Bolsonaro pede que Michelle só entre na política após março e cobra união da direita

Joias de Bolsonaro viram alvo fiscal e podem ser incorporadas à União antes da prescrição

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

Luísa Martins
Folha

A Receita Federal pediu que as joias apreendidas no âmbito da investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje sob custódia da PF (Polícia Federal), sejam transferidas para a sua responsabilidade, para que tenha início o procedimento fiscal de perdimento dos bens.

A decisão caberá ao ministro Alexandre de Moraes. O perdimento dos bens pode resultar na transferência de propriedade para a União, de forma definitiva. Conforme mostrou a Folha, essa apuração está sob risco de prescrição.

CUSTÓDIA – Atualmente, as joias presenteadas pela Arábia Saudita a Bolsonaro estão depositadas em uma agência da Caixa Econômica Federal em Brasília. A Receita diz que não precisa da posse física, apenas da atribuição da custódia, para “possibilitar a adoção das medidas aduaneiras e tributárias cabíveis”.

O processo fiscal pode prescrever em outubro deste ano, conforme alerta feito pela própria Receita Federal ao TCU (Tribunal de Contas da União). O direito de punir do Estado expira cinco anos a partir da data da infração. As joias entraram no Brasil em 2021, pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos. Um dos kits passou despercebido e foi entregue a Bolsonaro, que tentou vendê-las no exterior. O outro foi flagrado com um assessor do então ministro Bento Albuquerque e apreendido.

Além da apuração aduaneira, o episódio gerou um procedimento no TCU e uma investigação penal. Nessa última, já houve o indiciamento de Bolsonaro por parte da PF. A PGR (Procuradoria-Geral da República) ainda não deliberou sobre o oferecimento de denúncia.

ALEGAÇÃO – A defesa de Bolsonaro afirma que o TCU já reconheceu, em um caso sobre presentes dados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que os bens são patrimônio pessoal e não da União. Portanto, não haveria crime a ser atribuído ao ex-presidente.

Bolsonaro está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda e conhecido como Papudinha. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

Conselheiro de Lula vê Flávio como adversário bem mais difícil que Tarcísio

Nelson Rodrigues dizia que apenas imorais e neuróticos podem ver Deus

frases de Nelson Rodrigues – OPINIÃO CENTRALLuiz Felipe Pondé
Folha

O escritor Nelson Rodrigues deveria ser lido em cada lar, nas escolas, em cada enfermaria de hospital, nos cemitérios, em cada cama de casal, nas igrejas, na porta dos bares, nas confrarias de bêbados, nas escolas de freiras e nas casas das “meninas”, ditas filhas da desgraça.

Mas não. Tentam apagá-lo das casas editoriais, chamam-no de reacionário e machista, veem nele um inimigo supremo do progresso moral, quando ele foi, na verdade, o profeta da morte dos gestos.

MORAL E GESTOS – Ao contrário do que pensam os idiotas da objetividade, a moral é feita de gestos, não de ideias. Não existe moral sem gestos, enquanto ideias confundem a alma. Mesmo a imoralidade é feita de gestos e também é parte da moral. Se não existisse aquela, esta seria inútil e oca. Só os imorais, assim como os neuróticos, verão a Deus.

O patife, a vagabunda, a adúltera são seres morais, enquanto o idiota da objetividade é um sujeito, em termos morais, tão estéril quanto três desertos. Como Nelson mesmo dizia, o profeta é aquele que vê o óbvio. E o ululante.

Nosso mundo moral se transformou em três desertos. O bem moral jamais pode ser objeto de promoção como é hoje em dia. No limite, o marketing torna as pessoas estéreis.

FILOSOFIA DE NELSON – A obra do Nelson tem conceitos filosóficos. No entanto, em relação a conceitos filosóficos, a atitude dele é o gesto tímido, não a propaganda da posse desta inteligência filosófica.

