Ala militar indica para o MEC um coronel que é doutor em Engenharia Aeroespacial

4. Defendendo os Interesses dos Militares - YouTube

Gobbo Ferreira é contra as cotas que beneficiam os negros

Deu no site Brasil sem medo

O coronel José Gobbo Ferreira é hoje o principal nome cotado para assumir o Ministério da Educação no lugar de Abraham Weintraub, que deixou a pasta no último dia 19 de junho. O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, foi o principal cotado ao longo desta sexta-feira (3), mas saiu do páreo neste sábado (4).

Gobbo Ferreira está sendo visto pela ala militar como um “conciliador”, por ser militar e ter perfil conservador. Fontes do Palácio do Planalto indicam que o nome do coronel seria aprovado tanto por apoiadores do governo nas redes sociais, como por militares da alta cúpula do governo.

OUTRO CONCORRENTE – Além do coronel, o presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP), Rubens Lopes da Cruz, também está sendo cotado para a chefia do MEC, por indicação de Elizabeth Guedes, irmã do ministro da Economia, Paulo Guedes e vice-presidente da ANUP.

Ainda não há informações sobre uma eventual aceitação de Ferreira para o cargo, mas especula-se que o militar irá encontrar o presidente Jair Bolsonaro nos próximos dias.

Gobbo Ferreira é coronel do Exército, graduado em Material Bélico pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), bacharel em Engenharia Química pelo Instituto Militar de Engenharia, pós-graduado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas, mestre em Engenharia Mecânica pela Universidade, e doutor em Engenharia Aeroespacial pela Universidade de Poitiers, na França.

O militar possui curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE) da Escola Superior de Guerra (ESG), fala cinco idiomas e tem perfil conservador.

LIVRO SOBRE O PT – Atualmente é professor de economia convidado e membro permanente da Comissão de Auto-Avaliação da Escola Superior de Actividades Imobiliárias e consultor de projetos de engenharia para a empresa Deltarroba em Lisboa, Portugal.

O militar é autor do livro “Dez anos de PT e a desconstrução do Brasil”, lançado em 2013, onde faz uma vasta análise crítica sobre o governo do PT e refuta várias narrativas criadas em favor do partido. No livro, Ferreira rechaça a política de cotas criada no governo Lula II, a aliança do partido com o Foro de São Paulo, a importação de médicos cubanos via “Mais Médicos”, entre outros.

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UM NEGRO CONTRAS AS COTAS RACIAIS

 “No Brasil, o negro que não consegue ser admitido no ensino superior não o é por ser negro, mas por não estar preparado, e não se tornará qualificado e nem conseguirá se sair bem no curso superior por decreto ou pelo teor de melanina de sua pele. O problema dele está na orientação perversa que o governo está imprimindo ao ensino fundamental. Corrija-se essa etapa, universalize-se o acesso a ela e ninguém mais precisará passar pela humilhação de depender da cor de sua pele para entrar, por piedade, em uma universidade. O Autor, com muito sangue negro nas veias, se sente constrangido por esse tratamento, e o considera, isso sim, o verdadeiro racismo” –trecho do livro de Gobbo Ferreira, p. 24.

Sobre o ex-presidente Lula, o coronel escreveu: “Ele, como a maioria dos componentes de seu partido, é de um abissal despreparo intelectual e de um trato pessoal vulgar e mal educado, além de uma absoluta falta de escrúpulos. Possui, porém, uma esperteza inata e uma natural facilidade de conexão com a parcela mais humilde e despreparada da população, incapaz de perceber para onde o populismo, a demagogia e a desonestidade de propósitos a estão conduzindo. (…) Cercou-se de uma malta imbuída dos mesmos propósitos, quais sejam, de colocar em prática os ensinamentos de Antônio Gramsci para tomar de assalto definitivamente o poder e enricar-se da maneira mais desbragada e rápida possível, não se pejando de convidar para o repasto todos aqueles que possam colaborar para que esses objetivos sejam atingidos”, p. 32.

(reportagem enviada por Fernando Albuquerque Lima)

Renato Feder confirma que “recusou” convite de Bolsonaro para assumir comando do MEC

Charge do Miguel (Arquivo do Google)

Deu no G1

O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, publicou mensagem neste domingo, dia 5, na qual afirma ter recusado convite do presidente Jair Bolsonaro para ser o novo ministro da Educação. Neste sábado, dia 4, a colunista do G1 e da GloboNews Ana Flor informou que Bolsonaro havia segurado a indicação de Feder após repercussão negativa que o nome teve entre apoiadores de grupos ideológicos e evangélicos.

“Recebi na noite da última quinta-feira uma ligação do presidente Jair Bolsonaro me convidando para ser ministro da Educação. Fiquei muito honrado com o convite, que coroa o bom trabalho feito por 90 mil profissionais da Educação do Paraná. Agradeço ao presidente Jair Bolsonaro, por quem tenho grande apreço, mas declino do convite recebido. Sigo com o projeto no Paraná, desejo sorte ao presidente e uma boa gestão no Ministério da Educação”, escreveu Feder em uma rede social.

 

BUSCA CONTINUA – Neste domingo, segundo a colunista Ana Flor, o presidente Jair Bolsonaro, diante das críticas ao nome de Feder, decidiu procurar outra pessoa para o Ministério da Educação. Procurada pela TV Globo, a assessoria do Palácio do Planalto disse que não vai comentar as declarações de Renato Feder.

Atual secretário de Educação do Paraná, Renato Feder era um dos cotados para o MEC quando o ex-ministro Abraham Weintraub deixou o governo, no fim de junho. Mas Bolsonaro acabou escolhendo o professor Carlos Alberto Decotelli, que saiu do governo antes mesmo de tomar posse, em razão da descoberta de informações falsas em seu currículo.

CENTRÃO – Feder é formado em Administração, tem mestrado em Economia e já dirigiu escolas. Contando com Decotelli, Feder seria o quarto ministro da Educação no governo Bolsonaro. De acordo com a colunista do G1 e da GloboNews Andreia Sadi, assessores de Bolsonaro avaliavam que a nomeação de Feder poderia agradar o Centrão. 

Isso porque, o governador do Paraná, Ratinho Jr., um dos principais aliados de Feder, é do PSD. A sigla faz parte do grupo de partidos que se aproximou do presidente nos últimos meses. O PSD é comandado pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e integrou os governos Dilma Rousseff (2011-2016), Michel Temer (2016-2018) e, agora, também apoia o governo Bolsonaro.

RESISTÊNCIA – Segundo a colunista Ana Flor, as resistências a Feder vêm do fato de ele ter trabalhado no governo tucano de São Paulo, mesmo que por pouco tempo, e por ter doado recursos para a campanha à prefeitura de São Paulo de João Doria, atual governador do Estado. Além disso, Feder é considerado pouco alinhado a grupos evangélicos.

O secretário de Educação do Paraná ainda desagrada à ala ideológica do governo, que se reúne em torno das ideias de Olavo de Carvalho. O escritor apadrinhou tanto a escolha de Ricardo Vélez Rodríguez quanto a de Abraham Weintraub, ex-ministros da Educação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Evidentemente, Feder não recusou o cargo. Foi, sim, recusado, pelos “apoiadores” do Planalto. O atual impasse comprova que a tão propagada mudança anunciada durante a campanha eleitoral ficou somente na promessa. Nada mudou. As escolhas continuam pautadas pelo toma lá dá cá, e pastas importantíssimas, a exemplo da Educação, serão comandadas não pelos mais qualificados, e sim pelos que mais se alinham aos interesses políticos dos apoiadores de Bolsonaro que, há muito tempo, perdeu o controle deste navio. Rendido, só torce para ter aliados na hora em que se deparar com os pedidos de impeachment. E, para isso, cargos são moedas de trocas importantíssimas para amenizar a sede de poder dos “amigos”. (Marcelo Copelli) 

José de Abreu é condenado a indenizar hospital por fake news em caso de atentado a Bolsonaro

Abreu disse que ataque contou com a conivência do hospital

Deu no O Tempo

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reafirmou a decisão de primeira instância que condenou o ator José de Abreu a indenizar, em R$ 20 mil, o Hospital Albert Einstein por causa de uma postagem do ator em sua rede social que continha “fake News”.

