Paulo Peres
O Bacharel em Farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da literatura brasileira, no poema “Para Sempre”, afirma que as mães não deveriam morrer nunca.
PARA SEMPRE
Carlos Drummond de Andrade
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Fiz esse poema para uma Maria perfeita, imaginária. Mas inspirado pela homenagem de Drummond às mães, resolvi transformar minha Maria em mãe!
Mamãe sofria mas nunca mostrava
Sorria mesmo se por dentro chorava
Nunca pedia, mas sempre se dava
Diferia, sem mostrar que discordava
Ela era frágil e formosa como uma rosa
E da vida não lamentava seus espinhos
Tratava todos com o carinho e o cuidado
Com que os pássaros fazem seus ninhos
Era acolhedora, era singela, era pura
E, além disso, era tão bela!
Um dia se foi e nos deixou as agruras
De não mais podermos estar junto dela