Moro comemora a ação impecável da Polícia Federal na prisão de mafiosos italianos

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Nicola Assisi foi preso portando uma identidade falsa argentina

Eliane Cantanhêde
Estadão

Depois de anos de estranhamento, Brasil e Itália retomam as relações a todo vapor, principalmente no combate ao crime organizado, e comemoraram ontem o sucesso da operação da Polícia Federal que prendeu em São Paulo dois importantes líderes mafiosos, Nicola e Patrick Assisi, pai e filho, os “fantasmas da Calábria”. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, comemoraram a operação impecável, o desfecho e a sinalização para brasileiros e para o mundo:

“O Brasil não deve ser refúgio para criminosos”, declarou Moro. “O Brasil não é paraíso de mafioso”, disse Valeixo, sem precisar lembrar dos filmes estrangeiros em que o bandido, de camisa florida, foge, feliz, para o Brasil.

ELOGIOS À PF – Moro e Valeixo se reuniram com o procurador Antimáfia e Antiterrorismo da Itália, Federico Cafiero, que gravou vídeo recheado de elogios à PF brasileira. Bem… o fato de ser bem às vésperas da votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara deve ser mera coincidência. Policiais da PF, da PRF, da Polícia Legislativa e da Polícia Civil pressionam o Congresso por uma aposentadoria camarada, equiparada à dos militares.

Sob pressão, por conta dos diálogos com procuradores divulgados pelo site The Intercept Brasil, Moro estava todo saltitante ontem (na medida em que o contido Moro consegue ser saltitante), talvez por, enfim, inverter a pauta. Segundo ele, Nicola Assisi é “um dos maiores traficantes de cocaína do mundo” e a operação da PF foi impecável, merece todos os elogios.

Valeixo endossa: “Foram meses de trabalho, de levantamento, apuração, checagem”, contou, particularmente satisfeito porque seus agentes conseguiram driblar o sofisticado sistema de segurança dos dois mafiosos, surpreendê-los e prendê-los sem que tivessem tempo de correr para o esconderijo do apartamento. E sem troca de tiros, mortos e feridos.

ESCONDERIJO – Os alvos ocupavam três apartamentos duplex, com câmeras de monitoramento de última geração, e mantinham em casa um velho hábito de mafiosos na Itália: um cômodo com paredes reforçadas, antirruído e dissimuladas atrás de armários. Tinham, também, em torno de R$ 1 milhão, em dólares, euros e reais; 4 kg de cocaína pura e armas. Mas nada disso foi suficiente para escaparem da PF, que atuou em conjunto com a inteligência italiana.

Ao mover mundos e fundos para manter o terrorista Cesare Battisti no Brasil, contra a opinião de juristas e de pareceres do Ministério da Justiça e do Itamaraty, os governos do PT geraram irritação não apenas no governo e nas instituições italianas, mas também da própria opinião pública do país, sempre tão simpática ao Brasil e aos brasileiros. Os ventos mudaram, Battisti foi cumprir pena no país dele e os acordos e ações de cooperação deslancharam.

COOPERAÇÃO – Vale dizer que, sem uma ampla e intensa rede de cooperação mundo afora, a PF e o Ministério Público jamais teriam conseguido ir tão longe na Lava Jato, rastreando contas, depósitos, desvios. Foi graças à troca de informações com EUA e países da Europa, da Ásia, do Caribe e da América do Sul que a operação reconstituiu, por exemplo, todo o complexo e tortuoso caminho dos reais, dólares e euros da Odebrecht.

Quanto mais globalizado o mundo, mais difícil fica para doleiros e mafiosos. Nicola Assisi, foragido desde 2014, passou por Portugal e Argentina antes de se instalar no Brasil. Sua extradição já está assinada. A Itália e o combate ao crime transnacional agradecem.

Sob o olhar preocupado das nações democráticas, pelas manifestações sobre meio ambiente, armas, radares, trabalho infantil, o Brasil ganha enfim boas manchetes na Itália. Não passou a mão na cabeça de criminoso, nem foi só para inglês ver.

Witzel critica audiência de custódia e diz que presos são libertados indevidamente

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Exames mostram que os presos são foram torturados, diz Witzel

André de Souza
O Globo

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel , criticou nesta terça-feira a forma como ocorre atualmente   a audiência de custódia , em que o preso em flagrante deve ser levado a um juiz em até 24 horas para que ele avalie se é necessário mantê-lo atrás das grades. Segundo Witzel, a medida não trouxe resultados positivos e ainda ajudou a libertar presos que voltaram a cometer crimes. Mas ele não chegou a propor o fim da medida, e sim sua modificação, aperfeiçoando-a.

— Cria-se uma cultura de não aprisionamento. Alguns excessos começaram a ocorrer. Presos que deveriam estar acautelados começam a ser liberados na audiência de custódia e retomam a atividade do crime — disse Witzel.

TORTURA A PRESOS – A audiência de custódia foi criada por meio de uma resolução de 2015 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) apresentou um projeto em 2016 para suspender a norma.

Witzel, que foi juiz antes de ser governador, participou, juntamente com representantes do Ministério Público, da magistratura, da advocacia, da defensoria pública e da polícia, de audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para debater o projeto do parlamentar. O governador avaliou que a audiência de custódia foi criada para evitar uma situação que é a exceção, e não a regra: a tortura a presos.

— A audiência de custódia causa esse limbo na persecução criminal, não ajuda no combate à tortura, e cria a cultura de que precisamos libertar mais do que prender porque não há vagas no sistema carcerário — disse o governador.

MAIS CRÍTICAS – Witzel criticou ainda o fato de o juiz ter de perguntar ao preso se houve tortura e lembrou que ele é submetido ao exame de corpo de delito.

— Quando se coloca na proposta que o juiz tem que perguntar sobre tortura, isso ofende o princípio da imparcialidade e da inércia. Não é o juiz que tem que perguntar. Eu nunca fiz essa pergunta (quando juiz). À medida que o juiz pergunta se o réu foi torturado, ele passa a ser o acusador dos policiais que fizeram a lavratura do auto da prisão em flagrante. O Ministério Público é que tem que verificar efetivamente se houve um ato de tortura — afirmou Witzel.

O governador do Rio foi o primeiro a falar na Câmara, na manhã desta terça-feira, mas logo depois saiu para um encontro com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ele prometeu voltar à reunião após o término do outro compromisso.

COELHO DEFENDE – O presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep), Pedro Paulo Coelho, foi contrário à revogação da resolução do CNJ.

— A audiência de custódia é a oportunidade para que essas pessoas tenham assistência jurídica, diferentemente do que ocorria antes — disse Coelho, que ainda apresentou alguns dados da defensoria pública fluminense: — No Rio de Janeiro 26% das pessoas apresentadas na audiência de custódia são soltas. O restante continua preso, respondendo ao processo. Os dados demonstram que a regra, que deveria ser a liberdade, continua a não ser a regra. A regra continua sendo a prisão.

Assim como Witzel, o coronel Leonardo Siqueira dos Santos, da Corregedoria da Polícia Militar do Distrito Federal, criticou a forma como são feitos os questionamentos sobre tortura na audiência de custódia. Segundo ele, há a impressão de que, ao responder que foi agredido, o preso tem mais chances de ser solto, o que estimula esse tipo de resposta, mesmo quando não é verdade.

