Aleluia! Israel e Hamas aceitam cessar-fogo de 72 horas

Da Agência Lusa

O governo de Israel e o movimento islâmico Hamas concordaram com um cessar-fogo de 72 horas na Faixa de Gaza, palco de uma ofensiva militar israelense desde o dia 8 deste mês. O anúncio da trégua foi feito pelo chefe da Diplomacia dos Estados Unidos, o secretário de Estado John Kerry.

O secretario anunciou que os dois lados cessarão as hostilidades às 8h (2h, horário de Brasília) desta sexta-feira (1°) e iniciar as negociações no Cairo. Logo após o anúncio feito por Kerry, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, confirmou que o movimento aceitou a trégua.

“O Hamas e todos os movimentos da resistência aceitaram um cessar-fogo humanitário de 72 horas, que será respeitado por todos se a outra parte [Israel] também observar a trégua”, afirmou Barhoum.

Kerry informou que Israel irá prosseguir, durante a trégua de 72 horas, com as operações “defensivas” contra os túneis escavados pelo Hamas. De acordo com o secretário norte-americano, Israel vai continuar com as operações “atrás das linhas” definidas durante o conflito.

Segundo Kerry, durante a trégua de 72 horas, “os civis de Gaza irão receber a ajuda humanitária de que tanto precisam e terão oportunidade de exercer atividades urgentes, como enterrar seus mortos, cuidar dos feridos e reabastecer os bens alimentares”. A trégua também servirá para fazer o reparo da infraestrutura de fornecimento de água e energia.

Destruição da Líbia é alerta a Egito, Síria e Ucrânia

Tony Cartalucci 
New Eastern Outlook 

“A Líbia está considerando um deslocamento de força internacional para restabelecer a segurança, agora que a violência recomeçou em Trípoli, e dúzias de foguetes destruíram quase toda a frota de aviação civil naquele aeroporto internacional.  O governo analisa a possibilidade de solicitar que forças internacionais sejam enviadas para atuar em solo, restabelecer a segurança, e ajudar o governo a impor sua autoridade’ – disse porta-voz do governo na Líbia, Ahmed Lamine, em declaração.”

O “amanhã democrático” prometido pela OTAN em 2011 aconteceu, vale lembrar, na forma de eleições previsivelmente fraudulentas, rejeitadas pelo país inteiro, que produziram um vácuo de poder, que foi preenchido, como se viu, por conflito armado crescentemente violento.

O mais irônico disso tudo talvez seja que esses conflitos são já verdadeiras guerras travadas entre vários grupos que a própria OTAN estimulou, armou e usou para fazer a guerra de solo na Líbia, enquanto a própria OTAN só agia de longe, do céu, bombardeando o país durante praticamente todo o ano de 2011.

FANTOCHES DA OTAN

Em maio de 2014, a luta na cidade de Benghazi no leste da Líbia já deixara incontáveis mortos, muitos e muitos feridos e legiões de moradores obrigados a abandonar as próprias casas para não morrer, quando um “general renegado” fazia guerra contra “militantes islamistas” dentro da cidade. Em artigo intitulado “Famílias evacuam Benghazi, e general renegado ameaça com novos ataques”, a agência Reuters escreveu, dia 18/5/2014:

O autodeclarado Exército Nacional Líbio, liderado por um general renegado, disse a civis no sábado que abandonassem bairros de Benghazi antes de ele iniciar ali mais um ataque contra militantes islamistas, um dia depois de ter havido ali dúzias de mortos, nos mais violentos confrontos na cidade em meses.

O general renegado é Khalifa Haftar (às vezes também escrito “Hifter”), que morou durante anos nos EUA, nos arredores de Langley Virginia, ao que se crê sendo treinado pela CIA, até que retornou à Líbia em 2011 para comandar as forças da OTAN em solo no ataque do ocidente contra aquele país.

Em artigo de 2011, o Business Insider perguntava: “O general Khalifa Hifter é o homem da CIA na Líbia?“:

Quer dizer: trata-se de ex-general de Gaddafi, que muda de lado e passa a trabalhar assumidamente para os EUA, instala-se em Virginia nos arredores de Washington, D.C. e consegue apoiar a própria grande família na Líbia, de modo que alguém que o conheceu ao longo de toda a vida diz que ‘nunca entendeu exatamente’? Hmm.

ATÉ O ÚLTIMO TERRORISTA

Sobre sua própria guerra em Benghazi,  Hafter disse que ela continuará “até que não reste nenhum terrorista em Benghazi”; e que “começamos essa batalha, que prosseguirá até alcançarmos nossos objetivos. A rua e o povo líbio estão do nosso lado.” 

Os sentimentos de Hafter fazem perfeito eco ao que dizia Muammar Qaddafi em 2011. De diferente, só, que a imprensa-empresa ocidental negou, ao longo de décadas, que houvesse qualquer terrorista em Benghazi; e sempre apresentou as operações de Gaddafi em Trípoli como “massacre” de “pacíficos manifestantes pró-democracia.” 

As mesmas atrocidades que a OTAN listou, de início, como ‘causa’ para sua “intervenção humanitária” na Líbia, imediatamente passaram a aparecer como práticas da própria OTAN e das forças que a OTAN ou mantém ou acoberta. Cidades inteiras foram cercadas, deixadas sem comida e água, e bombardeadas por ar, até capitularem. Em outras cidades, populações inteiras foram, ou executadas, ou expulsas ou, em alguns casos, ‘empurradas’ para fora das fronteiras líbias. A cidade de Tawarga, onde viviam cerca de 10 mil líbios, foi totalmente destruída, a ponto de o London Telegraph referir-se a ela hoje como “cidade fantasma”

É UM CAOS ETERNO

Desde a queda de Trípoli, Sirte e de outras cidades líbias que resistiram contra a invasão pelos terroristas da OTAN, praticamente nada se viu de qualquer estabilidade básica, muito menos da “revolução democrática” que a OTAN e seus terroristas-colaboradores prometiam para a Líbia. O governo em Trípoli continua em caos eterno; as forças de segurança divididas combatem entre elas mesmas; e agora há também um “general renegado” que a CIA introduziu na Síria, e que comanda operação militar em grande escala contra Benghazi, usando também força aérea e, aparentemente, sem a aprovação do governo em Trípoli. 

Anos depois da conclusão da dita ‘revolução’, a Líbia continua sua trajetória forçada na direção do mais completo atraso. As grandes realizações do governo de Muammar Qaddafi já foram desmontadas há muito tempo e é pouco provável que venham a ser restauradas – e de serem ampliadas, então, disso, nem se cogita! – em futuro previsível. 

Na Líbia, a OTAN efetivamente desorganizou e destruiu uma nação inteira. A ação da OTAN na Líbia reduziu o país a pilhas de ruínas fumegantes, para que empresas ocidentais possam, não só pilhar os recursos nacionais, mas, também, usar o ‘modelo líbio’ com o padrão para futura ação extraterritorial na Síria, Egito, Ucrânia e agora novamente no Iraque. 