A publicação era referente ao atentado sofrido pelo então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG), durante a campanha presidencial de 2018. A decisão foi da 3º Câmara de Direito Privado do TJSP e publicada neste sábado, dia 4.

PUBLICAÇÃO – Abreu publicou em sua conta no Twitter um comentário em que dizia que o ataque sofrido por Bolsonaro foi obra do serviço de inteligência de Israel e contou com a conivência do hospital. “Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad [serviço secreto de Israel], com apoio do Hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM [primeiro-ministro] israelense, o fascista matador e corruptor Bibi [Benjamin Netanyahu]”, publicou o ator no dia 1º de janeiro do ano passado.

José de Abreu apagou a postagem após repercussão negativa, mas a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein, por meio de seus advogados, entrou com um pedido de indenização por danos morais.

No julgamento de 1ª Instância, a juíza Claudia Carneiro Calbucci Renaux, da 7ª Vara Cível de São Paulo, considerou que ele “não se limitou a mera crítica em relação ao atual cenário político, mas fez verdadeira afirmação quanto à existência de um conluio entre o governo de Israel, a igreja evangélica e o hospital com o propósito de cometer ato criminoso”. Os advogados do ator recorreu da decisão, mas o TJ-SP manteve a decisão.O ator ainda não se posicionou sobre a condenação.

Resistência ao nome de Feder por apoiadores de Bolsonaro emperram definição para o MEC

Feder trabalhou com tucanos e é tido pouco alinhado aos evangélicos

Ana Flor
G1

Depois de convidar o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, para ser ministro da Educação, o presidente Jair Bolsonaro decidiu segurar o anúncio em razão da repercussão negativa que o nome teve entre apoiadores de grupos ideológicos e evangélicos.

Bolsonaro telefonou para Feder na última quinta-feira, dia 2, e havia inclusive a expectativa de que o secretário viesse a Brasília já nesta segunda-feira, dia 6, segundo assessores próximos do presidente. Feder já havia sido cotado para chefiar o Ministério da Educação há pouco mais de uma semana, mas Bolsonaro acabou optando por Carlos Alberto Decotelli, que ficou apenas cinco dias nomeado e não chegou a tomar posse no cargo de ministro.

RESISTÊNCIAS – As resistências a Feder vêm do fato de ele ter trabalhado no governo tucano de São Paulo, mesmo que por pouco tempo, e por ele ter doado recursos para a campanha à prefeitura de São Paulo de João Doria, atual governador do Estado. Além disso, Feder é considerado pouco alinhado a grupos evangélicos.

Ele ainda desagrada à ala ideológica do governo, que se reúne em torno das ideias de Olavo de Carvalho. O escritor apadrinhou tanto a escolha de Ricardo Vélez Rodríguez quanto a de Abraham Weintraub, ex-ministros da Educação. A quem o acompanhou na viagem a Santa Catarina neste sábado, dia 4, Bolsonaro afirmou que a escolha do novo ministro ainda não está feita.

Sem reajuste há seis anos, servidores da Justiça estadual contestam dados oficiais

TRIBUNA DA INTERNET | Legado de Temer: servidor federal não terá ...

Charge do Bier (Arquivo Google)

Deu no Sind-Justiça-RJ

A diretoria do Sindjustiça-RJ informa que algumas matérias na imprensa estadual têm divulgado informações sobre o Regime de Recuperação Fiscal do Rio de Janeiro (RRF), afirmando que os aumentos de auxílios “alimentação, educação e saúde” causariam impacto de mais de R$ 170 milhões.

Se há algum reajuste que impacta no orçamento do Judiciário fluminense, ele não é dos benefícios dos serventuários. O único que pode ter sofrido alteração é a contrapartida financeira que o TJ-RJ dá à empresa concessionária do plano de saúde, que implementou reajuste recente após negociação efetuada pela administração. Mas nem de longe os impactos financeira seriam próximos aos números apresentados.

PEDIDO DE INFORMAÇÕES – O Sindjustiça-RJ já havia protocolado pedido de informações sobre o reajuste dos benefícios, mas até o momento, não recebeu nenhuma resposta.

Enquanto isso, não se sabe se por desinformação ou por outros interesses, jornais e apresentadores de rádio e televisão estão dizendo que tais benefícios são, de uma maneira genérica, dos “servidores do Judiciário do Rio”. Esta confusão, premeditada ou fruto da falta de apuração mais precisa, só serve para jogar a população contra uma categoria que convive com a falta de reposição salarial desde 2014 (com defasagem acumulada superior a 30%) e acaba sendo usada para impedir o avanço das dessas reivindicações.

Ao misturar as duas categorias (magistrados e serventuários) como se fossem uma coisa só, os veículos de imprensa prestam um desserviço aos serventuários que, embora sejam a imensa maioria da força de trabalho do Judiciário, não fazem parte da “elite” do funcionalismo, como alguns apresentadores chegaram a inferir.

MAU COMPORTAMENTO – Esse tipo de comportamento irresponsável de parte da mídia, que deveria ter mais zelo com as informações (o que se espera que seja um princípio), colabora para seu próprio descrédito e permite que políticos se aproveitem para desacreditá-la.

Ao final, isso só ajuda aqueles que querem o fim dos serviços públicos, o que deixaria a imensa maioria da população desassistida.

Assim, também é importante esclarecer que não há dotação orçamentária no duodécimo (orçamento repassado pelo Executivo) para esses benefícios pagos pelo TJ-RJ, pois eles vêm do Fundo Especial do Tribunal de Justiça (FETJ), portanto, recursos próprios (sem impacto no orçamento do governo estadual) e não devem fazer parte do escopo do RRF.

                                            (Matéria enviada por Paulo Peres)

Investigados pelo STF, canais bolsonaristas no YouTube faturaram R$ 647 mil

Google to pay $170 million to settle charges it violated kids ...Camila Matoso
Folha

Levantamento da consultoria Quaest estima que 12 canais bolsonaristas de YouTube, investigados no STF no inquérito dos atos antidemocráticos, faturaram ao menos R$ 647 mil nos últimos três meses com a ferramenta de monetização de anúncios da plataforma. A estimativa leva em conta o dólar a R$ 5,45 e as métricas informadas pelo próprio YouTube. No topo de faturamento estão os canais Foco do Brasil e Folha Política, que arrecadaram R$ 196 mil e R$ 164 mil respectivamente.

OUTROS YOUTUBERS – Os canais “O Giro de Notícias” e “Terça Livre” aparecem na sequência, com ganhos estimados em R$ 95 mil e R$ 64 mil só no YouTube. Presa em operação da PF relacionada à investigação, Sara Winter faturou R$ 4.400 no período. O jornalista Oswaldo Eustáquio, que segue preso, levou R$ 13,5 mil.

O inquérito mira participantes de atos em apoio à intervenção militar e busca rastrear como os grupos se financiam para propagar ideias antidemocráticas.

“O financiamento da política está sendo feito com a construção de conteúdos”, diz o cientista político Felipe Nunes, professor da UFMG e diretor da consultoria Quaest.

