Temer encontra fio narrativo e faz aposta de alto risco contra a Procuradoria

Michel Temer denuncia que o áudio foi adulterado

Igor Gielow
Folha

Em seu segundo pronunciamento sobre a crise da delação da JBS, Michel Temer encontrou um fio narrativo para se apegar, apostando na clássica desqualificação dos acusadores e de seus métodos, além de piscar para a elite política e empresarial que serviu de esteio para seu frágil governo até aqui. Ao jogar a bola para o Supremo Tribunal Federal, pedindo a suspensão do inquérito contra si, Temer se apega corretamente à parte mais controversa das acusações que sofreu: a questão do áudio gravado pelo empresário Joesley Batista. De fato, na gravação não há o raciocínio explícito da compra de silêncio de Eduardo Cunha. Se há cortes ou edição, conforme peritos sustentam, eles não pioram a situação do presidente nesse ponto específico.

Em termos retóricos, o peemedebista também acertou ao insistir naquilo que todo motorista de táxi, para usar o mais batido termômetro de opinião pública viciada conhecido, já perguntou: e os delatores, o que estão fazendo livres em Nova York, ganhando dinheiro com a turbulência econômica decorrente da sua caguetagem? É uma pergunta justa, que coloca pressão sobre os métodos da Procuradoria-Geral da República de forma muito assimilável pelo grande público — a imagem de “crime perfeito” é pop.

GRAVIDADE DOS FATOS – Por outro lado, nenhum desses movimentos altera a gravidade da crise e dos fatos narrados. Temer insiste que não levou a sério a “fanfarronice” do “falastrão” que recebeu quase às 23h nas penumbras de sua casa, mas é inegável que Joesley narrou uma trama criminosa ao presidente, que limitou-se a aprovação tácita (“ótimo, ótimo”).

Além disso, o presidente é acusado de coisa pior no corpo do inquérito no qual os irmãos da JBS e seus funcionários se voluntariaram como delatores. Não há tanta materialidade como a existente contra outros políticos, como notas fiscais frias, contratos advocatícios mentirosos e um detalhamento em planilhas que não deve nada à meticulosidade dos nazistas que documentavam os passos do Holocausto. Mas há fatos a serem apurados.

APOSTA NO SUPREMO – Aqui a aposta de Temer de que o STF começará a baixar a fervura da crise é central. Se suspender o inquérito, a corte arrisca colocar automaticamente em dúvida todo o trabalho da PGR, pois o velho provérbio chinês continua valendo: se você coloca um pedaço de carne podre na panela, estraga todo o cozido. Claro, são casos diferentes, mas do ponto de vista de opinião pública a coisa será lida assim; é demais pedir racionalidade analítica em tempos de Facebook.

Tudo isso conversa com os anseios da maioria que coabita com o governo no Congresso, louca para achar um discurso de saída da crise — vide a reticência do PSDB, que ora promete deixar Temer, ora se diz ligado umbilicalmente ao programa de reformas. Com o Congresso enrolado e com as ruas sofrendo de abulia, sem nenhum tipo de grande manifestação fora dos guetos da esquerda igualmente chicoteada pela delação, reclamar do mensageiro parece uma boa tática.

APELO AO EMPRESARIADO – O presidente reforçou o apelo ao empresariado ao falar da melhora econômica que, se não é sustentada ainda por números robustos, é sentida de forma incipiente e carrega alguma expectativa de recuperação. Se não surgirem fatos novos judiciais, há a possibilidade até de que a classe política acabe cedendo e aprovando as reformas impopulares previdenciária e trabalhista, para garantir justamente a sobrevivência do arranjo de governabilidade possível até 2018.

Pode ser, embora a Lava Jato tenha se mostrado prodigiosa em surgir com fatos bombásticos. Por fim, um avanço de comunicação tímido: Temer voltou a dizer que não vai renunciar, mas pelo menos desta vez foi aconselhado a não usar a palavra maldita. Esperemos o próximo capítulo.

A beleza e a tristeza na inspiração de Bonfá, um dos mestres do violão

Resultado de imagem para luiz bonfáPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O violonista, cantor e compositor carioca Luiz Floriano Bonfá (1922-2001), que fez carreira de grande sucesso nos Estados Unidos, como violonista e compositor de trilhas sonoras em Hollywood, revela a importância poética da união entre a tristeza e a beleza.  Essa música foi gravada por Luiz Bonfá no LP Solo In Rio, em 1959.

TRISTEZA
Luiz Bonfá

Tristeza é uma coisa sem graça,
mas sempre fez parte da minha canção
Tristeza se uniu à beleza,
que sempre existiu no meu coração

Beleza, tristeza da flor que nasceu
sem perfume, mas tem seu valor
Beleza, tristeza da chuva
num dia de sol, a chorar lá do céu

Beleza camélia
que vai enfeitar um caminho feliz
Beleza é o descanso do sol,
quando surge o luar no céu

Gravação não foi “clandestina” e a Polícia Federal ensinou Joesley a dar o flagrante

Resultado de imagem para joesley batista

Joesley combinou a gravação com os federais

Raquel Landim e Renata Agostini
Folha

No dia 19 de fevereiro, um domingo, às 12 horas, Anselmo Lopes, procurador da República no DF, recebeu uma ligação inesperada. Do outro lado da linha, Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS, comunicou uma decisão que abalaria o país: Joesley e Wesley Batista iriam confessar seus crimes e colaborar com a Justiça.

A conversa durou só 19 minutos e eles agendaram um encontro para o dia seguinte. Na segunda-feira, Lopes e a delegada Rubia Pinheiro, que lideram a Operação Greenfield, da PF, deram uma “aula de delação”: explicaram em detalhes ao advogado, profissional da estrita confiança dos Batista, como funcionaria a colaboração premiada.

Duas semanas depois, Joesley entrou no Palácio do Jaburu dirigindo o próprio carro, com um gravador escondido no bolso, para um encontro com o presidente Michel Temer. Durante 40 minutos, arrancou diálogos constrangedores, que, ao serem revelados, deixaram o mandato de Temer por um fio.

COMPRA DE CUNHA – O empresário disse aos investigadores que sua missão era informar o presidente de que vinha comprando o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, ambos presos em Curitiba. Temer nega que tenha concordado com isso.

Segundo pessoas próximas, o empresário gravou o presidente por iniciativa própria, um recurso que causa controvérsia no meio jurídico. Pouco tempo depois, dizem, seu advogado comunicou os procuradores do encontro e do teor da conversa. Joesley, Wesley e cinco executivos assinaram então um pré-acordo de delação com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

A partir daí, começariam oficialmente as “ações controladas”, nas quais conversas e mensagens seriam monitoradas para engordar o arsenal dos Batista. O senador Aécio Neves (PSDB) foi outro que caiu na armadilha ao ser flagrado pedindo dinheiro. No total, a delação da JBS envolve 1.829 políticos do país.

SANGUE FRIO – Joesley demonstrou sangue frio ao gravar os políticos. Ele foi o escolhido porque tratava pessoalmente das propinas, com auxílio de um funcionário fiel, Ricardo Saud, também delator.

Ao contrário da Odebrecht, que tinha um departamento de propina, Joesley marcava em planilhas os pagamentos feitos e os benefícios obtidos pela empresa, como crédito de bancos estatais ou aprovação de leis.

Da primeira ligação do advogado da JBS ao procurador Anselmo até a última quinta (18), quando a PF deflagrou a Operação Patmos, baseada na delação dos Batista, se passaram 88 dias. A Odebrecht demorou o dobro para se acertar com o Ministério Público Federal.

MODUS OPERANDI – Os donos da JBS conduziram a negociação de forma totalmente diferente da empreiteira, até então o caso mais ruidoso da Lava Jato. Em vez de contratar um batalhão de advogados, deixaram quase tudo nas mãos de Francisco de Assis e Silva, que não é criminalista. Na Odebrecht, 78 executivos tornaram-se delatores.

Na JBS, são sete delatores, e um time de apenas dez pessoas coletou provas. Algumas nem sequer imaginavam que haveria delação. Joesley e Wesley redigiram pessoalmente anexos da colaboração com os procuradores e revisaram o acordo linha por linha.

Na noite de quarta-feira (dia 17), quando se soube que Joesley gravara o presidente da República, funcionários do alto escalão da empresa tentavam, atordoados, entender o que estava acontecendo. Dois executivos disseram que até agora o sentimento é de perplexidade.

PRÓXIMOS AO PODER – A família Batista, no entanto, sempre chamou a atenção pela relação com o poder, que foi fundamental para multiplicar a sua fortuna. Em 2006, o frigorífico JBS já era uma empresa grande, com R$ 4,3 bilhões em receitas –mas ainda uma fração do que se tornaria em apenas uma década.

Graças aos aportes do BNDES para aquisições dentro e fora do país, o faturamento da JBS chegou a R$ 170 bilhões no ano passado. Com o caixa vitaminado pelo frigorífico, os Batista partiram para outros negócios: criaram a Eldorado Celulose, compraram a Vigor e a Alpargatas.

Com medo de ir para cadeia e assistir a ruína do seu império, como aconteceu com Marcelo Odebrecht, Joesley tentava se tornar delator desde dezembro. Mas os procuradores afirmavam que não tinham agenda para se encontrar com o empresário.

DELAÇÃO DE CLETO – A Lava Jato já tinha dois anos quando chegou aos negócios dos Batista. A porta de entrada foi a delação de Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa, ligado a Eduardo Cunha, considerado o operador da JBS no Congresso.

À força-tarefa, Cleto contou que, em troca de propina, facilitara empréstimo do FI-FGTS à Eldorado. Nos meses seguintes, o grupo foi alvo de três operações da PF, que apuram irregularidades em empréstimos com recursos públicos e investimentos de fundos de pensão de estatais.

As sedes das empresas foram reviradas, os irmãos tiveram bens bloqueados e acabaram afastados temporariamente dos seus cargos. Joesley se sentiu emparedado e tomou sua decisão.

ENTREVISTAS – Cinco dias antes de seu advogado informar sua intenção de delatar, Joesley rompeu o silêncio. À Folha disse que estava perplexo com a corrupção que via na TV e que não tinha feito nada de errado. Mas as entrevistas faziam parte do plano. Ele queria sinalizar aos políticos que não cederia, deixando-os à vontade para confessar seus crimes sem saber que estavam sendo gravados. Na reta final, até o advogado dos Batista se tornou delator. Assis era o interlocutor de um dos procuradores que havia sido subornado para passar informações.

Os sete delatores da JBS pagarão R$ 225 milhões para se livrar das punições, cerca de metade do acertado para os 78 executivos da Odebrecht, conforme uma pessoa a par do assunto. Ainda falta o acordo da empresa, que custou R$ 6,7 bilhões à Odebrecht. Os procuradores querem que a JBS pague R$ 12 bilhões, mas o grupo oferece R$ 1 bilhão.

Pouco antes do escândalo vir à tona, Joesley viajou a Nova York, acompanhado da mulher, Ticiana Villas Boas, com autorização da Justiça. Assistiu ao escândalo pela televisão a salvo de fotos constrangedoras. Se nada mudar, ele vai salvar seu império sem passar um dia na cadeia. A Procuradoria da República e a JBS não comentaram.

No desespero, Temer tenta criar uma realidade virtual que a Perícia logo irá desfazer

Resultado de imagem para fala de temer na tv

Temer logo será desmentido pela perícia da PF

Carlos Newton

Foi um brilhante discurso, não há a menor dúvida. Neste sábado, o presidente Michel Temer conseguiu fazer o melhor pronunciamento de sua vida. Saiu-se tão bem que logo suspeitei que estava usando aqueles teleprompters transparentes de última geração, um de cada lado da sala, porque durante toda a locução ele não olhou uma só vez para a frente, intercalava as frases sempre focando os mesmos pontos à direita e à esquerda, somente um autômato conseguiria proceder assim. De toda forma, foi um desempenho notável, ficou parecendo um discurso de improviso, mas as aparências enganam. O texto era impecável e incisivo, inteiramente redigido em frases curtas, ao contrário do estilo rococó e entediante de Temer. Portanto, foi coisa de profissional, João Santana não faria melhor.

Acontece que marketing é sinônimo de ficção. No pronunciamento, ficou claro que Temer não tem argumentos concretos e decidiu jogar todas as fichas na possibilidade de mudar as aparências das coisas, para criar uma realidade virtual que lhe seja favorável.

A PERÍCIA VEM AÍ – Sonhar ainda não é proibido, mas já se sabe que essa estratégia de Temer não vai dar certo, porque está inteiramente sustentada em alegações ilusórias.

Logo após o pronunciamento, começou o desmonte. O grupo J&F, dos irmãos Batista, divulgou nota oficial confirmando que não houve a “adulteração” denunciada por Temer. Além de dizer que a gravação não sofreu cortes nem manipulação, a empresa assinalou que existem documentos que comprovam a veracidade das delações.

“É natural que, nesse momento, em função da densidade das delações, surjam tentativas de desqualificá-las”, diz trecho da nota, acrescentando: “Quanto ao áudio envolvendo o presidente Michel Temer, Joesley Batista entregou para a Procuradoria Geral da República a íntegra da gravação e todos os demais documentos que comprovam a veracidade de todo o material delatado. Não há chance alguma de ter havido qualquer edição do material original, porque ele jamais foi exposto a qualquer tipo de intervenção.”

NÃO HOUVE CORTES – Essa briga de versões será fatal a Temer, que afirmou ter havido cerca de 50 cortes e adulterações na gravação, mas não aconteceu nada disso. Já se sabe que o resultado da perícia a ser feita pela Polícia Federal vai confirmar a conclusão a que chegou a equipe técnica da rádio CBN.

A caminho do Jaburu, o carro de Joesley Batista estava com o rádio ligado na CBN. Quando ele acionou o gravador, antes de entrar no Palácio, o equipamento captou o programa da rádio. Nervoso, Joesley esqueceu de desligar o rádio do carro. Entrou no palácio, foi para o subsolo com Temer. Quando a conversa acabou e retornou ao carro, o gravador continuava ligado e voltou a captar a programação da emissora.

Foram 38 minutos de gravação e os técnicos da CBN chegaram à conclusão de que não houve cortes nem adulterações, porque o tempo da conversa coincidiu exatamente com a duração da programação da rádio.

DEFESA ILUSÓRIA – Como se vê, quem está adulterando os fatos é o próprio Temer. Seu pronunciamento foi muito profissional e ele se saiu bem. Mas sua versão inevitavelmente vai bater de frente com a realidade dos fatos.

As irregularidades e crimes cometidos por Temer são múltiplos – omissão no exercício do cargo, corrupção passiva, obstrução da justiça, prevaricação. Não tem a menor condição de continuar na Presidência. Seu afastamento é somente questão de tempo. Os pedidos de impeachment já se acumulam na Mesa Diretora da Câmara e esta semana Ordem dos Advogados do Brasil vai apresentar mais um.

