
Campo conservador entra o ano refém de suas fissuras
Marcelo Copelli
Revista Fórum
A direita brasileira chega a 2026 como um campo político que perdeu o centro de gravidade. Não por falta de nomes ou ausência de movimento, mas por excesso de incertezas e ausência de direção.
O que se vê é um conjunto de forças que fala em reconstrução enquanto permanece aprisionado às disputas e indefinições internas, incapaz de produzir uma síntese minimamente convincente sobre o futuro. Esse campo político se fragmentou — e ainda não encontrou um discurso capaz de se recompor como tal.
LONGO PROCESSO – Esse cenário não se explica apenas por uma conjuntura eleitoral desfavorável. Ele é resultado de um processo mais longo, iniciado quando o bolsonarismo, enquanto fenômeno político, passou a depender menos de um projeto nacional e mais da ocupação permanente do poder.
Quando o Estado deixou de ser o eixo organizador, as contradições vieram à tona. Fora da máquina, sem o aparato institucional e sem a retórica da guerra permanente contra inimigos difusos, a direita revelou sua fragilidade estrutural. Hoje, o campo conservador se movimenta em círculos.
Há reuniões, articulações, declarações públicas e pré-candidaturas anunciadas. Mas tudo isso ocorre em um ambiente de hesitação. Falta entusiasmo real, falta adesão orgânica e, sobretudo, falta consenso mínimo.
TERMÔMETRO – A direita fala para si mesma enquanto observa, com desconfiança, o próprio espelho. O comportamento do Centrão é talvez o termômetro mais preciso desse momento. Historicamente pragmático, esse bloco político evita compromissos antecipados quando não enxerga uma aposta segura. Até aqui, mantém distância. Não há alinhamento automático, não há mobilização espontânea, não há sinais de que enxergue na atual configuração da direita um projeto eleitoral sólido.
O Centrão não se move por identidade, mas por viabilidade. E, no momento, o que vê é um campo fragmentado, mais conflituoso do que competitivo. No núcleo dessa desorientação está o bolsonarismo, agora mais como herança problemática do que como força organizadora.
A família Bolsonaro, que já foi o centro irradiador do campo conservador, tornou-se também seu principal fator de instabilidade. A insistência em manter o protagonismo político dentro de um círculo familiar revela uma dificuldade profunda de transição.
REFÉM – O movimento que se apresentou como antissistêmico acabou refém de uma lógica personalista, incapaz de produzir lideranças autônomas e consensuais. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro se insere nesse contexto. Não surge como resposta a um clamor social ou a uma agenda programática clara, mas como tentativa de preservar espaço político em meio à fragmentação.
Sua movimentação não empolga setores estratégicos, não unifica a base conservadora e tampouco resolve as tensões internas. Funciona mais como gesto defensivo do que como afirmação de projeto. É um nome que circula, mas não galvaniza.
Paralelamente, Michelle Bolsonaro permanece como uma variável inquietante no tabuleiro da direita. Sua força política não decorre da experiência institucional, mas de sua capacidade de mobilizar afetos, sobretudo entre segmentos evangélicos e o núcleo mais fiel ao bolsonarismo. Sua presença constante no debate público, combinada com a ausência de definições claras, gera instabilidade.
AMBIGUIDADE – A ex-primeira-dama não se coloca explicitamente como candidata, mas tampouco se afasta da disputa simbólica. Essa ambiguidade corrói qualquer tentativa de hierarquização interna e aprofunda a sensação de competição permanente dentro do próprio campo.
Enquanto isso, a direita observa, com desconforto, a figura de Tarcísio de Freitas. Governador de São Paulo, com perfil técnico, bom trânsito no mercado, aceitação entre empresários e reconhecimento internacional, Tarcísio representa uma possibilidade concreta de reorganização conservadora em bases menos conflituosas. Mas é justamente essa autonomia que o torna um problema para o bolsonarismo mais ideológico.
Ele simboliza a hipótese de uma direita pós-bolsonarista — algo que parte significativa da base ainda resiste em aceitar. O resultado é um paradoxo revelador: Tarcísio é frequentemente citado como alternativa viável, mas raramente recebe o apoio explícito necessário para se consolidar nacionalmente. É mantido em suspensão, elogiado em público e sabotado em silêncio. Forte demais para ser descartado, independente demais para ser plenamente abraçado.
IMPASSE – Essa hesitação traduz o impasse central da direita brasileira: como avançar sem romper com o passado que ainda organiza parte de sua identidade? Ao redor desses nomes gravitam outras correntes: liberais ortodoxos focados exclusivamente na agenda econômica, conservadores morais que insistem em pautas de costumes como eixo central da política, lideranças religiosas em busca de maior protagonismo institucional, militares da reserva que ainda flertam com a ideia de tutela sobre a democracia.
Cada grupo fala para seu público específico, reforça sua própria narrativa e disputa espaço interno. Falta, porém, um projeto que consiga articular essas forças em torno de um horizonte comum. A ciência política contemporânea aponta que movimentos conservadores sustentados por lideranças carismáticas e discursos de negação institucional tendem a enfrentar grandes dificuldades quando perdem o poder.
Sua coesão depende mais da figura do líder e da ocupação do Estado do que de um programa estruturado. No Brasil, esse padrão se repete, agravado por um passado recente marcado por ataques às instituições, isolamento internacional e crises mal administradas. Parte da direita tenta se desvincular desse legado; outra se recusa a enfrentá-lo.
SEM BÚSSOLA – Essa disputa sobre a memória recente paralisa o debate sobre o futuro. O resultado é um campo político que reage mais do que propõe, que vive de símbolos, mas evita programas, que se ancora em lealdades pessoais em vez de ideias estruturantes. O diagnóstico atual é claro: a direita brasileira chega a 2026 sem bússola. Oscila entre radicalizar ou moderar, entre preservar o passado ou superá-lo, entre identidade e viabilidade eleitoral. Enquanto não resolver essas contradições, seguirá girando em torno de si mesma, disputando narrativas internas e perdendo capacidade de dialogar com o país real.
Mais do que uma crise eleitoral, trata-se de uma crise de projeto. Diante de um país complexo e desigual, a direita brasileira prefere a nostalgia do poder à formulação de um projeto capaz de dialogar com a realidade social. Presa a essa opção, permanece fragmentada, inquieta e sem rumo. Na política real, a ausência de projeto cobra seu preço. E a direita brasileira, hoje, parece não saber para onde ir.
Projeto tem a esquerda, estão roubando desde 2003 e a cada ano se aprimoram cada vez mais
O norte desse pessoal dito da tal direita é o ” Poder pelo poder ” puro e simples , com a garantia perene d impunidade por seus crimes de ” lesa-pátria ” cometidos contra o país , sem nenhum compromisso com o Brasil e seu povo .
A direita sem bússula, pois roubads pela esquerda, cujo NORTE é desvairada corrupção.
Elon Musk, o vigia, do espaço observa!
Se a “Direita” não tem bússola
A “Esquerda” está mais perdida do que ladrão de armazém na Avenida Rio de Janeiro.
Na pauta de costumes, votam sempre contra a família, contra as pessoas de bem, contra quem trabalha e produz, ampliando sempre a carga tributária. Em resumo, roubam com a mão esquerda.
Na economia, votam sempre a favor de banqueiros, contra a previdência, contra trabalhadores de novo, beneficiando os grandes e confiscando os pequenos, esmagando com juros estratosféricos que só enriquecem os Favorcaros da vida, que, ainda por cima, desviam tudo para o patrimonio pessoal e dão calote em todo mundo. Roubam com a mão direita também.
Lula e Moraes são de esquerda?
Um Congresso que só aumenta carga tributária e chancela toda a roubalheira e gastança é de direita?
São todos sinistros e ambidestros de uma só facção.
Muito pior do que PCC e CV.
Porque são muito mais poderosos, intocáveis e não vão para as celas de bandidos comuns.