Deputados bolsonaristas serão investigados pela PGR por campanha de desinformação contra TSE

Charge do Cazo (humorpolitico.com.br)

Vinícius Valfré
Estadão

A investigação sobre ataques à Justiça Eleitoral no domingo de eleição, que corre no Ministério Público Federal (MPF), foi transferida para a Procuradoria-Geral da República (PGR) porque os supostos crimes não estariam restritos ao campo eleitoral e porque parlamentares bolsonaristas, detentores de foro privilegiado, foram listados como propagadores da campanha de desinformação detectada.

O despacho foi enviado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Renato Brill de Góes, nesta sexta-feira, dia 20, ao procurador-geral da República, Augusto Aras. A decisão de Góes foi tomada ao analisar documentação apresentada pela SaferNet Brasil, entidade que tem colaboração formal com o MPF para monitoramento da desinformação nas eleições.

ATAQUES – Após o vazamento de dados de recursos humanos e do ataque que sobrecarregou a consulta a serviços do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), redes bolsonaristas passaram a propagar a narrativa de que o resultado das urnas estaria em xeque. Os ataques, porém, não tiveram qualquer impacto na segurança do pleito.

O Estadão apurou que quatro deputados são citados no despacho de Brill de Góes para justificar a mudança de âmbito: Filipe Barros (PSL-PR), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF). Caso processados, a lei exige que a iniciativa parta da PGR, perante o Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, o procurador ressaltou que os possíveis crimes de vazamento de informações confidenciais não podem ser apurados na esfera eleitoral porque, em tese, configuram crime cibernético contra serviço público federal. Estes são passíveis de apuração na esfera criminal. A Polícia Federal também tem investigação sobre o ataque hacker contra o TSE.

NÚCLEOS BOLSONARISTAS – A existência da apuração da SaferNet Brasil foi revelada pelo Estadão nesta sexta. Uma das linhas de investigação trabalhadas é a de que o hacker responsável pelos ataques pode ter sido auxiliado por radicais brasileiros ligados a núcleos bolsonaristas.

A representação produzida pela SaferNet para o MPF cita o CyberTeam como o grupo que reivindicou as ações do domingo e menciona que o principal protagonista desta organização é o hacker que se identifica como Zambrius. Em entrevista ao Estadão, por e-mail, a pessoa que usa o pseudônimo afirmou ter sido a única responsável pelas ações e negou ter recebido auxílio de hackers brasileiros.

No entanto, a apuração preliminar que tramita no MPF indica outro caminho. “O aprofundamento das análises tem revelado indícios da existência de um sofisticado núcleo de tecnologia da informação, com hackers a serviço de grupos políticos com interesses em desacreditar a Justiça Eleitoral, o processo de apuração e totalização de votos e, em última instância, o sagrado direito a eleições livres e limpas no Brasil”, salienta a SaferNet.

DEPUTADOS – A deputada Bia Kicis afirma que “a questão da confiabilidade do sistema eleitoral é um dos temas mais importantes para qualquer país democrático” e que “vem travando a luta por uma eleição segura há mais de seis anos”.  Diz também que os problemas recentes de invasões contra instituições públicas e a demora na contagem de votos no último domingo “deixam  cada vez mais clara a fragilidade de todo sistema eleitoral sem o voto impresso”. Como já salientado, porém, os ataques não levaram qualquer prejuízo ao sistema de votações.

Os demais parlamentares citados continuam usando as redes para disseminar informações enganosas sobre a urna eletrônica. Carla Zambelli escreveu: “A quem interessa que a sociedade não tenha o direito de, em caso de dúvida, auditar seus votos?”. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, publicou: “Não sou obrigado a acreditar em urnas inauditáveis e como parlamentar proponho leis que dêem mais transparência às eleições”. “Agora não podemos nem questionar a segurança do sistema eleitoral”, publicou Filipe Barros.

Ao contrário do que afirmam, a urna eletrônica brasileira é auditável. Ela possui diversos recursos para auditagem, como Registro Digital do Voto, log da urna eletrônica, auditorias pré e pós-eleição, auditoria dos códigos-fonte, lacração dos sistemas, tabela de correspondência, lacre físico das urnas, identificação biométrica do eleitor, auditoria da votação (votação paralela) e oficialização dos sistemas.

Impostos não pagos por milionários e empresas custam “uma reforma da Previdência” por ano 

Charge do Tiago Recchia (Arquivo Google)

Thais Carrança
BBC News Brasil

O Brasil deixa de arrecadar por ano em impostos não pagos por multinacionais e milionários o equivalente à economia média anual esperada pelo governo com a reforma da Previdência, aponta estudo inédito divulgado na quinta-feira (19/11) pela Rede de Justiça Fiscal (Tax Justice Network).

Segundo o levantamento, são US$ 14,9 bilhões (cerca de R$ 79 bilhões ao câmbio atual) em impostos que deixam de ser recolhidos pelo país por ano. A economia estimada pelo governo com a reforma da Previdência é de R$ 800,3 bilhões em uma década, o que resulta em uma média anual de R$ 80 bilhões.

QUINTO DO MUNDO  – Esse valor faz do Brasil o quinto país do mundo que mais perde impostos devido à elisão (uso de manobras lícitas para evitar o pagamento de taxas, impostos e outros tributos) e evasão fiscal por multinacionais e pessoas ricas, atrás apenas dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França, conforme o estudo.

Em todo o mundo, são US$ 427 bilhões (R$ 2,3 trilhões) em impostos perdidos, sendo US$ 245 bilhões devido à transferência legal ou ilegal de lucros de multinacionais para paraísos fiscais e US$ 182 bilhões não pagos por milionários que escondem ativos e rendimentos não declarados no exterior.

Os dados fazem parte da primeira edição do relatório “Estado Atual da Justiça Fiscal”, que passará a ser divulgado anualmente.

DADOS DA OCDE – O estudo foi possível pois, pela primeira vez, em julho deste ano, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) disponibilizou ao público os dados dos chamados relatórios país a país, colhidos pela entidade nos últimos cinco anos como parte da iniciativa Beps (Erosão da base tributária e transferência de lucros tributáveis, na sigla em inglês).

Nesses relatórios, todos as multinacionais com sedes em países da OCDE e lucro acima de 750 milhões de euros (R$ 4,7 bilhões) por ano são obrigadas a reportar seus registros financeiros, com dados para cada país em que a empresa atua.

“É evidente que existe um problema de desequilíbrio das contas públicas no Brasil e um ajuste fiscal precisa ser feito, mas as propostas sempre focam no lado do corte de despesas”, afirma Gabriel Casnati, coordenador de projetos internacionais da ISP (Internacional de Serviços Públicos), entidade parceira da Rede de Justiça Fiscal na realização do estudo.

AJUSTE NA RECEITA – “O que os dados mostram é que há espaço para se pensar o ajuste através de melhorias na arrecadação”, diz Casnati.

“Os dois eixos principais para isso são reformas tributárias progressivas a nível nacional — porque hoje, no Brasil, os mais pobres pagam mais impostos, e benefícios fiscais para grandes empresas poderiam ser revistos —, e o combate à evasão e elisão fiscal, que são problemas globais, cuja solução exige coordenação internacional.”

Segundo o coordenador da ISP, o esforço de aumentar a arrecadação se torna ainda mais relevante no mundo pós-pandemia, onde os países enfrentam forte aumento de suas dívidas e déficits fiscais, devido às despesas em resposta ao coronavírus.

DÉFICIT PRIMÁRIO – No Brasil, o Ministério da Economia estima que o déficit primário (diferença entre a arrecadação e os gastos do governo, sem contar despesas com juros da dívida pública) deve chegar a 12,7% do PIB (Produto Interno Bruto) ou R$ 905,4 bilhões em 2020. Já a dívida bruta deve ir a 96% do PIB este ano, superando os 100% do PIB até 2026.

“Diversos países da América Latina, e também o Brasil, já tinham um problema fiscal muito grave antes”, diz Casnati. “A pandemia acelerou a crise, ao obrigar os Estados a gastarem mais. Governos de esquerda e direita tiveram que aumentar o gasto público emergencialmente, ao mesmo tempo em que a arrecadação caiu muito.”

COMO PAGAR A CONTA – “O grande debate para todos os países nos próximos anos será como pagar essa conta”, avalia.”Nesse sentido, é fundamental colocar na agenda do dia que grandes corporações e os 0,1% mais ricos utilizam mecanismos legais e ilegais para transferir dinheiro para fora e isso drena recursos do país. Independentemente da ideologia, os políticos deveriam estar preocupados em resgatar esse dinheiro, como forma de que a população pague menos a conta da crise.”

A título de comparação, o estudo estima que a perda de arrecadação do Brasil com impostos não pagos por multinacionais e milionários são equivalentes a 20% do orçamento do país destinado à saúde ou ao salário anual de mais de 2 milhões de enfermeiros.

Assim, a Rede de Justiça Fiscal e seus parceiros na elaboração do relatório fazem algumas recomendações para que esse quadro de perda de arrecadação possa ser mitigado.

GANHOS EXCESSIVOS – A primeira delas é que seja introduzido pelos governos um imposto sobre multinacionais que estão obtendo ganhos considerados “excessivos” durante a pandemia, como as gigantes digitais globais.

Uma segunda recomendação é a introdução de um imposto sobre a riqueza para financiar o combate à covid-19 e tratar as desigualdades de longo prazo exacerbadas pela pandemia.

Por fim, as entidades defendem que a discussão sobre um padrão internacional para a tributação de empresas, além de medidas de cooperação e transparência fiscal, devem se dar no âmbito da ONU (Organização das Nações Unidas) e não da OCDE, já que esta entidade reúne apenas os países mais ricos.

MULTINACIONAIS – Casnati defende ainda que o projeto Beps de combate à erosão da base tributária deveria ser ampliado, para que as multinacionais reportem seus dados fiscais não só para seus países-sede, mas também para os países onde suas filiais operam.

Para ele, a declaração de registros financeiros deveria incluir mais empresas, e não somente aquelas com lucros acima de 750 milhões de euros por ano. As multinacionais também deveriam, na sua opinião, ser tributadas como entidades únicas, posto que atualmente muitas têm suas operações internacionais consideradas como entes independentes.

E, por fim, para encerrar a guerra fiscal internacional, o analista avalia que seria desejável a criação de uma taxação mínima para empresas a nível global. “Isso impediria o que acontece hoje, um leilão ao contrário em que quem dá menos [exige menos impostos] ganha e todos os países perdem arrecadação”, diz Casnati.

TAXAÇÃO MÍNIMA – Em junho deste ano, o ICRICT (Comissão Independente para a Reforma da Taxação Internacional de Empresas, em tradução livre) — grupo formado por nomes de peso da economia como o americano Joseph Stiglitz, os franceses Thomas Piketty e Gabriel Zucman, a indiana Jayati Ghosh e o colombiano José Antonio Ocampo — lançou um documento propondo, entre outras medidas, uma taxação mínima global de 25% sobre as companhias para evitar que elas busquem países de menor tributação.

À época, a proposta teve sua viabilidade questionada por alguns especialistas em tributação, diante do pesado esforço multilateral que seria necessário para colocar uma medida do tipo em prática.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria, importantíssima, foi enviada por José Vidal, um comentarista altamente intelectualizado e que entendeu bem o objetivo do blog, de discutir os temas de interesse nacional. A discussão da dívida pública deveria ser permanente, mas no Brasil ainda nem começou. (C.N.)

E o trem foi danado pra Catende, levando Ascenso Ferreira, Villa-Lobos e Alceu Valença…

DCP CELEBRA ASCENSO FERREIRA - Domingo com Poesia

Ascenso ficou famoso também como radialista no Recife

Paulo Peres
Poemas & Canções

O poeta pernambucano Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965) conta em versos uma viagem para Catende no “Trem das Alagoas”  e o grande desejo de chegar. O poeta passeia pelo som do sino, do apito, da paisagem que o trem atravessa. Fala de quem fica, do que fica, e segue viagem através da cultura nordestina. Esse belíssimo poema foi musicado pelo maestro Villa-Lobos e depois inspirou Alceu Valença.

 

TREM DE ALAGOAS
Ascenso Ferreira

O sino bate,
o condutor apita o apito,
Solta o trem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar…
– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…
Mergulham mocambos,
nos mangues molhados,
moleques, mulatos,
vêm vê-lo passar.
Adeus !
– Adeus !
Mangueiras, coqueiros,
cajueiros em flor,
cajueiros com frutos
já bons de chupar…
– Adeus morena do cabelo cacheado!
Mangabas maduras,
mamões amarelos,
mamões amarelos,
que amostram molengos
as mamas macias
pra a gente mamar
– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…
Na boca da mata
há furnas incríveis
que em coisas terríveis
nos fazem pensar:
– Ali dorme o Pai-da-Mata
– Ali é a casa das caiporas
– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…
Meu Deus ! Já deixamos
a praia tão longe…
No entanto avistamos
bem perto outro mar…
Danou-se ! Se move,
se arqueia, faz onda…
Que nada ! É um partido
já bom de cortar…
– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…
Cana caiana,
cana rôxa,
cana fita,
cada qual a mais bonita,
todas boas de chupar…
– Adeus morena do cabelo cacheado !
– Ali dorme o Pai-da-Matta !
– Ali é a casa das caiporas
– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…

Meio Ambiente falseia dados que Bolsonaro citou no G-20 como se fossem verdadeiros

A Amazônia no centro da crise: Bolsonaro e Salles querem “passar a boiada”  | Revista Movimento

Dados manipulados por Salles deixam Bolsonaro na pior

Deu no G1

A política ambiental do governo Bolsonaro e os números que apontam para aumento do desmatamento e das queimadas no país têm gerado pressões internacionais e ameaças de países de boicote a produtos brasileiros. O governo brasileiro vem apontando interesses comerciais nas críticas e que elas têm objetivo de prejudicar produtos nacionais, especialmente os ligados ao agronegócio.

No discurso no G-20, sexta-feira, Bolsonaro voltou a atacar os críticos. Afirmou que o Brasil, com sua produção agrícola e pecuária, alimenta “quase um bilhão e meio de pessoas” enquanto mantém mais de 60% do território preservado, e que os ataques ao país partem de “nações menos competitivas” no agronegócio.

DISSE BOLSONARO – “Ressalto que essa verdadeira revolução agrícola no Brasil foi realizada utilizando apenas 8% de nossas terras. Por isso, mais de 60% de nosso território ainda se encontra preservado com vegetação nativa. Tenho orgulho de apresentar esses números e reafirmar que trabalharemos sempre para manter esse elevado nível de preservação, bem como para repelir ataques injustificados proferidos por nações menos competitivas e menos sustentáveis”, afirmou.

Na verdade, a agropecuária foi responsável por 90% da perda de vegetação natural do Brasil, aponta os especialistas. O engenheiro florestal Tasso Azevedo, coordenador da ONG Mapbiomas, diz que na verdade o Brasil ainda tem 67% do seu território com vegetação nativa, considerando o que está degradado e que está regenerando.

“A gente estima que, desse total [de vegetação nativa] que existe no Brasil, pelo menos um terço já foi desmatado alguma vez ou já foi fortemente degradado. Então o número correto seria mais ou menos alguma coisa como 45%, 50%” – Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas. Como o G1 mostrou na série Desafio Natureza, mesmo áreas que deveriam contar com preservação garantida em demarcação sofrem com desmatamento.

VEGETAÇÃO NATIVA – O especialista em gestão ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Raoni Rajão, também rebate a afirmação.

“É errado dizer que mais de 60% do Brasil estão preservados. Mais de 60% do Brasil estão com vegetação nativa. E isso inclui, por exemplo, os pampas, onde você tem pecuária. Isso inclui os campos gerais onde também há pecuária. Inclui, por exemplo, todas as áreas florestais onde tem extrativismo”, diz Rajão.

“Quando uma área é de preservação, voltada para a preservação integral, isso significa que ela não pode ser explorada para fins econômicos. E as unidades de conservação de proteção ambiental integral alcançam apenas 9,9% do território nacional, segundo um levantamento da UFMG, com dados de ICMBio, Incra, Funai, SFB e MMA.

DADO DISTORCIDO – Sobre a fala de Bolsonaro de que a revolução agrícola no Brasil “foi realizada utilizando apenas 8% de nossas terras”, o professor Raoni Rajão diz que o dado é “distorcido”, porque está levando com conta apenas as áreas que são cultivadas e desprezando as pastagens..

“De fato, por volta de 8% a 10% do território nacional são usados para culturas agrícolas, soja, milho etc. Mas você precisa somar mais uns 20% das áreas voltadas para a pecuária. Então falar que foi 8% que deu independência alimentar para o Brasil é errado. E os outros 20% da pecuária?”, questiona Rajão.

‘FIRME COMPROMISSO’ – Em outro ponto do discurso, Bolsonaro disse que o governo brasileiro “mantém o firme compromisso de continuar a preservar nosso patrimônio ambiental” e de “buscar o desenvolvimento sustentável em sua plenitude, de forma a integrar a conservação ambiental à prosperidade econômica e social.”

Ele defendeu o esforço dos países na redução das emissões de carbono, que são responsáveis pelo processo de aquecimento global. E afirmou que o Brasil tem “a matriz energética mais limpa entre os países integrantes do G20” e responde hoje “por menos de 3% da emissão de carbono” apesar de ser “uma das 10 maiores economias do mundo.”

“O que apresento aqui são fatos, e não narrativas. São dados concretos e não frases demagógicas que rebaixam o debate público e, no limite, ferem a própria causa que fingem apoiar” – Jair Bolsonaro

EMISSÃO PER CAPITA – Tasso Azevedo aponta que o percentual de 3% de emissão de carbono é um fato, mas ele isoladamente não credencia o Brasil como um bom exemplo. O especialista aponta a comparação da emissão média per capita: a do mundo é de 7,1 toneladas de CO² e a do Brasil é de 10,4 toneladas de CO².

“Falar que a gente tem 3% das emissões globais, embora seja uma das 10 maiores economias, não quer dizer absolutamente nada. Basta pegar o tamanho do nosso PIB versus o PIB global, é muito menos do que 3%. (…) O que importa é a emissão per capita – a emissão per capita do Brasil é maior do que a do mundo. A gente ajuda a piorar a média do mundo, não o contrário”, diz  Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

No mais recente levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgado pela organização não-governamental Observatório do Clima (OC), foi verificado que as emissões dos gases do efeito estufa no Brasil aumentaram 9,6% em 2019, em comparação com 2018.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os especialistas ouvidos pelo G! demonstram um fato revoltante e inadmissível – o presidente Bolsonaro está sendo iludido com dados facciosos que lhe são fornecidos pelo Ministério do Meio Ambiente e pela assessoria do Planalto. O resultado é que o presidente brasileiro está se apresentando ao mundo como um idiota completo, que não sabe o que está dizendo. Nenhum setor do governo pode manipular estatísticas e iludir o chefe da Nação. É uma situação vexatória, que precisa acabar imediatamente. (C.N.)

Ex-presidente francês Sarkozy pode pegar 10 anos de prisão por corrupção. Enquanto isso, no Brasil…

retrato de nicolas sarkozy, que franze o cenho em expressão de preocupação

Se fosse Brasileiro, Sarkosy estaria na maior tranquilidade

Deu na Folha

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy (2007-2012) será julgado na segunda-feira (23) em Paris por corrupção e tráfico de influência no chamado “caso das escutas telefônicas”, tornando-se assim o primeiro ex-chefe de Estado a ser julgado por esses crimes na França em 60 anos.

As provas apresentadas no processo foram obtidas durante um inquérito aberto para apurar outras acusações: os procuradores suspeitavam que Sarkozy teria recebido recursos da ditadura líbia de Muammar Gaddafi para financiar a campanha eleitoral que o levou à Presidência, em 2007.

GRAMPO NO TELEFONE – No curso dessa investigação, os juízes autorizaram um grampo no telefone de Sarkozy —foi assim que investigadores descobriram que ele tinha uma linha secreta na qual usava o pseudônimo “Paul Bismuth”.

Segundo os investigadores, algumas das conversas revelaram a existência de um pacto de corrupção. Junto com seu advogado, Thierry Herzog, Sarkozy teria tentado obter informações secretas do “caso Bettancourt” por meio do juiz Gilbert Azibert.

O caso envolve a herdeira bilionária da L’Oréal, Liliane Bettencourt. Sarkozy foi acusado de ter se aproveitado de sua senilidade mental para obter doações acima do teto legal e financiar sua campanha presidencial de 2007. A denúncia contra o ex-presidente nesse processo foi arquivada em 2013.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA – Azibert também teria tentado influenciar o julgamento de seus colegas magistrados. Em troca, Sarkozy teria prometido ajudá-lo a conseguir um cargo altamente cobiçado no Conselho de Estado de Mônaco.

Se condenado, o ex-presidente pode ter de cumprir uma pena de prisão de até dez anos e multa máxima de 1 milhão de euros (R$ 6,4 milhões).

O ex-presidente nega todas as acusações. Segundo os promotores, o recuo do então presidente foi uma indicação de soube que a linha telefônica estava grampeada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enquanto isso, no Brasil, um ex-presidente que montou o maior esquema de corrupção estatal do mundo, já condenado em três instâncias, continua livre, leve e solto, como diz o jornalista e compositor Nelson Motta. (C.N .)

Giannetti faz boas reflexões, ao analisar a ética nas visões de Sócrates, Platão e Gláucon

Chamamos de ética o conjunto de coisas... Oscar WildeFernanda Perrin
Folha

O que você faria se pudesse ficar invisível? – é em torno desse questionamento singelo que o economista Eduardo Giannetti desenvolve uma elaborada reflexão sobre a ética, tema de seu mais novo livro, “O Anel de Giges”, que chega às livrarias nesta segunda-feira (16).

O objeto que dá nome à obra vem da “República”, de Platão. Como provocação a Sócrates, defensor da ideia de que ser uma pessoa justa é um bem em si —ou seja, independe das vantagens que o comportamento acarreta—, Gláucon, irmão mais velho de Platão, conta a história de Giges.

LEVANDO VANTAGEM – Na fábula, um camponês (Giges) descobre um anel capaz de torná-lo invisível. De posse do objeto, vai até a sede do reino da Lídia, região que habitava, seduz a rainha, mata o rei e toma posse do trono.

Para Gláucon, portanto, a história mostraria que um cidadão pacato, quando protegido do olhar alheio e do risco de punição, não hesita em obter vantagens para si, violando sem medo preceitos éticos e morais que até então —hipocritamente— respeitava.

Mais: não há possibilidade de agir de outra forma, defende Gláucon, que encara a busca incessante do autointeresse e a felicidade como equivalentes entre si. Nessa visão, diante da garantia de impunidade, não há por que respeitar regras sociais que se interponham entre o sujeito e o benefício almejado.

RESPONDE SÓCRATES – Em resposta, Sócrates defende que uma pessoa verdadeiramente ética não mudaria em nada sua conduta de posse do anel, uma vez que ser honesto e justo corresponde à felicidade.

Como observa Giannetti, há, portanto, um debate entre a ética como um valor instrumental (um meio para alcançar coisas, utilizado na medida em que for compatível com o autointeresse do indivíduo e jogado fora quando deixa de sê-lo, como defende Gláucon) e como valor intrínseco (um bem em si, como coloca Sócrates).

No pensamento de Platão, o Giges-ideal, modelo de comportamento a ser perseguido pelos guardiões de sua sociedade utópica, é aquele para quem a posse do anel pouco importa. Isso porque ele não se apraz com o aplauso alheio e se orienta apenas em fazer o que é correto e justo (tendo sido moldado pela educação recebida desde a infância).

ÉTICA CRISTÃ – Em um dos pontos mais interessantes do livro, Giannetti aproxima a ética platônica da cristã.

De modo semelhante ao Giges platônico, o Giges ideal cristão guia-se por uma renúncia de si mesmo: não há espaço para autointeresse egoísta, mas sim uma genuína disposição da alma pelo respeito à lei moral. É ela a sua felicidade.

Apresentadas as concepções, o autor passa a criticá-las. “O fulcro da ética platônica-cristã é a reconfiguração do campo de forças intrapsíquico mediante a subordinação das pulsões, fantasias e inclinações espontâneas da psique —o mundo-gueto da alma— ao primado de uma vontade ordenadora e à soberania do bem.”

Irrealista, inexequível, indesejável. Alguém que reprima a tal ponto suas paixões a ponto de não ser afetado pela posse do anel não é desejável, em suma. Em algum momento esse dique vai romper.

DUAS POSSIBILIDADES? – No outro extremo, tampouco defende-se o Giges inescrupuloso da fábula de Platão como uma visão realista do comportamento humano.

A questão que Giannetti coloca é: existem apenas essas duas possibilidades? Não seriam elas extremos raros no mundo empírico, tipos ideais que obscurecem tudo o que, de fato, encontramos entre um ponto e outro?

Pensando sobre esse ponto, o autor busca um dos clichês em termos de teste de honestidade: a carteira perdida. Um estudo extenso publicado na revista Science em 2019 simulou a perda do objeto, com e sem dinheiro, em diversos países.

LISTA E E-MAIL – Acompanhava a carteira um cartão com um endereço de e-mail (para possibilitar uma tentativa de retorno) e uma lista de compras. O valor contido nas que levavam dinheiro era de US$ 13,45 (ajustado país a país pela paridade do poder de compra).

Contra as apostas de economistas, a taxa de devolução das carteiras foi maior entre aquelas com dinheiro do que nas vazias, em todos os países pesquisados.

O resultado contraintuitivo é atribuído pelos autores a fatores econômicos (a vantagem financeira e o custo de procurar o dono da carteira) e psicológico (altruísmo e não querer sentir-se um ladrão).

GRADAÇÃO ÉTICA – Ou seja, há toda uma gradação ética possível, guiada não apenas por uma lógica racional egoísta mas também por elementos subjetivos, como autoimagem e empatia. Giannetti acerta ao bater na tecla da importância dos afetos para a satisfação humana (em mais um clichê: “a felicidade só é real quando compartilhada”).

A discussão que o livro pincela, mas não avança, é o impacto de fatores culturais nessa dispersão. Como mostra o experimento, a taxa de devolução das carteiras cheias e vazias variou enormemente país a país. Outro exemplo citado no livro, sobre diplomatas e multas de trânsito, convida a uma análise semelhante —mas não é atendido.

DIFERENÇAS CULTURAIS – Os impulsos, as paixões, os afetos e a empatia que Giannetti com razão destaca são universais e, portanto, não explicam as diferenças culturais em termos de ética observadas.

Essa lacuna na análise se faz sentir quando tentamos fazer a ponte da reflexão ética individual para a coletiva, pensando de que forma o conjunto diverso de tantos Giges possíveis explica sociedades mais ou menos justas e desiguais.

Câmara vai aprovar projeto que prevê repasse de R$ 62 bilhões a estados e municípios

Projeto regulamenta transferência com cronograma até 2037

Gustavo Garcia e Sara Resende
G1

O Senado aprovou um projeto que viabiliza a entrega, por parte da União, de R$ 62 bilhões para estados e municípios nos próximos 17 anos. O dinheiro vai compensar perdas de arrecadação decorrentes da isenção da cobrança de ICMS de produtos destinados à exportação. O projeto foi aprovado por 70 votos a 0 e já seguiu para análise da Câmara dos Deputados.

A proposta é resultado de um acordo – firmado pela União e por representantes de estados e homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio – que tem o objetivo de pôr fim a um impasse de mais de 20 anos. Em 1996, entrou em vigor uma lei que estabeleceu regras para cobrança do ICMS – tributo de competência estadual, distribuído entre o estado (75%) e seus municípios (25%).

LEI KANDIR – Batizada de Lei Kandir, essa legislação isentou da cobrança de ICMS a exportação de produtos primários e semielaborados – como soja, milho, carnes e minérios – com o objetivo de estimular exportações e reduzir custos para o produtor.

O texto previa que a União deveria, de forma provisória, compensar estados e municípios pela perda na arrecadação do tributo. Defensores do projeto dizem que a contrapartida nunca foi devidamente equacionada, o que resultou na judicialização do tema.

REPASSE –  Pelo texto aprovado nesta quarta, a União deverá entregar aos Estados, Distrito Federal e municípios R$ 58 bilhões no período de 2020 a 2037, da seguinte forma: Entre 2020 e 2030: R$ 4 bilhões por ano; 2031: R$ 3,5 bilhões; 2032: R$ 3 bilhões; 2033: R$ 2,5 bilhões; 2034: R$ 2 bilhões; 2035: R$ 1,5 bilhão; 2036: R$ 1 bilhão; 2037: R$ 500 milhões.

Segundo o projeto, do valor devido ao estado, a União deverá entregar 75% ao próprio estado e os 25% restantes aos respectivos municípios. Os outros R$ 4 bilhões – que completam o valor de R$ 62 bilhões – viriam dos leilões de petróleo dos blocos de Atapu e Sépia, na Bacia de Santos. Nesse caso, os recursos, condicionados à realização das vendas, também deverão ser entregues pela União aos estados e municípios na proporção de 75% e 25%, respectivamente.

Conforme o acordo homologado no STF, o valor total da compensação pode chegar a até R$ 65,6 bilhões. Os R$ 3,6 bilhões faltantes estão condicionados à aprovação da PEC do Pacto Federativo, atualmente parada no Congresso.

MAIS BENEFICIADOS –  Todas as 27 unidades da Federação serão contempladas com o dinheiro previsto no acordo, cujo pagamento é regulamentado pela proposta de autoria do senador Wellington Fagundes (PL-MT). Os estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul estão entre os principais beneficiários, segundo projeção presente no projeto.

Durante a análise da proposta, senadores solicitaram a retirada do texto de trecho que extinguia o Fundo Social do Pré-Sal. Relator do projeto, o senador Antonio Anastasia (PSD-MG), acatou aos pedidos na sessão desta quarta. Segundo ele, o governo concordou com a manutenção do fundo.

“O governo, através do senador Fernando Bezerra, aquiesceu para que esse tema fosse retirado, ou seja, acolher os destaques e retirar do texto a extinção do Fundo Social. O Fundo Social continua normalmente como está hoje, existindo. A solução final foi a mais satisfatória porque acalma o tema e permite aos estados, ainda no ano de 2020, receber o valor de cerca de R$ 4 bilhões, que é um valor expressivo num momento de dificuldade que estados e municípios vivem”, disse o parlamentar.

PROGRAMAS E PROJETOS – Criado em 2010, esse fundo é irrigado principalmente com recursos da parcela do óleo excedente devida à União nos contratos de partilha de produção do petróleo. Entre outras finalidades, o dinheiro do fundo é destinado a programas e projetos de desenvolvimento da educação. Em agosto, a polêmica em torno da extinção do Fundo Social fez com que o texto fosse retirado de pauta.

Anastasia chegou a afirmar que se preocupava com a extinção do fundo. Em discussões passadas da proposta, o senador mineiro explicou que o governo defendia a exclusão como forma de financiar o repasse dos R$ 58 bilhões até 2037.

Eduardo Bolsonaro defende que o voto impresso seja “pauta prioritária” do Congresso

Eduardo defendeu conversar com candidatos à presidência da Câmara 

Deu no Correio Braziliense

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu no Twitter que os colegas sejam pressionados a colocar a análise do uso de voto impresso no Brasil como pauta prioritária no Congresso. “Vale pressionar todos os parlamentares para tratarmos essa pauta como prioritária. Isso pode ser conversado com os candidatos à presidência da Câmara, a eleição será 1º/FEV”, escreveu o filho zero três do presidente Jair Bolsonaro, em resposta a um usuário da rede social.

Eduardo citou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/2019, chamada de “PEC do voto impresso”, da deputada Bia Kicis (PSL-DF), que tornaria obrigatória a expedição de cédulas físicas nas eleições brasileiras. A matéria foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados em 17 de dezembro de 2019.

COMISSÃO ESPECIAL – Segundo Eduardo, agora deverá ser criada uma comissão especial para analisar a PEC, que só depois seria apreciada pelo plenário. “Tenho fé, pois a emenda Bolsonaro do voto impresso STF declarou inconstitucional foi aprovada na Câmara com 433 votos quorum de PEC!”, escreveu o deputado.

Na resposta ao usuário do Twitter que o questionou sobre a “articulação para aprovar a PEC do voto auditável através da impressão”, o parlamentar também postou links para tuítes anteriores em que informa, por exemplo, que fez questionamentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), sobre a apuração dos votos do primeiro turno das eleições municipais de 2020, realizado no dia 15 de novembro.

Bolsonaro posta vídeo em rede social sugerindo que sofre injustiças quanto à política ambiental

Bolsonaro pensa (?) que é um incompreendido e alvo de ingratidões

Ingrid Soares
Correio Braziliense

Antes de seu discurso no segundo dia de reunião do G20, grupo formado pelas maiores economias mundiais, neste domingo, dia 22, o presidente Jair Bolsonaro postou nas redes sociais um vídeo por meio do qual deu a entender que se sente injustiçado.

O vídeo, trecho da animação Inércia (2014), é muito utilizado como meme na internet, e mostra um gigante de pedra que faz de tudo para evitar a destruição de uma cidade por uma rocha gigante que desce uma montanha. O gigante, por fim, consegue evitar que a rocha esmague a localidade, mas acaba derrubando uma das construções com o calcanhar. Os moradores da cidade, então, passam a atacá-lo com pedras e outros objetos. Indignado, o gigante acaba por soltar a pedra, que esmaga a cidade.


PRESERVAÇÃO – O presidente não foi explícito sobre o que queria dizer com a postagem. Apenas fez referência ao G20. “Bom dia a todos. Estou agora em reunião com o G-20”, escreveu na publicação. Pouco depois, ele apresentou um discurso pré-gravado no qual garante preservar o meio ambiente e afirma que o Brasil é um dos países que mais protegem seus biomas.

O vídeo poderia ser interpretado tanto como uma resposta às críticas que Bolsonaro vem recebendo por sua política ambiental quanto uma lembrança da importância do Brasil para o equilíbrio ecológico do planeta. Em seu discurso neste domingo, vale ressaltar, o presidente citou o trecho do Hino Nacional que descreve o país como um “gigante pela própria natureza”.

Em vez de limitar a ação das ONGs na Amazônia, o governo deveria tratar de preservar a floresta

ONGs europeias organizam protestos pela Amazônia em frente a embaixadas  brasileiras | Mundo: Diario de Pernambuco

No exterior, as ONGs seguem pressionando o governo do Brasil

Deu em O Globo

Os focos de incêndio na Amazônia entre janeiro e outubro de 2020 já superaram o total do ano passado, mas o governo Jair Bolsonaro parece mais empenhado em combater as ONGs que o fogo. Documentos do Conselho Nacional da Amazônia Legal revelaram a intenção de criar um marco regulatório, cujo objetivo, descrito no texto, seria “obter o controle de 100% das ONGs que atuam na Região Amazônica, até 2022, a fim de autorizar somente aquelas que atendam aos interesses nacionais”.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, que preside o conselho, inicialmente disse desconhecer a proposta. Depois alegou ter havido erro de interpretação: “Essa questão do marco regulatório das ONGs não passa por nenhum estudo mais sério no momento”. Não explicou, porém, por que o plano, que leva sua assinatura, foi enviado a ministros se não tem importância.

DISSE BOLSONARO – A relação do governo Bolsonaro com as ONGs sempre foi conflituosa. Eis o que disse numa transmissão ao vivo no dia 3 de setembro: “Vocês sabem que as ONGs não têm vez comigo. A gente bota para quebrar em cima desse pessoal. Não consigo matar esse câncer, em grande parte chamado ONG, que tem na Amazônia”.

Na hora de combater problemas ambientais, o governo sempre volta a atacá-las. No derramamento de óleo em 2019, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, insinuou, sem evidência, que a responsabilidade pelo vazamento poderia ser do Greenpeace, a que chamou de “Greenpixe”(sic). Faz um ano, Bolsonaro acusou, também sem prova, o ator Leonardo DiCaprio e a ONG WWF de financiar queimadas.

A insensatez de Bolsonaro fica explícita também quando rechaça proposta do próprio Conselho da Amazônia de expropriar áreas onde houver queimada ou desmatamento ilegal.

“Não existe nenhuma hipótese nesse sentido. E, se alguém levantar isso aí, eu simplesmente demito do governo. A não ser que essa pessoa seja indemissível”, disse, numa indireta a Mourão.

CRÍTICAS NORMAIS – Por mais incoerentes que sejam, críticas às ONGs são normais, até porque elas não estão acima do bem e do mal. Muita ONG não tem a seriedade necessária para atuar no país. Mas querer autorizar apenas as favoráveis ao governo é um despropósito. Vai contra o espírito de liberdade de opinião e ação políticas, essencial às democracias.

Espera-se que o plano canhestro não prospere. Em vez de empreender uma caçada às ONGs e alimentar teorias conspiratórias de que estão a serviço de potências interessadas em prejudicar o agronegócio, o governo deveria era tratar de preservar a floresta.

Com a vitória de Joe Biden nos Estados Unidos, a Amazônia ganhará mais visibilidade. Restringir a atuação de ONGs que ajudam a preservá-la seria péssimo sinal.

Barroso prorroga prazo para que governo Bolsonaro envie plano de combate à covid-19 entre indígenas

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Barroso atendeu a um pedido da Advocacia-Geral da União

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou até a próxima segunda-feira, dia 23, o prazo para que o governo Bolsonaro apresente informações sobre a reelaboração do plano geral de enfrentamento e monitoramento da Covid-19 para povos indígenas. A decisão atendeu pedido da Advocacia Geral da União.

No dia 21 de outubro, o ministro negou a homologação da segunda versão do plano apresentado pelo governo federal, por considerá-lo ‘genérico e vago’, inviabilizando o monitoramento de sua implementação. As informações foram divulgadas pelo STF.

PLANEJAMENTO – Nessa linha, Barroso determinou a elaboração de um novo planejamento, sob a coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com a participação do Ministério da Saúde, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), a ser apresentado no prazo máximo de 20 dias.

A AGU, no entanto, pediu prazo adicional alegando que a ‘situação imprevisível’ gerada pelos ataques cibernéticos que prejudicaram o funcionamento dos sistemas do Ministério da Saúde, especialmente das atividades da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), comprometendo, dessa forma, o levantamento de dados essenciais para a confecção da nova versão do plano.

Demorou, na Argentina, o atrito quase rompimento entre o presidente e a vice Cristina Kirchner

Presidente da Argentina prega cautela sobre possível retorno do futebol no país - ISTOÉ Independente

Sem saída, Alberto Fernández terá de recorrer ao FMI

Helio Fernandes

A vice eleita em parceria com um adversário praticamente inimigo, não demorou para explodir. Cristina Kirchner não esconde, fala abertamente em todos os lugares: ‘Os votos da eleição são meus, nada do combinado foi cumprido’.

Mas na verdade o que separa o “cabeça”’ da chapa, Ernesto Fernández, e a ex-presidente, que se diz enganada e traída, tem nome e sobrenome, mas é repudiado mundialmente por três letras amaldiçoadas: FMI.

LEMBRANDO JK – Presidente eleito e ainda não empossado, (mas garantido pelo general Lott, ministro da Guerra), Juscelino foi viajar ao exterior por 30 dias. Quem era importante no mundo, recebeu o presidente.

O mais inesquecível para jk, foi o conselho do ditador Antonio Salazar (mas mestre em Economia pela Universidade de Coimbra). Disse ele ao líder brasileiro: “Presidente, se o senhor quiser governar todo o mandato, não recorra ao FMI”.

JK governou os cinco anos, não esqueceu do conselho recebido em Portugal.

SEGUNDA ONDA – A pandemia dos testes e a proliferação de ofertas de vacinas.

O mundo caminha para o que chamam de “segunda onda”, uma parte do mundo, apavorada, a outra seduzida, porque agora perderam a responsabilidade, seriedade, credibilidade e oferecem ao brasil, “vacinas salvadoras”, que somente podem ser utilizadas, a partir de junho de 2021.

heliofernandesonline.blogspot.com

 

Denúncia anônima ao Ministério Público do DF é repudiada pela direção do Sindilegis de Brasília

Ex-jogadora de vôlei, Leila, é eleita senadora pelo DF

Senadora Leila Barros se reuniu com direção do Sindilegis

Vicente Limongi Netto

A diretoria do Sindilegis repudia, com veemência, publicação de “denúncia anônima” no Ministério Público do Distrito Federal, contra a entidade, publicada no Blog do Servidor, no último dia 13.  É patético e estranho que a repórter que deu a “notícia” tenha esquecido normas básicas do jornalismo, não checando a veracidade da suposta denúncia, que virou fake news descarada e covarde. 

É lamentável a falta de escrúpulos e bom senso, porque enfraquece o Sindicato e desgasta a imagem do servidor, em plena batalha contra a reforma administrativa. Além de tirar do sindicalizado o direito de escolher livremente seus representantes.

DENÚNCIAS FALSAS – A  farsa foi urdida pela ex-colaboradora do Sindilegis,  Loisse Galina, demitida em 2018 pela atual diretoria da entidade. Loisse é funcionária da Central do Servidor Público, entidade da qual o Sindilegis foi filiado até 2018, e coordenadora da campanha da chapa 2, que disputa as eleições no Sindilegis, marcadas para o próximo dia 30.

Loisse tentou convencer Marina Noleto, também ex-colaboradora do Sindilegis a participar da trama. Marina teria que forjar e apresentar uma série de denúncias mentirosas relacionadas com o Sindilegis, na tentativa de enfraquecer a atual diretoria.

Em troca, Marina teria o emprego de volta, no Sindilegis. Mas a leviana Loisse Galina errou o alvo. Marina recusou a deslavada e imoral proposta, mostrando ser pessoa íntegra.

ALGUMAS PERGUNTAS – O rosário de sujeiras e sórdida munição da “galera da oposição”, como Loisse tentou convencer Marina, não terminou. Algumas perguntas exigem resposta para a operosa classe dos servidores.

Por que o presidente da Auditar (União dos auditores federais de Controle Externo),  Wederson Moreira,  e o vice-presidente da Alesf (Associação dos consultores do Senado Federal), Fábio Gondin,  participaram da sórdida conspiração contra o Sindilegis, concordando  com o arsenal de baixarias da coordenadora da chapa da oposição, encabeçada por Wederson Moreira?  

Por que Wederson e Gondin insistem em denegrir a imagem do Sindilegis? 

DIZ A SENADORA – Paralelamente, diretores do Sindilegis foram recebidos pela senadora Leila Barros (PSB-DF) para tratar de assuntos relacionados com a reforma administrativa, programas de valorização e reconhecimento do servidor, projetos sociais nas áreas de educação, esporte e cultura e ações sociais de combate ao machismo e feminicidio.

“Estamos aqui para construir pontes. Prometo que, com responsabilidade e equilíbrio, vocês serão sempre ouvidos”, garantiu a senadora Leila Barros ao grupo.

Movimento norte-americano que luta contra o racismo critica declaração do vice Mourão

Hamilton Mourão disse que ‘no Brasil não existe racismo’

Getúlio Fernandes
O Tempo

O “Black Lives Matter”, que luta contra o racismo nos Estados Unidos, se manifestou sobre a morte de João Alberto Silveira Freitas, negro de 40 anos que foi espancado até a morte em Porto Alegre. O movimento americano apoiou os protestos que ocorreram ontem no Brasil e criticaram o vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), que negou a existência de racismo no país.

Na publicação, o movimento colocou uma imagem que convoca pessoas do mundo inteiro a boicotar o supermercado onde aconteceram as agressões. Os movimentos negros estão pedindo esse boicote mundial da rede com nacionalidade francesa,  que possui lojas no mundo todo. A manifestação é reforçada, agora, pelo “”Black Lives Matter”, organização que ganhou força após a morte de George Floyd nos Estados Unidos.

SOLIDARIEDADE – “Somos solidários às pessoas que protestam no Brasil depois que João Alberto Silveira Freitas, negro de 40 anos, foi assassinado por seguranças do supermercado Carrefour, sendo um deles um policial militar temporário de folga. João foi brutalmente atacado em 19 de novembro, apenas um dia antes do Dia da Consciência Negra no Brasil”, relatou o movimento

O movimento não deixou escapar a fala, durante uma entrevista, do vice-presidente Hamilton Mourão sobre o assassinato em Porto Alegre dizendo que não existe racismo no Brasil e que estariam querendo importar para o país.

CRÍTICA – O BLM declarou: “O vice-presidente do Brasil diz que ‘racismo não existe no Brasil. Isso é algo que eles querem importar aqui’. Não aceitamos a resposta do vice-presidente nem o Carrefour”, manifestou o movimento.

Ainda, o movimento explicou que o caso precisa ser tratado como consequência do racismo estrutural. “Não aceitamos que as responsabilidades se concentrem em ações individuais, não naqueles que criam e mantêm estruturas racistas. Isso é inaceitável. Isso é perigoso. É por isso que devemos nos juntar às chamadas do Brasil. Estamos aqui para defender a justiça”, concluiu. Hamilton Mourão ainda não se pronunciou sobre a critica feita pelo movimento anti-racista.

Moro assina com empresário de Roberto Carlos, escreve um livro e prepara ‘turnê’ pelo país

Ex- ministro da Justiça Sergio Moro Foto: Agência O Globo/Pablo Jacob

Sérgio Moro fará, pelo menos, dez palestras corporativas

João Paulo Saconi
O Globo

Na primeira noite de dezembro do ano passado, quando aglomerações ainda não eram um risco para a saúde pública, cerca de mil pessoas lotaram a Ópera de Arame, palco mais conhecido de Curitiba. Elas estavam no local para a gravação do especial de fim de ano do cantor Roberto Carlos, tradição responsável por lembrar aos brasileiros que é hora de olhar adiante.

Foi nesse contexto que Sergio Moro, então ministro da Justiça, ganhou uma salva de palmas oferecida pelo “Rei” e conheceu o empresário Dody Sirena, responsável pela carreira do músico há 27 anos e, agora, figura determinante para os próximos passos do ex-juiz da Operação Lava-Jato.

CONTRATO FECHADO – Conforme adiantou o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, Moro fechou um contrato para que a empresa Delos Cultural administre sua imagem e a carreira como palestrante corporativo. A Delos é um braço voltado à área do conhecimento dentro da DC Set, que tem Sirena como sócio -fundador e já atuou junto a uma constelação nacional e internacional, que inclui desde Michael Jackson a Fafá de Belém, passando, é claro, por Roberto Carlos.

Cinco meses após o empresário e o ministro terem sido apresentados, Moro deixou o governo de Jair Bolsonaro e passou a ser cotado como presidenciável para as eleições de 2022. Além do presidente como um adversário político, Moro ganhou, naquele fim de abril, tempo livre na agenda antes ocupada pelas atribulações de seu “superministério”, onde cuidava também da Segurança Pública. Foi então que a DC Set o procurou.

— Já admirávamos Moro pela liderança que sempre exerceu no combate à corrupção — afirma Rodrigo Mathias, CEO da DC Set, descrevendo a personalidade do ex-ministro, para além da seriedade: — A relação pessoal mostrou um lado humano, sensível e descontraído do ex-ministro, que não imaginávamos. Foi uma grata surpresa.

PALESTRAS E LIVRO – Entre os projetos previstos pela empresa e por Moro para os próximos meses, estão uma sequência de ao menos dez palestras corporativas e o lançamento de um livro pela editora Sextante, previsto para abril. A obra, que ainda está sendo escrita, abordará temas de corrupção e compliance, amplamente tratados por Moro enquanto palestrante.

— A passagem pelo ministério agrega-se à experiência na magistratura e na Lava-Jato. A mensagem principal é fazer a coisa certa, não importam as circunstâncias. Pode-se perder o cargo, mas não a alma — afirmou Moro, em entrevista ao Globo.

O lançamento do livro, conforme explica Rodrigo Mathias, envolverá uma turnê de lançamento em capitais brasileiras e no exterior.

E A CANDIDATURA? – Ainda que o CEO da DC Set afirme que “não existe qualquer pretensão política” na parceria com Moro, é provável que a peregrinação funcione como um termômetro para a eleição presidencial do ano seguinte. É o que avaliam aliados do ex-juiz, embora o próprio afaste a relação entre a nova parceria e uma candidatura ao Planalto.

— Quando se lança um livro, é natural promover o lançamento. Uma das formas de divulgação é a realização de palestras que poderão ser virtuais ou presenciais. Não é e nem será uma campanha política. Há vida fora da política — pontua o ex-ministro, que se encontrou recentemente com o apresentador Luciano Huck, despertando rumores de que ambos formariam uma chapa na disputa pelo Planalto.

EVENTOS VIRTUAIS – A possibilidade de que os eventos sejam virtuais considera a indefinição sobre a vacinação contra a Covid-19 no país. Moro defende que a pandemia seja tratada “com responsabilidade” e se prepara para discursar descontraidamente, ainda antes do lançamento do livro, porque considera que o ambiente digital pode ser cansativo.

Antes de Moro,a mulher dele, Rosangela Wolff Moro, chega às prateleiras das livrarias este mês com a obra “Os dias mais intensos — Uma história pessoal de Sergio Moro”, da editora Planeta. Nela, os bastidores da vida pública do ex-ministro são relatados sob o ponto de vista da advogada, com quem ele vive há 21 anos.

Trump tem nova derrota judicial, desta vez na Pensilvânia, e os advogados preparam recursos

Tinta do cabelo de Rudolph Giuliani escorre-lhe pela cara em direto | VÍDEO

Giuliani, advogado de Trump, se tornou uma figura caricata

Deu na Folha
(Agência Reuters)

Um juiz federal indeferiu neste sábado (21) o pedido de uma ação movida pela campanha do presidente Donald Trump para que milhões de votos enviados por correio fossem desconsiderados na Pensilvânia, estado que deu a Joe Biden a vitória na eleição americana.

O juiz Matthew Brann, de Williamsport, descreveu o caso como contendo “argumentos legais forçados, sem mérito, e acusações especulativas”. Brann acrescentou que ele “não possuía autoridade para retirar o direito de voto nem de uma única pessoa, quanto mais de milhões de cidadãos”.

VAI RECORRER – A campanha de Trump afirmou na noite deste sábado que buscará acelerar o recurso para a decisão. A ação, iniciada em 9 de novembro, alegou tratamento inconsistente de votos por correio dado por oficiais eleitorais de condados. Alguns condados notificaram alguns eleitores para que pudessem corrigir erros menores como envelopes de sigilo perdidos, enquanto outros não foram avisados.

Inicialmente, a campanha também havia afirmado que observadores republicanos tiveram seu acesso negado à contagem de votos por correspondência, o que foi refutado por autoridades eleitorais. A alegação foi retirada em 15 de novembro, mas houve novo pedido para que fosse novamente acrescentada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As pesquisas indicam que apenas 3% dos eleitores acreditam que Trump foi fraudado nessa eleição. Dois escritórios de advocacia já desistiram e agora a campanha de Trump está sendo representada por Rudolph Giulliani, ex-prefeito de Nova York e que virou uma figura ridícula. A foto mostra que ele usou uma tintura de cabelo vagabunda, que escorre por sua face.

O tempo passa e os recursos jurídicos vão se esgotando. No próximo dia 8, os Estados têm de concluir a consolidação dos votos e no dia 14 o Colégio Eleitoral se reúne para confirmar a eleição do democrata Joe Biden. Então, só restará a Trump dar adeus às ilusões, como no inesquecível filme de Vincente Minelli. (C.N.)

Entrevista de bolsonarista investigado por criar fake news é compartilhada por Donald Trump

Allan fez acusações levianas e Twitter pôs alerta de desinformação

Camila Mattoso
Folha

O presidente norte-americano Donald Trump compartilhou no Twitter uma entrevista do bolsonarista Allan dos Santos, um dos investigados pelo STF no inquérito das fake news, sobre fraude nas eleições norte-americanas. Santos deixou o Brasil em julho e passou a morar nos Estados Unidos.

Um dos responsáveis pelo site bolsonarista Terça Livre e alvo de ao menos duas operações de busca e apreensão da Polícia Federal ordenadas pelo Supremo, ele participou de programa do canal de TV a cabo chamado One America News Network, pró-Trump.

FRAUDES – Allan tem dito que identificou fraudes na recente eleição norte-americana que deu a vitória para o democrata Joe Biden contra Trump, de quem é um defensor. No entanto, no programa não apresentou qualquer prova concreta e se restringiu a reproduzir teorias frágeis de manipulação das eleições que têm sido disseminadas por apoiadores do presidente norte-americano.

Autoridades eleitorais dos Estados Unidos têm dito que a disputa foi a mais segura da história.O Twitter colocou na publicação de Trump um alerta de desinformação que diz que a acusação de fraude ali contida é contestada.Também repetindo senda aberta por Giuliani e outros trumpistas, Allan atacou a empresa Dominion, responsável pelos softwares de máquinas de contagem de votos.

O próprio Trump já fez críticas à empresa, acusando-a de ter computado milhões de votos a menos para ele. A Dominion publicou uma declaração em conjunto com departamento de segurança dos EUA afirmando não existir qualquer evidência de que qualquer sistema de votação tenha deletado, perdido ou mudado votos nas eleições norte-americanas de 2020.

TSE encontra mais de R$ 60 milhões irregulares nas prestações de contas de candidatos

(Arquivo do Google)

Jan Niklas
O Globo

Um levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que indícios de irregularidades nas prestações de contas de candidatos no primeiro turno das eleições somam mais de R$ 60 milhões. Esse valor abrange as doações e os gastos com pagamentos de serviços das campanhas de candidatos a vereador e prefeito.

Segundo o levantamento, a maior ocorrência é de doações realizadas por pessoas sem emprego formal registrado, cujas inconsistências somam mais de R$ 33 milhões e envolvem 9.068 doadores. O relatório feito pelo Núcleo de Inteligência da Justiça Eleitoral foi concluído na última quarta-feira, dia 16.

RENDA INCOMPATÍVEL – Em seguida, aparecem 1.981 doadores com renda incompatível com o valor doado. As doações realizadas por essas pessoas ultrapassam R$ 17 milhões. Ainda segundo o documento, há 1.745 fornecedores sem registro ativo na junta comercial ou na Receita Federal que receberam R$ 3,3 milhões por serviços prestados durante a campanha deste ano.

O órgão identificou também 1.289 fornecedores que possuem em seu quadro societário pessoas que são beneficiárias do programa Bolsa Família. Outras 1.227 pessoas que estão inscritas em programas sociais de auxílio do estado efetuaram doações financeiras somando um montante de R$ 573 mil.

Além disso, 925 fornecedores de campanha têm relação de parentesco com o candidato ou seu vice, recebendo, no total, mais de R$ 1,6 milhão. Também foram encontrados 15 doadores no Sistema de Controle de Óbitos (Sisobi) que, apesar dessa inconsistência, teriam doado uma quantia total de R$ 19.587,40.

FORNECEDORES – Na lista de indícios de irregularidades foram ainda encontrados fornecedores contratados por empresas cujos sócios são filiados a partidos políticos. Nessa tipologia, foram identificados 1.745 casos em que os contratados receberam R$ 3,3 milhões até o momento.

O documento do TSE foi elaborado através de um cruzamento de dados de outros seis órgãos federais: Receita Federal do Brasil (RFB), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ministério Público Eleitoral (MPE), Defensoria Pública Federal (DPF), Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Cidadania (MC).

A desigualdade social e a dor da mulher abandonada, na visão de Fátima Guedes

Roberto Azevedo conta como foi o show histórico de Fátima Guedes e Cristóvão Bastos, na quinta, 09/05, no Teatro Rival – PortalB!Paulo Peres
Poemas & Canções

A cantora e compositora carioca Fátima Guedes, captou e traduziu com sensibilidade profunda uma triste realidade de nosso país, visto que a letra nos leva a uma triste reflexão sobre a dor, o desamparo e as injustiças sociais praticadas contra milhões de brasileiros. A canção “Mais uma Boca” faz parte do LP Fátima Guedes, lançado em 1980, pela EMI.

MAIS UMA BOCA
Fátima Guedes


Quem de vocês se chama João?
Eu vim avisar, a mulher dele deu a luz
sozinha no barracão.
E bem antes que a dona adormecesse
o cansaço do seu menino
pediu que avisasse a um João
que bebe nesse bar,
me disse que aqui toda noite
é que ele se embriaga.

Quem de vocês se chama esse pai
que faz que não me escuta?
É o pai de mais uma boca,
o pai de mais uma boca.
Vai correndo ver como ela está feia,
vai ver como está cansada
e teve o seu filho sozinha sem chorar, porque
a dor maior o futuro é quem vai dar.
A dor maior o futuro é quem vai dar.

E pode tratar de ir subindo o morro
que se ela não teve socorro
quem sabe a sua presença
devolve a dona uma ponta de esperança.
Reze a Deus pelo bem dessa criança
pra que ela não acabe como os outros
pra que ela não acabe como todos
pra que ela não acabe como os meus.