No Congresso, ninguém aposta um níquel na permanência de Temer, que está adotando a mesmo a estratégia de Dilma Rousseff e tenta se fazer de vítima. Os parlamentares já discutem a sucessão, a ser decidida em eleição indireta, 30 dias após o afastamento do presidente, seja por renúncia, cassação no TSE ou impeachment pelo Congresso.

###
PSTemer já é figura fora do baralho, mas esqueceram de avisar a ele. Os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, que não podem perder o foro privilegiado, impediram que o presidente renunciasse e agora o incentivam a continuar resistindo ao inevitável massacre. Temer pensa que Padilha e Moreira são seus amigos, mas já se tornaram seus piores inimigos. É constrangedor. (C.N.)

Álvaro Dias e Romário se filiam ao Podemos (ex-PTN) para disputar eleição em 2018

Resultado de imagem para alvaro dias e romario

Álvaro Dias será candidato à Presidência

Deu em O Tempo

Os senadores Álvaro Dias (PV-PR) e Romário (PSB-RJ) acertaram filiação ao “Podemos”, novo nome do antigo Partido Trabalhista Nacional (PTN). Os dois devem assinar filiação durante evento de lançamento oficial da sigla, previsto para 1º de julho, em Brasília. O PTN não possuía representantes no Senado.

Dias se filiou ao partido com a promessa de que poderá ser lançado candidato à Presidência da República pelo “Podemos” nas eleições de 2018. Já Romário, de acordo com lideranças da legenda, poderá ser candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro no pleito de outubro do próximo ano.

A filiação dos dois senadores foi um dos motivos pelo qual o Podemos anunciou nesta semana desembarque e independência do governo Michel Temer no Congresso Nacional. Apesar de hoje serem de partidos da base aliada, Romário e Dias já adotavam postura independente em relação ao Palácio do Planalto.

Na Câmara, a expectativa da direção do Podemos é de que até dez deputados possam se filiar ao partido na próxima janela para livre troca partidária, prevista para março de 2018. O deputado Silas Freire (PR-PI) é um deles. Atualmente, a bancada do partido tem 13 deputados federais.

Comissão da OAB conclui que há fundamentos para impeachment de Temer

Resultado de imagem para pronunciamento de temer na tv charges

Charge do Amorim (amorimcartoons.com.br)

Renata Mariz
Globo

A comissão criada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para analisar se há fundamentos para o impedimento do presidente Michel Temer, em função das gravações feitas pelo empresário Joesley Batista e documentos relacionados ao caso, concluiu que as condutas investigadas podem “dar ensejo ao pedido de abertura de impeachment”.

O parecer da comissão defende que, em tese, Temer praticou o delito funcional de não levar ao conhecimento das autoridades irregularidades que lhe foram comunicadas por Batista, como a compra de juízes e de um procurador da República. Agora, o plenário do Conselho Federal da OAB terá que decidir se concorda com o parecer e se pedirá o impeachment.

FALA O RELATOR – “Se comprovadas as condutas, houve delito funcional em seu mais elevado patamar político-institucional — disse Flávio Pansieri, relator da comissão da OAB que analisou fundamentos para o impeachment.

Pansieri esclareceu que a comissão considerou que não houve, a partir do áudio analisado, aval de Temer para manter pagamentos em troca do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Isso porque a declaração do presidente de “manter isso” se referiu apenas à declaração anteriores de Joesley sobre estar “de bem” com Cunha.

No entanto, o relator da OAB disse que Temer, ocupando o cargo mais alto da Administração Pública tinha o dever funcional de comunicar às autoridades sobre informações a respeito de corrupção de servidores públicos, citando o Código Penal e a lei que define os crimes de responsabilidade praticados por presidente. “Há dever legal de agir em função do cargo. Basta a abstenção. São crimes de mera conduta, independentemente de resultado”, explicou.

ENCONTRO FORTUITO – Pansieri também chamou atenção para o fato de Temer ter recebido Joesley à noite, fora de agenda pública, com “protocolo não habitual” que sugere despiste. Ele afirmou que o empresário é alvo de cinco inquéritos da Polícia Federal e que, pelos relatos, obteve de Temer promessa de atendimento de pleitos feitos, como indicar alguém para o Cade: “Sugere uma tendência em favorecer interesses privados em desfavor de interesses públicos”.

A decisão sobre o pedido de impeachment será tomada por maioria dos 81 conselheiros federais que compõem o plenário da Ordem. São três representantes de cada estado e do Distrito Federal. O plenário é a instância da entidade que decidiu pelo impeachment dos ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff.

O advogado de Temer, Gustavo Guedes, pediu mais tempo para que a defesa possa se manifestar. Ele disse que a autenticidade dos áudios tem sido contestada e defendeu que também é necessário analisar os documentos.

Michel Temer se acovardou e saiu às pressas, sem dar entrevista aos repórteres

AFP

Temer saiu acelerado, por temer as perguntas

Jorge Béja

O pronunciamento deste sábado de Michel Temer e que foi transmitido ao vivo por todas as emissoras de televisão que formaram rede, foi um tremendo fracasso. Temer falou por 13 minutos. Falou sozinho. Temer parecia marionete. Por que não se sujeitou a ser entrevistado pelos jornalistas presentes? Medo, eis a resposta. Medo de ser confrontado. De ser pego em mais mentiras. Medo de não saber o que responder. Temer se serviu de uma rede nacional de rádio e televisão para desmerecer o pedido de abertura de inquérito policial feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e aceito pelo Supremo Tribunal Federal, por decisão monocrática do ministro Edson Fachin.

Temer, baseado em reportagem do jornal Folha de São Paulo – e não mais que isso – disse que a gravação foi editada. Que ela não é inteira. Que recebe qualquer brasileiro, a qualquer dia e hora, que queira falar com ele. Por isso recebeu o empresário Joesley Batista, da JBS, um brasileiro como outro qualquer que contou uma porção de, digamos, “lorotas”…

PEDIDO AO SUPREMO – Temer disse que está pedindo ao “colendo Supremo” a suspensão do inquérito policial para que uma perícia seja feita na gravação. Quanta bobagem! Ainda mais dita por um presidente-jurista. Inquérito policial não se suspende, senhor Temer. Inquérito policial ou é arquivado exclusivamente por ordem do juiz, ou com base nele o promotor público oferece ou não denúncia contra quem for no inquérito indiciado.

Mesmo se pudesse empregar a analogia do Código de Processo Civil, que permite a suspensão do curso de um processo cível, durante a suspensão nenhum ato processual pode ser praticado pelas partes. Portanto, durante a pretendida suspensão que Temer está pedindo ao ministro Fachin, a perícia que ele quer realizar não poderá ser feita, porque o inquérito estaria suspenso. Acontece que, para uma perícia judicial ser feita, em inquérito ou em processo, penal ou civil, é preciso que o processo ou o inquérito esteja em andamento. Ou seja, não esteja suspenso. Temer, vá estudar as leis processuais.

DENEGRINDO JOESLEY – E ainda: Temer neste sábado abusou de denegrir a imagem do empresário. Justamente daquele que Temer recebeu no subsolo do palácio do Jaburu, bem tarde da noite, sem audiência marcada, sem revista na entrada, tudo na residência oficial da presidência da República, para ouvir o relato de um monte de crimes que Joesley & Cia praticaram ao longo dos anos e continuam a praticar.

O pronunciamento deste sábado de Michel Temer o afundou ainda mais. Seria infinitamente menos danoso se Temer tivesse recebido o Beira-Mar e dele ouvisse o relato dos crimes que praticou e depois se despedisse deste outro meliante, sem mais. Afinal, Temer disse que está de portas abertas para receber qualquer brasileiro, sem qualquer formalidade. Quanta empulhação!

Antes da perícia, já está comprovado que a gravação com Temer não sofreu edição

Charge do dia 19/05/2017

Charge do Ronaldo (Jornal do Commercio)

Deu em O Globo

A rádio CBN afirma, com base em seus registros, que é possível determinar que a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer não sofreu edição. Isso porque, de acordo com a rádio, quando o dono da JBS chega ao encontro com o presidente no dia 7 de março, ouvia uma reportagem da emissora e, ao deixar a reunião, a rádio do carro de Joesley continuava sintonizada na CBN. O quadro ‘Nos Acréscimos’ estava no ar e, naquele dia, começou às 23h08 da noite.

“Com isso, é possível determinar que o tempo de gravação é de 38 minutos, o tempo da conversa entre Joesley chegar e sair da casa do presidente foi de 38 minutos, e esse tempo é a íntegra do áudio divulgado na quinta-feira e que comprova que o material não teve nenhuma edição. Portanto, a gente percebe que não teve edição na gravação que foi divulgada, colocada aí do início ao fim” — argumentou o locutor Milton Jung, da CBN.

“INFORMAÇÕES SEGURAS” – Escalado para a defesa de Temer no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira afirmou nesta sexta-feira, em entrevista ao “Estado de S. Paulo”, que o governo tem “informações seguras” de que o áudio foi adulterado.

O advogado Francisco de Assis e Silva, que coordenou a delação dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, negou ao Globo que tenha havido qualquer edição na gravação da conversa de Joesley com o presidente Michel Temer. Segundo o advogado, a gravação pode estar mal-feita, por ter sido realizada por um amador, mas não sofreu qualquer modificação.

— Nós entregamos para a Procuradoria-Geral da República o áudio original. Pega desde o momento que ele (Joesley) entra no Palácio do Jaburu ouvindo a CBN até o final da conversa. Reafirmo que o material é 100% integral — afirmou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Antes mesmo da perícia a ser feita pela Polícia Federal, cai por terra o principal argumento da defesa de Temer.  Não houve cortes nem manipulação, ao contrário do que o presidente Temer alegou em pronunciamento à nação. E depois da perícia, o que irá alegar? Seu destino está traçado. Se não renunciar, será cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, daqui a duas semanas. (C.N.)

Fachin pedirá à Polícia Federal que faça perícia na gravação de Temer

Resultado de imagem para gravação de temer charges

Charge do Thiago (Jornal do Commercio)

Carolina Brígido
O Globo

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deverá enviar à Polícia Federal um pedido de perícia nos áudios que registraram o diálogo entre o presidente Michel Temer e o dono da JBS, Joesley Batista. A solicitação seria feita na tarde deste sábado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, logo depois do pronunciamento oficial de Temer questionando a idoneidade do material. No discurso, Temer afirmou que pediria ao STF a suspensão do inquérito aberto contra ele para investigar corrupção ativa, organização criminosa e obstrução da Justiça.

Fachin foi aconselhado por ao menos três ministros do tribunal a agir com cautela diante do inquérito, diante da gravidade dos fatos. Dois desses ministros acreditam que seria preferível a interrupção do inquérito neste momento, enquanto não se comprova a lisura dos áudios.

DEPENDE DE FACHIN – O pedido anunciado por Temer para paralisar o inquérito também chegou neste sábado ao STF. Fachin não teria decidido ainda como proceder em relação ao pedido. O relator poderá decidir sozinho, ou levar ao plenário do tribunal.

Ministros ouvidos pelo Globo consideram que seria mais prudente por parte do relator levar a questão ao plenário, por se tratar de tema delicado para o país.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O pedido de Temer é só para ganhar tempo e continuar alegando inocência, argumentando que Joesley Batista é um criminoso e não merece crédito. O resultado da perícia, mesmo se indicar que houve cortes, não enfraquecerá as acusações a Temer. Como se sabe, não houve interrupção de áudio nas partes mais importantes da gravação, que incriminam Temer por omissão, prevaricação e cumplicidade. E é isso que interessa. O resto é embromação dos advogados de defesa. (C.N.)

A dúvida, agora, é até quando Michel Temer se manterá na presidência

Resultado de imagem para temer no planalto

Se é inocente, por que suspender a investigação?

Pedro do Coutto 

Apesar do pronunciamento que fez na tarde deste sábado, transmitido entre outras emissoras pela Globonews, o presidente Michel Temer não conseguiu alterar a força das pressões contra sua permanência no Palácio do Planalto à frente do governo. Inclusive anunciou que está recorrendo ao Supremo Tribunal Federal contra o inquérito aberto em torno de seu relacionamento com o empresário Wesley Batista.

Michel Temer está recorrendo ao Supremo contra o despacho de um de seus ministros, Edson Fachin, que determinou a abertura do inquérito com base em ação proposta pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Temer é possível que paralelamente esteja abrindo um processo contra Joesley Batista, da JBS, mas não se referiu a tal hipótese.

Assim o presidente da República está recorrendo à Corte Suprema contra despacho de um de seus integrantes.

UMA PERGUNTA -Como Temer acentua, se a gravação de Wesley foi editada por ele, não correspondendo a verdade integral do diálogo de 40 minutos, por que motivo a investigação deve ser suspensa? A pergunta se impõe porque não será pelo arquivamento da versão da Rede Globo que os fatos deixam de existir.

A realidade tem um caminho próprio para ser estabelecida: está exatamente na investigação contra a qual Michel Temer anunciou que está recorrendo. Não explicou o que o levou a ouvir durante 40 minutos a narrativa de um acusado de participar do esquema de corrupção, postulante de ser incluído no rol das delações premiadas. O comportamento do presidente da República teria que ser muito diverso.

Temer deveria ter cortado a conversa logo que Joesley Batista se referia a comportamentos ilegais. Como as frases buscavam a liberação de tais ações pelo menos com base no silêncio presidencial, Michel Temer deveria ter repelido as propostas nitidamente insinuadas.

NAS MANCHETES – Os jornais deste sábado, como O Globo, A Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, os três principais órgãos da imprensa brasileira, destacaram em suas manchetes a exposição de Joesley Batista envolvendo o próprio Temer, além de os senadores Aécio Neves e José Serra. O Globo foi o que mais amplamente focalizou o episódio, destacando todas as contradições nele existentes e seus reflexos.

Entre os reflexos, a repórter Letícia Fernandes focalizou a preocupação de Temer em estabelecer sua linha de defesa contra as investidas pelo seu impeachment, ao lado de reportagem de Júnia Gama focando no posicionamento do PSDB, cujas fontes mais credenciadas sustentam que o governo acabou.

A saída para a crise detonada torna-se cada vez mais difícil sob todos os aspectos valendo destacar, também no O Globo, matéria assinada por Renata Mariz e André de Souza, com base em Ricardo Saud, ex-executivo da JBS, relembra que doações recebidas por Temer datam desde a época em que era vice-presidente da República, antes, portanto, do impeachment de Dilma Rousseff.

GRAVE RISCO – O recurso à Corte Suprema contra o despacho de Edson Fachin representa não uma solução, porém grave risco para Michel Temer. Caso o plenário do STF mantenha a decisão de Fachin, dando curso à denúncia do Procurador Geral da República, Michel Temer terá sofrido uma derrota definitiva de grandes proporções.

