Encontro de Temer com Joesley foi clandestino e realizado à margem da lei

Merval Pereira
O Globo

Entre todos os crimes cometidos pelo presidente Michel Temer no encontro com o empresário Joesley Batista no Palácio Jaburu,  sem registro na agenda oficial, ele cometeu falta de decoro e feriu um decreto de 2002, assinado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que regulamenta as audiências do servidor público com agentes privados. O decreto diz que qualquer encontro tem que ter registro, nome das pessoas, assunto, etc., mesmo quando é fora do ambiente de trabalho.

Além de tudo, o áudio não é a única peça do processo. A deleção premiada tem declarações que descrevem momentos antes e depois da gravação, detalhamento do encontro, das conversas, como a afirmação de que o presidente da República pede dinheiro a ele há muitos anos. O áudio é um detalhe a mais, não é a única parte.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito importante esta nota de Merval Pereira, retirada de um comentário dele na GoboNews. Ou seja, o encontro foi feito na calada da noite e de forma clandestina. O áudio da conversa mostra que os dois falaram sobre a ausência de registro da visita de Batista ao Palácio do Jaburu. Batista explica ao presidente que passou a placa do carro, foi chegando no Palácio Jabutu e nem teve que se identificar. “Funcionou superbem”, comenta Batista… (C.N.)

Rodrigo Maia já mandou arquivar todos os pedidos de impeachment de Temer

Rodrigo Maia agora sonha em substituir Temer

Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu arquivar todos os pedidos de impeachment protocolados até o momento contra o presidente Michel Temer. Ele agiu assim após a comunicação de que o Supremo Tribunal Federal suspendeu o julgamento previsto para quarta-feira (24/5) sobre o inquérito aberto para investigar a delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS.

No Senado, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Tasso Jereissati (PSDB-CE), decidiu ler na terça-feira (23/5), o relatório feito pelo senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que trata da Reforma Trabalhista. A decisão foi tomada em um almoço nesta segunda-feira (22/5) com a presença dos dois com o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PA) e do lider do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (PSDB-SP).

PRESSÃO DE TEMER – Esta é uma tentativa de mostrar que a crise política não paralisou a tramitação das reformas no Congresso Nacional, embora líderes aliados avaliem que o presidente Michel Temer jogou uma cartada muito ousada ao pedir para que a base vote as medidas provisórias em tramitação na Câmara.

Segundo o líder de um dos partidos da base governista, não há clima algum para qualquer votação enquanto a temperatura política em Brasília não diminuir.

Nem mesmo a leitura do relatório da reforma trabalhista pode servir como alento, já que o mesmo parlamentar afirmou que ler o relatório é uma coisa, colocá-lo para votar e aprovar é outra.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Maia sempre faz o dever de casa. Ao arquivar os pedidos de impeachment sem sequer lê-los, tenta agradar Temer, mas está de olho na eleição indireta, já está buscando apoio no PT, PSOL, PDT e PCdoB, prometendo mitigar as reformas. Temer não confia nele. Aliás, ninguém confia. (C.N.)

Lula ameaça destruir a Rede Globo, mas é somente mais uma encenação

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Com frequência, vem sendo divulgado que o ex-presidente Lula da Silva, se eleito em 2018, pretende acabar com o monopólio da TV Globo, cassar sua concessão e suspender outras vantagens que esse poderoso grupo de comunicação teria auferido da administração federal nas últimas décadas.  Lula, que responde a cinco processos criminais, sente-se perseguido pela TV Globo, esquecendo-se que as mesmas denúncias também são apresentadas pelas outras emissoras. A diferença está na maior audiência e no alcance nacional da rede da família Marinho, não existindo aí, salvo prova em contrário, nenhuma perseguição pessoal com o objetivo de pôr em risco a honra de quem não a possui.

Esse incontido inconformismo não passa de discurso para enganar trouxa, como vem ocorrendo com sucesso nas eleições presidenciais desde 2002. Agora, Lula continua abusando da boa-fé e da desinformação do povo brasileiro, ao apregoar que, de volta ao poder, pretende não somente se vingar da Globo, mas também processar juízes, procuradores e policiais que estão no seu encalço.

LULA SE OMITIU – Durante seu interminável governo e com popularidade na estratosfera, tendo sido chamado de “o Cara” por Barack Obama, Lula e seu primeiro-ministro José Dirceu foram representados junto ao Supremo por não terem investigado ilícitos cometidos por Roberto Marinho ao se apoderar da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo), na ditadura militar.

Lula e José Dirceu foram informados de que o fundador da Rede Globo, para assumir o controle do canal 5 de São Paulo, segundo pareceres de conceituados peritos, usou documentos falsos, forjados com participação de sua assessoria, para se apossar dos direitos societários de mais de 650 acionistas fundadores da antiga Rádio Televisão Paulista S/A e assim  consolidar seu vitorioso projeto de ter uma rede nacional  para enfrentar a TV Tupi.

Lula e Dirceu fingiram-se de mortos, o que à época poderia ser interpretado como prevaricação. Deixaram de investigar como foi possível que um único acionista, titular de apenas duas ações, chamado  Armando Piovesan, pudesse ter simulado a  instalação de uma Assembleia-Geral Extraordinária da Rádio TV Paulista S/A, para que, com apoio dos governantes militares, o canal 5 de São Paulo fosse transferido para Marinho.

FRAUDE NA VENDA – Lula e Dirceu foram comunicados de que Victor Costa Júnior, o “vendedor” das ações da TV Paulista, não era nem acionista da emissora, pois no inventário dos bens deixados por seu pai, Victor Costa, não estavam incluídas ações da TV Paulista e de outras duas emissoras, que depois se transformaram na TV Globo de Recife e na TV TEM de Bauru, supostamente compradas na ditadura militar por Roberto Marinho.

Também foram informados de que, nas assembleias societárias da TV Paulista, Roberto Marinho registrou em atas as presenças de importantes acionistas majoritários, que, apesar de mortos há mais de dez anos, teriam comparecido à antiga sede da emissora, na Praça Marechal Deodoro, 340, em São Paulo, para garantir quórum e “legitimar” o apossamento de suas próprias ações pelo interessado maior.

Naquela época não havia videoconferência nem teleconferência com o Além. Os acionistas mortos, muito embora não precisassem comparecer, mesmo assim estiverem presentes, conforme foi atestado por Roberto Marinho em documento público, registrado em cartório.

LULA AMARELOU – Por tudo isso, não se pode acreditar na nova promessa de Lula enfrentar a TV Globo. Quando tinha obrigação funcional de abrir investigação para esclarecer essa transferência ilegal de outorga de concessão pública, o então todo-poderoso presidente nada fez, simplesmente amarelou, comportando-se como se nunca soubesse de nada.

Deve-se registrar, contudo, que entre a situação atual de Lula e o momento vivido por Roberto Marinho, há duas diferenças curiosas e expressivas: 1) Lula jura que não é dono do tríplex, porque o registro de propriedade está em nome da OAS, mas assim mesmo está sendo processado; 2) Marinho, ao contrário, jurava ser dono das emissoras de São Paulo, Recife e Bauru, apesar do registro de propriedade e da concessão estarem em nome de terceiros, que nunca lhes venderam essas empresas.

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PS –
A situação descrita acima foi levada ao conhecimento do então presidente Lula em 2003 e da presidente Dilma em 2013. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi o único político que requereu, oficialmente, explicações ao governo do PT sobre essas simulações societárias e não foi atendido pelo Ministério das Comunicações.  No site da Organização Globo, ainda se pode ler a informação inverídica de que Roberto Marinho adquiriu os canais de São Paulo e de Recife de Victor Costa – que morreu em 1959, e o tal contrato de compra e venda data de novembro de 1964, foi assinado por Victor Costa Júnior. É um caso para a Comissão de Valores Mobiliários,  já que a Justiça não funciona, especialmente quando a Organização Globo está no banco dos réus. (C.N.)

Supremo, na quarta-feira, pode decidir o destino de Michel Temer

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Charge do Alpino (Yahoo)

Pedro do Coutto

O ministro Edson Fachin recebeu a representação do advogado de Michel Temer para que seja suspenso o inquérito contra ele. O relator decidiu encaminhar o documento ao plenário do Supremo, que estará reunido na próxima quarta-feira. Isso de um lado. De outro pedirá a Polícia Federal que pericie a gravação feita por Joesley Batista no sentido de esclarecer uma edição à base de uma montagem, e não o resultado pleno de uma conversa que durou 40 minutos. Reportagem de Manuel Ventura, Carolina Brígido e André de Souza, O Globo deste domingo, focaliza o assunto.

Uma outra reportagem, esta de Catarina Alencastro, também destaca caminhos da questão. Como se vê, verifica-se que de um lado Fachin submeteu a decisão ao plenário de 11 ministros. Mas de outro anunciou que vai pedir à Polícia Federal a análise da gravação.

DIA DECISIVO -Como se vê, quarta-feira poderá se tornar um dia decisivo para o presidente Michel Temer. Principalmente se STF mantiver o despacho do relator da operação Lava-Jato. Neste caso, o horizonte do atual presidente da República estará mais curto entre o início do processo e seu desfecho final. Caso contrário, Michel Temer vencerá uma etapa importante para a resistência que anuncia de defender seu mandato e não renunciar ao posto.

De qualquer forma, ele terá deslocado para o Supremo uma questão que caberia ser decidida pela maioria de 2/3 da Câmara dos Deputados. Com seu recurso, dependendo de sua aceitação ou rejeição, o foro passa a ser o do STF.

VAI PROSSEGUIR – O ministro Fachin, quando anuncia que vai pedir à Polícia Federal que faça a análise a gravação, não parece disposto a encerrar a questão. Pelo contrário. Ele está buscando, no fundo, uma confirmação de seu despacho inicial acolhendo a manifestação de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, que pediu a abertura do inquérito contra Temer. Portanto, pelo desenrolar dos fatos, tem-se a certeza de que Janot acredita na plena autenticidade da gravação feita por um dos proprietários da JBS.

Essa aparente certeza foi referendada por Edson Fachin, que com base nela determinou a abertura do inquérito contra o presidente da República. Agora, assim agindo, ao encaminhar o recurso dos advogados de Temer ao STF pleno, está tentando obter uma decisão ao mesmo tempo mais ampla e irrecorrível sobre a instauração do processo.
PERÍCIA – Relativamente à consulta que está fazendo à PF, Fachin deixa flagrante a sua aparente certeza quanto a integridade do texto gravado.

Na hipótese de o plenário do Supremo manter o despacho original de Fachin, a permanência de Michel Temer no Planalto estará por um fio, inclusive porque ministros entregarão seus cargos, havendo dúvidas no que se refere a permanência do PSDB na base parlamentar e ministerial do governo. Sem o PSDB, a água estará subindo no convés do navio presidencial.

Estamos assim iniciando uma semana decisiva, tanto para um lado quanto para outro. Uma viagem curta cuja primeira escala vai se dar na quarta-feira. Michel Temer joga o tudo ou nada no seu recurso contra o inquérito. Joga também seu destino político e sua permanência no Palácio do Planalto. Estará colocado entre a alvorada e o crepúsculo de um poder que conquistou nas urnas de 2014 e que poderá lhe escapar das mãos em 2017.

A hora é de decisão.

Três homens e um destino

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Só falta o doleiro Funaro, que está na Papuda

Bernardo Mello Franco
Folha

“O presidente Michel sempre acreditou, e eu acho que o Eduardo e o Lúcio também sempre acreditou [sic], que eu era meio que obrigado a sustentá-los”. A queixa é de Joesley Batista, em depoimento à Lava Jato. Acostumado a pagar as contas de políticos de múltiplos partidos, ele admitiu ter se espantado com a gula do trio.

A delação do dono da JBS expôs as entranhas do grupo que tomou de assalto a Presidência da República. Está tudo lá: da roubalheira no Porto de Santos, antigo feudo de Temer, até a compra de deputados para instalar Cunha no comando da Câmara.

O terceiro elemento do grupo é o doleiro Lúcio Funaro. Ele escapou da cadeia no mensalão e permaneceu na ativa até o ano passado.

ENCONTROS COM TEMER – Joesley relatou que esteve com Temer “não menos de 20 vezes”. Disse que os pedidos de propina se estenderam de 2010 até dois meses atrás. Num episódio, afirmou que o então vice-presidente pediu R$ 300 mil para recauchutar a imagem às vésperas do impeachment. Temer era chamado de “golpista” e queria se defender com vídeos na internet.

O dono da JBS disse que entregou o dinheiro ao marqueteiro Elsinho Mouco. Ele confirmou o encontro, mas se esqueceu de mencionar o repasse. Virou candidato a uma delação capaz de fazer com o PMDB o que João Santana fez com o PT.

Na conversa gravada no Jaburu, Temer instrui Joesley a tratar de seus interesses no governo com Rodrigo Rocha Loures, que tinha acesso livre ao gabinete presidencial. Depois da reunião, a PF filmou o aspone recebendo R$ 500 mil em propina.

Os três personagens citados no início da coluna foram obrigados a se separar. Hoje Cunha está preso na região metropolitana de Curitiba. Funaro foi recolhido a uma cela da Papuda, em Brasília. Temer é investigado no STF por suspeita de corrupção, organização criminosa (antigo crime de quadrilha) e obstrução da Justiça.

 

Perito citado por Temer é um tremendo enganador e não trabalha no tribunal

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Caires aparece sempre na TV, dizendo ser perito

Deu em O Globo

Autor do laudo citado pelo presidente Michel Temer em seu pronunciamento de sábado, o perito judicial Ricardo Caires dos Santos afirma ser profissional em transcrever áudios. Bacharel em Direito pela Unifig, de Guarulhos, onde também diz ter se especializado em Direito Penal, ele se tornou figura frequente em programas sensacionalistas e de celebridade na TV. Antes de se dedicar à degravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer, coube a ele, por exemplo, determinar se havia ou não um fantasma em uma fotografia divulgada na internet pela atriz americana Jéssica Alba, em janeiro do ano passado. Embora costume se apresentar como perito do Tribunal de Justiça de São Paulo, ele é um prestador de serviços eventual da Justiça, sem qualquer vínculo com o tribunal.

Procurado pelo Globo, ele afirmou que seu trabalho é apenas inicial e que qualquer conclusão a respeito da conversa depende de uma outra perícia. Negou ainda que o áudio da conversa tenha 50 pontos de edição, como apontado por reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em seu site na sexta à noite. Segundo ele, são 14 pontos de edição, entre 15 e 20 pontos de corte e diversos trechos de ruído. Santos, no entanto, disse não ser possível apontar onde estão os pontos de edição.

— Esse trabalho tem como intuito que outro profissional faça a perícia. E, sobre os pontos que eu mostrei, ele (o outro perito) venha e fale: folha dois é só corte, folha três não dá para ouvir, na folha 33 existe edição. Esse seria o rito para ter a perícia — explicou.

FALSO ESPECIALISTA – O laudo feito por Santos, ao qual O Globo teve acesso, é composto da transcrição do áudio da conversa e, em 54 trechos do diálogo, ele identifica os “pontos a serem analisados”. Aos ouvidos de um leigo, esses pontos são apenas inaudíveis.

Para elaborar o laudo, ele afirma ter usado um tocador de mídia, o programa Audacity, uma ferramenta gratuita para edições de áudio caseiras, e o software Vegas Pro 10, ferramenta profissional para edição de vídeo, embora não haja imagens da conversa de Temer e Joesley.

De acordo com especialistas ouvidos pelo GLOBO, as ferramentas adotadas por Caires são insuficientes para dizer se houve ou não edição da gravação. “A perícia de um áudio é um trabalho multidisciplinar, exige um grupo de pessoas, diversos softwares e alguns dias de trabalho. Não dá pra fazer em poucas horas” – afirmou um perito que pediu para ter a identidade preservada.

MUITOS ERROS – Embora se diga experiente no trabalho, Santos cometeu uma série de erros em sua degravação da conversa: a presidente do BNDES Maria Sílvia Bastos foi confundida com Marina Silva, a CVM, Comissão de Valores Mobiliários, foi transcrita como CDN. Em sua conclusão, Santos escorregou ainda na língua portuguesa. Ele escreve: “Para melhor identificação está marcados (sic) os pontos em vermelho e amarelo” e “o objeto “áudio” está eivados (sic) de vícios”.

Santos defendeu ainda que os trechos editados teriam reduzido o tempo total de conversa de 50 minutos para os 38 minutos apresentados pelo empresário. Ele não considerou na perícia, no entanto, a gravação feita enquanto Joesley estava no carro, antes e depois de entrar no Palácio para conversar com Temer.

No site que mantém na internet, Caires se diz especializado em espionagem. Apesar da carreira de perito, o site também mostra que ele atua no ramo imobiliário, inclusive com registro de corretor de imóveis. O site é onde ele também faz propaganda de suas participações nos programas de TV.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É impressionante a Folha de São Paulo ter entrado nessa furada. O pior é que este falso especialista acabou fortalecendo a ardilosa defesa de Temer. Sinceramente, a situação está ficando ridícula, para se dizer o mínimo. (C.N.)

Piada do Ano: Aécio recorre ao Supremo na esperança de retomar mandato

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Deu em O Tempo

A defesa do senador Aécio Neves (PSDB) apresentará nesta segunda-feira (dia 22), ao Supremo Tribunal Federal, um pedido para retomar seu mandato. A informação é do jornal “Folha de S. Paulo”. O senador mineiro foi afastado do cargo na última quinta-feira (dia 18), pelo ministro Edson Fachin, em decorrência da Operação Patmos, que determinou afastamento de Aécio Neves de suas atividades no Senado e do deputado Rocha Loures de seu mandato na Câmara, assim como de qualquer função pública.

O relator do STF também exigiu que o senador entregasse o passaporte, para que não possa sair do país.

“Vamos pedir a revogação das cautelares. O passaporte, ele vai entregar. Mas o afastamento do mandato é ilegal, não há amparo na Constituição”, declarou em entrevista à “Folha” o advogado Alberto Toron, que é desembargador do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, mas também exerce a advocacia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Um dos motivos de Aécio Neves ter sido afastado foi ter pedido R$ 2 milhões à JBS para pagar os advogados que o defendem nos seis inquéritos a que responde. E com mais este, no Supremo, agora são sete inquéritos. Os advogados vão tomar todo o dinheiro que ele recebeu como propina, e Aécio terá de usar os próprios recursos, que são muitos. Pode até ser preso, mas jamais será pobre, porque sua mãe, viúva do banqueiro Gilberto Faria no segundo matrimônio, é uma das mulheres mais ricas do país. Mas na cadeia, ser rico até faz diferença, mas não compra a liberdade. (C.N.)

O Império contra-ataca: Governo reduz equipe e corta verbas da Lava Jato

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Charge do Junião (juniao.com.br)

Deu no Estadão

Sob o governo do presidente Michel Temer (PMDB) e suspeitas de interferência política, a Polícia Federal reduziu a equipe destacada para a força-tarefa da operação Lava Jato, em Curitiba, e contingenciou 44% do orçamento de custeio previsto 2017. É o primeiro corte expressivo no efetivo de investigadores, nos três anos do escândalo Petrobras, que revelou um megaesquema de cartel e corrupção, que abasteceu nos últimos 13 anos os cofres dos partidos da base e da oposição dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Deflagrada em março de 2014, a Lava Jato é a maior e mais longeva operação de combate à corrupção da PF, realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e Receita Federal.

RESULTADOS – As descobertas levaram para cadeia empresários como Marcelo Odebrecht, Eike Batista, o banqueiro André Esteves, ex-ministros como José Dirceu e Antonio Palocci, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e colocou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela primeira vez no banco dos réus. O escândalo criou as condições para o impeachment da presidente Dilma Rousseff – cassada em agosto de 2016 –  e, agora, ameaça o mandato de Temer.

Origem das apurações de desvios na Petrobrás, a equipe da Lava Jato, em Curitiba, era composta por nove delegados federais até o início de 2017, que atuavam exclusivamente no caso. Hoje, quatro delegados cuidam dos cerca de 180 inquéritos em andamento e há a intenção de se acabar com a atuação exclusiva deles para a força-tarefa.

“Será o fim da Lava Jato”, afirmou um membro da força-tarefa, em Curitiba, sob a condição de não ter o nome revelado. No início do ano, o efetivo total chegou a ser de quase 60 policiais – entre delegados, agentes e peritos. Hoje, não passa de 40 e sem atuação exclusiva.

