Presidente do Instituto dos Advogados avisa que código de ética é muito pouco

Diagnóstico de Diogo Melo parte de estudo do IASP

Arthur Guimarães de Oliveira
Folha

Um código de conduta para o STF (Supremo Tribunal Federal) é um passo, mas não resolve o problema, afirma Diogo Melo, presidente do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo), em entrevista à Folha. “É preciso mudanças estruturais.”

Melo defende uma nova reforma do Judiciário e propõe intervenções no plano legislativo, inclusive na Constituição: adicionar a transparência como um princípio republicano, criar um filtro de acesso para partidos proporem ações e fixar prazos para decisões individuais serem apreciadas pelos colegas.

ESTUDO – Tudo parte de um estudo de título autoexplicativo desenvolvido ao longo de um ano pelo instituto com o apoio da Associação Brasileira de Jurimetria —”O Supremo em Perspectiva: Diagnóstico das Disfunções”, ao qual a reportagem teve acesso. O trabalho aponta vícios da corte como o caso de decisões individuais que se sobrepõem à ideia de um tribunal colegiado e o ativismo judicial, que, por sugestão de Miguel Reale, um dos autores do texto, preferem chamar de jurisprudência criativa.

A versão final da pesquisa deve ser entregue ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, em fevereiro. O lançamento do livro para a comunidade jurídica está previsto para ocorrer em 25 de fevereiro. “Hoje, com o Supremo estando diante dessa profunda crise de estabilização, de autocontenção, acredito que a reforma deveria começar por ele. É uma recomendação ética e moral de começar a fazer o trabalho de casa, dentro da própria comunidade jurídica.”

A conclusão do trabalho coincide com a pressão sobre o STF pela adoção de um código de conduta. A ideia ganhou força após decisões controversas e revelações de vínculos de ministros e parentes com o caso Master.

PROPOSTA – Na segunda-feira (26), a OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo) encaminhou ao STF uma proposta de texto com diretrizes para maior transparência, restrições sobre conflito de interesse e regras para uma quarentena após a saída do cargo.

Tanto o presidente da seccional paulista da Ordem, Leonardo Sica, quanto o presidente do IASP também são signatários de um documento da Fundação FHC que defende a criação de um código pelo tribunal.

Segundo Melo, atuar de maneira não transparente sobre casos específicos, como o do Master, valendo-se do sigilo ou barrando a fiscalização por parte da sociedade, não é uma postura adequada de uma corte constitucional.

PARTE DO PROBLEMA – O presidente do IASP defende a iniciativa da OAB-SP, mas diz que essa é apenas parte do problema. “Temos que ir além, pensar de maneira estrutural. Se um Poder não cumpre um preceito constitucional de transparência, será que não teríamos consequências mais graves?.”

“A necessidade não é só reformar A ou B. Nós não podemos transparecer a sensação de que um código de conduta vai resolver todos os problemas”, diz.

Melo também ressoa um alerta do presidente do Supremo em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo: “Se ele [o Supremo] continuar agindo dessa maneira, nesse ponto tenho que concordar com o ministro Fachin, as reformas podem ser mais drásticas, e isso pode gerar uma instabilidade ainda maior”.

6 thoughts on “Presidente do Instituto dos Advogados avisa que código de ética é muito pouco

  1. Derrotar Lula está parecendo não ser muito difícil, a grande tarefa é desratizar o Estado e as organizações públicas e privadas.

    Será preciso uma nova concertação política e uma nova Constituição.

  2. O código de ética, codigo de conduta deveria ser uma cela do Cadeião de Pinheiros..

    Essa é a melhor “conduta….

    roubou cana brava…, roubou dinheiro público perpetua sem direito a tomar banho de sol…

    o resto são 129 milhões de motivos para não fazer nada e ficar falando um monte de abobrinhas….

    simples assim….

  3. Que tal o Supremo Tayayá Resort Federal copiar o Chile..?

    Chile prende ex-ministra da Suprema Corte por suborno e tráfico de influência
    Investigação aponta esquema envolvendo advogados, empresários e decisões judiciais

    • Três ministros da Suprema Corte afastados… mas foi no Chile!

      Três ministros da Suprema Corte do Chile foram afastados de seus cargos no curto período entre outubro do ano passado e dezembro último. Em dois casos, os juízes foram destituídos pelo Senado. No terceiro caso, a magistrada Angela Vivanco foi afastada pelos seus próprios colegas de tribunal. As penalidades foram as mesmas: perda do cargo e inabilitação de cinco anos para exercício de qualquer cargo público. As informações são do jornal O Globo, em artigo assinado pelo colunista Alberto Sardenberg.

      Bora, fachin, faça um Código de Cadeia….!!

      • “As penalidades foram as mesmas: perda do cargo e inabilitação de cinco anos para exercício de qualquer cargo público.”

        É pouco amigão, muito pouco!

        Aqui tem que ser com uma bala na testa e a família, pagar a bala.

        Só assim!
        Não há outra alternativa plausível.

        Já estão roubando na casa dos bilhões, o próximo será na casa do trilhão.
        Dúvida?

        Um forte abraço,

        José Luis

        • Amigão

          Milhão hoje em dia é apenas um milho grande…

          Milhão os ladrões não colocam a mão…..

          Só uma ruptura total para acabar com essa farra…..

          E sabe como é, numa ruptura tem algumas coisinhas que eles não gostam.

          Eles têm medo da “lurdinha”..

          A lurdinha é a solução….

          eh!eh!eh

          aquele abraço

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *