O patrimonialismo político reduz a esperança dos jovens


Pedro do Coutto
O ministro Dias Toffoli, presidente do TSE, através da imprensa, revelou que o eleitorado brasileiro cresceu 5% e 2010 para cá, o que coincide com o índice demográfico registrado pelo IBGE para o período. É alto o nível de eleitores, uma vez que corresponde, creio eu, a 63% da população. A divisão entre mulheres (52%) e homens (48%) segue o que ocorre na composição dos habitantes por sexo. Mas algo chama atenção nas declarações do ministro Toffoli: o alistamento espontâneo dos jovens, nos últimos quatro anos, caiu 31%.
O fenômeno, acentuado, não encontra explicação apenas na mudança do critério à base de considerar o limite de 18 anos, até outubro, entre o voto facultativo e a presença obrigatória nas urnas conforme a lei. O percentual da diferença é grande demais. Tem que haver outra explicação, ou outras explicações. A mais forte e precisa delas, a meu ver, encontra-se no artigo de ontem de Elio Gasperi, publicado no O Globo e na Folha de São Paulo simultaneamente.
Nele o articulista, com o brilho de sempre, ilumina os caracteres imperialistas e sobretudo patrimonialistas de que se reveste a política brasileira. Especialmente o patrimonialismo. Ele cita especificamente os casos de Pasadena e do aeroporto de Cláudio, Minas Gerais. Poderia alinhar inúmeros outros, a começar pelo Rio de Janeiro com os convênios entre a Prefeitura e ONGS que receberam vultosas somas por determinados serviços, mas não os executaram na prática.
Relativamente à Pasadena ainda houve uma decisão do Tribunal de Contas da União. Quanto à Prefeitura do Rio, somente agora é que diversos convênios vão ser analisados e, sobretudo, conferidos os serviços prestados. Acontecendo a inexistência de comprovação, tal realidade já por si é uma comprovação do que de fato ocorreu, ou deixou de ocorrer. Quanto ao aeroporto na cidade  de Claudio, pelo menos existe seu reconhecimento oficial, já que o orçamento de Minas Gerais para 2015 prevê uma indenização de 20,5 milhões de reais para cobrir a desapropriação da área. Mas estas são questões específicas.
JOVENS DECEPCIONADOS
Retornando o tema que abrange a falta de interesse de acentuada parte da juventude em participar do processo eleitoral, vemos, de modo geral e nítido, que o motivo principal situa-se na classificação iluminada por Gaspari.  A leitura dos jornais diários, o acompanhamento dos noticiários da televisão, são espaços e mais espaços que identificam e expõem a má aplicação de recursos públicos, conduzindo para o crescimento ilegítimo de patrimônios particulares. São desvios sem possibilidade de retorno do que foi desviado. Pois ninguém, de bom senso, pode acreditar no reembolso aos cofres da Petrobrás de 90 milhões de reais tragados na operação de Pasadena. O que passou, passou, vão sustentar os principais acusados.
O risco é próprio das transações. Só que riscos e consequências assim contribuem para causar falta de ânimo dos jovens para as atividades políticas. E se, como dizia JK, política é, no fundo, esperança, quando esta falta o reflexo atinge a sociedade, através da juventude. E falar em juventude é falar em renovação.
    MAIS

     

    Banco Central acha que arrocho ao crédito deu certo, porque a inadimplência diminuiu

    Vicente Nunes
    Correio Braziliense

    O Banco Central não têm dúvidas de que o arrocho imposto ao mercado de crédito em 2010 afastou qualquer risco de bolha no sistema financeiro. Hoje, mesmo com quase 46% da renda das famílias comprometidos com dívidas, o índice de calote está em baixa, e os bancos aprenderam que não podem avançar o sinal. Era inconcebível, por exemplo, financiar carros em até 90 meses, com entrada de apenas R$ 1.

    “Arrumamos a casa. Agora, é hora de abrir as portas cautelosamente”, diz um integrante do governo.

    Mas na avaliação do economista-chefe da Corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, ao manter a Selic em 11% ao ano por tempo indeterminado e liberar R$ 45 bilhões para incrementar o crédito, o Banco Central manteve duas portas abertas, uma, restritiva, outra, expansionista.

    Em maio, quando o BC interrompeu o processo de alta da taxa Selic, Montero disse que a autoridade monetária havia deixado uma porta giratória aberta. Poderia ir para qualquer lado. Agora, definiu claramente as duas saídas. Resta saber se dará certo. Sobretudo, em relação à inflação, que continua num nível perigosamente alto.

    MOVIMENTO DO TURISMO

    Dobrou a quantidade de saques nos 35 mil caixas eletrônicos habilitados com cartões internacionais emitidos no exterior das redes VisaPlus e MasterCirrus durante a Copa do Mundo no Brasil. Segundo o Banco do Brasil, foram movimentados, em junho, R$ 156 milhões, mais que o dobro do mesmo mês de 2013 (R$ 76 milhões).

    Os norte-americanos responderam pela maior parte das operações — 21,5% do total —, seguidos pelos franceses, com 8%. No total, o BB comprou US$ 4,1 milhões e 1,5 milhão de euros, e vendeu US$ 97,4 milhões e 67,6 milhões de euros.

    RESERVAS SAUDÁVEIS

    As reservas financeiras das empresas associadas à Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) registraram incremento de 55% nos últimos três anos, atingindo, no primeiro trimestre de 2014, R$ 11,8 bilhões. O crescimento foi proporcional ao observado no mercado de saúde suplementar no período, de 54%.

    Essa poupança deve ser mantida, obrigatoriamente, pelas operadoras de planos e seguros de saúde para garantir a solvência, ou seja, a capacidade de pagamento de todos os compromissos assumidos com os beneficiários.

    Para cada Brasil, um discurso diferente

    Carlos Chagas

    Eduardo Campos, Aécio Neves e Dilma Rousseff mais pareciam a encarnação das famílias  Ford, Rockefeller, Tyssen e quantos outros potentados industriais que tentaram amoldar o planeta a seus interesses e concepções, mesmo os mais mesquinhos do começo do século passado. E os atuais. Também, não tinham alternativa os três presidenciáveis que enfrentaram, em separado, 700 dos mais importantes industriais brasileiros ou estabelecidos no Brasil.

    Foi ontem, na Confederação Nacional da Indústria, em Brasília. Intimidados ou espertos, os candidatos  apresentaram  promessas que as elites industriais queriam ouvir: redução de impostos, isenção de encargos, diminuição de juros, facilidades de crédito, extinção de deveres sociais, diminuição das prerrogativas do  poder público e estado mínimo.  Foram aplaudidos, é claro. Serviram os pratos que os comensais  esperavam. Caso diferentes suas mensagens,  sentiriam o  rumor surdo da discordância do auditório de que necessitam para reforçar suas candidaturas e financiar suas campanhas.

    A gente fica pensando como se comportarão Aécio, Eduardo e Dilma se atenderem convite da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria, das Centrais Sindicais, do MST e congêneres. Certamente defenderão o aumento do salário mínimo, a preservação e até a ampliação dos direitos trabalhistas, mais investimentos sociais, diminuição da jornada de trabalho, participação dos empregados no lucro das empresas  e outras  reivindicações dos assalariados.

    Para cada Brasil, um discurso diferente.  Como disse dias atrás a presidente da República, dois pesos e dezenove medidas, tudo para agradar as diferentes plateias e conquistar seus votos. Depois, o eleito comemorará a vitória sem poder atender um mínimo de suas promessas, mas também, para quê? Conquistado o poder, haverá que gozar de suas vantagens…

    Podem parecer um tanto amargas essas conclusões, mas a  verdade é que o jogo político continua presidido pela máxima do “me engana que eu gosto”, válida para todos os contendores. Candidatos e categorias diversas, pensam apenas na concretização de seus interesses.  Um dia, tomara que bem para o futuro, a corda vai arrebentar.

    O GRANDE CONFRONTO

    Em São Paulo, o verdadeiro embate político não se dará, salvo inusitado, entre Geraldo Alckmin e Alexandre Padilha. Talvez nem entre o atual governador e Paulo Skaf. O divisor de águas será entre José Serra e Eduardo Suplicy, candidatos ao Senado. Isso na hipótese de o PT acordar e apostar seus cacifes no atual senador, visto com certa distância por seus próprios companheiros.  Lula e companhia tiveram que engoli-lo, na falta de outro. Agora, será apoiá-lo com todas as forças para que o PT não fique completamente desmoralizado em sua maior base política.  Espera-se que a presidente Dilma venha em seu socorro.

    Beber água após os 60 anos é um grande remédio

    Arnaldo Lichtenstein 

    Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta: “Quais as causas que mais fazem pessoas com mais de 60 anos terem confusão mental?”

    Alguns arriscam: “Tumor na cabeça”. Eu digo: “Não”. Outros apostam: “Mal de Alzheimer”. Respondo, novamente: “Não”.

    A cada negativa a turma espanta-se. E ficam ainda mais boquiabertos quando enumero os três responsáveis mais comuns: – diabetes descontrolado; – infecção urinária; – a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os familiares mais velhos ficaram em casa.

    Parece brincadeira, mas não é. Constantemente, sem sentir sede, os idosos deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo.

    Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (“batedeira”), angina (dor no peito), coma e até morte.

    ENVELHECIMENTO

    Insisto: não é brincadeira. A partir dos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Portanto, menor reserva hídrica. Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

    Conclusão: pessoas com mais de 60 anos desidratam-se facilmente não apenas porque
    possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Mesmo que a pessoa seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

    Por isso, aqui vão dois alertas. O primeiro é para os maiores de 60 anos: Tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina.

    O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!

    Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos parentes com mais de 60 anos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que eles estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, é quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.

    Arnaldo Lichtenstein é clínico-geral do Hospital das Clínicas
    e professor da Faculdade de
    Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
    Texto enviado por Celso Serra.

     

    Nossa democracia é pobre, mas nossas eleições são milionárias

    Murillo de Aragão

    Os orçamentos apresentados pelos principais candidatos a presidente da República para as eleições de 2014 são um acinte, um despropósito, uma vergonha, um absurdo e um descalabro. Cabem outros tantos adjetivos à situação pornográfica que estamos vivendo em termos de campanhas eleitorais no Brasil.

    A campanha de Dilma Rousseff (PT) à reeleição está orçada em R$ 298 milhões, valor do teto para as despesas. Nada menos do que 33% a mais do que na campanha de 2010. Aécio Neves (PSDB) é mais modesto, sua campanha prevê um gasto de até R$ 290 milhões. E Eduardo Campos (PSB) é o primo pobre dos três principais presidenciáveis: apenas R$ 150 milhões. Nos Estados, com a devida proporção, o descalabro prossegue.

    De acordo com matéria do G1, o gasto previsto para todos os 169 candidatos a governador soma R$ 2,43 bilhões! São Paulo, obviamente, promoverá a campanha mais cara. Nove candidatos a governador no Estado gastarão, juntos, mais de R$ 320 milhões em suas campanhas. No Amapá, o custo total das campanhas dos candidatos a governador vai chegar perto dos R$ 30 milhões.

    CULPA DO CONGRESSO

    Tal situação tem no Congresso o maior culpado. A Lei das Eleições estabelece que o Congresso deve aprovar, até 10 de junho, uma lei definindo o limite de gastos com as eleições. Como isso não ocorreu, cada partido estabeleceu o teto de despesas a seu bel-prazer e de acordo com a sua conveniência.

    Em Minas Gerais, as campanhas para deputado federal estão custando, em média, R$ 5 milhões. Basicamente, o dobro do que custa uma campanha para a Assembleia Legislativa. O custo tem assustado os candidatos, que preferem disputar uma vaga na Assembleia. Esse é um grande problema para os partidos, já que o montante de recursos do Fundo Partidário é dividido conforme o tamanho das bancadas federais.

