PSDB desiste de Temer e apoia a cassação dele pelo TSE, caso não renuncie antes

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Jereissati quer evitar uma crise maior

Júnia Gama
O Globo

Diante da resistência do presidente Michel Temer em renunciar ao mandato após a crise que se instalou em seu governo com a divulgação de delação da JBS, o PSDB passou a mirar o processo de cassação da chapa presidencial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como saída mais viável para uma transição rápida e que deixe menos sequelas no país. O julgamento da chapa está previsto para o dia 06 de junho e, para evitar eventuais pedidos de vista que atrasem o processo, a cúpula tucana já se articula junto a ministros da Corte para evitar esse prolongamento.

Há, no PSDB, um sentimento generalizado de que o governo Temer chegou ao fim. A análise entre as principais lideranças do partido é de que o melhor seria que o presidente renunciasse para que seja promovida uma transição rápida e com algum grau de tranquilidade. A cúpula tucana não descarta conversar com o presidente nos próximos dias para informá-lo de que sua situação se tornou insustentável e que é preciso articular sua saída.

ACHAR UMA SAÍDA – “A coisa está traçada. Não é descartado dizermos ao presidente que não é possível mais, precisamos encontrar uma saída para não parar o Brasil e refletir com ele sobre a conjuntura para ele ajudar no processo de transição. Ele perdeu as condições e precisamos de um novo governo. Se ele achar que tem condição de continuar, ele não contará conosco no governo dele” – afirma um senador do PSDB.

As lideranças tucanas avaliam, no entanto, que Temer deu demonstrações, nas horas que seguiram as revelações, de que não pretende abrir mão do cargo e que irá se “entrincheirar” no Palácio do Planalto, junto a auxiliares que têm interesses pessoais em permanecer no poder para manterem o foro privilegiado, como os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral), ambos envolvidos na Lava-Jato. Daí a ideia de sensibilizar os ministros do TSE para que promovam um julgamento rápido que proporcione um desfecho menos “doloroso” para a crise.

PRÓXIMOS PASSOS – “O governo acabou. O que estamos fazendo é tentar encontrar saída negociada para abreviar o sofrimento. Fazer agora uma debandada é acabar literalmente com governo e ameaçar de morte as reformas, porque o PSDB é a principal base de sustentação. Como próximos passos vemos ou a renúncia ou o julgamento no TSE. Alguns no partido entendem que o julgamento é menos traumático, seria a saída honrosa por se tratar de uma decisão judicial. O partido está vendo quem poderia articular junto aos ministros a possibilidade de não ter pedido de vista” – explicou um tucano.

Para outro parlamentar tucano, que participa das articulações do partido neste momento, o ideal seria Temer renunciar até a semana que vem. Isto evitaria o aumento da pressão popular e da instabilidade política. Caso isto não aconteça, destaca este tucano, o presidente tem o encontro marcado com o TSE daqui a duas semanas.

RENUNCIAR LOGO – “O ideal seria até semana que vem ele sair. Mas não sei se isso será viabilizado, ele talvez se agarre ao osso como alternativa derradeira. O entorno dele, com Padilha e Moreira, vai orientá-lo a resistir. Preocupa porque teremos um presidente fragilizado com movimento de rua crescente, o Congresso em frangalhos e vai para o campo das ameaças institucionais. O pior cenário que pode acontecer é o entrincheiramento do Temer no Palácio. Mas Temer vai ter um encontro dia 06 no TSE. Se ele resiste à renúncia, pode ser afastado dia 06 de junho“ – pontuou esta liderança do partido.

EXISTE CONSENSO – Caso o TSE determine o afastamento do presidente, a Constituição diz, em seu artigo 81, que, “ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei”.

Na quinta-feira, após movimentação de ministros tucanos para deixarem seus cargos, pressionados pela base, o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), divulgou nota afirmando que pediu aos ministros que permanecessem no governo até a análise do conteúdo das gravações envolvendo o presidente Michel Temer e o dono da JBS, Joesley Batista. Mas, já existe um consenso na cúpula tucana de a situação do governo se tornou “insustentável” e que é preciso promover a transição para uma nova gestão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo se vê, a excelente repórter Júnia Gama confirma a informação divulgada pela Tribuna da Internet na última quinta-feira, de que a solução seria cassar Temer no TSE, caso ele insista em não renunciar e tentar resistir ao inevitável massacre. (C.N.)

Na delação, Joesley entregou seu próprio advogado, que subornou o procurador

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“Advogado pediu que eu poupasse seus amigos”

Deu na Folha

O empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, diz em um dos depoimentos que integra o acordo de delação premiada que, o depoimento em que afirmou ter dito a Michel Temer como estava influenciando na Operação Greenfield era uma “bravata” que depois se mostrou real. A operação investiga a JBS e subsidiárias em esquema de uso irregular de dinheiro de fundos de pensão.

“Eu disse pro presidente Michel que eu tinha comprado um procurador por R$ 50 mil, que eu tinha acertado o juiz e que eu estava vendo uma forma de substituir o Anselmo [Lopes, procurador responsável pela força-tarefa da Greenfield]. Isso jamais aconteceu, substituir o Anselmo. E em relação ao juiz, eu usei esse caso, mas não posso dizer que fui eu, por isso que eu disse que era bravata. Porque quando eu faço, eu faço eu mesmo. Tanto é que não sei se ele deu R$ 50 mil pro Ângelo [Vilella, procurador da força-tarefa preso na quinta-feira, 18]. Hoje eu tenho esse conjunto de evidências de que não era bravata”.

PAGAVA MESADA – Joesley diz ainda que, após a primeira visita para depoimentos da delação à Procuradoria-Geral da República, Vilella de alguma forma ficou sabendo da decisão da delação. “Logo depois da nossa visita, o Willer Tomaz [advogado contratado para defender subsidiária do grupo na Greenfield e que tinha dito pagar a mesada ao procurador preso] ligou para o nosso advogado bastante nervoso, bastante preocupado, e falou ‘olha, tô sabendo que vocês tão fazendo a delação. Não vai prejudicar os meus amigos'”.

No depoimento, dado à Procuradoria-Geral da República no dia 27 de abril, Joesley Batista afirma ainda ter ouvido uma gravação de audiência da Operação Greenfield vazada pelo Procurador da República Ângelo Goulart Vilella.

NO HANGAR – Segundo Joesley, o advogado Willer Tomaz o encontrou em um hangar no aeroporto de Brasília e mostrou a gravação, enviada por Vilella, presente na audiência. Joesley diz que Tomaz mostrou o histórico da conversa com o procurador em seu celular e disse que apagaria a gravação depois –mas Joesley gravou.

Conforme o empresário, o vazamento era parte do acordo de Tomaz com o procurador para o repasse de informações, pelo qual Vilella recebia uma mesada de R$ 50 mil. Joesley diz, no entanto, não ter “contratado” o serviço, e que Willer Tomaz fazia os pagamentos por conta própria.

O empresário afirma que, nas tratativas de contratação para defender a Eldorado subsidiária do grupo, Tomaz mencionou ser próximo a um dos juízes da vara em que corria o caso, Ricardo Soares Leite.

SEM PROPINA – De acordo com Joesley, Tomaz deixou claro que não havia propina para o juiz, mas que poderia exercer influência. “Ele foi muito claro: ‘Com o Ricardo não tenho negócio nenhum financeiro. Eu sou amigo dele, a gente janta junto, tem ótima relação, nossas mulheres se conhecem. E eu acho que posso influenciar'”, diz o empresário à Procuradoria-Geral da República.

Joesley teria então pedido um encontro com o juiz, que nunca ocorreu. Após Tomaz ser contratado – conforme a delação, o escritório recebeu R$ 4 milhões pela causa, e receberia mais R$ 4 milhões caso houvesse êxito e o inquérito fosse arquivado –, comentou que seria um amigo dele do Rio de Janeiro que se juntaria à força-tarefa do Procurador da República Anselmo Lopes, responsável pela Greenfield. O amigo se provou ser o procurador Vilella.

RENAN E JUCÁ – O empresário afirma que, no dia seguinte à primeira ida à Procuradoria para a delação, diversos políticos ligados ao advogado Tomaz começaram a se afastar. “Eu tinha pedido pra falar com o senador Renan (Calheiros) e não consegui. Em situação normal, eu sempre tive ótima relação com o senador Renan. Ele não me atendeu, mas também não disse o porquê”, conta o dono da JBS.

Além de Renan, Joesley cita também o distanciamento de Romero Jucá. “O senador Jucá, que eu também tenho ótima relação, mandei mensagem dizendo que precisava falar com ele, ele não me respondeu, sumiu. Eu percebi um certo movimento”, diz.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A tentativa de cooptar o juiz Ricardo Leite seria um tiro na água. É um magistrado rigoroso, que tem atuado de forma exemplar na Lava Jato, sempre que assume a 10ª Vara Federal Criminal, como substituto. (C.N.)

Nem mesmo os líderes do governo se interessam em defender Temer

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Marun, da bancada ruralista, ainda apoia Temer

Deu no Estadão

Em meio à maior crise política do governo Michel Temer com a delação de executivos do grupo JBS, as principais lideranças e interlocutores do presidente no Legislativo se calaram. Até o momento, nenhum dos líderes do governo na Câmara, no Senado ou Congresso Nacional saiu em defesa de Temer, acusado de receber propina e dar aval para compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Os líderes do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), não fizeram nenhum discurso em plenário defendendo Temer. Também não deram entrevistas e nem atenderam à imprensa por telefone ou por mensagem, quando procurados para falarem sobre a delação premiada de executivos da JBS. Evitam até mesmo circular pelo Congresso.

A única vez que Jucá falou foi na quarta-feira, 17, logo após a divulgação da primeira denúncia contra Temer. Defendeu que era “prematuro” comentar o assunto e que era preciso investigar. “Não dá para comentar algo que a gente não sabe o que é, no escuro”, disse.

DISCURSO DE CAUTELA – Líderes do PMDB, PSDB e DEM, principais partidos aliados, também se calaram ou, quando falaram, adotaram discurso de cautela. De que é preciso esperar a apuração das denúncias antes de tomarem qualquer decisão.

A defesa de Temer até o momento foi feita por poucos vice-líderes. O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) foi o único dos 14 vice-líderes do governo na Câmara a defender publicamente o governo Michel Temer. “O áudio foi tranquilizador para a maioria das lideranças que estavam preocupadas, então o caminho é de recuperação. A base não foi destruída”, disse Perondi nesta sexta-feira, um dia após a divulgação da gravação de Temer feita pela JBS.

No PMDB, o líder do partido na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), se calou. O parlamentar paulista é considerado o deputado mais próximo do presidente da República no Congresso Nacional. A defesa mais enfática até agora foi feita pelo deputado Carlos Marun (MS), vice-líder do PMDB na Casa. O peemedebista é o mesmo que seguiu como aliado fiel de Eduardo Cunha até a cassação do político fluminense.

COM UM PÉ ATRÁS – Em discurso no plenário nessa quinta-feira, antes da divulgação da delação da JBS, Marun disse que o empresário Joesley Batista, dono da JBS, tornou-se milionário durante os governos do PT e que, por isso, tinha “um pé atras” em relação a denúncia. “Em nenhum momento o presidente Temer lhe pediu qualquer favor ou ajuda para qualquer que seja”, declarou o peemedebista, que foi presidente da comissão especial que aprovou a reforma da Previdência na Câmara.

No discurso, Marun falou em crise “superdimensionada” e que o governo Temer teve a coragem para propor medidas de recuperação da economia. “Penso que o Brasil mereceria e merece ver concluído o corajoso mandato do senhor presidente Michel Temer”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG “Rei morto, rei posto”, diz o velho ditado. Temer já morreu politicamente, mas ainda não foi enterrado, prefere velório de corpo presente. Este deputado Marun, que defendeu Cunha e agora defende Temer, é um figura folclórica, que faz tudo para aparecer e tenta viver próximo aos detentores do poder. Ser apoiado por Marun não representa vantagem, porque só conta pontos ao contrário. (C.N.)

Uma canção que retrata a dor do cidadão que nem sabe o que é cidadania

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O poeta e compositor baiano Lúcio Barbosa tornou-se conhecido, em 1979, quando sua música “Cidadão” foi gravada pelo cantor Zé Geraldo no LP “Terceiro mundo”, da CBS. Segundo Lúcio Barbosa, a música “Cidadão” foi composta em homenagem ao seu tio Ulisses, cuja letra narra a saga de um eu-lírico que trabalha como pedreiro, mas em razão da sua condição humilde, não pode frequentar nenhuma das obras por ele construídas. A inspiração veio do fato do tio também ser pedreiro, ter construído inúmeras obras na cidade grande, mas não possuir casa própria.

CIDADÃO
Lúcio Barbosa

Tá vendo aquele edifício moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição, era quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
“Tu tá aí admirado ou tá querendo roubar”
Meu domingo tá perdido, vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio que eu ajudei a fazer
Tá vendo aquele colégio moço
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento, ajudei a rebocar
Minha filha inocente vem pra mim toda contente
“Pai vou me matricular”
Mas me vem um cidadão:
“Criança de pé no chão aqui não pode estudar”
Essa dor doeu mais forte
Por que é que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava, mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer
Tá vendo quela igreja moço, onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo, enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá foi que valeu a pena, tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse:
“Rapaz deixe de tolice, não se deixe amendrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra, não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas e na maioria das casas
Eu também não posso entrar”

Saída de Temer já está acertada e será feita através da cassação pelo TSE

Entupindo o esgoto da história, charge publicada por Mario Rasec, no site Cartapot!guar, em 13 de maio de 2016

Charge do Mário Rasec (Carta Pot!guar)

Carlos Newton

Entre os vários motivos que levaram o presidente Michel Temer a desistir da renúncia e enfrentar o massacre que está sofrendo, um dos principais foi a volta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, que estava na Europa e desembarcou em Brasília na quinta-feira. O ministro sugeriu uma alternativa menos desonrosa para o amigo Temer, que não tem a menor condição de ficar à frente do governo, até porque a cada dia surgem mais comprovações de seus múltiplos atos de corrupção.

ADMISSÃO DE CULPA – Ao invés de renunciar, que significaria admissão de culpa, ou esperar a longa tramitação do processo de impeachment na Câmara e no Senado, com desgaste crescente e insuportável sofrimento, a saída menos traumática será a cassação da chapa Dilma/Temer pela Justiça Eleitoral, comandada por um velho amigo de fé, irmão, camarada.

Com isso, passará a constar na biografia (ou folha corrida) de Michel Temer o registro de que perdeu o mandato por crime eleitoral cometido pela companheira de chapa, em função de atos de abuso do poder econômico cometidos na campanha da candidata à Presidência em 2014, e ele foi também atingido sem maior participação, mas apenas na condição de candidato à Vice-Presidência.

UMA IDEIA GENIAL – Embora a solução proposta por Gilmar Mendes não evite a incriminação de Temer nem os processos a que fatalmente responderá, a alternativa foi aceita. Afinal, o presidente vai completar 77 anos, seu experiente advogado Mariz de Oliveira já entrou em ação e a Justiça brasileira caminha devagar quase parando. Portanto, o mais provável é que os processos contra Temer jamais transitem em julgado ou ele acabe condenado a uma simples prisão domiciliar acompanhada de bengala ou cadeira de rodas, simplesmente porque o tempo não para, conforme os geniais compositores Cazuza e Arnaldo Brandão nos ensinaram.

Mariz de Oliveira atua no mesmo estilo trator de José Roberto Batochio, advogado que defende Lula e Guido Mantega e cria situações surpreendentes, de grande efeito virtual e pirotécnico, digamos assim. O defensor de Temer entrou em cena nesta sexta-feira já inventando factóides jurídicos, ao denunciar que “a fita de gravação teria sido editada e isso é gravíssimo”. Vai ser um show igual à defesa de Lula, podem ser preparar.

CONDENAÇÃO INEVITÁVEL – Foi uma reviravolta impressionante. No início da semana, estava tudo dominado no TSE, o presidente Gilmar Mendes tinha a situação sob controle. Apesar do relator Herman Benjamin e do procurador eleitoral Nicolao Dino terem pedido a cassação de Temer, em Brasília já se sabia que a maioria dos sete ministros iria aprovar a separação das contas de campanha e somente Dilma seria condenada.

Não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, o ventou mudou e Temer já não tem a menor chance de escapar da cassação da chapa. Da mesma forma que aconteceu com sua antecessora Dilma Rousseff, o atual presidente será condenado pelo “conjunto da obra”, conforme defendeu no julgamento do impeachment o jurista Medina Osório, que seria nomeado ministro da Advocacia-Geral da União por Temer, mas sairia poucos meses depois, ao denunciar o esquema armado para inviabilizar a Lava Jato, e agora tudo se confirma.

TUDO PODE MUDAR – Bem, este quadro não é definitivo e pode mudar de uma hora para outra, até porque nesta sexta-feira começaram a circular os mais criativos boatos na web, inclusive envolvendo uma “intervenção branda” dos chefes militares, para forçar a renúncia do presidente.

A pressão é tão forte que Temer pode desistir a qualquer momento, sem forças para aguentar até o final do julgamento do TSE, que começa no próximo dia 6, conforme Gilmar Mendes fez questão de confirmar na quinta-feira. Portanto, faltam longos 17 dias para o início e calcula-se que a decisão final do TSE se prolongue por uma ou duas semanas, no mínimo.

A situação piorou para Temer na tarde desta sexta-feira, quando a Organização Globo publicou editorial exigindo a renúncia do presidente, e isso significa que vai ser intensificada a campanha da TV Globo e de todos os veículos da corporação dos irmãos Marinho. Em resposta, O Estadão fez um editorial favorável a Temer, mas não se pode comparar o alcance e a forma das duas organizações jornalísticas. E a Folha ficou em cima do muro.

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PSSerá muito difícil que Temer consiga resistir. Enquanto isso, la nave va, sempre fellinianamente desgovernada, sem saber quem será seu próximo comandante. (C.N.)

