Dodge tratará de sucessão na PGR e Lei de Abuso de Autoridade com Bolsonaro

“Tudo pode acontecer”, disse Bolsonaro sobre indicação para a PGR

Reynaldo Turollo Jr. e
Talita Fernandes
Folha

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu uma audiência com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), para esta quinta-feira, dia 22, na qual pretende tratar do projeto de lei de abuso de autoridade, aprovado no Congresso, e do futuro da Procuradoria-Geral da República. Na manhã desta quinta-feira, Bolsonaro disse a jornalistas que o encontro foi requerido por Dodge e que desconhecia o motivo. O mandato de Dodge na PGR termina em 17 de setembro, e o presidente ainda não anunciou quem indicará para substituí-la. A procuradora-geral, por lei, pode ser reconduzida para um novo mandato de dois anos.

“Ela quer falar comigo, eu atendo todo mundo. Não sei o que ela quer tratar comigo. Foi pedido dela. Estou de portas abertas para receber todo mundo. Tudo pode acontecer, todos estão no radar [para serem indicados]”, disse Bolsonaro. Segundo a assessoria da PGR, Dodge pretende tratar de dois assuntos com Bolsonaro, mas não especificamente de uma eventual recondução. Dodge será recebida no Palácio do Planalto às 17h. O primeiro assunto é a lei de abuso de autoridade. A Procuradoria já divulgou nota manifestando preocupação com dispositivos do projeto aprovado. Dodge deve apresentar ao presidente um estudo do órgão com sugestões de veto para alguns artigos.

PREOCUPAÇÃO – O outro assunto é o futuro da PGR. Como chefe da instituição, Dodge considera o tema inevitável e deve levar a Bolsonaro sua preocupação com a exposição recente do Ministério Público Federal por causa de informações que circulam, inclusive no entorno do presidente, sobre a sucessão na PGR. Nos últimos dias, declarações de que o presidente busca um nome alinhado a seu projeto de governo preocuparam membros do Ministério Público, que temem um aparelhamento. Na segunda-feira, dia 19, coordenadores das câmaras temáticas da instituição divulgaram texto reafirmando que os princípios constitucionais devem nortear a escolha do próximo procurador-geral.

A sucessão está embaralhada, com muitos candidatos correndo por fora da tradicional lista tríplice elaborada por meio de eleição interna da categoria. Nomes considerados favoritos por Bolsonaro nas últimas semanas, como Augusto Aras e Antônio Carlos Simões Martins Soares, viraram alvo de críticas públicas de aliados do presidente por causa de declarações antigas e recentes. Bolsonaro cogita deixar o anúncio do indicado para setembro. Se um nome não for indicado e aprovado pelo Senado antes de 17 de setembro, quem assume interinamente a PGR é o vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), no caso, o subprocurador-geral Alcides Martins.

“PALATÁVEL” – O nome de Martins é considerado palatável para o governo. Um dos membros mais antigos do MPF na ativa, Martins é descrito como um homem de perfil conservador, ligado à Igreja Católica.“Eu não quero uma pessoa que seja dez numa coisa e zero na outra. Eu quero que seja sete em tudo pra poder equilibrar”, disse Bolsonaro nesta quinta. “Não podemos ter uma pessoa lá preocupada apenas com uma coisa, e esquece o meio ambiente, esquece o combate à corrupção, esquece a questão das minorias, tá certo? Tem que buscar uma solução pra tudo isso”, afirmou.

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COMO COSTUMA ACONTECER A ELEIÇÃO DA PGR

Votação 
A ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) faz a cada dois anos uma eleição para definir quem os membros da categoria mais querem no cargo de procurador-geral da República. Estão aptos a votar cerca de 1.300 procuradores

Candidatos 
Tradicionalmente pode se candidatar qualquer procurador do Ministério Público Federal. Cada eleitor pode votar em mais de um nome

Lista
Os três candidatos mais votados compõem uma lista tríplice que é enviada ao presidente da República. Por lei, o presidente não precisa aderir à lista, mas essa tem sido a tradição desde 2003

Sabatina 
O escolhido precisa ser aprovado em sabatina do Senado. O mandato é de dois anos

Quem está na disputa
Mário Bonsaglia 
1º colocado na lista tríplice

Luiza Frischeisen 
2º colocada na lista tríplice

Blal Dalloul 
3º colocado na lista tríplice

Raquel Dodge 
Atual procuradora-geral, tenta a recondução

José Bonifácio de Andrada, Augusto Aras, Marcelo Rabello, Antônio Martins Soares e Paulo Gonet    
Atuais subprocuradores-gerais

O que faz o PGR 
É o chefe do Ministério Público da União (que inclui Ministério Público Federal, Ministério Público Militar, Ministério Público do Trabalho e Ministério Público do Distrito Federal e Territórios). Representa o MPF junto ao STF e ao STJ e tem atribuições administrativas ligadas às outras esferas do MPU

Imobilização do Coaf não deu certo e as investigações podem ser retomadas

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Charge do Aroeira (jornal O Dia/RJ)

Carlos Newton

Em surpreendente reportagem de Natália Portinari, no Globo, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) demonstra viver no mundo das nuvens. Teve coragem de declarar à jornalista que seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, ao assinar a medida provisória transferindo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Economia para o Banco Central, não teve a intenção de interromper a investigação sobre a movimentação financeira atípica do ex-assessor Fabrício Queiroz, que servia à família Bolsonaro e hoje é o chamado homem que sabia demais, na versão hitchcockiana da política brasileira.

“Pelo que eu entendi, foi uma mudança exatamente para dar blindagem política para aquilo (o órgão). Para não ter nenhuma suspeita de intervenção política” — afirmou o senador que não entende nada, ao exibir seus dons de humorista e garantir participação no concurso Piada do Ano.

AJUDA DE TOFFOLI – Como todos sabem, a providencial blindagem foi conseguida com ajuda do presidente do Supremo, Dias Toffoli, que aproveitou um pedido da defesa de Flávio Bolsonaro, em pleno recesso do Judiciário, e decidiu também blindar a si próprio, à mulher Roberta Maria Rangel, assim como ao ministro e amigo Gilmar Mendes e à mulher dele, Guiomar Feitosa.

Ao adotar essa decisão, que serviu como uma pré-anistia ampla, geral e irrestrita, Toffoli nem se preocupou em estar também beneficiando todo tipo de criminosos, inclusive os chefes das grandes facções, como PCC e CV, que dominam os presídios e mandam decapitar seus desafetos. Em busca da autoblindagem familiar e dos amigos, Toffoli não está nem aí para esses detalhes.

COAF VIROU UIF – Com a medida provisória, Bolsonaro tenta concluir a armação de Toffoli e eliminar qualquer possibilidade de voltar à alçada do ministro Sérgio Moro a gestão do Coaf, inclusive mudando a denominação do órgão, que agora se chama Unidade de Inteligência Financeira (UIF).

Como se vê, autoridades como Bolsonaro e Toffoli não têm medo do ridículo, muito pelo contrário. Construíram essa armação ilimitada a partir do ponto de vista de que todos os brasileiros são imbecis, mas isso não é verdade, na graça de Deus.

O primeiro empecilho foi a firmeza do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que se recusou a demitir os onze conselheiros do ex-Coaf, ou seja, manteve íntegra a memória do órgão.

NÃO HÁ BLINDAGEM – O mais curioso e interessante nesse complô a favor da corrupção é que seus autores não repararam que a blindagem é falha, tem efeito apenas suspensivo. Se algum cidadão entrar com uma ação popular pedindo a investigação das duplas Flávio/Queiroz, Toffoli/Roberta e Gilmar/Guiomar, o juiz de primeira instância pode determinar a quebra de sigilo e os trabalhos do Coaf com facilidade serão refeitos pela Polícia Federal e a Receita, cujos delegados e auditores estão ansiosos para encurralar esses meliantes de elite, que se julgam inatingíveis.

Mas os autores do golpe da blindagem não pensaram nessa possibilidade? É lamentável (para eles, claro), que existam brechas. Mas a vida é assim, apenas uma sucessão de fatos, porque em tese não há crime perfeito e esse pessoal do colarinho emporcalhado não perde por esperar.

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P. S.
Já ia esquecendo. O mais ridículo dessa trama é o presidente Bolsonaro. Ele não tem a menor cultura jurídica. Achou que a decisão de Toffoli havia protegido completamente Flávio, Queiroz e as respectivas famílias, e no entanto a blindagem jamais ocorreu. Mas isso já é outra história, muito intrigante, que também passou despercebida à imprensa e depois a gente conta. (C.N.)

Maia aponta resistência política para aprovação de pacote de privatizações

Uma das prioridades de Maia é a privatização da Eletrobras

Andréia Sadi
G1

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse ao blog  da jornalista Andréia Sadi nesta quinta-feira, dia 22, que as privatizações anunciadas pelo governo federal– e que terão de passar pelo aval do Congresso Nacional– sofrerão resistência política. Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), é proibida a privatização de estatais sem aprovação do Congresso. Pela mesma decisão, o aval do Legislativo só é dispensado na venda de subsidiárias pelo governo federal.

Questionado pelo blog sobre se acredita que o pacote de privatizações avançará este ano, Maia disse que sim, e que trabalha para isso. O presidente da Câmara acrescentou que o governo precisa trabalhar junto à base no Congresso. Maia reconheceu a importância das privatizações para a economia do país e disse que a maior resistência deve vir das bancadas do Nordeste e de Minas Gerais.