    Com custos estratosféricos, as campanhas tendem a ser redutos de abonados que podem se autofinanciar, de celebridades muito conhecidas e com potencial de voto, de lideranças setoriais que fazem a campanha dentro de seus nichos e de articuladores que conseguem mobilizar altas somas. O candidato normal, salvo exceções, está fora do jogo.

    Duas questões emergem do problema. A primeira é a omissão do Congresso e do Poder Judiciário sobre o tema. Ambos silenciam sobre uma grave distorção de nosso sistema político: a ausência de limites razoáveis de gastos. Deixando aos partidos tal tarefa, promove-se uma liberalidade que trabalha contra os mais basilares princípios da democracia: a igualdade de oportunidades.

    PODER DO DINHEIRO

    A segunda questão resulta das consequências dessa omissão: a representação da sociedade brasileira no Congresso é distorcida pelo poder do dinheiro. Quem tem mais, pode mais. Não deveria ser assim. Ou, pelo menos, os poderes constituídos deveriam estar atentos ao problema e tratar de limitar os efeitos danosos do poder econômico nas campanhas eleitorais. As eleições não deveriam ser competição de quem arrecada mais e de quem tem mais para gastar.

    Com a situação que se apresenta, qualquer um com muito dinheiro tem imensa chance de se eleger. Em Minas Gerais, por exemplo, onde há desinteresse em ser candidato, basta ter os R$ 5 milhões para se tornar um candidato competitivo. Se tiver R$ 10 milhões, melhor ainda. Com R$ 15 milhões, pode-se fazer uma campanha com estrutura de candidato majoritário em uma simples campanha para deputado federal.

    Nos bastidores da política de hoje, a questão do financiamento das campanhas é crucial. Sem limite para os gastos, os partidos abriram a porteira para uma competição que nada tem de democrática. (transcrito de O Tempo)

     

    Tudo pronto para José Genoino sair da Papuda e cumprir pena em casa

    Fernanda Odilla
    Folha

    A Vara de Execuções do Distrito Federal reconheceu nesta quarta-feira (30) que o ex-deputado José Genoino tem direito a descontar 32 dias da própria pena. Com essa redução, ele poderia ir para casa por ter cumprido um sexto da pena. A decisão de autorizar a progressão do regime semiaberto para o aberto, a ser cumprido em casa, caberá ao Supremo Tribunal Federal.

    A juíza Leila Cury escreveu numa decisão com data desta quarta que, além dos dias trabalhados, os cursos de “introdução à informática e internet” e de “Direito Constitucional” feitos por Genoino na cadeia se enquadram às exigências para remissão da pena.

    Segundo a decisão da juíza, deliberações sobre a mudança de regime para os condenados no mensalão estão sendo analisadas pelo Supremo. Por isso, ela remeteu a decisão ao novo relator do caso, o ministro Luís Roberto Barroso.

    Na semana passada, a defesa de Genoino havia pedido a regressão do regime do semiaberto para o aberto. Apesar de faltar um mês para o cumprimento de um sexto da pena, exigência legal para a progressão de regime, os advogados de Genoino pleiteavam a remissão de 32 dias de trabalho e estudo dentro da penitenciária.

    PASSANDO MAL…

    Condenado a 4 anos e 8 meses por corrupção ativa no regime semiaberto, Genoino começou a cumprir pena no complexo da Papuda em novembro de 2013. Passou mal dias depois e obteve direito a prisão domiciliar provisória por problemas no coração. Ele voltou ao presídio em 1º de maio. Com base em laudos médicos, o então ministro Joaquim Barbosa entendeu que não havia necessidade de continuar a se tratar em casa. O plenário do Supremo referendou a decisão, dizendo que o ex-deputado não poderia ter “tratamento diferenciado” em relação a outros detentos.

    Na ocasião, o ministro Luís Roberto Barroso lembrou que Genoino teria direito a pedir progressão para o regime aberto a partir do dia 24 de agosto. Agora caberá a ele analisar a antecipação dessa data.

    “Fica a cargo do Supremo a decisão dele voltar ou não para casa para cumprir o restante da pena em regime aberto”, explicou o advogado Luiz Fernando Pacheco.

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    NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - O esquema para libertar os mensaleiros foi muito bem montado. Primeiro, aceitar os embargos infringentes. Depois, inocentar os mensaleiros da formação de quadrilha, como se cada um deles tivesse cometido o crime individualmente. Ou seja, não teria havido conluio entre José Dirceu, o chefe da quadrilha, José Genoino, o presidente do PT, que assinava os cheques, o Soares, Tesoureiro do PT, que levava os cheques para Genoino assinar, e João Paulo Cunha, deputado que recebia o mensalão a pretexto de “pagar a TV por assinatura”. E ainda chamam isso de Justiça. (C.N.)

    Ambiente econômico é adverso à reeleição, diz cientista político


    Idiana Tomazelli

    Agência Estado

    A situação da economia doméstica deve tornar a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) mais difícil, avalia o cientista político Sérgio Abranches, do Instituto Ecopolítica. Para ele, as condições estruturais domésticas, como a inflação que tem afetado cada vez mais a renda, interferem mais no humor da sociedade.

    “Não vai ser uma eleição igual às outras, porque o Brasil não é igual ao das outras eleições. O Brasil nunca foi um País tão capaz de mostrar mau humor quanto desta vez”, disse, em seminário sobre as eleições realizado na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

    A baixa popularidade da presidente também aumenta a incerteza sobre sua reeleição, acrescentou Abranches. “Claramente do ponto de vista do que nós sabemos, o ambiente é adverso à reeleição da presidente em exercício”, disse.