APURAÇÃO SIGILOSA  -Em nota, o YouTube diz que não comentará a investigação, que está sob sigilo. Sobre a publicação de manifestações antidemocráticas, diz ser uma plataforma de vídeo aberta, na qual qualquer conteúdo está sujeito a revisão de acordo com as diretrizes da comunidade.

“Quando não há violação à política de uso do produto, a decisão final sobre a necessidade de remoção do conteúdo cabe ao oder Judiciário, de acordo com o que estabelece o Marco Civil da Internet”, completa.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-ES) diz que o projeto de lei das fake news, do qual é um dos autores, tratará disso apenas indiretamente em um primeiro momento. “A exigência de transparência total sobre patrocínios ajuda a desarticular as redes, mas vamos precisar debater conteúdo no futuro”, afirma.

SEM CONSENSO – O senador diz que não houve consenso sobre a inclusão do tema no PL porque receberam reclamações da direita e da esquerda sobre possível viés ideológico ou interesse comercial na checagem. “E não aceitamos a criação de mecanismo estatal de verificação dos fatos”, completa.

“Bolsonaro veste a carapuça ao se opor ao projeto que quer identificar a origem das fakenews: quer deixar ativo o gabinete do ódio”, diz o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), sobre a declaração de Bolsonaro de que poderá vetar o projeto de lei que tramita na Câmara

(Com Mariana Carneiro e Guilherme Seto)

Integralismo foi uma ponte que uniu o nazismo de Hitler aos extremistas da direita

Livro de doutor em história revela que Plínio Salgado espionou ...

O deputado paulista Plínio Salgado foi o líder do integralismo no país

Pedro do Coutto

O Integralismo que surgiu no Brasil na década de 30 e que na realidade terminou em 1938, com o frustrado ataque ao Palácio Guanabara com objetivo de matar o presidente Getúlio Vargas, representou a ponte entre o nazismo de Hitler e a posição ideológica dos extremistas da direita no Brasil. O tema integralismo foi abordado por Ancelmo Goes, no espaço que brilhantemente ocupa em O Globo, edição de 04/07.

Os nazistas usavam camisas negras com a suástica nas mangas e sua saudação era “Heil, Hitler!”. O integralismo de Plínio Salgado ostentava camisas verdes e um sigma nas mangas. Sua saudação de braço levantado, como os nazistas, era a palavra “Anauê” da cultura indígena.

ELOGIO DE GOEBBELS – Em novembro de 1937 Goebbels enviou mensagem a Vargas, já então ditador, congratulando-se com a decretação do Estado Novo dia 10 de novembro, quando fechou o Congresso e passou a governar por Decretos-Lei. A tortura passou a ser praticada. Getúlio Vargas não respondeu a Goebbels, mas se comprometeu com Plínio Salgado a nomeá-lo Ministro da Educação. Plínio Salgado programou um desfile de integralistas na Rua Pinheiro Machado, passando em frente ao Palácio Guanabara. Além de sede do governo, residência da família Vargas.

Logo após o desfile. Vargas determinou ao temível chefe de polícia Filinto Muller que iniciasse a prisão dos principais líderes da ação integralista, pois o serviço secreto identificara vários nomes. Sentindo-se traído, Plínio Salgado organizou um atentado terrorista contra Vargas através de invasão ao Palácio Guanabara. O ataque esperaria o tenente Júlio Nascimento, integralista, estar em serviço comandando a guarda do Palácio. Ele facilitaria a entrada dos terroristas nos jardins e depois ao segundo andar durante a noite.

DEU TUDO ERRADO – Acontece que Júlio Nascimento foi envolvido pelo medo e não apareceu para comandar a guarda. Foi substituído pelo capitão Maurício Kices, que não sabia de nada e comandou firmemente a resistência. O episódio é narrado pelo jovem historiador Daniel Mata Roque que pesquisou bem o episódio. A resistência de Kices foi fundamental e deu tempo para que chegasse o general Leite de Castro que cercou o Palácio com acesso facilitado pelo Fluminense Futebol Clube.

Plínio Salgado conseguiu chegar a uma corveta portuguesa ancorada na Baia de Guanabara. O governo de Portugal lhe concedeu asilo. Depois da anistia de abril de 45, Plínio Salgado criou o Partido de Representação Popular e foi eleito deputado federal.

GUERRA AO NAZIFASCISMO – A substituição de Nascimento por Kices impediu um corte abrupto na história de nosso país. Naquele tempo, intelectuais como Gustavo Barroso, Miguel Reale, Santiago Dantas, D. Helder Câmara e Alceu de Amoroso Lima eram adeptos daquela doutrina. Romperam quando o Brasil declarou guerra a Alemanha de Hitler e à Itália de Mussolini. O Brasil foi o único país da América do Sul a declarar guerra ao nazifascismo.

Vinte navios mercantes brasileiros, a partir do Baependi foram torpedeados por submarinos alemães. Em maio de 42 uma passeata da UNE acabou acarretando a queda de Filinto Muller da chefia de polícia. Filinto vetou a passeata. O presidente da UNE era Hélio de Almeida, mais tarde presidente do Clube de Engenharia e Ministro dos Transportes do governo João Goulart. Hélio de Almeida não se conformou com o veto e resolveu recorrer ao Ministro da Justiça, mas Francisco Campos havia sido demitido na véspera por Vargas. O ministro interino era o diplomata Vasco Leitão da Cunha que autorizou a passeata.

CARTA DE DEMISSÃO – Filinto Muller foi ao Guanabara e entregou sua carta de demissão. Getúlio Vargas aceitou na hora e os estudantes tomaram as ruas do centro do Rio.

Cito o episódio para acentuar que Filinto não permaneceu no governo até a deposição de Vargas a 29 de outubro de 45.

Outra informação. Plínio Salgado concorreu a presidência da República nas eleições de 1955. Teve 10% dos votos.

Netos de Luiz Gonzaga criticam uso de música em transmissão de Bolsonaro

Letra de ‘Riacho do navio’ foi alterada em transmissão

Deu na Folha

Netos do cantor e compositor Luiz Gonzaga publicaram um texto em suas redes sociais criticando o uso de uma das músicas do artista durante uma transmissão ao vivo do presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira, dia 2.

“Não estamos de acordo com o uso da canção ‘Riacho do Navio’, nem sua alteração, nem sua execução (com duplo sentido) pelo senhor Gilson Machado Neto, presidente da Embratur, em transmissão ao vivo pelo senhor presidente”, diz o texto reproduzido por Amora Pêra, Daniel Gonzaga e Nanan Gonzaga em suas redes sociais.

NOTA DE NOJO – “Diante da impotência e da impossibilidade de processo por propaganda indevida, por dupla apropriação, da canção de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e do projeto do Rio São Francisco; nós, filhos de Luiz Gonzaga do Nascimento Jr, netos de Luiz Gonzaga, o Gonzagão, apresentamos uma Nota de Nojo diante deste governo mortal e suas lives. Governo que faz todos os gestos ao seu alcance para confundir e colocar em risco a população do Brasil, enquanto protege a si mesmo e aos seus”, afirma a publicação.

Amora, Daniel e Nanan são filhos de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, e também são cantores. No texto, os artistas declaram que não autorizam o governo federal a usar canções assinadas por pessoas da família.

“RIACHO DO NAVIO” – Na quinta-feira, durante uma de suas habituais transmissões ao vivo em redes sociais, Bolsonaro recebeu o presidente da Embratur, que tocou, com o acordeão, “Riacho do Navio”, canção de Gonzaga e Zé Dantas que faz referência ao rio São Francisco.

A letra original de “Riacho do navio” diz: “Riacho do Navio / corre pro Pajeú / O rio Pajeú vai despejar / no São Francisco / O rio São Francisco / vai bater no meio do mar”. Na live de Bolsonaro a letra aparece reformulada, com o título “Riacho do navio que agora vai para o Ceará”, como avisa Machado Neto.

ALTERAÇÕES – Alguns versos são alterados, e passam a incluir referências ao estado nordestino e à Bolsonaro: “Riacho do Navio / corre pro Pajeú / O rio Pajeú vai despejar / no São Francisco / O rio São Francisco / agora vai pro Ceará / Presidente Bolsonaro levou rio pro Ceará” .

Durante a transmissão, um dos assuntos abordados pelo presidente e seus convidados foi a inauguração de mais um trecho das obras de transposição do rio São Francisco no Ceará. No fim de junho, Bolsonaro havia participado pessoalmente da inauguração, sem a presença de governadores, prefeitos e senadores nordestinos.

 

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NOTA DE NOJO Diante da impotência e da impossibilidade de processo por propaganda indevida, por dupla apropriação, da canção de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e do projeto do Rio São Francisco; nós, filhos de Luiz Gonzaga do Nascimento Jr, netos de Luiz Gonzaga, o Gonzagão, apresentamos uma NOTA DE NOJO diante deste governo mortal e suas lives. Governo que faz todos os gestos ao seu alcance para confundir e colocar em risco a população do Brasil, enquanto protege a si mesmo e aos seus. Não estamos de acordo com o uso da canção Riacho do Navio, nem sua alteração, nem sua execução (com duplo sentido) pelo Senhor Gilson Machado Neto, presidente da Embratur, em transmissão ao vivo pelo Senhor Presidente. E, AINDA QUE SIMBOLICAMENTE, não autorizamos ao Governo Federal o uso das canções assinadas por nenhum de nossos familiares, ou suas respectivas partes. Sonhamos com o dia em que nosso país volte a ser e a ter respeito e honestidade em relação à sua história, suas injustiças e desequilibrios. Sonhamos o dia em que se volte a reconhecer, dentro do país, a importância da Cultura, das artes Brasileiras, e seu imenso legado por gerações, assim como o é em todo o mundo. Sonhamos com o dia em que a informação e o conhecimento sejam distribuidos democraticamente à todes, para, apenas recomeçar, sanarmos essa doença que não faz distinção, além da social, como costuma ser na nossa violenta história. E depois, para que o poder e o espaço, em toda instância, possa ser equalizado e distribuido. Sonhamos dias sem mortos pela violência do Estado, seja ela direta ou indireta. Finalmente; sonhamos com quando poderemos dançar e cantar abraçados, sem medo, nos bailes de forró. Trabalhamos todos os dias por realizar estes sonhos, que não são apenas por nós, mas por todas as gentes deste país. Por hora, trabalhamos em casa, cumprindo as indicações internacionais da Organização Mundial de Saúde e pedimos que, todos que possam, também o façam. Amora P. Gonzaga do Nascimento Nanan Gonzaga Daniel Gonzaga

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Bolsonaro parabeniza EUA por dia da independência e enaltece discurso de Trump: “Belíssimo e corajoso”

Charge do Amarildo (amarlido.com.br)

Deu no Estadão

O presidente Jair Bolsonaro parabenizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o povo americano pelo aniversário de independência do país. Em publicação no Twitter neste sábado, dia 4, Bolsonaro ainda elogiou o discurso de Trump da última quarta-feira, dia 3, no qual o mandatário criticou os protestos antirracistas.

“Gostaria de parabenizar o Presidente @realDonaldTrump e o povo dos EUA pelo 244º aniversário de sua Independência. Como líderes das duas maiores democracias ocidentais, trabalhamos para avançar os ideais de liberdade, democracia e dignidade humana que esta data representa”, postou o Bolsonaro, que mais cedo participou de um almoço na residência do embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, para comemorar a data.

“GRANDE ESTADISTA” – O presidente aproveitou ainda para cumprimentar Trump “pelo belíssimo e corajoso discurso do dia de ontem”. “Palavras de um grande estadista. Que o legado e os valores dos fundadores dessa grande nação permaneçam sólidos e jamais sejam apagados por radicais.”

As postagens foram feitas em português e inglês.Na véspera do 4 de julho, dia da Independência dos EUA, Trump fez um discurso durante evento no Monte Rushmore, na Dakota do Sul, e fez um apelo direto aos eleitores que estão descontentes, acusando os manifestantes que participaram do movimento racial no último mês de se envolverem em uma “campanha impiedosa para acabar com a nossa história”.

O presidente norte-americano comentou ainda o fato de alguns manifestantes terem atingido monumentos e estátuas em todo o país, com a justificativa de que eram homenagens aos que se beneficiaram com a escravidão. Segundo Trump, os manifestantes estavam tentando apagar a história dos EUA. “Não se enganem, esta revolução cultural de esquerda foi projetada para derrubar a revolução americana”, disse. 

ALMOÇO – Bolsonaro repetiu o gesto feito no ano passado e participou, neste sábado, de uma comemoração pelo aniversário da independência dos Estados Unidos. Recebido pelo embaixador americano no Brasil, Todd Chapman, na residência do diplomata, no Lago Sul, em Brasília, o presidente chegou por volta das 13h e permaneceu no local por cerca de duas horas.

A comemoração ocorreu em meio à pandemia de covid-19, apesar de ser um evento mais restrito que o do ano anterior, quando Bolsonaro participou de um coquetel na sede da embaixada dos EUA para celebrar a data.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, alvo de pressão no Palácio do Planalto para sua substituição, conforme o Estadão/Broadcast Político revelou, estava presente ao almoço. Também participaram os ministros da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos; da Defesa, Fernando Azevedo e Silva; da Casa Civil, Braga Netto; e o Secretário Especial de Assuntos Estratégicos, Flávio Rocha, além do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O adido de Defesa dos EUA, Lorenzo Harris, também participou do evento.

Piada do Ano! Governo cogita recriar TV Brasil Internacional para contornar crise de credibilidade no exterior

Bolsonaro diz que quer desfazer ‘opiniões distorcidas’

Jussara Soares e Tânia Monteiro
Estadão

Com a imagem do Brasil desgastada no exterior pela política ambiental e por passos em falso no enfrentamento à pandemia do coronavírus, o governo Jair Bolsonaro planeja recriar a TV Brasil Internacional. A programação do canal será voltada ao público estrangeiro no momento em que o País enfrenta uma crise de credibilidade que ultrapassa a fronteira doméstica.

Uma das ideias do ministro das Comunicações, Fábio Faria, é tornar disponível o conteúdo da TV Brasil Internacional pelo serviço de streaming, para ser acessado por smartphones, tablets e televisões ligados à internet, além de usar programas já realizados pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

“OPINIÕES DISTORCIDAS” – As críticas da imprensa e organismos estrangeiros incomodam o governo, para quem as notícias não correspondem à realidade. No encontro da Cúpula do Mercosul, realizado na quinta-feira, dia 2, por videoconferência, Bolsonaro afirmou que buscará um esforço para “desfazer opiniões distorcidas” sobre a política ambiental do Brasil no exterior.

A proposta de usar o streaming é uma das alternativas para executar o projeto sem aumentar os custos para a emissora pública. Fábio Faria se comprometeu com o presidente Bolsonaro – que diversas vezes já defendeu a privatização da EBC – a tornar o conglomerado de emissoras de TV, rádio e agência de notícias mais eficiente.

PRIVATIZAÇÃO – Embora a EBC esteja na lista das empresas que devem ser privatizadas, a venda não ocorrerá agora porque, antes, será necessário “enxugar” a companhia. A preocupação do Palácio do Planalto com o impacto das turbulências no exterior tem aumentado por motivos bem pragmáticos.

Recentemente, por exemplo, um grupo de 29 instituições financeiras internacionais fez um alerta ao governo brasileiro sobre os riscos de saída dos investimentos do País, após a constatação de falhas no combate ao desmatamento. Com fundos de aproximadamente US$ 3,7 trilhões, o grupo exigiu que o Brasil barrasse o desmatamento, que assume proporções cada vez maiores.

RESPOSTA – O governo prepara agora uma resposta direta aos bancos, como mostrou o Estadão, detalhando dados das áreas do Meio Ambiente, Agricultura, Defesa, Justiça e Itamaraty. Sob pressão, o Palácio do Planalto também pediu ao chanceler Ernesto Araújo uma prestação de contas da política externa brasileira, com relatório de gestão de todas as representações diplomáticas.

Araújo e o titular do Meio Ambiente, Ricardo Salles, estão no centro de um tiroteio que envolve a imagem do Brasil no exterior. Os dois ministros são considerados problemáticos por integrantes do próprio governo e Bolsonaro tem sido aconselhado a substituí-los, como revelou o Estadão.

Na outra ponta, o enfrentamento da pandemia do coronavírus também pôs o Brasil no rumo das críticas estrangeiras. Com mais de 61 mil mortes e quase 1,5 milhão de casos confirmados, o País teve dois titulares da Saúde demitidos durante a crise e a pasta continua sob comando de um ministro interino, o general Eduardo Pazuello.

CRÍTICA – A alta comissária das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, criticou o Brasil e outros países que negam o contágio viral, na última terça-feira, sob o argumento de que isso pode ampliar a crise sanitária.

O jornal americano The New York Times, por sua vez, dedicou o seu podcast de quinta à discussão sobre o que deu errado na condução da pandemia no Brasil, o segundo país em número de mortes e casos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É Piada do Ano. Se aqui no Brasil a TV estatal tem audiência zero, o que esperar de sua “versão” internacional? É o dinheiro público saindo pelo bueiro… (C.N.)

Maia acusa plataformas de evitarem debate sobre fake news: “Vivem exatamente desse radicalismo”

Charge do Brum (tribunadonorte.com.br)

Matheus Teixeira
Folha

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou neste sábado, dia 4, que é necessário votar o projeto de lei das fake news e acusou as plataformas das redes sociais de viveram do radicalismo e de evitarem o debate sobre o tema. Maia ressaltou que o Legislativo precisa aprovar um texto que permita identificar e punir os financiadores das estruturas de disseminação de notícias falsas.

O Senado aprovou o PL das fake news na última terça-feira, dia 30, e, agora, a Câmara irá se debruçar sobre o assunto. Maia já avisou a interlocutores que o tema está entre suas prioridades, enquanto aliados do presidente Jair Bolsonaro lançam uma ofensiva contra o texto.Neste sábado, o presidente da Câmara argumentou que todos devem ser responsabilizados por seus atos.

RADICALISMO – “As plataformas digitais não querem esse debate, elas vivem exatamente desse radicalismo. Um telejornal bota a notícia que quiser e vai responder por ela, qualquer um de nós responde por nossos atos, e as plataformas por onde passam milhões de informações que viralizam ninguém quer ter ter responsabilidade.”

Maia, no entanto, divergiu da ideia de que as fake news tiveram papel preponderante na vitória de Bolsonaro em 2018. Segundo ele, o atual chefe do Executivo não passaria de 20% dos votos, mas dois fatores levaram a sua eleição: a facada e o crescimento meteórico de Fernando Haddad (PT), que teria unido o campo da centro-direita.

O presidente da Câmara também fez críticas à Lava Jato. Para ele, a afirmação do coordenador da força-tarefa da operação, Deltan Dallagnol, de que o governo tenta enfraquecer a Lava Jato por medo de eventual candidatura do ex-juiz Sergio Moro em 2022 comprovou a tese de que pertencem a um movimento partidário. A declaração do procurador foi dada à CNN Brasil.

SUBPRODUTO  – Para Maia, esse grupo não desejava eleger Bolsonaro, mas se viu obrigado a apoiá-lo. “Acho que Bolsonaro foi subproduto do lavajatismo, ele não foi patrocinador do lavajatismo. Com o lavajatismo sem candidato, aquele campo foi construído acabou obrigado a agregar nele porque outros candidatos com chance eram Ciro, Geraldo e Haddad”, disse.

Questionado sobre os pedidos de abertura de processo de impeachment que estão em sua mesa, Maia deu a entender que este não seria o momento adequado para tomar essa decisão. “Acho que nesse momento meu papel é organizar o debate, construir as soluções ouvindo o Executivo e respeitando o Judiciário para superar esse momento”, afirmou.

Maia se disse a principal vítima da rede de notícias falsas da internet e que chegou a ser alertado pelo presidente do DEM, ACM Neto, sobre o risco de sair às ruas no Carnaval por causa da rejeição que havia angariado nas redes sociais devido às fake news.

ROBÔS – “O debate tem que ser feito nessa ótica, de um sistema onde se usa informações falsas com capacidade de viralizar e chegar às pessoas muito rápido. Hoje a estrutura de robôs contaminam em um dia milhões de pessoas.” A afirmação ocorreu em uma videoconferência sobre fake news e a agenda legislativa organizada pelo grupo Prerrogativas, que reúne diversos advogados.

Os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Orlando Silva (PCdoB-SP), a desembargadora aposentada Kenarik Boujikian e os advogados Antônio Carlos de Almeida Castro e Marco Aurélio de Carvalho também participaram do encontro virtual.

DESMONTE – Maia afirmou que desde o início do governo de Jair Bolsonaro o Brasil vivia “um desmonte do aparelho de assistência social” e que a pandemia do novo coronavírus chamou a atenção para esse tema.

Para o presidente da Câmara, as consequências da doença devem dar a oportunidade de o Legislativo “sair exclusivamente da pauta das reformas econômicas” porque suscitaram a necessidade de discutir questões como racismo e pobreza.

“Sem dúvida nenhuma a pandemia nos trouxe outros debates que estavam escondidos, nos trouxe para uma realidade diferente e a necessidade de discutir pautas que estavam esquecidos, como o papel do Estado brasileiro em relação aos que mais precisam”, salientou.

EXPECTATIVA –  Maia voltou a afirmar que a Câmara pode analisar em agosto a proposta de execução de pena após condenação em segunda instância, mas ressaltou que a ideia é votar a matéria quando os deputados possam estar na Casa.

“Certamente seu debate pode ser retomado em agosto, como já disse, mas é claro que a votação vai ocorrer em momento em que haja ambiente para que ao menos a maioria dos deputados possa estar presente na Câmara”, disse.

Maia afirmou que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o tema foi correta e criticou o ex-ministro da Justiça Sergio Moro por ter defendido tratar do assunto via mudança na lei penal, e não por proposta emenda à Constituição.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO – Enquanto um projeto de lei é aprovado por maioria simples, uma PEC precisa de três quintos das duas Casas —308 deputados e 49 senadores— e é votada em dois turnos, tanto na Câmara como no Senado. Maia também disse esperar que a troca de comando no Ministério da Educação viabilize o debate sobre a renovação da lei do Fundeb, principal fundo financeiro educacional do país.

O presidente da Câmara também reconheceu que a Reforma Trabalhista, aprovada sob seu comando, enfraqueceu os sindicatos e que é necessário discutir formas de financiar essas entidades.

