Assessores do Planalto temem que Bolsonaro imobilize o governo no combate à Covid-19 

Charge Gilmar Fraga (Arquivo Google)

Valdo Cruz
G1 Política

O negacionismo do presidente Jair Bolsonaro não pode imobilizar de vez o governo no combate à pandemia de Covid-19. O alerta é de assessores presidenciais, preocupados com a demora do Ministério da Saúde em anunciar um Plano Nacional de Imunização e uma estratégia definitiva em relação às vacinas.

Sem falar nos esclarecimentos do ministro Eduardo Pazuello, ainda pendentes, sobre os testes de Covid-19 que correm o risco de perder a validade.

MINISTÉRIO INIBIDO – Segundo auxiliares do próprio presidente da República, a posição do chefe estaria “inibindo” a atuação do Ministério da Saúde, comandado pelo general da ativa Eduardo Pazuello, que tem preferido ficar em silêncio diante das últimas polêmicas criadas por Bolsonaro em relação ao combate ao coronavírus.

Assessores de Pazuello garantem que o Plano Nacional de Imunização está em fase final de elaboração e deve ser divulgado nas próximas semanas. Só que, alertam assessores presidenciais, o ministro da Saúde não tem vindoi a público fazer esses esclarecimentos, gerando dúvidas e suspeitas sobre como o governo está se preparando para fazer uma vacinação em massa da população.

SEGUNDA ONDA – Interlocutores de Pazuello destacam, por exemplo, a nova polêmica sobre o coronavírus, se o país está ou não enfrentando uma segunda onda. O presidente e o ministro da Economia, Paulo Guedes, têm rebatido as avaliações de especialistas de que a segunda onda já é uma realidade. O Ministério da Saúde, responsável pelo tema, porém, não se pronunciou até agora.

Esses interlocutores lembram que, mesmo que ainda não seja possível dizer que o Brasil enfrenta uma segunda onda, o ideal seria o ministro da Saúde estar promovendo reuniões com os secretários estaduais e municipais da área para traçar uma estratégia a fim de enfrentar esse cenário, se ele se concretizar.

HAVERÁ COBRANÇAS – Enquanto isso, o governo deve ser alvo de cobranças do Supremo Tribunal Federal (STF), Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União (TCU) sobre suas ações no combate ao coronavírus.

Só que o governo, lembram aliados de Bolsonaro, continua perdendo tempo por causa da insistência do presidente em negar a realidade.

“Calma, violência, calma!”, pediam Fagner e Fausto Nilo, no auge do regime militar

RAIMUNDO FAGNER & FAUSTO NILO - BAR SEREIA - YouTube

Fagner e Fausto eram parceiros nos anos de chumbo

Paulo Peres

Poemas & Canções
O arquiteto, poeta e compositor cearense Fausto Nilo Costa Júnior pede “Calma Violência”, referindo-se não apenas à violência causada pela ditadura militar vigente no Brasil desde 1964, mas à violência rural e urbana cujos índices começavam a crescer assustadoramente por diversos fatores. A música faz parte do LP Raimundo Fagner, gravado em 1976, pela CBS.
CALMA VIOLÊNCIA
Fagner e Fausto Nilo

Calma violência, violência calma
E a pureza da minha alma
E a minha inocência
Calma violência, violência calma

Minha mão não tem mais palma
Dói a irreverência
Violência, calma
Brasileira é minha alma

A experiência, violência
Calma violência
A experiência, violência
Calma violência

Em países atrasados como o Brasil, ainda se costuma perder tempo discutindo ideologias

Charge do Wilmar (Arquivo Google)

Carlos Newton

Embora se trate de uma discussão ultrapassada, antiga e arcaica, sempre desperta polêmica a troca de ideias sobre direita e esquerda, capitalismo e comunismo etc. Todavia, enquanto pessoas altamente intelectualizadas perdem tempo e consomem neurônios nesse tipo antiquado de debate, a humanidade permanece em situação degradante.

A maioria das nações continua vivendo em condições medievais, a metade dos mais de 7 bilhões de habitantes do planeta ainda estão em abandono, com dificuldades de sobrevivência.

DESIGUALDADE SOCIAL – O capitalismo teve uma evolução extraordinária, mas falta muito para que haja justiça social e oportunidades iguais. Por isso, é inaceitável o neoliberalismo, que é apenas o mais novo codinome do velho capitalismo.

Durante a Constituinte (1987/88),  eu costumava ir com frequência ao gabinete do então deputado Delfim Netto, para entrevistá-lo e trocar ideias. E fiquei espantado, esperava que ele fosse um ardoroso defensor do neoliberalismo, mas isso não aconteceu. O ex-ministro não aceitava as então famosas do Consenso de Washington e dizia que o Estado precisava ser forte, como no Japão ou na Coreia do Sul, para regular o mercado, sempre que se fizer necessário.

Sobre o liberalismo radical (denominado “laissez faire”, com mínima atuação estatal, Delfim dizia ser impossível, porque o mercado não pode ser totalmente livre nem comandar a economia, trata-se de uma utopia irresponsável.

SINÔNIMOS – Bem, o professor Delfim Netto faz críticas ao neoliberalismo, mas não é nenhum defensor do comunismo ou do socialismo. Apenas se recusa a defender o capitalismo primitivo que predomina na maioria dos países subdesenvolvidos, como sinônimo de ditadura ou  democracia incipiente e frágil.

O fato concreto é que o radicalismo político não leva a nada, o equilíbrio sempre está no meio.

Desde os anos 80 eu entendo que as ideologias radicais já acabaram. Escrevi uma série de artigos a esse respeito na Revista Nacional, que na época era o órgão de imprensa de maior circulação no país. Soube que minhas matérias motivaram discussões na Escola Superior de Guerra, uma instituição que permanentemente se interessa pela evolução dos fatos políticos e ideológicos.

FALSO COMUNISMO – O certo é que a antiga União Soviética praticava  um falso comunismo. Se Marx e Engels ainda estivessem vivos, estariam presos na Sibéria, chupando picolé de gelo.

É extemporânea essa discussão entre direita e esquerda, que ainda ocorre com intensidade aqui na Tribuna da Internet. Parece um filme antigo, do tipo “noir”, em preto e branco.

Nos países nórdicos, as instituições públicas e privadas convivem em harmonia, a livre iniciativa é respeitada, os três poderes funcionam, a ninguém é dado o direito de enriquecer na política ou na administração pública, não existe abismo entre o menor e o maior salário, essas nações não se deixam dominar pelo sistema financeiro, como ocorre no Brasil e em outros países.

QUALIDADE DE VIDA – O que hoje se deve debater no Brasil é a forma de evoluirmos para atingir o estágio dos países nórdicos, que estão no ápice das estatísticas em termos de qualidade de vida (IDH – Índice de Desenvolvimento Humano), estabilidade econômica, educação pública, assistência médica universal e justiça social. Este é o grande desafio.

É claro que os países nórdicos não atingiram a perfeição. Uma das falhas ainda existentes é a assistência médica de qualidade inferior para quem não possui plano de saúde. Outro problema é a necessidade de universalizar a educação pública, que apenas a Finlândia já superou.