    PROGRAMAS SOCIAIS

    Em um painel anterior, o cientista político Cesar Zucco, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e Empresas da FGV (Ebape/FGV), comentou que a avaliação positiva dos programas sociais criados ou ampliados durante a gestão do PT na Presidência seria capaz de fazer frente à baixa popularidade da atual presidente e aos questionamentos sobre a política econômica do governo durante a eleição. “Uma possibilidade é que ela faz melhor o resto do que a política econômica”, afirmou.

    Mas a questão eleitoral não se resume à economia. Os candidatos, de acordo com os participantes do seminário, têm se obrigado a encontrar maneiras de se adaptar a mudanças no próprio modo de fazer campanha. “Desde 2002 não se faz mais campanha na rua, com cartazes e folhetos. Não foi assim em 2006, nem em 2010″, disse o cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Além disso, o horário eleitoral na televisão já não tem mais a mesma centralidade que tinha em anos anteriores. “A maioria dos eleitores desliga a televisão ou muda de canal”, ressaltou Abranches.

    A candidata suja e os candidatos mal-lavados

    Heron Guimarães
    O clima começa a esquentar na campanha eleitoral para presidente, e o esperado jogo de acusações já pauta a agenda dos candidatos e seus próximos passos. Com os resultados das últimas pesquisas, que anunciam pequena queda na diferença entre Aécio e Dilma em diversos cenários e um empate técnico em um eventual segundo turno, é até natural que o lado perverso e oficioso de cada candidatura mostre sua face.

    Tudo isso é motivo para uma blitz de denuncismos, mas também para delações verdadeiras, que devem ser levadas a sério e investigadas com afinco pelas autoridades competentes. Mais do que isso, as revelações são, também, ferramentas que contribuem para o correto julgamento do eleitor, que, após suas análises, terá condições de separar com mais nitidez o joio do trigo.

    O que fica clara, definitivamente, é a possibilidade de um candidato apontar o dedo para o outro. Esvaiu-se qualquer condição moral para isso. Entre os três principais presidenciáveis, a suja, no caso, a presidente Dilma Rousseff, não pode mais ser alvo exclusivo dos mal-lavados Aécio e Eduardo Campos.

    PASADENA

    A presidente Dilma, até domingo passado, respondia pela ruidosa venda de Pasadena, o que, de certa forma, contribuiu para sua despencada. Os estratosféricos R$ 1,25 bilhão gastos na aquisição da petrolífera americana, mais do que exporem uma administração absurdamente temerária, mostram a irresponsabilidade e o desrespeito com o dinheiro público.

    Porém, fazendo as devidas ressalvas sobre a abismal diferença entre os valores monetários em questão, Dilma deixou o isolamento na vala dos suspeitos. Passa a ser acompanhada agora por Aécio, que terá que responder pela construção de um aeroporto em um terreno cuja propriedade era de um parente.

    PROPINAS EM PERNAMBUCO

    Como pau que dá em Chico também acerta Francisco, Eduardo Campos também perde sua auréola, pois está sendo obrigado a se justificar por causa de uma reunião por meio da qual seus assessores oferecem propinas para ter o PROS na campanha de Paulo Câmara, o seu escolhido para a sucessão do governo pernambucano.

    Como já aconteceu com Dilma, que foi poupada pelo TCU na hora de apontar culpados na negociata envolvendo a Petrobras, Aécio e Eduardo também serão inocentados por autoridades e tribunais deste país.

    Ficará novamente a mensagem para o eleitorado de que a cobertura de todos é feita de vidro, e sem blindex. Talvez será preciso chegar ao ponto de termos que fazer uma escala individualizada e uma espécie de ranking de escândalos e irregularidades para ver qual o poleiro será o menos sujo até o dia 5 de outubro. (transcrito de O Tempo)

    Qual ética?

    Jacques Gruman

    Conheço sonegadores confessos. Alegam que não sustentariam seus negócios se tivessem que pagar os impostos. Montam, assim, uma ética paralela, uma espécie de milícia financeira, muito bem aceita por setores ponderáveis da população. Ao invés de lutar para consertar o que acham errado, preferem investir na economia paralela, clandestina pero no mucho. Berram dia e noite contra os desvios de conduta dos políticos e tecnocratas, mas sobrevivem graças a eles. O udenismo não morreu.

    É nos pequenos gestos do cotidiano que se observam as distorções trazidas pela cultura do jeitinho. No fundo, é a glorificação do bumba meu boi, cada macaco no seu galho e salve-se quem puder. Só os otários, dizem, obedecem as regras que deveriam valer para todos. Num pequeno trajeto, vivo montanhas disso todo dia. Entre minha casa e a praia, há menos de um quilômetro. De cara, carros estacionados em fila dupla, numa via estreita. Poucos metros adiante, um bar que ocupa quase dois terços da calçada, prejudicando a passagem.

    Fiscalização pra quê ? Em seguida, quase em frente a uma delegacia, parasitas que se dizem flanelinhas achacam quem precisa estacionar. Na ciclovia, exclusiva para ciclistas e corredores, pedestres caminham sem a menor cerimônia, prontos a ofender e ameaçar quem os alerta para a infração que cometem. Nos finais de semana, são os ciclistas que invadem o espaço dos pedestres, tirando finos de gente que só quer caminhar em paz. Tudo muito natural, como se esculacho fosse uma saudável rebeldia. A absoluta impunidade sobe a escada e acaba por “justificar” os de cima. Afinal de contas, que diferença conceitual há entre, por exemplo, a falsificação de uma carteira de estudante e o estelionato que enriquece ladrões perfumados ?

    COPA DAS COPAS…

    Na esteira da Copa das Copas (sic), muita gente acordou para o lamaçal da Fifa e da CBF. Negociatas de todos os tipos, destruição ética e técnica do futebol brasileiro, repressão de manifestações populares em nome da tranquilidade para sugar lucros excepcionais. A bandalha invadiu os gramados. Sempre achamos que os jogadores brasileiros eram artistas da bola, maestros e músicos de uma sinfonia de raiz popular. Os limites éticos pareciam implícitos, da pelada ao Maracanã . Agora, criamos uma nova escola de artistas: os simuladores, que tanta surpresa e raiva provocam em jogadores de outras praças, desacostumados com essa prática desleal.

