Avó de Michelle Bolsonaro é intubada após piora no seu quadro de Covid-19

 é transferida para HRSM com suspeita de ...

Avó de Michelle caiu na favela e foi socorrida pelos seus vizinhos

Afonso Ferreira
G1 DF

A avó da primeira-dama Michelle Bolsonaro teve uma piora no quadro de Covid-19 e foi intubada neste domingo (dia 5). Maria Aparecida Firmo Ferreira tem 80 anos e está internada no Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, desde a última quarta-feira (1º), onde foi diagnosticada com coronavírus.

De acordo com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), que administra o hospital público, “a paciente foi transferida para um leito de UTI na noite da última sexta-feira (03) e foi entubada neste domingo (05)”.

SEM COMENTÁRIOS – Questionado, o Palácio do Planalto disse que não vai comentar o assunto. Maria Aparecida Firmo Ferreira mora em Ceilândia, na favela do Sol Nascente, uma das maiores do país. De acordo com o prontuário médico, a idosa foi encontrada “por populares, na rua, caída” e levada para o Hospital Regional de Ceilândia, com falta de ar.

No hospital, a avó da primeira-dama disse que há 15 dias apresentava sintomas como tosse seca, febre, coriza, falta de apetite, falta de ar progressiva e dor abaixo das costelas. Devido ao quadro de saúde, Maria Aparecida foi transferida para o Hospital Regional de Santa Maria ainda no dia 1º de julho.

DIZ O IGES-DF – “O IGESDF informa que M.A.F.F. está internada no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) desde 1/7. A paciente foi transferida para um leito de UTI na noite da última sexta-feira (03) e foi intubada neste domingo (05).

O IGESDF esclarece que a paciente está recebendo toda a assistência necessária ao quadro de saúde.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Planalto não faz comentários. Nem precisa fazê-lo. O abandono de dona Maria Aparecida fala por si, nem precisa ser comentado. (C.N.)

Bolsonaro tem sintomas de Covid-19 e faz novo exame para detectar doença

Decisão judicial obriga Bolsonaro a usar máscara em espaço público ...

Bolsonaro bateu uma chapa do pulmão e depois foi fazer o exame

Deu no Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro foi submetido a um novo exame de covid-19 nesta segunda-feira (6/7), após apresentar sintomas da doença provocada pelo novo coronavírus. O próprio presidente confirmou que há suspeita de ele estar com a doença, ao retornar ao Palácio da Alvorada, no fim da tarde.

Ao ser abordado por apoiadores que costumam se reunir em frente à residência oficial, Bolsonaro disse que evitaria se aproximar das pessoas por ter ido ao hospital fazer exame de covid-19 e que também avaliou o pulmão. “Está tudo bem”, disse o presidente, que usava máscara.

O resultado deve ficar pronto nesta terça-feira (7/7), ao meio-dia. Bolsonaro apresentou febre de 38ºC e cancelou compromissos por causa da suspeita. Ele foi atendido no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília.

Ele disse à imprensa que o resultado da avaliação do pulmão mostrou bom funcionamento do órgão. Ele afirmou ainda que já está tomando hidroxicloroquina de maneira preventiva, embora não seja esta a recomendação médica padrão.

GRUPO DE RISCO – O presidente pode ser considerado um integrante do grupo de pessoas que apresentam risco maior de desenvolver forma grave da doença, por já ter 65 anos. Vários integrantes de sua equipe apresentaram a doença desde o início da pandemia, mas, até agora, os testes do presidente resultaram negativo.

Bolsonaro tem resistido em manter o distanciamento social e costuma se aproximar das pessoas ao aparecer em público, seja participando de manifestações públicas em seu apoio, seja passeando por Brasília nos fins de semana.

Para recuperar imagem do governo, Secom pretende gastar R$ 325 milhões em publicidade

Charge do Nando Motta (brasil247.com)

Renato Onofre
Folha

A Secom (Secretaria de Comunicação) pediu a liberação ainda neste ano de R$ 325 milhões para gastar em publicidade e em relações públicas para tentar melhorar a imagem do governo Jair Bolsonaro no país e no exterior. O valor é mais do que o dobro previsto no atual orçamento de 2020 para ações de Comunicação, cerca de R$ 138,1 milhões. A Secom justifica o pedido por mais recurso sob o argumento da pandemia do novo coronavírus.

“Tais providências são determinantes para que a Secom, no contexto de enfrentamento do Brasil à pandemia do Covid-19, tenha condições de cumprir com sua missão de promover a comunicação do governo federal com a sociedade e ampliar o acesso às informações de interesse público”, diz o documento.

DESGASTE – O pano de fundo, no entanto, é tentar recuperar a imagem do governo abalada por uma sucessão de crises provocadas por decisões tomadas por Bolsonaro e sua equipe.

Segundo a mais recente pesquisa do Datafolha, feita no final de junho, a rejeição ao presidente atinge 44% dos brasileiros. A aprovação é de 32%, enquanto os que avaliam Bolsonaro como regular são 23%.

O pedido de mais verba pela Secom foi feito no início de junho, antes de Bolsonaro reformular a área do governo e recriar o Ministério das Comunicações. O presidente tem mostrado insatisfação com a maneira com que o governo é retratado no país e no exterior.

PRIORIDADE – A pasta é controlada por Fábio Faria (PSD), congressista ligado ao Centrão, que anunciou mudanças na condução da comunicação do governo. Em sua posse, o ministro disse que a “mídia continua a estar entre as prioridades” do governo e defendeu a liberdade de expressão.

Na quinta-feira, dia 2, ao participar da primeira reunião virtual de cúpula de presidentes do Mercosul, Bolsonaro afirmou que o governo está procurando corrigir o que chamou de “opiniões distorcidas” que arranharam a imagem do país no exterior. “Nosso governo vai desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil, mostrando ações que temos tomado em favor da floresta amazônica e do bem-estar das populações indígenas.”

DANOS – Na avaliação de assessores ligados à cúpula do Planalto e da ala militar do governo, o discurso ideológico contaminou a comunicação oficial, especialmente no exterior, causando danos à imagem do país. No final de junho, um grupo de investidores internacionais enviou uma carta aberta a embaixadas brasileiras em oito países manifestando preocupação com o “desmantelamento de políticas ambientais e de direitos humanos”.

A reportagem teve acesso a três ofícios encaminhados pela Secom à Secretária-Geral da Presidência, à Secretaria de Governo e ao Ministério da Economia. Neles, há a justificativa para a liberação do gasto com publicidade. Procurada, a Secom não se manifestou.

De acordo com o pedido, a repercussão negativa das ações do governo está impactando a imagem do país e é necessário incentivar a “veiculação de pautas positivas” no Brasil e no exterior. A estratégia prevê a liberação da R$ 200 milhões em publicidades que terão como foco principal mídias regionais em detrimento a veículos nacionais – mais críticos às ações do governo – e quintuplicar o valor gasto em relações públicas com a mídia.

FOCO – “Há necessidade de coordenação e capilaridade regional, associada a situações muitos díspares em cada local. Já o trabalho internacional vai focar nos veículos influenciadores de opinião nos países-chave para o Brasil”, afirmou o secretário-adjunto Samy Liberman em um dos ofícios encaminhados no início de junho. Há ainda o pedido de liberação de R$ 60 milhões para gastar em veículos no exterior.

“O Brasil tem sido citado de forma recorrente pelos principais jornais e agências de notícias internacionais, e críticas à atuação do governo no enfrentamento à Covid-19 têm sido amplamente divulgadas”, diz Liberman. Ele cita seis publicações em veículos de imprensa americanos e europeus que criticam as ações de Bolsonaro.

A primeira publicação é de 14 de abril, do jornal “The Washington Post”. Em editorial, o veículo critica a postura do governo frente à pandemia: “Líderes arriscam vidas ao subestimar o coronavírus. Bolsonaro é o pior”, diz o texto. O secretário também cita reportagem do jornal britânico “The Guardian”: “Bolsonaro está arrastando o Brasil para a calamidade do novo coronavírus. Especialistas temem”.

REPERCUSSÃO – Em outra citação, Liberman relata que as mudanças no comando da Saúde repercutiram negativamente em um dos jornais econômicos mais influentes do mundo. “O episódio da troca de ministro da Saúde ganhou ampla repercussão, como por exemplo matérias publicadas pelos jornais “The Wall Street Journal” e “The Washington Post”. Também jornais europeus repercutiram a saída do ministro.”

“É neste cenário, em que o volume de mensagens negativas expõe o país, que se faz necessária a ação de comunicação, que, por meio de divulgação de informações relacionadas a diversos setores, culminem na reversão da imagem negativa do Brasil no exterior.”

Desde janeiro de 2019, a Secom está sem contrato para os serviços de relações públicas no exterior. Nos últimos anos, a média de gastos anual foi de R$ 10 milhões para ações focadas na participação do Brasil em fóruns internacionais.

CORTE – O pedido de mais verba foi feito dois dias depois de o governo cortar o orçamento do Bolsa Família para expandir a publicidade institucional. A tesourada de R$ 83,9 milhões acabou sendo cancelada após repercussão negativa. Além dos recursos para publicidade e relações públicas, o governo quer destinar outros R$ 10 milhões para comunicação digital. No documento, Liberman diz que os recursos vão ser usados para a adoção de uma identidade visual nos portais do governo.

O acompanhamento das redes sociais, ponto de crítica constante por parte de um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro, também pode receber uma parte do bolo – R$ 5 milhões. O pedido diz que “as redes sociais é uma das formas usuais de verificação dos anseios da sociedade” e ambiente para a “formação de parte da opinião pública no processo dialógico”.

Alcolumbre trabalha alianças e articula manobra em busca da reeleição para Presidência do Senado

Alcolumbre se fia em ligações com o Supremo Tribunal Federal

Amanda Almeida, Naira Trindade e Bela Megale
O Globo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), inaugura em julho a reta final de seu mandato no comando da Casa dedicado a solucionar uma complexa matemática na tentativa de se reeleger ao posto. Além de conseguir o voto dos colegas, ele precisa transpor um trecho da Constituição que tem sido seguido à risca pelo Congresso: a proibição de reeleição para presidências do Senado e da Câmara.

Desgastado nos últimos meses, Alcolumbre tenta reorganizar uma “base eleitoral” se fiando na proximidade ao governo e em ligações com o Supremo Tribunal Federal. É nessa relação com o Supremo que Alcolumbre traça sua principal estratégia para conseguir alterar as regras para permitir a reeleição.

SONHO ANTIGO – A Constituição diz que é “vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente” nos casos do comando da Câmara e do Senado. Superar esse trecho é sonho antigo de presidentes que já passaram pelas duas Casas. Propostas de emenda à Constituição (PEC) nesse sentido, porém, nunca avançaram.

Para derrubar esse empecilho, Alcolumbre precisaria articular a aprovação de uma PEC no Senado e na Câmara, que necessitam de pelo menos três quintos dos votos de senadores e deputados, ou de uma decisão do Supremo. A carta na manga está em obter uma resposta positiva do STF a uma consulta que deve ser lançada por outro partido.

A ideia é uma sigla aliada questionar a Corte se presidentes do Senado que terminam o mandato no fim da legislatura de quatro anos podem disputar a reeleição. Este é o caso de Alcolumbre: eleito em 2014, seu atual mandato de senador termina em 2022, junto com sua possível recondução ao cargo.

CENÁRIO FAVORÁVEL – Integrantes da cúpula do DEM dizem já ter mapeado um cenário favorável a Alcolumbre no Supremo. Reservadamente, ministros do STF admitem “analisar com atenção” qualquer consulta nesse sentido, contrariando haver indicativos de que o questionamento será rejeitado de imediato. Segundo aliados, o presidente do Senado é muito bem relacionado com a maioria dos magistrados.

Se vencer essa barreira, Alcolumbre tem o desafio de ganhar o apoio dos colegas à recondução. Nesta tentativa, ele tem se equilibrado para manter a boa relação com o presidente Jair Bolsonaro e se fortalecer como o candidato do governo. Senadores veem movimentos discretos favoráveis a Alcolumbre vindos do ministro da articulação política do governo, Luiz Eduardo Ramos, da pasta de Governo.

MDB QUER VOLTAR – Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que o democrata desponta como melhor alternativa para continuar no comando do Senado. Para o governo, no último um ano e meio, Alcolumbre mais ajudou do que atrapalhou. Por outro lado, grupos no Senado se articulam para fazer frente a ele. Derrotado pelo democrata e pela pregação de uma “nova política” no início do ano passado, o MDB quer voltar ao comando da Casa.

Internamente, senadores do partido sustentam que são a maior bancada da Casa, com 13 parlamentares, o que vinha sendo critério nas eleições para a Presidência, antes da vitória do DEM em 2019. Depois do fim do mandato de Eunício Oliveira (MDB-CE), os emedebistas perderam a dianteira do Senado para Alcolumbre. Renan Calheiros (MDB-AL) foi derrotado em meio a discursos de que ele representava a “velha política”.

No MDB, a dificuldade será encontrar um candidato que agrade a todas as alas do partido. O líder Eduardo Braga (AM), o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (TO), a presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, Simone Tebet (MS), e o próprio Renan são apontados como nomes que flertam com uma candidatura.

NO PÁREO – Mais experientes, porém, eles preferem observar o cenário político antes de qualquer movimento. Isso porque, avaliam aliados, investigações envolvendo Bolsonaro podem ainda mudar os rumos da eleição.  Além do MDB, outras legendas, como o PSD, em ascensão na Casa, com 12 senadores, também sonham com a cadeira da Presidência.

Por fora, há ainda um grupo que reúne parlamentares de diferentes partidos, o Muda Senado, que deseja ocupar o espaço. Na semana passada, um representante deles, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), expressou em sessão remota a vontade do grupo: “Se o Alvaro Dias não for candidato à Presidência, eu serei, para disputar com o senhor respeitosamente”.

Alcolumbre vive altos e baixos entre senadores que o elegeram, em especial o grupo que chegou à Casa com o discurso de novas práticas na política. Foi cobrado por engavetar a CPI dos Tribunais Superiores, pelo silêncio em relação a pautas e declarações controversas do governo e por segurar projetos como o que prevê prisão imediata de condenados em segunda instância.

DESGASTE – Além do desgosto dos mais radicais, perdeu força entre os considerados mais moderados que o ajudaram a chegar à Presidência, como Simone Tebet, Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Antonio Anastasia (PSD-MG), depois de se aproximar de velhos caciques da Casa.

Na tentativa de contornar essas dificuldades, Alcolumbre tenta ganhar apoio entre os colegas, que relatam gestos dele, como uma distribuição “mais democrática” de relatorias, o prestígio a projetos de parlamentares na pauta do plenário e espaços na Casa. A inclusão na pauta do projeto de lei de combate às fake news foi interpretada como uma sinalização de que Alcolumbre deseja agradar aos colegas mesmo que isso traga incômodo ao governo.

INTERMEDIAÇÃO – No dia seguinte à aprovação da proposta, Bolsonaro avisou que poderá vetar a medida caso ela seja aprovada pela Câmara. Em outra frente, Alcolumbre tem se colocado como uma ponte com o governo federal, para facilitar encontros e demandas dos senadores nos ministérios e no Planalto.

Como o diálogo com a gestão Bolsonaro é considerado difícil, essa posição de Alcolumbre é elogiada entre colegas. Apesar dos sinais claros, as conversas sobre a sucessão à Presidência ocorrido de forma discreta.

Neoliberalismo de Guedes mantém a economia sufocada por déficits e dívidas

Nani Humor: PAULO GUEDESFlávio José Bortolotto

O economista Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, tem razão em afirmar que os governos federal, estaduais e municipais gastam muito e gastam mal. O Brasil até 1930 operou no sistema clássico liberal laissez-faire, entregue às chamadas regras informais do mercado, e crescia em média 2,5% ao ano, com padrão de vida muito baixo e analfabetismo atingindo cerca de 70% da população.

Com essa forma de liberalismo absoluto, nunca saímos de uma economia exportadora de produtos agrícolas e minerais sem beneficiamento algum.

A ERA VARGAS – Com a Revolução de 1930, sob a liderança do grande presidente Getúlio Vargas (1930 – 1945 e 1951 – 1954), mudamos para o sistema nacional desenvolvimentista industrialista, que propiciou até 1980 um crescimento médio de 7,5% ao ano, com implantação da indústria de base e a substituição de importações, eletrificou-se o país, baixou-se o analfabetismo para 7% e melhoramos muito nosso padrão de vida. Passamos de 50ª economia do mundo para 8ª.

A diferença principal entre os dois sistemas econômicos é que no liberalismo laissez-faire praticamente não há incentivo estatal, enquanto no nacional desenvolvimentismo industrialista o Estado protege o crescimento da indústria, principalmente no começo, para induzir sua expansão, com utilização de empresas estatais e mistas na infraestrutura e em setores estratégicos.

A ERA DOS DÉFICITS – Sendo assim, por que o nacional desenvolvimentismo industrialista, que melhorou muito o padrão de vida brasileiro, entrou em esgotamento em 1980? Depois teve tentativa de desmonte em 1990 com o presidente Collor de Mello, e mais forte ainda em 1995 – 2002, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, foi reativado pelos presidentes Lula e Dilma em 1993 – 2016 e entrou em colapso de novo?

É que, nosso sistema nacional desenvolvimentismo industrialista passou a ser operado, diferentemente dos tempos de Vargas, com grandes déficits fiscais, quando o governo gasta bem mais do que arrecada, cobrindo o déficit com crescente endividamento e suportando também déficits no balanço de pagamentos internacional que mede a entrada e saída líquida de riqueza no Brasil.

ASPECTOS NEGATIVOS – O déficit fiscal vai aumentando a carga tributária até asfixiar a produção. O déficit do balanço de pagamentos internacional vai descapitalizando a economia nacional. E nenhum país ainda conseguiu a proeza de enriquecer com capital de terceiros. Só o “capital brasileiro”, como sempre nos disse o grande governador Carlos Lacerda, enriquecerá os brasileiros. O capital internacional deve ser sempre secundário numa economia próspera.

A nossa tragédia econômica, é que, quando esgotamos o nacional desenvolvimentismo industrialista (sistema mais produtivo), devido ao contínuo duplo déficit fiscal e do balanço de pagamentos internacional, em vez de combater a causa dos duplos déficits, partimos para mudança de sistema e adotamos o liberalismo laissez faire, que se mostra ineficaz para o Brasil.

Impasse e ‘modo fritura’ de testar nomes para o MEC gera desconforto entre aliados de Bolsonaro

Charge do Zé Dassilva (Arquivo do Google)

Gerson Camarotti
G1

Até mesmo auxiliares mais próximos já demonstram desconforto com a dificuldade do presidente Jair Bolsonaro de escolher um nome para comandar o Ministério da Educação. A fritura explícita do secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, sondado duas vezes para o cargo, acendeu o alerta até mesmo entre aliados do governo no Congresso Nacional.

Feder foi forçado a recusar oficialmente neste domingo, dia 5, o convite para ser ministro após o governo vazar que Bolsonaro já tinha desistido do nome dele. O atual secretário de Educação do Paraná sofreu intenso ataque da chamada ala ideológica do governo e de aliados da bancada evangélica.

EXPOSIÇÃO – “Chega a ser cruel expor um homem público duas vezes para ficar vulnerável aos ataques de todos os lados, simplesmente, para testar a capacidade de resistência do nome. Esse tipo de fritura cria uma desconfiança entre aliados”, disse ao blog um líder que integra a nova base de apoio ao governo Bolsonaro.

Depois de 17 dias sem um ministro no comando da Educação, cresce no Congresso Nacional a preocupação com o destino do setor no país, num ano em que será preciso tomar decisões rápidas sobre uma nova data para o Enem e sobre um cronograma de volta às aulas em meio à pandemia do novo coronavírus. Além disso, a Câmara dos Deputados deve votar nas próximas semanas a proposta que institui o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

IMPASSE – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em entrevista à GloboNews neste domingo que os “lunáticos conseguem prevalecer” ao comentar o impasse em torno do comando do Ministério da Educação.

Desde a última quarta-feira, dia 1º, quando a nomeação de Carlos Alberto Decotelli foi anulada, o cargo de titular do MEC está desocupado. Mas, para Maia, o país está sem um ministro da Educação há um ano e meio. Antes de Decotelli, que teve de deixar o governo depois de descobertas informações falsas em seu currículo, o MEC era chefiado por Abraham Weintraub.

O ex-ministro se envolveu em várias polêmicas e sua situação ficou insustentável depois que se tornaram públicas ofensas, feitas por Weintraub durante reunião ministerial, contra magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF).

Arrancada do democrata Joe Biden surpreende até jornalistas e cientistas políticos

Aos poucos. Joe Biden está ganhando a confiança dos eleitores dos EUA

Pedro do Coutto

A política é sempre repleta de surpresas e, por isso, sua movimentação contesta as afirmações que se tornam congeladas diante das mutações. Isso é próprio da política em si. Os imprevistos ao longo da estrada possuem sempre uma influência de peso que apaga as ideias fixas. É a vitória de seu caráter dinâmico sobre os estacionamentos do raciocínio, em um encadeamento que se choca com uma visão fotográfica do momento.

O cinema, iniciado no amanhecer do século XX, assim representou um dinamismo de imagens que supera a cristalização da conquista da técnica e da arte de fotografar. Mas vamos ao assunto esquecendo essas movimentações de texto.

NOS ESTADOS UNIDOS – O New York Times publicou, e reportagem de Bruno Benevides e Catarina Pignato, Folha de São Paulo de 4 de julho reproduziu, apontando um distanciamento de Joe Biden sobre Donald Trump para as eleições de 3 de novembro. A surpresa comprova o dinamismo do processo político que altera rumos que pareciam estar solidificados.

Donald Trump estava firme à frente dos Democratas. Mas o jogo se modificou, podendo ser muitas as razões, a começar pelo desempenho do atual ocupante da Casa Branca.

O New York Times encomendou quatro pesquisas sobre intenções de voto. A primeira aponta diferença de 53 a 41 pontos. A segunda de 52 a 44, a terceira de 46 a 39, uma quarta de 50% a 38%.

ELEITORADO NEGRO – A grande margem de intenções de votos no eleitorado negro sustenta o avanço de Biden. Nessa faixa ele atinge 90%. Entre os latinos a vantagem é de 65 a 35. E entre os brancos Trump tem uma vantagem de 51 a 49, praticamente um empate.

O panorama representa o caráter volúvel do eleitorado ao sentir a força do vento dos fatos. Nas eleições de 2016, por exemplo, Hillary Clinton perdeu a disputa por si mesma. Ela foi usar o sistema da Internet do governo para mensagens não oficiais entre pessoas de seu conhecimento. E também fez exatamente o contrário. Usou seu computador pessoal para trocar correspondências de Estado.

EXEMPLO DE HILLARY – Ela vinha à frente com 12 pontos em outubro. James Comay, diretor do FBI, reviveu o episódio três semanas antes das eleições. Hillary teve mais votos mas perdeu no peso dos colégios eleitorais. O páreo foi decidido em Michigan onde Trump venceu pela margem de 0,1%. Como sempre digo, Hillary perdeu para si mesma.

Agora mais um fato contra Trump. No sábado ele atacou a new left (nova esquerda) e estendeu suas críticas àqueles que combatem o racismo. O que dizer?

O PIB E O ABONO – Francamente, ao longo de 62 anos de jornalismo, poucas vezes li afirmação tão sem base na realidade quanto a declaração de Sérgio Vale, economista chefe da MB Associados. Na reportagem de Cássia Almeida, O Globo de hoje, ele disse que a distribuição do benefício mensal de 600 reais representou 2,5 pontos a mais no PIB deste ano. A queda que seria de 9% passou a ser de 6,5.

Ora, o PIB é a soma de tudo que se produziu ao longo de 12 meses em qualquer país. Não importa qual o setor da produção, incluindo o consumo. O que está havendo no Brasil é uma simples transferência de recursos estatais para camadas da sociedade, justa.  Portanto, a ordem dos fatores não pode alterar o resultado.

DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS – Por fim, neste artigo de hoje focalizo matéria de O Globo de domingo. O presidente da Petrobrás, Roberto Castelo Branco, lançou na empresa o programa de demissões voluntárias, cujo objetivo é reduzir o número de empregados de 44 mil para 30 mil. Argumentou que o programa contribui para redução de custos da Petrobrás.

Só na aparência, porque a grande parte dos que aderem ao PDV são os que possuem tempo de serviço para se aposentar. Assim obtêm indenização e recorrem à Petrus, fundo de pensão que complementa o valor de remuneração mensal. Por exemplo: se alguém vai receber 6.000 reais do INSS e seu salário na Petrobrás for de 10.000 reais. a Petrus complementa a diferença.

Ótimo negócio para os que atingiram o tempo suficiente para se aposentar. Em matéria de economia de custos, a diminuição do quadro de pessoal é transferida para o Fundo de Pensão, que é parcialmente pago pela própria Petrobras. Apenas isso.

Moraes manda soltar investigado no inquérito dos atos antidemocráticos, mas impõe restrições

Bolsonarista foi proibido de usar redes sociais e organizar atos

Mateus Vargas
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes mandou soltar da prisão neste domingo, dia 5, o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, investigado no inquérito que apura o financiamento de atos antidemocráticos no País.

Moraes determinou que Eustáquio não use redes sociais, ‘apontadas como meios da prática dos crimes ora sob apuração’, além de proibir que o investigado fique a menos de 1 quilômetro da Praça dos Três Poderes ou das residências dos ministros do STF.

CONTATO COM INVESTIGADOS – Pela decisão, Eustáquio também não pode manter contato com outros investigados no processo e mobilizar ou integrar manifestações de ‘cunho ofensivo’ a Poderes ou que incitem ‘animosidade das Forças Armadas’. Ele também fica proibido de sair do Distrito Federal sem autorização da Justiça.O blogueiro foi preso em 26 e junho, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Na última terça-feira, 30, Moraes prorrogou por cinco dias a prisão temporária.

Em depoimento à Polícia Federal prestado nesta quinta-feira, dia 2, Eustáquio, disse que ‘fez parte do governo executivo federal de transição do atual presidente da República até 31 de janeiro de 2019’. O blogueiro não detalhou quem o teria convidado para trabalhar na gestão do governo Jair Bolsonaro, nem quando iniciou seu trabalho com a equipe de transição.

RISCO – “Verifico estar demonstrado o risco à investigação e a necessidade de restrição à atuação de Oswaldo Eustáquio Filho com relação aos fatos aqui investigados”, afirmou Mores na decisão. A Polícia Federal vê indícios de envolvimento do blogueiro com ações de ‘potencial lesivo considerável’. Ele é apontado como parte do ‘núcleo produtor de conteúdo’ na investigação.

Para a Polícia, suas publicações instigam uma parcela da população a ‘impulsionar o extremismo do discurso de polarização e antagonismo, por meios ilegais, a Poderes da República’, segundo manifestação citada na decisão de Paulo Goyaz,  um dos advogados de defesa de Eustáquio, disse ao Estadão que a decisão de Moraes é perigosa e cria ‘jurisprudência de censura à imprensa’. O blogueiro foi detido no mesmo inquérito que levou à prisão a extremista Sara Giromini, solta após dez dias de prisão provisória.

Empresa de ex-mulher de Wassef obteve dois aditivos milionários durante a gestão de Bolsonaro

Extensões contratuais feitas mesmo após auditoria apontar sobrepreço

Bernardo Mello e João Paulo Saconi
O Globo

A Globalweb Outsourcing, empresa ligada a Maria Cristina Boner Léo, ex-mulher do advogado Frederick Wassef, obteve dois aditivos durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro em um contrato firmado com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e questionado pela Controladoria-Geral da União (CGU). A Ebserh, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), é responsável pela gestão de hospitais universitários federais.

Uma auditoria da CGU apontou prejuízo na ata de preços em que se baseou o contrato. Após os aditivos, o valor final chegou a R$ 37,4 milhões, segundo o Portal da Transparência. As empresas negam irregularidades. Cristina é uma das fundadoras da empresa, hoje administrada por uma de suas filhas, Bruna Boner. A ex-mulher de Wassef, ex-advogado da família Bolsonaro, ficou impedida de participar de contratações do governo após ser condenada na Operação Caixa de Pandora, em 2019.

CONDENAÇÃO ANULADA – Há duas semanas, porém, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) anulou a condenação de Cristina por improbidade administrativa. O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP/TCU), Lucas Rocha Furtado, pediu que a corregedoria do TJ-DF investigue “se foi mera coincidência ou casuísmo” a definição da data de julgamento do recurso de Cristina.

A absolvição ocorreu um dia após o MP pedir investigação sobre contratos firmados pela Globalweb com o governo federal e sobre a suspensão de uma multa de R$ 27 milhões com a Dataprev. O consórcio Protec firmou contrato com a Ebserh em março de 2017 para desenvolvimento de softwares, no valor de R$ 9,9 milhões, e obteve um primeiro aditivo pelo mesmo valor no início de 2018, ainda no governo de Michel Temer. O aditivo coincidiu com a entrada da Globalweb no consórcio, ao lado da Liberty Comércio e Serviços, e com a saída da Infosolo Informática e da Basis Tecnologia da Informação.

À época, a Protec era alvo de apuração da CGU por um contrato firmado em novembro de 2016 com o Ministério das Cidades. Uma auditoria publicada em julho de 2018 constatou que a ata de registro de preços elaborada pela Protec, e utilizada nos contratos com o Ministério das Cidades e também com a Ebserh, se encontrava “em patamar muito superior quando comparado com licitações semelhantes”, o que levou a um prejuízo estimado na casa de R$ 4 milhões à União.

PROGRAMA SOCIAL – O contrato com o Ministério das Cidades seria destinado ao desenvolvimento da plataforma do Cartão Reforma, programa social lançado por Temer através de medida provisória e que foi cancelado após denúncias de irregularidades. O contrato da Protec com a Ebserh foi firmado com base na mesma ata de registro de preços.

Com a empresa de Cristina Boner no consórcio, a Protec conseguiu mais dois aditivos, já no governo Bolsonaro e após o alerta da CGU em relação aos valores praticados. O primeiro desses aditivos, em 19 de março de 2019, foi publicado no Diário Oficial quatro dias após o governo federal suspender a cobrança de uma multa de R$ 27 milhões devida por outro consórcio, o MG2I, do qual a Globalweb também é integrante.

O caso, revelado pelo O Globo, diz respeito a um contrato com a Dataprev, vinculada ao Ministério da Economia. Após a reportagem, o MP/TCU pediu que o caso fosse comunicado ao Ministério Público Federal (MPF) para investigação de eventual tráfico de influência e advocacia administrativa.

PARÂMETRO –  Em março deste ano, o consórcio Protec conseguiu novo aditivo de seu contrato com a Ebserh, agora com validade de três meses, até 18 de junho de 2020. Embora com duração menor, o aditivo foi estimado em R$ 8,9 milhões, pouco abaixo dos R$ 9,5 milhões que haviam sido orçados pela extensão anterior, que durou um ano. As publicações no Diário Oficial dos dois aditivos mostram que a ata de preços criticada pela CGU continuou sendo utilizada como parâmetro.

Há duas semanas, o portal Uol revelou que a empresa de Cristina Boner obteve individualmente — isto é, sem somar os consórcios que integra — R$ 239 milhões em contratos novos e aditivos no atual governo.

Na representação em que pede a investigação sobre os contratos, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado argumentou que o “aumento considerável” no volume de pagamentos recebidos pela Globalweb “levanta suspeitas quanto à eventual prática de tráfico de influência” pelo fato de a empresa estar vinculada, “ainda que de forma indireta”, à ex-mulher de Wassef.

OUTRO LADO – Procurado, o consórcio Protec classificou como “esdrúxulo”o relatório da CGU e alegou que o órgão adotou “critérios pessoais e sem qualquer justificativa metodológica”. A Protec argumenta que o TCU reconheceu em outro procedimento que “existe uma variação enorme no valor do ponto de função”, unidade de medida adotada para avaliar desenvolvimento de softwares.

A Globalweb Outsourcing — representando Cristina Boner — disse que não se manifestaria, uma vez que não é a empresa titular do consórcio. O advogado Frederick Wassef também não se posicionou após ser questionado pelo GLOBO.

A Ebserh informou que sabia da avaliação da CGU, mas que os aditivos foram feitos “em caráter excepcional”, enquanto uma nova licitação não é concluída. A empresa alegou ainda que os aditivos representam apenas um “valor máximo” para um contrato cuja execução é sob demanda. E que novo aditivo, assinado no último dia 18, permite o encerramento do contrato com o consórcio assim que a nova licitação for finalizada.

Bolsonaro vive maus momentos, com os três filhos praticamente no banco de réus

Charge do Tacho (Jornal NH)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro não poderia ter notícia pior: os três filhos dele, Flávio, Carlos e Eduardo, estão no banco de réus. Todos estão sob investigação da Justiça, o que dará muita dor de cabeça ao governo. Não se descarta que, em algum momento, pelo menos um deles venha a ser preso.

Vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos está sendo investigado pela contratação de funcionários fantasmas em seu gabinete. Como ele perdeu o foro privilegiado, o processo, agora, está tramitando em primeira instância, que costuma ser bem rigorosa em casos como o dele.

RACHADINHAS – Flávio, hoje senador, é peça central no inquérito que apura o sistema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando ele era deputado. Ele e a mulher, Fernando, foram intimados a prestar depoimentos esta semana.

Ex-assessor dele, Fabrício Queiroz está preso e a mulher dele, foragida da Justiça. Segundo o Ministério Público, Flávio Bolsonaro chefiaria uma “organização criminosa”.

Eduardo, por sua vez, virou alvo do procurador-geral da República, Augusto Aras, que determinou a abertura de “notícia de fato” para saber se o deputado federal violou a Lei de Segurança Nacional em declarações que fez pela internet. Aras apura se o parlamentar cometeu crime de “subversão da ordem democrática”.

BOLSONARO NA MIRA – Com os três filhos investigados pela Justiça, Bolsonaro atendeu aos conselhos da ala militar e baixou totalmente o tom contra o Judiciário e o Congresso. Nos últimos dias, por sinal, emitiu sinais de paz aos dois Poderes, pois sabe que as consequências de um embate poderão resultar em um estrago em seu mandato.

O próprio presidente é alvo de processos. Bolsonaro deverá ser ouvido, em breve, pela Polícia Federal no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal que investiga se ele tentou interferir na corporação, conforme denúncias do ex-ministro Sergio Moro.

Bolsonaro também está na linha de tiro do Tribunal Superior Eleitoral, que decidiu reabrir dois processos que tratam de denúncias contra a chapa que o elegeu. No total, oito processos contra Bolsonaro e seu vice, o general Hamilton Mourão, estão correndo no TSE, quatro deles, com informações robustas sobre disparo em massa de fake news pelo WathsApp.

Moro cita Huck, Doria e Mandeta como ‘bons nomes’ que podem ser o ‘versus Bolsonaro’ em 2022

Moro disse que se identifica mais com o campo político de ‘centro-direita’

Deu no Correio Braziliense

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou neste domingo, dia 5, em entrevista à Globo News, que se identifica mais com políticos considerados de ‘centro-direita’ e citou alguns nomes que podem concorrer com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em um possível 2° turno das eleições de 2022, como Luciano Huck, João Doria e Luiz Henrique Mandetta.

Apesar disso, Moro não descartou a possibilidade de concorrer e disse que pretende continuar no debate público. “Vão ter vários candidatos lá em 2022, têm bons nomes, o próprio presidente vai, pelo jeito, tentar a reeleição, mas têm outras pessoas que podem ser o ‘versus Bolsonaro’ que podem desempenhar esse papel (de adversário político). Tem o Luciano Huck, tem o governador de São Paulo, João Doria, tem o ex-ministro Mandetta”, disse.

IDENTIFICAÇÃO – Perguntado pelo apresentador Heraldo Pereira se o fato de ter citado apenas nomes que não fazem parte do grupo aliado ao Partido dos Trabalhadores (PT) havia sido um “descuido” ou “coincidência”, Moro afirmou que se identifica mais com o campo político de ‘centro-direita’.

“Vou fazer uma crítica construtiva ao Partido dos Trabalhadores. Eu acho que é muito difícil você avançar se você não olhar para trás e não corrigir os seus erros. O presidente (Bolsonaro) tem esse lado que, a meu ver, ele erra, no qual ele nega a gravidade da pandemia, e o PT tem esse lado deles que simplesmente acham que não aconteceu o mensalão, que não houve os crimes na Petrobras. Então, uma forma de recuperar a credibilidade é você reconhecer o que fez de errado no passado”, afirmou Sergio Moro.

O ex-ministro foi entrevistado na noite deste domingo e comentou sua passagem pelo governo de Jair Bolsonaro, sua participação na Operação Lava-Jato, combate à corrupção, combate ao coronavírus, seu período na magistratura, entre outros temas.

O holocausto dos postos de trabalho, em quarentena forçada nos porões das UTIs

charge amazonia23 vacina contra desemprego - Blog de Rocha

(Charge do João Bosco/Arquivo Google)

Percival Puggina

Há poucos dias a Folha de São Paulo abriu manchete para a informação de que “a pandemia aniquilou 7,8 milhões de postos de trabalho no Brasil”, acrescentando que, pela primeira vez na história, menos da metade das pessoas em idade de trabalhar está empregada.

Indo um pouco mais fundo, sem sair da superfície, a matéria informava estarem incluídos naquele número pavoroso 5,2 milhões de trabalhadores por conta própria, ou sem emprego formal. Os dados foram fornecidos pelo IBGE.

EMPREGOS ASSASSINADOS – Agora, digo eu: Uau! Quem poderia imaginar uma coisa dessas? E respondo: algo assim era perfeitamente previsível por quem tem um mínimo de objetividade; basta, simplesmente, assistir como, há quatro meses, empresas e postos de trabalho vêm sendo assassinados a sangue frio.

Imagine cinco milhões e 200 mil pessoas, numa situação de trabalho vulnerável por natureza, sendo obrigadas a fechar, apagar a luz, desligar o computador, fechar a porta e dar bilhete azul a seus sonhos e meios de subsistência.

Imagine essa pessoa, depois, trancada em casa pela simultânea necessidade e inutilidade de sair, ligada nos noticiários que só contam mortos, à espera de algum burocrata disposto a pintar amarelo sobre o vermelho que cobre sua região no mapa do Estado.

EXEMPLO GAÚCHO – Aqui no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, de onde escrevo, durante um curto período de “flexibilização” que se seguiram a três meses de isolamento, fui com minha mulher a três restaurantes que habitualmente frequentamos. Queria falar com os donos, cumprimentar os garçons conhecidos de muitos anos, ter notícias sobre o período de travessia em que esses estabelecimentos, sempre movimentados, passaram a atender por tele entrega. Num deles, com o salão todo rearranjado para o distanciamento, não havia ninguém; quando saímos, apenas um cliente entrara.

Noutro, uma família com cinco ou seis pessoas era a única ocupante de uma das salas; nós fomos os únicos, também, no compartimento ao qual nos conduziram. No terceiro, a situação estava um pouco melhor, menos lugares, mesas afastadas, e, ainda assim, nesse arranjo, sequer uma terça parte das cadeiras ocupadas. Pois nem com isso, nem assim, lhes foi permitido manter o estabelecimento em operação. Porto Alegre fechou seus restaurantes dois ou três dias mais tarde.

HUMOR FERINO –  Vem-me à mente o humor ferino de Grouxo Marx, dotado da perenidade devida aos bons frutos da sabedoria: “Você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”. Ou na veracidade, a pedir a nobreza do mármore, enunciada por Thomas Sowel e enviada pelo amigo Dr. Luiz Marcelo Berger enquanto escrevo este texto:

“Difícil imaginar maneira mais perigosa de tomar decisões do que deixá-las nas mãos de pessoas que não pagam o preço por estarem erradas”.

Você vai acreditar em seus próprios olhos, ou em quem o levou pelo nariz aonde quis e se prepara, agora, para abastecer seu desânimo e sua psicose com os péssimos números da pauta econômica. O vírus atingiu um índice infinitesimal da população, mas as notícias nos fizeram adoecer. Estamos todos passando mal, numa UTI psicológica cujas portas talvez nunca venham a reabrir completamente.

Vaidoso, Wassef diz ter “provas que ninguém imagina” da sua relação com Bolsonaro

Moro afirmou inverdade e sabe disso, afirma advogado de Bolsonaro ...

Wassef anuncia saber quem mandou matar o miliiciano Adriano

Deu em O Globo

O ex-defensor de Flávio Bolsonaro e, segundo ele, ainda advogado de Jair Bolsonaro, Frederick Wassef afirma que têm a certeza de que não vai submergir, apesar de vários conselhos dados neste sentido. Declarações do advogado foram divulgadas neste domingo (dia 5) pela coluna Lauro Jardim do jornal O Globo.

Nestas conversas, Wassef revela que falou com Bolsonaro no dia da prisão do ex-assessor Fabricio Queiroz. Faz questão de elogiá-lo e de mostrar que sua proximidade com o presidente. Wassef  afirma ainda guardar provas dessa estreita relação:

“Não dá pra negar uma história que está registrada com tantas fotos e filmes. Fora aqueles que eu tenho comigo e que ninguém nem sonha e nem imagina. Está tudo guardado a sete chaves e mesmo se a bandidagem do Rio quiser fazer busca e apreensão não vai encontrar nada”.

Segundo a coluna de Lauro Jardim, o advogado Wassef disse também que pretende conceder em breve uma entrevista à TV sobre a morte do miliciano Adriano da Nóbrega.

“Vou explodir todo mundo em rede nacional ao vivo. Poderosos políticos do Rio mandaram assassinar o Adriano. Tenho provas. Os mesmos caras que executaram o Adriano iriam executar o Fabrício Queiroz”, diz ele.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Em tradução simultânea, Wassef está dizendo que vai dar uma entrevista para negar o envolvimento de Bolsonaro e seus filhos na morte do miliciano Adriano Nóbrega, ex-capitão da PM, que emplacou a mãe e a mulher como funcionárias de Flávio Bolsonaro na era das rachadinhas. (C.N.)

Para proteger Bolsonaro, Aras ataca a Lava-Jato, que chega a seu momento mais crítico

O silêncio dos cúmplices - Blog do Ari Cunha

Charge do Hectoir (Arquivo Google)

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

Depois de seis anos e tendo se tornado, para muitos brasileiros, símbolo do combate à corrupção, a força-tarefa da Operação Lava-Jato de Curitiba se vê envolvida em suspeitas de irregularidades e enfrenta, agora, críticas não só externas, como internas. A equipe, sob coordenação do procurador Deltan Dallagnol, recebeu ataques diretos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e resolveu confrontar com o procurador-geral Augusto Aras.

Há, entre os procuradores, a certeza de que Aras quer centralizar as investigações sobre corrupção e, se necessário, proteger mais à frente o presidente Jair Bolsonaro, sobretudo por causa de seus três filhos –– Flávio, Carlos e Eduardo, cada vez mais enrolados com a Justiça.

DESTRUIR SÉRIO MORO – Mais: é latente o desejo do Palácio do Planalto de desconstruir a imagem do ex-juiz Sergio Moro, símbolo maior da Lava-Jato. O início da disputa entre PGR e a força-tarefa de Curitiba coincidiu justamente com a saída traumática de Moro do governo federal.

A guerra envolvendo a Lava-Jato vem ganhando capítulos bombásticos. Nos últimos dias, surgiram informações de que a força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba teria usado equipamento de gravação e interceptação telefônica de forma ilegal.

Na quinta-feira, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas determinou a realização de diligências para apurar denúncia de uso dos equipamentos. Dallagnol nega, diz que são apenas aparelhos de gravação de chamada adquiridos em 2015 devido às ameaças sofridas pela equipe, sendo que os próprios servidores controlavam os registros.

APARELHO NÃO FAZ GRAMPO – Em ofício enviado a Aras, semana passada, a força-tarefa admitiu que o aparelho teria gravado, “sem querer”, algumas pessoas, depois de servidores terem saído do grupo e “esquecido” o terminal de gravação ligado. Eles citam três casos, chamam de “lapso” e afirmam que aconteceu sem conhecimento dos procuradores.

Dallagnol garante que a informação sobre o aparelho de interceptação telefônica foi “plantada na imprensa”, depois da visita da subprocuradora-geral, Lindôra Araújo, a Curitiba. “(O aparelho) não faz grampo, não faz interceptação telefônica”, destaca.

Outra polêmica foi a suposta ligação da força-tarefa de Curitiba com o FBI (a polícia federal dos Estados Unidos). Segundo Dallagnol, o contato nada teve de ilegal. Ele conta que entre 2016 e 2017, a Odebrecht montou um sistema de pagamento de propinas no Brasil e nos EUA que estava criptografado, e precisaram saber se os americanos tinham tecnologia para quebrar o código. “Foi um questionamento legítimo e lícito”, salientou.

SEM ILEGALIDADE – O procurador garante que, se houvesse alguma ilegalidade, advogados já teriam questionado. “Atos da Lava-Jato são examinados desde o princípio por três instâncias independentes do Judiciário”, afirma.

Não foi só. Levantou-se a suspeita de que a força-tarefa de Curitiba teria disfarçado os sobrenomes dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), em uma denúncia. Foram incluídos com sobrenomes menos conhecidos, “Rodrigo Felinto” e “David Samuel”. A mudança seria para que a investigação não fosse ao Supremo Tribunal Federal (STF), continuando na primeira instância. A força-tarefa justificou que a investigação não teve como alvo pessoas com foro privilegiado e que os nomes assim estavam porque não cabiam inteiros nas tabelas.

QUESTIONAMENTOS – O cientista político Cristiano Noronha, da consultoria Arko Advice, aponta que a Lava-Jato vem passando por questionamentos há tempos. As dúvidas se potencializaram após Moro abandonar a magistratura para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro.

Professor de direito administrativo na Universidade de São Paulo (USP) e no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), e estudioso da Lava-Jato, Gustavo Justino de Oliveira avalia que houve uma politização da operação. “Ela se torna um movimento e, de alguma maneira, levou à eleição de Bolsonaro, que pegou carona no movimento do ‘lavajatismo’”, diz.

INSTITUCIONALIZAÇÃO – Oliveira ressalta também que a manutenção, por muito tempo, da força-tarefa fez com que se institucionalizasse, passando a concorrer com o próprio Ministério Público Federal (MPF).

É a partir daí que, segundo o professor, surgem os conflitos com a PGR sobre autonomia. “Acho que ele (o procurador-geral Augusto Aras) percebeu uma concorrência desleal e descabida de uma força-tarefa que vem se institucionalizando, atuando há muito tempo, e acaba concorrendo em termos de autonomia com a cúpula do MPF”, frisa.

UM RETROCESSO – Para o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) Ricardo Ismael, a tentativa de esvaziamento da Lava-Jato tem relação direta com Bolsonaro, que se apoiou no discurso anticorrupção gerado pela operação, indicou Moro a um dos seus ministérios e, agora, se vê sem o ex-juiz e se aproximando do Centrão. “(Os partidos do Centrão) são forças conservadoras que não apoiam o fortalecimento da Lava-Jato”, explica.

Ismael também crê que está havendo uma “criminalização dos procuradores que atuam na Lava-Jato”. “Vamos voltar aos patamares de antes de 2014, quando político corrupto não era preso”, afirma.

Com covid-19, avó de Michelle Bolsonaro é transferida para a UTI de hospital no DF

Avó de Michelle Bolsonaro aguarda cirurgia em maca no corredor de ...

O maior sonho da avó é conhecer o palácio onde sua neta mora…

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

A avó da primeira-dama Michelle Bolsonaro foi transferida na última sexta-feira (3/7) à noite a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), em Brasília. Com covid-19, dona Maria Aparecida Firmo Ferreira, de 79 anos, estava internada no local desde o dia 1º, em um box de emergências, mas só foi para UTI na sexta-feira.

Ela está fazendo uso de máscara de oxigênio. Conforme já publicado pelo Correio, ela foi encontrada por vizinhos caída em uma rua da comunidade Sol Nascente e levada por vizinhos ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC) com falta de ar.

TRANSFERÊNCIA – Com a piora, ela foi transferida ao HRSM. Vizinhos contaram ao Correio que ela começou a sentir dores na tarde de terça-feira (30).

Uma tomografia mostrou opacidades em vidro fosco do tórax, algo que paralisa o pulmão e pode ser indicativo da infecção, segundo fonte ouvida pelo Correio. Os primeiros resultados mostraram a necessidade da intubação.

Em nota, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) afirmou que ela está tendo “toda a assistência necessária ao quadro de saúde”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Determinadas pessoas parecem ter nervos de aço e coração de pedra. Simplesmente, tentam desconhecer sentimentos nobres como saudade, perdão, piedade, afeto, compaixão, amor, caridade. No caso em questão, há outro sentimento desprezado, que é o de gratidão. Durante anos e anos, Michelle foi criada na casa da avó, que hoje mora na maior favela de Brasília. E vida que segue, como diria João Saldanha.  (C.N.)

De forma poética e realista, Efigência Coutinho demonstra o que é ser poeta

Efigênia é de Petrópolis, uma cidade poética

Paulo Peres
Poemas & Canções

A artista plástica e poeta Efigênia Coutinho, nascida em Petrópolis (RJ),  versificou sua definição de “Ser Poeta”. A seu ver, a poesia será sempre um meio de comunicação de sentimentos na escrita. “Tenho um ritmo pessoal, operando desvios de ângulos, mas sem perder de vista a tradição, procurando atingir o núcleo da ideia essencial, a imagem mais direta possível, abolindo as passagens intermediárias”, revela.

SER POETA

Efigênia Coutinho

A noite sempre cálida me espera ,
Tenho em versos a recente emoção
Da inquietude que abraça a quimera,
Enquanto no meu peito pulsa a oração.

A noite ouve o acalanto, esta voz
Que brada a rima solta, e então viajo;
E busco o sopro terno do ninar em nós,
Onde se farta o frêmito voraz, que trajo.

Lá , ao vento espalhado, e envolto,
Meu verso solto, que diz: mortal, eu sou
Na arte que te fecunda e faz envolto…

Porque ser poeta é ser alguém que embelezou
A prosa e o lado vil do caso vário,
E deu-se a Deus que equilibra este rosário.

Projeto da Lei das Fake News tem condições de moralizar bastante a internet

fakenews #facebook #mentira #redesocial #fotos #imagem #viagem ...

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton

Está havendo uma grita contra o projeto da Lei das Fake News, proposta original do senador Alessandro Vieira (Cidadania/SE), com acusações de que se trata de um conjunto de normas antidemocráticas e até mesmo ditatoriais. Alguns críticos, revoltados com restrições ao anonimato, chegam a comparar o projeto com o livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, o que parece ser um bocado de exagero.

Para começar, não estamos numa disputa entre homens e animais, como na ficção literária. E o que se discute é como controlar o uso de modernas ferramentas de comunicação para plantar notícias falsas, obter vantagens e desonrar pessoas, especialmente adversários políticos.  

NÃO LI E NÃO GOSTEI – Como ocorre sempre, as críticas partem de pessoas que não leram o projeto, mas apontam gravíssimos defeitos, como fez o genial modernista Oswald de Andrade diante do lançamento de um novo romance do fabuloso José Lins do Rego, que era seu desafeto: “Não li e não gostei”. 

Nessa onda de reclamações, raríssimos foram os que se deram ao trabalho de ler o projeto de lei 2630/2020. A maioria, com fúria total, investe contra o fim do anonimato, algo que inexiste na proposta, que defende a liberdade de expressão e de imprensa, assim como a garantia dos direitos de personalidade, da dignidade, da honra e da privacidade do indivíduo.

Quanto ao anonimato, é proibido na Constituição como forma de evitar impunidade, mas não há restrição a pseudônimos no projeto de lei. Aliás, o citado escritor inglês George Orwell nunca existiu, seu nome é pseudônimo de Eric Arthur Blair, e também não era inglês, pois nasceu na Índia.

LEI NECESSÁRIA – O fato concreto é que essa lei é absolutamente necessária e não vai atingir o anonimato das pessoas que se divertem na internet, salvo aquelas que ofendam os demais, gratuitamente, e inventem ou transmitam fake news intencionalmente com objetivos criminosos.

O projeto abrange vários aspectos, é um assunto dificílimo de ser tratado, será necessário haver muita regulamentação, mas o básico está ali. E quando entrar em vigor, vai ser mais difícil arranjar eleitores pela internet, através de notícias falsas que beneficiem um candidato e prejudiquem a imagem do adversário.

Quem não conhece a proposta aprovada no Senado, deveria se interessar em ler, antes de ficar fazendo julgamentos apressados, como é comum na internet, infelizmente.

###
P.S. –
Aqui na TI, em onze anos, jamais abrigamos fake news e nunca fomos processados, ao contrário do que acontece com a grande maioria dos blogs que se metem em política. Estamos preservados e somos respeitados, porque trabalhamos com liberdade e sabemos que a verdade nos libertará. (C.N.)

