No caso Master, o STF é suspeito, investigador, promotor e até juiz

Blindagem do Supremo. Charge de Marcelo Martinez para a newsletter desta  sexta-feira (5). #meio #charge #stf #blindagem

Charge do Marcelo Martinez (Arquivo Google)

Fabiano Lana
Estadão

Uma crítica recorrente direcionada ao Supremo Tribunal Federal (STF) desde a instauração dos chamados inquéritos das fake news, em 2019, é que a instituição havia se tornado vítima, investigadora, promotora e julgadora de uma mesma causa. As controvérsias seguem até hoje.

Mas, no caso, era possível defender a utilidade do processo, por desbaratar uma tentativa de golpe de Estado comandada por Jair Bolsonaro, agora preso.

ACIMA DAS LEIS – Houve reparação, entretanto, no sentido de o STF não poder se dar ao direito de passar por cima das leis para “salvar a democracia”, com direito a censuras, sigilos injustificados e outras medidas controversas.

Logo, se a democracia de fato foi salva, teríamos chegado ao que se chama na filosofia de “aporia” – um conflito de ideias intransponíveis.

Ou seja, para fazer sobreviver o império das leis, foi necessário quebrar as leis. De qualquer maneira, mesmo com os suspeitos já condenados, o tal inquérito polêmico e controverso, presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, segue aberto como uma espada de Dâmocles.

FRAUDE BILIONÁRIA – No caso Master, banco liquidado pelo Banco Central, por fraude bilionária, o Supremo escala mais um degrau de heterodoxia. É investigador, promotor, julgador e, infelizmente, até mesmo suspeito.

O caso está com o ministro Dias Toffoli, em segredo de Justiça, por decisão do próprio – após uma estranha viagem de jatinho com um advogado de diretor do banco para uma partida de futebol do exterior.

Mas, a não ser que os ministros tivessem investimentos milionários no banco, acima de R$ 250 mil, não se pode dizer que sejam vítimas – o que é uma diferença para o caso das fake news.

SUPERCONTRATO – A situação, na verdade, é mais desafiadora. Não se sabe em que nível, mas o que temos agora é a revelação de que Alexandre de Moraes se beneficiava diretamente de um contrato do escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci de Moraes, de R$ 3,6 milhões por mês, com o banco quebrado, sem que ainda saibamos qual seria o serviço prestado.

Ainda pesa contra o ministro Moraes a suspeita de ter pressionado autoridades públicas, entre elas o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para que o banco fosse salvo, em uma operação que envolveria o banco BRB, do governo de Brasília.

A situação já estava em um constrangimento em grau máximo quando Dias Toffoli determinou a acareação entre o dono do banco Master, o ex-presidente do BRB e o diretor de fiscalização do Banco Central, em plena véspera de feriado do ano-novo! Seria demais achar que tudo isso, no final das contas, soa como coação? Ou é ir longe demais?

META DE TOFFOLI – Álvaro Gribel, colunista do Estadão, revela que um dos objetivos de Toffoli é anular a liquidação do Master. Como temos uma militância cega e ideologicamente e capaz de tudo, esperem para ver uma turma a defender com ardor e agressividade um banqueiro acusado de crimes contra seus clientes.

Os militantes de esquerda, inclusive, têm achado tudo isso bastante normal e passaram a agredir qualquer um que divulgue esses fatos. Exigem provas, documentos, o fim do anonimato das fontes.

Comparam com os excessos da Lava-Jato (que, ironicamente, se desmoralizou pelos abusos dos juízes e promotores e não com a divulgação dos crimes).

WATERGATE – Uma questão histórica: o ex-presidente norte-americano Richard Nixon deve se lamentar no túmulo por renunciar à presidência após um escândalo divulgado por anônimos como fontes – o caso Watergate, como lembrou o jornalista Glenn Greenwald.

É considerado o maior caso do jornalismo mundial e as acusações se revelaram verdadeiras somente anos depois.

