justificado por essa retórica confusa do antiglobalismo. É a ambiguidade do discurso do Bolsonaro. Não está só trocando o sinal, passando de uma política ideológica para outra e não concebendo a política exterior como política de estado. Estão usando a política exterior como se fosse o reino do simbólico. Os astrólogos escolherem chanceleres. Isso só aconteceu na Babilônia há três mil anos.

Não se trata de fazer algo pelo país, mas impedir que o presidente faça

O presidente americano, Donald Trump

Ao contrário do que parece, Trump não tem nada na cabeça

Ruy Castro
Folha

“Medo: Trump na Casa Branca”, livro de Bob Woodward sobre o caos da administração de Donald Trump no governo dos EUA, que acaba de sair pela editora Todavia, tem trechos que podem ser lidos como peças de humor. E outros, como peças de terror. É um relato do voluntarismo, despreparo e estroinice do chefe de uma nação, capaz de fazer um grande estrago se o deixarem executar o que lhe vem à cabeça. Por sorte, o governo americano tem tantos canais e escaninhos que muitas de suas decisões podem ser anuladas antes de se tornarem realidade.

A que abre o livro já é histórica. Em 2017, Trump ameaçou pôr em risco a paz mundial ao planejar romper um acordo comercial de mais de 60 anos com a Coreia do Sul. E por que não conseguiu fazer isto? Porque gente de dentro da Casa Branca escondeu o rascunho da carta em que ele desfazia o acordo e “esqueceu-o” numa pasta até que Trump esquecesse efetivamente o assunto —o que afinal aconteceu.

VANTAGEM – “Não se trata de fazer algo pelo país”, disse um assessor, “mas de impedir que ele faça”. Trump tem essa vantagem: como sabe pouco do que fala, muda muito de ideia ou se esquece dela.

Se o Brasil tivesse esses canais e escaninhos, várias tragédias talvez pudessem ter sido evitadas, mesmo no tempo dos militares. O Ato Institucional nº 5, por exemplo. As torturas, as execuções, a bomba no Riocentro. Você dirá que eram atos de uma ditadura, que não precisava dar satisfações a ninguém. Sim, mas mesmo as ditaduras têm correntes internas em conflito —talvez alguém visse a barbaridade daquelas medidas.

FALSAS BOAS IDEIAS – Assim como o confisco da poupança por Collor, o mensalão e o petrolão nos governos Lula e Dilma, e até Temer recebendo gente fora da agenda e fora de horas. Ninguém os advertiu de que eram falsas boas ideias?

Agora temos Bolsonaro. Mas imagine se os ocupantes daqueles canais e escaninhos forem seus filhos, ministros e gurus.

“Eu que já corri o mundo, cavalgando a terra nua”, cantava Sidney Miller

Resultado de imagem para sidney millerPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O compositor e cantor carioca Sidney Álvaro Miller Filho (1945-1980) escreveu um diálogo entre “A Estrada e o Violeiro”, cujo conteúdo poético é excelente, tanto que recebeu o prêmio de melhor letra em 1967, no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record (SP). No mesmo ano, a música foi gravada no LP Sidney Miller com a participação de Nara Leão, pela Elenco.

A ESTRADA E O VIOLEIRO
Sidney Miller

Sou violeiro caminhando só,
Por uma estrada, caminhando só
Sou uma estrada procurando só
Levar o povo pra cidade só.

Parece um cordão sem ponta,
Pelo chão desenrolado,
Rasgando tudo o que encontra,
Na terra, de lado a lado,
Estrada de sul a norte,
Que eu passo, penso e peço,
Notícias de toda sorte,
De dias que eu não alcanço,
De noites que eu desconheço,
De amor, de vida ou de morte.

Eu que já corri o mundo,
Cavalgando a terra nua,
Tenho o peito mais profundo,
E a visão maior que a sua,
Muita coisa tenho visto,
Nos lugares onde eu passo,
Mas cantando agora insisto,
Neste aviso que ora faço,
Não existe um só compasso,
Pra contar o que eu assisto.

Trago comigo uma viola só,
Para dizer uma palavra só,

Para cantar o meu caminho só,
Porque sozinho vou a pé e pó.