Outros países também caminham nessa direção. O jogador de futebol Raí, quando morou na França, ficou surpreso ao constatar que sua filha estudava na mesma sala onde estava matriculada a filha da empregada da família. Além disso, as duas meninas eram tratadas pelos mesmos médicos, no sistema de saúde francês.

SUBLIME EVOLUÇÃO – Marx e Engels jamais poderiam imaginar que houvesse essa sublime evolução do sistema capitalista. Infelizmente, porém, esses avanços ainda são um sonho distante para o Brasil, onde se alarga cada vez mais o abismo entre as elites e as classes trabalhadoras, como se fosse possível a riqueza total conviver em paz com a miséria absoluta.

De toda forma, debater capitalismo e comunismo, nos dias de hoje, representa uma tremenda perda de tempo.  Devemos discutir apenas o que é certo e o que está errado, sem conotações ideológicas.

E quase tudo está errado, com o país sob domínio das elites estatais e privadas, que exploram o restante da população. Os três Poderes estão apodrecidos e seus integrantes nada querem mudar.

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P.S.Como ensinava há 400 anos o filósofo e teólogo italiano Giordano Bruno, que se tornou o mais citado aqui na TI, é ingenuidade achar que quem esteja no poder pretenda mudar alguma coisa… (C.N.)

Paulo Guedes antecipa-se à decisão de Bolsonaro e veta a prorrogação do auxílio emergência

TRIBUNA DA INTERNET | Povo foi às ruas por Jair Bolsonaro, e não por Paulo  Guedes, que está voando na fantasia

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Ao participar de evento promovido pela Firjan na segunda-feira, reportagem de Manoel Ventura e Marcelo Correa, edição desta terça-feira em O Globo, o ministro Paulo Guedes afirmou que não existe a possibilidade de o auxílio d emergência ser prorrogado para 2021, devendo portanto encerrar-se a 31 de dezembro.

A afirmação do titular da Economia representaria uma antecipação da vontade de Bolsonaro, mas o presidente tanto pode seguir o rumo traçado por Guedes como também pode não concordar com ele e prorrogar os pagamentos hoje em 300 reais para pessoas de renda muito baixa.

E O CONGRESSO? – A matéria sobre o assunto saiu também em O Estado de São Paulo, reportagem assinada por Loreana Rodrigues e Idiana Tomazeli. Existe a hipótese de o Congresso resolver que o abono continue a ser pago no próximo ano. Para isso há necessidade de ser votada uma nova lei prorrogando os pagamentos mensais.

Na minha opinião, o ministro Paulo Guedes, uma questão de bom senso, não pode afirmar que a emergência de modo algum pode ser prorrogada. A decisão, é claro, pertence ao presidente da República.

Na Federação das Indústrias do RJ, Paulo Guedes focalizou também a resistência que tem encontrado tanto dentro do próprio governo quanto do poder Legislativo em aprovar as privatizações que tem proposto.

VIROU BAGUNÇA – Penso que as resistências têm procedência, pois não é possível autorizar a venda de uma estatal como a Eletrobras, por exemplo, sem que que o governo informe o preço estabelecido para a venda. Autorizar a venda sem saber o preço é assinar um cheque em branco.

E os preços continuam subindo de forma acelerada, como se verifica nos alugueis. O GPM de novembro a novembro tem uma atualização da ordem de 20%. Os salários entretanto não têm reajuste algum no mesmo período. Os planos de saúde vão aumentar 20%, elevação que será dividida pelos 12 meses de 2021. Os alimentos estão subindo a cada semana e agora Carolina Brígido e Luciana Casemiro, também em O Globo, revelam que as escolas particulares estão cobrando reajustes de até 5% para renovação das matrículas.

Depois do vendaval de preços, acredito que o IBGE não poderá manter o estranho sistema de cálculo sobre a inflação que adota até hoje.

Na análise dos votos, Biden venceu entre os negros, os latinos e os brancos conservadores

Search | Brasil 247

Charge do Miguel Paiva (Brasil 247)

Bruno Benevides
Folha

Negros, latinos, mulheres, moradores do subúrbio, pessoas com ensino superior —e até alguns homens brancos. Foi com essa ampla coalizão de eleitores que Joe Biden conseguiu ser eleito o 46º presidente dos EUA.

Para vencer Donald Trump no pleito do último dia 3, o democrata teve que se desdobrar para manter o apoio entre minorias étnicas e mulheres —que tradicionalmente votam em seu partido— e, ao mesmo tempo, atrair parte dos eleitores republicanos que se decepcionaram com o atual comandante-em-chefe.

CINCO ESTADOS – Foi essa mescla que permitiu ao agora presidente eleito conquistar cinco estados que tinham votado no republicano na eleição de 2016: Arizona, Pensilvânia, Michigan, Wisconsin e Geórgia.

Assim, o democrata conseguiu vencer a eleição ao alcançar o número suficiente de votos no Colégio Eleitoral, nome do sistema indireto que define o presidente americano.

Nesse modelo, cada estado tem um número de votos proporcional à população. A Califórnia, com 39,51 milhões de habitantes, por exemplo, tem direito a 55 representantes. A Dakota do Sul, com 884,6 mil, a apenas 3.

DUAS EXCEÇÕES – O candidato que vence a eleição em um estado leva todos os votos dele —as exceções são Nebraska e Maine, que dividem os votos de maneira mais proporcional. No fim do processo, é eleito quem conquistar mais da metade dos votos no Colégio Eleitoral, ou seja, ao menos 270 dos 538 votos possíveis.

Por isso, a senha para vencer a eleição é conquistar os estados onde a disputa é mais apertada. Antes do pleito de 2020, 13 estados foram classificados dessa maneira, e Biden melhorou o seu desempenho em 12 deles na comparação com os números obtidos pela então candidata democrata, Hillary Clinton, em 2016. Ou seja, Trump só avançou em um deles, a Flórida.

No total, o democrata melhorou o desempenho de seu partido em 43 estados, enquanto o republicano só conseguiu fazer o mesmo em 7 deles e no Distrito de Columbia (onde fica a capital, Washington).

NOS SUBÚRBIOS – O principal fator para esse crescimento democrata ocorreu nos subúrbios. Os moradores dessas regiões residenciais ao redor de grandes cidades costumam ser mais brancos e conservadores que os eleitores de centros urbanos, porém mais moderados que os de pequenas cidades e áreas rurais.

Como mais da metade dos eleitores americanos moram nos subúrbios, essas regiões acabam sendo um importante palco de disputa nas eleições presidenciais. Em 2016, Trump venceu Hillary nos subúrbios por 49% a 45%, mas agora em 2020 o panorama virou —Biden venceu o adversário por 54% a 44%.

Ou seja, o democrata ganhou 9 pontos percentuais dentro desse grupo, um dos maiores crescimentos dentro de qualquer divisão demográfica nos últimos quatro anos.

ELEITORES BRANCOS – E a vitória nessas regiões aconteceu principalmente porque Biden aumentou seu apoio entre eleitores brancos, segmento no qual cresceu 7 pontos percentuais em relação a Hillary em 2016.

Outro grupo demográfico importante que apoia Trump e no qual Biden avançou foi o de pessoas brancas sem ensino superior. A vantagem do republicano sobre o candidato democrata neste segmento —que engloba 44% do eleitorado— caiu de 36 pontos percentuais em 2016 para 25 pontos neste ano.

