Carlos Bolsonaro quebra o jejum e, após um mês afastado, reativa a sua rede social

Carluxo criou problemas para o governo por suas postagens

Deu no O Globo

Após quase um mês fora das redes sociais, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) reativou neste domingo, dia 8, sua conta no Twitter. Na descrição do perfil dele, o vereador escreveu: “vereador da cidade do Rio de Janeiro (ainda podendo opinar sobre o que achar pertinente)”.

Ele postou hoje um curto vídeo, mas não fez comentários sobre a política. Em novembro, o filho do presidente Jair Bolsonaro tirou do ar suas páginas no Twitter, Facebook e Instagram. Na época, interlocutores de Bolsonaro no Palácio do Planalto atribuíram ao presidente a saída do filho das redes.

INCÔMODO – Segundo esses aliados, Bolsonaro vinha mostrando incômodo com as publicações do “02”, em especial aquelas que criticavam o Supremo Tribunal Federal (STF), instituição que ele vem deixando fora da linha de tiro, como informou a colunista Bela Megale.

Carlos é considerado um dos principais responsáveis por criar a estratégia digital de Jair Bolsonaro nos últimos três anos, quando a candidatura presidencial começou a ser construída.

CRISE – Pelo Twitter, ele deflagrou a primeira crise no coração do Palácio do Planalto ao atacar Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência. O comportamento, porém, não é exceção. O “pitbull” da família usa a rede social como uma metralhadora giratória.

É de Carlos também a ideia de atacar mais ferozmente adversários de esquerda e a imprensa. A conduta causou conflito entre os que sempre defenderam uma estratégia mais moderada para Bolsonaro.

ALVOS – Em fevereiro deste ano,  O Globo analisou 500 tuítes feitos por Carlos  entre 15 de dezembro e 15 de fevereiro e constatou que 72,2% das postagens feitas pelo parlamentar eram  ataques . O alvo preferencial é a imprensa, mas também sobram bordoadas para a esquerda e até mesmo para aliados, como no episódio em que foi pivô da saída do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno.

A saída do vereador Carlos Bolsonaro das redes sociais levou a um aumento expressivo no Twitter dos sentimentos negativos em relação ao filho do presidente da República. É o que aponta um estudo feito a pedido do Estado pela AP Exata, empresa especializada na análise de dados que circulam na internet. A agência coletou 41.204 tuítes gerados em 145 cidades do País que faziam menções ao segundo filho de Jair Bolsonaro.

ATAQUES – O levantamento também identificou que, após o afastamento de Carlos da esfera online, foram intensificados os ataques ao vereador, tentando associá-lo às investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, com a disseminação de hashtags como #QuemMandouMatarMarielle e #tictacCarluxo. Carlos não é investigado neste processo. Em novembro, a polícia voltou a ouvir depoimentos de assessores dele.

A análise de sentimento das mensagens mostrou que medo, tristeza e raiva em relação ao vereador aumentaram, enquanto confiança e alegria caíram. O estudo considerou dois intervalos de tempo: de 23 de outubro a 11 de novembro (período anterior ao desligamento do vereador das redes) e de 12 de novembro (quando Carlos se afastou do Twitter e do Facebook) a 5 de dezembro.

NARRATIVA – “Rede é guerra narrativa. A partir do momento em que Carlos Bolsonaro se ausenta, a defesa dele baixa, tem menos pessoas para defendê-lo na internet, porque além dele mesmo se defender, ele angariava seguidores que atuavam de acordo com o que ele falava”, diz Sergio Denicoli, diretor de big data da AP Exata. “A falta dessa narrativa acabou por prejudicar um pouco a imagem dele nas redes.”

Os 20 dias antes da saída de Carlos das redes registraram menos menções ao vereador – foram mapeados 18.641 tuítes no período anterior ao afastamento de Carlos, e 22.563 depois. Na avaliação de Denicoli, o sumiço das redes é uma forma de “desenvolver estrategicamente a propaganda do governo”.

REPERCUSSÃO – “Apesar de ele sair, os temas que ele colocou durante a campanha eleitoral e durante a atuação dele até a saída, permanecem bem construídos”, diz. Entre esses temas cristalizados estão críticas à ideologia de gênero, a valorização do trabalho policial, o antipetismo e a defesa da direita.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
–  A saída pela direita de Carluxo foi estratégica na tentativa de se preservar diante da CPI das Fake News e de se afastar dos rumores do caso Marielle. Após semanas  sem publicar nas redes sociais, Carluxo estava se coçando e voltou ao Twitter a três dias do prazo final dado pela empresa para que ele retornasse sem perder a conta. Mas teve gente dando graças durante esse período, inclusive ministros e aliados de Bolsonaro. Com a conta ativa, o “02” só cria problema para o governo. Joice Hasselmann garantiu que o vereador e o irmão Eduardo eram  os mentores e responsáveis pelo comando do “gabinete do mal”. Bolsonaro, pai, defende as crias e diz que isso é invenção na qual “só idiota acredita”. (Marcelo Copelli)

Se você quer fazer um soneto, siga as instruções do genial Carlos Pena Filho

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Poemas & Canções

O advogado e poeta pernambucano Carlos Pena Filho  (1929-1960 ) mostra os ingredientes  “Para Fazer um Soneto”.

PARA FAZER UM SONETO
Carlos Pena Filho

Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere um instante ocasional
neste curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial

Ai, adote uma atitude avara
se você preferir a cor local
não use mais que o sol da sua cara
e um pedaço de fundo de quintal

Se não, procure o cinza e esta vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse
antes, deixe levá-lo a correnteza

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza
ponha tudo de lado e então comece.

Em meio às fake news, a verdade é que Lula leva o PT a um processo de extinção

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Até agora, maior façanha de Lula solto foi dividir as esquerdas

Willy Sandoval

Precisamos ter cuidado com as fake news. Uma dessas notícias “inventadas” foi de que o presidente Donald Trump, através de Mark Pompeo, seu secretário de Estado, tenha manifestado interesse em intervir militarmente no Brasil. Esse tipo de matéria chega a ser ridículo, mas consegue causar debates.

Se fosse para intervir visando a tirar um esquerdopata comunista, Trump teria feito isso na Venezuela. Mas os americanos não são tão estúpidos assim. Até demora um pouco, mas aprendem com os seus próprios erros. Já viram no que deu a intervenção no Iraque quando tiraram o Saddam Hussein do poder e geraram coisa muito pior – o Estado Islâmico (ISIS).

MUITOS ERROS – Na verdade, os americanos vivem puxando o saco dos sauditas, embora pelo menos 19 deles tenham participado do atentado que derrubou as torres gêmeas e recentemente um militar saudita acaba de fazer um estrago lá nos EUA.

Recorde-se também que a Casa Branca conseguiu, junto com aliados da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) tirar do poder e executar o líder líbio Muammar al-Kadafido poder, e como resultado os europeus estão tendo que administrar hordas de milhões de refugiados desde 2011,

Portanto, os EUA (Trump) invadir o Brasil, para aprisionar Lulla não faz nenhum sentido. Aliás, se achassem um jeito de levar o Lula e o deixassem preso por lá, estariam fazendo mais um enorme favor ao país.

LULOPATIA – Está parecendo conversa de esquerdopata que acusa a CIA de ter impedido que nossa população estivesse em mais de 500 milhões de habitantes, através da prática sistemática de vasectomia, laqueaduras e abortos. Eles realmente fizeram isso? Se fizeram, temos mais que agradecer penhoradamente, pois se com um pouco mais de 200 milhões, já temos esse caos sócio econômico, imaginem com 500 milhões de habitantes!

E outra coisa interessante está acontecendo e se mostrando realidade. O Lula solto está sendo muito pior para os petralhas do que preso. Tudo indica que estão perdendo suas bandeiras de luta. Lula solto vai ser o verdadeiro fim do lulopetismo! Só não vê quem não quer, basta ver a votação ridícula que teve o filho do elemento, que não conseguiu se eleger vereador em São Bernardo, nem a hiperfavorita Dilma Rousseff, que não passou de um 4º lugar na disputa para o Senado em Minas.

O PT ainda não morreu, mas agoniza! As próprias esquerdas estão se afastando do ex-líder! Por isso tudo, não faz o mÍnimo sentido Trump invadir o Brasil para levar o Lula preso! Isso é conversa de esquerdopata aloprado!

Ao manter em sigilo o cartão corporativo, Bolsonaro imita Lula no caso Rosemary

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Charge do Boopo (Arquivo Google)

Carlos Newton

É muito triste constatar que existem pontos em comum entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula da Silva. Por exemplo: a quase totalidade dos eleitores do atual chefe do governo jamais poderia imaginar que Bolsonaro viria se comportar exatamente igual a Lula, mantendo sob segredo absoluto as despesas feitas com cartão corporativo.

Recorde-se que, ao chegar ao poder em 2003, o ex-presidente fez questão de criar um cargo público para abrigar a amante Rosemary Noronha Povoa, uma ex-secretária do Sindicato dos Bancários de São Paulo que o então líder metalúrgico conheceu em 1993, quando se iniciou a tórrida relação extraconjugal.

ROSE NO PODER – Para ter a amante a seu lado , inclusive fizeram juntos 34 viagens internacionais, Lula a nomeou chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo. Como o cargo era inexistente, foi montado um escritório com equipe completa (assessores, secretárias, contínuo, carro oficial e motorista), vejam como o amor é lindo.

Junto com o elevado salário DAS, a segunda-dama da República ganhou também um cartão corporativo de vigência internacional, um excelente emprego para a filha e a garantia de serviços encomendados à empresa do compreensivo marido, que jamais se opôs ao romance presidencial.  

Em sua longa carreira, Lula cometeu muitos, mas o principal foi mesmo o cartão corporativo dado a Rose, porque a gentileza acabou lhe custou uma eleição que teria mudado o curso da História Republicana.

BRIGA COM DILMA – Essa passagem é interessantíssima e na época (2014) somente foi contada em detalhes aqui na “Tribuna da Internet”, com absoluta exclusividade. E tudo começou em 2010, quando o PT tinha de escolher o candidato à sucessão do segundo mandato de Lula, e ele surpreendeu o país ao indicar Dilma Rousseff. A então ministra da Casa Civil era pouquíssimo conhecida e na campanha Lula teve de carregá-la nas costas para derrotar o tucano José Serra.

Não houve nenhum acordo concreto, mas era óbvio que Lula seria o candidato do PT em 2014, e a convenção nacional estava preparada para aclamar a candidatura dele por unanimidade. Mas aconteceu o que ninguém esperava. A então presidente Dilma Rousseff alegou que tinha direito à reeleição e peitou Lula.

BOMBA FATAL – Lula insistiu na candidatura, e Dilma então lançou uma bomba fatal. Às vésperas da convenção, ameaçou divulgar as despesas do cartão corporativo de Rosemary Noronha, que demonstrariam não apenas os gastos abusivos em compras pessoais no exterior, mas também comprovariam que em certas ocasiões a segunda-dama viajara como clandestina, sem ter seu nome na lista de passageiros do AeroLula, e a divulgação desse escândalo destruiria a imagem do presidente petista, que ainda era um ícone da esquerda internacional.

Lula teve de recuar. Quando todos esperavam sua candidatura, causou espanto e decepção na convenção do PT, ao discursar defendendo a candidatura de Dilma. E o resto da história todos sabem.

SIGILO MANTIDO – Cinco anos depois, agora é Bolsonaro que surpreende a opinião pública, ao ignorar a recente decisão do Supremo Tribunal Federal que eliminou o sigilo dos gastos com cartão corporativo da Presidência.

Desde 1967, no auge de ditadura, um decreto militar amparava a decisão de não divulgar as despesas da Presidência. Mas agora em novembro o Supremo derrubou o artigo 86 do Decreto-Lei 200/67, e assim passou impedir que as despesas reservadas ou confidenciais da Presidência continuem sob sigiloso.

Na interpretação do Planalto, porém, existiria outra legislação, a Lei de Acesso à Informação, que possibilitaria manter em sigilo os gastos dos cartões corporativos.

ULTRASSECRETA – A esse respeito, a nota da Secretaria-Geral da Presidência cita o artigo 24, segundo o qual a informação em poder dos órgãos e entidades públicas, “observado o seu teor, e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do Estado, poderá ser classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada”.

Alega o Planalto que as informações passíveis de pôr em risco a segurança do presidente, do vice-presidente e dos respectivos cônjuges e filhos devem ser carimbadas como reservadas, , ficando sob sigilo até o término do mandato em exercício ou do último mandato, em caso de reeleição.

“Feitas as considerações acima, esta Secretaria compreende que a decisão do STF não modifica os procedimentos atualmente adotados, em face da legislação de fundamentação ser norma específica distinta do Decreto-Lei nº 200, de 1967”, afirmou a Secretaria-Geral da Presidência.

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P.S. 1
Esse “parecer” é da lavra do ministro Jorge Oliveira, um ex-major da PM, filho do ex-chefe de gabinete do então deputado Jair Bolsonaro e que desde jovem foi apadrinhado pelo parlamentar e conseguiu se reformar com apenas 38 anos, sem jamais ter saído às ruas para enfrentar criminosos. Por ser formado em Advocacia, o ministro Oliveira se diz “jurista” e tem colocado em má situação o governo, porque nada entende de Direito, confunde decreto-lei com medida provisória e faz com que o Congresso arquive mensagens presidenciais. Esse “parecer” de Jorge Oliveira não tem pé nem cabeça, como se dizia antigamente, e merece ir para a lata do lixo.

P.S. 2Quanto aos cartões de Rosemary, existe uma ação no Supremo, movida pelo repórter Thiago Herdy, que ainda não foi julgada. Mas já se sabe que o sigilo será quebrado e a segunda-dama de Lula voltará a ser manchete dos jornais. Rosemary foi fiel a Lula o tempo todo, recusou ofertas milionárias para escrever suas memórias, mas agora se vê abandonada, porque o ex-presidente vai casar com outra petista, Rosângela da Silva, que já se desligou de Itaipu, onde o partido lhe arranjara um emprego de quase R$ 20 mil mensais. São coisas do amor.  (C.N)

PSDB busca “guinada responsável” e mira em eleitores de direita insatisfeitos com Bolsonaro

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Gustavo Uribe
Folha

Após ter perdido apoio entre eleitores tucanos na última eleição presidencial, o PSDB oficializou neste sábado, dia 7, uma nova estratégia de imagem na tentativa de recuperar espaço entre o eleitorado de direita, sobretudo entre os arrependidos com o presidente Jair Bolsonaro.

No congresso nacional do partido, promovido na capital federal, a legenda encampou bandeiras liberais na economia e conservadoras na segurança. E, para se diferenciar do atual governo federal, refutou a defesa de uma pauta de costumes e criticou atitudes autoritárias.

GUINADA – O novo discurso foi baseado em consulta prévia promovida pelo partido entre seus filiados, que cobraram uma espécie de guinada responsável de direita. As pesquisas realizadas pela sigla mostraram ainda insatisfação entre eleitores do presidente com medidas polêmicas do atual governo.

“A época do muro acabou. Enquanto ele existiu, talvez tenha sido próprio e adequado. Hoje, o que os brasileiros esperam do novo PSDB é atitude, lado. O novo PSDB tem lado. Está ao lado do povo e não tem medo de fazer a defesa de programas e teses que representem o interesse o povo. Nada de ficar na dúvida, nada de ficar em cima do muro, nada de tentar a agradar a todos e a não agradar a ninguém”, defendeu o governador de São Paulo, João Doria.

PORTE E POSSE DE ARMAS – Em um contraponto ao discurso bolsonarista, por exemplo, a legenda pregou uma maior regulação e controle sobre porte e posse de armas de fogo, uma política externa focada no multilateralismo, a manutenção da atual política de cotas no ensino superior e a não interferência sobre comportamentos individuais.

Ao mesmo tempo, em um aceno a eleitores do presidente, defendeu as atuais reformas econômicas, uma política de privatizações no país, o aumento da punição para adolescentes acima de 16 anos que cometem crimes graves e a possibilidade de cobrança de mensalidades de alunos de renda alta em universidades públicas.

DIVERSIDADE – “É o posicionamento do novo PSDB. Um partido de centro liberal democrático que respeita as teses da esquerda e da direita, mas entende que o campo liberal é um campo que pode mudar o Brasil sobretudo na diminuição da pobreza”, defendeu o governador de São Paulo, João Doria. “O PSDB é um partido que defende a diversidade, não tenham dúvidas disso”, acrescentou.

No encontro, a legenda divulgou um documento intitulado “Acima de tudo, a democracia”, na qual fez críticas indiretas ao governo federal e ressaltou que não admitirá tentativa de retorno “aos tempos sombrios do autoritarismo”. O presidente tem sido criticado no Legislativo e no Judiciário por posturas consideradas autoritárias.

RESPEITO À LIBERDADE – “Nós repudiamos o sectarismo, o obscurantismo e a incitação à violência. Consideramos que o governo –qualquer governo– não deve interferir em costumes e valores comportamentais de cada indivíduo. A cada cidadão cabe exercer a sua plena liberdade de ser”, ressaltou.

O texto salientou ainda que os extremos políticos têm feito iniciativas que “afrontam a civilidade”, “alimentam a intolerância e a truculência” e “lançam ameaças contra a nossa democracia”

“Sempre que isso ocorreu e ocorre, vindo de quem quer que seja, o PSDB esteve e estará na oposição”, defendeu. “E sempre que a democracia, as instituições, a liberdade e os direitos individuais forem ameaçados, o PSDB estará firme em sua defesa”, acrescentou.

DISPUTA INTERNA – Além de oficializar uma tentativa de mudança de discurso, o congresso do partido evidenciou uma disputa interna na legenda que deve se estender até 2022. Pré-candidatos à sucessão presidencial, os governadores João Doria e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, foram os protagonistas do encontro. Os dois fizeram críticas ao clima atual do país e defenderam mudanças.

“Eu não defendo que se ignore uma minoria barulhenta, mas a gente não pode esquecer o silêncio da maioria”, disse Leite. “Tenham coragem de ser a moderação nesse tempo de radicalismo, porque moderação e ponderação não rendem likes ou compartilhamentos, mas é o único caminho possível para fazermos desta nação um grande país”, acrescentou.

PRÉVIAS – No evento, tanto Doria como Leite defenderam a realização de um disputa por prévias caso o partido chegue à véspera da disputa presidencial com mais de um pré-candidato tucano “O PSDB terá candidatura à Presidência da República. E, se tivermos mais de uma candidatura, essa é a regra do partido [disputa por prévias] “, disse à Folha o presidente nacional da legenda, Bruno Araújo.

O evento que anunciou uma nova fase do partido foi marcado ainda pela ausência de antigos caciques da sigla. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os ex-governadores José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves não compareceram.
 

Daciolo tenta refundar Prona e profetiza : “Serei presidente da República com 51% dos votos”

Daciolo diz que esquerda e direita querem “dividir para conquistar”

Pedro Venceslau
Estadão

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro corre contra o tempo para criar seu partido a tempo de disputar as eleições municipais de 2020, o ex-presidenciável Cabo Daciolo não tem pressa com seu projeto de poder.

Depois de receber 1,3 milhão de votos e superar Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB) e Álvaro Dias (Podemos) na disputa presidencial de 2018 (com menos de R$ 10 mil investidos), o ex-deputado e cabo do Corpo de Bombeiros deixou o Patriotas e nesse sábado, dia 7, liderou a convenção nacional de refundação do Prona (Partido da Restaruação da Ordem Nacional).

COLETA – A ideia, segundo ele, é começar agora a coleta de assinaturas para reerguer até 2022 a sigla criada pelo icônico ex-deputado Enéas Carneiro. “Eu profetizo: serei presidente da República com 51% dos votos”, disse Daciolo para uma plateia de cerca de 50 pessoas em um longo discurso no púlpito da Igreja da Unificação Mundial do Cristianismo, em Pinheiros, onde ocorreu a convenção do novo Prona.

O local foi decorado com totens de Enéas em tamanho real, banners com a imagem do ex-presidenciável, que morreu de câncer em 2007, e faixas com o slogan “Nós temos fé no Brasil. Daciolo 56”. No fim de seu discurso, o ex-deputado chamou para o palco o vice – presidente do Prona, João Vitor Sparano, e a ex-deputada Patrícia Lima, que foi secretária de Enéas e uma de suas herdeiras políticas.

ARRANCANDO RISOS – “Eu não vou assumir a presidência do partido, que fica com você, Patrícia. Vocês nem conseguem falar comigo”, disse Daciolo mostrando o seu celular modelo antigo e arrancando risos da plateia. Em 2018, o então candidato, que anda sempre com uma bíblia na mão, se isolou uma montanha em plena campanha para orar.

O novo Prona vai ter que passar por todo o ritual de criação de partidos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) porque a versão original do partido se fundiu com o PR em 2006, um ano antes da morte de Enéas.

DISPUTA – Nos registros do TSE dois grupos tentam se registrar com o nome Prona. O de Daciolo, que conta com o apoio da ex-deputada e braço direito de Enéas, Havanir Nimitz, e outro do Rio de Janeiro. “O Prona atende a tudo que o Daciolo pensa. Getúlio (Vargas) e Enéas são as grandes inspirações da minha vida”, disse Daciolo, sempre se referindo a sí próprio na terceria pessoa.

Há, porém, uma divergência com o “legado” de Enéas. Para o ex-deputado a bomba atômica, uma obsessão do fundador do Prona, não é uma agenda prioritária. Fiel ao seu estilo, Cabo Daciolo fez um discurso repleto de passagens bíblicas e teorias conspiratórias. “A nova ordem mundial serve ao mal. Vem para matar, roubar e destruir. Querem trazer esse caos da América do Sul para o Brasil”.

CRÍTICAS –  O governo Bolsonaro também foi alvo de duras críticas do ex e futuro presidenciável. “A maçonaria comanda tudo e o alicerce desse governo é a maçonaria. O general Mourão, que grão mestre, está louco para sentar na cadeira do Bolsonaro. Tem também o Paulo Guedes. O Bolsonaro está cercado de inimigos ao redor”.

Um ponto que uniu Daciolo ao ideário de Enéas foi o nacionalismo exacerbado. O novo Prona defende a reestatização de empresas privatizadas, mas rejeita o rótulo de esquerda. “Esse papo de esquerda e direita é uma grande mentira. Querem dividir para conquistar. São amiguinhos. Como se transforma isso, Daciolo? Da forma sobrenatural, a forma de Deus”, disse Daciolo ao Estado.

Doria diz que Lula “solto impacta mais ainda” o cenário eleitoral

Doria evita ainda assumir pré-candidatura ao Palácio do Planalto

Camila Turtelli
Idiana Tomazelli
Estadão

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai impactar ainda mais o cenário eleitoral depois de ser colocado em liberdade, avalia o governador de São Paulo, João Doria. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Doria disse que para o petista é uma “questão de honra” lançar uma chapa competitiva para disputar a Prefeitura de São Paulo.

“Se preso já impactava, solto impacta mais ainda. E impacta em São Paulo, para o Lula é uma questão de honra lançar uma chapa competitiva lá. Foi lá em que ele sofreu sua pior derrota em 2016. A derrota acabou reverberando no segundo turno nas outras cidades. Então, vão fazer de tudo, com Lula liderando e o PT corroborando, para que as eleições nas capitais tenham candidatos competitivos e eles possam ter a esperança de vitória”, afirmou Doria.

FOCO NAS ELEIÇÕES – Ainda sem se assumir como pré-candidato ao Palácio do Planalto, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), defende o foco nas eleições municipais e na gestão eficiente de Estados e cidades como uma antecipação para as eleições gerais.

“Foco integral em gestão e eficiência: isso será determinante nas futuras eleições gerais. Porque experiência é importante. Não podemos ter em 2022 testes”, disse Doria, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast. Em 2016, Doria foi eleito prefeito de São Paulo com discurso de que era um gestor e não um político.

DISPUTA INTERNA – O tucano evitou falar sobre uma possível disputa interna com seu colega do Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite, para a corrida à Presidência da República, mas deixou claro que defende as prévias como uma ferramenta democrática.

“Temos de defender o princípio e não os nomes. O PSDB é um partido que lançou as prévias”, disse. Para o ano que vem, na capital paulista, ele vê uma forte atuação do PT, liderada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e afirma que um nome feminino seria “tecnicamente recomendável” para compor a chapa com o atual prefeito Bruno Covas. Ele já defendeu publicamente que a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) deveria ser candidato a vice de Covas.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

A soltura de Lula vai impactar nas eleições?
Sim, se preso já impactava, solto impacta mais ainda. E impacta em São Paulo, para o Lula é uma questão de honra lançar uma chapa competitiva lá. Foi lá em que ele sofreu sua pior derrota em 2016. A derrota acabou reverberando no segundo turno nas outras cidades.  Então, vão fazer de tudo, com Lula liderando e o PT corroborando, para que as eleições nas capitais tenham candidatos competitivos e eles possam ter a esperança de vitória.

O senhor diz que não é pré-candidato, mas todos os seus movimentos são nesse sentido. Qual será o principal ponto de sua plataforma em 2022?
Eu disse que não é o momento de estabelecer e nem promover candidaturas. Agora é o momento do PSDB formular propostas, contribuir com essas propostas para plataformas municipalistas com vistas nas eleições de 2020. 2022 é mais pra frente, um passo de cada vez. O passo agora é municipalista. A partir de 2021, pode se pensar concretamente em 2022. Atropelar as municipais com as gerais não é uma postura correta e nem recomendada.

Mas o senhor já teria alguma prévia do que poderia ser a base da sua plataforma?
As plataformas no plano federal tomarão como base as do plano municipal. Uma proposta municipalista, que é o que eu defendo e que estou percebendo ser a capilaridade dos grupos que vão apresentar suas propostas daqui a pouco, isso é um bom caminho para uma plataforma federal. Um governo descentralizado, municipalista, menos concentrador de recurso e cobrador de eficiência.

Como fica a posição do partido em relação à pauta de costumes, considerando que uma ala defende uma posição mais progressista e outra é mais conservadora?
Nesse caso, nós temos de buscar entendimento e o meio do caminho, com viés liberal de compreensão, de aceitação sobre a modernidade e aquilo que representa o interesse da maioria da população brasileira. Vamos buscar com moderação, mas respeitando a diversidade aos princípios que o mundo vem movendo nos últimos anos. O PSDB não pode viver do passado. Ele deve respeitar o passado, compreender o presente para projetar o futuro.

O senhor sinalizou mais cedo que aceita a realização de prévias. O senhor estaria disposto a disputar prévias com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite?
Não é esse o ponto discussão. Sou plenamente favorável às prévias, inclusive onde houver disputas municipais circunstancialmente. Sou filho das prévias, disputei duas deles.

Mas o senhor acha que Leite tem capacidade para ser candidato à Presidência da República?
Um passo de cada vez. Primeiro, a defesa das prévias. Temos de defender o princípio e não os nomes. O PSDB é um partido que lançou as prévias. São Paulo foi o único estado brasileiro que fez prévias, o único em que na capital tivemos prévias com cinco candidatos. Fizemos e não foi depreciativo. Ao contrário, havendo minha vitória, fortaleceu a minha candidatura. Disputei novamente as prévias na candidatura ao governo do Estado. Isso é democracia. Agora, em 2022, ainda é cedo para se tratar de nomes. O princípio, sim, é bom.

Como o senhor vê a ascensão do nome de Leite?
Eu não comento sobre ascensão e nem falta de ascensão. Não temos que discutir eleição de 2022 agora, temos de debater 2020. As municipais são importantes para o cidadão. As pessoas moram no município, elas não vivem na nuvem, no governo federal. Vivem na cidade ou no campo. Temos de priorizar, principalmente, boa gestão e eficiência dos governadores, prefeitos, nas assembleias legislativas.

Mas sem querer antecipar nomes, o senhor estaria disposto a disputar uma prévia, caso seja de fato o plano do senhor concorrer em 2022?
Não é hora de se discutir nomes. Nesse momento, cabe aos governadores fazerem gestão, eficiência, entregarem para os seus eleitores e não eleitores aquilo que os que votaram têm como expectativa e os que não votaram têm também, afinal de contas, são cidadãos. Foco integral em gestão e eficiência, e isso será determinante nas futuras eleições gerais. Porque experiência é importante. Não podemos ter em 2022 testes. Temos de ter eficiência em nomes que possam corresponder capacidade gerencial daquilo que já fizemos.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, disse ao Estado que uma chapa Bolsonaro-Moro venceria disparado no primeiro turno. O que o senhor acha disso?
Precipitado. Não é hora de falar de reeleição, nem hora de falar em eleição. 2022 está longe. Respeito muito o ministro Ramos e gosto também do ministro Sérgio Moro. Mas não é hora. No governo federal também o momento é de fazer gestão como no plano estadual.

O senhor apoia uma chapa Bruno Covas-Joice Hasselmann para prefeitura?
Bruno tem meu total apoio, mas ainda é cedo também para falar sobre a chapa. Ele tem de fazer a composição. Uma figura feminina ajuda muito nessa composição, temos 56% do eleitorado da capital de São Paulo composto por mulheres e mulheres atentas. Não só votam, como influenciam o voto. Um nome feminino seria tecnicamente recomendável, mas ainda é cedo para falar qual será esse nome.

Proposta de Paulo Guedes quebraria o INSS e, por isso, terá de ser modificada

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Reportagem de Tiago Rezende e Fábio Pupo, Folha de São Paulo de domingo, revela que a área econômica do governo Bolsonaro passou a admitir a desoneração apenas parcial dos encargos tributário das empresas, por reconhecer a impossibilidade de enfrentar uma acentuada queda de receita para o exercício de 2020. O Ministro Paulo Guedes tinha como projeto uma desoneração muito maior, porém resolveu aguardar a formulação voltada para o projeto de reforma tributária.

A meta de Paulo Guedes é aliviar a contribuição financeira das empresas por considerar que o reflexo seria uma forte redução da faixa de desemprego. Estudos preliminares, entretanto, concluíram pela impossibilidade da desoneração a curto prazo.

SUPERDÉFICIT – Acrescenta a reportagem que as empresas, no que se refere à contribuição previdenciária, recolhem atualmente cerca de 200 bilhões de reais por ano. Isso somente para a folha do INSS.

A folha do INSS, que já apresenta um déficit de 240 bilhões, não suportaria uma desoneração total do empresariado, porque em tal hipótese, na minha opinião, isso significaria o fim da própria previdência social. Isso de um lado.

De outro, segundo a reportagem, o governo está também convencido de que precisa taxar mais a renda e menos do consumo. Por isso passou a considerar a perspectiva de ampliar uma revisão no Imposto de Renda.

TEORIA E PRÁTICA – A equipe econômica finalmente deve ter sentido a diferença entre a teoria e sua colocação na prática. Aliás, na teoria todo plano dá certo, mas quando colocado em prática…

O aspecto dominante é de que a grande parte do consumo depende do nível de emprego e salários. Assim, qualquer cobrança adicional de impostos sobre os salários acarretaria a diminuição forçada do consumo, ou então o endividamento de cada trabalhador para poder sustentar os níveis atuais. Que já são baixos. Mesmo com uma pressão ainda maior, o projeto do Governo jamais poderá ultrapassar o espaço entre a ideia teórica e sua execução no plano concreto.

Outro ponto bastante sensível é quando se coloca em análise o ICMS, imposto estadual, é verdade, mas de grande influência no consumo nacional. Para alterá-lo, é preciso concordância dos governadores. Portanto…

Presidente do STJ diz que Brasil “enfrenta batalha contra as fake news”

Charge da Vêrsa (Arquivo Google)

Deu no Correio Braziliense

O ministro João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), disse que o país “enfrenta uma batalha contra as fake news”. Segundo ele, “o Poder Judiciário está cada vez mais sobrecarregado de processos e isso repercute na imprensa, principalmente nas redes sociais”. Noronha recomendou “enorme cuidado das assessorias de comunicação social dos órgãos da Justiça”.

O alerta do ministro foi dado durante a abertura do III Encontro Nacional de Comunicação do Poder Judiciário, na última semana, na sede do Conselho da Justiça Federal (CNJ), em Brasília. A meta do encontro foi discutir ações estratégicas de comunicação para o Poder Judiciário.

DEFESA DA VERDADE – Noronha falou da “necessidade de defender a verdade”. Ele considera que “a notícia deve ser disseminada com ética, transparência e celeridade”. O ministro destacou “o grande trabalho que os assessores do Poder Judiciário vêm desempenhando ao longo dos anos”.

O presidente do STJ informou que, até o terceiro trimestre de 2019, a Corte superior foi objeto de 15.139 reportagens publicadas em diversos veículos de comunicação por todo o país. “Demonstra a importância de cuidar cada vez mais do que é divulgado internamente e do atendimento à imprensa em geral”, sugeriu João Otávio de Noronha. O ministro lembrou a inauguração, em setembro, da Sala de Imprensa do STJ, criada para melhor atender aos jornalistas que fazem a cobertura de sessões e eventos no tribunal.

COMITÊ DE COMUNICAÇÃO –  A abertura do encontro contou com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Dias Toffoli, que formalizou a edição de uma portaria para atualizar a composição e as atribuições do Comitê de Comunicação Social do Poder Judiciário.

Farão parte do comitê, indicados pelo CNJ, os secretários de comunicação do STF e do CNJ, os responsáveis pela comunicação social dos tribunais e conselhos superiores, além de um representante dos Tribunais de Justiça, um dos Tribunais Regionais Eleitorais, um dos Tribunais Regionais do Trabalho e um dos Tribunais Regionais Federais.

Toffoli ressaltou a necessidade da comunicação no combate a preconceitos disseminados na sociedade brasileira contra a Justiça, “como a ideia de que os juízes são lenientes com criminosos e pouco produtivos — apesar de darem solução definitiva a 32 milhões de processos por ano.

Há muitas falhas na democracia brasileira, mas ainda é melhor do que a ditadura

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

José Vidal

Alguns podem achar ruim, mas vivemos numa democracia. Se é perfeita? Claro que não, porém é muito melhor do que qualquer ditadura. Num regime autoritário as informações são limitadas e muitas até proibidas. Aqui existe liberdade de expressão.

Não somos livres para votar em quem quisermos? O voto não é secreto? Isso é democracia. Mas alguns dizem que votar em fulano ou sicrano denota o grau de analfabetismo político inerente ao povo brasileiro. E talvez seja, porque muitos de nós não querem nem saber de discutir política ou economia.

FAKE NEWS – Ler qualquer texto que ultrapasse cinco linhas já é um esforço demasiado. Pesquisar em profundidade é algo impensável. Então, não é de admirar o sucesso das fakes news, com seus textos curtos que despertam paixões, diminuindo ao extremo a qualidade de pensar.

Todavia, em nosso país, apesar de todos os defeitos, as instituições funcionam. A imprensa é livre para opinar. O Ministério Público e a Polícia Federal investigam. Sem o fracassado pacto, os poderes são independentes.

Se queremos que o país melhore, precisamos primeiro nos questionar. Por exemplo, numa eleição, vou votar numa determinada pessoa, mas por quê? Quais as qualidades que me levaram a escolhê-la?

O VOTO LIVRE – Numa democracia há liberdade de escolhas, embora haja influências externas quase que conduzindo as votações. Costumo ler comentários de artigos, não só no Brasil, mas em alguns sites internacionais. Assim, vejo que grande número deles não tem conteúdo que se possa aproveitar. Xingamentos são a tônica.

Eu costumo não criticar as escolhas pessoais. Se alguém escrever que vai votar no Bolsonaro, outro prefere o Lula. Não vou nem comentar. São escolhas. Porém, se a pessoa colocar as razões de seu voto, estará opinando. E, ao tornar pública sua opinião, estará dando aos outros o direito de criticar ou elogiar a escolha.

Se eu dou opinião em um espaço, tenho que admitir a crítica. Minha verdade pode ser a mentira para o outro, mas admito que é difícil aceitar contestações, a gente sempre se acha certo… Por tudo isso, opto pela nossa democracia, mesmo que falha. 

Irritado com descumprimentos de acordos, Alcolumbre se recusa a receber ministros

Alcolumbre ameaçou não pautar nenhum projeto

Naira Trindade
O Globo

O desalinhamento político entre governo e Congresso ficou mais evidente na última semana depois de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ter se recusado a receber dois ministros do núcleo duro do Palácio do Planalto. Irritado com descumprimentos de acordos políticos, Alcolumbre ameaçou não pautar nenhum projeto, inclusive a proposta que reestrutura a carreira e a altera a previdência dos militares.

Para que a votação da reforma da Previdência dos militares ocorresse, na quarta-feira, o governo precisou recuar e reenviar, por meio de um projeto assinado pelo ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, um artigo que o próprio presidente Jair Bolsonaro havia vetado. Nele, o governo dá autonomia para que parlamentares escolham emendas com prioridade de investimento.

MAL-ESTAR – Em vez de derrubar o veto, no último mês, os senadores o mantiveram e provocaram mal-estar entre Senado, Câmara e Planalto. O deputado Domingos Neto (PSD-CE) justifica que o próprio governo já havia concordado com um acordo que atendesse aos anseios dos parlamentares.

“O PLN foi feito exatamente para corrigir a confusão que eles (senadores) tinham feito nos vetos. Havia um acordo de derrubada dos vetos. Tanto o governo entendeu que houve erro que mandou o PLN para corrigir”, afirma Domingos Neto.

DERROTA – O desconforto de Alcolumbre se intensificou depois de ele ter sido derrotado pelos próprios senadores em votação que manteve o veto de Bolsonaro à recriação da propaganda partidária semestral na televisão e no rádio.

Atuais conselheiros políticos do presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) e Jader Barbalho (MDB-PA) sequer foram ao plenário. Alcolumbre também não teve votos com os quais contava, como o de Dário Berger (MDB-SC) e os de senadores do PSDB.

TRAIÇÃO – Traído por aliados, Alcolumbre culpou o governo e esbravejou a deputados que não atenderia a ligações de Bolsonaro, nem receberia os ministros Ramos e Onyx Lorenzoni (Casa Civil).

Segundo interlocutores, a avaliação de Alcolumbre é que os colegas lhe impuseram a derrota porque o governo não cumpriu acordos que envolvem liberação de recursos e indicações políticas.

LIBERAÇÃO DE RECURSOS – Além de cobrar agilidade na liberação de recursos de emendas parlamentares, deputados e senadores têm pressa em indicações políticas. Vice-líder de governo, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) está incomodado com Ramos porque não consegue emplacar no governo um indicado. Ele quer a nomeação de um ex-assessor do ex-senador Gim Argello, que está envolvido na Lava-Jato.

Ulysses Guimarães já dizia: “Se vocês acham esse Congresso ruim, esperem o próximo”

Resultado de imagem para ulysses guimarãesRoberto Nascimento

O Poder Legislativo é o que vemos, pelas mãos dos eleitores. Em tese, os parlamentares são a nossa voz, nas Câmaras, Assembleias e no Senado. Então, tem que partir daí – do próprio voto – a mudança para um Legislativo de qualidade. No entanto, mesmo um péssimo Legislativo é muito melhor do que o melhor regime autoritário. Os exemplos são muitos aqui e em alhures. Por exemplo: Mussolini na Itália e Hitler na Alemanha, ambos resultaram em desastre incomensurável.