Guarde sempre na lembrança,
Que esta estrada não é sua,
Sua vista pouco acusa,
Mas a terra continua,
Siga em frente, violeiro,
Que eu lhe dou a garantia,
De que alguém passou primeiro
Na procura da alegria,
Pois quem anda noite e dia,
Sempre encontra um companheiro.

Minha estrada, meu caminho,
Me responda de repente,
Se eu aqui não vou sozinho,
Quem vai lá na minha frente ?
Tanta gente, tão ligeiro,
Que eu até perdi a conta,
Mas lhe afirmo, violeiro,
Fora a dor que a dor não conta,
Fora a morte quando encontra,
Vai na frente um povo inteiro.

Sou uma estrada procurando só,
Levar o povo pra cidade só,
Se meu destino é ter um rumo só,
Choro e meu pranto é pau, é pedra, é pó.

Se esse rumo assim foi feito,
Sem aprumo e sem destino,
Caio fora desse leito,
Desafio e desafino,
Mudo a sorte do meu canto,
Mudo o norte dessa estrada,
Que em meu povo não há santo,
Não há força, não há forte,
Não há morte, não há nada,
Que me faça sofrer tanto.

Vá, violeiro, me leve pra outro lugar,
Que eu também quero um dia poder levar,
Toda a gente que virá,
Caminhando,
Caminhando,
Na certeza de encontrar….

E agora, Brasil? Chegou o momento do balanço geral na transição do governo

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Ao participar na sexta-feira de um encontro promovido pelo jornal O Globo com apoio da Confederação Nacional do Comércio e do banco Modal, o Ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, afirmou ter chegado o momento da transição de governo e da modernização do processo político para que os partidos, dentro da Democracia, voltem a assumir seu protagonismo em nosso país.

O encontro que incluiu editores e colunistas do jornal foi mediado por Miriam Leitão e Lauro Jardim. Dias Toffoli acentuou também a necessidade de se colocar em prática os fundamentos das ações que cabem à Corte Suprema.

CHEGOU A HORA – As equipes encarregadas da transição, tanto as do atual governo Michel Temer quanto as do presidente eleito Jair Bolsonaro, em minha opinião devem aproveitar o momento para um balanço geral no país. Um balanço que reúna as áreas econômicas, sociais e financeiras, com seus dados completos. Um marco capaz de definir como Bolsonaro encontrou o país e como será de janeiro para frente em seu governo.  O presidente Michel Temer poderia fazer o mesmo destacando como ele encontrou o Brasil em 2016 e como entregará o país a Jair Bolsonaro.

Uma ideia baseada em números com o objetivo de comparar as realizações e os fracassos que marcam períodos governamentais.

DADOS IMPORTANTES – Por exemplo: Qual a população brasileira? Qual a renda do trabalho? Qual o nível de emprego? Qual a análise sobre o desempenho econômico? Quais as obras que foram interrompidas no meio da execução, quais os recursos financeiros disponíveis? A resposta a essas indagações devem servir de base para que Bolsonaro possa se dirigir ao país apresentando dados que recebeu de seu antecessor. A comparação do Produto Interno Bruto é outro tema. Deve se assinalar que ele se encontra hoje na altura de 6 trilhões de reais.

E nesse sentido qual exatamente é a dívida interna do Brasil. Essa dívida interna oscila em torno de 3,7 trilhões, como o jornal Estado de São Paulo publicou recentemente.

O QUE VEM AÍ? – Qual será a política do novo governo para fazer com que o país deixe de possuir apenas a metade de sua população atendida por um sistema de tratamento de esgoto. E por aí vai.

Os números devem ser do maior interesse de Jair Bolsonaro, pois assim ele poderá estabelecer a realidade com que assumiu e aquela que irá marcar sua trajetória no Palácio do Planalto.

Tem mais uma coisa. O governo que assume em janeiro, sugiro eu, poderá adotar um sistema de relatórios mensais, tipo de prestação de contas, um documento à população brasileira.

Caso de Flávio Bolsonaro traz à tona a imoralidade que contamina a política

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Bolsonaro tem um serviço a fazer e Flávio está atrapalhando

Carlos Newton

Desde sempre, o Poder Legislativo é formado por deputados e senadores, as Assembleias Legislativas por deputados estaduais e as Câmaras Municipais por vereadores. Como são eleitos pelo povo, que está espalhado por todo o País, é mais do que normal, que, de acordo com seus regimentos internos, tenham autorização para contratarem funcionários em comissão para representá-los nas mais distantes cidades, sem obrigação de comparecerem ao órgão contratante e diariamente assinarem o ponto.