Essa mudança foi um dos fatores que ajudaram Biden a virar a disputa em Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, estados do chamado Cinturão da Ferrugem — antiga região industrial que em 2016 tinha ajudado a eleger Trump.

NEGROS E LATINOS – Além desses avanços entre o eleitorado branco, o democrata conseguiu manter o tradicional apoio que seu partido já tem entre as minorias: Biden recebeu o voto de 9 a cada 10 negros e de 2 a cada 3 latinos, patamares semelhantes aos de 2016. Trump, porém conseguiu crescer 7 pontos percentuais entre esse último grupo, impulsionado principalmente pelo seu bom desempenho entre pessoas de origem cubana.

Além de ajudar a explicar o resultado deste ano, os dados demográficos costumam ser usados pelos partidos e pelos candidatos para estabelecerem suas estratégias para a próxima eleição.

Assim, daqui a quatro anos a tendência é que os democratas lutem para manter o cenário atual, enquanto os republicanos tentarão recuperar os votos vindos do subúrbio e avançar entre os latinos.

Primeira Turma do STF forma maioria para manter Arthur Lira réu por corrupção passiva

Deputado é candidato de Bolsonaro à presidência da Câmara

Carolina Brígido
O Globo

Três dos cinco ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram nesta terça-feira pela manutenção da decisão de abrir ação penal contra o deputado Arthur Lira (PP-AL) por corrupção passiva. Lira é o candidato de Bolsonaro à presidência da Câmara dos Deputados e foi transformado em réu em outubro do ano passado. Em seguida, recorreu da decisão.

No julgamento desta terça-feira, dia 23, os ministros Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Marco Aurélio Mello votaram para manter a ação penal aberta. Dias Toffoli pediu vista, adiando a decisão final para data ainda não definida. Além dele, ainda falta votar a ministra Rosa Weber.

PROPINA – Segundo denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), em fevereiro de 2012 o parlamentar recebeu propina de R$ 106 mil paga pelo então presidente da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), Francisco Colombo. O valor foi apreendido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando um assessor dele na Câmara tentava embarcar para Brasília, com passagens pagas pelo deputado, e o valor escondido pelo corpo.

No julgamento da denúncia, a Primeira Turma foi unânime pela abertura da ação penal por corrupção passiva, mas rejeitou a acusação de lavagem de dinheiro, por falta de evidências suficientes contra Lira.

No processo, o advogado do réu, Pierpaolo Bottini, argumentou que não há como ligar o fato de que o dinheiro apreendido seria entregue a Arthur Lira. Ainda segundo a defesa, não haveria motivação para relacionar a apreensão do dinheiro com a manutenção do cargo de presidente da CBTU. Isso porque o cargo tem mandato de três anos previstos.

Plano B: Bolsonaro diz que “vai ter uma nova opção”‘ se não criar seu partido até março

Charge do Brito (humorpoltico.com.br)

Gustavo Maia
O Globo

Março do ano que vem é a data-limite do presidente Jair Bolsonaro para conseguir viabilizar o Aliança pelo Brasil. Caso não consiga formar o partido, lançado em novembro do ano passado, quando ele se desfiliou do PSL, Bolsonaro disse nesta segunda-feira, dia 23, que “vai ter uma nova opção”. Mais de um ano depois, a legenda não conseguiu reunir nem 10% das 492 mil assinaturas necessárias para o registro da legenda junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O prazo foi revelado pelo presidente em conversa com uma apoiadora na chegada ao Palácio da Alvorada, no fim da tarde. A mulher disse integrar o Aliança pelo Brasil de União da Vitória, no Paraná, ao que Bolsonaro comentou:

NOVA OPÇÃO – “Não é fácil formar um partido hoje em dia. A gente está tentando, mas se não conseguir a gente em março vai ter uma nova opção, tá ok?”, declarou. Passada a ressaca pós-eleições municipais, interlocutores do presidente deram início a estratégia para reorganizar uma estrutura partidária que acolha o chefe do Executivo rumo à disputa a uma reeleição em 2022.

Auxiliares avaliam que a maior lição do pleito municipal foi perceber quão desorganizados estão conservadores e ideológicos e que, sem uma nova estrutura, Bolsonaro pode patinar na corrida à sucessão presidencial daqui a dois anos.

Defensores da formação do Aliança seguem sem esperança de que o presidente vá se mobilizar para avançar na criação da legenda. A tendência, dizem, é o presidente voltar a fazer rodada de negociações com os partidos que já têm recursos em caixa, caso contrário terá de fazer uma campanha à reeleição novamente sem qualquer dinheiro público. Na conversa com apoiadores nesta segunda, a militantes pediu que o presidente mandasse um abraço para os integrantes do Aliança e ele atendeu: “Aliança de todo o Brasil, aquele abraço e obrigado pelo apoio”.

OPÇÃO – Legendas que integram o Centrão e que estão alinhadas ao governo, como PP, PR e Republicanos, estão entre as opções para abrigar Bolsonaro. Na Câmara dos Deputados, esses partidos têm dado sustentação à base aliada do governo e auxiliado na aprovação de temas importantes para a área econômica. Apesar das antigas críticas do presidente e de seus apoiadores aos partidos do Centrão, o governo Bolsonaro se aproximou desse grupo em meados de junho deste ano.

Bolsonaro foi filiado ao PP, presidido pelo senador Ciro Nogueira (PI), por nove anos. Este ano, Bolsonaro estreitou ainda os laços com as legendas do Centrão participando de reuniões com dirigentes partidários como Valdemar da Costa Neto, do PL, e também com Gilberto Kassab, do PSD. O presidente também tem bom diálogo com Marcos Pereira, presidente do Republicanos, partido escolhido pelo filho 01, senador Flávio Bolsonaro (RJ), para se filiar após deixar o PSL no ano passado.

BRIGAS – Bolsonaro e Flávio deixaram o PSL, do deputado federal Luciano Bivar (PE), depois de consecutivas brigas pelo comando dos diretórios estaduais, que recebem parte dos recursos milionários partidários que a legenda passou a ter direito após as eleições presidenciais de 2018.

Nem mesmo o retorno de Bolsonaro ao PSL está descartado. O presidente já admitiu que poderia voltar a conversar com Bivar sobre uma reaproximação com a legenda. Neste momento, porém, Bivar evita comentar essa possiblidade porque está em campanha para se tornar um nome viável à sucessão de Rodrigo Maia (DEM) na presidência da Câmara. Aliados de Bivar avaliam que o candidato de Rodrigo Maia não pode estar atrelado ao governo, já que Bolsonaro tem defendido apoio a Arthur Lira (PP-AL), que disputa em outra frente.

Lewandowski cobra Lava-Jato por não liberar provas para a defesa de Lula e paralisa ação sobre Instituto

Lewandowski voltou a pedir o compartilhamento das informações 

Bela Megale
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski paralisou novamente uma ação da Lava-Jato de Curitiba em que Lula é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Neste caso, o ex-presidente é apontado como beneficiário de propina pelo suposto recebimento de um imóvel da Odebrecht que abrigaria a sede do Instituto Lula, em São Bernardo (SP).

O ministro também determinou que a Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal informe, em 60 dias, se inexistem ou se foram suprimidos os registros das tratativas realizadas entre a força-tarefa de Curitiba e autoridades e instituições estrangeiras.

DOCUMENTOS – Lewandowski também intimou o procurador-geral da República, Augusto Aras, a encaminhar ao Supremo documentos da cooperação internacional referentes à leniência da Odebrecht, caso ela tenha tramitado na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em uma decisão desta terça-feira, dia 24, o Lewandowski reiterou uma determinação que já tinha dado anteriormente para que a 13ª Vara Federal de Curitiba, onde corre a ação, compartilhasse com a defesa de Lula todos os documentos relativos ao acordo de leniência firmado entre a força-tarefa paranaense e a Odebrecht. Nesse material, o ministro citou expressamente comunicações feitas entre os procuradores brasileiros e autoridades estrangeiras acerca da tratativa.

Lewandowski rejeitou os embargos da defesa de Lula por uma questão formal, mas determinou que o caso seja paralisado novamente até que Lula tenha a íntegra do material. Na semana passada, o juiz da 13a Vara de Curitiba, Luiz Antonio Bonat, disse que toda documentação já havia sido compartilhada com os advogados e abriu prazo para que os envolvidos na ação apresentassem as alegações finais. Esse é o último passo antes da denúncia.

CUMPRIMENTO DA DECISÃO – O ministro do Supremo, porém, não reconheceu que o compartilhamento estava completo. “Reitero ao Juízo da 13ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Curitiba/PR que o prazo para as alegações finais nos autos da Ação Penal 5063130-17.2016.4.04.7000 somente deverá ter início após o cabal cumprimento desta decisão, o que será constatado após criterioso exame a ser feito por esta Suprema Corte”, escreveu Lewandowski.

Na decisão, o ministro também fez uma crítica à atuação dos procuradores que afirmam que a defesa de Lula insiste em buscar acesso a “documentos que não se relacionam aos fatos” para “procrastinar” a tramitação do processo. “Ora, se os pedidos feitos pelo reclamante no sentido de que lhe sejam afiançadas as franquias constitucionais a que faz jus consubstanciam ‘procrastinações’, seguramente, na visão de determinados integrantes do MPF, melhor seria extinguir, de uma vez por todas, o direito de defesa. Assim, as condenações ocorreriam mais rapidamente, sem os embaraços causados pelos réus e seus advogados”, escreveu Lewandowski.

Bolsonaro passou por exames médicos de manhã e depois a agenda do dia teve de ser cancelada

Bolsonaro faz exames e médicos atestam: "Excelentes condições clínicas"

Assessoria do Planalto afirma que foram exames de rotina

Deu no Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro realizou, na manhã desta terça-feira (24/11), uma série de exames médicos, informou o Palácio do Planalto. Os procedimentos, considerados de rotina, foram realizados no serviço médico da Presidência.

Há dois meses, o chefe do Executivo passou por cirurgia para retirada de um cálculo na bexiga. No procedimento, segundo boletim médico divulgado pela Secretaria de Comunicação (Secom), o cálculo foi “totalmente removido”.

PEGOU A COVID-19 – Em julho, o presidente também ficou isolado por cerca de 20 dias após contrair covid-19. Na ocasião, ele não precisou ficar hospitalizado.

De acordo com a agenda presidencial, Bolsonaro participaria de um evento no final da tarde desta terça-feira para comemoração dos 20 Anos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel).

Segundo o Planalto, porém, depois de fazer os exames, o presidente mandou retirar o evento da agenda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro é um problema para os médicos da Presidência. Tem de fazer uma quarta cirurgia porque a tela implantada em seu abdômen cedeu em alguns locais. Por isso, não deve andar a cavalo, de jet-ski ou motocicleta, mas vive desobedecendo os médicos e só reclama das hemorroidas. Quem entende um paciente desse tipo? (C.N.)

Sem Trump, o que sobra para Bolsonaro no cenário mundial, além de Polônia e Hungria? Nada.

Charge do João Bosco (O Liberal)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Confirmadas as previsões de vitória do democrata Joe Biden, não sobra pedra sobre pedra da política externa do presidente Jair Bolsonaro, que usou até a vacina contra covid para atacar a China, chicoteou os parceiros do Brasil na Europa, gerou desconfianças inúteis no mundo árabe e apostou suas fichas numa suposta “amizade” com o republicano Donald Trump. A vitória de Biden, porém, muda literalmente tudo.

Sem Trump e sem os Estados Unidos, o que sobra para Bolsonaro no cenário internacional, além de Polônia e Hungria, ambos secundários e tão desacreditados quanto o Brasil desde janeiro de 2019? Portanto, a derrota de Trump é uma derrota de Bolsonaro, assim como sua vitória seria também de Bolsonaro e do projeto nacional-populista que os quatro países tentam exportar para o mundo.

ALINHAMENTO TOLO – Além de se aventurar num mal disfarçado alinhamento automático com Washington, Bolsonaro foi ainda mais incauto ao meter o Brasil num confronto de gigantes. O resultado é que o Brasil pode perder os dois simultaneamente: a China, que já busca fornecedores e mercados alternativos, e os EUA, porque Biden não tem compromissos com o Brasil, pelo contrário.

A derrota de Trump para Biden tem reflexos também na política interna brasileira, porque deixa Bolsonaro sem discurso e sem uma forte referência de extrema direita. Com o PT em baixa e o ex-presidente Lula caminhando para o ocaso político, é improvável que só “varrer o PT” seja suficiente para a reeleição em 2022. E quem ainda acredita em “nova política”, “combate à corrupção” e outros slogans jogados no lixo bolsonarista?

QUESTÃO AMBIENTAL – Um outro efeito na política interna pode ser que, quanto mais Bolsonaro caia com Biden, mais o vice-presidente Hamilton Mourão suba e mais a pauta ambiental entre no centro das relações.

Ficando Trump, nada mudaria nessa seara. Ele não dá a mínima para queimadas na Amazônia e Pantanal. Mas com Joe Biden haverá graves cobranças, como ele já deixou claro na campanha eleitoral.

Após a decepção nas urnas no 1º turno, Bolsonaro quer evitar se envolver na reta final de disputas municipais

Charge do Aroeira (Arquivo do Google)

Naira Trindade, Gustavo Maia e Paulo Cappelli
O Globo

Desmotivado com o resultado do primeiro turno das eleições municipais, o presidente Jair Bolsonaro pretende se manter longe da disputa nesta fase final. A cinco dias do segundo turno, ele admitiu a aliados ter se decepcionado com a postura de alguns candidatos durante a campanha eleitoral e afirmou já ter cumprido seu papel ao pedir votos nas transmissões ao vivo para 58 concorrentes na fase inicial do pleito.

A aliados, o chefe do Executivo disse ter se desgastado apoiando candidatos que, na visão dele, pouco trabalharam para melhorar o desempenho pífio que vinham tendo durante a campanha. Bolsonaro sentiu que muitos dos apoiados acreditaram que bastava apenas ter seu respaldo para elevar suas intenções de votos nas cidades, o que não aconteceu. E a derrota deles foi interpretada, então, como fracasso do presidente.

DESGASTE – Interlocutores o haviam alertado de que o cenário de derrotas desgastaria sua imagem e poderia demonstrar fraqueza. Por outro lado, alguns aliados defendiam usar a campanha municipal como “termômetro” para 2022, quando Bolsonaro pretende se lançar à reeleição. Por isso, o chefe do Executivo decidiu se arriscar e ajudar candidatos que o ajudaram na campanha de 2018, além de outros indicados pelos seus assessores, secretários e ministros.

No primeiro turno, o presidente pediu voto para 13 candidatos, mas só dois deles foram eleitos: Gustavo Nunes (PSL), em Ipatinga (MG), e Mão Santa (DEM), em Parnaíba (PB). Outros nove ficaram pelo caminho e apenas dois conseguiram avançar para a reta final da campanha: Marcello Crivella (Republicanos), no Rio, e Capitão Wagner (Pros), em Fortaleza (CE). Os dois, porém, estão agora atrás nas pesquisas de Eduardo Paes (DEM) e José Sarto (PDT), respectivamente.

“NÃO” A CRIVELLA –  Aconselhado por aliados, Bolsonaro não deve gravar mais vídeos para nenhum aliado, nem mesmo o prefeito Marcelo Crivella, que na semana passada esteve em Brasília lhe pedindo para participar de eventos de rua.

Crivella tomaria café da manhã com o presidente no Palácio da Alvorada, mas seu voo atrasou. A campanha do prefeito afirma que ele foi recebido, então, para um almoço no Palácio do Planalto. O compromisso não consta da agenda oficial do presidente e segundo auxiliares de Bolsonaro ele não almoçou com Crivella, o tendo apenas recebido rapidamente. Não houve registro em vídeo e fotos sob a alegação de que se tratava de medida de prevenção para evitar eventual punição da Justiça Eleitoral pelo uso da sede do governo para campanha política.

Bolsonaro recusou o pedido para fazer campanha junto com o prefeito e também declinou de fazer novas gravações para o horário eleitoral. Bolsonaro disse a interlocutores que “já deu sua contribuição” para a campanha do prefeito. Aliados avaliam que o prefeito ter chegado ao segundo turno foi um dos poucos pontos positivos da participação do presidente nas eleições municipais, mas que agora seria um equívoco entrar na campanha diante da grande vantagem de Paes.

ANTAGONISMO – Também pesou o fato de aliados próximos do presidente, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), intercederem por Paes, argumentando que, se eleito, o ex-prefeito não adotará postura antagônica a Bolsonaro, diferentemente do governador de São Paulo, João Doria. O próprio senador Flávio Bolsonaro, que é filiado ao partido do prefeito e comanda a articulação política do bolsonarismo no Rio, reforçou sua postura de neutralidade.

O único movimento feito pelo presidente no sentido demonstrar apoio a algum candidato no segundo turno ocorreu na semana passada quando fez um comentário em uma publicação nas suas redes sociais demostrando simpatia ao Delegado Eguchi, que enfrenta Edmilson Rodrigues (PSOL).

“Caso fosse eleitor em Belém/PA, certamente votaria”, respondeu Bolsonaro no Facebook a um eleitor que defendia o nome de Eguchi. “Boa sorte para ele”, complementou, sem se alongar no comentário. Eguchi fez campanha usando a imagem do presidente ao lado da sua e dizendo estar “#fechadocombolsonaro”. Ele está em empate técnico com Edmilson Rodrigues, segundo pesquisa Ibope divulgada na semana passada.

PRAZO LIMITE – Ontem, Bolsonaro afirmou que março de 2021 é o prazo limite para conseguir viabilizar o Aliança pelo Brasil. Caso não consiga formar o partido, lançado em novembro do ano passado, quando ele se desfiliou do PSL, Bolsonaro disse que “vai ter uma nova opção”. Mais de um ano depois, a legenda não conseguiu reunir nem 10% das 492 mil assinaturas necessárias para o registro da legenda junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O prazo foi revelado pelo presidente em conversa com uma apoiadora na chegada ao Palácio da Alvorada, no fim da tarde. A mulher disse integrar o Aliança pelo Brasil de União da Vitória, no Paraná, ao que Bolsonaro comentou: “Não é fácil formar um partido hoje em dia. A gente está tentando, mas se não conseguir a gente em março vai ter uma nova opção, tá ok?”, declarou.

Aliados do presidente avaliam que o resultado do pleito mostram que há desorganização na sua base, o que seria fruto, em parte, de ele não estar filiado a nenhum partido. Legendas que integram o Centrão e que estão alinhadas ao governo, como PP, PR e Republicanos, estão entre as opções para abrigar Bolsonaro caso o plano de se filiar ao Aliança fracasse. Uma volta ao PSL também já foi citada pelo presidente como alternativa.

“A sociedade brasileira não aceita mais o retrocesso à escuridão”, diz Fux sobre corrupção

Fux fez elogios à Lava Jato, que o considera um aliado no Supremo

Paulo Roberto Netto
Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, afirmou nesta segunda-feira, dia 23, que a sociedade brasileira ‘não aceita mais o retrocesso à escuridão’ ao mencionar avanços feitos no combate à corrupção. Em discurso na abertura de webinar promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), colegiado que também preside, Fux classificou a Lava Jato como ‘operação exitosa’ e cobrou ‘firme compromisso’ para combater a ‘captura da democracia por grandes grupos econômicos’.

O combate à corrupção é uma das bandeiras de Fux desde que assumiu o STF, em setembro. À época, o ministro citou o mito da caverna de Platão para afirmar que não admitiria ‘qualquer recuo no enfrentamento da criminalidade organizada, da lavagem de dinheiro e da corrupção’ – a alegoria foi usada novamente no discurso desta segunda.

MITO DA CAVERNA – “Como no mito da caverna de Platão, a sociedade brasileira não aceita mais o retrocesso à escuridão”, afirmou. “Não permitiremos, tampouco, que se obstruam os avanços que a sociedade brasileira conquistou nos últimos anos, em razão das exitosas operações de combate à corrupção autoridades pelo Poder Judiciário brasileiro, como ocorreu no Mensalão e tem ocorrido com a Lava Jato”.

Fux disse ainda ser preciso ‘firme compromisso e resoluta dedicação aos interesses puramente coletivos’ no comabte à corrupção. “É indispensável a união de esforços no combate à corrupção, pois os desafios brasileiros são similares aos que ocorrem em outras nações, que também buscam mecanismos para combater a corrupção e a captura da democracia por grandes grupos econômicos e, até mesmo, por facções criminosas”, afirmou.

LAVA JATO – A declaração de Fux e seus elogios à Lava Jato, que o considera um aliado no Supremo, vão na contramão de declarações do governo federal. No mês passado, após ser criticado por indicar o então desembargador Kassio Nunes à vaga deixada pela aposentadoria de Celso de Mello, o presidente Jair Bolsonaro disse que havia ‘acabado’ com a operação por não haver mais ‘corrupção em seu governo’ – um mês depois, porém, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi denunciado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso das rachadinhas.