A China, apesar do crescimento de 10% ao ano e um desenvolvimento incrível, em 70 anos virou a segunda potência econômica do mundo, mas lá o povo não tem a menor liberdade. Não se pode criticar nada. Quando os jovens tentaram lutar por mais democracia, foram massacrados pelos tanques na Praça Celestial em Pequim, sua formosa capital.

DECADÊNCIA – Ulysses Guimarães já dizia: “Se vocês acham esse Congresso ruim, esperem pelo próximo”. Realmente, de lá para cá, só tem piorado, e esse que está aí, é simplesmente horrível.

A meu juízo, a democracia é a melhor forma de aprendizado. A cada eleição nos tornamos mais críticos e votando com mais qualidade, pelo menos uma parte da sociedade.

Mas ocorre que, o sistema não ajuda; ao contrário, só atrapalha o desenvolvimento da cidadão. Como assim: impedindo o desenvolvimento educacional das novas gerações, reduzindo os recursos obrigatórios na Educação Básica e Média, destruindo as Artes e a Cultura, desvalorizando os professores, com baixos salários e nenhuma estrutura decente nas escolas públicas, brigando com as matérias de Humanas (Sociologia, História e Filosofia). Desse jeito, vamos engatinhar no desenvolvimento criativo das pessoas, principalmente dos nossos jovens.

Infelizmente, muitos não querem enxergar, apesar dos fatos apresentados à nossa vista, e por isso vamos caminhando às cegas.-

80% dos brasileiros dizem desconfiar das declarações de Bolsonaro, aponta Datafolha

Charge do Bira (humorpolitico.com.br)

Deu na Folha

Uma parcela de 80% da população diz ao menos desconfiar das declarações do presidente Jair Bolsonaro, aponta a mais recente pesquisa do Datafolha. Segundo levantamento nacional realizado na última quinta-feira, dia 5, e sexta-feira, dia 6,  43% dos entrevistados disseram que nunca confiam em afirmações do presidente, e 37% declararam confiar às vezes. Já os que dizem confiar sempre são 19% dos entrevistados —1% não soube responder.

A pesquisa ouviu 2.948 pessoas em 176 municípios em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.  Desde o meio do ano, Bolsonaro incorporou à sua rotina manifestações quase diárias a jornalistas, especialmente em frente ao Palácio da Alvorada, o que aumentou a repercussão de suas declarações.

CRISE DIPLOMÁTICA – Foi em um desses episódios, por exemplo, em que fez comentários que contribuíram para uma crise diplomática relacionada às queimadas na Amazônia. Em novembro, levantamento feito pela Folha mostrou que o presidente dá ao menos uma declaração falsa ou imprecisa a cada quatro dias.

Os dados estão reunidos no Bolsonômetro, ferramenta que reúne afirmações do presidente checadas e contextualizadas pela Folha desde o início do mandato. O Datafolha também questionou os entrevistados sobre como veem as atitudes de Bolsonaro, considerando o cargo que ele ocupa.

COMPORTAMENTO – Um total de 28% disse que em nenhuma situação ele se comporta como um presidente deveria se comportar, enquanto outros 28% afirmaram que, na maioria das vezes, ele se comporta de acordo com o cargo que ocupa. Para 25%, em algumas situações ele se comporta adequadamente, mas, na maioria, não. Outros 14% afirmaram que as atitudes são adequadas em “todas as ocasiões”.

Os números são mais favoráveis ao presidente entre entrevistados com 60 anos ou mais ou que tenham renda familiar mensal entre cinco e dez salários mínimos. A aprovação a Bolsonaro nesse item cai entre moradores da região Nordeste.

ACM, o político que conseguiu mandar mais na Bahia do que Juracy Magalhães

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O caudilho ACM, quando brigava, era mesmo para valer

Sebastião Nery

Em 1952, Antonio Carlos Magalhães, médico sem medicina, funcionário sem função da Assembleia Legislativa da Bahia (“redator de debates”) e repórter político do jornal “O Estado da Bahia” na Assembleia, ficou furioso com um discurso do líder do PSD criticando o ex-interventor e líder da UDN no Estado, Juracy Magalhães, e gritou: – Cala a boca, idiota!

Perdeu o emprego e ganhou a proteção de Juracy, amigo de seu pai, o médico e ex-deputado Francisco Magalhães, e de seu padrinho, o reitor da Universidade Federal Edgard Santos. Em 1954, Juracy o pôs na chapa para deputado estadual. Não se elegeu, ficou como primeiro suplente.

SUPLEMENTAR – Mas naquele tempo havia “eleição suplementar” sempre que, por algum motivo, o pleito não se realizava em algum município. Antonio Balbino (o governador eleito pelo PTB, a UDN e uma dissidência do PSD) forçou a barra e garantiu a eleição de Antonio Carlos na “eleição suplementar”.

Antonio Carlos chegou à Assembleia e virou “líder da oposição” de mentirinha ao governo de Balbino. O líder do governo era Waldir Pires, do PTB-PSD. Em 1958, Antonio Carlos e Waldir se elegeram deputados federais. Antonio Carlos pela UDN, Waldir pelo PSD. Waldir eleito por Balbino. Antonio Carlos por Juracy e por Balbino, a quem sempre chamou de “patrão”.

AMIGO DE JK – Na Câmara, embora da bancada da UDN, liderada por Carlos Lacerda, que agressivamente combatia Juscelino, logo Antonio Carlos se tornou amigo de infância de JK, com direito a poderes federais na Bahia. Lacerda cobrou:

– Soube que você esteve ontem em segredo com o Juscelino.

– Estive com ele, sim, às 11 horas. E o Magalhães Pinto esteve às 7:30.

Outra passagem: em 1961, na Câmara, o deputado Tenório Cavalcanti, seu colega da UDN do Rio, atacava o ex-ministro da Educação de Dutra e ministro da Fazenda de Jânio, o baiano Clemente Mariani, dono do Banco da Bahia. ACM o aparteou:

– V. Excia pode dizer o que quiser, mas na verdade o que V. Excia é mesmo é um protetor do jogo e do lenocínio, porque é um ladrão.

Tenório sacou um revolver:

– Vai morrer agora mesmo!

– Atira!

Nem Tenório atirou nem Antonio Carlos morreu.

BANCO DA BAHIA – Dez anos depois, em 1972, Antonio Carlos, governador nomeado da Bahia, soube que o banqueiro Clemente Mariani, pressionado por Delfim Neto, ia vender o Banco da Bahia ao Bradesco. Chamou Mariani ao palácio:

– Doutor Mariani, isso é ruim para a Bahia. Se o senhor quer vender o banco, o Estado compra pelo preço que o senhor vai vender.

– Não, Antonio Carlos. Não vou vender. Você acha que eu teria condições de vender o Banco da Bahia e me enterrar na Bahia?

DESAPROPRIAÇÃO – No dia 2 de julho de 1973, Antonio Carlos voltava da parada da Independência da Bahia, o advogado Prisco Paraíso lhe telefonou do Rio comunicando que o Banco da Bahia tinha sido vendido ao Bradesco. O governador chegou ao palácio, fez um decreto desapropriando a casa de Clemente Mariani e transformando-a numa escola para excepcionais.

Não era uma casa qualquer. Era um belo latifúndio urbano, no alto do morro da Barra, por cima da praia da Barra. O mundo quase veio abaixo. Mariani era o dono da Bahia. Recorreu à justiça, que manteve a desapropriação, “por interesse e utilidade pública”.

PREFEITO DE SALVADOR – Em 1967, presidente estadual da Arena, Antonio Carlos foi nomeado prefeito de Salvador. Eu, cassado, encontrei-o no hotel Califórnia, no Rio:

– Antonio Carlos, você é jovem (40 anos), não cometa o erro de Juracy, que quis fazer da Bahia uma Capitania Hereditária e não fez nem o sucessor.