EGITO, SÍRIA, UCRÂNIA

Assim como foi feito na Líbia, também se tentou fazer ‘revoluções’ assemelhadas no Egito, na Síria e na Ucrânia. As mesmas narrativas, palavra a palavra, inventadas nos think-tanks políticos; nas redações da imprensa-empresa; e nas ‘análises’ dos especialistas acadêmicos ocidentais, para a Líbia, estão sendo agora requentadas para o Egito, Síria e Ucrânia.

As mesmas ONGs estão sendo usadas como meio para fazer chegar dinheiro, equipamento e outras modalidades de apoio aos grupos de oposição, em cada um desses países. Termos como “democracia”, “progresso”, “liberdade” e “luta contra a ditadura” são frequentes. Não houve protesto que não tenha sido inflado por militantes armados e, sempre, apoiados pelo Ocidente.

Na Síria, os protestos foram instrumentalizados e vendidos no ocidente como ação de “combatentes da liberdade”. De fato, a imprensa-empresa ocidental consome grande parte de seu tempo e de seus recursos tentando ‘explicar’ ‘por que’ a OTAN e seus parceiros regionais entregam armas e dinheiro a militantes sectários, inclusive à Al Qaeda, para que tentem derrubar o governo sírio. 

No Egito, ainda há alguma ambiguidade, como houve também em 2011 no caso da Síria, sobre quem realmente são os manifestantes, o que realmente dizem e de que lado estão ‘as simpatias’ do ocidente. Mas análise atenta mostra que, assim como a Fraternidade Muçulmana foi usada na Síria para montar o cenário para a guerra devastadadora que se seguiu, a Fraternidade Muçulmana no Egito também está sendo usada, praticamente do mesmo modo, contra o Cairo. 

Finalmente, na Ucrânia, os manifestantes apresentados no ocidente como “pró-democracia”, “pró-União Europeia”, “pró-Euromaidan” já foram revelados como neonazistas, de ultra direita, nacionalistas conhecidos por recorrer regularmente à violência e à intimidação política. Exatamente como se viu na Síria em 2011 e no Egito agora, confrontos armados de baixa intensidade são cada dia mais frequentes, e a intensidade cresce regularmente, já configurando o que pode vir a ser mais uma guerra norte-americana guerreada por terceiros ‘nomeados’: dessa vez, é a OTAN contra a Rússia, na Europa Oriental.

EXEMPLO DA LÍBIA

Esses três países e os envolvidos dos dois lados dessa guerra devem, isso sim, examinar detidamente o estado a que a Líbia foi reduzida. As tais “revoluções” só podem ter uma conclusão lógica e previsível: a destruição, a demolição, a divisão de cada uma das nações-alvo, antes de serem incorporadas, já em estado de cadáver, à sempre crescente ‘ordem supranacional’ de Wall Street e Londres, para serem infinitamente saqueadas até serem reduzidas à miséria. E boa parte dos EUA, do Reino Unido e da União Europeia também já estão reduzidos a miséria, hoje. 

Quem se preocupe com o que será feito de Egito, Síria ou Ucrânia no caso de a OTAN conseguir fincar as garras nesses países, que examine o caso da Líbia. E os que apoiaram a tal “revolução” na Líbia, que se perguntem a eles mesmos se estão satisfeitos com o resultado final. Querem ver o mesmo resultado também no Egito, na Síria e na Ucrânia? Ou, talvez, imaginam que os planos da OTAN para cada um desses países levarão a resultados muito diferentes do que os que se veem hoje na Líbia? Por quê?

(artigo enviado por Sergio Caldieri) 

 

A análise do Santander nada tem de controverso; é o óbvio, amplamente noticiado, que virou objeto de censura

Alexandre Schwartsman
Folha

Antes de tudo, um alerta: para quem não sabe, fui economista-chefe do Santander entre 2008 e 2011, demitido após discussão pública com o então presidente da Petrobras. Digo isso porque quero hoje tratar do imbróglio que envolveu o banco na semana passada, quando foi publicada análise relacionando o desempenho da presidente nas pesquisas eleitorais ao comportamento da Bolsa, do dólar e de outros ativos.

A análise nada trouxe de controverso. Aqui mesmo na Folha, no dia 19, lia-se na página B3: “Bolsa chega ao maior nível em 16 meses”, notando que “as ações de empresas estatais dispararam na BM&FBovespa e impulsionaram o principal índice da Bolsa brasileira nesta sexta-feira (18), após pesquisa Datafolha ter apresentado empate técnico entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB)”. Acrescentou ainda que, “desde que começaram a ser divulgadas pesquisas apontando perda de espaço da presidente (…), o mercado de ações nacional, que caía e acentuava queda (…), mudou de tendência”.

O governo e o partido podem não concordar com a avaliação do mercado, mas, conforme descrito pelo jornal, trata-se de um fato: para bem ou para mal, a percepção é que uma mudança de orientação de política econômica terá efeitos positivos sobre as empresas brasileiras, em particular as sujeitas a controle acionário governamental.

E é bom notar que o tal mercado pode ter as preferências ideológicas que quiser, mas, na hora de comprar ou vender uma ação, o que menos interessa é ideologia; é sempre a perspectiva de lucro que move esses agentes. Posto de outra forma, ninguém rasga dinheiro em nome de suas convicções políticas.

COMPARTILHAR FATOS
O texto do banco, enviado a correntistas com renda mensal superior a R$ 10 mil, supostamente mais propensos a operar no mercado financeiro, nada mais fez do que compartilhar esses fatos, e por um motivo muito claro. Bancos têm um dever fiduciário com seus clientesnão podem omitir ou distorcer informações relevantes para sua tomada de decisão.

Em particular, a opinião das áreas de pesquisa deve refletir exatamente esse tipo de preocupação. Analistas não estão certos o tempo todo, mas é claro que suas conclusões não devem ser guiadas pelos interesses da instituição financeira. Não por acaso as regras buscam (nem sempre com sucesso, diga-se) isolar a pesquisa econômica das posições próprias do banco e mesmo de áreas que gerenciam as aplicações de clientes (fundos de investimento), precaução devidamente apelidada de “muralha da China”.

Nesse sentido, a decisão de demitir os analistas que expuserammais que uma opiniãoum fato representa uma violação desse procedimentoA alegação de que a análise conteria “viés político ou partidário” não se sustenta diante da própria diretriz interna que “estabelece que toda e qualquer análise econômica enviada aos clientes restrinja-se à discussão de variáveis que possam afetar a vida financeira dos correntistas. Não há, como se viu, a menor dúvida de que as perspectivas acerca da eleição presidencial são mais que relevantes para afetar a vida financeira dos clientes.

A consequência desse comportamento é óbvia (e aqui falo em termos gerais, não do banco em si). Se a autonomia da pesquisa é ameaçada, a credibilidade da análise fica comprometida, a despeito das qualidades do analista. Quem, de agora em diante, pode confiar em relatórios se não sabemos a que tipo de filtros estes se encontram sujeitos?

O maior perdedor é o debate econômico, ainda mais numa conjuntura em que –em face de desafios nada triviais no futuro próximo– ninguém se aventura a discutir a sério o que precisa ser feito para colocar a economia brasileira de volta nos eixos. Se até o óbvio, amplamente noticiado (ainda bem!) pela imprensa, vira objeto de censura, pouco falta para que fujamos da controvérsia como quem tem um miúra nos calcanhares.

     

    Em Brasília, políticos fichas sujas que não vão disputar em outubro têm herdeiros candidatos

    Deu no Correio Braziliense

    Eles são pouco conhecidos entre os eleitores, mas carregam um sobrenome famoso. Filhos, sobrinhos, irmãos ou herdeiros escolhidos tentam ocupar um espaço deixado pela aposentadoria de seus padrinhos.

    Nome forte na política do Distrito Federal é o de Joaquim Roriz. A cada quatro anos, um novo parente do ex-governador do DF se lança a um cargo político. Este ano, pelo menos quatro candidatos têm algum parentesco com o político, que está inelegível também pela Lei da Ficha Limpa. Entre os concorrentes estão as duas filhas, Liliane e Jaqueline. A primeira tenta a reeleição na Câmara Legislativa, enquanto Jaqueline quer continuar como deputada federal, mas está ameaçada de virar ficha suja. Na lista de postulantes do clã Roriz, há ainda Paulo e Dedé, sobrinhos de Joaquim, disputando os votos para assumir uma cadeira de deputado distrital.

    Abatidos pela Operação Caixa de Pandora, o deputado Benedito Domingos (PP) e os ex-distritais Leonardo Prudente e Júnior Brunelli tentam eleger um sucessor. Eles estão impedidos de concorrer nas próximas eleições, mas ainda mantêm um feudo entre antigos parceiros políticos. Por meio de seus protegidos, poderão voltar ao poder.

    PAI E FILHO

    Condenado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Benedito está inelegível pelo que determina a Lei da Ficha Limpa. Como é tradição, ele tenta deixar um legado. No caso dele, quem pretende seguir os passos de Domingos e emplacar no legislativo nacional é a filha Bena Domingos, também filiada ao PP. Ao almejar a Câmara dos Deputados, Bena deixa aberta a disputa aos 9.479 votos recebidos por Benedito na eleição passada para a Câmara Legislativa. A tendência é que os candidatos evangélicos briguem pelo espólio no âmbito local.

    “É uma honra, sendo a única mulher dos seis filhos, dar continuidade à história de mais de 40 anos da vida pública e de serviços prestados pelo meu pai”, afirma a candidata.

    CATEDRAL DA BÊNÇÃO

    Outros postulantes disputarão o voto evangélico. O candidato Pastor Jeremias (PSC) tenta a eleição pela primeira vez na perspectiva de conquistar, inclusive, os votos dos eleitores do cunhado, o ex-distrital Júnior Brunelli. Filmado recebendo dinheiro do delator da Pandora, Durval Barbosa, Brunelli renunciou ao mandato em 2010. Tornou-se, assim, sem condições de disputar cargos públicos. Uma legião de fiéis da Catedral da Benção, que conta com 106 igrejas no Distrito Federal e mais de 3 mil templos espalhados pelo país.

    “Sou candidato para fazer uma legislatura em favor da família, que resgate princípios e valores cristãos. Independentemente de ser evangélico, quero ser um deputado para servir a todos”, diz o evangélico.

    Sobre o episódio relacionado ao cunhado, Jeremias se isenta de responsabilidade e garante que não vai tentar recuperar o trabalho feito por Brunelli. “Não me pareço nem um pouco com ele. Tenho minha postura própria e acho que o erro de uma pessoa não pode manchar o trabalho de 50 anos da Catedral da Benção. Esse foi um problema particular de um de nossos membros, portanto vou procurar fazer o meu trabalho”, argumenta.

    Presidente da Câmara Legislativa à época das acusações que levaram à renúncia de Brunelli, Leonardo Prudente também aposta alto na transferência de seu espólio eleitoral. O escolhido foi o próprio filho, Rafael Prudente (PMDB), que se lança candidato a distrital pela primeira vez. De perfil empresarial, a família Prudente conta com um grande eleitorado entre os funcionários de suas empresas de segurança e consultoria financeira instaladas em Brasília. Assim como Brunelli, Leonardo Prudente acabou sua história na política pela porta dos fundos. Se viu obrigado a renunciar ao mandato após ser filmado junto a Brunelli, fazendo a oração da propina e escondendo maços de dinheiro nas meias.

    Berço

    Executiva do PT de São Paulo aprova a expulsão de Luiz Moura do partido

    Márcio Falcão
    Folha

    A Executiva Estadual do PT de São Paulo aprovou nesta quinta-feira (31) a expulsão do deputado estadual Luiz Moura (PT) dos quadros do partido. O parlamentar é suspeito de ter ligações com a facção criminosa PCC.

    A decisão da Executiva, no entanto, ainda precisará ser confirmada pelo Diretório Estadual do PT, que se reúne nesta sexta-feira (1º). Pelas regras eleitorais, se perder a legenda, Moura não poderá disputar a reeleição. Ele, no entanto, poderá recorrer contra a decisão partidária na Justiça.

    Desde junho, Moura estava suspenso do PT e respondia a processo disciplinar após ter sido flagrado pela Polícia Civil em uma reunião com 18 pessoas suspeitas de integrarem a facção criminosa. Ele nega envolvimento.

    ENVOLVIMENTO

    O relatório produzido pela Executiva do PT leva em consideração para a expulsão o suposto envolvimento com o PCC e ainda o recurso que ele apresentou à Justiça para anular a convenção partidária que definiu os candidatos do partido para as eleições de outubro.

    Como foi punido, Moura acabou sem legenda e conseguiu uma decisão provisória da Justiça para pedir o registro de sua candidatura.

    O presidente do PT de São Paulo, Emídio de Souza, disse que, mesmo sem uma condenação, Moura já provou danos à imagem do partido.

    “A decisão do PT não precisa esperar fatos policiais ou a conclusão do inquérito policial. Nós somos um partido político não um departamento de investigação. A conduta dele [trouxe um] dano causado a imagem PT por conta das acusações e depois ainda concluído com a ação que ele fez contra o PT desestabilizando toda a nossa coligação”, afirmou.

    “Nós não temos qualquer tolerância com qualquer mal feito. Cabe aos partidos filtrar aqueles que militam no interior. A conduta dele não é compatível com os propósitos do PT”, completou.

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    NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
    O problema é complicado, porque a
    5ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo negou quarta-feira (30) recurso do PT que visava impedir que o deputado Luiz Moura disputasse um novo mandato na Assembleia estadual neste ano. Moura teve os direitos partidários suspensos pelo PT no início de junho, após vir a público que ele participou de uma reunião em uma cooperativa de ônibus em que estavam presentes integrantes da facção criminosa PCC. Assim, ele ficou banido de participar da convenção estadual do partido e recorreu à Justiça.  Com a expulsão, o caso fica ainda mais intrincado. (C.N.)

    Partidos políticos nada fazem contra exclusão racial em suas legendas

    Raquel Ayres

    O último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 50,7% dos brasileiros são negros ou pardos. No entanto, no Congresso Nacional, apenas 8,5% das cadeiras são ocupadas por essa parcela da população. Na opinião de especialistas, essa razão inversamente proporcional evidencia a falta de interesse dos partidos políticos em promover candidaturas dos negros.

    “Existe um fosso que separa brancos e negros no que se refere à representação parlamentar. Somos 43 deputados federais e três senadores diante de um universo de 513 parlamentares brancos e 81 senadores também brancos”, afirma o presidente da ONG União de Negros pela Igualdade (Unegro), Alexandre Braga. Segundo ele, diferentemente dos evangélicos e ruralistas, a bancada negra, por ser pouco numerosa, encontra obstáculos para aprovar leis que favoreçam a raça. A Lei das Cotas, que levou mais de dez anos para ser aprovada, e o Estatuto da Igualdade Racial são exemplos.

    As três maiores legendas do país – PT, PMDB, PSDB – têm seus núcleos negros, mas esses grupos enfrentam a mesma situação que as alas femininas: faltam recursos para dar visibilidade aos candidatos. Na prática, as siglas não investem nos negros.

    PT NÃO LIBERA RECURSOS

    Em Minas, a maior parte de candidatos que se declararam pretos ou pardos pertence ao PT. São 13 concorrentes a deputado federal. A ala negra do partido, formada por 11 membros, reúne-se uma vez por mês para debater questões relativas às políticas de promoção racial e inclusão socioeconômica.

    Mas verbas destinadas especialmente para financiar campanhas e programas afeitos a questões raciais não fazem parte dos custos do PT. “Se há algum evento, o partido arca com as despesas. Mas não temos, por exemplo, acesso ao fundo partidário. Nem mesmo uma quantia como a de 5%, que é destinada à mulher”, avalia a secretária de Combate ao Racismo do PT em Minas, Cleide Hilda de Lima Souza.

    O cientista político Manoel Leonardo Santos explica que, espontaneamente, o crescimento da representação negra não tem como ocorrer. “É preciso pensar mecanismos que promovam essa representatividade, pois o sistema político reproduz a exclusão que acontece na sociedade”, explica.

     

    O PIB de 2014 já era, a luta agora é para salvar o PIB de 2015

    Vicente Nunes
    Correio Braziliense

    De nada adiantará o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzir os juros em sua próxima reunião, de 2 e 3 de setembro. Apesar da pressão política que se avizinha, diante dos sinais claros de que o Brasil está em recessão, técnicos da instituição asseguram que um eventual corte da taxa básica (Selic) a curto prazo não terá qualquer efeito sobre o ritmo da atividade. Ou seja, não impedirá um resultado pífio do Produto Interno Bruto (PIB) no último ano de mandato da presidente Dilma Rousseff, que buscará à reeleição.

    “O PIB deste ano já está dado. É verdade que ainda há tempo para salvar o resultado de 2015. Mas não há porque o BC agir de forma açodada”, diz um técnico graduado do banco. Para ele, não se pode esquecer que o país está às vésperas de uma eleição. “Qualquer movimento do Copom no sentido de reduzir juros antes de os brasileiros irem às urnas pode soar como eleitoreiro. Isso não combina com o tecnicismo que pauta as decisões da política monetária”, acrescenta.

    A tendência, dizem fontes próximas à diretoria do BC, é de que o corte de juros, se vier, ocorra no encontro do Copom de 28 e 29 de outubro. Até lá já se saberá o nome do futuro presidente do Brasil e, espera-se, que ele indique os rumos da política econômica. “Para o Copom, é mais confortável agir depois das eleições, até porque já terá em mãos dados mais concretos sobre a inflação. Hoje, olhando apenas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), seria imperativo o aumento dos juros. O BC não fez isso, porque a atividade está muito fraca”, ressalta uma das fontes.

    SEM DESASTRE

    Nas conversas que vêm mantendo com analistas do mercado e integrantes do governo, diretores do BC têm deixado claro que não veem nenhum desastre na economia. A desaceleração da atividade era esperada, diante do forte aumento da Selic desde abril do ano passado, de 7,25% para 11% anuais. Esse movimento, por sinal, contribuiu para que a inflação mensal perdesse força. A expectativa é de que o IPCA de julho fique entre 0,10% e 0,15%.

    Os técnicos do BC reconhecem que o aperto monetário foi potencializado pela onda de pessimismo que tomou conta de empresários e consumidores. “Isso ajudou a minar, além do desejado, o PIB”, admite um deles. A perspectiva entre os auxiliares de Alexandre Tombini, contudo, é a de que, passadas as eleições, independentemente de quem seja o eleito para comandar o país a partir de 2015, a confiança voltará. “Não há como empresários e consumidores ficarem na retranca por tanto tempo. A vida segue. O Brasil não vai quebrar. Pelo contrário, as perspectivas são boas, a despeito dos ajustes que terão de ser feitos na economia, alguns, bem dolorosos”, complementa.

    A reforma política da CNBB, OAB e outros. Que outros?

    Percival Puggina

    Buscando informações sobre o projeto de reforma política que vem sendo objeto de coleta de assinaturas, descobri uma nova dimensão da hegemonia que se estabeleceu sobre a nação. Qual o partido ou tendência ideológica que lhe vem à mente quando eu menciono MST, CUT, Via Campesina, CONTAG, UNE, FENAJ? Pois bem, fazendo a tal busca, obriguei-me a ler as 23 páginas do projeto de lei que “dispõe sobre o financiamento das campanhas eleitorais e o sistema de eleições proporcionais”. Tratei, igualmente, de saber de onde ele veio. Esse projeto, foi divulgado em outubro do ano passado pelo movimento Eleições Limpas (www.eleicoeslimpas.com.br) e hoje é acionado por uma certa Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas (procure no Google por esse nome e clique em “Quem somos”).

    Vê-se, ali, que a coalizão é formada por 99 entidades – sim, você leu certo, 99! – contadas uma a uma. Entre as já mencionadas, ainda encontrei outros velhos conhecidos: UBES (estudantes secundaristas), CNTE (“trabalhadores” em educação), CONIC (aquele Conselho Nacional de Igrejas Cristãs que apoiou oficialmente o PNDH-3), o MMC (Movimento das Mulheres Camponesas, aquelas que invadiram os laboratórios da Aracruz em 2006), um certo Fórum Paulista de Participação Popular (cujo site é encimado por peça publicitária de um candidato do PT a deputado federal), a Via Campesina, a UBM (entidade de mulheres pró-aborto), RFS (Rede Feminista de Saúde, pró-aborto), a REBRIP (rede de ONGs e movimentos sociais com propostas “alternativas”), a Liga Brasileira de Lésbicas, o Movimento Evangélico Progressista, a Articulação Mulheres Brasileiras (pró-aborto e contra os direitos dos nascituros). E por aí vai. Sabe quando a oposição conseguirá reunir algo semelhante a esse formidável elenco de militantes ONGs, grupos, movimentos, uniões, conselhos, redes, ligas, associações, federações, centrais, etc.?

    BISPOS E ADVOGADOS…

    Encimando a lista, mas como fios da mesma meada, luzem os logotipos e as siglas da CNBB e da OAB. Isso mesmo. Mais uma vez, você leu certo. As duas entidades, juntam-se a estranhíssimas parcerias, revolucionárias umas, desrespeitadoras da lei outras, objetivamente criminosas outras mais, para propor à nação uma “reforma política” praticamente igual à que o PT sempre pretendeu.

