Nossa democracia é pobre, mas nossas eleições são milionárias

Murillo de Aragão

Os orçamentos apresentados pelos principais candidatos a presidente da República para as eleições de 2014 são um acinte, um despropósito, uma vergonha, um absurdo e um descalabro. Cabem outros tantos adjetivos à situação pornográfica que estamos vivendo em termos de campanhas eleitorais no Brasil.

A campanha de Dilma Rousseff (PT) à reeleição está orçada em R$ 298 milhões, valor do teto para as despesas. Nada menos do que 33% a mais do que na campanha de 2010. Aécio Neves (PSDB) é mais modesto, sua campanha prevê um gasto de até R$ 290 milhões. E Eduardo Campos (PSB) é o primo pobre dos três principais presidenciáveis: apenas R$ 150 milhões. Nos Estados, com a devida proporção, o descalabro prossegue.

De acordo com matéria do G1, o gasto previsto para todos os 169 candidatos a governador soma R$ 2,43 bilhões! São Paulo, obviamente, promoverá a campanha mais cara. Nove candidatos a governador no Estado gastarão, juntos, mais de R$ 320 milhões em suas campanhas. No Amapá, o custo total das campanhas dos candidatos a governador vai chegar perto dos R$ 30 milhões.

CULPA DO CONGRESSO

Tal situação tem no Congresso o maior culpado. A Lei das Eleições estabelece que o Congresso deve aprovar, até 10 de junho, uma lei definindo o limite de gastos com as eleições. Como isso não ocorreu, cada partido estabeleceu o teto de despesas a seu bel-prazer e de acordo com a sua conveniência.

Em Minas Gerais, as campanhas para deputado federal estão custando, em média, R$ 5 milhões. Basicamente, o dobro do que custa uma campanha para a Assembleia Legislativa. O custo tem assustado os candidatos, que preferem disputar uma vaga na Assembleia. Esse é um grande problema para os partidos, já que o montante de recursos do Fundo Partidário é dividido conforme o tamanho das bancadas federais.

Com custos estratosféricos, as campanhas tendem a ser redutos de abonados que podem se autofinanciar, de celebridades muito conhecidas e com potencial de voto, de lideranças setoriais que fazem a campanha dentro de seus nichos e de articuladores que conseguem mobilizar altas somas. O candidato normal, salvo exceções, está fora do jogo.

Duas questões emergem do problema. A primeira é a omissão do Congresso e do Poder Judiciário sobre o tema. Ambos silenciam sobre uma grave distorção de nosso sistema político: a ausência de limites razoáveis de gastos. Deixando aos partidos tal tarefa, promove-se uma liberalidade que trabalha contra os mais basilares princípios da democracia: a igualdade de oportunidades.

PODER DO DINHEIRO

A segunda questão resulta das consequências dessa omissão: a representação da sociedade brasileira no Congresso é distorcida pelo poder do dinheiro. Quem tem mais, pode mais. Não deveria ser assim. Ou, pelo menos, os poderes constituídos deveriam estar atentos ao problema e tratar de limitar os efeitos danosos do poder econômico nas campanhas eleitorais. As eleições não deveriam ser competição de quem arrecada mais e de quem tem mais para gastar.

Com a situação que se apresenta, qualquer um com muito dinheiro tem imensa chance de se eleger. Em Minas Gerais, por exemplo, onde há desinteresse em ser candidato, basta ter os R$ 5 milhões para se tornar um candidato competitivo. Se tiver R$ 10 milhões, melhor ainda. Com R$ 15 milhões, pode-se fazer uma campanha com estrutura de candidato majoritário em uma simples campanha para deputado federal.

Nos bastidores da política de hoje, a questão do financiamento das campanhas é crucial. Sem limite para os gastos, os partidos abriram a porteira para uma competição que nada tem de democrática. (transcrito de O Tempo)

 

Tudo pronto para José Genoino sair da Papuda e cumprir pena em casa

Fernanda Odilla
Folha

A Vara de Execuções do Distrito Federal reconheceu nesta quarta-feira (30) que o ex-deputado José Genoino tem direito a descontar 32 dias da própria pena. Com essa redução, ele poderia ir para casa por ter cumprido um sexto da pena. A decisão de autorizar a progressão do regime semiaberto para o aberto, a ser cumprido em casa, caberá ao Supremo Tribunal Federal.

A juíza Leila Cury escreveu numa decisão com data desta quarta que, além dos dias trabalhados, os cursos de “introdução à informática e internet” e de “Direito Constitucional” feitos por Genoino na cadeia se enquadram às exigências para remissão da pena.

Segundo a decisão da juíza, deliberações sobre a mudança de regime para os condenados no mensalão estão sendo analisadas pelo Supremo. Por isso, ela remeteu a decisão ao novo relator do caso, o ministro Luís Roberto Barroso.

Na semana passada, a defesa de Genoino havia pedido a regressão do regime do semiaberto para o aberto. Apesar de faltar um mês para o cumprimento de um sexto da pena, exigência legal para a progressão de regime, os advogados de Genoino pleiteavam a remissão de 32 dias de trabalho e estudo dentro da penitenciária.

PASSANDO MAL…

Condenado a 4 anos e 8 meses por corrupção ativa no regime semiaberto, Genoino começou a cumprir pena no complexo da Papuda em novembro de 2013. Passou mal dias depois e obteve direito a prisão domiciliar provisória por problemas no coração. Ele voltou ao presídio em 1º de maio. Com base em laudos médicos, o então ministro Joaquim Barbosa entendeu que não havia necessidade de continuar a se tratar em casa. O plenário do Supremo referendou a decisão, dizendo que o ex-deputado não poderia ter “tratamento diferenciado” em relação a outros detentos.

Na ocasião, o ministro Luís Roberto Barroso lembrou que Genoino teria direito a pedir progressão para o regime aberto a partir do dia 24 de agosto. Agora caberá a ele analisar a antecipação dessa data.

“Fica a cargo do Supremo a decisão dele voltar ou não para casa para cumprir o restante da pena em regime aberto”, explicou o advogado Luiz Fernando Pacheco.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - O esquema para libertar os mensaleiros foi muito bem montado. Primeiro, aceitar os embargos infringentes. Depois, inocentar os mensaleiros da formação de quadrilha, como se cada um deles tivesse cometido o crime individualmente. Ou seja, não teria havido conluio entre José Dirceu, o chefe da quadrilha, José Genoino, o presidente do PT, que assinava os cheques, o Soares, Tesoureiro do PT, que levava os cheques para Genoino assinar, e João Paulo Cunha, deputado que recebia o mensalão a pretexto de “pagar a TV por assinatura”. E ainda chamam isso de Justiça. (C.N.)

Ambiente econômico é adverso à reeleição, diz cientista político


Idiana Tomazelli

Agência Estado

A situação da economia doméstica deve tornar a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) mais difícil, avalia o cientista político Sérgio Abranches, do Instituto Ecopolítica. Para ele, as condições estruturais domésticas, como a inflação que tem afetado cada vez mais a renda, interferem mais no humor da sociedade.

“Não vai ser uma eleição igual às outras, porque o Brasil não é igual ao das outras eleições. O Brasil nunca foi um País tão capaz de mostrar mau humor quanto desta vez”, disse, em seminário sobre as eleições realizado na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

A baixa popularidade da presidente também aumenta a incerteza sobre sua reeleição, acrescentou Abranches. “Claramente do ponto de vista do que nós sabemos, o ambiente é adverso à reeleição da presidente em exercício”, disse.

PROGRAMAS SOCIAIS

Em um painel anterior, o cientista político Cesar Zucco, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e Empresas da FGV (Ebape/FGV), comentou que a avaliação positiva dos programas sociais criados ou ampliados durante a gestão do PT na Presidência seria capaz de fazer frente à baixa popularidade da atual presidente e aos questionamentos sobre a política econômica do governo durante a eleição. “Uma possibilidade é que ela faz melhor o resto do que a política econômica”, afirmou.

Mas a questão eleitoral não se resume à economia. Os candidatos, de acordo com os participantes do seminário, têm se obrigado a encontrar maneiras de se adaptar a mudanças no próprio modo de fazer campanha. “Desde 2002 não se faz mais campanha na rua, com cartazes e folhetos. Não foi assim em 2006, nem em 2010″, disse o cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Além disso, o horário eleitoral na televisão já não tem mais a mesma centralidade que tinha em anos anteriores. “A maioria dos eleitores desliga a televisão ou muda de canal”, ressaltou Abranches.

A candidata suja e os candidatos mal-lavados

Heron Guimarães
O clima começa a esquentar na campanha eleitoral para presidente, e o esperado jogo de acusações já pauta a agenda dos candidatos e seus próximos passos. Com os resultados das últimas pesquisas, que anunciam pequena queda na diferença entre Aécio e Dilma em diversos cenários e um empate técnico em um eventual segundo turno, é até natural que o lado perverso e oficioso de cada candidatura mostre sua face.

Tudo isso é motivo para uma blitz de denuncismos, mas também para delações verdadeiras, que devem ser levadas a sério e investigadas com afinco pelas autoridades competentes. Mais do que isso, as revelações são, também, ferramentas que contribuem para o correto julgamento do eleitor, que, após suas análises, terá condições de separar com mais nitidez o joio do trigo.

O que fica clara, definitivamente, é a possibilidade de um candidato apontar o dedo para o outro. Esvaiu-se qualquer condição moral para isso. Entre os três principais presidenciáveis, a suja, no caso, a presidente Dilma Rousseff, não pode mais ser alvo exclusivo dos mal-lavados Aécio e Eduardo Campos.

PASADENA

A presidente Dilma, até domingo passado, respondia pela ruidosa venda de Pasadena, o que, de certa forma, contribuiu para sua despencada. Os estratosféricos R$ 1,25 bilhão gastos na aquisição da petrolífera americana, mais do que exporem uma administração absurdamente temerária, mostram a irresponsabilidade e o desrespeito com o dinheiro público.

Porém, fazendo as devidas ressalvas sobre a abismal diferença entre os valores monetários em questão, Dilma deixou o isolamento na vala dos suspeitos. Passa a ser acompanhada agora por Aécio, que terá que responder pela construção de um aeroporto em um terreno cuja propriedade era de um parente.