De acordo com arquivos dos jornais, antes da Lei do Nepotismo, em muitos gabinetes parlamentares havia pais, mães, irmãos, namoradas etc., legalmente contratados e incluídos na folha de pagamento. Recebiam seus vencimentos e, se quisessem, poderiam doá-los integralmente e em parte para o caixa de futuras campanhas eleitorais do parlamentar contratante.

NEPOTISMO – Com a Lei do Nepotismo, os parentes foram sendo descartados, mas os amigos continuam em cena, nos níveis municipal, estadual e federal. Se for passado um pente fino nos gabinetes dos parlamentares, vai ser um escândalo incomensurável, especialmente nos escritórios que senadores e deputados mantêm em seus Estados, com tudo pago às custas do Congresso, inclusive o combustível, perguntem ao senador Magno Malta.

O levantamento da Operação Furna da Onça estava caçando corruptos de alto coturno, acabou pescando um peixe menor, mas de grande valor, por ser da família presidencial, que se atualmente comporta como se fosse família imperial, dona do país.

O azar de Flávio Bolsonaro é que está ficando provado se tratar de um político de terceira classe, que não se contenta com o elevado salário e se julga no direito de cobrar pedágio dos assessores.

SEM CAUTELAS – De se convir que, no caso em destaque na mídia, Flávio agiu com excesso de confiança, deixando que seu motorista e assessor criasse uma verdadeira penca de funcionários-fantasmas, sem as cautelas de praxe.

Quem quer praticar ato imoral deve se acautelar. O mundo gira e chega o dia em que aquela bomba que parecia desativada explode de repente, espalhando destroços por todos os lados.

E não adianta querer culpar o PT pelo fato desse caso vir ocupando a mídia inteira sem parar. A família Bolsonaro está no centro das atenções porque se elegeu pregando a moral e os bons costumes. Mas o comportamento do deputado Flávio Bolsonaro indica exatamente o contrário e até envolve o pai e a madrasta num modesto cheque de R$ 24 mil.

SEM DISCURSO LÓGICO – Por óbvio, a ocasião é aproveitada para deixar Jair Bolsonaro sem discurso lógico contra a corrupção. Então, que ele e seus filhos prestem as informações plausíveis e apresentem as justificativas cabíveis. E que o presidente eleito, uma vez no comando do país, não se esqueça da seguinte agenda:

1 – cobrar de Silvio Santos, dono do Banco Panamericano, o ressarcimento de mais de 5 bilhões de reais decorrentes de crimes financeiros cometidos por seus funcionários de confiança na gestão temerária daquele banco;

2 – exigir a responsabilização da diretoria da Caixa Econômica Federal, na época do governo Lula, que comprou 49% do Panamericano antes que houvesse a intervenção pelo Banco Central e a consequente falência, que destruiria o grupo empresarial de Silvio Santos.

3 – verificar as razões pelas quais a Caixa Econômica Federal ainda persiste anunciando diariamente na rede de TV de Silvio Santos, ou seria uma espécie de permuta?

4 – pedir ao COAF, tão competente no exame das ilegalidades cometidas na Assembleia do Rio, que explique como o presidente do STF, Dias Toffoli, além da remuneração como ministro, pode receber mensalmente mais R$ 100 mil do escritório de advocacia de sua esposa, transferindo, ao mesmo tempo, R$ 50 mil a título de pensão à sua ex-mulher, como divulgado por toda a mídia, sem que o ministro se manifestasse ou desse um pio que fosse.

5 – verificar, urgentemente, por que os bancos particulares podem cobrar juros de até 400% ao ano de uma população que tem mais de 60 milhões passando fome e abaixo da linha da pobreza.

6 – divulgar quanto o governo federal está gastando, mensalmente, com as cinco redes de televisão e grandes veículos da mídia, inclusive as verbas publicitárias das estatais e das empresas que compõem o chamado Sistema S (Sesc, Sebrae, Senai etc.).

