
“Hermanos” são mais críticos quanto ao futuro do país
Luciana Taddeo
CNN
Os brasileiros avaliam mais positivamente o ano de 2025 e estão mais otimistas com o ano que vem do que os argentinos. A população do país vizinho, por sua vez, mostra maior orgulho
As conclusões são de uma pesquisa divulgada no último sábado (27) pelo instituto argentino Opinaia, que faz pela primeira vez um Balanço Integral do Ano no Brasil e na Argentina, comparando os resultados obtidos nos dois países.
BALANÇO – As expectativas positivas dos argentinos em relação ao seu país são de 63%, enquanto as dos brasileiros chegam a 78%. Quando o questionamento é acerca de expectativas pessoais, as argentinas são de 57%, quando as brasileiras atingem 80%. Quanto ao ano de 2025, o Brasil mostra um balanço mais positivo do que a Argentina em quase todos os indicadores (que passa da percepção dos argentinos acerca do seu descanso, lazer e saúde à economia pessoal e do país).
“No Brasil predomina um olhar mais afirmativo e otimista sobre a experiência cotidiana, enquanto na Argentina emerge uma atitude mais crítica e exigente. Estas diferenças não só expressam situações objetivas, mas também modos diferentes de processar e avaliar a experiência social do ano”, conclui o estudo.
MAIS POSITIVO – À CNN Brasil, o sociólogo e diretor do instituto Opinaia Valentín Nabel explica que nas pesquisas de mercado e consumo, o brasileiro tende a dar respostas mais positivas do que os argentinos. “O argentino é mais crítico por natureza em qualquer tema, e o brasileiro é mais positivo, tem a cultura do ‘tudo bem’. Isso se reflete nas pesquisas”, explica.
Ele ressalta, no entanto, que a diferença da avaliação positiva entre os níveis socioeconômicos alto e baixo do Brasil é muito maior do que na Argentina. Enquanto no Brasil o balanço positivo do ano nas classes mais altas chega a 66,9%, nos setores mais baixos é de 53,4%, uma diferença de 13,5%. Já na Argentina, a avaliação positiva é de 48% nos níveis socioeconômicos mais altos e de 43,9% nos mais baixos: uma brecha de somente 4,1%.
Apesar do olhar mais crítico acerca da situação do país e da própria realidade, os argentinos expressam mais orgulho da sua nacionalidade do que os brasileiros, segundo a pesquisa.
ORGULHO – Perguntados se se sentem orgulhosos de ser argentinos, 50% dizem ser “muito orgulhosos” e 31% dizem ser “bastante orgulhosos”. Já 32% dos brasileiros dizem ser “muito orgulhosos” da sua nacionalidade, e 34% dizem ser “bastante orgulhosos”.
Quando a pergunta é sobre a possibilidade de se mudar ou emigrar para o exterior, 64% dos brasileiros respondem que sim, contra 52% respostas positivas dos argentinos. “Há um desejo grande de brasileiros de sair do país, é uma aspiração mais brasileira do que argentina ir para os Estados Unidos”, diz Nabel.
MUDANÇAS – Segundo ele, no entanto, a expressão do desejo de emigração varia de acordo com a situação do país. “Quando a Argentina está em um momento ruim, todos querem ir embora. Agora tem uma sensação de que [o presidente] Javier Milei veio fazer mudanças profundas e que o país está sendo arrumado. Então há esperança e todo mundo quer ficar”, explica.
Os destinos mais citados pelos brasileiros para a emigração foram Europa e EUA, com 22% das respostas para cada, e 36% disseram que não mudariam de país. Já entre os argentinos, 20% responderam que iriam para a Europa, 10% afirmaram que iriam para os EUA e 48% disseram que não deixariam seu país.
Salve 2026! Feliz e Próspero Ano Novo, com Saúde e Paz, a todos da TI.
Abraços.