    Desde as categorias de base até os times que disputam o Campeonato Nacional, passando pela seleção brasileira, há um desfile de comportamentos desonestos, antiéticos. O futebol brasileiro não deixa de ser um espelho da sociedade, sempre em busca do caminho mais fácil – nem sempre honesto – para se ganhar. O imperativo mercantil, acoplado à chamada Lei de Gérson (injusta “homenagem” para o Canhotinha), agravam o quadro. Nem sempre foi assim.

    DUAS HISTÓRIAS

    Conto duas histórias. Podem me chamar de sonhador, mas elas exprimem o que sinto quando penso no futebol como paixão. A primeira, registrada pelo Juca Kfouri, tem mais de cinquenta anos. Copa do Mundo no Chile, 1962. Depois de uma vitória discreta na estreia contra o México, o Brasil enfrentaria a Tcheco-Eslováquia. A parada não ia ser fácil. Os tchecos tinham um time sólido, com alguns jogadores de bom nível. Lá estavam Pelé e Garrincha, artilharia pesada contra o excelente goleiro Schroiff. De repente, calafrios. Pelé chuta da entrada da área, Schroiff se estica e toca na bola, que roça na trave e sai pela linha de fundo. O crioulo se abaixa, afaga a coxa esquerda e não esconde uma fisionomia de dor. Distensão na virilha, coisa séria. Naquele tempo, não havia substituição. Se um jogador se machucava, permanecia em campo fazendo número, como se dizia. Foi o que Pelé fez, congelado no exílio forçado da ponta-esquerda. Para surpresa geral, os tchecos não se aproveitaram do desastre muscular do Rei. Masopust, capitão do time, ordenou aos companheiros: “Ninguém o combate se a bola chegar nele”.

    Foi o que aconteceu com o zagueiro Lala, que, vendo a bola chegar em Pelé, apenas o cercou, com as mãos na cintura, sem procurar desarmar o crioulo. Pelé percebe, faz um agradecimento silencioso, joga a bola para fora e sai de campo, escoltado por Masopust. Ao perceber o que acabara de acontecer, o estádio Sausalito virou um aplauso só. Todos tinham sido testemunhas de um maravilhoso gesto de espírito esportivo, de generosidade, de respeito, de reconhecimento das regras de convivência. Em suma, como diz o Juca: de ética esportiva. Alguém consegue imaginar cena semelhante hoje em dia ? Alguém consegue visualizar o Mané Cabelinho ou o Fred se comportando de maneira semelhante ?

    NA COLÔMBIA

    A segunda vem da Colômbia e foi narrada pelo inimitável Eduardo Galeano. Data indefinida. Era dia de final do campeonato colombiano. Milionários e Santa Fé mobilizaram Bogotá e o estádio estava abarrotado. Segundo Galeano, apenas os cegos e os paralíticos estavam ausentes. O jogo corre tenso e, já nos últimos minutos, o centro-avante e artilheiro do Santa Fé, o argentino Lorenzo Devani, penetra na área adversária e cai. O juiz corre para a marca do cal e assinala o penalty.

    Devani, surpreso, se dirige a Sua Senhoria e diz que tinha caído sozinho, o penalty não existira. O juiz pede que ele olhe para a multidão nas arquibancadas e alega que não tinha a menor condição de voltar atrás. Podia ser trucidado. Devani, então, toma a decisão que, disse Galeano, seria sua ruína e sua glória. Corre para a bola e a chuta para o mais longe possível das traves. Perdeu o gol, mas transformou um jogo de futebol na mais perfeita tradução da ética. É pouco?

    (artigo enviado por Mário Assis)

    Legado da Copa: comércio do Rio fecha junho com menor crescimento em oito anos

    Deu na Ag. Brasil

    As vendas do comércio lojista do Rio de Janeiro aumentaram 2,4% em junho em relação ao mesmo mês do ano passado, fechando com a menor expansão no varejo carioca dos últimos oito anos. Os dados são da pesquisa Termômetro de Vendas divulgada mensalmente pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro – CDL-Rio.

    Com o resultado de junho, quando foram ouvidos 500 estabelecimentos comerciais da cidade, as vendas do comércio fecharam o primeiro semestre do ano com uma expansão acumulada de 5,6%, na comparação com o período de janeiro a junho do ano passado.

    Na avaliação do presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves, o resultado abaixo da expectativa foi decorrente dos eventos da Copa do Mundo 2014, da Federação Internacional de Futebol (Fifa), efetuada nos meses de junho e julho no país. “O mês de junho, que sempre foi aquecido pelas vendas do Dia dos Namorados, uma das datas fortes do comércio, este ano teve queda no crescimento, coincidindo com o jogo entre Brasil e Croácia, que abriu o Mundial. Além disso, o inverno fraco não ajudou nas vendas do comércio, também colaborando para 2,4% de crescimento, o menor dos últimos oito anos”, justificou.

    Segundo a pesquisa, o Ramo Duro (bens duráveis), com crescimento de 2,8%, teve um desempenho melhor do que o Ramo Mole (bens não duráveis) cuja expansão de 0,7%. No primeiro caso, os melhores desempenhos ficaram com os setores de confecção (+ 2,2%), calçados (+1,1%) e tecidos (+0.8%); e no segundo com os setores de eletrodomésticos (+2,9%), móveis (+2,6%), jóias (+ 1,4%) e óticas (+ 0,9%). As compras a prazo foi a modalidade preferida por 3,7% dos consumidores, enquanto a compra a vista registrou mais 1,5%.

    A CDL-Rio registrou aumento de 1,3% no nível de inadimplência do comércio lojista da cidade no primeiro semestre do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Nesses últimos seis meses as dívidas quitadas e as consultas aumentaram, respectivamente, 4,7% e 0,9%, em relação ao mesmo período de 2013. Em relação a maio, no entanto, junho acusou quedas no nível de inadimplência e nas consultas de, respectivamente, 2,3% e 4,1%, enquanto as dívidas quitadas aumentaram 10,2%.