DESTINO DOS RECURSOS – Maia citou a necessidade de o governo detalhar os projetos e o destino dos recursos da venda das empresas, para que até o fim do ano a proposta avance na Casa. “Agora é que a questão da base fica mais sensível porque os deputados querem saber como o recurso das vendas será investido: o que é do Nordeste quer saber se vai para o São Francisco e assim por diante. Por isso, o governo precisa chamar e conversar com a base para explicar, porque vai ter resistência política, é preciso conversar”, disse Maia.

A equipe econômica do ministro da Economia, Paulo Guedes, já aguarda o enfrentamento político para aprovar as privatizações.

NOVE EMPRESAS –  Nesta quarta-feira, dia 21, o governo anunciou um plano para privatizar nove empresas estatais. A carteira atual do  Programa de Parceria de Investimento (PPI) conta com 18 ativos e está estimada em R$ 1,3 trilhão. De acordo com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o anúncio desta quarta deve passar a estimativa dos ativos para R$ 2 trilhões. Entre os 18 ativos da carteira, estão a Eletrobras, a Trensurb, a CBTU e a Casa da Moeda.

Uma das prioridades de Maia é a privatização da Eletrobras, que depende do aval do Congresso. Nesta quarta-feira, ele disse querer aprovar a venda o mais rápido possível. A privatização da Eletrobras é um assunto que vem sendo debatido desde o governo Michel Temer.

Sem provas, Bolsonaro sugere ação de ONGs em queimadas na Amazônia

Ambientalistas apontam a fala como “irresponsável” e  “leviana”

Guilherme Mazui
G1

O presidente Jair Bolsonaro declarou nesta quinta-feira, dia 22, ao ser questionado por jornalistas, que fazendeiros podem estar por trás de queimadas na região amazônica, porém a “maior suspeita” recai sobre organizações não-governamentais (ONGs). Bolsonaro voltou a comentar o tema em entrevista na saída do Palácio da Alvorada. Na quarta-feira, dia 21, o presidente levantou a suspeita de que “ongueiros” sejam os responsáveis por incêndios na região.

A Amazônia concentra 52,5% dos focos de queimadas de 2019, segundo os dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O G1 mostrou que o número de queimadas aumentou 82% em relação ao mesmo período de 2019 – de janeiro a 18 de agosto. Indagado se fazendeiros poderiam estar por trás das queimadas, Bolsonaro disse que sim, porém reforçou a suspeita sobre as ONGs.

FLAGRANTE – “Pode, pode ser fazendeiro, pode. Todo mundo é suspeito, mas a maior suspeita vem de ONGs”, declarou o presidente. Bolsonaro ainda foi perguntado se há provas e repetiu que não há registros escritos. “Não se tem prova disso, meu Deus do céu. Ninguém escreve isso, vou queimar lá, não existe isso. Se você não pegar em flagrante quem está queimando e buscar quem mandou fazer isso, que isso tá acontecendo, é um crime que está acontecendo”, declarou.

O presidente criticou a cobertura da imprensa às declarações, disse que não defende queimadas e que apresentou uma suspeita, já que as ONGs perderam recursos que eram direcionados pelo governo. Questionado sobre os responsáveis pelos incêndios, Bolsonaro ironizou: “São os índios, quer que eu culpe os índios? Vai escrever os índios amanhã? Quer que eu culpe os marcianos? É, no meu entender, um indício fortíssimo que esse pessoal da ONG perdeu a teta deles. É simples”.

Nesta quarta-feira , dia 21, ambientalistas classificaram a fala de Bolsonaro sobre relacionar queimadas às ONGs como “irresponsável” e “leviana”. “Essa afirmativa da Presidência da República é completamente irresponsável, porque as ONGs têm como objetivo o meio ambiente como prioridade. Não faz nenhum sentido dizer que ONG está colocando fogo em floresta, pelo contrário. É um grande absurdo”, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy.

PETROBRAS –  Bolsonaro não descartou durante a entrevista a possibilidade de privatizar a Petrobras até o final do seu mandato, em 2022. O presidente disse que seria preciso analisar o “custo-benefício” do negócio para o Brasil. “Estuda tudo, pô. Tudo o governo estuda. Vai ter que analisar custo-benefício, o que que é bom Brasil ou que que não é”, disse. Na quarta-feira, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, declarou que o governo ainda não tem uma definição sobre o tema. Questionado nesta quinta se concorda com uma possível venda da estatal, Bolsonaro respondeu que avaliará uma eventual proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes. “Vou ouvir a proposta que vai ser apresentada para mim. Quando chegar para mim, daí eu falo”, afirmou.

O presidente ainda voltou a reclamar do preço dos combustíveis pago pelo consumidor nos postos e disse que conversou com representantes da Petrobras sobre o assunto. “Eu quero saber por que o preço diminui na refinaria, que está diminuindo, e na ponta não diminui. O que a gente tem que fazer para esse preço chegar na ponta. Se está havendo cartel ou não está, não posso acusar”, declarou. Questionado se a ação pode ser vista como uma interferência na política de preços da empresa, ele declarou que o “objetivo” da estatal “atender melhor a população”.

NOVO IMPOSTO –  Bolsonaro declarou que ouvirá a opinião do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a incluir na proposta de reforma tributária a criação um imposto sobre transações financeiras nos moldes da extinta Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF). “Vou ouvir a opinião dele [Guedes]. Se desburocratizar muita coisa, diminuir esse cipoal de impostos, essa burocracia enorme”, disse o presidente.

Guedes afirmou nesta quarta-feira que a volta do tributo teria como objetivo diminuir a tributação sobre a folha de pagamentos, como forma de estimular a geração de empregos no país. Perguntado a respeito do tributo, Bolsonaro disse estar disposto a “conversar”, mesmo já tendo dito anteriormente que não recriaria a CPMF. “Eu estou disposto a conversar, não pretendo, falei que não pretendo recriar a CPMF. … O que ele [Guedes] complementou? A sociedade que tome decisão a esse respeito. Ele pode falar ‘vou botar 0,10% na CPMF e em consequência acabo com tais e tais impostos’. Não sei. Por isso que eu evito falar com vocês, vocês falam que eu recuo”, declarou.

PGR –  Bolsonaro informou que a reunião que terá com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, na tarde desta quinta-feira foi a pedido da própria chefe do Ministério Público Federal. Dodge está na disputa pela recondução como PGR, já que seu atual mandato se encerra em setembro. Em junho deste ano, ela disse que está “à disposição” para permanecer no cargo. Bolsonaro ainda não decidiu se a mantém ou se indica um outro procurador. Segundo ele, a decisão sairá na “hora certa”.

O presidente ressaltou que deseja um chefe da PGR nota “sete” para que tenha uma atuação equilibrada. “Eu não quero uma pessoa que seja 10 numa coisa e zero na outra. Eu quero que seja sete em tudo pra poder equilibrar. Não podemos ter uma pessoa lá preocupada apenas com uma coisa, e esquece o meio ambiente, esquece o combate a corrupção, esquece a questão das minorias, tá certo? tem que buscar uma solução pra tudo isso”, afirmou.

Flávio Bolsonaro elogia mudanças no Coaf e defende ‘blindagem política’

“Todo mundo tinha que estar aplaudindo”, afirma o senador

Natália Portinari
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) defendeu a Medida Provisória (MP), publicada nesta semana, transferindo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Economia para o Banco Central. O órgão também mudou de nome: agora se chama Unidade de Inteligência Financeira ( UIF ). “Pelo que eu entendi, foi uma mudança exatamente para dar blindagem política para aquilo (o órgão). Para não ter nenhuma suspeita de intervenção política”,  afirmou.

Em dezembro do ano passado, um relatório do Coaf apontou movimentação financeira atípica de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Flávio é investigado por suposto desvio de dinheiro público em seu antigo gabinete. A investigação, porém, foi suspensa por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro  Dias Toffoli , que acolheu pedido da defesa do senador para paralisar temporariamente todas as investigações em curso no país que tenham como base dados sigilosos compartilhados pelo Coaf e pela Receita Federal sem autorização prévia da Justiça.

INTERVENÇÃO – Flávio defendeu, também, uma possível intervenção de seu pai na Receita Federal. “Ele é que manda. Se ele quiser trocar um sargento da quinta bateria, ele não pode? Ele é presidente, ele vai ter que escolher quem está no time dele. Questão de bom senso. O critério é do presidente, pode ser proximidade, pode ser confiança, pode ser qualquer coisa”, disse.

Recentemente, o presidente ameaçou exonerar o superintendente da Receita Federal no Rio de Janeiro, Mário Dehon, além do delegado da alfândega do porto de Itaguaí, José Alex de Oliveira, e a chefe do Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC) da Barra da Tijuca, Adriana Trilles. Para Flávio Bolsonaro, a mudança no Coaf se deu para blindar o órgão de pressões políticas, já que o órgão ficará sob um órgão mais técnico, o Banco Central. A mesma justificativa foi apresentada por seu pai e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.”Todo mundo tinha que estar aplaudindo”, afirmou.

BRECHA – A MP elaborada pelo governo Bolsonaro abre brecha para indicações políticas ao criar um conselho deliberativo, um grupo de até 14 pessoas que não precisam ser servidores públicos, com poder para aplicar sanções a pessoas físicas e jurídicas, envolvidas em atos de lavagem de dinheiro ou omissão de prestação de informação às autoridades federais.