7 – se a Previdência está falida, favor divulgar os nomes dos seus principais devedores, inclusive veículos de comunicação, que, acertadamente, defendem a urgência da reforma da Previdência.

8 – divulgar o número de funcionários de cada embaixada brasileira no estrangeiro, o gasto total anual e os respectivos cargos, inclusive os adidos militares e policiais.

9 – obrigar as empresas que oferecem planos de saúde a divulgarem as justificativas para elevarem tão acentuadamente os valores cobrados dos segurados. Por que não criar um sistema de crédito a ser acumulado, ao longo da vida, pelos segurados, garantindo aos que menos usam o plano um valor menor do que aquele cobrado indistintamente de todos?

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P.S. 1
O futuro governo tem muito a fazer contra a amoralidade (ou imoralidade) que domina o poder público. Mas precisa lembrar que o exemplo deve começar em casa. (C.N)

Acordo entre Mercosul e União Europeia dependerá de governo Bolsonaro

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Bolsonaro e Araújo precisam ter uma crise de bom senso

Jamil Chade
Estadão

Terminou sem qualquer tipo de acordo a última rodada de negociações entre o Mercosul e a União Europeia. Na ausência de uma aproximação das posições entre os dois blocos, um eventual acordo fica adiado para 2019 e caberá ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) tomar uma decisão sobre o destino do processo.

O fracasso na negociação frustrou a esperança do governo de Michel Temer de deixar o país com um tratado de dimensões importantes. Em 2017, o pacote esteve próximo de ser fechado, depois de 18 anos de negociações. Mas o Mercosul considerou que a UE não fez qualquer gesto significativo para abrir seu mercado

HOUVE PRESSA – Com a eleição de Bolsonaro, a Comissão Europeia se mobilizou para tentar fechar um entendimento com o Mercosul antes do final do ano. Reuniões proliferaram e delegações dos dois lados do Atlântico foram enviadas para tentar encontrar uma aproximação.

Mas os objetivos de Bruxelas foram rapidamente frustrados, diante de uma pressão de governos como o da França, da Irlanda e de alguns outros do Leste Europeu, refratários a uma abertura de seus mercados para os bens agrícolas do Mercosul.

Também foi recebida como uma ducha de água fria o alerta que o presidente da França, Emmanuel Macron, lançou durante o G-20, apontando que apenas assinaria um acordo com o Mercosul se Bolsonaro seguisse no Acordo Climático de Paris.

ÚLTIMA CHANCE – Mesmo assim, as delegações dos dois blocos decidiram tentar uma “última chance” nesta semana em Montevidéu. Mas, segundo o Mercosul, os europeus uma vez mais não apresentaram propostas de abertura suficientes. Se houvesse uma sinalização positiva, os grupos técnicos anunciariam uma reunião ministerial para, então, realizar a fase final das concessões. Mas nada disso ocorreu.

Em meio ao processo nesta semana no Uruguai, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, se mostrou preocupada e alertou, no Parlamento em Berlim, que o “tempo estava se esgotando” para um acordo com o Mercosul. Para ela, um processo sob a gestão de Bolsonaro e do chanceler Ernesto Araújo seria mais difícil.

A cobrança de Merkel, porém, foi interpretada como um alerta interno na Europa. Berlim tentou pressionar os países mais protecionistas a ceder, insinuando que, se não houvesse um acordo agora, em 2019 essa possibilidade seria ainda mais distante.

DERROTA LIBERAL – Mas nem isso funcionou. Em Bruxelas, fontes admitiram ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que o fracasso foi considerado como uma “derrota” para os planos da ala mais liberal do bloco. Com Bolsonaro no poder, o que predomina é uma incerteza sobre o papel que Brasília dará aos europeus, principalmente depois de todos os sinais que Araújo apontou de privilegiar uma relação com os EUA de Donald Trump.