    Quem duvida, informe-se. O 3º Congresso do PT, em 2007, definiu-se por uma reforma política que estabelecesse: 1) o financiamento público das campanhas; 2) o voto em listas fechadas; 3) a representação de gênero, raça e etnia. O projeto da Coalizão: 1) cria o financiamento público e proíbe o financiamento de empresas; 2) estabelece o voto em lista fechada; 3) gratifica com mais recursos públicos o partido que apresentar candidatos de segmentos sociais minoritários.

    E faz dois adendos ao projeto do PT: 1) admite o financiamento de pessoas físicas até o limite de R$ 700; 2) acrescenta à proposta petista um segundo turno nas eleições parlamentares para o ordenamento final das cadeiras por voto nominal. Nem uma palavra, nem um pio, sobre o que mais importa: delegar a chefia de Estado e a chefia de governo a pessoas distintas, impor o desaparelhamento partidário da administração pública e estabelecer o voto distrital misto.

    Com esses apoiadores e tanta identidade de pontos de vista, eu não preciso saber mais para compreender a quem serve esse projeto. E concluo: se ele serve a quem serve, não serve ao Brasil.

    Aviso aos navegantes: a migração do Blog terminou e agora só falta o retorno dos comentaristas

    Carlos Newton

    A empresa especializada em informática SV Consultoria e Sistemas já concluiu a migração do blog Tribuna da Internet para outro servidor, abrindo caminho para que tenhamos mais facilidades de acesso e de edição do blog.

    Ainda não temos retorno dos comentaristas, mas sentimos uma redução significativa do número de comentários, esta manhã. Para nós, aqui na parte de edição, está tudo bem e a velocidade das operações aumentou bastante.

    O especialista que nos atendeu chama-se Jeferson Franklin e o telefone da empresa SV é 21 2509-0332. O atendimento é nota 10. Se algum dos comentaristas precisar de apoio, nós recomendamos com entusiasmo a SV.

    Santander deixa cliente sem entender

     

    Jorge Béja

    Não dá mesmo para entender a justificativa da alta direção do banco Santander, a de que o comunicado que seus clientes selecionados receberam, e que contrariou o governo Dilma, foi opinião pessoal de um funcionário e, não, da instituição. Por isso, diz o banco, o empregado foi demitido. O povo, a clientela e até mesmo os clientes selecionados (“select”, aqueles que recebem mais de R$ 10 mil por mês), não merecem e nem podem ser enganados por essa justificativa do banco.

    Não sendo falsa, a carta de um banco é de um banco. Não, de um funcionário. A carta é expedida e entregue em papel do banco, com a marca e o timbre do banco. O remetente é o banco. O destinatário é o correntista do banco e, não, do funcionário que, se assina a correspondência, o faz em nome do banco e pelo banco. Integra a “Assessoria Financeira” do banco.

    A Ciência do Direito considera como prepostos os empregados, funcionários e serviçais de uma pessoa jurídica no exercício do trabalho que lhes competir: “SÃO RESPONSÁVEIS O EMPREGADOR OU COMITENTE PELOS ATOS DE SEUS EMPREGADOS, SERVIÇAIS E PREPOSTOS NO EXERCÍCIO DO TRABALHO QUE LHES COMPETIR, OU EM RAZÃO DELE” ( Código Civil Brasileiro, Artigo 932, III ). Este banco estrangeiro, que se estabeleceu também no Brasil, em momento algum afirmou que a carta, ou comunicado, era falsa. Que não tinha partido do Santander. Mas veio com uma justificativa estapafúrdia, que deixa os leigos em Direito sem entender nada.

    FECHANDO AGÊNCIAS

    Também sem entender estão os clientes-correntistas do Santander da agência Largo da Segunda-Feira (Rua Haddock Lobo) na Tijuca, zona norte do Rio. A agência fechou no último dia 25 deste mês de Julho e passou a atender numa outra agência que já existia na altura do número 200 da mesma Rua Haddock Lobo. Outra agência do Santander também vai fechar no dia 18 de Agosto próximo. Há muitos anos funcionando na Conde de Bonfim, perto do famoso “Alzirão” (agência Alzira Brandão, Tijuca), a agência passará a atender na outra agência da Rua Mariz e Barros (agência Mariz e Barros, Tijuca).

    Tudo isso de forma unilateral, impositiva, sem pedido de desculpa, sem consulta prévia aos usuários-consumidores, que sem voz, sem opção e sem vez, ou vão ter que andar muito pelas perigosas ruas da Tijuca para irem até às outras agências, ou encerram suas contas e contratos que mantinham com a instituição. Mas nem todos podem tomar esta última decisão. O funcionalismo do Município do Rio (aposentados, ou não) não vai poder. Isto porque desde César Maia, em 2006, o Santander passou a ser o único e exclusivo banco que a prefeitura do Rio deposita os proventos de seus servidores, o que os obrigou abrir conta no Santander, seja para receber o dinheiro, seja para transferi-lo para outro banco, após o depósito feito pela prefeitura.

    São fatos surpreendentes e que chegam a preocupar àqueles que têm conta no Santander. O banco envia comunicado-alerta a seus “seletos” clientes, nada nada abonador ao governo Dilma e, por causa da repercussão, traz a público, depois, desculpa esfarrapada, pondo a culpa no “funcionário”!!!. E ao mesmo tempo fecha duas importantes agências (toda agência bancária é importante, seja qual for, esteja onde estiver) no bairro da Tijuca, no Rio. Pelo menos duas, ao que se sabe.A lei protege (e como protege!) o Sistema Bancário. E é para proteger mesmo. Têm, também,os clientes-usuários-consumidores todo o direito de ser protegidos.

    Em outubro, vote no candidato menos nocivo à nação

    César Cavalcanti

    Já falei aqui, neste espaço livre da Tribuna da Internet, por várias oportunidades, da importância do voto, do voto mais consciente.

    As eleições estão cada vez mais próximas.É um momento ímpar para o eleitor brasileiro fazer uma reflexão sobre quem pretende colocar para governar o Brasil e seu Estado, para representá-lo na Câmara dos Deputados ou no Senado.
    Há poucos dias, estive na biblioteca pública da minha cidade e, mexendo daqui e dali , encontrei um exemplar da revista O Cruzeiro datado de 1947, que trazia em seu bojo um artigo da escritora cearense Rachel de Queiroz, que tratava justamente de eleições, e vale a pena transcrever alguns trechos.
    “Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta  ato de obediência  a um chefe, não se satisfaz  uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo  ou grupos de indivíduos que nos vão governar por um determinado prazo de tempo. Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos , passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se fossem nós próprios.”
    Relembrando o julgamento  do mensalão  quando o punho forte do grande ministro Joaquim Barbosa levou à condenação dos réus, alguém logo lembrou que esse homem, que julga contra os petistas, foi colocado no Supremo pelo Lula.
    O ministro Joaquim Barbosa honrou a toga, cumpriu sua missão sem nenhum compromisso de agradar a quem o escolheu. Aliás, a justiça só deve ter compromisso com a verdade.
    O perfil dos nossos políticos atuais não é confiável. Poucos caminham pelo lado da ética, da honradez, da honestidade e dignidade. Portanto, eleitor brasileiro, ao votar, escolha pelo menos o que lhe parece menos nocivo à nação.

