Além de Moraes e de Ibaneis, quem não fumou os charutos cubanos de Vorcaro?

Alexandre de Moraes determina afastamento do governador do DF Ibaneis Rocha  por 90 dias - Brasil de Fato

Cada vez mais enrolado, Moraes não tem como se defender

Carlos Andreazza
Estadão

O portal Metrópoles informou – e banca a informação – que Alexandre de Moraes esteve na casa de Daniel Vorcaro, em Brasília, ao menos duas vezes. Umas dessas visitas já fora noticiada, pelo Globo – e nunca negada pelo ministro. Terá ocorrido no fim de 2024 – segundo o Metrópoles, em 6 de novembro daquele ano.

O contrato do escritório de advocacia Barci de Moraes com o Master é de janeiro de 2024. De modo que: a reunião, na casa de Vorcaro, cuja existência Moraes não negou, teria se passado sob a vigência do contrato de sua esposa com o banco.

Antes de avançarmos, o cronista propõe um exercício de imaginação: que suponhamos a inexistência do contrato. Jamais houve. Tiremos essa camada de gravidade. Ainda assim, pergunte-se: é normal – aceitável – que juiz, juiz de Corte constitucional, frequente casa de banqueiro, empresário etc.?

CONTRATO EXISTE – Existia quando da visita de 2024, o Master já exposto, já insolvente, desesperado por “soluções de mercado” como as que produziriam – já produziam – as “transfusões de liquidez” destinadas a falsear solidez impossível ao que sempre foi esquema de pirâmide. E Alexandre de Moraes na mansão do faraó dono do banco.

A novidade, na reportagem do Metrópoles, é o evento de 2025, vigente, claro, o contrato, um evento havido no momento decisivo da trama em que o BRB adquiria os papeis podres-falsos do Master e negociava mesmo a compra do banco. Publicou o portal:

“Foi na casa do banqueiro que o ministro conheceu o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O encontro ocorreu em um fim de semana do primeiro semestre de 2025. Vorcaro pediu que Paulo Henrique fosse até seu endereço, no Lago Sul, área nobre de Brasília, porque ‘o homem estava lá’.”

SUPERMINISTRO – O “homem” é Xandão, presença que fiava o Master, demonstração de poder do banqueiro ao mundo – um conforto a quem pretendesse fazer business com o banco. “O homem estava lá”; e Vorcaro chamou o camarada do BRB para chegar junto. Ninguém sério pode avaliar as operações entre BRB e Master, senão sob a lógica da camaradagem.

Em seu depoimento à Polícia Federal, em 30 de dezembro de 2025, Daniel Vorcaro disse que esteve quatro vezes com Ibaneis Rocha para tratar do negócio – uma das quais recebendo o governador do Distrito Federal em casa. Ibaneis admitiu os encontros, em que – disse – não falara sobre as tratativas BRB-Master. Teria ficado mudo, nas conversas tocadas pelo onipresente Paulo Henrique Costa.

MORAES ONIPRESENTE – Não onipotente. Será, com sorte, da ordem da estupidez acreditar que tal um movimento bilionário seria acertado-aprovado-executado sem a chancela do responsável último pelo Banco Regional de Brasília: o governador do Distrito Federal. É o único político – talvez como alerta – que Vorcaro entregou até aqui, e não um dos mais próximos do banqueiro.

Mais do Metrópoles sobre a visita de 2025, estando vigente desde janeiro de 24 – reforçar é fundamental – o contrato do escritório da esposa do ministro do STF com o Master:

“Ao chegar, o então chefe do BRB foi apresentado a Moraes, que estava em um ambiente reservado da mansão. Naquele momento, o Master buscava no BRB sua tábua de salvação para evitar fechar as portas. Durante o encontro, Moraes e Paulo Henrique trocaram impressões sobre o assunto”.

ATÉ LULA… – O cronista ora propõe uma nota à margem, talvez nem tão à margem, para citar o bizarro de haver Lula recebido Vorcaro no Planalto. Foi em dezembro de 2024; a trama já mais que embaraçada e embaraçosa. E o presidente da República recebendo o banqueiro no palácio, via lobby de seu ex-ministro Guido Mantega, outro consultor do Master, e sem que o evento constasse em agenda. Por quê?

A versão oficial constrange. Mantega teria levado Vorcaro ao Planalto para falar com o chefe de gabinete de Lula. Uma vez lá, o banqueiro pediu para falar com o presidente, tudo assim, no improviso, e conseguiu; de repente armada uma reunião – no improviso – para a qual foram convocados ministros e o então diretor do BC Gabriel Galípolo. Tudo, repita-se, por fora. No jeitinho. Não sem método.

Entre os presentes, o chefe da Casa Civil, Rui Costa, ex-governador da Bahia – Bahia petista sem a qual (caso Credcesta) não haveria Master como o conhecemos.

OUTRO CONTRATO – Ricardo Lewandowski, então ministro da Justiça e chefe hierárquico da Polícia Federal, não esteve na reunião. Naquela altura, o escritório de advocacia de seus filhos já tinha contrato de consultoria com o Master – contrato firmado pelo próprio Lewandowski quando à frente da banca, da qual se afastaria para ingressar no governo.

Contrato que foi honrado – a modestos (se comparados aos 3,6 milhões pagos mensamente ao escritório Barci de Moraes) R$ 250 mil mensais – até setembro de 2025, antevéspera da liquidação do banco, espremido o bagaço da laranja até o fim.

O padrinho da contratação de Lewandowski foi Jaques Wagner, líder do governo no Senado e, ex-governador da Bahia, mui bom conhecedor do Master, eque arranjou o contrato de Guido Mantega ganhando R$ 1 milhão por mês.

SÓ POR DINHEIRO – O cronista abriu esta já longa nota extrapolante das margens para apontar o vexame em que consiste a campanha por associar o escândalo ecumênico do Banco Master a algum lado político.

O Master esteve e está em todo lugar – na direita, na esquerda, no centro, embaixo e em cima, sobretudo em cima. Na Bahia petista. Na bancada governista no Supremo. Na PGR submissa ao Supremo diastoffolico. Nos Rio de Janeiro e Distrito Federal bolsonaristas. No Amapá alcolúmbrico. No Parlamento de Ciro Nogueira e Arthur Lira.

E essa é a razão – Vorcaro contratou muitas defesas – por que a liquidação do banco demorou tanto. Não houve precipitação, como quis vender o TCU. Houve demora, para prejuízo aumentado – por exemplo – do contribuinte de Brasília, do servidor estadual fluminense… Sim, Roberto Campos Neto deixou o bicho correr solto. Foi omisso. Para começo de conversa.

VISITA DE MORAES – De novo ao Metrópoles, agora para cuidar da visita a Vorcaro que Moraes não negou – vigente então, sublinhe-se de novo, o contrato do escritório de sua esposa com o Master:

“O ministro do STF acompanhou, na mansão do banqueiro, o resultado da eleição norte-americana que, em 6 de novembro de 2024, elegeu Donald Trump para o segundo mandato. (…) Na ocasião, Moraes estava na mesma área reservada do imóvel, fumando charutos e degustando vinhos caros e raros”.

O noticiário do começo desta semana teve um tom artificial mui facilmente identificável, produto da blitz do Planalto por plantar a disposição de Lula em descolar o governo do caso Master, irritado o presidente com Dias Toffoli. Ou mais irritado. Porque irritado já deveria estar quando se encontrou com o ministro para tratar do assunto. Foi em dezembro de 2025, presente também Fernando Haddad – tudo sem registro em agenda. Irritação nenhuma justificará que presidente da República se encontre com ministro do Supremo fora da agenda, independentemente do tema em questão – o que só agravará o problema. Por que Lula quereria tratar de Master?

LULA QUER ESCAPAR – Ninguém, ao pensar no caso Master, pensa no governo Lula em primeiro lugar. Até aqui, em termos de representação no imaginário, não há uma associação imediata, decerto não primordial. Ocorre que Lula, o mesmo que se reúne com Dias Toffoli, quer se afastar. É ano eleitoral. E está evidente que as investigações tornam instável o solo e podem despertar o ora anestesiado sentimento anticorrupção – antissistema – no brasileiro.

O presidente, candidato favorito à reeleição, quer se afastar do quê? Do caso Master ou do Supremo? Faz sentido ser do Supremo; porque – aí, sim – seu governo e o STF são próximos (a corte constitucional como solução para os problemas de Lula no Parlamento) e mesmo se confundem na percepção popular. E a percepção popular compreende que está em curso – Supremo à frente – uma operação abafa destinada a matar as apurações sobre as traficâncias no caso Master.

O presidente da República, que quer se descolar, almoçou recentemente com Alexandre de Moraes, neste janeiro. A sós. Sem registro nas agendas. A versão oficial dá conta de que falaram de segurança pública.

NEGAR, SEMPRE – Em nota, o ministro Moraes negou que tenha se encontrado com o então presidente do BRB na casa de Daniel Vorcaro “em um fim de semana do primeiro semestre de 2025”. Numa construção que desafia o idioma, lê-se:

“Essa reunião não ocorreu e, lamentavelmente, segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra integrantes do Supremo Tribunal Federal”.

Não é a reunião que não ocorreu que segue padrão criminoso. Você entendeu. Alexandre de Moraes – e isto não tardaria – classifica a atividade jornalística profissional sob “padrão criminoso de ataques desqualificados contra integrantes” do STF. Tampouco tardaria até que a corrupção da palavra ataque – do verbo atacar – servisse para qualificar o trabalho da imprensa.

7 thoughts on “Além de Moraes e de Ibaneis, quem não fumou os charutos cubanos de Vorcaro?

  1. “Essa reunião não ocorreu e, lamentavelmente, segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra integrantes do Supremo Tribunal Federal”.

    Aqui o Pai da Pátria do Século XXI, Fiador e Redentor da Demograncinha não negou que ‘conhece” o criminoso do colarinho banco, e não negou o contrato..

    Entonces….

  2. Sr. Newton

    Compre pipocas, o negócio vai ferver…….

    “…Nubank, XP e BTG entram na mira da Justiça por utilizar FGC como garantia de aplicações do Master..””

    “”Lula se reúne com Guilherme Benchimol, fundador da XP

    Presidente falou sobre encontro com fundador de ‘um dos maiores bancos de investimento’ a jovens de Heliópolis..””

    Comunistola Refinado, só faltou a picanha com aquela gordinha passada na farinha com uma cerveja bem gelada para o preto, branco, pobre e favelado…..

    O resto é a mesma cartilha comunistola de sempre..

    Como disse aquela Filha de Uma Pauta, “eu odeio a classe média”…(mas vive como uma burguesa desfilando sua diarreia oral).

    aquele abraço

  3. “…O caso Credcesta envolve suspeitas de fraudes financeiras bilionárias, envolvendo o Banco Master, investigado pela Polícia Federal (Operação Compliance Zero) e órgãos reguladores por emissão indevida de consignados do INSS e servidores da Bahia. O programa, popularizado sob gestões do PT na Bahia (Rui Costa/Jaques Wagner), está no centro de denúncias de contratos sem consentimento, juros abusivos e alto risco de crédito.

    “”..O programa, popularizado sob gestões do PT na Bahia (Rui Costa/Jaques Wagner),…””

  4. “O ministro do STF acompanhou, na mansão do banqueiro, o resultado da eleição norte-americana que, em 6 de novembro de 2024, elegeu Donald Trump para o segundo mandato. (…) Na ocasião, Moraes estava na mesma área reservada do imóvel, fumando charutos e degustando vinhos caros e raros”.

    “..fumando charutos e degustando vinhos caros e raros”…””

    Esse é o Pai da Pátria do Século XXI, Redentor e Fiador da Demogracinha Bostileira….

    Esse é o “homem” que defende o Estado Depornográfico de Dinheiro…

    Esse é o “homem” que salvou ao lado do Mega-Ladrão Cachaceiro a Demogracinha Bostileira…

    Enquanto isso o Mega-Ladrão dá de aumento para o salário-minimo 103,00 reaus que não dá nem para ir na feira comprar alimentos., nem um sacola dá para encher…

    O “homem” fumou charutos cubanos e tomou vinhos carissimos garrafas em torno de 50 mil euros….

    Viva El Comandante.!!

    Viva Cuba.!!

    Viva Pari$..!!

    Viva a Lei Roubanet..!!

    Viva a Máfia do Dendê..!!

    Alô Cabral, cadê as Caravelas..??

    aquele abraço

  5. Interrompida a possibilidade de refundarmos a República, com o assassinato da Lava Jato, o escândalo do Master mostra que a esculhambação geral continua de onde tinha chegado, o sistema financeiro e a Justiça.

    Manter um pilantra como o Lula como herói nacional, está custando muito pro país, mergulhado no atraso e estacionado no quinto lugar de mais desigual do mundo.

    Lula e seu Aparato são meros office-boys dos setores mais abjetos da burguesia.

    Nesta toada foi preciso destruir tudo, a justiça, a educação, a cultura, a inteligência e a mídia.

    Pelo menos esta está percebendo que se continuasse passando pano pro pilantra, pereceria.

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