No Itamaraty, a orientação é de que, no início de 2019, um novo contato seria estabelecido entre Brasília e Bruxelas para avaliar quais seriam os próximos passos. Mas experientes negociadores admitiram que, com um novo governo no poder, alguns meses serão necessários para que a nova administração possa conduzir sua política externa e fixar seus objetivos comerciais

O Broadcast apurou que a diplomacia argentina também saiu frustrada das conversas, admitindo que, em 2019, um acordo sob a gestão de Bolsonaro poderia estar ainda mais distante. Mauricio Macri, presidente da Argentina, havia estabelecido a aproximação com a UE como uma de suas prioridades de política externa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se o presidente Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo não tiverem uma súbita crise de bom senso, o Mercosul irá para o espaço e os exportadores brasileiros podem perder vendas em torno de US$ 25 bilhões anuais, que hoje estão garantidas pela existência do bloco comercial. Bolsonaro e Araújo precisam raciocinar (?) sobre isso. (C.N.)

Depois do “caixa 2”, a Lava Jato agora denuncia quem se envolveu em “caixa 3”…

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Jutahy diz que as doações recebidas foram declaradas

Por G1 — Brasília

A Procuradoria Geral da República (PGR) informou nesta sexta-feira (14) ter denunciado o deputado federal Jutahy Júnior (PSDB-BA) e mais três pessoas ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suposto “caixa 3” na campanha eleitoral de 2010. O caixa 2 consiste em um político ou um partido receber doação e não declarar à Justiça Eleitoral. Segundo a PGR, o “caixa 3” consistiu em o deputado receber doações da Odebrecht por meio de outras empresas.

Ao G1, o deputado disse que cumpriu “100% da lei”, recebeu doações de empresas idôneas e habilitadas a doar, acrescentando que os valores doados foram declarados à Justiça Eleitoral e as contas, aprovadas. Disse, ainda, que “não existe a tipificação do caixa 3”.

NA FORMA DA LEI – “Em 2010, era permitida a doação empresaria. Recebi de duas empresas a soma de R$ 30 mil. Eram empresas idôneas, e a legislação permitia que eleas doassem. A doação está registrada na prestação de contas aprovadas pela Justiça Eleitoral. Fiz tudo absolutamente dentro da lei e vou me defender com a tranquilidade de quem é inocente”, afirmou Jutahy.

“Durante a campanha, procurei saber se a empresa poderia doar, consultei a lista das empresas que podem doar, averiguamos. E as empresas doaram dentro da legislação, está tudo registrado. Essa figura de caixa 3 não existe, não tem sustentação no código eleitoral”, acrescentou.

OUTROS DENUNCIADOS – Além de Jutahy, foram denunciados: Benedicto Barbosa da Silva Júnior, ex-executivo da Odebrecht e delator; Walter Faria, do grupo Petrópolis; Roberto Luiz Ramos Fontes Lopes, dono das empresas Leyroz e Praiamar.

Procurada, a assessoria do grupo Petrópolis divulgou a seguinte explicação: “Em nota, o Grupo Petrópolis informa que as doações para campanhas eleitorais estão registrados e comprovadas em órgãos competentes, de acordo com o que determina a legislação. Os esclarecimentos sobre o tema já foram prontamente prestados às autoridades para permitir a completa elucidação dos fatos. O empresário Walter Faria se defenderá nos termos da lei, confiante que ao final a legalidade das doações será reconhecida pela Justiça.”

DIZ A PGR – Segundo a PGR, o parlamentar informou ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) ter recebido na campanha de 2010 R$ 30 mil das empresas Leyroz de Caxias Indústria e Logística e Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição.

“No entanto, as investigações instauradas a partir de colaboração premiada confirmaram que a doação foi feita pelo Grupo Odebrecht”, informou a procuradoria.

Ainda de acordo com a PGR, a investigação aponta que Walter Faria, do grupo Petrópolis, foi procurado por Benedicto Barbosa, da Odebrecht, para fazer a doação e, assim, a empreiteira “compensaria o grupo Petrópolis”.

REPASSANDO – “Como Walter Faria não queria que sua empresa aparecesse como grande doador eleitoral, entrou em contato com Roberto Lopes [da Leyroz e da Praiamar], que atendeu à demanda e fez constar oficialmente na prestação de contas, como doadoras, suas empresas”, diz a procuradoria.

Ainda segundo a acusação, Walter Faria compensou os gastos. “Em depoimento, Roberto Lopes confirmou que suas empresas simularam doações eleitorais a candidaturas indicadas por Walter Faria, a quem posteriormente encaminhava os recibos de transferência”, informou a PGR.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Parece que a Lava Jato está indo longe demais. Na época, as doações eram legais. Ou seja, as empresas devem ser denunciadas, mas o parlamentar, a meu ver, tem pouca coisa a ver com isso. Posso estar enganado, mas… (C.N.)