O grupo, batizado de conselho deliberativo, pode ser composto por indicações políticas. Entidades de classe criticaram a mudança . Nesta quarta-feira, dia 21, o presidente do  Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, decidiu manter, por enquanto, os 11 conselheiros que já atuavam no conselho.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFlávio Bolsonaro não entendeu nada e pensa (?) que escapou da Justiça. É um engano. As investigações do Coaf vão prosseguir, de uma forma ou outra. Daqui a pouco a gente volta, com informações surpreendentes, porque a blindagem parece perfeita, mas não é. (C.N.)

PSDB rejeita pedidos de expulsão de Aécio Neves e impõe derrota a Doria

“O partido tomou uma decisão serena e democrática”, disse Aécio

Thais Arbex e
Carolina Linhares
Folha

A executiva do PSDB decidiu nesta quarta-feira (21) rejeitar dois pedidos de expulsão do deputado Aécio Neves (PSDB-MG), em uma derrota para o governador de São Paulo, João Doria. Ao todo, 35 tucanos participaram da reunião no diretório nacional do partido, em Brasília. Foram 30 votos a favor de Aécio, 4 contra e uma abstenção.

Doria, que tem adotado um discurso de renovação da sigla, disse em nota que o “PSDB escolheu o lado errado”. “O derrotado neste caso não foi foi quem defendeu o afastamento de Aécio. Quem perdeu foi o Brasil”, afirmou o governador. Num recado a Doria, Aécio afirmou que agora é “hora de todos nós lambermos as feridas e olharmos para frente”, com “menos rancor no coração e mais amor a se distribuir a todos”. Aécio já presidiu o PSDB, foi presidenciável em 2014, além de governador e senador de Minas Gerais.

DECISÃO DEFINITIVA – Presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo afirmou a decisão desta quarta é “definitiva”. “O assunto Aécio Neves em relação aos fatos apresentados está encerrado”, disse. Aécio é investigado em uma série de inquéritos e se tornou réu, em abril de 2018, sob acusação de corrupção passiva e obstrução da Justiça. O deputado ainda não foi julgado.

O deputado é réu no processo relativo ao episódio em que foi gravado, em março de 2017, pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, da JBS. A ofensiva contra o deputado mineiro foi patrocinada por Doria, que conseguiu apenas quatro votos contra Aécio: o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), do prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, do secretário de Saúde da capital paulista, Edson Aparecido, e do tesoureiro do PSDB, César Gontijo. A abstenção foi do líder do partido na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP).

DESGASTE – Uma das representações analisadas nesta quarta-feira foi formalizada pela direção paulistana em 9 de julho, um dia antes de o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), aliado de Doria, ameaçar deixar o partido caso Aécio não fosse expulso. Covas, que busca a reeleição no ano que vem, chegou a dizer “ou eu ou ele” para defender a saída do mineiro do partido. Pesquisas internas do PSDB mostram desgaste eleitoral por conta de Aécio. Em 2018, o partido amargou seu pior resultado a nível nacional.

A outra representação analisada na reunião foi oficializada pelo diretório estadual de São Paulo na terça-feira (20). Relator e aliado do mineiro, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA) apresentou parecer contrário à admissibilidade das representações. A maioria da executiva acompanhou o entendimento, travando a possibilidade de os casos avançarem para o Conselho de Ética do partido. De última hora, Sabino mudou seu relatório e decidiu rejeitar, de uma só vez, dois pedidos: o do diretório municipal e o do estadual de São Paulo. A princípio, só a representação da capital paulista seria analisada. A reunião da executiva chegou a ser interrompida para que ele pudesse refazer seu parecer.

“REGRAS” – Questionado se a posição da executiva foi uma derrota para Doria, Aécio afirmou não enxergar dessa forma, mas classificou o processo como eleitoreiro. “Ao meu ver, uma preposição inadequada foi feita, claramente, com uma percepção eleitoral e o partido simplesmente disse que aqui tem regras e essas regras é o que vão fortalecer o candidato do partido”, disse. “Doria tem qualidades, obviamente que é um projeto ainda em construção vai passar por pelo êxito da sua administração em São Paulo, para o qual todos nós torcemos.”

Para Aécio, “o PSDB deu uma demonstração de que quer virar essa página”. “O PSDB sabe de sua responsabilidade”, disse. “O partido tomou uma decisão serena e democrática. Não há aqui vitoriosos e vencidos. É uma decisão que respeita não apenas aquilo que prevê o estatuto, mas também a história daqueles que construíram o PSDB. Ninguém perde nesse episódio”, disse a jornalistas. Doria, que trabalha para ser candidato à Presidência em 2022 e hoje é tido como o principal líder nacional do PSDB, afirmou na terça-feira (20) que o correligionário deveria fazer sua defesa fora do partido.

“A meu ver, o deputado Aécio Neves tem todo o direito a formular a sua defesa, confiante na sua inocência, mas pode fazê-lo fora do PSDB”, disse após reunião com a bancada da Câmara, em Brasília. Após vencer a eleição para governador, Doria tem trabalhado para controlar o PSDB e emplacou um aliado, Bruno Araújo, na direção nacional. Ao pregar um “novo PSDB”, de filiados jovens e com aqueles envolvidos em corrupção afastados, o governador paulista se opõe à ala histórica do partido.

OPORTUNISMO – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, chegou a defender Aécio ao dizer que “jogar aliados às feras é oportunismo”. Outro episódio que opôs tucanos da velha guarda a Doria foi a recente filiação do deputado Alexandre Frota ao partido. Nesta quarta, Doria afirmou em nota que respeita a votação da executiva nacional, “mas ela não reflete o sentimento da opinião pública brasileira”. “Cada membro da executiva deve responder por sua posição. A minha é clara: Aécio Neves deve se afastar do PSDB e fazer sua defesa fora do partido.”

O presidente do PSDB paulista e aliado de Doria, Marco Vinholi, também divulgou nota afirmando que a decisão “coloca fumaça num cenário em que a sociedade exige, cada dia mais, transparência e lucidez dos agentes público”. “O PSDB-SP não vai virar as costas para a sua história e continuará atuando para que os filiados ao partido não tratem lisura partidária como uma peça acessória”, completou.

CRIMINALIZAÇÃO – Nesta quarta, no entanto, venceu a tese de que, num momento em que a classe política está em xeque, levar adiante um pedido de expulsão de Aécio daria ainda mais gás ao discurso de criminalização da política. “Nesse quadro tão radicalizado da política brasileira, com tantos desatinos que estamos assistindo, de um governo que ainda não compreendeu a dimensão do seu papel de presidir o país e não um gueto, uma parcela, há um espaço enorme para que o PSDB reassuma um papel de protagonismo”, disse Aécio.

A solução pró-Aécio surgiu também em meio a uma série de apelos de líderes dos principais partidos do Congresso a integrantes do PSDB. Caciques de importantes siglas pediram ao líder tucano na Câmara, Carlos Sampaio (SP), que trabalhasse para evitar o avanço da discussão da expulsão. A vitória de Aécio não significa um arrefecimento da situação do deputado dentro do PSDB, avaliam aliados do mineiro. Eles dizem que novas representações devem surgir e, mesmo diante da maioria formada nesta quarta, haverá pressão para que o deputado deixe a sigla.

O diretório municipal de São Bernardo do Campo, do grupo político do prefeito Orlando Morando, por exemplo, já formulou um pedido de expulsão do mineiro. Morando, que é um dos principais aliados de Doria, afirmou que a discussão sobre a saída de Aécio do PSDB não está encerrada. “Quero deixar claro o desconforto que é ter o Aécio Neves nos nossos quadros partidários. É um erro de avaliação política a permanência e o estrago que a imagem do Aécio causa ao partido”, disse.

NOVA PEÇA – Nesta quarta, o diretório de São Paulo chegou a enviar nova peça à direção nacional do partido, mais robusta juridicamente que a anterior. O documento iniciava com uma citação de Tancredo Neves, presidente eleito do Brasil e avô de Aécio. “Urge que a nova legislatura comece a cuidar, desde já, de novos métodos e processos que assegurem, por inteiro, a honestidade e a veracidade dos pleitos, protegendo o voto de todas as garantias que o abroquelem contra as falsas seduções da demagogia, das deformações da violência e da ação deletéria da corrupção”, discursou Tancredo.

O código de ética do PSDB, aprovado em maio, prevê expulsão em caso de condenação por corrupção transitada em julgado, o que não é o caso de Aécio. Mas tucanos veem brechas para que ele seja enquadrado por outras infrações. O texto também prevê a expulsão, por exemplo, daquele que “usar os poderes e prerrogativas do cargo de direção partidária para constranger ou aliciar filiado, colega ou qualquer pessoa sobre a qual exerça ascendência hierárquica, com o fim de obter qualquer espécie de favorecimento ou vantagem”.

Aécio nega a prática de crimes e, em relação ao processo em que é réu sobre a JBS, diz que o dinheiro era um empréstimo pedido a Joesley. “Essas questões jurídicas serão esclarecidas no seu tempo. Tenho enorme orgulho do papel que desempenhei ao longo de toda a minha vida, inclusive nos quase cinco anos em que fui presidente do PSDB. Agi sempre dentro da lei e em defesa dos interesses do partido”, disse Aécio.