Afinal de contas, por que Temer tentar impedir uma investigação?

O mais lógico seria desejar que a investigação pudesse esclarecer e conduzir à absolvição. Nada disso aconteceu.

Temer perdeu a noção do que seja certo ou errado

Resultado de imagem para MICHEL TEMER

Temer travou conversas nada republicanas

Merval Pereira
O
 Globo

O que se ouve nos áudios que registraram conversas nada republicanas entre o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves com o dono da JBS Joesley Batista, em momentos distintos, é uma série de crimes sendo descritos, sendo premeditados. E demonstram que continua em marcha uma ação no Congresso para anistiar os parlamentares acusados de corrupção na Operação Lava-Jato e obstruir as investigações.

As conversas demonstram que os procuradores de Curitiba e o juiz Sergio Moro têm razão ao defender as prisões preventivas alongadas para impedir que os crimes continuem acontecendo. Mesmo assim, eles acontecem, como fica claro nos diálogos. O ex-deputado Eduardo Cunha tem a atuação semelhante aos chefes de facções criminosas, que continuam controlando o crime de dentro da cadeia.

Tanto Temer quanto Aécio Neves, presidente afastado do PSDB, pedem apoio do empresário para que pressione parlamentares ainda indecisos — como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia — e também que organize uma ação de empresários para conseguir a aprovação no Congresso da anistia política, esta uma sugestão de Temer que ele pede que não seja atribuída a ele.

TEM QUE MANTER… – O presidente Michel Temer ouviu relatos estarrecedores de Joesley sobre ações de apoio ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e ao doleiro Lucio Funaro, a partir do minuto 11 do vídeo: “Zerei tudo, liquidei tudo e ele foi firme. Veio cobrou, eu acelerei o passo e tirei da frente”, diz o empresário. Joesley disse ainda que Cunha, mesmo na cadeia, cobrava o que considerava ser uma dívida de propinas.

A certa altura, Joesley diz que, depois de todas essas providências, está bem com Eduardo Cunha, e ouve do presidente Temer: “Tem que manter isso, viu?”. A sequência da conversa não deixa dúvidas, como ressalta o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, de que falavam de dinheiro que Joesley dava aos dois presos todo mês. “Eu tô segurando as pontas.”

Além do relato sobre a mesada a Cunha, Joesley Batista deu detalhes estarrecedores ao presidente Michel Temer sobre como está “se defendendo” das investigações de que é acusado. Contou que está “segurando” o juiz e o juiz substituto do caso, estaria tentando mudar o procurador “que está atrás de mim”, e conseguira infiltrar um procurador na força-tarefa que investiga a JBS.

SEM COMENTÁRIOS – O presidente Temer ouviu tudo sem pelo menos um comentário crítico e, quando reagiu, foi para repetir: “Está segurando os dois”. O procurador infiltrado é Angelo Villela, preso ontem pela Operação Patmos. Ele já esteve no Congresso defendendo as Dez Medidas contra a Corrupção apresentadas pelos procuradores de Curitiba.

Essas mesmas medidas, apresentadas como soluções para a crise moral em que estamos afundados, seriam o instrumento para uma legislação que anistiaria os parlamentares acusados de corrupção. O senador Aécio Neves, suspenso de suas funções parlamentares pelo ministro do Supremo Luiz Edson Fachin, comentou com Joesley que estava trabalhando em um projeto de anistia dentro das 10 medidas contra a corrupção.

Em um linguajar recheado de palavrões, ele relatou que “o negócio agora não dá para ser mais na surdina, tem que ser o seguinte: todo mundo assinar, o PSDB vai assinar, o PT vai assinar, o PMDB vai assinar, tá montada. A ideia é votar na… Porque o Rodrigo devolveu aquela tal das dez medidas, a gente vai votar naquelas dez… Naquela merda das Dez Medidas toda essa porra”.

ABUSO DE AUTORIDADE – Resolvido isso, o senador Aécio Neves diz que o projeto é “entrar no abuso de autoridade”. Ele garante que já conversou com Michel Temer, que prometeu aprovar a nova legislação.

O presidente Michel Temer disse ontem à tarde, em tom enfático, que não renunciará porque sabe o que fez e não teme delações premiadas. Temer parece ter perdido a noção do que seja certo ou errado, já que a conversa que teve com o empresário Joesley Batista o desqualifica para continuar exercendo a Presidência da República.

Karl Marx errou ao conceituar a religião como o ópio do povo?

Resultado de imagem para karl marx frasesAntonio Rocha

Certa vez, conversando com um psicólogo freudiano, ele me disse que, segundo Freud, “em tudo na vida há um ganho”. Mesmo na pior miséria, pode ser ganho interior, exterior, emocional etc. E quando o tema abordado é o ganho social do povão, da massa, há um ditado popular que afirma: “Fulano partiu dessa para um mundo melhor”. Essa crença deriva da ideia cristã de que do outro lado da vida há algo melhor – e escrevo sobre isso com todo respeito ecumênico.

Então, o ganho dos mais humildes é saber que vão sofrer muito nesta vida, mas depois ficarão eternamente nos céus. Tenho até ouvido comentários, nas ruas, de pessoas que falam assim: “Ah! Jesus volta logo”. Ou seja, estão esperando o retorno de Cristo, justamente porque se acomodaram nessa noção cristã.

NO DESCAMINHO – Alguns, que não acreditam muito nessa história, acabam indo para a criminalidade, para a política, outros até utilizam o Evangelho para se dar bem. Logo, não seria a religião o verdadeiro “o ópio do povo”, como escorregou Karl Marx, ao analisar a obra de Hegel. O agente dessa aceitação dos infortúnios do povo seria o questionável tipo de ganho que escrevi acima, identificado por Freud.

Sem dúvida, essa acomodação religiosa faz com que os fieis troquem a felicidade aqui na Terra por algo discutível após a morte. E eles nunca se perguntam: “E se não for assim, ao pé da letra, como diz a Bíblia?”

Por fim, ressalvo novamente que são reflexões respeitosas que faço sobre os Credos.

Janaína responde a Béja e diz que Temer precisa ter a decência de renunciar

Resultado de imagem para janaina paschoal e marido

Janaína defende um novo impeachment 

A advogada Janaína Paschoal, professora de Processo Penal na Universidade de São Paulo (USP) respondeu neste sábado à Carta Aberta que lhe dirigiu o jurista Jorge Béja, a propósito da crise institucional que se instalou desde quarta-feira passada, quando foi publicada pelos jornalistas Lauro Jardim e Guilherme Amado, em O Globo, a denúncia sobre as posturas nada republicanas do presidente Michel Temer e do senador Aécio Neves (PSDB-MG), na tentativa de inviabilizar a operação Lava Jato, a tingindo.

Na Carta Aberta, Béja afirma que, infelizmente, o atual presidente Temer é tão danoso ao país quanto sua antecessora Dilma Rousseff, que acabou sofrendo impeachment em função do pedido encaminhado à Câmara dos deputados por Janaína Paschoal, Helio Bicudo e Miguel Reale Jr.

Resultado de imagem para jorge béja

Temer é igualzinho à Dilma, afirma Béja

###
NÃO VAMOS DESISTIR DO BRASIL
Janaína Conceição Paschoal

Caro Dr. Jorge Béja, li a Carta Aberta que o senhor me endereçou, publicada nesta sexta-feira na Tribuna da Internet. Em resposta, digo que desde que foi noticiada a existência do áudio gravado, estou defendendo a renúncia do presidente da República. Se Temer não tiver a decência de renunciar, que as instituições funcionem. Entendo haver elementos para processar por crime comum, via Procuradoria-Geral da República e Supremo Tribunal Federal.

Se o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não denunciar o presidente da República, cabe impeachment por quebra de decoro. Já manifestei, publicamente, meu apoio à Ordem dos Advogados do Brasil, que está encabeçando o movimento pelo impeachment. Se quiserem, assino junto.

Só quero frisar duas coisas: 1) As últimas delações mostram que Dilma Rousseff é pior do que eu imaginava. 2) Aconteça o que acontecer, temos que seguir a Constituição Federal!

Não vamos desistir do Brasil!

A moralidade estuprada por um presidente que não renuncia

Resultado de imagem para temer fala á nação

Temer alega que a gravação foi editada e teve cortes

Fernando Orotavo Neto

“Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu país” – a frase é de John Fitzgerald Kennedy, 35º Presidente dos Estados Unidos. Mais do que isso. É a frase que separa um simples governante de um estadista. E o que é um estadista? Um estadista é o governante que se preocupa com o bem comum, acima de seus interesses pessoais.

Todos sabemos que para se tirar um Presidente do cargo há regras e procedimentos. É o que os juristas chamam de princípio da legalidade. E sabemos, igualmente, que até Lúcifer tem direito de defesa. É o que separa um governo bolivariano de um Estado Democrático de Direito. Mas porque então as palavras de Kennedy ecoam na minha mente?

VALOR DA MORALIDADE – Eu explico. É que há momentos em que o valor supremo da moralidade administrativa deve prevalecer sobre o direito individual, embora fundamental, da presunção de inocência.

A questão não é saber se Temer é culpado ou inocente, pois ele terá sempre o direito a se defender, no momento processual próprio, mas de acabar com o sofrimento das pessoas de bem, ordeiras, dignas e honestas, que não aguentam mais acordar num país órfão de moralidade.

Quando Richard Nixon renunciou, por causa do escândalo da invasão do edifício Watergate, é bem verdade que ele ficou proscrito por um tempo, mas não é menos verdade que hoje se reconhece o bem que ele fez à nação norte-americana. Alguns economistas, inclusive, reconhecem que ele foi importantíssimo para a economia, em função de ter, no seu governo, desatrelado a emissão do dólar ao chamado “padrão-ouro”.

INTERESSE PÚBLICO Parece-me que Temer poderia trilhar o mesmo caminho. Assim como Nixon, a história poderá redimi-lo, ou não. Mas, se renunciar, terá mais chances de que isso aconteça, pois ao menos se reconhecerá que ele não foi covarde e, em algum momento, colocou o interesse público acima de suas vaidades e interesses pessoais, como, aliás, deveria fazer todo Estadista.

O Brasil precisa se recompor, pois como diz a música da Legião Urbana, cada dia quando acordamos não temos mais o tempo que passou (Tempos Perdidos).

Nossa democracia é jovem. Não temos que nos envergonhar dos percalços, nem dos erros cometidos. O erro só prova que somos humanos. Deus criou o erro para que existisse o perdão. Será mais fácil que a história perdoe os erros de Temer do que a sua falta de coragem em renunciar. Se não renunciar, passará para a estória como um covarde, como um traidor do povo, um oportunista.

O QUE IMPORTA?A voz do povo diz que a burrice é cega, assim como o amor. Tendo a concordar. Ainda a mais quando o Temer presidente teima em não ouvir a consciência do Temer professor de direito constitucional. Faça uma ponderação e um balanceamento, Sr. Presidente. O Senhor conhece o método exegético, e deve verificar o que é mais importante para o Brasil nesse momento: a presunção de inocência (individual) ou a moralidade administrativa (pro societatis)?

Quando ficamos sabendo pelos jornais que o Brasil é governado pelas grandes corporações (Odebrecht, Queiroz Galvão, Delta, JBS, Facility e tantas outras) e não pela ideologia e pelo voto, e que a longa manus dos empresários se estende à CVM, ao Banco Central e ao BNDES, a esperança do povo recebe uma violenta bofetada na cara, pois o cidadão comum passa a perceber que a sua voz não tem representatividade alguma e que vivemos uma Democracia de aparências, “para inglês ver”.

ANTECIPAR A SAÍDACertamente, Temer sairá do cargo no dia 6 de junho quando o TSE condenar a chapa Dilma-Temer. Podia, entretanto, dar exemplo de coragem para os nossos filhos e netos, para a nova geração que vem aí, e deixar o cargo com um mínimo de dignidade.

O Brasil não pode esperar. Precisamos restabelecer a esperança política e buscar na meritocracia a nomeação para preenchimento de todos os cargos públicos, via concurso. Não dizima a corrupção, vício do ser humano, é claro, mas ajuda a mitigá-la. Por que o BNDES, a CVM e o Banco Central não são comandados pelos seus funcionários de carreira concursados? Por que não são livres e independentes das politicagens e conchavos políticos?

Não se percebe que as duas instituições que ainda funcionam e guardam alguma independência moral são a Polícia Federal e a Procuradoria da República, exatamente porque seus membros são inamovíveis, concursados, e estão protegidos da discricionariedade própria dos políticos de ocasião? É assunto sério a ser discutido, possivelmente através de um Projeto de Emenda Constitucional.

O País está envergonhado, Sr. presidente. Não estupre a moralidade. Apenas renuncie. Será melhor para todos, inclusive para o senhor e para os nossos filhos. O Brasil agradece penhorado!

###
PS –
Mas, antes, ligue para o Pezão. Convença o cúmplice de Sérgio Cabral a acompanhá-lo nessa corajosa e imprescindível decisão. O Rio de Janeiro também lhe agradece!

Especialistas veem indícios de crimes na conversa de Temer com Joesley

Resultado de imagem para gilson dipp

Dipp diz que houve omissão e até prevaricação

Fernanda Krakovics
O Globo

Especialistas afirmaram nesta sexta-feira que há indícios de prevaricação e obstrução da Justiça na conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, dono da JBS. “Do teor das conversas se pode deduzir uma atitude de omissão ou, no caso do presidente da República, de prevaricação. Também se pode deduzir que aquilo se configure em obstrução da Justiça” — afirmou o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp.

Para Murilo Gaspardo, professor de Direito Público da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Temer tinha a obrigação de relatar o caso à Procuradoria-Geral da República: “Ele não poderia prevaricar e se omitir”.

RELAÇÃO COM CUNHA – O professor Gaspardo destacou a “anuência” do presidente com a necessidade de preservação de uma boa relação com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso em Curitiba:

“Há elementos suficientes para se entender que isso não decorre simplesmente de uma amizade. A possibilidade de envolver algum interesse material é bastante provável. Além disso, tem toda aquela manifestação de anuência do presidente com relação aos relatos de cometimento de crime, que envolveu até a prisão de um procurador da República”.

Já o professor de Ética e Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Roberto Romano, afirmou que Temer deveria ter procurado o Ministério Público. “Ele, um grande jurista, sabe perfeitamente que eram crimes. No mínimo há quebra de decoro imperdoável, falta de respeito pelas instituições e falta de providência imediata” — disse Romano.

AMIZADE COM JOESLEY – A intimidade entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, dono da JBS, além da forma como ocorreu a reunião entre os dois, foi considerada inadequada. Para o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp, Temer deveria ter rechaçado a conversa, mostrado indignação ou, no mínimo, desconforto.

“Há uma promiscuidade, uma intimidade muito grande de um empresário com o presidente da República. É conversa de mesa de bar” — disse Dipp.

Professor de Direito Público da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Murilo Gaspardo também destacou a impropriedade da conversa: “Encontrar um empresário sem registro na agenda, às 22h30, na residência oficial, e não no gabinete, sendo alguém investigado, já denota que não é uma conversa republicana”.

SEM CERIMÔNIA – O professor de Ética e Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Roberto Romano destacou a “sem cerimônia” com que o empresário tratou o presidente da República:

“Ele não estava falando com um colega dele de trabalho, estava falando com a maior autoridade do país. Aquilo já foi uma quebra de decoro, o presidente da República permitir ser tratado com aquela intimidade, ouvindo coisas absolutamente erradas.

Para Dipp, o conjunto de indícios é “altamente preocupante” e torna a posição de Temer “insustentável”. Ele defendeu a renúncia do presidente: “O presidente da República não tem condições de governabilidade, de tocar o país por mais um ano e meio. Isso vai levar o Brasil a uma crise sem precedentes. O fato pessoal de não querer renunciar não se sobrepõe ao interesse nacional. A saída mais indolor, mais rápida para essa crise é a renúncia do presidente da República.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quem conhece Temer pessoalmente ficou estupefato com o comportamento dele no encontro com Joesley Batista, realizado no subsolo do Palácio Jaburu. Temer é uma das pessoas mais formais que existem sobre a face da terra. É difícil arrancar um sorriso dele, jamais foi visto dando uma gargalhada, todos os seus atos são absolutamente formais, é um comportamento fora do comum. Mas na conversa com Joesley, em nenhum momento o presidente impôs a menor formalidade ao ato. E essa mudança de hábito é realmente comprometedora. (C.N.)

Documentos de Santana e Mônica incriminam Dilma de forma definitiva

65

Ilustração reproduzida da IstoÉ

Sérgio Pardellas e Germano Oliveira
IstoÉ

A reportagem da IstoÉ teve acesso às 820 páginas que compõem o processo de colaboração premiada dos marqueteiros João Santana e de sua mulher, Mônica Moura. Os documentos anexados como provas vão além da delação – e liquidam de vez a ex-presidente Dilma Rousseff. Desmontam a tese, alardeada nos últimos dias por Dilma, de que aquele que atuou durante anos como o seu principal conselheiro político, bem como sua esposa, mentiram à Justiça em troca da liberdade.

A Agenda entregue à Lava Jato por Mônica Moura com o registro “reunião pessoal tia” e bilhetes de viagem (trecho Nova York-Brasília) ajudam a comprovar encontro mantido entre a publicitária e a então presidente Dilma Rousseff em novembro de 2014. Na reunião, Dilma disse que estava preocupada que a Lava Jato chegasse à conta na Suíça, que recebeu depósitos de propinas da Odebrecht

SEM INOCÊNCIA – A militância costuma preferir narrativas a provas, para dourá-las ao sabor de suas conveniências. Não é o caso aqui. Reportagem de IstoÉ tira o véu da “ex-presidenta inocenta”. A papelada comprova que Dilma incorreu em toda sorte de crimes ao ter: 1. Despesas pessoais pagas com dinheiro de corrupção desviado da Petrobras, mesmo quando não estava em campanha; 2. Atuado dentro do Palácio da Alvorada no sentido de tentar obstruir a Justiça; 3. Orientado a ocultação de recursos ilícitos no exterior e 4. Determinado a transferência de dinheiro sabidamente ilegal para os cofres de sua campanha, por meio de integrantes do primeiro escalão do governo.

Em suma, os documentos atestam que a ex-presidente da República, durante o exercício do cargo, participou ativa, direta e pessoalmente do esquema do Petrolão.

Uma das provas vinculadas ao acordo de colaboração premiada mostra que Mônica Moura bancou despesas privadas da presidente Dilma, como diárias no Hotel Bahia Othon Palace, em Salvador, no dia 24 de novembro de 2009 – portanto fora do período eleitoral e quando a petista não era nem presidente da República ainda. O dinheiro era oriundo da Polis, empresa de propriedade de Mônica e João Santana, cujo caixa era abastecido com dinheiro desviado da Petrobras.

ATÉ CABELEIREIRO – Os documentos obtidos por IstoÉ comprovam também que os publicitários custearam até os operadores de teleprompter de Dilma. Eles acompanhavam a petista, já investida no cargo de presidente, em compromissos oficiais dentro e fora do País. Uma das faturas somou R$ 95 mil. Na delação, Mônica e Santana ainda relatam os pagamentos “por fora” ao cabeleireiro Celso Kamura, destacado para atender Dilma no Planalto antes, durante e depois da campanha.

Na documentação em poder do STF, o casal anexou uma nota de R$ 50 mil e um bilhete eletrônico para não deixar margem para dúvidas de que pagou viagens do renomado cabeleireiro a Brasília antes mesmo da eleição. O material é gravíssimo, pois enquadra Dilma por improbidade administrativa, o ato de “auferir vantagem patrimonial indevida em razão do exercício do mandato”. Trata-se do designativo técnico para conceituar corrupção administrativa.

De acordo com os marqueteiros, Dilma não só sabia que o casal Santana recebia dinheiro não contabilizado, das propinas da Odebrecht, como também orientou Mônica a blindar os recursos ilícitos depositados na Suíça, transferindo-os para uma conta “mais segura” em Cingapura.

LAVA JATO -A ex-presidente demonstrava preocupação com o desenrolar da Lava Jato. Em novembro de 2014, determinou que Edinho Silva, então tesoureiro, convocasse Mônica para uma importante conversa. A mulher de João Santana estava de férias em Nova York com o marido, mas diante do chamado da presidente pegou o primeiro avião para Brasília. Ao desembarcar no Palácio da Alvorada, Dilma a levou para um passeio pelos jardins, como se quisesse contar um segredo, sem testemunhas. Insistiu que estava preocupada com a conta na Suíça, pois sabia do depósito das propinas.

Para registrar essa reunião, Mônica escreveu em sua agenda particular “reunião pessoal tia”. A cópia da agenda, que IstoÉ apresenta nesta edição, consta do material sigiloso remetido ao STF. Confere verossimilhança ao relato de mulher de Santana e enterra o argumento de Dilma de que o casal mentiu à Justiça a respeito do encontro.

E-MAIL FALSO – Na mesma conversa, a ex-presidente propôs que as duas se falassem com mais freqüência, sempre sob total sigilo. A própria Dilma, então presidente da República, se encarregou de arrumar um modo de repassar a Mônica as informações privilegiadas: por meio de uma conta de email (2606iolanda@gmail.com) em que ambas teriam a senha de acesso. As mensagens seriam cifradas e salvas na pasta “rascunho”.

As cópias das mensagens eletrônicas integram o material hoje nas mãos da Justiça. São evidências indiscutíveis de obstrução de Justiça, com potencial para condenar a ex-presidente à prisão. Numa das mensagens, a publicitária escreve: “Vamos visitar nosso amigo querido amanhã. Espero não ter nenhum espetáculo nos esperando. Acho que pode nos ajudar nisso, né?”.

Mônica referia-se à intenção do casal de publicitários de evitar que fossem presos tão logo desembarcassem no Brasil no dia 23 de fevereiro de 2016, advindos da Republica Dominicana. Além da mensagem, a marqueteira incluiu entre os documentos da delação senhas e cópia do wifi do Alvorada no dia da criação do email.

O DINHEIRO SUJO – Antes da campanha de 2014, ficou acertado que o marketing custaria R$ 105 milhões, dos quais R$ 70 milhões seriam pagos “por dentro”, resultado de arrecadações oficiais, e outros R$ 35 milhões “por fora”, dinheiro de caixa dois, que Dilma arrecadaria com empreiteiras. A determinação da presidente era no sentido de que Mônica procurasse Giles Azevedo, assessor de confiança, para acertar os detalhes do pagamento por fora, classificado por ela de “tradicional”. Foi então que Giles, orientado por Dilma, recomendou à Mônica que se entendesse com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Nas conversas mantidas com Mantega, Mônica se referia ao ministro como “laticínio”, numa alusão à “manteiga”, fato que ela comprovou abrindo sua agenda aos investigadores. Uma das páginas exibe o manuscrito: reunião com “laticínio”, constituindo mais uma evidência de que, ao contrário do que afirmou Dilma, Mônica e Santana estavam bem calçados em seu acordo de delação.

Depois de apeada do Planalto, a ex-presidente foi citada em 38 fatos de irregularidades na delação da Odebrecht, muitos dos quais se configuram crimes, como o uso de dinheiro sujo da corrupção na Petrobras. Por isso, a petista deverá responder a vários inquéritos por corrupção quando as delações chegarem ao juiz Sergio Moro, como já decidiu o ministro do STF, Edson Fachin. Hoje, ela já responde a inquérito criminal por obstrução de Justiça ao tentar nomear Lula ministro da Casa Civil.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Dilma também é investigada no Supremo por nomear Navarro Dantas para ministro do STJ com a missão de libertar Marcelo Odebrecht. Foi o mais grave crime cometido por ela. (C.N.)

Forças Armadas não intervêm nem apoiam Temer, apenas cumprirão as leis

General Eduardo Villas Bôas descarta o golpe militar

Cristiane Jungblut
O Globo

Os comandos das três Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) fizeram questão de garantir, neste momento de crise política, sua total subordinação aos preceitos constitucionais, em notas divulgadas nesta sexta-feira. A manifestação ocorreu horas depois de um encontro com o presidente Michel Temer e num momento de instabilidade política.

Nos textos, os comandantes militares disseram que foram “convocados” para o encontro onde se discutiu a conjuntura atual. Os comandantes militares destacam que as Forças Armadas têm seu papel determinado pela Constituição. O cuidado foi para evitar interpretações de que o encontro com Temer poderia ser um apoio ao presidente neste momento.

REUNIÃO FECHADA – Temer se reuniu com os três comandantes e ainda com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, e com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sergio Etchegoyen. Em nota, o comandante do Exército, general Villas Bôas, “reafirma que a atuação da Força Terrestre tem por base os pilares da estabilidade, legalidade e legitimidade, e ressalta a coesão e unidade de pensamento entre as Forças Armadas”.

O general ainda fez questão de deixar clara sua posição nas redes sociais. No Twitter, escreveu que esteve com Temer e que reafirmou o “compromisso perene com a Constituição e em prol da sociedade”.

CONJUNTURA POLÍTICA – Na mesma linha, a nota da Aeronáutica é assinada pelo chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, brigadeiro Antonio Ramirez Lorenzo. A nota diz que o encontro foi para “tratar da conjuntura política”.

“Como de praxe em reuniões já realizadas entre esses atores, prevaleceram a unidade de pensamento e o estrito cumprimento das normas legais, características inerentes às Forças Armadas Brasileiras”, diz a nota.

Com o mesmo tom, a Marinha divulgou nota sobre o encontro, destacando que fora “convocada” pelo ministro da Defesa. Segundo o texto, foi ” discutida a conjuntura atual e destacada a total subordinação das Forças aos ditames constitucionais”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEm tradução simultânea, as Forças Armadas não vão intervir no processo político – nem a favor, nem contra Temer. Apenas cumprirão o que dizem as leis. Ou seja, Temer vai cair de podre, o Congresso elegerá novo presidente para o mandato-tampão, e vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha. (C.N.)

Recorde absoluto: em dois dias, houve nove pedidos de impeachment de Temer

Câmara recebe nove pedidos de impeachment de Temer

Resultado de imagem para cassação de temer  charges

Charge do Brum (rabiscodobrum, zip.net)

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

A Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Câmara registrou na noite desta sexta-feira, 19, nove pedidos de impeachment contra o presidente Michel Temer em dois dias. O nono pedido é uma nova versão do documento conjunto protocolado na quinta-feira, 18, pela oposição. A diferença para o primeiro pedido dos oposicionistas está nos documentos apresentados pelos autores que assinam o documento. O teor do pedido se concentra na tese de que Temer cometeu crime de responsabilidade e obstruiu a Justiça.

A lista de pedidos de abertura de processo de afastamento do presidente inclui o do deputado Diego Garcia (PHS-PR), um do deputado João Henrique Caldas (PSB-AL), um do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um assinado por oito deputados tucanos e outro apresentado por um deputado estadual de Goiás, Junio Alves Araújo (PRP).

DOIS DE MOLON – A secretaria também registrou dois pedidos de impeachment de autoria do deputado Alessandro Molon (Rede-RJ). O teor dos pedidos é o mesmo, o que muda é a autenticação da assinatura. Mesmo com teor semelhante, a Secretaria considera como requerimentos diferentes, já que muda o número do protocolo.

A análise técnica para o deferimento ou não da admissibilidade dos pedidos considera o cumprimento de alguns pré-requisitos formais. Caberá ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidir se autorizará o andamento do processo de impeachment. A denúncia contra um presidente pode ser apresentada por qualquer cidadão, em documento assinado, com firma reconhecida e com documentos que comprovem os crimes supostamente cometido pelo presidente da República.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Rodrigo Maia não dará seguimento aos pedidos de impeachment. Ele foi informado de que Temer será cassado pelo TSE e já mandou até fazer o terno novo para tomar posse. Maia engordou muito nos últimos dias, porque não consegue conter a ansiedade e está comendo demais da conta, como se diz em Minas Gerais. (C.N.)

Joesley usou gravador à prova de detectores e confirma que não houve cortes

Resultado de imagem para joesley depondo

Querem tirar o foco das gravações, diz Joesley

Diego Escosteguy
Época

O empresário Joesley Batista usou um equipamento especial para gravar a conversa com o presidente Michel Temer, em março deste ano. Foi comprado para esse fim. O aparelho passaria incólume por detectores de metais – Joesley temia ter que passar por um antes de falar com o presidente. Joesley garantiu a um interlocutor que entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a íntegra do áudio que gravou com o presidente Michel Temer.

O arquivo não sofreu qualquer edição, disse o empresário. “Estão desesperados, tentando desviar o foco das denúncias”, afirmou Joesley. “Estamos falando do presidente da República e gente de todos os partidos.”

A Procuradoria Geral da Republica não viu qualquer indício de edição – muito menos uma edição que resultasse na manipulação do teor da conversa entre o empresário e Temer. Dois procuradores que participam do caso avaliam, reservadamente, que os ataques eram previsíveis, diante da magnitude e do alcance da delação. Frisam que a delação vai muito além do áudio; há todo tipo de provas – inclusive comprovantes de pagamento de propina.

A equipe de defesa de Temer afirmou que pretende enviar o áudio para análise de peritos para verificar se houve alguma edição ou montagem.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Pelo jeito, a perícia encomendada pela Folha confundiu falhas de áudio com cortes na edição. De toda forma, a Polícia Federal pode dirimir qualquer dúvida a respeito. E mesmo que tenha havido edição, o comportamento do presidente da República indica que ele não tem condições de seguir governando. É somente isso que interessa. (C.N.)