    PSDB de Minas responde a Fernando Pimentel, lembrando processo movido contra ele por ato de corrupção

    O PSDB mineiro reagiu à provocação que o candidato ao governo de Minas pelo PT, ex-ministro Fernando Pimentel, fez ao senador Aécio Neves, candidato ao Planalto, quando se referiu ao “aeroporto da fazenda do titio”. O partido rebateu citando um processo a que o ex-ministro responde.
    O presidente do PSDB-MG, deputado federal Marcus Pestana, considerou “lamentável” o tom usado por Pimentel, que, segundo o tucano, adotou um “discurso radical, vazio e apelativo”.
    Ao afirmar que o Ministério Público arquivou investigação por não ter encontrado nenhuma irregularidade na obra do aeroporto de Cláudio (MG), no terreno desapropriado do tio-avô, Pestana comparou esse caso ao programa “Olho Vivo”, de monitoramento por câmeras.
    “O caso do aeroporto de Cláudio é diferente do ‘Olho Vivo’, em que o ex-prefeito foi indiciado, processado e responde na Justiça. Essa é a verdadeira diferença”, afirmou Pestana. Ele se referia ao processo em que Pimentel é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ser “autor de delitos” e ter “concorrido ativamente” para o desvio de R$ 5 milhões da Prefeitura de Belo Horizonte em 2004, quando era prefeito. Pimentel nega ter havido irregularidades.
    SEM LICITAÇÃO
    O processo contra Pimentel tramitava no STF (Supremo Tribunal Federal), mas estava para voltar para Minas depois que o petista deixou no começo do ano o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
    A denúncia diz que a prefeitura contratou a Câmara dos Dirigentes Lojistas de BH para implantar o projeto “Olho Vivo”, que previa a instalação de 72 câmeras para coibir crimes no centro da cidade. Essa contratação, segundo a Procuradoria, foi uma forma de não realizar licitação. A acusação contra Pimentel é de “apropriação de bens ou rendas públicas”.
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    NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - Agora, só falta o PSDB ressuscitar as denúncias contra a firma de consultoria (leia-se: tráfico de influência) que Fernando Pimentel abriu em Belo Horizonte quando saiu da Prefeitura. Pimentel tomou mais R$ 1 milhão da Federação das Indústrias para fazer palestras no interior, recebeu a grana e não fez uma só palestra. Na época do escândalo, Dilma disse que não o tiraria do Ministério porque o “malfeito” tinha sido feito quando Pimentel ainda não estava no governo, vema o tamanho da cara de pau dessa gente. (C.N)

     

    Aécio admite ter usado pista de aeroporto em Cláudio

    aécio neves

    Deu no Estadão

    A assessoria da campanha do senador Aécio Neves reconheceu terça-feira, 29, pela primeira vez que o candidato tucano à Presidência usou o aeroporto de Cláudio, no interior de Minas Gerais, apesar do local não ter sido homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para receber pousos e decolagens.

    Desde que o jornal “Folha de S.Paulo” revelou no último dia 20 que o governo de Minas Gerais – durante o segundo mandato do tucano – gastou quase R$ 14 milhões para construir o aeroporto dentro de um terreno desapropriado da fazenda de um tio-avô de Aécio, o candidato tem evitado responder se usa ou não a pista, localizada a 6 km da propriedade de sua família.

    O episódio abriu a primeira crise na campanha tucana. Para tentar tirar o caso do noticiário, a equipe de Aécio produziu um documento – Voos ocasionais para a pista de Cláudio/MG; Aspectos da legalidade – no qual cita uma norma da Anac que permitiriam “operação ocasional” de helicópteros em aeroportos não homologados.

    “Os voos realizados pelo presidenciável Aécio Neves para a pista em Cláudio/MG foram feitos totalmente em conformidade com a legislação vigente. Trata-se de operações denominadas operação ocasional”, diz o texto da campanha que foi produzido a pedido de senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), candidato a vice na chapa de Aécio, e enviado por sua assessoria ao Estado.

    EM HELIPORTO

    Pela norma apresentada, o operador do helicóptero poderia utilizar o local “desde que tenha tomado as providências cabíveis para garantir a segurança da operação da aeronave”.

    A Anac, porém, contesta o argumento. “Esse trecho do regulamento só é válido para operações realizadas exclusivamente por helicópteros (aeronaves de asa rotativa), e em helipontos ainda não homologados”, informou o órgão. Ainda segundo a Anac, os aeroportos não homologados só podem ser utilizados para casos de “emergência em voo, para evitar incidente/acidente”.

    A assessoria de Aécio não respondeu se ele utilizou aviões ou helicópteros para viajar até Cláudio. Depois que o caso do aeroporto veio à tona, a Anac começou a investigar a movimentação no aeroporto.

    Nesta quarta-feira (30), em Brasília, Aécio evitou novamente o tema e disse ser “irrelevante” a informação sobre o uso do aeroporto.

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    NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGJá dissemos aqui que Aécio Neves errou feio ao mandar asfaltar a pista de pouso existente na fazenda de seu tio-avô. Mas isso não significa que sejam aceitas as bobajadas que têm sido escritas a respeito. Por exemplo, esse lance de usar heliporto ou pista não homologada é uma piada num país como o Brasil, que é repleto de pistas de pouso. Na Fazenda Brasil, em Mato Grosso, pertencente a um dos filhos de Lula, também existe uma bela pista de pouso não homologada, segundo as denúncias de Wagner Pires, aqui na Tribuna da Internet. Mas os tucanos são tão amadores em política que não usam essa informação. Desse jeito, Aécio acaba perdendo uma eleição quase ganha, como Ciro Gomes em 2002. Por fim, se Lula acha que é “O Filho do Brasil”, faz sentido o filho dele chamar uma de suas propriedades de “Fazenda Brasil”. (C.N)

     

    Durante todo o governo de Dilma o PIB cresceu menos do que no último ano de Lula

    Deco Bancillon
    Correio Braziliense

    A decisão do Banco Central de injetar R$ 45 bilhões na economia em um momento em que o custo de vida já rompeu o teto da meta de inflação deixa claro que a prioridade do governo, a três meses das eleições, é apenas evitar que o país mergulhe numa recessão. A avaliação da equipe econômica é de que o país vive um colapso de confiança e que, portanto, é preciso criar uma agenda positiva para reverter o pessimismo de investidores, e das famílias.

