
Malafaia expõe insatisfação de evangélicos com Flávio
Juliano Spyer
Folha
O impensável aconteceu. O pastor Silas Malafaia anunciou que pode não apoiar Flávio Bolsonaro na eleição presidencial deste ano. Em vídeo publicado na semana passada, criticou a ideia de que a direita deveria se unir em torno de um único representante.
“Se a direita tiver um só candidato, eu vou apoiar. Se tiver mais de um, aquele que eu achar que tiver mais chance eu vou apoiar”, afirmou. Malafaia diz indiretamente que a candidatura de Flávio serve aos interesses do clã Bolsonaro, não aos da direita. O senador não teria o carisma do pai, mas herdaria sua rejeição entre eleitores de centro —um segmento que, segundo o pastor, votaria em Tarcísio de Freitas.
FINS POLÍTICOS – A decisão de escalar a queda de braço com Flávio não é impulsiva. Lideranças cristãs conservadoras preferem se associar a outro nome. A pré-candidatura de Flávio simboliza, para muitos pastores, o uso mais explícito da fé com fins políticos. Até a publicação deste artigo, o site do senador não menciona prática religiosa, mas, na semana passada, ele foi batizado pela segunda vez no rio Jordão.
O senador também errou ao se aproximar do pastor André Valadão, líder da Lagoinha Church. Valadão encarna um modelo de empresário da fé criticado por setores tradicionalistas, por ser orientado pelo dinheiro e por transformar a fé em espetáculo, com o cristianismo em segundo plano.
O movimento de Flávio ocorreu no pior momento. O nome da Lagoinha passou a circular no noticiário em razão dos escândalos envolvendo o Banco Master e a CPMI do INSS. Dois dos personagens centrais nesses episódios —Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro— mantêm vínculos antigos com a denominação e prosperaram junto com ela.
DESCONTOS INDEVIDOS – Ao se pronunciar sobre os casos, Valadão negou qualquer relação entre sua fintech, a Clava Forte, e o Banco Master. Mas admitiu que há um membro da igreja mencionado pela CPMI do INSS “com motivos para ser investigado”. Ele possivelmente se referia a Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, acusada de fazer descontos indevidos a aposentados. Gomes compareceu perante a CPMI, mas ficou calado, amparado por habeas corpus concedido pelo ministro Dias Toffoli.
Preso preventivamente ao tentar embarcar para o exterior, Fabiano Zettel liderava a Lagoinha Belvedere, um templo de luxo. Foi um dos maiores doadores individuais às campanhas de Tarcísio e Bolsonaro em 2022 e comandava a gestora de investimentos Reag, que, em 2021, comprou parte do resort Tayayá, pertencente aos irmãos de Dias Toffoli.
RESISTÊNCIA – Flávio procurou a Lagoinha ao querer impor sua vontade aos dois principais articuladores do bolsonarismo nas igrejas. A resistência de Malafaia e de Michelle em apoiá-lo abriu espaço para que outros líderes cristãos sigam evitando um posicionamento público sobre a eleição presidencial.
Antes de anunciar sua pré-candidatura, Flávio avisou Tarcísio, mas não se deu ao trabalho de falar com Michelle. Ele resiste a admitir que a jovem bonita, de origem modesta, que se casou com seu pai, se tornou uma liderança nacional —independentemente do marido. Diferente dele.
Não seriam esses pastores cabos-eleitorais?; suas igrejas, comitês políticos?; e seus fiéis, votos de cabresto?
E nesse mercado religioso, não iriam aonde derem mais ($$$)?
Dinheiro que não lhes falta. Basta ver a ostentação de seus templos.
A política e os mercadores da fé
As próximas eleições, ao que tudo indica, serão decididas a favor do candidato – ou candidatos – que conseguir enganar melhor a sociedade, principalmente sob o aspecto messiânico-emocional, ou seja, convencer o devoto desamparado, vulgo eleitor, que está diante do novo pai (celestial ou não).
Barba sempre se postou como o salvador, não da pátria e da família como faz outro embusteiro conhecido, mas dos pobres e oprimidos pelos “malvados empresários e banqueiros gananciosos” – amigos históricos do próprio chefão do PT, que os demoniza em público, mas deles se serve no privado.
Populismo, demagogia, manipulação religiosa e outras formas espúrias de conquistar votos não são novidade nem exclusividade do Brasil. Talvez, pela baixíssima escolaridade e altíssima fé, por aqui o quadro seja ainda mais grave que em outros países em desenvolvimento. Contudo, isso vem se tornando mais frequente e mais decisivo.
O mais recente livro do cientista político Felipe Nunes, do instituto Quaest, dentre tantos outros temas aborda a religiosidade do brasileiro. O achado é impressionante!
Cerca de 90% da população tem literalmente Deus no cotidiano – na fé, na crença, na esperança e nas palavras: “vá com Deus, fique com Deus, se Deus quiser, graças a Deus”.
Nikolas Ferreira e os mercadores da fé já sabem disso há muito tempo.
Postar-se ao lado ou em nome do Senhor é sempre um bom negócio. É um jogo de ganha-ganha. Se der certo, o representante será ungido como o porta-voz divino. Se der errado, são os desígnios de Deus.
Sem falar no fato de que, quem se opõe ao Messias, se opõe a Deus. O eixo se descoloca do mundo terreno, das propostas, das críticas e das cobranças reais para uma espécie de guerra santa.
A religião – ou religiões – é a causa das maiores atrocidades já cometidas pelos seres humanos ao longo dos milênios. ao lado de eventos como a escravidão (dos negros, pois as formas anteriores também foram ligadas à crença) e o holocausto, que, a despeito da perseguição aos judeus, está muito mais relacionado ao nacionalismo e à xenofobia que à religião.
Não. Não demonizo os credos. Ao contrário. Respeito todas as formas de religião e reconheço o papel fundamental que desempenham no equilíbrio social.
Porém, qualquer tipo de fanatismo e de fundamentalismo é nocivo. Esse é o ponto. O meu ponto!
Fonte: O Antagonista, Análise, 26.01.2026 17:07 Por Ricardo Kertzman
Síndico matou corretora no subsolo no momento em que ela foi religar a luz…
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/01/28/coletiva-de-imprensa-caso-daiane.htm?cmpid=copiaecola
“A mentira se perpetua, porque a maioria das pessoas não se preocupam ir atrás e desmascará-la”..
Nikolas, o novo “bezerro de ouro” do Brasil
O risco para o país não é a eleição de candidatos que misturam política e religião, mas a normalização desse padrão
O exímio mobilizador digital – travestido de deputado federal -, Nikolas Ferreira (PL-MG), caminhou de Paracatu (MG) a Brasília (DF).
É claro que o jovem bezerro de ouro fez tudo isso em nome de Deus, pátria e família, né? Jamais passou pela minha cabeça ser por interesse pessoal e eleitoreiro.
Ao longo do trajeto, o pregador mineiro ratificou a iniciativa como um evento de motivação religiosa. Cercou-se da linguagem da fé e mobilizou lideranças do meio evangélico.
Misturar religião e política sempre funcionou, e em tempos de internet e redes sociais, o algoritmo assume o papel de apóstolo moderno.
O fanatismo político-religioso aparece quando esse padrão deixa de ser episódico e passa a estruturar o poder.
A história mostra que esse padrão não termina bem.
Sociedades não entram em crise apenas por “excesso de divergência”, mas por perderem a capacidade de divergir como parte do processo político.
A instrumentalização da religião não é perigosa por envolver a fé, mas por bloquear a revisão, a evidência e a responsabilidade.
A democracia deixa de funcionar como um sistema de correção e passa a operar como um sistema de confirmação de certezas transcendentais.
O desafio do Brasil é preservar a ideia básica de que política é campo de decisão humana, falível, revisável, e não extensão de um dogma religioso qualquer.
Fonte: O Antagonista, Opinião, 25.01.2026 15:43 Por Ricardo Kertzman
https://oantagonista.com.br/analise/nikolas-o-novo-bezerro-de-ouro-do-brasil/
Esse bezerro vai incomodar os que sempre mamam na vaca profana.
O bezerro manso mama em sua mãe e na dos outros, o bezerro brabo toma coice das vacas.