Um trágico triângulo amoroso na Mangueira, na versão musical de Noel Rosa

Resultado de imagem para noel rosaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937) compôs “Quando o Samba Acabou” inspirado no trágico amor de dois malandros pela mesma cabrocha. Este samba foi gravado por Mário Reis, em 1933, pela Odeon.
QUANDO O SAMBA ACABOU
Noel Rosa
Lá no morro da Mangueira
Bem em frente a ribanceira
Uma cruz a gente vê

Quem fincou foi a Rosinha
Que é cabrocha de alta linha
E nos olhos tem seu não sei que

Numa linda madrugada
Ao voltar da batucada
Pra dois malandros olhou a sorrir

Ela foi se embora
Os dois ficaram
E depois se encontraram
Pra conversar e discutir

Lá no morro
Uma luz somente havia
Era lua que tudo assistia
Mas quando acabava o samba se escondia

Na segunda batucada
Disputando a namorada
Foram os dois improvisar

E como em toda façanha
Sempre um perde e outro ganha
Um dos dois parou de versejar
E perdendo a doce amada
Foi fumar na encruzilhada
Passando horas em meditação

Quando o sol raiou
Foi encontrado
Na ribanceira estirado
Com um punhal no coração

Lá no morro uma luz somente havia
Era Sol quando o samba acabou
De noite não houve lua
Ninguém cantou

General Eduardo Ramos, futuro ministro, alega que Paulo Guedes não é político

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General Ramos assume em julho, mas já começou a fazer contatos

Pedro do Coutto

Numa entrevista de página inteira à repórter Maria Cristina Fernandez, no jornal Valor de sexta-feira, o futuro ministro chefe da Secretaria de Governo, General Eduardo Ramos, afirmou que o Ministro Paulo Guedes não é político e, às vezes, fala num tom meio brabo. Os políticos não gostam de receber ordens. Meu jeito é mais suave, pois a linguagem agressiva bloqueia a comunicação. De outro lado, acentuou que o relacionamento com a imprensa tem que ser transparente.

Indagado pela repórter quais os políticos que ele destaca na história do Brasil, Eduardo Ramos citou o Barão do Rio Branco e Ulysses Guimarães. Rio Branco pela consolidação de nossas fronteiras. Ulisses Guimarães por sua atuação em favor do retorno das eleições diretas.

REUNIÃO COM MAIA – O General disse também que na próxima semana pretende se encontrar com o Deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara.

O futuro ministro, que só assume em julho, ressalvou não ter votado em Lula, mas se emocionou com sua vitória, pelo fato fr um operário chegar à presidência. Mas disse que Lula roubou o país e a nossa esperança.

O General Ramos, digo eu, revela a condição de um homem cordial e capaz de dialogar com senadores, deputados e imprensa. A imprensa na realidade, é a ponte entre o poder e a opinião pública.

CRESCIMENTO? – Outro assunto: a reforma da Previdência sozinha não vai recolocar o país na rota do desenvolvimento. A afirmação é do Secretário de Política Econômica Adolfo Sachenia, subordinado ao Ministério comandado por Paulo Guedes. O economista ressaltou, honestamente, que estamos numa situação tão ruim que só a reforma da Previdência não basta. A previsão para o crescimento do PIB, na escala de 1,6% parece um sonho muito distante. E há pouco tempo para colocar na rua medidas que estimulem a trajetória do desenvolvimento econômico ainda este ano. A matéria é assinada por Renata Agostini e Eduardo Rodrigues, O Estado de São Paulo de ontem.

No meu ângulo de análise, finalmente, surgiu alguém no comando da economia capaz de adotar postura ética e, ao mesmo tempo, destacar um ponto transparente. Foi sincero. Caso raro no Brasil de hoje. Aliás, não só de hoje, mas desde 2003. Estou falando uma distância de 16 anos, espaço muito grande para que as desilusões deixem de ser reveladas. A retomada do consumo depende do fortalecimento dopoder aquisitivo da sociedade brasileira.

VENDAS EM BAIXA – Nem mesmo a publicidade na TV está conseguindo inverter a tendência de queda nas vendas. O empresário Paulo Barbosa, vice presidente da LG, empresa que fabrica aparelhos de televisão, em entrevista a Gustavo Brigato e Adriana Matos, no Valor, revelou que as promoções e a publicidade na TV e nos jornais, neste semestre, não estão conseguindo reverter a queda nas vendas dos aparelhos de TV.

A previsão de venda de 11 milhões de unidades ao longo de 2019 não se confirmou nem se confirmará. Incluindo as possíveis vendas da concorrente Sansung, a projeção passou a ser de 10 milhões de unidades. Este fato prova, como digo sempre, o efeito da queda do consumo.

Demissões e nomeações incessantes causam insegurança aos escalões do governo

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Alega-se que não se deve criticar o governo, porque Bolsonaro só está no poder há seis meses. Mas com tantas demissões e novas nomeações, fica claro que há algo de errado, pois o governo não tem a menor estabilidade e transmite aos primeiros escalões da República um clima de permanente insegurança, com o afastamento de importantes auxiliares sendo anunciado pela imprensa, um procedimento nada democrático e sem justificativa.

É impressionante o troca-troca de demissões e nomeações. Jamais se viu esse fenômeno na História da República. Certamente é por isso que há uma sensação de que o governo na verdade ainda nem começou.

AMADORISMO – É uma situação que revela um surpreendente amadorismo, pois o governo demonstra enorme dificuldade em encontrar executivos competentes para ocupar importantes funções na República. O assunto é preocupante, porque desse jeito fica difícil o governo tirar o país da crise.

É um verdadeiro festival de troca-troca, que começou dia 10 de janeiro na Agência de Promoção das Exportações (Apex), do Ministério de Relações Exteriores, onde já ocorreram duas mudanças. O presidente Jair Bolsonaro demitiu Alecxandro Carreiro, cujo mandato durou apenas sete dias e neste curto períododemitiu 17 funcionários e nomeou 11.

Assumiu a presidência da Apex o embaixador Mário Vilalva, que acabou demitido em 9 de abril após desentendimentos com diretores que tinham o apoio do ministro Ernesto Araújo. Foi então nomeado o contra-almirante da Marinha Sergio Ricardo Segovia Barbosa, que tocou o barco em frente e ainda não naufragou.

CASO BEBIANNO – Outra demissão importante ocorreu em 18 de fevereiro, quando o advogado Gustavo Bebianno foi exonerado da Secretaria-Geral da Presidência. Era acusado de supostas irregularidades na sua gestão à frente do caixa eleitoral do PSL e a crise chegou ao clímax quando ele foi chamado de mentiroso por Carlos Bolsonaro, o Zero Dois.

Na verdade, Bebianno nada tinha feito de errado, apenas não aceitava a ingerência dos filhos de Bolsonaro no governo. O presidente se arrependeu, ofereceu-lhe uma diretoria no Itaipu ou as embaixadas da Itália ou Portugal, a escolher, mas Bebianno teve a dignidade de não aceitar.

Depois, em março, a ex-deputada Teté Bezerra teve de pedir exoneração do cargo de presidente da Embratur, por ter promovido um jantar na empresa que teria custado R$ 290 mil. O substituto Paulo Roberto Senise ficou menos de dez dias e desde então a Embratur é presidida por Gilson Guimarães Neto, um misto de empresário e sanfoneiro da banda de forró “Brucelose”, nomeado porque atuou na campanha de Bolsonaro.