CONTINGENCIAMENTO – A redução de verbas da PF – geral para toda corporação – atinge diretamente as equipes das forças-tarefas da Lava Jato em Curitiba, Brasília e Rio. Ela decorre do corte geral dos gastos da União e vale para todos os ministérios, que podem aplicar internamente o contingenciamento. A previsão do Orçamento da União de 2017 para o Ministério da Justiça – área em que a PF está subordinada – é de R$ 13 bilhões.

A Polícia Federal tem previsão de R$ 6 bilhões, sendo R$ 4,7 bilhões com pessoal e R$ 1 bilhão para custeio, que engloba “operações de prevenção e repressão ao tráfico de drogas e a crimes praticados contra a União e a manutenção do Sistema de Emissão de Passaportes”.

Com cortes no custeio, o efetivo diminui e há um reflexo direto nas apurações, pois há menos estrutura para as megaoperações. Cortam-se diárias de equipes deslocadas, passagens aéreas, combustível para as viaturas, manutenção das aeronaves, entre outras.

ESVAZIAMENTO – Na prática, a direção-geral da PF também deixou de obrigar as superintendências regionais a liberarem policiais para atuarem na Lava Jato.

Um reflexo desse esvaziamento na equipe da Lava Jato da PF, é a deflagração de operações ostensivas. Com 40 fases de buscas e prisões desencadeadas nesses três anos de escândalo, as últimas operações foram realizadas por iniciativa do Ministério Público Federal.

“O investimento já é quase zero. O custeio é para movimentar a máquina. Vai paralisar as atividades. Em um orçamento que já é pequeno, cortar 44%, vai parar”, afirma o presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), o delegado Carlos Eduardo Sobral.

“O contingenciamento é sempre uma espada no nosso pescoço, que o governo pode usar a qualquer tempo, e com isso, paralisar as nossas atividades, em razão da nossa falta de autonomia orçamentária financeira.”

INTERFERÊNCIA – Para o representante da ADPF, as tentativas de interferência são explícitas. “No ano passado foi a vez do PT manifestar que tinha interesses de fazer pressão para interferir na Polícia Federal. Nós temos agora o presidente do PSDB, ou seja a cúpula do mundo político partidário, manifestando que tem interesse em nomear ministro da Justiça para interferir na Polícia Federal… Para mim, está mais claro e cristalino que já uma ameaça real de interferência”, avaliou Sobral, da ADPF.

“Nós vamos lutando, mas a vontade de interferir está latente, não é isolada e vem do alto escalão da política.”

Para procuradores da Lava Jato, não se deve esquecer outras operações contra a corrupção, como a Castelo de Areia e a Faktor, que foram encerradas “sob alegações frágeis de ocorrência de nulidade” no Supremo Tribunal Federal (STF).

“SOLUÇÃO MICHEL” – As suspeitas de interferência política na Lava Jato não é fato novo. Em fevereiro, quando pediu a abertura de inquérito contra o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado por obstrução à Lava Jato, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, citou a “solução Michel” – suposto ‘acordão’ entre os peemedebistas para alçar Temer à Presidência da República, a partir do impeachment de Dilma, com o objetivo de estancar as investigações.

De acordo com o procurador, o “plano” elaborado pelo que chamou de “quadrilha” foi colocado em prática logo após Temer assumir interinamente a presidência, em maio de 2016.

Sem resposta de vários líderes, Temer teve de cancelar o jantar

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Temer não consegue nem mesmo reunir os líderes

Deu no Jornal do Brasil

O presidente Michel Temer cancelou o jantar que daria para líderes de partidos da base aliada, neste domingo (21), no Palácio da Alvorada, em uma tentativa de demonstrar que mantém apoio no Congresso Nacional. O motivo, segundo o jornal Folha de S.Paulo, foi a falta de confirmação de presença da maior parte dos convidados. Ainda segundo o jornal, Temer decidiu transformar o jantar em um encontro informal, com um grupo mais reduzido, que já estava em Brasília, já que boa parte alegou que não conseguiria chegar em tempo. As conversas devem começar por volta de 19h.

Neste sábado (20), Temer entrou com um pedido para que o Supremo Tribunal Federal (STF) arquive o inquérito baseado nas delações do dono da empresa JBS, Joesley Batista, que gravou o presidente dando aval para que o empresário mantivesse uma mesada para manter o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) calado.

Na próxima quarta-feira (24), o Plenário do Supremo vai julgar se arquiva ou se mantém a investigação contra Temer por corrupção, obstrução de justiça e formação de organização criminosa.

Neste sábado (20), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu a continuidade da investigação. A manifestação foi enviada após a chegada do recurso no qual o presidente pediu a suspensão do processo para que uma perícia seja feita no áudio da conversa gravada entre ele e o dono da JBS, Joesley Batista.

Na madrugada deste domingo (21), o conselho pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou, por 25 votos a 1, entrar na Câmara dos Deputados com pedido de impeachment de Temer. A comissão especial da entidade disse que ele deve ser afastado por ter cometido crime de responsabilidade.

A bem da verdade, pergunta-se: Lula teria o mesmo tratamento dado a Temer?

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Charge do Jarbas (jarbascartunista.blogspot.com)

Rodrigo Odilon Dos Anjos

“Em primeiro lugar”, não gosto do Temer e jamais votei ou votaria nele, ao contrário dos petistas & assemelhados que o elegeram duas vezes. Tampouco sou lombrosiano, mas a sua cara de coringa de baralho não me inspira a menor confiança, além de me inquietar. Ah, também acho que ele (merecidamente) não conseguirá emplacar o final do seu mandato morando no Jaburu e trabalhando no Planalto, mas isso são outros quinhentos para serem gastos com outras quinhentas conversas.

Apesar disso tudo, e a bem da verdade, pergunto: se fosse o Luiz Inácio que estivesse nas mesmas condições atuais do Temer, o procedimento normalmente cauteloso e criterioso do Ministério Público (pelo menos a turma lá de Curitiba é assim) e o moroso e meloso Supremo Tribunal Federal agiriam da forma superágil e megadesastrada como agora estão procedendo com ele?

Receberia o führer de Garanhuns e viúvo de dona Marisa o mesmo tratamento “carinhoso” ora dispensado ao sisudo marido da dona Marcela?

A quem interessa a maneira e o açodamento com que essa megaoperação de delação mais que premiada dos terríveis irmãos Batista vem sendo conduzida?

Trechos da gravação que incriminam Temer não sofreram cortes ou adulterações

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Caires aponta os trechos passíveis de cortes

Deu no G1
GloboNews

A gravação feita pelo delator Joesley Batista, da JBS, da conversa que ele teve com o presidente Temer, no Palácio do Jaburu, no dia 7 de março, será um dos pontos mais discutidos durante a investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal contra o presidente da República. O áudio foi entregue pelo empresário à Procuradoria Geral da República dentro de um acordo de delação premiada. Os jornais “Folha de S.Paulo” e “O Estado de S. Paulo” ouviram peritos sobre o áudio da conversa do delator com o presidente. Os peritos detectaram o que classificam de interrupções ou edições. Um deles diz que não é possível afirmar o que as provocou, se defeito no gravador ou outro motivo.

Os peritos ressalvam que não há sinais de mudança na parte fundamental da gravação: quando Joesley diz que zerou suas pendências com Eduardo Cunha e ficou de bem com o ex-deputado preso em Curitiba, ouvindo em outro trecho, a seguir, o presidente incentivar, dizendo “isso tem que continuar, viu”. Para o perito ouvido pela “Estadão”, o mesmo ocorre na parte em que o presidente Temer ouve de Joesley que está manipulando a Justiça.

DIZ A FOLHA – A reportagem da “Folha” diz que o áudio entregue por Joesley tem cortes, segundo um perito contratado pelo jornal. A “Folha” afirma que “a perícia concluiu que a gravação sofreu mais de 50 edições”. O laudo foi feito por Ricardo Caires dos Santos, perito judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Ao jornal, ele disse que o áudio tem “indícios claros de manipulação, mas “não dá para falar com que propósito”. Em entrevista à “Folha”, outro perito, Ricardo Molina, declarou que a gravação é de baixa qualidade técnica: “Percebem-se mais de 40 interrupções, mas não dá para saber o que as provoca. Pode ser um defeito do gravador, pode ser edição, não dá para saber”,

Ainda segundo a reportagem da “Folha de S.Paulo”, “no momento mais polêmico do diálogo, quando, segundo a PGR, Temer dá anuência a uma mesada de Joesley a Cunha, a perícia feita por Ricardo Caires dos Santos não encontrou edições. O trecho, no entanto, segundo o perito, apresenta dois momento incompreensíveis, prejudicados por ruídos.

DIZ O ESTADÃO – O jornal “O Estado de S. Paulo” também aborda o tema, na edição deste sábado, com um perito que diz que “detecta 14 ‘cortes’ em áudio de conversa entre Temer e empresário, mas que, segundo o jornal, também “não vê, no entanto, ‘fragmentações’ no intervalo em que Eduardo Cunha é citado”. Ao “Estadão”, o perito Marcelo Carneiro de Souza disse que “os 14 trechos em que o perito encontrou possíveis edições estão entre o 14º minuto e o 34º minuto do áudio”. Essa parte da gravação não inclui o trecho em que Joesley fala que está segurando dois juízes e um procurador.

Essa parte da gravação foi confirmada pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República, no próprio dia em que o áudio veio a público, em nota afirmando que “o presidente Michel Temer não acreditou na veracidade das declarações. O empresário estava sendo objeto de inquérito e por isso parecia contar vantagem”. Segundo a nota, “o presidente não poderia crer que um juiz e um membro do Ministério Público estivessem sendo cooptados”.

MAIS PERÍCIA – O presidente Temer encaminhou a gravação que Joesley fez da conversa com ele para o serviço de inteligência da Presidência da República. Ele quer saber se o material gravado está íntegro ou tem cortes. Em nota oficial, a Procuradoria-Geral da República informou que foi feita uma avaliação técnica da gravação da conversa do dono da JBS com o presidente Temer e concluiu que o áudio revela uma conversa lógica e coerente. E que a gravação anexada ao inquérito do STF é exatamente a entregue pelo colaborador. E que sua integridade poderá ser verificada no processo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se as partes mais importantes que se referem a Temer não sofreram cortes nem adulterações, conforme os próprios peritos já constataram, os advogados de Temer precisam encontrar outra alegação a ser feita. Essa linha de defesa não leva a nada, já era. (C.N.)

A trama se complica para Temer e também para os irmãos Batista

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Joesley e Temer, quando eram grandes amigos

José Casado
O Globo

A trama se complica em Brasília. Para Michel Temer e, também, seus algozes, os irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS, uma das maiores indústrias de alimentos do mundo. As gravações já conhecidas seriam provas de menor peso entre a documentação coletada pela polícia e por procuradores nas últimas cinco semanas, desde que os irmãos Batista começaram a confessar crimes e cúmplices em PMDB, PT e PSDB, entre outros partidos. Há muito mais, a ser divulgado em breve.

Temer virou um personagem singular na História brasileira: é o primeiro presidente que, no cargo, enfrenta uma investigação por corrupção, organização criminosa e obstrução de Justiça. Ele procura uma pinguela jurídica que lhe permita ganhar tempo para tentar recompor a base política, em rápida desintegração.

BLOQUEIO – Sexta à noite pediu ao Supremo o bloqueio da investigação. Alegou ilegalidades nas provas, em especial na gravação que o incrimina, produzida pelo bilionário Joesley Batista no último 7 de março, em conversa no porão da residência do Jaburu. O juiz Luís Roberto Barroso negou.

No sábado, retomou a ofensiva. Solicitou ao juiz Edson Fachin a suspensão do inquérito para perícia no grampo. Apostou alto, até porque nova recusa do STF seria interpretada quase como uma sentença.

Em discurso, o presidente descartou a possibilidade de renúncia. Fez isso pela segunda vez, no espaço de 72 horas. “Meu governo tem rumo”, disse.

EM DESALENTO – Na vida real, Temer é um governante em desalento, à procura de respaldo para sobreviver no Palácio do Planalto. Em política, tudo é possível, inclusive a recuperação de um governo que está no chão. Por enquanto, as chances são remotas, como se admite até no principal avalista do presidente, o PSDB. Sob orientação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, esse partido planeja decidir o próprio destino nesta semana. Se abandonar Temer, o governo pode cair nas horas seguintes. Caso se mantenha atrelado ao presidente investigado, estará jogando com a própria sobrevivência.

Incerto, também, tornou-se o futuro dos irmãos Batista e do grupo JBS. Até a noite de sexta-feira, eles desfrutavam de uma situação bastante privilegiada em relação a outros empresários e companhias privadas investigados no caso Lava-Jato.

O quadro mudou. Isso porque, em tese, como ontem acusou Temer, teriam cometido “o crime perfeito”, um delito do tipo lesa-pátria no qual estimularam uma grave crise política para lucro próprio — usufruindo da imunidade judicial definida no pré-acordo de delação premiada que assinaram na tarde do último 7 de abril.

SEM ACORDO – A dupla de bilionários se recusou a aceitar um acordo de leniência que previa multa de R$ 11,1 bilhões, valor um terço maior do que o acertado pela Odebrecht com a Justiça no Brasil, nos Estados Unidos e na Suíça. Os irmãos Batista preferiram deixar o grupo JBS, do qual detêm 44% do controle, exposto ao risco de sanções financeiras ainda maiores.

Ao mesmo tempo, viram surgir investigações baseadas na suspeita de que multiplicaram a fortuna, manipulando uma crise política que eles mesmos detonaram, com grampos e confissões de suborno pluripartidário envolvendo 1.829 políticos, inclusive o presidente da República.

Essa percepção dominante forçou a Comissão de Valores Mobiliários a se mobilizar, enquanto procuradores passaram a analisar uma revisão do acordo de delação premiada. Ele contém cláusulas de rescisão. Uma delas prevê sua nulidade, se comprovado que os signatários “mentiram ou omitiram, total ou parcialmente, fatos ilícitos que praticaram, participaram ou têm conhecimento”.

Pronunciamentos de Temer estão reforçando as acusações contra ele

Charge do Kacio (kacio.art.br)

Silvia Zanolla

Assisti novamente ao último pronunciamento de Temer e cheguei à seguinte conclusão: quanto mais ele fala e se expõe, mais perde a credibilidade. Os argumentos, a postura, a fisionomia, nada ajuda. Parece que não é opinião única. Basta ler os comentários de quem assiste para perceber isso. Talvez ele ganhasse mais não se expondo neste momento. A população está totalmente avessa à sua imagem. Mas, como tenho dito, parece que Temer vive uma realidade paralela. Cercou-se de assessores suspeitos, que não realizam uma leitura concreta da realidade.

Soa um “dejá vu” do período final de Dilma Rousseff no poder, quando do desgaste máximo de sua imagem. Quem diria que o grande político e jurista Michel Temer terminaria sua carreira desta maneira.

ALÉM DOS “CORTES” – Quanto à gravação comprometedora, é preciso analisar amplamente a situação para além dos chamados “cortes” na gravação.

Perguntas que não querem calar:

1) Por que Temer, um presidente da República, receberia um empresário envolvido em investigações sobre desvio de dinheiro público de modo “clandestino” altas horas da noite?

2) Por que em nenhum momento da gravação Temer adverte Joesley acerca de seus atos arbitrários referentes à confissão da compra de políticos, ministros e promotores?

3) Por que Joesley iria se deslocar até o Palácio para contar “vantagens e lorotas” a um presidente da República – sendo bem recebido – se não tivesse alguma intenção vantajosa para ambos?

Estas e outras perguntas não foram respondidas nos dois pronunciamentos do presidente Temer. Temer sabe que não há alternativa que não seja a renúncia, para o bem do país, de sua família e dele mesmo.

Ex-presidentes da Petros e da Funcef receberam propina dos irmãos Batista

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Antonio Temóteo
Correio Braziliense

Os fundos de pensão de estatais estão no centro das delações firmadas por executivos da J&F Investimentos. Em depoimento prestado ao Ministério Público Federal (MPF), Joesley Batista, presidente da holding que controla a JBS e a Eldorado Celulose, descreveu o pagamento de propina para ex-presidentes da Funcef, dos empregados da Caixa Econômica Federal, e da Petros, dos trabalhadores da Petrobras. O dinheiro ilícito era repassado aos executivos em troca da aprovação de aportes vultosos em projetos de interesse da família Batista.

O PT, segundo ele, teria se beneficiado das irregularidades. O partido tinha total ingerência sobre as entidades fechadas de previdência complementar.

RIQUEZA DE DETALHES – Em um dos anexos da delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Joesley relatou com riqueza de detalhes como se aproximou dos fundos de pensão, as quantias repassadas e quem eram os executivos que receberam dinheiro da corrupção. Conforme o delator, no primeiro semestre de 2008, ele montou uma operação para que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Funcef e a Petros adquirissem 12,99% da JBS para custear o plano de expansão da companhia naquele ano e no seguinte.

Na época, Joesley foi aconselhado pelo então presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, a estabelecer um relacionamento com Paulo Ferreira, filiado ao PT, já que o partido possuía forte influência sobre os fundos de pensão de estatais. O delator acatou o conselho e após se aproximar de Ferreira foi apresentado a João Vaccari, tesoureiro do PT. Com Vaccari, Joesley acertou o pagamento de 1% de propina ao partido para cada operação que a J&F conseguisse com Petros e Funcef.

MAIS PROPINA – Além desse acordo, o delator ainda se comprometeu a pagar 1% em propina para Lacerda e outro 1% para Wagner Pinheiro, presidente da Petros à época e que conheceu quando recebeu o aporte em conjunto com o BNDES. Batista, entretanto, detalhou que não tinha influência sobre os aspectos técnicos das aprovações internas dos fundos de pensão, tarefa que cabia a cada executivo.

O primeiro repasse aos executivos ocorreu em 2009, quando Petros e Funcef adquiriram cotas do Fundo de Investimento em Participação (FIP) Florestal. Cada uma das entidades desembolsou R$ 275 milhões. Com isso, os pagamentos de propina foram feitos a Lacerda e a Pinheiro.

No caso do presidente da Funcef, ele designou um homem chamado João Bosco, representante comercial que morava no Espírito Santo, para receber o dinheiro, que era entregue mediante o repasse de notas fiscais frias. No caso do presidente da Petros, os valores eram repassados ao irmão dele. Lacerda foi preso durante a primeira fase da Operação Greenfield, que investiga fraudes em fundos de pensão. Com a confissão de Batista, sua situação deve se complicar.

PAGAMENTOS – De março de 2010 a julho de 2015, Joesley pagou R$ 2,7 milhões a Pinheiro, dos quais R$ 300 mil em espécie e o restante por meio de notas fiscais frias. Os pagamentos foram mantidos aos sucessores de Pinheiro. Luis Carlos Afonso recebeu um apartamento em Nova York, avaliado em US$ 1,5 milhão pela operação em que o FIP Florestal foi incorporado pela Eldorado Celulose. Carlos Costa, sucessor de Afonso, também recebeu pagamentos, mas os montantes não foram detalhados pelos irmãos Batista.

Vaccari ainda recebeu R$ 2 milhões relativos a operações fechadas com as entidades de previdência complementar e o dinheiro foi repassado para a Gráfica Focal. Os pagamentos feitos aos presidentes dos fundos de pensão e a Vaccari foram feitos sem o conhecimento do então ministro da Fazenda, Guido Mantega, principal facilitador de Joesley. Mantega, inclusive, o orientava a não fazer esses repasses.

CORRUPÇÃO EM SÉRIE – A família Batista é investigada em diversas operações da Polícia Federal e do MPF. Pelos menos 50 casos de corrupção estão na mira dos investigadores desde julho de 2016 nas operações Sépsis, Greenfield e Cui Bono. O que mais chamava a atenção deles é que o ex-deputado Eduardo Cunha, o empresário Lúcio Funaro, acusado de ser operador do parlamentar, e a Eldorado eram citados em todos os inquéritos.

Uma força tarefa com apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), da Receita Federal e do Banco Central (BC) foi criada para apurar todos os esquemas que podem ter movimentado R$ 15 bilhões em liberações de empréstimos e aplicações dos fundos de pensão.