Como entender o fracasso da educação pública num país como o Brasil

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Charge do Junião (junião.com.br)

Sebastião Nery

A educação de qualidade é o fator determinante para o crescimento da economia e, por consequência, do desenvolvimento. Sua ausência determina baixíssima qualificação da mão de obra resultando na baixa produtividade. Educação e economia estão integradas na ordem direta de um país responsável que almeje pela elevação da renda à inclusão social. Sem priorizar a educação torna-se impossível a construção de uma nação desenvolvida. Buscar um padrão educacional moderno a exemplo de países como a Finlândia, Coréia do Sul, Japão e vários outros que construíram modelos educacionais que mudaram a realidade do seu povo deve ser o grande objetivo de um ministro da Educação comprometido com a modernização.

Segundo o excelente analista Rolf Kuntz, em “O Estado de S.Paulo” (25-11-2018), qualquer candidato a cuidar da educação brasileira deveria estar preparado para enfrentar pelo menos as seguintes questões:

1) Por que os alunos brasileiros vão tão mal no Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes?

2) Como melhorar os níveis fundamental e médio do ensino brasileiro, obviamente em condições muito más?

3) Como adaptar o ensino às condições impostas (sim, impostas) pela chamada revolução 4.0?

4) Como preparar professores para formar alunos capazes de atuar com sucesso na economia do século 21?

5) Que experiências bem sucedidas no exterior poderiam proporcionar elementos a um programa de modernização educacional?”

INEFICIÊNCIA – Rolf Kuntz destaca que padrões ideológicos ou religiosos não podem prevalecer na condução da educação brasileira. A ineficiência da educação brasileira tem várias causas e uma delas não é decorrente de o Brasil investir pouco na formação educacional. A baixíssima qualidade da educação nacional não tem como responsável a insuficiência de recursos.

Sua origem está na inexistência de uma política educacional séria, competente e realista. Educação é política de Estado e pauta suprapartidária. A incompetência e irresponsabilidade na gestão dos recursos públicos pela União, Estados e Municípios alimentam e agravam o caos educacional.

O economista, engenheiro eletrônico pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica e professor Ricardo Paes de Barros, ante essa realidade indaga: “Como você coloca 6% do PIB na educação e eles dizem que não sabem como garantir resultados?”

SEM PRIORIDADE – Em 2017, o governo da União aplicou R$ 117,2 bilhões em educação. Sendo R$ 75,4 bilhões no ensino superior e R$ 34,6 bilhões na educação básica. O governo federal nos ensinos básicos e fundamental tem papel supletivo em relação aos Estados e Municípios. A diferença do montante de recursos exemplifica o porquê de o ensino básico e fundamental sofre de déficit educacional histórico. Exatamente as áreas que deveriam ter prioridade maior no recebimento de recursos públicos.

A síntese disso tudo pode ser resumida em uma estrutura educacional viciada, envolvendo União, Estados e Municípios. Prioridades erradas na administração dos recursos destinados à formação das novas gerações é realidade inquestionável. A deficiência no aprendizado, fruto de uma educação sofrível no ensino básico, é agravada pela elevada evasão no ensino médio, travando a construção do futuro de novas gerações e aprofundando a desigualdade da renda e a pobreza para milhões de brasileiros. Todos vítimas de uma péssima educação, como mostra o professor universitário Hélio Duque, autor de vários livros sobre economia brasileira e três vezes deputado federal pelo Paraná.

Você acredita que João de Deus só foi preso porque “sacou R$ 35 milhões”?

João de Deus

João Deus na quarta-feira, em sua última visita ao templo

Deu em O Tempo

Acusado por centenas de mulheres de abusar sexualmente delas, o médium João de Deus sacou R$ 35 milhões logo após as primeiras denúncias virem à tona. Segundo os investigadores que acompanham o caso, o valor foi retirado na última quarta-feira, dia 12.

De acordo com o jornal “O Globo”, a movimentação motivou o pedido de prisão do médium pela Polícia Civil de Goiás e pelo Ministério Público. O dinheiro estava em aplicações em diversas contas bancárias.

