Acareação do Caso Master foi uma encenação com “roteiro” combinado

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  1. Negócio nada ecumênico entre padre e pastor expõem os tentáculos do Banco Master

    A confusa relação do padre José Carlos Toffoli, agora cônego, com o pastor Fabiano Zettel, empresário, não é exatamente ecumênica, após o padre e seu irmão venderem para o pastor metade da participação de ambos, que totalizava R$ 6,6 milhões, num resort de super luxo.

    É tudo estranho, intrigante, mas confirma o principal: o poder de alcance de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

    Vorcaro, empresário e “banqueiro liquidado”, vai tomando a forma de um imenso polvo, com tentáculos por todas as instâncias de poder, seja público ou privado, ateu ou religioso, deixando um rastro de biografias arrasadas, tornozeleiras vergonhosas, instituições arranhadas e dúvidas sobre personagens que deveriam se comportar acima de qualquer suspeita.

    O pastor Zettel é cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Já o “padre Carlão” é irmão do ministro do STF Dias Toffoli e do engenheiro Eugênio Toffoli, seu sócio, oficialmente, em resorts de super luxo que não condizem em nada com o desapego de padres e cônegos nem com a residência de classe média do engenheiro. (…)

    Além de Toffoli, que assumiu a relatoria justamente do caso Master, o maior escândalo financeiro do País, e saiu dificultando as investigações, o Supremo fica numa situação constrangedora também pelas relações familiares do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro. Um contrato de advocacia de R$ 129 milhões não é pouca coisa…

    Os tentáculos do polvo Vorcaro chegam ao Congresso, onde o deputado Hugo Motta, atual presidente da Câmara, apresentou uma emenda fantástica, obrigando que seguradoras e empresas de previdência privada invistam algo em torno de R$ 9 bilhões em créditos de carbono.

    O que uma coisa tem a ver com a outra, ninguém sabe. Mas… o empresário Henrique Vorcaro, pai do polvo, mergulhou nesse negócio. Algo a ver?

    No TCU, causa estranheza a insistência como o ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado do Centrão, quis inverter o jogo – e as investigações. Seu alvo não era o Master, era o BC. Será que ele pretendia anular a liquidação do banco de Vorcaro? É o que dez entre dez investigadores imaginam.

    Em outra dessas “coincidências” da vida, a campanha de “influencers” que receberam fortunas para proteger o Master e acusar o BC vai na mesma linha e no mesmo tom, foco e tempo dos movimentos do ministro Jesus, que também não parecem tão religiosos.

    E os tentáculos continuam, com as suspeitas de que o governador Ibaneis Rocha tenha acertado com Vorcaro que o BRB, o banco estatal de Brasília, despejasse bilhões na compra de títulos podres de um banco privado, e de que o empresário Nelson Tanure seja “sócio oculto” do Master.

    Sem contar a aplicação de quase R$ 1 bilhão do RioPrevidência, o fundo de previdência dos funcionários do Estado do Rio, num banco já bichado. E pode haver casos em outros estados…

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 24/01/2026 | 20h00 Por Eliane Cantanhêde

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