    Não é para menos. Se a previsão de crescimento de instituições conceituadas como a gestora de recursos Franklin Templeton Investments, o Banco Fibra, e a consultoria GO Associados, se confirme em 0,5%, o resultado do governo Dilma Rousseff só seria melhor do que o do período de Fernando Collor e Itamar Franco na Presidência, entre 1990 e 1994.

    Se os prognósticos estiverem corretos, significa dizer que a média de expansão do PIB dos últimos quatro anos seria de apenas 1,69%. Mesmo o crescimento acumulado durante o mandato, de 6,90%, ficaria abaixo da média de expansão da economia apenas no último ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando o PIB avançou 7,53%.

    SINAL DE ALERTA

    No Palácio do Planalto, o sinal de alerta está ligado. A avaliação ainda é de que Produto Interno Bruto (PIB) não enche a barriga do eleitor. Mas, diante da ameaça de recessão, passou-se a temer também pelo mercado de trabalho, que começa a dar sinais claros de perda de força.

    O pacote de estímulo ao crédito do BC foi lançado na mesma semana em que os prognósticos do mercado financeiro para o crescimento econômico caíram abaixo de 1% pela primeira vez no ano e que o Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou em 0,6 ponto a projeção de expansão da atividade para o Brasil em 2014.

     

    O mar que navega os destinos de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho

    O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. Junto com o poeta Hermínio Bello de Carvalho, compôs “Timoneiro”,  um de seus sambas mais bonitos, em que os dois parceiros usam o mar como parábola do sentido de destino que orienta nossas vidas. Este samba foi gravado por Paulinho da Viola, em 1996, no CD Bebadosamba, pela BMG.

    TIMONEIRO

    Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho da Viola

    Não sou eu quem me navega
    Quem me navega é o mar…
    É ele quem me navega
    Como nem fosse levar…

    E quanto mais remo mais rezo
    Pra nunca mais se acabar
    Essa viagem que faz
    O mar em torno do mar

    Meu velho um dia falou
    Com seu jeito de avisar:
    - Olha, o mar não tem cabelos
    Que a gente possa agarrar

    Não sou eu quem me navega
    Quem me navega é o mar…
    É ele quem me navega
    Como nem fosse levar…

    Timoneiro nunca fui
    Que eu não sou de velejar
    O leme da minha vida
    Deus é quem faz governar

    E quando alguém me pergunta
    Como se faz pra nadar
    Explico que eu não navego
    Quem me navega é o mar

    Não sou eu quem me navega
    Quem me navega é o mar…
    É ele quem me navega
    Como nem fosse levar…

    A rede do meu destino
    Parece a de um pescador
    Quando retorna vazia
    Vem carregada de dor

    Vivo num redemoinho
    Deus bem sabe o que ele faz
    A onda que me carrega
    Ela mesma é quem me traz

    (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

    Netanyahu anuncia ação militar longa e assim isola Israel no cenário internacional

    Pedro do Coutto

    Reportagem da Folha de São Paulo publicada na edição de 29, destaca o pronunciamento da véspera do primeiro-ministro Netanyahu avisando que a operação militar na Faixa de Gaza será longa e, com isso, tacitamente, rejeitou todos os apelos e manifestações voltadas para o cessar fogo na região, entre eles o apelo do Papa Francisco. Rejeitou também, da mesma forma implícita, os esforços do Secretário de Estado John Kerry, isolando ainda mais Israel no cenário internacional.

    O primeiro-ministro sustentou que os combates só acabam quando Gaza estiver desmilitarizada. Esqueceu que, sob o ângulo político, quando mais os bombardeios israelenses durarem, maiores e mais intensas vão ser os atos que acontecem em inúmeras cidades contra a política de Telavive.

    Não se pode ignorar os ataques do Hamas a Israel e também condená-los, reconhecendo o direito de Israel se defender. Só que a única saída para o gravíssimo impasse está na negociação através de fins pacíficos. Pois, caso contrário, envereda-se duplamente pelo caminho da destruição que ninguém sabe onde vai parar e a que desfecho trágico pode conduzir. Não existe alguém de bom senso na face da Terra capaz de dissecar um rumo imprevisível, no qual previsíveis são as mortes, aos milhares, que vão se suceder.

    No momento, Israel, mesmo assim com reservas naturais colocadas pelo Secretário de Estado Kerry, só conta com o apoio dos Estados Unidos. Israel está perdendo a guerra da comunicação – basta ir os jornais e revistas, observar as fotos e o confronto diplomático. Na realidade, quanto mais se alongarem as bombas e foguetes, quanto maiores forem os números dos mortos e mutilados, pior, sob o ângulo político, será para Israel.

    Como é possível o premier Netanyahu ignorar este aspecto essencial? Terminará isolado não só internacionalmente, mas dentro de seu próprio país, uma vez que não é lógico aceitar a tese que um conflito longo e permanente pode interessar à sua população. Ela acabará naturalmente cansando-se dos conflitos, das mortes, das mutilações, dos prédios destruídos, com os alarmes tocando a cada instante.

    UM CLIMA RUIM

    Matéria de Carolina Alencastro, O Globo também de 29, reproduziu declarações da presidente Dilma Rousseff, durante sabatina pelo UOL, amplamente publicada pela FSP, que afirmou que as declarações da chancelaria israelense  contra o Brasil criaram um clima ruim entre Brasilia e Telavive. Passada uma semana, o primeiro-ministro de Israel poderia ter reduzido a questão, suavizando o mal-estar com um simples pedido informal de desculpas. Seria uma fórmula de restabelecer o diálogo. No entanto, até agora permanece em silêncio. E o silêncio é comprometedor e leva à concordância com um absurdo.

