Ruy Castro e as trincheiras tropicais: o Brasil esquecido que a Segunda Guerra revelou

Ruy Castro levanta uma história nunca antes contada

Pedro do Coutto

Comecei a ler a mais nova obra de Ruy Castro, “Trincheira tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio”, focalizando como estava a opinião pública no Rio de Janeiro em face da Segunda Guerra Mundial. O livro, edição da Companhia das Letras, é um registro muito importante marcado pelos fatos e conceitos que o autor vai singularmente elencando, apontando uma realidade que hoje se redescobre sob a pena e o pensamento de Ruy Castro.

A Segunda Guerra Mundial ainda é, no imaginário brasileiro, um capítulo frequentemente reduzido a notas de rodapé, apesar de sua profunda influência na formação do Estado moderno e na redefinição do papel do país no cenário internacional. Nesse contexto, obras como “Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio” cumprem uma função essencial: resgatar a dimensão histórica e política de um período em que o Brasil precisou decidir entre o isolamento continental e o engajamento efetivo em um conflito global que redefiniria o século XX.

Ao fazê-lo, Ruy Castro contribui para iluminar uma geração que saiu das sombras da história oficial para ocupar o lugar que lhe cabe na memória nacional.

CRIAÇÃO DA FEB – A participação brasileira no conflito foi decisiva para afirmar a presença internacional do país e consolidar sua aproximação com os Estados Unidos no contexto da política hemisférica de guerra.

A criação da Força Expedicionária Brasileira, com cerca de 25 mil soldados enviados à Itália entre 1944 e 1945, simbolizou não apenas um gesto militar, mas uma decisão estratégica de reposicionamento geopolítico do país em meio à disputa global entre as potências do Eixo e os Aliados.

As batalhas em Monte Castelo, Montese e Collecchio demonstraram a capacidade de combate das tropas brasileiras e contribuíram diretamente para a derrota das forças alemãs na Linha Gótica, ao custo de centenas de vidas nacionais.

MODERNIZAÇÃO – O livro dialoga com um momento histórico em que a guerra externa se entrelaçou com transformações internas profundas. O esforço de mobilização militar, industrial e diplomática acelerou a modernização do Estado brasileiro, impulsionou a infraestrutura logística e fortaleceu a centralidade do poder federal.

A guerra não foi apenas travada nos campos europeus: ela também se desenrolou nos estaleiros, nos portos, nas bases aéreas do Nordeste e na política externa que buscava equilibrar interesses econômicos, pressões norte-americanas e a necessidade de afirmação soberana.

Trata-se de um período em que a política internacional penetrou o cotidiano nacional, redefinindo prioridades estratégicas e inaugurando uma nova etapa de projeção do Brasil no mundo.

SERVIÇO PÚBLICO – Ao valorizar esses episódios com rigor histórico e sensibilidade narrativa, a obra presta um serviço público à memória nacional. Em tempos de disputas simbólicas sobre o passado e de revisões apressadas da história política brasileira, recuperar a complexidade da participação do país na Segunda Guerra Mundial é também um gesto de responsabilidade cívica.

Ruy Castro acerta ao apresentar a guerra não como um episódio distante, mas como uma trincheira tropical que moldou decisões, identidades e projetos de nação que ainda ecoam no presente.

Sem dúvida, mais uma importante contribuição que assinala o quão Ruy Castro é um escritor fantástico.

10 thoughts on “Ruy Castro e as trincheiras tropicais: o Brasil esquecido que a Segunda Guerra revelou

  1. “O Movimento Revolucionário Mundial é uma continuação da revolta luciferiana contra a suprema autoridade de Deus sobre o universo. Essa conspiração luciferiana persiste até os dias de hoje. Seu objetivo é reduzir a humanidade a um estado de gado humano, com alguns poucos milionários, economistas e cientistas a serviço da ditadura totalitária, e as massas controladas por soldados e policiais.”
    Extraido, do link acima.

  2. Paises(Brasil), reféns de mercenários locupletos e para tanto alçados, prepostos khazarianos(Sinagoga de Satanás).
    PS. Quem manda(sopra), é o “próprio”!

  3. Tentando por séculos, com o Partido dos “Trabalhadores”, liderado pelo “pai dos pobres”, as oligarquias cleptopatrimonialistas chegaram no poder, para livremente e com proteção institucional extorquirem a sociedade, legal ou ilegalemnte, com proteção dos aprelhos estatais.

    A maior guerra será resgatar os valores e práticas democráticas e republicanas, o que só será possível com uma nova Constituição, que preveja prisão perpétua pra corruptos, pilantras que vivem da extração da mais valia absolutíssima, a partir da privatização do Estado.

  4. Temos pela frente é uma enorme guerra interna: contra o estrago que o Aparato Petista promoveu em 20 anos de governo, aprofundando enormemente nossos seculares problemas estruturais, notadamente o maior deles, a corrupção.

    Só o derrotar nas urnas é muito pouco, a desmobilização de seus aparelhos ideológicos, repressivos e censores será uma verdadeira guerra da sociedade contra o Estado Patrimonialista, onde as oligarquias, através da privatização do Estado, extorque a sociedade sem apresentar nada em troca.

    A começar pela Academia que se tornou uma seita de louvação e culto da personalidade do Lula, formando seus gênios imbecilizados e idiotas diplomados, nas suas linhas de montagem fordistas, absolutamente incapazes de equacionarem e proporem o enfretamento do nosso atraso tecnológico e socioeconômico. Em especial as Ciências Sociais que foram seriamente atingidas. Se produzissem seus papers em papel higiênico, teria alguma utilidade.