TIPO DE PERGUNTA – “Os juízes formulam perguntas em sentido afirmativo. ‘O senhor foi agredido?’. Isso é um convite imediato a que ele alegue: ‘Eu fui agredido’. Ele que tem que se manifestar, ao nosso sentido, no sentido de que ele foi agredido. É importante esclarecer ao custodiado de que ele pode responder por denunciação caluniosa. E vários estão respondendo” — disse o coronel da PM do DF.

O procurador de Justiça Marcelo Rocha Monteiro, do Ministério Público do Rio de Janeiro, criticou a audiência de custódia e ressaltou que já existe o exame de corpo de delito para verificar se houve agressões ao preso. “O CNJ extrapolou suas funções, legislando e violando a democracia representativa” — disse Monteiro.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) também atacou a resolução do CNJ. “No meu entendimento, isso é matéria de processo penal, tem que passar pela Casa” — disse o parlamentar.

PESQUISA DA AMB – O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Jayme de Oliveira, apresentou dados de uma pesquisa feita pela entidade e divulgada em fevereiro do ano passado. Segundo o levantamento, metade dos juízes de primeira instância concorda com a realização das audiências, e metade discorda. Na segunda instância e nos tribunais superiores, há uma aceitação maior. Oliveira defendeu o aperfeiçoamento do sistema.

O advogado Fábio Tofic Simantob, presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), defendeu a existência da audiência de custódia, embora tenha admitido a possibilidade de aperfeiçoamentos. “A audiência de custódia nada mais é do que o encontro do preso com o juiz horas depois da prisão. Encontra que ocorria meses depois da prisão” — disse o advogado.

Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, representante do CNJ, negou que o órgão tenha extrapolado seus limites e afirmou que a resolução foi editada somente depois de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinando a realização das audiências de custódia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Todo preso vai a exame de corpo de delito. Isso já é bastante para dispensar a audiência de custódia. Afinal se ele tiver sido torturado, o exame do Instituto Médico-Legal constata. A não ser que a tortura tenha sido fazer cócegas no preso… (C.N.)

Piada do Ano! Advogado alega que o sargento da cocaína é vítima de conspiração

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O advogado é bem-humorado e parece gostar de piadas

Luiz Vassallo e Fausto Macedo
Estadão

O advogado Carlos Alexandre Klomfahs, que defende o sargento da FAB Manuel Silva Rodrigues, preso com 39 kg de cocaína na Espanha, afirmou à Corregedoria do Ministério Público Militar brasileiro que há evidências de ‘ações clandestinas e sem autorização da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para ‘imputar crimes’ ao comissário de bordo. Segundo o advogado, o objetivo seria ‘prejudicar a imagem do Brasil e do governo do Presidente Jair Bolsonaro‘.

Rodrigues, que é comissário de bordo, fazia parte da comitiva de 21 militares que acompanhava a viagem de Bolsonaro ao Japão, onde o presidente participou da reunião do G-20.

JATO RESERVA – O avião da FAB em que estava o militar é usado como reserva da aeronave presidencial. Esta comitiva não fazia parte do mesmo voo que transportou o presidente. A droga foi encontrada na bagagem do sargento ao desembarcar em Sevilha, primeira etapa da viagem.

Klomfahs assumiu a defesa de Rodrigues há poucos dias, e afirma haver uma ‘armação’ contra o militar. Ele pediu acesso ao Inquérito Policial Militar (IPM).

O advogado requereu “o acompanhamento pela Corregedoria do(s) procedimento(s) e processos administrativos em curso no MPM-DF e em órgãos ou entidades do Poder Executivo federal, notadamente da Aeronáutica, do Gabinete de Segurança Institucional e da Agência Brasileira de inteligência, uma vez que nosso departamento de contra-inteligencia aponta em relatório interno, evidências de ações ‘clandestinas’ e ou sem autorização da Diretoria da ABIN com objetivo de, além de imputar crime grave ao acusado, prejudicar a imagem do Brasil e do governo do Presidente Jair Bolsonaro”.

EXTRADIÇÃO – A defesa também prepara um requerimento ao Ministério da Justiça e Segurança Pública para que peça a extradição de Rodrigues.

“Do exposto, requer desta Ilustre Corregedoria o acompanhamento e a disponibilização à Defesa dos números dos processos Adm. ou do inquérito-policial militar de toda prova produzida (filmagem, oitivas e diligência coligidas e ou já efetivadas ou concluídas) contra o acusado, bem como o devido requerimento pelo Parquet Militar ao juízo militar competente da Extradição Ativa para fins de instrução e julgamento do processo penal junto ao Governo da Espanha pelo Ministério da Justiça ao Ministério das Relações Exteriores, à luz do disposto no Tratado Brasil-Espanha e da Lei de Migração. Por cautela nos lê em cópia a Procuradora Geral da República”, requer o advogado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme se vê, o advogado é altamente criativo. Em seu requerimento, ele cita “evidências de ações clandestinas” que teriam sido identificadas pelo departamento de contra-inteligência da Abin, uma notícia surpreendente, à qual ninguém teve acesso, apenas o ilustre causídico, que assim se inscreve magistralmente no concurso da Piada do Ano. Só falta agora o sargento indagar, revoltado: “Quem é que colocou essa cocaína na minha mala? Cadê minhas roupas? Meu Deus, levaram até as minhas cuecas!”. (C.N.)

Às vésperas de votação da reforma, Bolsonaro libera quase R$ 1 bilhão em emendas

Não mais que de repente, apareceu o dinheiro para as emendas…

Daniela Lima
Folha

É como música para os ouvidos dos deputados. Às vésperas do início da discussão da reforma da Previdência no plenário da Câmara, o governo Jair Bolsonaro liberou quase R$ 1 bilhão em emendas parlamentares vinculadas à área de saúde. O desembolso de R$ 920,3 milhões foi publicado em 34 portarias de uma edição extra do Diário Oficial da União desta segunda-feira (dia 8). Os recursos atendem municípios de 25 estados e são destinados a complementar gastos de prefeitos com serviços de assistência básica, e de média e alta complexidade.

O levantamento feito pelo Painel considerou apenas despesas registradas sob a inscrição de “emenda parlamentar” na edição extra do Diário Oficial. Ou seja, a irrigação pode ter sido maior.

PRIORIDADE - Numa tentativa de agilizar a votação da reforma e concluir o procedimento na Câmara até o fim desta semana, líderes de partidos fizeram acordo com a Casa Civil para passar na frente da fila de liberação as emendas solicitadas pelos parlamentares que mais desconfiavam das promessas do governo.

Minas foi o estado que mais recebeu recursos (R$ 126 milhões), seguido de Maranhão (R$ 116 milhões) e São Paulo (R$ 107 milhões). O dinheiro desembolsado têm origem no Fundo Nacional de Saúde e vai direto para os fundos municipais. Nessa modalidade, a liberação é mais rápida.

Mas a cidade que mais recebeu recursos nesta segunda foi Campina Grande (PB), palco de uma das maiores festas de São João do país. O município foi o destinatário de pouco mais de R$ 35 milhões.