Tudo indica que é hora de se pensar na adoção do regime parlamentarista

Charge reproduzida do Arquivo Google

Willy Sandoval

Desconsiderando a questão política, que realmente deixa o Presidente Temer numa situação insustentável, mas há o receio de que esse modo de agir das autoridades policiais e judiciárias esteja jogando o Brasil dentro de um regime fascista em que ninguém (principalmente agentes públicos) poderá falar absolutamente sobre nada (até mesmo porque também já existe a ditadura do politicamente correto). Considerando ainda que o Brasil é um país com legislação concebida dentro da lógica da criação de dificuldades para venda de facilidades, essa estrutura toda, dentro de um ambiente policialesco, vai travar de vez o desenvolvimento socioeconômico. A não ser que se fizesse uma nova Constituição e legislações complementares que diminuíssem drasticamente o poder do Estado sobre a sociedade.

PAÍS TRAVADO – É mais do que óbvio que daqui para frente teremos uma país cada vez mais travado para negócios e para o progresso. Quanto aos irmãos Batista, a principio eles podem pensar que se deram muito bem, um verdadeiro golpe de mestre. Mas em pouco tempo vão acabar se enroscando no suposto paraíso, os EUA, porque estão acostumados a fazer maracutaias e lá o buraco é muito mais embaixo quando se trata de Justiça.

Infelizmente, todo o dinheiro do BNDES utilizado para se fortalecer os “campeões nacionais” terá sido jogado fora. Em pouco tempo esses marginais vão passar o controle do império para algum grande grupo americano ou de outro país.

PARLAMENTARISMO – Para a estabilidade política e institucional, a melhor solução seria antecipar a adoção do regime parlamentarista. Temer deveria pedir que o Congresso escolhesse um líder, através da formação de maioria parlamentar, que poderia fazer o papel de primeiro-ministro.

O presidente Temer continuaria com o poder de direito e para efeitos protocolares, mas o poder de fato seria exercido por esse líder, enquanto o Congresso estivesse aprovando as mudanças constitucionais para a implantação ou não do regime parlamentarista de forma definitiva a partir de 2018, após um necessário plebiscito ou referendo para o povo chancelar essa importante mudança. Mas o fato é que o presidencialismo não dá mais.

Brasileiros devem sair às ruas e exigir renúncia de Temer, diz Joaquim Barbosa

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Joaquim Barbosa usa o Twitter para atacar Temer

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa recomenda que os brasileiros se organizem poara promover novas manifestações para exigir a renúncia imediata do presidente Michel Temer, em função das gravações feitas pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS. “Não há outra saída: os brasileiros devem se mobilizar, ir para as ruas e reivindicar com força: a renúncia imediata de Michel Temer”, escreveu Barbosa em seu Twitter.

“Isoladamente, a notícia extraída de um inquérito criminal e veiculada há poucas semanas, de que o sr. Michel Temer usou o Palácio do Jaburu para pedir propina a um empresário seria um motivo forte o bastante para se desencadear um clamor pela sua renúncia”, continuou.

O ex-ministro do Supremo chama de “estarrecedoras” as delações do empresário Joesley Batista, da JBS, envolvendo o presidente. “São fatos gravíssimos”, avaliou Barbosa.

Temer usa o mesmo estratagema de Dilma para denegrir seus acusadores

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Christian Cardoso

Quando da execução do projeto de “pátria grande” – nas palavras do “Rasputin Imberbe” [royalties para o Carlos Newton], seriam “20 anos de poder…” – acólitos e camarilha da ex-presidente-impedida e do seu antecessor tinham esses empresários e respectivos grupos econômicos (empreiteiras, XXXs, indústrias da proteína animal etc.) como verdadeiros “fenômenos”, sinais de “orgulho” e de suposto “progresso” sócio-econômico que o país alcançava…

Neste momento, em que esses “luminares do empreendedorismo” querem fugir da cadeia, ao tempo em que conservam em seus patrimônios o que foi aquinhoado ilicitamente, suas palavras como “delatores” já não tem o mesmo peso de outrora… notadamente de quando seus “grupos” [ORCRIMs, segundo decisões em procedimentos de diversas instâncias judiciais] recebiam bilhões e bilhões do governo. Há, inclusive no STF, uma corrente que sustenta a falta de credibilidade desses meliantes, os quais não poderiam emitir “atestado de honestidade” por serem “corruptos notórios”…

MESMA ESTRATÉGIA – Ontem, “orgulhos nacionais” com trânsito em várias esferas estatais. Hoje, “criminosos” cujas “delações” maculam “reputações ilibadas” de agentes públicos e a imagem de “instituições” no Executivo, Legislativo e Judiciário. Assim é que, afrontando a inteligência da população, o atual titular da Presidência segue o mesmo estratagema de defesa de sua antecessora. Para ele, o antigo “empresário-benfeitor” [foram muitas “contribuições de campanha”, de caráter “filantrópico”, para promover a “cidadania”, o “regime democrático”…], agora não passa de “falastrão” e partícipe de uma “conspiração”.

O ainda-titular da Presidência está num mundo em que os “malfeitos” em questão nada tem a ver com o caos na Saúde, na Educação, na Segurança, na falta de comida em tantas mesas Brasil afora… Certamente, tamanha empulhação há de estar acompanhada de total falta de escrúpulos!

Por 25 votos a um, OAB decide pedir à Câmara o impeachment de Temer

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O presidente Cláudio Lamachia anunciou a decisão

Renata Mariz
O Globo

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu pedir o impeachment do presidente Michel Temer. Por 25 votos a um, os conselheiros federais consideraram, após mais de seis horas ininterruptas de discussão, que as condutas do presidente reveladas pelo empresário Joesley Barbosa, do grupo empresarial JBS, podem configurar crime de responsabilidade. Apenas o Amapá votou contra o pedido de impedimento. E a bancada do Acre estava ausente. A OAB, que deve protocolar o pedido de impeachment nos próximos dias, aponta como indício de crime de responsabilidade o fato de Temer ter ouvido de Joesley que estava comprando juízes e um procurador da República e não ter comunicado às autoridades. Ao contrário, o presidente assente com um “ótimo, ótimo” nas gravações feitas pelo empresário.

Nesse momento, ele teria agido “de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”, conduta prevista na lei que define os crimes de responsabilidade de presidentes e ministros.

TEMER NÃO NEGOU – Os conselheiros da entidade ressaltaram que Temer não negou, nos dois pronunciamentos que fez, o trecho do diálogo que eles consideram grave. Por isso mesmo, segundo os membros da OAB, mesmo que o áudio venha a ser questionado por peritos ou a delação anulada, esse ponto já foi “confessado” por Temer, que afirmou, inclusive, que não acreditou em Joesley porque ele é um conhecido “fanfarrão”.

“Não interessa se não era verdade, porque ele é presidente da República e tinha que ter agido. Dessa forma, ficamos todos mais seguros nessa decisão que estamos encaminhando” – Adriana Coutinho, conselheira federal de Pernambuco.

As circunstâncias do encontro de Temer com Joesley, no fim da noite e fora da agenda oficial, quando o empresário o grampeou, também foram criticadas pela OAB: “Foi uma conversa nada republicana, traçada na calada da noite, sobre um dos maiores esquemas de corrupção, por alguém que é um constitucionalista. Quem conhece o Direito não pode agir assim” – afirmou Ricardo Bacelar, conselheiro do Ceará.

AVAL DE TEMER – Na avaliação dos conselheiros, também pesa contra Temer ter prometido atender pleitos de Joesley, como indicação no Cade e outras questões relacionadas ao Ministério da Fazenda. Eles não consideraram, entre os indícios de cometimento de crime, o suposto aval de Temer a pagamentos para calar o ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso, ao contrário do entendimento da Procuradoria-Geral da República.

Já foram protocolados ao menos oito pedidos de impeachment contra Temer após as revelações das delações da JBS. A solicitação vinda da OAB, porém, tem um peso diferente. Maior instituição civil no país, a entidade tem mais de um milhão de inscritos e acaba pautando as discussões pela representatividade que tem.

Felipe Santa Cruz, da OAB do Rio de Janeiro, afirmou que votava pelo impeachment sem “nenhuma satisfação”. Ele lamentou que metade dos presidentes eleitos desde a redemocratização não terminou o mandato no Brasil e defendeu uma reforma política: “Teremos o terceiro presidente desde a redemocratização a não terminar o mandato, ou seja, 50%. Demonstra que esse sistema apodreceu”.

Aécio Neves achava que iria escapar ileso e hoje vive em seu inferno particular

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Recluso em casa, Aécio encara a realidade

Igor Gielow
Folha

“A luta continua!”, gritou Aécio Neves da Cunha ao agradecer os 64,3% de votos que tivera em São Paulo no segundo turno presidencial de 2014, a uma plateia eufórica no shopping Conjunto Nacional, em 14 de novembro daquele ano. O tucano acabou o discurso e foi carregado, finalizando a noite em um jantar com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no restaurante italiano Piselli, nos Jardins, onde foi aplaudido de pé pelos presentes. Seria uma consagração, não fosse após a derrota por meros 3,5 milhões de votos para Dilma Rousseff (PT).

No ano seguinte, a imagem se repetiu. Ora em restaurantes como o peruano Taypá, em Brasília, ora na arena de boi-bumbá de Parintins, cidade amazonense onde ele havia tido só 21,6% dos votos em 2014, Aécio era recepcionado como um popstar.

OUTRA IMAGEM – Na manhã de quinta (18), a fotografia do senador com olhos vidrados junto à janela de sua casa em Brasília, cabelo desgrenhado e barba por fazer enquanto a Lava Jato prendia sua irmã e mentora, Andrea, compunha imagem inimaginável há pouco mais de dois anos. De homem que quase desalojou o PT do poder, o tucano passou a senador afastado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), réu e com pedido de prisão pendente.

A Folha ouviu pessoas próximas de Aécio sobre esse processo, em reserva, e não conseguiu resposta do mineiro para falar sobre o tema. Uma assessora sentencia: a fama de 2014, quando saiu de uma campanha desacreditada para a quase vitória, turvou sua capacidade de avaliação.

Corroborando essa avaliação, um político que esteve com ele há menos de dois meses saiu do encontro convencido de que Aécio considerava que iria escapar ileso da Operação Lava Jato. Um outro parlamentar, que visitou Aécio na quinta-feira, afirma que “a ficha caiu só agora”.

VOTO EM LISTA – Na reunião de dois meses atrás, em Brasília, discorreu sobre a necessidade de aprovação do voto em lista e outros temas correntes. E fez planos. Em vez de apostar em protegidos que não lhe fizessem sombra, como os fracassados Pimenta da Veiga (governo, em 2014) e João Leite (prefeito de Belo Horizonte, 2016), ele queria “um Doria” para disputas nacionais do PSDB.

Imposto pelo governador tucano Geraldo Alckmin (SP) como candidato tucano em 2016 à prefeitura paulistana, João Doria encarnava o “novo” e saiu do nada para uma vitória em primeiro turno. Não que fosse um fã de Doria, de quem se aproximou. Em junho de 2016, vaticinou a colegas que o tucano ganharia a eleição, e que isso seria “uma cagada para o Geraldo, pois ele vai comê-lo”, como o precoce favoritismo do prefeito para a indicação do partido à Presidência em 2018 agora sugere.

Buscou sem sucesso a filiação dos amigos Luciano Huck e Bernardinho, técnico de vôlei que havia trocado o PSDB pelo Partido Novo, sigla que também busca atrair o apresentador global.

CRISE DE AUTOESTIMA – O revés lhe causou uma crise de autoestima – e isso antes de Huck apagar fotos suas com Aécio em redes sociais, após a quinta-feira. De lá para cá, se retraiu socialmente, temendo hostilidade em restaurantes. Afastou-se de auxiliares que apontavam erros, ouvindo poucos, como o marqueteiro Guillermo Raffo, o economista Armínio Fraga e a irmã.

Nunca admitiu os problemas que se adensaram com a delação da Odebrecht, em 2016. Um observador nota que Aécio foi muito discreto durante o processo de impeachment de Dilma. Ele achava que era elegância; agora, crê que Aécio já entrevia seu próprio destino.

Faz sentido, se toda a gama de acusações em sete inquéritos contra ele for verdadeira. Se não antevia um pedido de prisão, viu esfarelar a intenção de voto presidencial, caindo de primeiro (26%) para quarto (8%) na corrida aferida pelo Datafolha entre 2015 e 2017. Se preparou para o inverno político admitindo uma candidatura a deputado no ano que vem.

ADESÃO A TEMER – Tal pragmatismo, encorajado por FHC, também o fez conduzir o PSDB à adesão ao governo de Michel Temer (PMDB). Já na posse do peemedebista como interino, quando Dilma foi afastada para ser julgada em maio de 2016, o mineiro surgia sorridente entre os ministros.

A ideia era apostar no sucesso de Temer e barrar a pretensão de Alckmin de ser presidenciável. Para tanto, aliou-se ao antigo adversário José Serra (SP) para sustentar a pinguela de Temer, designação dada por FHC à gestão.

Deu errado: Serra está tão enrolado quanto ele na Lava Jato, e os quatro ministros tucanos agora discutem se permanecem na Esplanada enquanto o peemedebista duela com a delação da JBS.

INGENUIDADE – Esse mais recente capítulo das agruras de Aécio o derrubou, segundo amigos. Viu sua irmã e primo serem presos, além de ter divulgado um áudio comprometedor gravado por um acusado de crimes numa conversa aberta. Amadorismo ou soberba, classificam aliados.

Na quinta-feira, ele lamentou a visitantes que foi “de uma ingenuidade absurda” ao falar com o delator Joesley Batista. Os mesmos interlocutores, porém, atestam que o tucano vivia em “extremo alheamento”. Não só ele. Nesta semana mesmo, Andrea planejava suas férias na Grécia.

Com a “ficha caída” aos 57 anos, Aécio terá de enfrentar um intrincado processo judicial, que pode levá-lo à prisão. A política, que o acompanha desde que o avô e mentor, Tancredo Neves (1910-1985), o tirou do Rio aos 21 anos para “evitar as más influências”, fica para depois.