CAOS NO MEC – Em 8 de abril, o olavista Ricardo Vélez Rodríguez foi demitido do Ministério da Educação. O anúncio foi feito pelo Twitter. Decisões polêmicas, como a revisão dos livros didáticos sobre a ditadura militar e a orientação para que as escolas filmassem os alunos cantando o hino, em meio a uma guerra entre olavistas, militares e quadros técnicos no Ministério da Educação levou a uma sucessão de baixas.

Antes da demissão, o então ministro Vélez exonerou seu próprio secretário-executivo, Luiz Tozi, e o cargo foi assumido pelo militar Ricardo Machado Vieira, que saiu com a chegada do atual ministro, Abraham Weintraub. O novo titular da pasta exonerou cinco secretários setoriais trazidos pelo ex-ministro Vélez.

No Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao MEC, já houve três presidentes. O primeiro, Marcus Vinicius Rodrigues, foi demitido pelo então ministro Vélez após suspender a avaliação da alfabetização este ano.

TROCA-TROCA – O Inep é responsável pelos exames educacionais do país, como o Enem. O cargo de presidente ficou vago por um mês, até que assumiu Elmer Vicenzi, delegado da Polícia Federal, já na gestão de Weintraub. Mas não durou 20 dias, sendo substituído pelo atual presidente, Alexandre Lopes.

Ex-deputada pelo PRB da Bahia, a evangélica Eronildes Vasconcelos de Carvalho foi demitida em maio da Secretaria de Proteção da Mulher, pela ministra Damares Alves, dois meses depois de assumir o cargo. A ministra alegou “improdutividade”, mas segundo O Globo, pessoas próximas à ex-deputada falam em retaliação.

Já o presidente da Fundação Nacional do Índio, coronel Franklimberg de Freitas, perdeu o cargo por pressão da bancada ruralista. A ordem também foi dada pela ministra Damares Alves. Dias antes, ao se reunir com Sergio Moro, ele disse que ficaria no cargo. A Funai, ainda sob tutela de Damares, será devolvida ao Ministério da Justiça.

COMUNICAÇÃO SOCIAL – Floriano Barbosa, que chegou à Secretaria de Comunicação após trabalhar com Eduardo Bolsonaro, o Zero Três, foi substituído por baixo desempenho na função. Ele era responsável pelos contratos de publicidade do Executivo. Barbosa disse que pediu para deixar o cargo por conta de “ataques” recebidos. Foi substituído pelo empresário Fábio Wajngarten, também ligado aos filhos de Bolsonaro.

No Ministério da Cidadania, o general Marco Aurélio Vieira discordou do ministro Osmar Terra (Cidadania) quanto à nomeação de alguns políticos na sua área e acabou demitido da Secretaria de Esporte. Vieira teria atuado contra a vontade do Planalto e do próprio Terram ao estimular parlamentares a recriarem o Ministério do Esporte.

Na Casa Civil, o ex-deputado Carlos Manato (PSL-ES) foi demitido da Secretaria Especial que fazia articulação política com a Câmara. O substituto, ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), é amigo do ministro Onyx Lorenzoni, que centralizou a articulação política até o fim da reforma da presidência, quando a missão será assumida pelo general Luiz Eduardo Ramos, futuro Secretário-Geral da Presidência, que só assume em julho.

PELOS JORNAIS – Nos casos de demissões pelos jornais, Marcos Barbosa Pinto entregou sua carta de renúncia após Jair Bolsonaro exigir que o presidente do BNDES, Joaquim Levy, o afastasse da diretoria de Mercado e Capitais.

Pressionado publicamente, Levy renunciou à presidência do BNDES. Na véspera, o presidente havia dito que a cabeça do economista estava “a prêmio há algum tempo” e teria se irritado com a nomeação de “gente suspeita”.

Também em junho, Bolsonaro demitiu no dia 13 o general Santos Cruz da Secretaria de Governo. A decisão foi atribuída por um auxiliar do Planalto a uma “falta de alinhamento político-ideológico” e embates com outros integrantes do governo. Na verdade, ele foi alvo de Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e dos olavistas do governo.

CASO DOS CORREIOS – Na sexta-feira passada, dia 14, Bolsonaro  anunciou a demissão do presidente dos Correios, general Juarez Aparecido de Paula Cunha, por ter ido à Câmara, a convite de partidos da oposição. Bolsonaro disse que o general se comportou “como um sindicalista”, ao posar para fotos com deputados do PT e do PSOL.

E houve outra mudança no primeiro escalao: substituto de Bebianno na Secretaria-Geral da Presidência, o general Floriano Peixoto agora deixa o cargo para presidir e privatizar os Correios. É o quarto ministro do governo a ser substituído.

E neste sábado Bolsonaro anunciou a nomeação do major da PM  Jorge Antonio de Oliveira Francisco para secretário-geral da Presidência.

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P.S.
1 Portanto, não é sem motivos que reina a insegurança nos primeiros escalões da República. Na verdade, ninguém sabe se vai continuar no cargo ou não. Até mesmo o ministro Paulo Guedes pode ser demitido pelo jornais, com passou a ser comum no governo.

P.S. 2 – E o empresário-sanfoneiro da banda “Brucelose” está resistindo na Embratur. Antes de assumir o cargo, ele atuava como secretário do Ministério do Meio Ambiente, apesar de recentemente ter sido multado pelo Instituto Chico Mendes por dano ambiental. Quer dizer, era o homem errado no lugar errado.

P.S. 2O mais incrível é que Bolsonaro vá nomear Gustavo Montezano para presidir o BNDES, sem ter a menor qualificação, apenas por ser amigo íntimo dos três filhos mais velhos – o Zero Um, o Zero Dois e o Zero Três. Neste ponto, a nomeação até faz sentido, por que Montezano poderá se integrar ao grupo como o Zero à Esquerda.  (C.N.)

Mortes e violência doméstica marcam passado de Fabrício Queiroz, diz a revista Veja

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Ex-assessor Queiroz aproximou dos milicianos a família Bolsonaro

Fernando Molica, Leandro Resende e Jana Sampaio
Veja

Sumido desde que suas movimentações financeiras viraram um problema para a família Bolsonaro no final do ano passado, o policial militar reformado Fabrício Queiroz tem muito o que explicar. A revista Veja apurou que na longa ficha corrida do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) há um homicídio ocorrido em 2003 em que ele está envolvido ao lado de Adriano Magalhães da Nóbrega, o temido chefe da milícia de Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, foragido desde janeiro.

Em meio aos mais de 20 boletins de ocorrência e à dezena de inquéritos em que Queiroz aparece, há pelo menos dois supostos autos de resistência com sua participação. Um ocorrido em 2002 e o outro em maio de 2003, pouco depois dele conhecer Adriano nas fileiras do 18º Batalhão, em Jacarepaguá, onde trabalharam juntos por apenas seis meses.

TUDO EM FAMÍLIA – Os laços de amizade daquela época, no entanto, foram intensos: anos mais tarde, Queiroz recrutou a mãe e a esposa do miliciano, que à época já era notório no submundo do crime, para trabalharem com ele no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando este ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Ambas são suspeitas de fazerem parte do esquema investigado pelo Ministério Público que apura se Queiroz comandava um esquema de coleta e repasse de dinheiro público dentro do gabinete do “Zero Um”.