BOLÃO NA CÂMARA – Quem dá mais? Confiantes em um resultado favorável às novas regras de aposentadoria, deputados do DEM fizeram nesta segunda (8) um bolão para tentar adivinhar o placar da votação na Câmara. Para apostar era preciso comparecer com R$ 100. O mais pessimista cravou 328 votos.

Detalhamento do Datafolha mostra que o eleitor de Jair Bolsonaro é o que mais acha que o brasileiro se aposenta cedo. Entre os que elegeram o presidente, 15% assinam embaixo dessa afirmação, contra 6% dos que optaram por Fernando Haddad (PT).

Por faixa de renda, são os mais ricos, que ganham acima de dez salários mínimos, os que mais chancelam a percepção de que o brasileiro pendura as chuteiras antes do tempo: 31%.

Massacre de acusações a Moro em nada abalou seu prestígio como “melhor ministro”

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Jamais um ministro teve aprovação semelhante à de Sérgio Moro

Walter Nunes
Folha

Com exceção de Sergio Moro, da Justiça, e Paulo Guedes, da Economia, os ministros do governo Jair Bolsonaro ainda são pouco conhecidos pelos entrevistados do Datafolha. O ex-juiz é identificado por 94%, e Guedes, por 77% das pessoas consultadas. Cerca de dois terços não conhecem Abraham Weintraub, ministro que assumiu a pasta da Educação em abril e que só é identificado por 31% dos entrevistados.

Mesmo após a divulgação de diálogos atribuídos ao então juiz e a procuradores da Lava Jato, Moro é quem tem a maior aprovação, com 52% classificando-o como ótimo ou bom. O número tanto dos que acham seu desempenho regular (20%) é igual ao total dos que desaprovam seu trabalho no Ministério da Justiça (20%).

MARGEM DE ERRO – A pesquisa foi feita em 4 e 5 de julho e ouviu 2.086 pessoas com mais de 16 anos, em 130 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Há três meses, o nível de conhecimento sobre Moro era de 93%. Sua aprovação era 59%, enquanto 17% consideravam seu desempenho regular e 15%, ruim ou péssimo.

Paulo Guedes tem seu desempenho considerado ótimo ou bom por 31%, regular por 24% e ruim ou péssimo por 16%. Em relação à pesquisa feita três meses atrás, quando 74% diziam conhecê-lo, sua aprovação era de 30% do total de entrevistados. Os que consideravam seu desempenho regular eram 28%, e 12% o desaprovavam.

OUTROS MINISTROS – Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, é quem mais se aproxima dos dois líderes, com 54% de reconhecimento pelos entrevistados. Ela tem 22% de ótimo ou bom, 14% de regular e 15% de ruim ou péssimo.

O nível de conhecimento da ministra, porém, oscilou para baixo dentro da margem de erro. Em abril, 57% afirmaram conhecer Damares. Na ocasião, 25% dos entrevistados aprovavam seu trabalho, 14% consideravam regular e 15% desaprovavam seu desempenho.

Depois desses três, todos os ministros citados pelo Datafolha são desconhecidos por mais da metade das pessoas ouvidas.

ONYX LORENZONI – O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que acaba de perder a função da articulação política com o Congresso, é conhecido por 47% dos entrevistados. O trabalho do político do DEM é considerado ótimo ou bom por 17%, regular por 16% e ruim ou péssimo por 10%.

Na pesquisa de abril, Onyx era reconhecido por 46% dos entrevistados. Há três meses ele era aprovado por 18%, 16% consideravam seu trabalho regular e 8%, ruim ou péssimo.

Só 37% dos pesquisados sabem que o ministro das Relações Exteriores é Ernesto Araújo, e 15% o aprovam, 11% o consideram regular e 6% o desaprovam. Em abril seu índice de conhecimento era de 35%, sua aprovação era de 13%, 12% consideravam seu desempenho regular e 7%, ruim ou péssimo.

SALLES E WEINTRAUB – Os ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Abraham Weintraub, da Educação, foram incluídos pela primeira vez na pesquisa do Datafolha.

Salles é conhecido por 42% dos entrevistados e aprovado por 14%. Outros 15% o consideram regular e 9% desaprovam seu trabalho.

Entre os pesquisados, apenas 31% sabem que Weintraub comanda a pasta da Educação. Seu desempenho é aprovado por 9%, considerado regular por outros 9% e ruim ou péssimo por 11%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao ser analisada a comparação das pesquisas, na margem de erro, constata-se que o massacre diário das acusações ao ministro Moro não reduziu seu impressionante prestígio popular. Acredito que jamais um ministro da República, salvo Oswaldo Aranha (Justiça e Relações Exteriores) e João Goulart (Trabalho) na era Vargas, e Dilson Funaro, no governo Sarney, tenham obtido avaliação semelhante, mas naquela época não se faziam pesquisas sobre ministros. Portanto, pode-se dizer que Moro é o maior de todos. E que assim seja. (C.N.)  

Viciar crianças no uso e abuso de celulares é uma idiotice, sem a menor dúvida

Charge reproduzida do site O Pantaneiro

Antonio Carlos Fallavena

O texto do cronista Ruy Castro sobre dependência digital aborda um assunto sério, muito sério. Mas não incluiu o aspecto pior de todos, em relação a ele: as crianças e os adolescentes que hoje vivem com o celular nas mãos, totalmente dependentes dele.

Que o adulto se vicie, vá lá: já tem noção do que faz e deve se responsabilizar pelos resultados. Mas quando é com a criança e o adolescente, torna-se um crime.

Pais/mães, mais recentemente definidos por mim como “fazedores de crianças”, no afã de se verem livres de cuidados e para poder ter seu tempo disponível, presenteiam crianças, a partir de 2 ou 3 anos, com aparelhos celulares e tablets. E eles se distraem com os brinquedos.

Mais tarde, com ar de sabedoria e sapiência, professoras afirmam, e com convicção, que as crianças estão cada vez mais inteligentes. Mentira! Mas isto é outro tema a ser enfrentado.

Crianças e adolescentes, aos milhões, já são dependentes destes equipamentos. Ao negligenciarem essa realidade, pais e a sociedade em geral ajudam na construção de uma bomba de futuros doentes com distúrbios e vícios.

Quem tem coragem de desqualificar e/ou questionar a opinião de professores a respeito dessa situação? Eu tenho e já comecei, faz algum tempo!

 

No caso da corrupção no metrô de São Paulo, agora só falta condenar Alckmin e Serra

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Charge do Latuff (Arquivo Brasil 247)

Renata Vieira
O Globo

 Depois de seis anos de investigações, 11 empresas e 42 pessoas foram condenadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta segunda-feira por formação cartel do metrô de São Paulo. A decisão foi unânime e as multas aplicadas às empresas somaram R$ 515,5 milhões, enquanto aquelas imputadas a pessoas físicas ficaram em R$ 19,5 milhões. Os valores dizem respeito a pelo menos 26 leilões prejudicados pela atuação do cartel entre 1999 e 2013.