PROCURA-SE – João de Deus está sendo procurado em todo o país. A última aparição do líder religioso em público foi justamente na quarta-feira, na casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), onde faz seus atendimentos. Em um pronunciamento de poucos minutos, disse ser inocente e estar a disposição da Justiça.

Desde que a prisão preventiva foi realizada, a Polícia Civil afirma já ter procurado o médium em mais de 20 endereços. Na casa dele de Goiás, no entanto, as buscas não foram feitas. Os endereços já investigados estão sob sigilo. “Há pontos que também estão sendo vigiados”, disse o delegado geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes de Almeida, que conduz as negociações com a defesa do médium, para que ele se entregue à polícia.

Não há diferenças essenciais entre Damares e os fundamentalistas islâmicos

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Damares é uma espécie de Dilma tipo fanática religiosa

Demétrio Magnoli
Folha

“A igreja deve governar”, exclamou Damares Alves, nova ministra da Mulher, da Família e Direitos Humanos aos fiéis de sua seita evangélica. Há pouco, bastaria contraditá-la invocando a laicidade estatal. Hoje, face ao regresso político em curso, é preciso examinar as relações entre igreja, partido e governo para redescobrir o valor universal do princípio do Estado laico.

A fé não precisa de uma igreja para se manifestar. As igrejas, como os partidos, são sobre poder. No Ocidente medieval, a Igreja Católica exercia um poder absoluto sobre as sociedades: o papado legitimava os reis. Um paralelo apropriado é com os totalitarismos do século 20: os partidos de Stalin e Hitler identificavam-se com o Estado.

DIFERENÇAS – Nas democracias, contudo, partidos e igrejas ocupam lugares radicalmente diferentes. Os primeiros almejam governar; as segundas só podem almejar a liberdade de pregar uma fé.

O partido é a expressão política de uma parte da sociedade que pretende representar, provisoriamente, a sociedade inteira. A meta é atingida por meio do voto majoritário, veículo da soberania popular, que sagra a verdade do partido como verdade geral provisória.

Mas o partido que chega ao governo continua a ser a parte, não o todo, e, por isso, corre o risco de ser apeado na eleição seguinte. A igreja, porém, qualquer que seja ela, define a sua verdade como Verdade eterna —e, por isso, não tem o direito de querer governar.

PROGRAMAS – Os partidos exibem seus programas como soluções melhores para administrar as coisas (a economia, os serviços públicos) nas circunstâncias do presente. As igrejas, por outro lado, pretendem universalizar uma fé, um modo de entender a vida e a morte, um catálogo de preceitos sobre o comportamento dos indivíduos nas esferas pública e privada.

O governo do partido pode ser mudado; o “governo da igreja” é, por definição, imutável. Do ponto de vista da democracia, não existem diferenças essenciais entre Damares e os fundamentalistas islâmicos que governam a Arábia Saudita, o Irã, o Sudão e a Faixa de Gaza.

“Todo o poder aos sovietes!”. A exigência dos antigos comunistas de transferência de “todo o poder” à classe proletária deve ser interpretada: de fato, eles queriam o poder absoluto para seu próprio partido.

EXCLUSIVIDADE – Os partidos comunistas proclamavam representar, com exclusividade, a classe trabalhadora. Por esse motivo, quando os bolcheviques chegaram ao poder na Rússia, começaram proibindo os “partidos burgueses”, inimigos da “ditadura do proletariado”, para proibir na sequência os demais partidos que juravam representar os interesses dos trabalhadores.

As igrejas são, sob esse aspecto, muito parecidas com os partidos comunistas. Deriva daí que a elevação de uma igreja ao governo é o que de mais perigoso pode acontecer para a liberdade de religião.

A seita de Damares vê, no cristianismo, a fé verdadeira exclusiva. O seu “governo da igreja” começaria proscrevendo as “religiões demoníacas” (ou seja, todas as não cristãs), mas não pararia por aí.

FALSOS FIÉIS – Tanto quanto as outras, a seita de Damares enxerga a si mesma como a única perfeita tradução da fé cristã. Depois de eliminar as “religiões demoníacas”, seu “governo da igreja” proscreveria as igrejas cristãs concorrentes. Todo o poder para Damares tem, como implicação lógica, a guerra de religião, primeiro contra os “infiéis” e, na sequência, contra os “falsos fiéis”.