Luciano Coutinho permitiu aportes despropositados do BNDES ao grupo JBS

Resultado de imagem para bndes chargesRogério Furquim Werneck
O Globo

A problemática atuação do BNDES, entre 2007 e 2016, vem atraindo, afinal, a atenção de órgãos de controle que devem zelar pela gestão conscienciosa dos recursos públicos no país. Escapa aos propósitos desse artigo analisar fatos específicos relacionados ao objeto primordial das investigações ora em curso, concentradas nos aportes do banco à JBS e, ao que tudo indica, balizadas por informações extraídas de delações premiadas dos seus donos.

Mais vale aqui manter enfoque mais amplo e relembrar o papel central que teve o BNDES na deflagração do desastre promovido sob a bandeira da nova matriz econômica e — não se pode esquecer — na exacerbação da farra fiscal de que fartamente se nutriu o processo de corrupção do qual o país, agora, vem tomando conhecimento.

FÓRMULA MÁGICA – O compromisso com a responsabilidade fiscal que havia sido ensaiado no primeiro governo Lula começou a ser definitivamente rompido, em 2007, quando o BNDES convenceu o Planalto de que havia descoberto uma fórmula mágica, que permitiria assegurar ao governo grande fartura de recursos fiscais, sob um biombo de contas públicas aparentemente equilibradas, ainda que grosseiramente manipuladas.

O cerne dessa fórmula era a capitalização velada do BNDES por meio de empréstimos de longuíssimo prazo do Tesouro Nacional ao banco, ardilosamente contabilizados de forma a não afetar nem o resultado primário nem a dívida líquida do setor público.

Foi o que permitiu que, nos anos que se seguiram, centenas de bilhões de reais, oriundos de emissão de dívida pública pelo Tesouro, fossem canalizados para o BNDES, dando lugar a faustoso orçamento paralelo, alegremente administrado pela instituição. Sem as peias do processo orçamentário normal e, portanto, do crivo do Congresso, essa massa fabulosa de recursos, desviada do Tesouro, passou a ser alocada pelo BNDES, ao livre arbítrio do Planalto, sob o manto conveniente do “sigilo bancário”.

FARTURA FISCAL – Foi em meio à fartura fiscal propiciada por esse orçamento paralelo que o banco se permitiu aportes tão despropositados à JBS, sob a égide de um programa de aumento deliberado da concentração industrial, regado a recursos públicos, para a criação de “campeões nacionais”.

Mas isso seria apenas a ponta do iceberg. Já por volta de 2010, o BNDES havia se transformado numa Ilha da Fantasia, em que parecia haver dinheiro para tudo. E não foi surpreendente que tanta fartura tenha dado lugar a um clima de euforia, megalomania e dissipação, propício ao surgimento de agendas próprias, missões inadiáveis e projetos de investimento grandiosos e voluntaristas.

Emblemático desse clima foi o envolvimento do BNDES no ruidoso projeto da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, inicialmente orçada em US$ 2,4 bilhões, que acabou custando mais de US$ 20 bilhões. Quando se constatou que, muito antes de contar com um estudo de viabilidade econômico-financeira, a refinaria já havia sido contemplada com um financiamento do BNDES de R$ 10 bilhões, o banco saiu-se com a alegação esfarrapada de que a classificação de risco e o “porte” da Petrobras haviam sido suficientes para a liberação do aporte (“Valor”, 16/5/2014).

FARRA FISCAL  – É impossível dar por esquecido o papel crucial que teve o BNDES na exacerbação da farra fiscal que, além de engrossar o caldo de cultura em que vicejou a corrupção, nos trouxe à colossal crise em que país está agora metido.

Não faz sentido, a esta altura, acreditar na história de que todas as decisões tomadas em meio ao oba-oba que se estabeleceu no banco, a partir do final da década passada, teriam sido perfeitamente defensáveis. Excetuadas, claro, as decisões indefensáveis, que teriam todas decorrido de situações em que o banco teve de “cumprir ordens” para se acomodar a “razões de Estado”. Sobre essa última alegação, cabe indagar em que medida o banco teria sido usado para coonestar, com sua chancela, “razões de Estado” flagrantemente indefensáveis.

                             (artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Mais uma Piada do Ano: Já arrumaram uma perícia para tentar inocentar Temer

Resultado de imagem para gravação de temerJosé Henrique Mariante, Matheus Magenta e Daigo Oliva
Folha

Uma perícia contratada pela Folha concluiu que a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer sofreu mais de 50 edições. O laudo foi feito por Ricardo Caires dos Santos, perito judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Segundo ele, o áudio divulgado pela Procuradoria-Geral da República tem indícios claros de manipulação, mas “não dá para falar com que propósito”. Afirma ainda que a gravação divulgada tem “vícios, processualmente falando”, o que a invalidaria como prova jurídica. “É como um documento impresso que tem uma rasura ou uma parte adulterada. O conjunto pode até fazer sentido, mas ele facilmente seria rejeitado como prova”, disse Santos.

Segundo disse à Folha a Procuradoria, a gravação divulgada é “exatamente a entregue pelo colaborador e sua autenticidade poderá ser verificada no processo”. “Foi feita uma avaliação técnica da gravação que concluiu que o áudio revela uma conversa lógica e coerente”, declarou a Procuradoria na noite desta sexta (19).

EXISTEM CORTES – A gravação não passou pela Polícia Federal, que só entrou no caso no dia 10 de abril. O áudio, feito pelo empresário na noite de 7 de março, foi entregue diretamente à PGR e é anterior à fase das ações controladas.

Em um dos trechos editados, o empresário pergunta ao peemedebista sobre sua relação naquele momento com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava Jato. As duas respostas de Temer sofreram cortes.

O trecho na gravação divulgada permite o seguinte entendimento:

“Tá.. Ele veio [corte] tá esperando [corte] dar ouvido à defesa.. O Moro indeferiu 21 perguntas dele… que não tem nada a ver com a defesa dele”

“Era pra me trucar, eu não fiz nada [corte]… No Supremo Tribunal totalidade só um ou dois [corte]… aí, rapaz mas temos [corte] 11 ministros”

INFLUÊNCIA NO STF – Em depoimento posterior à PGR, Joesley disse que nesse momento o presidente dizia ter influência sobre ministros do STF.

“Ele me fez um comentário curioso que foi o seguinte: ‘Eduardo quer que eu ajude ele no Supremo, poxa. Eu posso ajudar com um ou dois, com 11 não dá’. Também fiquei calado, ouvindo. Não sei como o presidente poderia ajudá-lo”, afirmou.

Em outro trecho cortado, o empresário, enquanto explica a Temer que “deu conta” de um juiz, um juiz substituto e um procurador da República, declara: “…eu consegui [corte] me ajude dentro da força-tarefa, que tá”.

No momento mais polêmico do diálogo, quando, segundo a PGR Temer dá anuência a uma mesada de Joesley a Cunha, a perícia não encontrou edições. O trecho, no entanto, apresenta dois momentos incompreensíveis, prejudicados por ruídos.

BAIXA QUALIDADE – Em entrevista à Folha, outro perito, Ricardo Molina, que não fez uma análise formal do áudio, declarou que a gravação é de baixa qualidade técnica. Para ele, uma perícia completa e precisa obrigaria a verificação também do equipamento com que foi feita a gravação. “Percebem-se mais de 40 interrupções, mas não dá para saber o que as provoca. Pode ser um defeito do gravador, pode ser edição, não dá para saber.” Procurada para comentar o assunto, a assessoria da JBS disse que a empresa não vai comentar.

Para o perito judicial Ricardo Caires dos Santos, não há hipótese de defeito. Conforme revelou o Painel nesta sexta-feira (19), o Planalto decidiu enviar a peritos a gravação, desconfiando de edição da conversa. Comprovada a existência de montagem, o governo vai reforçar a tese de que Temer foi vítima de uma “conspiração”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA tal perícia acaba de descobrir a pólvora. Desde o início, foram constatadas as falhas de áudio. A maioria delas ocorre quando é mencionado o nome de algum magistrado ou procurador, conforme criticamos várias vezes aqui na “Tribuna da Internet”. Mas essas interrupções de áudio não eliminam a demonstração de que o presidente Temer está claramente integrado ao esquema de inviabilização da Lava Jato. Se agarrar a esse tipo de argumento de tecnicalidade para inocentar Temer chega a ser patético. O atual presidente não está sendo vítima de conspiração. Pelo contrário, ele é o próprio conspirador. O que toda a mídia precisa exigir de Joesley Batista e de Temer é o nome dos magistrados e procuradores que sumiram da gravação. O importante, agora, é lutar para que a Presidência da República seja ocupada por uma pessoa honesta e que defenda os interesses da nação e de seu povo. O resto, como diria Roberto Carlos, são apenas detalhes. (C.N.)

Debandada já começou e a governabilidade ansiada por Temer não existe mais

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Natália Lambert e Rodolfo Costa
Correio Braziliense

Apesar de ter usado um tom de voz mais firme e seguro do que o normal nos cerca de cinco minutos de pronunciamento, a negativa do presidente Michel Temer (PMDB-SP) em renunciar ao cargo não serviu para acalmar o clima de debandada na base governista. Nos corredores do Palácio do Planalto, a sensação é de que o governo chegou ao fim e informações de bastidores indicam que até o próprio chefe do Executivo estuda a melhor maneira de abandonar o navio. No Congresso, se já estava difícil a negociação para aprovação das reformas, em especial, a da Previdência, agora, dificilmente, Temer conseguirá número suficiente de votos. Com isso, acaba o único trunfo que tinha para melhorar a condição da economia e, consequentemente, a imagem do governo.