6 thoughts on “No caso Master, o STF é suspeito, investigador, promotor e até juiz

  1. Triste fim de um bolsonarista de carteirinha

    Silvinei Vasques aproveitou a bruma natalina para dar no pé. Condenado a 24 anos de prisão, o ex-diretor da PRF dispensou o peru e as rabanadas. Deu uma banana para a Justiça, quebrou a tornozeleira eletrônica e fugiu do país.

    Foi interceptado no Paraguai, onde tentava embarcar num avião para El Salvador.

    Bolsonarista de carteirinha, o fujão foi sentenciado por outro episódio vergonhoso: a montagem de bloqueios policiais para impedir eleitores pobres de votar em 2022.

    As investigações comprovaram a trama em detalhes. A poucos dias da votação, Silvinei reuniu subordinados e informou que era chegada a hora de a PRF “tomar lado” na corrida presidencial. Ele já havia dado o mau exemplo ao participar de motociatas e usar a farda para fazer campanha pelo capitão.

    Capturada pelo bolsonarismo, a polícia planejou uma operação para tumultuar as rodovias e inflar a abstenção no segundo turno. O objetivo era dificultar o acesso às urnas em locais onde Barba tendia a receber mais votos, especialmente no Nordeste. Para isso, foi usado um relatório de inteligência com base em dados da Justiça Eleitoral.

    Na véspera da votação, o TSE proibiu as barreiras. Mesmo assim, a PRF foi mobilizada para segurar ônibus e vans, a pretexto de fiscalizar pneus carecas e faróis queimados. Até um senador foi parado numa blitz ilegal. A operação só foi suspensa depois que Moraes ameaçou dar voz de prisão a Silvinei.

    Nos últimos dias do governo Bolsonaro, antecipou a aposentadoria para não responder a sindicâncias no novo governo. Calçou os chinelos aos 47 anos, com salário integral. Preso em agosto de 2023, reclamou da comida da Papuda e se disse “deprimido”. Mais tarde, tentaria se apresentar como vítima de uma “tempestade midiática”.

    O ex-diretor da PRF nunca admitiu seus crimes. Embora jamais tenha se empenhado para escondê-los. Ao julgá-lo, o ministro Flávio Dino identificou a prática do “exibicionismo do malfeito”. “Tudo (foi feito) à luz do dia. Como se houvesse orgulho da ilicitude”, observou.

    O ex-chefe da PRF ainda imitou o ex-mito ao investir contra a tornozeleira. Terminou preso com passaporte falso no aeroporto de Assunção.

    A investigação deve esclarecer como o golpista saiu do Brasil e se ele teve cúmplices na empreitada. Também seria interessante saber por que ele escolheu El Salvador como destino. O país de Nayib Bukele virou fetiche da ultradireita.

    Tem atraído parlamentares e pré-candidatos ansiosos para gravar vídeos de propaganda em frente a um megapresídio. No caso de Silvinei, o turismo carcerário terá que ficar para depois. O bolsonarista da PRF foi parado na blitz.

    Fonte: O Globo, Opinião, 28/12/2025 00h00 Por Bernardo Mello Franco

  2. Toffoli não deveria avocar a Liquidação do Banco Master para seu gabinete, porque o deputado federal com prerrogativa de foro não concluiu a transação imobiliária com o dono do Master, o corrupto Vorcaro.

    Toffoli sabe disso. Portanto, prevaricou porque não se considerou suspeito para julgar após ir de carona para Lima assistir o jogo do Palmeiras, no avião de um diretor do Master.
    Esse caso envolve um Obscuro Objeto do Desejo, filme de Luis Bunhel.

  3. Se construirmos uma casa com alicerces frágeis um dia o tempo mostrará sua ação. O atual stf é um exemplo disso, um ministro que roubou processos, um que está envolvido com o golpe de respiradores, outro por ter resolvido o caso da esposa de umez-presidente, um que era advogado do mst, o que podemos esperar.

  4. O STF de hoje representa décadas de corrupção extrema.

    De engodo.

    É de amplo e elevado interesse público tudo o que envolve esse FAVORCARO.

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