    Mais de um terço dos servidores federais afirmam que corrupção é frequente nos órgãos públicos

    Deu em O Tempo

    Sem instrução adequada sobre a lei e o código de ética relacionados à função que exercem, servidores públicos federais indicam que a corrupção não é exclusiva de altos escalões do governo ou de empresas.

    Em pesquisa realizada pelo Centro de Referência do Interesse Público da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 28,6% declararam já ter detectado suspeita de corrupção nos órgãos onde trabalham. Já 34,8% deles afirmam que a cobrança de propina na administração pública federal é frequente ou muito frequente.

    A pesquisa, aplicada em 2010, mostra que a identificação desses atos só se transforma em denúncia em 34,8% dos casos. Entre os que não denunciam, 66,8% atribuíram a decisão à falta de provas, e 11,8% ao medo de represálias.

    Os resultados da pesquisa revelam que, ao mesmo tempo em que 53,4% acham adequado o controle exercido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) junto aos órgãos, a maioria acha frágil o controle interno da administração federal: 59,9%. Entre os entrevistados, o principal motivo para a permanência da corrupção em seu ambiente de trabalho é a impunidade, de acordo com 31,2%. Em segundo lugar, vem a cultura que privilegia a falta de ética dos servidores e o “jeitinho”, segundo afirmam 19,4% dos participantes.

    CONTRADIÇÃO

    De acordo com o coordenador da pesquisa, o sociólogo Fernando Filgueiras, os resultados apontam para uma contradição: ao mesmo tempo em que os órgãos de fiscalização, como o Tribunal de Contas da União (TCU), a Advocacia Geral da União (AGU), a Polícia Federal e o Ministério Público Federal vêm se aperfeiçoando, o resultado dessa melhora não se traduz no fim da sensação de impunidade, o que explica as ocorrências de corrupção relatadas pelos servidores.

    “Desde o processo de democratização do Brasil, há um avanço significativo da cultura política, o brasileiro tolera muito menos a corrupção. Mas ainda lidamos mal com o espaço público, existe uma cultura privatista e uma gestão pública despreparada para lidar com as políticas públicas, além de uma sensação de impunidade muito forte ligada às instituições. A sensação de que a corrupção não vai ser punida vira uma espécie de regra no serviço público”, explica.

    De acordo com Filgueiras, falta a essas instituições de fiscalização eficiência na atuação conjunta. Ele defende um “sistema de integridade pública”, que congregue todas essas entidades.

    “As instituições individualmente funcionam melhor, mas falta integração. A sensação de impunidade existe porque nenhuma delas vai conseguir atuar sozinha. Essas instituições precisam trabalhar conjuntamente, constituir um esforço coletivo para enfrentar a corrupção. Às vezes o Tribunal de Contas começa uma ação que depende de outras instituições, e aí ela para”, ressalta Filgueiras.

     

    A vida que se vê da janela do apartamento de Ferreira Gular

    O jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta maranhense José Ribamar Ferreira, mais conhecido como Ferreira Gullar, afirma que todos buscam, mas só alguns acham, porque “A Vida Bate”.

    A VIDA BATE

    Ferreira Gullar

    Não se trata do poema e sim do homem
    e sua vida
    - a mentida, a ferida, a consentida
    vida já ganha e já perdida e ganha
    outra vez.
    Não se trata do poema e sim da fome
    de vida,
    o sôfrego pulsar entre constelações
    e embrulhos, entre engulhos.
    Alguns viajam, vão
    a Nova York, a Santiago
    do Chile. Outros ficam
    mesmo na Rua da Alfândega, detrás
    de balcões e de guichês.
    Todos te buscam, facho
    de vida, escuro e claro,
    que é mais que a água na grama
    que o banho no mar, que o beijo
    na boca, mais
    que a paixão na cama.
    Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
    te acham e te perdem.
    Outros te acham e não te reconhecem
    e há os que se perdem por te achar,
    ó desatino
    ó verdade, ó fome
    de vida!
    O amor é difícil
    mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
    E estamos na cidade
    sob as nuvens e entre as águas azuis.
    A cidade. Vista do alto
    ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
    como se estivesse pronta.
    Vista do alto,
    com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
    é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
    Mas vista
    de perto,
    revela o seu túrbido presente, sua
    carnadura de pânico: as
    pessoas que vão e vêm
    que entram e saem, que passam
    sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro
    sangue urbano
    movido a juros.
    São pessoas que passam sem falar
    e estão cheias de vozes
    e ruínas . És Antônio?
    És Francisco? És Mariana?
    Onde escondeste o verde
    clarão dos dias? Onde
    escondeste a vida
    que em teu olhar se apaga mal se acende?
    E passamos
    carregados de flores sufocadas.
    Mas, dentro, no coração,
    eu sei,
    a vida bate. Subterraneamente,
    a vida bate.
    Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
    sob as penas da lei,
    em teu pulso,
    a vida bate.
    E é essa clandestina esperança
    misturada ao sal do mar
    que me sustenta
    esta tarde
    debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
    na América Latina.

         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

    O patrimonialismo político reduz a esperança dos jovens


    Pedro do Coutto
    O ministro Dias Toffoli, presidente do TSE, através da imprensa, revelou que o eleitorado brasileiro cresceu 5% e 2010 para cá, o que coincide com o índice demográfico registrado pelo IBGE para o período. É alto o nível de eleitores, uma vez que corresponde, creio eu, a 63% da população. A divisão entre mulheres (52%) e homens (48%) segue o que ocorre na composição dos habitantes por sexo. Mas algo chama atenção nas declarações do ministro Toffoli: o alistamento espontâneo dos jovens, nos últimos quatro anos, caiu 31%.
    O fenômeno, acentuado, não encontra explicação apenas na mudança do critério à base de considerar o limite de 18 anos, até outubro, entre o voto facultativo e a presença obrigatória nas urnas conforme a lei. O percentual da diferença é grande demais. Tem que haver outra explicação, ou outras explicações. A mais forte e precisa delas, a meu ver, encontra-se no artigo de ontem de Elio Gasperi, publicado no O Globo e na Folha de São Paulo simultaneamente.
    Nele o articulista, com o brilho de sempre, ilumina os caracteres imperialistas e sobretudo patrimonialistas de que se reveste a política brasileira. Especialmente o patrimonialismo. Ele cita especificamente os casos de Pasadena e do aeroporto de Cláudio, Minas Gerais. Poderia alinhar inúmeros outros, a começar pelo Rio de Janeiro com os convênios entre a Prefeitura e ONGS que receberam vultosas somas por determinados serviços, mas não os executaram na prática.
    Relativamente à Pasadena ainda houve uma decisão do Tribunal de Contas da União. Quanto à Prefeitura do Rio, somente agora é que diversos convênios vão ser analisados e, sobretudo, conferidos os serviços prestados. Acontecendo a inexistência de comprovação, tal realidade já por si é uma comprovação do que de fato ocorreu, ou deixou de ocorrer. Quanto ao aeroporto na cidade  de Claudio, pelo menos existe seu reconhecimento oficial, já que o orçamento de Minas Gerais para 2015 prevê uma indenização de 20,5 milhões de reais para cobrir a desapropriação da área. Mas estas são questões específicas.
    JOVENS DECEPCIONADOS
    Retornando o tema que abrange a falta de interesse de acentuada parte da juventude em participar do processo eleitoral, vemos, de modo geral e nítido, que o motivo principal situa-se na classificação iluminada por Gaspari.  A leitura dos jornais diários, o acompanhamento dos noticiários da televisão, são espaços e mais espaços que identificam e expõem a má aplicação de recursos públicos, conduzindo para o crescimento ilegítimo de patrimônios particulares. São desvios sem possibilidade de retorno do que foi desviado. Pois ninguém, de bom senso, pode acreditar no reembolso aos cofres da Petrobrás de 90 milhões de reais tragados na operação de Pasadena. O que passou, passou, vão sustentar os principais acusados.
    O risco é próprio das transações. Só que riscos e consequências assim contribuem para causar falta de ânimo dos jovens para as atividades políticas. E se, como dizia JK, política é, no fundo, esperança, quando esta falta o reflexo atinge a sociedade, através da juventude. E falar em juventude é falar em renovação.
      MAIS