No seu organograma de governo, Bolsonaro traçou um círculo em torno de quatro ministérios, criando uma reserva de mercado para o extremismo de direita.

Perto dos ministérios das Relações Exteriores, da Educação e do Meio Ambiente, a pasta de Damares parece um pátio de folguedos infantis entregue a meia dúzia de fundamentalistas cristãos. Engano: o governo que desafia o Estado laico está brincando com fósforo entre tambores de substâncias inflamáveis.

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NOTA DA REDAÇÃO DO GLOBOPara quem lamentou que Dilma tenha perdido a eleição, a presença de Damares no governo é garantia de um show humorístico de igual qualidade, mas com piadas sobre religião. Se Bolsonaro confirmar a nomeação da pastora, é melhor interná-lo para tratamento psiquiátrico. (C.N.)

Delegado estima que João de Deus vá se entregar “nas próximas 24 horas”

Na quarta-feira, João de Deus afirmou aos jornalistas que provará sua inocência Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

João de Deus saiu na quarta e não mais voltou ao centro

Patrik Camporez
O Globo

O delegado geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes, afirmou que a rendição do médium João de Deus está confirmada. Acusado por centenas de mulheres de abusar sexualmente delas durante sessões espirituais na cidade de Abadiânia, o líder teve a prisão decretada nesta sexta-feira e deve se entregar nas próximas 24 horas.

— Está confirmada a apresentação. Só está para definir agora o horário e o local. A apresentação (à polícia) vai ocorrer, só não sabemos o horário nem o local. Acho que nas próximas 24 horas aí (ele deve se render) — ressaltou Fernandes.

O delegado esclareceu que as negociações pela apresentação de João de Deus continuam em vigor e que o médium não é considerado foragido. Nesta sexta-feira, Fernandes disse à reportagem que o líder religioso seria declarado foragido caso não se entregasse até as 14h. Neste sábado, a polícia informou que não havia mais um prazo específico para isso.

ESPONTANEAMENTE – O advogado de João de Deus, Alberto Toron, ressaltou à reportagem, nesta manhã, que as autoridades podiam “ter certeza” de que o líder religioso se apresentará “espontaneamente” à Justiça. O defensor já indicava, naquele momento, que a rendição poderia não ocorrer dentro do prazo até então estabelecido pela polícia. Ele também não apontou horário e local possíveis para a entrega do cliente.

Enquanto se desenvolvem as negociações, equipes da Delegacia Estadual de Investigações Criminais continuam as buscas pelo acusado. Agentes da Polícia Civil trocaram de turno durante a madrugada e retomaram o trabalho depois de baterem à porta, sem sucesso, de mais de 20 endereços ligados a João de Deus nesta sexta-feira. Fernandes disse à TV Anhanguera que não acredita na rendição do líder religioso antes das 20h deste sábado.

INTEGRIDADE – “É preciso que o João se apresente, independente do resultado da liminar. Mas também temos que zelar pela integridade física dele “— afirmou o advogado Thales Machado.

O paradeiro do líder religioso é incerto. Sua última aparição em público foi na quarta-feira, na casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia. Ele permaneceu no local por apenas oito minutos. Um advogado amigo de João de Deus disse que a defesa do médium teme pela integridade física dele na prisão. Em nota, na sexta-feira, o advogado Toron havia classificado a ordem de prisão como “inaceitável”, já que a defesa não teria tido acesso, na ocasião, ao pedido de prisão do Ministério Público Estadual de Goiás nem ao teor do depoimento das vítimas.

AGRADECIMENTO – Nesta manhã, enquanto o marido era alvo de buscas, a mulher de João de Deus, Ana Keyla Teixeira Lourenço compareceu à festa de natal da Casa da Sopa, entidade mantida pelo centro religioso do marido, em Abadiânia. Ela discursou a moradores da comunidade sem fazer referência ao médium e deixou o local às pressas em seguida.

“Que os nossos lares continuem cheios de amor, de respeito, de carinho. Eu queria agradecer neste momento a todas as pessoas que aqui estão presentes. Muito obrigada” — destacou Ana Keyla, ao microfone, cercada de seguidores do médium e da segurança pessoal da sua família.