Hans River terá de provar na Justiça a acusação contra a repórter difamada por ele

Os procuradores já desmentiram as declarações de Hans River

Francisco Bendl

Sem ter a mínima intenção de polemizar, mas apenas esclarecer, parece que não fui devidamente compreendido. Portanto, vou tentar de novo: Hans River Rio do Nascimento, ex-funcionário da firma Yacows, especializada em disparos em massa de mensagens pelo WhatsApp, divulgou o nome da jornalista publicamente, alegando que ela deu a entender que queria um rola e rola com ele para obter informações. Em outras palavras: o Brasil ouviu que essa jornalista se prostituía para lograr êxito nos seus intentos profissionais!

Observem, por favor: sem qualquer prova, e independente de acareação, o nome da mulher, a sua honra e o seu trabalho foram manchados inexoravelmente pela acusação absurda e indevida.

PROVAR NA JUSTIÇA  – Hans River Rio do Nascimento é um irresponsável, já está sendo denunciado, fatalmente responderá a processo e terá de provar na Justiça o comentário que teceu sobre a jornalista. Mesmo que fiquem cara a cara, a honra e a dignidade da repórter foram inexoravelmente deletados por um canalha, repito.

Esse elemento invadiu a privacidade da mulher de tal forma que não pode agora alegar que imaginou ou, lá pelas tantas, entendeu que estava sendo assediado sexualmente!

Caso não tivesse dado publicidade ao nome da repórter, ninguém nem estaria discutindo o assunto. Agora, inocente ou não daquilo que Hans River afirmou para todo o Brasil, perante uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a jornalista terá de correr atrás das penas do travesseiro em plena ventania, rasgado pela leviandade de um canalha!

UM MENTIROSO – Já se sabe que Hans River é um mentiroso contumaz. Assim como acaba de ocorrer na CPMI das Fake News, um ano e dois meses atrás ele havia dado declarações falsas para procuradores em uma apuração do Ministério Público Eleitoral em São Paulo.

Ao depor na Procuradoria, também afirmou não saber como a jornalista havia conseguido uma lista de 10 mil nomes de usuários do WhatsApp que seriam os alvos dos disparos de mensagens. Mas a investigação comprovou que foi o próprio Hans quem enviou à repórter da Folha, por email e por WhatsApp, a lista de 10 mil nomes e CPFs.

O ex-funcionário da Yacows também afirmou no processo eleitoral que Patrícia teria ido até sua casa, mas a repórter nunca foi ao local —eles se encontraram em uma padaria e depois Hans foi à Redação da Folha.

DIFAMAÇÃO – Minha indignação e minha revolta derivam da forma como a repórter teve o seu nome divulgado e depois foi difamada pelo presidente da República, que tem recebido apoio em massa de seus admiradores, que também se julgam no direito de desonrar uma profissional de imprensa cuja trajetória orgulharia qualquer país minimamente civilizado. Pelo que afirmam os bolsonaristas, que jamais admitem a possibilidade de o presidente cometer erros, será a jornalista que agora terá de provar que não houve o episódio relatado pelo seu leviano acusador.

A esses apoiadores das grosserias de Bolsonaro, recomenda-se que analisem esse caso com maior cuidado e isenção, como se a repórter fosse alguém de sua família – seja esposa, filha, neta ou amiga, enfim, uma mulher indefesa que estivesse sendo difamada por um elemento desclassificado e sem paradeiro, com apoio do próprio Presidente da República.

Convenhamos que paira no ar uma grande injustiça contra essa profissional consagrada, que é repórter e analista da Folha de São Paulo e também trabalha na Rádio Band e na TV BandNews.

Vereador afirma que Flávio Bolsonaro visitou Adriano da Nóbrega na prisão “mais de uma vez”

Ciba diz que o ex-capitão do Bope frequentava o gabinete de Flávio

Juliana Dal Piva e Bernardo Mello
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) sempre disse que sua relação com o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em operação da PM da Bahia no dia 9 de fevereiro, se resumiu a reconhecer seu trabalho contra o crime no Rio.

No entanto, em entrevista ao O Globo, o vereador do Rio Ítalo Ciba (Avante), sargento da Polícia Militar, contou que, quando esteve na prisão com Adriano, os dois receberam “mais de uma vez” visitas de Flávio Bolsonaro.  Além disso, segundo ele, o ex-capitão do Bope frequentava o gabinete de Flávio a convite de Fabrício Queiroz, ex-chefe da segurança de Flávio.

MOÇÃO DE LOUVOR – Ciba integrava o Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 16º BPM (Olaria), comandado por Adriano. Em 4 de novembro de 2003, ele, Adriano e outros seis policiais receberam de Flávio na Assembleia Legislativa uma “moção de louvor”. Alguns dias depois, porém, os integrantes do GAT foram presos e começaram a responder um processo criminal por homicídio, tortura e extorsão.

Nesse período, Flávio os visitou na prisão. Questionado sobre as visitas, o senador respondeu, por nota, que esteve apenas uma vez na cadeia, em 2005, para ver Adriano e entregar a medalha Tiradentes — maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). “Não há nenhuma relação de Flávio Bolsonaro ou da família com Adriano”, diz a nota.

REGISTROS – O Globo pediu, via Lei de Acesso à Informação, os registros das visitas a Adriano e aos outros sete policiais do GAT do 16º BPM na prisão, mas a PM negou alegando sigilo. Eles ficaram presos primeiro no Batalhão da Tropa de Choque e depois foram transferidos para o Batalhão Especial Prisional (BEP) da Polícia Militar.

Na época, O Globo fez imagens do momento das prisões dos policiais no dia 27 de novembro de 2003. O Globo também pediu à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) os registros de visitas ao gabinete de Flávio, mas não teve resposta até o momento. No último sábado em evento no Rio, o presidente Jair Bolsonaro disse que foi ele quem pediu que Flávio fizesse a homenagem a Adriano dizendo que, na época, ele era um “herói”.

“Para que não haja dúvida. Eu determinei. Manda pra cima de mim. Meu filho condecorou centenas de policiais militares. Vocês querem me associar a alguém por uma fotografia, uma moção há 15 anos atrás. As pessoas mudam, para o bem ou para o mal mudam”, disse Bolsonaro.

“MAIS DE UMA VEZ” – Ciba diz que conheceu Adriano em 2002 quando foi trabalhar no 16º BPM. Ele disse não saber quando Adriano conheceu Flávio Bolsonaro e os demais integrantes da família, mas acredita que o contato foi feito por meio de Fabrício Queiroz.

“Sei que ele (Adriano) se dava muito bem com o Flávio, devido ao (Fabrício) Queiroz. Queiroz trabalhou com Adriano lá atrás. Eu sei que o Adriano, de vez em quando, o Queiroz chamava pra ir lá no gabinete. Ele (Adriano) ia no gabinete, quando nós estivemos presos o Flávio foi lá visitar a gente. Mais de uma vez”, disse.

“COVARDIA” – Sobre a morte de Adriano, Ítalo Ciba disse que o caso se trata de uma “covardia” e que também acredita que o ex-colega de corporação pode ter sido vítima de uma “queima de arquivo”. Ele disse que viu Adriano pela última vez num shopping, sem lembrar a data exata, mas antes das eleições de 2018.

“Foi de passagem, esbarrei com ele no shopping. Ele falou assim mesmo pra mim: “Estamos sendo perseguidos porque somos amigos do presidente”. Não era presidente ainda não, devia ser deputado, candidato a presidente”, afirmou Ciba.

Entre outubro e novembro de 2003, Adriano e os colegas do GAT se envolveram, segundo a Corregedoria da Polícia da PM e o Ministério Público, no sequestro, tortura e extorsão de três jovens da favela de Parada de Lucas, na Zona Norte. Os moradores chamavam o GAT de “guarnição do mal”.