       

      Banco Central acha que arrocho ao crédito deu certo, porque a inadimplência diminuiu

      Vicente Nunes
      Correio Braziliense

      O Banco Central não têm dúvidas de que o arrocho imposto ao mercado de crédito em 2010 afastou qualquer risco de bolha no sistema financeiro. Hoje, mesmo com quase 46% da renda das famílias comprometidos com dívidas, o índice de calote está em baixa, e os bancos aprenderam que não podem avançar o sinal. Era inconcebível, por exemplo, financiar carros em até 90 meses, com entrada de apenas R$ 1.

      “Arrumamos a casa. Agora, é hora de abrir as portas cautelosamente”, diz um integrante do governo.

      Mas na avaliação do economista-chefe da Corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, ao manter a Selic em 11% ao ano por tempo indeterminado e liberar R$ 45 bilhões para incrementar o crédito, o Banco Central manteve duas portas abertas, uma, restritiva, outra, expansionista.

      Em maio, quando o BC interrompeu o processo de alta da taxa Selic, Montero disse que a autoridade monetária havia deixado uma porta giratória aberta. Poderia ir para qualquer lado. Agora, definiu claramente as duas saídas. Resta saber se dará certo. Sobretudo, em relação à inflação, que continua num nível perigosamente alto.

      MOVIMENTO DO TURISMO

      Dobrou a quantidade de saques nos 35 mil caixas eletrônicos habilitados com cartões internacionais emitidos no exterior das redes VisaPlus e MasterCirrus durante a Copa do Mundo no Brasil. Segundo o Banco do Brasil, foram movimentados, em junho, R$ 156 milhões, mais que o dobro do mesmo mês de 2013 (R$ 76 milhões).

      Os norte-americanos responderam pela maior parte das operações — 21,5% do total —, seguidos pelos franceses, com 8%. No total, o BB comprou US$ 4,1 milhões e 1,5 milhão de euros, e vendeu US$ 97,4 milhões e 67,6 milhões de euros.

      RESERVAS SAUDÁVEIS

      As reservas financeiras das empresas associadas à Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) registraram incremento de 55% nos últimos três anos, atingindo, no primeiro trimestre de 2014, R$ 11,8 bilhões. O crescimento foi proporcional ao observado no mercado de saúde suplementar no período, de 54%.

      Essa poupança deve ser mantida, obrigatoriamente, pelas operadoras de planos e seguros de saúde para garantir a solvência, ou seja, a capacidade de pagamento de todos os compromissos assumidos com os beneficiários.

      Para cada Brasil, um discurso diferente

      Carlos Chagas

      Eduardo Campos, Aécio Neves e Dilma Rousseff mais pareciam a encarnação das famílias  Ford, Rockefeller, Tyssen e quantos outros potentados industriais que tentaram amoldar o planeta a seus interesses e concepções, mesmo os mais mesquinhos do começo do século passado. E os atuais. Também, não tinham alternativa os três presidenciáveis que enfrentaram, em separado, 700 dos mais importantes industriais brasileiros ou estabelecidos no Brasil.

      Foi ontem, na Confederação Nacional da Indústria, em Brasília. Intimidados ou espertos, os candidatos  apresentaram  promessas que as elites industriais queriam ouvir: redução de impostos, isenção de encargos, diminuição de juros, facilidades de crédito, extinção de deveres sociais, diminuição das prerrogativas do  poder público e estado mínimo.  Foram aplaudidos, é claro. Serviram os pratos que os comensais  esperavam. Caso diferentes suas mensagens,  sentiriam o  rumor surdo da discordância do auditório de que necessitam para reforçar suas candidaturas e financiar suas campanhas.

      A gente fica pensando como se comportarão Aécio, Eduardo e Dilma se atenderem convite da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, das Centrais Sindicais, do MST e congêneres. Certamente defenderão o aumento do salário mínimo, a preservação e até a ampliação dos direitos trabalhistas, mais investimentos sociais, diminuição da jornada de trabalho, participação dos empregados no lucro das empresas  e outras  reivindicações dos assalariados.

      Para cada Brasil, um discurso diferente.  Como disse dias atrás a presidente da República, dois pesos e dezenove medidas, tudo para agradar as diferentes plateias e conquistar seus votos. Depois, o eleito comemorará a vitória sem poder atender um mínimo de suas promessas, mas também, para quê? Conquistado o poder, haverá que gozar de suas vantagens…

      Podem parecer um tanto amargas essas conclusões, mas a  verdade é que o jogo político continua presidido pela máxima do “me engana que eu gosto”, válida para todos os contendores. Candidatos e categorias diversas, pensam apenas na concretização de seus interesses.  Um dia, tomara que bem para o futuro, a corda vai arrebentar.

      O GRANDE CONFRONTO

      Em São Paulo, o verdadeiro embate político não se dará, salvo inusitado, entre Geraldo Alckmin e Alexandre Padilha. Talvez nem entre o atual governador e Paulo Skaf. O divisor de águas será entre José Serra e Eduardo Suplicy, candidatos ao Senado. Isso na hipótese de o PT acordar e apostar seus cacifes no atual senador, visto com certa distância por seus próprios companheiros.  Lula e companhia tiveram que engoli-lo, na falta de outro. Agora, será apoiá-lo com todas as forças para que o PT não fique completamente desmoralizado em sua maior base política.  Espera-se que a presidente Dilma venha em seu socorro.

      Beber água após os 60 anos é um grande remédio

      Arnaldo Lichtenstein 

      Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta: “Quais as causas que mais fazem pessoas com mais de 60 anos terem confusão mental?”

      Alguns arriscam: “Tumor na cabeça”. Eu digo: “Não”. Outros apostam: “Mal de Alzheimer”. Respondo, novamente: “Não”.

      A cada negativa a turma espanta-se. E ficam ainda mais boquiabertos quando enumero os três responsáveis mais comuns: – diabetes descontrolado; – infecção urinária; – a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os familiares mais velhos ficaram em casa.

      Parece brincadeira, mas não é. Constantemente, sem sentir sede, os idosos deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo.

      Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (“batedeira”), angina (dor no peito), coma e até morte.