 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  
Conforme dito por esta Tribuna anteriormente, apesar dos rumores sobre uma possível expulsão, Aécio ainda detém muito poder, respeito e “afilhados”, além do legado tucano desde a sua fundação. (M.C)

O QUE PESA CONTRA AÉCIO

AÇÃO PENAL

R$ 2 milhões Mineiro é réu sob acusação de corrupção passiva e obstrução de Justiça, relativo ao episódio em que solicitou R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS

Onde tramita? Justiça Federal de São Paulo

O que diz Aécio? Não houve crime, o dinheiro era um empréstimo pedido a Joesley

INVESTIGAÇÕES

JBS Apura se Aécio recebeu mais de R$ 60 milhões por meio de notas fiscais frias, como aponta delação dos empresários

Onde tramita? Justiça Federal de São Paulo

O que diz Aécio?  A defesa diz que a investigação se refere a doações eleitorais feitas em 2014 a diversos partidos, e não a Aécio. Mas o inquérito fala em “recebimento, no ano de 2014, de propina da ordem de mais de R$ 60 milhões”, que serviu para pagar os partidos

Cidade Administrativa

Aécio, de acordo com ex-executivos da Odebrecht, organizou esquema de fraude a licitações quando era governador de Minas Gerais, em troca de receber 3% do valor do contrato, como propina

Onde tramita? Justiça Estadual de Minas Gerais

O que diz Aécio?  Não existe a declaração de ex-executivos Odebrecht de que Aécio tenha solicitado propina sobre obras da Cidade Administrativa. Porém, inquérito diz que Aécio fraudou licitação da obra “com o escopo último de obter propinas”

Eleitoral Odebrecht teria pago, a pedido de Aécio, caixa dois a campanhas de 2010 em Minas Gerais

Onde tramita? Justiça Eleitoral de Minas Gerais

O que diz Aécio? Aécio não discutiu doações ou contrapartidas com executivos da Odebrecht.

2014 Aécio solicitou, por meio de contratos fictícios com empresa de marketing, R$ 6 milhões para a campanha à Presidência de 2014, segundo delatores da Odebrecht

Onde tramita? Supremo Tribunal Federal

O que diz Aécio? Aécio não discutiu doações ou contrapartidas com executivos da Odebrecht. Inquérito fala em “suposto pagamento […] por parte do Grupo Odebrecht, a pedido de Aécio”, para campanhas em 2014

Aliados A pedido do tucano, aliados receberam R$ 6 milhões não contabilizados em 2014, de acordo com executivos da Odebrecht

Onde tramita? Supremo Tribunal Federal

O que diz Aécio? Aécio não discutiu doações ou contrapartidas com executivos da Odebrecht. Inquérito fala em “suposto pagamento […] por parte do Grupo Odebrecht, a pedido de Aécio”, para campanhas em 2014

Furnas Investiga se tucano esteve envolvido em suposto esquema de lavagem de dinheiro na estatal

Onde tramita? Supremo Tribunal Federal

O que diz Aécio? Não existe sequer um depoimento ou documento que aponte qualquer irregularidade

Hidrelétricas Aécio teria acertado propina para defender interesses da Odebrecht e Andrade Gutierrez nas obras das usinas de Santo Antônio e Jirau

Onde tramita? Supremo Tribunal Federal

O que diz Aécio? Foi uma obra do governo do PT, não havendo participação do governo de Minas Gerais. Inquérito fala em “supostos pagamentos ilícitos feitos pelo Grupo Odebrecht em favor de parlamentares”, incluindo Aécio

O QUE FOI ARQUIVADO

Mensalão tucano Aécio foi investigado por suposta maquiagem para esconder a existência do esquema que irrigou a campanha de Eduardo Azeredo ao Governo de Minas Gerais em 1998. Investigação arquivada pelo ministro Gilmar Mendes (STF) a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Bastidores do Planalto: PF ameaça ‘implodir’ se houver interferência de Bolsonaro

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Charge do Adwall (Arquivo Google)

Breno Pires
Estadão

A tentativa do presidente Jair Bolsonaro de interferir na escolha do superintendente da Polícia Federal no Rio é mais um capítulo da disputa velada de forças que ele trava com o ministro da Justiça, Sérgio Moro. A PF não aceita indicação de “cima para baixo” para o preenchimento dessa vaga e ameaça implodir caso o ministro ceda a uma interferência do Planalto.

Segundo o Estado apurou, se Bolsonaro insistir em impor sua vontade, para Moro restariam duas alternativas. Uma é aceitar e perder o controle da Polícia Federal. A outra é rejeitar a interferência e pedir demissão do cargo.

HAVERÁ REAÇÃO – Dirigentes da PF dizem que não vão agir como os colegas da Receita Federal, que vêm sendo atacados pelo presidente constantemente sem reação.  O secretário da Receita, Marcos Cintra, se reuniu nesta sexta-feira no Rio com o ministro Paulo Guedes para discutir uma reestruturação no órgão.

Bolsonaro falou sobre o assunto duas vezes nesta sexta-feira, 16. Primeiro, avisou que é ele “quem manda” e indicou que colocaria na vaga de superintendente da PF no Rio o atual responsável pela PF no Amazonas, Alexandre Saraiva. Em nova entrevista, horas depois, baixou o tom. “Eu sugeri o de Manaus. Se vier o de Pernambuco não tem problema, não”, afirmou. Essa última declaração ajudou a acalmar a PF.

Saraiva é próximo dos filhos do presidente e já foi cotado para assumir o Ministério do Meio Ambiente. No início de dezembro, Bolsonaro chegou a sondá-lo. Acabou escolhendo Ricardo Salles para comandar a pasta.

QUEM MANDA? – Na primeira entrevista que concedeu na sexta sobre o assunto, Bolsonaro foi bem assertivo. “Está pré-acertado que seria lá o de Manaus… Se ele resolver mudar, vai ter que falar comigo. Quem manda sou eu… deixar bem claro”, avisou. “Se eu for trocar os superintendentes, qual é o problema? É igual o Coaf. Eu tentei deixar o Coaf com Moro via medida provisória, o Congresso botou na Fazenda e o Paulo Guedes que decide”, complementou.

O comentário do presidente respondeu a uma nota divulgada pela PF informando que o delegado Carlos Henrique Sousa iria para a vaga de Ricardo Saadi no Rio. Como revelou o Estado, o nome de Sousa foi incluído na nota propositadamente para evitar uma indicação política da parte do presidente. A nota rebateu também críticas de Bolsonaro a Saadi.

MORO AUTORIZOU – O Estado apurou que o texto foi autorizado por Moro. A indicação dos superintendentes da PF é prerrogativa do diretor-geral da instituição, mas o presidente da República pode vetar qualquer nome por se tratar de cargo de confiança. Não é comum, contudo, a interferência.

O presidente não tem poupado Moro nos últimos meses. Já determinou que ele desconvidasse uma suplente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP); apoiou a retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da Justiça para o Ministério da Fazenda e ignorou o ministério de Moro ao elaborar seu segundo decreto de armas.

No dia em que anunciou Moro em sua equipe, Bolsonaro prometeu que ele comandaria um “superministério” e teria “liberdade total”. “Eu não vou interferir em absolutamente nada que venha a ocorrer dentro da Justiça no tocante a esse combate à corrupção. Mesmo que viesse a mexer com alguém da minha família no futuro. Não importa. Eu disse a ele: é liberdade total pra trabalhar pelo Brasil “, disse à época.

Paulo Guedes demonstra absurda ingenuidade ao defender o livre comércio

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Francisco Vieira

O artigo de José Vidal, recentemente publicado aqui na TI, está correto ao defender os juro subsidiados do BNDES para incentivar a indústria. O Brasil está sofrendo uma das maiores desindustrializações da história, em um período muito curto. Nos anos 80 e 90, no ponto mais alto da industrialização, esse setor representou 35% da produção nacional. Hoje não é nem 12% e está caindo. Os brasileiros têm que entender como é séria a redução da indústria de transformação no Brasil.

Nenhum país desenvolvido jamais apoiará a industrialização do Brasil. Não querem que surja um novo Japão ao sul do equador e por isso acredito que o Guedes esteja equivocado quando defende o livre mercado no Brasil, com o fim do protecionismo, alegando que é exatamente isso que está acontecendo hoje no mundo!

LIVRE COMÉRCIO – Hoje, quando olhamos para os países ricos, em sua maioria, eles praticam o livre comércio. Por isso, é comum pensarmos que foi com esta receita que eles se desenvolveram.

Mas, na realidade, eles se tornaram ricos usando o protecionismo e as empresas estatais. Foi só quando eles enriqueceram é que adotaram o livre comércio para si e também como uma imposição a outros países.

O título do meu livro “Chutando a Escada” é uma referência a uma obra de um economista alemão do século XIX, Friedrich List, que foi exilado político nos Estados Unidos em 1820. Ele critica a Inglaterra por querer impor aos EUA e à Alemanha o livre comércio. Afinal, quando você olha para a história inglesa, eles usaram todo o tipo de protecionismo para se tornar uma nação rica. A Inglaterra, ao dizer que outros países não podem usar o protecionismo é como alguém que, após subir no topo de uma escada, chuta a escada para que outros não possam usá-la novamente.”

CASO DA ALEMANHA – Mais da metade (55,5%) das exportações brasileiras para a Alemanha é composta por produtos básicos, como soja em grão (16,3% do total), minérios de ferro (13,3%), café em grão (8,9%), farelo de soja (3,9%), carne de frango (2,9%) e carne bovina (2,5%).”

Algum alemão precisa ensinar aos brasileiros como produzir os produtos que eles consomem na Alemanha sem que se precise desmatar por aqui… E talvez alguém diga a eles que o agricultor só planta se tiver lucro na hora de vender e que, quanto maior for a população mundial, maior será a demanda por alimentos.

Portanto, a melhor maneira de preservar não só as florestas brasileiras, mas também as de todo o mundo, seria, ou melhor, é através do controle de natalidade. Com pouca demanda, ninguém irá desmatar para aumentar a oferta de produtos e tomar prejuízo na hora da venda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBelo retorno, Francisco Vieira, com excelentes colocações. Aproveito para lembrar que todos os países desenvolvidos do mundo subsidiam seus produtos agropecuários, mas exigem que o Brasil não adote pedidas protecionistas. Na verdade, Guedes é um bobalhão colonizado. (C.N.) 

Poetas dançam nos fios das luzes das estrelas, na visão surreal de Guimarães Rosa

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Site Poemas & Canções

O médico, diplomata, romancista, contista e poeta João Guimarães Rosa (1908-1967), nascido em Cordisburgo (MG), é um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, sendo o romance “Grande Sertão: Veredas”,  que ele qualifica como uma “autobiografia irracional”, a sua obra mais conhecida. Entretanto, Guimarães Rosa também enveredou pelos veios poéticos, conforme o poema “Luar”, cujos versos revelam todo o poder que a Lua exerce na imaginação, na criação e na inspiração do poeta.

LUAR
Guimarães Rosa

De brejo em brejo,
os sapos avisam:
–A lua surgiu!…

No alto da noite
as estrelinhas piscam,
puxando fios,
e dançam nos fios
cachos de poetas.

A lua madura
Rola, desprendida,
por entre os musgos
das nuvens brancas…
Quem a colheu,
quem a arrancou
do caule longo
da via-láctea?…

Desliza solta…

Se lhe estenderes
tuas mãos brancas,
ela cairá…

Ser ou não ser embaixador, eis a questão shakespeariana de Bolsonaro pai e filho

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Charge do Aroeira (jornal O Dia/RJ)

Pedro do Coutto

O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo publicaram na quarta-feira tanto a hipótese de o Presidente Jair Bolsonaro recuar da indicação quanto a afirmação do deputado Eduardo Bolsonaro de que sua indicação está mantida e ele está preparado para enfrentar a sabatina do Senado Federal.

A reportagem da Folha está assinada por Gustavo Uribe e Bruno Boghossian. E ao longo do dia de ontem o presidente da República fez novo pronunciamento, para confirmar que a indicação de seu filho para embaixador nos EUA está mantida.

“FRACASSO” – Na terça-feira, e os jornais publicaram ontem, Jair Bolsonaro sustentava que não iria expor seu filho a um fracasso. Assim, em menos de 24 horas o chefe do Executivo mudou seu posicionamento.

Essa é uma face da questão. Na minha opinião, qualquer que seja o desfecho, tanto pai quanto filho não sairão bem do problema. Tal desfecho repercutirá fortemente na opinião pública. 

O problema poderá ser resolvido nas próximas horas, de acordo com as novas tendências que forem consolidadas em torno da presidência da República. Apesar de o presidente Bolsonaro ter dito que só resolverá a questão em setembro a atmosfera política não se modificará em face do adiamento.

TENDÊNCIA – Tenho a impressão de que o presidente da República, nesse novo espaço de tempo certamente procurará sentir melhor a disposição do Senado de aprovar ou não a indicação. 

Vamos esperar, mas enquanto isso, surge um novo sonho do Ministro Paulo Guedes. Reunido com senadores destacou que, desvinculando do universo federal as receitas dos estados e municípios, o governo espera transferir cerca de R$ 500 bilhões a estados e municípios nos próximos 15 anos por meio de ações do chamado novo pacto federativo. Entre as medidas, estão novas regras para a divisão de recursos da exploração do petróleo, autorização para que estados obtenham empréstimos com garantia, além de mais dinheiro para o Fundeb, que financia a educação básica nos municípios. Uma matéria de Vanderlei Lima, Lu Akito Otta e Edna Simão, no Valor, aborda o assunto. Eis aí mais um lance de dados divulgado por Paulo Guedes. 

ABRIR AS CORTINAS – Somando-se R$ 100 bilhões por ano, economizados com a Previdência, e mais praticamente outros R$ 33 bilhões desse novo cálculo, abrindo-se as cortinas, vamos nos deparar com uma capacidade fantástica de gerar recursos para reerguer a economia brasileira. 

Sonhar é fácil. Executar é que é difícil.

 

Ficar isolado da comunidade internacional às vezes significa estar na normalidade

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro Meira

Diz-se que o Brasil está se isolando da comunidade internacional, mas, ironicamente, este não é um fato “isolado”. Se acompanharmos o noticiário, constataremos que nos tempos atuais meio mundo ou mais ficou ou está a caminho de ficar isolado da “comunidade internacional”: os Estados Unidos por causa de Donald Trump, estão ficando isolados, assim também a Grã-Bretanha por causa do Brexit, idem as Filipinas, isoladas por causa da eleição de Roberto Duterte, idem a Rússia, isolada há quase uma década pela confusão na Ucrânia fomentada pelo Ocidente.

Da mesma forma, agora a Argentina ficará isolada por causa da iminente volta do kirchnerismo, assim como foi dito que López Obrador isolaria o México, ou como Recep Erdogan teria isolado a Turquia depois que seu milagre econômico perdeu o charme, e mesmo a China, por causa da repressão aos protestos de Hong Kong…

ISOLAMENTO – Provavelmente as coisas seriam bem mais fáceis e agradáveis se fosse atribuído à “comunidade internacional” decidir quem deve governar cada país do mundo, em vez de deixar isso por conta da gentalha que vive em cada um deles.

Por isso, qualquer país que eleja alguém que não seja do gosto da grande mídia, acaba prontamente isolado da “comunidade internacional”. E quem é a tal “comunidade internacional”?

Nos dias atuais, parece que essa tal “comunidade internacional” se resume à burocracia de Bruxelas e ao núcleo duro da União Européia, chefiado por Angela Merkel e Emmanuel Macron, o príncipe engomado da mídia. E este último é tão amado pela grande imprensa quanto é impopular entre os franceses, e há grandes possibilidades de que acabe não reeleito, derrotado pela extrema direita ou pela extrema esquerda, o que deixará a França “isolada da comunidade internacional”, que, portanto, ficará reduzida à Alemanha de Merkel e aos baleeiros ecológicos da Escandinávia, aparentemente.

QUERIDINHOS – O que não é dito é que o Brasil já teve governantes muito queridos da “comunidade internacional”, como aquele cultíssimo e elegante Fernando Henrique, o superoperário Lula da Silva, e a gerentona Dilma Rousseff, que nos legaram um país afundado, e ficam botando a culpa na CIA, ou na burrice ou no “ódio” daqueles que se recusam a fingir que nada houve de errado na era tucano-petista.

Por causa dos malfeitos daqueles governantes que eram tão respeitados e admirados pela “comunidade internacional”, todos candidatos a secretário-geral da ONU, foi que acabamos nas mãos de Jair Bolsonaro. Os aplausos internacionais nada significam e há que se constatar o óbvio: os países, assim como as pessoas, têm interesses conflitantes, é inevitável um grau maior ou menor de desentendimentos.

O mundo não é a letra de “Imagine” de John Lennon, nem nunca foi. As supostas grandes e boas épocas de ordem e paz mundial (Pax Romana, Pax Britannica etc.) foram construções impostas à base de violência, que não puderam durar para sempre.

Juiz da Lava-Jato determina que Guido Mantega coloque tornozeleira eletrônica

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Mantega mostra que conseguia roubar usando as duas mãos…

Dimitrius Dantas
O Globo

Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma Rousseff, deverá colocar tornozeleira eletrônica, decidiu o juiz Luiz Antonio Bonat, substituto do atual ministro da Justiça Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba. A medida foi tomada no despacho que autorizou a deflagração da 63ª fase da Lava-Jato, denominada Carbonara Chimica.

A força-tarefa da Lava-Jato pediu a prisão do petista, mas o pedido foi negado por Bonat, que considerou que não havia razões para tirar a liberdade de Mantega. O magistrado também determinou o bloqueio de R$ 50 milhões das contas do ex-ministro.

SEM PRENDER – Bonat lembrou que não há perspectiva de que Mantega possa cometer novas irregularidades, uma das razões necessárias para a decretação de uma prisão preventiva ou temporária.

Entre os motivos para negar a prisão, Bonat também citou que os recursos atribuídos a Mantega no exterior já estão bloqueados, o que, segundo ele, dimInui sua chance de fuga, e não há informação sobre seu envolvimento em fatos criminosos após deixar o Ministério da Fazenda, em janeiro de 2015.

“Diante do exposto, apesar das alegações do MPF, entendo que não há causa suficiente para a decretação da prisão preventiva

MEDIDAS PROVISÓRIAS – O MPF alegou que, enquanto ministro, ele teria atuado em favor da Odebrecht para a aprovação de medidas provisórias que beneficiaram o grupo Odebrehct, com a previsão de vantagens, o chamado Refis da Crise. Em troca, teria acertado um pagamento de R$ 50 milhões.

Além da tornozeleira eletrônica, Guido Mantega ficará impossibilitado de exercer qualquer cargo público, deverá entregar seus passarportes e não poderá mudar de endereço.

Na deflagração da 63ª fase, Bonat determinou a prisão de Mauricio Ferro, diretor jurídico da Braskem, e do advogado Nilton Serson, acusados de movimentar valores de propinas para fora do país por meio de contas offshore.

‘MEDIDA ABSURDA’ – Em contato com a reportagem, o advogado Fábio Tofic Simantob afirmou que, para Guido Mantega, a investigação sobre o rastreamento do dinheiro da empreiteira é ótima porque mostrará que o ex-ministro da Fazenda não recebeu valores da Odebrecht.

Além disso, Simantob criticou a determinação sobre o uso de tornozeleira eletrônica.

“A medida de tornozeleira eletrônica é absurda. Os fatos são de 2010, quase dez anos depois. Uma pessoa que não deu mostra de querer fugir, comparece ao atos do processo. É o constrangimento pelo constrangimento. Assim como o bloqueio dos R$ 50 milhões. Que R$ 50 milhões? É a Lava-Jato voltando a fazer espetáculo para colocar uma cortina de fumaça nos abusos e arbitrariedades que estão sendo revelados na condução desse processo” — afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Além de Mantega, muitos outros corruptos ligados ao esquema Odebrecht estão em inferno astral. A Polícia Federal encontrou na casa de Mauricio Ferro, cunhado de Marcelo Odebrecht, que é e será seu inimigo até o final dos tempos, quatro chaves de criptografia que podem abrir duas pastas secretas do Drousys. Trata-se do sistema de computador de controle de pagamentos de propina do setor de Operações Estruturadas, o “departamento de propina” da empreiteira. Ferro foi apontado por delatores da Odebrecht como o responsável por “dar um jeito” nas chaves. Agora vamos saber quem é quem na Lava Jato. (C.N.)

Afastado dos holofotes, Mourão diz que está cuidando ‘apenas do seu quadrado’

“Eu acompanho 100% o que ele decidir”, diz Mourão 

Tânia Monteiro e
Itamar Montalvão
Estadão

O vice-presidente Hamilton Mourão interrompeu seu período de silêncio e, em entrevista ao Estado, disse que o presidente Jair Bolsonaro decidiu “tratar pessoalmente” da comunicação. E que ele, Mourão, “está cuidando” do seu “quadrado”. Alvejado pela ala ideológica do governo, que o acusou de tentar ofuscar o presidente, Mourão deixou de dar entrevistas diárias sobre os diversos assuntos da República.

Ao jornal, o general afirmou que “antes reclamavam que ele (Bolsonaro) não falava com a imprensa e agora, reclamam do que ele fala”. Sobre as críticas ao tom adotado pelo presidente em declarações recentes, Mourão contemporizou. “Não espere que ele vá tecer comparações pensando em grandes mestres da filosofia. Ele vai se expressar com a linguagem dele, usando sujeito, verbo e predicado”, declarou o vice-presidente.

O senhor está calado e o presidente falando muito.

Eu não estou calado. Eu estou apenas cuidando do meu quadrado. O presidente está falando porque tomou para si a comunicação, assumiu o protagonismo. É uma estratégia que ele traçou.

Como o senhor avalia o tom dessa comunicação?

Reclamavam que ele não falava, que fugia da imprensa. Agora que ele está falando, o pessoal reclama também? Ele tem procurado a imprensa. Ele tem expressado a opinião dele sobre diferentes assuntos e está cuidando pessoalmente da comunicação. É uma estratégia que ele traçou.

A forma como fala, usando até palavras chulas, palavrões, tem motivado críticas. O senhor  acha que o presidente tem exagerado?

É a natureza do presidente Bolsonaro. O presidente é um cara simples e direto. Não adianta esperar que ele vá tecer comparações pensando em grandes mestres da filosofia. Não. Ele não vai fazer isso. Ele vai se expressar com a linguagem dele, usando sujeito, verbo e predicado. Podem não ser as melhores palavras, mas é o jeito dele.

O deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) disse que o senhor  ficou mais calado depois que ele apresentou um pedido de impeachment contra o senhor  E que isso também teria levado o senhor  a se alinhar com o presidente Bolsonaro. Vai respondê-lo?

Não respondo a ele. É tudo tão fora do contexto que eu não respondo.

O deputado sugere que houve um desentendimento anterior (entre Mourão e o presidente)?

Nunca houve qualquer desentendimento.

Houve interferência indevida do presidente Bolsonaro na Polícia Federal e na Receita Federal?

O presidente tem uma visão hierarquizada, que é uma visão que nós, militares, temos. Ele julga que determinadas alterações devem ser feitas. Ele sugeriu um nome para a Polícia Federal do Rio. A PF não concordou com esse nome, trouxe outro nome, eles se acertaram e tudo bem. Sem ruídos.

Mas isso foi um problema para o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Ele está prestigiado?

O ministro Sérgio Moro é um quadro emblemático do nosso governo. Ele é um cara que veio para o governo pela bagagem que tem. É um homem respeitado no País. Aliás, respeitadíssimo, não é? E é obvio que ele tem o respeito do presidente.

O governo está com problema de caixa. Talvez as Forças Armadas tenham de antecipar a dispensa de recrutas do Exército. O presidente e o vice são militares. Não era para ser diferente?

Não há como ser diferente. Este é o dilema da economia: canhão ou manteiga. Então, no momento em que a arrecadação está baixa, a atividade econômica está fraca, todos são afetados. Não é só um problema interno do Brasil, é um problema do mundo inteiro. A visão do ministro Paulo Guedes (Economia) é de que, a partir de setembro, conseguirá captar recursos dos bancos públicos. Isso levará ao desbloqueio de parte dos recursos que está contingenciada. Tenho certeza de que a educação será priorizada. Pode ser que as Forças Armadas também o sejam.

Os militares costumam dizer que o governo de Fernando Henrique Cardoso foi o pior para as Força Armadas. Agora temos um governo oriundo da área militar.

O Brasil passava por um momento de ajuste fiscal, tinha de ter um equilíbrio entre receita e despesa. Já se tinha aumentado os impostos até onde podia, tinham criado a CPMF, inclusive. Ele não queria contrair dívida. Eu sofri, eu era comandante de unidade. Ao passar o governo para o Lula, FHC entregou as finanças públicas totalmente equilibradas, inclusive com superávit. Ao mesmo tempo, entrou o boom das commodities.

Não é um contrassenso deixar as Forças Armadas à míngua?

Não é deixar à míngua. Todo o País está vivendo essa situação. O dilema de qualquer economia é o canhão ou manteiga. Ou nós vamos botar dinheiro na saúde, na educação, na infraestrutura, ou nós vamos ter as Forças Armadas mais poderosas do mundo e a turma passando fome. E esta opção não é a melhor. As Forças Armadas têm de ter o que é justo e necessário.

O que o senhor chama de “justo e necessário” é uma cota de contribuição das Forças Armadas? O senhor  vê comprometimento da função institucional das Forças Armadas com esse corte?

É óbvio que, a partir do momento em que você tem uma perda em um orçamento que já é deficitário, isso reduz a operacionalidade das Forças. Os pilotos vão voar menos.

Isso o preocupa?

Hoje, não. Isso preocuparia caso perdurasse por dois anos, três anos, quatro anos. Aí, sim, você vai reduzindo a capacidade operacional. Se for questão de um ano só, não vejo problema.

Sobre a lei de abuso de autoridade recém-aprovada na Câmara. Há a necessidade de veto?

Há artigos completamente desnecessários. A questão das algemas, por exemplo. Isso tem de ser definido na hora, no momento da prisão. Também há a questão do critério subjetivo do juiz (na decretação de prisões preventivas). São artigos que eu acho que poderiam ser vetados. Mas o presidente está discutindo isso aí.

O senhor acha que o nome do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada nos Estados Unidos passará no Senado?

O presidente vem costurando esse assunto. O Eduardo está circulando pelo Senado, conversando com os senadores, procurando se apresentar. Quando chegar a hora de ele ser sabatinado, ele poderá ter um bom grau, pode tirar 8 e “passar direto”.

E se Donald Trump não conseguir a reeleição?

Não há problema. O Eduardo não será embaixador perante um governo, mas perante os Estados Unidos.

O presidente sinalizou que pode não indicar mais o filho. Ele ainda não tem os votos para conseguir ser aprovado. O senhor o aconselharia a retirar a indicação de Eduardo Bolsonaro?

A decisão é do presidente. Eu acompanho 100% o que ele decidir.

No caso do projeto da Previdência dos militares, há quem defenda a inclusão dos policiais militares no texto. Isso é viável?

A PM não quer os 35 anos de serviço. Portanto, isso é outra discussão.

O procurador-geral da República já está escolhido? O senhor  sugeriu algum nome?

A escolha está nas mãos do presidente. Acho que ele não decidiu ainda. Não tenho indicação nenhuma.

Hoje (terça-feira, 20) vimos um sequestro de um ônibus no Rio, que acabou com a morte do sequestrador e os passageiros salvos. Como o senhor viu essa operação?

A ação foi bem feita. A PM tomou a decisão que tinha de tomar. Salvou a vida das pessoas.

BC mantém delegados da Lava Jato na Unidade de Inteligência Financeira

Marena foi delegada da Operação Lava Jato desde os seus primórdios

Manoel Ventura
O Globo

Apesar de Medida Provisória editada pelo presidenteJair Bolsonaro abrir brecha para indicações políticas para o comando do novo Coaf, o presidente do  Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, decidiu manter, por enquanto, os 11 conselheiros que já atuavam no Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Todos são servidores de carreira. O órgão foi rebatizado e agora está vinculado ao BC e se chama Unidade de Inteligência Financeira ( UIF ).

Entre os integrantes do conselho deliberativo do órgão que age no combate à lavagem de dinheiro estão os delegados da Polícia Federal Erika Marena e Márcio Anselmo, que atuaram na chamada Operação Lava-Jato. A Medida Provisória deu poder ao presidente do BC para escolher os nomes do conselho. O texto abria brecha para indicações políticas já que os integrantes do conselho podem ser escolhidos entre qualquer cidadão com competência na área de combate à lavagem de dinheiro.