PROPINAS EM PERNAMBUCO

Como pau que dá em Chico também acerta Francisco, Eduardo Campos também perde sua auréola, pois está sendo obrigado a se justificar por causa de uma reunião por meio da qual seus assessores oferecem propinas para ter o PROS na campanha de Paulo Câmara, o seu escolhido para a sucessão do governo pernambucano.

Como já aconteceu com Dilma, que foi poupada pelo TCU na hora de apontar culpados na negociata envolvendo a Petrobras, Aécio e Eduardo também serão inocentados por autoridades e tribunais deste país.

Ficará novamente a mensagem para o eleitorado de que a cobertura de todos é feita de vidro, e sem blindex. Talvez será preciso chegar ao ponto de termos que fazer uma escala individualizada e uma espécie de ranking de escândalos e irregularidades para ver qual o poleiro será o menos sujo até o dia 5 de outubro. (transcrito de O Tempo)

Qual ética?

Jacques Gruman

Conheço sonegadores confessos. Alegam que não sustentariam seus negócios se tivessem que pagar os impostos. Montam, assim, uma ética paralela, uma espécie de milícia financeira, muito bem aceita por setores ponderáveis da população. Ao invés de lutar para consertar o que acham errado, preferem investir na economia paralela, clandestina pero no mucho. Berram dia e noite contra os desvios de conduta dos políticos e tecnocratas, mas sobrevivem graças a eles. O udenismo não morreu.

É nos pequenos gestos do cotidiano que se observam as distorções trazidas pela cultura do jeitinho. No fundo, é a glorificação do bumba meu boi, cada macaco no seu galho e salve-se quem puder. Só os otários, dizem, obedecem as regras que deveriam valer para todos. Num pequeno trajeto, vivo montanhas disso todo dia. Entre minha casa e a praia, há menos de um quilômetro. De cara, carros estacionados em fila dupla, numa via estreita. Poucos metros adiante, um bar que ocupa quase dois terços da calçada, prejudicando a passagem.

Fiscalização pra quê ? Em seguida, quase em frente a uma delegacia, parasitas que se dizem flanelinhas achacam quem precisa estacionar. Na ciclovia, exclusiva para ciclistas e corredores, pedestres caminham sem a menor cerimônia, prontos a ofender e ameaçar quem os alerta para a infração que cometem. Nos finais de semana, são os ciclistas que invadem o espaço dos pedestres, tirando finos de gente que só quer caminhar em paz. Tudo muito natural, como se esculacho fosse uma saudável rebeldia. A absoluta impunidade sobe a escada e acaba por “justificar” os de cima. Afinal de contas, que diferença conceitual há entre, por exemplo, a falsificação de uma carteira de estudante e o estelionato que enriquece ladrões perfumados ?

COPA DAS COPAS…

Na esteira da Copa das Copas (sic), muita gente acordou para o lamaçal da Fifa e da CBF. Negociatas de todos os tipos, destruição ética e técnica do futebol brasileiro, repressão de manifestações populares em nome da tranquilidade para sugar lucros excepcionais. A bandalha invadiu os gramados. Sempre achamos que os jogadores brasileiros eram artistas da bola, maestros e músicos de uma sinfonia de raiz popular. Os limites éticos pareciam implícitos, da pelada ao Maracanã . Agora, criamos uma nova escola de artistas: os simuladores, que tanta surpresa e raiva provocam em jogadores de outras praças, desacostumados com essa prática desleal.

Desde as categorias de base até os times que disputam o Campeonato Nacional, passando pela seleção brasileira, há um desfile de comportamentos desonestos, antiéticos. O futebol brasileiro não deixa de ser um espelho da sociedade, sempre em busca do caminho mais fácil – nem sempre honesto – para se ganhar. O imperativo mercantil, acoplado à chamada Lei de Gérson (injusta “homenagem” para o Canhotinha), agravam o quadro. Nem sempre foi assim.

DUAS HISTÓRIAS

Conto duas histórias. Podem me chamar de sonhador, mas elas exprimem o que sinto quando penso no futebol como paixão. A primeira, registrada pelo Juca Kfouri, tem mais de cinquenta anos. Copa do Mundo no Chile, 1962. Depois de uma vitória discreta na estreia contra o México, o Brasil enfrentaria a Tcheco-Eslováquia. A parada não ia ser fácil. Os tchecos tinham um time sólido, com alguns jogadores de bom nível. Lá estavam Pelé e Garrincha, artilharia pesada contra o excelente goleiro Schroiff. De repente, calafrios. Pelé chuta da entrada da área, Schroiff se estica e toca na bola, que roça na trave e sai pela linha de fundo. O crioulo se abaixa, afaga a coxa esquerda e não esconde uma fisionomia de dor. Distensão na virilha, coisa séria. Naquele tempo, não havia substituição. Se um jogador se machucava, permanecia em campo fazendo número, como se dizia. Foi o que Pelé fez, congelado no exílio forçado da ponta-esquerda. Para surpresa geral, os tchecos não se aproveitaram do desastre muscular do Rei. Masopust, capitão do time, ordenou aos companheiros: “Ninguém o combate se a bola chegar nele”.