“Precisamos construir um caminho, mas que não seja igual ao anterior, não no mesmo volume de financiamento, que acho que gerava distorção e gerou reação da sociedade através do parlamento. Não tenho dúvidas de que sindicatos precisam ter forma de financiar seu trabalho. Tenho defendido esse debate para que a gente possa de fato reorganizar o papel dos sindicatos na sociedade”, disse.

Alvos de críticas, Salles e Araújo recebem apoio e são defendidos por ministros do Planalto

Ambos são considerados problemáticos por membro do próprio governo

Deu no O Globo

Ministros com assento no Palácio do Planalto e amigos do presidente Jair Bolsonaro, Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, e Jorge Oliveira, Secretaria-Geral, saíram em defesa de Ricardo Salles, Meio Ambiente, e Ernesto Araújo, Relações Exteriores, que, recentemente, têm enfrentado críticas internas.

Os dois elogiaram os trabalhos dos ministros e indicaram as respectivas áreas de atuação como “complexas”, “importantes” e “fundamentais para que o Brasil tenha sucesso”.  Fábio Faria, das Comunicações, também publicou uma mensagem de apoio a Salles.  

CRÍTICAS – Recentemente, os dois têm recebido críticas nos bastidores de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que acreditam que Salles e Araújo são considerados problemáticos e vistos como entraves para o avanço de acordos comerciais e internacionais.

O Brasil registrou um novo aumento de queimadas na Amazônia, que em junho foi o maior observado para o mês desde 2007. Na quinta-feira, um dia após a divulgação dos números, durante reunião da cúpula dos chefes de Estado do Mercosul, Bolsonaro afirmou que o governo brasileiro busca “desfazer opiniões distorcidas” sobre a atuação do país na na proteção da floresta.

Ricardo Salles foi questionado pelo blog do Gerson Camarotti, nesta quinta-feira, se deixaria o governo e respondeu que segue “na labuta”. Ele ainda sinalizou ter apoio do presidente para continuar no cargo: “O presidente nem cogita isso ai”.

Um canção de protesto, inspirada na morte do estudante Edson Luís, em 1968

Sérgio Ricardo - Accueil | Facebook

Sérgio Ricardo compôs muitas canções de protesto

Paulo Peres

Poemas & Canções

O cineasta, artista plástico, instrumentista, cantor e compositor paulista João Lutfi, que adotou o pseudônimo de Sérgio Ricardo, afirma que a letra de “Calabouço” foi inspirada em Edson Luis, estudante assassinado por militares no Restaurante Calabouço, em 1968, no Rio de Janeiro, durante a ditadura militar que vigorava no Brasil. A música foi gravada no LP Sérgio Ricardo, em 1973, pela Continental.


CALABOUÇO

Sérgio Ricardo

Olho aberto ouvido atento
E a cabeça no lugar
Cala a boca moço, cala a boca moço
Do canto da boca escorre
Metade do meu cantar
Cala a boca moço, cala a boca moço
Eis o lixo do meu canto
Que é permitido escutar
Cala a boca moço. Fala!

Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia

Cerradas portas do mundo
Cala a boca moço
E decepada a canção
Cala a boca moço
Metade com sete chaves
Cala a boca moço
Nas grades do meu porão
Cala a boca moço
A outra se gangrenando
Cala a boca moço
Na chaga do meu refrão
Cala a boca moço
Cala o peito, cala o beiço
Calabouço, calabouço

Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia

Mulata mula mulambo
Milícia morte e mourão
Cala a boca moço, cala a boca moço
Onde amarro a meia espera
Cercada de assombração
Cala a boca moço, cala a boca moço
Seu meio corpo apoiado
Na muleta da canção
Cala a boca moço. Fala!

Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia

Meia dor, meia alegria
Cala a boca moço
Nem rosa nem flor, botão
Cala a boca moço
Meio pavor, meia euforia
Cala a boca moço
Meia cama, meio caixão
Cala a boca moço
Da cana caiana eu canto
Cala a boca moço
Só o bagaço da canção
Cala a boca moço
Cala o peito, cala o beiço
Calabouço, calabouço

Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia

As paredes de um inseto
Me vestem como a um cabide
Cala a boca moço, cala a boca moço
E na lama de seu corpo
Vou por onde ele decide
Cala a boca moço, cala a boca moço
Metade se esverdeando
No limbo do meu revide
Cala o boca moço. Fala!

Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia

Quem canta traz um motivo
Cala a boca moço
Que se explica no cantar
Cala a boca moço
Meu canto é filho de Aquiles
Cala a boca moço
Também tem seu calcanhar
Cala a boca moço
Por isso o verso é a bílis
Cala a boca moço
Do que eu queria explicar
Cala a boca moço
Cala o peito, cala o beiço
Calabouço, calabouço

Olha o vazio nas almas
Olha um brasileiro de alma vazia.

Ministro da Justiça mostra que o sonho de Bolsonaro interferir na PF é “ilusório”

Quem é , o novo ministro da Justiça "terrivelmente ...

André Mendonça contradiz Bolsonaro e o procurador Augusto Aras

Carlos Newton

Parece brincadeira. Se você ficar procurando algo de bom no governo Bolsonaro, dificilmente encontrará. À exceção do ministro Tarcísio de Freitas, engenheiro militar que comanda à perfeição a pasta da Infraestrutura, e do chefe da Casa Civil, general Braga Netto, que se empenha para organizar o governo, o primeiro escalão é um deserto de homens e ideias, como diria Oswaldo Aranha, um estadista de verdade, que só não chegou à Presidência da República porque Getúlio Vargas se considerava intelectualmente inferior a ele e o boicotou.

Se em 1945 Aranha tivesse governado o país no lugar de Eurico Dutra, que era uma anta fardada, hoje o Brasil seria outro e Francelino Pereira, quando presidente da Arena, não precisaria ter perguntado que país é esse.

APARECEU OUTRO – Além de Freitas e Braga, de repente apareceu outro ministro que demonstra ter um mínimo de bom senso. Por incrível que pareça, estou me referindo a André Mendonça, que estava na Advocacia-Geral da União, onde fazia um papel secundário e servil, colocando a AGU a serviço pessoal do presidente Jair Bolsonaro, ao invés de defender os interesses nacionais.

Substituto do portentoso Sérgio Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública, nesta sexta-feira, dia 3, o ministro “terrivelmente evangélico” (no dizer de Bolsonaro) mostrou que também sabe ser independente e veraz, em reportagem de Luiz Felipe Barbiéri e Gabriel Palma,  do G1.

Em uma videoconferência que discutiu as ações da pasta, Mendonça afirmou que, na opinião dele, é “ilusório” pensar que políticos tenham poder de ingerência na Polícia Federal. “Qualquer pessoa que vá fazer isso estará cometendo um suicídio jurídico-político. Elucubrar uma interferência no trabalho da PF é impensável”, afirmou, em sábias palavras.

O PAÍS MUDOU – O ministro tem razão. Desde o Mensalão e a Lava Jato, o Brasil mudou muito. É bobagem o presidente e o procurador-geral tentarem o possível e o impossível para interferirem na Polícia Federal em defesa da família e dos amigos de Bolsonaro, que estariam sofrendo “perseguição”, na visão míope e nebulosa do chefe do governo.

Em suas declarações, André Mendonça ressalvou que a independência da Polícia Federal não significa “soberania de atuação”. Por isso, ele cobra uma atuação “responsável” e “sem perseguições” do órgão.

“Essa independência e autonomia que a PF tem, ela não significa uma soberania de atuação. Eu, como Ministro da Justiça, demando uma atuação efetiva da PF. Eu cobro resultados, eu quero saber se estão fazendo operações. Quais as dificuldades estão tendo, para tentar ajudar a solucionar”, disse Mendonça.

MODO IMPARCIAL – Dando uma aula sobre o óbvio, acentuou o ministro: “O que a gente cobra: persigam o crime? Sim. Mas de modo imparcial, de modo isento, sem perseguição a grupo A ou grupo B. Que tenham uma atuação responsável”. E acrescentou: Eu não tenho que ter um punitivismo, agora eu tenho que ter uma atuação séria e efetiva, eficaz no menor tempo possível”.

As declarações de André Mendonça batem de frente contra as afirmações de Bolsonaro e do procurador Augusto Aras, que pretendem saber tudo o que a Polícia Federal e a Lava Jato estão fazendo.

Em tradução simultânea de estilo shakespeariano, há algo de podre no governo, porque o ministro da Justiça só disse o óbvio, e como todos sabem, o óbvio é algo que não admite contestação.

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P.S. –
Ao dar cobertura a atos ilegais dos filhos, o presidente da República também comporta-se como um criminoso, enquanto o procurador-geral, por seu servilismo ignóbil, torna-se cúmplice de Sua Excelência, vejam a que ponto chegarmos. (C.N.)

Queiroz terá recurso julgado pelos desembargadores que beneficiaram Flávio Bolsonaro

Daniel Carvalho e Fabrício Queiroz celebrando a passagem do ano

Fabirício Queiroz achava que jamais seria encontrado pela PF

Paulo Roberto Netto
Estadão

A defesa do ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz apresentou novo habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça do Rio para que ele seja posto em liberdade. O recurso foi movido pelo advogado Paulo Emílio Catta Preta na semana passada e ainda aguarda apreciação da 3ª Câmara Criminal – a mesma responsável por dar foro privilegiado a Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no final de junho.

Queiroz está preso desde 18 de junho no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio. Ele foi detido em Atibaia, no interior de São Paulo, na casa do ex-advogado de Flávio, Frederick Wassef, e levado à capital fluminense para cumprir preventiva por obstrução no caso das ‘rachadinhas’.

PRISÃO DOMICILIAR – A ordem de prisão partiu do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, que posteriormente perdeu a condução do caso, que passou ao Orgão Especial do Tribunal de Justiça.

Após a prisão, a defesa de Queiroz solicitou a substituição da prisão preventiva pelo regime domiciliar alegando motivos de saúde: Queiroz se recupera de um câncer. O advogado Paulo Emílio Catta Preta também questionava as justificativas do Ministério Público fluminense, afirmando que se tratava de ilações que ignoravam a contemporaneidade dos fatos.

O recurso foi distribuído à desembargadora Suimei Meira Cavalieri, que negou o pedido liminarmente. A magistrada foi vencida no julgamento que concedeu, por dois votos a um, a prerrogativa do foro privilegiado a Flávio Bolsonaro – tirando o caso Queiroz da primeira instância.

NA TERCEIRA VIA – Se o novo recurso de Queiroz tiver o mesmo destino do primeiro, o ex-assessor ainda pode ser solto em breve por uma terceira via. Isso porque, com a passagem do inquérito das rachadinhas para segunda instância, a validade das diligências determinadas até aqui, incluindo a prisão do policial da reserva, vai ser julgada pelo Tribunal de Justiça do Rio.

Caso os desembargadores entendam que o juiz de primeira instância não tinha legitimidade para determinar a preventiva, a medida poderá ser anulada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma chatice. Recurso para cá, recurso para lá, o julgamento não acaba nunca e a impunidade está sempre garantida. Até quando? A moralização da Justiça depende do Congresso. Justamente por isso, nada se pode esperar…  (C.N.)

Em reuniões com Bolsonaro, Alcolumbre e Toffoli, empresários cobram crédito e agenda de reformas

Encontros foram puxados pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf

Daniel Weterman
Estadão

Um grupo de empresários pesos-pesados do Produto Interno Bruto (PIB) nacional fez um périplo por Brasília nesta sexta-feira, dia 3, cobrando a liberação de recursos durante a pandemia de Covid-19 e a retomada de uma agenda de reformas econômicas após a crise do novo coronavírus.

Os encontros foram puxados pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf (MDB). O emedebista selou publicamente alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

AGENDA – O grupo almoçou com Bolsonaro no Palácio da Alvorada e depois teve uma agenda com os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP). No mesmo encontro, estavam Rubens Ometto (Cosan), Rubens Menin (MRV), Luiz Carlos Trabucco (Bradesco), Candido Pinheiro (HapVida), Fernando Queiroz (Minerva Foods), Carlos Alberto Oliveira (CAOA), Eugênio Mattar (Localiza), Francisco Gomes (Embraer) e Lorival Nogueira (BRF).

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também esteve no almoço. Os empresários reforçaram apoio à agenda do governo, mas pressionaram pelo destravamento de crédito durante a pandemia. O Executivo federal formulou programas para liberar financiamento às empresas e amenizar os efeitos da crise. Empreendedores, porém, relataram dificuldade para conseguir o dinheiro nos bancos.

PACIFICAÇÃO – Nos encontros, houve um discurso pela pacificação entre os Poderes diante da relação conturbada do presidente Jair Bolsonaro com o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. Nas últimas semanas, o chefe do Planalto tem feitos acenos ao STF e também negociado cargos com partidos do Centrão.

“Saímos todos leves dessas reuniões. Sentimos um clima de pacificação e harmonia entre os chefes dos três Poderes. É disso que o Brasil precisa para olhar pra frente e iniciar a reconstrução com uma agenda de reformas e futuro”, afirmou Paulo Skaf ao Broadcast Político.

Na sequência do almoço, a comitiva foi recebida por Toffoli e Alcolumbre. Nas duas audiências, os empresários defenderam a retomada de uma agenda econômica liberal após a pandemia de Covid-19, incluindo reformas paradas no Congresso, entre elas as mudanças no sistema de tributos do país.

PDT aciona STF contra veto de Bolsonaro sobre uso de máscaras em igrejas, escolas e comércio

Bolsonaro usa prerrogativa para violar direito fundamental à saúde

Fernanda Vivas, Márcio Falcão e Gustavo Garcia
G1

O PDT pediu nesta sexta-feira, dia 3, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que determine o uso obrigatório de máscaras em templos religiosos, comércio, indústria, escolas e locais fechados com reunião de pessoas. Na prática, ao apresentar a ação, o partido quer tornar sem efeito o veto do presidente Jair Bolsonaro ao projeto aprovado pelo Congresso que previa o uso obrigatório nesses locais.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o uso da máscara como uma das formas de prevenir a disseminação do coronavírus. Como o STF está em recesso, a tendência é que a ação do PDT seja analisada pelo ministro Dias Toffoli, responsável pelas decisões judiciais urgentes durante o período.

PRERROGATIVA – Para o PDT, Bolsonaro usou uma prerrogativa prevista na Constituição (poder de veto a projetos de lei) para violar o direito fundamental à saúde. “O senhor Jair Messias Bolsonaro valeu-se de uma prerrogativa constitucional, com a invocação de um direito fundamental, para violar o direito à saúde e incitar a população brasileira a descumprir as normas locais”, argumentou o PDT.

“Como autoridade máxima do Poder Executivo, o Presidente da República deve zelar pelo cumprimento de todas as normas vigentes no país, sejam elas federais, estaduais, distritais ou municipais, além de promover o bem geral do povo brasileiro”, acrescentou o partido.

A legenda argumentou ainda que há um “perigo incontestável” e que não usar máscara pode “intensificar o contágio do novo coronavírus nos rincões do país”.

Moro nega candidatura à Presidência, diz estar ‘fora do jogo político’, mas que não sairá do debate público

Moro diz que especulação sobre sua carreira política é  ‘fantasia’

Deu no Estadão

Ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro participou na tarde desta sexta-feira, dia 3, de uma live realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Questionado sobre as críticas recentes à força-tarefa da operação, o ex-magistrado assentiu que vê ataques a ‘ideias e propostas’ essenciais ao funcionamento da Lava Jato e da agenda anti-corrupção.

Moro afirmou que ainda que há falta de apoio ao trabalho dos procuradores por parte da Procuradoria Geral da República e do chefe do Ministério Público Federal (MPF), Augusto Aras. “Tenho respeito ao Augusto Aras (chefe da PGR), mas gostaria que ele refletisse mais, ele e a cúpula da Procuradoria. O meu entendimento é que ele deveria se somar a esses trabalhos das forças-tarefa da Lava Jato e de demais forças que terão que ser criadas”, defendeu. “Essa falta de apoio (de Aras às equipes) é realmente preocupante”, avaliou.

POLÊMICA – A manifestação vem após ‘diligência’ da subprocuradora-feral da República, Lindôra Araújo, braço direito de Aras, no QG da Lava Jato em Curitiba para acessar ‘banco de dados’ das investigações do escândalo Petrobras, que originou a operação, em 2014.

O ex-ministro disse ainda que acha que o presidente Jair Bolsonaro ‘errou’ ao ignorar a lista tríplice do MPF e nomear Augusto Aras.”O Procurador-geral e o MP tem que atuar com autonomia. Eu acho, e não é uma crítica ao procurador, houve um erro ao presidente não escolher da lista tríplice. É um processo que dava mais segurança. Eventualmente, algumas ações tomadas pelo procurador vão sendo questionadas que talvez não fossem se o procurador tivesse sido escolhido na lista tríplice. O que se espera é que o procurador atue de maneira autônoma, sem interferência”, disse.

ELEIÇÕES 2022 -Moro negou ainda que tenha pretensões de lançar candidatura para concorrer à presidência em 2022, classificou as especulações sobre sua carreira política como uma ‘fantasia’ e afirmou que vai se ‘inserir agora no mundo privado’. “Eu estou fora desse jogo político”, disse.

Em contrapartida, afirmou que, embora tenha saído do serviço público, não saiu do debate público. “Eu não vou me abster de falar que nós devemos ser fiéis aos nossos princípios. E, entre os princípios essenciais para a nossa democracia são o combate à corrupção e o Estado de Direito. Ambos são essencialmente importantes. Se eu sou um problema falando isso, paciência”, afirmou.

ATAQUES – Questionado sobre os ataques de petistas, em razão da Lava Jato, e de bolsonaristas, que passaram a criticá-lo após sua saída do governo, o ex-ministro afirmou que não se vê como inimigo de nenhum grupo, à direita ou à esquerda.

Moro afirmou que considera que fez seu trabalho na Lava Jato de forma correta e técnica, sem pessoalizar as sentenças, e que adotou a mesma postura ao romper com o governo. “Nunca senti satisfação pessoal em qualquer ato que imponha sofrimento a alguém, mesmo que a pessoa merecesse”, afirmou, emendando: “Da mesma maneira agora, com minha saída do governo. Eu só podia fazer aquilo. Eu vi uma interferência na polícia, fiquei na dúvida quanto ao que ia acontecer depois com a Polícia Federal e não me senti confortavel para ficar”.

ACUSAÇÕES – Moro deixou o governo no dia 24 de abril, acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência.

Aberto ainda em abril no Supremo Tribunal Federal, o inquérito que apura essas acusações foi prorrogado, na última quarta-feira, 1º, por mais 30 dias, pelo decano da Corte, o ministro Celso de Mello. O presidente deve ser ouvido em breve sobre as acusações. O ministro voltou a dizer que ‘falou a verdade’, ‘cumpriu o seu dever’ e que agora o caso está nas mãos da Justiça.

CARTA BRANCA – Recém-eleito presidente, Bolsonaro prometera, em novembro de 2018, ‘carta branca’ para Moro assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ao aceitar o convite, o então juiz abandonou 22 anos de magistratura. “Ele (Moro) vai abrir mão da carreira dele. É um soldado que está indo à guerra sem medo de morrer”, disse Bolsonaro na ocasião.

No governo, Moro acumulou reveses. O pacote anticrime formulado por ele, por exemplo, foi desidratado pelo Congresso. No começo do ano, Bolsonaro também tentou esvaziar o Ministério da Justiça, retirando de Moro a parte reservada ao combate à criminalidade, justamente uma das áreas que apresentava melhor resultado até então.

O ex-ministro continuará recebendo os R$ 31 mil mensais, pagos aos integrantes do primeiro escalão, até outubro. A remuneração a posteriori é determinada uma vez que membros da cúpula governista são proibidos de prestar serviços à iniciativa privada por um período de seis meses após sua demissão, exoneração ou aposentadoria em razão do seu conhecimento sobre informações privilegiadas.

Fux diz que fake news desvirtuam a ideia de democracia e criam “bolhas de eleitores iludidos”

Fux destacou que desinformação elege pessoas por força de fraude

Carolina Brígido
O Globo

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta sexta-feira, dia 3, que o impulsionamento de notícias falsas promovido por empresas em campanhas eleitorais gera ilusão entre os eleitores, que acabam escolhendo mal seus candidatos. Segundo Fux, as fake news nas eleições comprometem a democracia, porque colaboram para a eleição fraudulenta de políticos.

A manifestação foi feita em uma palestra virtual promovida pela Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep). “As fake news desvirtuam a ideia de democracia porque, na verdade, o governo que for eleito para o povo será representado por pessoas que foram eleitas por força de fraude”, disse, completando: “O excesso de disparos por robôs contratados por empresas de notícias falsas acaba criando bolhas de eleitores iludidos e desinformados que, através da fake news, acabam elegendo mal”.

ABUSO DO PODER ECONÔMICO – O ministro afirmou também que empresas especializadas no impulsionamento de notícias falsas não podem financiar candidatos. Para Fux, há crime de abuso do poder econômico nesse tipo de prática.”A coisa pública não pode se imiscuir na coisa privada. Se o cidadão vai ser eleito para exercer cargo público, ele não pode ser financiado por empresas que bancam, monetizam o disparo de informações falsas. Isso é abuso do poder econômico, isso é fraude, isso tem tutela no ordenamento jurídico”, afirmou.

Ainda na palestra, Fux defendeu a liberdade de expressão. Ele ponderou, no entanto, que crimes contra a honra e ataques não são inseridos nesse direito e estão sujeitos a punição.

PONDERAÇÃO – “É muito importante que a gente faça uma ponderação entre liberdade de expressão e democracia. Se nós avançarmos muito na criminalização da liberdade de expressão, nós podemos começar a derruir o Estado Democrático, que tem entre seus pilares a liberdade de imprensa. Isso aí nós conhecemos, esses processos que vão avançando e acabam transformando o país numa ditadura de informação. A minha geração teve muitas pessoas que tiveram a vida ceifada por “delitos de opinião”. Então, temos que ter uma ponderação entre liberdade de expressão e democracia”,  concluiu.

“É fundamental também ter presente que às vezes se fazem posições de repulsa à mídia. A mídia funciona dessa forma. E é fundamental num processo, digamos, plenário, nós temos sempre que ter alguém que seja um ferrinho de dentista, que fica furuncando o dente do sujeito para sentir dor. Isso faz  parte do papel da construção do consenso, inclusive num momento de catarse, momento em que possamos esvaziar o nosso ódio. Porque, sem a catarse, não se chega ao fim e ao cabo à composição e à solução”, disse Jobim.