O montante maior, de R$ 167 milhões, foi aplicado à empresa CAF. Ao lado dela, os conselheiros do Cade apontaram ainda como “núcleo duro” da prática de cartel as empresas Alstom Brasil Energia (multada em R$ 128 milhões) e a Bombardier Transportation Brasil (multada em R$ 22 milhões). Além dessas, as companhias IESA, MGE, Mitsui & Co, MPE, TC/BR, Tejofran, Temoinsa e TTrans também foram condenadas e multadas.

PROIBIÇÃO – Para a Alstom, considerada líder do esquema, coube também a proibição de participar de licitações em todas as esferas públicas por cinco anos.

Durante o julgamento pelo tribunal do Cade, que durou mais de seis horas, as empresas envolvidas no caso negaram a conduta e alegaram inconsistência de provas para a condenação pelo colegiado. O grupo de conselheiros, por sua vez, expôs uma série de dados — entre documentos físicos e digitais — que, na visão da autarquia, evidenciam que os envolvidos entraram em acordo para dividir licitações públicas de trens e metrôs. Para o Cade, houve também combinação de preços a serem propostos em leilões em São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ouvidas pelo Globo, todas as empresas envolvidas dizem que vão recorrer do julgamento do Cade. É um direito que têm. O importante é que Cade foi mais veloz do que a Justiça de São Paulo, que ainda falta condenar os dois personagens mais importantes dessa trama – os ex-governadores José Serra e Geraldo Alckmin. Mas acontece que a Justiça continua em cima do muro, do jeito que os tucanos gostam… (C.N.)

Ministério Público reitera pedido de condenação e prisão de Fernando Pimentel

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Pìmentel se corrompeu e agora terá de prestar contas à Justiça

Deu em O Tempo

Em alegações finais no processo que corre na Justiça Eleitoral relacionado à operação Acrônimo, o Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais voltou a se manifestar pela condenação e consequente prisão do ex-governador do Estado, Fernando Pimentel, conforme denúncia apresentada à Justiça em maio de 2018. O MPE também quer o pagamento de uma indenização no valor de R$ 5 milhões. As informações são do portal R7.

De acordo com os promotores, Pimentel omitiu R$ 1,4 milhão de sua prestação de contas em 2010, quando foi candidato ao Senado. Ao R7, a defesa de Pimentel alegou desconhecer as alegações finais do MP.

Os advogados disseram também tratar-se apenas de manifestação da acusação e que também vai se manifestar no processo. Após as partes se pronunciarem o juiz poderá decidir se condena ou não o petista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fernando Pimentel é uma vergonha para o PT, para Minas Gerais e para o Brasil. Quando era ministro da Indústria e Comércio, no governo Lula, mandou o BNDES contratar sua jovem amante num cargo altíssimo, como assessora da presidência do Banco, sem ter a menor experiência. Depois, abandonou a mulher casou com a amante e a introduziu no ramo da corrupção, do qual já era especialista. Hoje, marido e nova mulher são réus no mesmo processo, estão unidos para sempre na alegria e na dor.
(C.N.)

Em nova operação, Lava-Jato no Rio prende o operador do ‘doleiro dos doleiros’

foi preso por agentes da PF em Ipanema, Zona Sul do Rio Foto: Reprodução/TV Globo

Mario Liebman mora no Leblon e estava escondido em Ipanema

Deu em O Globo

Agentes da força-tarefa da Operação Lava-Jato no Rio saíram às ruas na manhã desta terça-feira e prenderam Mario Liebman , apontado como um operador ligado a Dario Messer , o “doleiro dos doleiros”. Segundo o G1, Mario foi detido por volta de 6h30 em Ipanema, na Zona Sul da capital. Os agentes da Polícia Federal ainda procuram Rafael Liebman, filho de Mario, que foi casado com uma filha de Messer, Denise, que recentemente fez delação premiada , informou o colunista do Globo Lauro Jardim. A operação é um desdobramento da Câmbio, Desligo.

As investigações apontaram que uma sala comercial no Shopping Cassino Atlântico, em Copacabana, era usada para o recebimento de dinheiro em espécie no esquema. Os agentes da Polícia Federal cumprem mandado de busca e apreensão no estabelecimento.

FORAGIDO – Dario Messer tem ordem de prisão no Brasil e Paraguai, mas está foragido desde abril. Ele é o principal alvo da operação Câmbio, Desligo — que mandou prender mais de 40 doleiros. O presidente paraguaio, Horacio Cartes, é amigo de Messer e já o chamou de “irmão de alma”. Ele é procurado pela Interpol desde a operação “Câmbio, Desligo”, etapa da Lava-Jato que investigou uma rede de doleiros que lavavam dinheiro para o esquema do ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. E o esquema de lavagem de dinheiro de Messer atingiu a cifra de US$ 1,652 bilhão.

CAGARRAS – No relatório do  Ministério Público Federal (MPF), ele aparece como o sócio-capitalista do negócio e dono de 60% dos lucros. Seu codinome era Cagarras, por conta de sua cobertura na avenida Delfim Moreira, no Leblon, com vista para as ilhas homônimas.

Figura carimbada em investigações de lavagem de dinheiro desde o início dos anos 2000, Dario Messer foi citado nos escândalos do Banestado e Swissleaks.

Para driblar a fiscalização dos órgãos de controle financeiro, as organizações criminosas passaram a desenvolver sofisticados esquemas de movimentação de recursos, no Brasil e no exterior. O sistema de compensação permite aos grupos praticar crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta de instituição financeira, por exemplo, por meio de uma rede de doleiros.

DINHEIRO VIVO – Por meio dessas operações, detalhadas pelo Ministério Público Federal (MPF), a organização criminosa consegue “gerar” reais em espécie no Brasil sem sacar o valor de bancos e também consegue alimentar contas no exterior sem um contrato de câmbio registrado no Banco Central.

O dinheiro vivo é um dos meios mais usados nas transações, por encobrir rastros e vinculações entre corruptor e corrupto.

Cúpula do PSDB discute expulsão de Aécio e espera que ele peça logo desligamento

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Aécio Neves está ameaçado de expulsão e precisa pedir licença

Deu no G1

A cúpula do PSDB quer que o deputado federal Aécio Neves (MG) e outros tucanos na mira da Polícia Federal (PF) se licenciem do partido até agosto. O partido discute até a expulsão de Aécio, mas, segundo o blog apurou, o comando do partido tem a expectativa de que o deputado se antecipe e se afaste do partido para que a medida mais “traumática” – a expulsão – não seja necessária.

O PSDB, agora sob o comando do ex-deputado federal e ex-ministro Bruno Araújo (PE), tem articulado para “repaginar” a imagem da sigla, que tem entre seus caciques o governador de São Paulo, João Doria.

“LIMPEZA” – Doria nega publicamente, mas já pavimenta candidatura à sucessão presidencial em 2022. Por isso, seu grupo trabalha para afastar políticos investigados do partido, numa tentativa de “blindar” a sigla. A movimentação para expulsar Aécio, revelada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, inclui também outros investigados, como Beto Richa, ex-governador do Paraná.

Na semana passada, Aécio Neves virou réu na Justiça Federal de São Paulo por corrupção e obstrução à Justiça, acusado de tentar atrapalhar o andamento da Operação Lava Jato. O empresário Joesley Batista afirma ter pago propina de R$ 2 milhões ao deputado e sua irmã em 2017.

