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Haddad é pressionado para disputar o governo de SP
Jeniffer Gularte
Victoria Azevedo
Sérgio Roxo
O Globo
Com dificuldade para montar palanques competitivos em estados estratégicos, o governo intensificou a pressão para que o ministro Fernando Haddad dispute o governo de São Paulo e já consolidou a candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet, ao Senado no estado. A movimentação faz parte de uma estratégia do Palácio do Planalto para evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegue à eleição com apoios frágeis nos maiores colégios eleitorais do país.
A preocupação do Planalto é que Lula fique com alianças frágeis em estados com grande densidade eleitoral, o que poderia comprometer o desempenho da campanha à reeleição. Auxiliares avaliam que é necessário atuar localmente para impedir que partidos de centro hoje presentes na Esplanada se alinhem às candidaturas bolsonaristas. Diante da dificuldade de atrair essas legendas formalmente, a estratégia tem sido dialogar com setores dessas siglas e evitar que fechem alianças estruturadas com o campo adversário.
MISSÕES REGIONAIS – Um interlocutor de Lula afirma, sob reserva, que o presidente não quer correr riscos e deverá escalar ministros com força política para missões regionais, sobretudo em áreas consideradas estratégicas. A ideia, diz esse aliado, é manter um “banco de reservas” com nomes competitivos à disposição.
Em entrevista ao O Globo, o ministro Camilo Santana (Educação) elevou o tom da cobrança e afirmou que Haddad não pode se dar ao “luxo” de tomar uma decisão individual. Mesmo com a resistência do titular da Fazenda, que já disse mais de uma vez que não deseja se candidatar, o PT mantém Haddad como plano A ao governo paulista e avalia que Lula avançou no processo de convencimento.
Haddad tem afirmado que deseja participar da coordenação da campanha e da formulação do programa de governo. Petistas próximos ao presidente dizem que Lula não pretende impor uma decisão, mas atua diretamente na construção de consensos.
DISPUTA PELO SENADO – A definição mais concreta até o momento em São Paulo, segundo auxiliares, envolve Simone Tebet. Após conversas recentes com Lula, ela aceitou disputar o Senado pelo estado e deve deixar o ministério até o fim de março para viabilizar a mudança de domicílio eleitoral. No entorno do presidente, a avaliação é que a presença de Tebet amplia o alcance do palanque lulista, sobretudo junto ao eleitorado de centro.
Tebet passou a ser tratada no Planalto como peça estruturante da chapa majoritária em São Paulo, num cenário em que Haddad segue como principal nome ao governo. Ainda não está definido se ela permanecerá no MDB ou migrará para outra legenda da base.
O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, também é citado como alternativa para reforçar o palanque paulista. Parte dos aliados defende que ele concorra ao governo caso Haddad dispute o Senado.
CONVERSA COM PARTIDOS – Alckmin, no entanto, tem dito a interlocutores que não pretende disputar cargos eletivos. Já a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, passou a se movimentar para ocupar uma das vagas ao Senado por São Paulo. Ela conversa com partidos da base e de fora dela e indicou estar disposta a participar da construção eleitoral no estado, o que pode ampliar a disputa interna no campo lulista.
No Nordeste, Camilo Santana anunciou que deixará o MEC para ajudar na articulação de alianças e na reeleição do governador Elmano Freitas (PT), que enfrenta a ameaça de Ciro Gomes (PSDB). Camilo é visto como plano B ao governo estadual caso Elmano não avance nas pesquisas — Lula já disse a assessores que não “aceita” perder o Ceará.
Em 2024, Fortaleza foi a única capital conquistada pelo PT, com a vitória de Evandro Leitão sobre o bolsonarista André Fernandes (PL). Camilo é apontado como um dos responsáveis pela articulação que garantiu o resultado. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) terá o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) como principal adversário. O ministro Rui Costa (Casa Civil) deve deixar o cargo em abril e, a princípio, disputar o Senado, mas há discussões sobre a possibilidade de concorrer ao governo caso Jerônimo enfrente dificuldades.
REDUÇÃO DA DIFERENÇA – Aliados destacam que o Nordeste foi a única região em que Lula superou Bolsonaro em 2022 e consideram essencial repetir o desempenho. Já no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a avaliação é que a esquerda dificilmente terá maioria, mas deve buscar reduzir a diferença.
No Paraná, Lula escalou a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) para disputar o Senado. O plano inicial era a reeleição à Câmara, mas, a pedido do presidente, ela deve tentar a Casa Alta para fortalecer a chapa em um estado considerado difícil.
Desde que assumiu o ministério, Gleisi intensificou o diálogo com lideranças regionais para aproximar o governo de partidos estratégicos. Sua equipe prepara um mapa das candidaturas competitivas e das possíveis alianças. Um aliado resume que o plano de Lula é escalar o melhor time possível nos estados e até reabilitar nomes que estavam fora da política, desde que tenham potencial eleitoral.
Sai dessa, Haddad!
Julgamento de Bolsonaro e generais no STM será teste de democracia
O julgamento das representações por indignidade ou incompatibilidade para o oficialato do ex-presidente Jair Bolsonaro e quatro oficiais-generais condenados pela trama golpista, pelo Superior Tribunal Militar, não será apenas o desdobramento da decisão penal do Supremo Tribunal Federal: será um teste de estresse do pacto civil-militar da Constituição de 1988, um teste para a democracia.
O STM não revisará culpa, provas ou tipificação criminal — isso já foi afirmado pelo Supremo —, mas se a natureza dos crimes e o papel desempenhado por cada oficial tornam moralmente incompatível a permanência no corpo de oficiais.
A questão básica é a seguinte: não se trata de “repunir”, mas de decidir se quem conspirou contra a ordem constitucional pode continuar ostentando posto e patente, com os símbolos, prerrogativas e benefícios que a carreira militar concentra.
O caso é inédito pelo fato de se tratar de um ex-presidente e três generais de Exército, além de um almirante; e porque o tipo de delito, crime contra a democracia, nunca foi julgado pelo STM.
A história brasileira registra anistias, acomodações e reintegrações de militares golpistas.
A questão é simples e existencial: a hierarquia e a disciplina, em regime democrático, exigem lealdade constitucional ou podem coexistir com a ruptura planejada?
(…)
Correio Braziliense, Nas Entrelinhas, 04/02/2026 – 07:32 Por Luiz Carlos Azevedo
https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/julgamento-de-bolsonaro-e-generais-no-stm-sera-teste-de-democracia/
Eles se entendem.
https://m.youtube.com/watch?v=OlUV6CAJqHI
Na próxima eleição presidencial pode ser que o povo brasileiro tenha que escolher entre um rato e outro e acabe ficando com Ratinho Jr. Estou sentindo isso.