Queiroz não está foragido, não há contra ele qualquer ordem de prisão, mas seu sumiço alimenta dúvidas e reforça especulações sobre seu papel na vida dos Bolsonaro. Enquanto a Justiça se movimenta vagarosamente para definir o seu futuro, a edição de VEJA desta semana traz detalhes de seu passado e de seu currículo, que além dos vínculos com o mais procurado miliciano do Rio, transparece a imagem de um homem temido, violento até com a mulher, e que tem diversos “rolos” a explicar.

Defesa alega que pedido ao STF para libertar Lula não se baseia no The Intercept

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Zanin e Valeska insistem em alegar que Lula é perseguido político

Filipe Matoso
G1 — Brasília

Em resposta ao parecer da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contrário à libertação de Lula com base na suposta suspeição do então juiz Sérgio Moro, com base nas mensagens entre ele e o procurador Deltan Dallagnol, a defesa do ex-presidente petista divulgou uma nota nesta sexta-feira (21). A defesa alega que o pedido de liberdade do ex-presidente, apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) não é baseado apenas em reportagens publicadas pelo site The Intercept. Segundo os advogados, a petição é amparada em “graves fatos” que envolvem o julgamento de Lula.

A nota foi divulgada após a Procuradoria Geral da República (PGR) ter se manifestado contra o pedido de liberdade de Lula. Conforme a procuradora-geral, Raquel Dodge, o material publicado pelo Intercept “a que se refere a petição feita pela defesa”, não foi apresentado às autoridades para que sua “integridade” seja aferida.

HABEAS CORPUS – O pedido da defesa de Lula, apresentado em 2018, é um habeas corpus que aponta suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, e questiona a atuação dele durante o processo no qual o ex-presidente foi condenado. Esse pedido de liberdade foi apresentado pelos advogados do ex-presidente logo depois que Sérgio Moro deixou o cargo de juiz e se tornou ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro. A nomeação foi um dos argumentos usados pela defesa para alegar que Moro não era imparcial.

Desde as últimas semanas, o The Intercept tem publicado reportagens com mensagens atribuídas a Sérgio Moro e a integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Segundo o site, o conteúdo mostra que Moro, ainda como juiz, orientou a atuação de procuradores. O ministro e a força-tarefa da operação negam.

No dia 13 de junho, a defesa de Lula apresentou ao STF mensagens divulgadas pelo Intercept atribuídas a Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. Naquele dia, a defesa afirmou que são mais um elemento do que chama de parcialidade do então juiz Sérgio Moro.

ANEXAÇÃO  – As mensagens foram juntadas ao habeas corpus que aponta a suspeição de Moro. No documento enviado ao Supremo em 13 de junho, a defesa do ex-presidente disse que o conteúdo das mensagens publicadas pelo site Intercept e atribuídas a Moro e ao procurador Deltan Dallagnol é “público e notório” e revela, segundo os advogados, “a conjuntura e minúcias das circunstâncias históricas em que ocorreram os fatos comprovados nos autos”.

A defesa afirma que as conversas demonstram “situações incompatíveis com a exigência de exercício isento da função jurisdicional e que denotam o completo rompimento da imparcialidade objetiva e subjetiva” de Sérgio Moro quando era juiz.

Na nota divulgada nesta sexta-feira (21), a defesa de Lula diz: “Em 13/06/2019 fizemos apenas o registro nos autos daquele habeas corpus de que as reportagens publicadas pelo ‘The Intercept’ a partir de 09/06/2019, cujo conteúdo é público e notório”, acrescenta a nota.

ESCLARECIMENTO – A nota diz também: “Ao contrário do que foi afirmado pela ilustre procuradora-geral da República em manifestação protocolada nesta data (21/06), o Habeas Corpus nº 164.493 que impetramos em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva […] não está amparado nas reportagens divulgadas pelo ‘The Intercept'”.

Conforme a defesa de Lula, o ex-presidente não teve direito a um julgamento “justo, imparcial e independente” e, por isso, o processo deve ser anulado.

O julgamento do pedido de liberdade de Lula começou no ano passado, foi suspenso após um pedido de vista e deve ser retomado no próximo dia 25. Por isso Raquel Dodge se manifestou sobre o caso, após a anexação das reportagens do The Intercept.

MINISTÉRIO – O pedido foi apresentado pela defesa de Lula ainda em 2018, quando Sérgio Moro aceitou o convite do então presidente eleito Jair Bolsonaro para comandar o Ministério da Justiça.

Sérgio Moro era juiz e atuava na 13ª Vara Federal de Curitiba (PR). Como magistrado, foi o responsável pela condenação de Lula em 2017 no caso do triplex em Guarujá (SP).

Como teve a condenação confirmada em segunda instância, no TRF-4, Lula foi preso em abril do ano passado e levado para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR). Em abril deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisou o caso e também manteve a condenação, mas reduziu a pena.

PEDIDO DE VISTA – O habeas corpus que aponta suspeição de Moro começou a ser analisado em dezembro do ano passado.

Após dois votos contra a concessão da liberdade a Lula, emitidos pelo relator Edson Fachin e pela revisora Cármen Lúcia, que agora está presidindo a Segunda Turma, o ministro Gilmar Mendes pediu vista, ou seja, mais tempo para analisar o caso. O processo já foi liberado para julgamento por Gilmar Mendes e foi marcado para o dia 25 pelo então presidente Ricardo Lewandowski.

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DEFESA ALEGA QUE A PROCURADORIA ERROU…

Leia abaixo a íntegra da nota da defesa de Lula, assinada pelo casal de advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins:

Ao contrário do que foi afirmado pela ilustre Procuradora Geral da República em manifestação protocolada nesta data (21/06) o Habeas Corpus nº 164.493 que impetramos em favor do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 05/11/2018 e que está na pauta da 2ª. Turma do STF do próximo dia 25 não está amparado nas reportagens divulgadas pelo “The Intercept”.

Referido habeas corpus, que começou a ser julgado pela Suprema Corte em 04/12/2018 — muito antes, portanto, das reportagens do “The Intercept” — mostra que o ex-juiz Sérgio Moro “sempre revelou interesse na condução do processo e no seu desfecho” a partir de fatos concretos que estão descritos e comprovados naquele requerimento, tais como: (i) autorização para monitoramento do principal ramal do nosso escritório para que a Lava Jato pudesse acompanhar em tempo real a estratégia de defesa de Lula; (ii) imposição de condução coercitiva e diversas outras medidas excepcionais com o objetivo de rotular Lula como culpado antes do processo e do seu julgamento; (iii) atuação fora das suas atribuições legais para impedir o cumprimento da ordem de soltura emitida pelo Des. Federal Rogério Favreto; (iv) divulgação de atos processuais que estavam em sigilo com o objetivo de interferir nas eleições presidenciais de 2018; (v) aceitação do cargo de Ministro de Estado do atual Presidente da República que foi beneficiado pela condenação de Lula e, além de seu opositor político, já defendeu que o ex-Presidente deve “apodrecer na cadeia”.

Em 13/06/2019 fizemos apenas o registro nos autos daquele habeas corpus de que as reportagens publicadas pelo “The Intercept” a partir de 09/06/2019, cujo conteúdo é público e notório — e nessa condição independe de qualquer demonstração (CPC, art. 274, I. c.c. CPP, art. 3º) —, remetem à “conjuntura e minúcias das circunstâncias históricas em que ocorreram os fatos comprovados nestes autos e sublinhados desde a sustentação oral realizada pelo primeiro subscritor em 04/12/2018”.

Eventual investigação instaurada pela Exma. Sra. Procuradora Geral da República não possui qualquer relação com o Habeas Corpus nº 164.493 ou com o seu desfecho porque essa ação constitucional está amparada em graves fatos que antecederam as reportagens do “The Intercept” e que já são mais do que suficientes para evidenciar que o ex-Presidente Lula não teve direito e um julgamento justo, imparcial e independente — o que deve resultar na anulação de todo o processo contra ele instaurado, com o restabelecimento de sua liberdade plena.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O julgamento vai começar do zero, porque a defesa anexou as reportagens do The Intercept. Dois votos estão garantidos contra Lula – do relator Edson Fachin e de Cármen Lúcia. Dois outros ministros – Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes – devem votar a favor da libertação do petista. Quem decidirá o julgamento será o decano Celso de Mello, cujo posicionamento se mostra imprevisível, porque ele é vaidoso e acredita encarnar a própria imagem da Justiça, com a balança que oscila para um lado ou para o outro. Quem disser que sabe como ele vai votar está mentindo. (C.N.)

Jurista americano propõe diferenciar as “transparências” da entrada e da saída

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Reprodução do Jornal Nacional (TV Globo)

Hélio Schwartsman
Folha

A transparência é um elemento fundamental no sistema de freios e contrapesos que caracteriza o Estado democrático, mas de quanta transparência estamos falando? Moro e Dallagnol tinham direito ao sigilo em suas conversas? Cass Sunstein, o prestigiado jurista americano, propõe que se distinga a transparência de entrada (“input”) e a de saída (“output”).

A primeira diz respeito ao processo pelo qual agentes governamentais tomam uma decisão; a segunda é a própria decisão.

TRANSPARÊNCIA DE SAÍDA – Como regra geral, diz Sunstein, a transparência de saída deve ser assegurada. Se o BC optou por elevar a taxa de juros, por exemplo, essa determinação precisa, até para efetivar-se, ser tornada pública. É só num número muito restrito de ocasiões, em geral envolvendo a segurança nacional, que decisões podem ser mantidas sob sigilo —e mesmo assim por tempo determinado.

A transparência de entrada é mais complicada. Como diz Sunstein, há bons motivos para não expor aos olhos de todos o processo de deliberação interna pelo qual autoridades tomam decisões. Se tudo for sempre para os registros, será menor o nível de abertura e honestidade com o qual servidores debatem questões importantes, com possível prejuízo para a qualidade das escolhas. De resto, uma transparência de entrada forte geraria enormes quantidades de dados sem muita relevância, exceto para alimentar fofocas.

DOIS EXEMPLOS – Penso que as considerações de Sunstein fazem sentido, mas não podemos nos esquecer de que elas são uma regra geral, que não pretende dar conta de tudo o que pode acontecer.

Por vezes, deliberações internas, que deveriam estar protegidas pelo sigilo, revestem-se de forte interesse público. Cito dois exemplos: a conversa entre Dilma e Lula, na qual ela diz que o nomearia ministro, e a troca de mensagens entre Moro e Dallagnol.

Eu, pelo menos, não consigo imaginar um bom motivo para defender a divulgação de uma, mas não a da outra.

Parecer da Procuradoria é contra libertação de Lula com base no The Intercepct

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Raquel Dodge não aceitou as argumentações da defesa de Lula

Filipe Matoso
G1 — Brasília

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal em que se diz contrária ao pedido de libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentado pela defesa, que arguiu a suspeição do então juiz Sérgio Moro, que teria condenado o réu sem provas, com base apenas em interesses políticos, que se concretizaram com a nomeação do magistrado para o Ministério da Justiça.  

O pedido de suspeição do ex-juiz foi apontado pela defesa em 2018 e recentemente os advogados anexaram as mensagens entre o juiz e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, procurador Delta Dallagnol.

DIZ RAQUEL – No parecer, enviado nesta sexta (21) ao STF, a procuradora-geral argumentou que as mensagens atribuídas a Moro não tiveram ‘integridade’ aferida, assinalando que “tampouco foi devidamente aferido se as referidas mensagens foram corrompidas, adulteradas ou se procedem em sua inteireza, dos citados interlocutores”.

“Estas circunstâncias jurídicas têm elevado grau de incerteza neste momento processual, que impede seu uso com evidência a corroborar a alegação de suspeição feita pela defesa do paciente neste autos”, acrescenta a chefe da PGR.

PREOCUPAÇÃO – “A Procuradora-Geral da República manifesta preocupação com a circunstância de que as supostas mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil tenham sido obtidas de maneira criminosa, e que ferem a garantia constitucional à privacidade das comunicações, a caracterizar grave atentado às autoridades constituídas brasileiras”, disse Dodge, informando

que requisitou inquérito policial para investigar o caso, que já é alvo de apuração da Polícia Federal.

E, assim, a procuradora Raquel Dodge opinou contra o pedido de libertação do ex-presidente Lula, por suspeição do então juiz Sérgio Moro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Um parecer óbvio, na forma da lei, porque a argumentação da defesa é toda baseada na tese de que Lula é inocente, está sofrendo perseguição política e foi condenado sem provas, embora o TRF-4 e o STJ já tenham confirmado a condenação feita pelo juiz Moro. (C.N.)

“Na ponta da linha, quem demarca terra indígena é o presidente”, diz Bolsonaro

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Bolsonaro diz que as áreas indígenas serão demarcadas por decreto

Guilherme Mazui e Felipe Néri
G1 Política

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na manhã desta sexta-feira (21) que, “na ponta da linha”, quem decide sobre a demarcação de terras indígenas é o próprio presidente da República. Esta foi a primeira vez que o presidente se pronunciou sobre o tema após editar nova medida provisória (MP) que transfere da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura a responsabilidade de demarcar terras indígenas.

A medida provisória foi publicada no “Diário Oficial da União” na última quarta-feira (dia 19).

VIA DECRETO – “A demarcação ficaria com o Ministério da Agricultura, e a Funai ficaria lá com o Sérgio Moro [no Ministério da Justiça]. Não é isso mesmo [pergunta para o novo secretário-geral da Presidência, Jorge Antonio de Oliveira Francisco]? Então, tá. E outra coisa, na ponta da linha, quem demarca terra indígena é o presidente da República via decreto”, declarou o presidente.

Bolsonaro concedeu entrevista coletiva nesta manhã ao anunciar, no Palácio do Planalto, em Brasília, o advogado e major da Polícia Militar Jorge Antonio de Oliveira Francisco para assumir a Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele ocupará o cargo no lugar de Floriano Peixoto Neto, que, por sua vez, vai assumir a presidência dos Correios.

MP REJEITADA – A mudança sobre a responsabilidade da demarcação de terras indígenas, feita por MP, foi publicada pelo Executivo após o Congresso Nacional rejeitar proposta semelhante.

Em janeiro, uma primeira MP que mudava a estrutura ministerial já transferia para a pasta da Agricultura a responsabilidade da demarcação de terras indígenas.

A proposta, no entanto, foi alterada em maio no Congresso, que levou esta função de volta para a Funai, vinculada ao Ministério da Justiça. O trecho acabou vetado pelo presidente ao sancionar o texto, e a nova proposta foi publicada em seguida.

VÍCIO DE INICIATIVA – “Estamos respeitando o que foi feito pelo Parlamento, tanto é que nós vetamos muita coisa, e essa muita coisa nós incluímos na MP [nova], porque havia um vício de iniciativa nessas questões. E tudo isso, né, a MP como um todo, que agora é lei, poderia cair via Supremo Tribunal Federal porque já existem ações lá dentro [do Supremo], então essa que é a intenção”, disse Bolsonaro nesta sexta.

A nova MP, a 886/2019, estabelece que “constituem áreas de competência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”: “reforma agrária, regularização fundiária de áreas rurais, Amazônia Legal, terras indígenas e terras quilombolas”.

COMPETÊNCIA – O texto da MP complementa afirmando que “a competência de que trata o inciso XIV do caput [item acima] compreende a identificação, o reconhecimento, a delimitação, a demarcação e a titulação das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos e das terras tradicionalmente ocupadas por indígenas”.

Como se trata de uma medida provisória, a nova proposta de Bolsonaro tem força de lei e começou a valer imediatamente. No entanto, a matéria precisa ser aprovada em até 120 dias pela Câmara e pelo Senado para não perder a validade. Caso o Congresso não dê o aval, a MP deixa de valer.

DEFESA DE MORO – Durante evento para anunciar o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, nesta sexta (21), o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o ministro Sérgio Moro quanto a informações publicadas pelo site The Intercept. Segundo as publicações, o então juiz da Lava Jato orientou os trabalhados de procuradores que atuavam na operação.

“Ninguém tem certeza da fidelidade do que está publicado ali. Existem programas que simulam conversas entre aplicativos entre duas pessoas que nunca se viram”.

Para o presidente, Moro “saiu mais fortalecido” após ter comparecido a uma comissão no Senado para comentar os diálogos. “Para mim é motivo de honra e orgulho tê-lo em meu ministério”, disse Bolsonaro.

ONYX E ARTICULAÇÃO – Bolsonaro também afirmou que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, está “fortalecido” após perder a função da articulação política para a Secretaria de Governo (Luiz Eduardo Ramos) e receber o comando do programa de concessões e privatizações.

“Ele [Onyx] está fortalecido, no meu entender. Aqui não tem ministro fraco ou forte, todo mundo tem que jogar junto”, disse o presidente.

Bolsonaro reconheceu que tem “problemas” na articulação política e que a iniciativa de deixar a Casa Civil à frente da relação com deputados e senadores não funcionou. Ele afirmou declarou, ainda, que há ministros que são “fusíveis”, que evitam problemas para o presidente. “Todo mundo diz, e é verdade: tem três ministérios aqui dentro — Governo, Secretaria-Geral e Casa Civil —, que são fusíveis. Para evitar queimar o presidente, eles se queimam”, brincou Bolsonaro.

Ex-governador Marconi Perillo é denunciado por corrupção e organização criminosa

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A defesa alega que Perillo está sendo perseguido pelo procurador

Renato Souza
Correio Braziliense

O Ministério Público Federal em Goiás, (MPF-GO) apresentou denúncia contra o ex-governador do estado Marconi Perillo (PSDB). De acordo com o documento enviado à Justiça pelo procurador Hélio Telho, Marconi praticou os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Além do ex-governador, outras quatro pessoas também foram denunciadas no âmbito da operação Cash Delivery. Ele chegou a ser preso em decorrência dessa investigação. De acordo com a Polícia Federal, Perillo chefiou uma organização criminosa para beneficiar a construtora Odebrecht no estado.

O ESQUEMA – Em contrapartida, ele recebeu R$ 1,2 milhão. Todo o esquema movimentou R$ 12 milhões, de acordo com o esquema. A empresa teria sido beneficiada em obras públicas, como a construção do VLT, que não chegou a ser concretizado, e a criação de rede de esgoto no Entorno do Distrito Federal.

O montante enviado a Perillo, teria como foco abastecer suas campanhas eleitorais de 2010 e 2014. Os outros denunciados são: Jayme Eduardo Rincón , ex-presidente da Agência Goiana de Transporte e Obras, Márcio Garcia Moura , motorista, Pablo Rogério de Oliveira, ex-policial militar e advogado e o empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior.

DIZ A DEFESA – O advogado de defesa de Perillo, que se assina como Kakay, emitiu a seguinte a nota sobre a acusação:

 A Defesa técnica de Marconi Perillo vem a público mostrar sua indignação com a Denúncia apresentada dia 17 pelo Procurador Hélio Tello. Não tem a Defesa nenhuma preocupação com os fatos constantes na peça subscrita pelo Sr. Procurador, mas a apresentação desta Denúncia é a comprovação da parcialidade e da perseguição que este Procurador promove, há anos, contra o ex-Governador. Em inúmeras circunstâncias esta perseguição ficou clara como no episódio das providências contra o então candidato ao Senado com claríssimas intenções eleitorais.

A Defesa sempre se absteve de qualquer enfrentamento mais duro em respeito à instituição do Ministério Público. Ocorre que agora o Dr. Procurador rasgou o véu e perdeu o pudor. O Exmo. Dr. Leão Aparecido Alves, Juiz Titular da 11ª Vara Federal de Goiânia, em 23 de maio, declinou da competência da Justiça Federal, no caso concreto, e determinou que o processo fosse encaminhado à Justiça Eleitoral, cumprindo decisão do Supremo Tribunal Federal. O processo foi ao Ministério Público para simples ciência e deveria ser encaminhado à Justiça Eleitoral para a manifestação do digno Juiz Eleitoral.

Intempestiva e atrevidamente, o Dr. Procurador, inconformado, não querendo abrir mão do processo, como se isto fosse possível, apresenta Denúncia SEM TER COMPETÊNCIA para tal. Um desafio e um desrespeito à sua Excelência, o Juiz Titular, que já havia despachado declinando a competência. Um desserviço ao Poder Judiciário e um ato que não reflete a postura sempre digna e sensata da instituição do Ministério Público Federal. Quer a Defesa grisar, mais uma vez, que o ex-Governador não teme o enfrentamento dos fatos e tem absoluta confiança na sua total inocência, mas tem que responder frente ao Juízo competente.

Em respeito ao Judiciário não teceremos nenhum comentário sobre o mérito, por entender que há uma clara usurpação de competência e abuso de poder e, mais uma vez, uma odiosa perseguição que deve ser apurada com a devida responsabilização. A Defesa ressalta a absoluta confiança na instituição do Ministério Público e no Poder Judiciário.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – No Brasil, todo criminoso é igual a Lula e também se torna “perseguido político”. A lista é longa, até Sérgio Cabral, Michel Temer, José Dirceu, Eduardo Cunha, Aécio Neves e Geddel Vieira Lima já embarcaram nessa canoa, que deve ser do tamanho da Arca de Noé, para caber tanto corrupto. (C.N.)

Bolsonaro reage às críticas de Santos Cruz e diz que o general-ministro é ‘página virada’

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Cruz ficou seis meses no governo e não reclamou, alega Bolsonaro

Gustavo Schmitt
Época

O presidente Jair Bolsonaro reagiu às críticas feitas pelo general da reserva do exército Carlos Alberto dos Santos Cruz em entrevista à Época nesta quinta-feira. Após participar da Marcha para Jesus, em São Paulo, nesta quinta-feira, Bolsonaro afirmou que o general, ex-ministro da Secretaria de governo, é “página virada”.

Ao ser questionado sobre a declaração dada por Santos Cruz à revista, de que o governo é um “show de besteiras”, o presidente demonstrou irritação: “Ele (Santos Cruz) integrou o governo por seis meses e nunca disse que tinha bobagem lá dentro”, disse o presidente.

MUDAR O FOCO – Ao ouvir outras perguntas sobre as críticas do seu ex-ministro, Bolsonaro pediu para mudar o foco da entrevista: “Vamos falar de Brasil. Façam pergunta inteligente”

Na entrevista para Época, Santos Cruz disse que o governo perde tempo com “bobagens” quando deveria priorizar questões relevantes para o país. “Tem de aproveitar essa oportunidade para tirar a fumaça da frente para o público enxergar as coisas boas, e não uma fofocagem desgraçada. Se você fizer uma análise das bobagens que se têm vivido, é um negócio impressionante. É um show de besteiras. Isso tira o foco daquilo que é importante”, afirmou o ex-ministro.

Santos Cruz foi demitido por Bolsonaro da Secretaria de Governo na semana passada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro demitiu o ex-amigo Santos Cruz secamente, sem revelar o motivo. E o general, que é uma pessoa digna e altiva, nem perguntou. O que revela a “Rádio Corredor” do Planalto é que o ministro foi exonerado porque não aceitou privilegiar, na distribuição de verbas publicitárias do governo, os sites e blogs que ficam puxando o saco de Bolsonaro sem fazer jornalismo de verdade. Um dos blogs que seriam “patrocinados”, por coincidência, é editado pelo escritor Olavo de Carvalho, o guru virginiano.

O futuro secretário de Governo, Luiz Eduardo Ramos, que também é general, terá de ser mais maleável e compreensivo, caso contrário também será detonado pelos filhos de Bolsonaro, que estão atuando mais discretamente, porém já recuperaram o controle do governo, enquanto a ala militar está perdendo terreno para os ”olavetes”, apelido que o próprio guru deu a seus fiéis seguidores. (C.N.)  

Bolsonaro escolhe um amigo pessoal para ser o novo Secretário-Geral da Presidência

Jorge Antônio de Oliveira Francisco, Jair Bolsonaro e Floriano Peixoto Neto

Floriano Peixoto, Bolsonaro e o novo secretário-geral do Planalto

Deu em O Tempo

O advogado e major da Polícia Militar, Jorge Antônio de Oliveira Francisco, irá assumir a Secretaria-Geral da Presidência da República, no lugar de Floriano Peixoto Neto, que vai assumir a presidência dos Correios. O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira (21) pelo presidente Jair Bolsonaro.

Jorge Antonio de Oliveira Francisco será o terceiro ministro a comandar a pasta no governo Bolsonaro.  Antes de Jorge Antônio, passaram pela secretaria o advogado Gustavo Bebianno e o general Floriano Peixoto.

NA CASA CIVIL – O novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República trabalha desde o início do governo Bolsonaro à frente da Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil, órgão que analisa a legalidade dos atos presidenciais.

Floriano substitui o general Juarez Cunha, que de acordo com Bolsonaro foi demitido por adotar um comportamento “sindicalista” ao se posicionar contrário a privatização dos Correios. O presidente disse, em coletiva a imprensa, que não pretende mudar “mais ninguém” no quadro de ministros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Infelizmente, o presidente Bolsonaro continua errando na escolha de ministros. O major Jorge Antonio de Oliveira Francisco tem como principal destaque no currículo o fato de ser amigo pessoal do chefe do governo. E em política todos sabem que nem sempre os amigos têm capacidade de assumir cargos de tamanha importância. No caso do major-advogado, foi ele o responsável na Casa Civil por vários erros jurídicos monumentais cometidos pelo presidente, que preferia consultar o amigo, que é advogado inexperiente, e deixava de consultar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que sabe tudo de direito. Depois a gente volta ao assunto. (C.N.)

“Conspiração” é o único assunto em que Lula e Bolsonaro concordam em discordar

Adélio Bispo de Oliveira durante transferência para presídio em Campo Grande (MT)

Lula e Bolsonaro acreditam que Adélio participou de uma conspiração

Ruy Castro
Folha

É por isso que adoro romances de espionagem. Partem de tramas tão intrincadas que, já na segunda página, nos esquecemos de como elas são improváveis. O inglês John Le Carré é o mestre do gênero. Ou era —porque, agora, temos Lula e Jair Bolsonaro.

Há dias, Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada no candidato Bolsonaro em Juiz de Fora, em 2018, foi absolvido pelo Código de Processo Penal por ser inimputável, portador de uma doença mental. Ficará num presídio de segurança máxima, mas isso só reforçou a dúvida do ex-presidente Lula sobre se houve mesmo a facada. “Não aparece sangue…”, insinuou ele, numa entrevista. 

FALSA FACADA – Para Lula, o golpe em Bolsonaro deve ter sido feito com uma faca retrátil, de teatro, daí a falta de sangue. Para tornar a história plausível, armou-se previamente uma conspiração envolvendo o povo de Juiz de Fora, a equipe do hospital local, os que transportaram Bolsonaro para São Paulo, o pessoal do Albert Einstein que simulou operá-lo e os funcionários dos laboratórios que fingiram analisar suas tripas. Quem seria o cérebro por trás disso? Milhares de pessoas tomaram parte na farsa e, incrível, até hoje ninguém quebrou o pacto de silêncio.

O presidente Bolsonaro, por sua vez, também não admite a sentença. Para ele, Bispo foi apenas a mão que lhe cravou a faca. Por trás dela, haveria uma rede envolvendo o PT, o PC do B, o PSOL, o centrão, os ideólogos, sindicalistas, professores, jornalistas, cientistas de humanas, atores, cantores, índios, ecologistas, pacifistas, gays, lésbicas, praticantes de sexo urinário e idiotas em geral. Todos se articularam para que um ativista contratado o esfaqueasse entre milhares de pessoas e fosse preso ou linchado. E, para disfarçar, confiaram a tarefa a um —este, sim, reconhecidamente— idiota.

Tanto para Lula quanto para Bolsonaro, os psiquiatras que examinaram Bispo também devem estar na conspiração. E louco é o Bispo.

Consultor revela que o setor da agricultura enfim está ‘desmamando’ do governo

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As exportações agrícolas conseguiram crescer 8% no ano passado

Mauro Zafalon
Folha

O crédito destinado à agropecuária comercial para a próxima safra é adequado, principalmente porque o setor já está “desmamando” do governo. Há algumas safras que a taxa de juros não subsidiada supera a Selic, reduzindo os gastos do Tesouro com equalização.

O peso maior dos custos atuais do governo vem dos recursos tomados pelos produtores nas safras passadas, para a compra, por exemplo, de tratores e de colheitadeiras.

TAXA DE JUROS – Esta avaliação é de Ivan Wedekin, da Wedekin Consultores. Ele comparou as taxas de juros das safras mais recentes. Constatou que, na de 2015/16, os juros de custeio dos grandes produtores foram de 8,8%, 5,4 pontos percentuais abaixo da Selic.

Em 2018/19, o custo dos juros dessa categoria de produtores já superou em 1 ponto percentual a Selic. Projeções para a próxima safra apontam que os grandes produtores voltarão a pagar juros superiores à Selic. Desta vez, o custo deverá superar em 2 pontos percentuais a taxa básica de juros do mercado.

O volume de crédito da próxima safra é praticamente o mesmo da atual, que foi de R$ 221,1 bilhões. Desse total, R$ 159 bilhões foram emprestados no período de julho de 2018 a maio de 2019.

FECHAR A SAFRA – Sendo o último mês da safra um período de maior movimento, Wedekin acredita que o governo vá fechar o ano safra colocando R$ 175 bilhões no mercado agropecuário, ou seja, 80% do que ficou à disposição do setor.

Na opinião do consultor, um dos pontos mais delicados do programa de crédito na próxima safra será a manutenção do orçamento de R$ 1 bilhão para o seguro rural. Já o montante de R$ 1,85 bilhão destinado à política de preços mínimos poderá superar a demanda. Em 2017, o governo gastou R$ 911 milhões com o programa de preços mínimos, volume que recuou para apenas R$ 47 milhões em 2018.

Para Wedekin, o produtor vai arcar com uma taxa de juros maior e com os pouco convidativos preços das commodities, principalmente os do café. Na avaliação dele, porém, o câmbio poderá ajudar a compensar parte das perdas.

EXPORTAÇÕES – De janeiro a abril deste ano, as exportações dos produtos do agronegócio brasileiro cresceram 8% em volume, ante as do mesmo período de 2018.

O faturamento em dólar, porém, evoluiu apenas 0,3% no mesmo período, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), porque os preços médios internacionais dos produtos estão em queda e houve valorização do dólar – esta última tirando parte da competitividade do produto brasileiro. Assim, as circunstâncias não permitiram avanço maior das receitas do setor.

Por fim, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou neste início da semana, na Associação Comercial de São Paulo, que há conversações entre os governos chileno e brasileiro para a viabilização de um acesso do Brasil ao oceano Pacífico.

Ministro da Secretaria-Geral, Floriano Peixoto deixará cargo para presidir Correios

Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Floriano Peixoto 26/02/2019 Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

O general Floriano Peixoto tem a missão de privatizar os Correios

Gustavo Maia
O Globo

Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Floriano Peixoto deixará o cargo para assumir o comando dos Correios. Peixoto, que é general da reserva do Exército, é o quarto ministro do governo do presidente Jair Bolsonaro a deixar o cargo – e o segundo da pasta.

SEM SUBSTITUTO – Até o momento, não se sabe quem assumirá o ministério, sediado no quarto andar do Planalto, um acima do gabinete presidencial. Floriano chegou ao cargo substituindo Gustavo Bebianno, primeiro ministro a cair na atual gestão, ainda em fevereiro.

Bolsonaro havia anunciado a demissão do presidente dos Correios, o também general Juarez Aparecido de Paula Cunha, ao fim de café da manhã com jornalistas que cobrem o Planalto na última sexta-feira.

Segundo o presidente, a exoneração foi motivada pela recente à ida de Juarez à Câmara dos Deputados, a convite de partidos da oposição. Bolsonaro disse que o general se comportou “como um sindicalista” na ocasião e posou para fotos com deputados do PT e do PSOL.

SEM COMENTÁRIOS – Na chegada ao Palácio do Alvorada por volta das 18h50 desta quinta, Bolsonaro desceu do carro, cumprimentou jornalistas e apoiadores que o aguardavam na entrada da residência oficial, mas não respondeu a nenhuma pergunta.

Na última terça-feira, Bolsonaro havia dito que não sabia quem seria o novo presidente da estatal, comentando que “a criança” estava nascendo. Em seguida, afirmou que havia “alguns nomes aparecendo”.

– Logicamente, o presidente que vai assumir vai cumprir o seu papel naturalmente. E o governo deu sinal verde para buscar a privatização, se bem que ela passa pelo Parlamento também.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É impressionante o troca-troca de demissões e nomeações nos primeiros escalões do governo. Jamais se viu esse fenômeno na História da República. Alega-se que não se deve criticar o governo, porque Bolsonaro só está no poder há seis meses. Mas com tantas demissões e novas nomeações, fica claro que há alto de errado, pois o governo não tem a menor estabilidade. Certamente é por isso que dá a sensação de que na verdade ainda nem começou. É uma situação que revela um surpreendente amadorismo, pela falta de executivos competentes para ocupar importantes funções na República. O assunto é preocupante e vamos voltar a ele, porque, desse jeito, fica cada vez mais difícil o governo tirar o país da crise. (C.N.)

O que já era muito difícil no Brasil antes da tuitercracia, agora ficou ainda pior

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Charge do Durval (Arquivo Google)

Delfim Netto
Folha

A verdadeira “república democrática” deve garantir a todos os seus membros: 1º) o pleno direito à vivência de sua cidadania, sem distinções identitárias; e 2º) a igualdade de oportunidades apoiada em políticas públicas que nivelam a capacidade cognitiva de todos, independentemente da história e da geografia de seus progenitores.

Todo cidadão sairá para a vida com os mesmos instrumentos para compreender o mundo. O ponto de chegada de cada um dependerá do seu esforço combinado com a sua sorte, e não mais das condições prevalecentes na partida!

INTOLERÂNCIA – Por que não se conseguiu, até agora, realizar essa aspiração? Porque o homem costuma recusar, sem nenhuma razão objetiva, o conhecimento empírico quando este nega suas crenças pré-concebidas!

Por que uma mãe caridosa recusa para seu filho uma transfusão de sangue quando evidências empíricas de seus efeitos benéficos acumulam-se há pelo menos um século?

Por que um evangélico se recusa a aceitar o fato empiricamente comprovado de que a identidade sexual não é zero ou uma, mas todas as possibilidades e, por isso, quer “curar” o normal LGBT?

DEMOCRACIA – O governo Bolsonaro não quer aceitar que não há a forma de se construir uma sociedade civilizada sem políticas públicas focadas e apoiadas na evidência empírica, que obedece à metodologia científica universalmente aceita.

Como é evidente, a viabilidade da “república democrática” depende da construção de um consenso de tolerância entre seus membros com relação a todas as diferenças identitárias, o que exige um contrato social: uma Constituição —uma lei à qual todos se submeterão— sob o controle do Supremo Tribunal Federal, ele mesmo submetido a ela. Esse processo circular pode apresentar problemas lógicos insuspeitados quando há eventos dramáticos.

ONDAS DE CONTÁGIO – O que já era difícil antes do Twitter ficou muito pior. Todos o usam: líderes políticos, jornalistas, jovens e velhos, ricos e pobres. Vivemos uma espécie de “tuitercracia”, que produz “ondas de contágio” que podem ter graves consequências, uma vez que estimulam as diferenças identitárias.