Com baixíssimo apoio popular, Temer e aliados sabem que a governabilidade foi fortemente abalada pela delação e pela abertura de um inquérito contra ele no STF por obstrução de Justiça.

ENFRAQUECIDO – A perda de apoio na base coloca em dúvida também a força política do presidente para conter o avanço de um processo de impeachment. A depender do tamanho do desembarque da base, o prazo de destituição de Temer pode não demorar muito.

Para o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), o processo de impeachment é o único caminho diante da recusa de Temer em deixar o governo. “O presidente Michel Temer decidiu desafiar a crise. Politicamente, ele já foi julgado. Ele não tem mais condições de governabilidade. Ele optou mais pela imunidade institucional do que pela realidade do país. Infelizmente, ele não deixa opção que não seja o impeachment. No momento em que ele resolve desafiar a crise, não existe outro instrumento que não seja, a partir de agora, trabalhar o processo de afastamento”, afirmou Caiado.

Um dos reflexos imediatos das denúncias foi o desembarque do Podemos, o antigo PTN, do governo. Por meio de comunicado divulgado à imprensa, a bancada da Câmara anunciou posição de independência. “O partido, que nasce com uma nova proposta de representação política, reafirma seu compromisso com o povo brasileiro e com a consolidação de uma sociedade democrática. Podemos e devemos reconstruir instituições sólidas, baseadas na transparência e em princípios éticos e morais”, afirma texto assinado pela presidente nacional do partido, Renata Abreu.

ABANDONO – As denúncias relacionadas a Michel Temer não mexeram com a base somente no Congresso. Por enquanto, o presidente já perdeu um dos seus ministros: o comandante da pasta da Cultura, Roberto Freire, presidente do PPS, deixou o governo no fim da tarde de ontem. Por meio de nota, Freire afirmou estar deixando o cargo por causa dos acontecimentos e da instabilidade política.

O outro ministro da legenda, Raul Jungmann, chefe da Defesa, também teria cogitado deixar o cargo, segundo fontes do ministério, mas desistiu e divulgou nota afirmando que segue no cumprimento das funções.

A permanência de Jungmann no governo pode ter sido um aceno à sugestão de assessores. A recomendação foi de que não deixasse o cargo sob o risco de não ter um civil à frente da pasta. “Procurei sinalizar a ele a importância de não deixar o posto, porque ficaria um vazio institucional. Embora as Forças Armadas pensem diferente hoje, o Brasil tem um histórico de intervenção militar. Por isso, é tão importante manter um comandante civil”, ponderou uma pessoa próxima.

PMDB TENTA CONCILIAR – Aliados de Michel Temer, especialmente, os da bancada do PMDB da Câmara, tentaram amenizar o clima de debandada da base governista com mensagens de apoio, certeza da inocência do presidente e uma disfarçada sensação de tranquilidade. Por meio de nota, o líder da bancada na Câmara dos Deputados, Baleia Rossi (SP), afirmou que os parlamentares confiam na palavra do presidente.

O vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS), usou até de xingamentos para defender Temer. “Esse moleque (Joesley), esse esc… brasileiro, quer se salvar em conluio não sei com quem”, disparou. E o parlamentar garante que a base não está fragilizada. “É normal que, em uma situação de crise, os parceiros questionem e reflitam. Uns mais, outros menos. Mas o governo de Michel Temer é um governo de todos os brasileiros”, declarou, assegurando, também, que as reformas serão mantidas.

Outra legenda que saiu rapidamente em defesa do governo é a do líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE). Com cada vez mais espaço na Esplanada e de olho em cargos que serão deixados para trás, o parlamentar do PSC defendeu a ampla defesa do presidente.

TUCANOS NO MURO – Um dos principais partidos da base, o PSDB ainda aguarda o caminhar das investigações para anunciar um eventual desembarque do governo, deixando, inclusive, os ministros a postos para renunciarem aos cargos, o que pode acontecer ainda hoje.

“Temos que, acima de tudo, preservar as instituições e fazer com que a vida do Brasil continue avançando. Nossos ministros continuam trabalhando e não vamos tomar nenhuma providência antes de termos uma conversa com o próprio Michel Temer”, afirmou o líder dos tucanos no Senado, Paulo Bauer (PR).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Roberto Freire foi apenas o primeiro, o último a sair terá de apagar a luz, como diz a velha piada. Mas a matéria necessita de tradução simultânea. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, só não se demitiu para não ficar desempregado, porque é suplente de deputado federal, não tem mandato nem emprego. O assessor dele, citado anonimamente na reportagem, está na mesma situação e precisa do cargo. Como dizia Vinicius de Moraes em “Mais um Adeus”, o aluguel não pode esperar. A permanência deles nada tem a ver com a estabilidade institucional. (C.N.)

Informação de que Dilma sabia do caixa 2 está nos autos desde maio de 2016…

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Charge do Miguel (jc.com.br)

Deu no Estadão

No dia em que o Senado votou a abertura do processo de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff, no dia 11 de maio de 2016, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi informado que o ex-executivo da Odebrecht Fernando Migliaccio, um dos chefes do “departamento da propina” do grupo, admitiu, em depoimento na Suíça, ter feito pagamentos diretamente a Mônica Santana para a campanha de 2014 da então presidente, que viria a ser afastada naquela votação.

Em depoimento em Berna, na Suíça, onde estava preso por tentar encerrar conta e esvaziar o cofre da empresa, Migliaccio fez as primeiras menções a autoridades com prerrogativa de foro, razão que motivou o procurador Orlando Martello a interromper a oitiva e procurar imediatamente a Procuradoria Geral da República (PGR) solicitando autorização para continuar a audição. Devido à prerrogativa de foro, era a própria PGR deveria conduzir a coleta de depoimento.

JANOT AUTORIZA – Depois de obter autorização do chefe de gabinete de Janot, Eduardo Pelella, o procurador escreveu para o próprio procurador-geral e obteve, em resposta, aprovação para seguir adiante.

“Prezado Dr. Orlando Martello, estou ciente de tudo quanto agora relatado por vossa excelência. Autorizo expressamente delegando-lhe as atribuições necessárias para realização da oitiva em meu nome. Convalida desde já todos os atos até agora praticados. De agora em diante vossa excelência passa a agir em nome do Procurador-Geral da República. Bom trabalho”, respondeu Janot ao procurador.

Em mensagem posterior, Orlando Martello informou ao procurador geral as citações à campanha de Dilma. “Em relação aos fatos relacionados a competência do STF, Migliaccio (pessoa que está sendo ouvida) fez pagamentos diretamente para Mônica Santana para a campanha de 2014 da Presidenta, bem como entregou dinheiro diretamente para o marqueteiro de Gleisi Hoffman (Bruno Gonçalves)”, disse Martello a Janot.

“OK, grato pelo seu trabalho. Vou imprimir nossas mensagens e juntar no termo quando chegar para evitar qualquer dúvida. Faça uma boa viagem”, disse o procurador-geral da República.

ESTÁ NOS AUTOS – A troca de mensagens entre o procurador da República Orlando Martello e Rodrigo Janot está nos autos da delação de Migliaccio. Segundo se pode ler, começou no dia 11 de maio e terminou no dia 12, tal como a votação que afastou Dilma Rousseff da Presidência da República por 6 meses – a perda do mandato foi confirmada em nova votação no dia 31 de agosto.

A assessoria de imprensa do procurador-geral da República disse que “naquele momento, não havia condições de se ter uma avaliação quanto a irregularidades de campanha”.

“Há um ano, o Ministério Público Federal iniciava uma tratativa de colaboração. Algo que durou até agora, haja vista o levantamento do sigilo das petições derivadas das colaborações recentemente. Por isso, naquele momento não havia condições de se ter uma avaliação quanto a irregularidades de campanha”, disse a assessoria de imprensa de Rodrigo Janot.

CAMPANHA – Nos termos de colaboração de Migliaccio tornados públicos na segunda-feira, 15, e antecipados pelo Broadcast Político, o executivo da Odebrecht narrou uma série de pagamentos de R$ 500 mil a Mônica Moura, que teriam se estendido de 2014 até 2015.

Ele disse que as entregas dos valores eram feitas a pessoas indicadas por Mônica Moura, mulher do ex-marqueteiro do PT João Santana. Mônica apresentou mais detalhes em sua própria delação. Os recursos que a Odebrecht repassava ao casal de marqueteiros eram para a campanha de vários políticos, inclusive no exterior, em países com Angola, República Dominicana, Panamá, Venezuela e El Salvador.

DILMA SABIA – Migliaccio também relatou uma conversa em que a publicitária lhe teria informado que havia “avisado a moça”, em referência à Dilma, sobre depósitos feitos pela empreiteira em contas do casal no exterior.

O ex-executivo contou que, no primeiro semestre de 2015, com a Lava Jato em andamento, foi cobrado por Mônica sobre pagamentos em dólares no exterior, em contas mantidas na offshore Shellbill. Migliaccio confirmou a Mônica os depósitos e disse que a publicitária expressou preocupação com as investigações. “Vou avisar a presidente, pois agora tem como chegar (a Lava Jato) na gente”, disse ela, segundo o relato do ex-executivo. “Semanas depois, Mônica Moura informou ao depoente (Migliaccio) que havia avisado ‘a moça’ (Dilma) sobre os pagamentos realizados no exterior pela Odebrecht”, constou do termo do depoimento do delator.

Nos termos de colaboração, o delator descreve os pagamentos como sendo “por fora”, com recursos “não contabilizados”, “provenientes da contabilidade paralela da Odebrecht”.

CONFIRMAÇÃO – O relato de Migliaccio tem conexão com informações dadas por Mônica em sua delação, quando ela disse que Dilma sabia dos pagamentos via caixa 2 feitos pela Odebrecht no exterior. Santana e Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht, ambos delatores, também afirmaram que a presidente cassada tinha conhecimento dos depósitos.

O doleiro Alberto Youssef, um dos primeiros delatores da Lava Jato, já havia dito que Dilma sabia do esquema de corrupção na Petrobrás.

Fernando Migliaccio entrou na Odebrecht em 1992 e trabalhou de 2008 a 2014 no Setor de Operações Estruturadas, o “Departamento da Propina”, onde foi um dos responsáveis por operar contas da empreiteira no exterior em offshores usadas para pagamento de propina. Ele foi preso em fevereiro de 2016 na Suíça tentando encerrar contas bancárias.

CARTA MANGA – Apesar de as negociações para a delação começarem no primeiro semestre, o acordo de colaboração de Migliaccio só foi encaminhado pela PGR ao Supremo com pedido de homologação no dia 19 de dezembro. Durante a negociação, a PGR também buscava fechar com o pacote de executivos e ex-executivos do grupo baiano que vieram a firmar delação.

A negociação com Migliaccio foi uma carta na manga da Procuradoria-Geral da República na tentativa de convencer o grupo de executivos e ex-executivos a fechar acordo de delação. Firmados em datas diferentes, os acordos foram homologados em conjunto pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, no fim de janeiro, após a morte do então relator da Lava Jato na Corte, Teori Zavascki.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Chamar de “carta na manga” é exagero. Em tradução simultânea, o que houve foi o seguinte: Migliaccio foi apanhado em flagrante, viu que não tinha jeito e pediu delação premiada em separado, muito antes do acordo da Odebrecht. Os ardis de Marcelo Odebrecht para se libertado com a ajuda dos ministros Francisco Falcão e Navarro Dantas, do STJ, com interferência e apoio direto de Dilma, deram errado e eles estão sendo investigados no Supremo.  A Odebrecht tentou evitar ao máximo a delação, só pediu o benefício quando todos os recursos estava esgotadas, não havia alternativa. Não houve carta na manga. (C.N.)

Mais Piada: Roberto Jefferson ainda acha que Temer foi vítima de uma trapaça

Roberto Jefferson

Jefferson, na contramão, faz a defesa de Temer

Isadora Peron
Estadão

Pivô do escândalo do mensalão, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, saiu nesta sexta-feira, 19, em defesa do presidente Michel Temer. Para Jefferson, Temer foi vítima de uma “trapaça” armada pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS. No entendimento de Jefferson, o presidente não se comprometeu ao receber o empresário e manteve uma “conversa social” com Joesley. “Não se pode exigir do presidente uma conduta diferente da que ele teve. Ninguém teria uma conduta diferente. Foi uma conduta social adequada para a desagradável visita que recebeu”, disse. Ele afirmou ainda que o PTB vai continuar na base do governo e que só não foi ao Palácio do Planalto dar um abraço em Temer porque está em Portugal.

O que o sr. achou da gravação entre Temer e o dono da JBS?
Uma trapaça. Uma trapaça. Uma coisa do pior gabarito. Não tem nenhum crime, o presidente não pediu para ninguém para fazer nada. Você ouve a gravação, duas, três, quatro, cinco vezes e vê nitidamente que é uma trapaça. Uma trapaça que tem, a meu ver, o objetivo de lucrar no mercado financeiro. Foi um ataque especulativo ao Tesouro nacional, à moeda nacional. Você joga a Bolsa para baixo e lucro US$ 400 milhões na subida de 8% que deu no dólar. Isso é uma trapaça.

Mas o presidente não deveria ter tomado alguma atitude diante da informação de que Joesley tinha relação com juízes e um procurador com o objetivo de obstruir ações da Justiça?
Mas o Temer agora é polícia? O Temer não tem que se meter nisso. Tem muita gente que conversa comigo, e eu digo que está tudo bem, o cara está falando, mas eu não estou entrando na conversa. Eu não vou dizer: “Cala a boca, senão eu mando te prender”. Você está ouvindo, está dizendo tudo bem, mas você não concorda, você está dando uma atenção social, mas não está se comprometendo moralmente com a pessoa. Uma coisa é você dar atenção social, outra coisa é você se comprometer moralmente.

Não houve nada de errado na conduta do presidente?
Ele deu uma atenção social, cumpriu uma agenda, aturou um cara, porque um homem desse você atura, você não tem prazer em receber…

O inquérito aberto contra Temer no Supremo Tribunal Federal (STF) pode influenciar no processo que pede a cassação da chapa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)?
O TSE vai se tornar em um tribunal para punir as conversas do Temer? Todo mundo viu que foi uma trapaça. O cara tenta o tempo todo fazer o presidente falar algo errado, ele jogou o tempo todo. Eu ouvi três vezes a gravação. O cara tenta 40 minutos que o presidente dê uma escorregada, e o presidente não dá nenhuma escorregada.

E a parte em que eles falam do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). É certo o presidente dizer para que que o empresário continue ajudando o peemedebista, que está preso?
Cunha é uma cobra venenosa. Pode machucar a qualquer momento. Se sou eu, digo a mesma coisa. “Isso mesmo, ajuda o Cunha lá”.

Mas o presidente não vira cúmplice da armação ao fazer isso?
Cúmplice? Isso é uma interpretação que eu divirjo. Vai dizer não ajuda? Aí o Joesley, que é um trapaceiro, intrigueiro, vai lá no Cunha e diz: “Fui lá no presidente e ele falou para eu não te ajudar. E agora, o que nós vamos fazer?”

Então não há nada de errado nesse ponto da conversa?
Não se pode exigir do presidente uma conduta diferente da que ele teve. Ninguém teria uma conduta diferente. Foi uma conduta social adequada para a desagradável visita que recebeu. Ele não estava ali em uma agenda presidencial, foi uma agenda social, então socialmente ele falou o que tinha que falar, aquilo são saídas sociais. E, além disso, gravaram a agenda social do presidente, é um negócio terrível. Quem mandou gravar? O equipamento é oficial? É do Joesley? Ele foi como pau mandado? Ele foi fazer aquela trapaça com o presidente por encomenda judicial? Alguém do Judiciário pediu? É um negócio gravíssimo. É muito grave.

E o dinheiro entregue ao deputado Rodrigo Rocha Lures (PMDB-PR), que é um aliado muito próximo de Temer?
Rocha Lures fez o que ele queria fazer para ele mesmo… E, ao que me consta, ele só levou uma (mala com R$ 500 mil)? E as outras? Não eram semanadas de R$ 500 mil? Interrompeu por quê? Se era para mostrar a continuidade, porque não gravaram outras vezes, porque aí ficava uma prova consistente. Uma só não sustenta a versão.

O PTB continua na base do governo?
Claro. O presidente tem que retomar as reformas, com força. O nosso projeto é com o Brasil, o nosso compromisso é com o Brasil. As reformas precisam avançar, não dá mais para voltar atrás.

Mas a governabilidade não vai ficar comprometida? Já houve manifestações contra o presidente.
A população que quer que o Temer caia é a população do PT, é aquela faixa de eleitores do PT, dos fanáticos pelo Lula, porque a nossa gente, quem pensa o Brasil democraticamente, quer que as reformas avancem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDesta vez, será particularmente difícil escolher a Piada do Ano. A criatividade dos humoristas é impressionante. Mesmo distante, fazendo turismo em Portugal, Roberto Jefferson faz questão de participar, com uma série de anedotas de grande impacto, como a trapaça sofrida por Temer e o fato de uma mala com R$ 500 mil não caracterizar propina, porque as mesadas semanais não foram filmadas. Realmente, Jefferson é impagável (em todos os sentidos). Temer precisa nomeá-lo urgentemente para o Ministério, enquanto ainda está de posse da caneta. (C.N.)

Era só o que faltava: Temer embolsou R$ 1 milhão da propina entregue ao PMDB

Charge do Ziraldo (Arquivo Google)

Renata Mariz e André De Souza
O Globo

Responsável pela entrega de propinas a mando da JBS, Florisvaldo Caetano de Oliveira disse em delação que levou em uma caixa R$ 1 milhão destinados ao então vice-presidente Michel Temer, hoje à frente do Palácio do Planalto. Oliveira afirmou que recebeu a ordem de Ricardo Saud, diretor da JBS, em 2014. Saud, que também é delator, afirmou que o dinheiro foi “roubado” por Temer. Isso porque ele guardou o dinheiro, em vez de gastá-lo na campanha daquele ano, conforme combinado previamente com o PT.
Quem recebeu o recurso, segundo Oliveira, foi um homem identificado como “coronel”. Ele se refere a João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, que é coronel aposentado da Polícia Militar (PM) paulista. O endereço da entrega do dinheiro, a Argeplan, Arquitetura e Engenharia, na Vila Madalena, foi alvo de busca e apreensão ontem pela Polícia Federal (PF).

COLOQUE NO CARRO – Oliveira contou que esperava ser convidado para entrar, mas que o coronel pediu que ele apenas colocasse a caixa no carro estacionado ao lado. O delator perguntou sobre uma câmera de segurança instalada no sobrado onde funciona a empresa, mas o destinatário do dinheiro o tranquilizou.

O coronel respondeu da mesma forma, descartando qualquer risco, quando Oliveira demonstrou preocupação com a eventual presença de pessoas no escritório que pudessem assistir à movimentação do lado de fora, por meio de um vidro grande que existe na fachada do sobrado.

O delator contou aos procuradores que estava num Corolla, de propriedade de Demilton Castro, funcionário da JBS que também virou delator, mas não se lembra de detalhes do veículo em que ele colocou o dinheiro por orientação do coronel. Segundo Oliveira, os recursos estavam no interior de uma caixa grande, que ele mesmo acomodou no carro indicado.

ESTEVE LÁ ANTES – Não foi a primeira vez, porém, que Oliveira esteve no imóvel. Antes da entrega, o delator chegou a ser recebido pelo coronel, segundo contou, para saber exatamente como deveria fazer o repasse. Ele disse que, apesar de fazer outras remessas a mando da JBS, temia andar com tanto dinheiro. O coronel não gostou de receber o homem sem o dinheiro:

— Ele achou ruim porque: ‘poxa, prometeu, não sei o quê’… Vim aqui para entender como é, afinal de contas, não é 1 real, é R$ 1 milhão — disse.

Oliveira afirmou que soube que o destinatário era Temer por Ricardo Saud. O diretor estava irritado porque ele havia se atrasado para a entrega. Ao telefone, disse que o pagamento tinha como destinatário o então vice Temer: — O Ricardo me cobrou. “Ó, sabe que tem que atender, isso é do Temer “.

ATRAVÉS DE DOLEIROS – O delator explicou, então, que ainda não havia recebido o recurso que chegava por meio de doleiros. Nesse mesmo dia, dirigiu-se ao endereço para acertar o pagamento, quando foi recebido pelo coronel. Mas contou que só dias depois fez, de fato, o repasse. Em depoimento prestado em 5 de maio deste ano, Saud confirmou versão de Oliveira.

— Ele até tratou muito mal o Florisvaldo. “Pô, esse cara tá demorando pra trazer o dinheiro aqui. O homem já falou comigo. O dinheiro não chega, tal, tal.” Até o Florisvaldo não sabia o que tava acontecendo, voltou e falou: o que que tá acontecendo? Eu peguei e falei: não, Florisvaldo, esse dinheiro é do Michel, pode deixar que eu vou resolver isso, tá demorando de mais, agora mesmo vou te tirar desse negócio. Aí, falou assim pro cara, pra esse coronel: eu vou voltar tal dia. Ele falou: não, não, tal dia não, agora não, você vai vir cá depois de dois, três dias, que eu não vou tá aqui, e só eu ponho a mão nesse dinheiro. E aí foi feito. Florisvaldo foi lá. Voltou lá já com dinheiro. Ele e o Demilton no carro dele nesse mesmo endereço, falou com essa mesma pessoa — relatou Saud.

TEMER DEU O RUMO – Ainda segundo ele, foi o próprio Temer, na calçada em frente a seu escritório político em São Paulo, quem passou endereço e até deu explicações de onde ficava a casa.

— Ensinou mais ou menos onde era. Eu peguei e mandei Florisvaldo lá. Falei: Florisvaldo, vai lá saber o que é isso. Aí Florisvaldo foi lá. Porque até então eu achava que o dinheiro ia para o Yunes. Não entendi nada, nunca ouvi falar nesse endereço — disse Saud, fazendo referência a José Yunes, ex-assessor de Temer que já foi citado na delação da Odebrecht.

No depoimento, Saud levou duas folhas com uma fotografia da casa impressa para mostrar onde fica a casa e mostrou um detalhe que o preocupou: havia uma câmera instalada na residência. Também levou uma foto do coronel. — Eu falei: essa cara te gravou, Florisvaldo, vamos lá na porta ver isso. Eu fui pessoalmente lá ver isso. Porque eu me preocupei muito. Até então eu não sabia quem que era — contou Saud.

DESVIOU R$ 1 MILHÃO – Segundo Saud, foram entregues R$ 15 milhões a Temer durante a campanha de 2014 para serem redistribuídos a peemedebistas de todo o país. Mas ele “roubou” R$ 1 milhão para outras despesas sem relação com a eleição.

O dinheiro saiu da “conta corrente” mantida pelo PT na JBS, que chegava a R$ 300 milhões e era alimentada por recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e dos fundos de pensão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG É aquele velha história do ladão que rouba ladrão, fica tudo em casa. E se gritar “Pega ladrão”, não fica um, meu irmão . (C.N.)

Temer pediu que Aécio retirasse a ação no TSE contra a chapa do PT/PMDB

O senador afastado Aécio Neves conversa com o presidente Michel Temer

Aécio disse não poder retirar, por causa da Janot

Bela Megale, Camila Mattoso, Letícia Casado e Talita Fernandes
Folha

O presidente Michel Temer pediu que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) retirasse o pedido de cassação da chapa formada por Dilma Rousseff e Temer em 2014 que corre no TSE (Superior Tribunal Eleitoral).

A informação está em uma gravação entregue por Joesley Batista, um dos donos da JBS, a procuradores que contém uma conversa com Aécio em março deste ano no hotel Unique, em São Paulo.

“A Dilma caiu, a ação continuou e ele [Temer] quer que eu retire a ação. Cara, só que se eu retirar, e não estou nem aí, não vou perder nada, o Janot assume, o Ministério Público assume essa merda”, diz o tucano a Joesley.

O documento integra a delação premiada do executivo que já foi homologada pelo relator da Lava jato do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin.

Temer é alvo de pedido de cassação no TSE em ação proposta pelo PSDB que contesta as contas de campanha da chapa presidencial de 2014.

O relator e o Ministério Público recomendaram a cassação de Temer. A delação da JBS deve piorar o cenário político e aumentar a pressão sobre os ministros.

Nos bastidores do tribunal, é consenso que o clima para Temer piorou muito nos últimos dias. O julgamento vai ser retomado na primeira semana de junho.

Ministros do TSE relataram à Folha que o julgamento pode ser uma “solução institucional” para Temer evitar um processo de impeachment ou o desgaste da renúncia.

No entanto, um dos magistrados que julgará o caso disse que não há relação entre os fatos relatados pelos donos da JBS e a investigação sobre a chapa e, portanto, o tribunal não deve misturar os assuntos.

 

Janot denunciou que Temer e Aécio agiam juntos para inviabilizar a Lava Jato

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Temer e Aécio estabeleceram uma cumplicidade

Fábio Amato
G1, Brasília

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que o presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) agiram “em articulação” para impedir o avanço da Lava Jato. A afirmação consta da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin que determinou a abertura de inquérito para investigar Temer, Aécio e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que está relacionado ao acordo de delação de executivos da JBS. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (dia 19).

OBSTRUÇÃO CLARA – “Além disso, verifica-se que Aécio Neves, em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio de controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos”, afirma Janot.

“Desta forma, vislumbra-se também a possível prática do crime de obstrução à Justiça”, completa o procurador-geral da República.

No pedido para investigar Temer e Aécio, a procuradoria afirma que o senador teria “organizado uma forma de impedir que as investigações [da Lava Jato] avançassem por meio da indicação de delegados que conduziriam os inquéritos, direcionando as distribuições.”

CRONOLOGIA – Na quarta-feira (dia 17), o jornal “O Globo” divulgou que o dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, havia gravado conversa com Temer em que o presidente dava aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Joesley e outros executivos da JBS fecharam acordo de delação premiada. O acordo foi homologado na quinta-feira (dia 18) pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

Também na quinta-feira, Fachin liberou o áudio da conversa entre Temer e Joesley Batista. E o presidente Temer, em pronunciamento no Palácio do Planalto, negou que tenha atuado para calar Cunha.

OBSTRUÇÃO E SUBORNO – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, em pedido de investigação ao STF, que houve “anuência” do presidente Michel Temer ao pagamento de propina mensal para comprar o silêncio de Cunha por parte de Joesley Batista.

Na conversa em que gravou o presidente Michel Temer, o dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, relata uma sequência de crimes que vão de obstrução à Justiça, suborno de procuradores e compra de informações privilegiadas.

A gravação do empresário que fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR) mostra até tentativa de ter influência em órgãos que regulam e fiscalizam as atividades do grupo empresarial.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO mais incrível é que ainda há quem defenda Temer, dizendo que ele foi enganado por Joesley Batista. (C.N.)

Lula e Dilma ficaram calados, porque receberam US$ 150 milhões da JBS

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Ilustração reproduzida do site Imprensa Viva

Eduardo Bresciani
O Globo

Além do presidente Michel Temer e do senador Aécio Neves, presidente do PSDB, Aécio Neves, a delação da JBS envolve os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ministros da atual gestão e governadores de estado. No caso dos ex-presidentes, o empresário Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud relataram pagamentos em contas no exterior tanto para Lula quanto para Dilma. O saldo dessas contas em 2014 teria chegado a US$ 150 milhões. O ex-ministro Guido Mantega seria o intermediário dos pagamentos que eram devidos em razão de esquemas criminosos no BNDES e em fundos de pensão. Em 2010, por intermédio do ex-ministro Antonio Palocci teria sido feito outro repasse, de R$ 30 milhões, para a campanha de Dilma.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), foi acusado por Ricardo Saud. Segundo o relato, o peemedebista recebeu R$ 5 milhões pela atuação em uma Medida Provisória que disciplinava créditos de PIS/Cofins.

MINISTROS ATUAIS – No caso dos ministros do governo Temer, Gilberto Kassab foi citado como beneficiário de propina por Wesley Batista, irmão de Joesley, e também pelo executivo Ricardo Saud. Em relação a Marcos Pereira, Joesley relatou aos investigadores ter pago propina em troca da aprovação de um empréstimo de R$ 2,7 bilhões para a JBS pela Caixa Econômica.

O governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), é citado junto com seu antecessor André Puccinelli (PMDB) como beneficiário de pagamentos de R$ 150 milhões entre 2007 e 2016 como contrapartida a benefícios fiscais recebidos pelo grupo empresarial.

O governador mineiro Fernando Pimentel (PT-MG), foi acusado de receber R$ 3,6 milhões no período em que ocupou o ministério do Desenvolvimento na administração Dilma Rousseff.

OUTROS GOVERNADORES – O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD-RN), é acusado de ter recebido junto com seu filho, o deputado Fábio Faria (PSD-RN) um pagamento de R$ 5 milhões em propina em troca da privatização da companhia de água e esgoto do estado.

No caso do governador catarinense, Raimundo Colombo (PSD-SC), a acusação é de pagamento de R$ 10 milhões em troca de favorecimento na licitação na companhia de água e esgoto do estado.

São citados como beneficiários os ex-governadores Cid Gomes (PDT-CE), que teria recebido R$ 20 milhões em troca de liberação de créditos de ICMS, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que teria recebido R$ 40 milhões em propina, e Silval Barbosa (PMDB-MT), que recebeu pagamentos em troca de benefícios fiscais à JBS.

SENADORES – Aparecem ainda na delação os senadores José Serra (PSDB-SP), tendo recebido R$ 20 milhões a pretexto de campanha, e Marta Suplicy (PMDB-SP), como beneficiária de R$ 1 milhão em 2010 e R$ 3 milhões em 2014.

Delator da Lava-Jato, Delcídio Amaral foi mencionado como sido beneficiário de propina de R$ 5 milhões em troca de uma concessão, fato que não consta de sua colaboração.

Há relatos ainda de pagamentos para o deputado João Bacelar (PR-BA) e para o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica explicado o silêncio de Lula e Dilma sobre a delação premiada dos irmãos Batista. É que os dois ex-presidentes petistas estavam no mesmo esquema criminoso, embora em quadrilhas diferentes. (C.N.)

Piada do Ano: Temer diz ter achado que Joesley estava só “contando vantagem”…

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Reprodução do site do MBL

Deu na Folha

O presidente Michel Temer afirmou nesta quinta-feira (dia 18) não ter acreditado na veracidade das declarações feitas por Joesley Batista em encontro entre ambos em março, o qual foi gravado pelo empresário. Em nota, o peemedebista disse que, por na época ser investigado em inquérito, o executivo parecia contar vantagem e, por isso, não podia acreditar que ele teria cooptado um juiz e um procurador.

Na gravação, o empresário afirmou ao presidente que estava “dando conta” de dois juízes, os quais não identificou nominalmente, e que tinha conseguido colocar um procurador “dentro da força-tarefa” da Greenfield.

Não há informação de que Temer tenha procurado a PGR (Procuradoria-Geral da República) ou outra autoridade de investigação para informar sobre o plano de interferência na operação policial relatado pelo empresário.

TROCAR PROCURADOR – Batista disse ao presidente que estava “tentando trocar o procurador” que estava “atrás” do empresário. A Folha apurou que se trata de uma referência a José Anselmo, o coordenador da força-tarefa da Operação Greenfield.

Deflagrada em novembro passado, a Greenfield investiga uma série de supostos desvios em fundos de investimento em conexão com fundos de pensão de servidores públicos federais.

A operação tinha como foco uma das empresas do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Na investigação, o procurador conseguiu diversas medidas judiciais contrárias aos interesses dos Batista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba, como é que um político experiente como Michel Temer, que conseguiu chegar à Presidência da República, ainda pode se manter tão ingênuo, a ponto de achar que o empresário Joesley Batista estava apenas contando vantagem ao relatar uma série quase interminável de atos criminosos? É mais uma Piada do Ano. Só falta agora Temer alegar que jamais soube que Eliseu Padilha está respondendo a processos por grilagem de terras públicas, devastação de reserva ecológica, enriquecimento ilícito, improbidade administrativa e muito mais. Temer demonstra ingenuidade demais. Uma pessoa assim não pode mesmo ser presidente da República. C.N.)

A caixa-forte de Palocci traz calafrios a banqueiros e empresários

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Charge do Humberto (Arquivo Google)

Bernardo Mello Franco
Folha

A iminente delação de Antônio Palocci não provoca calafrios apenas no mundo político. Banqueiros e empresários de renome estão preocupados com o que o ex-ministro pode contar à Lava Jato e a outras operações, como a Zelotes. Palocci foi o petista mais próximo dos donos do dinheiro. Em 2002, ajudou a acalmar o mercado para a chegada do partido ao poder. Idealizou a “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual Lula se comprometeu com a responsabilidade fiscal e o controle da inflação. A receita deu certo, e o médico foi nomeado ministro da Fazenda.

No cargo, Palocci ampliou os laços com a elite do capitalismo brasileiro. Chegou a sonhar com a Presidência, mas foi abatido no escândalo do caseiro. Voltaria ao Planalto no início de 2011, como chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff.

“CONSULTORIA” – A nova temporada no poder não durou um semestre. Em maio, a Folha revelou que o petista havia multiplicado o patrimônio por 20 com uma consultoria de pouca visibilidade e muito sucesso. Ele caiu, mas se recusou a abrir a lista de clientes.

O segredo começou a ser desfeito em setembro passado, quando a Lava Jato prendeu Palocci e começou a abrir sua caixa-preta —ou caixa-forte, a julgar pelos valores envolvidos.

Numa das frentes de investigação, descobriu-se que a consultoria do ex-ministro recebeu R$ 81,3 milhões de 47 empresas. A lista inclui bancos, seguradoras, imobiliárias e montadoras de veículos. É uma clientela ampla, que teve milhões de motivos para bater na porta do petista.

BANDEIRA DE DÓRIA – João Doria encerrou um discurso nesta segunda, em Nova York, com a seguinte frase: “Minha bandeira não é vermelha. É verde e amarela”.

Em 1989, outro presidenciável encerrou um debate pedindo um “não definitivo à bandeira vermelha”. “Vamos dar sim à nossa bandeira. A bandeira do Brasil. A bandeira verde, amarela, azul e branca”, pregou.

O candidato era Fernando Collor.

                            (Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Aventuras totalitárias, à direita e à esquerda, precisam ser rechaçadas

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Charge sem assinatura (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Medida acertada do ministro Edson Fachin, ao quebrar o sigilo das delações dos irmãos Batista. A condução da Lava Jato, nesta fase decisiva, que tem como relator o ministro Fachin, tem se tornado uma agradável surpresa, pela rapidez nas decisões e pela eficiência comprovada. É um desempenho espetacular, seguindo a mesma linha do falecido ministro Teori Zavascki.

A cada semana, um estrondo se houve de longe, expondo as entranhas das relações espúrias entre o público e o privado. Entranhada em toda a máquina pública, a corrupção é indiscutivelmente a razão da crise econômica. Bilhões foram desviados para irrigar contas abertas em paraísos fiscais e para compor fortunas colossais no mercado interno.

POR GERAÇÕES – O dinheiro surrupiado é de tal monta que, no mínimo, dez gerações dos corruptos não precisariam trabalhar. Viveriam apenas de rendas, oriundas de propinas de toda ordem. Um escândalo, que apavora e entristece o povo, sem serviços adequados e eficientes nas áreas vitais da saúde, educação e segurança, numa crise agravada pelo sufocante desemprego, que coloca grande parte da sociedade em situação de calamidade.

A corrupção é um crime contra a nação e a cidadania, sem sombra de dúvidas. Quando pensávamos que o Mensalão e as punições geradas pelo processo da Ação Penal 470 viessem a mudar as práticas ilícitas, pelo contrário, avançaram rumo ao Petrolão, dilapidando as finanças e a credibilidade da estatal petrolífera, então a maior empresa do Brasil.

CRIMES EM SÉRIE – Nada mudou, infelizmente. Mesmo diante das prisões dos corruptos da Lava Jato, continuaram a delinquir, como se demonstra no universo das carnes e dos frangos da JBS. E, perguntamos nós: O que mais está por vir em outro segmento do público e do privado?

Certamente, a contaminação corruptiva extrapola o entendimento do mais otimista dos cidadãos brasileiros. O ceticismo em relação as boas práticas éticas no meio político e no meio empresarial vai se formando no inconsciente do povo.

Nesse clima, está aberta a caça a qualquer aventureiro que apareça prometendo o paraíso e depois entregando o calvário ao povo.

DEMOCRACIA AMEAÇADA – A direita se assanha para levar um personagem não-político ao Poder Central ou então fabricar um ditador para solapar a nossa democracia e a liberdade de expressão. Mas as aventuras totalitárias, à esquerda e à direita, devem ser rechaçadas. Além de não serem garantia de resolução dos graves problemas nacionais, os atos e totalitarismo poderão colocar mordaças e impedir o crescimento das gerações futuras.

Por mais que sejam intoleráveis, os fatos envolvendo corrupção têm vindo a tona. Não poder criticar e não conseguir receber informações concretas sobre a condução do país significam uma situação incomparavelmente pior, pois os atos de corrupção continuarão a ocorrer, mas o povo estará impedido de sabê-los, através da volta à censura, de triste memória dos tempos idos.

Gravações destacam a fragilidade da versão de Temer, que não convence o país

BRASILIA, DF, BRASIL, 23-03-2017, 12h00: O presidente Michel Temer, acompanhado dos ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Marcos Pereira (MDIC) durante Cerimônia de lançamento do Novo Processo de Exportações do Portal Único de Comércio Exterior. No Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)

Meirelles imita Pedro I: ‘digam ao povo que fico’

Pedro do Coutto

A leitura dos textos gravados pela Procuradoria Geral da República, conforme reportagem de Marco Grillo e Eduardo Zobaran, O Globo desta sexta-feita, acentua a total fragilidade que atinge o presidente da República. Afinal de contas as transcrições ressaltam terem sido longos os diálogos entre Temer e Joesley Batista, durante o qual foram citadas várias ilegalidades, além do cumprimento de compromissos com o ex-deputado Eduardo Cunha envolvendo pagamentos para garantir o silêncio do ex-parlamentar.

Se o objetivo era garantir o silêncio, é porque suas revelações abalariam o presidente da República. Caso contrário, Michel Temer não poderia receber em sua residência um empresário implicado na gigantesca trama, alvo da operação Lava-Jato. Vários crimes foram citados no diálogo, incluindo questões dirigidas no sentido de obstruir a atuação da Justiça, passando pela cooptação de juízes e procuradores.

OBRIGAÇÃO DE TEMER – Quando tais assuntos foram citados, a obrigação do presidente Michel Temer era encerrar o estranho dialogo e repelir tais articulações. O presidente da República não pode permanecer sem reação a esses fatos, sobretudo porque o encontro com Joesley Batista teve como palco o Palácio do Jaburu, sua residência. Temer deveria ter encerrado o assunto no momento mais crítico da conversa. E repelir e não acolher em silêncio o relato de fatos profundamente desabonadores. Não repeliu. Ao contrário chegou ao ponto de concordar com a mesada destinada a Eduardo Cunha.

O presidente da República agravou sua própria situação no momento em que, no pronunciamento na tarde de quinta-feira acentuou de passagem, que o empresário Joesley Batista encontrava-se preocupado com a situação financeira da família de Eduardo Cunha. A preocupação, que ironia, seria amenizada com pagamentos mensais da ordem de R$ 500.000.

FALA MEIRELLES – Não bastasse esse rol de impropriedades e ilegalidades, a situação política do presidente Michel Temer se agravou ainda mais, não apenas pelo pedido de demissão do ministro Roberto Freire, porém sobretudo por declarações do ministro Henrique Meirelles publicadas na edição desta sexta-feira da Folha de São Paulo. O titular da Fazenda sustentou acreditar na permanência de Michel Temer no governo.

Sinalizou, porém, que tem disposição para continuar no comando da equipe econômica, caso o presidente deixe o governo. Isso porque o titular da Fazenda continua sendo visto por empresários e investidores como a principal âncora da administração, além de fiador de uma política econômica sintonizada com o mercado.

Quer dizer: os setores econômicos particulares já admitem a hipótese da permanência de um ministro mesmo que com o afastamento de quem o nomeou para o cargo. Não poderia haver sinal mais explícito da fraqueza política de um presidente que se tornou capaz de perder para si mesmo a condição política indispensável ao exercício do poder.

Carta Aberta à Doutora Janaína Conceição Paschoal

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Uma decepção: Temer é igual ou pior do que Dilma

Jorge Béja

Naquela sessão do Senado que decidiu pelo impeachment de Dilma Rousseff, a senhora, doutora Janaína Paschoal, ao subir à tribuna para fazer sua última sustentação oral antes da votação final, a senhora chorou. Chorou quando disse que o pedido de afastamento de Dilma Rousseff, do qual a senhora foi uma das subscritoras e ativa participante de todo o processo, tinha sido feito preocupada com o Brasil. Com o futuro do país e de seu povo. E em benefício de todas as gerações futuras. Em benefício “de seu neto”, disse a senhora, referindo-se ao menino, o pequeno neto da presidente Dilma.

Não, doutora Janaína Paschoal. O gesto da senhora, e de seus colegas Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior, também subscritores da petição do impeachment, não foi gesto em vão. Os bons frutos virão. E essa contaminação maligna que se arrasta e ainda se mantém no poder, mesmo depois do afastamento de Dilma, está bem perto do fim. O Brasíl vencerá. Viver feliz, com ordem, paz e progresso, é o primeiro e fundamental Direito de todo o povo brasileiro.

ESTUPEFAÇÃO – Imagino o quanto a senhora, que foi autora do pedido de impeachment, que é professora de Direito Penal da Universidade de São Paulo (USP) e advogada militante, imagino o quanto a senhora está estupefata com as revelações que se tornaram públicas nesses dois últimos dias.

O presidente da República, tarde da noite, recebe em sua residência oficial, um empresário que conta e detalha ao Chefe da Nação a prática de um monte de crimes que o empresário visitante vem cometendo. Crimes contra os interesses nacionais. Crimes contra a Administração da Justiça. Crimes de corrupção.  Crimes de Lesa Pátria. E o presidente ouve tudo, sem esboçar reação. E quando esboça, incentiva o empresário a continuar nas práticas criminosas.

GRAVAÇÃO CLANDESTINA – Andam dizendo que o empresário induziu o presidente e a gravação do diálogo foi criminosa, por ter sido “clandestina”, assim considerada pelo próprio presidente em pronunciamento à Nação. Quanta insensatez, doutora Janaína. Um presidente-jurista, professor e autor de obras sobre Direito Constitucional, considerar “clandestina” uma gravação previamente autorizada pela Justiça. E mais: ao acusar de “clandestina” aquela gravação, o presidente desqualificou o Supremo Tribunal Federal, que a considerou boa e válida, a ponto de autorizar a abertura de inquérito policial contra o próprio presidente.

Perdoe-me, doutora Janaína. Sabemos que a senhora não tem culpa, porque a questão é constitucional. No impeachment do presidente, é o vice quem assume. Mas o vice de Dilma que assumiu a presidência por causa do impeachment que a senhora postulou e venceu, ele é igual ou pior que a presidente que a senhora tirou do poder.

TUDO ENCENAÇÃO – Na tarde de ontem, o curto discurso de Temer à Nação, mostrou um presidente determinado, rigoroso, enérgico, irritado e com o já conhecido gestual que não engana mais ninguém. Tudo foi encenação, doutora Janaína. Temer é um ator. Temer é frouxo. Temer é covarde. Temer é mentiroso. Até o seu nome é radical que se lhe for acrescido qualquer fonema não resulta em boa adjetivação (temeridade, temerário, temeroso…).

Por que, então, o presidente não teve com o visitante-agente-criminoso a mesma disposição, energia e rigor que nos enganou ontem no pronunciamento à Nação? Por que não o prendeu dentro da residência oficial e não chamou o delegado de polícia para lavrar o flagrante? O visitante não estava narrando e detalhando ao Chefe da Nação a prática de vários crimes?

TEMER CRIMINOSO – Arrisco a dizer que os crimes, omissivos e comissivos, do presidente foram de igual ou de maior potencial danoso e ofensivo do que os crimes que o visitante-criminoso lhe narrou e detalhou. Eram dois fora-da-lei conversando.

Mas as leis que transcendem a compreensão humana – e que são irrevogáveis e implacáveis – dispõem que este Brasil de todos nós precisava, para que seu povo venha viver na plena felicidade, na ordem, na paz e no progresso, atravessar essa quadra infamante e dolorosa…Que um Lula e Dilma assumissem o poder…que as riquezas nacionais fossem vilipendiadas…que a corrupção chegasse a patamares inimagináveis…que aparecessem brasileiros de nome Sérgio Moro… Janaína Paschoal… e de outros tantos Deltan Dallagnol, Carlos Fernando Lima, Marcelo Bretas e muitos mais.

Não é agora que o Brasil recomeça a crescer. Agora é que o Brasil começa a crescer. Não há mais o que esperar. A largada foi dada. Todos cairão. E pagarão por seus crimes nas penitenciárias.