COMPOSIÇÃO –  A composição do antigo Coaf estava restrita a servidores públicos. Especialistas alertam que permitir a nomeação de pessoas de fora do serviço público poderá fragilizar o sigilo das informações fiscais e bancárias manuseadas pelo órgão. Os 11 conselheiros terão poder para aplicar sanções a instituições e pessoas físicas envolvidas em casos de lavagem. A função de conselheiro não é remunerada, segundo a MP.

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Veja quem são os nomeados para o conselho deliberativo do novo Coaf:

Antônio Carlos Vasconcellos Nóbrega, ex-corregedor geral da União e já era integrante do Coaf;

Eric do Val Lacerda Sogocio, conselheiro do Ministério das Relações Exteriores;

Erika Marena, delegada da Polícia Federal e atuou na operação Lava-Jato;

Gustavo da Silva Dias, já era conselheiro do Coaf na qualidade de representante da Secretaria de Seguros Privados (Susep);

Gustavo Leal de Albuquerque, já era conselheiro do Coaf na qualidade de representante da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

Márcio Adriano Anselmo, delegado da PF, e atuou na Lava-Jato. Já era conselheiro do Coaf;

Marcus Vinicius de Carvalho, já era conselheiro do Coaf na qualidade representante da Comissão de Valores Mobiliários (CVM);

Rafael Bezerra Ximenes de Vasconcelos, já era conselheiro do Coaf, na qualidade de representante do Banco Central;

Ricardo Pereira Feitosa, já era conselheiro do Coaf, na qualidade de representante da Receita Federal;

Sergio Djundi Taniguchi, já era do Coaf na qualidade de representante do Ministério da Economia;

Virgílio Porto Linhares Teixeira, já era conselheiro do Coaf na qualidade de representante da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional.

A propósito dos investimentos da Noruega no Brasil, é bom lembrar Darcy Ribeiro 

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Foto da Gazeta Zero Hora documentou a poluição norueguesa

Mário Assis Causanilhas

Texto extraído do livro “Aos Trancos e Barrancos, como o Brasil deu no que deu”, Ano 1974, Ano dos Trombadinhas, nota 2160. (as páginas do livro não são numeradas):

“Empresários noruegueses, sabidos, associados a funcionários e a tecnocratas brasileiros, sabidos, conseguem enorme empréstimo de favor do BNDE para montar uma grande fábrica da Borregaard no Rio Grande do Sul. Com isso, os noruegueses se livraram da poluição e da catinga, na produção da celulose de que necessitavam, e, pelo contrato, passaram a receber por preços ladrazmente subfaturados.

Entrando a funcionar, a fábrica passa a vomitar toneladas de soda cáustica no rio Guaiba e uma fumaceira enorme de enxofre, com cheiro de ovo podre, nos céus limpos de Porto Alegre. Os gaúchos, sem Brizola, afinam a voz e cantam:

‘He, he, he fumacê
Ha, ha, ha fumaçá
A Borregaard começou a incomodá’ “

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P.S. –
O tempo passa – mais de 50 anos – , o tempo voa e a Noruega continua numa boa! (M.A.C.)

Em novo vazamento, Dallagnol propõe monumento à Lava Jato e Moro pondera que é “soberba”

Por estratégia de marketing, Dallagnol articulou ‘marco visual’ 

Deu no O Globo

O procurador Deltan Dallagnol idealizou a instituição de um monumento à Operação Lava-Jato como estratégia de marketing para as reformas que considerava necessárias no combate à corrupção, apontam mensagens trocadas no Telegram pelo coordenador da força-tarefa com colegas e com o então juiz Sergio Moro . Em maio de 2016, Dallagnol teria buscado o apoio do então magistrado para a instalação de uma escultura na praça em frente à sede da Justiça Federal em Curitiba, mas foi contrariado e alertado por ele que “poderia a iniciativa toda soar como soberba”.

A nova leva de diálogos foi divulgada nesta quarta-feira, dia 21, pela “Folha de S. Paulo”, em parceria com o site “The Intercept Brasil”. Dallagnol e Moro têm destacado que não reconhecem a autenticidade do material publicado desde junho pelo “Intercept”. “Precisamos de estratégias de marketing. Marketing das reformas necessárias”, teria escrito Dallagnol a colegas, em grupo no aplicativo. Neste contexto, teria surgido a ideia de criar um monumento à operação e a reformas defendidas pela força-tarefa, como o projeto das Dez Medidas Contra a Corrupção. A peça simbólica seria escolhida por meio de um concurso.

DISCUSSÕES – De acordo com a “Folha”, o projeto rendeu discussões entre procuradores, com a chefia do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná e com Sergio Moro, embora nunca tenha se concretizado. Nas mensagens, Dallagnol teria descrito como imaginava o monumento. “A minha primeira ideia é esta: Algo como dois pilares derrubados e um de pé, que deveriam sustentar uma base do país que está inclinada, derrubada. O pilar de pé simbolizando as instituições da justiça. Os dois derrubados simbolizando sistema político e sistema de justiça…” escreveu o procurador.

Para o coordenador da força-tarefa, conforme apontam as mensagens divulgadas, a ideia era que a escultura “simbolize o fato de que a lava-jato é um avanço, mas precisamos avançar com reformas, como a reforma do sistema de justiça e do sistema político”. “Isso virará marco na cidade, ponto turístico, pano de fundo de reportagens e ajudará todos a lembrar que é preciso ir além… Posso contar com seu apoio?”, teria perguntado Dallagnol a Moro, por meio do aplicativo Telegram. “Não é melhor esperar acabar?”, teria respondido Moro.

EMPOLGAÇÃO – Ainda de acordo com a “Folha”, Dallagnol negou ao então juiz que o objetivo fosse “endeusar” a Lava-Jato. Ele ainda teria afirmado que a procuradora-chefe no Paraná, Paula Conti Thá, “adorou e se empolgou” com a ideia, cujo plano sairia não da força-tarefa, mas da Procuradoria no Paraná com a Justiça Federal. “Eu apostaria que tão somente a existência do concurso já será matéria de jornal, estimulará o debate sobre reformas, e frisaremos na proposta do concurso das esculturas a necessidade de reformas e que elas simbolizem as reformas necessárias… sabemos que precisamos ir além, como país, e só estou pensando nisso para fazer tudo o que estiver ao meu/nosso alcance”, teria argumentado o procurador, em favor da iniciativa.

Moro teria pedido tempo para pensar. Depois, teria confirmado sua oposição ao projeto. “Melhor deixar para depois. Em tempos de crise, o gasto seria questionado e poderia a iniciativa toda soar como soberba”, teria escrito o então juiz a Dallagnol. O magistrado teria apontado que iniciativas que soam como homenagens “devem vir de terceiros”. Dallagnol teria destacado que não haveria gastos públicos, mas sim, “patrocínio privado” para o candidato do concurso concretizar o monumento.

PONDERAÇÃO – O MPF no Paraná informou à “Folha” que, em uma força-tarefa, “diversas vezes iniciativas são cogitadas por seus integrantes ou por terceiros, sendo que muitas não se concretizam após reflexão e ponderações, pelas mais variadas razões”. Afirmou ainda que os integrantes da equipe “têm reiteradamente defendido que, para além da Lava-Jato, haja reformas nas leis para reduzir a corrupção e a impunidade”. Por meio da assessoria, os procuradores voltaram a destacar que “não reconhecem as mensagens que lhe têm sido atribuídas”. “O material é oriundo de crime cibernético e sujeito a distorções, manipulações e descontextualizações”, diz a nota.

Desfazendo um velho equívoco: a UnB foi criada por Juscelino e não por Darcy Ribeiro

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JK e Lúcio Costa, quando tudo era ainda apenas um sonho

Vicente Limongi Netto

Darcy Ribeiro não fundou a UnB coisíssima alguma. Inacreditável e deplorável que a monumental falácia seja alimentada por profissionais ilustres ou simplesmente desinformados e reféns de patrulhas ideológicas. Na Biblioteca Central da UnB tem fita gravada e a transcrição da conferência de Ciro dos Anjos, ex-secretário particular de JK, realizada no auditório da Reitoria, em que relatou, mais uma vez, os fatos que alguns pretendem negar.

Vitor Nunes Leal, ex-ministro do Supremo, que também confirmou a versão ao ex-reitor José Carlos Azevedo, havia pedido demissão da chefia da Casa Civil de Juscelino e sabia que o presidente queria a sua volta. Chamado por JK para procurá-lo, passou antes no escritório do também ex-ministro do STF, Osvaldo Trigueiro, que confirmou essa história, pois Vitor Nunes Leal lhe relatou sua preocupação de receber um convite irrecusável de Juscelino para voltar à Casa Civil.

SUGESTÃO – Trigueiro aconselhou-o a iniciar a conversa sugerindo a JK a criação de uma universidade em Brasília, achando que seria uma medida inaceitável para o presidente. Mas o erudito Leal então lembrou a JK que o epitáfio escolhido por Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, que está em sua sepultura em Montebello, diz o seguinte:

“Aqui jaz Thomas Jefferson, autor da Declaração da Independência Americana, do Estatuto da Liberdade Religiosa na Virgínia, e pai da Universidade de Virgínia”. Não menciona ter sido presidente dos EUA.

JK ACEITOU – O presidente Juscelino gostou da ideia, chamou Ciro dos Anjos e deu-lhe a missão de elaborar os atos da criação da UnB, cujo marco inicial foi o radiograma de JK ao ministro da Educação, Clóvis Salgado, datado de 2 de abril de 1960:

“Ministro Clóvis Salgado, a fim de completar panorama cultural nova capital não posso deixar de fundar a universidade de Brasília, portanto, peço estudar plano e redigir mensagem a ser enviada ao Congresso tendo em vista desse objetivo pt precisamos porém criar universidade em moldes rigorosamente modernos pt gostaria remeter mensagem congresso dia 21 abril pt sds JK”.

Portanto, não tem amparo nos fatos e é rigorosamente falso atribuir a Darcy Ribeiro a iniciativa de criação da UnB. Foi Juscelino quem a teve e determinou todas as providências para criá-la. E foi Clóvis Salgado que as levou a bom termo. Na comissão criada, em que Darcy era um dos participantes, seu papel foi secundário. 

PODEM PESQUISAR – Quem se interessar em detalhes, pode consultar, além do depoimento de Ciro dos Anjos, na biblioteca da UnB, os relatos de Clóvis Salgado e de historiadores da Universidade Federal de Minas Gerais, com perto de 10 horas de duração, que integram o projeto “História Viva” daquela universidade.

Em artigo na Folha de São Paulo de 15 de setembro de 1986, na sua costumeira vesânia, Darcy afirmou ser o fundador da Universidade Nacional da Costa Rica, que foi fundada em 1970, pelo padre Benjamin Nunes Gutierrez. Na verdade, Darcy apenas colaborou, como fez em universidades do Chile, Peru, Venezuela, México e Uruguai.

Em Brasília, Darcy Ribeiro, como ministro da Educação de João Goulart, concluiu a obra iniciada por Juscelino. O jornalista, professor e escritor Ciro dos Anjos, nascido na mesma cidade de Darcy, Montes Claros, em Minas Gerais, insinuou que lhe cabia a explicação por ter incluído Darcy na comissão e sugerido seu nome para reitor, quando não havia candidato a esse cargo e a UnB só existia no papel.

Bolsonaro nega recuo e diz que data de indicação depende de Eduardo

Charge do Duke (www.otempo.com.br)

Gustavo Uribe
Folha

Após ter sinalizado um recuo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, dia 21, que está mantida a indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o posto de embaixador nos Estados Unidos. Na entrada do Palácio da Alvorada, ele disse que o nome do filho será apresentado quando o próprio parlamentar avaliar que é o momento certo e que o papel dele será apenas de “usar a caneta Bic”, ou seja, assinar a indicação.

Para ser efetivado, o nome do parlamentar precisa ser apreciado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado e aprovado por mais da metade dos votos dos presentes em votação no plenário. “Ele vai ser apresentado ao Senado. Vai ser. Não tem recuo. É o momento certo. E o Eduardo está estudando, está se preparando”, disse.

“URUBU” – O presidente voltou a chamar os veículos de imprensa de “urubu” e disse que eles acompanharão a sabatina do filho, que, na avaliação dele, precisará ter um desempenho melhor do que teria um chanceler. “Vai ser uma sabatina em que todos vocês [jornalistas] estarão lá, todos sem exceção, é igual urubu na carniça, né? Vai estar todo mundo lá de olho. E ele tem de fazer uma sabatina melhor do que se fosse o [chanceler brasileiro] Ernesto Araujo”, afirmou

Perguntado quando oficializaria Eduardo, Bolsonaro disse que pode indicar o filho em setembro, após o Dia da Independência, mas reafirmou que a decisão é dele. “Talvez setembro, após a Semana da Pátria. Essa pergunta tem de fazer ao Eduardo, ele que vai sentir o timing. Apenas vou usar a caneta Bic”, disse. As sondagens informais realizadas pelo Palácio do Planalto apontam hoje um placar apertado e desfavorável para a aprovação do filho do presidente.

ENCONTROS RESERVADOS – Para tentar reverter o quadro, Eduardo pretende intensificar até a metade de setembro encontros reservados com senadores indecisos. Para formalizar a indicação, o Palácio do Planalto tem trabalhado por uma margem de pelo menos cinco votos de vantagem em plenário. Ou seja, garantir um apoio de 46 dos 81 senadores, reduzindo, assim, o risco de derrota. Para evitar surpresas, Bolsonaro tem tentado viabilizar junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), uma votação aberta, apesar de o regimento prever o voto secreto.

Caso o Planalto não consiga obter uma vantagem segura até a primeira quinzena de setembro, o presidente avalia segurar a indicação para o início de outubro. Ele quer evitar que uma eventual derrota crie um constrangimento internacional às vésperas da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). A abertura, que terá discurso de Bolsonaro, ocorrerá no dia 24.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Entre as típicas idas e vindas em seu discurso, Bolsonaro quer evitar submeter Eduardo “ao fracasso”, como declarado nesta semana, e garantir o “filé mignon” do rapaz. Tal e qual no jogo do bicho, tenta cercar por todos os lados, esticando prazos, fazendo acertos, reduzindo os riscos e negociando a alteração do voto secreto. Abrindo, vai ter senador pensando duas vezes em qual rumo tomar. (M.C.)

Executiva nacional do PSDB começa a analisar pedido de expulsão de Aécio Neves

Aécio é acusado de corrupção passiva e obstrução da Justiça

Deu no G1

O PSDB decidirá nesta quarta-feira, dia 21, durante reunião da Executiva Nacional se abrirá processo que poderá levar à expulsão do deputado Aécio Neves (PSDB-MG). O encontro está marcado para as 14h30, na sede do partido em Brasília. Aécio é réu por corrupção e obstrução de justiça e sofre pressão para se afastar do partido. O processo ao qual ele responde corre na Justiça Federal em São Paulo.

DELAÇÕES – A denúncia, apresentada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, foi recebida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 2018 e o parlamentar se tornou réu. Como Aécio deixou de ser senador, o processo foi enviado para a primeira instância, porque apura fatos que não têm conexão com o atual mandato de deputado federal. A acusação foi feita a partir de delações de Joesley Batista, do Grupo J&F, que afirmou ter pago propina no valor de R$ 2 milhões ao deputado.

Também são acusados de corrupção passiva a irmã do senador, Andréa Neves, um primo dele e um assessor parlamentar do congressista. Em troca, ele teria prestado favores políticos a Joesley. Aécio nega as acusações. O advogado do tucano, Alberto Zacharias Toron, sustenta que o deputado é vítima de ação criminosa de Joesley Batista. “A meu ver, o deputado Aécio Neves tem todo o direito a formular a sua defesa na plenitude, confiante na sua inocência, e confiante também na Justiça, mas pode fazê-lo fora do PSDB”, afirmou nesta terça-feira, dia 20, o governador de São Paulo, João Doria

EXPULSÃO – Ainda nesta terça-feira, o governador foi à Câmara dos Deputados para apresentar o deputado Alexandre Frota, recém filiado ao PSDB, à bancada do partido na Casa. O presidente da sigla, Bruno Araújo, também estava presente. Segundo Araújo, há representações do estado e do município de São Paulo e uma menção do Rio Grande do Sul que pedem a expulsão de Aécio do PSDB.

Nesta quarta, o partido decidirá se dá sequência aos pedidos. Se decidir abrir o processo, o caso será encaminhado ao Conselho de Ética do partido. “O fato é que do ponto de vista objetivo nós temos uma representação que se inicia e o partido, na sua instância, com a sua Executiva, apurando os votos e ouvindo o relatório a ser apresentado pelo deputado Celso Sabino, toma a primeira decisão”, afirmou Araújo.

IMPARCIALIDADE – “Cabe a mim, enquanto presidente do partido, presidir um processo com absoluta imparcialidade”, declarou o presidente da sigla. O presidente estadual do PSDB em São Paulo, Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional do governo Doria, disse que recebeu representações de vários diretórios de cidades do estado.

“Várias manifestações de filiados. Ontem (segunda-feira) na Executiva surgiu espontaneamente e, por unanimidade, a Executiva Estadual definiu a representação baseada no caso Joesley, que foi o caso que gerou o inquérito para o Aécio no Supremo Tribunal Federal, para que a Comissão Executiva Nacional possa julgar esse caso com a seriedade devida à representação de um estado do tamanho do estado de São Paulo e com a importância que tem para o PSDB”, afirmou.

ARQUIVADO  – Nesta terça-feira ainda, o diretório estadual do PSDB em São Paulo arquivou o pedido para cancelar a filiação do deputado federal Alexandre Frota . O pedido foi apresentado na última segunda-feira, dia 19, pelo ex-presidente nacional da sigla José Aníbal e pelo ex-presidente da executiva paulista Pedro Tobias. A executiva diz que não tem atribuição para processar o caso.

Segundo Anibal e Tobias, a entrada do deputado no PSDB “fere a honra e a memória de todos os filiados” ao partido. No pedido de impugnação, eles lembram que Frota já proferiu ofensas “de termos chulos” ao ex-governador Geraldo Alckmin. Eles afirmam também que Frota defendeu a candidatura de Joice Hasselmann à Prefeitura de São Paulo no mesmo dia em que seria apresentado como novo quadro do partido, quando, em vez disso, deveria ter endossado a candidatura do tucano Bruno Covas, atual prefeito e candidato natural à reeleição. Assinada pelo presidente do diretório paulista do PSDB, Marco Vinholi, a decisão pelo arquivamento informa que “a impugnação não tem qualquer condição de procedibilidade, pois não cabe a este órgão estadual receber a impugnação apresentada”.