Foi o que aconteceu com o zagueiro Lala, que, vendo a bola chegar em Pelé, apenas o cercou, com as mãos na cintura, sem procurar desarmar o crioulo. Pelé percebe, faz um agradecimento silencioso, joga a bola para fora e sai de campo, escoltado por Masopust. Ao perceber o que acabara de acontecer, o estádio Sausalito virou um aplauso só. Todos tinham sido testemunhas de um maravilhoso gesto de espírito esportivo, de generosidade, de respeito, de reconhecimento das regras de convivência. Em suma, como diz o Juca: de ética esportiva. Alguém consegue imaginar cena semelhante hoje em dia ? Alguém consegue visualizar o Mané Cabelinho ou o Fred se comportando de maneira semelhante ?

NA COLÔMBIA

A segunda vem da Colômbia e foi narrada pelo inimitável Eduardo Galeano. Data indefinida. Era dia de final do campeonato colombiano. Milionários e Santa Fé mobilizaram Bogotá e o estádio estava abarrotado. Segundo Galeano, apenas os cegos e os paralíticos estavam ausentes. O jogo corre tenso e, já nos últimos minutos, o centro-avante e artilheiro do Santa Fé, o argentino Lorenzo Devani, penetra na área adversária e cai. O juiz corre para a marca do cal e assinala o penalty.

Devani, surpreso, se dirige a Sua Senhoria e diz que tinha caído sozinho, o penalty não existira. O juiz pede que ele olhe para a multidão nas arquibancadas e alega que não tinha a menor condição de voltar atrás. Podia ser trucidado. Devani, então, toma a decisão que, disse Galeano, seria sua ruína e sua glória. Corre para a bola e a chuta para o mais longe possível das traves. Perdeu o gol, mas transformou um jogo de futebol na mais perfeita tradução da ética. É pouco?

(artigo enviado por Mário Assis)

Legado da Copa: comércio do Rio fecha junho com menor crescimento em oito anos

Deu na Ag. Brasil

As vendas do comércio lojista do Rio de Janeiro aumentaram 2,4% em junho em relação ao mesmo mês do ano passado, fechando com a menor expansão no varejo carioca dos últimos oito anos. Os dados são da pesquisa Termômetro de Vendas divulgada mensalmente pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro – CDL-Rio.

Com o resultado de junho, quando foram ouvidos 500 estabelecimentos comerciais da cidade, as vendas do comércio fecharam o primeiro semestre do ano com uma expansão acumulada de 5,6%, na comparação com o período de janeiro a junho do ano passado.

Na avaliação do presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves, o resultado abaixo da expectativa foi decorrente dos eventos da Copa do Mundo 2014, da Federação Internacional de Futebol (Fifa), efetuada nos meses de junho e julho no país. “O mês de junho, que sempre foi aquecido pelas vendas do Dia dos Namorados, uma das datas fortes do comércio, este ano teve queda no crescimento, coincidindo com o jogo entre Brasil e Croácia, que abriu o Mundial. Além disso, o inverno fraco não ajudou nas vendas do comércio, também colaborando para 2,4% de crescimento, o menor dos últimos oito anos”, justificou.

Segundo a pesquisa, o Ramo Duro (bens duráveis), com crescimento de 2,8%, teve um desempenho melhor do que o Ramo Mole (bens não duráveis) cuja expansão de 0,7%. No primeiro caso, os melhores desempenhos ficaram com os setores de confecção (+ 2,2%), calçados (+1,1%) e tecidos (+0.8%); e no segundo com os setores de eletrodomésticos (+2,9%), móveis (+2,6%), jóias (+ 1,4%) e óticas (+ 0,9%). As compras a prazo foi a modalidade preferida por 3,7% dos consumidores, enquanto a compra a vista registrou mais 1,5%.

A CDL-Rio registrou aumento de 1,3% no nível de inadimplência do comércio lojista da cidade no primeiro semestre do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Nesses últimos seis meses as dívidas quitadas e as consultas aumentaram, respectivamente, 4,7% e 0,9%, em relação ao mesmo período de 2013. Em relação a maio, no entanto, junho acusou quedas no nível de inadimplência e nas consultas de, respectivamente, 2,3% e 4,1%, enquanto as dívidas quitadas aumentaram 10,2%.

PSDB de Minas responde a Fernando Pimentel, lembrando processo movido contra ele por ato de corrupção

O PSDB mineiro reagiu à provocação que o candidato ao governo de Minas pelo PT, ex-ministro Fernando Pimentel, fez ao senador Aécio Neves, candidato ao Planalto, quando se referiu ao “aeroporto da fazenda do titio”. O partido rebateu citando um processo a que o ex-ministro responde.
O presidente do PSDB-MG, deputado federal Marcus Pestana, considerou “lamentável” o tom usado por Pimentel, que, segundo o tucano, adotou um “discurso radical, vazio e apelativo”.
Ao afirmar que o Ministério Público arquivou investigação por não ter encontrado nenhuma irregularidade na obra do aeroporto de Cláudio (MG), no terreno desapropriado do tio-avô, Pestana comparou esse caso ao programa “Olho Vivo”, de monitoramento por câmeras.
“O caso do aeroporto de Cláudio é diferente do ‘Olho Vivo’, em que o ex-prefeito foi indiciado, processado e responde na Justiça. Essa é a verdadeira diferença”, afirmou Pestana. Ele se referia ao processo em que Pimentel é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ser “autor de delitos” e ter “concorrido ativamente” para o desvio de R$ 5 milhões da Prefeitura de Belo Horizonte em 2004, quando era prefeito. Pimentel nega ter havido irregularidades.
SEM LICITAÇÃO
O processo contra Pimentel tramitava no STF (Supremo Tribunal Federal), mas estava para voltar para Minas depois que o petista deixou no começo do ano o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A denúncia diz que a prefeitura contratou a Câmara dos Dirigentes Lojistas de BH para implantar o projeto “Olho Vivo”, que previa a instalação de 72 câmeras para coibir crimes no centro da cidade. Essa contratação, segundo a Procuradoria, foi uma forma de não realizar licitação. A acusação contra Pimentel é de “apropriação de bens ou rendas públicas”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - Agora, só falta o PSDB ressuscitar as denúncias contra a firma de consultoria (leia-se: tráfico de influência) que Fernando Pimentel abriu em Belo Horizonte quando saiu da Prefeitura. Pimentel tomou mais R$ 1 milhão da Federação das Indústrias para fazer palestras no interior, recebeu a grana e não fez uma só palestra. Na época do escândalo, Dilma disse que não o tiraria do Ministério porque o “malfeito” tinha sido feito quando Pimentel ainda não estava no governo, vema o tamanho da cara de pau dessa gente. (C.N)

 

Aécio admite ter usado pista de aeroporto em Cláudio

aécio neves

Deu no Estadão

A assessoria da campanha do senador Aécio Neves reconheceu terça-feira, 29, pela primeira vez que o candidato tucano à Presidência usou o aeroporto de Cláudio, no interior de Minas Gerais, apesar do local não ter sido homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para receber pousos e decolagens.

Desde que o jornal “Folha de S.Paulo” revelou no último dia 20 que o governo de Minas Gerais – durante o segundo mandato do tucano – gastou quase R$ 14 milhões para construir o aeroporto dentro de um terreno desapropriado da fazenda de um tio-avô de Aécio, o candidato tem evitado responder se usa ou não a pista, localizada a 6 km da propriedade de sua família.

O episódio abriu a primeira crise na campanha tucana. Para tentar tirar o caso do noticiário, a equipe de Aécio produziu um documento – Voos ocasionais para a pista de Cláudio/MG; Aspectos da legalidade – no qual cita uma norma da Anac que permitiriam “operação ocasional” de helicópteros em aeroportos não homologados.

“Os voos realizados pelo presidenciável Aécio Neves para a pista em Cláudio/MG foram feitos totalmente em conformidade com a legislação vigente. Trata-se de operações denominadas operação ocasional”, diz o texto da campanha que foi produzido a pedido de senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), candidato a vice na chapa de Aécio, e enviado por sua assessoria ao Estado.

EM HELIPORTO

Pela norma apresentada, o operador do helicóptero poderia utilizar o local “desde que tenha tomado as providências cabíveis para garantir a segurança da operação da aeronave”.

A Anac, porém, contesta o argumento. “Esse trecho do regulamento só é válido para operações realizadas exclusivamente por helicópteros (aeronaves de asa rotativa), e em helipontos ainda não homologados”, informou o órgão. Ainda segundo a Anac, os aeroportos não homologados só podem ser utilizados para casos de “emergência em voo, para evitar incidente/acidente”.

A assessoria de Aécio não respondeu se ele utilizou aviões ou helicópteros para viajar até Cláudio. Depois que o caso do aeroporto veio à tona, a Anac começou a investigar a movimentação no aeroporto.

Nesta quarta-feira (30), em Brasília, Aécio evitou novamente o tema e disse ser “irrelevante” a informação sobre o uso do aeroporto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGJá dissemos aqui que Aécio Neves errou feio ao mandar asfaltar a pista de pouso existente na fazenda de seu tio-avô. Mas isso não significa que sejam aceitas as bobajadas que têm sido escritas a respeito. Por exemplo, esse lance de usar heliporto ou pista não homologada é uma piada num país como o Brasil, que é repleto de pistas de pouso. Na Fazenda Brasil, em Mato Grosso, pertencente a um dos filhos de Lula, também existe uma bela pista de pouso não homologada, segundo as denúncias de Wagner Pires, aqui na Tribuna da Internet. Mas os tucanos são tão amadores em política que não usam essa informação. Desse jeito, Aécio acaba perdendo uma eleição quase ganha, como Ciro Gomes em 2002. Por fim, se Lula acha que é “O Filho do Brasil”, faz sentido o filho dele chamar uma de suas propriedades de “Fazenda Brasil”. (C.N)

 

Durante todo o governo de Dilma o PIB cresceu menos do que no último ano de Lula

Deco Bancillon
Correio Braziliense

A decisão do Banco Central de injetar R$ 45 bilhões na economia em um momento em que o custo de vida já rompeu o teto da meta de inflação deixa claro que a prioridade do governo, a três meses das eleições, é apenas evitar que o país mergulhe numa recessão. A avaliação da equipe econômica é de que o país vive um colapso de confiança e que, portanto, é preciso criar uma agenda positiva para reverter o pessimismo de investidores, e das famílias.

Não é para menos. Se a previsão de crescimento de instituições conceituadas como a gestora de recursos Franklin Templeton Investments, o Banco Fibra, e a consultoria GO Associados, se confirme em 0,5%, o resultado do governo Dilma Rousseff só seria melhor do que o do período de Fernando Collor e Itamar Franco na Presidência, entre 1990 e 1994.

Se os prognósticos estiverem corretos, significa dizer que a média de expansão do PIB dos últimos quatro anos seria de apenas 1,69%. Mesmo o crescimento acumulado durante o mandato, de 6,90%, ficaria abaixo da média de expansão da economia apenas no último ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando o PIB avançou 7,53%.

SINAL DE ALERTA

No Palácio do Planalto, o sinal de alerta está ligado. A avaliação ainda é de que Produto Interno Bruto (PIB) não enche a barriga do eleitor. Mas, diante da ameaça de recessão, passou-se a temer também pelo mercado de trabalho, que começa a dar sinais claros de perda de força.

O pacote de estímulo ao crédito do BC foi lançado na mesma semana em que os prognósticos do mercado financeiro para o crescimento econômico caíram abaixo de 1% pela primeira vez no ano e que o Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou em 0,6 ponto a projeção de expansão da atividade para o Brasil em 2014.

 

O mar que navega os destinos de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. Junto com o poeta Hermínio Bello de Carvalho, compôs “Timoneiro”,  um de seus sambas mais bonitos, em que os dois parceiros usam o mar como parábola do sentido de destino que orienta nossas vidas. Este samba foi gravado por Paulinho da Viola, em 1996, no CD Bebadosamba, pela BMG.

TIMONEIRO

Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho da Viola

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar

Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
- Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar

E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor

Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que ele faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Netanyahu anuncia ação militar longa e assim isola Israel no cenário internacional

Pedro do Coutto

Reportagem da Folha de São Paulo publicada na edição de 29, destaca o pronunciamento da véspera do primeiro-ministro Netanyahu avisando que a operação militar na Faixa de Gaza será longa e, com isso, tacitamente, rejeitou todos os apelos e manifestações voltadas para o cessar fogo na região, entre eles o apelo do Papa Francisco. Rejeitou também, da mesma forma implícita, os esforços do Secretário de Estado John Kerry, isolando ainda mais Israel no cenário internacional.

O primeiro-ministro sustentou que os combates só acabam quando Gaza estiver desmilitarizada. Esqueceu que, sob o ângulo político, quando mais os bombardeios israelenses durarem, maiores e mais intensas vão ser os atos que acontecem em inúmeras cidades contra a política de Telavive.

Não se pode ignorar os ataques do Hamas a Israel e também condená-los, reconhecendo o direito de Israel se defender. Só que a única saída para o gravíssimo impasse está na negociação através de fins pacíficos. Pois, caso contrário, envereda-se duplamente pelo caminho da destruição que ninguém sabe onde vai parar e a que desfecho trágico pode conduzir. Não existe alguém de bom senso na face da Terra capaz de dissecar um rumo imprevisível, no qual previsíveis são as mortes, aos milhares, que vão se suceder.

No momento, Israel, mesmo assim com reservas naturais colocadas pelo Secretário de Estado Kerry, só conta com o apoio dos Estados Unidos. Israel está perdendo a guerra da comunicação – basta ir os jornais e revistas, observar as fotos e o confronto diplomático. Na realidade, quanto mais se alongarem as bombas e foguetes, quanto maiores forem os números dos mortos e mutilados, pior, sob o ângulo político, será para Israel.

Como é possível o premier Netanyahu ignorar este aspecto essencial? Terminará isolado não só internacionalmente, mas dentro de seu próprio país, uma vez que não é lógico aceitar a tese que um conflito longo e permanente pode interessar à sua população. Ela acabará naturalmente cansando-se dos conflitos, das mortes, das mutilações, dos prédios destruídos, com os alarmes tocando a cada instante.

UM CLIMA RUIM

Matéria de Carolina Alencastro, O Globo também de 29, reproduziu declarações da presidente Dilma Rousseff, durante sabatina pelo UOL, amplamente publicada pela FSP, que afirmou que as declarações da chancelaria israelense  contra o Brasil criaram um clima ruim entre Brasilia e Telavive. Passada uma semana, o primeiro-ministro de Israel poderia ter reduzido a questão, suavizando o mal-estar com um simples pedido informal de desculpas. Seria uma fórmula de restabelecer o diálogo. No entanto, até agora permanece em silêncio. E o silêncio é comprometedor e leva à concordância com um absurdo.

Já que é rematado absurdo desconhecr a importãncia do Brasil no cenário mundial. Os fatos concretos apontam o contrário. Em coluna recente, escrevi sobre vários deles, culminando com a participação brasileira, através da heroica FEB, na segunda guerra mundial. Esqueci de citar dois. Cito hoje. A Conferência Panamericana realizada em janeiro de 42, no Rio de janeiro, Palácio Tiradentes, de apoio aos Estados Unidos contra o ataque japonês a Pearl Harbor; a cessão das bases aéreas de Natal e Recife para a operação militar das forças aliadas num espaço aéreo fundamental. Importância se mede com fatos, não com palavras grosseiras e despropositadas.

 

Testemunhas desistem de depor em favor do deputado André Vargas, que não será cassado pela Câmara

Naira Trindade
Correio Braziliense

Sem a presença das duas últimas testemunhas de defesa e do deputado federal André Vargas (sem partido-PR), o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados encerrou a fase de instrução do processo que pode pedir a cassação do parlamentar por quebra de decoro. Ele é acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato. Em janeiro, Vargas viajou com a família em um jato emprestado pelo doleiro. Em sua defesa, o parlamentar alegou ser amigo de Youssef há 20 anos.

Esperados para depor, o coordenador operacional da Arquidiocese de Aparecida, Denir Campos, e o consultor jurídico do Ministério da Saúde Fabrício de Oliveira Braga não compareceram. Encerrada a fase de instrução, o relator do processo, Júlio Delgado (PSB-MG), tem dez dias para concluir o relatório. Delgado adiantou, porém, a intenção de terminar o relatório a tempo de ser analisado no esforço concentrado da semana que vem, em 5 e 6 de agosto.

Foram ouvidos durante o processo apenas sete das 16 testemunhas arroladas. Ao conselho, os sócios do Labogen, Leonardo Meirelles e Esdras Ferreira, tentaram minimizar a participação do congressista na atuação da Labogen junto ao Ministério da Saúde para obter contrato de R$ 35 milhões.

O deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) aproveitou depoimento para reforçar que o amigo “não fez lobby”. Também foram ouvidos o prefeito de Apucarana (PR), Carlos Alberto Gebrim Preto (Beto Preto), que falou sobre o empréstimo do jatinho, e o capitão da Marinha Paulo Ricardo de Souza e Souza, que explicou o convênio da corporação com o Ministério. Já o dono da empresa que forneceu a aeronave ao deputado, Bernardo Tosto, e Roberto Vezozzo (defesa) responderam às perguntas por e-mail.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEsta é inédita. Nem mesmo o réu, o ex-petista e ex-vice presidente da Câmara, deputado André Vargas, teve coragem de comparecer perante a Comissão de Ética para se defender das acusações de se relacionar com o doleiro Alberto Youssef. Deveria renunciar ao cargo, se tivesse ainda um pouco de dignidade, mas não o fará, porque sabe que não será cassado e irá cumprir o mandato até 31 de dezembro. Até lá, não haverá quorum na Câmara. (C.N.)

O PT e o exemplo de Voltaire

 

Carlos Chagas

Voltaire viveu até os 84 anos, dedicando sua vida a tentar esmagar a Igreja, que aliás, em boa parte, merecia. Apesar de em criança ter sido aluno dos jesuítas, que sempre reverenciou apesar das discordâncias, ele formou entre os iluministas que negavam a existência de Deus. Pelo menos do Deus barbudo, implacável, que mandava a maior parte da Humanidade para o inferno, menos os que pagavam caríssimas indulgências. Às portas da morte, no entanto, mandou chamar um padre para confessar-se e receber a extrema unção. Seus amigos não entenderam nada e, mesmo agonizante, ele foi cobrado: que história era aquela, renegando toda uma vida de lutas?

Sem perder a malícia, ele declarou que continuava não acreditando em outra existência, mas explicou não desejar correr riscos. Se por hipótese a Igreja estivesse certa, estava garantindo o paraíso…

Com todo o respeito e guardadas as proporções, pode estar acontecendo coisa parecida com o PT. Apesar da queda nos percentuais das pesquisas eleitorais, tudo indica que Dilma Rousseff será reeleita, mas se não for, como ficarão os companheiros? Mais ou menos como Voltaire imaginou sua presença diante do Padre Eterno, se Ele existisse…

Sendo assim, o PT toma suas precauções. A primeira será evitar que Dilma ou qualquer outro de seus candidatos a outras funções venha a fazer das eleições de outubro uma guerra sem possibilidades de armistício ou rendição incondicional. O partido atacará Aécio, os tucanos e seus aliados, mas tendo presente haver um limite para tudo. Nada de violência desmedida, de acusações pessoais impossíveis de ser esquecidas, de massacres sem retorno. Guerra é guerra, munição existe para ser utilizada, ainda que sem destruir o adversário e sua família. Por isso a estratégia de campanha sugerida pelo marqueteiro João Santana é de a candidata falar mais das realizações do governo petista e dos planos e programas para o próximo mandato. Menos dos governos do PSDB e de seus erros ideológicos.

Levar a campanha para o futuro dará mais dividendos do que ficar amaldiçoando o adversário. Até porque uma postura assim obrigará o adversário a comportamento igual. Resta saber se Dilma aceitará o conselho. Ela costuma explodir sem dar sinais, não resiste a provocações. Estando em jogo o seu futuro, porém, pensará duas vezes antes de precipitar-se.

Para o PT, fica o exemplo de Voltaire: a vitória parece provável, mas se a derrota passar por perto, melhor preparar-se para ela, como garantia…

Skaf ironiza polêmica sobre palanque com Dilma: ‘Sabe de nada, inocente’

Ricardo Brandt
Estadão

O candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, montou uma peça publicitária veiculada há poucos minutos via rede social para responder as investidas do PT, que tenta forçar a abertura de espaço em seu palanque para a presidente Dilma Rousseff.

Na peça, Skaf aparece sentado em um banco de um trem do metrô, como passageiro, segurando um aparelho celular nas mãos. Ele recebe uma mensagem com a seguinte pergunta: “Skaf, e esse papo de apoiar o PT?”.

Skaf então teria respondido: “Sabe de nada, inocente …”.

SAINDO FORA…

O candidato, segundo colocado nas pesquisas, com 16% de intenções de voto, tem fugido de responder às investidas petistas. Ele e o marqueteiro Duda Mendonça, que faz sua campanha e foi o marqueteiro da campanha vitoriosa de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, querem evitar a associação com petistas. A avaliação é que o partido da presidente tem alta rejeição em São Paulo e pode tirar votos.

No post colocado por Skaf ele afirma: “A posição da minha coligação é vencer o PT e o PSDB”. A afirmação foi repetida por ele outras vezes, que nunca deixou de negar uma aproximação em um segundo turno.

Principal articulador de sua candidatura, o presidente do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, já anunciou que Dilma estará no palanque peemedebista em São Paulo.

MARINHO PERDE A LINHA

Ao saber da colocação de Skaf, o prefeito petista de São Bernardo, Luiz Marinho, partiu para o ataque e disse que o candidato do PMDB não é político sem sabe nada de política. Ainda segundo Luiz Marinho, Skaf deveria respeitar a coligação entre PT e PMDB, que resultou na repetição da chapa Dilma Rousseff/Michel Temer.

 

Presidente do Santander diz que analista econômico foi demitido

Deu no Estadão

O analista responsável pelo informe econômico do Santander que sugeria deterioração da economia brasileira caso a presidente Dilma Rousseff (PT) mostre melhor desempenho nas pesquisas eleitorais já foi demitido, anunciou nesta terça-feira (29), o presidente global do banco espanhol, Emilio Botín. O executivo, porém, não forneceu mais detalhes, nem disse se mais pessoas serão punidas.

“A pessoa foi demitida porque o banco, advertido, disse que deveria demiti-lo, uma vez que (o analista) agiu mal”, resumiu. O presidente global do Santander destacou que o analista não tinha autorização para emitir o relatório e chamou o episódio de “falha” e “coisa mal feita”.

Botín também se esquivou de tecer comentários sobre as declarações da presidente Dilma, que nesta segunda-feira, 28, classificou a resposta do banco como “protocolar” e disse ser “inadmissível” que o mercado financeiro interfira na atividade eleitoral. Visivelmente incomodado com os questionamentos sobre o caso, ele se limitou a reafirmar que o informe, enviado a clientes do segmento Select (renda mensal superior a R$ 10 mil mensais) por meio do extrato bancário, não reflete a opinião do banco.

“A opinião foi de um analista, não é a opinião do banco Santander”, ressaltou, durante coletiva à imprensa no III Encontro Internacional de Reitores, no Rio, realizado pelo Santander por meio do projeto Universia.

CARTA A DILMA

Após o ocorrido, o presidente do Santander no Brasil, Jesús Zabalza, foi encarregado de comunicar ao governo brasileiro que os executivos do banco espanhol estavam “chateados” com o que havia acontecido. Zabalza também enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff, mas seu conteúdo não foi revelado.

“À presidente Dilma, quero dizer-lhe, isso acontece muitas vezes. Imaginem que temos 180 mil funcionários, estamos em dez países importantes. Às vezes acontece isso, e às vezes também acontece com outros bancos”, minimizou Botín. O presidente global do Santander não respondeu, contudo, se cogitava encontrar-se com a presidente pessoalmente para tratar do caso.

Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também havia atacado a instituição financeira, dizendo que o País é o que dá mais lucro ao banco, e que o Santander não entende “porra nenhuma” de Brasil. Mais uma vez, Botín evitou rebater as críticas. “Lula foi um grande presidente, é um grande amigo. Só tenho elogios a ele”, desconversou.

 

Tribunal Regional Eleitoral do DF nega pedido de Arruda para condenar o Ministério Público Eleitoral

José Carlos Werneck

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal negou, por unanimidade, o pedido feito pela defesa de José Roberto Arruda, candidato ao governo do DF, para condenar o Ministério Público Eleitoral pela publicação, em seu site, de matéria jornalística. Arruda chegou a conseguir uma liminar contra o órgão, alegando que, ao pedir a impugnação de sua candidatura, o MPE dava a entender no texto publicado, que o fato já estava certo, antes mesmo de o assunto ser apreciado pelo Tribunal Regional Eleitoral, fazendo uma propaganda irregular contra ele. Na ação, Arruda cita os procuradores Elton Ghersel e Fabiana Derziê como culpados por “incutir no imaginário do eleitorado a inviabilidade jurídica da candidatura”.

A notícia divulgada pelo Ministério Público, informava aos eleitores que, se Arruda ganhar as eleições, não poderá tomar posse por estar incurso nas sanções na Lei da Ficha Limpa.

“A relatora do processo não deu provimento ao recurso, acompanhada pelo Tribunal, por considerar que o Ministério Público Eleitoral é parte ilegítima no processo, negando provimento ao recurso”.

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