      ENVELHECIMENTO

      Insisto: não é brincadeira. A partir dos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Portanto, menor reserva hídrica. Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

      Conclusão: pessoas com mais de 60 anos desidratam-se facilmente não apenas porque
      possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Mesmo que a pessoa seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

      Por isso, aqui vão dois alertas. O primeiro é para os maiores de 60 anos: Tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina.

      O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!

      Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos parentes com mais de 60 anos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que eles estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, é quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.

      Arnaldo Lichtenstein é clínico-geral do Hospital das Clínicas
      e professor da Faculdade de
      Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
      Texto enviado por Celso Serra.

       

      Nossa democracia é pobre, mas nossas eleições são milionárias

      Murillo de Aragão

      Os orçamentos apresentados pelos principais candidatos a presidente da República para as eleições de 2014 são um acinte, um despropósito, uma vergonha, um absurdo e um descalabro. Cabem outros tantos adjetivos à situação pornográfica que estamos vivendo em termos de campanhas eleitorais no Brasil.

      A campanha de Dilma Rousseff (PT) à reeleição está orçada em R$ 298 milhões, valor do teto para as despesas. Nada menos do que 33% a mais do que na campanha de 2010. Aécio Neves (PSDB) é mais modesto, sua campanha prevê um gasto de até R$ 290 milhões. E Eduardo Campos (PSB) é o primo pobre dos três principais presidenciáveis: apenas R$ 150 milhões. Nos Estados, com a devida proporção, o descalabro prossegue.

      De acordo com matéria do G1, o gasto previsto para todos os 169 candidatos a governador soma R$ 2,43 bilhões! São Paulo, obviamente, promoverá a campanha mais cara. Nove candidatos a governador no Estado gastarão, juntos, mais de R$ 320 milhões em suas campanhas. No Amapá, o custo total das campanhas dos candidatos a governador vai chegar perto dos R$ 30 milhões.

      CULPA DO CONGRESSO

      Tal situação tem no Congresso o maior culpado. A Lei das Eleições estabelece que o Congresso deve aprovar, até 10 de junho, uma lei definindo o limite de gastos com as eleições. Como isso não ocorreu, cada partido estabeleceu o teto de despesas a seu bel-prazer e de acordo com a sua conveniência.

      Em Minas Gerais, as campanhas para deputado federal estão custando, em média, R$ 5 milhões. Basicamente, o dobro do que custa uma campanha para a Assembleia Legislativa. O custo tem assustado os candidatos, que preferem disputar uma vaga na Assembleia. Esse é um grande problema para os partidos, já que o montante de recursos do Fundo Partidário é dividido conforme o tamanho das bancadas federais.

      Com custos estratosféricos, as campanhas tendem a ser redutos de abonados que podem se autofinanciar, de celebridades muito conhecidas e com potencial de voto, de lideranças setoriais que fazem a campanha dentro de seus nichos e de articuladores que conseguem mobilizar altas somas. O candidato normal, salvo exceções, está fora do jogo.

      Duas questões emergem do problema. A primeira é a omissão do Congresso e do Poder Judiciário sobre o tema. Ambos silenciam sobre uma grave distorção de nosso sistema político: a ausência de limites razoáveis de gastos. Deixando aos partidos tal tarefa, promove-se uma liberalidade que trabalha contra os mais basilares princípios da democracia: a igualdade de oportunidades.

      PODER DO DINHEIRO

      A segunda questão resulta das consequências dessa omissão: a representação da sociedade brasileira no Congresso é distorcida pelo poder do dinheiro. Quem tem mais, pode mais. Não deveria ser assim. Ou, pelo menos, os poderes constituídos deveriam estar atentos ao problema e tratar de limitar os efeitos danosos do poder econômico nas campanhas eleitorais. As eleições não deveriam ser competição de quem arrecada mais e de quem tem mais para gastar.

      Com a situação que se apresenta, qualquer um com muito dinheiro tem imensa chance de se eleger. Em Minas Gerais, por exemplo, onde há desinteresse em ser candidato, basta ter os R$ 5 milhões para se tornar um candidato competitivo. Se tiver R$ 10 milhões, melhor ainda. Com R$ 15 milhões, pode-se fazer uma campanha com estrutura de candidato majoritário em uma simples campanha para deputado federal.

      Nos bastidores da política de hoje, a questão do financiamento das campanhas é crucial. Sem limite para os gastos, os partidos abriram a porteira para uma competição que nada tem de democrática. (transcrito de O Tempo)

       

      Tudo pronto para José Genoino sair da Papuda e cumprir pena em casa

      Fernanda Odilla
      Folha

      A Vara de Execuções do Distrito Federal reconheceu nesta quarta-feira (30) que o ex-deputado José Genoino tem direito a descontar 32 dias da própria pena. Com essa redução, ele poderia ir para casa por ter cumprido um sexto da pena. A decisão de autorizar a progressão do regime semiaberto para o aberto, a ser cumprido em casa, caberá ao Supremo Tribunal Federal.

      A juíza Leila Cury escreveu numa decisão com data desta quarta que, além dos dias trabalhados, os cursos de “introdução à informática e internet” e de “Direito Constitucional” feitos por Genoino na cadeia se enquadram às exigências para remissão da pena.

      Segundo a decisão da juíza, deliberações sobre a mudança de regime para os condenados no mensalão estão sendo analisadas pelo Supremo. Por isso, ela remeteu a decisão ao novo relator do caso, o ministro Luís Roberto Barroso.

      Na semana passada, a defesa de Genoino havia pedido a regressão do regime do semiaberto para o aberto. Apesar de faltar um mês para o cumprimento de um sexto da pena, exigência legal para a progressão de regime, os advogados de Genoino pleiteavam a remissão de 32 dias de trabalho e estudo dentro da penitenciária.

      PASSANDO MAL…

      Condenado a 4 anos e 8 meses por corrupção ativa no regime semiaberto, Genoino começou a cumprir pena no complexo da Papuda em novembro de 2013. Passou mal dias depois e obteve direito a prisão domiciliar provisória por problemas no coração. Ele voltou ao presídio em 1º de maio. Com base em laudos médicos, o então ministro Joaquim Barbosa entendeu que não havia necessidade de continuar a se tratar em casa. O plenário do Supremo referendou a decisão, dizendo que o ex-deputado não poderia ter “tratamento diferenciado” em relação a outros detentos.

      Na ocasião, o ministro Luís Roberto Barroso lembrou que Genoino teria direito a pedir progressão para o regime aberto a partir do dia 24 de agosto. Agora caberá a ele analisar a antecipação dessa data.

      “Fica a cargo do Supremo a decisão dele voltar ou não para casa para cumprir o restante da pena em regime aberto”, explicou o advogado Luiz Fernando Pacheco.

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      NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - O esquema para libertar os mensaleiros foi muito bem montado. Primeiro, aceitar os embargos infringentes. Depois, inocentar os mensaleiros da formação de quadrilha, como se cada um deles tivesse cometido o crime individualmente. Ou seja, não teria havido conluio entre José Dirceu, o chefe da quadrilha, José Genoino, o presidente do PT, que assinava os cheques, o Soares, Tesoureiro do PT, que levava os cheques para Genoino assinar, e João Paulo Cunha, deputado que recebia o mensalão a pretexto de “pagar a TV por assinatura”. E ainda chamam isso de Justiça. (C.N.)

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