    Já que é rematado absurdo desconhecr a importãncia do Brasil no cenário mundial. Os fatos concretos apontam o contrário. Em coluna recente, escrevi sobre vários deles, culminando com a participação brasileira, através da heroica FEB, na segunda guerra mundial. Esqueci de citar dois. Cito hoje. A Conferência Panamericana realizada em janeiro de 42, no Rio de janeiro, Palácio Tiradentes, de apoio aos Estados Unidos contra o ataque japonês a Pearl Harbor; a cessão das bases aéreas de Natal e Recife para a operação militar das forças aliadas num espaço aéreo fundamental. Importância se mede com fatos, não com palavras grosseiras e despropositadas.

     

    Testemunhas desistem de depor em favor do deputado André Vargas, que não será cassado pela Câmara

    Naira Trindade
    Correio Braziliense

    Sem a presença das duas últimas testemunhas de defesa e do deputado federal André Vargas (sem partido-PR), o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados encerrou a fase de instrução do processo que pode pedir a cassação do parlamentar por quebra de decoro. Ele é acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato. Em janeiro, Vargas viajou com a família em um jato emprestado pelo doleiro. Em sua defesa, o parlamentar alegou ser amigo de Youssef há 20 anos.

    Esperados para depor, o coordenador operacional da Arquidiocese de Aparecida, Denir Campos, e o consultor jurídico do Ministério da Saúde Fabrício de Oliveira Braga não compareceram. Encerrada a fase de instrução, o relator do processo, Júlio Delgado (PSB-MG), tem dez dias para concluir o relatório. Delgado adiantou, porém, a intenção de terminar o relatório a tempo de ser analisado no esforço concentrado da semana que vem, em 5 e 6 de agosto.

    Foram ouvidos durante o processo apenas sete das 16 testemunhas arroladas. Ao conselho, os sócios do Labogen, Leonardo Meirelles e Esdras Ferreira, tentaram minimizar a participação do congressista na atuação da Labogen junto ao Ministério da Saúde para obter contrato de R$ 35 milhões.

    O deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) aproveitou depoimento para reforçar que o amigo “não fez lobby”. Também foram ouvidos o prefeito de Apucarana (PR), Carlos Alberto Gebrim Preto (Beto Preto), que falou sobre o empréstimo do jatinho, e o capitão da Marinha Paulo Ricardo de Souza e Souza, que explicou o convênio da corporação com o Ministério. Já o dono da empresa que forneceu a aeronave ao deputado, Bernardo Tosto, e Roberto Vezozzo (defesa) responderam às perguntas por e-mail.
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    NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEsta é inédita. Nem mesmo o réu, o ex-petista e ex-vice presidente da Câmara, deputado André Vargas, teve coragem de comparecer perante a Comissão de Ética para se defender das acusações de se relacionar com o doleiro Alberto Youssef. Deveria renunciar ao cargo, se tivesse ainda um pouco de dignidade, mas não o fará, porque sabe que não será cassado e irá cumprir o mandato até 31 de dezembro. Até lá, não haverá quorum na Câmara. (C.N.)

    O PT e o exemplo de Voltaire

     

    Carlos Chagas

    Voltaire viveu até os 84 anos, dedicando sua vida a tentar esmagar a Igreja, que aliás, em boa parte, merecia. Apesar de em criança ter sido aluno dos jesuítas, que sempre reverenciou apesar das discordâncias, ele formou entre os iluministas que negavam a existência de Deus. Pelo menos do Deus barbudo, implacável, que mandava a maior parte da Humanidade para o inferno, menos os que pagavam caríssimas indulgências. Às portas da morte, no entanto, mandou chamar um padre para confessar-se e receber a extrema unção. Seus amigos não entenderam nada e, mesmo agonizante, ele foi cobrado: que história era aquela, renegando toda uma vida de lutas?

    Sem perder a malícia, ele declarou que continuava não acreditando em outra existência, mas explicou não desejar correr riscos. Se por hipótese a Igreja estivesse certa, estava garantindo o paraíso…

    Com todo o respeito e guardadas as proporções, pode estar acontecendo coisa parecida com o PT. Apesar da queda nos percentuais das pesquisas eleitorais, tudo indica que Dilma Rousseff será reeleita, mas se não for, como ficarão os companheiros? Mais ou menos como Voltaire imaginou sua presença diante do Padre Eterno, se Ele existisse…

    Sendo assim, o PT toma suas precauções. A primeira será evitar que Dilma ou qualquer outro de seus candidatos a outras funções venha a fazer das eleições de outubro uma guerra sem possibilidades de armistício ou rendição incondicional. O partido atacará Aécio, os tucanos e seus aliados, mas tendo presente haver um limite para tudo. Nada de violência desmedida, de acusações pessoais impossíveis de ser esquecidas, de massacres sem retorno. Guerra é guerra, munição existe para ser utilizada, ainda que sem destruir o adversário e sua família. Por isso a estratégia de campanha sugerida pelo marqueteiro João Santana é de a candidata falar mais das realizações do governo petista e dos planos e programas para o próximo mandato. Menos dos governos do PSDB e de seus erros ideológicos.

    Levar a campanha para o futuro dará mais dividendos do que ficar amaldiçoando o adversário. Até porque uma postura assim obrigará o adversário a comportamento igual. Resta saber se Dilma aceitará o conselho. Ela costuma explodir sem dar sinais, não resiste a provocações. Estando em jogo o seu futuro, porém, pensará duas vezes antes de precipitar-se.

    Para o PT, fica o exemplo de Voltaire: a vitória parece provável, mas se a derrota passar por perto, melhor preparar-se para ela, como garantia…

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