Um pouco como ele dizia a respeito do bem — o bem se envergonha de ser chamado pelo seu nome, esconde-se da plateia, prefere o anonimato. Se alguém o confrontar, morrerá de vergonha. Se puder, mentirá acerca de si mesmo, e esta mentira será o mais profundo ato de misericórdia. Qualquer um que olhar o bem nos olhos, cairá de joelho — ou, se não cair de joelhos, é porque já estará no inferno.

Mas a visão aguda da alma moral humana, no Nelson, toca o sublime. Sua crítica à educação sexual nas escolas, principalmente nas escolas “pra frente” de freiras paulistas, deve-se à afirmação delas, segundo Nelson, de que mesmo crianças de cinco anos podem e devem ter aulas de educação sexual. E aí vem o centro da argumentação delas —”não há mistério algum no sexo”. Será?

SEXO E MISTÉRIO – Toda forma de sexo carrega em si algum nível de mistério, mesmo que seja sexo pago às meninas que tornam a vida de alguns homens menos solitárias. Sexo e felicidade não estão necessariamente relacionados. E isso já é, em si, um mistério, uma vez que, em grande parte das vezes, ele nos leva à infelicidade, mesmo que tenha sido por amor.

Nada há de “saúde” no sexo, portanto, não existe sexo saudável. Não é natural como “ter sede e beber água”, como outras freiras diziam, segundo Nelson. Alguém pode imaginar mistério maior do que o sexo em meio ao voto do celibato? Quanto mais reprimido, mais poderoso. Dele, potencialmente, sai um outro ser humano. O luto do sexo, principalmente se foi elemento constitutivo de um relacionamento romântico, nunca repousará.

ENTRE AS PERNAS – Para os homens, o lugar do mistério está entre as pernas das mulheres. Quando não há mais interesse nesse mistério, parte do que é ser uma mulher se esvai como um animal que sangra por horas, ainda estando vivo. Agoniza, enquanto grita contra a injustiça do mundo.

Há no Nelson uma compreensão precisa do conceito filosófico de “imaginação moral”. Tal conceito foi cunhado a partir de um famoso trecho da obra “Considerações sobre a Revolução na França”, do autor britânico Edmund Burke, ao final do século 18, em que ele descreve o que viria a acontecer com os aposentos da rainha Maria Antonieta durante a Revolução Francesa.

Esta cena descreve a invasão do povo aos aposentos dela e, consequente, a vandalização de tudo aquilo que ela tinha ali. Roupas, acessórios, maquiagem, sapatos, cama, lençóis, espelhos. Burke, muito precisamente, percebe que uma vez tendo descoberto que a rainha era apenas uma mulher, logo descobririam que uma mulher é apenas um animal.

EXEGESE DA MORAL – Aqui está o núcleo do conceito de “imaginação moral”. A moral não é um conjunto de ideias, mas hábitos, símbolos, cheiros, gostos, costumes, objetos estéticos, narrativas, medos, interdições —enfim, fruto da imaginação e não da lógica ou do encadeamento de argumentos. Pois bem, o Nelson sabia disso, coisa que pouca gente importante sabe.

Nelson relata o que um jovem — a figura boçal criada pela contracultura, “a grande impostura” — disse certa vez. “O lar nada mais é do que cadeiras, mesas, louças”.

Nelson percebeu a devastação do lugar da família na imaginação moral. Hoje, essa devastação virou ciência, artefato de uso comum por parte dos inteligentinhos.

Lula cai nas pesquisas mais pelos seus erros do que pelos acertos de Flávio

Popularidade de Lula cai, e reprovação supera aprovação pela primeira vez,  aponta pesquisa

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Roberto Nascimento

Ficar desnorteado com pesquisas tão longe do pleito é sinal de amadorismo político do presidente Lula da Silva e da direção do PT. Motivo: a subida de Flávio nas pesquisas se deve mais aos erros de Lula e do PT, do que os acertos do filho de Jair Bolsonaro.

Por exemplo: Acadêmicos de Niterói, a escola de samba petista, veio com uma alegoria contra os evangélicos. Tiro no pé, bola quadrada.

OUTROS ERROS – Lula ao lado de Eduardo Paes no Sambódromo, todo faceiro, indo na passarela beijar bandeira de escola de samba. Não acrescentou nada e ainda teve que ouvir vaias. Ora, Lula não sabe, que o povão no Rio vaia até minuto de silêncio?

Janja não desfilou na Escola de Samba que homenageou Lula, mas só a hipótese de a primeira dama desfilar já causou perda de votos, principalmente porque Janja usou avião da FAB para visitar o barracão da Escola com seis assessoras, segundo a imprensa carioca.

Se errarem mais um pouquinho, Flávio Bolsonaro vai disparar. Falta um mínimo de humildade para Lula e o PT  perceberem, que nada está garantido. Eleição se ganha no último minuto do segundo tempo.

REI LEAR – O enredo do clã Bolsonaro, tem semelhança com o clássico “Rei Lear”, de William Shakespeare. O Rei moribundo, no leito da morte, e as filhas brigando pelo espólio. Um dramalhão que se repete enfadonhamente.

O Lear Bolsonaro, preso na Papuda, com a saúde abalada segundo o filho Zero 2, Carlos, nomeou seu filho Zero 1, senador Flávio, para assumir o espólio político e concorrer à presidência em nome do pai, flechado pelo STF.

A ex-primeira-dama Michelle, desprestigiada pelo marido e magoada ao saber da decisão do esposo pela imprensa, disse que não vai participar da campanha do enteado.

VICE DE TARCÍSIO – A decisão do chefe do clã desmontou a articulação da ex- primeira dama, que viria como vice de Tarcísio de Freitas, respaldada pelo pastor Silas Malafaia, o guru religioso da direita bolsonarista, que não cansa de apostar suas fichas em Tarcísio, como o mais preparado para enfrentar Lula da Silva nas urnas.

No entanto, a política é como as nuvens, com a passagem da ventania o quadro muda de figura. As próximas pesquisas eleitorais apontam o crescimento da candidatura Flávio, já em empate técnico com Lula, um cenário inadmissível no final do ano.

Então, esses atores, brigando entre si, vão deixar as escaramuças de lado e marcharão em ordem unida e de cabeça baixa em torno de Flávio Bolsonaro, porque ninguém quer ficar de fora das benesses do Poder.

E Tom Jobim estava naquele avião, morrendo de saudades do Rio de Janeiro…

Entre silêncio e som, um Tom Jobim harmonioso – Blog da Editora da Unicamp

Tom Jobim compôs um verdadeiro hino de amor ao Rio

Paulo Peres
Poemas & Canções

O maestro, instrumentista, arranjador, cantor e compositor carioca Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994) é considerado o maior expoente de todos os tempos da música brasileira e um dos criadores do movimento da bossa nova. A letra de “Samba do Avião” expõe a alegria de Tom Jobim ao avistar o Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa que ele descreve como um cartão postal. Essa bossa nova foi gravada pelo grupo Os Cariocas no LP A Bossa dos Cariocas, em 1962, pela Philips.

SAMBA DO AVIÃO
Tom Jobim

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio, teu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito pra mim

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar

Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar                

Lula está desoladíssimo com a morte do aiatolá que tiraniza os iranianos

As lágrimas de Lula (por José Sarney) | Metrópoles

O aiatolá morreu antes que Lula pudesse negociar a paz…

Vicente Limongi Netto

O lodo ambulante Lula da Silva, no fiasco na Marquês de Sapucaí, foi homenageado aos gritos de “volta pra cadeia, ladrão”. Agora, finalmente indo ver os estragos causados pelas enchentes, em Minas Gerais, Lula foi vaiado com palavras doces como “vagabundo” e “ladrão”.

