A candidata suja e os candidatos mal-lavados

Heron Guimarães
O clima começa a esquentar na campanha eleitoral para presidente, e o esperado jogo de acusações já pauta a agenda dos candidatos e seus próximos passos. Com os resultados das últimas pesquisas, que anunciam pequena queda na diferença entre Aécio e Dilma em diversos cenários e um empate técnico em um eventual segundo turno, é até natural que o lado perverso e oficioso de cada candidatura mostre sua face.

Tudo isso é motivo para uma blitz de denuncismos, mas também para delações verdadeiras, que devem ser levadas a sério e investigadas com afinco pelas autoridades competentes. Mais do que isso, as revelações são, também, ferramentas que contribuem para o correto julgamento do eleitor, que, após suas análises, terá condições de separar com mais nitidez o joio do trigo.

O que fica clara, definitivamente, é a possibilidade de um candidato apontar o dedo para o outro. Esvaiu-se qualquer condição moral para isso. Entre os três principais presidenciáveis, a suja, no caso, a presidente Dilma Rousseff, não pode mais ser alvo exclusivo dos mal-lavados Aécio e Eduardo Campos.

PASADENA

A presidente Dilma, até domingo passado, respondia pela ruidosa venda de Pasadena, o que, de certa forma, contribuiu para sua despencada. Os estratosféricos R$ 1,25 bilhão gastos na aquisição da petrolífera americana, mais do que exporem uma administração absurdamente temerária, mostram a irresponsabilidade e o desrespeito com o dinheiro público.

Porém, fazendo as devidas ressalvas sobre a abismal diferença entre os valores monetários em questão, Dilma deixou o isolamento na vala dos suspeitos. Passa a ser acompanhada agora por Aécio, que terá que responder pela construção de um aeroporto em um terreno cuja propriedade era de um parente.

PROPINAS EM PERNAMBUCO

Como pau que dá em Chico também acerta Francisco, Eduardo Campos também perde sua auréola, pois está sendo obrigado a se justificar por causa de uma reunião por meio da qual seus assessores oferecem propinas para ter o PROS na campanha de Paulo Câmara, o seu escolhido para a sucessão do governo pernambucano.

Como já aconteceu com Dilma, que foi poupada pelo TCU na hora de apontar culpados na negociata envolvendo a Petrobras, Aécio e Eduardo também serão inocentados por autoridades e tribunais deste país.

Ficará novamente a mensagem para o eleitorado de que a cobertura de todos é feita de vidro, e sem blindex. Talvez será preciso chegar ao ponto de termos que fazer uma escala individualizada e uma espécie de ranking de escândalos e irregularidades para ver qual o poleiro será o menos sujo até o dia 5 de outubro. (transcrito de O Tempo)

Qual ética?

Jacques Gruman

Conheço sonegadores confessos. Alegam que não sustentariam seus negócios se tivessem que pagar os impostos. Montam, assim, uma ética paralela, uma espécie de milícia financeira, muito bem aceita por setores ponderáveis da população. Ao invés de lutar para consertar o que acham errado, preferem investir na economia paralela, clandestina pero no mucho. Berram dia e noite contra os desvios de conduta dos políticos e tecnocratas, mas sobrevivem graças a eles. O udenismo não morreu.

É nos pequenos gestos do cotidiano que se observam as distorções trazidas pela cultura do jeitinho. No fundo, é a glorificação do bumba meu boi, cada macaco no seu galho e salve-se quem puder. Só os otários, dizem, obedecem as regras que deveriam valer para todos. Num pequeno trajeto, vivo montanhas disso todo dia. Entre minha casa e a praia, há menos de um quilômetro. De cara, carros estacionados em fila dupla, numa via estreita. Poucos metros adiante, um bar que ocupa quase dois terços da calçada, prejudicando a passagem.

Fiscalização pra quê ? Em seguida, quase em frente a uma delegacia, parasitas que se dizem flanelinhas achacam quem precisa estacionar. Na ciclovia, exclusiva para ciclistas e corredores, pedestres caminham sem a menor cerimônia, prontos a ofender e ameaçar quem os alerta para a infração que cometem. Nos finais de semana, são os ciclistas que invadem o espaço dos pedestres, tirando finos de gente que só quer caminhar em paz. Tudo muito natural, como se esculacho fosse uma saudável rebeldia. A absoluta impunidade sobe a escada e acaba por “justificar” os de cima. Afinal de contas, que diferença conceitual há entre, por exemplo, a falsificação de uma carteira de estudante e o estelionato que enriquece ladrões perfumados ?

COPA DAS COPAS…

Na esteira da Copa das Copas (sic), muita gente acordou para o lamaçal da Fifa e da CBF. Negociatas de todos os tipos, destruição ética e técnica do futebol brasileiro, repressão de manifestações populares em nome da tranquilidade para sugar lucros excepcionais. A bandalha invadiu os gramados. Sempre achamos que os jogadores brasileiros eram artistas da bola, maestros e músicos de uma sinfonia de raiz popular. Os limites éticos pareciam implícitos, da pelada ao Maracanã . Agora, criamos uma nova escola de artistas: os simuladores, que tanta surpresa e raiva provocam em jogadores de outras praças, desacostumados com essa prática desleal.

Desde as categorias de base até os times que disputam o Campeonato Nacional, passando pela seleção brasileira, há um desfile de comportamentos desonestos, antiéticos. O futebol brasileiro não deixa de ser um espelho da sociedade, sempre em busca do caminho mais fácil – nem sempre honesto – para se ganhar. O imperativo mercantil, acoplado à chamada Lei de Gérson (injusta “homenagem” para o Canhotinha), agravam o quadro. Nem sempre foi assim.

DUAS HISTÓRIAS

Conto duas histórias. Podem me chamar de sonhador, mas elas exprimem o que sinto quando penso no futebol como paixão. A primeira, registrada pelo Juca Kfouri, tem mais de cinquenta anos. Copa do Mundo no Chile, 1962. Depois de uma vitória discreta na estreia contra o México, o Brasil enfrentaria a Tcheco-Eslováquia. A parada não ia ser fácil. Os tchecos tinham um time sólido, com alguns jogadores de bom nível. Lá estavam Pelé e Garrincha, artilharia pesada contra o excelente goleiro Schroiff. De repente, calafrios. Pelé chuta da entrada da área, Schroiff se estica e toca na bola, que roça na trave e sai pela linha de fundo. O crioulo se abaixa, afaga a coxa esquerda e não esconde uma fisionomia de dor. Distensão na virilha, coisa séria. Naquele tempo, não havia substituição. Se um jogador se machucava, permanecia em campo fazendo número, como se dizia. Foi o que Pelé fez, congelado no exílio forçado da ponta-esquerda. Para surpresa geral, os tchecos não se aproveitaram do desastre muscular do Rei. Masopust, capitão do time, ordenou aos companheiros: “Ninguém o combate se a bola chegar nele”.

Foi o que aconteceu com o zagueiro Lala, que, vendo a bola chegar em Pelé, apenas o cercou, com as mãos na cintura, sem procurar desarmar o crioulo. Pelé percebe, faz um agradecimento silencioso, joga a bola para fora e sai de campo, escoltado por Masopust. Ao perceber o que acabara de acontecer, o estádio Sausalito virou um aplauso só. Todos tinham sido testemunhas de um maravilhoso gesto de espírito esportivo, de generosidade, de respeito, de reconhecimento das regras de convivência. Em suma, como diz o Juca: de ética esportiva. Alguém consegue imaginar cena semelhante hoje em dia ? Alguém consegue visualizar o Mané Cabelinho ou o Fred se comportando de maneira semelhante ?

NA COLÔMBIA

A segunda vem da Colômbia e foi narrada pelo inimitável Eduardo Galeano. Data indefinida. Era dia de final do campeonato colombiano. Milionários e Santa Fé mobilizaram Bogotá e o estádio estava abarrotado. Segundo Galeano, apenas os cegos e os paralíticos estavam ausentes. O jogo corre tenso e, já nos últimos minutos, o centro-avante e artilheiro do Santa Fé, o argentino Lorenzo Devani, penetra na área adversária e cai. O juiz corre para a marca do cal e assinala o penalty.

Devani, surpreso, se dirige a Sua Senhoria e diz que tinha caído sozinho, o penalty não existira. O juiz pede que ele olhe para a multidão nas arquibancadas e alega que não tinha a menor condição de voltar atrás. Podia ser trucidado. Devani, então, toma a decisão que, disse Galeano, seria sua ruína e sua glória. Corre para a bola e a chuta para o mais longe possível das traves. Perdeu o gol, mas transformou um jogo de futebol na mais perfeita tradução da ética. É pouco?

(artigo enviado por Mário Assis)

Legado da Copa: comércio do Rio fecha junho com menor crescimento em oito anos

Deu na Ag. Brasil

As vendas do comércio lojista do Rio de Janeiro aumentaram 2,4% em junho em relação ao mesmo mês do ano passado, fechando com a menor expansão no varejo carioca dos últimos oito anos. Os dados são da pesquisa Termômetro de Vendas divulgada mensalmente pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro – CDL-Rio.

Com o resultado de junho, quando foram ouvidos 500 estabelecimentos comerciais da cidade, as vendas do comércio fecharam o primeiro semestre do ano com uma expansão acumulada de 5,6%, na comparação com o período de janeiro a junho do ano passado.

Na avaliação do presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves, o resultado abaixo da expectativa foi decorrente dos eventos da Copa do Mundo 2014, da Federação Internacional de Futebol (Fifa), efetuada nos meses de junho e julho no país. “O mês de junho, que sempre foi aquecido pelas vendas do Dia dos Namorados, uma das datas fortes do comércio, este ano teve queda no crescimento, coincidindo com o jogo entre Brasil e Croácia, que abriu o Mundial. Além disso, o inverno fraco não ajudou nas vendas do comércio, também colaborando para 2,4% de crescimento, o menor dos últimos oito anos”, justificou.

Segundo a pesquisa, o Ramo Duro (bens duráveis), com crescimento de 2,8%, teve um desempenho melhor do que o Ramo Mole (bens não duráveis) cuja expansão de 0,7%. No primeiro caso, os melhores desempenhos ficaram com os setores de confecção (+ 2,2%), calçados (+1,1%) e tecidos (+0.8%); e no segundo com os setores de eletrodomésticos (+2,9%), móveis (+2,6%), jóias (+ 1,4%) e óticas (+ 0,9%). As compras a prazo foi a modalidade preferida por 3,7% dos consumidores, enquanto a compra a vista registrou mais 1,5%.

A CDL-Rio registrou aumento de 1,3% no nível de inadimplência do comércio lojista da cidade no primeiro semestre do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Nesses últimos seis meses as dívidas quitadas e as consultas aumentaram, respectivamente, 4,7% e 0,9%, em relação ao mesmo período de 2013. Em relação a maio, no entanto, junho acusou quedas no nível de inadimplência e nas consultas de, respectivamente, 2,3% e 4,1%, enquanto as dívidas quitadas aumentaram 10,2%.

PSDB de Minas responde a Fernando Pimentel, lembrando processo movido contra ele por ato de corrupção

O PSDB mineiro reagiu à provocação que o candidato ao governo de Minas pelo PT, ex-ministro Fernando Pimentel, fez ao senador Aécio Neves, candidato ao Planalto, quando se referiu ao “aeroporto da fazenda do titio”. O partido rebateu citando um processo a que o ex-ministro responde.
O presidente do PSDB-MG, deputado federal Marcus Pestana, considerou “lamentável” o tom usado por Pimentel, que, segundo o tucano, adotou um “discurso radical, vazio e apelativo”.
Ao afirmar que o Ministério Público arquivou investigação por não ter encontrado nenhuma irregularidade na obra do aeroporto de Cláudio (MG), no terreno desapropriado do tio-avô, Pestana comparou esse caso ao programa “Olho Vivo”, de monitoramento por câmeras.
“O caso do aeroporto de Cláudio é diferente do ‘Olho Vivo’, em que o ex-prefeito foi indiciado, processado e responde na Justiça. Essa é a verdadeira diferença”, afirmou Pestana. Ele se referia ao processo em que Pimentel é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ser “autor de delitos” e ter “concorrido ativamente” para o desvio de R$ 5 milhões da Prefeitura de Belo Horizonte em 2004, quando era prefeito. Pimentel nega ter havido irregularidades.
SEM LICITAÇÃO
O processo contra Pimentel tramitava no STF (Supremo Tribunal Federal), mas estava para voltar para Minas depois que o petista deixou no começo do ano o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A denúncia diz que a prefeitura contratou a Câmara dos Dirigentes Lojistas de BH para implantar o projeto “Olho Vivo”, que previa a instalação de 72 câmeras para coibir crimes no centro da cidade. Essa contratação, segundo a Procuradoria, foi uma forma de não realizar licitação. A acusação contra Pimentel é de “apropriação de bens ou rendas públicas”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - Agora, só falta o PSDB ressuscitar as denúncias contra a firma de consultoria (leia-se: tráfico de influência) que Fernando Pimentel abriu em Belo Horizonte quando saiu da Prefeitura. Pimentel tomou mais R$ 1 milhão da Federação das Indústrias para fazer palestras no interior, recebeu a grana e não fez uma só palestra. Na época do escândalo, Dilma disse que não o tiraria do Ministério porque o “malfeito” tinha sido feito quando Pimentel ainda não estava no governo, vema o tamanho da cara de pau dessa gente. (C.N)

 

Aécio admite ter usado pista de aeroporto em Cláudio

aécio neves

Deu no Estadão

A assessoria da campanha do senador Aécio Neves reconheceu terça-feira, 29, pela primeira vez que o candidato tucano à Presidência usou o aeroporto de Cláudio, no interior de Minas Gerais, apesar do local não ter sido homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para receber pousos e decolagens.

Desde que o jornal “Folha de S.Paulo” revelou no último dia 20 que o governo de Minas Gerais – durante o segundo mandato do tucano – gastou quase R$ 14 milhões para construir o aeroporto dentro de um terreno desapropriado da fazenda de um tio-avô de Aécio, o candidato tem evitado responder se usa ou não a pista, localizada a 6 km da propriedade de sua família.

O episódio abriu a primeira crise na campanha tucana. Para tentar tirar o caso do noticiário, a equipe de Aécio produziu um documento – Voos ocasionais para a pista de Cláudio/MG; Aspectos da legalidade – no qual cita uma norma da Anac que permitiriam “operação ocasional” de helicópteros em aeroportos não homologados.

“Os voos realizados pelo presidenciável Aécio Neves para a pista em Cláudio/MG foram feitos totalmente em conformidade com a legislação vigente. Trata-se de operações denominadas operação ocasional”, diz o texto da campanha que foi produzido a pedido de senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), candidato a vice na chapa de Aécio, e enviado por sua assessoria ao Estado.

EM HELIPORTO

Pela norma apresentada, o operador do helicóptero poderia utilizar o local “desde que tenha tomado as providências cabíveis para garantir a segurança da operação da aeronave”.

A Anac, porém, contesta o argumento. “Esse trecho do regulamento só é válido para operações realizadas exclusivamente por helicópteros (aeronaves de asa rotativa), e em helipontos ainda não homologados”, informou o órgão. Ainda segundo a Anac, os aeroportos não homologados só podem ser utilizados para casos de “emergência em voo, para evitar incidente/acidente”.

A assessoria de Aécio não respondeu se ele utilizou aviões ou helicópteros para viajar até Cláudio. Depois que o caso do aeroporto veio à tona, a Anac começou a investigar a movimentação no aeroporto.

Nesta quarta-feira (30), em Brasília, Aécio evitou novamente o tema e disse ser “irrelevante” a informação sobre o uso do aeroporto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGJá dissemos aqui que Aécio Neves errou feio ao mandar asfaltar a pista de pouso existente na fazenda de seu tio-avô. Mas isso não significa que sejam aceitas as bobajadas que têm sido escritas a respeito. Por exemplo, esse lance de usar heliporto ou pista não homologada é uma piada num país como o Brasil, que é repleto de pistas de pouso. Na Fazenda Brasil, em Mato Grosso, pertencente a um dos filhos de Lula, também existe uma bela pista de pouso não homologada, segundo as denúncias de Wagner Pires, aqui na Tribuna da Internet. Mas os tucanos são tão amadores em política que não usam essa informação. Desse jeito, Aécio acaba perdendo uma eleição quase ganha, como Ciro Gomes em 2002. Por fim, se Lula acha que é “O Filho do Brasil”, faz sentido o filho dele chamar uma de suas propriedades de “Fazenda Brasil”. (C.N)

 

Durante todo o governo de Dilma o PIB cresceu menos do que no último ano de Lula

Deco Bancillon
Correio Braziliense

A decisão do Banco Central de injetar R$ 45 bilhões na economia em um momento em que o custo de vida já rompeu o teto da meta de inflação deixa claro que a prioridade do governo, a três meses das eleições, é apenas evitar que o país mergulhe numa recessão. A avaliação da equipe econômica é de que o país vive um colapso de confiança e que, portanto, é preciso criar uma agenda positiva para reverter o pessimismo de investidores, e das famílias.

Não é para menos. Se a previsão de crescimento de instituições conceituadas como a gestora de recursos Franklin Templeton Investments, o Banco Fibra, e a consultoria GO Associados, se confirme em 0,5%, o resultado do governo Dilma Rousseff só seria melhor do que o do período de Fernando Collor e Itamar Franco na Presidência, entre 1990 e 1994.

Se os prognósticos estiverem corretos, significa dizer que a média de expansão do PIB dos últimos quatro anos seria de apenas 1,69%. Mesmo o crescimento acumulado durante o mandato, de 6,90%, ficaria abaixo da média de expansão da economia apenas no último ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando o PIB avançou 7,53%.

SINAL DE ALERTA

No Palácio do Planalto, o sinal de alerta está ligado. A avaliação ainda é de que Produto Interno Bruto (PIB) não enche a barriga do eleitor. Mas, diante da ameaça de recessão, passou-se a temer também pelo mercado de trabalho, que começa a dar sinais claros de perda de força.

O pacote de estímulo ao crédito do BC foi lançado na mesma semana em que os prognósticos do mercado financeiro para o crescimento econômico caíram abaixo de 1% pela primeira vez no ano e que o Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou em 0,6 ponto a projeção de expansão da atividade para o Brasil em 2014.

 

O mar que navega os destinos de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. Junto com o poeta Hermínio Bello de Carvalho, compôs “Timoneiro”,  um de seus sambas mais bonitos, em que os dois parceiros usam o mar como parábola do sentido de destino que orienta nossas vidas. Este samba foi gravado por Paulinho da Viola, em 1996, no CD Bebadosamba, pela BMG.

TIMONEIRO

Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho da Viola

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar

Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
- Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar

E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar…
É ele quem me navega
Como nem fosse levar…

A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor

Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que ele faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Netanyahu anuncia ação militar longa e assim isola Israel no cenário internacional

Pedro do Coutto

Reportagem da Folha de São Paulo publicada na edição de 29, destaca o pronunciamento da véspera do primeiro-ministro Netanyahu avisando que a operação militar na Faixa de Gaza será longa e, com isso, tacitamente, rejeitou todos os apelos e manifestações voltadas para o cessar fogo na região, entre eles o apelo do Papa Francisco. Rejeitou também, da mesma forma implícita, os esforços do Secretário de Estado John Kerry, isolando ainda mais Israel no cenário internacional.

O primeiro-ministro sustentou que os combates só acabam quando Gaza estiver desmilitarizada. Esqueceu que, sob o ângulo político, quando mais os bombardeios israelenses durarem, maiores e mais intensas vão ser os atos que acontecem em inúmeras cidades contra a política de Telavive.

Não se pode ignorar os ataques do Hamas a Israel e também condená-los, reconhecendo o direito de Israel se defender. Só que a única saída para o gravíssimo impasse está na negociação através de fins pacíficos. Pois, caso contrário, envereda-se duplamente pelo caminho da destruição que ninguém sabe onde vai parar e a que desfecho trágico pode conduzir. Não existe alguém de bom senso na face da Terra capaz de dissecar um rumo imprevisível, no qual previsíveis são as mortes, aos milhares, que vão se suceder.

No momento, Israel, mesmo assim com reservas naturais colocadas pelo Secretário de Estado Kerry, só conta com o apoio dos Estados Unidos. Israel está perdendo a guerra da comunicação – basta ir os jornais e revistas, observar as fotos e o confronto diplomático. Na realidade, quanto mais se alongarem as bombas e foguetes, quanto maiores forem os números dos mortos e mutilados, pior, sob o ângulo político, será para Israel.

Como é possível o premier Netanyahu ignorar este aspecto essencial? Terminará isolado não só internacionalmente, mas dentro de seu próprio país, uma vez que não é lógico aceitar a tese que um conflito longo e permanente pode interessar à sua população. Ela acabará naturalmente cansando-se dos conflitos, das mortes, das mutilações, dos prédios destruídos, com os alarmes tocando a cada instante.

UM CLIMA RUIM

Matéria de Carolina Alencastro, O Globo também de 29, reproduziu declarações da presidente Dilma Rousseff, durante sabatina pelo UOL, amplamente publicada pela FSP, que afirmou que as declarações da chancelaria israelense  contra o Brasil criaram um clima ruim entre Brasilia e Telavive. Passada uma semana, o primeiro-ministro de Israel poderia ter reduzido a questão, suavizando o mal-estar com um simples pedido informal de desculpas. Seria uma fórmula de restabelecer o diálogo. No entanto, até agora permanece em silêncio. E o silêncio é comprometedor e leva à concordância com um absurdo.

Já que é rematado absurdo desconhecr a importãncia do Brasil no cenário mundial. Os fatos concretos apontam o contrário. Em coluna recente, escrevi sobre vários deles, culminando com a participação brasileira, através da heroica FEB, na segunda guerra mundial. Esqueci de citar dois. Cito hoje. A Conferência Panamericana realizada em janeiro de 42, no Rio de janeiro, Palácio Tiradentes, de apoio aos Estados Unidos contra o ataque japonês a Pearl Harbor; a cessão das bases aéreas de Natal e Recife para a operação militar das forças aliadas num espaço aéreo fundamental. Importância se mede com fatos, não com palavras grosseiras e despropositadas.

 

Testemunhas desistem de depor em favor do deputado André Vargas, que não será cassado pela Câmara

Naira Trindade
Correio Braziliense

Sem a presença das duas últimas testemunhas de defesa e do deputado federal André Vargas (sem partido-PR), o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados encerrou a fase de instrução do processo que pode pedir a cassação do parlamentar por quebra de decoro. Ele é acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato. Em janeiro, Vargas viajou com a família em um jato emprestado pelo doleiro. Em sua defesa, o parlamentar alegou ser amigo de Youssef há 20 anos.

Esperados para depor, o coordenador operacional da Arquidiocese de Aparecida, Denir Campos, e o consultor jurídico do Ministério da Saúde Fabrício de Oliveira Braga não compareceram. Encerrada a fase de instrução, o relator do processo, Júlio Delgado (PSB-MG), tem dez dias para concluir o relatório. Delgado adiantou, porém, a intenção de terminar o relatório a tempo de ser analisado no esforço concentrado da semana que vem, em 5 e 6 de agosto.

Foram ouvidos durante o processo apenas sete das 16 testemunhas arroladas. Ao conselho, os sócios do Labogen, Leonardo Meirelles e Esdras Ferreira, tentaram minimizar a participação do congressista na atuação da Labogen junto ao Ministério da Saúde para obter contrato de R$ 35 milhões.

O deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) aproveitou depoimento para reforçar que o amigo “não fez lobby”. Também foram ouvidos o prefeito de Apucarana (PR), Carlos Alberto Gebrim Preto (Beto Preto), que falou sobre o empréstimo do jatinho, e o capitão da Marinha Paulo Ricardo de Souza e Souza, que explicou o convênio da corporação com o Ministério. Já o dono da empresa que forneceu a aeronave ao deputado, Bernardo Tosto, e Roberto Vezozzo (defesa) responderam às perguntas por e-mail.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEsta é inédita. Nem mesmo o réu, o ex-petista e ex-vice presidente da Câmara, deputado André Vargas, teve coragem de comparecer perante a Comissão de Ética para se defender das acusações de se relacionar com o doleiro Alberto Youssef. Deveria renunciar ao cargo, se tivesse ainda um pouco de dignidade, mas não o fará, porque sabe que não será cassado e irá cumprir o mandato até 31 de dezembro. Até lá, não haverá quorum na Câmara. (C.N.)

O PT e o exemplo de Voltaire

 

Carlos Chagas

Voltaire viveu até os 84 anos, dedicando sua vida a tentar esmagar a Igreja, que aliás, em boa parte, merecia. Apesar de em criança ter sido aluno dos jesuítas, que sempre reverenciou apesar das discordâncias, ele formou entre os iluministas que negavam a existência de Deus. Pelo menos do Deus barbudo, implacável, que mandava a maior parte da Humanidade para o inferno, menos os que pagavam caríssimas indulgências. Às portas da morte, no entanto, mandou chamar um padre para confessar-se e receber a extrema unção. Seus amigos não entenderam nada e, mesmo agonizante, ele foi cobrado: que história era aquela, renegando toda uma vida de lutas?

Sem perder a malícia, ele declarou que continuava não acreditando em outra existência, mas explicou não desejar correr riscos. Se por hipótese a Igreja estivesse certa, estava garantindo o paraíso…

Com todo o respeito e guardadas as proporções, pode estar acontecendo coisa parecida com o PT. Apesar da queda nos percentuais das pesquisas eleitorais, tudo indica que Dilma Rousseff será reeleita, mas se não for, como ficarão os companheiros? Mais ou menos como Voltaire imaginou sua presença diante do Padre Eterno, se Ele existisse…

Sendo assim, o PT toma suas precauções. A primeira será evitar que Dilma ou qualquer outro de seus candidatos a outras funções venha a fazer das eleições de outubro uma guerra sem possibilidades de armistício ou rendição incondicional. O partido atacará Aécio, os tucanos e seus aliados, mas tendo presente haver um limite para tudo. Nada de violência desmedida, de acusações pessoais impossíveis de ser esquecidas, de massacres sem retorno. Guerra é guerra, munição existe para ser utilizada, ainda que sem destruir o adversário e sua família. Por isso a estratégia de campanha sugerida pelo marqueteiro João Santana é de a candidata falar mais das realizações do governo petista e dos planos e programas para o próximo mandato. Menos dos governos do PSDB e de seus erros ideológicos.

Levar a campanha para o futuro dará mais dividendos do que ficar amaldiçoando o adversário. Até porque uma postura assim obrigará o adversário a comportamento igual. Resta saber se Dilma aceitará o conselho. Ela costuma explodir sem dar sinais, não resiste a provocações. Estando em jogo o seu futuro, porém, pensará duas vezes antes de precipitar-se.

Para o PT, fica o exemplo de Voltaire: a vitória parece provável, mas se a derrota passar por perto, melhor preparar-se para ela, como garantia…

Skaf ironiza polêmica sobre palanque com Dilma: ‘Sabe de nada, inocente’

Ricardo Brandt
Estadão

O candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, montou uma peça publicitária veiculada há poucos minutos via rede social para responder as investidas do PT, que tenta forçar a abertura de espaço em seu palanque para a presidente Dilma Rousseff.

Na peça, Skaf aparece sentado em um banco de um trem do metrô, como passageiro, segurando um aparelho celular nas mãos. Ele recebe uma mensagem com a seguinte pergunta: “Skaf, e esse papo de apoiar o PT?”.

Skaf então teria respondido: “Sabe de nada, inocente …”.

SAINDO FORA…

O candidato, segundo colocado nas pesquisas, com 16% de intenções de voto, tem fugido de responder às investidas petistas. Ele e o marqueteiro Duda Mendonça, que faz sua campanha e foi o marqueteiro da campanha vitoriosa de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, querem evitar a associação com petistas. A avaliação é que o partido da presidente tem alta rejeição em São Paulo e pode tirar votos.

No post colocado por Skaf ele afirma: “A posição da minha coligação é vencer o PT e o PSDB”. A afirmação foi repetida por ele outras vezes, que nunca deixou de negar uma aproximação em um segundo turno.

Principal articulador de sua candidatura, o presidente do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, já anunciou que Dilma estará no palanque peemedebista em São Paulo.

MARINHO PERDE A LINHA

Ao saber da colocação de Skaf, o prefeito petista de São Bernardo, Luiz Marinho, partiu para o ataque e disse que o candidato do PMDB não é político sem sabe nada de política. Ainda segundo Luiz Marinho, Skaf deveria respeitar a coligação entre PT e PMDB, que resultou na repetição da chapa Dilma Rousseff/Michel Temer.

 

Presidente do Santander diz que analista econômico foi demitido

Deu no Estadão

O analista responsável pelo informe econômico do Santander que sugeria deterioração da economia brasileira caso a presidente Dilma Rousseff (PT) mostre melhor desempenho nas pesquisas eleitorais já foi demitido, anunciou nesta terça-feira (29), o presidente global do banco espanhol, Emilio Botín. O executivo, porém, não forneceu mais detalhes, nem disse se mais pessoas serão punidas.

“A pessoa foi demitida porque o banco, advertido, disse que deveria demiti-lo, uma vez que (o analista) agiu mal”, resumiu. O presidente global do Santander destacou que o analista não tinha autorização para emitir o relatório e chamou o episódio de “falha” e “coisa mal feita”.

Botín também se esquivou de tecer comentários sobre as declarações da presidente Dilma, que nesta segunda-feira, 28, classificou a resposta do banco como “protocolar” e disse ser “inadmissível” que o mercado financeiro interfira na atividade eleitoral. Visivelmente incomodado com os questionamentos sobre o caso, ele se limitou a reafirmar que o informe, enviado a clientes do segmento Select (renda mensal superior a R$ 10 mil mensais) por meio do extrato bancário, não reflete a opinião do banco.

“A opinião foi de um analista, não é a opinião do banco Santander”, ressaltou, durante coletiva à imprensa no III Encontro Internacional de Reitores, no Rio, realizado pelo Santander por meio do projeto Universia.

CARTA A DILMA

Após o ocorrido, o presidente do Santander no Brasil, Jesús Zabalza, foi encarregado de comunicar ao governo brasileiro que os executivos do banco espanhol estavam “chateados” com o que havia acontecido. Zabalza também enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff, mas seu conteúdo não foi revelado.

“À presidente Dilma, quero dizer-lhe, isso acontece muitas vezes. Imaginem que temos 180 mil funcionários, estamos em dez países importantes. Às vezes acontece isso, e às vezes também acontece com outros bancos”, minimizou Botín. O presidente global do Santander não respondeu, contudo, se cogitava encontrar-se com a presidente pessoalmente para tratar do caso.

Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também havia atacado a instituição financeira, dizendo que o País é o que dá mais lucro ao banco, e que o Santander não entende “porra nenhuma” de Brasil. Mais uma vez, Botín evitou rebater as críticas. “Lula foi um grande presidente, é um grande amigo. Só tenho elogios a ele”, desconversou.

 

Tribunal Regional Eleitoral do DF nega pedido de Arruda para condenar o Ministério Público Eleitoral

José Carlos Werneck

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal negou, por unanimidade, o pedido feito pela defesa de José Roberto Arruda, candidato ao governo do DF, para condenar o Ministério Público Eleitoral pela publicação, em seu site, de matéria jornalística. Arruda chegou a conseguir uma liminar contra o órgão, alegando que, ao pedir a impugnação de sua candidatura, o MPE dava a entender no texto publicado, que o fato já estava certo, antes mesmo de o assunto ser apreciado pelo Tribunal Regional Eleitoral, fazendo uma propaganda irregular contra ele. Na ação, Arruda cita os procuradores Elton Ghersel e Fabiana Derziê como culpados por “incutir no imaginário do eleitorado a inviabilidade jurídica da candidatura”.

A notícia divulgada pelo Ministério Público, informava aos eleitores que, se Arruda ganhar as eleições, não poderá tomar posse por estar incurso nas sanções na Lei da Ficha Limpa.

“A relatora do processo não deu provimento ao recurso, acompanhada pelo Tribunal, por considerar que o Ministério Público Eleitoral é parte ilegítima no processo, negando provimento ao recurso”.

O Banco Central de Dilma e a ameaça de recessão

Vicente Nunes
Correio Braziliense

A presidente Dilma Rousseff não escondeu ontem de seus auxiliares a satisfação com o que ela chama de sintonia entre o Banco Central e o governo. Para ela, aqueles que viam como uma afronta ao Palácio do Planalto o anúncio da instituição de que a taxa básica de juros (Selic), que está em 11% ao ano, não cairá tão cedo, mesmo com a economia à beira da recessão, agora, serão obrigados a reconhecer que a autoridade monetária está, sim, preocupada com o ritmo da atividade. E que tem instrumentos de sobra para agir. Tanto que, ao desmontar medidas macroprudenciais, permitirá a injeção de R$ 45 bilhões no sistema financeiro e a retomada do crédito e do consumo.

O alívio nos depósitos compulsórios e nas regras operacionais dos bancos vem sendo discutido pelo governo há pelo menos um mês. E foi contemplado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que tanta comoção causou entre os analistas, ao frisar, explicitamente, que a Selic ficará onde está. Dentro do BC, o consenso é de que, ao deixar os juros fora dos estímulos à atividade, o órgão manteve a credibilidade da instituição e se desvinculou das eleições. Temia-se que, ao ser informada da queda do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre — o resultado sairá em 29 de agosto —, Dilma pressionasse o banco a cortar a Selic no início de setembro.

No entender de técnicos do BC, as medidas macroprudenciais adotadas em dezembro de 2010, agora desmontadas, desempenharam papel importante para mitigar potenciais riscos à estabilidade do Sistema Financeiro Nacional. Eles reconhecem que, naquela época, as instituições financeiras estavam expandindo de forma muito rápida a concessão de crédito, alargando excessivamente os prazos para pagamento. Essa tendência era observada, principalmente, no financiamento de automóveis.

“O quadro atual, porém, é bem diferente do observado em 2010, e a dinâmica do mercado de crédito não suscita a formação de potenciais riscos à economia”, ressalta um dos técnicos.

RETRAÇÃO

Há retração de algumas linhas importantes de financiamento. No caso de veículos, os desembolsos nos primeiros cinco meses deste ano recuaram 7%. Escaldados, depois de uma onda de calote, os bancos botaram o pé no freio e ficaram superseletivos na hora de financiar a clientela, o que contribuiu para o baque na produção de carros e, por consequência, na indústria em geral. “Nas linhas em que ainda há expansão, o resultado é inferior ao PIB nominal”, complementa.

Os técnicos do BC destacam ainda que o perfil de demanda das famílias por crédito mudou. Reduziu-se o empréstimo para consumo em favor do financiamento habitacional. “A compra da casa própria significa abrir mão, mesmo que minimamente, do consumo de bens e serviços não essenciais para constituir um patrimônio”, acrescenta um integrante da equipe econômica.

O Planalto reconhece que o movimento do Banco Central é bem-vindo. Mas não tem a ilusão de que os R$ 45 bilhões liberados para incrementar o crédito terão efeito imediato na economia. A esperança é de que, ao menos, impeça que o terceiro trimestre do ano também registre PIB negativo. Caso haja retração, o Brasil entrará tecnicamente em recessão. Na avaliação dos especialistas, é preciso cautela. Por enquanto, dizem, nada indica que o crescimento da economia no ano será superior a 1%. O resultado pífio de 2014 já foi sentenciado por todas as escolhas erradas do governo Dilma.

Aumenta a pressão internacional contra Israel

Camila Maciel
Agência Brasil 

Um manifesto publicado no The Guardian e assinado por 64 pensadores, políticos e outras figuras públicas pede um embargo a Israel por conta do conflito na Faixa de Gaza. O texto diz que Israel se beneficia de acordos de cooperação militar e ajuda dos EUA e da União Europeia e afirma que tal poder de fogo conquistado está sendo usado para uma guerra contra a Palestina.

Assim, eles pedem ao mundo um embargo militar, semelhante ao imposto ao governo sul-africano nos anos de apartheid.

No Brasil, um manifesto com mais de 80 assinaturas de organizações da sociedade civil e de ativistas políticos pede ao governo brasileiro medidas mais enérgicas em relação a Israel como forma de sanção pelos ataques à Faixa de Gaza. O documento, protocolado no escritório da Presidência da República em São Paulo no dia 25, é encabeçado pelo movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) e pede o rompimento imediato das relações militares, comerciais e diplomáticas com Israel. As entidades cobram também o fim do Acordo de Livre Comércio do Mercosul com o país e de contratos com empresas israelenses.

No texto, as entidades lembram que os ataques iniciados por Israel no início deste mês já resultaram na morte de mais de 600 palestinos (o número já passa de mil), sendo a maioria civis, 3 mil feridos e 40 mil desabrigados. “É imperativo, nesse sentido, isolar militar, econômica e politicamente Israel. Não se trata apenas de um dever moral do Estado brasileiro, mas também de uma obrigação jurídica”, assinala o manifesto.

As organizações que assinam o documento destacam que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) considerou ilegal a construção de um muro por Israel na Cisjordânia. O manifesto lembra ainda o apelo internacional de ganhadores do Nobel da Paz e acadêmicos para que os países assumam um embargo militar a Israel.

IMPORTANDO ARMAS…

“Na contramão disto, lamentavelmente, o Brasil permanece o quarto maior importador de tecnologia militar israelense no mundo”, criticam os signatários. Um dos contratos, segundo o manifesto, é mantido com a Elbit Systems, através de subsidiárias. A empresa israelense é responsável pela construção de veículos aéreos não tripulados que são usados nos ataques a Gaza. Além disso, é uma das 12 companhias envolvidas na construção do “muro do apartheid”, de acordo com o manifesto. Para as entidades, os palestinos se tornaram “verdadeiros laboratórios humanos das armas vendidas depois para o Brasil e o mundo”.

Em relação ao Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel, as organizações lembram que ele já foi suspenso temporariamente em julho de 2006, quando ocorreu o ataque israelense ao Líbano e a Gaza. Elas pedem, portanto, a suspensão do acordo por tempo indeterminado ou até que o país cumpra as leis internacionais. Por fim, as entidades pedem a condenação pública das prisões políticas, do tratamento desumano aos prisioneiros e a libertação imediata de todos os presos políticos palestinos.

Candidatos ao Planalto tentam aproximação com movimentos sociais

João Valadares
Correio Braziliense
Os três principais candidatos na disputa eleitoral pela Presidência da República intensificaram as articulações com movimentos sociais, setores da juventude, ONGs e representantes de minorias neste início de campanha eleitoral. Sexta-feira passada, por exemplo, foi a vez do senador tucano Aécio Neves visitar o centro cultural do Afroreggae, na favela de Vigário Geral, no Rio de Janeiro. O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) conheceu o local há um mês. Na terça-feira, o comitê de campanha da presidente Dilma Rousseff se reúne com integrantes do Instituto Sou da Paz para debater propostas voltadas à área de segurança pública. No fim de agosto, a petista deve se encontrar com representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
O secretário nacional de Reforma Agrária da Contag, Zenildo Pereira, afirmou que debaterá uma pauta ampla de reivindicações com todos os candidatos. “Nesse início de campanha, ainda não tivemos uma reunião para que eles assumissem compromissos em relação ao assentamentos de famílias. Vamos sentar com os principais candidatos. É papel nosso. Estamos no início de articulação”, afirmou.
HOMOSSEXUAIS
O secretário de Educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, reconhece a boa vontade dos presidenciáveis, no entanto, cobra um posicionamento mais claro em relação à defesa dos homossexuais. “Queremos o debate e vamos cobrar um posicionamento dos candidatos. São necessárias ações mais fortes, mais contundentes. Já entramos em contato com as coligações. Há segmentos específicos dentro dos partidos para tratar a questão”, explicou.
De acordo com Reis, os encontros estão sendo marcados e devem ocorrer até o fim de agosto. “Estamos procurando as formações dos partidos e queremos conversar para que fiquem claras as ideias dos presidenciáveis”, atestou.Integrante do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da Universidade de Brasília (UnB), Nelson Inocêncio declara que a questão racial está na pauta oficial, mas ressalva que, tomando a campanha eleitoral neste exato momento, os três principais candidatos precisam elaborar um discurso com mais propriedade. “Em linhas gerais, o problema é que parece que os candidatos não dão importância ao eleitorado negro. E é uma parcela muito expressiva. A população autodeclarada negra no Brasil chega a mais de 50%.”
O professor defende a valorização do voto negro. “Parece-me que, até o momento, as assessorias dos candidatos não tenham se dado conta de que é importante valorizar o voto negro. Essa demanda tem que partir também dos movimentos sociais. É importante sensibilizar a comunidade negra para valorização do voto”, comentou.
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