Além disso, a própria operação enfrenta reveses e pode ser encerrada já no final de janeiro do ano que vem, quando expira o prazo de prorrogação concedido pelo procurador-geral Augusto Aras. A PGR discute modelos para substituir as forças-tarefa, como a criação de uma Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Unac) que seria subordinada a Aras, ou a ampliação dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos).

Morre na capital o ex-secretário e ex-deputado Jofran Frejat, um político que vai fazer falta

Defensor do SUS, ex-secretário de Saúde, ex-deputado, Jofran Frejat deixou  legados para Brasília

Jofran Frejat defendia o fortalecimento do sistema do SUS

José Carlos Werneck

Faleceu nesta segunda-feira, em Brasília, vítima de câncer no pulmão o médico Jofran Frejat, ex-secretário de Saúde do Distrito Federal. Tido como uma referência em saúde pública, foi também deputado federal e era um dos políticos mais respeitados de Brasília.

Tinha 83 anos, sendo mais de 40 anos dedicado à administração pública e à política. Vários políticos no Distrito Federal lamentaram sua morte.

IBANEIS E ROLLEMBERG – Disse o governador Ibaneis Rocha: “Sua dedicação fez do Distrito Federal uma referência no tratamento da saúde pública. Foi deputado federal atuante, constituinte, enfim, um homem que dedicou sua vida ao serviço público. “Nos aproximamos muito na época da última eleição para governador, quando cheguei a abrir mão da minha candidatura para apoiá-lo, até que ele desistiu da disputa”.

Igualmente,o ex-governador Rodrigo Rollemberg declarou: “Acabei de receber, com muita tristeza, a informação do falecimento de Jofran Frejat. Embora adversários na eleição de 2014, sempre mantive com ele uma relação de respeito e diálogo. Frejat exerceu a política com dignidade e tinha minha admiração. Que Deus conforte sua família”.

A deputada federal Flávia Arruda do PL-DF, que foi candidata a vice-governadora na chapa de Jofran Frejat em 2014, disse: “Perdemos um amigo, um líder e um homem público exemplar. Tive a honra de ser vice do Frejat em 2014 e aprendi muito com ele.”

CAMPELO E BUARQUE – “Frejat era um homem admirado pela honestidade, capacidade de trabalho, que sempre lutou por Brasília. Deixa um grande legado, especialmente, por tudo que realizou na área de Saúde. Como amigo particular e colega de bancada no Congresso Nacional, fomos deputados constituintes, eu manifesto meu profundo sentimento de perda pelo falecimento de Frejat. Nos conhecemos desde a década de 60, antes da política. Frejat era amigo dos seus amigos”, destacou o ex-senador e ex-ministro do Tribunal de Contas da União Valmir Campelo.

O ex-senador e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque lamentou a morte de Frejat: “O Distrito Federal perdeu hoje um dos seus pioneiros mais respeitados. Jofran Frejat foi um médico competente e um político sério que ajudou a fazer Brasília. Uma grande perda para a cidade e para todos que convivemos com ele”.

O senador do PSDB do DF Izalci Lucas falou sobre o “imenso legado” deixado pelo amigo. “Jofran Frejat médico, Jofran Frejat deputado, Jofran Frejat gestor público era sempre o mesmo Frejat, aquele que fazia o bem sem olhar a quem. Dedicou a maior parte de sua vida ao nosso Distrito Federal como médico, deputado federal e Secretário de Saúde”.

LUTOU PELO SUS – A senadora do PSB do Distrito Federal Leila Barros, conhecida como Leila do Vôlei, destacou a importância de Frejat na área da saúde. “Perdemos um homem que lutou pelo SUS e foi um dos responsáveis pela criação da Faculdade de Ciências de Saúde do DF”.

Georges Michel, presidente do PDT do Distrito Federal destacou que “Jofran Frejat, honrado político, ocupou altos cargos no Distrito Federal, no Governo Federal e foi deputado federal, sempre pautado na ética e no interesse público”.

Em votação unânime, STF manda governo divulgar diariamente dados integrais da pandemia

Moraes destacou a obrigatoriedade do governo sobre as informações

Rayssa Motta
Estadão

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram, por unanimidade, que o governo federal deve divulgar diariamente os dados epidemiológicos integrais sobre a covid-19 nos moldes iniciais adotados pelo Ministério da Saúde. Em junho, a pasta passou a restringir as informações na página online que mantém para comunicar a evolução da doença, mas voltou atrás após liminar do ministro Alexandre de Moraes.

A votação foi feita no plenário virtual da Corte, ferramenta digital que permite aos magistrados analisarem processos sem a necessidade de reunião física ou por videoconferência, e chegou ao fim na última sexta-feira, 20. Os ministros julgaram pedidos enviados por bancadas de oposição ao governo cobrando transparência na divulgação dos dados do novo coronavírus.

DETALHAMENTO – Na ocasião, parlamentares da Rede Sustentabilidade, PCdoB e PSOL entraram com ações exigindo o detalhamento dos números de casos, óbitos e pacientes recuperados. As siglas argumentavam que o governo tentava privar o acesso da população aos dados sobre a pandemia ‘justamente no momento em que se registram seguidos recordes diários de confirmação de óbitos’.

O relator, Alexandre de Moraes, abriu os votos e se manifestou novamente pela concessão dos pedidos. Para o ministro, o fornecimento de todas as informações necessárias para o planejamento e combate à pandemia é obrigação do governo.

“A Constituição consagrou expressamente o princípio da publicidade como um dos vetores imprescindíveis à Administração Pública, conferindo-lhe absoluta prioridade na gestão administrativa e garantindo pleno acesso às informações a toda a Sociedade”, observou o ministro em seu voto. “A presente hipótese não caracteriza qualquer excepcionalidade  às necessárias publicidade e transparência”, completou.

PROJEÇÕES – Ainda segundo Moraes, as alterações feitas pelo Ministério da Saúde no formato e conteúdo da divulgação dos dados relacionados à pandemia ‘obscurecem’ dados epidemiológicos que vinham sendo usados em análises e projeções comparativas para ajudar as autoridades no desenho de políticas públicas e para permitir a população ‘o pleno conhecimento da situação de pandemia’.

Nos termos da decisão, o governo federal fica obrigado a divulgar os dados ‘exatamente conforme realizado até o último dia 04 de junho de 2020’. A decisão se estende ainda ao governo do Distrito Federal que, em agosto, também mudou a metodologia de contabilidade dos casos e óbitos e agora deve retornar ao modelo anterior dos boletins.

Parlamentares aprovam convite a Pazuello para que se explique sobre encalhe de testes da Covid-19

Quase 7 milhões de testes estão encalhados em depósitos da pasta

Wesley Oliveira
Correio Braziliense

A comissão mista para o enfrentamento à Covid-19 aprovou nesta terça-feira, dia 24, um convite para que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, preste esclarecimentos sobre os quase 7 milhões de testes para detecção do novo coronavírus que estão encalhados em depósitos da pasta. O insumos estão próximo da data de vencimento.

Além disso, os parlamentares aprovaram um requerimento da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), que pede mais informações acerca dos testes. O estoque, que poderá ser inutilizado, é maior que os cinco milhões de exames PCR aplicados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) durante toda a pandemia. Uma reunião com o Pazuello já estava marcada para 7 de dezembro, para fazer um balanço das ações do ministério em 2020. Contudo, a sessão deverá ser realizada antes, de acordo com o presidente do colegiado, senador Confúcio Moura (MDB-RO).