A defesa do deputado diz que não é fato novo e que vai provar que Aécio foi vítima de ação criminosa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O problema se agravou porque, conforme a Tribuna da Internet noticiou, o pedido de expulsão de Aécio já foi pedido pelo Diretório Municipal de São Paulo controlado por Doria. De toda forma, o Diretório Nacional terá de analisar o requerimento, por isso é melhor Aécio se licenciar e ir saindo de fininho, como se dizia antigamente. Sua expulsão é mais do que certa. (C.N.)

Não procure o perfeito, porque nada existe sem defeito, dizia Cassiano Ricardo

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Cassiano, um dos imortais da Poesia

O jornalista, ensaísta e poeta paulista Cassiano Ricardo (1895-1974), membro da Academia Brasileira de Letras, diz no poema “Amor Imperfeito” que a graça do amor está na sua imperfeição, porque a existência do perfeito sempre acarreta o defeito de ser triste.

AMOR IMPERFEITO
Cassiano Ricardo
A perfeição
é um momento,
por demais claro.
Como repeti-la,
sem enfaro?

A perfeição,
se possuída
a todo instante
se faz rainha
suicida.

Quem já mediu
o perfeito,
rosa de prata,
mas em sua
medida exata?

Nada existe
sem o defeito

Caso dos PMs e Bombeiros não têm solução, porque seus salários são irredutíveis

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Charge do Edra (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Marcelo Correa, Leo Branco e Gabriel Martins, em O Globo de segunda-feira, revela e destaca que as despesas com policiais militares inativos e com os aposentados do corpo de bombeiro superam a folha de pagamento dos que se encontram em atividade em 14 estados da federação. Sendo que as maiores diferenças encontram-se nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

O levantamento foi feito pelo economista Pedro Nery e a matéria do jornal deixa uma dúvida se a comparação foi em relação a gastos restritos nas duas corporações ou então de modo geral. Mas Pedro Nery esclareceu que o cotejo fica restrito às duas forças auxiliares do Exército.

FAIXAS DE RISCO – Antes de mais nada devemos reconhecer que se trata de servidores que operam em amplas faixas de risco. Mas não é somente esse aspecto, já por si bastante sensível. Os bombeiros arriscam-se nos casos de incêndios e outras calamidades, como no caso de Brumadinho, por exemplo. Os integrantes da Polícia Militar dentro de suas escalas enfrentam diariamente criminosos de todos os tipos, como assaltantes, assassinos, ladrões e espancadores de mulheres. Profissão extremamente difícil.

Mas não é apenas esta questão. Como na voz de Dorival Caymmi, esse caso não tem solução. Não tem solução porque não se pode reduzir vencimentos, de acordo com a Constituição do país. Os governos, podem, isso sim, daqui para frente desvincular os pagamentos existentes para os ativos e os pagamentos a serem feitos para os inativos, porém não é possível fazer retroagir qualquer regra. O exemplo não se restringe àqueles que usam fardas, o princípio estende-se a todos os funcionários sejam federais, estaduais ou municipais de todo o país.

IRREDUTIBILIDADE – O que quero acentuar é que não existem alternativas rechaçadas pelo princípio constitucional da irredutibilidade. Isso de modo geral, inclusive porque a irredutibilidade de vencimentos é cláusula pétrea da lei maior brasileira.

Não podendo assim pressionar para baixo os pagamentos de pessoal, aprovada a reforma, mesmo aquela prevista no substitutivo Samuel Moreira, a equipe de Paulo Guedes tem de partir para uma outra solução. Porque o quadro nacional é limitativo no que se refere aos salários dos servidores e dos trabalhadores de modo geral.

Paulo Guedes teve seu anteprojeto fortemente emendado pelo autor do substitutivo, na medida em que retirou de cogitação as duas peças básicas projetadas pelo Ministro da Economia. Assim, a possível vitória da reforma representa também a derrota do governo que foi obrigado a ceder ponto-chave para não perder totalmente na votação. Na vida humana todos nós temos que agir até o limite do possível. O limite de Paulo Guedes era simplesmente impossível.

Responda uma pergunta: A quem interessa a campanha para destruir Moro e a Lava Jato?

Charge do Son Salvador (Charge Online)

Carlos Newton

Se ainda estivesse vivo, o jornalista Alberto Dines estaria estarrecido. Trabalhamos juntos na criação do programa “Observatório da Imprensa” em 1998, ao lado do diretor paulista Eduardo Abramovay, uma grande figura, que voltou para São Paulo depois de comandar esse projeto conjunto TVE/TV Cultura. Dines achava que, para aperfeiçoar o país, antes era preciso limpar a imprensa, fazendo com que pelo menos parte dela passasse a trabalhar em prol do interesse público. Dines manteve o programa no ar durante 20 anos, mas morreu em 2018 sem ver seu sonho realizado.

O fato concreto é que a imprensa está regredindo de uma maneira impressionante, como fica demonstrado no caso das denúncias do The Intercept Brasil, comandadas pelo jornalista americano Glenn Greenwald.

QUADRO SURREAL – É um massacre impressionante, com apoio de praticamente toda a mídia. Com base em supostas mensagens de origem criminosa, o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato estão sofrendo uma campanha perversa, que tem objetivos claros. Uma das principais finalidades é anular as condenações de criminosos abjetos como Lula da Silva, Eduardo Cunha, José Dirceu, Paulo Preto, João Vaccari, Marcelo Odebrecht e “tutti quanti”, como dizem os italianos, e até Sérgio Cabral e Geddel Vieira Lima também querem embarcar nessa onda.

Ao mesmo tempo, a campanha visa a evitar a prisão de Michel Temer, Aécio Neves, Romero Jucá, Rocha Loures, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Moreira Franco, Eliseu Padilha e outros caciques do MDB, do PSDB e de outros partidos envolvidos em corrupção.

Tudo isso está mais do que claro. Qualquer jornalista deveria se envergonhar de tentar defender esse tipo de gente. Mas não é isso que se vê nos maiores órgãos de imprensa, que decidiram apoiar oficial ou oficiosamente a campanha do The Intercept.

ALIANÇA IMUNDA – É muito triste ver a Folha de S. Paulo, a Veja e a TV Band se emporcalharem ao dar força total ao movimento do The Intercept, e o fazem prazerosamente, sob alegação de que estão defendendo a moralização da Justiça e a liberdade de imprensa, quando estão fazendo exatamente o contrário, pois na verdade foram cooptados a destruir a Lava Jato, sob o mesmo esquema de desmoralização que demoliu a Operação Mãos Limpas na Itália, nos anos 90.

O pior é ver o mesmo fenômeno se reproduzir em O Globo, no Estado de S.Paulo e até no Valor Econômico e no Correio Braziliense, que vinham trilhando um caminho mais ético.

A manipulação chegou a tal ponto que agora a mídia simplesmente despreza e não menciona as explicações claras e objetivas de Moro e dos procuradores. Ou seja, a imprensa chegou à perfeição em seu lado mais sujo e perverso.

NA HORA ERRADA – E o que faz o ministro Moro? Ao invés de permanecer na trincheira e enfrentar o fogo inimigo, resolve tirar uma semana de licença não-remunerada para ficar com a mulher e os filhos. Foi uma decisão mais do que idiota.

Mesmo nesses dias de “férias”, digamos assim, Moro precisa estar atento e se fazer presente na mídia para continuar a responder esse tipo de ataque.

Os argumentos do The Intercept não podem ser levados a sério. Sabemos quanto custa uma campanha desse vulto, que mobilizou grande número de hackers e de jornalistas para montar e manipular as denúncias. É muito dinheiro a mobilizar um lobby de tal envergadura.

Mas é fácil imaginar quem está financiando a campanha. Basta fazer como sugere o ex-presidente do Supremo, Carlos Velloso, e procurar saber a quem interessa a destruição da Lava Jato e a impunidade de todos os corruptos. Simples assim.

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P.S. – Jamais imaginei que um dia eu pudesse ter vergonha de ser jornalista. Mas parece que está chegando esse dia. (C.N.)

“Moro é o símbolo do Batman contra o Coringa”, sintetiza o general Heleno

Augusto Heleno

General Heleno se junta a Bolsonaro na proteção de Sérgio Moro

Leonardo Augusto
Estadão

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, defendeu nesta segunda-feira, dia 8, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e disse que o vazamento de conversas ilegais se deu porque o ex-juiz é o “símbolo do Batman contra o Coringa”.

“Um homem desses ser colocado na parede por gente que tem pavor dele? O cara quando ouve falar em Moro quer morrer, né?”, disse Heleno, sem citar nomes. “Aquilo ali é o símbolo do Batman contra o Coringa. E os caras querem ver o Batman na parede. E começam a inventar que a conversa dele com o procurador é ilegal. Um juiz não pode conversar com um procurador, mas muitos podem conversar com o advogado de defesa, receber em casa para jantar”.

PALESTRA – Heleno, que falou a empresários em palestra em Belo Horizonte, se referia aos diálogos divulgados pelo site The Intercept Brasil, que passou a publicar supostas trocas de mensagens entre Moro e procuradores da Lava Jato em Curitiba. Essas mensagens sugerem a intervenção do então juiz federal na condução da operação, inclusive com a indicação de possíveis testemunhas.

Ao falar sobre a importância do projeto anticrime proposto por Moro e a criminalidade no País, Heleno citou período em que morava no Rio de Janeiro e fazia percurso diário entre São Cristóvão e Realengo. “Avisei ao meu motorista, se acontecer alguma coisa, se defenda, porque eu vou me defender. Não chego na delegacia fardado de general e digo ‘fui roubado’”, contou.

O general negou ser o principal conselheiro do presidente Jair Bolsonaro, e disse que a imprensa exagera neste sentido. “Tenho a vantagem de ser o mais velho. O Brasil é muito grande. Há vários conselheiros”.

RELAÇÃO CLARA – Ao longo da palestra, no entanto, o general relatou vários momentos em que fica clara a relação entre os dois. Foi convidado por Bolsonaro para almoçar, quando o então deputado federal decidiu disputar o Palácio do Planalto, além de ter sido consultado sobre o convite que o então presidente eleito fez a Moro para o cargo.

Nos últimos dias, no episódio mais recente, Bolsonaro conversou com o general sobre a ida ontem, dia 7, ao Maracanã, para a final da Copa América. “Se perder, você vai virar o Mick Jagger da política”, disse Heleno, em alerta que afirma ter dado ao presidente. Jagger ganhou a pecha de pé frio ao comparecer em estádios e ver perder equipes para as quais torce ou que são dos locais onde o jogo está sendo realizado.

FUNDAMENTAL – O ministro classificou a reforma da Previdência como fundamental para o Brasil. “Já ouvi de parlamentares essa barbaridade: ‘se votar a Previdência com essa economia que o Paulo Guedes (ministro da Economia) tá pedindo, Bolsonaro está reeleito’. Heleno disse ter retrucado:

“Você está pensando em reeleição do Bolsonaro em vez de pensar no seu País? Pensa nisso depois. Depois derruba o Bolsonaro. Primeiro, aprova a Previdência”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os brasileiros devem fazer como o compositor Hyldon e jogar suas mãos para o céu, porque o general Heleno ganhou a guerra contra o escritor Olavo de Carvalho e está levando Bolsonaro para o rumo certo, que é o caminho do meio. Bolsonaro ainda reluta, mas logo irá se convencer de que só existe esse caminho. Podem apostar. (C.N.)

 

Ministério Público do Trabalho vai apontar dolo eventual da Vale em Brumadinho

Homem caminha sobre a lama em Brumadinho — Foto: Reprodução / TV Globo

A conclusão é de que a Vale sabia que poderia haver uma tragédia

Matheus Leitão
G1 Política

O Ministério Público do Trabalho (MPT) vai anexar até esta terça-feira (dia 9) novas provas compartilhadas pela Polícia Federal e pela Polícia Civil que, segundo o órgão investigador, comprovam o dolo eventual (quando se assume o risco de matar) da mineradora Vale no rompimento da barragem de Brumadinho.

A informação foi repassada ao blog pelo procurador Geraldo Emediato de Souza, coordenador do grupo especial de atuação finalística do MPT, que cuida do caso vale Brumadinho.

MAIOR CONDENAÇÃO – Segundo ele, o Ministerio Público do Trabalho deve pedir o aumento do valor da condenação da empresa se comprovar dolo eventual na ação trabalhista que tramita na 5ª Vara de Betim (MG).

Procurada pelo blog, a Vale informou que tem apresentado, “desde o momento do rompimento da barragem, todos os documentos e informações solicitados e, como maior interessada na apuração dos fatos, continuará contribuindo com as investigações”.

O procurador explica que laudos e depoimentos disponibilizados pelas polícias permitem constatar que a empresa sabia da instabilidade da barragem, e que não havia assertividade na segurança. Ainda assim, teria permitido que o centro administrativo e o refeitório ficassem embaixo de um empreendimento que estava prestes a romper.

NOVAS PROVAS – Ao juntar as novas provas, o MPT vai reforçar, no primeiro momento, o pedido de dano moral coletivo no valor de R$ 2 bilhões e a indenização de R$ 5 milhões para cada grupo familiar atingido pelo desastre, com o valor mínimo de R$ 1 milhão para cada membro da família atingida.

“Os laudos vão reforçar o nosso pedido de dano moral coletivo de R$ 2 bilhões para a comunidade e de R$ 5 milhões para cada grupo familiar. Para indenização, depende culpa. Acidente de trabalho é responsabilidade objetiva. Mas é preciso demonstrar que, para além da responsabilidade objetiva do empregador, ele agiu com culpa, negligência, imperícia e até dolo eventual”, afirma Geraldo Emediato.

PRECEDENTE – Segundo o MPT, há um precedente jurídico em Paulínia, São Paulo, com condenação de R$ 622 milhões contra a Basf e a Shell porque, à época, teria sido comprovado o nexo causal entre a doença dos trabalhadores e o agente químico que estava sendo jogado na água.

O procurador explica que esta é a maior condenação da Justiça do Trabalho até agora, após a morte de 60 pessoas. “Nós postulamos um pedido de R$ 2 bilhões porque esse precedente de Paulínia tem que ser levado em conta. No caso de Brumadinho podemos ter 270 óbitos”, explica o procurador.

Mais Um Corpo – Na quinta-feira passada(4), os bombeiros responsáveis pelas buscas na região do rompimento da barragem encontraram uma vítima soterrada no rejeito de minério no complexo de mineração da Vale.

Quase cinco meses após o rompimento, o corpo foi encontrado praticamente intacto. Até o momento, 246 mortos foram identificados e 23 pessoas continuam desaparecidas.

Herdeiro da empresa OAS sofre infarto durante depoimento ao juiz da Lava Jato

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Cesar Mata Pires Filho é réu e chegou a ser preso no ano passado

Aguirre Talento
O Globo

Herdeiro da empreiteira OAS, o empresário Cesar Mata Pires Filho, 41 anos, sofreu um infarto durante depoimento à 13ª Vara Federal de Curitiba na tarde desta segunda-feira. O empresário dava explicações sobre um caso em que é acusado pela Lava-Jato de pagar propinas ao PT e a agentes públicos na construção de um prédio da Petrobras em Salvador.

Cesar estava respondendo perguntas do juiz Luiz Antonio Bonat, quando começou a se sentir mal. Diante da gravidade do caso, funcionários da Justiça Federal acionaram uma unidade da Samu para prestar atendimento médico de urgência. A audiência foi suspensa diante do incidente.

O empresário chegou a ser preso no fim do ano passado e foi solto após pagar uma fiança de R$ 28 milhões.  O pai dele, Cesar Mata Pires, fundador da OAS, morreu em 2017 aos 67 anos vítima de um infarto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O pai, fundador da OAS, era genro do ex-governador Antonio Carlos Magalhães. Quem conduziu a construtora nos últimos 20 anos foi Léo Pinheiro, que fez a ligação da empresa com o petista Jaques Wagner, que ao governo da Bahia em 2007, e a partir daí a OAS se transformou em aliada de primeira ordem do poder estadual. Quando a polícia chegou ao apartamento de Léo Pires para prendê-lo, encontraram o advogado da OAS, que parecia aguardar a chegada dos agentes. Pinheiro estava em Salvador e foi preso no Hotel Pestana, na Praia do Rio Vermelho. Na prisão, tornou-se um dos maiores delatores da Lava Jato. Mas o dono da empresa era o herdeiro Cesar Mata Pires Filho, que ainda vai a julgamento.
(C.N.)

Dependência digital: todos nós sabemos de alguém que “passou mal” sem o celular

Dependente digital também está sujeito a crise de abstinência

Ilustração reproduzida da Folha de S. Paulo

Ruy Castro
Folha

Um dependente químico é alguém que não consegue ficar certo tempo sem consumir sua droga, seja ela álcool, cocaína, crack, inalante, maconha ou o que for. Esse tempo varia com o dependente —um dia, duas horas, 30 minutos. Mas qualquer pessoa que precise usar tal produto para não sentir os efeitos físicos e psicológicos de sua ausência será dependente. Isso o levará a negligenciar a família e os amigos, tornar-se errático e inconfiável no trabalho e, em algum tempo, apresentar sintomas ligados à intoxicação.

É uma escalada. Seguem-se, pela ordem, o desemprego, a falência, a depressão, a subnutrição, outras doenças, a loucura e a morte.

NOVA DEPENDÊNCIA – Os mesmos sintomas assolam hoje um novo tipo de dependente: o que não consegue passar certo tempo desconectado do smartphone, tablet, notebook ou computador. É o dependente digital. O aparelho o acompanha, ligado, durante suas refeições em casa, com a família, ou na rua, a negócios ou a prazer; na conversa com os amigos; no cinema ou no teatro e, inevitavelmente, no trabalho.

Como na dependência química, chega-se a um estágio em que tudo que não diga respeito à droga se torna intolerável, como o casamento, o emprego, atender a compromissos, pagar as contas e até tomar banho. A droga se apossa. Por ela, o dependente abole o mundo ao redor.

HÁ SÍNDROME – Todo mundo hoje sabe de alguém que, tendo seu celular quebrado, perdido ou roubado, “passou mal” por ficar sem ele. Chama-se a isto síndrome de abstinência. É o que acontece com o dependente químico —a simples ideia de não ter a droga à mão para a próxima dose é aterrorizante.

Já há no Rio e em São Paulo institutos de “desintoxicação digital”. Clientes não faltarão: segundo pesquisas, o brasileiro fica conectado, em média, nove horas e 14 minutos por dia. É o terceiro país do mundo nessa estatística, atrás apenas da Tailândia e das Filipinas —por enquanto.

Aprovação de Bolsonaro se estabiliza em 33% e consolida divisão política do país

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Charge do Sinfrônio (Charge Online)

Igor Gielow
Folha

Pesquisa do Datafolha indica a consolidação de uma divisão política do país após seis meses do governo de Jair Bolsonaro (PSL). O Brasil está rachado em três. Para 33%, o presidente faz um trabalho ótimo ou bom. Para 31%, regular, e para outros 33%, ruim ou péssimo. Com variações mínimas, é o mesmo cenário que se desenhou três meses atrás, no mais recente levantamento do instituto.

A pesquisa atual foi feita em 4 e 5 de julho e ouviu 2.860 pessoas com mais de 16 anos, em 130 cidades. Ela tem uma margem de erro de dois pontos percentuais.

PIOR AVALIAÇÃO – Com isso, Bolsonaro se mantém como o presidente em primeiro mandato com a pior avaliação a esta altura do governo desde Fernando Collor de Mello, em 1990.

Aos seis meses na cadeira, Collor tinha uma aprovação igual à de Bolsonaro (34%), mas 20% de rejeição. Todos os outros presidentes em primeiro mandato desde então se deram melhor.

A cristalização dos números se dá num momento em que Bolsonaro promoveu mudanças na cozinha do Palácio do Planalto e reduziu o poder dos militares que integram sua gestão. De abril para cá, houve duas manifestações de rua convocadas por bolsonaristas em apoio ao governo. Na mais recente, no domingo retrasado (30), a motivação central era a defesa do ministro da Justiça, Sergio Moro, acossado pelas revelações de conversas com procuradores da Lava Jato quando era juiz.

BASE DISPERSA – No Congresso, o presidente segue sem base de apoio fixa. Conseguiu, após concessões, ver o relatório de sua reforma da Previdência aprovado em comissão na Câmara na semana passada, mas a tramitação ainda enfrentará obstáculos.

Sua maior vitória se deu no campo externo, com a finalização do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia. Foi um trabalho de 20 anos acelerado na gestão anterior, de Michel Temer (MDB), mas os louros ficam com quem o assina. É um tema, contudo, bastante etéreo para apreciação popular.

A estabilização de Bolsonaro sugere um piso de seu eleitorado. Menor do que aquele que o elegeu no segundo turno em 2018, mas semelhante à fatia usualmente associada aos apoiadores de seu maior rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

EXPECTATIVA – Na mão inversa, vem caindo a expectativa positiva em relação a seu governo. De abril para cá, foi de 59% para 51% a fatia de entrevistados que preveem uma gestão ótima ou boa. A ideia de que será regular subiu de 16% para 21%, enquanto o pessimismo ficou estável na margem de erro (23% para 24%).