ACUSAÇÕES – Segundo a ficha funcional de Adriano, as vítimas eram levadas para um terreno baldio no antigo Mercado São Sebastião, na Penha. Nesse local, os PMs foram acusados de torturar as pessoas e depois extorquir R$ 1 mil.

Até que, em 27 de novembro daquele ano, eles foram apontados como os executores do guardador de carros Leandro dos Santos Silva, de 24 anos. No dia anterior, Leandro tinha denunciado as sessões de tortura. Foi assassinado, às 6h30m, com três tiros na porta de casa. A cena do crime foi desfeita para impedir a perícia. Mesmo morta, a vítima foi “socorrida” pelos agentes.

A Corregedoria da PM investigou o caso e anotou na ficha de Adriano, a que O Globo teve acesso, que ele “em comunhão de ações e desígnios com os demais acusados, consciente e voluntariamente, com vontade de matar, efetuou disparos de arma de fogo contra Leandro dos Santos Silva, inclusive após já estar caído ao solo”.

MOTIVO TORPE – O relatório policial diz ainda que “o crime foi praticado por motivo torpe, qual seja, vingança pelo fato de a vítima ter prestado ‘queixa’ dos denunciados à Corregedoria Interna da Pmerj, bem como, registrado ocorrência na 5ª DP”.

Quando Flávio homenageou os policiais, a justificativa foi de que Adriano e os colegas tiveram destacados a “dedicação, brilhantismo e galhardia” com que serviam à população. Nesse dia, o parlamentar deu a mesma honraria a Fabrício Queiroz, na época, policial do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais.

CONDENAÇÃO – No dia 24 de outubro de 2005, os PMs foram condenados em primeira instância. Quatro dias depois, o presidente Jair Bolsonaro, então deputado federal, discursou na Câmara em defesa de Adriano — descrito como “um brilhante oficial”. Em novembro de 2006, porém, o júri que condenou os policiais foi anulado, e eles acabaram absolvidos, mesmo diante de provas técnicas apresentadas pelo Ministério Público.

Junto com Adriano e Ítalo Ciba, foram denunciados o capitão Flávio Luiz de Souza, os sargentos Abenor Machado Furtado, Sérgio Rogério Ferreira Nunes, Marcelo da Silva Conceição e os soldados Luiz Carlos Felipe Martins, Flávio Rodrigues Neves, e Alexander Duarte da Silva. Alexander foi depois expulso da PM por infringir o código de conduta.

Os investigadores conseguiram confirmar que o GPS do carro da polícia mostrava os PMs no local do crime e os vigilantes de uma empresa próxima ao antigo mercado confirmaram que viram os policiais no local.

QUESTÃO POLÍTICA – Na versão de Ciba, todo o processo que respondeu no Judiciário se resume a uma questão política. “Foi uma perseguição política comigo”, disse, negando as acusações. Na versão dele, a morte do guardador de carros ocorreu durante uma operação policial em que ocorreu uma troca de tiros na comunidade.

Parlamentares acionam PGR contra declaração de Bolsonaro sobre jornalista da Folha

Bolsonaro disse que jornalista queria “dar o furo a qualquer preço”

Elisa Clavery e Fernanda Vivas
G1 / TV Globo

Um grupo formado por 71 senadores e deputados pediu nesta quarta-feira, dia 19, à Procuradoria Geral da República (PGR) que investigue o presidente Jair Bolsonaro por ele ter ofendido a jornalista Patrícia Campos Mello, do jornal “Folha de S.Paulo”.

O grupo é formado por parlamentares de PT, Rede, Psol e Cidadania. No documento, os deputados e os senadores pediram ao procurador-geral, Augusto Aras, que investigue o caso porque Bolsonaro quebrou o decoro exigido para o cargo.

“DAR O FURO” – Nesta terça-feira, dia 18,  de manhã, Bolsonaro questionou a atuação da jornalista em apurações sobre o disparo em massa de mensagens. Afirmou que ela queria “dar o furo a qualquer preço”, levando a risos os apoiadores que o acompanhavam no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.


Depois, à tarde, o presidente voltou a tocar no assunto, mas ressalvou que não queria “conversa” com a imprensa. “Alguém da ‘Folha de S.Paulo’ ai? Eu agredi sexualmente uma repórter hoje? Parabéns à mídia, aí. Não quero conversa. Parabéns à mídia. Eu agredi, cometi uma violência sexual contra uma repórter hoje?”

REPÚDIO – Diversas entidades da sociedade civil manifestaram repúdio aos ataques do presidente à jornalista, afirmando que as declarações foram “misóginas”, “lamentáveis” e “incompatíveis com os princípios da democracia”.

Na semana passada, Hans River do Nascimento, ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows, afirmou à CPI do Congresso que apura a divulgação de notícias falsas que a jornalista se “insinuou” para obter informações. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, também atacou a jornalista.

PEDIDO DOS PARLAMENTARES – Para o grupo de parlamentares, Bolsonaro utilizou nesta terça-feira declarações “potencialmente falsas para fazer insinuações levianas, sexistas, machistas e misóginas”.

O documento diz ainda que, além de ter ofendido “os mais basilares primados da igualdade de gêneros e da dignidade da pessoa humana”, o presidente “atentou contra a liberdade de expressão jornalística”.

CRIME DE RESPONSABILIDADE – Os parlamentares afirmam que o presidente praticou crime de responsabilidade, já que a legislação classifica como crime de responsabilidade atos do presidente que “atentarem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais”.

“Noutro ponto, verifica-se que o presidente também pratica crime de responsabilidade ao agir de modo totalmente incompatível com a dignidade a honra e o decoro do cargo de presidente da República Federativa do Brasil”, diz o pedido.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que articulou a representação, afirmou que o ataque é “incompatível com o exercício do cargo da Presidência da República”. “É um ataque contra a imprensa livre, é um ataque contra todas as mulheres do Brasil e é um ataque, em especial, à democracia, completou.

“CULTURA MACHISTA” – Também nesta quarta-feira, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, afirmou em um evento no Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem citar um caso específico, que ainda existe uma “cultura machista” e cumprimentou as jornalistas presentes ao evento.

Santa Cruz participou da cerimônia de posse da nova presidente do tribunal, Cristina Peduzzi, e foi aplaudido ao mencionar a “luta de milhões de mulheres”. Presente ao evento, Bolsonaro não aplaudiu o discurso do presidente da OAB nem aplaudiu Felipe Santa Cruz quando ele foi anunciado pelo mestre de cerimônias.

DESIGUALDADE – “A luta da ministra, que hoje alcança esse importante reconhecimento, continua sendo a luta de milhões de mulheres hoje. Mulheres que ainda enfrentam uma cultura machista que faz persistir a desigualdade de gênero em salários, processos seletivos e de progressão na carreira; que perpetuam a injustiça e, muitas vezes, o desrespeito às nossas trabalhadoras no exercício das suas funções”, declarou Santya Cruz.

O presidente da OAB afirmou ainda que a OAB defende a livre iniciativa e entende que é importante aumentar o dinamismo do mercado brasileiro.

“Nunca seremos adversários de reformas estruturantes, que buscam recolocar o país no trilho do crescimento. Necessitamos de reformas que, de fato, democratizem e modernizem o país, tornando-o mais justo, mais eficiente e mais competitivo no mercado internacional. No entanto, nenhuma reforma deve ter como horizonte o sacrifício dos mais pobres e prescindir da participação democrática dos mais diversos setores da sociedade civil”, concluiu.

Cid Gomes recebe alta da UTI e vai para a enfermaria após ser baleado

Cid foi vítima de dois tiros por parte de policiais militares amotinados

Deu no O Tempo

O senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Coração de Sobral e fica agora aos cuidados da enfermaria, de acordo com boletim médico divulgado nesta quinta-feira, dia 20. Na quarta-feira, ele foi atingido por dois disparos de arma de fogo ao tentar romper um bloqueio de policiais grevistas com uma retroescavadeira.

Na noite de quarta-feira o político já estava lúcido e respirava sem ajuda de aparelhos. Ele chegou a ser transferido para a Santa Casa de Misericórdia de Sobral para realizar um exame de tomografia que não constatou alterações neurológicas ou cardíacas. Depois, voltou para o Hospital do Coração.

ESTÁVEL – “Após atendimento inicial, evoluiu sem intercorrência nas últimas horas, mantendo-se hemodinamicamente estável e com padrão respiratório normal, não mais necessitando de cuidados de terapia intensiva, recebendo, portanto, alta para a enfermaria”, diz o boletim desta quinta-feira.


A tensão envolvendo o governo cearense e policiais militares e bombeiros começou por uma demanda de reajuste salarial em dezembro. Quatro batalhões da PM foram atacados, segundo o governador do Estado, Camilo Santana (PT), aliado político de Cid.

As ações foram feitas por pessoas encapuzadas, mas o governo suspeita de que os responsáveis sejam policiais. Por isso, Santana solicitou o apoio de tropas federais para reforçar a segurança.

FORÇA NACIONAL – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou na quarta-feira o envio da Força Nacional de Segurança Pública para o Ceará.  “Recomendo que sejam tomadas as necessárias providências para que o movimento paralisação seja encerrado o mais brevemente possível”, escreveu o ministro.

 Ainda na quarta-feira, por volta das 14h, homens que foram identificados como policiais encapuzados circularam pelo centro de Sobral ameaçando comerciantes com armas de fogo para fecharem seus estabelecimentos. Cid Gomes usou suas redes sociais para criticar os policiais em greve. “Estou chocado ao ver cenas de quem deveria dar segurança para o povo e está promovendo a insegurança, a desordem. Não consigo me conformar com isso”, disse.

ENFRENTAMENTO – Em seguida, no vídeo, pediu que eleitores o recebessem no aeroporto da cidade. Ao aterrissar, Cid fez um discurso e disse que enfrentaria os policiais grevistas sob o custo da própria vida.

Irmão de Cid, o candidato a presidente em 2018 Ciro Gomes (PDT) foi quem informou na quarta que Cid não corria risco de morte. “Espero serenamente, embora cheio de revolta, que as autoridades responsáveis apresentem prontamente os marginais que tentaram este homicídio bárbaro às penas da lei”, escreveu no Twitter.

Em busca da vaga no Supremo, o juiz Marcelo Bretas está perdendo a compostura

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Marcelo Bretas se comporta como se fosse um novo Hélio Negão

Conrado Hübner Mendes
Folha

Se você temia os juízes ativistas, melhor prestar atenção nos arrivistas. “Ativismo judicial” é expressão que tenta detectar decisões judiciais que, para o bem ou para o mal, transbordam o domínio do Judiciário. Banalizou-se quando passou a ser usada para quase toda decisão que incomoda, ou para o erro judicial puro e simples.

“Arrivismo judicial”, ao contrário, ainda não se popularizou no vocabulário de análise do comportamento judicial. Indica um desvio ético e legal. O juiz arrivista faz da instituição instrumento de seus projetos políticos. Ignora regras e convenções. Calcula os riscos. A instituição submerge na ambição individual.

RUMO AO SUPREMO – O arrivismo é prática espalhada por todos os níveis do Judiciário brasileiro, mas em nenhum lugar fica tão exposto quanto na campanha de juristas ao STF. Nas últimas décadas, poucos ministros lá chegaram sem o cortejo a presidentes e a senadores.

O juiz Marcelo Bretas inovou. Sua insubordinação ao Conselho Nacional de Justiça ficou conhecida em 2018 quando explicou, em rede social, por que acumulava dois auxílios-moradia (o dele e o da esposa juíza) mesmo tendo residência própria. Violou a regra e apelou ao cinismo: “Tenho esse estranho hábito, sempre que penso ter um direito vou à Justiça”.

Desde então, destacou-se em rede social (de novo, contra regulação do CNJ). Celebrou eleição do presidente, eleição do filho do presidente (o que empregou milicianos em seu gabinete), exibiu-se no voo em jato da FAB para a posse do presidente, posou com fuzil etc.

DEMONSTRAÇÃO CABAL – No último fim de semana, Bretas resolveu dar demonstração mais acabada de sua serventia. Aproveitou-se da condição inusitada de “principal autoridade fluminense”, foi recepcionar o presidente na pista do aeroporto, juntou-se à comitiva com outras autoridades (os generais, o prefeito etc.) e os acompanhou à cerimônia de inauguração de obra pública e ao showmício religioso. No palco, até dançar atrás do bispo e de Bolsonaro ele dançou.

Bretas cometeu ilegalidades bastante elementares: a Constituição veda a juízes “dedicar-se à atividade político-partidária” (art. 95); a Lei Orgânica (art. 26) e o Código de Ética da Magistratura (art. 7º) fazem igual; a resolução 305 do CNJ proíbe a autopromoção e exposição midiática; o provimento 71 da Corregedoria Nacional proíbe “participação em situações que evidenciam apoio público a candidato ou partido político”.

JUIZ “PUNIDO” – A reclamação disciplinar chegou ao CNJ, que já aplicou a “pena” de aposentadoria compulsória a juiz que se engajou em atividade política no município de Santa Quitéria, no interior do Maranhão. Se o CNJ entende que deve zelar pela ética judicial, que deve tomar decisões a tempo, e que seus precedentes valem não apenas para a política local de Santa Quitéria, o destino de Bretas deveria ser simples.

Não é que Bretas desmoralize a magistratura, pois é próprio da magistocracia desmoralizar a magistratura. Bretas boicota a discrição magistocrática, método da baixa política que garante manutenção do status. Joga não só contra a instituição, mas contra os pares. É uma espécie de “homem tocha”, que põe o esquema em risco e nem percebe. Ou talvez tenha sido o primeiro a notar que a nova era pede um arrivismo mais barato e degradante.

DISPUTA PELA VAGA – Está acirrada, de todo modo, a luta por uma vaga no STF. Ives Gandra Filho, por exemplo, ministro do TST e adepto do arrivismo clássico de bastidores, decidiu sozinho que funcionários da Petrobras não têm direito à greve. Ou melhor, que apenas 10% o têm.

O número brotou de sua intuição, não da lei. A mesma intuição que lhe fez afirmar, em livro, que o “divórcio vai contra a lei natural” e que o “princípio da autoridade na família está ordenado de tal forma que os filhos obedeçam aos pais e a mulher ao marido”.

Não há modelo de nomeação de ministros do STF blindado contra o arrivismo, mas há modelos melhores que outros. E não se esqueça de que o STF atual é consequência não só do modelo, mas dos presidentes e senadores que o operam.

Lula é investigado a pedido de Moro com base na Lei de Segurança Nacional

Lula ligou Bolsonaro a milicianos em discurso após ser solto

Julia Chaib
Folha

A Polícia Federal abriu inquérito para investigar ofensas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Jair Bolsonaro. A apuração foi instaurada a pedido do ministro Sergio Moro (Justiça) e se baseia em artigos da Lei de Segurança Nacional e do Código Penal.

A investigação corre sob sigilo, mas foi confirmada nesta quarta-feira, dia 19, pelo Ministério da Justiça em nota. Lula, que está em Brasília, prestou depoimento à PF pela manhã. À tarde, o petista falou à Justiça Federal no Distrito Federal no âmbito da Operação Zelotes, que apura suposta venda MP (medida provisória) para beneficiar o setor automobilístico.

APURAÇÃO – “O Ministério da Justiça e Segurança Pública requisitou a apuração contra Lula, assim que ele deixou a prisão, para investigar possível crime contra a honra do Presidente da República”, afirmou pasta comandada pelo ex-juiz da Operação Lava Jato. Moro foi o responsável pela condenação, no caso do tríplex em Guarujá (SP), que levou o ex-presidente à prisão.

O petista foi solto, em novembro do ano passado, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) determinar o cumprimento da pena após esgotados todos os recursos. Lula foi preso em abril de 2018. “Lula disse, à época [da soltura], que Bolsonaro era chefe de milícia. Podem ter sido praticados os crimes do art. 138 do CP [Código Penal] ou do art. 26 da Lei de Segurança Nacional”, afirmou o Ministério da Justiça.

“CALÚNIA” – O artigo do Código Penal trata do crime de calúnia —imputar a alguém fato definido como crime. O trecho citado da Lei de Segurança Nacional trata do crime de caluniar ou difamar o presidente da República. Quando foi solto, o petista fez críticas ao governo Bolsonaro. Ele chamou o presidente de miliciano.

Em entrevista ao site O Antagonista, na ocasião, Bolsonaro chegou a afirmar que a Lei de Segurança Nacional “está aí para ser usada”. “Alguns acham que os pronunciamentos, as falas desse elemento [Lula], que por ora está solto, infringem a lei”, afirmou o presidente ao site. A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), comentou o depoimento de Lula à PF na tarde desta quarta-feira.

De acordo com ela, foi o delegado federal que afirmou que o ministro pediu abertura de investigação contra Lula com base na legislação. A informação posteriormente foi confirmada pela pasta. Segundo os petistas que o acompanharam na audiência, um vídeo feito por Lula após reunião com o Movimento dos Atingidos por Barragem foi usado para embasar o inquérito. O petista fez a declaração em 9 de novembro de 2019. Lula foi preso em abril de 2018.

DECLARAÇÃO – “Nós vamos ter que levantar a cabeça e lutar porque não é possível que um país do tamanho do Brasil tenha o desprazer de ter no governo um miliciano responsável direto pela violência contra o povo pobre, responsável pela morte da Marielle, responsável pelo impeachment da Dilma, responsável por mentirem a meu respeito ”, afirmou o ex-presidente no vídeo.

Moro argumentou que a fala do ex-presidente feriu a honra do presidente da República e solicitou o inquérito. Gleisi classificou o pedido de apuração como absurdo. “Já tem um erro do ponto de vista jurídico. Na questão de honra, não é a Lei de Segurança Nacional que dá guarida para fazer um inquérito desse tipo”, disse.

“E segundo que é uma excrescência usar a Lei de Segurança Nacional, uma lei do regime militar, para cercear a liberdade de expressão de um ex-presidente da República”, afirmou. A lei foi editada em 1983, dois anos antes do fim da ditadura militar.

CINCO MINUTOS – De acordo com Gleisi, a audiência na PF durou cinco minutos. “O presidente respondeu tranquilamente, aliás questionou porque esse questionamento não foi colocado por outras lideranças do governo e pelo próprio Moro mesmo quando juiz quando o filho do presidente Eduardo Bolsonaro disse poderia fechar o Supremo Tribunal Federal com um cabo e um soldado, aí sim poderia caber a excrescente lei”, afirmou a deputada.

Depois de prestar depoimento à PF, o ex-presidente negou, em outra audiência, na 10ª Vara Federal, as acusações que pesam sobre ele em um dos braços de investigação da Operação Zelotes e acusou o ex-ministro Antonio Palocci de ter mentido ao MPF (Ministério Público Federal).

“PRÊMIO” – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta quarta-feira as acusações que pesam sobre ele em um dos braços de investigação da Operação Zelotes e acusou o ex-ministro Antonio Palocci de ter mentido ao Ministério Público. O petista afirmou que a denúncia não passa de uma “grande mentira” e que Palocci deve ter recebido um “prêmio” para depor contra ele.

Lula foi ouvido em audiência na 10ª Vara Federal, em Brasília, pelo juiz Valisney Oliveira, responsável pela ação penal da Zelotes. O ex-presidente é acusado de corrupção passiva por supostamente ter participado da “venda” da Medida Provisória 471, editada em 2009 e que beneficiou empresas do setor automobilístico.

INCENTIVOS FISCAIS – A medida prorrogou por cinco anos os incentivos fiscais para montadoras instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Logo no início da audiência, Lula foi questionado se cometeu o crime de corrupção na edição da medida provisória.

“Essa é uma das grandes mentiras contadas. Eu estou aqui para desvendar tudo e provar porque o MP [Ministério Público] mentiu na acusação e porque a Polícia Federal mentiu no inquérito”, afirmou. O ex-presidente foi denunciado em setembro de 2017, junto com o ex-ministro Gilberto Carvalho, seu ex-chefe de gabinete, e mais cinco pessoas.

PROPINAS – Os procuradores alegam que lobistas das empresas automotivas prometeram o pagamento de propinas a intermediários do esquema e a agentes políticos, entre eles Lula e Carvalho. O destino do dinheiro, segundo a acusação, seria o custeio de campanhas eleitorais do PT.

“Estou cansado de tanta mentira contra mim, de tanta leviandade, de tantas insinuações. Eu duvido que tenha um juiz, um procurador, um delegado ou um deputado que diga o seguinte: ‘Eu vi um empresário que deu cinco centavos ao Lula’”, disse o petista.

As acusações contra ele foram reforçadas em depoimento do ex-ministro Palocci, em 2018. Palocci foi ouvido como testemunha no caso e disse que o filho de Lula, Luiz Cláudio, recebeu dinheiro de um dos lobistas que fizeram o acerto. “A única explicação é que ele deveria estar ganhando um prêmio por fazer a delação e por isso ele se prestou a contribuir com o Ministério Público com as mentiras que ele contou”, disse.

NEGATIVA –  Lula foi questionado sobre quando recebeu e se conversou com Mauro Marcondes, apontado como um dos lobistas que intermediou as negociações. O petista disse que já recebeu Marcondes no passado, mas que nunca esteve com ele sozinho e em nenhuma hipótese conversou sobre a edição da medida.

O ex-presidente também saiu em defesa de Carvalho, que já foi questionado sobre os encontros que teve com Marcondes. “A relação que Gilberto Carvalho tinha com Mauro Marcondes era era eminentemente profissional. (…) Ele era meu chefe de gabinete. Estava lá para atender as pessoas. E atender bem. Ele deveria ter sido acusado se não tivesse atendido”, disse Lula.

ALEGAÇÕES FINAIS – A audiência desta quarta-feira foi uma das últimas etapas desta ação penal, que está na fase final, de depoimento dos réus. A próxima etapa são as alegações finais das partes. Em outra ação ainda no âmbito da Zelotes, Lula responde por supostas negociações irregulares que levaram à compra de 36 caças do modelo Gripen, da Suécia, pelo governo brasileiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No fim desta quarta-feira, a PF negou que Moro tenha orientado sobre ‘eventual enquadramento do ex-Presidente pela prática de crime tipificado na Lei de Segurança Nacional’ e que a solicitação se restringia ao pedido de apuração de declarações que poderiam caracterizar, em tese, crime contra a honra de Bolsonaro. Ainda segundo a PF, ‘no relatório já encaminhado ao Poder Judiciário, resta demonstrado a inexistência de qualquer conduta praticada, por parte do investigado, que configure crime previsto na Lei de Segurança Nacional’. (Marcelo Copelli)
 

Comentários com palavrões, ofensas e teorias conspiratórias estão sendo deletados

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Pela enésima vez, volto a deletar comentários com palavrões, expressões chulas e ofensas. Muitas vezes, intervenho a contragosto, pois são comentários ótimos, mas o autor não se segura e mete lá o palavrão ou a ofensa à mãe e ao paí do adversário, vejam a que ponto chegamos…

Para mim, tudo bem, eu não ligo para nada mesmo.  Vou continuar deletando os comentários de baixaria, com palavrões ou ofensas. Mas o pior são as teorias conspiratórias.

Existem blogues e sites especializados nesse ramo do conhecimento humano, mas ninguém acessa. O resultado é que os teóricos da conspiração invadem os espaços que têm alto número de leitores, para pegar uma carona e tentar disseminar suas idéias estapafúrdias contra os judeus, os maçons e outros alvos, que são responsabilizados por todas as agruras do mundo.

Sou paciente e persistente. Seguirei deletando as chatices e os exageros, recomendando a esses comentaristas que tomem algumas doses de Simancol, como se dizia antigamente.

ABI entra com notícia-crime contra Hans River, que difamou a repórter da Folha

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As afirmações de Hans River já foram oficialmente desmentidas

Larissa Calixto
Site Congresso em Foco

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) entrou com uma notícia-crime no Ministério Público, nesta terça-feira (18), contra Hans River, ex-funcionário da empresa Yacows investigada por envio de mensagens em massa de cunho político no período eleitoral. Ele é acusado por ter dado falso testemunho na CPI das Fake News, na Câmara, na última terça-feira (11).

A notícia-crime é o primeiro passo para que o MP inicie uma investigação, a partir daí cabe ao órgão acatar ou não a denúncia para então dar início às investigações.

MENTIU AO DEPOR – Em nota do presidente Paulo Jerônimo de Sousa, a ABI afirma que Hans River “faltou com a verdade não apenas em relação a trabalhos realizados durante o período que atuou no disparo das mensagens, mas também mentiu sobre diversos aspectos que envolveram a apuração jornalística capitaneada pela repórter Patrícia Campos Mello, incluindo ofensas de cunho misógino e atentatórias à honra da citada profissional”.

Hans River foi chamado a depor na comissão que investiga o disparo de Fake News na internet durante as eleições presidenciais de 2018. Em seu depoimento, Hans acusou a jornalista da Folha de S. Paulo, Patrícia Campos Mello, de assediá-lo sexualmente para conseguir informações.

DESMENTIDO – Logo após as declarações do depoente, a Folha publicou uma reportagem com as mensagens trocadas entre Hans e a jornalista, desmentindo a versão contada na comissão.

Hans River também foi denunciado por falso testemunho à Procuradoria-Geral da República (PGR) pela relatora da CPI, Lídice da Mata (PSB-BA). Esse tipo de conduta é considerada crime na legislação brasileira podendo pegar de 2 a 4 anos de reclusão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Agiu bem a ABI, ao enquadrar esse elemento que ousa mentir numa CPI e difamar uma profissional renomada como Patricia Campos Mello. Agora falta enquadrar também o presidente Bolsonaro e seu filho Eduardo, para aprenderem a respeitar as pessoas de bem, ao invés de homenagear milicianos. (C.N.)

Caminhoneiros prometem fazer uma greve ‘sem fechar rodovias’ nesta quarta-feira

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Wallace Landim, o Chorão, volta a ameaçar fazer outra greve

Marcos Rogério Lopes
Site R7

A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) manteve para esta quarta-feira (19) o chamado de paralisação da categoria contra a revisão do tabelamento dos fretes. “Não carregue seu caminhão amanhã (quarta), a partir das 6 da manhã, fique em casa. Não estamos orientando fechar rodovia. Estamos orientando a mostrar nossa força, para mostrar que não aceitamos retrocesso”, disse o presidente da entidade, Wallace Landim, o Chorão.

Estava marcado para esta quarta no Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento de três ações que questionam se é constitucional a política de tabelamento de frete rodoviário. Apesar de a discussão ter sido adiada para 10 de março, a categoria considerou melhor manter a greve.

MOSTRAR FORÇA – “A hora é agora, nós precisamos estar unidos e mostrar força”, opinou Chorão. Disse que a Abrava, ao lado da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) e da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística), estará no plenário durante o julgamento das ações de inconstitucionalidade como “Amigas da Corte” – condição que tem direito a discurso de seu advogado antes dos ministros do STF.

A CNA (Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil) é  autora de uma das ações que questionam a legalidade da definição dos preços. Na sessão do STF, ela argumentará que o tabelamento obrigatório do frete rodoviário “prejudica os produtores rurais e os próprios consumidores”.

Os valores do piso mínimo do frete são atualizados pelo órgão regulador a cada seis meses. A tabela foi estabelecida em 2018 pelo ex-presidente Michel Temer como uma das medidas para pôr fim à greve dos caminhoneiros.

O QUE DIZ A TABELA – Demanda dos caminhoneiros, a nova regra vale para situações em que a regulamentação do setor proíbe que o caminhoneiro retorne transportando um novo tipo de carga. Isso ocorre, por exemplo, com um caminhão que transporta combustível e não pode voltar com outro tipo de carga.

O texto também incluiu a cobrança do valor das diárias do caminhoneiro e um novo tipo de carga, a pressurizada. Agora, a regulamentação abrange um total de 12 categorias.Ainda foram criadas duas novas tabelas para contemplar a operação de carga de alto desempenho, que levam menor tempo de carga e descarga.

“Eu sou o samba, a voz do morro sou eu mesmo, sim senhor”, cantava o genial Zé Kéti

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O cantor carioca Zé Kéti era a voz do morro personificada

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Zé Kéti, nome artístico de José Flores de Jesus (1921-1999), sentiu a sua carreira começar a deslanchar em 1955, quando o seu samba “A voz do morro”, gravado por Jorge Goulart, pela Continental, fez enorme sucesso na trilha do filme “Rio 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos. “A Voz do Morro” mostra em sua letra que o samba é a única voz valorizada no morro, transformada em um condutor de alegria do Rio de Janeiro para o resto do país.

A VOZ DO MORRO
Zé Kéti

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei dos terreiros

Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões
De corações brasileiros

Mais um samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo do país
Viva o samba, vamos cantando
Essa melodia do Brasil feliz

Com a absurda agressão à jornalista, Bolsonaro consegue se isolar no plano político

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Bolsonaro insultou propositadamente uma jornalista de renome

Pedro do Coutto

Com a mais que absurda agressão à jornalista Patricia Campos Melo, o presidente Jair Bolsonaro – conscientemente ou não – deu sequência a seu isolamento no plano político do país. Digo que ele deu sequência porque, ao substituir Onyx Lorenzoni pelo general Braga Neto, conferindo-lhe exatamente a Articulação Política do Planalto, o presidente da República revelou que deseja bloquear os contatos entre o Planalto e as legendas partidárias que o estão apoiando no Congresso Nacional.

Antecedendo a brutalidade do tratamento inqualificável que destinou à jornalista da Folha de São Paulo, as repórteres Angela Boldrini e Daniele Brant publicaram matéria na edição de 17 de fevereiro na própria Folha, chamando atenção para o sentido mais sentido da substituição exatamente dentro de tal lógica.

MAIA EM ALTA – A reportagem, consequentemente, prevê um fortalecimento de Rodrigo Maia nas relações entre Executivo e Legislativo. Mas essa hipótese foi ultrapassada velozmente.

O presidente Jair Bolsonaro vem se destacando negativamente pelas posições que assume fora do estilo que tem de marcar o relacionamento de um presidente da República com a opinião pública. Isso porque a ofensa lançada contra Patrícia Campos Mello deixou a grande maioria da população absolutamente indignada, surpreendida por mais uma quebra do decoro indispensável ao tratamento, não só entre os participantes do processo político, mas também entre as pessoas de modo geral. Incrível a atitude de Bolsonaro.

REAÇÃO IMEDIATA – Enorme foi a reação contrária que foi provocada pelo golpe desfechado contra uma profissional de imprensa de grande atuação e prestígio no jornalismo.

Uma das consequências, contra ele próprio, certamente refletiu-se na redução de seu campo de influência no processo político democrático. Mas fico pensando se ele de forma direta ou indireta não esteja procurando um meio de desestabilizar o relacionamento entre os poderes e o relacionamento com a opinião pública para deslocar os rumos do jogo democrático para as sombras que caracterizam as vésperas das rupturas institucionais. E não estou sozinho nessa observação.

NUVENS AMEAÇADORAS – No meu artigo de segunda-feira, citei uma coluna importante de Miriam Leitão publicada em O Globo. Nuvens que podem ser de tempestade estão nos céus de Brasília. Vamos ter atenção nas próximas etapas que antecedem a reforma administrativa e principalmente a reforma tributária. Mas esta é outra questão.

O que os acontecimentos envolvendo o presidente Bolsonaro e a jornalista Patricia Campos Mello revelaram foi uma impossibilidade total de o chefe do Executivo manter-se dentro das linhas rígidas do respeito e da liturgia que o cargo impõe. Esta liturgia abomina insinuações de baixíssimo nível que caracterizaram as falas do presidente ao longo de terça-feira. Política também é sinônimo de polidez. Seus limites foram incrivelmente rompidos pelas palavras do presidente da República.

Bolsonaro e os generais pensam (?) que podem governar sem apoio do Congresso

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton 

A coisa está feia em Brasília e caminha para um impasse. O governo parece ser autocarburante e inventa uma crise atrás da outra. O presidente Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes não podem ver um microfone que imediatamente começam a dar as declarações mais desagradáveis e enlouquecidas, que fazem inveja a Lula da Silva e Dilma Rousseff, verdadeiros especialistas no gênero.

O respeitável público já está até acostumado Mas desta vez foi o general Augusto Heleno, que imitou Bolsonaro e Guedes, também falou o que não devia e abriu mais uma baita crise com o Congresso, totalmente desnecessária.

PALPITE INFELIZ – Estreante em política, o chefe do Gabinete de Segurança Pública (GSI) do governo Bolsonaro, ao invés de estar cuidando da movimentação dos caminhoneiros, que articulam uma nova greve, resolveu recomendar que o governo não ceda às chantagens do Congresso. Foi um palpite infeliz do general Augusto Heleno, que conseguiu uma façanha – uniu o Congresso inteiro contra ele.

A inabilidade do militar foi surpreendente, porque o que ele chama de “chantagens”, na verdade é um acordo a respeito do controle da ordem de execução de R$ 46 bilhões em emendas parlamentares, que são um direito conquistado pelos congressistas para beneficiar suas bases de apoio com verbas para obras.

O acordo entre Executivo e Congresso manteria vetado um trecho que explicita a punição ao gestor que não seguir a ordem de liberação de emendas imposta pelo Parlamento, mas devolveria aos parlamentares o controle sobre mais de R$ 30 bilhões.

DIVERGÊNCIAS – A votação não ocorreu, porém, por divergências quanto ao texto final de um projeto de lei que deveria ser enviado pelo Executivo para selar o acordo, que devolvia ao governo o controle sobre R$ 10,5 bilhões.  Mas um grupo de senadores foi contrário ao acordo e defendeu que o governo deveria definir a execução de todas as emendas parlamentares, e não só uma parte delas, uma reivindicação óbvia, do interesse de todos os parlamentares, de situação ou oposição.

Conversando, o Planalto e o Congresso logo chegariam a um entendimento e a vida seguiria em frente, como dizia João Saldanha. Mas as declarações de Heleno entornaram o caldo.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, bateu pesado e acusou o ministro Augusto Heleno de ter virado um ‘radical ideológico contra a democracia’. Outros deputados e senadores também caíram em cima, ameaçando convocar o general para prestar declarações, que seria uma situação horrível.

BASE ALIADA  – O problema é grave porque o governo Bolsonaro está tentando o impossível – governar sem ter uma forte base aliada. Os diversos exemplos existentes não são levados em conta. Não adianta ter alta aprovação popular sem ter maioria no Congresso. Isso ficou provado no governo de João Goulart, pois não havia entrosamento entre as facções que o apoiavam – Frente Parlamentar Nacionalista, liderada pelo deputado Sérgio Magalhães, a Frente de Mobilização Popular, criada pelo governador Leonel Brizola, e a Frente de Apoio às Reformas de Base, formada pelo ministro Sant Tiago Dantas.

Outros presidentes também não conseguiram manter uma forte base a- aliada e perderam o poder, como Jânio Quadros e Fernando Collor. Mas Itamar Franco fez o contrário. Reuniu todos os partidos, disse que sem o apoio da maioria não aceitava assumir o poder, e assim conseguiu fazer o melhor governo depois de Juscelino Kubitschek, que também teve maioria no Congresso, na coalização PSD-PTB.

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P.S. –
O que circula em Brasília é que Bolsonaro e sua trupe estão costeando o alambrado da democracia, como dizia Leonel Brizola. Com seus repetidos atos provocativos, parecem estar sonhando com um novo 31 de março, sem entenderem que a História só se repete como farsa. (C.N.)

Procuradoria pede quer Gleisi e Paulo Bernardo sejam réus no processo do “quadrilhão do PT”

Para procuradora, há provas da formação de organização criminosa

Mariana Oliveira e Fernanda Vivas
G1 / TV Globo

A coordenadora da Operação Lava Jato na Procuradoria Geral da República (PGR), Lindôra Maria Araújo, se manifestou nesta terça-feira, dia 18, a favor de que a deputada e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, sejam convertidos de acusados em réus no caso conhecido como “quadrilhão do PT”.

Trata-se do inquérito no qual os dois foram denunciados pela PGR por participação em uma suposta organização criminosa criada para fraudar estatais como a Petrobras. Segundo a denúncia, a cúpula do PT teria recebido R$ 1,48 bilhão em propina.

PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO – Gleisi e Paulo Bernardo pediram absolvição sumária sob o argumento de que foram absolvidos os demais acusados no caso que respondiam na primeira instância da Justiça – os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, os ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

A deputada e o marido respondem ao inquérito no Supremo Tribunal Federal devido à condição dela de parlamentar, cujo foro é no STF. Em março de 2018, embora a PGR tenha denunciado todos os acusados no Supremo, o relator da Lava Jato no tribunal, ministro Edson Fachin, decidiu dividir o caso entre os acusados com foro e os sem foro.

Por isso, a deputada e o ex-ministro, cuja conduta foi considerada vinculada à de Gleisi, permaneceram no Supremo, e os demais foram para a primeira instância da Justiça Federal, na qual foram absolvidos pelo juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal em Brasília – o Ministério Público da primeira instância entendeu que não havia “elementos configuradores da dita organização criminosa”.

PROVAS – Agora, a procuradora Lindôra Maria Araújo quer a condenação de Gleisi e Paulo Bernardo por discordar da conclusão do MP da primeira instância. Para ela, há provas da formação de organização criminosa.

“Foram comprovadas a gênese, a estruturação e o funcionamento de uma grande organização criminosa, constituída para a prática de crimes no âmbito do governo federal e da Administração Pública durante as gestões presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff”, disse Lindôra Araujo na manifestação remetida ao Supremo nesta terça-feira.

Segundo a procuradora, a situação na qual pessoas acusadas no mesmo caso tenham resultados distintos no processo “não é desejável”, mas é “consequência inevitável” do foro privilegiado. Para ela, no caso de Gleisi e Paulo Bernardo, compete ao Supremo julgar a questão conforme as provas do processo.

CONTESTAÇÃO – Após ter sido denunciada, Gleisi Hoffmann afirmou que se trata de “denúncia sem qualquer fundamento”, que “busca criminalizar a política e o Partido dos Trabalhadores”.

Segundo Lindôra Araújo, o STF “jamais permitiria que intentos desse tipo fossem levados a efeito. Essa situação não se confunde, em absoluto, com a responsabilização penal de agentes políticos envolvidos em grupos criminosos”.

DEFESA – A defesa de Gleisi e Paulo Bernardo argumentou que não fica configurada uma organização criminosa – para isso, a lei exige a associação de mais de quatro pessoas. A procuradora contestou essa argumentação. Ela afirmou que a organização criminosa é composta por outras pessoas, como empresários que respondem a processos da Lava Jato no Paraná e em São Paulo.

“Como se vê, o número de envolvidos na organização criminosa é maior que quatro pessoas. Não deve ser acolhido o pedido subsidiário de Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann”, escreveu.

Impossibilidade de evitar uma nova greve dos caminhoneiros preocupa o mercado

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A última greve dos caminhoneiros deixou o mercado em pânico

Denise Rothenburg

Correio Braziliense

O mercado começa a olhar com uma certa desconfiança sobre a capacidade de o governo federal arbitrar e resolver conflitos entre setores que apoiam o presidente Jair Bolsonaro. O que acendeu o pisca-alerta foi o pedido do Poder Executivo para que o Supremo Tribunal Federal adiasse o julgamento do tabelamento do frete e a decisão dos caminhoneiros de Santos de tentar promover uma paralisação nesta semana.

O que incomoda é que, passado um ano e quase dois meses do governo do presidente Jair Bolsonaro, esse assunto continua sem solução e os problemas nos setores envolvidos se acumulando.

RETROCESSO – Apesar de a economia ter sinais de recuperação, se essa dificuldade de resolver problemas se repetir em outros setores em que houver conflitos entre apoiadores do presidente, há o risco de a avaliação do governo, que tem melhorado, voltar a cair.

Em tempo: os caminhoneiros de Santos querem chamar a atenção para a necessidade de cumprimento da lei da tabela do frete mínimo, a perda de trabalho em contêineres no porto a redução dos tributos sobre o óleo diesel. Há quem diga que, se o governo não agir rápido em relação a uma solução que atenda a caminhoneiros, agronegócio e indústria, o país pode viver em breve a repetição do cenário de 2018, quando uma greve dos caminhoneiros paralisou o país. Quem conseguir, que durma com um barulho desses.

Há uma tensão no ar com essa paralisação dos caminhoneiros em Santos. Aliás, desde 2013 qualquer movimento causa apreensão, por causa do aumento das passagens de ônibus na cidade de São Paulo, que virou uma série de protestos pelo país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os caminhoneiros estão partindo de uma premissa falsa. O que mais encarece o óleo diesel não são os impostos. A fatia maior é da Petrobras, que ganha muito mais no diesel do que na gasolina, o que significa que quem usa óleo diesel está subsidiando quem consome gasolina. Ou seja, está tudo errado. O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Walace Landim, mais conhecido como Chorão, publicou um vídeo nas redes sociais informando que a paralisação dos caminhoneiros nesta quarta-feira não bloqueará as estradas. (C.N.)

Desta vez, Bolsonaro ultrapassou todos os limites da grosseira e da falta de educação

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Jair Bolsonaro ofendeu a honra da repórter sem o menor motivo

Vicente Limongi Netto

Perto dos 76 anos de idade, dos quais 50 como jornalista, posso assegurar que o Brasil jamais teve um presidente da República com a boca mais suja, grosseira, venal, leviana, moleque, desprezível e irresponsável do que Jair Bolsonaro. A forma destemperada, covarde, desequilibrada, indigna e debochada como Bolsonaro  se referiu a repórter da Folha de São Paulo ultrapassa todos os limites do bom senso, do respeito e da educação.

Minha mãe ponderava que quem tem mãe, irmã, mulher, filha, neta, cunhada e nora, e preza por elas, jamais, em sã consciência, pode agir com maldade e maledicência, atirando  pedras em outras mulheres. Sob pena de ser tragado pelas leis de Deus e pela justiça dos homens. 

COM EDUCAÇÃO – Sou da direita. Isento, justo e convicto. Respeito quem pense diferente. Contanto que reflita o que quiser, com educação e argumentos que possa vir a considerá-los válidos e discutíveis.

Como diz o comentarista Nelson Souza, jamais vimos Lula tratar mal repórteres mulheres. E olha, sabemos, que o cabra sofreu e sofre nas mãos de parte da imprensa.

Por fim , continuam abertas as apostas do bolão republicano para ver quanto tempo Regina Duarte vai aguentar Bolsonaro, os filhotes dele, parte da mídia doente, galera do PT e artistas.

Senador Cid Gomes é baleado após tentar entrar em batalhão da polícia com retroescavadeira no Ceará

Os dois tiros passaram perto, mas não atingiram o coração do senador

Cid, que está licenciado do Senado, estava em uma retroescavadeira e tentava entrar no batalhão da cidade. O trator foi alvejado e teve os vidros estilhaçados. A assessoria de Cid Gomes informou que o senador foi baleado por arma de fogo e que, no início da noite, estava passando por estabilização no Hospital do Coração de Sobral. A equipe do senador informou que ele será transferido para a Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

PRIMEIRAS INFORMAÇÕES – Nas redes sociais, o ex-governador Ciro Gomes (PDT) disse que as primeiras informações são de que foram dois tiros, que não atingiram órgãos vitais. “Meu irmão Cid Gomes foi vítima de dois tiros de arma de fogo por parte de policiais militares amotinados e mascarados em Sobral, nossa cidade. Até aqui as informações médicas são de que as balas não atingiram órgãos vitais apesar de terem mirado seu peito esquerdo”, escreveu Ciro.

“Novos exames estão sendo feitos, mas a palavra aos familiares e amigos é de que Cid não corre risco de morte. Espero serenamente, embora cheio de revolta, que as autoridades responsáveis apresentem prontamente os marginais que tentaram este homicídio bárbaro às penas da lei”, afirmou.

NEGOCIAÇÃO – No início da tarde, Cid Gomes avisou por meio de rede social que chegaria em Sobral para tentar negociar o fim das manifestações dos policiais militares. Desde a noite de terça-feira , dia 18, PMs protestam contra a proposta de reestruturação salarial feita pelo governo do Estado.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), estava reunido com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), quando soube que Cid Gomes havia sido baleado. Ele tentou, sem sucesso, ligar para o celular de Cid. Depois, entrou em contato com o ministro Sergio Moro (Justiça) e com o governador Camilo Santana (PT).

“Acompanho com preocupação os desdobramentos do ocorrido com o senador Cid Gomes, na tarde desta quarta-feira (19), em Sobral, no Ceará. Entrei em contato o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e com o governador do Ceará, Camilo Santana, para obter informações e garantir a segurança do parlamentar”, disse Alcolumbre em nota.

ATAQUES – Até o momento, três policiais foram presos e 261 são investigados por participarem do protesto, que foi proibido na segunda-feira, dia 17, pela Justiça. Em meio aos atos, dois batalhões foram atacados por homens encapuzados, que roubaram dez viaturas em uma das unidades e esvaziaram pneus dos carros em outra.

Na segunda-feira, dia 17, a Justiça havia determinado, a pedido do Ministério Público Estadual, que agentes de segurança poderiam sofrer sanções e até serem presos por promoverem movimentos grevistas ou manifestações no estado.

Em um dos ataques, no batalhão no bairro do Papicu, cerca de dez viaturas foram levadas. Em outro, na Barra do Ceará, os carros tiveram os pneus esvaziados. O governo vai investigar as ações, mas o secretário da Segurança, André Costa, disse nesta quarta-feira que podem ser policiais e até esposas de policiais envolvidos nessas ações.

PORTAS FECHADAS – Os protestos já chegam ao menos a sete cidades do interior do Ceará. Em Sobral, homens encapuzados, com o corpo para fora das janelas de viaturas da Polícia Militar, circularam pelo centro da cidade nesta quarta ordenando que comerciantes fechassem as portas.

Muitos só reabriram as lojas após a chegada de policiais civis e guardas municipais, que estão patrulhando algumas cidades do Ceará com a paralisação de parte da PM. O Ministério da Justiça divulgou nota em que informa que está acompanhando a situação no Ceará e “analisando as providências que podem ser tomadas”.

“Já foram enviadas equipes da Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal para Sobral para garantir a segurança do senador Cid Gomes”, diz o comunicado. Cid Gomes é senador licenciado. Ele se afastou em dezembro para cuidar das eleições municipais no Ceará e deve voltar ao cargo em abril. Em seu lugar assumiu seu suplente Prisco Bezerra (PDT-CE).

BASE ELEITORAL – Sobral é a base eleitoral de Ciro Gomes, candidato a presidente derrotado em 2018 e que apoia o governador petista Camilo Santana.  Seu irmão Cid Gomes foi governador do Estado em momento semelhante de crise com a PM, em 2012.

Bolsonaro minimiza “deslizes” de Guedes e diz que ministro fica no governo “até o último dia'”

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Alessandra Azevedo e Claudia Dianni
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro negou a possibilidade de retirar do governo o ministro da Economia, Paulo Guedes, após as falas polêmicas sobre os impactos da alta do dólar e a postura “parasitária” dos servidores públicos.

Bolsonaro disse ter certeza de que o chefe da equipe econômica “vai continuar conosco até nosso último dia”, apesar de ter “problemas pontuais” e cometer “possíveis pequenos deslizes”. “Se o Paulo Guedes tem problemas pontuais, como todos nós temos, e ele sofre ataques, é muito mais pela sua competência do que por possíveis pequenos deslizes”, disse o presidente, que lembrou já ter cometido “muitos (deslizes) no passado”.

“ATÉ O FIM” – A declaração foi feita nesta terça-feira, dia 18, em cerimônia de transmissão de cargos dos ministros da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto, e da Cidadania, Onyx Lorenzoni, no Palácio do Planalto. Segundo o presidente, Guedes “não pediu para sair” do ministério. “Tenho certeza que, como um dos poucos que eu conheci antes das eleições, ele vai continuar conosco ate nosso último dia”, reforçou o chefe do Executivo, seguido de aplausos. “Uma das coisas mais importantes que aconteceram desde o início do mandato foi a recuperação da confiança que o mundo não tinha conosco”, ressaltou.

“Paulo Guedes não é militar, mas é ainda um jovem aluno do Colégio Militar de Belo Horizonte”, disse Bolsonaro, em referência ao grande número de militares no governo, lista engrossada com a nomeação do general Braga Netto, na Casa Civil. Agora, todos os ministros com gabinete no Planalto são militares.

ALVO DE CRÍTICAS – Nos últimos dias, Guedes foi criticado por comparar o servidor público que reivindica aumento a um “parasita” e por dizer que na época do dólar baixo mesmo as empregadas domésticas conseguiam viajar para a Disney. O ministro afirmou que é “bom para todo mundo” que o dólar esteja acima de R$ 4. Bolsonaro, no entanto, disse que estava “um pouquinho alto”.

O presidente também se afastou, na última quinta-feira, dia 13, da visão de Guedes quanto aos servidores. Depois da repercussão negativa das falas do ministro, Bolsonaro disse que “responde pelos próprios atos” e sugeriu que jornalistas tirassem satisfações “com quem falou isso”.

Governo da Bahia desmente vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro sobre suposto corpo de miliciano morto

Clã Bolsonoro acusa governo baiano de encomendar morte 

Paulo Roberto Netto
Estadão

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, rebateu o vídeo e as acusações proferidas pelo senador Flávio Bolsonaro pelas redes sociais. Nesta terça-feira, dia 18, o filho do Presidente publicou vídeo de suposto corpo do ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em operação policial na cidade de Esmeralda, a 170 quilômetros de Salvador.

Segundo Barbosa, o vídeo divulgado pelo senador não teve a autenticidade reconhecida pela perícia da Bahia e nem pela perícia do Rio de Janeiro. A reportagem buscou o Departamento de Polícia Técnica do Rio, que informou que o vídeo não havia ter sido gravado no local.

DÚVIDAS – “As imagens não foram feitas nas instalações oficiais do Instituto Médico-Legal. Então nós temos a clara convicção de que isso é para trazer algum tipo de dúvida, de questionamento, a um trabalho que ainda não foi concluído”, disse Barbosa. Segundo o secretário, o governo foi ‘instado’ a comentar o resultado de uma perícia, divulgada na semana passada, e que há outros exames a serem realizados.

A única perícia oficial do corpo do miliciano aponta que ele foi morto por dois tiros de fuzil, disparados a, no mínimo, um metro e meio de distância. São mencionados “seis fraturas nas costelas”, “dois pulmões destruídos” e o “coração dilacerado”.

CONTRADIÇÕES – Diferentemente do que alegou Flávio, não há menção à coronhada ou à queimadura. Os ferimentos, segundo os peritos, seriam compatíveis com o impacto no corpo causado por tiros de fuzil, em razão da alta energia cinética dos projéteis.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirma que o diretor do Instituto Médico Legal (IML) da Bahia, Mário Câmara, informou que não é possível confirmar onde o vídeo foi gravado e se o corpo é realmente do capitão Adriano da Nóbrega.

“Não sabemos se foi adulterado, onde foi feito, não sabemos se o corpo é realmente do senhor Adriano. Então não faremos comentários sobre o vídeo”, afirma.

VÍDEO – Flávio Bolsonaro publicou um vídeo de 21 segundos, sem áudio e com imagens fortes, no qual é exibido um corpo etiquetado com o nome de Adriano Magalhães.

“Perícia da Bahia (governo PT), diz não ser possível afirmar se Adriano foi torturado. Foram 7 costelas quebradas, coronhada na cabeça, queimadura com ferro quente no peito, dois tiros a queima-roupa (um na garganta de baixo p/cima e outro no tórax, que perfurou coração e pulmões”, afirmou Flávio Bolsonaro.

INVESTIGADO –  Além de ser acusado de integrar o Escritório do Crime, milícia envolvida no assassinato da vereadora Marielle Franco, Adriano da Nóbrega era investigado pelo Ministério Público do Rio por participação em suposto esquema de rachadinha conduzido no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O filho do Presidente empregou a ex-esposa e a mãe de Adriano da Nóbrega. Ao deflagrar operação contra endereços ligados ao ex-assessor Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro em novembro do ano passado, o Ministério Público detalhou conversas entre Nóbrega e sua ex-esposa, Danielle, que era funcionária de Flávio.

Após reportagem do ‘Estado’ revelar movimentações atípicas de Queiroz, Danielle foi exonerada do cargo e cobrou explicações do miliciano em mensagens obtidas pela promotoria. Nelas, a ex-esposa de Adriano da Nóbrega afirma que ele também se beneficiava do suposto esquema de ‘rachadinhas’.

Separação de Herivelto Martins e Dalva de Oliveira rendeu alguns clássicos da MPB

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Herivelto e Dalva viveram uma tumultuada história de amor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O ator, cantor e compositor nascido em Vila de Rodeio, atual Município de Engenheiro Paulo de Frontin (RJ), Herivelto de Oliveira Martins (1912-1992), viveu com Dalva de Oliveira um intenso e turbulento amor entre 1930 e 1940. Segundo alguns historiadores, o relacionamento rendeu alguns clássicos para a MPB, entre os quais, “Bom Dia”, em parceria com Aldo Cabral, cuja letra retrata a surpresa e o sofrimento que uma separação podem trazer. O samba Bom Dia foi gravado por Linda Batista, em 1942, pela RCA Victor.

BOM DIA
Aldo Cabral e Herivelto Martins

Amanheceu, que surpresa
Me reservava a tristeza
Nessa manhã muito fria
Houve algo de anormal
Tua voz habitual
Não ouvi dizer
Bom dia!
Teu travesseiro vazio
Provocou-me um arrepio
Levantei-me sem demora
E a ausência dos teus pertences
Me disse, não te convences
Paciência, ele foi embora

Nem sequer no apartamento
Deixaste um eco, um alento
Da tua voz tão querida
E eu concluí num repente
Que o amor é simplesmente
O ridículo da vida

Num recurso derradeiro
Corri até o banheiro
Pra te encontrar, que ironia
E que erro tu cometeste
Na toalha que esqueceste
Estava escrito bom dia