Atuam contra a Lava Jato os corruptos já descobertos e os que tentam escapar

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou denúncia do Ministério Público, tornando réus três deputados federais e um senador do partido Progressistas (PP). Acusação: desvio de R$ 390 milhões no esquema do petrolão, portanto, mais um caso descoberto pela força-tarefa da Lava-Jato. A decisão do STF, apertada, por três votos a dois, saiu na última terça-feira, 11 de junho de 2019. Pois o inquérito vem desde março de 2015.

A história é bem conhecida e começa com Paulo Roberto Costa, um dos primeiros operadores do petrolão a serem apanhados. Delatou, contou que era o representante do PP na diretoria da Petrobras, detalhou o esquema de desvio de dinheiro para ele mesmo e para políticos. Foi o primeiro delator da operação, chamado então de “delator bomba”, isso em 2014. Foi preso, condenado, cumpriu parte da pena em Curitiba, passou para a domiciliar, está em casa.

IMPUNIDADE – Enquanto isso, os políticos denunciados, que têm o foro privilegiado, continuam no exercício do mandato e só agora tornaram-se réus.

Nessa mesma parte da história, tem um político já condenado, o ex-deputado Nelson Meurer, do PP, a uma pena de prisão de mais de 13 anos. Foi o primeiro parlamentar condenado pelo Supremo no âmbito da Operação Lava-Jato. E ainda está livre, graças aos inúmeros recursos no próprio STF.

Portanto, os quatro parlamentares, que se tornaram réus na última terça-feira, têm, claro, motivo de preocupação, mas não é uma sangria desatada. E quase escaparam. Dos cinco magistrados da Turma, dois votaram contra a denúncia, os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Para aceitar a denúncia, votaram Edson Fachin, Cármen Lúcia e o decano Celso de Mello.

DISCORDÂNCIAS – É brutal a divergência dos votos. Gilmar Mendes disse que a denúncia do Ministério Público, e originária da Lava-Jato, era um amontoado de argumentos soltos e vazios. E foi para cima de Sergio Moro.

Já Celso de Mello, conhecido pelos seus votos longos, cuidadosos e detalhados, entendeu que a denúncia envolvia a atuação de “políticos que parecem desconhecer a República”. Considerou que o MP construiu um bom caso, com indícios relevantes de prática de crime.

Como esses dois votos podem ser tão distantes? Simples: o decano argumentou como magistrado. Já Gilmar Mendes simplesmente está em campanha para derrubar a Lava-Jato e o que chama de “Direito Penal de Curitiba”.

INOVAÇÕES – Eis o ponto. A Lava-Jato inovou na investigação, sempre coordenada, envolvendo Ministério Público, Polícia Federal, Receita Federal, Coaf e outros órgãos, utilizou instrumentos contemporâneos, como a delação premiada, e introduziu interpretações jurídicas. Tudo isso permitiu caracterizar e punir os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha entre políticos e empresários.

Ou seja, o “Direito Penal de Curitiba” descobriu e apanhou um monstruoso assalto ao Estado que vinha sendo praticado há muitos e muitos anos. O outro Direito Penal, o velho, o da corte brasiliense, simplesmente não viu nada disso.

Onde o velho Direito, chamado garantista, via “simples caixa dois”, uma simples infração eleitoral, o novo descobriu lavagem de dinheiro. Um exemplo, entre tantos.

DESDE O MENSALÃO – A mudança começou no mensalão. Mas ninguém saberia o tamanho da corrupção sem a Lava-Jato. Tudo isso para dizer que há, sim, uma campanha aberta contra a Lava-Jato. Fazem parte os corruptos já descobertos e os que temem ser apanhados; os políticos que estavam acostumados a se servir do poder; a esquerda que quer livrar Lula, o comandante da operação toda; a direita que quer a farra de volta.

E também estão nesse esforço advogados, por razões óbvias, e juízes. Por que juízes? Porque para muitos deles a Lava-Jato é a prova viva de quantos crimes deixaram passar ou não quiseram ver.

A divulgação das conversas Moro/Dallagnol faz parte disso. E o que tem ali é, sim, uma certa coordenação formal de trabalho. Legítima.

PROMISCUIDADE – Não republicanas são as relações entre magistrados, advogados, políticos e réus, mantidas a festas e jantares e viagens na corte brasiliense.

E o pessoal do site Intercept não faz jornalismo. É pura militância.

Há sim uma campanha aberta contra a Lava-Jato. Fazem parte corruptos já descobertos e os que temem ser apanhados

Há perigoso descolamento entre classe política e sociedade, diz  o ministro Barroso

O ministro Luis Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal

Barroso critica o sistema eleitoral e defende o voto distrital misto

Deu na Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso defendeu uma reforma política, pois hoje “há um perigoso descolamento entre a classe política e a sociedade civil”. Com o modelo atual, destaca Barroso, cerca de 5% dos candidatos são eleitos com base nos próprios votos; os demais são eleitos devido à lógica de distribuição dos votos dentro dos partidos.

A entrevista do ministro faz parte de série realizada pelo Um Brasil (plataforma multimídia apoiada pela FecomercioSP ) e Fundação Brava, em parceria com o Cepesp-FGV (Centro de Política e Economia do Setor Público).

REPRESENTATIVIDADE – “Hoje o eleitor não sabe quem está elegendo”, o que leva a uma baixa representatividade da classe política, afirma o ministro, que culpa o atual sistema de voto proporcional, em lista aberta (e até as últimas eleições também eram permitidas coligações, que passarão a ser vetadas). Barroso defende a adoção do voto distrital misto, ideia que tramita no Congresso.

Na entrevista, o ministro também comentou sobre o estudo “Os custos da campanha eleitoral no Brasil: uma análise baseada em evidência”, lançado pela FGV e Brava, durante o evento “O poder do dinheiro nas campanhas eleitorais”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Barroso tem razão, mas é preciso lembrar que há um descolamento ainda maior entre a sociedade e as elites da nomenklatura. Não é possível aceitar a abissal diferença que existe hoje entre os maiores e os menores salários do serviço público. Quem quiser enriquecer, deve optar pela iniciativa privada. Enriquecer com base no empobrecimento da população é um comportamento abominável e anticristão (aliás, é “anti qualquer religião”). Mas quem se interessa? (C.N.)

Divergência sobre apoio a blogs “olavistas” definiu demissão de Santos Cruz

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Demissão mostra que Bolsonaro continua influenciado pelo filho

Janaína Figueiredo
O Globo

A metáfora usada pelo governo para explicar a saída do general reformado Carlos Alberto dos Santos Cruz da Secretaria de Governo da Presidência foi a de um casamento que não deu certo e terminou em divórcio sem litígio. Segundo fontes que acompanharam de perto a crise final, um dos elementos-chave que levaram ao divórcio entre Bolsonaro e Santos Cruz foi o controle da comunicação governamental e a relação do governo com blogs e sites alinhados abertamente com o Palácio do Planalto.

A queda de braço decisiva para que o presidente terminasse optando pelo afastamento do general foi, de acordo com as mesmas fontes, com o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Fabio Wajngarten, homem de confiança de Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador no Rio.

BLOGS – As fontes confirmaram que Santos Cruz representava um obstáculo para vários projetos de Wajngarten, entre eles o de intensificar o financiamento de blogs e sites que defendem o governo.

— Fábio quer promover esses blogueiros e sites, distribuir recursos, e Santos Cruz era contra. O embate ficou forte e somou-se a outras discordâncias. A convivência estava muito difícil  — comentou uma das fontes consultadas.

Em nota, a  Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência negou que exista um plano para intensificar o financiamento de blogs e sites pró-governo. Segundo a nota, “como profissional de mídia reconhecido pelo mercado”, o secretário Fábio Wajngarten “assumiu que jamais aceitaria esse tipo de mídia ideológica”.

MÍDIA TÉCNICA – A nota ressalta ainda que em discurso, “o  secretário afirmou que voltaria a investir em todos os tipos de veículos (tradicionais e digitais), respeitando os critérios de mídia técnica, comprovados e atestados por pesquisas de mercado”. De acordo com a secretaria, o  plano de mídia da Nova Previdência é a “maior comprovação dessa tecnicidade”.

“Infelizmente, o jornal O Globo não procurou a Secom antes de publicar tamanha inverdade, numa fantasiosa narrativa conhecida hoje como “Fake News”. Esse tipo de matéria vai totalmente contra os princípios do grupo Globo amplamente divulgados, quando questionados sobre a seriedade de sua linha editorial”, conclui a nota.

CRISE MAIOR – Para evitar que a demissão de Santos Cruz provocasse a sensação de uma crise maior, outro general, neste caso da ativa, foi escolhido para sucedê-lo. Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira ocupará a pasta, e a grande incógnita no momento é saber se continuará tendo certo controle sobre a comunicação governamental.

O agora ex-ministro da Secretaria da Presidência nunca escondeu suas objeções a meios claramente ideologizados. Quando foi contra a extinção da empresa pública de comunicação EBC, Santos Cruz afirmou que “a ideia não é acabar. A ideia é aproveitar o máximo que der da estrutura, mas fazer uma racionalização para torná-la mais atualizada, mais ágil, sem ideologia, ver quais os princípios que ele vai difundir”.

— O racha final foi pelo controle da comunicação e principalmente pela intenção de uma ala do bolsonarismo liderada por Carlos Bolsonaro de financiar meios ideologicamente identificados com o governo — concluiu a fonte.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O problema é que Carlos Bolsonaro, através do boneco de ventrílogo que colocou na Secretaria de Comunicação, quer patrocinar sites e blogs ridículos, servis ao governo, sem opinião própria e que fazem jornalismo chapa-branca. Chamam de blogs ideológicos, mas são apenas blogs olavistas. O ministro Santos Cruz, que é um homem decente e democrático, não aceita esse tipo de armação política de “toma lá, dá cá”. Queria patrocinar blogs e sites importantes, que realmente têm leitores formadores de opinião e que fazem um jornalismo independente, sem excessiva bajulação ao governo. Mas, para compreender e respeitar um homem como Santos Cruz, primeiro é preciso entender o que significa democracia. De vereador para cima, tem muito político que não sabe o significado do regime democrático. É uma pena. (C.N.)

Moro diz que se ‘descuidou’ ao repassar notícia-crime a Dallagnol via Telegram

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Moro diz que não houve nenhuma anormalidade em seu proceder

Amanda Almeida
O Globo

O ministro Sergio Moro disse que cometeu um “descuido formal” ao repassar, via Telegram, informação ao procurador Deltan Dallagnol, em meio às investigações da Lava-Jato. Sem detalhar sobre qual trecho das mensagens trocadas se refere, ele disse que está dentro da “normalidade” um juiz repassar notícias-crime ao Ministério Público.

— No que se refere a algumas mensagens que podem ser autênticas – eu não tenho como confirmar isso em 100% -, aquele episódio em particular, em que é afirmado que seria a situação mais grave em relação à minha pessoa, é o simples repasse de uma notícia-crime. Agora, nós na Vara lá, pela notoriedade das investigações, nós recebíamos várias dessas por dia. Eu recebi aquela informação, e aí sim vamos dizer foi até um descuido meu, apenas passei pelo aplicativo – disse após participar de um evento que marcou a abertura oficial sobre a Copa América.

Moro ressaltou que “não tem nenhuma anormalidade” nesta conduta.

CRIME DE LAVAGEM — Não havia uma ação penal sequer em curso. O que havia é: é possível que tenha um crime de lavagem e eu passei ao Ministério Público. Se perguntar a qualquer juiz de vara criminal o que ele faz quando recebe uma notícia crime dessa espécie, ele vai falar que repassa ou à polícia ou ao Ministério Público — disse o ministro.

Segundo o site The Intercept Brasil, em 7 de dezembro de 2015, por exemplo, o ministro escreveu a Dallagnol: “Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sido ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex-presidente. Aparentemente, a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou então repassando. A fonte é seria”.

DESCUIDO FORMAL – Em entrevista depois de uma solenidade de abertura oficial da “Operação Copa América 2019”, em Brasília, ao ser questionado sobre quem iria definir se houve ou não conduta imprópria dele nas trocas de mensagem com Dallagnol, ele ainda repetiu que houve um “descuido formal”:

— Simplesmente receber uma notícia-crime e repassar a informação não pode ser classificado como uma conduta imprópria. Ali nós temos que compreender o contexto do trabalho que havia na 13ª Vara naquela época (Lava-Jato). Nós atendíamos várias questões urgentes, operações que envolviam o enfrentamento de pessoas muito poderosas envolvidas em corrupção. Então, tinha uma dinâmica do trabalho que era muito intensa. Eventualmente, pode ter tido havido algum descuido formal — disse.

 

SEM AUTENTICIDADE – Embora tenha comentado o conteúdo, Moro disse ainda que não pode “afirmar a autenticidade” das mensagens divulgadas.

— Não posso afirmar a autenticidade dessas mensagens. Eu não tenho esses registros. Eu não estava no Telegram há muito tempo. Então, o que me parece é que as pessoas que tiveram acesso, esse site específico, a postura correta dele, se identifica assim situações tão graves, que apresente esses elementos. Se não confia na Polícia Federal porque está no Ministério da Justiça, então, apresente ao Supremo Tribunal Federal. E aí vai se poder verificar a qualidade do material que foi apresentado. São o quê? Impressão de folhas? São mensagens impressas? Como é que isso foi editado? Ou são mensagens eletrônicas? — comentou.

Questionado sobre as declarações do ministro do Supremo Gilmar Mendes à revista Época, ele disse que as autoridades estão se equivocando a respeito do “teor dessas mensagens”.

MANIPULAÇÃO — “O que existe é uma manipulação sensacionalista do conteúdo dessas mensagens, o que tem levado à parte da opinião pública, e até mesmo autoridades, a se equivocar a respeito do teor dessas mensagens. A partir do momento em que seja aclarado o que esse ato criminoso de invasão significa, que é um ataque às instituições (…), vai ficar claro que não tem nenhuma ilegalidade, muito pelo contrário, o que do que se pode ali identificar são servidores cumprindo o seu dever” — disse.

À Época, Mendes disse que viu a prática de um crime nas conversas vazadas. “Um diz que, para levar uma pessoa para depor, eles iriam simular uma denúncia anônima. Aí o Moro diz: ‘Formaliza isso’. Isso é crime”, avaliou Mendes, referindo-se a um trecho das mensagens em que Dallagnol escreveu que faria uma intimação oficial com base em notícia apócrifa, diante da negativa de uma fonte do MPF de falar. E Moro respondeu que seria “melhor formalizar”. “Simular uma denúncia não é só uma falta ética, isso é crime.”

O ministro disse ainda que há implicações diretas das revelações para o desenrolar da operação. “Eu acho, por exemplo, que, na condenação do Lula, eles anularam a condenação”, analisou Mendes.

ATAQUE ÀS INSTITUIÇÕES – Para Moro, a interpretação de que há um ataque apenas à Lava-Jato é equivocada:

— Isso tem sido tratado de uma maneira equivocada a meu ver, como um ataque a Lava-Jato, mas eu acho que é muito mais do que isso. O que existe é um ataque às instituições brasileiras. Então, não é porque eu sou vítima, não é porque são os procuradores. Nós temos informações de possíveis ataques até mesmo a parlamentares. Então, as instituições brasileiras estão sob ataque, pessoas ousadas. Não sabem bem o propósito desses ataques. Mas se eles acham que as instituições brasileiras são frágeis, vulneráveis, vão se intimidar, eles estão completamente equivocados. O que vai acontecer é que eles vão ser identificados e vão ser punidos na forma da lei.

O ministro repetiu que a Polícia Federal está investigando o caso com “autonomia”.

Bolsonaro rebate Lula sobre facada e Heleno se exalta: ‘Devia tomar prisão perpétua’

O general Heleno,chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comenta a entrevista do ex-presidente Lula Foto: Reprodução

A barriga de Lula deve estar cheia de cachaça, ironiza Bolsonaro

Gustavo Maia e Jussara Soares
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro respondeu com ironia às declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pôs em dúvida o atentado a faca sofrido pelo então candidato ao Palácio do Planalto em Juiz de Fora (MG), em setembro do ano passado. Durante café da manhã com jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto, Bolsonaro disse que a barriga de Lula “deve ter muita cachaça”, rebatendo a menção do petista à ausência de sangue após o ataque contra ele. As declarações do petista foram dadas em entrevista transmitida na quinta-feira pela emissora TVT.

– Eu, sinceramente…aquela facada tem uma coisa muito estranha, uma facada que não aparece sangue, que o cara é protegido pelos seguranças do Bolsonaro – comentou Lula, na entrevista.

FALA HELENO – O chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), General Heleno, que participava do encontro do presidente com jornalistas, comentou as declarações de Lula.

– O presidente comentou que eu o trato de “senhor”. Por que eu trato de “senhor”? Porque eu quero dar o exemplo de uma instituição que, na minha opinião, se não é a mais importante do país, está entre as três mais importantes. É o presidente de um Poder eleito pelo povo, que merece o respeito de toda a sociedade –disse Heleno, levantando a voz em seguida.

– Na minha opinião, e eu sempre tive essa opinião. É minha, hein? Não é do presidente, é minha: um presidente da República desonesto tinha que tomar uma prisão perpétua. Isso é um deboche com a sociedade. Um presidente da República desonesto destrói o conceito do país. Isto é o cúmulo, ele ainda aventar a hipótese da facada ser mentira. E será que o câncer dele foi mentira? E o câncer da dona Dilma foi mentira? Alguém disse pra ele isso aí, teve peito de dizer isso pra ele? Isso é uma canalhice típica desse sujeito – disse antes de finalizar:

– Típica desse sujeito. Não mereceu jamais ser presidente da República. O presidente da República é uma instituição quase sagrada. Eu tenho vergonha de um sujeito desse ter sido presidente da República – completou Heleno, que chegou a bater na mesa durante sua fala.

Como juiz de instrução, Moro tinha de conversar frequentemente com Dallagnol

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Conversas entre juiz e procurador são absolutamente rotineiras

Merval Pereira
O Globo

Não é de hoje que há críticas pelo fato de o mesmo juiz, no caso Sérgio Moro, controlar as investigações, como na Operação Lava-Jato, e julgar os processos, dando a sentença final. Não é uma criação nem de Moro nem dos procuradores de Curitiba. É assim que funciona qualquer força-tarefa no Brasil, de acordo com o nosso Código de Processo Penal, ao contrário de outros países, como a Itália, ou países na América Latina, como México e Chile.

Eles têm a figura do “juiz de instrução” ou “juiz das garantias”, que atua apenas na fase inicial das investigações, autorizando ou impedindo ações como quebra de sigilo e interceptações telefônicas, depoimentos e prisões preventivas.

AUTORIZAÇÕES – Nenhuma ação dos procuradores do Ministério Público nem da Polícia Federal pode ser feita sem uma autorização do juiz de instrução, que não participa das investigações, por impedimento legal, mas as controla.

 Por isso Moro disse, logo no primeiro momento da divulgação de suas conversas com o procurador Deltan Dallagnol, que apenas combinou com os Procuradores as etapas das operações que tinham que ser autorizadas por ele, questões logísticas e exigências legais, como formalização de atos.

A Vara de Moro existe desde 2003 quando foi criada por recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para combater os crimes financeiros. Somente em 2014 a Força-Tarefa da Lava-Jato foi criada, por decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR). Também a Polícia Federal criou uma força-tarefa própria, que foi esvaziada no governo Temer a ponto de hoje só existir um policial dedicado exclusivamente à Lava-Jato.

DALLAGNOL – Quem organizou a Força-Tarefa do Ministério Público foi o procurador Deltan Dallagnol, que já trabalhara com o juiz Moro no caso Banestado, no início dos anos 2000.

O procurador integrou a Força-Tarefa que fez, em 2003, a primeira denúncia contra o doleiro Alberto Youssef. Ao formar o grupo que trabalharia na Lava-Jato, Dallagnol chamou o procurador Carlos Fernando de Souza, que também fez parte do caso Banestado, e outros procuradores com experiência em investigação de crimes do colarinho branco.

Dallagnol e Moro, portanto, se conhecem há 15 anos, e o papel de cada um sempre foi bem definido: o MP propõe medidas, e o juiz as aceita ou não. Para isso, tem que conversar, saber se é a melhor hora para fazer tal ação, se é possível atender aos pedidos dos procuradores e da Polícia Federal, se está bem embasado o pedido de prisão, autorizar quebra de sigilo.

NO CONGRESSO – Há uma proposta para a adoção do “juiz de garantias” no Congresso, em tramitação desde 2010, e provavelmente o caso das conversas reveladas pelo Intercept vai apressar uma decisão favorável.

Em todas as conversas reveladas pelo hackeamento do celular do procurador Deltan Dallagnol não há um só momento em que se flagre uma combinação entre ele e Moro para prejudicar o ex-presidente Lula ou outro investigado qualquer. 

O fato de o Intercept ter publicado o que diz ser a íntegra das conversas ajudou a confirmar a percepção de que os dois só têm conversas a respeito de procedimentos, e o que parece uma participação indevida do juiz Moro, na verdade é a discussão de decisões sobre as investigações, ou a comunicação de uma testemunha que havia revelado um crime.

FOCO NO OBJETIVO – Mesmo as conversas entre os dois, que não são diretamente ligadas a casos específicos, são sobre o combate à corrupção, e como ela está arraigada na sociedade brasileira. Afinal, a Força-Tarefa da Lava-Jato existe para isso.

O hoje ministro Sérgio Moro continua o mais popular do governo Bolsonaro, apesar de algumas pesquisas mostrarem queda de popularidade.

A criação da figura do “juiz de garantias”, por outro lado, não é incontroversa. O Instituto dos Advogados do Brasil, por exemplo, é contrário. Diz um parecer do IAB: “Na prática, juízes, em razão da liderança funcional na condução de inquéritos, acabam por exercer atividades policiais e, com o tempo, tornam-se vítimas do fenômeno da “policização”, invertendo, muitas das vezes, seus originários e nobres objetivos”.

Provavelmente a Lava Jato e seus líderes sairão menos desmoralizados do que se pensa

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Charge reproduzida do Arquivo Google

William Waack
Estadão

Nas mensagens trocadas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol publicadas até aqui está um bom resumo da Lava Jato. É a frase atribuída ao então juiz Sérgio Moro na qual ele, dirigindo-se ao procurador Deltan Dallagnol, duvida da capacidade das instituições brasileiras de lidar com a corrupção do sistema político.

A força-tarefa de Curitiba é um acontecimento relativamente recente, mas tem décadas a convicção que personagens como Moro e Dallagnol exibem da sociedade brasileira como hipossuficiente, isto é, incapaz de se defender sozinha, especialmente frente à esfera da política. Esse é também o ponto de partida para a compreensão que procuradores têm de si mesmos como “agentes políticos da lei”.

O SISTEMA – O que explica a extraordinária popularidade da Lava Jato não são esses velhos e conhecidos postulados ideológicos, mas, sim, o fato de uma imensa parcela da população ter encontrado nas ações da força-tarefa a expressão de seu profundo descontentamento com um “sistema”, sobretudo o político, encarado como principal obstáculo ao progresso dos indivíduos e do País.

A face nos últimos tempos mais identificada com o “sistema” era o PT, entre tantas siglas políticas que procuradores e juízes identificam como predadores de uma sociedade indefesa. Daí ter sido esse partido um de seus principais alvos, mas de forma alguma o único. O fato central é que o “lavajatismo” não considera o sistema político capaz de se regenerar, nem os poderes políticos (sobretudo o Legislativo).

HAVERIA REAÇÃO – A “tutela” exercida pelos integrantes da Lava Jato sobre uma sociedade civil entendida por eles como fraca e indefesa foi entusiasticamente aceita e se traduziu em grande medida na onda que arrasou o PT, e quase toda a política, com a colaboração de setores dominantes da mídia também. Convencidos desde o início de que enfrentariam uma formidável reação do “sistema”, especialmente dentro do Judiciário, os expoentes da Lava Jato claramente subordinaram meios legais aos fins – políticos num sentido amplo.

Assumiram que seria necessária a utilização excepcional de instrumentos de investigação e coerção, esticados até a margem da lei, para lidar com um adversário enraizado nas principais instituições. A maioria da sociedade brasileira concordou com isso e deu expressão eleitoral (na figura de Jair Bolsonaro) à noção de que era necessário “limpar” o PT e o “sistema”, ainda que se tivesse de fechar os olhos para eventuais “abusos” ou “escorregadas” por parte da Lava Jato.

GRAU DA ROUBALHEIRA – Muita gente (muita mesmo) pensa que garantias legais e preceitos constitucionais e também a frase “não se deve combater crimes cometendo crimes” importam menos diante do grau de roubalheira, bandidagem, cinismo, irresponsabilidade dos dirigentes políticos e seus comparsas do mundo empresarial no “sistema”, conduzido mais recentemente pelo lulopetismo.

A revelação dos diálogos particulares entre Moro e Dallagnol enfureceu não só juristas, indignados com o que se configura óbvia violação de princípios pelos quais magistrados deveriam pautar suas condutas. Mas as consequências políticas estão sendo o contrário do que pessoas fiéis a princípios poderiam esperar com a grave denúncia de comportamento parcial ou de ativismo político por parte de integrantes da Lava Jato.

Quem calcula a “desmoralização” da Lava Jato provavelmente verá o contrário. Pode-se gostar disso ou não, mas na luta política brasileira já faz bastante tempo que princípios foram mandados às favas. Não sabemos ainda é com quais vamos tentar construir o futuro.

Saída de Santos Cruz demonstra que “fritura” é o método para demissões no Planalto

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Santos Cruz bateu de frente com Olavo e os filhos de Bolsonaro

Jussara Soares
O Globo

A queda do ministro Santos Cruz (Secretaria de Governo), o terceiro em seis meses de gestão do presidente Jair Bolsonaro, mostra que o chefe do Executivo escolhe a “fritura” como método para demitir seus principais auxiliares.

Os ministros Gustavo Bebianno (Secretaria Geral) e Ricardo Vélez Rodriguez (Educação) passaram pelo mesmo processo de desgaste antes de serem, enfim, dispensados. Nos três casos, Bolsonaro já havia decidido exonerá-los, mas deixou os auxiliares terem a imagem corroída nas redes, tornando a permanência insustentável.

CASO BEBIANO – Bebianno, o primeiro a cair, já sofria um afastamento do presidente desde o segundo turno das eleições. Em fevereiro, quando foi acusado por Carlos Bolsonaro de ter mentido ao dizer ao Globo que havia entrado em contato por telefone com o presidente, negando que vivia uma crise por causa das suspeitas de candidaturas laranjas no PSL, a decisão de tirá-lo do governo foi tomada. Após uma conversa tensa entre Bebianno e Bolsonaro, circulou a informação que a demissão era certa. O presidente esperou um fim de semana e o demitiu numa tarde de segunda-feira.

Em meio a uma série de polêmicas no Ministério da Educação, Bolsonaro chegou a negar que demitiria Vélez Rodríguez. Depois, em conversa com jornalistas também em uma sexta-feira, sinalizou que poderia dispensá-lo na segunda-feira seguinte, o que aconteceu.

TSUNAMI – No caso atual, Bolsonaro decidiu pela exoneração no início de maio, quando mencionou que haveria “um tsunami”, garantem alguns de seus principais assessores. Os constantes embates entre Santos Cruz e a chamada ala ideológica, incluindo os filhos do presidente, causavam irritação pelo menos desde abril.

Ele adiou a decisão até que outros generais passassem a aceitar a saída. O anúncio, desta vez, pelo menos veio antes de mais um fim de semana.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No caso Bebianno, a repórter deixou de dizer que o então ministro não mentira, ele realmente trocara mensagens com o presidente, e caiu porque não aceitava ingerência dos filhos de Bolsonaro no governo. Quanto a demissões, falta o presidente se livrar do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que está envolvido até o pescoço com fraudes eleitorais e é falso até no nome, pois se chama Marcelo Henrique Teixeira Dias. Não se sabe por que, o Planalto esqueceu de fritá-lo. Talvez seja amigo dos filhos do presidente. (C.N.)  

‘Se tiver que ir para a guerra, levo Moro e Dallagnol comigo’, afirma o vice Mourão

Hamilton Mourão

O vice Mourão coloca ordem na discussão e defende a Lava Jato

Lucas Rivas
Estadão

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, reforçou nesta quinta-feira, dia 13, a confiança no ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, após série de reportagens do site The Intercept Brasil que revelou conversas privadas do então juiz federal com integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Para o vice-presidente, Moro foi vítima de um crime. Ao empregar um jargão militar, general Mourão estendeu sua confiança ao ministro da Justiça e aos membros da força-tarefa no Ministério Público Federal. “No Exército, a gente tem uma linguagem muito clara: se eu tiver que ir para a guerra, eu levo o Sérgio Moro e o Deltan Dallagnol comigo”, declarou.

HONRA E DIGNIDADE – A afirmação foi dada durante entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre. Para Hamilton Mourão, a legitimidade dos dados revelados pelo The Intercept é questionável. Além disso, ele admite que a autoria dos ataques hackers é desconhecida. “Pode ser tudo editado, nós não temos acesso aos documentos e aos diálogos reais que podem ter acontecido. Obviamente, eles buscam atacar aquilo que é o maior patrimônio das pessoas de bem, que é a honra e a dignidade”, considera. 

Mourão também assegurou a legalidade da tramitação dos processos em torno da Lava Jato. “Afirmamos que isso rapidamente será esclarecido e reduzido exatamente ao que ele é: um crime cometido contra autoridades públicas”.

Desde domingo, o site vem divulgando conteúdo de mensagens trocadas por Moro e integrantes do MPF. As conversas mostram que o então juiz teria orientado as investigações da Lava Jato por meio de mensagens trocadas no aplicativo Telegram, sugerindo inclusive a mudança da ordem de fases da operação, além de aconselhar, fornecer pistas e antecipar uma decisão ao procurador Dallagnol.

Mourão reconheceu que o vazamento das mensagens reverbera na articulação política no Congresso. “Está causando algum ruído. Mas em uma análise mais fria e tranquila, esse ruído está circunscrito a determinados grupos”, pontua.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mourão sintetizou muito bem a questão. A hora é de as pessoas se definirem – ou são a favor da Lava Jato ou a favor dos corruptos que saquearam o país. Simples assim. Mas os jornalistas insistem em destacar que Moro “teria orientado as investigações da Lava Jato”, o que decididamente não é verdade. Mas em todas as matérias que defendem Moro e Daltagnol, os repórteres conseguem incluir essa ressalva ardilosa. O certo seria dizer que, em alguns raras ocasiões (quatro vezes em dois anos), o juiz Moro, atuando na instrução do inquérito, conversou com o procurador Dallagnol sobre a Lava Jato. Apenas isso. (C.N.)

Eliana Calmon defende Sérgio Moro, após vazamento das mensagens: “Não vejo crime”

[Eliana Calmon defende Moro após vazamento de mensagens: 'Não vejo crime']

Eliana Calmon afirma que Lula foi condenado porque havia provas

Adelia Felix
Metro1

A ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon, afirmou que encarou com naturalidade as conversas ocorridas entre o ex-juiz e atual ministro Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

“Eu não vi nenhuma tendenciosidade contra um partido. Eu vi uma tendenciosidade contra as pessoas que estavam sendo investigadas. É natural que qualquer ser humano se posicione. Essa história de juiz ser neutro. Isso não existe”, disse durante entrevista ao Jornal da Cidade – II Edição, apresentado por José Eduardo, na Rádio Metrópole, nesta quarta-feira (12).

PREOCUPAÇÃO – A jurista, que prometeu engajar-se na campanha de Jair Bolsonaro à presidência no segundo turno das eleições, no ano passado, ainda ressaltou que enxergou uma preocupação de Moro e Dallagnol com a investigação, por envolver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Envolvia pessoas importantes, um ex-presidente da República é um político importante. É natural que a prova fosse a mais contundente possível, para que não abrisse um processo que fizesse um estardalhaço e não desse em nada”, assinalou.

Na oportunidade, Eliana Calmon também defendeu a permanência de Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública. “Não vejo crime. Não vejo contaminação da prova. Não houve trama. Não se forjou. Não se inventou. Ele apenas estava preocupado para que o processo fosse mais dinâmico”.

DESEMBARGADORES – A ministra também elogiou os desembargadores João Pedro Gebran, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus, que compõem a 8ª Turma Criminal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Eles julgaram o recurso do ex-presidente Lula contra a decisão de Moro, no caso do tríplex no Guarujá (SP).

“Toda essa prova foi revista por três grandes desembargadores, todo mundo acompanhou o julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Esses desembargares são muito corretos. Essa prova passou pelo Superior Tribunal de Justiça e tudo foi validado”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito importante a matéria enviada de Salvador pelo Dr. Christian Cardoso. A hora é de definição. É preciso que cada faça como Eliana Calmon e diga de que lado está – com os corruptos que querem destruir a Lava Jato ou com os magistrados, procuradores, delegados federais e auditores da Receita que lutam para moralizar o país? Simples assim. (C.N.)

Adélia Prado responde poeticamente a uma entrevista sobre sexo e religião

Adélia Prado, simplicidade, sabedoria e emoção

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “Entrevista”, aborda temas ligados ao sexo e à religiosidade.

ENTREVISTA
Adélia Prado

Um homem do mundo me perguntou:
o que você pensa do sexo?
Um das maravilhas da criação, eu respondi.
Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas
e esperava que eu dissesse maldição,
só porque antes lhe confiara:
o destino do homem é a santidade.
A mulher que me perguntara cheia de ódio:
você raspa lá? Perguntou sorrindo,
achando que assim melhor me assassinava.
Magníficos são o cálice e a vara que ele contém,
peludo ou não.
Santo, santo, santo é o amor de Deus,
não porque uso luva ou navalha.
Que pode contra ele o excremento?
Mesmo a rosa, que pode a seu favor?
“Se cobre a multidão dos pecados e é benigno,
como a morte duro, como o inferno tenaz”,
descansa em teu amor, que bem estás.

Paulo Guedes foi o grande derrotado, ao conduzir o governo para um abismo político

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Guedes ainda pensa que Rodrigo Maia é seu aliado e vai ajudá-lo

Pedro do Coutto

Não tenho dúvidas de que o episódio de quarta-feira, quando o relator Samuel Moreira retirou do projeto encaminhado pelo presidente Jair Bolsonaro o incrível regime de capitalização e a não menos impressionante isenção da contribuição das empresas para com o INSS. A jornada parlamentar abalou o Palácio do Planalto e expôs o presidente da República a uma natural rejeição da opinião pública do país.

O Globo, o Estado de São Paulo e a Folha de são Paulo manchetaram as edições de ontem. Tenho a impressão de que só resta a Paulo Guedes cumprir o que afirmara quando anunciou sua disposição de deixar o Executivo, caso a reforma que idealizou não se concretizasse.

MAIA GOSTOU – A derrota de Guedes, como as fotos acentuam, deixou o deputado Rodrigo Maia bastante satisfeito. O presidente da Câmara dos Deputados não tinha e não tem interesse pela aprovação do texto emendado por Samuel Moreira. Em O Globo, a reportagem foi de Manoel Ventura, Geralda Doca, Natália Portinari e Bruno Goes. Na Folha,  assinaram Tiago Rezende, Ângela Boldrini e Bruno Bolgossian, enquanto Idiana Tomazelli, Camila Furtiele e Mariana Haubert escreveram em O Estado de São Paulo.

O desfecho na Comissão Especial acentuou fortes reflexos nas áreas governamentais. E o Ministro Paulo Guedes submergiu no mar de suas próprias contradições.

MERVAL BRILHA – Na coluna que ocupa em O Globo, Merval Pereira, escreveu ontem excelente artigo sobre o Ministro Sérgio Moro e a Operação Lava Jato, iluminando sombras das quais surgiram gravações com o propósito de abalar o titular da Justiça e, por consequência a própria Operação Lava jato.

O artigo de Merval Pereira de certa forma representa uma contestação ao artigo de Elio Gaspari publicado na véspera. É muito importante o artigo de Merval, reproduzido aqui na Tribuna da Internet.

E digo eu, se o objetivo das gravações era obter liberdade para o ex-presidente Lula, a investida fracassou. Basta relembrar o que assalto bilionário ocorrido na Petrobrás. Como nada em política é um fato isolado, os reflexos da tentativa vão se fazer sentir. Inclusive dando margem, como aliás já sucedeu, a Jair Bolsonaro reaproximar-se da opinião pública.

DIA DE CAMÕES – Por iniciativa da vereadora Tereza Bergher, a Câmara Municipal do Rio realizou na noite de quarta-feira sessão para comemorar o dia de Portugal, feriado em Lisboa, data também conhecida como dia do poeta Luiz de Camões. O Dia de Camões é assim chamado porque o poeta português publicou Os Lusíadas, obra exaltando em versos as odisseias nos mares dos navegantes formados pela Escola de Sagres.

Há pouco mais de 500 anos caravelas cortaram os mares enfrentando tempestades e abrindo as portas do novo mundo. Mudaram a geografia universal e Camões dedicou sua obra aos êxitos das caravelas de Vasco da Gama, Bartolomeu Dias, Pedro Alvares Cabral, Fernando de Magalhães.

Os séculos se passaram e a história foi se tornando eterna. O ciclo dos navegantes transformou-se hoje numa conquista extraordinária sustentada pela capacidade humana.

Lobby para libertar Lula e inviabilizar a Lava Jato vai dar o golpe fatal no dia 25

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Lewandowski já marcou a data para a Segunda Turma  decidir

Carlos Newton

Há um ditado que diz o seguinte: “Após os 40 anos, somente um idiota pode acreditar em coincidência”. Mas acontece que há certos golpes tão bem produzidos que à primeira vista podem até ser encarados como coincidências. É justamente o que estava acontecendo com o esquema montado para inviabilizar a Lava Jato e soltar Lula da Silva, José Dirceu, Eduardo Cunha, João Vaccari e outros políticos que estão na cadeia, além de evitar que muitos outros sejam presos nos próximos meses, como Michel Temer, Moreira Franco, Romero Jucá, Renan Calheiros, Eliseu Padilha, Aécio Neves, Jader Barbalho etc.

A manobra é muito sofisticada e vem sendo desenvolvida em formato de “blitzkrieg”, uma guerra-relâmpago com ataques desfechados em diversas frentes.

NA SEGUNDA TURMA – Parece coincidência, mas já se sabia que o presidente da Segunda Turma do Supremo, Ricardo Lewandowski, amigo pessoal de Lula e com relações familiares, ia marcar para este mês o final do julgamento do habeas corpus para soltar o ex-presidente, cuja defesa mais uma vez acusa o ex-juiz Sergio Moro de agir com parcialidade ao condená-lo no caso do tríplex do Guarujá e depois assumir cargo no primeiro escalão do governo de Jair Bolsonaro.

A decisão da Segunda Turma é invariavelmente previsível e o julgamento deve terminar em 3 a 2 pela libertação de Lula, com os votos favoráveis de Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Celso de Mello, saindo derrotados Edson Fachin e Cármen Lúcia. A única esperança é Celso de Mello ter um ataque de lucidez e mudar a tendência de voto.

O problema para a defesa de Lula é que faltava justificar a alegação de que Moro agiu com parcialidade. Foi aí que entrou em cena – por coincidência, é claro – a equipe do The Intercept Brasil, que tem grande especialização internacional em rapinagem cibernética e vazamento de informações.

AS MENSAGENS – Escandalosamente, para mostrar que as investigações e julgamentos eram combinados, o “Intercept” desencavou quatro pequeninas mensagens entre juiz e procurador, ocorridas esparsamente num período de dois anos (2016 e 2017).  Em nenhuma dessas mensagens há referência à investigação ou ao julgamento de Lula, mas quem se interessa? Para os lobistas, o que importa não é o fato, mas a versão que estão tentando emplacar – por coincidência, é claro,

E assim pode-se alegar ardilosamente a justificativa para soltar Lula no julgamento do próximo dia 25, cumprindo-se um dos objetivos do lobby. Mas o segundo intento, que é a destruição da Lava Jato, continuará inatingível, na visão do relator Edson Fachin.

“A Lava Jato é uma realidade e não acredito que esta realidade venha a ser afastada por qualquer circunstância conjuntural”, disse Fachin nesta quarta-feira, acrescentando: “A Operação trouxe um novo padrão normativo, jurídico, portanto, e também de natureza ética ao Brasil e à administração pública. Tenho confiança plena que isso não é suscetível de qualquer retrocesso”.

VITORIA PARCIAL – Também a libertação de Lula pode ser uma vitória apenas temporária. Em poucos meses ele será julgado pelo caso do sítio de Atibaia no Tribunal Regional Federal da 4ª Região e sua condenação será confirmada, junto com o advogado e compadre Roberto Teixeira e outros mais, como o amigo Fernando Bittar, suposto dono da propriedade.

Com a reincidência específica em corrupção e lavagem de dinheiro, na segunda instância, o TRF-4 vai mandar prender Lula novamente e começará tudo de novo.

Mas em outro julgamento, desta vez no plenário, a ser realizado no segundo semestre, o Supremo vai enfraquecer muito a Lava Jato, porque já tem votos garantidos (6 a 5) para libertar todos os condenados após segunda instância, para beneficiar o próprio Lula, além de Dirceu, Vaccari, Cunha e tutti quanti, além de evitar a prisão de Aécio Neves, Michel Temer e todos os caciques do MDB, sem falar em políticos do PP, PSDB, PTB, e o céu é o limite.

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P.S. 1
Os seis votos a favor de libertar os corruptos serão de Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Marco Aurélio Mello, os seis cavaleiros do Apocalipse que eram quatro.

P.S. 2E ainda havia quem julgasse que Jair Bolsonaro e seus boinas verdes iriam conseguir a moralização da política brasileira…

P.S. 3 – Já se passaram cinco dias e até agora não saiu a segunda reportagem-bomba da série “The Intercept”. Será que o repórter foi interceptado por forças ocultas? Ou o site de rapina nada mais tem a exibir? Façam suas apostas. (C.N.)  

Fachin libera para julgamento a denúncia contra Aroldo Cedraz, ministro do TCU

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Tiago Cedraz é acusado de se tornar cúmplice do próprio pai

Luiz Felipe Barbiéri
G1 — Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin liberou nesta quarta-feira (12) para julgamento uma denúncia apresentada contra o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz, seu filho, o advogado Tiago Cedraz e outras duas pessoas por tráfico de influência.

Na época da apresentação a denúncia, a defesa de Aroldo e Tiago Cedraz informou que eles haviam recebido a denúncia com “surpresa e indignação” e que, ao longo do processo, iriam demonstrar a “lisura” dos dois.

SEGUNDA TURMA – A análise do caso caberá à Segunda Turma da Corte. O presidente do colegiado agora precisa colocar o caso em pauta para ser apreciado pelos demais ministro.

Presidida pelo ministro Ricardo Lewandowski, a Segunda Turma será comandada a partir da próxima terça-feira (18) pela ministra Cármen Lúcia. Além de Fachin, Lewandowski e Cármen, compõem a Segunda Turma os ministros Celso de Mello e Gilmar Mendes.

Caso a maioria dos cinco ministros receba a denúncia, os quatro denunciados se tornarão réus e responderão a uma ação penal. O acolhimento da denúncia não é um juízo condenatório, ou seja, não faz os denunciados automaticamente culpados.

A DENÚNCIA – A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou a denúncia em outubro de 2018. Segundo as investigações, os quatro denunciados negociaram e receberam dinheiro da UTC Engenharia para influenciar o julgamento de processos sobre a Usina Angra 3 que tramitam no TCU.

As apurações têm como base a delação do ex-presidente da UTC Ricardo Pessoa. Ele seria o líder de sete empresas que concorriam à licitação para um contrato na Usina de Angra 3, com valor total de quase R$ 3,2 bilhões.

Nesse contexto, o empresário teria contratado Tiago e Aroldo Cedraz para interceder em favor do consórcio composto pela UTC. O objetivo era que o TCU não criasse problemas à contratação das empresas.

COMPROVAÇÃO – Conforme a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, há elementos que comprovam a entrega de dinheiro em São Paulo, na sede da UTC e, em Brasília, no endereço onde funciona o escritório de Tiago Cedraz.

Os acertos foram feitos em 2012 e pagos parceladamente até 2014, sustenta a PGR. No total foram pagos R$ 2,2 milhões, segundo Dodge.

Além da condenação, a PGR pede que os denunciados paguem R$ 4,4 milhões a título de ressarcimento aos cofres públicos. Deste total, 2,2 milhões referem-se a danos morais. O restante é o valor equivalente aos que teria sido obtido de forma ilícita. Dodge pede ainda a perda da função pública dos envolvidos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais dois que dependem do êxito do esquema para demolir a Lava Jato e desmoralizar o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Gallagnol. O esquema é forte, profissional e organizado. E a mídia está dando uma grande força, interessada na inviabilização da Lava Jato, sabe-se lá por quê. (C.N.)

Santos Cruz será sucedido por um militar da ativa, o general Luiz Eduardo Ramos

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General Luiz Eduardo Ramos era comandante militar do Sudeste

José Carlos Werneck

Perto de completar os primeiros seis meses na Presidência da República, Jair Bolsonaro demitiu seu terceiro ministro, e desta vez foi um militar da reserva, que vai ser substituído por um general mais jovem e que ainda estava na ativa.

Responsável pela área de comunicação social, além do Programa de Parceria de Investimentos, o general Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, na verdade tratava de quase tudo no Governo.

FOI CRITICADO – Santos Cruz estava com bastante prestígio, até bater de frente com o grupo do astrólogo Olavo de Carvalho, que lhe fez pesadas críticas, através do Twitter, com apoio dos filhos de Bolsonaro.

Ele será substituído pelo atual comandante militar do Sudeste, general de Exército Luiz Eduardo Ramos, uma maneira de não deixar insatisfeitos e melindrados os militares que atuam e apoiam o governo. Com isso, Bolsonaro buscou pacificar a área militar, restando daqui para frente evitar novos conflitos entre o novo titular e área de Comunicação Social do Governo.

Uma das saídas pensadas dentro do governo, é acomodar tudo, reorganizando as atribuições da Secretaria de Governo e dando maior autonomia ao setor de comunicação, que responderia diretamente ao Gabinete da Presidência da República.

MUITOS ATRITOS – Nesses seis meses de Governo houve atritos em quase todas as reuniões em que se tratavam assuntos referentes à Comunicação Social, tanto com os primeiros responsáveis da Secom quanto com atual, Fábio Wajngarten. Desde a posse, o setor sofre muita influência dos filhos do Presidente Bolsonaro, em especial Carlos Bolsonaro, que sempre concorda entusiasticamente com as pesadas e grosseiras críticas de Olavo de Carvalho a membros do Governo.

Os funcionários da área de comunicação sempre reclamaram dos cortes feitos no setor, considerado essencial para que o Governo possa desenvolver seus projetos. Isso atingiu o auge quando Paulo Guedes, ministro da Economia, queixou-se com Bolsonaro com relação a cortes na campanha da Nova Previdência, que Guedes considera fundamental no período de apreciação da Reforma nas Comissões Especiais, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

FAZER CAMPANHA – No Governo, existe uma unanimidade, que, para vencer esta fase, é necessário pressionar os deputados e senadores de fora para dentro do Congresso Nacional, levando-se em conta que sindicatos aplicaram cinco vezes mais dinheiro em campanhas publicitárias, e o general Santos Cruz resistia a liberar mais verbas e estrutura para isso.

O ministro demitido também envolveu-se num embate com o grupo político mais afeito ao ex-presidente José Sarney, quando chamou o ex-senador Francisco Escórcio apenas para demiti-lo. Chiquinho, como é conhecido, era no governo de Michel Temer como um arremedo de “posto avançado” do Executivo no Legislativo, incumbido de “medir” a temperatura do Congresso com relação aos projetos do Planalto, antecipando problemas que pudessem prejudicar o diálogo entre os dois Poderes.

Até agora, não encontraram alguém na Secretaria de Governo disposto a desempenhar esse papel.

PEDIDOS – Os parlamentares reclamavam que o ministro Santos Cruz os recebia, mas seus pedidos não prosperavam.

Agora esperam que o novo ministro detenha mais poder para que tenham seus pedidos aceitos e que a Casa Civil, que mudou seus assessores, tenha mais condições de atender aos pleitos dos deputados e senadores.

Em 24 de abril, Janot conseguiu perceber que seu celular estava sendo clonado

Celulares de procuradores que trabalharam com Rodrigo Janot também foram hackeados Foto: Reprod

Ilustração reproduzida do site da revista Época

Lauro Jardim, Chico Otavio e Jailton de Carvalho
O Globo

Os integrantes do Ministério Público Federal só deram conta do tamanho da ação depois da divulgação dos diálogos de Moro com os membros da força-tarefa de Curitiba. Para o golpe ter êxito, desconfiam, é preciso da conivência de alguém dentro das operadoras de telefonia, uma vez que o acesso é dado no momento em que a vítima atende a uma ligação. Alguns dos números usados pelo esquema já foram repassados à Polícia Federal.

O problema, apuraram, seriam uma brecha denominada pelas operadoras de “Falha SS7”. Embora aplicativos como o WhatsApp e a Telegram ofereçam criptografia ponta a ponta para evitar que suas mensagens sejam interceptadas, ambos usam o número de celular do usuário para funcionar, e isto abre a guarda para os ataques.

SEM SEGURANÇA – A  fraude do SS7 permite que qualquer pessoa com acesso à rede de telecomunicações envie e receba mensagens celulares específicas, com alguns ataques que permitem aos hackers interceptar textos, chamadas e dados de localização.

A série de invasões teve início, até onde se sabe no momento, em 24 de abril. No primeiro dia de aposentadoria, o ex-procurador-geral Rodrigo Janot voltou mais cedo para casa aborrecido com uma série de ligações e mensagens esquisitas que tinha recebido ao longo do dia. Alguns telefonemas tinham partido do próprio número do ex-procurador. Por volta das 22 horas, o telefone celular voltou a tocar.

— Diga aí — disse um procurador, amigo de Janot, do outro lado da linha.

— Diga aí você, que está me ligando — respondeu o ex-procurador-geral, estranhando a abordagem do colega.

— Estou ligando porque você está me pedindo dados que eu já te passei — respondeu a Janot.

— Estou te pedindo dados ?? — questionou Janot.

Antes de terminar a frase, os dois perceberam que estavam sendo vítimas de um ataque quase simultâneo de um mesmo hacker. O estranho, que tinha ligado várias vezes durante o dia para Janot, estava usando a conta do Telegram do ex-procurador-geral para conversar com um outro procurador. O invasor estava em busca da senha do Twitter do ex-procurador-geral.

Para demonstrar intimidade, o invasor chamou o amigo de Janot pelo diminutivo, exatamente como o ex-procurador-geral faz. O procurador, que ajudou Janot a abrir uma conta no Twitter,  só não deu a resposta que o hacker queria porque ele e o ex-procurador-geral tinham conversado sobre o assunto dias antes.

No meio da confusão, o procurador interrompeu a conversa com o hacker e orientou Janot a não mais atender ligação e nem abrir mensagens para mudar códigos da Apple, do Telegram ou de outros aplicativos.

OUTROS CASOS

Outros integrantes da Lava-Jato relataram ataques semelhantes. Na noite de 6 de maio, por volta das 20h30, a procuradora Thaméa Danelon recebeu uma ligação de um desconhecido. Depois, veio outro telefonema, desta vez do próprio número e, em seguida, uma mensagem com a informação de que uma nova sessão do Telegram dela estava sendo aberta. Ela deveria confirmar se era ela mesma quem estava usando o aplicativo.

— Derrubei a sessão quatro vezes — disse Thaméa, ex-coordenadora da Lava-Jato em São Paulo.

Momentos depois, ela recebeu uma ligação do subprocurador-geral Nicolao Dino

— Desculpe, não pude atender quando você ligou porque estava em sala de aula — disse Dino ao explicar por que não respondeu a uma chamada da colega.

TODOS GRAMPEADOS – A procuradora disse que não haveria motivos para desculpas porque ela não tinha tentado falar com ele naquela noite. A partir daí, surgiu a suspeita de que o telefone do subprocurador-geral também fora invadido.

Também no mês passado, o hacker tentou invadir o celular de Ronaldo Queiroz, ex-chefe de gabinete substituto de Janot.

Experiente na investigação de crimes ligados à internet, Queiroz entendeu na hora o que estava acontecendo: bloqueou a ação do hacker e formatou o celular, ou seja, restaurou o padrão de fábrica e apagou todo o arquivo armazenado no equipamento.

OUTROS CASOS – Também alvo dos ataques, o coordenador da força-tarefa no Rio, Eduardo El Haje, também reagiu rapidamente e impediu que seu celular fosse utilizar pelo invasor.

Já em Curitiba, o colega Paulo Galvão demorou a perceber que estava sendo vítima de um golpe. O procurador teria recebido a ligação do meio da noite e, sem se atentar para o risco, concordou com as sugestões do hacker. Quando se deu conta, o invasor já teria invadido o celular. Não se sabe se o hacker teve ou não tempo de copiar os dados.

Nem todos os procuradores alvos de ataque relataram o caso à polícia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba, amigos! Agora está evidente que não se trata de um único hacker. É uma quadrilha, mesmo. E o objetivo não está sendo alcançado, apesar de ter havido grampos em todos esses celulares de procuradores, juízes e membros das forças-tarefas da Lava Jato, porque está provado que os hackers agiram em quatro cidades, pelo menos – Brasília, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. E o objetivo de demonstrar que houve fraude de provas e combinação de julgamento que configurem “uma perseguição política” a Lula, essa meta decididamente não está sendo alcançada e a Lava Jato vai resistir a esse desesperado ataque do lobby da corrupção. (C.N.)

Foi Carlos Bolsonaro (o filho Zero Dois) que comandou a demissão de Santos Cruz

O ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro, General Santos Cruz

Santos Cruz saiu à francesa, sem dar entrevista sobre sua demissão

Thais Arbex e Daniel Carvalho
Folha

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz foi demitido nesta quinta-feira (13) da Secretaria de Governo da Presidência da República pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). A informação foi confirmada pelo porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros. O porta-voz também confirmou que Santos Cruz será substituído pelo general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, que é comandante militar do Sudeste.

Questionado sobre os motivos da saída do ministro, o general disse que Santos Cruz esclarecerá a razão pela qual ele está deixando o governo.

ANTES DE VIAJAR – Santos Cruz foi avisado de sua demissão em reunião com o presidente e com o ministro Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), que ocorreu às 12h20 no Palácio do Planalto, pouco antes de Bolsonaro decolar para Belém para uma agenda de governo.

Um integrante do Palácio do Planalto usou a expressão ‘freio de arrumação’ para explicar a demissão. Santos Cruz é o terceiro ministro a cair na gestão Bolsonaro, após as quedas de Gustavo Bebianno (Secretaria Geral), por causa da crise dos laranjas, e Ricardo Vélez Rodríguez (Educação), pelas falhas de gestão na pasta.

Desde que chegou ao Planalto, em janeiro, o ministro se envolveu em seguidas crises com os filhos do presidente, além de um embate com o escritor Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro. A comunicação de governo era um dos pontos de embate. ​

CONSTRANGIMENTO – O incômodo da cúpula militar do governo com Olavo de Carvalho cresceu à medida que se avolumaram os ataques do escritor reverenciado pelo presidente e pelo grupo ideológico que o cerca. O ministro general reagiu às ofensas de Olavo aos militares que hoje trabalham no Palácio do Planalto, em especial o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB).

“Eu nunca me interessei pelas ideias desse sr. Olavo de Carvalho”, disse Santos Cruz à Folha. “Nem a forma nem o conteúdo agradam a ele”,  afirmou. “Por suas últimas colocações na mídia, com linguajar chulo, com palavrões, inconsequente, o desequilíbrio fica evidente”, criticou o ministro, em março.

Integram ainda a ala militar do Planalto os generais Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o porta-voz, Otávio Rêgo Barros, e o chefe da Secretaria-Geral, Floriano Peixoto.  ​

DISPUTAS – Outro desgaste ocorreu em torno das disputas dentro do governo sobre regulamentação de veículos de imprensa — a Secom (Secretaria de Comunicação Social) está subordinada à pasta de Santos Cruz.

Santos Cruz concedeu entrevista no início de abril à rádio Jovem Pan na qual comentou sobre a necessidade de evitar distorções nas redes sociais.

Ele afirmou ainda que a influência das mídias sociais é benéfica, mas também pode “tumultuar”. Para ele, é necessário ter cuidado com a sua utilização, evitando ataques e o seu uso como “arma de discórdia”.

COREIA OU CUBA – Bolsonaro reagiu. Em mensagem publicada em sua conta oficial no Twitter, ele escreveu que recomenda “um estágio na Coreia do Norte ou em Cuba” para quem defender uma espécie de controle do conteúdo divulgado.

O escritor Olavo de Carvalho, um dos gurus do presidente, foi explícito ao endereçar as críticas. “Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu merda”, escreveu.

A comunicação do Palácio do Planalto tem sido palco desde o início do governo de uma disputa entre o núcleo militar e os chamados “olavistas”, seguidores do escritor.

DESAUTORIZAÇÃO – Um mês antes, Santos Cruz desautorizou pedido feita pela Secom para que as empresas estatais enviassem para avaliação prévia propagandas de perfil mercadológico.

O gesto foi interpretado por assessores palacianos como a primeira crise entre o militar e o empresário Fábio Wajngarten, que assumiu recentemente a Secom na tentativa de melhorar a comunicação do governo.

Na manhã desta quinta-feira, Santos Cruz esteve na CTFC (comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle). Foi convocado para explicar a divulgação, em 31 de março, de um vídeo que enaltecia o golpe militar. O ministro atribuiu a divulgação ao descuido de um funcionário.

SEM FALAR – Após ir à comissão, sua assessoria informou aos jornalistas que ele não teria muito tempo para falar, pois havia sido chamado pelo presidente ao Palácio do Planalto.

Respondeu a apenas quatro perguntas, a maioria sobre a crise envolvendo o ministro Sergio Moro (Justiça), mas limitou-se a condenar a invasão das conversas do ex-juiz da Lava Jato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A queda de Santos Cruz é confirmação de que os filhos continuam a influenciar o presidente, especialmente o vereador carioca Carlos Bolsonaro, o Zero Dois, que se julga entendido em Comunicação Social e indicou o jornalista Fábio Wajngarten para comandar a Assessoria de Imprensa. No cargo, Fábio obedecia ao Zero Dois e não ao ministro Santos Cruz, a quem estava subordinado diretamente. Daí deriva o desentendimento que causou a demissão do general. (C.N.)

Hackers podem fabricar “diálogos” de autoridades, afirma nota da Lava Jato

Reprodução de troca de mensagens de hacker com procurador — Foto: Reprodução

Hacker se infiltrou até no aplicativo dos conselheiros do CNMP

Ederson Hising
G1 PR — Curitiba

Após um hacker se passar por um integrante do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), na noite de terça-feira (11), a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, afirma que está confirmada a possibilidade de invasores fabricarem diálogos usando perfis de autoridades.

O Ministério Público Federal (MPF) divulgou uma nota no início da noite desta quarta-feira (12) sobre o assunto. Segundo o comunicado, “diálogos inteiros podem ter sido forjados pelo hacker ao se passar por autoridades e seus interlocutores”.

EDIÇÕES ETC. – Para a força-tarefa, a divulgação de supostos diálogos “obtidos por meio absolutamente ilícito, agravada por esse contexto de sequestro de contas virtuais, torna impossível aferir se houve edições, alterações, acréscimos ou supressões no material alegadamente obtido”.

Na avaliação do MPF, informações conseguidas por meio de invasões poderão culminar em divulgação de notícias falsas.

“É necessário não apenas identificar e responsabilizar o hacker, mas também os mandantes e aqueles que objetivam se beneficiar desses crimes a partir de uma ação orquestrada contra a operação Lava Jato”, diz a nota.

INVASÃO DO CNMP – Um hacker invadiu um grupo do aplicativo Telegram formado por conselheiros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e afirmou que acessa “quem quiser e quando quiser”.

A conversa ocorreu na noite de terça, quando mensagens do perfil do conselheiro Marcelo Weitzel, do Ministério Público Militar, questionaram a atuação de procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. Um dos integrantes questionou: “Marcelo essas mensagens são suas? Não está parecendo seu estilo. Checa teu celular aí”.

E ele respondeu: “Hacker aqui. Adiantando alguns assuntos que vocês terão de lidar na semana, nada contra vocês que estão aqui, mas ninguém melhor que eu para ter acesso a tudo né.”

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LEIA A NOTA DA FORÇA-TAREFA DO MPF NA ÍNTEGRA:

“A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná vem a público informar que as investidas criminosas contra celulares de autoridades de diferentes instituições da República continuam a ocorrer com o claro objetivo de atacar a operação Lava Jato.

Mais uma vez, na noite da última terça-feira (11), um hacker passando-se por um integrante do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), cuja identidade virtual havia sequestrado, entabulou conversas com outras autoridades e ainda em grupos de aplicativos de trocas de mensagens eletrônicas. Distorcendo fatos, o hacker enviou mensagens com o objetivo claro de desacreditar a imagem de integrantes da força-tarefa, estimulando ainda que seu interlocutor as compartilhasse com o viés de “queimar a imagem” dos integrantes do MPF.

A divulgação de supostos diálogos obtidos por meio absolutamente ilícito, agravada por esse contexto de sequestro de contas virtuais, torna impossível aferir se houve edições, alterações, acréscimos ou supressões no material alegadamente obtido. Além disso, diálogos inteiros podem ter sido forjados pelo hacker ao se passar por autoridades e seus interlocutores. Uma informação conseguida por um hackeamento traz consigo dúvidas inafastáveis quanto à sua autenticidade, o que inevitavelmente também dará vazão à divulgação de fake news.

Após a divulgação do primeiro comunicado da força-tarefa na noite do último domingo (9), também há notícia de ataques a jornalistas, a integrantes do Poder Executivo e do Poder Judiciário e a conselheiros do CNMP. Os relatos dos fatos foram incluídos nas investigações em curso, e a força-tarefa, em virtude da continuidade dos ataques, redobrou as cautelas de segurança.

O ataque em grande escala, em plena continuidade, envolvendo integrantes do Ministério Público, Poder Judiciário, Poder Executivo e imprensa, revela uma ação hostil, complexa e ordenada, típica de organização criminosa, agindo contra as instituições da República. É necessário não apenas identificar e responsabilizar o hacker, mas também os mandantes e aqueles que objetivam se beneficiar desses crimes a partir de uma ação orquestrada contra a operação Lava Jato.”

Ataque a Moro e Dallagnol é parte de um esquema maior contra a Lava Jato

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Charge do Bonifácio (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

A comprovação pelas investigações da Policia Federal de que o episódio da captação ilegal dos diálogos do então juiz Sergio Moro com o chefe dos Procuradores de Curitiba, Deltan Dallagnol, é apenas parte de uma ação coordenada contra a Lava Jato, atingindo membros do Poder Judiciário em diversos graus, deu nova conotação política ao episódio.

Silvio Meira, um dos maiores especialistas em tecnologia da informação e professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco, diz que “ninguém fez isso sozinho, não aconteceu por acaso, tem um desenho por trás. Havia gente que estava explicitamente dedicada, gastando imaginação, competência técnica, tempo e dinheiro para chegar a essa informação”.

INDAGAÇÃO – Abel Gomes, desembargador do TRF-2 que julgou casos da Lava-Jato no Rio, colocou o dedo na ferida: “Por que os hackers têm mirado apenas autoridades que deram decisões desfavoráveis aos investigados da Lava-Jato?”.

Também a juíza Grabriela Hardt, substituta de Moro durante um período, foi hackeada e denunciou que essa manobra ilegal contra membros do Judiciário é um atentado à segurança do Estado brasileiro.

Para SilvIo Meira, o Telegram, que passou a ser muito usado no Brasil depois que o WhattsApp ficou fora do ar por questões judiciais, pode ser seguro se as mensagens são criptografadas, “mas o usuário tem que habilitar seu celular para isso. Se não o fizer, as mensagens ficam abertas e, consequentemente, fáceis de serem lidas”.

EMPRESA RUSSA – Também a origem da empresa é um mistério. Telegram é o nome de uma empresa russa dos irmãos Durov, os criadores do Facebook russo, o VKontacte, conhecido como VK. Numa operação que até hoje não foi explicada em detalhes, venderam ou foram forçados a vender o VK a outro grupo digital russa. Saíram da Rússia logo depois, foram para Berlim, de onde também saíram reclamando que as autoridades alemãs não deram visto de trabalho para seu time.

 Time que hoje ninguém sabe exatamente onde está. A empresa é tocada a partir de Dubai, e os demais funcionários estariam espalhados pelo mundo. A infraestrutura da companhia não se sabe onde está”.

 O STF deve julgar no plenário um pedido de suspensão do ex-juiz Sergio Moro, por parcialidade arguida pela defesa de Lula. Oficialmente, as conversas não estarão no julgamento, a não ser que a defesa possa pedir para incluí-las. Mas, que vão interferir, isso é claro. 

SEM ANULAÇÃO – Não creio que, se for para o plenário, seja aprovada a tese da anulação da condenação. Mesmo na Segunda Turma acho que haverá maioria para derrotar os prováveis votos dos ministros Gilmar Mendes e Lewandowski. O ex-presidente foi condenado em três instâncias, portanto, não há razão para anular todos os julgamentos em todas as instâncias.

Para o especialista em tecnologia de informação Silvio Meira, essa crise atual chama a atenção para um problema brasileiro: o de que as autoridades não têm um sistema de troca de mensagens ou telefone protegido de invasões desse tipo.

Como já escrevi aqui, utilização do twitter para suas mensagens é um hábito que Bolsonaro copia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu grande ídolo. Mas Trump só usa o Twitter oficial quando trata de ações do governo.

CASO HILLARY – Nos Estados Unidos, a utilização de meios particulares para atividade oficial já deu muita dor de cabeça a Hillary Clinton que, quando Secretária de Estado no governo Obama, dispensou o e-mail oficial(@state.gov) para usar seu email privado mesmo para assuntos de Estado.

 O caso provocou o temor de informações sigilosas do Departamento de Estado circularem em redes de caráter privado, ou estarem expostas a ataques de hackers. Parte do conteúdo era classificado como supersecreto, ou o foi mais tarde. Coube a Hillary um pedido de desculpas: “Foi um erro. Sinto e assumo a responsabilidade”.

SEGURANÇA – Legislações sobre esse tipo de utilização garantem nos Estados Unidos que não haja violação de normas de segurança institucional. Aqui houve um ataque em massa a diversos membros da Lava Jato em vários Estados, notadamente Paraná e Rio. Está sendo revelado que houve uma verdadeira conspiração contra a Lava Jato e o Judiciário.

Os diálogos que já foram revelados e os ainda a revelar podem provar – o que na minha opinião ainda não aconteceu – irregularidades praticadas dentro da Operação Lava Jato. Mas não há mais dúvidas de que esse ataque cibernético foi orquestrado justamente com o objetivo de acabar com a Lava Jato. Mas, como diz o ministro do Supremo Edson  Facchin, a Lava-Jato é uma realidade que mudou a estrutura do combate à corrupção no Brasil.