Em nome do Supremo, Fachin ameaça a imprensa, a Polícia Federal e o BC

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Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Mario Sabino
Metrópoles

Despertou grande interesse antropológico em mim a nota do ministro Edson Fachin, presidente do STF, em defesa da atuação de Dias Toffoli no caso do Banco Master. Mais precisamente, a sua parte final, na qual ele diz o seguinte:

“É induvidoso que todos se submetem à lei, inclusive a própria Corte Constitucional; nada obstante, é preciso afirmar com clareza: o Supremo Tribunal Federal não se curva a ameaças ou intimidações. Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito. O Supremo age por mandato constitucional, e nenhuma pressão política, corporativa ou midiática pode revogar esse papel. Defender o STF é defender as regras do jogo democrático e evitar que a força bruta substitua o direito. A crítica é legítima e mesmo necessária. Não obstante, a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça.

O Supremo fez muito no Brasil em defesa do Estado de direito democrático; fará ainda mais. Sim, todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, isso sempre, mas jamais destruídas. Quem almeja substituir a ousada pedagogia da prudência pelo irresponsável primitivismo da pancada errou de endereço.

Transparência, ética, credibilidade e respeitabilidade faz bem ao Estado de direito. Este deve ser compromisso de todos nós democratas.”

AMEAÇA À IMPRENSA –  Se bem entendi, o presidente do STF, um democrata de quatro costados, quis dizer que aqueles que ousam apontar o descalabro das decisões de Toffoli e investigam as suas ligações financeiras com o Master de Daniel Vorcaro estão ameaçando o tribunal e, portanto, a democracia.

Eu pensava que era exatamente o contrário: que estávamos fortalecendo o STF, o Estado de direito e o sistema democrático, ao tentar depurá-los. Achava até que ajudávamos Fachin na sua cruzada por um código de conduta para os integrantes do tribunal.

A minha percepção estava errada: para Fachin e os seus colegas, toda crítica a atitudes de um integrante do tribunal, ou revelação de fatos sobre ele, é “irresponsável primitivismo da pancada”, tentativa de “desmoralizar o STF para corroer a sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional”.

TOMEM CUIDADO – Imprensa, Polícia Federal e Banco Central que tomem cuidado, visto que “a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça”.

Soa como intimidação e é intimidação, visto que o tribunal mantém um inquérito sigiloso, aberto de ofício por Dias Toffoli, em 2019, direcionado contra qualquer um que o seu relator, o implacável Alexandre de Moraes, escolhido a dedo por quem abriu o inquérito, julgue ser inimigo do STF.

Com a sua nota que recende a corporativismo, Fachin e os seus colegas jogam na vala comum do bolsonarismo aloprado os repórteres investigativos, articulistas, editorialistas, organismos de fiscalização e controle do mercado financeiro e de combate ao crime. Muito conveniente, sem dúvida.

VALOR DE FACE – As linhas divulgadas quinta-feira pelo presidente do STF devem ser lidas pelo seu valor de face: são mostra de que vivemos mesmo em outro tempo difícil, a história está cheia deles, do manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Talvez eu não tenha juízo, porque, nesta incontornável função jornalística, entre Fachin e Rui Barbosa, ainda fico com o segundo, que escreveu há mais de século:

“A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça.

5 thoughts on “Em nome do Supremo, Fachin ameaça a imprensa, a Polícia Federal e o BC

  1. Nota de Fachin chancela irregularidades de Toffoli

    A nota do presidente do STF, ministro Edson Fachin é corporativista, saiu não sei se da própria vontade dele, ou de uma pressão interna irresistível.

    O que ele fez foi chancelar várias irregularidades cometidas pelo ministro Dias Toffoli, que estão sendo demonstradas diariamente.

    Não é perseguição; Toffoli é que não podia ter participado de negociação com resort de luxo, não podia ter negócios fora do que está registrado em cartório – os irmãos dele têm o que parece ser uma empresa fantasma.

    Uma questão como essa só se resolve cortando na própria pele, e isto não vai acontecer, porque a maioria não está disposta a rever decisões tomadas e querem manter o poder, que é estar acima de todas as leis.

    E nenhum órgão do país que pode julgar os ministros do STF. Só o Senado e numa esfera definitiva, que é o impeachment.

    O Papel da Imprensa

    Fachin está tendo uma posição equivocada, porque o papel da imprensa é este mesmo: denunciar e vigiar os governos, ver e apontar os erros. Não se pode fazer isso de maneira que não se possa provar, ou sem respeitar a privacidade das pessoas; não se pode cometer injuria ou difamação, mas os fatos, como contrato de trabalho da mulher de Moraes e contratos do resort no Paraná, que foi dos irmãos do ministro Toffoli são fatos que precisam ser apontados e denunciados. Isso só ajuda a democracia e o país. Escondê-los prejudica.

    Fonte: O Globo, Opinião, 23/01/2026 13h54 Por Merval Pereira

    https://oglobo.globo.com/blogs/merval-pereira/post/2026/01/nota-de-fachin-chancela-irregularidades-de-toffoli.ghtml

  2. “A Lava Jato não acabou por um “erro”. Acabou por processo. Um processo com método, etapas e divisão de tarefas. Quem prestou atenção conhece o roteiro:

    1. Mudança do enquadramento moral
    A corrupção deixou de ser o problema. O problema passou a ser “o combate à corrupção”. Investigadores viraram suspeitos; investigados, vítimas.

    2. Criminalização do método, não do crime
    O foco saiu dos fatos e foi para vícios formais: ritos, competências, interpretações retroativas, conversas fora do script.

    3. Nulidades seletivas
    Teses jurídicas feitas sob medida para certos réus, aplicadas de forma extensiva e para trás. A exceção virou regra.

    4. Reescrita do jogo com a bola rolando
    Entendimentos consolidados mudaram depois das condenações. O válido virou inválido — só retroativamente.

    5. Desmoralização da primeira instância
    Ataque sistemático a juízes e procuradores. Narrativas de vaidade, abuso e “protagonismo político”.

    6. Esvaziamento da força-tarefa
    Cortes de orçamento, desmonte de estruturas, dispersão de equipes, perda de autonomia.

    7. Centralização decisória no topo
    Decisões sensíveis concentradas em poucos gabinetes, reduzindo previsibilidade e ampliando discricionariedade.

    8. Anulações em cascata
    Uma decisão virou gatilho para desmontar dezenas de processos, independentemente das provas.

    9. Deslegitimação da delação premiada
    Mantida no discurso, enfraquecida na prática. Investigações complexas ficaram inviáveis.

    10. Pressão institucional contínua
    Corregedorias, representações, ameaças veladas. Investigar virou atividade de risco permanente.

    11. Silêncio corporativo estratégico
    Quem deveria reagir preferiu não comprar a briga. O custo ficou alto demais.

    12. Normalização do desmonte
    Cada passo vendido como técnico e isolado. O conjunto só aparece para quem junta os pontos.

    Não foi implosão, foi por asfixia. Com engenharia, sem improviso e com a mídia cumprindo papel central. Quem viu acontecer uma vez reconhece o roteiro quando ele reaparece. Não é coincidência, é método. Agora, com o Banco Master.

    Se você ainda não percebeu, tá na hora de acordar.”
    https://www.facebook.com/share/1C8rwfSBky/

  3. Lamentável. Nota explícita de corporativismo.
    O Judiciário e o Congresso dão exemplos claros de blindagem e corporativismo.
    O Centrão está envolvido até o pescoço no Banco Master.
    O cunhado de Vorcaro repassou rios de dinheiro para Flávio Bolsonaro e Tarcísio
    Por isso, nenhum dos dois dão uma palavra sobre o escândalo.
    Flávio Bolsonaro está caladinho como passarinho na muda, ele e Ciro Nogueira.
    Hugo Motta e Davi Alcolumbre também estão na pressão pelo sigilo das investigações.
    Arthur Lira, deputado federal e ex – presidente da Câmara e Jhonatan de Jesus, ministro do TCU, também na defesa de Vorcaro e o Banco Master.
    Esse ministro do TCU, o Tribunal do Faz de Contas, quiz inspecionar o Banco Central na esperança de encontrar um furo para melar a Liquidação.

    Brasil no rumo do fundo do poço. Esse escândalo do Banco Master é 100 vezes pior do que a Lava Jato.
    E o xerife da Lava Jato, senador Sergio Moro não dá um pio. Como decaiu o Moro. Só pensa na campanha para governador do Paraná. Pelo jeito desistiu de ser ministro do STF, que era seu grande sonho.

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