
Weverton Rocha avalia que ‘houve precipitação’ da Corte
Camilla Turtelli
O Globo
Relator da nova lei de impeachment, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) avalia que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que restringiu a chance de deposição de integrantes da Corte, forçará o Senado a votar seu projeto até o fim do ano. Weverton, que também está na relatoria da indicação de Jorge Messias ao STF, vê “avanços” do indicado de Lula na busca por votos.
Senadores viram a decisão de Gilmar como interferência no Congresso. O STF errou?
Não acredito que fosse o caso de dar liminar. Poderiam ter esperado o colegiado. Houve precipitação. O Congresso já estava amadurecendo um projeto de lei coordenado por um ex-ministro do próprio Supremo, Ricardo Lewandowski, hoje ministro da Justiça. É um texto que traz uma visão contemporânea do impeachment, que deve ser excepcional, e não um instrumento de voto momentâneo ou de descontentamento político.
Esta nova lei do impeachment vai ser votada este ano?
Se o STF continuar com o julgamento na semana que vem, não vai restar outro caminho ao Senado senão votar essa nova lei. Com ela, a legislação que está sendo discutida no STF (de 1950) perde o objeto. Seria prudente que alguém pedisse vista ou que o presidente (Edson) Fachin (do STF) suspendesse o julgamento, para permitir que votemos o projeto no primeiro semestre do ano que vem de forma menos açodada. Para não parecer resposta à liminar. Agora, se insistirem, e o presidente da Casa (Davi Alcolumbre) disser “vamos votar”, eu estou com o relatório pronto e votamos sem problema nenhum.
O senhor foi procurado por Gilmar Mendes ou por algum outro ministro do Supremo?
Em momento algum. Só conversei com o ex-ministro do STF (Ricardo) Lewandowski na audiência pública da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), quando ele relatou como o texto foi construído.
Há maior chance de avanço de pedidos de impeachment na próxima legislatura, com o possível crescimento da oposição no Senado?
Não podemos fazer uma lei pensando se haverá mais parlamentares de direita ou de esquerda. O Congresso já sofre impeachment nas urnas ao fim de cada mandato. Se o eleitor está insatisfeito, troca. Precisamos, neste momento, em vez de aumentar a confusão, manter responsabilidade institucional. Cada Poder deve olhar para o outro mantendo distância, independência, mas responsabilidade.
A crise aberta pela decisão de Gilmar contamina a sabatina de Messias no Senado?
Não digo que contamina, mas não ajuda. Nos últimos dias, parece que tem gente querendo criar uma tempestade perfeita para atrapalhar um debate que deveria ser sereno. Mas, como eu disse, já “colocamos o pino de volta na granada”. Agora teremos tempo para construir o diálogo.
O senhor mantém a avaliação de que Messias não tem ainda 41 votos para ser aprovado? Há risco real de derrota?
Ele melhorou muito, avançou bem. Ainda não tenho números, mas houve evolução. Está cumprindo o papel, esclarecendo dúvidas e dialogado com senadores de oposição.
A irritação na Casa pela não indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao STF é o maior obstáculo?
O maior obstáculo é o momento político. Não há rejeição ao nome dele. Quem decide a pauta é o presidente da Casa, mas não tem condição de votar este ano.
O governo errou ao indicar Messias sem comunicar Alcolumbre antes?
Sim. O presidente Lula cumpriu seu papel constitucional. Mas, no momento político que estamos vivendo, faltou um pouco mais de cuidado. Porque também é dever do Senado analisar a indicação.
Alcolumbre está exercendo prerrogativas do Senado ou pressionando o governo?
O presidente Davi é um defensor da democracia e das instituições. O governo se viabilizou, e o presidente Lula caminha para a reeleição também graças à atuação do ex-presidente Pacheco e do presidente Alcolumbre, que ajudaram em matérias importantes e frearam eventuais abusos.
Por que todo esse desgaste entre governo e Senado?
Há um clima mais quente na classe política por conta de reclamações sobre excessos em investigações. Estamos às vésperas de uma eleição que, infelizmente, será de novo polarizada. E todos usam os instrumentos que podem para esticar a corda.
Correios enfrenta rombo de R$ 10 bilhões no ano e prejuízo estrutural.
Roubo covarde nas aposentadorias e pensões dos brasileiros.
Banco Master entrou em colapso com um rombo bilionário (estimativas variam de bilhões), resultando em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025, após investigações de fraude em CDBs e títulos “sujos”. A crise afetou milhões de clientes, fundos de previdência e gerou um dos maiores resgates da história do FGC.
As desgraças são tantas que a população está enojada desses “podres poderes”.
A REPÚBLICA PODRE
A República brasileira desde o golpe de 1889, deu início a sucessivos arranjos para acomodar cleptocracias que dominam o país.
Todos nós continuamos lutando diariamente contra esse estado de coisas horríveis, mas o centro da questão sempre será essa República.
SUGESTÃO LEGISLATIVA
A Sugestão Legislativa (SUG) 9/2024, originada do e-Cidadania, propõe um plebiscito em 2026 para decidir sobre a restauração da monarquia parlamentarista no Brasil. A ideia, de autoria popular, visa substituir o presidencialismo, considerado ineficiente e propenso à corrupção, por um sistema monárquico parlamentarista inspirado em modelos europeus.
MUDE
Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.
Nota: Trecho adaptado do poema pertencente a Edson Marques. A autoria do texto tem vindo a ser erroneamente atribuída a Clarice Lispector. Todavia, ainda existe controvérsia.
Curtinhas
PS.: Com mais de 6 bilhões de prejuízo, o fim dos Correios.
(Radialista Paulo Lopes)
PS. 02: Após viagem em jatinho, Toffoli passou do limite do suportável, diz Maierovitch.
PS. 03: “Não é porque uma coisa pode que ela é moral. Ela é completamente imoral”.
(Comentário de Malu Gaspar, na Globo News, sobre a viagem em jatinho, feita pelo ministro Toffoli)
PS. 04: “Depois de superar o golpismo, Brasil precisa enfrentar a falta de limites do Supremo”.
(Malu Gaspar, 27/11/2025)
Acordou?
PS. 05: O valor milionário do contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o enrolado Banco Master”.
(Malu Gaspar, 09/12/2025)
Caiu da cama?
SUPREMO SE DESMORALIZA COM DECISÃO DE TOFFOLI SOBRE O MASTER
Revelações sobre ministros afundam Supremo na crise do Master
Quando Dias Toffoli chamou para si o caso do Banco Master e decretou sigilo absoluto, muita gente em Brasília dormiu aliviada. Acreditou-se que a decisão era suficiente para conter as revelações que poderiam emergir do inquérito que estava na primeira instância.
De fato, ela fez parar tudo, das oitivas à abertura de novos inquéritos, assim como as perícias no material apreendido pela Polícia Federal no dia da prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, e dos outros alvos da Operação Compliance Zero.
A investigação que começou com a venda fraudulenta de créditos de R$ 12,2 bilhões do Master ao estatal BRB ameaçava se espraiar por outros ramos dos negócios de Vorcaro e seus parceiros da política, mas a decisão de Toffoli parecia ter levado os potenciais envolvidos a porto seguro.
Logo se viu que a blindagem tinha furos. Só que os primeiros atingidos não foram os suspeitos habituais do Congresso, e sim os próprios ministros do Supremo.
A revelação de que o próprio Toffoli viajou para o Peru com o advogado de um dos investigados no jato de um empresário amigo para assistir à final da Libertadores, horas antes de decretar o “sigilo master” sobre o processo, jogou por terra a pretensão de controlá-lo.
Dias depois, soubemos que Moraes também tinha muito a perder com o escrutínio sobre o Master.
Já era público que o escritório de sua mulher e de seus filhos, o Barci de Moraes Associados, tinha um contrato com o banco. O que não se conhecia era o valor: R$ 3,6 milhões ao mês por três anos, ou R$ 129,6 milhões ao todo.
O objeto da contratação é amplo. Prevê desde a defesa do banco e de seus controladores na Justiça até o “acompanhamento de projetos de lei de interesse” do Master no Senado e na Câmara Federal.
Que projetos são esses e que tipo de acompanhamento? Isso ainda é mistério, já que nem Moraes nem sua mulher, Viviane, se manifestaram até agora.
Mas não precisa ter carteira da OAB para saber que a remuneração está muito acima dos parâmetros de mercado, mesmo o das grandes estrelas da advocacia.
Os defensores de Toffoli, Moraes e Viviane dizem que não há regra que impeça ministros de viajar em jatos e que não é ilegal seus parentes prestarem serviços a clientes privados — é verdade, assim como também é fato que o próprio Supremo liberou seus magistrados para julgar processos de escritórios de seus parentes.
Se fosse um argumento aceitável, porém, já teria aparecido algum acólito de plantão para defendê-lo em público.
Antes, até havia quem dissesse que o sigilo de Toffoli era necessário para impedir vazamentos ou que o caso do Master poderia se transformar em Lava-Jato 2.0 e levar ao surgimento de novos outsiders como o ex-mito, na linha do “se investigar o Master, o fascismo volta”. Agora, até esse pessoal anda calado.
NO SUPREMO, O CONSTRANGIMENTO PELO QUE JÁ SE SABE SÓ NÃO É MAIOR QUE O PAVOR DO QUE AINDA PODE VIR À TONA. QUEM CONHECE BEM AS ENTRANHAS DO MASTER, RECONHECE QUE O ABALO PODE SER GIGANTE.
A nova esperança de Toffoli, Moraes e companhia é que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mantenha o processo com o Supremo, endosse o sigilo e ajude a dificultar o andamento da investigação.
Não é uma expectativa descabida, dado que Moraes foi um dos principais padrinhos da indicação de Gonet ao cargo. Com Gilmar, ambos formam uma trinca azeitada.
Mesmo que o caso venha a ser abafado pela PGR, porém, o estrago já está feito.
Os requintes de promiscuidade com o Master são o coroamento de uma degradação que vem de longe — e resulta da simbiose entre a onipotência alienada dos ministros e a conivência de amplos setores da sociedade.
O temor de Moraes e seu modus operandi faz com que muita gente prefira não dizer em público o que fala todo dia em Brasília, na Faria Lima, ou na Central do Brasil:
– O STF, FUNDAMENTAL PARA ASSEGURAR A ESTABLIDADE DEMOCRÁTICA E PROTEGER A CONSTITUIÇÃO, DESMORALIZOU A SI PRÓPRIO AO SE AFUNDAR NA GELEIA MORAL DOS CENTRÕES DA VIDA.
A escolha que os ministros têm diante de si, agora, não é entre matar ou não o inquérito do Master, e sim entre aceitar que não são intocáveis e devem satisfação ao público ou se preparar para um futuro descrito de forma bastante crua nesta semana pelo senador Alessandro Vieira na CPI do Crime Organizado:
— Este é um país que já teve presidente preso, já teve ministro preso, senador preso, deputado preso, prefeito, vereador, mas ainda não teve ministros de tribunais superiores. E me parece que esse momento se avizinha.
Pode parecer exagero, mas talvez seja melhor não pagar para ver.
Fonte: O Globo, Opinião, 11/12/2025 04h00 Por Malu Gaspar