O ministro Sidônio Cardoso Palmeira, pretende trocar a comunicação do governo pelo sofá da psiquiatria. Tudo que faz por considerar positivo para a imagem de Lula sempre vai por água abaixo. Basta Lula aparecer e abrir a boca.

VISITAR LULINHA – A lama vai tomando conta do governo federal em todos os setores. Apaniguados mais chegados sugerem que Lula não apareça mais em solenidades públicas. É melhor que passe bom tempo no exterior. Fique por lá. Leve dona Janja e vá visitar o fenômeno Lulinha, que já está foragido na Espanha, por via das dúvidas. O contribuinte paga.

Mudando de tema, mas ficando no inferno astral do chefe da nação, está demorando que Lula manifeste seu repúdio aos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. Até as pedras das ruas esburacadas sabem que Lula é chegado a ditadores. Bajulou Nicolau Maduro e Daniel Ortega com enfurecido amor e carinho.

Espera-se agora que chore e tenha ataques de nervos pela morte da excrescência maior do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Lixo nojento e desprezível que cometeu as maiores barbaridades contra a população iraniana durante 50 anos, desde os tempos do outro aiatolá Khomeini.   

Ucrânia, quatro anos depois: a guerra que se tornou retrato de uma época

Gilmar criou um “jeitinho processual” para evitar a incriminação de Toffoli

Charge do Mário (Arquivo Google)

Carolina Brígido
Estadão

A defesa contratada pela Maridt, empresa de Dias Toffoli, lançou mão de uma manobra processual para garantir que o recurso à decisão tomada pela CPI do Crime Organizado caísse no gabinete de Gilmar Mendes. A vantagem é ter um dos aliados de Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF) decidindo se mantém ou não as quebras de sigilos referentes à empresa.

A defesa fez o pedido em um mandado de segurança ajuizado pelo site conservador Brasil Paralelo em agosto de 2021. Era uma contestação à ordem da CPI da Pandemia para quebrar sigilos ligados ao site. Segundo o andamento processual do STF, esse caso foi arquivado em março de 2023. O pedido da Maridt, feito nesta sexta-feira, 27, ressuscitou o processo.

SEM SORTEIO – Se os advogados entrassem com uma nova ação, ela provavelmente seria sorteada livremente entre os nove ministros do tribunal. O Supremo tem 11 cadeiras, mas uma delas está vaga. Além disso, o presidente não relata esse tipo de ação.

O plano deu resultado. Nesta sexta-feira, Gilmar Mendes anulou a determinação da CPI no julgamento do pedido da Maridt. Na decisão, tomada pouco depois da chegada do pedido à Corte, o decano explicou a correlação entre os dois casos.

“Destaco que a petição ora apreciada ostenta aderência com o tema tratado nos autos deste mandado de segurança. No caso original, a CPI havia aprovado requerimento de afastamento dos sigilos telefônico, bancário e telemático da impetrante – assim como ocorre no caso narrado na petição ora examinada, em que a CPI do Crime Organizado quebrou, de forma ampla, genérica e desconectada dos fatos apurados, os sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt”, escreveu Gilmar.

DISSE O MINISTRO – O ministro ressaltou que o tribunal precisa “lançar balizas sólidas e homogêneas para o controle dos atos praticados pelas comissões parlamentares de inquérito, de modo que os parlamentares, a sociedade e os operadores do direito possam compreender o alcance exato do poder de requisição de diligências pelo Poder Legislativo, especialmente quando a medida puder afetar direitos fundamentais da pessoa investigada”.

Independentemente da relação ou não com o caso, a decisão que Gilmar Mendes tomou foi um habeas corpus de ofício. Esse expediente está previsto no artigo 654 do Código de Processo Penal.

Segundo a norma, “os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de habeas corpus, quando, no curso de processo, verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal”. Ou seja, mesmo que não seja feito um pedido específico nesse sentido, o juiz tem a prerrogativa de conceder um habeas corpus diante da ocorrência de uma injustiça grave.

CABE RECURSO – Como foi uma decisão monocrática de ofício, e não uma liminar, o questionamento não deve seguir para julgamento em plenário. Isso pode ocorrer, no entanto, se alguém entrar com um recurso à decisão de Gilmar Mendes.

Nas críticas sofridas por Toffoli quando era relator do caso Banco Master, Gilmar Mendes saiu em defesa pública do colega. Em 26 de janeiro, publicou a seguinte mensagem no X: “O ministro Dias Toffoli tem uma trajetória pública marcada pelo compromisso com a Constituição e com o funcionamento regular das instituições”. Acrescentou que o colega observava “os parâmetros do devido processo legal” em sua atuação.

Toffoli deixou a relatoria do caso Banco Master há duas semanas, após um acordo selado entre os ministros do tribunal. O relator sorteado para substituí-lo foi André Mendonça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Faltou a jornalista Carolina Brígido acrescentar que Toffoli foi afastado da relatoria devido a um pedido oficial da direção da Polícia Federal, que encaminhou a solicitação diretamente ao presidente do Supremo, Edson Fachin, com base num relatório de 200 páginas que comprova o envolvimento irregular e ilegal de Dias Toffoli com o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, dono do grupo Master. Apenas isso. (C.N.)

Entre guerras externas e tensões internas: o mundo em estado de alerta

Gilmar ultrapassou todos os limites nessa tentativa de “blindar” Dias Toffoli

Gilmar Mendes manda soltar mais quatro que estavam sob prisão preventiva - Espaço Vital

Charge do Nani (nanihumor.com)

Ricardo Corrêa
Estadão

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações, que pertence ao colega Dias Toffolli e irmãos, expõe um modus operandi escandaloso utilizado por parte expressiva da Corte para se proteger.

Mais do que o mérito em si da decisão, o modo pelo qual foi fabricada uma prevenção no caso é de constranger até mesmo quem entende apenas basicamente o funcionamento do princípio do juiz natural.

CASO ARQUIVADO – O flagrante drible na regra se deu quando a Maridt – leia-se Dias Toffoli – apresentou um habeas corpus para contestar a decisão dentro de um mandado de segurança já arquivado da CPI da Pandemia. A manobra se deu para fazer de Gilmar Mendes o juiz prevento do caso, evitando o sorteio ou a distribuição para outro magistrado.

O absurdo é tão cristalino que é preciso pouca explicação para evidenciá-lo. Gilmar deveria ter abdicado de decidir. Não é o caso de prevenção. O mandado de segurança arquivado não tinha qualquer relação com o caso em questão. E o fato de ter sido desarquivado apenas para a concessão da decisão e arquivado novamente em sequência completa o escárnio.

Se havia qualquer prevenção no caso específico, seria para o ministro André Mendonça, que já havia tomado decisões acerca da CPI do Crime Organizado, inclusive relacionada aos irmãos de Toffoli, donos da Maridt.

DECISÃO VEXAMINOSA – Depois de rifar o mesmo Dias Toffoli do inquérito relacionado ao Banco Master para se livrar de uma crise de imagem sem precedentes, o STF novamente mergulha nela por uma decisão que tenta tirar do Parlamento – fiscal do Judiciário – o poder de se imiscuir sobre suspeitas envolvendo a relação do ministro com aquele que, até outro dia, era seu “investigado”.

Quanto ao mérito da decisão em si, pode até ser válido argumentar que a CPI do Crime Organizado tentou avançar por um território que não era o escopo do colegiado. Mas é preciso lembrar também que cabe ao Legislativo fiscalizar integrantes do STF, inclusive, no caso do Senado, onde ocorre a CPI, tendo a autoridade de promover o impeachment de ministros da Corte.

Impeachment que foi tornado mais difícil pelo próprio Gilmar Mendes ao ampliar, também em decisão polêmica, o quórum de aprovação de um tipo de medida que parece cada vez mais fazer sentido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGExcelente artigo de Ricardo Corrêa. Mostra que a imprensa de verdade não se curva diante de Gilmar Mendes nem de nenhum falso magistrado como ele.  (C.N.)

Entre bolsonaristas e lulistas, o Brasil está precisando achar uma quarta via

Charge - Angelo Rigon

Charge do Quinho (Estado de Minas)

Carlos Newton

Foi o banqueiro, senador, governador e ministro mineiro Magalhães Pinto que criou aquela definição imortal de que a política é como as nuvens no céu. Você olha para cima, as nuvens, estão de um jeito; daqui a pouco você olha de novo e as nuvens já estão diferentes. Realmente, assim é a política.

Lula e PT estavam convictos de que, sem Jair Bolsonaro, a próxima eleição seria facilmente vencida. Mas as nuvens se moveram e o quadro agora é outro, com o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. E de repente se implantou um clima de terror no PT e no Planalto.

ÚLTIMA CAMPANHA – Todos sabem que é a última candidatura de Lula, que já esta mais para lá do que para cá. Suas condições físicas são precárias, ele vive de uma maneira ilusória, fingindo ser mais novo e saudável, porém a idade pesa cada vez mais.

Para Lula aguentar o desfile do Carnaval, Janja exigiu um quarto fechado no camarote da Prefeitura, para ele dormir entre uma escola e outra. Por isso, Janja ficou de fora e não deixava ninguém entrar, barrando ministros e até Lurian, a filha que ele teve fora do casamento.

Assim, a campanha vai ser uma maratona para um velho que está chegando aos 81 anos, tem de percorrer o país inteiro em viagens cansativas até para jovens, suportando o incômodo “jet lag” e tudo mais.

TUDO OU NADA – Para os petistas, é um lance do tudo ou nada. Eles sabem que, sem Lula, o partido tende à extinção, porque o presidente não quis deixar herdeiros políticos. Aliás, um dos filhos até tentou se eleger vereador em São Bernardo, mas não conseguiu.

Neste cenário negativo, surge o efeito Lulinha, o filho que o presidente considera um fenômeno empresarial. E agora as investigações da Polícia Federal e o cerco político no Congresso transformam Fábio Luís Lula da Silva no centro das preocupações do Planalto.

O fato concreto é que Lulinha ficou rico com apoio da telefônica Oi e de outras empresas, e agora está envolvido com o principal responsável pelas fraudes do INSS, criando o clima ideal para enfraquecer da candidatura do pai.

EMPATE TÉCNICO – As pesquisas já mostram Lula e Flávio Bolsonaro em situação de empate. Esse cenário é interessante, porque indica que uma candidatura de terceira via poderia surpreender a nefasta polarização entre lulistas e bolsonaristas.

Calcula-se que um terço dos eleitores não apoiam diretamente Lula ou Flávio e para votar em um deles teriam de tampar o nariz. Diante dessa situação, o dono do PSD, Gilberto Kassab, que é um termômetro da política brasileira , sabe ler as nuvens, pode lançar a terceira via com um de seus pré-candidatos – Eduardo Leite (RS), Ratinho Jr. (Paraná) ou Ronaldo Caiado (GO).

Nenhum deles é conhecido nacionalmente, mas Fernando Collor, Jair Bolsonaro e Dilma Rousseff também não eram. Com esse argumento, Kassab diz que o PSD vai disputar, mas só escolherá o candidato mais perto da eleição, mas nenhum deles entusiasma o eleitorado. Ou seja, o Brasil precisa é de uma quarta via.

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P.S.A estratégia de Kassab é levar vantagem em tudo. Ele vai lançar um candidato à Presidência pelo PSD que nem precisa ganhar, pois o objetivo real é fortalecer o partido cada vez mais, para se aliar ao futuro presidente, não interessa quem seja, e indicar ministros e dirigentes de estatais. Não importa quem vença as eleições, Kassab sairá sempre ganhando. (C.N.)