– Pois vou fazer mais do que ele fez. Juracy mandou 30 anos na Bahia, de 1932 a 1962. Vou mandar 40 anos. (Mandou de 1967 a 2007).

CGU diz que não existe o documento citado por Bolsonaro sobre laranjas do PSL

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Ministro Sérgio Moro confirmou que o documento não existe

Rubens Valente
Folha

Inexiste o documento que o próprio presidente Jair Bolsonaro disse, em junho passado, ter recebido do ministro Sergio Moro (Justiça) sobre o inquérito da Polícia Federal acerca dos laranjas do PSL, de acordo com a versão apresentada pela CGU (Controladoria-Geral da União), órgão do governo federal. A CGU é comandada por um ex-oficial do Exército, Wagner Rosário.

A manifestação da CGU é resposta ao recurso feito pela Folha a partir de pedidos recusados duas vezes por Moro dentro da Lei de Acesso à Informação.

SEM EXPLICAÇÃO – A CGU deu parecer sem pedir explicações adicionais à Presidência e ao Ministério da Justiça, sob o argumento de que as informações constantes no processo digital “foram suficientes para a formação da opinião técnica”.

O artigo 23 do decreto que regulamentou a Lei de Acesso diz que a CGU “poderá determinar que o órgão ou entidade preste esclarecimentos”. A Controladoria abriu mão dessa hipótese e escreveu que “não houve necessidade de interlocução” com a finalidade de obter esclarecimentos adicionais.

Com a manifestação da CGU, o paradoxo agora é respaldado pelo órgão em tese responsável pelo cumprimento da Lei de Acesso: Bolsonaro disse, em entrevista coletiva, ter recebido um documento de Moro, mas a CGU agora acolhe argumento do ministro e diz que esse papel não existiu.

SEGREDO DE JUSTIÇA – No dia 28 de junho, Bolsonaro foi indagado por jornalistas em Osaka, no Japão, sobre a investigação desencadeada um dia antes pela PF sobre membros do PSL. Em sua resposta, o presidente afirmou: “Conversei com o Sergio Moro rapidamente sobre isso (a prioridade nossa aqui é outra). Ele [Moro] mandou a cópia do que foi investigado pela Polícia Federal pra mim. Mandei um assessor meu ler porque eu não tive tempo de ler”.

O caso, entretanto, tramitava sob segredo na 26ª Zona Eleitoral de Minas Gerais, em Belo Horizonte —e o repasse de dados a pessoas que não são parte da apuração poderia configurar quebra do sigilo processual.

Revelado pela Folha em fevereiro, o caso dos laranjas do PSL se tornou alvo de investigações da PF e do Ministério Público em Minas e em Pernambuco e levou à queda do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que comandou o partido em 2018.

MINISTRO MANTIDO – Após ser indiciado pela PF, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), foi denunciado pelo Ministério Público Federal sob acusação de envolvimento no esquema, mas acabou mantido no cargo por Bolsonaro.

O caso dos laranjas contribuiu para desgastar a relação do presidente com o PSL, e Bolsonaro deixou a sigla no mês passado com a intenção de fundar uma nova, a Aliança pelo Brasil.

Em relação ao documento da investigação citado por Bolsonaro no Japão, a Folha entrou com dois pedidos pela Lei de Acesso: um para a pasta de Moro, outro para a Presidência. O segundo não foi respondido, pois a Presidência apenas reencaminhou o caso para o ministério, sob a alegação de “duplicidade”.

ENGANO OU MENTIRA – Em recurso, a reportagem explicou que, pela Lei de Acesso, o reencaminhamento só poderia ocorrer se a Presidência declarasse não possuir o documento, o que nunca foi dito. Se a Presidência dissesse que não possuía o documento, estaria indicando que Bolsonaro se enganou ou mentiu sobre ter recebido algum papel de Moro.

Mas a CGU também passou por cima desse ponto, argumentando que “a informação requerida no pedido inicial foi declarada como inexistente”.

“Ainda que seja questionável a necessidade do encaminhamento do pedido, por parte da Secom/PR ao MJSP, vê-se que o recorrido tratou adequadamente a duplicidade da qual foi incumbido, não deixando de oferecer resposta ao questionamento que se apresentou repetitivo.”

INEXISTENTE – O pedido enviado ao ministério de Moro teve uma resposta contraditória. O ministro disse que a informação era “inexistente”, recorrendo a precedentes já analisados dentro da Lei de Acesso, mas ao mesmo tempo afirmou que só foram repassadas informações a Bolsonaro que não comprometeram as investigações.

Cópias das tais informações também nunca foram repassadas à Folha. O ministério encaminhou apenas uma nota à imprensa.

No recurso ao ministério, a reportagem observou que a resposta “não tem nenhuma relação com o objeto do pedido”, que uma nota à imprensa é apenas uma manifestação formal para os jornalistas, enquanto o requerente solicitava acesso aos documentos enviados por Moro ao presidente da República, conforme o próprio Bolsonaro reconheceu publicamente.

Recursos negados – O parecer contra os recursos da Folha foi assinado pelo auditor de finanças e controle da CGU Sérgio Antônio Nogueira da Cruz Saldanha e adotado pelo ouvidor-geral da União adjunto Fabio do Valle Valgas da Silva.

Diz a manifestação: “Entende-se que os recursos não devam ser conhecidos por esta Controladoria, haja vista que não foi evidenciada a ocorrência de negativa de acesso à informação pública produzida ou acumulada pelo MJSP”.

Opina pelo “não conhecimento dos recursos, uma vez que não houve negativa de acesso à informação”. O parecer considera ainda “especialmente, a declaração de inexistência”, nos termos de um súmula de 2015, “de informações cujas cópias tenham sido entregues ao Presidente da República”.

Olavo de Carvalho lança “Brasil Sem Medo”, o maior jornal conservador da internet brasileira

Charge do nani (nanihumor.com)

Deu no O Tempo

O escritor Olavo de Carvalho, que é referência para parte do governo Jair Bolsonaro, anunciou em vídeo no YouTube o lançamento no próximo dia 19 do “Brasil Sem Medo”, que descreve como “o maior jornal conservador da internet brasileira”.

Dizendo que ele “terá diariamente notícias, artigos, podcasts etc.”, Carvalho acrescenta ser possível acessar “desde já grande parte desse material”, inclusive textos seus, do editor-chefe, Paulo Briguet, e do editor-executivo, Silvio Grimaldo.

“PRESIDENTE” – Na página, o escritor é anunciado como presidente do Conselho Editorial. Procurado, Briguet, que é colunista da Folha de Londrina, respondeu que eles só deverão falar sobre o novo veículo após o lançamento.

Em seu “manifesto”, o jornal online afirma que vai adotar “uma distinção clara entre notícia e análise”, mas sem se “refugiar no patético isentismo da nova esquerda e do velho centrão”.

MEIO TERMO – Acrescenta que “não é um instrumento para criação de um futuro ilusório e inatingível, como quer a esquerda progressista, mas também não é o perseguidor de um passado que jamais existiu, como sonha a direita nostálgica”.

Quanto ao modelo de negócios, adianta apenas, em mensagem ao leitor, que: “Para garantir o caráter livre e independente do Brasil Sem Medo, você terá um papel fundamental. Ao tornar-se assinante, por um mínimo de investimento, você terá acesso ao máximo de informação”.

CGU evita o primeiro escândalo do governo Bolsonaro, num edital de R$ 3 bilhões do MEC

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Ministro Abraham Weintraub estava distraído, cantando na chuva…

Elio Gaspari
O Globo/Folha

O repórter Aguirre Talento botou aos pés de Jair Bolsonaro um caso que lhe permitirá mostrar a extensão de seu compromisso com a defesa da bolsa da Viúva. No dia 21 de agosto o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, FNDE, anunciou que realizaria um pregão eletrônico (13/2019) para a compra de “equipamentos de tecnologia educacional” para a rede pública de ensino.

Os educatecas queriam comprar 1,3 milhão de computadores, notebooks e laptops. Até aí seria coisa de Primeiro Mundo, com a Boa Senhora gastando R$ 3 bilhões.

EDITAL REVOGADO – Alguém sentiu cheiro de queimado. O presidente do FNDE, nomeado em fevereiro, foi dispensado e seu sucessor, Rodrigo Dias, assumiu no dia 30 de agosto. A 4 de setembro revogou preventivamente o edital.

Entre agosto e as duas primeiras semanas de setembro a Controladoria-Geral da União apontou “inconsistências” no edital. Põe inconsistência nisso.

Noves fora que o Ministério da Economia não foi consultado para uma licitação de R$ 3 bilhões, ficando-se só em dois pontos apontados pela CGU, via-se que os 255 alunos da Escola Municipal Laura Queiroz, de Itabirito (MG), receberiam 30 mil laptops (118 para cada um).

MAIS EXAGEROS – Poderia ter sido um erro de digitação, mas a CGU mostrou que 355 escolas receberiam mais de um laptop por aluno, e 46 delas, mais de dois. Cada jovem da Chiquita Mendes, de Santa Bárbara do Tugúrio (MG), receberia cinco.

Na outra ponta do negócio, o das empresas que ofereciam equipamentos, a CGU achou duas, a Daruma (de Taubaté) e a Movplan (de Ribeirão Preto). Ambas mandaram cartas de cinco linhas, com o mesmo fraseado e o mesmo erro de português: “Sem mais, para o momento, colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessária.”

A Movplan fica em Ribeirão Preto (SP), mas datou sua carta de Taubaté (SP), onde mora a Daruma.

HOUVE ALEGAÇÕES – As “inconsistências” apontadas pela CGU foram rebatidas pelo FNDE num documento de 20 páginas. A autorização do Ministério da Economia não seria necessária, não se tratou da coincidência gramatical das duas cartas e a remessa para as escolas de um número de laptops superior ao de alunos seria corrigida. O FNDE alegrou-se, informando que só na escola Laura Queiroz, a Viúva economizaria R$ 54,7 milhões.

O edital foi finalmente revogado pelo FNDE no dia 9 de outubro, data da conclusão do Relatório de Avaliação da CGU. Final feliz, graças à vigilância de competência de um órgão controlador da administração pública.

O que pode parecer um desfecho, deveria funcionar para Bolsonaro como um começo: Como é que esse edital apareceu? Uma despesa de R$ 3 bilhões não é um jabuti qualquer. A burocracia do FNDE blindou-se diante das advertências da CGU. Blindada, continuou depois da posse do novo presidente e da revogação preventiva do edital.

E OS CULPADOS? – Cada ato administrativo praticado nessa novela tem um responsável, ou vários. O mesmo se pode dizer das empresas que foram atraídas (ou fizeram-se atrair) pela bonança do negócio. Os auditores da CGU defenderam a bolsa da Viúva, mas se o caso terminar com a simples revogação do edital e zero a zero, bola ao centro, sem a exposição dos responsáveis, eles estarão enxugando gelo.

São 66 páginas de textos com algum “juridiquês” e muito “computês”, mas alegrarão quem acredita que há uma banda competente e vigilante no serviço público.

Aleluia, irmão! Senado pode votar pacote anticrime e segunda instância nesta semana

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Simone Tebet enfrenta Alcolumbre e convoca as duas votações

Valdo Cruz
G1 Politica

Líderes no Senado costuram um acordo para acabar com o clima de embate na Casa e votar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), nesta semana que se inicia, tanto o pacote anticrime como o projeto de lei que altera o Código de Processo Penal, que pode garantir a volta da prisão após a condenação em segunda instância.

Consultado pelos negociadores do armistício, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), deu sinal verde. Segundo líderes ouvidos pelo blog, as negociações “estão evoluindo”, mas um acordo de fato seria fechado apenas no início da semana.

DOIS GRUPOS – Atualmente, há uma disputa dentro do Senado entre o grupo que quer votar o projeto de lei sobre prisão em segunda instância e o -, que prefere apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Câmara sobre o assunto. À frente  do segundo grupo está Alcolumbre, apoiado por alguns líderes. Do outro, a presidente da Comissão de Constituição e Justiça, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), junto com um bloco de mais de 40 senadores.

O novo acordo garantiria a votação do projeto anticrime, que endurece a legislação penal e foi aprovado nesta semana pela Câmara. Já o projeto de lei que muda o Código de Processo Penal e trata da prisão em segunda instância seria votado na Comissão de Constituição e Justiça terça-feira, pela manhã, mas num primeiro momento não seria apreciado pelo plenário.

TRAMITANDO JUNTOS – “Ele [o projeto] ficaria aprovado na comissão, e pronto para ser votado no plenário da Casa. Se a PEC da Câmara não evoluir no ritmo que vem sendo prometido pelos deputados, aí o projeto de lei que altera o Código de Processo Penal seria colocado em votação no plenário do Senado”, disse um líder ao blog reservadamente.

Alguns líderes falam na possibilidade de aguardar a votação da PEC da Câmara até março ou início de abril para só então tomar uma decisão se o plenário do Senado votaria ou não o projeto de lei que altera o Código de Processo Penal. Outros afirmam que, caso o calendário da Câmara não seja cumprido e indique que haverá demora na tramitação, o projeto seja votado logo no início do ano que vem.

Na avaliação de líderes, hoje haveria uma maioria para aprovar o projeto de lei sobre prisão em segunda instância no plenário do Senado, mas isso acirraria o ambiente de embate na Casa e poderia gerar um clima ruim no relacionamento entre Câmara e Senado. Por isso, as apostas continuam na busca de um acordo entre os grupos que divergem sobre o tema.

POSIÇÃO DE MAIA – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem defendido a PEC que tramita na Casa por considerá-la o caminho mais seguro do ponto de vista jurídico para mudar a atual jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), que agora passou a exigir todo o trânsito em julgado antes da execução de uma sentença. Maia ganhou o apoio de Alcolumbre. Os dois avaliam que a alteração no Código de Processo Penal deve ser questionada e cair no STF.

Já o grupo de senadores favoráveis à votação do projeto de lei que muda o Código de Processo Penal defende que esse é o caminho mais rápido e fácil para garantir, com maioria simples, a volta da prisão após condenação em segunda instância. Uma PEC precisa ser votada em dois turnos na Câmara e no Senado, com quórum de três quintos do plenário e é um caminho mais longo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o fato concreto é que a maioria dos senadores duvida da real disposição de os deputados aprovarem a PEC sobre o tema. Quanto ao pacote anticrime já aprovado na Câmara, o ministro Sergio Moro, da Justiça, quer incluir no Senado pontos excluídos do projeto pelos deptados. É um erro de Moro. A melhor solução é aprovar no Senado o pacote do jeito que está e colocá-lo logo em vigor. O assunto é importantíssimo e vamos voltar a ele. (C.N.)

Uma Lua branca que iluminava a criatividade de Chiquinha Gonzaga…

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Chiquinha Gonzaga era pioneira em tudo o que fazia

Paulo Peres
Poemas & Canções

A regente, pianista e compositora carioca Francisca Hedwiges de Lima Neves Gonzaga (1847-1935) invoca a verdade que a “Lua Branca concede abrigo ao amor, qual panaceia, para substituir o sofrimento que uma perda acarretou. A modinha Lua Branca faz parte do LP Ternas e Eternas Serestas lançado, em 1980, pela Atlantic/Wea.

LUA BRANCA
Chiquinha Gonzaga

Ó, lua branca de fulgor e desencanto
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus o pranto
Ai, vem matar essa paixão que anda comigo
Ai, por quem és, desce do céu, ó, lua branca
Essa amargura do meu peito, ó, vem, arranca
Dá-me o luar de tua compaixão
Ó, vem, por Deus, iluminar meu coração
E quantas vezes lá no céu me aparecias
A brilhar em noite calma e constelada
E em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada
E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
Ela partiu, me abandonou assim
Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim