Bolsonaro descarta golpe, garante eleições, elogia Barroso e defende urnas eletrônicas

O PARADOXO BOLSONARO | VEJA

A idade me deu uma certa maturidade, diz Bolsonaro

Deu na Veja

Isolado politicamente e em baixa nas pesquisas sobre a avaliação de seu governo e a corrida eleitoral de 2022, o presidente Jair Bolsonaro disse à revista Veja que não existe nenhuma chance de tentar um golpe no país.

“Daqui pra lá, a chance de um golpe é zero. De lá pra cá, a gente vê que sempre existe essa possibilidade”, disse o presidente na entrevista.

“De lá pra cá é a oposição, pô. Existem 100 pedidos de impeachment dentro do Congresso. Não tem golpe sem vice e sem povo. O vice é que renegocia a divisão dos ministérios. E o povo que dá a tranquilidade para o político voltar”, completou.

VAI TER ELEIÇÕES – Na entrevista à Veja, ao falar sobre as eleições de 2022, disse que não irá “melar” a disputa e até elogiou decisões recentes do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A atual crise institucional, patrocinada por Bolsonaro, teve início quando o presidente disse que as eleições de 2022 somente seriam realizadas com a implementação do sistema do voto impresso — mesmo após essa proposta já ter sido derrubada pelo Congresso.

“Olha só: vai ter eleição, não vou melar, fique tranquilo, vai ter eleição. O que o Barroso está fazendo? Ele tem uma portaria deles, lá, do TSE, onde tem vários setores da sociedade, onde tem as Forças Armadas, que estão participando do processo a partir de agora. As Forças Armadas têm condições de dar um bom assessoramento.”

URNA ELETRÔNICA – “Com as Forças Armadas participando, você não tem por que duvidar do voto eletrônico. As Forças Armadas vão empenhar seu nome, não tem por que duvidar. Eu até elogio o Barroso, no tocante a essa ideia —desde que as instituições participem de todas as fases do processo”, completou.

O tom da entrevista de Bolsonaro à Veja reflete um presidente tentando dar sinais de moderação desde os atos do 7 de Setembro, o que nem aliados acreditam que irá durar muito tempo.

Na entrevista à Veja, Bolsonaro disse que ‘extrapolou’ no 7 de Setembro. “Esperavam que eu fosse chutar o pau da barraca. Você imagina o problema que seria chutar o pau da barraca. Eu não convoquei a manifestação.”

SEM INTENÇÃO – No início do mês, dois dias após atacar o STF (Supremo Tribunal Federal) com ameaças golpistas, o Bolsonaro divulgou uma nota na qual recuou, afirmou que não teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes” e atribuiu palavras “contudentes” anteriores ao “calor do momento”.

“Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”, afirmou à época.

A mudança de tom do presidente após repetidos xingamentos a integrantes da corte desagradou grupos bolsonaristas, foi elogiada pelos presidentes do Senado e da Câmara, mas vista com ceticismo pelos magistrados. “Eu vinha falando que estamos lutando por liberdade e comecei a falar uns 15 dias antes que estaria na Esplanada e em São Paulo. Mas em São Paulo, quando eu falei em negociar, eu senti um bafo na cara. Extrapolei em algumas coisas que falei, mas tudo bem.”

MUDANÇA RADICAL – Bolsonaro passou os últimos dois meses com seguidos ataques ao STF e xingamentos a alguns de seus ministros como estratégia para convocar seus apoiadores para os atos do 7 de Setembro, quando repetiu as agressões e fez uma série de ameaças à corte e a seus integrantes.

Os principais alvos de Bolsonaro sempre foram os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. No 7 de Setembro, porém, buscou também emparedar o presidente do STF, ministro Luiz Fux.

AINDA ACREDITAM – Segundo pesquisa Datafolha da semana passada, para 50% dos brasileiros a retórica golpista de Bolsonaro pode se tornar realidade e existe a chance de o presidente tentar um golpe de Estado. A agenda antidemocrática de seus apoiadores é percebida assim pela maioria, assim como ações dos três Poderes são vistas como ameaças.

O apoio à democracia, por sua vez, segue sólido: 70% dos ouvidos pelo Datafolha dizem crer que o sistema é o melhor para o país, o segundo maior nível da série histórica iniciada em 1989. Já o contingente que admite a ditadura como opção está no menor patamar, 9%.

O temor de que o Brasil volte a ser uma ditadura, como foi sob os militares de 1964 a 1985 ou com Getúlio Vargas de 1937 a 1945, é o mais alto desde que o Datafolha começou a questionar isso, em fevereiro de 2014: 51%, ante 45% que dizem não acreditar no risco e 5% que não sabem dizer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria de Mauricio Lima e Policarpo Junior, na Veja, diz tudo. Agora temos dois Bolsonaros – o tigrão, que rosnou e ameaçou até o dia 7 de setembro, e o gatinho, que fica agradando os donos. Foi um milagre político? De repente, Bolsonaro acordou no dia 8 de setembro e pensou (?): “Gente, eu estou extrapolando! Meu caminho não é esse, eu sou de paz e de concórdia. Vou telefonar para o Temer e arranjar um jeito de pedir desculpas ao Moraes…”. É, foi mesmo um milagre, mas precisa ser atribuído ao Alto Comando do Exército, que ainda consegue motivar mudanças bruscas e surpreendentes, sem mover um só tanque fumacento. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

MP diz que já existem ‘indícios suficientes’ de peculato no gabinete de Carlos Bolsonaro

Agora é a turma do Carluxo - ISTOÉ Independente

Carluxo aprendeu a fazer rachadinhas com o pai e o irmão

Bernardo Mello e Thiago Prado
O Globo

O Ministério Público do Rio (MP-RJ) informou à Justiça fluminense ter encontrado “indícios suficientes” de desvio de dinheiro público, prática chamada de peculato, no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) na Câmara Municipal, por meio da nomeação de funcionários “fantasmas” entre 2001 e 2019.

Segundo o MP, que pediu as quebras de sigilo bancário e fiscal de Carlos e de mais de 20 ex-assessores, as informações levantadas na investigação sobre a manutenção, por anos, de funcionários que não trabalhavam podem configurar, além de desvio, a apropriação indevida de recursos.

RACHADINHAS – Ao citar a jurisprudência sobre o assunto nos pedidos de quebra de sigilo — que foram autorizadas pela Justiça —, o MP levantou a possibilidade de que o próprio Carlos seja futuramente indiciado por “peculato-apropriação”, isto é, de ter sido destinatário de parte da remuneração dos funcionários empregados em seu gabinete na Câmara Municipal.

“Portanto, (…) há indícios de que as condutas evidenciadas possam configurar crimes de peculato-desvio. Contudo, a tipificação penal definitiva, a definição da abrangência e a responsabilidade penal de todos os agentes só serão possíveis após o afastamento dos sigilos e análise dos dados bancários do vereador e dos assessores nomeados por ele no curso de seu mandato, assim como dos demais alvos”, afirmou o MP.

Os investigadores apontaram que “no presente caso, (…) restam indícios suficientes da prática dos crimes de peculato (artigo 312 do Código Penal) materializados no esquema das ‘rachadinhas’ e de organização criminosa (artigo 2º da Lei 12.850/12)”.

DIVISÃO DE TAREFAS – A suspeita de organização criminosa, segundo o MP, consiste nos indícios de que haveria uma “divisão de tarefas” no gabinete “caracterizada pela permanência e estabilidade, formada desde o ano de 2001 por diversos assessores nomeados pelo parlamentar”.

Segundo o MP, “para operacionalizar o desvio, é necessária a convergência de atuação do vereador, que se encarrega da indicação dos assessores ‘fantasmas’ (e figura como beneficiário final do peculato), dos chefes de gabinete, que atestam falsamente o desempenho da atividade profissional dos assessores, e finalmente dos ocupantes de cargos comissionados”, que seriam nomeados, de acordo com a investigação, para repassar parte de seus salários “aos demais integrantes da organização criminosa”.

Procurada pelo GLOBO, a defesa de Carlos Bolsonaro alegou que o procedimento corre em sigilo e disse que, portanto, não vai se manifestar sobre o caso.

PARALELO COM FLÁVIO – Na investigação contra Carlos, o MP traçou um paralelo com o “modus operandi” identificado em outro caso de “rachadinha”, no gabinete parlamentar de seu irmão, o atual senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), no período de 12 anos em que cumpriu mandatos como deputado estadual.

Os promotores destacaram que a prática envolve saques e movimentação de grandes quantias de dinheiro em espécie, e listaram três situações em que Carlos fez movimentos desse tipo.

Uma delas foi o pagamento de R$ 150 mil em espécie por parte do vereador, em 2003, para compra de um apartamento na Tijuca, Zona Norte do Rio. Em junho de 2009, Carlos lançou mão de R$ 15,5 mil em espécie para cobrir prejuízos com aplicações na Bolsa de Valores. Além disso, em sua declaração de bens nas eleições de 2020, o vereador informou ter R$ 20 mil em espécie na sua casa.

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NOTA DA REDAÇÃO
Como não confiam nos bancos, operar com dinheiro vivo é um padrão familiar no ramo Bolsonaro, que passa de pai para filho e também contamina as mulheres. A esposa 02 de Bolsonaro, por exemplo, também é mestre em negociações em dinheiro vivo.(C.N.)

Ipec: Lula 48%, Bolsonaro 23%, Ciro 8%, ex-presidente venceria no primeiro turno

Tendência declinante vem se mantendo em relação a Bolsonaro

Pedro do Coutto

William Bonner e Renata Vasconcellos revelaram no Jornal Nacional de quarta-feira a pesquisa do Ipec sobre a sucessão presidencial, que coincide com a do Datafolha na colocação dos candidatos, variando apenas percentuais. A pesquisa incluiu como possíveis candidatos, além do governador João Doria, o ex-ministro Sergio Moro, o ex-ministro Henrique Mandetta, o apresentador José Luiz Datena e o senador Rodrigo Pacheco.  

Moro apareceu com 5%, mas a meu ver a análise deve focalizar o quadro mais lógico formado por Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes e João Doria. O governador de São Paulo, entretanto, está muito fraco nas pesquisas, pontuando com somente 3%. Na pesquisa do Datafolha, ele apareceu com seis pontos.

VITÓRIA NO PRIMEIRO TURNO – De qualquer forma, muito longe dos que lideram o levantamento. Mas eu disse que, com base nesses números do Ipec, o ex-presidente da República venceria no primeiro turno se as eleições fossem hoje. Basta ver os números: Lula 48%, Bolsonaro 23%, Ciro Gomes 8% e Doria 3%. Com base nessas perspectivas, as urnas de 2022 dispensariam o segundo turno. Isso porque o índice dos que pretendem votar em branco ou anular o voto é de 10%.

Assim, 90% é igual a 100%. A maioria absoluta necessitaria de 45% mais um voto, mas se Lula já alcança 48%, ele ultrapassa com folga o limite para decidir a sucessão presidencial no primeiro turno no início de outubro do próximo ano. O panorama geral não é indicativo de alguma mudança, a não ser que Ciro Gomes consiga se aproximar de Bolsonaro. Não há indicativo de mudança porque 66 % dos eleitores e eleitoras desaprovam o governo, o que representa um crescimento de oito pontos em relação à desaprovação registrada em março.

O ponto mais sensível do levantamento é que ele focaliza uma tendência declinante que vem se mantendo em relação ao atual presidente da República. Reportagem de Filipe Vidon no O Globo de ontem destaca bem esse aspecto. A aprovação do governo Bolsonaro é de 28 pontos e a desaprovação é de 53%. Para 69% do eleitorado, Bolsonaro não merece confiança.

CORRUPÇÃO –  Outro ponto da pesquisa, este comentado por Pâmela Dias, também no O Globo, é o que se refere à reação popular diante da corrupção. Para 61%, a tendência da corrupção é aumentar, enquanto apenas 11% acham que ela vai diminuir. Na minha opinião, os dados que têm surgido na CPI do Senado Federal estão contribuindo fortemente para o desgaste do Planalto.

Há poucos dias, numa conversa com o meu amigo Alexandre Farah, ex-deputado pelo PDT, que está com Ciro Gomes para sucessão, eu disse a ele que Ciro Gomes só tem um caminho que é o de tentar ultrapassar Bolsonaro e conseguir levar o pleito para um segundo turno contra Lula da Silva. Ciro Gomes ao atacar Lula não conseguirá avançar nem no Datafolha e nem no Ipec, pois a faixa que está com o líder do PT é de absoluta oposição a Jair Bolsonaro. Dessa forma, ao atacar Lula, Ciro Gomes não consegue ganhar espaço, ficando estacionado na mesma colocação que para ele vem sendo registrada nos sucessivos levantamentos do Datafolha e do Ipec.

Evidentemente, não será fácil Ciro Gomes ultrapassar Bolsonaro, mas é o único caminho que ele dispõe, inclusive porque é a única possibilidade que o ex-governador do Ceará encontra de esquentar a disputa presidencial fora da opção entre Luís Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, uma opção que, como os números acentuam, deve se esgotar no primeiro turno. Se não alterar o seu posicionamento, Ciro Gomes não conseguirá mudar a faixa do eleitorado que está com a sua candidatura.

AUTODEFESA – O Ipec encontrou um percentual de 5% para Sergio Moro e 1% para Rodrigo Pacheco, presidente do Senado. Interessante a posição atual de Sergio Moro. Ele promoveu um intenso combate à corrupção no país, mas em relação a Lula todas as suas sentenças vêm sendo anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. Tenho a impressão de que as faixas propondo o fechamento do STF e até o sequestro dos ministros do Supremo criaram uma situação de autodefesa da Corte Suprema, levando-se em conta que, se reeleito, Bolsonaro tentaria se tornar imperador do Brasil.

Mas eu disse que a posição de Moro era interessante. Sua popularidade permanece positiva, mas ele não pode nem apoiar Bolsonaro, que o atraiu para o Ministério da Justiça  e depois o demitiu por questões pessoais, ou sequer Lula da Silva, a quem aplicou várias condenações  e foi por ele acusado de parcialidade. Mas a pesquisa do Ipec deixa aberto um sinal de que Sergio Moro pode alcançar uma votação muito boa para deputado federal.

No site do O Globo, Bela Megale, ontem, acentuou que Moro pode disputar o Senado. Para mim esta alternativa é difícil, pois é preciso levar em conta qual a legenda e qual o estado pelo qual vai se candidatar. A dificuldade, na minha impressão, é a de que para o Senado ele não acrescenta votos a nenhum partido. Porém para deputado, a sua votação pode ajudar na obtenção de mais uma ou duas cadeiras no Legislativo.

SELIC – Fernanda Trisotto e Stephanie Tondo  publicaram excelente reportagem no O Globo de ontem sobre a decisão do Banco Central de elevar a taxa Selic em um ponto percentual, passando-a a 6,25%. A taxa Selic é a que rege os juros sobre a dívida interna do país. Portanto, o índice recai sobre R$ 600 trilhões, 90% do PIB brasileiro.

Os bancos, os fundos de pensão e os fundos de investimentos são credores dos papéis do Tesouro remunerados pela Selic. Assim, um ponto representa um acréscimo concreto de R$ 60 bilhões no desembolso do governo. Fernanda Trisotto e Stephanie Tondo assinalam que no final de outubro deve haver outro acréscimo também de um ponto. Seriam mais R$ 60 bilhões na conta do país. A elevação registrada agora em setembro é a quinta consecutiva este ano.

Novo emprego da mulher de Arthur Lira mostra que nada muda para os políticos

Acusado de vários crimes, em 2013 Arthur Lira foi à Disney com namorada  usando passaporte diplomático – Donny Silva

Mulher de Arthur Lira ganhou um emprego caprichado

Felipe Bächtold
Folha

A mulher do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ganhou um cargo estadual em Brasília de um dos governadores mais próximos do presidente Jair Bolsonaro. Angela Maria Gomes de Almeida Lira foi nomeada em julho pelo governador de Roraima, Antonio Denarium, como secretária-adjunta da Representação Estadual no Distrito Federal, com salário líquido mensal de R$ 14 mil.

Segundo o governo estadual, a pasta tem a atribuição de interlocução com as diferentes instituições com as quais o governo se relaciona na capital federal.

ALIADO DE BOLSONARO – Denarium, ex-PSL e hoje sem partido, é um dos poucos governadores aliados de Bolsonaro, tendo inclusive participado de atos de raiz golpista no 7 de Setembro.

Eleito neste ano para comandar a Câmara com apoio do presidente, Lira vem barrando nos últimos meses a apreciação dos mais de cem pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Cabe a ele decidir sobre eventual abertura de processo de afastamento a ser analisada pela Casa.A mulher de Lira já chegou a ser envolvida em uma acusação judicial contra seu marido na Assembleia de Alagoas, por suspeita de ser funcionária-fantasma.

 No Governo de Roraima, Angela Lira, 43 anos, tem como superior imediato uma apoiadora de Bolsonaro, Gerlane Baccarin, secretária responsável pela pasta da Representação Estadual.

DE MULHER PARA MULHER – Candidata derrotada na eleição municipal de Boa Vista em 2020 pelo PP, Gerlane Baccarin é mulher do deputado federal Hiran Gonçalves, do mesmo partido. Gonçalves, também bolsonarista e amigo de Lira.

A indicação de Angela Lira foi divulgada pelo site Roraima em Tempo. A Folha questionou o governo estadual sobre as qualificações da secretária-adjunta para o cargo e sobre suas ligações com o estado.

A resposta foi que ela é uma “administradora experiente, já tendo passado por várias instituições como Banco do Nordeste e Assembleia Legislativa de Alagoas, além de ter excelente trânsito em Brasília”.

SERVIDORA-FANTASMA – A passagem da mulher de Lira nos anos 2000 pela Assembleia alagoana, porém, a envolve em uma das principais pendências judiciais do marido.

Em depoimento no âmbito da Operação Taturana, da Polícia Federal, sobre desvios na Assembleia de Alagoas, Angela afirmou que foi incluída por ele na folha de pagamento do Legislativo estadual, sem desempenhar um trabalho de fato.

Lira foi deputado estadual de 1999 a 2011, quando assumiu mandato no Congresso. O depoimento de Angela consta em uma das ações de improbidade contra Lira derivadas da Operação Taturana.

ERA SÓ NAMORADA – Os promotores escreveram: “Lira também proporcionava a inserção na folha de pagamentos de pessoal da ALE/AL de funcionários que nunca trabalharam de fato, como é o caso de sua namorada Angela”.

Um trecho da peça transcreve o depoimento tomado pela Polícia Federal da mulher do deputado, no qual ela contou ter sido nomeada em 2006, com salário de R$ 3.000 mensais. “Em razão de seu relacíonamento amoroso foi inserida na folha de pagamentos da ALE/AL; Que nunca exerceu de fato função alguma na ALE/AL”.

Ela também afirmou: “Nunca declarou sua renda à Receita Federal, uma vez que não auferia renda; Que a ALE/AL nunca descontava IR (Imposto de Renda) ou INSS de sua remuneração; Que somente em janeiro de 2008 passou a ser descontado IR e INSS.”

FORAM AFASTADOS – Na época da deflagração da investigação, a Justiça de Alagoas chegou a determinar o afastamento de todos os nomeados da Casa, desde a Constituição de 1988, que não tivessem prestado concurso e cujos atos não estivessem publicados no Diário Oficial.

Lira, que foi integrante da Mesa Diretora da Casa, também ficou afastado da Assembleia de Alagoas, com outros colegas, por decisão judicial naquela época.

A ação de improbidade que menciona a nomeação de Angela foi rejeitada em primeira instânca em abril deste ano, mas ainda não houve decisão definitiva. O presidente da Câmara está condenado em outras duas ações de improbidade derivadas do caso da Assembleia, nas quais está recorrendo.

SEM COMENTÁRIOS – A reportagem procurou a assessoria de Lira desde a semana passada para comentar o assunto, mas não obteve resposta. O deputado tem negado as acusações decorrentes da Operação Taturana. Em ação penal derivada dessa investigação, argumentou que houve nulidades na apuração.

Ao ser questionado pela reportagem, o Governo de Roraima afirmou que “Angela Maria não tem nenhuma condenação em seu histórico de vida pública”.

Também afirmou que as nomeações para o primeiro escalão “atendem a critérios técnicos relacionados a necessidade da secretaria, autarquia ou presidência em questão”.

SÓCIA DO MARIDOAngela Maria também possui participação nos negócios privados rurais de Lira. Ela consta como “administradora” da empresa D’Lira Agropecuária e Eventos, que pertence ao deputado e ao pai dele, também político Benedito de Lira.

No comando da Câmara desde fevereiro, Lira não tem dado sinais de que dará início ao processo de impeachment. Após os atos do 7 de Setembro, por exemplo, ele não mencionou essa possibilidade e fez um discurso pelo apaziguamento.

Por enquanto, Lira não tem tomado nenhuma decisão sobre os pedidos de afastamento —nem de rejeição nem de aceitação. Ele também não tem um prazo para expedir esses despachos Na Câmara, o deputado tem tentado priorizar, entre outros projetos, uma pauta simpática a seu grupo político, como as das propostas já aprovadas do novo Código Eleitoral e de mudanças na Lei de Improbidade, enviadas ao Senado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O novo emprego da atual mulher de Lira mostra que nada mudou no Congresso. A antiga mulher disse  à Polícia que “o dinheiro chegava em maletas”, e não aconteceu nada. É tudo em família, nepotismo aberto ou cruzado. Improbidade e impunidade por todo lado. E uma tranquilidade que só os grandes criminosos ostentam. Ah, Brasil… (C.N.)

O amor, a solidão e a tristeza de Alphonsus de Guimaraens, o mais místico dos poetas simbolistas

Imagens que passais pela retina - ppt carregarPaulo Peres
Poemas & Canções

O juiz e poeta mineiro Afonso Henriques da Costa Guimaraens (1870-1921), que adotou o nome de Alphonsus de Guimaraens, é considerado o mais místico dos poetas simbolistas, tendo em sua poesia as características marcantes dessa escola literária: o misticismo, a sugestividade, a musicalidade, os aspectos vagos e nebulosos, a sonoridade, a espiritualidade. Entre seus temas preferidos figuram a morte, o amor, a solidão e a melancolia, como no poema “Ismália”, escrito em honra a sua falecida ex-noiva e prima Constança.

ISMÁLIA
Alphonsus de Guimaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

Maior programa nacional é a extinção de qualquer forma de combate à corrupção

TRIBUNA DA INTERNET | Entenda por que Sérgio Cabral só ficará preso durante  30 anos, no máximo

Sérgio Cabral é o único corrupto que continua na cadeia

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

A Lava-Jato, desmontada pelo procurador Augusto Aras a pretexto de aperfeiçoar o combate à corrupção, havia conseguido algo inédito na história do país: que condenados devolvessem dinheiro roubado. Para a Petrobras, a maior vítima do esquema de corrupção montado no governo Lula, a Lava-Jato devolveu pouco mais de R$ 3 bilhões.

Houve outros esquemas de devolução bem engenhosos. As concessionárias de rodovias no Paraná, Ecorodovias e RodoNorte, devolveram R$ 220 milhões, a primeira, e R$ 350 milhões, a segunda, na forma de subsídios (redução) nos pedágios.

MAIS DEVOLUÇÕES – Outros R$ 416,5 milhões, recolhidos de ladrões diversos, foram entregues aos cofres da União. A 11ª Vara da Seção Judiciária de Goiás recebeu R$ 59 milhões. Não acabou ainda. Há nada menos que R$ 10 bilhões que estão sendo devolvidos em parcelas. Ou será que acabou?

Na verdade, não foi apenas a extinção da Lava-Jato. Está em curso no país um amplo processo de extinção de qualquer forma de combate à corrupção praticada pelas grandes empresas e políticos, um desmonte, como chamou o colega Merval Pereira.

Isso começou no STF, com o julgamento que considerou o juiz Sergio Moro parcial no caso envolvendo o triplex do Guarujá — apartamento que a OAS daria ao ex-presidente Lula, reformado ao gosto da família.

LIBEROU GERAL – Na ocasião, o ministro Gilmar Mendes, um dos condutores do desmonte, disse que a decisão só valia para aquele caso. Nada. Não só o próprio Gilmar, como o STF e juízes diversos começaram a anular e arquivar processos com base naquela decisão do STF.

Não deixa de ser curioso que a base das acusações contra Moro e os procuradores da Lava-Jato sejam as mensagens roubadas dos celulares daqueles procuradores. Dizem que a Lava-Jato usou provas ilegalmente obtidas. E usam conversas ilegalmente obtidas para zerar a Lava-Jato…

Reparem: o desmonte não é para declarar todo mundo inocente, mas para sumir com os processos — arquivando, mudando de foro e mandando começar tudo de novo, deixando prescrever, e por aí vai.

ATÉ EDUARDO CUNHA – É exemplar o caso mais recente envolvendo o ex-deputado Eduardo Cunha, condenado em duas instâncias a 14 anos de prisão. Há pouco, a Segunda Turma do STF anulou a ação penal, em julgamento que terminou empatado em dois a dois. Empate favorece o réu; logo, Cunha se livrou dessa.

Reparem a manobra, conforme explica o procurador Deltan Dallagnol, que foi o procurador-chefe da Lava-Jato: em 2016, o próprio STF recebeu acusação contra Cunha pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e caixa dois, pelo recebimento de US$ 1,5 milhão na compra de um bloco de exploração de petróleo no Benin, na África, pela Petrobras.

Cunha foi cassado, perdeu o foro, e o STF mandou o caso para Curitiba. Cinco anos depois, o STF, por dois votos da Segunda Turma (Gilmar e Lewandowski), diz que a competência não era de Curitiba. E o envia para a Justiça Eleitoral.

Em 2019, o STF havia decidido que casos de corrupção com o dinheiro indo para campanhas deveriam ser julgados na Justiça Eleitoral. Mas a condenação de Cunha havia ocorrido muito antes disso.

ANULANDO TUDO – Como diz Dallagnol, “a aplicação do entendimento pró-passado é catastrófica: anulou os casos Pasadena, Mensalão Mineiro, Calvário e Integração. Agora, o caso Cunha. E pode anular todos os outros casos de políticos da Lava-Jato”.

A gente fica até com pena do Sérgio Cabral, o único dos grandes que ainda continua em cana.

Mas eis o ponto principal: e os quase R$ 15 bilhões que foram e estão sendo devolvidos pelos que haviam sido condenados? Nas próximas semanas, deve ser anulado o último processo que ainda corre contra Lula. Não foi declarado inocente, simplesmente cancelaram os processos.

Só falta agora os ex-condenados pedirem de volta seu dinheiro. E só falta Lula pedir as escrituras do triplex e do sítio de Atibaia.

Pressionado, Alcolumbre pode marcar sabatina de André Mendonça para outubro

Em momento constrangedor, Alcolumbre não consegue pronunciar a palavra “réplica” durante sabatina de Aras; assista ao vídeo - Plu7

Alcolumbre alega que Mendonça deve perder no plenário

Luana Patriolino
Correio Braziliense

O presidente da Comissão e Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pode marcar a sabatina de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a primeira quinzena de outubro. Há mais de dois meses, Mendonça foi escolhido por Jair Bolsonaro para ser o seu ministro “terrivelmente evangélico” na Corte. A indicação de um presidente da República ao STF, contudo, nunca demorou tanto tempo para ser avaliada pelo colegiado.

A demora inédita fez com que Alcolumbre começasse a ser pressionado por seus pares para marcar a data da sabatina — processo necessário para que o nome almejado pelo chefe do Executivo assuma o posto.

PERGUNTA EMBARAÇOSA – O senador Alcolumbre foi questionado, nesta quarta-feira (23/9), por parlamentares sobre o porquê de não dar prosseguimento à sabatina de André Mendonça para o cargo de ministro do Supremo.

Em sessão da Comissão de Constituição e Justiça, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) perguntou sobre os “motivos não republicanos” que estariam fazendo Alcolumbre segurar a pauta. Com a cobrança, os ânimos entre os presentes se exaltaram.

A sessão foi encerrada e, perguntado sobre uma possível data para a sabatina, Alcolumbre respondeu aos senadores de forma evasiva que teria o entendimento sobre a sabatina de Mendonça “outro dia”.

LEWANDOWSKI QUER SABER – Nesta semana, o ministro do STF Ricardo Lewandowski também determinou que Davi Alcolumbre preste informações sobre a sabatina de Mendonça no colegiado para a indicação à vaga da Corte. No entanto, não estabeleceu um prazo para o parlamentar.

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, em 13 de julho, André Mendonça aguarda a sabatina para assumir a cadeira no STF. Desde que assumiu a presidência, Bolsonaro destacou a intenção de indicar um ministro “terrivelmente evangélico”. No entanto, a escolha pelo nome de André Mendonça segue travada. O motivo seria evitar um desgaste ainda maior do mandatário em caso de uma rejeição do nome do ex-advogado-geral da União (AGU) em votação no Senado.

Para assumir no STF, Mendonça terá que se submeter a uma sabatina no Senado e sua indicação será votada no plenário. Ele precisará da maioria (41) dos votos dos 81 senadores para se tornar apto a ocupar o cargo.

QUEM É O INDICADO – André Mendonça é pastor presbiteriano licenciado e servidor público federal concursado. Entre 2016 e 2018, foi assessor na Controladoria-Geral da União (CGU) e, depois, advogado-geral da União (AGU) no governo Bolsonaro, cargo que ocupou durante todo o ano de 2019 até abril de 2020 — quando Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça.

Mendonça, então, assumiu o lugar do ex-juiz e, como chefe da pasta, foi acusado de ter extrapolado suas funções institucionais atuando como advogado particular do presidente.

Jair Bolsonaro pensa que a CPI ainda não encontrou provas de corrupção no governo

 (crédito: Reprodução / Facebook)

A mídia desprezou a live de Bolsonaro, é lamentável…

Tainá Andrade
Correio Braziliense

Na live desta quinta-feira (23/9), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que a CPI da Covid não investigou nada nem conseguiu comprovar envolvimento da atual gestão do governo federal em casos de corrupção. “Não tem o que achar no meu governo”, disse ele.

“Ter corrupção, como aconteceu há pouco tempo no Brasil, pela governabilidade, não existe. Nosso ministério está redondinho. Dificilmente vai passar alguma coisa, se passar vamos tomar as providências”, afirmou.

“ALGUM SERVIDOR”… – O presidente disse, ainda, que, se algo aconteceu, pode ter sido pela tentativa de “algum servidor querer se aproveitar de alguma forma”.

Apesar das afirmações do presidente, uma das investigações da CPI da Covid é sobre a negociação de R$ 1,6 bilhão entre Ministério da Saúde e Precisa Medicamentos para a aquisição da vacina Covaxin. Bolsonaro também comentou sobre a confusão entre o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), e o senador aliado do governo Jorginho de Mello (PL-SC), na sessão desta quinta-feira. Ele chamou o episódio de “baixaria”.

Durante o depoimento à CPI do diretor institucional da Precisa Medicamentos, Danilo Trento, os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) — relator da comissão — e Jorginho Mello (PL-SC) se estranharam. A confusão começou depois de Renan dizer que o governo federal é corrupto. Os senadores precisaram ser contidos pelos colegas. Jorginho mandou Renan para “os quintos” e o relator devolveu: “Vá o senhor”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG O que está havendo? O presidente Bolsonaro faz um pronunciamento à Nação e somente o Correio Braziliense divulga?  O que é isso, companheiro?, perguntaria Fernando Gabeira. Poxa, fiquei decepcionado com o desprezo da mídia em relação à live do presidente da República, nesta quinta- feira, dia 23. É lamentável. (C.N.)

Ministério Público quer prosseguir a ação contra Lula pela compra dos caças suecos

ConJur - Lewandowski suspende ações contra o ex-presidente Lula

Nesta ação penal, só falta interrogar Lula e os outros réus

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

O Ministério Público Federal defendeu nesta segunda-feira (20) a rejeição do pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para encerrar a ação penal que investiga irregularidades na compra de caças suecos durante o governo Dilma Rousseff.

Esse é o única ação de Lula que ainda não foi impactada pelas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceram a incompetência da Justiça Federal do Paraná para julgar os casos do petista e a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro no caso do tríplex. Processos contra o petista foram encerrados ou estão suspensos a partir desses entendimentos do STF.

FALTAM INTERROGATÓRIOS – A ação está na fase final, quando são marcados os interrogatórios dos acusados. Lula é réu no processo, junto com um dos filhos, pelos supostos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O ex-presidente nega as acusações.

Os advogados de Lula acionaram a Justiça Federal em Brasília sob argumento de que a ação penal dos caças teria conexão com outro processo encerrado na semana passada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) e que também acusava o ex-presidente de tráfico de influência.

A defesa alega que a ação dos caças também deveria ser encerrada porque utilizou provas já declaradas nulas pelo TRF-3.

DIZ O PROCURADOR – Em parecer, o procurador da República no DF Frederico Paiva defendeu a manutenção da ação penal e que os interrogatórios sejam marcados. Ele afirmou que ainda não há uma decisão definitiva do Supremo sobre a extensão da parcialidade de Moro para outros casos do ex-presidente, sendo que esse entendimento foi seguido pelo ministro Gilmar Mendes.

“Se o trancamento de ação penal via remédio heroico [habeas corpus] já se mostra uma medida excepcional, então muito mais excepcional ainda é o trancamento de ação penal que somente aguarda a designação dos interrogatórios dos réus”, afirmou Paiva.

Fusão de DEM e PSL criará um partido forte, com a maior bancada da Câmara

Fusão DEM e PSL

Uma das propostas é dar o nome de BEM ao novo partido

José Carlos Werneck

A Executiva Nacional do DEM se reuniu na noite desta terça-feira e deu início às conversações para a fusão com o PSL. O início das discussões para se unir ao partido teve 40 votos favoráveis e nenhum contrário. Participaram do encontro líderes nacionais do DEM, como Antônio Carlos Magalhães Neto, presidente do partido, Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

O objetivo de dirigentes dos dois partidos é oficializar a fusão até o próximo mês de outubro. Depois da reunião da Executiva, o DEM vai reunir em um encontro do Diretório Nacional, que tem o maior número de integrantes, para votar internamente se vai concretizar o projeto de união com o PSL. Dentro do PSL igualmente foram marcadas reuniões para debater o assunto, embora, para a cúpula do partido, a fusão já esteja praticamente decidida.

DISSE MANDETTA – “Depois que vota isso, só tem parte burocrática mesmo. A ideia é ver se a gente consegue concluir isso agora em outubro”, afirmou o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, pré-candidato a presidente da República pelo DEM.

Políticos que trabalham na fusão avaliam que a oficialização pelo Tribunal Superior Eleitoral vai acontecer até fevereiro de 2022. Se a fusão DEM/PFL vier a ser concretizada, o novo partido terá a maior bancada da Câmara, com 81 deputados. No Senado contará com sete senadores e nos Estados, três governadores, além de vir a ter o maior tempo de rádio e televisão na campanha de 2022 e os maiores fundos eleitoral e partidário.

A presidência do partido deve ficar com Luciano Bivar, atual presidente do PSL, e a secretaria-geral com ACM Neto, presidente do DEM.

HÁ DISCORDÂNCIAS – A união é vantajosa para o DEM devido ao aumento do fundo partidário e eleitoral. Para o PSL, os maiores atrativos são a capilaridade regional e estrutura que 0 DEM possui.

Para vir a ser confirmada a fusão, é preciso aplainar conflitos regionais, pois estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco ainda não têm consenso sobre qual grupo político vai exercer o comando nessas unidades da Federação.

“Não se faz uma fusão sem que vários pontos sejam levantados. Algumas são resistências regionais por conta de sobreposição de projetos. O PSL estava pensando em um projeto com A e o DEM naquele estado estava pensando com B”, lembrou o ex-ministro Mandetta.

Ele também ressaltou que é preciso definir a governança do novo partido, lembrando que isso vai ter de ser conversado. Segundo ele, detalhes como nome e o número da legenda vão ser as últimas coisas a serem definidas. Para ajudar na decisão desses pormenores, os articuladores da fusão contrataram uma pesquisa, que começou nesta segunda-feira.

BOA VONTADE – “Tem, em um primeiro momento, uma boa vontade. Agora tem que ver como é a governança do novo partido, como delibera. O DEM é um partido muito de colegiado, o PSL é muito concentrado”, afirmou o ex-ministro Mandetta.

Também Eduardo Mendonça Filho, integrante do DEM e ex-ministro da Educação, afirmou que o aval dado pela Executiva Nacional representa o início do processo e que a fusão ainda vai passar por conversações.

De acordo com esses políticos a par da união dos dois partidos, o líder da bancada na Câmara Federal deverá ser o deputado Elmar Nascimento, do DEM da Bahia, que é o principal nome das articulações para definir a fusão nos estados e é um aliado próximo a ACM Neto.

BUSCAR ADESÕES – O novo partido quer contar com políticos insatisfeitos com as suas legendas e antecipar os efeitos das trocas partidárias, quando os eleitos para cargos em pleitos proporcionais como deputados federais, estaduais e vereadores podem sair de suas siglas sem correr o risco de perderem o mandato. Isto está previsto para março do próximo ano, já que as regras eleitorais vigentes prevêem que um deputado pode trocar de partido sem perder o mandato se a nova legenda escolhida for resultado de uma fusão.

Antes mesmo da oficialização da nova legenda, o deputado Celso Sabino saiu do PSDB e anunciou na semana passada que vai para o PSL. Ele entrou em conflito com o comando tucano por conta da proximidade dele com o Centrão, que é base do governo de Jair Bolsonaro. O PSDB anunciou no início de setembro que é oposição ao Governo.

Também insatisfeito com seu partido devido à proximidade com o Governo, o senador Márcio Bittar (MDB-AC) disse a aliados que vai sair do MDB para se filiar ao novo partido resultante da fusão do DEM com o PSL.

OUTRAS FILIAÇÕES – Os organizadores da fusão também esperam a filiação dos deputados Felipe Rigoni (PSB-ES), Pedro Lucas Fernandes (PTB-MA), Clarissa Garotinho (Pros-RJ), Daniela do Waguinho (MDB-RJ) e Capitão Wagner (Pros-CE), todos em conflito com suas respectivas legendas.

É muito aguardada a desfiliação dos deputados ligados ideologicamente ao presidente Jair Bolsonaro. O grupo bolsonarista do PSL tem sido deixado de fora das conversas sobre a fusão.

“Eles não têm o que aceitar ou não aceitar. Eles seguem o projeto do presidente da República. Não tem  poder de decisão no partido”, afirmou o deputado por São Paulo, Júnior Bozzella, segundo vice-presidente nacional do PSL. Para o parlamentar, 25 deputados bolsonaristas devem deixar o partido quando Bolsonaro definir por qual sigla vai disputar à reeleição.

JACARÉ E COBRA D’ÁGUA – Henrique Mandetta reprova, enfaticamente, o grupo bolsonarista do PSL. “Não dá. É jacaré com cobra d’água”, criticou o ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro, que rompeu com o presidente ao sair do cargo.

A ideia é que o partido não apoie a reeleição de Bolsonaro. Procurando ter noção do tamanho do grupo adversário, o Palácio do Planalto acompanha atentamente as movimentações para a fusão. O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, tem se informado com o vice-presidente do PSL, Antonio Rueda, sobre o andamento do processo.

Além de Mandetta, o novo partido trabalha com as candidaturas ao Planalto de José Luiz Datena, filiado ao PSL, e com a do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que vem sendo sondado para se filiar ao PSD, mas o comando do DEM tem usado a fusão e o tamanho do novo partido, como argumentos para tentar impedir que isso se concretize.

PACHECO NA ESPERA – O presidente do Senado participou nesta terça de uma solenidade no Congresso em comemoração aos dez anos do PSD. Indagado se poderia se filiar ao partido presidido por Gilberto Kassab, ele evitou responder e disse que prefere acompanhar o desfecho da fusão entre DEM e PSL antes de tomar uma decisão.

“Estamos avaliando. O DEM é o partido que eu gosto de estar, tenho grande respeito pela legenda. Estamos discutindo todas essas questões. Tem essa possibilidade de fusão. Então vamos dar tempo ao tempo”.

Após décadas liderando a América do Sul, o Brasil é um estranho no continente

Samuel Guimarães: Ernesto Araújo é “ridículo” e “um louco” e Bolsonaro não deve passar de julho | Revista Fórum

Guimarães destacou com Darc Costa a política continental

Pedro Silva Barros
Folha

O escritor mexicano Carlos Fuentes, quando perguntado se língua portuguesa não era parte do futuro da “hispanidade”, respondeu que o Brasil é um continente em si mesmo. Considerava o país um caso especial dentro da América Latina pela particularidade de ter obtido sua independência pelas mãos do colonizador e de ter sido um império.

O Brasil esteve distante do conceito de América Latina pelo menos durante todo o primeiro século de sua independência, que completará 200 anos em onze meses. O primeiro livro de história geral da América Latina que incluiu o Brasil na análise da região foi escrito pelo escocês William Spence Robertson, professor da Universidade de Illinois, em 1922.

GERADOR DE CONSENSOS – Na política recente, Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia e ex-secretário geral da Unasul, caracterizava o Brasil como um transatlântico gerador de consensos entre as diferentes posições da região. Mas ele entende que o país abandonou a América Latina nos últimos anos.

O maior país latino-americano é o único que não esteve representado na reunião de líderes de 32 nações da América Latina e do Caribe no último dia 18 de setembro no México. O evento foi a retomada da diplomacia presidencial presencial multilateral na América Latina, cuja paralisia havia começado antes da pandemia.

No Brasil de Lula de 2008, pela primeira vez na história, os mandatários dos 33 países da América Latina e Caribe se reuniram sem a presença dos Estados Unidos, Canadá ou qualquer potencial extrarregional. A Cúpula ocorreu na Bahia, estabeleceu uma agenda comum de integração e desenvolvimento e, dois anos depois, ao ser fusionada com o Grupo do Rio, deu origem à Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

TUDO AO CONTRÁRIO – A ausência do Brasil em 2021 contrasta com o comunicado à imprensa da chancelaria brasileira sobre a participação de Dilma Rousseff na Cúpula da Celac de 2011, que destacava que o Brasil possuía embaixadas residentes em todos os países representados na Celac, que a corrente de comércio do Brasil com os países da região havia crescido cerca de quatro vezes em oito anos, entre 2002 e 2010, chegando a 78 bilhões de dólares.

Dez anos depois vemos um Brasil autoisolado. A falta de concertação regional nos últimos anos fez da América Latina uma região mais polarizada e fragmentada politicamente e mais desintegrada comercialmente.

Ao não participar do esforço de reaproximação regional, o Brasil, além de renunciar à sua liderança política, perde economicamente. A corrente de comércio do Brasil com a América Latina tem despencado nos últimos anos. Em 2017 estava em 70 bilhões de dólares e fechou o ano de 2020 em 52 bilhões de dólares.

SALDO DESPENCA – A queda do saldo favorável ao Brasil foi ainda mais significativa, de 17 para 6,5 bilhões de dólares no mesmo período. A corrente de comércio do Brasil com os 32 países da região em 2020 foi 33% menor do que era em 2010, auge da liderança política brasileira na América Latina e Caribe.

Em janeiro de 2020, o Brasil suspendeu sua participação na Celac. O Itamaraty publicou que “não considera estarem dadas as condições para a atuação da Celac no atual contexto de crise regional”. Incomodado por participar de uma instância com Cuba e com o governo Maduro, a resposta brasileira foi o abandono.

Diferentemente da grande maioria dos países da América Latina, o Brasil mantém fechadas sua embaixada e consulados na Venezuela desde abril de 2020. No mês seguinte, o Brasil fechou cinco embaixadas no Caribe. Como era de se esperar, as exportações do Brasil caíram para todos estes países em 2020. A queda média foi de 13% se comparado ao ano anterior, sendo de 38% no caso de Dominica. As exportações do Brasil para o conjunto dos países do Caribe em 2020 foram 10% menores do que em 2019.

CELAC VINHA BEM – ​Diferentemente do Mercosul, da Comunidade Andina ou da Unasul, a Celac não chegou a ter um tratado constitutivo aprovado pelos parlamentos da região ou uma burocracia própria. A diplomacia latino-americana de Cúpulas funcionou relativamente bem entre 2008 e 2016. Acordos eram alcançados a despeito das diferenças ideológicas e manteve um diálogo conjunto do bloco com a União Europeia e com a China. Em ambos os casos seria inadequado realizá-los em conjunto com OEA ou sem o respaldo de um agrupamento regional.

Nesse período a presidência pro tempore da Celac foi exercida por mandatários de diferentes colorações partidárias como o chileno Sebastián Piñera (2013), de centro-direita, a costarriquense Laura Chinchilla (2014), de centro, e o equatoriano Rafael Correa (2016), de centro-esquerda. Eles ilustram a diversidade e pluralidade de líderes da região que apoiaram e fortaleceram a Celac.

Em todos esses anos as concorridas reuniões atraíam ao menos 20 mandatários. Mas em janeiro de 2017 apenas quatro chefes de estado compareceram à Cúpula de Punta Cana, ainda que houvesse representantes dos 33 países.

NA ERA TRUMP – No mesmo mês, Donald Trump havia tomado posse como presidente dos EUA e as negociações sobre a abertura cubana, que haviam avançado nos dois últimos anos do segundo governo Obama, foram paralisadas. Passou a ser difundido o discurso de que a Celac e a Unasul, não passavam de clubes bolivarianos de apoio a Cuba e a Nicolás Maduro.

Soava um pouco estranho porque naquele ano o argentino Mauricio Macri assumia a presidência pro tempore da Unasul e apresentou um candidato para a sua Secretaria Geral, defendendo as ideias originais da organização.

Meses depois, em agosto de 2017, foi criado o Grupo de Lima por doze países americanos, incluindo o Canadá. Em sua primeira declaração a agrupação solicitou a suspensão da Cúpula Celac-União Europeia que estava prevista para outubro do mesmo ano, como forma de isolar a Venezuela.

ESVAZIAMENTO – Em janeiro de 2019, o agrupamento reconheceu Juan Guaidó como presidente da Venezuela e passou a deslegitimar Nicolás Maduro.

O México se afastou do Grupo de Lima, mesmo movimento seguido por Argentina e, mais recentemente, Peru. Parece ser evidente que a governança do Grupo de Lima sobre a crise da Venezuela era muito maior antes da criação do agrupamento do que agora. A última declaração do grupo ocorreu em janeiro de 2021, dias antes de Trump deixar a presidência dos EUA.

O vazio político deixado pelo Brasil vem sendo ocupado exitosamente pelo México. A reunião no México com 16 mandatários, entre eles os presidentes de centro-direita do Equador, Paraguai e Uruguai, coroa a diplomacia mexicana e indica que a estratégia de isolar o governo da Venezuela está perdendo fôlego.

UM NOVO LÍDER – O país de López Obrador recebeu recentemente o governo e a oposição da Venezuela para uma rodada de diálogo mediada pela Noruega e se empenhou para a realização de diferentes atividades da Celac no último ano. A agenda incluiu a criação de uma agência espacial latino-americana e a doação de vacinas para países como Belize, Bolívia e Paraguai.

O Brasil, ao manter a posição de não conversar com Cuba ou Venezuela e mostrar-se inapto para apresentar uma agenda positiva para os outros países da região, acabou ficando sozinho em seu próprio continente.

O país caminhou rapidamente de ser o que mais ganhava com a integração para ser o que mais perde com seu autoisolamento. Parece faltar tanto o espelho como a luz para entender seu passado ou projetar seu futuro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG É errado atribuir a Lula essa política de liderança na América Latina. Os responsáveis foram o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães e o estrategista Darc Costa, então vice-presidente do BNDES. Depois deles, veio o dilúvio… (C.N.)

Bolsonaro não mentiu na ONU ao destacar os investimentos de R$ 67 bilhões em ferrovias

Impulso às ferrovias é o destaque do governo Bolsonaro

Célio Yano
Gazeta do Povo

O governo federal quer fazer deste mês de setembro um marco na transformação do transporte ferroviário no país. Após editar medida provisória (MP) que criou o programa Pro Trilhos, o Ministério da Infraestrutura recebeu 14 pedidos de autorização para construção de novas ferrovias. Com isso, estão previstos R$ 67 bilhões em investimentos privados no modal.

Estão nos planos dos interessados 4,2 mil quilômetros de novos trilhos, que vão cortar cidades de dez estados em quatro regiões: Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Piauí, Santa Catarina e São Paulo. O programa é considerado pelo ministro Tarcísio Gomes de Freitas como “a maior revolução dos últimos 100 anos” no setor ferroviário. A atual extensão da malha ferroviária nacional é de cerca de 29 mil quilômetros, semelhante à existente em 1922.

MEDIDA PROVISÓRIA – O programa foi possível porque a MP 1.065/2021 cria um novo marco legal que permite que novos projetos de ferrovias saiam pelo regime de autorização – e não mais por concessão, em que há processo de leilão e, ao fim do contrato, a reversão dos equipamentos à União. O modelo é semelhante ao que já ocorre na exploração de infraestrutura em outros setores, como de telecomunicações, energia elétrica, portuário e aeroportuário.

“É um absurdo que aqui no Brasil, por exemplo, um grande grupo que tenha um plano de negócios bilionário, que tenha o desejo de investir em ferrovia, e não possa, porque ferrovia é uma exclusividade do Estado”, explicou o ministro Tarcísio em audiência recente no Senado.

Os requerimentos são avaliados pelo Ministério da Infraestrutura, responsável por emitir as autorizações caso os empreendimentos cumpram todos os requisitos exigidos. Além disso, as novas regras permitem que as atuais concessionárias migrem os contratos para o regime de autorização sob a condição de aumentar a malha ou a capacidade de transporte em 50%, o que deve estimular ainda mais investimentos.

Embora tenha divulgado 14 pedidos de autorização para ferrovias, por enquanto o Ministério da Infraestrutura divulgou dados de 13 deles. Confira quais são:

Água Boa (MT) – Lucas do Rio Verde (MT): 557 km de extensão (VLI); Uberlândia (MG)– Chaveslândia (MG): 235 km (VLI); Estreito (MA) – Balsas (MA): 245 km (VLI); Shortline entre Perequê (SP) – Porto de Santos (SP): 8 km (VLI); Maracaju (MS) – Dourados (MS): 76 km (Ferroeste); Guarapuava (PR) – Paranaguá (PR): 405 km (Ferroeste); Cascavel (PR) – Foz do Iguaçu (PR): 166 (Ferroeste); Cascavel (PR) a Chapecó (SC): 286 (Ferroeste); Açailândia (MA) – Alcântara (MA): (Grão Pará); São Mateus (ES) – Ipatinga (MG): 420 km (Petrocity); Suape (PE) – Curral Novo (PI): 717 km (Planalto Piauí Participações); Presidente Kennedy (ES) – Conceição do Mato Dentro/Sete Lagoas (MG): 610 km (Macro Desenvolvimento); e Terminal Intermodal em Santo André (SP): 7 km (Fazenda Campo Grande).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente matéria enviada por Mário Assis Causanilhas. Mostra que Bolsonaro não mentiu na ONU, ao se referir ao boom ferroviário. O texto era muito extenso, tive de resumir. O repórter Célio Yano cita muitos outros projetos em andamento, como o primeiro trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, ligando o Porto de Ilhéus, na Bahia, ao estado do Tocantins. Há também a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste, já em construção, entre as cidades de Mara Rosa, em Goiás, e Vilhena, em Rondônia.  Por fim, a expansão do ramal Cariacica-Anchieta, no Espírito Santo, na ferrovia Vitória-Rio de Janeiro. Realmente, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, é um craque. Pena que não seja candidato à Presidência da República. (C.N.)

Jurista diz que Bolsonaro pode ser responsabilizado pelo caso Prevent Senior

PRÁTICAS CORRUPTIVAS NA SAÚDE PÚBLICA: ANÁLISE DA RESPOSTA JUDICIAL -  YouTube

Bolsonaro se expôs publicamente, diz prof. Salo de Carvalho

Caio Sartori
Portal Terra
(Estadão Conteúdo)

Na semana passada, um grupo de médicos enviou dossiê à CPI da Covid denunciando suposta ação irregular do plano de saúde Prevent Senior, cujo objetivo seria apoiar de forma pseudocientífica a defesa do governo Bolsonaro do “tratamento precoce” contra a covid-19. Sem o saber, pacientes teriam recebido medicamentos ineficazes, o que é ilegal. Segundo o dossiê, revelado pela GloboNews, houve ocultação de mortes de idosos durante as experiências.

Para o advogado e professor de direito Salo de Carvalho, da Universidade Federal do Rio (UFRJ), a comprovação das práticas e da relação da Prevent com o governo pode levar à punição de ambas as partes “em diversas esferas, como penal, cível, administrativa e, no caso do presidente, política”.

Se comprovado que o estudo da Prevent Senior ocultou mortes de idosos após acordo com o governo, o Palácio do Planalto pode ser responsabilizado?
É importante ter cautela na análise, pois são elementos ainda indiciários e que devem ser submetidos ao contraditório. Todavia, se comprovados – e aqui falo em hipótese, sublinho -, os fatos são bastante graves e podem gerar responsabilizações em diversas esferas, como penal, cível, administrativa e, no caso do presidente, política. Um dos pontos enfrentados pela Comissão de Juristas no parecer apresentado à CPI foi exatamente em como a postura do presidente caracterizou atos contrários à precaução e que desprezaram o necessário cuidado com a vida e a saúde da população. Assim, se for comprovado vínculo, acordo, entre o governo federal e a Prevent Senior para o uso deliberado e sem autorização de medicamentos ineficazes e a ocultação de mortes por covid, ambos podem ser responsabilizados.

Em quais crimes? No caso do presidente, contribuem para o que a comissão de juristas chamou de “charlatanismo”?
Sim. Mas penso que duas questões devem ser melhor investigadas, para além do charlatanismo. Primeiro, a ocultação de mortes decorrentes da covid, pois o Código Penal determina, no artigo 269, a obrigação de o médico informar doenças de notificação obrigatória. Se houve, é possível a imputação do delito e a imposição de pena de até dois anos de detenção. Outro fato grave que é o de ministrar, sem autorização, remédios ineficazes ou que poderiam ter agravado o estado de saúde dos pacientes. A depender das circunstâncias, no limite é possível responsabilização pela morte (homicídio doloso ou culposo) ou por lesões.

À luz do que já foi mostrado na CPI, qual é o peso desse caso?
Depois de tudo que a CPI revelou, sobretudo do que aconteceu em Manaus e das irregularidades com as vacinas, era difícil pensar em situações com a mesma gravidade. Se comprovados os fatos, revela uma relação espúria entre o governo e uma importante instituição que presta serviços na área da saúde.

Quais outros casos o sr. considera graves na conduta do governo durante a pandemia?
Conforme mencionei, o procedimento de aquisição de vacinas e o descaso em Manaus foram extremamente graves. Manaus parece ter sido uma espécie de laboratório de condutas de desprezo à vida. Em meio à crise de oxigênio que levou inúmeras pessoas à morte, representante do governo lançava na cidade um aplicativo (TrateCov) para divulgar remédios sabidamente inapropriados. Lembremos que no início de janeiro o Ministério da Saúde envia à Secretaria de Saúde de Manaus ofício pedindo autorização para difundir e adotar o tratamento precoce, destacando sua “comprovação científica” e de que era “inadmissível a não adoção”. No caso da Precisa Medicamentos, a comissão de juristas indicou provas contundentes de irregularidades para a aquisição da vacina e os crimes de falsificação de documentos, estelionato, advocacia administrativa e prevaricação do presidente e do ex-ministro da Saúde. Em relação à empresa Davati, são significativos os elementos que indicam corrupção passiva.

A comissão fala em crimes de responsabilidade em sete áreas de atuação. O sr. concorda?
A análise da Comissão de Juristas foi precisa em relação às condutas do presidente que configuram crimes de responsabilidade. O mapeamento do Centro de Estudos de Direito Sanitário da USP, juntado ao inquérito do Senado, já indicava uma série de atos de governo, normativos e de propaganda que caracterizavam notória e sistemática obstrução às medidas de contenção à propagação do vírus e de cuidado com as pessoas infectadas. A omissão em relação às medidas de cuidado foi acrescida de condutas ativas de disseminação do vírus.

E a participação do presidente?
O presidente não foi um mero coadjuvante, mas protagonista ao defender a imunidade de rebanho, uso de medicamentos comprovadamente ineficazes, a liberação do uso de máscara. Além disso, promoveu voluntária e conscientemente aglomerações e retardou dolosamente a aquisição de vacinas em meio à sua política diária de descrédito da eficácia delas. Em todas essas condutas o presidente desrespeitou o direito à vida e à saúde de número indeterminado de pessoas, o que tipifica o crime de responsabilidade do artigo 85 da Constituição e do artigo 7º, da Lei 1.079/50 (Lei do Impeachment).

Os caminhos jurídicos da CPI levam ao impeachment?
Pelos motivos expostos aqui, inexiste dúvida quanto à existência de elementos substanciais de crime de responsabilidade, o que dá justa causa ao processo de impeachment.

Ameaças às instituições conduzem a uma dedução genial de Sherlock Holmes

Charges — Alô Notícias - Com Lucio Jaques — Notícias políticas em Santa  Catarina

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Roberto DaMatta
O Globo

Não há nada pior do que assistir a uma conspiração contra instituições. Ver as molduras que organizam a vida ser atacadas. Quando Shakespeare diz que o mundo é um palco, e todos somos atores, revela o elo entre o todo (o roteiro como instituição) e a parte (a encenação como sua manifestação).

Encenar é interpretar. Nossas falas não seriam entendidas se não falássemos todos a língua portuguesa. Para que o drama se cumpra, ele tem de existir antes dos atores que o encenam e dos espectadores capazes de “deduzir” de suas cenas o significado que nele se encerra.

DENTRO DE MOLDURAS – Somos simultaneamente demarcadores e demarcados por molduras e nos assustamos quando elas são rompidas. Imagine um juiz arrotando depois de uma sentença; um senador arrumando a dentadura numa CPI; ou um presidente ameaçando dar porrada em jornalistas…

Molduras revelam níveis de realidade. Indicam o que é e o que não é. O que você deduz quando, em Chicago, vê uma cena de perseguição policial? Perplexo, você exige uma moldura para assentar o que testemunhou. Foi um assalto? Não, diz alguém o acalmando, é o Brian De Palma refilmando “Os intocáveis”.

A resposta, roubada de um livro do sociólogo Erving Goffman, satisfaz seu senso de realidade. A expressão “é sério” faz parte de um mundo infiltrado por brincadeiras, mentiras, trotes e fake news de todos os tipos de moldura.

CONFUSÃO DE MOLDURAS – O golpe de estado pode ser lido como uma moldura implantada numa hora de indecisão. O que hoje amedronta é a confusão de molduras promovendo insuportáveis inseguranças. Quando sentenças e operações contra uma corrupção abusiva são neutralizadas, e poderosos são inocentados, cria-se um paradoxo porque foi justamente sua exposição que elegeu o “supremo mandatário da nação”, que hoje atua numa clara desconstrução institucional da República.

O que se pode deduzir quando o Poder Executivo — esse poder desempenhado por um único ator, que, por isso mesmo, tem muito mais potência e, consequentemente, uma implacável responsabilidade numa sociedade familística e populista — produz imprecisão e insegurança?

A expressão “esticar a corda” é óbvia. Mas o que fazer quando o cabo de guerra é parte do discurso de um presidente leniente com seus aliados (e filhos) e implacável com seus adversários, que toma como inimigos mortais?

IMPULSO DEVASTADOR – Temos um presidente que quer demitir ministros do STF e assustar o Congresso Nacional no dia de uma votação contrária a um dos seus projetos mais retrógrados — mudar a forma de votação. Um presidente que nega vacinas e, assim, recusa a ordem biológica que é a moldura da vida no planeta

Testemunhamos um claro projeto de destruir a interdependência clássica dos três Poderes constitutivos da República, com a intenção de reduzi-los ao Executivo. O que fazer com um presidente cuja rotina objetiva é destruir molduras e recusar a realidade, como faz prova a sabotagem-negociata das vacinas, ao lado do descumprimento das promessas que o elegeram?

Bolsonaro realiza o contrário do que prometeu. Ele é um presidente embaralhador. Para seus seguidores, é o “mito” redentor de um Brasil cuja história política vive de personagens salvacionistas, “fortes” e “novos”, esses sinalizadores de decepcionantes molduras de progresso e de regressões intoleráveis.

E AS IRRACIONALIDADES? – Enquanto, pois, tentamos deduzir o sentido de tantas irracionalidades, está em curso uma nova moldura personalista agressiva, para a qual não há resposta dentro da nossa moldura de cordialidade e jeitinho.

Jair Messias Bolsonaro é um caso de dedução eleitoral equivocada. Eleito com a promessa de ordenar e domesticar o familismo, o fanatismo ideológico e a corrupção, ele realiza o justo oposto, com o ônus de a isso adicionar uma tenaz desconstrução. O que deduzir disso tudo?

Somos pródigos em tomar — ou deduzir — gato por lebre.

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UMA ANEDOTA ILUSTRA O QUE PASSAMOS.

Sherlock Holmes e o Dr. Watson estavam acampando. Armaram a barraca sob as estrelas e foram dormir. No meio da noite, Holmes acordou e disse:

— Watson, olhe para as estrelas e me diga o que está vendo.

— Estou vendo milhares e milhares de estrelas.

Holmes perguntou: — E o que você deduz disso?

Watson respondeu: — Ora, se existem muitos milhares de estrelas e se, em torno delas, existirem planetas, é provável que alguns sejam como a Terra. E, se houver outros como a Terra, é possível também que haja vida.

Holmes então concluiu: — Watson, seu idiota, isso quer dizer que alguém roubou nossa barraca!

Delegados da PF avisam que fake news podem causar distúrbios nas eleições de 2022

CPI aciona polícia legislativa para identificar autor de conta que  disseminou fake news - Flávio Chaves

Charge do Cazo (Arquivo Google)

Deu no Painel

O delegado Alexandre de Andrade, da Polícia Federal, disse em audiência pública na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (21) que a propagação de desinformação com finalidade eleitoral preocupa o órgão e tem potencial para causar “distúrbios graves” com reflexos na segurança, ordem pública e na imagem das instituições.

O investigador, lotado no Serviço de Repressão a Crimes Eleitorais, participou do evento ao lado dos delegados Valdemar Latance e Cassiana Carvalho.

SEGURANÇA NACIONAL – Segundo Andrade, as fake news viraram assunto de segurança nacional e a disseminação de desinformação passou a “pautar a agenda de segurança dos países a partir das evidências dos graves potenciais de danos às organizações”.

“É fato notório que a divulgação de fake news pode ter efeitos catastróficos nas próximas eleições e a gente trabalha para tentar minimizar isso ao máximo”, disse.

A audiência pública foi comandada pela deputada Bruna Furlan (PSDB-SP) e debateu se a criminalização da desinformação é ou não uma boa saída.

ABRIR A DISCUSSÃO – Chefe da Divisão de Crimes Cibernéticos, a delegada Cassiana Carvalho argumentou que a discussão não deve se ater apenas à criminalização ou não e pensar também nas ferramentas necessárias para o enfrentamento da desinformação.

O investigador Valdemar Latance também seguiu a argumentação da colega e disse que um dos pontos a serem resolvidos é o do acesso aos IPs, espécie de identidade dos usuários da internet.

Atualmente no Brasil, disse Latance, além do acesso aos dados do IP necessitar de autorização da Justiça, as operadoras podem compartilhar o mesmo número com vários usuários, o que dificulta a identificação de criminosos. “Ainda que o Congresso tipifique a conduta na melhor técnica legislativa se a empresa de internet da cidade do interior estiver dividindo o IP, o autor do crime não será identificado”, disse o delegado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como sempre, o problema é a impunidade. É preciso discutir uma maneira de identificar quem compartilha a identificação do IP, para garantir a punibilidade. A meu ver, a pena deveria ser em dobro para quem produz fake news valendo-se do anonimato. Aliás, o anonimato é proibido na Constituição, mas não há pena ou multa para quem o pratique. (C.N.)

Bolsonaro vai gastar R$ 450 milhões em publicidade para desmentir a imprensa 

Bolsonaro manda repórteres calarem a boca, ataca a Folha e nega  interferência na PF - 05/05/2020 - Poder - Folha

Bolsonaro tenta reverter a imagem que ele mesmo criou

Mônica Bergamo
Folha

O governo de Jair Bolsonaro lançou uma concorrência para selecionar quatro agências de publicidade que vão divulgar as ações e políticas públicas do presidente da República e de sua administração. A verba prevista para a publicidade é de R$ 450 milhões.

Os serviços preveem ainda o planejamento e a execução de pesquisas “e de outros instrumentos de avaliação e de geração de conhecimento sobre o mercado, o público-alvo, os meios de divulgação nos quais serão difundidas as peças e ações publicitárias ou sobre os resultados das campanhas realizadas”.

CAMPANHA HIPOTÉTICA – As agências interessadas em participar da propaganda do governo precisam criar uma campanha hipotética para ser apresentada no processo de concorrência. O briefing orienta a criação de publicidade para o 7 de Setembro.

Em um dos pontos, ele alerta que a campanha do governo federal terá “o importante desafio de fazer frente a informações não correspondentes à realidade disseminadas por parte da mídia e em redes sociais”.

De acordo com o texto, as informações de “parte” da imprensa não correspondem “às várias entregas e políticas públicas positivas” do governo Bolsonaro.

SENTIMENTO DE REJEIÇÃO –  As informações de “parte da mídia” que não vê as coisas positivas do governo, segundo o documento, “acabam gerando um sentimento de rejeição, que pode afetar diretamente a receptividade e a compreensão das mensagens a serem divulgadas”.

A campanha das agências deve também “exaltar” o “sentimento de confiança, esperança e otimismo dos brasileiros”. As propostas técnicas e de preço devem ser enviadas até 4 de novembro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O maior erro de Bolsonaro foi ter achado que o importante são as redes sociais, a imprensa não valeria mais nada. Transformou o jornalismo em inimigo público nº 1 e o resultado é desastroso, virou um presidente popular que dificilmente conseguirá se reeleger, ao contrário de Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e Dilma Rousseff. Agora, convoca uma campanha eleitoral que se caracteriza por ser contra a imprensa. É desanimador. (C.N.)

O que é a gigante chinesa Evergrande e por que o risco de colapso assusta o mundo inteiro

Fachada de prédio com logotipo da Evergrande

Derrocada do grupo deve afetar exportações brasileiras de aço

Cristina Seciuk
Gazeta do Povo

Com um passivo estimado em mais de US$ 300 bilhões, a incorporadora chinesa Evergrande ganhou as atenções mundo afora ao comunicar que pode ser incapaz de honrar as obrigações financeiras que vencem nesta quinta-feira (23). O risco de calote derrubou Bolsas mundiais, inclusive no Brasil, num termômetro de aversão ao risco no mercado financeiro. A segunda-feira (20) foi marcada também pela venda de ações da empresa, que fecharam com forte baixa de -10% em Hong Kong.

A preocupação é puxada pela lembrança da crise do Lehman Brothers, banco de investimentos norte-americano que faliu em 2008 gerando uma onda de choque que levou a uma crise financeira internacional.

TAMANHO DO IMPACTO – Para o sócio da Zahl Investimentos, Flávio de Oliveira, cabe a comparação entre Evergrande e Lehman Brothers, entretanto o ambiente chinês, de pouca transparência, mantém incerta a avaliação sobre o tamanho do impacto do episódio para a economia do país asiático.

“É contaminação bancária. [Na crise do subprime] eram títulos hipotecários, títulos imobiliários, que não tinham um lastro financeiro adequado, não eram ativos de qualidade, e contaminaram o sistema, e a lógica é a mesma. São títulos de emissão imobiliária que não têm solvência”, compara. Apesar desse paralelo, falta saber qual o tamanho do problema e se ele está ou não restrito à Evergrande.

“Depende: o problema foi na Evergrande ou foi em todo o setor imobiliário? Porque às vezes você tem um problema em uma empresa localizada (mesmo ela sendo grande) e em outros momentos ter um problema em uma empresa grande significa que o resto das empresas menores pode estar pior. Nesse caso podemos inclusive estar levantando dúvidas sobre o real grau de crescimento da economia chinesa”, avalia Oliveira.

O CASO DO SUBPRIME – A quebra do banco Lehman Brothers ocorreu a partir da erosão do sistema de hipotecas imobiliárias dos Estados Unidos, escorado na concessão de crédito de alto risco (o subprime) em larga escala e que não foi amparado pelo FED, o banco central americano, quando a insolvência veio à tona. O cenário levou a uma escalada de crise global, com crédito secando e disparada do dólar. A preocupação atual nos mercados financeiros está de olho no tamanho do risco e o possível impacto.

O grupo Evergrande é um conglomerado e incorporador imobiliário chinês considerado o mais endividado do mundo. É a segunda maior companhia de construção civil do país, com dívidas junto a credores, fornecedores, investidores do exterior e compradores que não receberam seus imóveis — são cerca de 1,5 milhão de apartamentos nessa condição.

Para analistas, o governo chinês deve se movimentar para evitar uma crise similar àquela de 2008, mas não necessariamente com a injeção de dinheiro na companhia. Medidas acessórias poderiam ser a obrigatoriedade de venda de ativos (como áreas reservadas para erguer novos empreendimentos).

BOOM IMOBILIÁRIO – Criada em 1996, a empresa surfou em um boom imobiliário abastecido pela crescente urbanização do país, que chegou a destinar 75% do dinheiro das famílias à habitação e acelerou o crescimento econômico do setor e da própria China.

Naquele cenário, a Evergrande recebeu empréstimos de bancos e investidores, mas o aumento da regulação sobre a construção civil por parte do governo (com foco em evitar comportamentos imprudentes) e a desaceleração na demanda por apartamentos colocou a empresa em uma rota de difícil solução.

Nesta terça-feira (21), o fundador e presidente da empresa Xu Jiayin se pronunciou por meio de carta aos funcionários, conforme o jornal estatal Securities Times. O executivo afirmou que a companhia irá retomar obras, garantir a entrega dos imóveis e “dar uma resposta responsável aos compradores, investidores, sócios e instituições financeiras”. A empresa tem cerca de 800 empreendimentos inacabados espalhados pela China. E agora?

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Na ONU, Bolsonaro fez  jogada pensando no segundo turno contra Lula em 2022

Charge do Ed Carlos Santana (humorpolitico.com.br)

Pedro do Coutto

Reportagem de Julia Lindner e artigo de Bernardo Mello Franco, ambos na edição de ontem de O Globo, focalizam e destacam um objetivo que ficou bastante claro no meio da fantasia a qual recorreu Jair Bolsonaro tentando transformar a sua visão dos fatos em realidade. Um aspecto político foi realçado tanto pela repórter, quanto pelo articulista; o de Bolsonaro ao se referir ao apoio dos governos Lula e Dilma à Venezuela e Cuba apontar que esses reviveram uma aproximação com o comunismo.

Na realidade, ele desejou mandar um recado para a sua base extremista num esforço para manter um percentual de votos nas urnas de 2022, e capaz de levá-lo a um segundo turno contra o ex-presidente Lula da Silva. Hoje, o risco maior que se coloca para Bolsonaro é o de não haver segundo turno, conforme a pesquisa do Datafolha que deu margem a que se pense essa tendência com base nos números revelados sobre as expectativas eleitorais.

A UM PASSO DA VITÓRIA – Lula 44%, Bolsonaro 25%, Ciro Gomes 12%, João Doria 6% e brancos e nulos 11% apontam para um quadro que coloca Lula, como escrevi há poucos dias, a um passo de vencer no primeiro turno se as eleições fossem agora. Isso porque 11% de brancos e nulos faz com que 89% sejam iguais a 100%. Com 44%, o ex-presidente fica a um ponto e a um voto de ganhar as eleições num turno só.

O apelo de Bolsonaro à extrema-direita e aos extremados deve garantir a ele, penso, algo por volta de 20% dos votos. Ele também encontra-se a dois passos do segundo turno e o seu apelo eleitoral revela tacitamente também que, pelo menos por enquanto, ele desistiu do projeto de suspender as eleições para se tornar um ditador conduzido ao poder pela área militar. Assim, sentindo que o projeto autoritário torna-se inviável, sobretudo após seu discurso na ONU, Bolsonaro joga com a perspectiva de um novo confronto direto com o PT e que assegurou a sua vitória em 2018.

Mas agora a realidade é outra. O mensalão e o petrolão parecem não assustar os eleitores e eleitoras, além do temor de uma ditadura bolsonarista. Dessa forma, a opção democrática mudou de lugar e com isso romperam-se as posições políticas que mudaram de lugar. Na Folha de S. Paulo, o discurso de Bolsonaro na ONU foi destacado também por Rafael Balago  e Lucas Alonso.

CGU DESCONTROLADA – O descontrole a que se referiu o ministro da CGU, Wagner Rosário, atacando de forma machista a senadora Simone Tebet, com base nos fatos, demonstrou que o órgão esteve mais descontrolado do que o próprio controlador tentou insinuar com as suas provocações contra a parlamentar.

Pois num momento, ao responder uma indagação da CPI sobre o preço da vacina indiana, disse que variava entre US% 1,5 e US$ 1,9 a unidade. O relator Renan Calheiro perguntou onde a CGU tinha verificado os preços e Rosário respondeu que no site da empresa produtora, preço este que serviu de base para a intermediação existente através da empresa Precisa.  É evidente que o site não poderia informar um preço diferente daquele que havia sido articulado. Logo, a Controladoria Geral da União é que deu mostras de ter agido descontroladamente.

PIB – No espaço que ocupa às quarta-feiras na Folha de S. Paulo, o ex-ministro Delfim Netto refere-se à previsão do FMI sobre o crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil de 2021 para 2022 na ordem de 1,4%. A pergunta que cabe é sobre que número absoluto deverá recair o percentual de 1,4%, se sobre o PIB de R$ 6,6 trilhões ou sobre um produto menor, resultado da estagnação ou do recuo de 7% no período de Dilma Rousseff.

Um aspecto que venho notando nas partes econômicas dos jornais é que citam-se os percentuais, mas não se diz sobre que números absolutos  eles recaem. Este aspecto da questão era sempre cobrado por Roberto Campos, avô do atual presidente do Banco Central, nos artigos que escrevia para o Globo e para o Estado de S. Paulo.

A genialidade de Alice Ruiz, ao perseguir o sonho de fazer o poema de amor definitivo

Alice Ruiz (Foto: Divulgação/Flipf) - Almanaque da Cultura

Alice Ruiz, sempre bela, por dentro e por fora

Paulo Peres
Poemas & Canções

A publicitária, tradutora, compositora e poeta curitibana Alice Ruiz Scherone queria que fosse seu um sonho poético, que representa o poema de amor definitivo.

SONHO DO POETA
Alice Ruiz

Quem dera fosse meu
o poema de amor definitivo
Se amar fosse o bastante
poder eu poderia
pudera, às vezes,
parece ser esse
meu único destino
Mas vem o vento e leva
as palavras que digo
minha canção de amigo.
Um sonho de poeta
não vale o instante vivo.
Pode que muita gente
veja no que escrevo
tudo que sente
e vibre, e chore e ria como eu,
antigamente, quando não sabia
que não há um verso, amor,
que te contente.