Sua “voz” é flutuante, inconstante e costuma trocar de sinal quase instantaneamente, o que desmoraliza e destrói as instituições que ainda restam da democracia liberal. Esta que está sendo substituída, lentamente, pela iliberal, que não prioriza a liberdade nem o devido processo legal. Não vai terminar bem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! A coisa está muito séria. Desde o fim do regime militar, Delfim Netto jamais criticou governo algum, nunca fez oposição. E de repente sai chutando o balde, ao descrever a nossa “tuitercracia”. E o pior é que Delfim está cheio de razão. (C.N.)

O sonho inútil de rejuvenescer, na visão poética de Alphonsus de Guimaraens

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Site Poemas & Canções

O juiz e poeta mineiro Afonso Henriques da Costa Guimaraens (1870-1921), que adotou o nome de Alphonsus de Guimaraens, no soneto “Como se moço e não bem velho eu fosse”, sente sua vida se modificar para melhor através de um sonho, mas, infelizmente, o poeta acorda para a realidade.

COMO SE MOÇO E NÃO BEM VELHO EU FOSSE
Alphonsus de Guimaraens

Como se moço e não bem velho eu fosse,
Uma nova ilusão veio animar-me,
Na minh’alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios, que vinham desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do áureo sonho em sobressalto;
Do céu tombei ao caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto… 

Bolsonaro enviará novo projeto de Capitalização, cujo texto não é de Paulo Guedes

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Charge do Rico (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Matéria assinada por José Marques e Ângela Boldrini, Folha de São Paulo de quinta-feira, revela a disposição do presidente Jair Bolsonaro de, rejeitado o texto de Paulo Guedes, enviar ao Congresso outra proposição para o regime de capitalização destinado a aposentadoria dos celetistas, entre eles os servidores das estatais, e do funcionalismo federal. Essa disposição foi anunciada pelo presidente da República logo após participar na quarta-feira de evento da Aeronáutica na cidade paulista de Guaratinguetá.

Com isso – digo eu – Bolsonaro já dá como perdido o projeto original para a reforma da Previdência. No caso pelo menos tacitamente afasta-se do conteúdo do projeto que está dando margem a uma série de debates tanto no Legislativo quanto na opinião pública.

EXCLUSÃO – Não fosse a atitude de criar novo projeto uma prova de que a Câmara deve rejeitar a capitalização na primeira investida, o presidente da República não faria a revelação que fez. De fato o relatório do deputado Samuel Moreira excluiu a capitalização construída pela equipe de Paulo Guedes.

Politicamente não há como negar que o episódio representa um novo desgaste para o governo. Desgaste ampliado pelo mal relacionamento que Guedes estabeleceu com o Poder Legislativo. Sobretudo com Rodrigo Maia que o apontou como um dos integrantes da usina de crises que abastece o Planalto.

DESARTICULAÇÃO – A repórter Ângela Boldrini acrescenta que a articulação política da Presidência está falhando sucessivamente.

Inclusive já se recuou no afastamento do Ministro Onyx LorenzonI dos entendimentos entre o Palácio e o esquema partidário que lhe dá sustentação no Congresso, para que o relacionamento não se torne ainda mais difícil. O general Eduardo Ramos, futuro ministro da Secretaria do Governo só passará a substituir Onyx após a aprovação da reforma da Previdência, assumindo então os diálogos entre o Executivo e os parlamentares

CONFUSÃO – Uma reportagem de Eliane Cantanhede, Ane Worth e Mariana Haubert, no Estado de São Paulo, ilumina com nitidez o que está se passando no Palácio do Planalto. Confusão. O general Eduardo Ramos não parece ser flexível no relacionamento fisiológico com os parlamentares que praticam essa espécie de coptação. Pelo contrário. A comunicação tornar-se-á mais difícil. Acentuo que o tipo de diálogo que marcou os governos Lula, Dilma e Michel Temer dificilmente poderá ser retomado. Uma questão de estilo. Diferente do que as gravações de Joesley Batista e também da corrida de Rocha Loures com a mala de 500 mil reais que o tornou personagem da noite paulista.

Em matéria de desarticulação tem-se a impressão que a ausência de comunicação vai se refletir nas calmas águas do Lago Paranoá.

Atenção, Bolsonaro! O BNDES e o Brasil não podem ser geridos por principiantes!

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O BNDES é o principal instrumento de política econômica do país

Carlos Newton

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode ser comparado ao próprio Brasil, porque não é para principiantes, como dizia o húngaro Peter Kellemen, que em 1959 lançou pela Civilização Brasileira um livro delicioso sobre golpes e vigarices que eram aplicadas no país, cujo título era “Brasil para Principiantes”. Kellemen estava há apenas seis anos no Brasil, mas conseguiu sacar como o país funcionava e seu o livro foi um grande best-seller.

Kellemen era um tremendo pilantra que se dizia médico ou diplomata, dependendo do freguês. Depois de lançar o livro, o espertalhão criou o “Carnê Fartura”, com boletos pagos mensalmente e que concorriam a sorteios milionários. Quando se encheu de dinheiro, Kellemen fugiu para a Paraguai e nunca mais foi visto por aqui, porque ele não era principiante. E Silvio Santos roubou a ideia dele e criou a TeleSena, uma máquina de fazer dinheiro.

BANCO DE FOMENTO – Assim como o Brasil, o BNDES também não é para principiantes. Até recentemente era o maior bancos de fomento do mundo e tem um corpo técnico de fazer inveja, pelo grau de especialização. Imagine qualquer setor da economia e tenha certeza de que lá no BNDES existem especialistas no assunto, com celulose, veículo leve sobre trilhos, qualquer tipo de mineração, agroindústria, energia, comunicações, fármacos, o que você imaginar é estudado em profundidade pelos especialistas do banco.

Com o melhor corpo técnico do Brasil, o BNDES é hoje o principal instrumento de que dispõe o governo para buscar a retomada dos investimentos e a recuperação da economia.

Mas parece que o governo Bolsonaro, ao invés de usar a expertise do BNDES para enfrentar a recessão, faz exatamente o contrário e se mostra disposto a acabar com o banco de fomento, e para tanto já conta com a ajuda do Congresso.

MALUQUICE – O relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), fez a maior maluquice do ano, ao propor que sejam extintos os repasses ao BNDES de 40% da arrecadação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Isso significa cortar, de uma só cutelada, quase 50% da receita do banco de fomento. Essa fatia do FAT antes representava 35,3% da arrecadação do BNDES, mas o percentual está crescendo devido à devolução de recursos ao Tesouro.

O presidente Jair Bolsonaro está deixando as águas rolarem na Câmara, mas alguém tem de evitar essa insanidade. A quem interessa enfraquecer o BNDES, principal instrumento de política econômica?  

O pior é que Bolsonaro está nomeando um executivo de 38 anos para presidir o BNDES, cuja única indicação no currículo é ter sido amigo de infância dos três filhos mais velhos do presidente. Era só o que faltava!, diria o Barão de Itararé.

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P.S. 1 – O ministro Guedes não dá importância ao BNDES, porque é um irresponsável e parte do princípio de que o livre mercado resolve tudo. Quanto a Bolsonaro, se não consegue entender o papel decisivo do BNDES na economia, é recomendável perguntar aos generais do Planalto, que saberão lhe explicar, pois estudaram economia nos Cursos de Estado Maior e na Escola Superior de Guerra. 

P.S. 2Aliás, os generais precisam lembrar ao capitão que ele foi eleito para salvar o Brasil, e não para destruí-lo de vez. (C.N.)