Vídeo mostra fuga de conselheiro jogando R$ 450 mil no lixo durante operação da PF

Conselheiro do TCE-MT tenta se livrar de provas de corrupção

Pablo Rodrigo
Estadão

O conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Waldir Teis, foi preso após ser flagrado pela Polícia Federal amassando e rasgando vários cheques durante uma busca e apreensão em um escritório em Cuiabá (MT).

As imagens, que foram base para a prisão preventiva determinada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), mostram o conselheiro saindo do escritório e descendo as escadas em alta velocidade seguido por um agente da Polícia Federal. Ao chegar no térreo, o agente encontra o conselheiro tirando várias folhas de cheques do bolso e as jogando na lata do lixo. Os cheques, somados, valiam cerca de R$ 450 mil.

IMUNIDADE – A ação ocorreu no dia 17 de junho durante a 16ª fase da Operação Ararath. Na ocasião, Waldir Teis não foi preso em flagrante porque, como conselheiro, tem imunidade que restringe a possibilidade de prisão em caso de crimes afiançáveis.

A prisão ocorreu só na última quarta-feira, dia 1º, quando o conselheiro se entregou à Polícia Federal. Ele foi denunciado por obstrução de justiça pelo MPF (Ministério Público Federal), que pediu a devolução de R$ 3 milhões por danos morais.

A defesa do conselheiro recorreu da decisão, solicitando o relaxamento da prisão. Segundo os advogados, Waldir Teis não nega a tentativa de ocultar os cheques e classifica o ato como, “em todos os sentidos, lamentável e injustificável”.

“DE UM FAMILIAR” – “Os cheques nada tinham de errado. Eram de um familiar e perfeitamente legais. Não existia uma prova criminal ali. A questão é que o conselheiro Waldir tentava evitar que familiares, que já sofriam muito, entrassem no problema dele”, afirmou o advogado Diógenes Curado.

A Operação Ararath investiga esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, financiamento clandestino de campanhas eleitorais e enriquecimento ilícito, entre 2006 a 2014, envolvendo políticos, empresários e bancos em Mato Grosso.

O MPF investiga o patrimônio dos conselheiros desde 2017, quando o ex-governador Silval Barbosa firmou delação premiada e confessou que havia selado um acordo com membros do TCE-MT para que ele pagasse R$ 53 milhões a título de propina em 2013. O pagamento foi efetuado para impedir que os conselheiros investigassem as obras da Copa do Mundo de 2014.

Processos para cassar chapa Bolsonaro-Mourão prolongarão a apreensão do Planalto até 2021

TSE retoma o julgamento de ações que pedem a cassação da chapa

Renato Souza
Correio Braziliense

Sete ações envolvendo a chapa do presidente Jair Bolsonaro, que estão em curso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), devem prolongar a apreensão do Executivo, pelo menos, até o primeiro semestre do ano que vem. Em meio à pandemia do novo coronavírus e a uma crescente onda de embates entre os Poderes.

Por mais que seja uma possibilidade remota, novos fatos durante diligências têm gerado preocupação no governo. As mais polêmicas envolvem a denúncia de que ocorreram disparos em massa durante o último pleito para beneficiar o atual chefe do Executivo e prejudicar adversários.

FAKE NEWS – Causou, ainda, mais tensão a decisão do ministro Og Fernandes, relator das ações que tratam do assunto, de solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o compartilhamento de informações do inquérito das fake news, que mira ataques contra a Corte, principalmente por meio virtual. A avaliação, no Planalto, é de que o fato de a apuração ter como alvo apoiadores de Bolsonaro pode servir para potencializar as acusações e dar mais fundamento para o avanço do processo.

O chefe do Executivo tem dito a interlocutores que existe “um complô” para tirá-lo do governo e que a articulação passa por ações eleitorais.Os processos relacionados aos disparos em massa estão, ainda, em estágio de investigação e podem ser concluídos entre este último semestre e o primeiro de 2021. A expectativa é de que eles fiquem por último, justamente por serem os mais polêmicos e que necessitam de maior apuração.

A Corte já começou a votar uma das ações, que trata da invasão do grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” — responsável por reunir 2,7 milhões de membros no Facebook durante a campanha. A alegação de chapas que também disputaram o pleito foi de que hackers mudaram o conteúdo da página e trocaram o nome dela, para Mulheres com Bolsonaro.

PEDIDO DE VISTAS – O grupo passou a ser usado para a difusão de mensagens de apoio ao atual chefe do Executivo. No entanto, para Og Fernandes, não ficou caracterizada a participação ou aval de Bolsonaro no ato. O julgamento foi interrompido por um pedido de vistas (mais tempo para analisar o caso), do ministro Alexandre de Moraes. Mas, como ele já devolveu o processo, o julgamento continuará amanhã.

Na semana passada, o TSE rejeitou, por unanimidade, ações que acusavam a chapa Bolsonaro-Mourão de ter se beneficiado de outdoors espalhados por todo o país. A propaganda teria sido organizada por apoiadores do presidente, de forma espontânea. A acusação de ilegalidade eleitoral foi feita pelo PT.

OUTDOORS – O partido apontou que outdoors do tipo foram instalados em, pelo menos, 30 municípios. Og Fernandes afirmou que alguns painéis foram instalados antes da campanha e foram financiados por eleitores.

“Entendo que a instrução processual revelou que cada grupo agiu espontânea e isoladamente. Não houve prévio ajuste ou coordenação central de qualquer espécie. Alguns agiram em período muito anterior às eleições, ou seja, no segundo semestre de 2017, conformando, portanto, manifestação da cidadania e da liberdade de pensamento”, argumentou o ministro.

TURBULÊNCIA – Apesar da rejeição de duas ações, que ainda podem receber recursos, o TSE deve deixar as mais polêmicas por último, em razão da necessidade de coleta de provas, fases processuais e da capacidade de gerar reações políticas.

O analista Leopoldo Vieira, CEO da IdealPolitik, afirma que a celeridade no julgamento é importante para voltar ao clima de normalidade e que não devem resultar na deposição do presidente. “Os processos podem tensionar o clima político no primeiro momento, mas o objetivo de pautá-los com celeridade é restabelecer a estabilidade política. Não depondo Bolsonaro, mas persuadindo-o a moderar seu discurso, integrar-se ao establishment e governar com a ala ideológica enfraquecida ou mesmo sem ela”, diz.

De acordo com o especialista, apesar da escalada de polêmicas nos últimos meses, muitas em razão de declarações do presidente, é possível notar um clima de esfriamento político. Ele aponta que as mobilizações virtuais são ferramentas que mantêm o apoio de muitos eleitores pró-governo.

OLAVISMO – “E o coração do olavismo (ala que reza pela cartilha do guru Olavo de Carvalho) é o sistema de comunicação do bolsonarismo, pelo qual mobiliza os 30% resilientemente fiéis a Bolsonaro nas pesquisas”, frisa. “Sobre ele avança uma ofensiva institucional, sobretudo no STF, antifake news.

Como o presidente já recuou, vide o novo ministro do MEC, nem as ações devem ter a cassação da chapa, como desfecho, nem o clima deve esquentar por essa dúvida. A não ser que Bolsonaro volte atrás em aceitar os freios e contrapesos à brasileira.” O especialista referiu-se à saída do polêmico Abraham Weintraub e à nomeação de Carlos Alberto Decotelli como novo ministro da Educação.

###
AÇÕES DE INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO

Acusações

Quatro ações tratam de eventuais disparos em massa (as mais críticas para o governo)

Fase: investigação, com coleta de provas

Duas ações sobre invasão de grupo no Facebook

Fase: em julgamento

Uma ação acusando eventual privilégio dado a Bolsonaro por veículos de comunicação durante a campanha

Fase: aguarda julgamento de embargos

Arquivada

Ação que acusava a chapa de abuso de poder econômico por causa da colocação de dezenas de outdoors

Fase: ainda cabe recurso