INVESTIGAÇÃO –  Nesta segunda-feira, dia 23, o Ministério Público, junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), pediu uma investigação sobre os testes. A representação, assinada pelo subprocurador-geral Lucas Furtado, aponta “inépcia” do governo federal em relação ao planejamento e logística de distribuição para a rede pública de saúde.

Furtado requer que o TCU apure eventual prejuízo ao erário, no valor de R$ 290 milhões e “à prestação dos serviços públicos de saúde no Brasil decorrente do vencimento do prazo de validade de milhões de testes adquiridos pelo Ministério da Saúde para o diagnóstico do novo coronavírus”.

Questionado sobre os exames que podem parar no lixo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que as explicações devem ser cobradas de governadores e prefeitos, e não do governo federal. “Todo o material foi enviado para estados e municípios. Se algum estado/município não utilizou (os testes) deve apresentar os motivos”, disse Bolsonaro a um apoiador que o questionou se a informação procedia.

Piada do Ano ! Aliança do Brasil quer ter todas as assinaturas validadas até o início de 2021

Charge do Céllus (Arquivo do Google)

Bela Megale
O Globo

Há um ano, quando o partido da família Bolsonaro, o Aliança do Brasil, foi lançado com pompa e circunstância em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro fazia sua projeção sobre a homologação da sigla no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O filho 01 de Jair Bolsonaro garantia que, até o fim de 2019, a legenda teria as 492 mil assinaturas necessárias para ser criada. O ano passou, 2020 também, e o Aliança continua no papel. Seus dirigentes têm mantido o otimismo e até criaram uma nova meta tão audaciosa quanto àquela projetada por Flávio.

Agora, o plano é entregar ao TSE todas as assinaturas até 31 de janeiro e aprovar a criação da legenda assim que a Corte voltar do recesso, em fevereiro. Hoje, porém, só 42 mil fichas de apoiamento, ou seja, cerca de 9% do necessário, foram validadas pelo tribunal.

MUTIRÃO – “Temos mais de 180 mil fichas de apoiamento que aguardam análise no TSE, vamos apresentar cerca de 50 mil nos próximos dias, e fizemos um mutirão onde conseguimos outras 40 mil assinaturas”, disse o vice-presidente da legenda em formação, Luís Felipe Belmonte.

Os números dos integrantes do Aliança pelo Brasil, porém, não batem com os dos TSE. Segundo a Corte eleitoral, a sigla não tem 180 mil assinaturas pendentes de análise, e sim, 11.558, incluindo aquelas que chegaram e ainda estão paradas no tribunal.

O TSE também informa que há 103.482 assinaturas entregues, mas sem a apresentação da documentação comprobatória exigida. Além disso, mais de 38 mil assinaturas já foram rejeitadas e outras 55 estão em fase de análise de impugnação. Independentemente do futuro do Aliança pelo Brasil, Bolsonaro não decidiu se a sigla será mesmo sua legenda.

Papa Francisco rompe com os conservadores e retoma a linha progressista de João XXIII

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No dia 17 de dezembro o Papa Francisco completa 84 anos e como parte das celebrações lançará seu livro, uma espécie de relato sobre sua passagem no Vaticano abordando as reformas que já implantou na Igreja e as que pretende implantar, entre as quais a perspectiva de mulheres poderem ser ordenadas, da mesma forma que os homens, e com isso celebrarem missas e cumprirem a liturgia da Igreja de Roma.

O jornalista inglês Austen Ivereigh, já autor de duas biografias do Papa, fala sobre a obra cujo conteúdo conduz a um rompimento ainda maior com a ala conservadora na medida em que aproxima-se de João XXIII, Papa que sucedeu a Eugênio Pacelli.

MATER ET MAGISTER – João XXIII, ao assumir em 1959 lançou a Encíclica Mater et Magister que assinalou o início de um processo de ruptura com o arcaismo do Vaticano. João XXIII reportou-se ao plano social na medida em que – este ponto de ruptura – abordou um tema essencial: o ser humano tem que se realizar tanto na terra quanto no céu, deixando para trás o pensamento milenar que somente se referia ao plano divino da pós-existência terrestre.

João XXIII elegeu seu sucessor, Paulo VI que ocupava uma posição a um passo do Papa na hierarquia da religião. Agora o Papa Francisco já avançou capítulos notáveis como a aceitação das relações homoafetivas e a comunhão de casais divorciados.

IMPORTANTES AVANÇOS – Fica evidente que o Papa Francisco lançou avanços de suma importância social. Pois, a meu ver, ao me referir a seres humanos, contribuiu e contribui para incorporar a todas as escalas da existência os seres humanos sem distinção, de sexo, o que vai de encontro às correntes tradicionais da Igreja.

Mas as etapas conquistadas vão se incorporando à história universal, porém o Papa preocupa-se com o futuro inclusive com a Amazônia no sentido de se tornar essencial à própria vida do planeta.

A reportagem de Renato Grandiete sobre o Papa, em O Globo desta segunda-feira, destaca o tema, que sem dúvida volta-se para o que podemos chamar de contemporâneo do futuro.

Ciro Gomes diz que desentendimentos com Lula não foram superados, mas que “diálogo foi retomado”

Pedetista descartou possibilidade de compor chapa com Lula

Sérgio Roxo
O Globo

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) afirmou nesta segunda-feira, dia 23, que não superou os desentendimentos com o ex-presidente Lula (PT), com quem se encontrou em setembro conforme revelou o Globo. Disse, porém, que a conversa serviu para a retomada do diálogo.

“Nós conversamos depois de quase dois de desentendimentos profundos. Não superamos os desentendimentos, mas restauramos o diálogo. Ele me convidou para conversar e acho que política a gente faz conversando, dialogando, mesmo que eu tenho entrado com as mesmas ideias e saído com as mesmas convicções e ele, certamente, entrou com as mesmas convicções que saiu”, afirmou Ciro, em entrevista à Rádio Jornal Pernambuco.

DIFERENÇAS – O pedetista ainda afirmou que a conversa serviu para tratar “as diferenças de forma franca, aberta, sincera, pensando na questão do Brasil”. O ex-ministro atacou o PT e principalmente a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff. Anteriormente, já havia afirmado que conversa serviu para lavar roupa-suja.

Para Ciro, Lula “impôs a Dilma para continuar mandando” e assim acabou criando as condições para que Jair Bolsonaro fosse eleito em 2018. “A Dilma, sem nenhuma experiência, se agarra na economia mais atrasada e a  corrupção generalizada, que infleizmente não dá para ser escondida, (o ex-ministro Antonio) Palocci era braço direito do Lula. Isso criou as condições no Brasil para o povo  por desespero, por raiva, por frustração, que eu compreendo com a minha alma, votar neste absurdo que está se revelando ser o Bolsonaro”, afirmou.

CHAPA – Indagado sobre a opinião do marqueteiro João Santana, revelada em em entrevista ao programa Roda Viva, de que uma chapa com Ciro e Lula de vice seria imbatível, o pedetista descartou essa possibilidade: “Isso não existe, o Lula é grande demais. O Lula deveria, se ele tivesse um pouco de grandeza, até em respeito a si próprio, guardar o lugar justo que ele tem na história. Um presidente que fez muita coisa pelo povo naquele momento, mas que errou profundamente na política, a ponto de ser ele a maior vítima”.

Ciro lembrou a prisão de Lula para exemplificar a consequência do erro político do ex-presidente. “Não tenho nenhum prazer em lembrar: o Lula foi bater na cadeia, com duas condenações, já vêm mais seis processos. E precipitou o país com a Dilma. Ele sabe. A Dilma não é uma pessoa desonrada, é uma pessoa séria. Nós aqui no Ceará demos dois terços do votos contra o impeachment, portanto não me meto nessa história de que a Dilma é uma corrupta, mas a Dilma desastrou o Brasil. Quando ela assumiu o desemprego era 4% quando saiu estava em 14%”, afirmou.

APOIO A BOULOS – O ex-ministro também falou sobre o seu apoio a Guilherme Boulos (PSOL) no segundo turno da eleição de São Paulo e a sua aparição no horário eleitoral do candidato ao lado de Lula, do governador Flávio Dino (PCdoB) e de Marina Silva (Rede). Na avaliação de Ciro, a união foi provocada não por Boulos, mas pela vontade de derrotar o governador João Doria (PSDB), padrinho político do prefeito Bruno Covas.

“Saiu que Boulos uniu toda esquerda e a centro-esquerda do Brasil. Isso não é verdade. Quem conseguiu unir todos foi o Doria. O Doria é um governador tão desastrado, tão reacionário, anti-povo,  anti-nacional, que há a necessidade mudar São Paulo, a bem do Brasil”, disse.

Ciro ainda avaliou que a eleição municipal foi marcada pela derrota do PT e do bolsonarismo. “Foi uma vitória importante desse campo que nega os extremos. O luopetismo corrompido e o bolsonarismo boçal foram varridos da vida brasileira nas grandes cidades”, destacou. No fim de semana, Ciro esteve no Recife para participar da campanha de João Campos (PSB), adversário da petista Marília Arraes no segundo turno da eleição da capital pernambucana.  

Em gravação, Gadelha diz que Marília Arraes sugeriu que fizesse “rachadinha” com assessores

Deputado diz que Marília sugeriu que ele fizesse caixa com assessores

Túlio Gadelha e Marília Arraes são deputados e amigos

Deu na Veja

No último sábado, o deputado Túlio Gadêlha (PDT-PE) anunciou seu apoio à candidata petista Marília Arraes na disputa pela prefeitura do Recife. Em suas respectivas redes sociais, os dois comemoraram a aliança, que rendeu críticas da direção nacional do PDT, que apoia o concorrente do PSB na capital pernambucana, João Campos.

Ao contrariar a orientação de sua própria sigla, Gadêlha levou em consideração a sua relação pessoal com Marília. Colegas na Câmara dos Deputados, eles são velhos conhecidos. E Marília lhe serviu como uma espécie de tutora de finanças quando Gadêlha ainda cogitava se lançar na disputa pela prefeitura do Recife. É o que revelam áudios obtidos com exclusividade por VEJA.

CONVERSAS REVELADORAS – Nos áudios, Gadêlha relata conversas que teve como Marília, nas quais teria recebido dela a sugestão para embolsar parte dos salários dos servidores de seu gabinete, como forma de financiar sua futura campanha eleitoral. A prática, conhecida como “rachadinha”, é a mesma que levou o Ministério Público do Rio a denunciar o senador Flávio Bolsonaro por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Nas gravações, Gadêlha diz que, em uma das conversas, Marília lhe perguntou: “Tu tá juntando fundo de caixa para a campanha? “Eu disse: ‘Tô vendo se junto um dinheirinho, tenho que pagar algumas coisas da campanha’”, teria respondido o deputado, segundo reproduziu no áudio.

Gadêlha ressaltou que aquela conversa deveria ficar entre ele e um dos intelocutores para quem ele contou a história: “Mas fica entre a gente, né?”, diz o deputado em um trecho da gravação. 30 MIL MENSAIS – O parlamentar conta no áudio que Marília Arraes sugeriu a ele que juntasse 30 mil reais para o caixa de campanha. O deputado disse que não daria para juntar tanto dinheiro. Marília, no entanto, reafirmou que era necessário juntar os 30 mil, segundo reproduziu o deputado: “Não, 30 mil, tem que juntar da assessoria”, afirmou Marília, conforme reproduziu Túlio na gravação.

Gadêlha, na gravação, garante ter respondido para Marília que não pegaria dinheiro dos salários funcionários do gabinete: “Aí eu disse: ‘Não, não faço isso não, porque o que cada um recebe…’”. Foi quando Marília, segundo o deputado, concluiu que essa prática de pegar dinheiro de assessoria é comum entre os parlamentares: “Ah, Túlio, todo mundo faz isso, todo mundo faz”, ela teria dito, segundo reproduziu Túlio Gadêlha.

GADELHA SE CALA – Veja informou no início da tarde o conteúdo da gravação para a assessoria de imprensa e para a chefia de gabinete do deputado. Duas assessoras de Túlio Gadêlha ouviram os áudios. Gadelha disse por intermédio de sua assessoria que não vai se pronunciar sobre o fato.

No sábado, VEJA a noticiou que o Ministério Público de Pernambuco cobra da candidata Marília Arraes a devolução de 156 mil reais aos cofres públicos em ação de improbidade. A deputada é acusada de contratar quatro funcionárias que tinham emprego em outras empresas e não prestavam serviços quando era vereadora na Câmara de Recife.

As investigações que identificaram as quatro servidoras com duplo emprego começaram a partir de uma denúncia sobre a existência de esquema de “rachadinha” no gabinete da vereadora Marília. Os funcionários, segundo relato feito ao MP, eram obrigados a devolver 60% dos salários.

INVESTIGAÇÃO FALHA – Inquérito aberto pela Polícia Civil de Pernambuco não conseguiu comprovar a existência da “rachadinha” e a parte criminal foi arquivada. O MP justificou a “falta de estrutura” para não fazer uma investigação mais aprofundada e acabou denunciando Marília somente pela dupla contratação de servidores e para que a candidata devolva o dinheiro público desviado.

Marília Arraes foi vereadora em Recife de 1º de janeiro de 2009 até 31 de janeiro de 2019. No dia 1 de fevereiro de 2019, ela assumiu como deputada federal. A suspeita de cobrança de rachadinha no gabinete coincide com um aumento do patrimônio de Marília. Em 2016, ela declarou ao TSE patrimônio de 773 mil reais. Em 2018, declarou 1,298 milhão de reais. Em 2018, Marília declarou na Polícia Civil de Recife que ganhava 11 mil reais mensais líquido. VEJA pediu para ouvir a candidata, mas a assessoria da candidata informou que “esta é uma questão de Túlio e não de Marília”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizia o genial Tom Jobim, é a lama, é a lama… Ao que parece, Tulio Gadelha é um homem decente, enquanto a memória de Miguel Arraes vai sendo desfigurada pelos descendentes. (C.N.)