Planalto festejará o 8 de Janeiro com defesa da democracia e veto à Lei da Dosimetria

Evento fará defesa da democracia e das instituições

Victoria Azevedo
Sérgio Roxo
O Globo

O governo Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma cerimônia para marcar os três anos dos ataques golpistas do 8 de Janeiro, e aliados defendem que o presidente não use a solenidade para vetar projeto de lei da dosimetria na presença dos chefes do Legislativo.

O gesto é considerado como uma tendência no Palácio do Planalto, mas parte dos auxiliares quer evitar um novo episódio de tensionamento com o Congresso. A proposta de redução de penas, aprovada pelo Parlamento nos últimos dias de trabalho de 2025, beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos na trama golpista.

DEFESA DA DEMOCRACIA – A ideia da cerimônia é fazer uma defesa da democracia e das instituições brasileiras, três anos após a invasão das sedes dos três Poderes em Brasília, em 2023, e reforçar que o que ocorreu não pode cair no esquecimento. Além disso, aliados do presidente dizem que o ato ganha nova dimensão diante da conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da trama golpista, que levou Bolsonaro e auxiliares dele à prisão.

No Legislativo, a base do governo se divide sobre a decisão de vetar o projeto na cerimônia de quinta-feira — o petista tem até o dia 12 deste mês para fazê-lo. Ele já decidiu que irá barrar a matéria e demonstrou a aliados a intenção de que isso poderia ocorrer no dia 8.

RELAÇÃO ENTRE PODERES –  Um auxiliar de Lula diz que a vontade do presidente prevalecerá, mas defende que isso não aconteça durante a cerimônia, para evitar qualquer atrito com representantes dos demais Poderes, sobretudo num momento em que o Planalto trabalha para distensionar a relação com o Legislativo.

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); e do STF, Edson Fachin, foram convidados para o ato institucional, mas ainda não confirmaram presença. Outro interlocutor frequente do presidente da República, no entanto, minimiza eventual tensionamento na relação com os chefes do Legislativo e diz que já está precificado no Congresso qual será o posicionamento de Lula.

SIMBOLISMO – Na visão dele, não haverá, portanto, desconforto. Pelo contrário, ele diz que seria importante que isso ocorresse na data de 8 de janeiro, dando maior peso e simbolismo à decisão. Um terceiro auxiliar do petista diz que a palavra final sobre a oficialização do veto deverá ser debatida em reuniões com o presidente hoje, quando ele retorna a Brasília, e amanhã.

O Planalto também convocou ministros do governo para participar da cerimônia. Além do ato, está prevista uma atividade do lado de fora do Palácio do Planalto, com a participação de representantes da sociedade civil e de movimentos sociais. Segundo pessoas que estão participando da organização, a expectativa é que o presidente desça a rampa do palácio ao fim do evento para se juntar ao público.

VENEZUELA –  Já o PT convocou atos por todo o país no dia 8 em defesa da democracia e da soberania brasileira. Um dos motes é mobilização contrária ao projeto de lei da dosimetria. Diante da invasão da Venezuela pelos Estados Unidos que levou à captura do ditador Nicolás Maduro, no sábado, representantes da executiva do partido de Lula também defendem incorporar a defesa da soberania da América Latina nessas manifestações.

— A cerimônia tem esse duplo significado: a defesa da democracia e da soberania. E o que vale para o Brasil vale para a América Latina. O ato ganha um simbolismo muito grande num momento em que acontece o que aconteceu na Venezuela. O ato tomou essa nova conotação — diz o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

FOCO – O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirma que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques na Venezuela e serão “complementares” na cerimônia na quinta, mas reforça que o foco é a defesa da democracia brasileira.

— O centro do ato de 8 de janeiro é a defesa da democracia e a condenação do golpismo. É o primeiro 8/1 após a condenação e a prisão dos criminosos golpistas. Agora, é evidente que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques dos EUA e serão complementares no ato. O Brasil defende democracia com soberania nacional. E essa defesa estará presente no ato do 8/1 — diz Boulos.

6 thoughts on “Planalto festejará o 8 de Janeiro com defesa da democracia e veto à Lei da Dosimetria

  1. Os bolsonaristas vivem um momento dramático

    É impressionante a derrocada que causou, entre eles, o indiciamento, julgamento, condenação e prisão do do ex-mito.

    O impacto está nas ruas. Bolsonaristas, à exceção dos bolsotários, continuam falando mal de Barba e seu governo, mas sem mencionar o nome do ex-mito na conversa.

    E gente da indústria e agronegócio também excluiu o ex-mito de suas conversas, depois do odioso tarifaço de 50%, que foi imposto sobre a exportação de seus produtos e saudado pela grei dos bolsonaros.

  2. Os bolsonaristas vivem um momento dramático

    É impressionante a derrocada que causou, entre os bolsonaristas, o indiciamento, julgamento, condenação e prisão do ex-mito.

    O impacto está nas ruas. Bolsonaristas, à exceção de bolsotários, continuam falando mal de Barba e seu governo, mas sem mencionar o nome do ex-mito num papo de meia hora.

    E gente da indústria e agronegócio também excluiu o ex-mito de suas conversas, depois do odioso tarifaço de 50%, que foi imposto sobre a exportação de seus produtos e saudado pela grei ‘traidora’ dos bolsonaros.

    Falar do Rachadinha, menos ainda. Nem entre os abduzidos do Malafalha.

  3. Vermelhos, raivosos se vingam e não anistiam incautos e njustiçados patriotas feitos “bois de piranhas” em destrambelhados nazi/fascista/comunistas “Eventos de Falsas Bandeiras”, transferidor de responsabilidades, para
    “temer-osamente”, Estancar Sangrias, incluimdo bancárias, conforme:
    “Os mi$$ionário$”!
    https://www.facebook.com/share/v/1G4D9MjezK

  4. Moraes manda Malafaia se explicar por chamar Alto Comando do Exército de frouxo

    Alexandre de Moraes deu um prazo de 15 dias para que o pastor Silas Malafaia apresente sua defesa em uma ação penal na qual é acusado dos crimes de calúnia e injúria contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva.

    A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. O caso tem origem em uma representação do general Tomás Paiva contra o pastor.

    Gonet argumenta que, durante manifestação na Av. Paulista em abril do ano passado, Malafaia ofendeu a dignidade e o decoro do comandante e do Alto Comando do Exército.

    O ato havia sido convocado pelo ex-mito, hoje preso.

    Em seu discurso, Malafaia declarou: “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem”.

    O procurador-geral sustenta que a fala imputou falsamente o crime de prevaricação aos generais e ofendeu especificamente o comandante Tomás Paiva.

    (…)

    Fonte: Folha de S. Paulo, Política, 7.jan.2026 às 4h00 Por Carolina Linhares

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