Isso espelha a percepção das realizações do presidente. Para 61%, ele fez menos do que o esperado, enquanto 22% consideram o desempenho previsível. Já 12% avaliam que ele superou a expectativa. Há três meses, os dados eram semelhantes.

No período, piorou a imagem do desempenho de Bolsonaro como mandatário. O percentual daqueles que creem que ele age como um presidente deveria se comportar caiu de 27% para 22%. Já os que acham que ele não tem tal comportamento oscilou de 23% para 25%. Acham que na maioria das vezes ele segue a liturgia do cargo 28% (27% em abril), e 21% (20% antes) o reprovam sempre.

PERFIL DO APOIO – O perfil de quem aprova o presidente segue as linhas divisórias do eleitorado, já evidenciadas na disputa do ano passado. Ele é mais apoiado por brancos (42% o aprovam, ante 31% dos pardos e 25% dos negros, para ficar nos maiores grupos) e homens (38%, ante 29% de mulheres).

 O presidente angaria maior aprovação entre os mais ricos e os mais escolarizados. Como seria previsível dado ao apoio histórico à liderança de Lula na região, o Nordeste continua sendo um castelo oposicionista. Lá, Bolsonaro é ruim ou péssimo para 41%. Já o Sul segue sendo o bastião bolsonarista, com aprovação de 42% dos entrevistados.

Num corte partidário, um dado se sobressai como problema para um dos principais rivais potenciais de Bolsonaro em 2022, o governador paulista, João Doria (PSDB). Entre os tucanos, apenas 17% acham o governo ruim ou péssimo, enquanto 35% o aprovam. No proverbial muro associado ao partido, a maioria dos simpáticos ao PSDB (48%) o acha regular.

SATISFEITOS – O Datafolha aferiu melhora geral entre os que se dizem animados, felizes e tranquilos com o país, em relação aos números apurados antes do segundo turno, em outubro.

Ainda assim, não é exatamente um cenário róseo. Todos esses grupos têm taxas pessimistas expressivamente maiores do que as otimistas: se dizem tristes com o país, por exemplo, 65%, ante 33% de quem se diz feliz.

 E houve aumento entre os que afirmam ter medo do futuro (58%, ante 53% em outubro), e estabilidade entre os que têm mais medo do que esperança no país (de 51% antes para 53% agora).

DIZEM AS MULHERES – Nesses itens as mulheres são muito mais pessimistas do que os homens. Nada menos do que 71% delas se dizem desanimadas com o Brasil; entre eles, são 55%.

Ao elencar de forma espontânea os problemas que estão a alcance do Executivo, em relação ao que era registrado em dezembro, antes da posse de Bolsonaro, houve uma queda expressiva na preocupação com a corrupção.

No levantamento anterior, 20% diziam que o tema era prioritário. Agora são 7%. Já quem mais subiu no ranking foi a educação, passando de 10% para 15%. A lista é seguida pelos assuntos segurança (19%) e saúde (18%). O desemprego (14%) e a economia (8%) são os outros pontos de destaque na lista.

Quando se trata de economia, o presidente Jair Bolsonaro pode ser tudo, menos ingênuo

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Charge do Iotti (Zero Hora)

João Domingos
Estadão

Entre vários dos dirigentes partidários e do Congresso existe hoje o entendimento de que as relações com Jair Bolsonaro vão piorar muito no segundo semestre. Acham que o presidente começará a sentir seu poder pessoal aumentar, principalmente depois de demitir um nome respeitado como o do general Santos Cruz, esperar algum ruído da ala militar e perceber que ele não veio. Ou participar de uma reunião do G-20, responder com pedras às pedradas que poderia receber da chanceler alemã Angela Merkel e do presidente francês Emmanuel Macron, e ver que não houve reação.

Pelo contrário. Bolsonaro saiu da reunião com um acordo assinado entre Mercosul e União Europeia, acordo cujas conversações tiveram início em 1999, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas que só veio a ser fechado no atual governo. Então, por que não atribuir a si tão grande feito?

PREVIDÊNCIA – Finalmente, dizem líderes partidários, Bolsonaro tenderá a dizer que outros tentaram, mas só ele conseguiu uma reforma da Previdência abrangente como a atual. E sem negociar cargos com os partidos, estabelecendo o presidencialismo sem coalizão, para usar uma expressão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Pode ser que as lideranças estejam certas e as relações entre Congresso e presidente entrem mesmo num campo de choque. Afinal, quem é que pode dizer alguma coisa sobre o futuro? Mas é pouco provável que um choque forte ocorra. Mesmo que seja chamado de “ingênuo” pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e admita que é mesmo, quando se trata de economia, Bolsonaro pode ser tudo, menos ingênuo.

Ele sabe, e Rodrigo Maia também sabe, tanto é que já admitiu isso publicamente, que no presidencialismo sem coalizão a tendência é de que lideranças do Parlamento sejam fortalecidas. E ninguém pode dizer que Maia não se fortaleceu muito nestes seis meses de governo de Jair Bolsonaro.

APOIO EXPRESSIVO – Maia tem hoje a seu lado líderes partidários como Baleia Rossi (MDB), Arthur Lira (PP), Elmar Nascimento (DEM), Wellington Roberto (PL), André de Paula (PSD), Paulo Pimenta (PT), Carlos Sampaio (PSDB) e Tadeu Alencar (PSB), para citar alguns. Em resumo, a influência de Maia vai da direita à esquerda, sendo muito forte no centro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também não faz nada sem conversar antes com Maia. O fato de serem do mesmo partido facilita as coisas. Mas não é só isso. Maia empresta a Alcolumbre a experiência que o presidente do Senado não tem.

Quanto a Bolsonaro, mesmo que ele venha a se sentir o dono do mundo por causa do acordo Mercosul/União Europeia, por ter enfrentado Macron e Merkel, ou pela afinidade ideológica com Donald Trump, é o Brasil que ele preside. Pode demitir um ministro forte como Santos Cruz sem maiores problemas. Ele é o presidente. E num presidencialismo sem coalizão. Mas, quando se trata da relação com o Congresso, não tem outra opção a não ser negociar. Melhor: não tem outra opção a não ser negociar com Maia.

HÁ EXEMPLOS – Foi o que ocorreu em relação aos decretos que facilitavam a posse de armas. Se Bolsonaro não tivesse recuado, seriam todos derrubados, assim como foi derrubado o decreto que aumentava o número de pessoas aptas a dizer o que era documento secreto e ultrassecreto.

Em relação à reforma da Previdência, ela só andou tão bem porque o Congresso a adotou como parte de sua agenda positiva. Se tivesse ficado na dependência da articulação do governo, talvez hoje ainda estivesse esperando pelo exame de admissibilidade da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara a não já pronta para ir ao plenário.

Bolsonaro, como dito acima, não é ingênuo. Ele depende do Congresso para governar. Mesmo que na cadeira presidencial se sinta muito forte.