    Outra questão é resgatar os pobres que constituem o Exército Industrial de Reserva que, através dos tais “programas sociais” tiveram suas potencialidades humanas impedidas de se expressarem. São pagos para se conformarem com sua eterna miséria e pra votarem nas oligarquias atrasadas, reacionárias, neoluditas, conluiadas no Aparato Petista.

    Temos 50 anos de atraso tecnológico, que, com a reeleição do analógico, atrasado, neoludita, Lula, – situado, se muito na Era da Pedra Lascada, que vê na Inteligência Artificial um risco pra efetividade dos aparelhos repressivos e ideológicos do seu Aparato – teremos é um século de solidão, digo, de atraso e exclusão do mundo desenvolvido.

    Opondo-se ao avanço das forças produtivas tecnológicas, reacionário que é, que poderiam contribuir para sairmos da péssima colocação mundial em produtividade – um trabalhador brasileiro produz 25% dos norte-americanos, e realmente termos condições de reduzirmos a jornada de trabalho, ameaça nossa economia com uma canetada, como se a economia fosse determinada pela sua vontade.

    São muitos os entraves que temos para sairmos do quinto mundo para sermos, pelo menos, a terceira ou quarta economia, como nossos potenciais permitem. Mas com mais um mandato do Aparato Petista, voltaremos é pra Era da Máquina d e Escrever, como tanto quer o asilo de velhacos extemporâneos que se tornou o Aparato.

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    📌 Evolução do Brasil em 20 anos – Principais Rankings Globais (2005–2025)
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    1️⃣ Corrupção – Índice de Percepção da Corrupção (IPC)
    Fonte: Transparência Internacional
    • 2005–2008: Brasil entre as posições 59ª–72ª
    • 2012–2014: melhora relativa, próximo da 69ª posição
    • 2018–2020: queda para a faixa 94ª–106ª
    • 2024–2025: aproximadamente 107ª posição
    📉 Tendência em 20 anos:
    Houve uma piora estrutural na percepção de corrupção, especialmente após 2015. O Brasil hoje está em posição significativamente inferior à de duas décadas atrás.
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    2️⃣ Inovação – Global Innovation Index
    Fonte: World Intellectual Property Organization
    • 2007: cerca de 40ª posição
    • 2015: queda para aproximadamente 70ª posição
    • 2020: recuperação para a faixa dos 60º
    • 2024–2025: cerca de 49ª–52ª posição
    📊 Tendência em 20 anos:
    Oscilação com leve recuperação recente, mas o Brasil permanece fora do grupo das economias inovadoras centrais.
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    3️⃣ Competitividade Global
    Fonte: World Economic Forum
    • 2006–2008: faixa dos 60º–70º lugares
    • 2016–2019: queda para próximo da 80ª posição
    • Pós-pandemia: ranking suspenso em alguns anos, mas indicadores apontam baixa competitividade estrutural
    📉 Tendência em 20 anos:
    Perda de competitividade relativa, principalmente por baixa produtividade e ambiente regulatório complexo.
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    4️⃣ Desenvolvimento Humano (IDH)
    Fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
    • 2005: IDH ~0,699 (posição perto da 70ª)
    • 2013: pico próximo da 79ª posição
    • 2022–2024: cerca da 87ª posição
    📉 Tendência em 20 anos:
    Melhora absoluta no índice, mas queda relativa no ranking mundial, pois outros países avançaram mais rapidamente.
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    5️⃣ Educação – PISA
    Fonte: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
    • 2006: entre as últimas posições entre participantes
    • 2012: leve melhora
    • 2018–2022: estagnação ou queda em matemática e leitura
    📉 Tendência em 20 anos:
    Avanços muito limitados. O Brasil permanece entre os países com desempenho educacional abaixo da média da OCDE.
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    📌 Síntese da Evolução em 20 anos
    1. Corrupção: piora clara no ranking internacional.
    2. Inovação: oscilação com leve melhora recente, mas ainda distante dos líderes globais.
    3. Competitividade: queda estrutural desde 2014.
    4. IDH: melhora interna, mas perda relativa no cenário global.
    5. Educação: avanço insuficiente para sustentar salto tecnológico.
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    🎯 Conclusão Geral (2005–2025)
    Em duas décadas, o Brasil apresentou:
    • 📈 Melhoras sociais pontuais, especialmente na década de 2000.
    • 📉 Perda de posição relativa global, principalmente após 2014.
    • 🚫 Baixa transformação tecnológica estrutural.
    • ⚖️ Persistência de problemas institucionais, como corrupção e burocracia.
    O principal problema não é ausência total de avanço, mas ritmo inferior ao dos países que competem na economia global moderna.
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    • No primeiro mundo, com a notável exceção dos Estados Unidos, onde o presidente mais corrupto da sua história (e grande amigo do corruptor cuja amizade causou a prisão do ex-príncipe e de vários outros que estão sendo descobertos) ganha estátuas em seu clube de golfe e coloca o seu nome em tudo quanto é monumento público em que bate o olho.

  5. Não sou muito crente no papel da história como influenciadora na performance de um povo diante de desafios. Em que posição de destaque mundial, me pergunto, estariam os gregos, os romanos e os mongóis, se isso fosse verdade?
    A Coreia do Sul, embora tenha sofrido uma guerra cruel de 1950 a 1953, é hoje uma potência tecnológica e famosa por suas mulheres de pele acetinada. Nós, com todas as vantagens de sermos grandes, pacíficos e ricos por natureza (que beleza!), com a nossa maravilhosa mulata e nosso Flamengo, estamos no fundo do poço em todos os aspectos em comparação com os outros.
    Não é a história que nos faria grandes, mas a EDUCAÇÃO, a valorização da tecnologia, do respeito mútuo, do respeito à lei (por todos!).
    Os americanos passam por altos e baixos, mas têm um timão que os guia durante tempestades – a sua sagrada Constituição.

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