Nem Malafaia suporta Flávio, e a direita evangélica resiste ao herdeiro Bolsonaro

8 thoughts on “Nem Malafaia suporta Flávio, e a direita evangélica resiste ao herdeiro Bolsonaro

  1. A política e os mercadores da fé

    As próximas eleições, ao que tudo indica, serão decididas a favor do candidato – ou candidatos – que conseguir enganar melhor a sociedade, principalmente sob o aspecto messiânico-emocional, ou seja, convencer o devoto desamparado, vulgo eleitor, que está diante do novo pai (celestial ou não).

    Barba sempre se postou como o salvador, não da pátria e da família como faz outro embusteiro conhecido, mas dos pobres e oprimidos pelos “malvados empresários e banqueiros gananciosos” – amigos históricos do próprio chefão do PT, que os demoniza em público, mas deles se serve no privado.

    Populismo, demagogia, manipulação religiosa e outras formas espúrias de conquistar votos não são novidade nem exclusividade do Brasil. Talvez, pela baixíssima escolaridade e altíssima fé, por aqui o quadro seja ainda mais grave que em outros países em desenvolvimento. Contudo, isso vem se tornando mais frequente e mais decisivo.

    O mais recente livro do cientista político Felipe Nunes, do instituto Quaest, dentre tantos outros temas aborda a religiosidade do brasileiro. O achado é impressionante!

    Cerca de 90% da população tem literalmente Deus no cotidiano – na fé, na crença, na esperança e nas palavras: “vá com Deus, fique com Deus, se Deus quiser, graças a Deus”.

    Nikolas Ferreira e os mercadores da fé já sabem disso há muito tempo.

    Postar-se ao lado ou em nome do Senhor é sempre um bom negócio. É um jogo de ganha-ganha. Se der certo, o representante será ungido como o porta-voz divino. Se der errado, são os desígnios de Deus.

    Sem falar no fato de que, quem se opõe ao Messias, se opõe a Deus. O eixo se descoloca do mundo terreno, das propostas, das críticas e das cobranças reais para uma espécie de guerra santa.

    A religião – ou religiões – é a causa das maiores atrocidades já cometidas pelos seres humanos ao longo dos milênios. ao lado de eventos como a escravidão (dos negros, pois as formas anteriores também foram ligadas à crença) e o holocausto, que, a despeito da perseguição aos judeus, está muito mais relacionado ao nacionalismo e à xenofobia que à religião.

    Não. Não demonizo os credos. Ao contrário. Respeito todas as formas de religião e reconheço o papel fundamental que desempenham no equilíbrio social.

    Porém, qualquer tipo de fanatismo e de fundamentalismo é nocivo. Esse é o ponto. O meu ponto!

    Fonte: O Antagonista, Análise, 26.01.2026 17:07 Por Ricardo Kertzman

  2. Nikolas, o novo “bezerro de ouro” do Brasil

    O risco para o país não é a eleição de candidatos que misturam política e religião, mas a normalização desse padrão

    O exímio mobilizador digital – travestido de deputado federal -, Nikolas Ferreira (PL-MG), caminhou de Paracatu (MG) a Brasília (DF).

    É claro que o jovem bezerro de ouro fez tudo isso em nome de Deus, pátria e família, né? Jamais passou pela minha cabeça ser por interesse pessoal e eleitoreiro.

    Ao longo do trajeto, o pregador mineiro ratificou a iniciativa como um evento de motivação religiosa. Cercou-se da linguagem da fé e mobilizou lideranças do meio evangélico.

    Misturar religião e política sempre funcionou, e em tempos de internet e redes sociais, o algoritmo assume o papel de apóstolo moderno.

    O fanatismo político-religioso aparece quando esse padrão deixa de ser episódico e passa a estruturar o poder.

    A história mostra que esse padrão não termina bem.

    Sociedades não entram em crise apenas por “excesso de divergência”, mas por perderem a capacidade de divergir como parte do processo político.

    A instrumentalização da religião não é perigosa por envolver a fé, mas por bloquear a revisão, a evidência e a responsabilidade.

    A democracia deixa de funcionar como um sistema de correção e passa a operar como um sistema de confirmação de certezas transcendentais.

    O desafio do Brasil é preservar a ideia básica de que política é campo de decisão humana, falível, revisável, e não extensão de um dogma religioso qualquer.

    Fonte: O Antagonista, Opinião, 25.01.2026 15:43 Por Ricardo Kertzman

    https://oantagonista.com.br/analise/nikolas-o-novo-bezerro-de-ouro-do-brasil/

  3. Esse bezerro vai incomodar os que sempre mamam na vaca profana.
    O bezerro manso mama em sua mãe e na dos outros, o bezerro brabo toma coice das vacas.

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